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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Casais aproximam-se de Fátima, SSPX afastam-se Roma

O Papa Francisco escreveu pessoalmente ao Patriarca de Lisboa para agradecer a sua nota a propósito da aplicação do Amoris Laetitia, no que diz respeito ao acesso aos sacramentos por parte de casais em situação irregular. Tanto quanto sei é apenas a segunda vez que o Papa tem um gesto destes.

Começa já na próxima segunda-feira o encontro internacional das Equipas de Nossa Senhora, em Fátima. Esperam-se cerca de 10 mil pessoas. Saiba tudo aqui.

Faz este ano 60 anos que D. António Ferreira Gomes fez frente a Salazar, acabando por ser exilado. O Cónego Arnaldo de Pinho considera que o bispo teve razão no seu tempo. Uma entrevista a ler.

E a Sociedade de São Pio X dá mais um passo para longe de Roma, com a escolha surpreendente de um novo superior geral da ala dura, que se opõe às negociações com a Santa Sé.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Papa tira do tesouro coisas antigas e coisas novas

A saga da procura da reconciliação entre Roma e a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (vulgos lefebvrianos) continua. O Vaticano deu mais um passo, tomando medidas para que os casamentos celebrados no contexto da Fraternidade sejam considerados lícitos.

Neste mesmo dia o Papa sublinhou a importância do documento Populorum Progressio, de Paulo VI, um marco no campo da justiça social e do desenvolvimento.


António Costa esteve na Renascença esta terça-feira para ser entrevistado. Sobre a eutanásia diz que não sabe como votaria se fosse deputado. Da minha parte insurgi-me em artigo de opinião no blogue contra frases do género “é preciso um debate sério e sereno” ou “ainda não é tempo de discutir isto, há questões económicas mais importantes”, etc. Leiam e discutam.

Um convite, antes que se metam as férias da Páscoa, Thereza Ameal vai apresentar o seu livro “Querido Deus” no dia 19 de Abril às 17h30, na Obra Social Paulo VI, no Campo Grande. Apareçam e divulguem, que a autora certamente agradece!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Actualidade Religiosa: Francisco e SSPX? FIAT voluntas tua!

Poderá haver uma solução à vista para a integração dos tradicionalistas da Sociedade de São Pio X (vulgo Lefèbvrianos)? Não há ainda informação concreta, mas os sinais são, surpreendentemente, promissores.

O Fiat 500 em que o Papa Francisco viajou quando visitou Nova Iorque (ver imagem) foi vendido em leilão por mais de 400 mil euros. O dinheiro vai para instituições sociais.

Há muitas formas de fazer obras de misericórdia, mas poucas são tão desinteressadas e discretas como a de sepultar os mortos que não têm mais ninguém. É um trabalho que merece a minha mais profunda admiração e que podem conhecer melhor aqui.

Interessante notícia da Síria, onde os alauitas – a minoria islâmica que inclui a família de Assad – publicaram um raro manifesto em que se distanciam do regime, algo muito significativo tendo em conta a realidade daquela região.

Alerta para todos os interessados! O próximo encontro da Conferência Nacional de Apostolado dos Leigos já tem data, 7 de Maio; local, Évora; tema, “Nada nos é indiferente entre a Terra e o Céu” e programa, aqui. Marquem já na agenda.

terça-feira, 17 de março de 2015

Atentado no Paquistão e "O Williamson ordena amigos"

"Negando o holocausto num dia, ordenando os amigos no seguinte"
A vida difícil de um bispo ultra-tradicionalista
Domingo foi mais um mau dia para os cristãos perseguidos. Morreram 14 pessoas no Paquistão, num duplo atentado que o Papa lamentou e pela qual a Igreja local culpa em parte o Governo.

Já esta segunda-feira surgiu o relato na primeira pessoa de um espanhol que foi refém do Estado Islâmico durante vários meses, isto no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia disseram-se dispostos a recorrer a todos os meios para travar o grupo. O Vaticano também já disse que aceita o uso da força para travar o Estado Islâmico.

Outra história terrível, mas da Índia, onde uma freira de 71 anos foi violada no decorrer de um assalto.

Há muito tempo que não ouvíamos falar dele, mas parece que o bispo que se mostrou demasiado tradicionalista até para os lefebvrianos da SSPX, vai ordenar pelo menos mais um bispo entre os seus seguidores. Ao fazê-lo entrará para a história como uma das poucas pessoas a ser excomungada duas vezes…

E terminemos com uma coisa mais alegre. Durante a Quaresma a Renascença tem feito reportagem com pessoas que ajuda outras. Desta vez damos a conhecer o trabalho dos ministros extraordinários da comunhão que levam Jesus aos doentes e acamados.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Arcebispo preso, Papa na Albânia, Guerra ao Estado Islâmico

Criança espera Papa na Albânia
O que se está a passar no Vaticano nestes dias é da maior importância. Um arcebispo, ex-núncio, foi detido e vai ser julgado por abusos sexuais de menores enquanto estava ao serviço da Santa Sé, na República Dominicana. Um caso a seguir com atenção e que ainda dará muito que falar…

Mas o que tem dado mesmo muito que falar nas últimas semanas são as situações de terrorismo e o combate ao Estado Islâmico, na Síria e no Iraque. Os EUA, juntamente com aliados árabes, já começaram a atacar em força e o Estado Islâmico responde com mais propaganda, com avanços no Curdistão Sírio e com ameaças a mais um refém, neste caso francês.

Isto numa altura em que se soube que a fundação Ajuda á Igreja que Sofre foi nomeada para o prémio Sakharov, por parte da União Europeia, precisamente pelo trabalho feito para apoiar as vítimas do Estado Islâmico e também dias depois de o site da Comunidade Islâmica de Lisboa ter sido atacado, tendo sido colocada uma mensagem de apoio á Jihad.

Mais do que nunca existe tensão entre o mundo cristão e o mundo muçulmano e foi por isso mesmo que Francisco decidiu viajar para a Albânia no sábado, onde passou um só dia, mas um dia muito cheio!

O Papa disse sem meias-palavras que matar em nome de Deus é um sacrilégio e recordou os albaneses que nem todas as ditaduras são políticas. Pelo meio ainda chorou ao ouvir o testemunho de um padre albanês que foi torturado pelo antigo regime comunista.

Tempo ainda para dizer que prossegue, apesar de tudo, o diálogo entre o Vaticano e os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X, conhecidos como Lefebvrianos, continua.

E por fim, não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, onde se pergunta o que é que Jesus faria em relação ao Estado Islâmico. A autora não sabe, mas calcula que qualquer acção terminaria com uma segunda crucificação.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Um Quarto de Século de Cisma

Austin Ruse
Mais um vez, bispos cismáticos fizeram um ultimato à Igreja Católica. Reneguem os vossos ensinamentos, ou nunca mais voltamos.

A recente declaração dos três bispos restantes dos tradicionalistas da Sociedade Sacedotal de São Pio X afasta ainda mais qualquer esperança de que a Igreja se reconcilie com algum deles nos próximos tempos. Reparem que digo a Igreja reconciliar-se com eles, e não eles reconciliarem-se com a Igreja, porque para eles a reconciliação é toda de sentido único.

Numa declaração emitida no 25º aniversário do seu cisma, os três bispos insistem que o problema não tem nada a ver com a interpretação dos documentos do Concílio Vaticano II, mas com os documentos em si. Consideram que estes são perfeitamente claros e e perfeitamente heréticos.

Um dos trabalhos mais importantes dos últimos dois pontificados foi precisamente o esforço de determinar a interpretação correcta do Concílio, contra os mais loucos, e a colocação dos documentos na perspectiva da tradição da Igreja. Bento XVI insistiu que o Concílio devia ser lido através daquilo a que chamou uma “hermenêutica da continuidade”.

A SSPX entende o Concílio através de uma “hermenêutica da ruptura”. Eles dizem que o Concílio marcou o início de um “novo tipo de Magistério, até então desconhecido na Igreja, sem raizes na Tradição”. Aponta baterias, como fez sempre desde o início da sua revolta em 1988, à “liberdade religiosa, ecumenismo, colegialidade e a Nova Missa”.

A SSPX insiste que a liberdade religiosa equivale a insistir que Deus renuncie ao Seu reino sobre o homem e que isso equivale à “dissolução de Cristo”.

O Ecumenismo e o diálogo inter-religioso levaram a um ponto em que “uma grande parte do clero e dos fiéis já não vê em Nosso Senhor e na Igreja Católica o único caminho da Salvação”.

A SSPX também odeia aquilo a que chama a “Nova Missa”, que “diminui a afirmação do Reino de Cristo através da Cruz. O próprio rito encurta e obscurece a natureza sacrificial e propiciatória do Sacrifício Eucarístico”. A declaração da SSPX diz que a missa destrói a “Espiritualidade Católica”.

Há alguma verdade nas críticas à forma como as coisas evoluíram desde o fim do Vaticano II. O Ecumenismo tem sido um fracasso excepto nas questões em que tem sido posto em prática por católicos fiéis a trabalhar com Evangélicos em questões sociais.

E para mim não há qualquer dúvida que a Missa Tridentina é mais  bonita que a nova em quase tudo. Também é verdade que muitos católicos acreditam hoje que todos os caminhos levam a Deus, e que por isso a evangelização não é mesmo necessária.

Mas nem todos estes problemas são culpa do Concílio Vaticano II. Em vários aspectos, o Concílio tornou a Igreja suficientemente resistente para poder sobreviver aos golpes culturais que em larga medida já destruíram o Protestantismo mainstream.

Há mais de dois anos escrevi neste site que as conversações entre a Sociedade e a Igreja nunca chegariam a bom porto, por duas razões. Primeiro porque a Sociedade está a exigir demasiado. Eles querem mais do que a aprovação universal da Missa Tradicional. Eles querem que a Igreja renuncie aos ensinamentos de de um Concílio Ecuménico. Mas como disse o Cardeal Ratzinger, no “Relatório Ratzinger”, se rejeitarmos o Vaticano II, então também rejeitamos Trento, porque estamos a rejeitar a autoridade de ambos, isto é, a os ensinamentos dos bispos de todo o mundo, em Comunhão com o Papa.
 
Arcebispo Marcel Lefebvre
A segunda razão pela qual a SSPX provavelmente nunca vai voltar é mais complexa que a primeira. É mais do que simples rejeição do ensinamentos católico. Há também o orgulho: orgulho entrincheirado, orgulho que não aceitará a reconciliação, aconteça o que acontecer.

Mesmo que a Igreja renunciasse ao Concílio Vaticano II e impusesse a Missa Tridentina de forma universal, é provavel que o núcleo duro dos SSPX nunca regressem. Agora já se habituaram à sua própria autoridade e uma das coisas mais difíceis é a verdadeira obediência.

O regresso é improvável, mas não é impossível. Há poucas semanas um grupo previamente cismático viu os seus seminaristas prostrados no chão de uma Igreja em Roma, a serem ordenados ao sacerdócio por um arcebispo do Vaticano.

Os Filhos do Santíssimo Redentor chegaram a ser aliados próximos do Arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da Sociedade de São Pio X. De facto, quando foram fundados em 1987 foram pedir a bênção a Lefebvre.

Até 2007 viveram no deserto eclesial até 2007, quando o Papa Bento XVI emitiu o motu proprio “Summorum Pontificum”, que permite a celebração universal da Missa Tradicional. Então o grupo pediu a Roma para se fazer uma reconciliação. Houve visitações. O Cardeal Levada da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei esteve envolvido. E o ano passado o Papa concedeu a regularização.

Mas como seria de esperar, apesar de o grupo ter regressado a Roma, alguns membros individuais escolheram manter-se separados em cisma, com a Sociedade de São Pio X.

Para aqueles que insistem que a Sociedade não é cismática, considerem o seguinte: No documento que regulariza este grupo o texto oficial menciona mesmo o fim da sua “condição cismática”.

Os católicos tradicionalistas não são seres estranhos de outro planeta. São os nossos irmãos e irmãs que, em larga medida, são tão fiéis à Igreja como outros católicos – excepto na obediência eclesial . A sua energia, tanto física como intelectual, é algo a contemplar e a admirar, e fazem muita falta à Igreja hoje.

Se ao menos eles direccionassem essa energia a outros alvos que não a Igreja Católica.


Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 12 de Julho 2013 em The Catholic Thing)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. 
Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 5 de março de 2013

"There is sin in the curia, but majority are men of prayer"

Full transcript of interview with father John Wauck, professor at Santa Croce, in Rome.
See news story here (in Portuguese).

Transcrição completa, e no inglês original, da entrevista ao padre John Wauck, professor na Universidade de Santa Croce, em Roma. Ver a notícia aqui.


The Pope just last Ash Wednesday spoke of the sins against the unity of the church. This is a recurrent subject for Benedict XVI. Is there somebody in particular he is trying to reach?
I think that you can see almost all of Cardinal Ratzinger’s work at the Congregation for the Doctrine of the Faith and then as Pope as a response to divisions in the Church that sprang up after the Second Vatican Council. His whole project has been overcoming what he refers to as the hermeneutics of rupture, the idea that the Council constituted a break with the past.

The Pope has been arguing, since 1985, when he published a book of interviews with Vittorio Messore, called the “Ratzinger Reports”, that this hermeneutic of rupture has to be replaced by a hermeneutic of continuity. So instead of saying that the past is separate and now we are in the future, he says that the life of the church is a continuum and that the council is part of that continuum.

What happened though is that the interpretation as a break between past and future created a division within the church, from both directions. There were those who saw it as a good break with the past, who saw the past as something negative, and others saw it as a bad break.

Those two ways of looking at the Council, which in some ways are opposites, are united in seeing the Council as a break. But Ratzinger, and later Benedict XVI, stressed that no, the Council was not a break, nor a rupture with Tradition.

One of his criticisms deals explicitly with the Lefebvrists, and the possibility of bringing them back into the Church, and how there are people in the church today who vilify the lefebvrists in the same way as they vilify the ones they call modernists.

The Pope is really trying to bring them all together. It’s been a great project of unity, trying to bring the Church together, instead of divided into opposing camps.

So you’re seeing this through the lens of the dialogue with the Society of Saint Pius X, but many people also read this as a criticism of infighting in the curia… Is that correct?
There are really two dimensions. One is this ecclesiastical division which has been going on since the times of the Council. Another is this paradox which is part of Christian life and always has been, the Church is something holy, but we are sinners. The beauty of the mystical body of Christ is something sacred, but is always being stained by the sins of the people within the church. So some of the comments are really about moral failures, not theological interpretations.

In some ways that is a perennial paradox in the life of the Church. St. Peter himself denied Our Lord, and the apostles ran away. When the Pope spoke in the Via Crucis in 2005, about how much filth there is in the Church, even among priests, he goes on to say that “the soiled garments and face of your Church throw us into confusion. Yet it is we ourselves who have soiled them!”

He is not pointing a finger at others, he is saying we, it is we Christians, because we are all sinners. He was obviously referring, at the time, to the abuse scandals among priests. But it is really a perennial problem.

We hear about intrigue and power struggles in Rome. How true is that?
The image of the Curia as rife with corruption and greed and power hungry cardinals is very exaggerated. In the Curia, as in any place, there are human defects, weaknesses and sins, but the vast majority of the people in Rome are extremely humble, dedicated workers, really giving their lives, and are not receiving any attention at all. They are genuine men of prayer.

Now, are there some people who allow pride and greed to get in the way of their decisions? Of course, that has always happened, but it is not a majority by any standards. The curia is largely populated by people chosen by the Pope himself, and he is somebody everyone recognises as a serious man of prayer who is seeking holiness, who wants to see holiness thrive in the church and he is the one who has picked many of those working around him.

It should always be shocking, and is lamentable, to discover that people whose lives are meant to be dedicated to the service of Christ and saving souls, are concerned with power and things like that. But that is human nature, and it is less common here than in other places in the world.

Has all this contributed in any way to the Pope’s exhaustion? Or is it just that he is old?
When one looks at the Pope’s decision to resign it is always important to keep in mind that he was elected when he was already over retirement age. When he was a cardinal he had already asked twice to be dismissed, but both times John Paul II said no. He even had a place bought in Bavaria, which he was going to retire to study and write.

He was elected after he was supposed to have retired and he has been Pope for 8 years and if you think of all his travelling, his writing, all his speeches, he has been incredibly productive for a man who was almost 78 years old when he took office.

So in some ways the amazing thing is that he has lasted this long. Part of the exhaustion of the Pope, or the sense that he is no longer up to the task, surely is due to the experience he has had over the past 8 years, which includes handling the aftermath of the sexual abuse crisis, the Williamson affair, the Vatileaks crisis, the personal betrayal by his butler Paolo Gabriele. That cannot help but contribute to his decision.

But he is clearly still totally lucid. I was present on Thursday when he spoke to the pastors of Rome and he gave an off the cuff brilliant lecture, without notes, remembering facts from over 50 years ago, and in a very ordered and lucid form. It is astounding, for a person of his age.

Intellectually he is still present, but that also means that he is able to see clearly the needs of the church and to evaluate how much he can do. His decision says: “I see what needs to be done, but I also see that I don’t have the energy to do it”. The discrepancy between his intellectual vigour and his physical state is the cause of this decision, I suspect.

Can you recall any other Pope been this adamant in speaking to the internal divisions of the Church?
I am not old enough to have a memory of anybody before John Paul II. I barely recall Paul VI. But John Paul II spoke very sharply at times, specifically to members of the clergy or of religious life. He was not afraid of rebuking people, he did so in public, in the USA and in Nicaragua.

I think it is important to remember that prior to the Second Vatican Council the prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith, the enforcer of orthodoxy, was the Pope himself. So things like the Syllabus of Error, or condemnation of heresies, were always coming from the Pope himself. In that sense, concern for unity, especially at the level of doctrine was actually a common part of the activity of the papacy and was frequently expressed in very strong terms.

So I don’t think it’s a radical change on the part of Benedict.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Bento XVI vai para longe da vista...

Museu do Franciscanismo, nos Açores
Bento XVI voltou a falar esta manhã e deu a entender que depois de dia 28 vai desaparecer da praça pública, como seria aliás de esperar. Fez ainda um discurso muito interessante sobre o Concílio, considerando que ele foi deturpado pelos media.

Seja como for o Papa não estará sozinho, terá com ele o seu secretário pessoal e as leigas consagradas do Comunhão e Libertação que tratam do seu apartamento.

Os tradicionalistas terão gostado do discurso do Papa esta manhã, mas resta saber se isso será o suficiente para os levar a aceitar o ultimato que o Vaticano lhes impôs recentemente.


Abriu hoje um museu nos Açores sobre “Franciscanismo”, fica em São Miguel.

Longe de Roma e do Catolicismo, as auto-imolações no Tibete já ultrapassaram a centena. Trágico.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Caldeus procuram Patriarca, Egípcio procura juízo

"Living in America"? Não nos parece...
Já tinham saudades da Sociedade de São Pio X? Também eu. Por isso ontem fiz um texto com o ponto da situação deste grupo em relação a Roma. Nos blogues especializados diz-se que uma facção dissidente poderá estar a preparar novas ordenações episcopais.

Confrontado com instabilidade interna que ameaça o seu regime, o que o Presidente do Egipto mais precisava, certamente, era que um conselheiro seu viesse a público dizer que o Holocausto foi inventado pelos americanos

Boas notícias da Nigéri, a serem recebidas com cautela… O grupo terrorista Boko Haram propõe um cessar-fogo! Vamos a ver como é que a coisa corre.

A Semana Santa de Braga é candidata a Património da Humanidade! Um reconhecimento que poderá tornar ainda mais famosas estas celebrações tão marcantes.


Os bispos da Igreja Caldeia estão reunidos em sínodo para escolher hoje um novo Patriarca. O anúncio formal poderá ter de esperar mais um ou dois dias… Estaremos atentos.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A situação actual das relações com a SSPX

Menos razões para sorrir actualmente...
Neste blogue tenho feito os possíveis por acompanhar a questão da Sociedade Sacerdotal de São Pio X, o grupo tradicionalista que se encontra em ruptura com Roma e que é constituído por seguidores do falecido Arcebispo Marcel Lefebvre.

Durante o ano de 2012 chegou-se a pensar que uma reunificação com Roma estaria iminente, mas em cima da hora isso não se concretizou. Muitos deram então o processo de diálogo por concluído e, de facto, durante muitos meses não se ouviu nada de positivo, apenas silêncio da parte do Vaticano e bocas e insinuações menos simpáticas da parte da SSPX.

Desde então, contudo, deram-se dois desenvolvimentos dignos de nota.

Em primeiro lugar correu o boato, por enquanto não confirmado, de que o bispo tradicionalista Richard Williamson, expulso da SSPX por insistente desobediência ao superior geral Bernard Fellay, estaria a planear viajar para os Estados Unidos para participar num encontro da Sociedade de São Pio X da Estrita Observância, um grupo que se separou da SSPX pela “traição” de Fellay se ter atrevido a entrar em diálogo com Roma e a considerar a possibilidade de reunificar.

Mais, de acordo com este boato, Williamson estará mesmo a planear consagrar um novo bispo para estes tradicionalistas, nomeadamente o padre Joseph Pfeiffer, que tem sido particularmente crítico de Fellay.

Recordo que segundo a doutrina católica um bispo validamente consagrado pode ordenar outros bispos validamente. O facto de o fazer sem autorização do Papa faz com que a ordenação seja ilícita, mas não inválida. Por isso, a confirmar-se este desenvolvimento veremos provavelmente a multiplicação de bispos tradicionalistas ordenados por Williamson e Pfeiffer.

Tradicionalistas há muitos... nesta foto o "Papa"
Miguel I, dos EUA, residente no Kansas.
Será este o futuro da SSPX?
Este efeito de fragmentação da SSPX é tudo menos surpreendente. Quando se abraça a ideia da rebelião contra o poder instituído por não se concordar com o rumo, é apenas natural que o mesmo aconteça no seio do novo grupo. É assim com os protestantes e é assim com os mais diversos grupos tradicionalistas. Se a SSPX não se reunificasse com Roma um desenvolvimento destes seria uma questão de tempo, como eu alertei já em Dezembro de 2011 quando parecia certo que as negociações com Roma iam falhar.

Tomás de Aquino como arma
O outro desenvolvimento recente já não pertence ao mundo das especulações.

O ano passado, quando se percebeu que afinal a reunificação tinha caído por terra, o Papa substituiu o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé. Para o lugar foi um homem da confiança de Bento XVI mas que tinha um historial de conflitos com a SSPX, que na Alemanha operava um seminário na sua diocese.

Era claro que Gerhard Muller não era o homem indicado para representar a Santa Sé nestas conversações. Contudo, Bento XVI não dorme e ao mesmo tempo nomeou para vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei (sendo que o presidente é sempre o prefeito da CDF, neste caso Muller), o arcebispo Di Noia, ele sim uma figura encarada com muito menos suspeição pelos tradicionalistas. Tornava-se claro quem é que na verdade iria conduzir eventuais diálogos.

Este mês de Janeiro, farto de ver os tradicionalistas a contar apenas a sua versão dos acontecimentos que levaram ao fracassar da última ronda de conversações, Di Noia escreveu uma carta fortíssima endereçada a todos os padres da SSPX.

Nesta carta ele repudia muito claramente o emprego de linguagem e tons críticos por parte dos tradicionalistas, chamando ainda atenção para a carta que Bento XVI escreveu aos seus próprios bispos católicos a lamentar a falta de solidariedade que sentiu quando iniciou esta reaproximação.

Di Noia cita muito São Tomás de Aquino que identificou quatro grandes obstáculos à unidade: Orgulho, ira, impaciência e zelo desordenado. Estes obstáculos apenas podem ser ultrapassados com recurso às virtudes de humildade, mansidão, paciência e caridade.

O arcebispo reconhece que as barreiras que separam Roma da SSPX, apesar de anos de conversações, têm-se mantido basicamente iguais e que por isso torna-se necessário injectar no debate novas perspectivas e uma abordagem mais espiritual e teológica.

Não é fácil resumir a carta e recomenda-se a sua leitura na íntegra, pois é de facto muito boa e forte. Pode ser lida aqui em português do Brasil, numa tradução pela qual evidentemente não me responsabilizo, e aqui em inglês, a versão que eu próprio consultei.

Quanto ao futuro, a Deus cabe. De facto, neste momento se tivesse que apostar não seria na reunificação mas sim numa acelerada auto-destruição da SSPX... contudo, em Dezembro de 2011 estava no mesmo estado de espírito e apenas sete meses mais tarde estava preparado para anunciar uma reviravolta a qualquer momento. Por isso prefiro não arriscar. Em todo o caso, humanamente, diria que as coisas estão neste momento muito difíceis.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Natal oriental; Califado no Egipto?

Natal em Moscovo
Ontem foi dia de Natal para muitos cristãos orientais, um facto que o Papa não esqueceu, tendo enviado a todos eles uma saudação especial.

O Patriarca de Moscovo aproveitou o Natal para pedir aos seus fiéis que adoptem crianças, isto pouco depois de a Rússia ter proibido as adopções por famílias americanas.

Ontem num discurso ao Corpo Diplomático no Vaticano o Papa falou dos vários atentados à vida e à paz.

Um grupo pró-vida, Associação Mulheres em Acção, criticou hoje a Universidade Católica Portuguesa por contar entre os seus docentes com médicos que defendem posições contrárias às da Igreja, no que diz respeito, por exemplo, ao aborto.


Depois de a Sociedade de São Pio X se ter referido aos judeus como sendo “inimigos da Igreja” o Vaticano veio dizer publicamente que a Igreja Católica não considera os judeus como tal.

Por fim, o padre Manuel Morujão falou hoje aos jornalistas em Fátima. O porta-voz da CEP recordou o princípio da presunção à inocência mesmo para acusados de abusos sexuais, mas também comentou a eventual substituição do Patriarca de Lisboa.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

I want to believe!

Mulder queria fazer parte dos 84%?
Anuncio-vos uma boa nova! Depois de um mês de interrupção regressam os artigos em português de The Catholic Thing. Esta semana Howard Kainz fala do mito da Superpopulação.


E vai em seis o Patriarcas que deixam vagos os seus tronos em 2012… Agora foi o Patriarca dos Caldeus. Não morreu, mas renunciou. Em Janeiro teremos substituto.

O que é que você faria se no seu país estivesse a decorrer uma campanha de inoculação contra a poliomielite? Se é amigo dos Talibans então é natural que a sua resposta envolva assassinatos a sangue frio de funcionárias de saúde… afinal de contas o que é a campanha contra esta doença terrível que não uma tentativa de esterilizar muçulmanos?

Continuamos com o ranking de notícias de religião de 2012 e hoje entramos no Top 3. Então em terceiro lugar temos a autêntica montanha russa que foram as conversações entre os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X e Roma.

3 - A Sociedade de São Pio X e os 360º

O líder da SSPX e o Papa Bento XVI
Todos conhecem a famosa (e provavelmente apócrifa) história do futebolista que se alegra por a sua vida ter dado uma volta de 360º…

Pois foi mais ou menos isso que se passou, até agora pelo menos, nas conversações entre o Vaticano e a Sociedade de São Pio X, que reúne os tradicionalistas que seguiram o Arcebispo Marcel Lefebvre e estão em situação de ruptura com Roma.

Durante a primeira metade do ano de 2012 falou-se e escreveu-se muito sobre a iminência da reunificação. Foi uma verdadeira montanha russa que começou com aproximação, depois aparente afastamento, depois aproximação tão grande que importantes vaticanistas e comentadores chegaram a dar o acordo por certo e, finalmente, o balde de água fria que foi a certeza de que não se tinha chegado a acordo.

Os documentos são confidenciais mas o que se sabe é que o Vaticano estava disposto a oferecer aos SSPX uma prelatura pessoal que lhes daria autonomia para se governarem, em comunhão plena com a Santa Sé. Mas ao que parece a exigência de que o grupo aceitasse que o Concílio Vaticano II não representava qualquer ruptura na doutrina da Igreja parece ter sido demais para o Bispo Fellay, actual líder do grupo, e os seus seguidores.

Muitos foram os que vaticinaram que este diálogo “ou ia ou rachava”, por assim dizer. A confirmar-se essas previsões, então rachou e os tradicionalistas poderão estar agora a sair definitivamente da órbita de Roma.

Se isso se confirmar, então é pena. Por um lado porque esta era uma reunificação muito desejada por Bento XVI, que investiu nela a grande custo pessoal. Por outro, porque assim aumenta a probabilidade de a SSPX começar a entrar na espiral de loucura que costuma caracterizar estes grupos cismáticos.

Apesar do fracasso do diálogo, pelo menos aparentemente e até agora, os efeitos não deixaram de se fazer sentir. Um dos quatro bispos tradicionalistas, o anti-semita e ferozmente anti-romano Williamson, foi afastado da sociedade e alguns padres saíram também para formar um novo grupo (acção típica da espiral de loucura de que falava).

É claro que o diálogo continua mas neste momento, e ao contrário do que pensava há seis meses, julgo que a reconciliação será bastante pouco provável.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SSPX perde um quarto dos seus bispos...

Clicar para aumentar
É já esta noite que Lisboa entra no Ano da Fé. Na missa que vai decorrer na Sé de Lisboa o Patriarca fará chegar aos fiéis a carta que escreveu a propósito desta iniciativa.

Ainda no âmbito do Ano da Fé, ao fim da tarde foi lançado o álbum Missa Brevis, de autoria de João Gil e vários outros músicos. Veja aqui a entrevista a João Gil.

Sábado chega ao fim o sínodo dos bispos para a Nova Evangelização, mas o documento final será divulgado amanhã.

Entretanto a Sociedade de São Pio X tem menos um bispos. O anti-semita Richard Williamson foi expulso. Mas as conversações com Roma parecem ter naufragado.


Amanhã não deve haver mail, pelo que vos desejo um bom fim-de-semana e até Segunda, se Deus quiser.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mudanças em Roma, destruição em Timbuctu


A grande notícia de hoje é a nomeação de um novo prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé. Sendo um dos postos mais importantes na Igreja, há análise a fazer. A minha está aqui.

A nomeação de Gerhard Ludwig Müller está associada à do arcebispo Di Noia, a semana passada, para a Ecclesia Dei. Neste artigo podem ler as palavras de Di Noia sobre a reconciliação com a SSPX, um processo que imagino que ele passará a liderar (remeto novamente para a minha análise).


De África chegam notícias tristes. 17 cristãos mortos no Quénia e, em Timbuctu (na foto), destruição de património mundial por parte de terroristas ligados à Al-Qaeda… lamentável.

Depois dos tradicionalistas, um gesto para os liberais?


Arcebispo Gerhard Ludwig Müller
Bento XVI nomeou hoje um novo prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé. O agora arcebispo Gerhard Ludwig Müller era bispo de Ratisbona e sucede ao cardeal William Levada num dos mais importantes postos da Igreja, ocupado pelo próprio Papa até à sua eleição em 2005.

Confesso que fiquei surpreendido com a esta troca. Levada já tinha idade para resignar, mas o Papa também o podia ter mantido no lugar. A mudança vem numa altura em que o americano tinha acabado de ver frustrada, pelo menos temporariamente, a reconciliação com os tradicionalistas da SSPX. Surge também depois da “condenação” às freiras americanas, um acto que no meu entender era perfeitamente justo, mas que poderá não ter sido tratado da forma mais delicada. Pode mesmo ter sido esse episódio que levou a que finalmente o Vaticano contratasse um especialistas para regular as relações com a imprensa.

A saída de Levada será um castigo? Foi o que pensei inicialmente, mas vozes mais entendidas que eu garantem que não, foi mesmo só por limite de idade… talvez. Talvez eu esteja a cair na tentação de procurar conspirações em todo o lado.

O que dizer de Müller? Ao que parece, ele é um daqueles casos peculiares, considerado liberal pelos tradicionalistas e conservador pelos liberais. Os sites e blogues de pendor mais tradicionalista (católicos ou não), estão a alertar para o facto de Müller ser defensor da teologia da libertação, a corrente que fez tanto furor na América Latina nas últimas décadas e que ainda tem muitos proponentes, mas que até agora o Vaticano tinha condenado de forma bastante clara. Não deixa de ser estranho ter na CDF um pessoa que vê o movimento com bons olhos e que o tem defendido publicamente diversas vezes.

Bento XVI tem sido criticado por só ter gestos de aproximação para uma certa ala da Igreja. Desde as conversações com os herdeiros de Lefebvre, passando pela criação de ordinariatos pessoais para ex-anglicanos, na vasta maioria conservadores, até à “censura” às freiras americanas. Esta nomeação pode então ser entendida como um gesto de boa vontade para com a ala liberal, dando um pequeno encorajamento a uma das suas causas preferidas, a teologia da libertação.

Aparentemente, contudo, seria um gesto destinado a rebentar completamente com qualquer possibilidade de reunificação com a SSPX. Ainda por cima, Müller e a SSPX já tiveram trocas de palavras bastante azedas no passado.

Arcebispo Di Noia
Será aí que entra outra nomeação feita a semana passada, a do Arcebispo Di Noia para vice-presidente da Ecclesia Dei, uma comissão criada precisamente para lidar com grupos tradicionalistas. Di Noia veio preencher um lugar que estava vago há anos, sendo que o presidente da Ecclesia Dei é sempre o prefeito da CDF.

Penso, portanto, que o esquema será este:
Müller na CDF para se dedicar às milhentas coisas que a CDF faz e tentar equilibrar a imagem de uma agência que muitos pensam que existe para perseguir apenas liberais, mas essencialmente fora das conversações com a SSPX, e Di Noia na Ecclesia Dei, como vice-presidente mas a agir com autonomia, para procurar selar o regresso da SSPX.

O tempo dirá se é esta a realidade ou não.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

D. Albino Cleto RIP, São João Baptista idem

São João Baptista


Na Nigéria, mais do mesmo… outro Domingo, outro ataque a igrejas, mais 35 mortos. Esta semana com um agravante, os cristãos retaliaram e mataram cerca de uma dúzia de muçulmanos.

Na Bulgária há quase dois anos foram descobertas umas relíquias, alegadamente de São João Baptista. Muitos torceram o nariz, como se costuma dizer, se todas as relíquias daquele santo fossem verdadeiras, ele teria 6 cabeças e 12 mãos. Mas neste caso a história é mais credível…

Desde a semana passada houve desenvolvimentos no diálogo entre Roma e os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X. Leia aqui um resumo do ponto da situação…

Roma e SSPX, em que pé estamos?


Persistência... e paciência!
Ao que parece enganaram-se todos os que esperavam uma solução para breve, e incluo-me a mim mesmo nesse lote. Só espero é que não se tenham enganado todos os que davam o acordo como certo... pelas últimas indicações as coisas ainda podem correr mal... esperemos que não, nem que seja por Bento XVI, que tanto investiu neste “reencontro” com os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X.

Recapitulando, Roma e a Sociedade têm estado em diálogo há alguns anos. Finda a fase de discussão, Roma propôs um “preâmbulo doutrinal” aos tradicionalistas, que estes deviam subscrever para serem reintegrados. Depois de uma primeira finta, acabaram por enviar o documento assinado, mas com algumas alterações.

As alterações foram vistas pela Congregação para a Doutrina da Fé, que submeteu a opinião ao Papa. Corre o rumor que o Papa já estaria a par do documento antes e que teria dado o seu beneplácito, indicando que a CDF não deveria levantar problemas. Tudo parecia muito bem encaminhado, mesmo nas entrevistas concedidas pelo bispo Bernard Fellay, superior-geral da SSPX, era isso que se entendia. Até já se falava da estrutura que iria ser proposta, uma prelatura pessoal do género que tem o Opus Dei.

Esta semana que passou, Bernard Fellay foi a Roma encontrar-se com a CDF; estaria iminente a assinatura final do acordo? Especulou-se que sim, mas algo se passou. Fellay saiu de Roma sem acordo assinado e com um documento alterado que deve agora ser novamente estudado pelos tradicionalistas antes de poderem assinar de vez. É verdade, todavia, que também saiu de Roma com uma proposta já detalhada de estrutura de prelatura pessoal, o que começa a dar consistência ao cenário pós-reentrada. Mas só há pós-reentrada se houver reentrada... haverá?

O que se passou na reunião? Que alterações foram feitas e a mando de quem? Claro que já correm muitos boatos e teorias, desde pressões da ala liberal da curia romana à omnipresente e conspirativa maçonaria, fala-se de tudo. Uma das teorias que parece credível é que Bento XVI terá rejeitado o termo “erros do concílio” que estava no documento assinado por Fellay, o que se compreende. Liberdade de interpretação é uma coisa, falar de erros é outra.

Entretanto a oposição a Fellay dentro da SSPX, por parte daqueles que estão decididamente contra uma reunificação, aumenta de tom. Um dos outros três bispos já estava colocado de parte à partida. Richard Williamson, o mesmo que duvida da existência das câmaras de gás no holocausto, é ferozmente contra uma reunificação. Mas Bernard Tissier de Mallerais também se colocou definitivamente de fora, chegando a acusar Bento XVI de ser herege. Um abaixo-assinado posto a circular entre os fiéis também ia nesse sentido, embora, na última vez que tenha visto, só tivesse umas 200 assinaturas.

Tissier de Mallerais "não gosta" disto
Por outro lado, não tem havido falta de golpes de teatro e de bluff em todo este processo. Será este prolongamento uma forma de dar a entender, tanto de um lado como do outro, que se espremeram as negociações ao máximo, para que no fim ambos possam dizer que conseguiram o melhor acordo possível? Talvez, é possível, era bom.

Agora, segundo algumas fontes, Fellay apenas tomará uma decisão depois do capítulo geral da SSPX, que tem lugar em meados de Julho. A decisão cabe-lhe sempre a ele, mas é verdade que essa reunião, que evidentemente será dominada por esta questão, poderá servir para colocar pressão sobre ele, tanto num sentido como no outro. Não sou de maneira nenhuma especialista quanto às dinâmicas internas da SSPX, mas pelo que vou depreendendo, apesar dos outros três bispos serem contra (dois de certeza, um parece tender para aí), uma grande parte dos superiores distritais, que são sacerdotes, estão com Fellay. Ou seja, o capítulo tanto pode dar força a Fellay como pode esvaziar a sua autoridade moral. Claro que seria melhor chegar lá com o facto consumado, mas não deve ser possível.

O que resta? Rezar! Convém a ambos os lados compreender que esta reunificação beneficia da boa-vontade de Bento XVI e de Fellay, mas só terá hipóteses se Deus assim quiser. Rezar, rezar, rezar, para que seja feita a Sua vontade, seja ela qual for...

Nós por cá iremos acompanhando.

Filipe d’Avillez

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