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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Absolutismos

Michael Nnadi, assassinado na Nigéria
Uma absoluta vergonha o que se passou esta segunda-feira no Paquistão, onde um tribunal decretou que o casamento de uma rapariga raptada, forçada a converter-se ao Islão e forçada a casar-se com um muçulmano é válido. Qual foi o critério? Pasme-se, não foi a lei nacional, mas sim a Sharia.

Uma absoluta tristeza a notícia que nos chega da Nigéria, da morte de um dos quatro seminaristas que foram raptados por bandidos a 8 de janeiro. Os outros três foram todos libertados.

Uma absoluta desgraça o que se passa no norte de Moçambique, onde o bispo de Pemba calcula que já tenham morrido 500 pessoas às mãos de jihadistas.

Domingo foi o dia da vida consagrada. A Aura Miguel entrevistou para o efeito uma monja concepcionista, numa conversa que vale bem a pena ouvir. Da minha parte, convido-vos a ler o artigo que escrevi para o Ponto SJ e que foi publicado no sábado.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Apenas Huma entre muitas

O Papa Francisco mandou uma mensagem para o Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, em que alerta para os perigos de não se colocar o homem no centro das políticas económicas. Vale a pena ler.

Esperança no Paquistão, onde pela primeira vez parece que um tribunal está de facto a fazer alguma coisa num caso de uma rapariga cristã raptada e forçada a converter-se ao Islão. Leiam e vejam o apelo dos seus pais. Rezem, pelo menos, pela Huma Younus.

O Papa Francisco reforçou a condenação ao antissemitismo nos 75 anos da libertação de Auschwitz. Este é um fenómeno que está de regresso e não é só entre a extrema-direita e a esquerda progressista. São cada vez mais católicos a abraçar teorias destas e não pode acontecer, como explicou Francis X. Maier no artigo de há umas semanas do The Catholic Thing.

Quem me segue há mais anos sabe que tenho opiniões fortes sobre a presença de crianças nos funerais a forma como lhes falamos da morte. Hoje ouvi um podcast que alertava para não levar as crianças aos enterros. É uma opinião que considero lamentável e por isso respondi aqui.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Asias há muitas, infelizmente

O Papa emitiu hoje um documento com novas orientações e normas – com força de lei canónica – para se lidar com casos de abusos. Os especialistas – até alguns críticos do Papa – parecem concordar que é um documento muito bom. Ainda bem!

Ontem tivemos a fabulosa notícia de que Asia Bibi já se encontra em segurança no Canadá. Foi quase uma década de sofrimento que para ela já acabou. Mas infelizmente o dela é apenas um de muitos casos que existem. Falei com dois paquistaneses cristãos que se encontram na Europa a tentar encontrar soluções para os jovens da sua comunidade poderem sair do país para estudar, porque mesmo nas universidades são vítimas de discriminação.

A Conferência Episcopal quer mais católicos a intervir para ajudar casais a superar as suas crises conjugais e a Cáritas quer tudo a votar nas europeias de dia 26!

Ontem publiquei mais um artigo do The Catholic Thing em português. Matthew Hanley sublinha algumas das contradições inerentes ao movimento que nos quer impor a fantasia de que se possa mudar de sexo e mostra como estamos já numa era em que dizer a verdade pode ser considerado crime.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Asia BeFree

A grande notícia dos últimos dois dias é a libertação final (?) de Asia Bibi no Paquistão, depois de o Supremo Tribunal daquele país ter rejeitado o recurso à sua absolvição.

Marcelo Rebelo de Sousa condecorou ontem o cónego João Seabra. Uma distinção merecida para uma das mentes mais brilhantes da Igreja portuguesa.



Se pensa que o latim é uma reserva de conservadores e tradicionalistas elitistas, então pense de novo. Respondendo a um artigo prévio de David Warren, o professor de latim Daniel Gallagher desmistifica aquela que é ainda a língua oficial da Igreja Católica,de forma bem-disposta e muito interessante. A ler!

Por hoje é tudo, estarei de folga agora uns dias e volto na segunda-feira, se Deus quiser!
Cumprimentos a todos,
Filipe


terça-feira, 20 de novembro de 2018

Passaporte para a Asia, precisa-se

A face da coragem e a face da revolta
Foi durante a minha licença, mas a maioria terá tido conhecimento da libertação de Asia Bibi. Hoje o seu advogado disse que ela precisa de um passaporte estrangeiro para poder abandonar o Paquistão, onde a sua vida está em perigo.

Ontem quando mandei o mail decorriam operações de salvamento após o desabamento de uma estrada em Borba. Há mortos, e hoje o arcebispo de Évora associou-se “à dor e ao luto” pelas vítimas.

Amanhã, se puderem, não percam a conferência do padre Tomás Halik, da República Checa. Vai decorrer no Colégio São João de Brito, pelas 18h30. Nos próximos dias poderão ler na Renascença um artigo com este padre extraordinário.


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Pray for Asia

Lembra-se do caso de Asia Bibi? Pois rezem, rezem muito. A última cartada está a ser jogada, o Supremo Tribunal ouviu hoje os argumentos e deve anunciar a decisão nos próximos dias. Aguardemos e que Deus a guarde.

Ao fim de um mês e meio, Viganò teve finalmente a sua resposta. O cardeal Ouellet não se poupou nas críticas ao ex-núncio que exigiu a demissão do Papa Francisco.

Também no fim-de-semana o Papa Francisco anunciou a abertura de novas investigações sobre o cardeal McCarrick, avisando que os resultados podem ser surpreendentes e mostrar que ele recebeu tratamento favorável por ser bispo.

Apresento-vos um cirurgião inspirador, que reza com os seus doentes antes de os operar e que até muda lâmpadas quando é preciso (ver foto).

D. António Marto foi nomeado para o Dicastério do Laicado, Família e Vida.


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Alfie Evans, o disputado e Inês Gil, a escolhida

Um "toffee" agridoce
Depois do triste caso do bebé inglês Charlie Gard, temos agora uma nova situação parecida com Alfie Evans. Eutanásia? Distanásia? Direitos parentais? Autoridade do Estado? Qual é a posição da Igreja? Há muito por compreender e tentei esclarecer o mais possível neste artigo, tendo em conta que nem toda a informação é pública ainda.

No Paquistão os problemas são outros. Mais dois cristãos foram assassinados e uma igreja incendiada nos últimos dias.

Falando de coisas bem mais agradáveis, a cineasta portuguesa Inês Gil foi escolhida para presidir a um júri ecuménico no próximo festival de Cannes.

Realiza-se a partir de hoje um congresso sobre saúde mental, organizado pelas irmãs hospitaleiras do Sagrado Coração. Reportagem aqui.

E saiba ainda como é que a Misericórdia de Évora consegue cumprir a sua missão de defender a vida, à imagem das obras de misericórdia.


terça-feira, 18 de abril de 2017

Terror no Egipto e miliatares a caminho de Fátima

Militares a caminho de Fátima, fingindo ser servitas...
Espero que tenham tido uma Santa Páscoa! Dificilmente terá sido pior que a de tantos coptas que no Egipto foram vítimas de um brutal duplo atentado no Domingo de Ramos. A Páscoa é uma época em que os terroristas gostam de vitimar cristãos, como aconteceu no ano passado no Paquistão, mas este ano as autoridades paquistanesas e egípcias dizem que impediram vários ataques novos.

São cerca de 100 os militares e familiares que este ano vão peregrinar a Fátima. Conheça mais sobre esta peregrinação muito especial.

Houve uma polémica durante a semana passada sobre as renúncias quaresmais no Patriarcado de Lisboa. Os serviços do patriarcado negam qualquer problema ou mau uso de fundos e dizem onde e como foi gasto o dinheiro desde 2011.

O Patriarca de Lisboa alertou na Quinta-feira Santa para os riscos da manipulação da natureza humana. D. Manuel deu também uma entrevista à Renascença, a propósito dos 80 anos da Rádio, que pode ver aqui.

Veja também a minha entrevista a Santiago, um seminarista Chinês que explica como mesmo antes de nascer os cristãos já são perseguidos naquele país… A transcrição integral da entrevista pode ser lida aqui.

Na quarta-feira passada publiquei um interessantíssimo artigo do Pe. Paul Scalia no The Catholic Thing que, em plena Semana Santa, nos convida a olhar para Judas e vermos até que ponto não temos muito em comum comele. Não deixem de ler, pois é intemporal. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Trump critica anti-semitismo e Pastorinhos são heróis para crianças

Imagem de N.S.F. enviada para o Iraque
O Papa Francisco pede a abertura de canais humanitários para refugiados que fogem de zonas de guerra.


Para as crianças, os pastorinhos são verdadeiros heróis, considera a autora Thereza Ameal, numa altura em que o bispo de Fátima espera que a canonização dos pastorinhos avance durante o centenário das aparições.

Decorreu no fim-de-semana o Faith’s Night Out. Correu da melhor maneira, aqui pode ler um pouco sobre a experiência.

Recentemente entrevistei o arcebispo de Lahore, no Paquistão, um local onde as escolas e igrejas cristãs mais parecem prisões e onde a Páscoa se transforma, num abrir e fechar de olhos, em Sexta-feira Santa.

No domingo tive a sorte de poder estar presente, em família, na missa campal em Cascais em que foi benzida uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que será agora enviada para o Iraque, juntamente com milhares de terços e dezenas feitos por crianças. O Presidente Marcelo também esteve presente e ficou tão impressionado como eu.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

De bispos e de prisões

Ocorreu ontem um horrífico motim numa prisão brasileira, com cenas de violência atroz e pelo menos 60 mortos no espaço de poucas horas. O bispo local não se calou e protesta tanto contra o desrespeito pela vida como contra a sobrelotação das prisões.

A mutilação genital feminina não é uma questão unicamente religiosa, mas é muitas vezes com base em supostos preceitos religiosos que se continua a praticar. Inês Leitão aborda o assunto num documentário que estreia em Fevereiro, mas falou disso com Ângela Roque, aqui.

Morreu um dos bispos católicos mais polémicos dos últimos anos. Hilarion Capucci chegou a estar preso quatro anos por traficar armas para os militantes palestinianos na Cisjordânia.

No ano do centenário das aparições de Fátima chamo a vossa atenção para um detalhe interessante que me foi apontado pelo meu amigo Francisco Noronha de Andrade. No meio desta longa entrevista a Adriano Moreira há um segmento precisamente com ele em que fala da ligação das aparições de Nossa Senhora à causa da paz. Não percam! O link já aponta para o local certo no vídeo.

Lembram-se do corajoso governador Salman Taseer, que foi assassinado por defender Asia Bibi e criticar as leis da blasfémia no Paquistão? Pois agora é o seu filho que está a contas com os fundamentalistas, tudo por ter pedido orações pelas vítimas de tal lei.

E é precisamente por causa de leis como esta que milhares de cristãos paquistaneses abandonam o país todos os anos. No artigo da semana passada do The Catholic Thing fala-se precisamente de uma destas famílias e de como espelham a história da sagrada família.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Um Baptismo Natalício no Exílio

Casey Chalk
Durante a última semana do Advento, uma linda menina de sete semanas foi baptizada na paróquia redentorista na baixa de Banguecoque, Tailândia. Não foi um baptizado qualquer. Os pais da menina – que permaneceu miraculosamente tranquila durante a cerimónia – são católicos paquistaneses, requerentes de asilo em fuga de extremistas muçulmanos e obrigados a viver ilegalmente na Tailândia. A sua situação difícil, e este baptizado, são uma manifestação cativante do verdadeiro sentido do Natal.  

A família alargada é composta agora por 17 pessoas, desde bisavós até esta mais recente adição. Vivem em dois apartamentos minúsculos, de um só quarto, a pouca distância da paróquia católica, encaixados como sardinhas em lata à noite. Vieram para Banguecoque há quatro adventos, poucos dias antes do Natal, depois de uma série de ataques violentos na sua cidade natal de Karachi.   

Um membro da família, um jovem médico, foi falsamente acusado por fundamentalistas de ter rasgado intencionalmente uma página do Alcorão – uma ofensa que no Paquistão é considerada blasfémia e punida como tal. A sua cunhada, enfermeira num hospital de Karachi, foi acusada de ter tentado forçar um doente muçulmano a quebrar o seu jejum de Ramadão e de o ter tentado converter. Parentes do doente dispararam sobre ela e sobre o seu marido enquanto tentavam fugir do hospital. Duas adolescentes da família foram apanhadas e queimadas vivas em público. Foram emitidos fatwas e mandatos de captura contra eles. Sabendo que as únicas opções eram a morte ou a conversão forçada, fugiram.

Vivendo em Banguecoque desde Dezembro de 2012, tornaram-se uma família de “faz-tudo” para a paróquia, fazendo biscates para a igreja, distribuindo panfletos, ajudando com o ofertório, preparando a Igreja antes de casamentos e funerais e limpando de seguida. Esta é uma família que desafia as ideias feitas dos requerentes de asilo como pobres, fracos e desamparados, à mercê da beneficência de doadores ocidentais. Pelo contrário, eles são um grupo teso, resistente e com uma ética de trabalho incansável.

O pai da menina baptizada também não encaixa no estereótipo de refugiado. Com estatura de culturista e bem-parecido, dá ares de estrela de Bollywood e não de alguém que se esconde com medo dos seus algozes. Se os jihadistas estivessem dispostos a lutar de forma justa, ele dava-lhes uma tareia. Agora passa os seus dias a dirigir o trânsito junto à paróquia.

De certas formas a história desta família espelha o paradoxo da Sagrada Família no Natal. Parecem-nos, à primeira vista, pobres e modestos: José, o patrono simpático e mais velho da jovem virgem, Maria. Ela, a camponesa judia, silenciosa e humilde. Mas à medida que a sua história desenrola, com mensagens do Arcanjo Gabriel e as hostes celestes a proclamar a glória de Deus na pequena Belém, reconhecemos que não se trata de uma família normal. Rodeados de uma fortaleza angélica impenetrável, que recorda Eliseu, Maria e José erguem-se em desafio aberto aos poderes do mundo. Eles não serão intimidados, nem por todos os soldados ou todas as espadas do mundo.

E assim foi com o baptismo desta criança paquistanesa. Um “sinal de contradição” semelhante à do menino Jesus. Tal como a apresentação de Cristo no Templo, o seu baptismo é um verdadeiro sinal da fé e fidelidade da sua família a Cristo. Estão em Banguecoque, a milhares de quilómetros de casa, porque se recusaram submeter às exigências de extremistas muçulmanos que os ameaçaram com conversão ou subjugação.

O baptismo em público desta menina recém-nascida, com polícias tailandeses a poucos quarteirões, é um acto confiante e rebelde de piedade cristã. Que proclama a todos os que procuram extinguir o Evangelho e os seus aderentes: “Não terão os nossos corpos, nem as nossas almas”. Esta menina, dizem eles, com uma santa arrogância, pertence a Cristo. Agora, revestida de rectidão e cheia do Espírito Santo, ela carrega mais poder do que todas as autoridades da terra. É, à sua própria maneira, “uma luz de revelação aos gentios”, tal como foi o Cristo menino.

Católicos paquistaneses na Tailândia
Não é que estas sejam circunstâncias que alguém deseja para si mesmo. Os pais de Jesus provavelmente não queriam ir até Belém, com Maria grávida de nove meses já antes da partida de Nazaré. Certamente teriam preferido não ter de fugir de Herodes, deixando as suas terras por um Egipto desconhecido. Mas uma vez e outra Deus utilizou o seu sofrimento como um meio para um fim muito maior e inesperado: “Do Egipto chamei o meu filho”.

Tal e qual com os meus amigos paquistaneses: Eles preferiam não ter de abandonar Karachi. Têm pouco interesse em fazer de Banguecoque a sua casa permanente. Mas aqui estão eles, pela Graça de Deus. O que torna a sua experiência tão espiritualmente potente é a sua fé inabalável de que Deus está com eles, que não os abandonará e de que está a cumprir os seus propósitos no meio daquilo que parecem ser as piores circunstâncias. Esta é, parece-me, a chave para compreender o Advento e o verdadeiro peso do Natal.

Mas não estamos perante super-heróis de outro munto, existindo numa qualquer realidade etérea, acima da nossa. As suas alegrias e os seus desafios diários são os mesmos que os nossos. Depois do baptizado, um membro da família com cinco anos arranca a correr pelo corredor central da Igreja, até que o seu pai o apanha e puxa para junto dele com uma fúria parental tão familiar: “Não corras aqui dentro! Seu mal-educado!”

A sua coragem pode ser transcendental, as suas dificuldades particulares excepcionalmente amargas, mas a sua história mais geral de sofrimento e de esperança é a nossa, tal como a história de Natal é nossa. Todos esperamos um fim para a nossa caminhada, um lugar preparado por Deus onde seremos acolhidos pelo nosso Salvador para sempre.

Mas mesmo agora, aqui mesmo, temos motivo para celebrar. Todos nós cujo testemunho declara que por amor a Deus desprezámos até a própria vida, “mesmo até à morte”.


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quinta-feira, 27 de Dezembro de 2016)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Guterres alegra pró-vidas, desporto e fé no Vaticano

Novo SG da ONU. A long, long time ago...
António Guterres vai ser o próximo secretário-geral da ONU. A nomeação do português, que é católico e pró-vida, já foi saudada por pelo menos um grupo de lobbying pelos valores da família na ONU e os bispos portugueses também elogiaram Guterres, nomeadamente o seu sentido de fé e de humanismo.

Está a decorrer no Vaticano um encontro dedicado ao tema da fé e do desporto. A esse propósito falámos com o autor de uma história da selecção de 66 e também com o nosso já conhecido IronPriest, o padre Ismael Teixeira, que em Agosto se tornou o primeiro a fazer um Ironman, uma das provas mais duras do desporto.

Já está a decorrer a peregrinação dos educadores de infância, que anunciámos aqui há alguns dias, saibam mais sobre o que move estes peregrinos, aqui.

O caso da paquistanesa condenada á morte por blasfémia, Asia Bibi, está a entrar numa fase decisiva. A questão vai ser debatida pelos deputados portugueses.

O Papa fez uma visita surpresa às vítimas do terramoto em Amatrice e ontem e hoje, menos surpreendentemente, encontrou-se com líderes anglicanos que estão em Roma para assinalar os 50 anos do encontro histórico entre o Arcebispo de Cantuária e o Papa Paulo VI.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Compreendendo o Massacre Pascal de Lahore

David Warren
“Vil e sem sentido”. Foi assim que o Santo Padre descreveu o terrível massacre de cristãos que celebravam a Páscoa junto a um parque público em Lahore.

Morreram dúzias de pessoas, na maioria mulheres e crianças, e centenas ficaram gravemente feridos neste atentado suicida – tantos que os hospitais da cidade ficaram repletos e apelaram desesperadamente por doações de sangue. Foi ao nível do massacre de Todos os Santos em Peshawar, em 2013; foi pior que os atentados em igrejas em vários pontos de Lahore o ano passado.

Os Taliban do Paquistão reivindicaram todos estes ataques. Trata-se de uma organização que engloba várias células, em grupos que estão constantemente a mudar. A estrutura está pensada para evitar a penetração por informadores policiais.

Depois de cada atentado no Paquistão prendem-se umas centenas dos “suspeitos do costume”. Nenhum juiz que tenha amor à vida, ou que se preocupa com a sorte da sua família, quereria presidir a um julgamento destes, daí que as pessoas são detidas e depois libertadas um pouco por todo o país, para frustração dos serviços de informação dos serviços de informação ocidentais que podem saber quem são os verdadeiros suspeitos mas questionam-se porque é que estes nunca são detidos.

Conheci Lahore na minha infância e voltei várias vezes ao longo da vida a esta cidade venerável e em tempos bela, que continua a contar com monumentos impressionantes do Raj, dos Mugais e de outros tempos. Em tempos muçulmanos, hindus, sikhs, cristãos e até zoroastrianos e budistas viviam em paz nesta cidade adorável.

Quando foi a partição essa mistura ficou reduzida de repente a muçulmanos e uma minoria nativa de cristãos, na maioria católicos. Já nos anos 60, enquanto criança na escola de St. Anthony, eu tinha noção de que os cristãos deveriam ser meigos e respeitosos, sobretudo durante o Ramadão.

Pode-se ir à história – o nexo de nacionalismo e islamismo incipiente que levaram à própria formação do Paquistão – para compreender aquilo que agora se está a passar. Ambos foram importados, como “ideias com consequências” e ambos eram expressão de modernidade. Ambos ascendem das raízes do país e a única maneira de se conseguir eliminar as “raízes” do problema através de políticas seria viajando no tempo.

Na minha mais recente visita a Lahore, há mais de uma década, muitas das pessoas com quem falei já estavam preocupadas. Sabiam que a grande maioria no Paquistão, pelo menos em locais sofisticados e urbanos como Lahore, não eram fanáticos; que as suas posições podiam ser descritas, basicamente, como “viver e deixar viver”. Mas estavam assustados com o aumento explosivo de alunos formados nas madrassas – estimavam em cerca de 5% – que estavam comprometidos com uma agenda islamita violenta.

A comparação mais típica era com o Irão nos últimos tempos da monarquia. Não foi propriamente uma maioria de xiitas fanáticos que levou o Ayatollah Khomeini ao poder.

Foi este aviso que, paradoxalmente, preparou o terreno para os movimentos terroristas no Paquistão. O Governo estava bem consciente do que aconteceu ao Xá e determinado a evitar que se passasse o mesmo no seu país. Daí que com uma mão tenham tentado apaziguar inserindo mais inovações da Sharia nas leis nacionais enquanto, com a outra, constroem um exército e serviços de informação gigantescos, para lidar tanto com ameaças internas como externas, como por exemplo a rivalidade com a Índia.

Mas no nordeste montanhoso, a fronteira com o Afeganistão continua permeável e qualquer burocracia de grandes dimensões está sujeita a infiltração política organizada. Como gerações de políticos paquistaneses têm explicado a diplomatas ocidentais, não estão, nem podem estar, em controlo da situação. Não têm qualquer vontade de se renderem aos talibans, mas não há maneira de os derrotar sem ser através de um conflito da mesma dimensão que levou à partição.

“Vil e sem sentido”

Uma das vítimas do massacre
Na minha opinião a análise do Papa está apenas 33% certa. Estou com ele no que diz respeito à “vileza”, como estão, imagino, a grande maioria dos paquistaneses. O massacre de inocentes é entendido como vil mesmo por não cristãos. Mas tudo isto é complicado pela “política de identidade” que, com a ajuda das comunicações de massas, trouxe o tribalismo primitivo de volta à vida política moderna, com repercussões internacionais.

Daí que, mesmo no Paquistão, e já há algumas décadas, eu já detectava uma insinuação do género “os cristãos estão a pedi-las” por serem considerados arrogantes, apesar dos seus maiores esforços por serem discretos. Da mesma maneira que no Ocidente há o sentido crescente, à luz do terrorismo, de que “os muçulmanos estão a pedi-las”.

Há uma ideia de “nós contra eles” que ajuda a explicar como as massas complacentes se vão identificando com os membros das suas respectivas tribos, mesmo quando estão claramente errados. É um cálculo personalizado que é próprio da modernidade, embora assente sobre factos de identidade que parecem antigos e irrevogáveis.

Mas os ataques são tudo menos “sem sentido”. Também eles fazem parte de um cálculo muito moderno e “democrático”, que surgiu inicialmente através da violência aparentemente irracional dos anarquistas, socialistas e nacionalistas no século XIX. O cálculo é de que a violência – que Rumsfeld gostava de chamar “guerra assimétrica” – pode mudar as perspectivas para uma causa aparentemente desesperada.

O “terrorismo” é adoptado como táctica, ou até como estratégia, por muitas vezes funciona. Não funciona enquanto apelo a uma maioria nem pode ser tornado apelativo para esta. Os terroristas são demasiado racionais para isso, mais até do que as pessoas que os acusam de irracionalidade. Os actos gratuitos de violência – seja à carne seja a alvos arqueológicos na Síria ou no Iraque – têm por objectivo atrair as atenções das massas, chocá-las e horrorizá-las.

Os lenines, os hitleres, os Maos e os Khomeinis que chegaram ao poder compreendiam a utilidade da “violência sem sentido”. Embora sem grande entusiasmo, todos foram recebidos pelas massas complacentes quando as suas revoluções triunfaram. A atitude, invariavelmente, era “ao menos agora teremos alguma paz”.

Eis, então, o sentido da coisa. Seja no oriente ou no ocidente, o radical emprega a violência e o caos, não para incitar as burguesias a acções imprevisíveis, mas para se aproveitar do seu desejo por segurança. No final de contas abdicarão de quase tudo por uma vida tranquila.


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 1 de Abril de 2016 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

segunda-feira, 28 de março de 2016

Páscoas que são sextas-feiras santas no Paquistão

Páscoa na primeira pessoa
Terminei o último mail com votos de Santa Páscoa, mas para muitos cristãos no Paquistão o dia mais importante do seu ano litúrgico transformou-se numa longa Sexta-feira Santa. O Papa já condenou os atentados que causaram dezenas de mortos, o Governo português também.

Por trágica coincidência, dois dias antes tinha sido publicada a minha entrevista com um cristão paquistanês que se encontra a viver em Lisboa e que conta porque é que teve de fugir e o que sofrem os seus correligionários que continuam por lá.

Entretanto, hoje surgiu outra notícia trágica, a dizer que o padre indiano raptado no Iémen há algumas semanas tinha sido crucificado na Sexta-feira Santa. Rapidamente a notícia se espalhou nas redes sociais e alguns órgãos de comunicação social também a divulgaram. Mas graças a Deus, e ao que parece, é falsa. Rezem à mesma pelo Pe. Tom, mas tudo indica que ele continua vivo.

Um rápido apanhado de outras notícias pascais: O Papa condenou os “fundamentalismos que profanam o nome de Deus” e deu sacos-cama aos sem-abrigo de Roma; o Patriarca de Lisboa quer que os católicos se dêem aos mais desprotegidos e reforça que o ressuscitado é “fonte de esperança” e D. Jorge Ortiga pediu orações pela humanidade.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Black and White no Vaticano

O Papa encontrou-se esta segunda-feira com o Patriarca da Igreja Ortodoxa da Etiópia, proporcionando fotos muito giras.

Um homem saudita de 28 anos foi condenado a 10 anos de cadeia e 2.000 chibatadas por promover o ateísmo.

Entretanto no Paquistão o ex-guarda-costas que assassinou Salman Taseer por este ter apoiado a cristã Asia Bibi, acusada de blasfémia, foi enforcado na madrugada de hoje. Houve manifestações contra a execução por parte de apoiantes.

O debate sobre a eutanásia continua a dar que falar, depois de a bastonária da ordem dos enfermeiros ter dito que esta já é praticada no SNS (apesar de depois ter vindo dizer que não disse, ouça você mesmo e decida).

Pela minha parte publico hoje mais um artigo sobre este assunto. Há quem acuse os defensores da eutanásia de serem nazis só porque foram os nazis os primeiros a legalizar a prática. Não, os pró-eutanásia não são nazis. Mas a eutanásia é, como explico.

Nota para quem tem crianças. Thereza Ameal escreveu o livro: “Lúcia – A vida da Pastorinha de Fátima”. Conheça melhor o projecto aqui.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

50 anos de diálogo inter-religioso

Coisa só possível por causa do Nostra Aetate
Faz hoje 50 anos que foi publicado o importantíssimo documento “Nostra Aetate” que abriu as portas da Igreja para o diálogo inter-religioso e ecuménico. O facto não foi esquecido por Francisco na sua audiência geral.

Nessa ocasião, o Papa aproveitou ainda para rezar pela situação no Paquistão e no Afeganistão onde um violento sismo fez centenas de mortos.

A Irmandade dos Clérigos vai doar vários milhares de euros aos iraquianos refugiados na Jordânia.

Depois de ter partilhado na segunda-feira a notícia sobre o encontro de Campos de Férias Católicos que decorre no próximo sábado. Agora publiquei a transcrição integral da entrevista ao José Diogo Ferreira Martins e à Carminho Cordovil, que podem ler aqui.

Por fim, e porque hoje é quarta-feira, o artigo desta semana do The Catholic Thing é da autoria de Robert Royal, que faz uma análise séria ao relatório final do sínodo dos bispos sobre a família e do que o futuro nos reserva.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Luz ao fundo do túnel para Asia Bibi

Já há luz ao fundo do túnel, mas
é preciso continuar a rezar por Asia Bibi
Depois de uma semana de férias estive os últimos dias a fazer horário nocturno e só hoje consegui voltar a este serviço. Mas trago logo uma boa notícia! A condenação à morte de Asia Bibi foi suspensa. Atenção que não foi anulada, mas sim suspensa. Finalmente há luz ao fundo do túnel.

O Papa Francisco recebeu ontem no Vaticano autarcas e governadores de várias cidades do mundo, pedindo que pressionem os seus países a fazer mais pela ecologia. Pode ser a última chance, disse Francisco.

A Sé de Lisboa vai ter obras para ser “espaço de memória viva” para a cidade.

Foram encontrados o que poderão ser os fragmentos mais antigos do Alcorão até à data. Uma descoberta muito interessante.

Desde a última vez que fiz este “apanhado” já foram publicados dois artigos do The Catholic Thing no blog, sempre às quartas-feiras. Na semana passada tivemos o belíssimo artigo de Randall Smith que explica, de forma muito simples, o que é a Fé e como afecta a nossa forma de ver o mundo. Hoje publicámos um artigo do padre jesuíta James V. Schall, que conclui que a transcendência “aprende-se” no lar, alertando nesse sentido para o perigo de se estarem a destruir os lares…

Atenção para quem vive em Setúbal ou arredores, ou quem estará de férias nessa zona na primeira semana de Agosto. O musical “Godspell” que fez sucesso em Lisboa há alguns meses vai ao palco naquela cidade de 5 a 7 de Agosto. É de aproveitar, até porque não penso que haja mais datas previstas.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Governo do Paquistão tem miaúfa!

Save the date!
Já foi publicado o documento de trabalho do próximo sínodo da família, que decorre em Outubro. A julgar pela conferência de imprensa, os temas polémicos continuarão a dominar.

O Governo paquistanês tem o poder de acabar com a lei anti-blasfémia, mas não o faz por medo dos extremistas. Quem o diz é o arcebispo Joseph Coutts, de Karachi, que entrevistei. O arcebispo fala também do clima geral de perseguição aos cristãos no seu país.


E em Israel um grupo de drusos, uma minoria religiosa, atacou uma ambulância militar, matando um dos dois feridos transportados, que alegadamente eram jihadistas sírios. A guerra civil na Síria chegou já às zonas dos drusos e recentemente vários foram massacrados por radicais muçulmanos.

Por fim, uma nota. Este ano a Caminhada pela Vida vai ser no dia 26 de Setembro. A ideia tinha sido fazer a caminhada sempre no primeiro sábado de Outubro, mas como é possível (embora não certo) que as eleições legislativas sejam no dia 5, optou-se por antecipar a caminhada para evitar confusões. Marquem a data na agenda e espalhem a palavra!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Francisco visita o Santo Sudário

A cara que se vê no Santo Sudário de Turim
O Papa Francisco pediu perdão pela forma como a Igreja Católica perseguiu os fiéis da Igreja Valdense, em Itália.

Isto passou-se durante uma visita de Francisco a Turim, durante a qual teve oportunidade de rezar diante do Santo Sudário, sobre o qual podem saber mais, aqui, nesta conversa com o jornalista e especialista João Paulo Sacadura.

Está em Portugal o presidente da Conferência Episcopal do Paquistão. O arcebispo Joseph Coutts esteve em Guimarães, onde falou da situação dos cristãos no seu país. Amanhã apresentamos uma entrevista mais aprofundada com este arcebispo.

quinta-feira, 26 de março de 2015

"All evil has its end, and the blasphemy law is evil"

Full transcript of my interview with Paul Bhatti, ex-minister of Minorities in Pakistan and brother of Shahbaz Bhatti, who was killed for opposing the country's blasphemy law. See news story here (in Portuguese).

Transcrição integral da minha entrevista a Paul Bhatti, ex-ministro das minorias no Paquistão e irmão de Shahbaz Bhatti, morto em 2011 por se opor às leis da blasfémia. Ver reportagem aqui.
Bhatti está em Portugal para participar no Meeting Lisboa.


We hear a lot about the anti-blasphemy law in Pakistan. What is the situation at the moment?
The blasphemy law in Pakistan is one of the laws which has capital punishment. Anybody who violates this law is sentenced either to death or to a very long time in prison.

Unfortunately this law is often misused to settle personal scores. There are also many Muslims who have been victims of this persecution and these false accusations.

The general situation in Pakistan is very bad. We have political crisis, economic crisis, the country is unstable. This instability creates a fertile environment for those who want to impose their radical philosophy and who take advantage of these things, like false accusations to settle personal scores.

Unfortunately the religious minorities, in particular the Christians communities, belong to the most oppressed and marginalized sector of society, so they are easy victims of this. Doing that, it gives the message to entire world that they don't like Christians, they don't like minorities, they can do whatever they want, and they are in the media. 

This creates the kind of problems we are fighting, and my late brother Shahbaz's main objective was to promote religious freedom, bring in the mainstream of the society, the poor and marginalized sectors of the community. After his death I am carrying on his legacy, and we have a lot to do, but I think that there is hope, if we continue to follow this path. Our conviction is that we are right, we want to honour human dignity, we want to promote social justice, we are working for human equality.

But whereas there are false accusations and innocent victims, on the other hand there are hopes too. A lot of Muslim people support us, they share our feelings, they want to share the contribution to promote religious freedom and peace in the society. 

Do you believe that the anti-blasphemy laws might be abolished in the near future?
Surely. First of all, I am convinced that evil has its end, and this is evil. These things are evil. 

The second thing is that a lot of people of good faith want it to end. Now the sensibility of the international community, of a lot of good people in Pakistan, a lot of people who believe in religion... If these people come together, the opposition is rather small. I think sooner or later we will prevail.

The only thing is that the people who believe in justice, who believe in religious freedom, including the international community, have to unite. They should unite behind one platform and fight against the law, and that way it will end. But if they don't unite behind one platform, then they cannot get the advantage.

Could it be counterproductive for the international community and NGOs to criticize the law? Could that not make it more difficult to end the law as it makes it seem like the government is folding to Western pressure?
You are very right. I agree.

Raising one's voice for those who cannot raise their voice is good. But on the other hand we have to take concrete steps. These are, you have to enforce, support the local community to stand by themselves, to make them strong so that they can defend themselves and raise their voice. The basic problem is illiteracy, poverty and political representation of the religious minorities, including Christians, in the highest forum of society. 

We have to work along those lines so that people can come into the mainstream of society and do all these things.

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