quarta-feira, 27 de março de 2019

Mesquita Hagia Sophia? Hagia Juízo...

O Papa vai visitar Moçambique, em Setembro. É evidente que a viagem não tem nada a ver com o desastre natural que o país está a viver, mas não deixa de ser um boa notícia numa altura tão triste.

Regressam ao Campo Grande as conversas sobre Deus com Maria João Avillez.

Os gregos estão furiosos com o presidente da Turquia, que falou em transformar a Hagia Sophia numa mesquita novamente.

A polémica do momento é o “beija-mão” ao Papa. Escrevo sobre essa questão aqui.

Mas hoje o Papa Francisco distinguiu uma religiosa que ajudou mais de três mil bebés a nascer, no Congo. Ah, e deixou-a beijar-lhe a mão.

Depois de uma longa ausência, temos hoje um artigo do padre Schall no The Catholic Thing. Qual é a relevância teológica da música e da dança? Leia aqui.

“Cantare, Amantis Est”

James V. Schall S.J.
A frase de Santo Agostinho “Cantare, amantis est”, foi usada como título de um dos pequenos clássicos do autor Joseph Pieper, que são tão ricos. O título em português também é muito belo – “Só quem ama canta”*. Recordo-me de ler algures que os passarinhos cantam mais do que seria necessário para viverem no dia-a-dia e se reproduzirem. A realidade está cheia de uma abundância de coisas aparentemente desnecessárias, sem as quais passaríamos perfeitamente. Mas temo-las, todavia, e embelezam a nossa existência. Foi-nos dado mais do que precisamos. A realidade não é parcimoniosa. Isso interroga-nos, e deixa-nos felizes.

Porque é que cantamos e dançamos? Chegamos a um ponto em que tanto a prosa como o estar sentados nos parecem insuficientes. Porque é que a noiva dança com o seu marido e com o seu pai no casamento? Dizemos que os anjos estão organizados por coros. Louvam e glorificam a Deus. Mas será que Ele precisa da sua música para ser glorificado? Precisa de nós para o glorificarmos? Deus encontra-se para além da categoria de “necessidade”. Ele já existe na glória.

Deus não precisa de nós para completar qualquer tipo de ausência na sua vida trinitária. A “vida” de Deus não seria menos sujeita a dúvidas se Ele não precisasse de explicar porque é que trouxe seres humanos finitos e obviamente falíveis para o seu mundo? A maior acusação que costuma ser feita a Deus é: “Se Ele não queria que pecássemos, então porque é que se deu ao trabalho de nos criar?”

A existência do pecado numa criação boa significa que Deus tinha outra coisa em vista. Ele não queria que pecássemos, certamente; mas também não queria não nos criar, apesar de saber que pecaríamos. Por isso nos criou. Homem e mulher Ele nos criou. Calculou que pecássemos. Arcou Ele próprio com as consequências, no seu Filho.

A resposta a esta questão perene e paradoxal do pecado deve estar no “Cantare, amantis est”, de Agostinho. A última palavra do Deus/homem não foi lidar com os nossos pecados, embora essas tenham sido as suas últimas palavras na Cruz.

No Livro da Sabedoria lemos: “Tu amas tudo quanto existe e não detestas nada do que fizeste” (Sabedoria 11, 24). Este amor por tudo o que existe também incluiria, naturalmente, o amor por aqueles que acabaram por O rejeitar, o que é sempre uma possibilidade. Deus não pode “obrigar” alguém a amá-lo contra a sua vontade. De que serviria?

A Dança de Míriam
Numa passagem de Teoria dos Princípios Teológicos (1987), que faz lembrar tanto Martin Buber como Joseph Pieper, Ratzinger escreve: “A chave do eu está no tu; a chave do tu através do eu. Chegamos assim à pergunta mais importante. Será verdade, então, quando alguém me diz: ‘É bom que tu existas?’”. Só pode ser verdade se a minha existência e a sua existência forem elas mesmas fruto da vontade de uma Existência que é em si mesma boa, que seja incapaz de não existir. Caso contrário, as nossas existências e os nossos amores são apenas passageiros.

No Salmo 13 lemos: “Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem”. A linguagem do amor afirma que “É bom que tu existas”. A linguagem da amizade acrescenta que “é bom que existamos conhecendo-nos”. A linguagem da verdade afirma: “É verdade que tu existes”. A linguagem da criação afirma que “Tu e eu existimos ambos, ainda que a nossa existência não seja necessária”. A linguagem dentro da Trindade fala de “vida eterna”.

No livro de Judite somos convidados a “entoar um cântico ao nosso Deus com tamborins, cantar ao Senhor com címbalos. Entoai-lhe salmos e louvores, exaltai e invocai o seu nome. Cantarei a Deus um cântico novo: Senhor, sois grande e glorioso, de admirável poder, invencível” (Judite 16) e no Salmo 47 “o Senhor subiu ao som de trombeta. Cantai louvores a Deus, cantai louvores; cantai louvores ao nosso Rei, cantai louvores.”

Há muitas referências musicais nas escrituras mas, para além do cantar dos anjos do alto, na Natividade, vemos muito poucas no Novo Testamento. Quando Cristo visita a sinagoga em Nazaré, Ele “lê” Isaías. Não entoa nem canta. Não me recordo de ver referências a instrumentos nas bodas de Caná.

“O ser humano começa de novo em cada homem”, escreveu Ratzinger em 1979: “O sucesso da geração anterior não pode ser simplesmente transferido para a vindoura. Cada geração pode e deve tirar proveito do que foi alcançado antes. Mas cada geração deve também sofrer, suportar e ganhar para si mesma o estado de ser humano”.

Cada vida humana começa na escuridão do Verbo. “No final, apenas quem ama o canta”.


*Não consegui encontrar referência a uma versão portuguesa, mas traduzi assim porque o mais próximo que encontrei, em espanhol, é “Solo quien ama canta”.


James V. Schall, S.J., foi professor na Universidade de Georgetown durante mais de 35 anos e é um dos autores católicos mais prolíficos da América. O seus mais recentes livros são The Mind That Is CatholicThe Modern AgePolitical Philosophy and Revelation: A Catholic Reading, e Reasonable Pleasures

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 26 de Março de 2019 em The Catholic Thing)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing. 

A polémica beija-mão do Papa

A mais recente polémica na Igreja é a do Papa a retirar a mão para impedir pessoas de a beijar.

É um sinal dos tempos que correm que mesmo uma questão destas possa ser tão polarizante. Os que odeiam Francisco a usar isto como mais uma prova de que ele é algum tipo de Anticristo e os que o apoiam a arranjar desculpas para o comportamento.

É um sinal dos tempos que ninguém parece capaz de dizer o mais óbvio. O Papa é um homem, fartou-se, como qualquer um se farta, daquela situação, tinha horários a cumprir e outras pessoas a cumprimentar - nomeadamente pessoas em cadeira de rodas - e por isso começou a despachar.

Eu nunca cumprimentei um Papa. Mas lembro-me que quando a minha irmã foi apresentada a João Paulo II, recém casada e com o marido, receberam ordens explícitas para não se ajoelhar e não lhe beijar a mão. O que é que fizeram? Obviamente cairam de joelhos e beijaram-lhe a mão.

Estas pessoas receberam também indicações para não beijar a mão ao Papa? Se sim, isso ajuda a explicar a situação.

Foi deselegante? Foi. Foi desnecessariamente incómodo para quem se viu naquela posição? Sem dúvida. Havia razões para o fazer? Talvez. É o fim do mundo? Não me parece.




terça-feira, 26 de março de 2019

Califado desinsuflado e mártires de Moçambique

Triunfo contra as forças do mal
Há notícias pelas quais esperamos anos, mas que quando chegam já nem parecem surpreendentes. Mas não nos deixemos enganar. O fim oficial do “Califado” do Estado Islâmico é uma vitória para a humanidade. Não significa que a paz tenha chegado à região, mas é bom passo nesse sentido.

O Papa está a caminho de Marrocos, onde vai “mostrar que há compreensão entre muçulmanos e cristãos”, segundo o embaixador daquele reino em Portugal.

Já foi publicado o primeiro volume da nova tradução da Bíblia, promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa. Os bispos convidam o público a fazer críticas e sugestões, o que é caso único no mundo.


Vão-se amontoando os donativos para Moçambique. Desde o Santuário de Fátima, passando pela Irmandade dos Clérigos e pela diocese de Setúbal. A tragédia que se abateu sobre aquele país é comentada aqui pelo bispo da Beira e pelos funcionários da emissora católica, Rádio Pax.

Mas como nem tudo podem ser más notícias de Moçambique, parece que os 24 catequistas que foram mortos em 1992 poderão estar a caminho dos altares! Roguemos a eles pelos que sofrem hoje.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Tragédia em Moçambique e Templeton para o Brasil

Moçambique está a passar uma crise sem precedentes. Saiba aqui como ajudar.

O Papa Francisco falou da questão, lamentando a devastação causada pelo ciclone e várias organizações católicas têm oferecido ajuda, como a arquidiocese de Braga e a Fundação AIS.

Um cientista brasileiro tornou-se o primeiro sul-americano a vencer o importante Prémio Templeton (ver foto).

Se tem curiosidade em conhecer melhor a vida da Imperatriz Zita, que tem processo de beatificação aberta, não perca a oportunidade de ir a esta conferência.

E porque estamos na Quaresma, esta semana escolhi um artigo de Robert Royal que nos recomenda a largar as polémicas por uns tempos, para nos focarmos noutras coisas neste período. Não deixem de ler o artigo do The Catholic Thing em português.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Também o Servem

Conheço uma mulher inteligente, que estudou iconografia com outra mulher inteligente (que por acaso é minha mulher), que esteve recentemente em Florença. Sendo historiadora, estava a dar palestras sobre as antigas obras primas católicas que lá se encontram, objectos estimados há muito, aproveitando também para os rever. Muitas destas obras de arte foram produzidas durante o Renascimento e a contra-reforma, para reforçar as crenças católicas e combater a revolta protestante. (A Elizabeth Lev tem um excelente livro, “How Catholic Art Saved the Faith”, sobre este assunto).

Mas nesta viagem ela esteve particularmente atenta a obras ainda mais antigas que existem na cidade, como os ícones orientais pré-Renascimento e outras em que não tinha reparado durante visitas anteriores. Há aqui uma lição para aqueles de entre nós que se vêem envolvidos em polémicas e activismo que, aliás, são muito importantes. Ganharíamos muito em ter uma maior ligação às nossas ricas tradições. É preciso remediar essa limitação, a bem da acção prática, porque qualquer católico deve compreender que não estamos envolvidos numa luta sobre práticas eclesiais e políticas públicas; estamos em guerra – para citar São Paulo – com principados e potestades diabólicas.

No domingo, antes da missa, estive no restaurante de um hotel, onde vários ecrãs mostravam os programas de debate de domingo de manhã. Há vinte e cinco anos que estou envolvido em muitas das controvérsias sobre os quais falavam, mas subitamente percebi que actualmente existem pessoas – sobretudo em sectores da sociedade que formam a cultura – para quem o domingo de manhã se resume a isto. Este é o momento que consideram mais importante, ou mesmo sagrado (se é que usam termos tão arcaicos).

De vez em quando encorajo as pessoas a afastarem-se, por uns tempos, das guerras culturais na Igreja e no mundo, e a politização de tudo, sugerindo que leiam um livro, ou observem ou escutem alguma coisa que ajude a expandir a alma. Normalmente recebo uma de duas respostas.

Da parte dos tradicionalistas informam-me – quem diria – que “estamos em guerra” e que parar para ler Platão, ou Agostinho, ou dedicar tempo a ler música ou poesia não passa de uma distração. Penso nestes críticos como o Partido Jansenista.

Do lado dos progressistas também me dão lições de moral – sobre intelectualismo e torres de marfim – como se o interesse pela verdade significasse que nunca fazemos, ou nos interessamos por, mais nada. Vai alimentar os pobres, vestir os nus, dar tecto aos sem-abrigo e, hoje em dia, acolher os LGBTs, dizem-me. É evidente, mas sem fazer disso – como o Senhor ordenou – um espectáculo público. Este é o partido da Justiça Social.

Mas se vamos ser melhores a lidar com as forças anti-cristãs, ou a praticar obras de misericórdia espirituais e corporais, então a maioria de nós tem de abrir os olhos a novas formas de ser e de agir – a não ser que queiramos continuar a repetir os mesmos combates de pugilismo na internet, nos debates televisivos e na rádio, obtendo a mesma escassez de resultados.

Na Quaresma, a oração, o jejum e a esmola são forma tradicionais de afastar o enfoque de nós mesmos e virá-lo para os outros, sobretudo para o próprio Deus – só Ele pode evitar que os nossos esforços para fazer o bem se tornem apenas mais uma forma de auto-absorção.

Se é o tipo de pessoa que passa a maior parte do seu tempo a fazer trabalho intelectual, talvez seja boa ideia dedicar-se a outras coisas durante os próximos 40 dias. Se a sua paixão é o ativismo, seja de que tipo for, então talvez esta seja uma boa altura para maior reflexão, ou até contemplação regular. Faz parte dos fundamentos do Catolicismo reconhecer que o que Deus quer num dado momento depende das circunstâncias e do estado das nossas almas individuais.

Os americanos em particular são adeptos da acção, e isso tem dado frutos fantásticos para o mundo inteiro. Mas, sobretudo durante a Quaresma, muitos de nós têm de ser mais passivos – e receptivos – durante uns tempos. O próprio Cristo passou 40 dias no deserto antes de começar o seu ministério público.   

O demónio tentou-o com base nas necessidades físicas, domínio político, exigindo até que Deus revelasse o seu poder. Jesus resistiu e, pelo contrário, manteve-se focado na vontade do Pai. Depois disso não se saiu nada mal – os efeitos continuam a ser sentidos no mundo inteiro.

John Milton ficou cego quando estava na casa dos 40 anos e sentiu-se frustrado por não poder servir a Deus e ao homem de forma mais activa. Mas encontrou algum consolo nestas palavras:

“El´ não precisa
Dos dons de um só em cada humana esfera.

Se El´ convoca os seus fiéis, e com ardência
Que milhar´s correm para onde Ele pisa.
Também O serve aquel´ que fica e espera.”
[Tradução de Jorge de Sena]

Aquele que fica e espera, isto é, se for isso que Ele pede.

Estas tentações, e outras, surgem quando nos tentamos afastar das desordens do mundo. O livro do cardeal Sarah “A Força do Silêncio: Contra a ditadura do barulho”, foi publicado há apenas dois anos, mas parece que já precisamos de nos recordar dessa obra singular, por entre tentações de nos apressarmos ao próximo livro ou controvérsia.

Deixo aqui apenas uma das suas reflexões tão importantes: “Se nos dermos a coisas efémeras e insignificantes, entender-nos-emos como efémeros e insignificantes. Se nos dermos às coisas belas e eternas, então entender-nos-emos como belos e eternos”.

A cultura do barulho domina de tal forma as nossas vidas – mais até do que a cultura do relativismo, seu aliado natural – que ao referir sabedoria deste calibre, quase que nos sentimos obrigados a justificar que isso não significa que nos vamos retirar, deixando o mundo à sua sorte.

Não é bem pelo mundo que abraçamos o silêncio profundo. Fazemo-lo porque o nosso destino final não é o mundo.  

Mas é por nos focarmos naquilo que verdadeiramente interessa, a Realidade (o Reino) que as outras coisas nos serão dadas – não há outra forma de as receber. É dolorosamente evidente neste momento que, apesar de todo o nosso trabalho, estamos a falhar porque nos falta algo de crucial – algo que tem de vir de outro lugar. Caso contrário, não passamos de pelagianos, tal como muitos ativistas modernos, que pensam que tudo depende de nós.  

“Quando nos retiramos em silêncio do barulho do mundo, ganhamos uma nova perspetiva sobre o barulho do mundo… Ao nos retirarmos para o silêncio conhecemo-nos, conhecemos a nossa dignidade.”

Esta é a única perspetiva que produzirá verdadeira revolução, em nós e no mundo.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro é A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the Twentieth Century, da Ignatius Press. The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está também disponível pela Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Quarta-feira, 13 de Março de 2019)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 19 de março de 2019

Renúncias rejeitadas e tragédias antípodais

D. Maurílio Gouveia
Morreu o arcebispo emérito de Évora, D. Maurílio Gouveia. Rosário Silva faz aqui a sua biografia, Aura Miguel escreveu esta simpática e bonita homenagem e aqui encontram as reacções de D. Manuel Clemente e do bispo do Funchal, a sua diocese de origem.

Mas claro que a grande, e pior, notícia dos últimos dias foi o horrível massacre em Christchurch, na Nova Zelândia. O Papa rezou pelas vítimas. Deixo-vos com esta minha reflexão sobre esse atentado e sobre o papel do Cristianismo nesse fanatismo racial.

O Papa rejeitou a renúncia do cardeal Barbarin, de França, que foi condenado por encobrir casos de abuso.

Por falar em abusos, a diocese de Vila Real suspendeu o padre acusado de ter tido uma relação com uma menor com quem mais tarde viria a ter um filho. Esse dado já foi acrescentado à cronologia de casos de abuso em Portugal, que mantenho aqui.


Tarrant não é fruto do Cristianismo, é fruto do seu abandono


Por mais que algumas pessoas, incluindo o presidente da Turquia, Erdogan, insistam em dizer o contrário, o terrorista de Christchurch não era cristão.

No seu manifesto ele fala de Cristianismo, mas quando chega ao ponto de se identificar, ou não, como cristão, responde que “isso é complicado, quando souber, digo”, o que deixa bastante a desejar em termos de profissão de fé. Nisto, segue a tendência de outros famosos terroristas raciais. A excepção é Anders Breivik que, no seu manifesto, diz que foi baptizado, mas deixa esta explicação importante: “Se alguém tem uma relação pessoal com Jesus e com Deus, então é um cristão religioso. Eu, e muitos como eu, não temos necessariamente uma relação pessoal com Jesus Cristo e com Deus. Contudo, acreditamos no Cristianismo como uma plataforma cultural, social, identitária e moral. Isso faz de nós cristãos”. Lamento desiludir-te Breivik, mas não, não faz.

A questão preocupante, para mim, é que tanto Breivik, que matou dezenas de pessoas inocentes na Noruega, como Tarrant, que matou 49 pessoas inocentes na Nova Zelândia, alegaram estar a agir em defesa da cultura e da civilização ocidentais.

Sempre achei fascinante como alguém pode alegar defender uma cultura e uma civilização rejeitando precisamente o Cristianismo que é o elemento aglutinador. Tirando o Cristianismo, o que é que um português tem em comum com um finlandês? Ou com um russo? Não é de espantar que fiquemos reduzidos à questão racial, aliás, forçadíssima… Basta colocar lado-a-lado um português típico e um finlandês para se ver as diferenças em termos de tonalidade da pele.

E quando nos agarramos a coisas tão básicas como a cor da pele, tão efémeras como especificidades culturais e tão fluidas como a língua, claro que nos sentimos sempre sob ameaça e vemo-nos forçados a adoptar numa mentalidade de trincheira que vê qualquer pessoa de cor, cultura ou língua diferente como um perigo ou, para usar o termo infeliz de Tarrant, invasor.

O abandono do Cristianismo transforma a cultura europeia numa carcaça. Vemos isso tanto na decadência cultural da Europa relativista que abandonou a sua religião voluntariamente, como na retórica nojenta dos racistas atuais. São fenómenos que se alimentam mutuamente, duas faces da mesma moeda. Uma apostada num lento suicídio, outra em morrer matando.

Eu não sei porque é que Tarrant não se assume como cristão. Só Deus sabe o que se passa naquela cabeça. Mas sei que se ele fosse de facto cristão não conseguiria justificar o seu acto em qualquer manifesto, tal como Breivik só podia mesmo ser um “cristão” sem relação com Deus ou com Jesus para achar que a religião que manda amar os inimigos é compatível com a matança de inocentes.

Mentalidades como a de Tarrant e de Breivik não são fruto do Cristianismo, são fruto do seu abandono e devem servir de alerta para os guerreiros culturais que querem extirpar a fé da nossa civilização. O Cristianismo é um travão ao extremismo cultural, racial e étnico. Não é um travão infalível, como bem sabemos, mas é um travão potente. Livramo-nos dele à nossa conta e risco.

Que Deus acolha na sua misericórdia os mortos e que os cristãos sejam firmes e unânimes na sua condenação destes actos e da mentalidade que lhes está subjacentes. O nosso lugar nunca será ao lado destes homens, mas sempre das suas vítimas, independentemente da sua religião.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Armazéns para velhos e boas notícias da Síria

O cardeal George Pell foi hoje sentenciado a seis anos de cadeia por abusos sexuais de menores. A defesa vai recorrer da condenação, uma vez que o cardeal continua a alegar a sua inocência.

De “armazém para velhos” a “espaços de aconchego”. A imagem negativa dos lares tem de mudar em Portugal, diz uma freira, diretora de um lar em Évora.

Da Síria habituámo-nos a receber notícias tristes. Mas hoje trago-vos uma com final feliz, sobre quatro meninos que tinham sido dados como mortos e hoje estão em casa com o pai e o irmão.

E numa altura em que parece que o mundo da cultura e a Igreja estão de costas voltadas, o artigo desta semana do The Catholic Thing explica como se está a tentar ultrapassar essa situação nos Estados Unidos. Pode ser que estes exemplos sirvam para Portugal também.

Os Católicos Interessam-se por Arte?

James Matthew Wilson
Em Dezembro de 2013 o poeta e antigo presidente do National Endowment for the Arts, Dana Gioia, publicou um artigo na revista First Things que revelava um certo paradoxo na cultura Americana: “embora o catolicismo constitua o maior grupo religioso e cultural dos Estados Unidos, actualmente esse grupo praticamente não goza de qualquer presença positiva nas belas artes americanas – nem na literatura, nem na música, nem na escultura, nem na pintura.”

Há meio século havia muitos católicos entre as fileiras dos autores mais respeitados da América, a maioria dos quais viam uma grande e fecunda interligação entre a sua vocação literária e a sua vocação batismal. Basta pensar em Thomas Merton e em Flannery O’Conner para se ter uma ideia disso mesmo.

Como os leitores bem sabem, o debate público hoje em dia é marcado por um espírito de fúria acéfala e acusação imediata e isso ficou patente na reação crítica ao ensaio de Gioia. Foram publicadas muitas respostas e a maioria foram de indignação. Se Gioia não via uma abundância de arte e literatura católica, então não estava a procurar com suficiente atenção. Ela existe, às pazadas, à espera de leitores.

Por mais bem-intencionadas que fossem essas respostas, não perceberam o ponto. É evidente que o artigo “O Autor Católico Hoje” foi escrito com o objetivo de levar tanto os autores com os leitores católicos a tomarem nota uns dos outros “Hoje” como já aconteceu no passado. Normalmente os autores preocupam-se, e bem, em produzirem boas obras; os leitores em ler o que lhes parece ser de qualidade.

O que não é um mau princípio, mas para edificar, renovar ou mudar uma cultura, essas duas atividades devem ser levadas a cabo com uma certa consciencialização ou intenção. E, a maioria das pessoas simplesmente não refletem sobre esse tipo de coisas se não tiverem sido provocadas por um bom lamento. Têm mais com que se preocupar.

Mas o artigo de Gioia pô-las a preocupar-se. Os autores puseram as mãos no ar, irritados por não estarem a ser reconhecidos e muitos leitores exprimiram, talvez pela primeira vez, desgosto por não haver ninguém da qualidade de T.S. Eliot a escrever nos nossos dias. Claro que o Gioia não queria apenas exasperar os seus leitores, mas inspirar a criação de instituições. Ele queria que todas as pessoas interessadas se interrogassem sobre que tipo de instituições podiam ser criadas para apoiar e cultivar a renovação da literatura católica.

As respostas não tardaram. Há alguns anos já tinham sido fundados os jornais literários “Image” e “Dappled Things” e a pequena editora Wiseblood Books começou a publicar romances, poesia e crítica ao estilo de O’Connor. Esta foi uma oportunidade para alertarem o mundo para o seu trabalho. O próprio Gioia organizou uma conferência de três dias no Institute for Advanced Catholic Studies, da University of Southern California, sobre o Futuro da Imaginação Literária Católica. Compareceram centenas de pessoas, incluindo alunos dos liceus católicos da zona.

E nos meses seguintes aqueles que se tinham reunido na conferência voltaram para casa e tentaram fazer algo novo. A professora de Inglês Mary Ann Miller fundou a revista Presence, focada na poesia católica. Outros, de Fordham e da Layola de Chicago, concordaram em tornar a conferência um evento bienal. Realizou-se em Fordham, em Abril de 2017 e em Chicago, em Setembro de 2019. Outros ainda criaram séries de leitura e de conferências nas suas universidades ou casas, para juntar autores e leitores. 

O sonho do Poeta, de Cézanne
Faço a revisão desta breve história hoje, enquanto considero a pequena parte que nela desempenho e que ainda agora está a começar.

Há cerca de um ano a Franciscan University Press, de Steubenville, no Ohio, pediu-me para lançar uma série de poesia. Propus a criação da Colosseum Books, que tem a seguinte missão:

No mundo antigo, os progressos civilizacionais de Roma foram transformados e levedados pelo espírito do Cristianismo. O Coliseu era um símbolo do esforço e do sofrimento envolvido neste renascimento, mas também de vitória final e de união, na medida em que o Cristianismo emergiu para tomar posse dos tesouros de Atenas e de Jerusalém, com a capital espiritual em Roma. Na era moderna, o autor inglês Christopher Dawson editou a revista Colosseum, um fórum para estimular a relação entre o mundo intelectual católico e a cultura e a arte contemporâneas. Nas suas páginas grandes mentes como as de Dawson, Jacques Maritain e E.I. Watkin estudaram e discutiram as proezas literárias de T.S. Eliot, Sigrid Undset e outros autores do renascimento literário católico e não só.

Animados pelo mesmo espírito de luta e renascimento, transformação e síntese, propomo-nos a publicar obras novas importantes, escritas por poetas contemporâneos que mereçam a atenção de leitores sérios. Os volumes serão simultaneamente obras de humidade e de ambição, de engenho e de espírito, criados por autores atentos às responsabilidades laborais do artista e da compreensão clássica das belas artes enquanto ocasião de epifania e beleza. Recordar-nos-ão do verdadeiro alcance do intelecto, o grande drama da vida humana, a disciplina e dedicação do trabalho sério e o grande destino do Homem.

Agora, que nos aproximamos da publicação dos dois primeiros Livros Colosseaum, esta Primavera, pediram-me ainda que criasse um programa para aspirantes a autores. Daí que o primeiro Instituto de Verão Colosseum terá lugar em Julho, juntando quinze jovens poetas no Campus da Franciscan University ao longo de quatro dias de discussão sobre a filosofia da arte e da beleza, a história da forma poética e um atelier para aperfeiçoarem o seu próprio estilo. Planeamos trazer autores de renome para lerem as suas próprias obras e partilhar a sua sabedoria enquanto tentamos, de alguma forma, edificar a cultura literária católica, que está a precisar de renovação.

Não é natural que um empreendimento deste estilo gere grande indignação ou revolta. Mas, um dia, dentro de alguns anos, alguém há de se queixar: “Porque é que já não há grandes autores católicos?”. E algum leitor casual poderá responder: “Bom, grandes, não sei, mas digo-te já uma dúzia que são bons”. Isso já seria um bom começo.


James Matthew Wilson, é autor de oito livros, incluindo, entre os mais recentes, “The Hanging God (Angelico) and The Vision of the Soul: Truth, Goodness, and Beauty in the Western Tradition” (CUA). É professor associado de religião e literatura no departamento de Humanidades e Tradições Agostinianas na Universidade de Villanova e já foi editor de poesia para a revista Modern Age, e de series para a Colosseum Books, da Steubenville Press, na Franciscan University. Veja aqui a sua página na Amazon.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 9 de março de 2019)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 12 de março de 2019

O Estado falido que estrangula

O Estado está a cumprir no que diz respeito à área social? Duas vozes da Igreja dizem que não. A nova provincial das irmãs hospitaleiras fala em “falência da responsabilidade social do Estado” e um responsável da arquidiocese de Évora diz que as instituições da Igreja vivem numa situação de estrangulamento.

Uma capela em Braga venceu um prémio de arquitectura. Parece-lhe déjà-vu? Aconteceu a mesma coisa com outra capela, dos mesmos arquitectos, também em Braga, em 2011.

A Catedral de Santiago de Compostela – que arquitectonicamente também não é nada de se deitar fora – foi vandalizada. Deve ter sido pelos arautos da liberdade…

E no passado dia 8 de Março, dia da Mulher, a Renascença e a Ecclesia entrevistaram a directora da Obra Católica das Migrações, Eugénia Quaresma. A ler.

Conhece algum não-crente que gostaria de fazer um retiro de silêncio? Apresento-vos esta proposta de um retiro de um dia. Mas os crentes também podem ir!

quinta-feira, 7 de março de 2019

Barbarin e a renúncia quaresmal

Cardeal Barbarin
Já entrámos na Quaresma. Este ano juntámos aqui notícias sobre todas as mensagens quaresmais dos bispos portugueses, com informação também sobre o destino das renúncias quaresmais. Este ano 10 dioceses escolheram a Venezuela.

O Papa Francisco celebrou missa de Quarta-feira de Cinzas e falou de uma Quaresma que liberta.

Hoje foi condenado mais um bispo por encobrimento de casos de abuso sexual. O cardeal Barbarin anunciou a sua renúncia ao cargo.

O bispo do Porto escreveu uma nota pastoral em que diz que a diocese pode admitir alguns “recasados” aos sacramentos.

Eu já escrevi mais que uma vez sobre a importância de reconhecermos a sacralidade do corpo, mesmo depois da morte. Ora é precisamente sobre isso que escreve a autora do artigo desta semana do The Catholic Thing em português, partindo da situação particular das relíquias. Não deixem de ler e partilhar!

quarta-feira, 6 de março de 2019

Recordando o Corpo

T. Franche dite Laframboise
Leia também:

Recentemente uma colega desafiou-me para ir ver os restos mortais de um padre santo, o que, para um católico, devia ser uma coisa normal. A tradição solene de venerar as relíquias dos santos tem antigas e profundas raízes. Mas o convite que me chegou por email assumia a forma de uma pessoa a explicar cuidadosamente ao mundo que os católicos não são de todo estranhos, enquanto procurava saber se certas relíquias em tournée estavam a distância de serem visitadas.

Compreendi a ironia.

Ela sabia que, há vários anos, eu me tinha candidatado a uma bolsa de investigação para tentar perceber porque é que as pessoas continuavam a ir ver os “Incorruptíveis” em Roma. Era por devoção ou por curiosidade macabra? Foi preciso dar muito mais explicações do que eu imaginara, porque a comissão simplesmente não fazia ideia que tais coisas “ainda existiam”.

A veneração de restos mortais de santos é vista por muitos como um resquício bizarro, impossível de justificar por pessoas modernas. A tradição pode ter milénios, mas os tempos e as crenças mudaram. Num mundo em que a ciência, segundo nos dizem, tem explicações para tudo, os corpos já não carregam nem mistério nem importância. São modificados e vendidos como bens, mutáveis e alteráveis, algo a transcender e a substituir.

Mas os corpos são importantes, tanto em vida como na morte. A antiga Igreja reconheceu isto desde logo. O que fazemos afeta o mundo material e transforma o corpo, para bem ou para mal. Deixar o poder de Deus fluir através de uma pessoa carrega com santidade a própria matéria de que é feita.

A Igreja estimava os restos mortais dos santos porque conhecia esta verdade. As Escrituras mostram-nos como os tecidos que tinham tocado na pele de Paulo eram usados para expulsar demónios e curar doenças (Actos 19,12) e como as pessoas acreditavam que a própria sombra de Pedro os poderia curar (Actos 5,15). Mostram até como os ossos de Eliseu reavivaram um morto que tinha sido sepultado ao seu lado (2 Reis 13,21).

Mas há mais a ter em conta aqui. Os corpos também têm importância comunitária. Isto tem menos a ver com milagres e mais a ver com a manutenção de identidade e relações. Quando os fiéis recuperaram os ossos de Policarpo, “mais preciosos que joias”, e os depositaram num local condigno, foi já com a ideia de se juntarem anualmente para celebrar o seu martírio e se prepararem para enfrentar a mesma prova. Policarpo mantinha-se assim vivo e capaz, mesmo na morte.

Não restou grande coisa de Inácio de Antioquia depois de ter sido despedaçado por feras, mas a Igreja juntou o que pôde e alegrou-se por poder levar de volta a Antioquia um verdadeiro tesouro, recebido pela graça de Deus. Voltou para o seio do seu povo, um membro ainda vivo da sua comunidade.

A Escritura mostra-nos ainda que José, antes de morrer, obrigou os filhos de Israel a jurar que quando saíssem do Egipto levariam com eles os seus ossos (Gen. 50,25). Assim fizeram, sepultando-os junto aos seus antepassados, sim, mas no meio deles.

São Jacques Marquette
O corpo é, de facto, importante, e o que fazemos com ele – na vida ou na morte – interessa. Apesar de se dizer que certas religiões são “Povos do Livro”, isto não é verdade. Não fomos fundados sob um livro; temos um livro. Na verdade somos fundados sobre um Corpo. Somos membros dele. Salvos por Ele. Vivemos nele. Não deve admirar, portanto, que a Igreja preserve os restos dos seus santos e construa Igrejas sobre os seus ossos, pois eles permanecem membros vivos do Corpo de Cristo.

Mas esta crença pode-se perder e, com ela, a identidade e a comunhão que formamos como Corpo. As pessoas raramente fazem peregrinações. As paróquias não sabem que relíquias possuem, se é que as possuem. Até a crença na Presença Real na Eucaristia está em declínio. Estas coisas estão ligadas. Os corpos deixaram de interessar.

Dou-vos um exemplo recente: O meu pai tinha uma forte devoção ao Père Jacques Marquette, o grande missionário francês do Século XVII. Era uma coisa dele, e antes de morrer queria ter visitado a sua campa, no Michigan, mas adoeceu e isso tornou-se impossível.

Mais tarde vieram parar-me às mãos cartas – velhas e frágeis – do padre Edward Jacker, escritas em 1886, que narravam a descoberta dos restos mortais de Marquette em Point Saint-Ignace, uns anos antes.

Marquette morreu e foi sepultado lá em 1675. Em 1677 os índios Kiskakon estavam a caçar nas proximidades e quiseram visitar o seu pai espiritual. Tal como os israelitas tinham feito com José, juntaram os seus ossos e levaram-nos, solenemente, para serem sepultados na capela de Saint-Ignace. O seu corpo era importante. Era importante para eles como comunidade. O Pe. Jacker escolheu os fragmentos maiores para doar à recém-criada Marquette College e sepultou o resto em Saint-Ignace.

A história fascinou-me e sempre que me encontrava com jesuítas de Marquette perguntava-lhes onde estavam os seus restos mortais. Numa capela? Na comunidade privada? Ninguém me sabia responder. A maioria respondia-me que a sua sepultura está no Michigan. Perplexa, fui aos arquivos, procurando algum indício que me pudesse ajudar. A senhora atrás do balcão disse-me que não seria necessário, os restos mortais do santo estavam preservados no arquivo, por detrás de si. A comunidade jesuíta tinha pedido que não fossem vistos. Estaríamos a falar da mesma comunidade que não sabia sequer que lá estavam?

Permitam-me expressar, não uma crítica, mas uma prece. Que nos recordemos das nossas relíquias sagradas. Jacques Marquette está vivo e pode interceder por nós. É um padroeiro a quem devemos recorrer. Devemos honrar o seu corpo.

Agora que entramos na Quaresma, recordemos as razões pelas quais valorizamos esses restos morais e os mantemos entre nós. Não corremos só o perigo de perder o rasto aos seus corpos, mas de nos esquecermos da raiz da nossa verdadeira identidade, enquanto Corpo de Cristo.

Dieu n’a pas voulu permettre qu’un deposit si pretieux, demeurast au milieu des bois sans honneur et dans l’oubly. («Deus não quis permitir que tão precioso depósito permanecesse no meio da floresta, esquecido e sem honra») [Vol. 59 Jesuit Relations and Allied Documents]


T. Franche dite Laframboise é escritora, oradora e estudante de Sagrada Escritura, com licenciaturas de Marquette e de Notre Dame. É especializada em antropologia teológica e exegese patrística. Considera-se uma académica em recuperação e está a trabalhar no seu mais recente livro, sobre a data da Última Ceia no Evangelho de São João.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no domingo, 3 de março de 2019)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Américo, o auxiliar

Lisboa tem um novo bispo auxiliar. Por acaso é o meu chefe. O Papa nomeou esta sexta-feira o padre Américo Aguiar para ocupar essa função. O agora D. Américo deixou uma mensagem para Lisboa, dirigida especialmente aos jovens, e outra para o Porto, de onde é natural. Em entrevista à Renascença o novo bispo falou da importância de se monitorizar os media, a bem da democracia.

D. Manuel Clemente elogia as “grandes qualidades” do novo bispo e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa acha que ele será um bispo “muito completo”. Até o presidente da Câmara de Lisboa fez questão de saudar a “renovação geracional” que a escolha representa.

Uma das obras mais próximas do coração de D. Américo é a Irmandade da Torre dos Clérigos, cujo restauro ele supervisionou e que muitos dos que comentaram a sua escolha destacaram.

Mudando radicalmente de assunto, os padres portugueses sagraram-se novamente campeões europeus de futsal. A sério malta, já podiam começar a dar oportunidades aos outros…

E já começaram a sair as mensagens de Quaresma! Conheça aqui a do seu bispo, caso já tenha sido divulgada.

Deixo-vos ainda com esta entrevista ao Joaquim Galvão, que quer implementar o dia do Perdão e da Reconciliação, a 1 de Março. Uma excelente iniciativa.


Partilhar