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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Quem tem medo da Unção dos Doentes?

Com imagens destas, não era suposto termos medo?
Quarta-feira é dia de audiência geral do Papa, e com Francisco isso é sinónimo de notícias… assim tivemos hoje orações pela paz na Venezuela e também a garantia de que não há que ter medo da unção dos doentes.

Também esta manhã soube-se que já foi aprovada a versão preliminar do resumo das respostas aos inquéritos sobre a evangelização e a família. Houve muitas respostas, mas não há detalhes por enquanto.


E aos nossos amigos eborenses fica o aviso de que a renúncia quaresmal deste ano naquela arquidiocese destina-se a ajudar as monjas de Belém, que se estão a instalar por lá e têm um mosteiro para pagar.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é de interesse geral, mas recomenda-se a sua leitura de forma particular aos sacerdotes, em especial aos párocos. Será possível transformar uma paróquia por diocese em exemplo de excelência?

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Francisco tweeta sobre Bento

O Papa Francisco recordou hoje o seu antecessor Bento XVI, que anunciou há precisamente um ano que ia resignar ao Pontificado. Num tweet Francisco elogia a grande coragem e humildade de Ratzinger.

Também hoje o antigo Secretário de Estado do Vaticano, Tarcísio Bertone, recordou que tentou demover o então Papa de resignar, mas sem sucesso. Irrevogável, para aquelas partes, significa isso mesmo.

Mais um episódio bizarro esta tarde no Vaticano. Meses depois de um homem se ter incendiado na Praça de São Pedro, hoje dois homens tentaram fazer o mesmo, mas foram impedidos.

Morreu o cónego Fernando Marques Dias, de Viseu, que era “amigo de todos os padres” daquela diocese.

E hoje publiquei no blogue a transcrição completa da entrevista que fiz aos Simplus, sobre o seu percurso, a importância da sua música para a fé e a importância da fé para a sua música. Não percam.

terça-feira, 12 de março de 2013

“I wouldn’t be surprised if there were leaks from the Conclave”

Full transcript of interview with Robert Royal, editor of The Catholic Thing and author of a book about the Swiss Guard. News story here (in Portuguese)

Transcrição integral da entrevista a Robert Royal, editor de The Catholic Thing e autor de um livro sobre a Guarda Suíça. Notícia aqui.


Who is in charge of security during the Conclave?
As I always the case the Swiss Guard, who are a military corps, not a police, are the ones who guarantee the security of the cardinals. They make sure they are locked securely into the Sistine Chapel, they accompany them as they go back and forth between the Casa de Santa Marta and the Chapel.

This is only the second conclave, by the way, in which the Cardinals are not locked into the Sistine chapel for the duration of the conclave. It was after John Paul’s election that he realized it was not the ideal circumstance, especially for the older men, to be in the chapel where there were no proper toilets or beds. So that is when they built Santa Marta and now they go back and forth. So the Swiss Guards are there for the physical security.

The actual security for the secrecy of the operations falls on the gendarmeria, the police force of the Vatican State, and there is some doubt as to whether they are doing a very good job. They are supposed to be jamming electronic signals, and people take oaths of secrecy, but even in the General Congregations we are hearing almost a day by day transcription of what is going on, so it’s going to be curious to see if when they enter the conclave these same leaks occur.

Could technology be being employed to eavesdrop on the General Congregations, or is it a question of the Cardinals telling their sources what is going on?
It’s hard to say. The Italian cardinals are notorious for leaking to the press. In 2005 it seemed to be the interpreters, who also take oaths of secrecy, who were leaking to the press, but there is virtually a daily account here in Italy of what is transpiring every day. So it’s hard to say, and the fact that the cardinals are, for the second time, going to be leaving and re-entering the Sistine chapel twice a day… it’s not very hard to have a smart phone record something and then, in the course of walking outside the area without electronic jamming, being able to transmit some things. We’ll know in the first day or two because we will start to see if there are reports of the actual voting in the Conclave, it wouldn’t surprise me at all if somehow there were electronic devices that will be doing that.

What would be the penalty for someone trying to pass this information out?
In theory all the cardinals take an oath on pain of excommunication if they disclose any of the proceedings, even after the Conclave has occurred. And yet we know that things have leaked out about voting in the past. We know that with John Paul II the Italians divided among two Italian candidates and allowed the Polish cardinal to become John Paul II. Similarly we know that in 2005 it was just a matter of several ballots before he was elected and we know pretty much how the different national voting blocks begin to move. Somehow this information comes out, it usually is after the fact and the Cardinals, in talking, reveal some things, sometimes not even intentionally. But this time I think we might see a somehow more electronically porous Conclave.

But it is also possible that journalists are just making it up?
Obviously there are a lot of people who do just make things up. But there are a lot of quite reputable professional journalists whose predictions and analyses have proven true. There are things which the Vatican spokesman would have denied. It was revealed in the last few days that the role of women had been discussed, and Islam, and specific cardinals had been named. If that had not been the case I think there would have been a denial, but there wasn’t.

You wrote a book on the Swiss Guard. They are seen as playing a largely ceremonial role, is that the case?
It has changed a little bit. Some of the security functions have been shifted off to the gendarmeria because they have more expertise, for example with electronic surveillance. But the Swiss Guard are still the last physical line of protection of the Holy Father. They may appear to be ceremonial but they also guard the outskirts of the Vatican City state. Many people who have been in Rome have seen the Swiss Guards who are at the various check points where people and vehicles enter and exit.

Since Paul VI the Swiss Guard have not been allowed to openly carry weapons. When I was writing my book about the 500th anniversary of the Swiss Guard, which took place in 2007, I asked the commandant and some of the others whether they were satisfied that they had the physical ability to defend the Vatican after 9/11. They wouldn’t quite tell me what else they were doing, but they did say that the re-evaluated the kind of protection they could provide at the checkpoints and they were satisfied, so I have to assume that they have some very serious weapons, should they have to use them. As you know the Swiss love guns, they love target shooting. Contrary to the image people have they appreciate guns, they know how to use them and they are skilled at it. They know what they are doing.

Inspiração do Espírito Santo não é magia

Transcrição integral da entrevista a Maria Cortez de Lobão sobre o papel do Espírito Santo no Conclave. Reportagem aqui.

Como é que funciona a inspiração do Espírito Santo no Conclave?
O Espírito Santo é o amor de Deus e a teologia da encarnação diz que aquilo que acontece na perfeição e definitivamente em Jesus, que é a encarnação do próprio Deus, acontece em nós de maneira progressiva, se o deixarmos.

Isso é o que permite a São Paulo dizer Deus habita em mim e, à comunidade nascente, vós sois Templo do Espírito Santo.

Esta realidade faz com que este amor de Deus que habita em nós não funcione contra a nossa natureza, nem apesar da nossa natureza, mas com a nossa natureza. Isto porque Jesus prometeu que ficava connosco até ao fim dos tempos e que nos enviaria o espírito. O Espírito é este amor com que o pai e o filho se amam e que é de tal forma grande e total que pode ser partilhado por nós, sobretudo os que foram baptizados e vivemos desta realidade.

Se pensarmos, até o nosso amor humano faz coisas deste género. Duas pessoas que se amam podem estar longe fisicamente mas sentem se está a acontecer alguma aflição ao outro, se há um momento de especial alegria.

Este amor que partilhamos já é indício deste amor que Deus quer partilhar connosco e que partilha através dessa presença a que chamamos o Espírito Santo.

O que se pretende aqui perceber é que temos os cardeais, que são pessoas que dedicam a vida à procura da vontade de Deus e que, com as suas características, feitios, capacidades e dons querem por isso ao serviço de Deus. Essa escuta, a que chamamos oração, essa atitude, que é a que tem Nossa Senhora, permite-nos grandes coisas. O Espírito Santo é por vezes inesperado e temos grandes exemplos disso na história da Igreja. O primeiro concílio de Jerusalém é exemplo disso. Havia uma divergência entre Pedro e Paulo sobre como acolher quem vinha de fora do Judaísmo e o que parecia lógico era que se pedisse que primeiro fizessem um trajecto dentro da fé judaica para compreenderem a promessa, a fidelidade de Deus e onde é que se caminhava para compreender o que era o Messias.

São Paulo dizia que não faz sentido porque Em Cristo somos homens novos.

Foi preciso juntarem-se em oração e depois de explicadas as razões de cada um chegaram à conclusão na oração que o caminho era não pedir aos gentios que se convertessem ao judaísmo e surge uma frase nos Actos dos Apóstolos que diz “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outras obrigações que não estas.

A força do Amor de Deus naquela comunidade que procura sinceramente a vontade de Deus é tão real que é possível dizer uma coisa dessas.

Aqui, cada um dos Cardeais, com as suas características e os seus dons, quer pôr esses dons ao serviço de Deus. Portanto, como o Espírito Santo trabalha através dos Dons e não contra os dons, com certeza que podemos dizer, compreendendo bem isto, que o Espírito está presente no Conclave e faz com que o coração de cada um se abra àquilo que é a perspectiva do que é preciso para a Igreja neste momento.

Não intervém contra a liberdade dos cardeais, nem por magia…
A liberdade é sempre preservada. São Tomás de Aquino diz que isso é o mais importante. A liberdade de consciência, uma consciência formada, educada e informada, muito rezada, é o nosso reduto precioso e ninguém força a mão a ninguém. O Espírito Santo não funciona através da violência, mas sim do amor, e o amor consegue coisas inesperadas, mas sempre de uma maneira positiva e criativa, que é o seu apanágio.

Já houve maus papas, mas nem estes conseguiram atentar contra o depósito da fé…
Bento XVI disse a certa altura que da promessa que temos de Jesus, que fica connosco até ao fim dos tempos, e que as portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja, temos a certeza que o erro não vai ser ensinado e não vai prevalecer. É uma certeza pela negativa, mas muito importante. Deus não se impõe. Espera que sejamos dóceis a esse amor, ao Espírito Santo, mas de qualquer maneira daquilo que é importante, e até os Papas menos desejáveis nunca ensinaram nada contra o depósito da fé, isso dá-nos uma grande confiança, saber que quem conduz a Igreja, de facto, é Jesus, como o Papa disse antes de ir para Castel Gandolfo antes da última audiência. Por isso temos de ter toda a confiança e serenidade, apesar dos nossos erros.

Mas da mesma maneira que o Espírito Santo apoia-se nas nossas qualidades para ir à frente com o projecto de amor que tem para nós, os nossos defeitos às vezes até servem para algumas coisas que seriam inesperadas de perceber e através dos nossos defeitos podemos perceber o que não devemos fazer.

Há épocas históricas que explicam certos acontecimentos. Hoje em dia o Papado não tem poder temporal, não é apetecível, e isso é uma grande vantagem para a acção do Espírito Santo se poder fazer com maior liberdade e com maior amor. 

D. Manuel Monteiro de Castro

Nascido: 29 de Março de 1938
Ordenado padre a 9 de Julho de 1961
e bispo a 23 de Março de 1985
D. Manuel Monteiro de Castro foi ordenado padre na arquidiocese de Braga mas logo foi estudar para Roma e nunca mais voltou para Portugal, prosseguindo todo o seu ministério eclesiástico fora do país.

Ingressou no serviço diplomático da Santa Sé em 1967 e serviu nessa capacidade em vários países do mundo, incluindo as Antilhas, Honduras, El Salvador, África do Sul e países circundantes.

Em 2000 foi nomeado núncio apostólico para Espanha, um cargo muito importante para a Igreja, que desempenhou até 2009, altura em que foi chamado para servir de secretário na Congregação para os Bispos, em Roma.

Finalmente, em 2012 foi nomeado penitênciário-mor da Santa Sé. No mesmo ano foi escolhido por Bento XVI para fazer parte da lista de novos cardeais, criados em Fevereiro desse ano, tornando-se o terceiro cardeal português vivo. Uma vez que D. José Saraiva Martins já ultrapassou os 80 anos, apenas D. Manuel e o Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, têm direito a voto no conclave convocado após a resignação de Bento XVI.

Praticamente desconhecido dos portugueses, D. Manuel Monteiro de Castro atraíu alguma polémica com uma entrevista concedida ao “Correio da Manhã”, na altura em que se deu o consistório em que foi elevado a Cardeal. Na entrevista D. Manuel afirmou que faltavam políticas de incentivo à família e à natalidade, dizendo que, por exemplo “A mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos.”

Contudo, o jornal deturpou as suas palavras e colocou em manchete o título: “Mulher deve ficar em casa”. A mesma entrevista foi depois citada pelo jornal “Público”, num artigo com o título “Novo cardeal português defende que função ‘essencial’ da mulher é educar os filhos”. Meses mais tarde, em resposta a uma queixa de um leitor, a Entidade Reguladora da Comunicação Social condenou ambos os jornais por má prática jornalística. Mas o mal estava feito e para a posteridade, para muitos, ficou a ideia criada inicialmente pelos jornais e circulado pelas redes sociais.

segunda-feira, 11 de março de 2013

D. José da Cruz Policarpo

Nascido: 26 de Fevereiro de 1936
Ordenado padre a 15 de Agosto de 1961
e bispo a 29 de Junho de 1978
O Cardeal D. José da Cruz Policarpo, Patriarca de Lisboa, nasceu a 26 de Fevereiro de 1936 em Alvorninha, concelho das Caldas da Rainha. Estudou filosofia e teologia no Seminário Maior do Cristo-Rei, dos Olivais.

Doutorou-se em teologia dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e dirigiu o Seminário de Penafirme e o Seminário dos Olivais. Foi também, mais tarde, nomeado reitor da Universidade Católica Portuguesa para o quadriénio 1988/1992, por Decreto da Santa Sé, e reconduzido nessas funções, até 1996.

Anos antes, em 1978, D. José Policarpo havia já sido ordenado Bispo titular de Caliabria e auxiliar de Lisboa, tendo recebido a Ordenação Episcopal, em Lisboa, a 29 de Junho do mesmo ano.

Em Março de 1997, D. José da Cruz Policarpo foi nomeado Arcebispo Coadjutor do Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, a quem sucedeu como Patriarca em 24 de Março de 1998. É actualmente o patriarca católico há mais anos em funções e também o mais velho, desde a resignação de Bento XVI.

Já foi várias vezes presidente da Conferência Episcopal portuguesa e tem uma vasta produção literária, tanto a nível de livros como de artigos académicos.

Apesar da importância histórica da arquidiocese de Braga, cujo bispo tem o título “Primaz das Espanhas”, Lisboa, com o seu estatuto de patriarcado e de capital do país, goza de uma influência muito importante. D. José Policarpo é, por isso, uma figura de realce na vida nacional, sendo frequentemente convidado para momentos solenes de Estado.

Ao longo da última década a Igreja viu-se várias vezes em conflito com o Governo, sobretudo com os executivos socialistas, aquando da liberalização do aborto e também da legalização do “casamento” entre homossexuais. Em todos estes casos o Patriarca de Lisboa, bem como o resto da Igreja, deixou bem clara a orientação da Igreja, embora alguns o tenham criticado de falta de intervenção nos debates que se desenrolaram à volta destes assuntos.

Aos 75 anos apresentou a sua resignação, como é próprio para bispos diocesanos da Igreja romana, mas o Santo Padre respondeu a pedir que prolongasse o seu mandato durante mais dois anos.

Em Junho de 2011 deu uma entrevista em que afirmou que não havia razões teológicas de fundo para não ordenar mulheres ao sacerdócio. Esse comentário originou alguma polémica e levou a uma retracção oficial, em que o Patriarca afirmava desconhecer um documento escrito por João Paulo II que afirma categoricamente que a Igreja não tem autoridade de fazer essa reforma.

D. José Policarpo é Cardeal há muitos anos, tendo participado no conclave que elegeu Bento XVI. Durante esse conclave o seu nome foi avançado como possível sucessor de João Paulo II, o que não se veio a concretizar.

Em 2013, quando Bento XVI anunciou a sua resignação, D. José disse aos jornalistas que se considerava demasiado velho para vir a ser escolhido Papa e que ele mesmo preferia um homem mais novo para o cargo. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Conclave: Porquê tão tarde?

Sem pressa!
Ora já temos data para o Conclave.

Muitos se questionam, contudo, sobre porque é que levou tanto tempo para começar, se o Papa já tinha anunciado a sua resignação a 11 de Fevereiro… Essa dúvida associa-se ao do atraso dos cardeais, o último dos quais apenas chegou a Roma quatro dias depois do início das congregações gerais. É de facto estranho.

Claro que os cinco cardeais eleitores que levaram mais tempo a chega podem ter razões perfeitamente válidas, mas nalguns casos o atraso parece estranho. Uma explicação é de que o fizeram de propósito para atrasar a marcação do conclave.

E porque é que se interessariam por atrasar o início do conclave? Bom, aí entramos em especulação sobre politiquices internas…

Convém não esquecer que a maioria dos cardeais eleitores não vive nem trabalha em Roma. Por isso não se conhecem tão bem uns aos outros como os que são funcionários da Cúria. Haveria, entre os “forasteiros”, o medo de que os “romanos” tentassem condicionar a votação, tendo já blocos de apoio formados. É fácil compreender que para um Cardeal que vem de longe e participa pela primeira vez num conclave, ao ver no primeiro dia 40 cardeais a votar no mesmo sentido, se sinta impelido a fazer o mesmo, sobretudo quando não conhece bem nenhum dos “candidatos”.

Terá sido para tentar impedir isso que os “de fora”, que ainda assim são maioria, fizeram por atrasar o início do conclave exigindo, logo a abrir, que as tardes fossem livres de congregações gerais para que o trabalho decorresse mais lentamente e todos tivessem mais oportunidades para se encontrarem, conversarem, conhecerem e estreitarem ideias.

Uma coisa parece consensual entre os observadores: quanto mais tarde começa o Conclave, mais curto será. Isto porque os cardeais irão lá para dentro já com alianças bem formadas e uma melhor noção do que querem no candidato escolhido. Vamos a ver, a partir de dia 12, se essa previsão se confirma ou não.

João Bráz de Aviz

Nascido: 24 de Abril de 1947
Ordenado padre a 26 de Novembro de 1972
e bispo a 31 de Maio de 1994
D. João Bráz de Aviz é bispo emérito de Brasília, capital federal do Brasil.

Ao longo do seu percurso esteve em várias dioceses, antes de ir para Brasília, e em 2011 foi nomeado prefeito da Congregação para os Religiosos, que supervisiona as ordens religiosas católicas em todo o mundo.

Numa entrevista feita em Fevereiro de 2011 o cardeal confessou que quase que abandonou o seminário, quando era novo, por causa das correntes liberais que acompanharam a época da teologia da libertação, sobretudo depois do Concílio Vaticano II, apesar de reconhecer a importância da “opção preferencial pelos pobres”, que serve de lema para os teólogos da libertação.

Quando era novo D. João viu-se envolvido num assalto à mão armada em curso e foi atingido por balas que lhe trespassaram os intestinos e um olho. Apesar de os cirurgiões lhe terem salvo a vista, ainda tem estilhaços das balas no corpo.

Enquanto membro da curia responsável pelas ordens religiosas tem tido que lidar com alguns problemas, nomeadamente o inquérito feito às ordens religiosas femininas, nos EUA, mas disse várias vezes que prefere abordar os assuntos através do diálogo e não por imposições.

Aos 65 anos há quem veja em D. João Bráz de Aviz, que tem fama de ser discreto, um eventual sucessor de Bento XVI, tendo a vantagem de representar o país com maior número de católicos no mundo, ainda por cima um ano antes da realização das Jornadas Mundiais da Juventude, no Rio de Janeiro. 

quinta-feira, 7 de março de 2013

D. Odilo Pedro Scherer

Nascido: 21 de Setembro de 1949
Ordenado padre a 7 de Setembro de 1976
e bispo a 2 de Fevereiro de 2002
Quando se fala na possibilidade de um Papa oriundo do “terceiro mundo”, como era conhecido, o Brasil surge logo como uma das possibilidades mais fortes, até por ser o maior país católico do mundo, em termos demográficos.

D. Odilo Scherer é arcebispo de uma das maiores e mais importantes dioceses do Brasil. A isso acresce o facto de o actual arcebispo do Rio de Janeiro não ser Cardeal, o que não impossibilita a sua escolha, mas torna-a muito pouco provável. Para além disso D. Odilo tem experiência curial, sem ser um "homem da cúria", e conhece bem o Banco do Vaticano, pertencendo ao comité de 15 cardeais encarregues de acompanhar mais de perto a situação financeira da Santa Sé.

O Cardeal brasileiro é bastante novo, com apenas 63 anos, o que poderá desmotivar mesmo alguns cardeais que já manifestaram querer um Papa mais novo do que era Bento XVI quando foi eleito. Por outro lado, João Paulo II tinha 58 quando foi eleito.

Do ponto de vista teológico Scherer apresenta visões equilibradas. Critica os excessos da Teologia da Libertação, que tantos adeptos tem ainda na América do Sul, mas louva por exemplo a acentuação da justiça social da mesma corrente teológica. Tem criticado as tentativas de legalizar o aborto no Brasil e, do ponto de vista liturgico tende para o conservador, tendo criticado as missas “espectáculo” do padre Rossi, por exemplo. Permite na sua arquidiocese a celebração da forma extraordinária do rito romano, conhecido frequentemente como rito tridentino.

Recentemente viu-se envolvido numa polémica por causa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) quando, na qualidade de magno-chanceler, vetou o nome do reitor eleito por alunos e professores, nomeando antes a terceira classificada, mas a única candidata que considerava adequada à chefia de uma instituição católica. A decisão foi mal recebida por muitos alunos, mas louvada por sectores mais conservadores da população, preocupados com a deriva liberal da universidade.

Nos últimos dias tem-se falado na existência de uma “campanha” por parte da comitiva brasileira em torno de D. Odilo. Não é certo se a intenção existe mesmo, se está a ser empolada pela imprensa brasileira ou se é invenção mesmo. Certo é que frases como “vocês podem divulgar, dos cardeais brasileiros, elementos que podem apresentá-lo como um bom candidato”, atribuída pela Folha de São Paulo ao assessor dos cardeais brasileiros, só prejudicam as hipóteses do Arcebispo de São Paulo.

É de notar que o segundo nome de D. Odilo é Pedro, o que seria uma dádiva a todos os crentes nas “profecias” de São Malaquias e coisas do género.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Cardeais calados e nada de conclave

Peter Erdö, papabile?
A esta hora os cardeais em Roma estão a rezar diante do túmulo de Pedro, pedindo pela Igreja e pela decisão que têm de tomar nas próximas semanas. Sobre a data do conclave… nada.

Entretanto os cardeais americanos foram, aparentemente, silenciados. Acabaram-se as conferências de imprensa diárias que faziam. Quanto aos restantes cardeais, o último eleitor deve chegar amanhã. Imagino que até sexta seja anunciada a data do Conclave.



Tenho notado que esta coisa das Congregações Gerais, conclave e cardeais ainda faz confusão a algumas pessoas. É natural, não são eventos de todos os dias, e nem todos têm a oportunidade de acompanhar as novidades como gostariam. Para essas pessoas escrevi ontem um pequeno texto que deve ajudar a compreender o que se está a passar em Roma nestes dias. Dei-lhe um título muito imaginativo!

Todos os Reinos do Mundo

Anthony Esolen
Há poucos meses o povo Americano chegou ao fim de um carnaval de dois anos. Uma caravana louca de marreteiros, burlões, vendedores de banha da cobra, palhaços, homens fortes, mulheres barbudas e domadores de leões sem dentes. Gastámos milhares de milhões de dólares no espectáculo, para não falar dos milhares de milhões de horas colectivas para o ver. O resultado foi a eleição de um Supremo Animador que, sem qualquer noção do absurdo, define “pecado” como “não ser fiel aos meus ideais”.

O homem pecador tem dificuldade em não ser seduzido por essa meretriz que é o Poder. Mesmo os apóstolos, sentados à mesa com Jesus na última ceia, esqueceram-se por momentos que Ele tinha dito que um deles o iria trair. Começaram a discutir sobre quem seria o maior de entre eles. Então Jesus repreendeu-os com o que deve ter sido um suspiro de infinita paciência.

Aquele homem do interior da Galileia sabia bem do vazio que é a busca do poder. “Os reis deste mundo”, explicou “têm poder sobre o povo, e os governadores são chamados ‘Amigos do Povo’”. Eis que as pessoas são levadas a agradecer aos simpáticos benfeitores que lhes colocam cargas sobre os ombros: “Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, o mais importante deve ser como o menos importante; e o que manda deve ser como o que é mandado.”

Nas próximas semanas os cardeais da Igreja Católica elegerão um novo sucessor de São Pedro. Não demorará muito tempo. Haverá alguns custos com voos, estadias e refeições. É tudo. Os cardeais vão rezar pela orientação do Espírito Santo. Sem dúvida haverá preferências diferentes e muitas ocasiões para discussão.

Os representantes do carnaval vão encher as ruas de Roma, frustrados com o silêncio do Vaticano. Se o novo Papa for como Bento XVI, sentir-se-á humilhado pela sua “vitória”. “Simão, Simão, escute bem”, disse Jesus, tendo admoestado os apóstolos para que o maior se fizesse mais pequeno, “Satanás já conseguiu licença para vos pôr à prova. Ele vai peneirar-vos como o lavrador peneira o trigo a fim de separá-lo da palha. Mas eu tenho orado por ti, Simão, para que não te falte fé. E, quando te voltares para mim, anima os teus irmãos.”

Não sei quem é que o Espírito levará os cardeais a escolher. Mas isto sei: que o mundo não o vai compreender, independentemente de quem seja. O mundo fala a linguagem do carnaval; do desejo de riqueza, fama e poder. O mundo considera um “erro” se Pedro fala a verdade, dentro e fora de época. O mundo só conhece uma forma de contabilizar o sucesso: corpos a passar pelos torniquetes.

O mundo riu-se quando a Igreja, na pessoa do seu esposo, morreu no Calvário. A Igreja morrerá de novo, e o mundo rir-se-à de novo; e a Igreja ressuscitará de novo, e o mundo negá-lo-á; e assim será até ao fim dos tempos. Aqui, o carnaval; ali os santos e os pecadores, dedicando-se aos trabalhos da fé, esperança e caridade.


Às vezes o carnaval e a Igreja misturam-se com demasiado à-vontade; às vezes a Igreja consegue acalmar a sede de sangue do carnaval, tornando-o um pouco mais humano; às vezes é o carnaval que consegue colocar um palhaço ou um bobo numa posição de autoridade na Igreja; mas “tudo o que há no mundo - a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens - não provém do Pai, mas do mundo.”

A Igreja pode amar o mundo estando nele, mas não é do mundo; renuncia ao carnaval, contentando-se em ser apelidado de louco, para bem dos palhaços com as suas caras pintadas e os sapatos de palhaço que se atropelam para chegar aos lugares reservados aos VIPs.

Os marreteiros continuarão a especular sobre “Porque é que o Papa Resignou”. Porque é que algum homem desistiria assim da meretriz Poder? Julgá-lo-ão de acordo com os seus corações. O homem ou está de tal forma incapacitado que já não tem prazer na meretriz, ou foi obrigado a abandoná-la contra a sua vontade.

Farão ouvidos moucos ao que o Papa Bento XVI disse. Ele não procurou o trono de Pedro. Servir a Igreja fielmente é, em qualquer altura, uma responsabilidade assombrosa; quanto mais assombrosa não será nestes tempos loucos? Ele vai fazer exactamente o que disse que ia fazer; nem os seus inimigos o podem acusar de falsidade. Vai subir à montanha, procurar a face de Deus, e rezar incessantemente até ao fim dos seus dias, para o bem da noiva a quem foi chamado a servir.

João Paulo II deu ao mundo um testemunho eloquente do amor que o sofrimento paciente pode soltar. A sua fragilidade foi uma repreensão firme à idolatria mundana da força. O mundo não compreendeu os seus últimos dias; o carnaval teme tanto o silêncio da oração como o silêncio da morte.

Agora o Papa Bento XVI vai dar ao mundo o testemunho eloquente de uma ascensão ao silêncio. Os palhaços do carnaval, quando retirados do palco principal, não sabem estar quietos, têm de se pôr em bicos dos pés, misturando-se com o público, posando e dando nas vistas e procurando roubar a atenção ao novo Supremo Animador.

Bento XVI não o fará. Enquanto o carnaval toca o seu ruído patético e incessante, o Servo dos Servos de Deus estará de joelhos, tremendo de velhice, mas em paz, em comunhão com aquele que é Ele mesmo uma comunhão de amor.

E quem sabe, talvez alguns dos que passeiam na feira virem os olhos na sua direcção.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. O seu mais recente livro é: Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child.

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 28 de Fevereiro 2013 em http://www.thecatholicthing.org/)

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Peter Erdö

Nascido: 25 de Junho de 1952
Ordenado padre a 18 de Junho de 1975
e bispo a 5 de Novembro de 1999
O Cardeal Peter Erdö é o caso de um homem da Igreja pouco conhecido pelos fiéis fora do seu país de origem, a Hungria, mas muito bem conhecido e muito estimado pelos bispos e cardeais de todo o mundo.

Isso deve-se a duas razões principais. Uma é o facto de ter sido feito cardeal muito novo, pelo que, apesar de ter apenas 60 anos, já conhece bem o colégio dos cardeais e participa agora no seu segundo conclave. A outra prende-se com o facto de ser presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, o que lhe dá um contacto próximo com bispos de todo o velho continente, mas não só, uma vez que regularmente o CCEE encontra-se com a sua congénere africana, o que faz dele muito conhecido dos bispos africanos também.

Enquanto presidente da CCEE tem como seu braço direito o padre português monsenhor Duarte da Cunha.

Erdö tem fama de ser um trabalhador eficiente, muito inteligente e um homem de espiritualidade forte.

O seu papel à frente da diocese de Budapeste também tem sido muito reconhecido. A Hungria é dos poucos países europeus onde o Cristianismo não está em retrocesso e onde politicamente se tem feito esforços para proteger a religião em vez de a silenciar. A recentemente aprovada constituição do país levantou muita polémica, em parte porque reconhece as raízes cristãs da nação húngara e faz referência a Deus.

Sem deixar de apontar algumas falhas ao documento, Erdö defendeu-o na sua essência por se tratar de uma Constituição que respeita alguns valores que a Igreja defende.

Erdö é ainda novo, talvez novo de mais para aquilo que os cardeais eleitores procuram, mas não deixa de ser falado como um eventual candidato a ocupar a Sé de Pedro. A sua formação em direito canónico daria ao seu pontificado um enfoque diferente das de João Paulo II e de Bento XVI, mais pastorais e teológicos.

O que se tem estado a passar em Roma?


Têm saído muitas notícias de Roma nos últimos dias, mas nem toda a gente poderá estar a acompanhar tão bem como queria, por isso este artigo serve para fazer um resumo breve e, se possível, ajudar a interpretar alguns dos factos.

O que se está a passar agora é que os cardeais, todos os que estão em Roma e não só os eleitores, estão a reunir diariamente nas Congregações Gerais. Podemos ver isto como uma Assembleia Geral da Igreja, que na ausência do "chefão" tem a seu cargo o Governo da Igreja.

As congregações são importantes por várias razões. Em primeiro lugar porque é lá que se decidem as questões práticas para o Governo da Igreja em Sede Vacante. Regra geral, sem Papa, passa-se muito pouca coisa, mas há decisões que têm de ser tomadas e essas são discutidas e votadas aqui.

Informalmente, contudo, esta é também uma excelente oportunidade para os cardeais se conhecerem melhor. Não esqueçamos que embora muitos cardeais trabalhem em Roma, a maioria vive e trabalha nas suas dioceses, por isso não têm muitas oportunidades para se conhecerem. É importante, por isso, este período em que podem falar, trocar ideias e ainda beneficiar dos conselhos e opiniões dos não eleitores que, na altura do Conclave, estarão, como nós, sem acesso ao interior. É por isso significativo que tenham decidido que, ao contrário do que estava planeado, apenas reunirão de manhã e as tardes serão livres precisamente para se poderem encontrar num ambiente em que estejam mais à vontade.

É também nas congregações que os cardeais vão decidir a data do próximo conclave e muita gente tem sido apanhada de surpresa pelo facto de que, aparentemente, os cardeais não têm grande vontade de acelerar as coisas. Incrivelmente, e apesar de todo o tempo que tiveram para preparar as coisas, ao segundo dia das congregações ainda há cardeais eleitores que não apareceram em Roma! Tudo indica, porém, que ao terceiro dia lá estarão e imagino que até ao fim da semana tenhamos data para o Conclave.

Do que é que se tem falado dentro das congregações? Os cardeais evitam falar sobre isso. Na primeira congregação todos os cardeais juraram cumprir as normas estabelecidas pela Igreja e guardar segredo sobre tudo o que tenha a ver com a eleição do próximo Papa. À medida que cada novo cardeal chega tem de fazer o mesmo juramento antes de se juntar aos trabalhos.

Isto significa que tudo o que se passará no Conclave é segredo, mas não significa que todos os assuntos nas Congregações sejam segredo, particularmente os que não estão directamente relacionados com a eleição do próximo Papa. Neste sentido, todos os dias há uma conferência de imprensa na qual o padre Federico Lombardi explica por alto do que é que se falou naquele dia.

Foi assim que soubemos que na Terça-feira os cardeais decidiram redigir um telegrama para enviar a Bento XVI, mas foi também assim que soubemos, sem grandes elaborações, que muitos cardeais exigem ter acesso ao dossier secreto sobre o caso vatileaks, que Bento XVI colocou sob segredo pontifício, apenas para ser visto pelo próximo Papa. Terão os cardeais o direito de revelar o seu conteúdo integral? Duvido. Contudo, há três cardeais presentes que fizeram o relatório e esses, certamente, conhecem o seu conteúdo. Poderão falar sobre isso? Fá-lo-ão? Ao que parece as exigências são muitas e, estritamente falando, falar sobre o dossier não é o mesmo que mostrá-lo aos outros. Se o Papa colocou o documento sob segredo mas não pediu aos cardeais que guardassem segredo em relação ao que sabiam, haverá espaço de manobra. Não faço ideia o que se passará...

O que mais me tem surpreendido, a mim que sou novato a cobrir conclaves, é a “rebeldia” dos cardeais. Na verdade, muitos deles estão a participar pela segunda vez neste processo e por isso sentem-se mais à vontade para reivindicar e colocar questões e mudar as regras.

Claramente, os cardeais não estão com pressa. Por um lado ainda bem. Claro que todos nós estamos ansiosos para saber quem será o próximo Papa, mas mais importante que isso é que, de facto, a escolha seja acertada. Se para isso é preciso mais tempo, mais convívio, mais conversa e mais informação, que seja. 

Filipe d'Avillez

terça-feira, 5 de março de 2013

"There is sin in the curia, but majority are men of prayer"

Full transcript of interview with father John Wauck, professor at Santa Croce, in Rome.
See news story here (in Portuguese).

Transcrição completa, e no inglês original, da entrevista ao padre John Wauck, professor na Universidade de Santa Croce, em Roma. Ver a notícia aqui.


The Pope just last Ash Wednesday spoke of the sins against the unity of the church. This is a recurrent subject for Benedict XVI. Is there somebody in particular he is trying to reach?
I think that you can see almost all of Cardinal Ratzinger’s work at the Congregation for the Doctrine of the Faith and then as Pope as a response to divisions in the Church that sprang up after the Second Vatican Council. His whole project has been overcoming what he refers to as the hermeneutics of rupture, the idea that the Council constituted a break with the past.

The Pope has been arguing, since 1985, when he published a book of interviews with Vittorio Messore, called the “Ratzinger Reports”, that this hermeneutic of rupture has to be replaced by a hermeneutic of continuity. So instead of saying that the past is separate and now we are in the future, he says that the life of the church is a continuum and that the council is part of that continuum.

What happened though is that the interpretation as a break between past and future created a division within the church, from both directions. There were those who saw it as a good break with the past, who saw the past as something negative, and others saw it as a bad break.

Those two ways of looking at the Council, which in some ways are opposites, are united in seeing the Council as a break. But Ratzinger, and later Benedict XVI, stressed that no, the Council was not a break, nor a rupture with Tradition.

One of his criticisms deals explicitly with the Lefebvrists, and the possibility of bringing them back into the Church, and how there are people in the church today who vilify the lefebvrists in the same way as they vilify the ones they call modernists.

The Pope is really trying to bring them all together. It’s been a great project of unity, trying to bring the Church together, instead of divided into opposing camps.

So you’re seeing this through the lens of the dialogue with the Society of Saint Pius X, but many people also read this as a criticism of infighting in the curia… Is that correct?
There are really two dimensions. One is this ecclesiastical division which has been going on since the times of the Council. Another is this paradox which is part of Christian life and always has been, the Church is something holy, but we are sinners. The beauty of the mystical body of Christ is something sacred, but is always being stained by the sins of the people within the church. So some of the comments are really about moral failures, not theological interpretations.

In some ways that is a perennial paradox in the life of the Church. St. Peter himself denied Our Lord, and the apostles ran away. When the Pope spoke in the Via Crucis in 2005, about how much filth there is in the Church, even among priests, he goes on to say that “the soiled garments and face of your Church throw us into confusion. Yet it is we ourselves who have soiled them!”

He is not pointing a finger at others, he is saying we, it is we Christians, because we are all sinners. He was obviously referring, at the time, to the abuse scandals among priests. But it is really a perennial problem.

We hear about intrigue and power struggles in Rome. How true is that?
The image of the Curia as rife with corruption and greed and power hungry cardinals is very exaggerated. In the Curia, as in any place, there are human defects, weaknesses and sins, but the vast majority of the people in Rome are extremely humble, dedicated workers, really giving their lives, and are not receiving any attention at all. They are genuine men of prayer.

Now, are there some people who allow pride and greed to get in the way of their decisions? Of course, that has always happened, but it is not a majority by any standards. The curia is largely populated by people chosen by the Pope himself, and he is somebody everyone recognises as a serious man of prayer who is seeking holiness, who wants to see holiness thrive in the church and he is the one who has picked many of those working around him.

It should always be shocking, and is lamentable, to discover that people whose lives are meant to be dedicated to the service of Christ and saving souls, are concerned with power and things like that. But that is human nature, and it is less common here than in other places in the world.

Has all this contributed in any way to the Pope’s exhaustion? Or is it just that he is old?
When one looks at the Pope’s decision to resign it is always important to keep in mind that he was elected when he was already over retirement age. When he was a cardinal he had already asked twice to be dismissed, but both times John Paul II said no. He even had a place bought in Bavaria, which he was going to retire to study and write.

He was elected after he was supposed to have retired and he has been Pope for 8 years and if you think of all his travelling, his writing, all his speeches, he has been incredibly productive for a man who was almost 78 years old when he took office.

So in some ways the amazing thing is that he has lasted this long. Part of the exhaustion of the Pope, or the sense that he is no longer up to the task, surely is due to the experience he has had over the past 8 years, which includes handling the aftermath of the sexual abuse crisis, the Williamson affair, the Vatileaks crisis, the personal betrayal by his butler Paolo Gabriele. That cannot help but contribute to his decision.

But he is clearly still totally lucid. I was present on Thursday when he spoke to the pastors of Rome and he gave an off the cuff brilliant lecture, without notes, remembering facts from over 50 years ago, and in a very ordered and lucid form. It is astounding, for a person of his age.

Intellectually he is still present, but that also means that he is able to see clearly the needs of the church and to evaluate how much he can do. His decision says: “I see what needs to be done, but I also see that I don’t have the energy to do it”. The discrepancy between his intellectual vigour and his physical state is the cause of this decision, I suspect.

Can you recall any other Pope been this adamant in speaking to the internal divisions of the Church?
I am not old enough to have a memory of anybody before John Paul II. I barely recall Paul VI. But John Paul II spoke very sharply at times, specifically to members of the clergy or of religious life. He was not afraid of rebuking people, he did so in public, in the USA and in Nicaragua.

I think it is important to remember that prior to the Second Vatican Council the prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith, the enforcer of orthodoxy, was the Pope himself. So things like the Syllabus of Error, or condemnation of heresies, were always coming from the Pope himself. In that sense, concern for unity, especially at the level of doctrine was actually a common part of the activity of the papacy and was frequently expressed in very strong terms.

So I don’t think it’s a radical change on the part of Benedict.

Leonardo Sandri

Nascido: 18 de Novembro de 1943
Ordenado padre a 2 de Novembro de 1967
e bispo a 11 de Outubro de 1997
À entrada de mais um conclave os analistas falam de duas correntes entre os cardeais: Uma que prefere o regresso a um Papa italiano, depois de o posto ter sido ocupado há décadas por um polaco e depois por um alemão, e outra que preferia um candidato que rompesse de vez com o monopólio de papas europeus.

Nesse aspecto, curiosamente, Leonardo Sandri surge como um candidato conciliador, uma vez que é argentino de ascendência italiana. A sua idade, 70 anos quase feitos, pode também ser uma vantagem, uma vez que não será considerado nem demasiado velho nem demasiado novo para chefiar a Igreja.

Actualmente o cardeal é prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, o que lhe confere um contacto muito próximo com uma realidade da Igreja Católica que poucos dos seus pares podem gabar, a dos cristãos pertencentes às mais de 20 igrejas orientais em comunhão com a Igreja Católica, muitos dos quais estão em situações críticas, como por exemplo todos os que vivem no Médio Oriente.

Sandri fez toda a sua carreira no serviço diplomático da Santa Sé, faltando-lhe por isso experiência pastoral, algo que os cardeais poderão estar a procurar no próximo Papa, depois de oito anos com um académico ao leme da Igreja. Por outro lado, conhece muitíssimo bem o Vaticano e o funcionamento da Curia, tendo chegado mesmo a desempenhar o cargo de Substituto para os Assuntos Gerais na Secretaria de Estado do Vaticano, o que na prática corresponde ao terceiro posto mais importante da Santa Sé, depois do Papa e do próprio Secretário de Estado.

Para além de vários outros postos na Curia, tem também um cargo na Congregação para os Bispos, o que lhe dá alguma influência na nomeação de bispos para as dioceses católicas de quase todo o mundo.

Deu bastante nas vistas durante o fim do pontificado de João Paulo II. Lia os textos do Papa quando este já não era capaz e foi ele quem anunciou ao mundo a morte do Papa polaco.

Em entrevista à Reuters, já em tempo de congregações gerais, Sandri defendeu um papel mais alargado para as mulheres no Vaticano e no Governo da Igreja, sem contudo mencionar a possibilidade de ordenação de mulheres.

O Cardeal diz que não há razões para não haver mais mulheres em altos cargos nos Conselhos Pontifícios e disse que mesmo no dia-a-dia da Igreja elas devem desempenhar um papel mais activo, destacando a importância que podem ter na formação dos padres.

segunda-feira, 4 de março de 2013

John Tong Hon

Nascido: 31 de Julho de 1939
Ordenado padre a 6 de Janeiro de 1966
e bispo a 9 de Dezembro de 1996
No lote de cardeais da Ásia, o actual arcebispo de Hong Kong é uma figura preponderante.

John Tong Hon é um homem que tem demonstrado considerável coragem ao denunciar abertamente o regime chinês, sobretudo pela forma como restringe a liberdade dos seus cidadãos e, especialmente, os cristãos.

É muito crítico não só do regime como dos padres e bispos que aceitam participar nas associações criadas pelo regime para tentar controlar os católicos e removê-los da esfera de influência do Vaticano.

Apesar disto o cardeal não se tem ficado apenas pelas críticas e várias vezes tem insistido no desejo de ser um ponte entre Roma e a Igreja chinesa, oferecendo-se para contribuir para a formação do clero chinês, entre outras coisas.

Esta sua coragem, a que se associa uma inteligência invulgar e algum carisma pessoal, têm contribuído para elevar o seu perfil no Colégio dos Cardeais. Contudo, a sua eleição poderia ser vista como um pau de dois bicos. Por um lado seria um enorme encorajamento para os católicos chineses que não vacilam na sua fidelidade a Roma e um sinal interessante para todo o mundo que não é tradicionalmente cristão, mas por outro poderia funcionar mais como obstáculo do que como ponte para com o regime chinês, com o qual a Santa Sé está a tentar estabelecer relações.

Para além de todo o seu trabalho eclesiástico, o cardeal é também um desportista e adepto de basquetebol, que pratica sempre que possível.

Tem pelo menos um livro publicado em português: “Desafios e Esperança: Histórias da Igreja Católica na China”, uma edição da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, com apoio da Renascença.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Albert Malcolm Ranjith

Nascido: 15 de Novembro de 1947
Ordenado padre a 29 de Junho de 1975
e bispo a 17 de Junho de 1991
O actual arcebispo de Colombo, a mais importante diocese do Sri Lanka, é uma das grandes figuras da Igreja asiática.

Foi o primeiro bispo daquele país a servir no corpo diplomático do Vaticano, tendo sido núncio apostólico na Indonésia e Timor Leste, e também o primeiro a chefiar uma congregação na Santa Sé.

Teologicamente Ranjith apela a vários sectores da Igreja. Os conservadores apreciam a sua vigorosa defesa da liturgia, que inclui um gosto particular pelo rito tridentino, mas junta a isso uma vocação pelo trabalho social ao serviço dos mais pobres. Chegou a dizer, certa vez, que “o amor pela liturgia e o amor pelos pobres têm sido a bússola da minha vida de padre”.

Depois de ter chefiado a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, regressou ao Sri Lanka para se ocupar da arquidiocese da capital. Uma das medidas que tomou foi ordenar que todos os fiéis comunguem de joelhos e na boca, proibiu os leigos de pregar nas igrejas e os padres de utilizar aspectos de culto de outras religiões.

É um grande promotor do diálogo inter-religioso, o que é muito importante num país com historial de conflito, onde os cristãos são uma minoria e onde convivem com duas outras grandes religiões, o Budismo e o Hinduísmo.

Todo este historial torna Ranjith um homem com experiência pastoral e administrativa ao nível da curia romana o que, juntamente com a sua idade de 65 anos e o facto de vir de um país asiático em vias de desenvolvimento, o torna uma figura de relevo no Colégio dos Cardeais.

Ranjith é também um poliglota, sendo fluente em dez línguas.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Non Habemus Papam


A partir deste preciso momento, a Igreja Católica passou a estar em estado de Sede Vacante. Veja aqui o que isso significa e o que se segue. O padre João Seabra também dá uma ajuda nas dúvidas mais práticas.

Foi um dia emocionante. Bento XVI despediu-se dos cardeais, jurando obediência incondicional ao próximo Papa e à tarde deixou o Vaticano, em direcção a Castel Gandolfo, onde ainda se dirigiu aos fiéis que se acumularam na praça. Os seus planos para o futuro ficaram claros: “Vou ser um peregrino na última etapa da peregrinação na Terra”.

Nestes dias foram muitos os portugueses que foram a Roma. Conheça aqui alguns deles.


Não foi hoje que soubemos quem será o próximo Patriarca de Lisboa. Essa tarefa ficará para o próximo Papa, o que faz de D. José Policarpo, a partir de agora, o mais velho Patriarca católico em funções.

Luis Antonio Tagle

Nascido: 21 de Junho de 1957
Ordenado padre a 27 de Fevereiro de 1982
e bispo a 12 de Dezembro de 2001
Arcebispo de Manila, nas Filipinas, o cardeal Luis Antonio Tagle é actualmente uma figura muito popular na Igreja.

Tagle combina um estilo carismático com uma forte preocupação pelos desfavorecidos mas também um rigor doutrinal que no curto espaço de tempo desde que foi nomeado arcebispo já teve de condenar publicamente os esforços do Governo de introduzir medidas de incentivo à contracepção. Tomou também posições públicas contra o ateísmo, a eutanásia e o aborto. Já se pronunciou vigorosamente contra a prostituição, também, que considera uma afronta à condição feminina.

Conhece bem o Papa Bento XVI, com quem serviu na Comissão Teológica Internacional a partir de 1997 e tem também um vasto conhecimento da teologia do Concílio Vaticano II, tendo feito a sua tese de doutoramento sobre o conceito de colegialidade episcopal e tendo colaborado na produção de uma série de volumes sobre a História do Concílio Vaticano II. Em público o cardeal já afirmou que está em linha com a visão de Bento XVI de que o concílio não constituiu uma ruptura com a tradição da Igreja, mas que deve ser lido em continuidade com esta. Este foi um ponto que Bento XVI se esforçou muito por divulgar durante o seu pontificado.

Luis Tagle esteve presente no sínodo da Nova Evangelização, o último grande evento internacional a ter lugar no Vaticano antes da resignação de Bento XVI, e as suas intervenções deixaram uma excelente impressão junto dos restantes participantes.

Em relação a um dos grandes desafios que a Igreja enfrenta actualmente, Tagle já avisou os seus colegas bispos asiáticos para não pensarem que os abusos sexuais praticados por clero são apenas um problema ocidental. Participou num encontro dedicado à análise deste problema que teve lugar no Vaticano em Fevereiro de 2012.

Ao longo do último ano o nome de Tagle tem sido mencionado várias vezes enquanto possível sucessor de Bento XVI, mas a resignação do Papa alemão poderá ter comprometido essas possibilidades, uma vez que aos 55 anos o filipino é ainda muito novo, mais até do que era João Paulo II quando foi eleito. Tagle é mesmo o segundo mais novo de todo o colégio cardinalício.

O facto de ser asiático é uma significativa vantagem, e sendo filipino é uma segurança, visto que se trata do maior país católico da Ásia. Ainda assim, muitos dos cardeais que gostam do seu perfil saberão que muito provavelmente Tagle ainda terá pelo menos mais uma oportunidade para ser eleito, tendo em conta a sua idade.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Adeus Bento XVI

Foi um dia muito emocionante, este, em que Bento XVI se despediu dos católicos.

Amanhã ainda haverá uma audiência com cardeais mas a maioria de nós não o voltará a ver tão cedo. Muitos portugueses não quiseram perder a oportunidade de dizer este último adeus, e ouviram o Papa falar português, talvez pela derradeira vez.

Tem havido muitos elogios ao gesto do Papa. Já eu disse, desde o início, que por princípio não gostava da decisão. Hoje, contudo, fiz as pazes com Bento XVI.


Ontem por engano disse que o Cardeal “do dia” era Timothy Dolan, quando na verdade era Sean O’Malley. Por isso se não o foram conhecer mais de perto, não percam a hipótese, porque é um homem muito interessante! Já o Cardeal de hoje, também americano, é Donald Wuerl.

Hoje, como terão reparado, não houve novidades quanto ao Patriarca de Lisboa. Amanhã é o último dia para este Papa nomear um sucessor. Se não o fizer D. José Policarpo torna-se, a partir das 19h, o Patriarca católico mais velho em funções!

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