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terça-feira, 17 de março de 2015

Atentado no Paquistão e "O Williamson ordena amigos"

"Negando o holocausto num dia, ordenando os amigos no seguinte"
A vida difícil de um bispo ultra-tradicionalista
Domingo foi mais um mau dia para os cristãos perseguidos. Morreram 14 pessoas no Paquistão, num duplo atentado que o Papa lamentou e pela qual a Igreja local culpa em parte o Governo.

Já esta segunda-feira surgiu o relato na primeira pessoa de um espanhol que foi refém do Estado Islâmico durante vários meses, isto no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia disseram-se dispostos a recorrer a todos os meios para travar o grupo. O Vaticano também já disse que aceita o uso da força para travar o Estado Islâmico.

Outra história terrível, mas da Índia, onde uma freira de 71 anos foi violada no decorrer de um assalto.

Há muito tempo que não ouvíamos falar dele, mas parece que o bispo que se mostrou demasiado tradicionalista até para os lefebvrianos da SSPX, vai ordenar pelo menos mais um bispo entre os seus seguidores. Ao fazê-lo entrará para a história como uma das poucas pessoas a ser excomungada duas vezes…

E terminemos com uma coisa mais alegre. Durante a Quaresma a Renascença tem feito reportagem com pessoas que ajuda outras. Desta vez damos a conhecer o trabalho dos ministros extraordinários da comunhão que levam Jesus aos doentes e acamados.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A situação actual das relações com a SSPX

Menos razões para sorrir actualmente...
Neste blogue tenho feito os possíveis por acompanhar a questão da Sociedade Sacerdotal de São Pio X, o grupo tradicionalista que se encontra em ruptura com Roma e que é constituído por seguidores do falecido Arcebispo Marcel Lefebvre.

Durante o ano de 2012 chegou-se a pensar que uma reunificação com Roma estaria iminente, mas em cima da hora isso não se concretizou. Muitos deram então o processo de diálogo por concluído e, de facto, durante muitos meses não se ouviu nada de positivo, apenas silêncio da parte do Vaticano e bocas e insinuações menos simpáticas da parte da SSPX.

Desde então, contudo, deram-se dois desenvolvimentos dignos de nota.

Em primeiro lugar correu o boato, por enquanto não confirmado, de que o bispo tradicionalista Richard Williamson, expulso da SSPX por insistente desobediência ao superior geral Bernard Fellay, estaria a planear viajar para os Estados Unidos para participar num encontro da Sociedade de São Pio X da Estrita Observância, um grupo que se separou da SSPX pela “traição” de Fellay se ter atrevido a entrar em diálogo com Roma e a considerar a possibilidade de reunificar.

Mais, de acordo com este boato, Williamson estará mesmo a planear consagrar um novo bispo para estes tradicionalistas, nomeadamente o padre Joseph Pfeiffer, que tem sido particularmente crítico de Fellay.

Recordo que segundo a doutrina católica um bispo validamente consagrado pode ordenar outros bispos validamente. O facto de o fazer sem autorização do Papa faz com que a ordenação seja ilícita, mas não inválida. Por isso, a confirmar-se este desenvolvimento veremos provavelmente a multiplicação de bispos tradicionalistas ordenados por Williamson e Pfeiffer.

Tradicionalistas há muitos... nesta foto o "Papa"
Miguel I, dos EUA, residente no Kansas.
Será este o futuro da SSPX?
Este efeito de fragmentação da SSPX é tudo menos surpreendente. Quando se abraça a ideia da rebelião contra o poder instituído por não se concordar com o rumo, é apenas natural que o mesmo aconteça no seio do novo grupo. É assim com os protestantes e é assim com os mais diversos grupos tradicionalistas. Se a SSPX não se reunificasse com Roma um desenvolvimento destes seria uma questão de tempo, como eu alertei já em Dezembro de 2011 quando parecia certo que as negociações com Roma iam falhar.

Tomás de Aquino como arma
O outro desenvolvimento recente já não pertence ao mundo das especulações.

O ano passado, quando se percebeu que afinal a reunificação tinha caído por terra, o Papa substituiu o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé. Para o lugar foi um homem da confiança de Bento XVI mas que tinha um historial de conflitos com a SSPX, que na Alemanha operava um seminário na sua diocese.

Era claro que Gerhard Muller não era o homem indicado para representar a Santa Sé nestas conversações. Contudo, Bento XVI não dorme e ao mesmo tempo nomeou para vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei (sendo que o presidente é sempre o prefeito da CDF, neste caso Muller), o arcebispo Di Noia, ele sim uma figura encarada com muito menos suspeição pelos tradicionalistas. Tornava-se claro quem é que na verdade iria conduzir eventuais diálogos.

Este mês de Janeiro, farto de ver os tradicionalistas a contar apenas a sua versão dos acontecimentos que levaram ao fracassar da última ronda de conversações, Di Noia escreveu uma carta fortíssima endereçada a todos os padres da SSPX.

Nesta carta ele repudia muito claramente o emprego de linguagem e tons críticos por parte dos tradicionalistas, chamando ainda atenção para a carta que Bento XVI escreveu aos seus próprios bispos católicos a lamentar a falta de solidariedade que sentiu quando iniciou esta reaproximação.

Di Noia cita muito São Tomás de Aquino que identificou quatro grandes obstáculos à unidade: Orgulho, ira, impaciência e zelo desordenado. Estes obstáculos apenas podem ser ultrapassados com recurso às virtudes de humildade, mansidão, paciência e caridade.

O arcebispo reconhece que as barreiras que separam Roma da SSPX, apesar de anos de conversações, têm-se mantido basicamente iguais e que por isso torna-se necessário injectar no debate novas perspectivas e uma abordagem mais espiritual e teológica.

Não é fácil resumir a carta e recomenda-se a sua leitura na íntegra, pois é de facto muito boa e forte. Pode ser lida aqui em português do Brasil, numa tradução pela qual evidentemente não me responsabilizo, e aqui em inglês, a versão que eu próprio consultei.

Quanto ao futuro, a Deus cabe. De facto, neste momento se tivesse que apostar não seria na reunificação mas sim numa acelerada auto-destruição da SSPX... contudo, em Dezembro de 2011 estava no mesmo estado de espírito e apenas sete meses mais tarde estava preparado para anunciar uma reviravolta a qualquer momento. Por isso prefiro não arriscar. Em todo o caso, humanamente, diria que as coisas estão neste momento muito difíceis.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SSPX perde um quarto dos seus bispos...

Clicar para aumentar
É já esta noite que Lisboa entra no Ano da Fé. Na missa que vai decorrer na Sé de Lisboa o Patriarca fará chegar aos fiéis a carta que escreveu a propósito desta iniciativa.

Ainda no âmbito do Ano da Fé, ao fim da tarde foi lançado o álbum Missa Brevis, de autoria de João Gil e vários outros músicos. Veja aqui a entrevista a João Gil.

Sábado chega ao fim o sínodo dos bispos para a Nova Evangelização, mas o documento final será divulgado amanhã.

Entretanto a Sociedade de São Pio X tem menos um bispos. O anti-semita Richard Williamson foi expulso. Mas as conversações com Roma parecem ter naufragado.


Amanhã não deve haver mail, pelo que vos desejo um bom fim-de-semana e até Segunda, se Deus quiser.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Roma e SSPX, em que pé estamos?


Persistência... e paciência!
Ao que parece enganaram-se todos os que esperavam uma solução para breve, e incluo-me a mim mesmo nesse lote. Só espero é que não se tenham enganado todos os que davam o acordo como certo... pelas últimas indicações as coisas ainda podem correr mal... esperemos que não, nem que seja por Bento XVI, que tanto investiu neste “reencontro” com os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X.

Recapitulando, Roma e a Sociedade têm estado em diálogo há alguns anos. Finda a fase de discussão, Roma propôs um “preâmbulo doutrinal” aos tradicionalistas, que estes deviam subscrever para serem reintegrados. Depois de uma primeira finta, acabaram por enviar o documento assinado, mas com algumas alterações.

As alterações foram vistas pela Congregação para a Doutrina da Fé, que submeteu a opinião ao Papa. Corre o rumor que o Papa já estaria a par do documento antes e que teria dado o seu beneplácito, indicando que a CDF não deveria levantar problemas. Tudo parecia muito bem encaminhado, mesmo nas entrevistas concedidas pelo bispo Bernard Fellay, superior-geral da SSPX, era isso que se entendia. Até já se falava da estrutura que iria ser proposta, uma prelatura pessoal do género que tem o Opus Dei.

Esta semana que passou, Bernard Fellay foi a Roma encontrar-se com a CDF; estaria iminente a assinatura final do acordo? Especulou-se que sim, mas algo se passou. Fellay saiu de Roma sem acordo assinado e com um documento alterado que deve agora ser novamente estudado pelos tradicionalistas antes de poderem assinar de vez. É verdade, todavia, que também saiu de Roma com uma proposta já detalhada de estrutura de prelatura pessoal, o que começa a dar consistência ao cenário pós-reentrada. Mas só há pós-reentrada se houver reentrada... haverá?

O que se passou na reunião? Que alterações foram feitas e a mando de quem? Claro que já correm muitos boatos e teorias, desde pressões da ala liberal da curia romana à omnipresente e conspirativa maçonaria, fala-se de tudo. Uma das teorias que parece credível é que Bento XVI terá rejeitado o termo “erros do concílio” que estava no documento assinado por Fellay, o que se compreende. Liberdade de interpretação é uma coisa, falar de erros é outra.

Entretanto a oposição a Fellay dentro da SSPX, por parte daqueles que estão decididamente contra uma reunificação, aumenta de tom. Um dos outros três bispos já estava colocado de parte à partida. Richard Williamson, o mesmo que duvida da existência das câmaras de gás no holocausto, é ferozmente contra uma reunificação. Mas Bernard Tissier de Mallerais também se colocou definitivamente de fora, chegando a acusar Bento XVI de ser herege. Um abaixo-assinado posto a circular entre os fiéis também ia nesse sentido, embora, na última vez que tenha visto, só tivesse umas 200 assinaturas.

Tissier de Mallerais "não gosta" disto
Por outro lado, não tem havido falta de golpes de teatro e de bluff em todo este processo. Será este prolongamento uma forma de dar a entender, tanto de um lado como do outro, que se espremeram as negociações ao máximo, para que no fim ambos possam dizer que conseguiram o melhor acordo possível? Talvez, é possível, era bom.

Agora, segundo algumas fontes, Fellay apenas tomará uma decisão depois do capítulo geral da SSPX, que tem lugar em meados de Julho. A decisão cabe-lhe sempre a ele, mas é verdade que essa reunião, que evidentemente será dominada por esta questão, poderá servir para colocar pressão sobre ele, tanto num sentido como no outro. Não sou de maneira nenhuma especialista quanto às dinâmicas internas da SSPX, mas pelo que vou depreendendo, apesar dos outros três bispos serem contra (dois de certeza, um parece tender para aí), uma grande parte dos superiores distritais, que são sacerdotes, estão com Fellay. Ou seja, o capítulo tanto pode dar força a Fellay como pode esvaziar a sua autoridade moral. Claro que seria melhor chegar lá com o facto consumado, mas não deve ser possível.

O que resta? Rezar! Convém a ambos os lados compreender que esta reunificação beneficia da boa-vontade de Bento XVI e de Fellay, mas só terá hipóteses se Deus assim quiser. Rezar, rezar, rezar, para que seja feita a Sua vontade, seja ela qual for...

Nós por cá iremos acompanhando.

Filipe d’Avillez

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