quinta-feira, 22 de junho de 2017

Novo Patriarca Melquita e Abusos Anglicanos

Joseph Absi, terceiro a contar da esquerda, novo patriarca
As autoridades egípcias anunciaram hoje a morte de sete militantes islâmicos que teriam estado envolvidos nos recentes massacres contra cristãos naquele país.

Foi ontem eleito o novo Patriarca da Igreja Melquita. A Renascença, ao que parece, foi a primeira a dar a notícia no mundo lusófono. Rezem por ele, tem um trabalho muito complicado pela frente!

Ainda pelo Médio Oriente, o Estado Islâmico está prestes a ser erradicada em Mossul, mas antes disso fizeram questão de explodir a mesquita onde tudo começou.

O arcebispo de Cantuária admite que a Igreja Anglicana ajudou a esconder abusos sexuais durante vários anos.

O Papa não desiste do Sudão do Sul e envia ajuda em três frentes: Saúde, educação e agricultura.

E ainda os incêndios, os bispos dizem que o problema tem de ser resolvido “de raiz”.

Ontem foi publicado o mais recente artigo do The Catholic Thing em português, com o Pe. Mark Pilon a arrasar o senador Bernie Sanders por cristofobia e, indirectamente, islamofobia. Leiam, porque caminhamos a passos largos para esta nova realidade.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Bernie Sanders: Cristófobo e (Indirectamente) Islamófobo

Pe. Mark A. Pilon
Nota prévia: Este artigo do Pe. Mark A. Pilon é importante na medida em que realça uma questão crucial do nosso tempo, nomeadamente a ideia crescente de que os cristãos são indignos de exercerem cargos públicos de responsabilidade simplesmente porque professam certas crenças, mesmo que elas em nada afectem o seu trabalho. O exemplo do interrogatório do senador Bernie Sanders a Russ Vought, aqui descrita, é claro a esse respeito.

Dito isso, o facto de ter escolhido este artigo para traduzir não significa que eu concorde nem com a posição de Vought nem com a posição que o autor parece defender, de que os cristãos e os muçulmanos não adoram o mesmo Deus. Que o fazem já foi repetido não só pelos últimos Papas mas por outros na história da Igreja e está escrito preto no branco em documentos do Concílio Vaticano II.

Filipe


Quando ouvimos falar na perseguição aos cristãos pensamos normalmente nos cada vez mais frequentes ataques levados a cabo por extremistas islâmicos radicais em países de maioria muçulmana no mundo. Mas estas perseguições também acontecem em países ocidentais, embora não assumam a forma de violência física que vemos noutras partes. É mais subtil e acontece ao nível do Governo e de empresas privadas, normalmente sem atenção mediática.

Mas recentemente um exemplo desta perseguição foi filmado durante uma audiência de confirmação no Senado americano. Só causou uma pequena polémica, porque os grandes meios de comunicação não se interessam e não é natural que o Senado faça alguma coisa sobre o assunto. Isto porque o autor das palavras é um menino bonito dos media e de muitos senadores: Bernie Sanders. E para muitos é impensável comparar Sanders a um qualquer Joe McCarthy – ainda que o seu ataque a um candidato cristão, que não é cristão ao modo que Sanders aprova, tenha sido desprezível segundo os padrões do próprio Senado.

O alvo do seu ataque foi Russell Vought, nomeado pelo Presidente Trump para ocupar o cargo de Vice-director do Gabinete de Gestão e do Orçamento. Vought tem ocupado vários cargos no aparelho do Partido Republicano e foi assessor do senador Phil Gramm, o democrata vira-casacas que não é muito popular entre políticos como Sanders. Só isso já teria sido o suficiente para o desclassificar aos olhos de Sanders, mas ele optou por perseguir Vought por causa das suas convicções religiosas, expressas num blog chamado The Resurgent. Um dos assessores de Sanders deve ter desenterrado a informação e entendido que seria um dado capaz de descarrilar a sua nomeação.

Nesse texto Vought defendia a decisão da universidade em que se formou, Wheaton College, uma instituição abertamente cristã, de suspender a professora assistente de ciências políticas Larycia Hawkins, que postou uma fotografia de si mesma no Facebook com um véu islâmico dizendo que o iria usar no trabalho, em aviões e eventos sociais durante as semanas do Advento em solidariedade com os muçulmanos que enfrentavam discriminação religiosa.

Na altura escreveu: “Estou solidária com os muçulmanos porque eles, como eu, que sou cristã, são povos do livro… E como o Papa Francisco afirmou a semana passada, adoramos o mesmo Deus.”

Ainda que o Papa Francisco “pense” que cristãos e muçulmanos adorem exactamente o mesmo Deus, há literalmente milhões de outros cristãos e católicos que “pensam” o contrário, com base nas suas crenças num Deus que é uma trindade de pessoas e de que Jesus Cristo é o único mediador da salvação da humanidade. Francisco não fala em nome de todos os católicos nesta matéria, menos ainda em nome dos milhões de protestantes evangélicos – incluindo a Wheaton College.

Em relação a isto Vought escreveu simplesmente: “Os muçulmanos não têm apenas uma teologia deficiente. Eles não conhecem Deus porque rejeitaram o seu Filho, Jesus Cristo, e por isso estão condenados”.

Sanders revoltou-se: “Do meu ponto de vista a afirmação feita pelo Sr. Vought é indefensável, é odiosa, é islamofóbica e um insulto a mais de mil milhões de muçulmanos em todo o mundo”. Tentou provocar Vought a negar a sua fé. Vought tentou responder, dizendo, “Senador, eu sou cristão.” Mas Sanders interrompeu: “Acha que os não-cristãos vão ser condenados?” e mais tarde perguntou “está a sugerir que todas estas pessoas estão condenadas?” e, enfurecido, “e os judeus? Eles também estão condenados?”

Vought limitou-se a reafirmar a sua crença cristã de que a salvação vem apenas por Jesus Cristo. Mas Sanders concluiu que esta crença era incompatível com uma função pública. “Diria, senhor presidente, que este candidato não tem nada a ver com aquilo que este país representa”.

Incrível é pouco… Vought nunca sugeriu que as suas opiniões religiosas o levariam a negar aos muçulmanos os seus direitos humanos ou sociais e Sanders nem lhe perguntou. Aliás, Vought disse acreditar que “todas as pessoas são criadas à imagem de Deus e são dignas de respeito, independentemente das suas crenças religiosas”. Mas isso não chegou para Bernie, que argumentou que devia ser chumbado precisamente por causa dessa sua fé.

Sanders não é uma pessoa particularmente bem informada no que diz respeito a religiões mundiais e não é muito perspicaz quando sai da redoma da guerrilha política. O que ele não percebe é que ao excluir cristãos como Vought deve, logicamente, excluir a maioria dos muçulmanos também. Para os muçulmanos ortodoxos todos os não-muçulmanos são infiéis, mushrikun (politeístas, idólatras, pagãos, etc.), e como tal não podem entrar no Paraíso. Quase todos os muçulmanos acreditam que todos os infiéis são condenados.

Sobre os infiéis, por exemplo, o Alcorão diz, “São aqueles, cujas obras se tornaram sem efeito, e que morarão eternamente no fogo infernal” (9:17). Quando Hussain Nadim, professor da Universidade Quaid-e-Azam em Islamabad, Paquistão, perguntou aos seus alunos se a Madre Teresa de Calcutá iria para o Céu, “para minha grande surpresa, mais de 80% desta elite académica respondeu claramente que não. Todos os que responderam assim explicaram que embora a Madre Teresa fosse uma mulher nobre, não era muçulmana e, por isso, não podia entrar no Céu”.

A crença de que só os muçulmanos podem entrar no Céu não é professada propriamente por uma minoria de muçulmanos educados, mas é a opinião geral, o que significa que de acordo com o Bernieismo a maioria dos muçulmanos nos Estados Unidos não estão em condições de ocupar um cargo público.

Será que ele os apelidaria de cristófobos que insultam mais de mil milhões de cristãos? Duvido, seria perigoso.

Não, pessoas como Bernie Sanders vêem os cristãos que defendem posições impopulares como “o aborto é homicídio” e “o casamento é apenas entre um homem e uma mulher” como a única verdadeira ameaça ao paraíso secular que quer edificar. Há demasiados poucos muçulmanos neste país para serem uma verdadeira ameaça, mesmo que defendam as mesmas posições. Contudo, servem perfeitamente como instrumentos para classificar os cristãos como inimigos do sistema político americano.


O padre Mark A. Pilon, sacerdote da Diocese de Arlington, Virginia, é doutorado em Teologia Sagrada pela Universidade de Santa Croce, em Roma. Foi professor de Teologia Sistemática no Seminário de Mount St. Mary e colaborou com a revista Triumph. É ainda professor aposentado e convidado no Notre Dame Graduate School of Christendom College. Escreve regularmente em littlemoretracts.wordpress.com

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 17 de Junho de 2017 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Não há palavras. Só cinza

A tragédia de Pedrógão Grande deixa-nos sem palavras, mas não nos deixa sem possibilidade de ajudar. Várias instituições, incluindo da Igreja, já prometeram ajuda e abriram contas para que se possa contribuir.


Ontem houve um ataque terrorista em Londres, mas contra a comunidade muçulmana. O condutor da carrinha usada foi salvo pelo imã da comunidade que atingiu.

Dos últimos dias destaque também para uma notícia que passou despercebida por cá. O líder do partido Democrata Liberal do Reino Unido demitiu-se depois de ter sido criticado pelas suas convicções cristãs e nos EUA as autoridades reuniram uns 200 cristãos originários do Iraque para serem deportados de volta para o país de origem, algo que a comunidade nem quer crer ser possível.

D. António Barroso, antigo bispo do Porto, está mais perto da beatificação.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Medicina ao Serviço do Poder

Matthew Hanley
O ciclo noticioso é hoje em dia tão rápido que mesmo os assuntos mais mediáticos podem desaparecer da vista – e da memória – em tempo nenhum. Se perdeu a cobertura intensiva da recente “Marcha pela Ciência”, não se preocupe, voltará a seu tempo. A narrativa é demasiado útil para ser descartada: almas corajosas a defender a ciência contra forças antediluvianas até que um político esclarecido possa restaurá-la ao seu “devido” lugar.

Quando a coisa estava no auge surgiu a seguinte manchete: “The Perils of Trumping Science in Global Health”. Poderia vir de qualquer órgão – Washington Post, New York Times, MSNBC, NPR – certo? Mas não, é do outrora bastião da ciência, o New England Journal of Medicine (NEJM).

Os autores são médicos de Stanford e a sua queixa é antiga e gasta: a escassez de contraceptivos e a descontinuação do financiamento americano para o aborto no estrangeiro são proposições perigosamente anticientíficas que põem vidas em perigo.

Artigos deste género não são movidos por dados objectivos, mas pelo interesse em avançar uma causa política – normalmente a destruição de uma ou outra classe de pessoas. Não é propriamente uma boa premissa para um argumento, seja científica ou não. Em defesa desta minha afirmação, voltemos a nossa atenção não para o Catecismo, mas para outro artigo no NEJM.

Este começa por afirmar secamente: “A ciência, debaixo de uma ditadura, torna-se subordinada à filosofia orientadora da ditadura”. Identifica o princípio filosófico orientador, de “utilidade racional”, como sendo de natureza hegeliana e lamenta que “tenha vindo substituir os valores morais, éticos e religiosos”.  

Este não é o tipo de coisa que estamos habituados a ouvir. Como é que se reconciliam estas visões tão diferentes – na mesma revista médica?

Bom, se calhar devia referir que este último é de 1949. O seu título era: “Medical Science Under Dictatorship” e foi escrita pelo Dr. Leo Alexander, que contribuiu para o Código de Nuremberg. Trata-se de uma reflexão sobre a sua investigação da cumplicidade da profissão médica (na altura ainda não se dizia “comunidade”) com os horrores da Segunda Guerra Mundial.

Alexander realçou o rapidíssimo declínio da ética profissional, manifestada na eliminação massiva dos inúteis, indesejados, doentes crónicos e desleais. A “ciência” médica daquele tempo descobriu diagnósticos como “antipatia inveterada contra os alemães” para facilitar o processo de liquidação.

A programa geral de investigação médica estava direcionado à “destruição e prevenção da vida”. Alexander refere-se mesmo a esta iniciativa como a “ciência da aniquilação”. A conclusão de que neste contexto seria bom ser-se um “inimigo da ciência” parece-me um imperativo moral.

Chega mesmo a inventar o termo “ktenologia” para esta ciência da matança; talvez não conste de todos os dicionários, mas com todos os meios de esmagar a vida que empregamos actualmente – e que procuramos para amanhã – devíamos ter algum termo em uso corrente. (O mais próximo talvez seja mesmo “cultura da morte”).

Obviamente os abusos do regime Nazi chegaram a proporções maciças, mas o que se tornou evidente para investigadores como o Alexander foi que “começaram com coisas pequenas”. O início foi marcado por mudanças subtis de atitude – a aceitação da premissa básica do movimento da eutanásia de que algumas vidas são um fardo sem sentido. Mais vale despachá-las.

Nem toda a gente cedeu. Os médicos da Holanda ocupada foram capazes de ver para além dos lemas aparentemente inócuos, resistiram às insistências e suportaram perseguições brutais, mas não participaram nem na eutanásia nem nas esterilizações. O Terceiro Reich já pertence ao passado, mas entretanto a Holanda tornou-se o epicentro da eutanásia, o que sugere que as ideias abraçadas pelos nazis – pelo menos o seu utilitarismo impiedoso – triunfaram, tal como muito do estilo político da União Soviética persiste por entre os absurdos do politicamente correcto.

O artigo de Alexander conta muitos episódios perturbadores, mas não deixa de ser edificante devido à sua clareza. Lê-lo é como ver um daqueles filmes a preto e branco que melhorou com a idade, é qualquer coisa que nos enche de uma sensação de exílio. As fronteiras poderão não ter mudado, mas o panorama ideológico sim – de uma forma de tal maneira sísmica que é o presente, e não o passado, que parece agora um país estrangeiro.

Ezekiel Emanuel - Contra a objecção de consciência
A “mesma” NEJM causou alguma polémica o mês passado ao dar voz ao médico, agora político, Ezekiel Emanuel que defende que as “sociedades profissionais deviam declarar que a objecção de consciência viola a ética”.

Emanuel refere-se à objecção contra variadas formas de destruir, prevenir ou mutilar a vida humana que se encaixam na sua visão deturpada de “cuidados” – os mesmos meios que Alexander criticou quando Nuremberga era ainda uma memória recente. Leu bem: Emanuel considera que é contra a ética ser objector de consciência contra tais coisas; a sua posição implica, nas palavras de Wesley Smith, que toda a gente que é pró-vida devia abandonar o ramo da medicina.

Às vezes os paralelos com as atrocidades nazis podem ser exageradas, mas a descrição que Alexander faz das atitudes que conduziram a esse desastre parecem aplicar-se perfeitamente à mentalidade de Emanuel e companhia. Parecem estar a exigir o que Himmler exigiu e, eventualmente, conseguiu: a cooperação de médicos e da ciência médica da Alemanha para levar a cabo monstruosidades consideradas necessárias para promover uma agenda maior, obviamente não-científica e desumana.

Emanuel quer reavivar a tática de intimidação que Alexander criticou: “qualquer indício de tibieza ou falta de entusiasmo pelos métodos do governo totalitário devem ser considerados uma ameaça a todo o grupo”. Tal como os que o antecederam nesta ignomínia, Emanuel intui que aquele que se recusa a matar é uma ameaça aos desígnios – e consciências – de quem o fará.

Que “cientistas” como Emanuel queiram um tipo de “progresso” que abandone a ética do Código de Nuremberga devia ser uma pista para todos nós. O que Emanuel e companhia querem é, parafraseando C.S. Lewis, poder exercido por alguns – como eles – sobre todos os outros, tendo a “ciência” como instrumento. Em última análise estão a apostar na conquista final que C.S. Lewis vislumbrou: A Abolição do Homem.

É contra este tipo de coisa que devíamos estar a marchar.


Matthew Hanley é Investigador sénior no Centro Nacional de Bioética Católica. Matthew Hanley é autor, juntamente com Jokin de Irala, de ‘Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West’, que foi recentemente premiado como melhor livro pelo Catholic Press Association. As opiniões expressas são próprias, e não da NCBC.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 13 de Junho 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Papa escreve ao Irão, juristas aos deputados

Atentado no Irão fez 12 mortos
O Papa Francisco mandou esta sexta-feira uma mensagem de condolências ao Irão por causa dos atentados que tiveram lugar naquele país na passada quarta-feira.

Um grupo de mais de 100 juristas assinou uma carta aberta a pedir aos deputados que não legalizem a eutanásia nem o suicídio assistido.

Por falar em juristas, chamo a atenção para um evento no próximo dia 21 de Junho em que haverá uma assembleia geral da Associação dos juristas católicos que começa com missa às 19h15 termina com um jantar debate sobre a ideologia do género, em que falará Diogo da Costa Gonçalves. Passa-se tudo na Igreja de São Nicolau, em Lisboa.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Papa comovido por solidez da fé dos portugueses

Há golfe para malucos
Já passou pela dificuldade de ter de explicar aos seus filhos ou sobrinhos o drama dos refugiados? Pois Maria Teresa Maia Gonzalez escreveu um livro que ajuda nesse sentido.

O Papa escreveu esta quarta-feira ao Patriarca de Lisboa, manifestando-se comovido pela “solidez da fé” que encontrou em Fátima.

As comissões episcopais de Portugal e de Espanha que lidam com a área das comunicações sociais estão reunidas e querem reforçar a presença da Igreja nas plataformas digitais.

Pode o golfe ser uma forma de terapia na doença mental? A Fundação São João de Deus acredita que sim e está a apostar nisso.

A Outra Europa

A semana passada, enquanto o líder do mundo livre estava ocupado a destruir o sistema americano de alianças cuidadosamente construído ou a abalar a estrutura política nacional e estrangeira para poder lidar com os desafios ambientais, dependendo dos órgãos de comunicação que vêem, aconteceu algo igualmente importante – e mais fundamental – na Hungria, que passou quase despercebido.

Fui convidado para falar no 11º Congresso Mundial para as Famílias, que decorreu em Budapeste. Mas é difícil exprimir o quão inspirador e esperançoso – e inesperado – foi o evento.

Estamos tão afundados nas nossas obsessões políticas que quase nunca ouvimos falar disso, mas há milhares de activistas e organizações de defesa da família e do casamento a trabalhar à volta do mundo. A maioria esteve presente em Budapeste a semana passada. E mais importante que tudo, fora da Europa Ocidental, da América do Norte e de países culturalmente parecidos como a Austrália e a Nova Zelândia, os países não estão de todo a seguir as modas absurdas e suicidas sobre casamento e filhos que acreditamos, falsamente, terem dominado o mundo.

A Hungria é um exemplo na própria Europa. O primeiro-ministro, o ex-dissidente soviético Viktor Orban, conseguiu inverter a tendência desastrosa de casamento e nascimentos que a Hungria, à imagem da Europa ocidental, revelava há anos. É o resultado tanto de compromissos sociais como de políticas específicas.

A Constituição da Hungria de 2011, a primeira adoptada desde que recuperou a liberdade depois da queda da União Soviética, diz o seguinte:

Artigo L (1) A Hungria protegerá a instituição do casamento enquanto união entre um homem e uma mulher, estabelecida voluntariamente, e a família como base da sobrevivência da nação. Os laços familiares basear-se-ão no casamento e/ou na relação entre progenitores e filhos. (2) A Hungria encorajará o compromisso de ter filhos.

Pode parecer um gesto vazio de sentido, tendo em conta a cultura dominante entre as elites internacionais, mas há dez anos a Hungria tinha um índice de casamento de 3,6 por mil, o mesmo que países do Sul da Europa como Itália, Espanha e Portugal. Agora está perto dos 4.75 e continua a subir.

De igual forma o índice de fertilidade na Hungria passou do mesmo que a Europa Ocidental para cerca de 1,45 – e parece estar a subir em direcção aos mágicos 2,1 necessários para garantir a estabilidade demográfica. Estas mudanças levam tempo e o Governo da Hungria reconhece que não haverá estabilidade demográfica até cerca de 2030. Entretanto foram inseridas no sistema húngaro uma série de vantagens para as famílias por forma a encorajar não só o casamento e a procriação, mas famílias com três filhos ou mais.

A recuperação de atitudes saudáveis a respeito do casamento e da família não é uma impossibilidade quando a sociedade reconhece que ambos são importantes para o bem-estar humano e para a estabilidade social, e desde que os governos nacionais não empreendam uma cruzada para os destruir.

Na verdade, a resistência da Hungria aos esforços da União Europeia para expandir o “casamento” gay tem citado a Carta Europeia dos Direitos Fundamentais: “O direito de contrair casamento e o direito de constituir família são garantidos pelas legislações nacionais que regem o respectivo exercício.” As relações jurídicas são sempre complexas, claro, mas a Carta Europeia, como a Constituição americana, não dá ao Governo central qualquer jurisdição sobre o casamento e a família.

E não é só a Hungria. A Eslováquia emendou a sua constituição em 2014 e definiu o casamento da mesma forma que a Hungria. E isso foi sob um Governo socialista. Na Polónia o artigo 18º da Constituição diz: “O casamento, sendo uma união entre um homem e uma mulher, bem como a família, maternidade e paternidade, serão colocadas sob a protecção da República da Polónia”. A Roménia está a seguir o mesmo caminho.

Claro, estas não são as grandes potências da Europa. A Alemanha, França e Reino Unido – e sobretudo a distante América – são quem define, em larga medida, a agenda da comunidade internacional. Pelo menos é isso que os radicais querem que se pense sobre os poderes das Nações Unidas e outras organizações como a Organização Mundial de Saúde.

Mas vejam isto:




As áreas azuis escuras são os lugares onde o “casamento” gay é legal. Mas os países encarnados são aqueles onde é ilegal – sendo o casamento definido como sendo entre um homem e uma mulher. As áreas azuis estão no meio, tanto geográfica como juridicamente: permitem algumas formas de união “não-tradicional”, mas não as equacionam ao casamento.

De certa forma até na Europa existe divisão entre estados azuis e encarnados. Apesar de todas as acusações de que o casamento, a família, a moral sexual etc. têm sido feitos reféns por “progressistas”, isto é, radicais que não sabem bem com o que é que se meteram, mesmo na Europa decadente e em colapso demográfico existe resistência significativa.

Não deve ser por acaso que é precisamente nas periferias europeias, as partes que até há pouco estavam sob domínio comunista, que a resistência é mais forte. Elas ainda se lembram dos antigos totalitarismos e não se deixam intimidar pelos novos.

Mais, têm a vantagem de poder ver – tanto na América como na Europa ocidental – onde é que a nova ética totalitária conduz: A uma perda de fibra social e uma perda, literal, daquilo que forma uma sociedade – pais com filhos.

Claro que, por terem enfrentado esta crise de frente e por se terem recusado a aceitar refugiados muçulmanos para colmatar as falhas demográficas, têm sido acusados de esmagar os direitos dos homossexuais e de estarem a encorajar uma nova forma de nacionalismo perigoso, com tons fascistas.

Viktor Orban é pai de cinco filhos. Muitos dos seus ministros e secretários de Estado são pessoas novas com famílias grandes. E no resto da Europa central e sudeste as principais figuras políticas têm filhos, ao contrário dos líderes da União Europeia, da Alemanha, de França, Itália e Reino Unido.

Os opinadores progressistas pensam que estão “do lado certo da história”. Mas é difícil dizer o que será precisamente o futuro progressista, uma vez que não parece preocupar-se com o futuro literal de crianças e sociedades suficientemente férteis para se reproduzirem.

Do nosso ponto de vista essa forma de encarar o mundo é que passou à história, no sentido de que já pertence ao passado e não tem futuro a longo prazo. Outros modelos, mais esperançosos mas que dão menos nas vistas, estão a surgir numa variedade de lugares inesperados.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro é A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the Twentieth Century, da Ignatius Press. The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está também disponível pela Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quinta-feira, 1 de Junho de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Martelo em Notre Dame, Marcelo nos Açores

Turistas retidos na Notre Dame, Paris
Mais uns dias, mais dois atentados. Um em Londres, outro em Paris, sendo que o da Catedral de Notre Dame, hoje, não causou vítimas.

A Igreja não pode desistir da Juventude, diz D. Pio Alves. Já o responsável nacional das Equipas de Jovens de Nossa Senhora considera que com o próximo sínodo a Igreja está a desafiar os jovens à proactividade.

Marcelo nos Açores. O bispo de Angra diz que o Presidente pode ajudar a resolver os problemas da região.

Luís Miguel Cintra agradece o reconhecimento da Igreja, que lhe atribuiu o Prémio Árvore da Vida.

Ontem o Papa voltou a apelar á protecção do ambiente, isto no mesmo dia em que louvou Pio XII por este se ter arriscado para salvar judeus.

E por fim, a Cáritas portuguesa quer ajudar o povo da Venezuela, mas não sabe bem como fazer chegar a ajuda ao país.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Camisolas que Compensam Chapadas

"Francisco, toma a minha camisola"
Donald Trump poderá anunciar ainda hoje a saída dos Acordos de Paris. O Vaticano sentirá isso como uma “chapada na cara” e os bispos católicos americanos pedem ao Presidente que honre os seus compromissos.

O Papa Francisco recebeu esta quinta-feira mais uma camisola de futebol para a sua já assinalável colecção…

Morreu o antigo líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia. Saiba quem foi o cardeal Husar.

Decorreu ontem um seminário sobre “Paz e Futuro da Humanidade” que contou com a presença do bispo das forças armadas e do bispo da Igreja Lusitana.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Carnificina em Cabul e Apelos Yazidis

Nem portugueses nem brasileiros
costumam vê-lo assim.

Convido-vos a todos a ler o testemunho de um bispo copta que se dirigiu aos terroristas, na sequência dos últimos atentados. É surpreendente, mas o Cristianismo é mesmo assim!

O Papa Francisco infelizmente não vai poder ir ao Sudão do Sul, como tinha previsto, pelo menos não em 2017.

Realiza-se a partir de hoje um Lisboa um colóquio sobre Santo António, onde se poderá descobrir as diferenças entre as formas como brasileiros e portugueses olham para este santo.

Uma jovem da religião yazidi que foi abusada pelo Estado Islâmico diz que “está constantemente a regressar” a esse cativeiro e pede o reconhecimento do genocídio a que o seu povo tem sido sujeito.

E numa altura em que várias pessoas próximas de mim passam por difíceis situações de saúde, foi com particular agrado que traduzi e publiquei este artigo do The Catholic Thing sobre como, mesmo quando afligidos por angústia ou sofrimento, podemos entender a promessa de Cristo de que teremos vida, e vida em abundância!

Vida em Abundância

Pe. Jerry J. Pokorsky
No Evangelho Jesus promete: “Vim para que tenham vida e para que a tenham em abundância” (João: 10,10). Trata-se da garantia mais sublime e consoladora deste lado da eternidade.

Quando tudo corre bem e estamos a experimentar as bênçãos da felicidade e da boa sorte, aceitamos facilmente este ensinamento. Quando conjugada com a saúde e com uma família normal e feliz e uma situação profissional razoavelmente segura, a prática sincera da fé traz um sentido autêntico de gratidão que nos incentiva a maior devoção e generosidade.

Mas quando nos deparamos com dificuldades familiares ou maritais, insegurança laboral ou problemas de saúde crónicos, podemo-nos sentir tentados a duvidar desta promessa de Cristo. Como é que se pode viver uma vida de abundância em Cristo enquanto experimentamos grande tristeza ou privação? A maior parte de nós seria tentada a perder a fé e a pensar que a promessa de “vida em abundância” não passa de uma piada cruel. Precisamos de uma resposta inteligível.

Quando Saulo caiu por terra na estrada para Damasco, ouviu a voz de Jesus: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” (Actos: 9,4). Jesus reina na glória celeste, porém esta narrativa revela claramente que o próprio Jesus sofre quando os cristãos são perseguidos. São Paulo desenvolverá este ensinamento, deixando claro que Jesus não é um senhorio ausente. “Porque todos quantos fostes baptizados em Cristo já vos revestistes de Cristo.” (Gal. 3,27). Cristo continua a viver entre nós na Sua Igreja. O Seu Corpo Místico.

São Pedro empurra-nos no sentido de reconciliar o sofrimento com uma vida abundante em Cristo. Em Cristo o sofrimento é elevado pela graça e ganha um novo sentido: “Se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus. Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no vosso lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos.” 1 Pedro 2: 20-21

Logo, o sofrimento dos membros do Corpo Místico de Cristo partilha do seu sofrimento redentor. Isto ajuda-nos a compreender a afirmação bastante surpreendente de São Paulo de que ele agora alegra-se nos seus sofrimentos: “Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a Igreja”. (Col. 1:24)

Quando sofremos, Cristo sofre connosco no seu Corpo Místico, e o nosso sofrimento participa no sentido que lhe foi dado por Cristo na Cruz. O nosso sofrimento em Cristo dá continuidade, de forma misteriosa, à obra da redenção.

O Pai não é um superintendente cruel. No livro da Sabedoria lemos: “Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma” (Sab. 1,13). Considerem a angústia de Abraão no Livro de Genesis quando leva o seu filho Isaac até à montanha para o sacrificar. Quando o anjo do Senhor segura a mão de Abraão, o Senhor revela que não se alegra a sua angústia, alegra-se com a sua obediência. Porém, a angústia de Abraão valida e magnifica a força da sua obediência na fé.

Isaac, como é evidente, representa a figura de Cristo o Filho e Abrãao é a figura do Pai. Por isso é razoável concluir que o Pai não se alegra no sofrimento redentor do seu Filho na Cruz, nem se alegra com o nosso sofrimento. O Pai “alegra-se” com a obediência do seu Filho, uma obediência que o sofrimento e a morte em nada diminuem. A coragem e o sofrimento de Cristo testemunham a suprema excelência da sua obediência ao Pai.

A excelência da sua obediência é aumentada pela sua liberdade. Durante a sua prova Ele diz a Pilates: “Acha que eu não posso pedir a meu Pai, e ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze legiões de anjos?” (Mt. 26,53). Jesus revela logo porque é que aceitou essa pena de morte: “Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (Mt. 26,54). As escrituras cumprem-se quando Jesus aceita voluntariamente a sua morte em obediência pela nossa redenção e salvação.

Sofrimento pode ter sentido
Jesus convida-nos a entrar no mistério do amor sacrificial: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15,13). Começamos a sentir a mistério da grandeza de tal amor nas nossas experiências de vida. Em circunstâncias extremas, os bons pais arriscam as suas vidas pelos seus filhos; e há incontáveis relatos de soldados, polícias e outros que arriscam as suas vidas não só pelos seus camaradas, mas por estranhos. Mesmo uma cultura híper-secularizada como a nossa celebra a dignidade de actos de amor altruísta.

Mas o amor de Cristo e a vida na sua graça podem perder-se, por isso Jesus ensina: “Se guardares os meus mandamentos permanecerão no meu amor, tal como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo. 15,10). A obediência e o sofrimento que frequentemente os acompanham demonstram que a coragem, a convicção e uma consciência tranquila sustentam a alegria da vida com Cristo: “Digo-vos isto para que a minha alegria esteja em vós e que a vossa alegria seja completa” (Jo. 15,11).

O mandamento mais significativo de todos é dado na Última Ceia: “E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim” (Lc. 22,19). A nossa obediência na Graça de Deus é premiada com o Verbo a fazer-se Carne novamente, na Eucaristia: A Santa Comunhão, a fonte e o ápice da vida cristã.

A “vida em abundância” do Senhor purifica e eleva todas as alegrias e as tristezas terrenas. É uma vida de coragem, de convicção, de consciência tranquila e de comunhão com Ele, com a nossa própria carne santificada pelo seu santíssimo Corpo e Sangue. Nunca é demasiado tarde para viver a sua Vida em abundância com esperança firme e verdadeira alegria.  


O padre Jerry J. Pokorsky é sacerdote na diocese de Arlington e pároco da Igreja de Saint Michael the Archangel em Annandale, Virgínia.

(Publicado pela primeira vez no domingo, 28 de Maio de 2017 em The Catholic Thing)

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Baptista-Bastos-Baptizado

Pedro Baptista-Bastos
O Papa Francisco ficou triste com a notícia do massacre dos cristãos coptas no Egipto a semana passada e ontem em Roma lembrou novamente o sucedido, bem como o atentado de Manchester.

Realiza-se amanhã uma importante homenagem ao Colégio Português em Roma, que passa a ter a designação “Casa da Vida”, devido ao trabalho do antigo reitor Joaquim Carreira que salvou dezenas de judeus e opositores ao regime. Pela mesma razão foi homenageado ontem em Portugal.


Podem ler aqui uma interessante entrevista com Pedro Baptista-Barros, filho do jornalista Baptista-Barros, que recentemente foi baptizado e aqui fala do seu percurso de fé.

Por fim, convido-vos a ler um curto texto sobre como depois de um ano a pedir à editora Aletheia que me pagasse o que me devia em direitos de autor, bastou pedir orações a um grupo de freiras e a situação ficou logo resolvida! É fantástico! A oração funciona e a vergonha existe, embora pouco. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Massacre em Minya, Marcelo no Luxemburgo

Feliz Ramadão
Começa a tornar-se banal… Mais um massacre de cristãos no Egipto, é a forma que os jihadistas encontram para assinalar o início do Ramadão, hoje.

Marcelo Rebelo de Sousa juntou-se a vários líderes mundiais na condenação a este atentado em que morreram algumas crianças.

O Presidente da República esteve ontem no Luxemburgo, onde participou numa procissão, para alegria dos emigrantes portugueses.

Os bispos portugueses querem impor a ideia de “Catequese familiar”, apesar das dificuldades que reconhecem existir.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Trump, Francisco e a Mantilha de Melania

Nossa Senhora Auxiliadora da China
A notícia do dia é o encontro entre Trump e o Papa Francisco. Falaram sobre muita coisa e trocaram presentes mas claro que o que gerou mais atenção foi a roupa de Melania e de Ivanka Trump. Se não sabe porque é que estavam de preto, aproveite para descobrir.

Hoje é dia de oração pela Igreja na China. O cardeal Joseph Zen reza mas aproveita também para criticar o regime.

Uma capela na Índia dedicada a Nossa Senhora de Fátima foi vandalizada por fanáticos hindus.

Sabia que existe uma Bíblia escrita em verso? Pois é verdade! E é de autoria portuguesa…

O Papa nomeou novos cardeais. Há surpresas não só pelos locais representados, mas também pelo facto de um deles ser bispo auxiliar de uma diocese cujo bispo não é cardeal.

E os terroristas continuam a fazer das suas. Na segunda-feira à noite deu-se o terrível ataque em Manchester, mas nas Filipinas também houve novos confrontos.

Leiam também o artigo desta quarta-feira do The Catholic Thing em que o padre Gerald Murray escreve sobre a importância da verdade e da realidade também nas relações ecuménicas. O tema aqui é a validade das ordens anglicanas, o que pode parecer uma ninharia,mas na realidade tem bastante importância.

A Verdade não é Rígida, é Real

Pe. Gerald E. Murray
A realidade interessa? Ela é a referência necessária e decisiva para descobrir o que é e o que não é, o que é verdade e o que é falso? Ou será a realidade sujeita a revisão com base nas nossas preferências, desejos ou outros factores? São questões como estas que se nos colocam quando vemos comentários como aqueles feitos pelo Cardeal Francesco Coccopalmerio sobre a validade das ordens anglicanas. Segundo Christopher Lamb, do “The Tablet”, Coccopalmerio caracterizou o ensinamento da Igreja sobre as ordens anglicanas da seguinte maneira: “Temos tido, e temos ainda, uma compreensão muito rígida sobre a validade e a invalidade: Isto é válido, aquilo não é. Mas deve-se poder dizer: ‘Isto é válido num certo contexto, aquilo é válido noutro’.”

O Cardeal especula sobre as implicações doutrinais de gestos papais de respeito e de amizade no passado, dizendo: “O que significa o facto de o Papa Paulo VI ter dado um cálice ao Arcebispo de Cantuária? Se era para celebrar a Ceia do Senhor, a Eucaristia, então era para ser feito de forma válida, não?” E continua: “Isto é ainda mais significativo do que a cruz peitoral, porque o cálice não é usado apenas para beber, mas para celebrar a Eucaristia. Com estes gestos a Igreja Católica está já a intuir, a reconhecer uma realidade”.

Estas declarações surgem num novo livro, cujo título não é indicado por Lamb, que inclui o conteúdo de um encontro do Grupo de Conversação de Malines, que teve lugar perto de Roma em Abril deste ano. A Rádio Vaticano cobriu o encontro, tomando nota da participação do Cardeal Coccopalmerio. A reportagem da Rádio Vaticano inclui comentários feitos pelo padre Tony Currer, do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Sobre as ordens anglicanas ele diz: “Penso que é verdade que não utilizamos termos como ‘nulas’” pois “claramente não é isso que dizem os gestos, a generosidade e a simpatia que temos visto repetidamente”.

Validade é sinónimo de realidade quando se fala de sacramentos. A Igreja ensina claramente o que é necessário para a celebração válida – isto é, verdadeira e real – dos sacramentos. Ao invocar linguagem pejorativa como “compreensão rígida” sobre validade e invalidade, Coccopalmerio reduz o entendimento da Igreja sobre o que conta como um sacramento válido à expressão de uma atitude psicologicamente doentia, radicada na ignorância e no medo irracional.

A questão da validade é simples: A Igreja considera que uma ordenação anglicana é uma administração válida do sacramento da Ordem? A resposta é não, tal como foi determinado com a autoridade do Papa Leão XIII na sua encíclica Apostolicae Curae. A ordenação anglicana não transforma um homem num sacerdote católico. Essa determinação é objectiva e feita com base num estudo razoável e cuidadoso da história, da doutrina e da prática tanto da Igreja Católica como da Comunhão Anglicana.

Paulo VI e o arcebispo de Cantuária
Coccapalmerio diz mais: “Quando alguém é ordenado na Igreja Anglicana e se torna pároco numa comunidade não podemos dizer que não se passou nada, que é tudo ‘inválido’.” A opção apresentada nesta afirmação é de que numa ordenação anglicana ou o homem se torna um padre validamente ordenado, ou então nada acontece. Mas há uma terceira possibilidade: A ordenação anglicana transforma alguém num padre anglicano, não num padre católico.

A Igreja ensina que esta ordenação não é uma ordenação católica válida. O homem ordenado numa cerimónia anglicana não recebe o sacramento da Ordem. O sacramento da Ordem não é administrado. (Deixo de parte aqui a questão de anglicanos ordenados por bispos que receberam sagração episcopal das mãos de bispos veterocatólicos ou ortodoxos).

Mas aparentemente Coccopalmerio e Currer resistem a esta verdade. O Cardeal afirma que o cálice que o Papa ofereceu ao Arcebispo de Cantuária significa que o Papa Paulo VI considerava que o Serviço de Comunhão Anglicano era uma celebração válida da Missa porque “era suposto ser feito de forma válida”. Mas o Papa Paulo VI nunca disse aquilo que Coccopalmerio conclui. Um gesto não equivale a um pronunciamento papal.

O padre Currer diz que “nós já não usamos termos como ‘nulo’”. Se por “nós” se refere à Igreja Católica, está enganado. O pronunciamento do Papa Leão XIII não foi rejeitado por qualquer dos seus sucessores. É evidente que o padre Currer e outros não gostarem do facto de as ordens anglicanas terem sido consideradas nulas. Mas esta insatisfação de Currer com o exercício do magistério papal não significa que a Igreja tenha deixado de defender a invalidade das ordens anglicanas.

Coccopalmerio procura dispensar a verdade objectiva do que constitui validade sacramental na Igreja Católica, tornando-a variável de acordo com um “contexto”. Não estamos perante relativismo, puro e simples? O Cardeal não afirma que os critérios para determinar a validade ou a invalidade da administração da Ordem foram mal aplicados por Leão XIII quando este examinou as ordens anglicanas. (Talvez aborde a questão noutro lado). Limita-se a dizer que estes critérios não se devem aplicar porque são rígidos. A conclusão do Papa Leão XIII de que as ordens anglicanas são inválidas é criticada como sendo rígida quando a pessoa não gosta dessa verdade em particular. O que para uns é rigidez, para outros é solidez. A Igreja está a ser teimosa ou firme nesta questão? Diria que ambos. É isso que a verdade exige, independentemente do contexto. Se ela tiver cometido um enorme erro neste ponto, que mais devemos lançar borda fora?

No seu ensaio “O Destronar da Verdade”, Dietrich von Hildebrand escreveu: “O desrespeito pela verdade – quando não se trata de uma tese teorética, mas de uma atitude vivida – claramente destrói toda a moralidade, mesmo a razoabilidade e a vida comunitária. Todas as normas objectivas são dissolvidas por esta atitude de indiferença para com a verdade; como é destruída também a possibilidade de resolver de forma objectiva qualquer discussão ou controvérsia. Também se torna impossível haver paz entre pessoas ou entre nações. A própria base da vida humana real é subvertida”.  

Corremos grande risco ao dispensar a verdade. 


O padre Gerald E. Murray, J.C.D. é pastor da Holy Family Church, em Nova Iorque, e especializado em direito canónico.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Quinta-feira, 18 de Maio de 2017)

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Rezar pela Venezuela e contra a pornografia

Contra a pornografia
O Parlamento congratulou-se esta sexta-feira com o sucesso da visita do Papa Francisco. O voto foi aprovado por unanimidade.

Também hoje a fundação Ajuda à Igreja que Sofre fez um apelo a uma jornada de oração pela Venezuela. Em Lisboa há missa e terço no domingo, mas quem quiser certamente pode associar-se pessoalmente, onde estiver.

Nos Açores decorrem por estes dias os festejos do Santo Cristo dos Milagres. Este ano preside o bispo de Fall River, onde há uma grande comunidade açoriana. Marcelo também lá vai estar.

Ao longo dos anos já publiquei alguns artigos, nomeadamente do The Catholic Thing, sobre o flagelo que é a pornografia nos nossos dias, que em muitos casos pode chegar a ser um terrível vício que prejudica muito mais os utilizadores do que possam imaginar. Dois desses artigos podem ser lidos aqui, aqui e aqui. Agora reparo, com grande satisfação, que a editora Princípia publicou em Portugal um livro da autoria da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, que trata muitíssimo bem do assunto. Fica o conselho para quem se interessa por este tema!


quinta-feira, 18 de maio de 2017

First Things, de embriões a eutanásia

Clicar para aumentar
O Papa recordou esta quinta-feira que “nenhum meio justifica a destruição de embriões humanos”, em conversa com vítimas e investigadores de doença neurodegenerativa.

A Igreja de São Cristóvão, em Lisboa, está a ser renovada e é possível agora assistir ao vivo à última fase do restauro de uma tela do século XVII, da Última Ceia.

O livro “Conversas em Altos Voos”, de Aura Miguel, já foi lançado em versão áudio e braille!

Publiquei hoje, com algum atraso, admito, a transcrição integral da minha entrevista com R. R. Reno, editor da influente revista americana First Things. Vale a pena ler para ver o que ele acha de Trump, do Supremo Tribunal americano, das actuais questões fracturantes na sociedade e quais os nomes que devemos ter debaixo de olho a nível de opinadores conservadores nos EUA.


E termino com um aviso. Vai-se realizar uma conferência sobre a Eutanásia: “A Morte da Pessoa que Sofre: Causar ou acompanhar?”. Realiza-se no dia 31 de Maio no auditório da União de Associações do Comércio e Serviços, em Lisboa, com várias sessões, como podem ver na imagem que ilustra o post. Não percam.

R. R. Reno: "Transgender debate is one step too far for progressives"

This is a full transcript, in the original English, of my interview with R. R. Reno, of First Things. Please not that this interview was done on March 30th, which must be taken into account regarding answers about President Trump and the Suprem Court nomination, for example. The news story, in Portuguese, can be read here.

Esta é uma transcrição integral, no inglês original, da minha entrevista com R. R. Reno, editor da First Things. A entrevista foi feita no dia 30 de Março, o que deve ser tido em conta no que diz respeito a temas como a presidência Trump e a nomeação para o Supremo Tribunal, por exemplo. A reportagem pode ser lida aqui.

What is it you are here to talk about?
It is my view that the post-war era is ending, culturally and politically and what I am going to talk about tonight is not the political side of things, but what I call a spiritual, metaphysical diagnosis of the populism that seems to be abroad in Europe and the United States, so that we can orient ourselves, not just as Christians but also generally as engaged citizens, into the social realities that we face.

First Things was founded in 1990 with the intention of influencing the public square. Since then the magazine and website has become a reference in its field, but considering all that has changed in American society… Do you feel First Things has failed in its overall goal?
The journal was founded in order to fill a vacuum. Our American elites had been, for most of the XXth Century - at least for the first half of the XXth Century - very deeply influenced by liberal protestant thinking. While one can critique liberal Protestantism theologically, it still meant that our political culture was influenced in a pretty deep way by an engagement with Christianity.

That began to diminish after the 1960's, and the idea was to start the magazine to renew the strength of the religious voice at a very high intellectual level, that would engage culturally. Have we failed? It’s always difficult, because it is a counterfactual... What if we had not been around? Would American society be even more secularized than it currently is? But I do agree that the trend has been, among our leadership class, towards what I would think of as a policy economic thinking about political culture, and not a philosophical/theological way of thinking about political culture.

But it is my view, and this is what my lecture will be about tonight, that the narrow, almost anti-metaphysical approach to politics is not humanly satisfying, and so it may be coming to an end.

This is connected to the theory in one of your more recent books, “Ressurecting the idea of a Christian Society”. Is that still possible in America, for example?
I think we have a Christian society in America, I think you have Christian societies over here in Europe. The ancient Romans would have let people drown in the Mediterranean, but contemporary Europe is courting very challenging social and political issues, with respect to migrants, precisely because of the fact that Christianity is still in the DNA of the West. So the question is: How can we reactivate that DNA, in a way that could renew our societies and make them more vital and more engaged and able to meet the challenges that we currently face? So my book is not an argument that we are going to go back to the way things were two, three or four generations ago, but instead that a vibrant Christian minority can revitalize the Christian influence and be a leaven in contemporary society. So as I say, Christianity is part of the DNA of the West. It doesn't take much, actually, to reactivate that DNA.

Yet being part of the DNA of the West, we see many secularists bending over backwards to deny that it is. Is that a danger?
They say it’s not because they want a different kind of future. It’s a kind of a compliment to the power of an idea that it gets repudiated with vigor. You ignore things that have no influence on the future. Because you don't have to worry about them. No one is worried about feudalism because this is not a living possibility. But secular progressives denounce the possibility of a Christian society because it is a real possibility.

The term “Culture wars” has become famous in America, but is the time for a culture war mentality over?
You can't paper over deep and profound differences in the view of human flourishing in a society. The American culture wars are not a function of random and unprovoked aggression; they reflect a deep division in our society about what it means to be a human person.

The constant being on the defensive, and the hostile language in the debates, is that something that can be toned down, would it be possible to find middle ground?
It seems to me that the sexual revolution, which is really the focal point in the United States of almost all of these cultural debates, they all, in some way, have something to do with the sexual revolution, it’s really about whether or not our bodies have moral meaning and so something like transgenderism, or doctor assisted suicide are both denials that bodies have moral meaning, and that we give them meaning through our choices and through our will. This is fundamentally at odds with the Christian doctrine of creation.

I think you can obviously approach these differences in a spirit of charity, and certainly calmly, and without vitriolic angry language, but you can't deny this deep difference about arguably one of the most fundamental questions about what it means to be human.

For a while, with victories in state referenda, it seemed like the gay marriage debate might be going well, but since then it crashed and burned… Is it a lost cause?
Yes and no... The victories were narrower and narrower, and the trend was going against those of us who though that it was really crucial to preserve traditional ideas in marriage. So I think it’s right to say that there is no one political party or figure that is out in the United States arguing to roll back gay marriage. This is different from the pro-life cause, because it is more difficult to speak about what is at stake. Whereas the question of the sanctity of life, with abortion or doctor assisted suicide, it is so clear... But what is the harm of gay marriage? It is very difficult to articulate in a soundbite, first of all.

Second of all, there are people now who are married, so what are you going to do if you go back to a traditional understanding of marriage? So it is a much more complicated issue.

I think the imperative in the United States is for people like me and other conservatives to try to discern how to reinvigorate the culture of marriage, because it is in trouble in the United States, and especially in trouble with people at the bottom of the social scale, who are marrying with greater and greater infrequency. These are people whose lives are already very at risk, so the security and the stability that marriage provides are really even more important for them, and paradoxically the well-educated and well-to-do have reconsolidated around a very strong culture of marriage, so we have an unequal society in America, not just economically, but also culturally, where marriage is something that is increasingly inaccessible to the poor and something that is readily accessible to the well-to-do

And now the transgender debate… What are your expectations?
I think this is a bridge to far for the sexual liberation crowd. Also, it clarifies what is at stake, because it is not about sex, it's about our bodies. And I think that frames things differently, politically. It looks like it’s probably a loser at the polls for progressives, in a way that gay marriage wasn't. One can never predict the future about these things, but it could be that this turns out to be something that the public... Americans are very tolerant and they don't want to tell people what to do, but they also don't want to be told that their children have to use the bathrooms that are being used by somebody of the opposite sex, and that seems to actually strike a chord. I've talked to a lot of my friends who are liberals and progressives who roll their eyes over this issue. They were quite sincere and ardent about how it was morally necessary to affirm gay unions, but on this one, not so much.

In the midst of all this there are several issues regarding religious freedom. Is religious freedom under threat?
I always counseled my friends in the USA to not become too hysterical about threats to religious freedom. Under the Obama Administration there most certainly were threats to religious freedom, but they were on the margins, but we were not anywhere near a situation where the state was going to dictate what could and could not be said from the pulpit, so I think some of the core protections of religious freedom in the US are quite solid. But it is on the margins, about whether or not can do the corporal works of mercy, in the public square, in accord with their beliefs. That is where the adoption agencies, and medical care especially, where reach on these hot button issues of abortion, euthanasia, gay marriage, and things like that, where we are facing problems, and also in the areas of education, where we are facing problems.

With the Trump administration it seems extremely unlikely that this administration is going to press the progressive causes in these areas, so I think the pressure is off in the short term.

Moving on to the current political landscape, many Catholics opposed Trump from the beginning, but you were not among them and then you endorsed him in October. How do you evaluate his presidency so far?
It’s a mixed bag. Many of my friends who did sign that letter against Trump I think had legitimate worries about his competency to actually govern. And this administration is one that is quite chaotic in many respects, on one hand.

On the other hand those of us who thought – and I am among them – that we were on an unsustainable trajectory, and that we had to get on a different track, I think that Trump's election and this current administration has put the cultural political future of America up for grabs. And it has disrupted the trajectory that we were on. And that has happened. And as I mentioned, in the area of religious freedom, the results could be quite favorable to the churches, and in the pro-life cause there is reason to hope for progress, within the constraints of our culture in the United States.

So I think the jury is out on this administration. My hope is that Trump will break down what I think is an undue ideological commitment to free markets on the Republican Party's side, so we can have a kind of conservatism in America that seeks limited government, space for civil society, but doesn't make a God of free-market ideology. I am hoping we can do that, and I am gratified that the health care bill failed, because I don't think we should revise our current health care system without clearly expanding the scope of coverage, rather than limiting the scope of coverage. And he has expressed a desire, certainly a commitment to defending the American social safety net, against arguments that it has to limited or privatized.

So I think those are good things. We need to break down, in the United States, a narrow ideological competition between free-market republicanism and a politic of a culturally progressive democratic party. It would be healthy to get away from that, and that would help minimize the divisive effect of the culture wars as well.

Neil Gorsuch
Do you believe Gorsuch will become a Supreme Court judge? And how important is that?
Certainly! He sailed through the confirmation hearings. Democrats may resist him, in which case the republicans will pick a procedural vote to get rid of the filibuster option, so we would have to have a revolution for him not to become a Supreme Court justice.

The real question is the next one. There are some very elderly people on the United States Supreme Court and the ones who are elderly are the liberal ones, so there is a good chance that he will appoint another Supreme Court justice over the course of the next four years, and that will be a real battle, because that is going to wind up changing the ideological complexion of the court. Gorsuch can go through. The democrats won't like it, they are going to grand-stand for their voters, and supporters, but in the end they'll say “ok we'll just have to swallow this one” and the next one they'll go all out.

First Things has published, among others has published some harsh criticism of Pope Francis, namely around the Amoris Laetitia debate. What is your assessment of the papacy, four years in?
I think the Papacy is a study in paradoxes. I think the Holy Father is a man who runs on very powerful intuition, rather than systematic thought, and so he can say contradictory things. He can strongly denounce the way our culture in the West is undermining the difference between men and women, and then turn around and really urge a pastoral approach to difficult questions and reject a legalistic approach, and then you are left wondering ok, so, how do I respond to this matter of transgenderism for instance? He doesn't give you very clear guidance. So I think the jury is out on the Papacy. I do think that the Papacy, the confusions that flow from the Vatican, in all fairness, reflect the unsettled mind of the Church that was masked by the towering intellectual and spiritual leadership of John Paul II and Benedict the XVI.

Underneath their leadership, though, was a Church that since the Second Vatican Council has not achieved any real clarity about its own relation to the contemporary world. So here we have a man who has many gifts, but he doesn't have the same dominating intellectual personality that Wojtyla and Ratzinger had. So the inner confusion of the Church is much more visible to us.

So I tend to think that this Papacy, I'm not happy about it, I don't like the confusion that it creates, I think he sends mixed messages. I have lots of reasons to criticize Pope Francis, but at the end of the day I am inclined to think that a lot of what I don't like is really the much broader Church, and I participate in many of those confusions. I am not sure I could provide, myself, any clear way forward.

But I do think that with this Papacy we are at the end of the Vatican II generation. He'll be the last Pope for whom the defining experience was the experience of living through the transformations of the Church, and living through the transformations as an experience of a new possibility, a new vitality, a new openness. The next generation of Popes will have come of age amidst all the confusion and I think that people who worry about the Cardinals he is appointing, and the kind of people... That's not as relevant as this generational issue.

Would you have become a Catholic, do you think, today?
When I entered the Catholic Church I had been teaching at a Jesuit University for 14 years. I knew exactly what I was getting into. I had no illusions about the Catholic Church. It was also in the midst of the clerical abuse crisis in the United States, I was perfectly aware of the possibility of faithless priests, criminally negligent bishops...

The Catholic Church for me... I did not choose the Catholic Church, I lost confidence in the form of Protestantism that I was practicing, I felt kind of abandoned and I put myself up for adoption in the Catholic Church. I didn't think it had any qualities that particularly recommended itself to me, other than the fact that it is the prime substance of Christianity in the Western world, and if one wants a Christian intellectual in the West in the XXI Century, one has to take one's stand in the Catholic Church, with all of its problems, all its warts, all of its failures.

And it is interesting that many of my Evangelical protestant friends see Catholicism as, in many ways, their anchor as well. Admittedly from afar, but nevertheless they look to the Catholic Church for ballast in the ship of the Church, in its many forms as it tries to navigate these difficult seas in this late modern moment that we are living in.

You were of course a very active member of the Episcopal Church in the United States...
That was my mistake...

From that standpoint, with that inside knowledge, how do you see the future of the Anglican Communion at the moment?
I don't think about the future of the Anglican Communion.

I met with a very close friend of mine, sort of my “rabbi” in that sense of the term, an Episcopal minister, and he gave me the best counsel: You are leaving the Episcopal Church, leaving Anglicanism, you should not put your fingers back in these messes and try to involve yourself. And I have really just not let myself...

Part of the spiritual damage that I was doing to myself was bitter angry engagement in the Church politics of Anglicanism, and to revisit that would only be to allow myself to be tempted back into these spiritual vices that I was allowing myself to cultivate as an Anglican, and that was really the reason that I left.

So I have no thoughts about Anglicanism, other than a really deep appreciation for the foundation it provided me in the faith. Anglicanism has many really great riches. One of my friends who is a priest in the diocese of New York, where I live, is a former Episcopalian, was asked, when he became Catholic and then a Catholic Priest, what he missed most about Anglicanism, and he said “The liturgy in English”.

You publish countless authors, some more famous than others. Are there any rising stars, people we should keep our eyes on?
That's a great question, and I am terrible at names.

I find the work of Michael Hanby, who is a youngish theologian at the John Paul II Institute of Marriage and the Family at the Catholic University of America, to have a really powerful theological interpretation of modernity. We have published him on a number of occasions; I'm very excited about his work.

I wish I could get my friend William Cavenaugh to write. He has written some for the magazine, but to write more. But he and I disagree about politics too much. But I think Bill also is an important voice about how to be the Church in the late modern era.

We cover theology, but we also cover culture and politics, although politics at a remove, and I am a big fan of Elizabeth Corey who really can speak about the way our contemporary culture undermines domestic life. Being a parent, being a spouse, the way different patterns of life, our traditional ways are less and less accessible to us and she gives a very winsome defense of those traditional patterns of life.

And finally it comes to politics and culture there is a young writer in Washington D.C. named Matthew Walther, and Walther is... He's the Tom Wolf of his generation, which is a pretty high compliment. He is a writer's writer, and I'll publish anything he writes.

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