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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Os portugueses do extremo-oriente

Cardeal Bo
O novo líder da Federação das Conferências Episcopais da Ásia é um lusodescendente, que vem substituir outro lusodescendente, numa prova vida da importância do legado português naquele continente.

Conheça aqui a história da freira polaca que morreu aos 110 anos e ajudou a salvar judeus durante a II Guerra Mundial.

Faz sentido continuar a haver um bispo das Forças Armadas? O novo foi ordenado ontem, e diz que sim.

É um caso muito peculiar, do início ao fim… Um juiz considerou inconstitucional a lei americana que proíbe a mutilação genética feminina


E na quarta-feira vamos poder ver o Cristo-Rei, os Jerónimos, a Torre dos Clérigos e a Basílica dos Congregados pintados de encarnado. É uma forma de chamar atenção para os cristãos perseguidos no mundo.


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Um Novo Começo para 2018

O ministério de João Baptista foi um apelo ao arrependimento, à renúncia ao pecado, como tinha sido profetizado por Isaías: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt. 3,3). Os Dez Mandamentos fornecem uma base moral, com destaque para o primeiro: “Eu sou o Senhor teu Deus. Não terão falsos deuses diante de mim”.

Os falsos deuses assumem várias formas e feitios. À medida que a nossa cultura vai rejeitando a herança judaico-cristã, não podemos dar por adquirido que não regressaremos aos falsos ídolos de pedra. Mas um falso deus também pode ser uma obsessão tão intensa que nos impede de adorar devidamente o Deus único. Essas obsessões são legião, mas pode ser útil concentrarmo-nos apenas numa: a ira.

À medida que ficamos mais velhos acontece uma coisa curiosa. As nossas vidas parecem comprimir-se e começamos a perder a noção do tempo. Há coisas que parecem ter acontecido recentemente mas que na verdade se passaram há vários anos. Curiosamente até as memórias distantes – tanto boas como más – se tornam mais presentes. No aniversário do ataque a Pearl Harbour os jornais mostraram veteranos já na casa dos 90 anos, com as caras a expressar a dor da mágoa enquanto recordavam esse dia terrível em 1941.

Há uma piada velha sobre o Alzheimer irlandês: Esquecemos tudo menos os ressentimentos. Mas infelizmente isto não se limita aos irlandeses. A ira é fácil de compreender – a maioria de nós conhece-a muito bem. Até a vemos nos bebés. Tire um brinquedo a um bebé e ele faz birra. À medida que envelhecemos, tornamo-nos um pouco mais sofisticados na forma como exprimimos a nossa ira, quando são os outros a brincar connosco.

Se não tivermos cuidado é perfeitamente possível que até irritações miudinhas se transformem em ódios. Somos capazes de deixar um incómodo momentâneo transformar-se na razão por detrás de um ressentimento.

Isto não significa que tenhamos o dever de ignorar a revolta que costuma acompanhar a injustiça. Essa revolta tem o seu lugar. Por exemplo, a Igreja reconhece o papel do Estado na administração da pena de morte, precisamente para responder a esse desejo de justiça: “As penas capitais infligidas pela autoridade civil, que é a legítima vingadora do crime… concedem segurança à vida ao reprimir a revolta e a violência” (catecismo de Trento). Mas mesmo a revolta legítima que surge como resposta à injustiça deve ser controlada e devidamente ordenada.

Mais, não podemos contar que qualquer Governo seja perfeito no cumprimento de todas as leis justas. Para além de manter todos os potenciais criminosos em bicos de pés, com a ameaça do sistema judicial, não é razoável esperar que todos os malfeitores sejam conduzidos à justiça. Mas cultivar a ira enfurecida por causa de uma injustiça por resolver não dá resposta a estes factos da vida humana. Cultivar a ira não é apenas autodestrutivo; a obsessão torna-se um tipo de falso deus, o centro das nossas vidas.

Há anos um conhecido caçador de nazis observou que talvez a maior tragédia do Holocausto tenha sido que ele substituiu o Êxodo como centro da história judaica.

Como é que nós, pela graça de Deus, podemos remover o falso deus da ira nesta época em que acolhemos a vinda do Senhor e nos preparamos para começar um Novo Ano? Sabemos que não será fácil.

Eis umas sugestões bíblicas:

·         Reconhecer que a justa ira não é pecado. A ira impele-nos à acção, a equilibrar os pratos da balança da justiça. “Irai-vos e não pequeis” (Ef. 4,26).
·         A justa ira deve ser proporcional e sob controlo da razão: “Não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef. 4,26)
·         Conte até dez depois de cada provocação: “Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1,19) (“Querida, porque é que não me respondes?”, “Estou a contar até dez querido!”)
·         Esteja preparado para perdoar, e perdoar novamente. “Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete” (Mt. 18,21-22)
·         Suporte as falhas dos outros, recordando as suas próprias fraquezas. “Perdoai-nos os nossos pecados, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
·         Reconheça que as emoções fortes, como a ira, são voláteis e não podem ser controladas sem a graça de Deus. Por isso, não negligencie a oração, o sacramento da reconciliação e a recepção devota da Sagrada Comunhão. “Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” (Mt. 5,44).
·         Não ignore o valor redentor do sofrimento injusto: “Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a Igreja” (Col. 1,24).
·         Experimente um pouco de bondade cristã à antiga; “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rom. 12,20-21).
·         Por fim, especialmente para casos de injustiças graves e crónicas, confie na justiça de Deus. Por mais que assim possa parecer, ninguém escapa impune: “A mim pertence a vingança e a retribuição. No devido tempo os pés deles escorregarão; o dia da sua desgraça está chegando e o seu próprio destino se apressa sobre eles” (Deuteronômio 32,35). Ninguém escapa ao trono de justiça de Deus, porque existe um céu e existe um inferno.

Podemos escolher entre ficar obcecados com injustiças e arriscar as nossas almas, ou antecipar a Cristo com uma fé firme. Por isso, tomemos a resolução firme de… parar. Parar de alimentar os nossos ressentimentos, grandes ou pequenos, e preparar o caminho para o Senhor neste Ano Novo – e todos os anos.


O padre Jerry J. Pokorsky é sacerdote na diocese de Arlington e pároco da Igreja de Saint Michael the Archangel em Annandale, Virgínia.

(Publicado pela primeira vez no domingo, 31 de Dezembro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Auschwitz recordado em dia de Marcha pela Vida

Cliquem para aumentar
Faz hoje 72 anos da libertação de Auschwitz. O assunto não foi esquecido pelo Papa, que recebeu em audiência líderes de comunidades judias na Europa. Também hoje se soube que na Alemanha, nos últimos tempos, os ataques a judeus duplicaram.

O Papa disse também esta sexta-feira que são as pessoas que vivem “situações miseráveis” que estão mais sujeitas ao fundamentalismo. Disse-o num encontro com representantes da Igrejas Cristãs do Médio Oriente.

Encontra-se em Portugal por estes dias um arcebispo paquistanês que vai deixar o seu testemunho sobre a perseguição por parte de fundamentalistas islâmicos. Saiba aqui onde e quando pode ir ouvir monsenhor Sebastian Shaw.

No final da semana de oração pela Unidade dos Cristãos, católicos e evangélicos assinam uma declaração comum sobre o valor da vida. Ontem sete associações de profissionais católicos assinaram uma declaração conjunta de apoio à petição que pede aos deputados que não aprovem qualquer legalização da eutanásia ou morte assistida.

Por falar em unidade dos cristãos, amanhã há um encontro em Sintra. Cliquem no cartaz para ver os detalhes.

Está neste momento a decorrer em Washington a marcha pela vida. São centenas de milhares de pessoas nas ruas, mas desta vez o alvo das críticas não é Trump, é o aborto.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

“O Papa vs. Hitler”: Uma Recensão e um Pedido

Brad Miner
O que é que Pio XII sabia sobre o regime nazi na Alemanha, e será que fez o suficiente para o combater? Terá feito o suficiente para salvar os judeus de serem massacrados pelos nazis, tanto em Roma e no resto da Europa? Estas e outras questões continuam em aberto, mas podem ser esclarecidas se o Papa Francisco quiser.

O Canal National Geographic (NatGeoTV, para os amigos) está a transmitir um novo “ecodrama” chamado “O Papa vs. Hitler”, sobre o braço de ferro entre Pio XII e Adolfo Hitler. O filme recorre a uma dúzia de bons historiadores, o principal dos quais é Mark Riebling, autor de “Church of Spies”. Outros peritos consultados incluem o padre George W. Rutler, Eric Metaxas e Nigel Jones. Poderia nomeá-los a todos, mas mais vale avançar com a recensão.

Respondendo à primeira questão apresentada em cima: O Papa sabia muito. “O Papa vs. Hitler” demonstra que Pio XII se esforçou por boicotar o regime nazi logo desde o início. E mesmo antes disso, uma vez que, enquanto Secretário de Estado do Vaticano, foi ele o principal autor de “Mit brennender Sorge” (Com Ardente Preocupação 1937), a única das encíclicas de Pio XI que não foi originalmente publicada em Latim. Trata-se de uma forte condenação dos ataques dos nazis à Igreja e aos judeus alemães convertidos ao Catolicismo. Mas não diz nada sobre a desapropriação, deportação e detenção de judeus por parte do regime. (O primeiro dos campos de morte começou a operar em 1939).

Houve uma primeira tentativa de assassinato de Hitler, levada a cabo por membros da Abwehr, a divisão de informação do exército alemão. O Papa Pio XII deu-lhe o seu apoio. Mas o plano acabou por não ser bem-sucedido e depois disso as acções do Papa a este respeito tornaram-se mais circunspectas. Na verdade, todas as nobres conspirações contra Hitler falharam.

Nas palavras de Nigel Jones: “É quase como se o Diabo estivesse do seu lado”.

Pois… Sim.

Antes, durante e depois da guerra, o Papa Pacelli foi avisado de que quaisquer intervenções mais fortes da sua parte levariam a um aumento das já pesadas restrições contra a Igreja e os católicos nos países ocupados pelos alemães.

Este estilo de programa, claro, mistura imagens de arquivo, especialistas e encenações de eventos históricos. E nesse sentido é um exemplo bem conseguido. A meu ver, é também uma avaliação globalmente positiva de Pio XII. Mas não totalmente. O rabino Shmuley Boteach diz que entre os historiadores existe um “consenso” de que a Shoah (o holocausto) “não poderia ter tido a magnitude” que teve se o Papa tivesse condenado mais firmemente a solução final nazi. O historiador britânico Geoffrey Robertson concorda: “A condenação do Papa teria tido repercussões em todo o mundo”.

Não duvido que isso seja verdade, mas uma visita ao Museu Americano do Holocausto em Washington D.C., mostra que os relatos sobre os crimes dos nazis eram frequentemente ignorados ou desvalorizados, tanto pelo New York Times como pela Administração Roosevelt. 

Uma boa parte de “O Papa vs. Hitler” lida com as conspirações falhadas contra o Führer, o que é interessante do ponto de vista histórico, embora bastante conhecido, sobretudo no que diz respeito à tentativa mais famosa, com nome de código Valquíria, levada a cabo pelo coronel Claus von Stauffenberg no dia 20 de Julho de 1944. Quase que foi bem-sucedida. Stauffenberg devia ser um católico devoto (os historiadores divergem neste ponto), mas neste caso não recebeu qualquer apoio ou encorajamento do Vaticano. Então porque é que aparece no filme?

Talvez porque na véspera de colocar a mala-bomba perto de Hitler, Stauffenberg foi-se confessar e, segundo Riebling, pediu e recebeu a “Absolvição de São Leão”. É a primeira vez que ouço falar de tal coisa: perdão dos pecados antes de uma batalha, dada por vezes a soldados.

Resumindo, parece claro que Pio XII não era “o Papa de Hitler”, como tem sido apelidado por alguns.

Mas isso leva-nos à segunda questão: Será que o Papa fez o suficiente para livrar os judeus do genocídio? O rabino Boteach reconhece que o Papa escondeu judeus sempre que possível – em mosteiros e em catacumbas – mas quando centenas de judeus de Roma foram detidos e colocados em comboios para seguir para os campos de morte (de entre os quais apenas uma mão cheia sobreviveu), o Papa não reagiu. Se o Papa tivesse ido à estação e dito aos soldados alemães – entre os quais certamente havia alguns católicos – que estavam a colaborar com um pecado mortal, quais teriam sido as consequências?

Bom, esse é o problema, não é? Na história as coisas ou se fizeram ou não se fizeram e apenas podemos julgar o que aconteceu, não o que poderá ter acontecido.

E isso leva-me ao pedido: Papa Francisco, revele por favor o material de arquivo do pontificado do seu venerável antecessor Eugenio Pacelli relativo aos anos da guerra.

Passei vários anos a fazer investigação para um livro (sobre o qual escreverei mais tarde) nos arquivos da Diocese de Nova Iorque e compreendo porque é que o material de arquivo deve ser selado durante um certo período. O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, não concorda, porque tem uma visão absolutista de que a verdade nunca deve ser escondida. Isso é um disparate, e não apenas no que diz respeito a dados secretos.

Tanto eu como o meu co-autor (o Sr. Marlin) não pudemos ver vários ficheiros sobre o Cardeal John O’Connor, que morreu no ano 2000. Isso pode dever-se ao facto de haver, nesses documentos, afirmações sobre pessoas que ainda estão vivas e que são difamatórias, ou que não são verdade, ou ambos. A regra é esperar 25 anos. Tanto quanto sei, o Vaticano espera 75.

Isso implica reter os arquivos de Pio XII, que morreu em 1958, até 2033. Mas porque não libertar alguns documentos agora? Pelo menos até 1940, com os restantes anos da guerra a serem tornados públicos até 2020? Ajudaria certamente a responder a várias questões e isso é algo que a Igreja deveria querer fazer o mais rapidamente possível.


(Publicado pela primeira vez na sexta-feira, 9 de Setembro de 2016 em The Catholic Thing)

Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador sénior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Pokémons, freiras e submarinos

Koffing, o Pokémon que o museu do Holocausto não quer ver
Se ainda não ouviu falar do jogo “Pokémon Go”, esse privilégio não vai durar muito mais. O jogo está a ser um fenómeno incrível e a pôr muita gente a fazer figuras parvas. No topo dessa lista estão os que acham giro jogar em pleno Museu do Holocausto

D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa, foi nomeado para um cargo no Vaticano, ligado às comunicações sociais, mas que não implicará deixar o Patriarcado de Lisboa.

Esta quarta-feira foi feita uma bela e muito justa homenagem da Renascença ao padre Dâmaso Lambers. Eu tive a honra de estar presente, mas vocês também podem ver as imagens do que se passou.

Imagine que os sermões dominicais das igrejas eram todos escritos por um secretário-de-estado qualquer, com a ajuda de um padre amigo do Governo. Ridículo, certo? Mas é mais ou menos isso que vai acontecer nas mesquitas do Egipto, à imagem do que já se passa na Turquia.

Hoje é quarta-feira e temos um novo artigo do The Catholic Thing. Michael Baruzzini conta-nos o episódio da freira que salvou a tripulação de um submarino… Vale muito a pena conhecer!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Caminhada à vista! Não esquecer o holocausto.

Judeus na Hungria a aguardar deportação
Hoje é dia de memória do Holocausto. Mais de 70 anos depois, não podemos esquecer o que se passou na Europa nos anos 30 e 40. Falei com uma húngara que explica que na sua escola era fácil perceber quem era judeu e quem não era. Bastava ver quem tinha ou não tinha avós…

O Papa Francisco celebrou esta quinta-feira uma vigília “para enxugar as lágrimas” em que disse que se até Deus chorou de tristeza, pela morte de Lázaro, então nós também podemos.

Estamos em período de peregrinações a Fátima. Atenção, como sempre, às medidas de segurança!

E porque nós também somos gente, a Igreja portuguesa criou um prémio para jornalistas de religião!! Saiba mais aqui.


E não esqueçam também que já só faltam 9 dias para a Caminhada Pela Vida, que se realiza no sábado dia 14 de Maio!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Memórias de infância para acordar terroristas

A acordar terroristas desde 2014
Regressei ontem de Bruxelas, onde estive a cobrir um seminário sobre a resposta da União Europeia ao terrorismo.

Uma das oradoras era uma senhora francesa especializada em processos de desradicalização que explica aqui como uma das chaves para despertar a humanidade dos fundamentalistas são as memórias da infância.

Tive ainda o privilégio de poder ver a homenagem do Parlamento Europeu pelo Dia da Memória do Holocausto, que contou com a presença de sobreviventes. No final o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, disse que é inaceitável comparar o tratamento dos refugiados por parte de alguns países europeus à perseguição dos judeus pelos nazis.

Por falar em judeus e em nazis, quem não ouviu dizer que o Papa Pio XII não fez o suficiente para contrariar Hitler? O debate dura há anos, mas pode ter chegado ao fim, como pode ver neste artigo do The Catholic Thing, que refere documentação recentemente divulgada pela Santa Sé.

Também podem ir ver a transcrição integral da entrevista que fiz ao responsável pela Igreja Católica de rito latino na Jordânia, que aborda uma variedade de temas, incluindo a situação dos refugiados (cá e lá) e a situação do Médio Oriente cinco anos depois da Primavera Árabe.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

"Holocausto foi choque espiritual e psicológico para a Igreja"

Transcrição completa da curta entrevista que fiz ao padre Peter Stilwell, reitor da Universidade de São José, em Macau e especialista em diálogo inter-religioso e ecuménico, a propósito da visita do Papa Francisco à Sinagoga de Roma. A reportagem pode ser lida aqui.

O Papa Francisco visita no domingo a sinagoga de Roma. Que significância é que pode ter este gesto?
É o terceiro Papa a visitar a Sinagoga de Roma e é preciso lembrar que a Sinagoga de Roma é simbolicamente muito significativa, porque a grande carta de São Paulo aos Romanos, que foi logo nos primeiros anos do Cristianismo, foi escrita precisamente para a comunidade judaica em Roma, da qual fazia parte também um grupo de judeus que eram cristãos, que eram discípulos de Jesus Cristo. Essa comunidade, provavelmente foi visitada pelo próprio São Paulo e depois por São Pedro e infelizmente ao longo dos séculos sabemos que a relação entre a Igreja Católica e a comunidade judaica resfriou e tornou-se distante. A certa altura os Papas obrigaram os judeus a viver num gueto e é sobre as colinas desse gueto que se construiu a actual sinagoga de Roma. 

Portanto a visita que o Papa faz, na sequência dos seus antecessores, vem na linha de uma perspectiva aberta pelo Concílio Vaticano II de diálogo com a comunidade judaica, compreendendo a comunidade judaica como nossos irmãos na fé. Temos uma grande parte da Bíblia em comum, temos uma longa tradição em comum e infelizmente ao longo dos séculos houve momentos de tensão, de incompreensão, de falta de espírito, de compreensão, por parte, nomeadamente das comunidades maioritárias cristãs, que acabaram por desaguar naquilo que foi a violência da Segunda Guerra Mundial, a chamada Shoah [termo que os judeus usam para designar aquilo a que ficou conhecido como o holocausto].

É à luz dessa experiência que o Concílio faz a sua reflexão e que vários documentos emanados posteriormente pela Santa Sé chamam a nossa atenção para a necessidade de não mais repetir esses erros do passado em que não reconhecemos a nossa fraternidade na fé. 

Considera que foi o holocausto que determinou esta mudança de paradigma?
É muito claramente isso. Basta ler documentos saídos da Igreja um pouco antes da II Guerra Mundial e outros depois da II Guerra Mundial e nota-se a diferença de tom. 

A diferença de tom é resultado de um choque espiritual e psicológico que a Igreja viveu ao dar-se conta do vírus que tinha alimentado no seu seio, que evoluiu para o Nazismo, que não tem nada a ver com Cristianismo nem com a Igreja Católica, mas que nasce neste contexto de uma cultura ocidental em que a tradição de perseguir e mal-tratar os judeus e das comunidades judaicas, desde a literatura até ao quotidiano das cidades, era o habitual. Portanto isso muda radicalmente e nos anos 60 aqueles que são incumbidos de redigir os documentos do Vaticano II, o Cardeal Bea, nomeadamente, é incumbido dessa função por um Papa, João XXIII, que foi delegado apostólico na Turquia durante a II Guerra Mundial, onde ajudou os judeus que fugiam do Nazismo e que passavam por Constantinopla, ou Istambul, a caminho de Israel, portanto é o Papa que tem muito claro na sua consciência que esta tragédia terrível que foi a Segunda Guerra Mundial para a comunidade judaica, que o Cristianismo tem de dar uma volta, tem de perceber o que se passou em termos de desafio espiritual. 

Depois, o Papa João Paulo II é o primeiro que visita Auschwitz. É preciso lembrar que João Paulo II teve contacto com judeus na Polónia, de quem era amigo, e percebeu a violência da Segunda Guerra Mundial contra a população judaica quase em primeira mão, ou pelo menos muito de perto, e portanto faz questão, quando visita a Polónia, de ir para Auschwitz rezar pelas vítimas. Portanto João Paulo II é o primeiro que visita a Sinagoga de Roma, Bento XVI visita a sinagoga e, segundo consta, mantém ainda uma correspondência directa e pessoal com o rabino da Sinagoga, e agora temos o Papa Francisco que, na Argentina, tinha amigos na comunidade judaica e que protagonizou o diálogo com a comunidade judaica na Argentina, que vai retomar esta tradição de o Papa visitar a sinagoga. 

São duas grandes comunidades em termos da tradição espiritual, que se encontram na mesma cidade, e que é bom que se encontrem, como dizia o rabino há dias, numa entrevista, é bom que numa época em que tantas vezes a religião é usada para justificação para violências que são blasfemas, como diz o Papa Francisco, é bom que estas duas comunidades que tantas vezes tiveram dificuldades no passado dêem testemunho que é possível, apesar dessa história, apesar dessa memória, ser-se possível sentar à mesa e dialogar, e encontrarem-se como amigos.

Recentemente causou bastante discussão, e mesmo alguma polémica, um novo documento da Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus. Surgiram logo órgãos de comunicação social a dizer que a Igreja estava a dizer que não é preciso converter os judeus. É assim?
Conheço o documento e essa expressão, dita dessa forma ou de outra, é correcta.

A posição é que não se deve fazer proselitismo em relação aos judeus, e que deve haver diálogo, como é evidente, mas que deve haver respeito no sentido em que eles têm uma tradição que nós usamos quotidianamente na nossa liturgia para reflectir sobre a nossa tradição religiosa e temos muito que partilhar uns com os outros. 

Mas fazer uma evangelização dos judeus no sentido do proselitismo, de tentar transformar os judeus em cristãos, de uma forma de "pesca à linha", por assim dizer, é realmente uma posição que a Igreja não considera apropriada. [Sobre este assunto, ver aqui]

Para esta reportagem também foi entrevistada Esther Mucznik, da Comunidade Israelita de Lisboa.

"Holocausto provocou abalo na consciência da Cristandade"

Esther Mucznik
Transcrição completa da curta entrevista que fiz a Esther Mucznik, da Comunidade Israelita de Lisboa, a propósito da visita do Papa Francisco à Sinagoga de Roma. A reportagem pode ser lida aqui.

Esta visita do Papa à sinagoga de Roma no domingo, o que representa para a comunidade judaica?
É uma visita simbólica, em primeiro lugar, porque os últimos dois Papas, um dos primeiros gestos que fizeram sempre foi visitar a Sinagoga de Roma, que é de facto uma sinagoga simbólica nesse aspecto. Portanto penso que é mais um passo que este Papa dá, no sentido de uma aproximação e de uma convivência muito boa com o Judaísmo, que aliás ele tem mostrado mesmo antes de ser Papa, aliás ele tinha uma óptima relação na Argentina com o rabino Abraham Skorka e eu penso que esta visita é um gesto muito importante. 

É sempre um gesto simbólico. A visita do Papa à sinagoga de Roma é sempre um gesto simbólico. Ainda o outro dia estava a ver um documento do Vaticano, no âmbito da comemoração da encíclica Nostra Aetate, e o documento diz coisas que são profundamente significativas para nós judeus. Tenho aqui até uma frase: "Que é preciso aprofundar o diálogo teológico, o diálogo com o judaísmo, e que este tem um carácter inteiramente diferente e se situa a um nível inteiramente diferente das outras religiões. Que a fé dos judeus, atestada na Bíblia, não é para os cristãos uma outra religião, mas o fundamento da sua própria fé." E continua dizendo que com o judaísmo se fala sobretudo de um diálogo intra-religioso, achei isto muito curioso, não inter-religioso, mas intra-religioso ou intra-familial. 

Parece, por isso, que o Papa situa o Judaísmo o diálogo com o judaísmo num âmbito completamente diferente. Aliás ele disse logo desde o início que os judeus são os "irmãos mais velhos" dos cristãos. E portanto acho que tem havido uma série de gestos deste Papa, que remontam ao período em que ele ainda não era Papa, que coloca as relações com o judaísmo num nível especial, e penso que para o judaísmo, para nós judeus, é extremamente importante, porque quando pensamos nos dois mil anos de ausência de diálogo, para não dizer mais, no quanto foi trágico para os judeus, penso que se deve valorizar muitíssimo esta nova situação, a partir de 1965, evidentemente, mas que se tem vindo a cimentar e, nomeadamente com o Papa Francisco, e com os outros dois também, sobretudo, mas nomeadamente com o Papa Francisco se tem vindo a desenvolver e cimentar de uma forma muito especial.

Falava dessa história trágica, que todos conhecemos, nomeadamente no que diz respeito à Shoah, ou ao Holocausto, como costumamos dizer, sendo obviamente um episódio terrível da história, acabou se calhar por servir de pivot para esta nova relação entre cristãos e judeus, nomeadamente entre a Igreja Católica e os judeus, ou não?
Essa sempre foi a minha convicção. Acho que a dimensão, as características da tragédia do holocausto, acho que muito provavelmente provocaram um abalo nas consciências em geral, mas nomeadamente também na consciência da Cristandade. Penso que isso de facto teve um papel importante. Aliás, acho que há um documento do Vaticano que se chama “Nós Recordamos” que, embora não fazendo uma ligação automática, evidentemente – nem tinha que fazer – entre as perseguições ao longo de dois mil anos de anti judaísmo cristão, essencialmente, aponta o facto de isto ter podido contribuir para o que aconteceu.

Acho que há de facto um reconhecimento que esses dois milénios de perseguições de facto contribuíram para criar uma mentalidade que de certa maneira considerasse de alguma normalidade a perseguição aos judeus, que tomou obviamente com o Nazismo uma forma diferente, totalmente diferente, com características diferentes, mas que tinham esse fundo de anti-judaísmo que existiu ao longo dos séculos.

Para esta reportagem foi também entrevistado o padre Peter Stilwell, especialista em diálogo inter-religioso e ecuménico.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ideologia do género não é a solução, é o problema

Desde que não engravides...
O Papa Francisco criticou a ideologia do género, esta manhã, dizendo que eliminar a diferença entre os sexos não é a solução, é o próprio problema.

Por esta hora, na Sinagoga de Lisboa, está a ser homenageado do padre Joaquim Carreira, que foi considerado “Justo Entre as Nações” pelo memorial do holocausto, Yad Vashem.

Esta tarde representantes das três principais religiões em Portugal juntaram-se para discutir a relação entre a cultura e a religião, concluindo que a cultura pode ser mesmo o antídoto para o fanatismo religioso.

Já perdi a conta às vezes que ouvi dizer que a pílula contraceptiva é não só, e magicamente, isenta de efeitos secundários negativos, como até tem só vantagens. Também já estou habituado a ouvir falar nos métodos naturais como os “métodos da Igreja”… Ora aqui está um artigo do The Catholic Thing para acabar definitivamente com ambos os mitos. Divirtam-se!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

70 anos de Auschwitz e "Stop Jihadismo" em França

Sobreviventes do horror de Auschwitz
Ontem o mundo recordou o Holocausto, no dia em que se comemora a libertação de Auschwitz. Uma reportagem da Renascença mostra que também houve portugueses condenados a ir para esse campo de concentração.

Entretanto o Papa já publicou a mensagem para a Quaresma 2015 e hoje, em Roma, falou da crise dos pais ausentes e de como isso cria uma sociedade com “sentimento de orfandade”.

Os franceses lançaram uma campanha para travar o recrutamento de jihadistas, que procura mostrar um pouco da realidade do Estado Islâmico para refrear o entusiasmo dos eventuais candidatos.

Estamos a vários meses do Sínodo para a Família de 2015, mas a discussão não vai parar! No artigo desta semana do The Catholic Thing, um sacerdote questiona a falta de referências à contracepção nas questões de preparação do encontro dos bispos em Outubro.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mais um português "justo entre as nações"

"Justo entre as nações"
É uma notícia que muito honra o país. O museu do Holocausto, em Jerusalém, distinguiu mais um português pelo seu papel na salvação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Joaquim Carreira era responsável pelo Colégio Pontifício Português, em Roma. A distinção deve muito ao trabalho de António Marujo, o jornalista que investigou mais a fundo a sua história.

Outra boa notícia, do meu ponto de vista, vem da Polónia, onde o tribunal constitucional decretou que a proibição do abate ritual de animais para consumo, uma questão importante para judeus e muçulmanos, é inconstitucional e por isso a prática pode ser retomada.

Menos boa, ou pelo menos polémica, é a decisão de um tribunal francês de mandar retirar um presépio de uma câmara municipal. Ganha importância por se tratar de uma localidade na Vendeia.

O Vaticano anunciou a realização de um consistório para criação de novos cardeais. Será em Fevereiro, como habitual. Não se sabe quem serão os cardeais, mas a lista poderá dizer muito sobre as prioridades do Papa e os portugueses estarão particularmente atentos…

A jornalista Rosário Silva dá-nos a conhecer um pouco sobre o dia-a-dia dos monges da Cartuxa. Vale sempre a pena ver.

Foram vários os portugueses que se associaram a uma iniciativa, ontem, de solidariedade para com Asia Bibi. Era fácil, bastava beber um copo de água.


E termino com um aviso. Todos os que se interessam por temas ligados ao tradicionalismo católico (e sublinho aqui o católico, por oposição a movimentos tradicionalistas que estão fora da comunhão com a Igreja) não quererão perder um colóquio que se realiza em Lisboa no próximo sábado. O programa está aqui.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Beijinhos e abraços na Terra Santa

(Clicar para aumentar)
O Papa Francisco está neste momento a despedir-se da Terra Santa, onde passou os últimos três dias. Está por publicar um artigo com 10 dos pontos altos desta viagem, que divulgarei amanhã, mas desta peregrinação destaco os seguintes:


O discurso do Rei Abdullah, da Jordânia, que chamou ao Papa “Consciência do mundo”.

O encontro ecuménico entre Francisco e o Patriarca de Constantinopla.

E por fim o momento esta manhã em que o Papa beijou as mãos a seis sobreviventes do Holocausto.

Leiam também a crónica de Aura Miguel sobre a viagem para a Jordânia, em que o Papa falou de Fátima.

A viagem termina, mas o Papa vai falar com os jornalistas a bordo do avião, de regresso a Roma, pelo que haverá certamente novidades ainda, já sabem que as poderão encontrar na Renascença.

Na próxima quinta-feira realiza-se um colóquio em Lisboa que não vai querer perder. Trata-se do primeiro evento do género dedicado a Chesterton (pelo menos de que eu tenha conhecimento…). Supostamente eu vou moderar uma das conferências, mas acabei de ser informado pelo obstetra da minha mulher que na quinta-feira os planos poderão ser outros, por isso não posso garantir a minha presença. Mas a não ser que estejam a ter filhos também, espero que consigam ir ao Auditório 2 da Universidade Católica a partir das 16h para ouvir João César das Neves, Tiago Cavaco, Pedro Picoito, Miguel Morgado e Zita Seabra, entre outros, a falar desta figura ímpar.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Papa atracção turística

"Aproveitem para ver a Capela Sistina, também"
A Igreja da Conceição Velha, em Lisboa, vai ser restaurada. A intervenção, a cargo da Santa Casa da Misericórdia, custará um milhão de euros. Santana Lopes defende o investimento.

Um movimento pelos direitos dos animais, na Bélgica, fez um anúncio contra a matança ritual de animais que evoca o ambiente do Holocausto… no comments.

O passado fim-de-semana foi de peregrinação das famílias a Roma. O Papa falou do casamento, que é “mais que uma linda cerimónia”, e recordou a importância da oração comunitária.

A propósito, na semana passada falei de uma entrevista ao casal Cortez Lobão, mas enganei-me no link. Fica aqui a correcção.

O turismo em Roma aumentou 7% no último ano. Mais um efeito do “fenómeno Francisco”!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vandalismo, Valentim, Miranda e Malásia

"Won't you be my valentine?"
Este fim-de-semana surgiram novas informações sobre alegados abusos sexuais praticados por padre portugueses, no caso de Lisboa. A notícia original é do Expresso. O Patriarcado não comenta, por o caso estar em segredo de justiça.


Também no fim-de-semana Bento XVI falou da importância da família na luta contra a crise.

Hoje foi notícia um caso de vandalismo numa Igreja em Miranda do Douro. Para roubar 10 euros os ladrões causaram cerca de 10 mil em prejuízos.

A IURD foi suspensa em Angola por pelo menos 60 dias devido à tragédia do ano novo, quando 16 pessoas morreram esmagadas num evento.

Se estava a pensar fazer uma viagem com a sua cara-metade para celebrar o “Dia de São Valentim”, pode riscar a Malásia como eventual destino

Negar o Holocausto parece estar na moda, mas para um húngaro de 42 anos saiu caro. O tribunal condenou-o a uma pena muito peculiar, mas pedagógica.

A semana passada esteve em Portugal um membro da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Monsenhor Juan Ferrer Greneche considera que a liturgia é como uma provocação no contexto actual. Aqui podem ler a entrevista completa, feita por Aura Miguel, na qual ele chega ao ponto de dizer que há muitos padres a quem nunca foi ensinado como celebrar missas… incrível!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Caldeus procuram Patriarca, Egípcio procura juízo

"Living in America"? Não nos parece...
Já tinham saudades da Sociedade de São Pio X? Também eu. Por isso ontem fiz um texto com o ponto da situação deste grupo em relação a Roma. Nos blogues especializados diz-se que uma facção dissidente poderá estar a preparar novas ordenações episcopais.

Confrontado com instabilidade interna que ameaça o seu regime, o que o Presidente do Egipto mais precisava, certamente, era que um conselheiro seu viesse a público dizer que o Holocausto foi inventado pelos americanos

Boas notícias da Nigéri, a serem recebidas com cautela… O grupo terrorista Boko Haram propõe um cessar-fogo! Vamos a ver como é que a coisa corre.

A Semana Santa de Braga é candidata a Património da Humanidade! Um reconhecimento que poderá tornar ainda mais famosas estas celebrações tão marcantes.


Os bispos da Igreja Caldeia estão reunidos em sínodo para escolher hoje um novo Patriarca. O anúncio formal poderá ter de esperar mais um ou dois dias… Estaremos atentos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os carrascos de Deus

Faz hoje 94 anos que Deus foi julgado e condenado à morte por um tribunal popular soviético.

O processo levou cinco horas e até teve direito a defesa, se bem que os esforços dos advogados do arguido se tenham limitado a tentar argumentar a sua inimputabilidade por “grave demência e perturbações psíquicas”.

Anatoly Lunacharsky, o arquitecto desta manobra de propaganda e juiz no processo, decidiu, sem grandes surpresas, condenar Deus pelos crimes de genocídio e crimes contra a humanidade.

Se durante o julgamento Deus tinha sido representado pela colocação de uma Bíblia no banco dos réus, no dia seguinte o pelotão de fuzilamento decidiu-se por uma abordagem mais prática e disparou uma salva de tiros para o… céu.

Tanto quanto foi possível averiguar, esta foi a primeira vez que Deus foi julgado (exceptuando o julgamento de Jesus Cristo, para quem é cristão). Mas não a última!

Na Guerra Civil de Espanha tornou-se famosa a imagem de um pelotão de fuzilamento republicano a executar a sentença de morte contra uma imagem de Cristo Rei.

Mas a história mais interessante que mete Deus no tribunal ter-se-á passado num campo de concentração Nazi, durante o holocausto. Na verdade não há provas concretas que tenha tido lugar, mas a lenda teve força suficiente para ter entrado no imaginário e ser representado num filme.

Um grupo de prisioneiros judeus, discutindo como era possível acreditar em Deus na situação em que se encontravam, decidiram julgá-lo num tribunal rabínico. No filme o processo é levado a cabo com muita seriedade. O advogado de defesa cumpre o seu papel com a maior devoção, mas isso não chega para que o Senhor seja ilibado.

Talvez o mais engraçado seja o crime pelo qual os judeus o condenam: quebra de contrato.

Pelo menos no filme, contudo, fica a ideia de que no final, mesmo para quem considerou Deus culpado, a história não é assim tão simples. Aqui podem ver uma parte do julgamento. Neste canal de YouTube (de um ateu militante brasileiro) podem ver o resto, se assim quiserem, legendado em português.


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