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quinta-feira, 29 de março de 2018

O bom chefe é quem serve

Aproveito já para desejar uma Santa Páscoa a todos os cristãos! De hoje a segunda-feira só publicarei post em caso de notícias urgentes. Se tudo correr bem, não as haverá!

O Papa celebrou esta quinta-feira a Ceia do Senhor com reclusos, a quem lavou os pés, dizendo que bom chefe deve servir. Antes, na celebração da missa crismal, Francisco tinha pedido aos padres para serem próximos.

Mas não tem sido um dia fácil para o Vaticano. O jornalista italiano Eugenio Scalfari, que apesar de ter 93 anos insiste em transcrever conversas de memória, sem gravação e sem notas, publicou mais uma “entrevista” com o Papa. O Vaticano já negou a sua fiabilidade.

Também esta manhã a sala de Imprensa da Santa Sé publicou um desmentido, dizendo que não há assinatura “iminente” de qualquer acordo com a China. Um caso que temos acompanhado de perto.

O tríduo pascal em Fátima vai ter tradução simultânea em Língua gestual.

E esta quinta-feira apresentamos uma entrevista de fundo com D. José Traquina, bispo de Santarém. O bispo diz que as instituições sociais não estavam preparadas para ser empresas e levanta algumas questões sobre o acompanhamento de divorciados, dizendo que a resposta a este problema não pode ser discutir “que bispo tem a melhor nota”.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Coelhos fora-da-lei e heróis dos nossos dias

Cabeça de coelho ilegal na Áustria
Morreu D. António Santos, bispo emérito da Guarda. O funeral foi hoje.

Foi homenageado o polícia francês que deu a vida pelos reféns no caso de terrorismo da semana passada. Conheça também a história da menina nigeriana que recusou converter-se ao Islão e por isso continua refém do Boko Haram. Heróis dos nossos dias.

Continuamos na expectativa de saber se vai, ou não, haver acordo entre a China e o Vaticano. Entretanto os sinais que chegam não são os mais positivos, com mais um caso de um bispo leal a Roma detido.

Uma portuguesa entregou esta quarta-feira um presente muito original ao Papa Francisco. Veja aqui as imagens.

A Áustria aprovou o ano passado uma lei anti-burqa. Até agora foram advertidos turistas asiáticos, esquiadores e até a mascote do Parlamento. Um fracasso total, diz a polícia.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Robert Royal reflecte sobre o encontro pré-sinodal que teve lugar em Roma a semana passada e pesa os prós e os contras desta forma de pastoral juvenil. Uma análise interessante que vale a pena ler.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Acordo com a China à vista?

Estarão Roma e a China à beira de um acordo histórico? Há quem diga que sim… Falei com um missionário que passou alguns anos na China e ele diz que é céptico, enquanto fala de como foi evangelizar “à socapa” naquele país comunista.

Paulo VI e Oscar Romero vão ser canonizados ainda este ano. O Papa autorizou esta quarta-feira.

Já foram escolhidos os três jovens que vão representar Portugal no encontro pré-sinodal, em Roma.

Hoje é dia de The Catholic Thing. Em tempo de Quaresma, venha daí um elogio a um aspecto da vida da Igreja que é muitas vezes desvalorizado… Viva a água benta!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Russos em Fátima e Yazidis preocupados

Bispo Clemens Pickel, russófono
É dia 13, por isso é dia de Fátima. Neste momento está no santuário uma comunidade de católicos de língua russa. Um dos seus bispos sublinha a importância de Fátima para eles.

Temos também uma entrevista de João César das Neves, autor do livro “O Século de Fátima”.

Notícia de dois ex-funcionários do hospital Bambino Gesu, em Roma, que são acusados de desviar fundos e que serão julgados por isso no Vaticano.

Hoje publico a transcrição completa de mais uma das entrevistas que fiz para a série “E depois de Mossul?”. Neste caso trata-se de Mirza Dinnayi, um activista da comunidade Yazidi que fala sobre a posição deste povo num eventual braço-de-ferro entre curdos e árabes no Iraque.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, sobre como a crença num sistema de valores objectivo implica acreditar em Deus.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Trump, Francisco e a Mantilha de Melania

Nossa Senhora Auxiliadora da China
A notícia do dia é o encontro entre Trump e o Papa Francisco. Falaram sobre muita coisa e trocaram presentes mas claro que o que gerou mais atenção foi a roupa de Melania e de Ivanka Trump. Se não sabe porque é que estavam de preto, aproveite para descobrir.

Hoje é dia de oração pela Igreja na China. O cardeal Joseph Zen reza mas aproveita também para criticar o regime.

Uma capela na Índia dedicada a Nossa Senhora de Fátima foi vandalizada por fanáticos hindus.

Sabia que existe uma Bíblia escrita em verso? Pois é verdade! E é de autoria portuguesa…

O Papa nomeou novos cardeais. Há surpresas não só pelos locais representados, mas também pelo facto de um deles ser bispo auxiliar de uma diocese cujo bispo não é cardeal.

E os terroristas continuam a fazer das suas. Na segunda-feira à noite deu-se o terrível ataque em Manchester, mas nas Filipinas também houve novos confrontos.

Leiam também o artigo desta quarta-feira do The Catholic Thing em que o padre Gerald Murray escreve sobre a importância da verdade e da realidade também nas relações ecuménicas. O tema aqui é a validade das ordens anglicanas, o que pode parecer uma ninharia,mas na realidade tem bastante importância.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Marcelo II e bispos corajosos em Luanda

Marcelo II coroado de flores
O Papa quer tornar os processos de canonização mais transparentes, incluindo do ponto de vista financeiro.

O dia de ontem foi dominado pelas notícias da inauguração da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa, de onde destaco dois momentos importantes do ponto de vista religioso. Em primeiro lugar, a notícia de que Marcelo vai visitar o Vaticano já para a semana, na sua primeira viagem oficial.

A meio da tarde o novo presidente visitou a mesquita de Lisboa para um encontro com representantes das diversas religiões em Portugal. O Presidente disse que quer ser um garante da liberdade religiosa e D. Manuel Clemente, que também marcou presença, disse que o gesto é um bom sinal para o mandato de Marcelo.

No meio das festas da coroação, aliás, inauguração de Marcelo, poderá ter passado despercebida a nota pastoral dos bispos angolanos que faz críticas arrasadoras ao governo de Luanda. Para o especialista António Pacheco este pode ser uma porta aberta para uma “reflexão profunda sobre o regime”. Veremos.

Também ontem publiquei um novo artigo do The Catholic Thing. David Warren pergunta se os cristãos do Ocidente não se estão a transformar em yezidis… Vale a pena ler (e ler até ao fim) para perceber onde ele quer chegar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O Vaticano está mesmo a dizer aos bispos para não denunciarem casos de abuso às autoridades?

Será assim?
Está a circular uma notícia que indica que o Vaticano defende que os bispos católicos não devem informar as autoridades dos seus países aquando de acusações de abuso sexuais praticados por membros do clero.

Há aqui muita coisa que é preciso esclarecer.

Tudo começou numa notícia do vaticanista John Allen Jr. que numa coluna de opinião indicou que durante uma formação para novos bispos, estes tinham sido informados pelo formador que “os bispos não têm o dever de informar a polícia de alegações, esta é uma escolha que cabe às vítimas e às suas famílias”.

Daqui foi parar ao Guardian e do Guardian apareceu na imprensa portuguesa, mas já com indicação de que o Vaticano está a dizer que os bispos “não devem” informar as autoridades destes casos.

O principal ponto do artigo de Allen, que os outros relegaram para segundo plano, é que a comissão criada pelo Papa para lidar com o assunto dos abusos não está envolvida nesta formação. Allen critica isto, com toda a razão.

Quanto ao que foi dito na formação, há vários pontos a ter em consideração.

Para quem vive num Estado de direito parece evidente que a Igreja deve informar as autoridades, que agirão em conformidade. Mas as indicações do Vaticano são universais e nem todos os bispos e católicos vivem em estados de direito. Há países em que a denúncia oficial às autoridades faria mais mal que bem.

Por exemplo, um bispo clandestino na China deveria denunciar um padre suspeito de abusos às autoridades? O que poderia acontecer tanto ao padre (inocente até prova em contrário) como ao próprio bispo e à vítima?

Em partes de África, onde sabemos bem que a homossexualidade é duramente reprimida, um bispo deveria colocar tanto vítima como abusador em perigo de vida, denunciando o caso às autoridades?

As indicações do Vaticano têm sido claras no sentido de que nos Estados de direito e democracias, como é o caso de Portugal, existe essa obrigação. Roma exigiu já há vários anos que cada país elabore um guião de conduta para estes casos. Portugal já o fez e essas indicações são claras.

“Ao serviço da humanidade, sem procurar servir-se a si mesma, cada pessoa jurídica canónica cooperará com a sociedade e com as respetivas autoridades civis; tomará em atenção todas as indicações que lhe cheguem e responderá com transparência e prontidão às autoridades competentes em qualquer situação relacionada com abuso de menores, na salvaguarda dos direitos das pessoas, incluindo o seu bom nome e o princípio da presunção de inocência.”

Em todo o caso, em 2013 passado houve uma situação em que houve uma suspeita de abusos no norte do país e a PJ só soube através da imprensa. Na altura falei com um jurista, pensando que ele me diria que a Igreja tinha errado ao não informar logo as autoridades do caso, mas ele disse que sendo a Igreja uma instituição jurídica internacional, deveria ter autonomia para poder, primeiro, averiguar se o caso era credível, antes de falar com as autoridades.

Fiquei admirado com a resposta, e sublinho que o jurista em causa, muito respeitado, tanto quanto sei não é católico por isso dificilmente pode ser acusado de estar a proteger a Igreja.

Concluindo, há ainda muito para fazer neste campo e certamente os novos bispos beneficiarão de uma formação mais completa que será possível com a participação da comissão para a protecção dos menores. Contudo, já muito foi feito e é simplesmente errado fazer manchetes a dizer que a Igreja está de algum modo a aconselhar os bispos a não colaborar com as autoridades em casos de abusos sexuais.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Guerra Secreta de Pio XII Contra Hitler

George J. Marlin
Há muitos anos – pelo menos desde o teatro de 1963 de Rolf Hochhuth “O Deputado" – que o mundo tem aturado a conversa de que Pio XII foi o “Papa de Hitler”. Há décadas que pessoas bem informadas suspeitam que isso se trata de uma distorção deliberada, mas agora temos a certeza, sem margem para dúvidas, de que tais acusações não só estavam erradas como são precisamente o oposto da verdade.

Quando o Cardeal Eugenio Pacelli se tornou Pio XII, em 1939, o chefe das SS, Heinrich Himmler, ordenou a Albert Hartl, um padre laicizado, que preparasse um dossier sobre o novo Papa. Hartl documentou como Pacelli tinha usado a Concordata que tinha negociado com o Governo de Hitler em 1933 de forma vantajosa para a Igreja, fazendo pelo menos 55 queixas formais por violações da mesma.

Pacelli também acusou o Estado nazi de conspirar para exterminar a Igreja e “convocou todo o mundo para lutar contra o Reich”. Pior, pregava a igualdade racial, condenava a “superstição do sangue e da raça” e rejeitou o anti-semitismo. Citando um oficial das SS, Hartl concluiu a sua análise dizendo “a questão não é saber se o novo Papa vai lutar contra Hitler, mas sim como”.

Entretanto, Pio XII estava a reunir-se com cardeais alemães e a discutir o problema de Hitler. As transcrições mostram que ele se queixou que “os Nazis tinham frustrado os ensinamentos da Igreja, banido as suas organizações, censurado a sua imprensa, fechado os seminários, confiscado as suas propriedades, despedido os professores e fechado as escolas”. Citou um oficial nazi que gabou que “depois de derrotar o bolchevismo e o judaísmo, a Igreja Católica será o único inimigo restante”.

O Cardeal Michael von Faulhaber, de Munique, retorquiu que os problemas tinham começado depois da encíclica de 1937 “Com Grande Ansiedade” (Mit Brennender Sorge, publicada em alemão e não em latim). O texto, escrito em parte por Pacelli antes de este se ter tornado Papa, enfureceu o Hitler. O Papa disse a Faulhaber, “a questão alemã é a mais importante para mim. O seu tratamento está reservado directamente para mim… Não podemos abdicar dos nossos princípios… Quando tivermos tentado tudo, e ainda assim eles quiserem absolutamente a guerra, lutaremos… Se eles recusarem, então teremos de lutar”.

Faulhaber recomendou “intercessão de bastidores”. Propôs que os bispos alemães encontrassem “uma forma de fazer chegar a Sua Santidade informação precisa e actualizada.” O Cardeal Adolf Bertram acrescentou que “é preciso fazê-lo de forma clandestina. Quando São Paulo se fez descer num cesto das muralhas de Damasco, também não contava com a autorização da polícia local”. O Papa concordou.

Assim nasceu o plano para construir uma rede de espionagem que apoiaria, entre outras coisas, planos para assassinar Hitler.

No seu interessantíssimo livro “Church of Spies: The Pope’s Secret War Against Hitler”, Mark Riebling recorre a documentos do Vaticano e actas secretas acabadas de divulgar que descrevem detalhadamente as tácticas clandestinas usadas por Pio XII para tentar derrubar o regime nazi.

Depois de Hitler ter invadido a Polónia em 1939 o Papa reagiu aos relatos de atrocidades contra judeus e católicos. A sua encíclica “Summi Pontificatus” rejeitou o racismo, dizendo que a raça humana está unificada em Deus. E condenou também os ataques ao judaísmo.

O Papa foi amplamente louvado por isto – um título do New York Times dizia “Papa condena ditadores, violações de tratados, racismo” – mas ele próprio sentia que era pouco.

Convencido de que o regime nazi cumpria os requisitos para justificar o tiranicídio, conforme os ensinamentos da Igreja, Pio XII permitiu aos jesuítas e aos dominicanos, que respondiam directamente a ele, que colaborassem com acções clandestinas. O seu principal agente – a quem os nazis se referiam como “o melhor agente dos serviços de informação do Vaticano” – era um tal Josef Muller, advogado e herói da Primeira Guerra Mundial.

Muller organizou uma rede de “amigos das forças armadas, escola e faculdade, com acesso a oficiais nazis e que trabalhavam em jornais, bancos e até mesmo nas SS”. Eles forneciam o Vaticano com informação vital, incluindo planos de batalha que eram depois passados aos aliados. Em 1942 Muller conseguiu introduzir Dietrich Bonhoeffer no Vaticano para planear uma estratégia cujo objectivo era “fazer as pontes entre grupos de diferentes religiões, para que os cristãos pudessem coordenar a sua luta contra Hitler”.

As tentativas de assassinato de Hitler falharam todas, devido ao que Muller apelidou de “sorte do diabo”. Mas em relação a estes planos, Riebling comenta: “Todos os caminhos vão de facto dar a Roma, a uma secretária com um simples crucifixo, com vista sobre as fontes da Praça de São Pedro”.

Depois do falhanço do plano Valquíria a Gestepo prendeu Muller. Descobriram uma nota escrita em papel timbrado do Vaticano por um dos assistentes de topo do Papa, o padre Leiber, que dizia que “Pio XII garante uma paz justa em troca da ‘eliminação de Hitler’”.

Muller foi enviado para Buchenwald. No dia 4 de Abril de 1945, juntamente com Bonhoeffer, foi transferido para Flossenburg. Depois de um julgamento fantoche foram condenados à morte.

Bonhoeffer foi imediatamente executado. Mas temendo a aproximação de forças americanas, as SS transferiram Muller e outros reclusos para Dachau, depois para a Áustria e, finalmente, para o Norte de Itália. Foram então libertados pelo 15º Exército dos EUA.

Agentes dos serviços de informação dos EUA levaram Muller para o Vaticano. Quando o viu, o Papa abraçou-o e disse que se sentia “como se o próprio filho tivesse regressado de uma situação de grande perigo”.

Riebling revela que durante a visita de Muller ao Vaticano o diplomata americano Harold Tillman perguntou porque é que Pio XII não tinha sido mais interventivo durante a guerra.

Muller disse que durante a guerra a sua organização anti-Nazi na Alemanha tinha insistido muito que o Papa evitasse fazer afirmações públicas dirigidas especificamente aos nazis e condenando-os, tendo recomendado que as afirmações públicas do Papa se confinassem a generalidades (…) Se o Papa tivesse sido específico os alemães tê-lo-iam acusado de ceder às pressões das potências estrangeiras e isso teria colocado os católicos alemães ainda mais na mira dos nazis do que já estavam, tendo restringido imensamente a sua liberdade de acção na resistência ao regime. O Dr. Muller disse que a política da resistência católica in interior da Alemanha era de que o Papa se colocasse nas margens enquanto a hierarquia alemã levasse a cabo a luta contra os nazis. Disse ainda que o Papa tinha seguido sempre este seu conselho durante a guerra.

Graças à pesquisa incansável de Riebling, agora podemos finalmente descartar as alegações absurdas sobre Pio XII. Ele não era o “Papa de Hitler”, era o seu nemesis.

Pode adquirir um exemplar de “Church of Spies” da loja do The Catholic Thing na Amazon, clicando aqui.


(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016 em The Catholic Thing)

George J. Marlin é editor de “The Quotable Fulton Sheen” e autor de “The American Catholic Voter”. O seu mais recente livro chama-se “Narcissist Nation: Reflections of a Blue-State Conservative”.

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Jubileu da Misericórdia e Bowie reza

David Bowie RIP
Já estão disponíveis para leitura alguns excertos do livro do Papa Francisco, sobre misericórdia. O livro em si só vai para as bancas amanhã e a Renascença terá entrevista com Andrea Tornielli, o vaticanista que conduziu a entrevista.

Esta segunda-feira o Papa discursou ao corpo diplomático acreditado junto ao Vaticano, falando novamente da crise dos refugiados e de como a resposta que está a ser dada (ou falta dela) está a minar as bases humanistas da Europa.

Durante o fim-de-semana foi publicada a primeira de uma série de reportagens que estou a fazer a propósito do Jubileu da Misericórdia, com base nos guiões oficiais lançados pelo Vaticano. Esta primeira reportagem é sobre a liturgia.

O Porto tem um novo bispo-auxiliar. D. António Augusto Azevedo foi nomeado pelo Vaticano no sábado.

Da Alemanha chega a triste notícia de um escândalo de abusos sexuais e físicos contra membros de um famoso coro juvenil. O irmão do Papa Bento XVI era o director do coro nos anos em que os abusos aconteceram, embora diga agora que nunca soube de nada.

E por fim, como já se devem ter apercebido, morreu o David Bowie*. Não vou fingir que sou especialista ou o maior fã dele, mas achei piada quando vi hoje este vídeo em que ele presta homenagem aos mortos. Porque não fazer hoje o mesmo por ele?

* O vídeo em questão é de uma homenagem do Bowie ao Freddy Mercury. Por lapso, inicialmente troquei-me e escrevi que tinha morrido o Mercury. A confusão vem daí. Obrigado a quem apontou para o erro para que eu o pudesse corrigir.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Deus de Kalashnikov e a beleza como coração da Fé

Charlie Hebdo a fazer o que o que faz melhor
O Charlie Hebdo decidiu comemorar o aniversário do ataque à sua redacção, por parte de muçulmanos radicais, com uma representação claramente cristã de Deus, com uma Kalashnikov, a dizer que o assassino ainda está à solta.O jornal do Vaticano acha que é de mau gosto. Eu também. Eles devem-se estar a marimbar…


O Papa Francisco celebrou hoje a Epifania, dizendo que os reis magos nos ensinam a ajoelhar diante da pobreza e da humildade.

E foi hoje lançado o primeiro vídeo mensal em que o Papa fala da intenção do Apostolado da Oração para este mês. No caso, trata-se do diálogo inter-religioso.

Hoje publica-se mais um artigo do The Catholic Thing em português, no qual o padre James V. Schall recorre ao compositor James MacMillan para enfatizar que a beleza é o coração da fé cristã.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Actualidade Religiosa: Vatileaks II e dia dos Fiéis Defuntos

Bispo Sarlinga, substituído na Argentina
Mais um dia, mais um golpe levado a cabo pelos investigadores do Vaticano, que terão descoberto um foco de ilegalidades no departamento que administra o património e a carteira de acções da Santa Sé.

Da Argentina vem uma notícia interessante. Francisco aceitou esta terça-feira a renúncia de um bispo de apenas 52 anos, tido como conservador e que para além de se ter visto envolvido numa polémica com a compra de um edifício em Buenos Aires, poderá ter tentado orquestrar a remoção de Bergoglio da Argentina, quando ainda era arcebispo da capital.

Temos hoje a interessante história de um bispo nigeriano que sobreviveu a um atentado levado a cabo pelo Boko Haram e no mesmo dia impediu que um jovem muçulmano fosse linchado por cristãos. Leiam o testemunho, que vale bem a pena.

Temos também a transcrição integral da entrevista que fiz ao padre Duarte Andrade e Sousa, que nos fala da visão cristã da morte, da importância dos rituais fúnebres e da forma como a fé o ajudou a ultrapassar o assassinato do seu irmão, em 2014.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Os direitos constitucionais que ninguém sabia existirem...

Bolas! Estava à procura de
um direito constitucional
Por onde começar? Não sei mesmo qual será a notícia mais importante em termos do impacto que tem sobre a nossa civilização…

Mas começo pelas notícias com sangue e mortos. Nesta mesma sexta-feira do Ramadão, vários atentados abalaram o mundo. Uma decapitação em França, um atentado num hotel turístico na Tunísia e ataque suicida numa mesquita xiita no Kuwait. Preparem-se, vai ser um looongo Ramadão.

Nos Estados Unidos, outra bomba. O Supremo Tribunal decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um direito constitucional e de uma assentada legalizou-o em todo o país. É uma tremenda vitória para os activistas gay, agora vão começar as batalhas legais que afectam mais directamente as instituições religiosas etc.

O Vaticano assinou um tratado com a Palestina em que se refere a ela como um Estado. Não é novo em si, mas é mais um passo nas relações entre os dois.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Caracóis, amigos, drusos, maçonaria e Opus Dei

Drusos. Grandes barbas!
Já está online a transcrição integral da entrevista que fiz na terça-feira a Austen Ivereigh, biógrafo do Papa. Está igualmente online o artigo desta semana do The Catholic Thing, onde lhe explicamos que para salvar a Cristandade basta casar, ter filhos e fazer bons amigos cristãos.

Recentemente, a propósito de uma campanha sobre os direitos dos caracóis, um grupo de jovens universitários bem-intencionados fez uma campanha de resposta, contra o aborto. Teve algum sucesso e chegou até a alguns meios de comunicação. A ideia foi boa, mas podia ter sido bem melhor, como procuro explicar aqui.

Passando a notícias mesmo, o Vaticano criou um tribunal onde vão ser julgados os bispos acusados de terem encoberto casos de abusos sexuais.

Só em Portugal é que se equipara o Opus Dei à Maçonaria, considera o responsável pela organização católica em Portugal, a propósito de recentes polémicas em que o Opus se viu metido.

Depois dos cristãos, dos curdos e dos yezidis, agora são os drusos que sofrem às mãos dos extremistas islâmicos na Síria. Só ontem terão sido mortos vinte numa aldeia.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O Papa e as Criancinhas falam da indústria das armas

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Têm sido dias de contraste para o Papa. Ontem recebeu Raul Castro no Vaticano e, hoje de manhã, recebeu sete mil crianças com quem dialogou abertamente, não se descurando a criticar a indústria das armas e de falar do sofrimento dos inocentes.

Vem aí um filme sobre Fátima, ao estilo “Avatar”, para 2017, a tempo do centenário.

Está quase a cumprir-se o centenário do nascimento do irmão Roger, de Taizé. Um homem que vale a pena recordar.

São cinco dias para percorrer mais de 200 quilómetros… A Renascença foi acompanhar uma peregrinação da Trofa até Fátima, numa reportagem vídeo que vale bem a pena ver.


Por fim, um convite para visitar a exposição “Bem Aventurados”, na Sé de Lisboa. A inauguração foi no dia 9 e ainda está patente, embora não saiba ao certo quando acaba. Cliquem na imagem para ver o convite para a estreia que contem informação sobre os participantes.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Quanto vale a vida de um cristão na Síria?

Lita Boitano, a quem o Papa
prometeu a abertura dos arquivos
O Estado Islâmico está a pedir 100 mil dólares por cada um dos 230 cristãos que raptou em Fevereiro. A Igreja Assíria diz que não tem como pagar um valor tão elevado.

No Egipto 69 militantes da Irmandade Muçulmana foram condenados a 25 anos de cadeia cada um por terem participado no ataque a uma igreja copta.

A Obra Diocesana do Porto foi hoje alvo de buscas por suspeitas de esquemas para defraudar a Segurança Social.

Soubemos também esta quinta-feira que a Cáritas portuguesa contribuiu para a ajuda de emergência que a organização internacional está a enviar para o Nepal.

E o Papa Francisco ordenou a abertura dos arquivos do Vaticano que dizem respeito à ditadura militar da Argentina, num gesto que se espera venha a ajudar as famílias a perceberem o que é que aconteceu aos seus familiares desaparecidos nessa altura.

Ontem publicou-se um novo artigo do The Catholic Thing. Este vem em jeito de homenagem ao grão-rabino de Roma, que morreu há pouco mais de uma semana e que era grande amigo de João Paulo II. Leiam que vale a pena conhecer mais de perto este líder religioso que morreu a dias de completar os 100 anos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sinjar libertada e concerto de Natal

Ontem fiz uma referência à notícia da reaproximação entre EUA e Cuba. Trata-se de um momento histórico, que poderá bem tornar-se a grande referência da presidência de Barack Obama. O Vaticano desempenhou um papel significativo, como referi de passagem ontem, mas que Aura Miguel explica melhor aqui.

Os islamitas voltaram a fazer o que fazem melhor: aterrorizar mulheres e crianças. Desta vez foi na Nigéria, onde mais de cem foram raptados depois de 30 homens terem sido assassinados. Depois, pelos vistos, os mauzões do Boko Haram foram até aos Camarões atacar soldados a sério e aí… a coisa não correu assim tão bem.

Do Iraque chega uma boa notícia. Os soldados curdos terão conseguido reconquistar centenas de quilómetros quadrados ao Estado Islâmico, quebrando também o cerco ao monte Sinjar, onde ainda se encontram centenas, se não milhares, de yazidis.

Este fim-de-semana há música em Lisboa! Os jovens dos movimentos católicos juntaram-se mais uma vez para organizar um concerto de Natal. Custa cerca de 4 euros a entrada e todo o dinheiro vai para caridade. Se puderem, não percam mesmo!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Vatican in overdrive...

Do Egipto... uma das mais bizarras fotografias inter-religiosas de sempre
Um manifestante enverga um Alcorão e um crucifixo enquanto equilibra
um veículo militar em cima da cabeça. (Nem sei o que tem na boca...)
É uma regra básica do marketing que uma organização não deve fazer várias iniciativas no mesmo dia, porque acabam por ofuscar-se umas às outras. Alguém que explique isso ao Vaticano se faz favor porque só esta manhã tivemos:


Pela primeira vez desde que regressou ao Vaticano, Bento XVI foi visto em público com Francisco, não no lançamento da encíclica, mas para a inauguração de uma estátua de São Miguel Arcanjo.

No meio disto tudo decidiu-se fazer uma conferência de imprensa para anunciar que João Paulo II e João XXIII devem ser canonizados ainda este ano. A surpresa é que “O Papa Bom” foi “dispensado” de um segundo milagre…

Também hoje foi aprovada a beatificação de monsenhor Álvaro del Portillo, sucessor de Josemaria Escrivá à frente do Opus Dei… e ainda… foi promulgado o reconhecimento das “virtudes heróicas” da fundadora das Concepcionistas, a portuguesa Madre Isabel.

Apesar das tentativas de monopolizar as notícias por parte do Vaticano, há mais actualidade religiosa… os cristãos egípcios apelam à reconciliação nacional após o fim do regime do islamista Mohamed Morsi. Os islamistas, por sua vez, apelaram a uma “sexta-feira de cólera” que já fez pelo menos quatro mortos. Se está a leste do que se passa no Egipto, pode ler aqui o meu texto sobre o assunto.

E se está pelo Norte e quer ajudar a criar um banco de leite para São Tomé e Príncipe, saiba aqui como.


Última nota para dizer que este fim-se-semana D. Manuel Clemente toma posse do Patriarcado de Lisboa. Pode assistir a tudo ao vivo no site da Renascença. Amanhã, a partir das 11h00.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Lobby gay no Vaticano e turcos descontentes

O Papa reconheceu a existência de um lobby gay no Vaticano? De acordo com uma alegada transcrição de um encontro do Papa com representantes de ordens religiosas na América Latina, sim… por enquanto é só diz-que-disse, aguarda-se comentário da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Os turcos, provavelmente ocupados com problemas domésticos, demoraram, mas responderam. E não estão contentes com o facto de o Papa ter dito que o massacre de arménios foi um genocídio.

Cabo Verde vai ser o primeiro país da África Ocidental a celebrar uma concordata com a Santa Sé. Temos aqui entrevista com o bispo D. Ildo Fortes.

Começa hoje uma exposição solidária para angariar dinheiro para o Convento dos Cardaes. Saiba tudo aqui.

Ontem foi dia de Portugal. Octávio dos Santos considera que não devia ter sido e queixa-se ainda que o “Cristianismo está sob ataque de um politicamente correcto totalitarista”, pode ler a transcrição completa desta entrevista no blogue, como de costume.

terça-feira, 12 de março de 2013

“I wouldn’t be surprised if there were leaks from the Conclave”

Full transcript of interview with Robert Royal, editor of The Catholic Thing and author of a book about the Swiss Guard. News story here (in Portuguese)

Transcrição integral da entrevista a Robert Royal, editor de The Catholic Thing e autor de um livro sobre a Guarda Suíça. Notícia aqui.


Who is in charge of security during the Conclave?
As I always the case the Swiss Guard, who are a military corps, not a police, are the ones who guarantee the security of the cardinals. They make sure they are locked securely into the Sistine Chapel, they accompany them as they go back and forth between the Casa de Santa Marta and the Chapel.

This is only the second conclave, by the way, in which the Cardinals are not locked into the Sistine chapel for the duration of the conclave. It was after John Paul’s election that he realized it was not the ideal circumstance, especially for the older men, to be in the chapel where there were no proper toilets or beds. So that is when they built Santa Marta and now they go back and forth. So the Swiss Guards are there for the physical security.

The actual security for the secrecy of the operations falls on the gendarmeria, the police force of the Vatican State, and there is some doubt as to whether they are doing a very good job. They are supposed to be jamming electronic signals, and people take oaths of secrecy, but even in the General Congregations we are hearing almost a day by day transcription of what is going on, so it’s going to be curious to see if when they enter the conclave these same leaks occur.

Could technology be being employed to eavesdrop on the General Congregations, or is it a question of the Cardinals telling their sources what is going on?
It’s hard to say. The Italian cardinals are notorious for leaking to the press. In 2005 it seemed to be the interpreters, who also take oaths of secrecy, who were leaking to the press, but there is virtually a daily account here in Italy of what is transpiring every day. So it’s hard to say, and the fact that the cardinals are, for the second time, going to be leaving and re-entering the Sistine chapel twice a day… it’s not very hard to have a smart phone record something and then, in the course of walking outside the area without electronic jamming, being able to transmit some things. We’ll know in the first day or two because we will start to see if there are reports of the actual voting in the Conclave, it wouldn’t surprise me at all if somehow there were electronic devices that will be doing that.

What would be the penalty for someone trying to pass this information out?
In theory all the cardinals take an oath on pain of excommunication if they disclose any of the proceedings, even after the Conclave has occurred. And yet we know that things have leaked out about voting in the past. We know that with John Paul II the Italians divided among two Italian candidates and allowed the Polish cardinal to become John Paul II. Similarly we know that in 2005 it was just a matter of several ballots before he was elected and we know pretty much how the different national voting blocks begin to move. Somehow this information comes out, it usually is after the fact and the Cardinals, in talking, reveal some things, sometimes not even intentionally. But this time I think we might see a somehow more electronically porous Conclave.

But it is also possible that journalists are just making it up?
Obviously there are a lot of people who do just make things up. But there are a lot of quite reputable professional journalists whose predictions and analyses have proven true. There are things which the Vatican spokesman would have denied. It was revealed in the last few days that the role of women had been discussed, and Islam, and specific cardinals had been named. If that had not been the case I think there would have been a denial, but there wasn’t.

You wrote a book on the Swiss Guard. They are seen as playing a largely ceremonial role, is that the case?
It has changed a little bit. Some of the security functions have been shifted off to the gendarmeria because they have more expertise, for example with electronic surveillance. But the Swiss Guard are still the last physical line of protection of the Holy Father. They may appear to be ceremonial but they also guard the outskirts of the Vatican City state. Many people who have been in Rome have seen the Swiss Guards who are at the various check points where people and vehicles enter and exit.

Since Paul VI the Swiss Guard have not been allowed to openly carry weapons. When I was writing my book about the 500th anniversary of the Swiss Guard, which took place in 2007, I asked the commandant and some of the others whether they were satisfied that they had the physical ability to defend the Vatican after 9/11. They wouldn’t quite tell me what else they were doing, but they did say that the re-evaluated the kind of protection they could provide at the checkpoints and they were satisfied, so I have to assume that they have some very serious weapons, should they have to use them. As you know the Swiss love guns, they love target shooting. Contrary to the image people have they appreciate guns, they know how to use them and they are skilled at it. They know what they are doing.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Oração, muita oração!

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Por mais planeamento, inteligência, oratória e astúcia que as pessoas possam ter, a única maneira segura de combater o pecado é a oração. Neste momento precisamos, muito, de oração pela Igreja Católica. Aproximam-se grandes tempestades.

Vamos então ao facto antes de passar às conjecturas.

Factos:

1 - Depois do escândalo Vatileaks, o Papa nomeou três cardeais para compor um dossiê sobre o caso, para tentar chegar mesmo ao fundo da questão. Esse dossiê foi entregue a Bento XVI em meados de Dezembro. Está sob segredo pontifício.

2 – Esse dossiê foi elaborado pelos cardeais Julián Herranz, Salvatore De Giorgi e Jozef Tomko. O Papa pode decidir levantar o segredo pontifício antes de resignar, permitindo assim que o Conclave tenha acesso ao documento. Se não o fizer, estes três cardeais ganharão uma importância enorme nas congregações gerais que reúnem todos os cardeais durante a sede vacante, antes de começar o conclave, uma vez que terão acesso a informação que escapa aos seus pares. Nenhum dos três participa no Conclave, uma vez que todos têm mais de 80 anos.

3 – Ontem e hoje o jornal italiano La Repubblica publicou artigos de fundo sobre o dossiê e o seu conteúdo. O jornal não cita directamente do documento, mas cita fontes que diz que conhecem o seu conteúdo. É por isso que a partir de agora terminam os factos e começam as conjecturas.

Conjecturas:

1 – Segundo o La Repubblica o dossiê entregue ao Papa fala de um lobby homossexual dentro do Vaticano que terá sido responsável pelo roubo e divulgação dos documentos. O dossiê incluirá os nomes das pessoas envolvidas, bem como locais de encontro em Roma e arredores. Estas pessoas agiam, segundo as fontes do La Repubblica, sob “pressões externas”, o que se entende por chantagem. De facto não é difícil acreditar que padres ou bispos homossexuais que se exponham em locais de encontro como os que vêm descritos se estejam a colocar numa situação ideal para serem chantageados…

2 – O jornal italiano faz também alegações graves sobre o Banco do Vaticano e sobre o secretário de Estado, o Cardeal Tarcisio Bertone. Segundo o La Repubblica, Bertone terá boicotado todas as tentativas de “limpar” o banco e as finanças do Vaticano. O dossiê entregue ao Papa dirá mesmo que “qualquer pessoa pode lavar dinheiro” no Banco actualmente.

Minha análise:

Há homossexualidade na Igreja. A nível diocesano, a nível nacional e a nível internacional. É um facto que nos últimos anos houve escândalos de natureza homossexual envolvendo membros da Curia romana, e não, não estou a falar do actual escândalo envolvendo D. Carlos Azevedo. Esses escândalos foram públicos e levaram a demissões. Num caso há mesmo filmagens.

Apesar de a Igreja não condenar a homossexualidade, mas sim os actos homossexuais, durante o pontificado de Bento XVI a Igreja baniu do sacerdócio pessoas com orientação homossexual. É possível que haja casos de padres com orientação homossexual que conseguem viver a castidade e o celibato, mas a quantidade de casos de homossexuais “praticantes” no clero é perturbante. Não estou aqui a fazer uma ligação entre a homossexualidade e os casos de abusos sobre menores. Há quem diga que essa ligação existe, outros que não, mas para o caso não me interessa, os casos de escândalos por relações consensuais são suficientes.

Esta é uma praga que urge ser limpa. Acontece ser também uma das questões mais politicamente incorrectas do momento na nossa sociedade. Por isso, e caso tudo isto seja verdade, o próximo Papa terá de enfrentar uma decisão muito difícil: limpar a homossexualidade “militante” do seio da Igreja, incorrendo em acusações de homofobia, caça às bruxas e obsessão com a homossexualidade por parte de lobbies, governos e de uma sociedade em que cada vez menos pessoas percebem as objecções da Igreja em relação a esta prática; ou então não tocar no problema para evitar essa perseguição e deixar o cancro expandir.

Penso que a escolha é evidente. Mas não vai ser nada, nada bonito.

Precisamos muito de rezar pela Igreja e pela santidade dos nossos padres e bispos, incluindo o próximo bispo de Roma.

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