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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Não há pão para Malukkal

Freiras enfurecidas
Mais um bispo suspenso por abusos sexuais. Desta vez é na Índia e a vítima é uma freira. O bispo Franco Malukkal nega.

O Vaticano continua a tentar colocar-se na linha da frente da prevenção de abusos e anunciou hoje a realização de um mestrado sobre proteção de menores, em Roma.

Um missionário italiano foi raptado por jihadistas no Níger, e na Nigéria o Boko Haram ameaça matar a jovem que foi raptada em fevereiro e que não foi libertada por que se recusa a converter ao Islão.

Quem explora ou rejeita migrantes e refugiados acabará por “prestar contas” a Deus, garante o Papa.

Anthony Esolen constrói aqui um texto muito forte, e interessante, com base na obra clássica “O Paraíso Perdido” de John Milton, em que pergunta se os padres que abusam de crianças acreditam ou não em Deus e pede que venha rapidamente um “novo Samuel” para limpar a casa.

E deixo-vos ainda o convite para irem a Cascais, este fim-de-semana, ao Family Land, organizado pela Associação das Famílias Numerosas. É no hipódromo, promete diversão para toda a família e os bilhetes estão à venda na Blue Ticket, ou então no recinto, no próprio dia. As portas abrem às 10 e encerram às 19.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Boko Haram liberta meninas e morreu Bhumibol, da Tailândia

Tailandeses choram a morte do Rei
António Guterres foi hoje aclamado pela Assembleia Geral. Agora é oficial, vai ser o próximo líder da ONU. Algo que agrada ao Papa, segundo o cardeal Parolin.

Parolin presidiu às celebrações do 13 de Outubro em Fátima e falou de Maria como exemplo nos momentos de dúvida e dor. Ontem, numa conferência, pediu aos católicos que façam a opção pela fé na era da informação e da comunicação.

Marcelo Rebelo de Sousa fala da visita de Francisco a Fátima, em 2017 e diz que aquele santuário é de importância “inegável” para crentes e não crentes.

O Papa denuncia a “ilegalidade” e a “violência” que hipotecam o futuro das crianças migrantes.

Foram libertadas 21 das raparigas raptadas pelo Boko Haram de uma escola, há dois anos e meio.

Hoje é o dia D para Asia Bibi, que foi ouvida em Tribunal no seu derradeiro recurso para evitar ser executada. 60 deputados portugueses mandaram uma carta para a embaixada do Paquistão.

Hoje morreu o Rei da Tailândia. Era um homem venerado e que soube modernizar o país, mantendo o lugar do Budismo, segundo um especialista português. Miguel Castelo Branco fala ainda da minoria católica naquele país e as relações com Portugal. Vale mesmo pena ler.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Inferno em Sirte, Árvore da Vida em Portugal, Trump nos EUA

Hillary ou Trump? Há uma terceira opção...
Já todos ouvimos falar de Raqqa, a capital do Estado Islâmico. Pois agora temos uma “Nova Raqqa”. Trata-se de Sirte, na Líbia, um novo inferno na terra.

Foi encontrada esta quarta-feira uma das raparigas que foi raptada pelo Boko Haram juntamente com mais 200, em Chibok, na Nigéria. É um sinal de esperança de que as restantes também possam vir a ser devolvidas à família.

Foi anunciado hoje que o Prémio Árvore da Vida será entregue ao professor Walter Osswald, especialista em Bioética.

As escolas privadas, entre as quais muitas confessionais, continuam o seu braço de ferro com o Governo e agora depositam as suas esperanças em Marcelo Rebelo de Sousa.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. No fundo é um apelo ao voto em Donald Trump. Não, não perdi a cabeça… Leiam que vão entender a situação difícil em que se encontram os conservadores americanos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Na Nigéria, mais 100 "real bodies" do Boko Haram

Forças Armadas dos Camarões
O Papa esteve esta manhã na audiência geral em Roma, mas ainda com o coração em África, lamentou as desigualdades que testemunhou e disse que a República Centro-Africana era o país que mais queria visitar.

Esta manhã os Camarões anunciaram terem morto 100 elementos do Boko Haram numa operação, libertando nada menos que 900 pessoas!

Em França continua a operação de “limpeza” depois dos ataques de Paris. Já foram encerradas quatro mesquitas e encontradas 330 armas, algumas das quais são consideradas de guerra.

Recentemente uma amiga perguntou-me se podia levar o meu filho a ver a exposição Real Bodies. Respondi que não e aqui explico porquê. Admito que a questão é debatível, deixe a sua opinião.

Hoje é dia de artigo do The Catholic Thing. David Carlin pergunta qual será o Islão do futuro, argumentando que é urgente eliminar o Estado Islâmico antes de a maioria dos muçulmanos se convencerem que é esse o tipo de religião que tem sucesso.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Tratar os empregados como família e conselhos para CPM

Remember, remember... Martyr
Já são conhecidos alguns dos detalhes dos dois livros que revelam escândalos sobre o Vaticano. Há uma coisa importante a recordar… É que neste caso, os escândalos só vieram à luz do dia por causa da reforma interna que está a ser feita, o que não deixa de ser um bom sinal.

O Papa Francisco avisou as famílias que não se pode viver (bem) sem se perdoar.

Já hoje D. Manuel Clemente disse aos gestores cristãos que devem tratar os seus trabalhadores como se fossem a sua própria família. Um desafio, certamente.


Atenção a todas as pessoas envolvidas em cursos de noivos ou CPM, não percam o artigo desta semana do The Catholic Thing, com conselhos e recomendações muito práticas para quem prepara jovens para o casamento.

Hoje publiquei a transcrição integral da entrevista que fiz ao bispo nigeriano de Zaria, que sobreviveu a um atentado do Boko Haram. Vale bem a pena ler, para perceber como vivem os cristãos naquela região.

Deixo-vos por fim com uma recomendação e um aviso. Chegou-me à atenção uma livraria online dedicada só a livros católicos. Visitem a Livraria Filoteia, também no Facebook, para ver os melhores livros da milenar tradição da Igreja Católica - Stª Teresinha, S. Josemaría, S. Francisco de Sales, S. Luís de Montfort, Tomás de Kempis e outros.

E na segunda-feira, dia 9 de Novembro, estarei às 18h30 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa para falar dos desafios à Liberdade Religiosa. Apareçam, se puderem. 

"When I got home, my cassock was covered in blood"

This is a full transcript of my interview with bishop George Dodo, of Zaria, in northern Nigeria. The bishop speaks of life under the threat of Boko Haram, how he survived an attempt on his life in 2012 and also about the problem of polygamy in Nigeria. The news story, in Portuguese, can be read here.

Your diocese is one of the ones which suffers with the rebellion caused by Boko Haram. Geographically, where is it situated?
It is situated in the North. If you are familiar with Kaduna, which was the headquarters of the Northern Region, when the British colonized Nigeria, and is now the state capital of Kaduna State. Zaria is a little bit North of Kaduna.

Being in the North, the majority of the population is Muslim?
Yes.

Are most of the Christians originally from there, or mostly from the South?
It is a little bit cosmopolitan. While Muslims had the majority in the North, Kaduna, in particular , is the home of almost everybody in Nigeria, it is a smaller cosmopolitan city.

How exactly have the actions of Boko Haram affected your daily life and that of your faithful?
In terms of security, some people have had to relocate, so there is emigration out of the state, from Zaria in particular to places which are considered safer. This was noted especially in the last quarter of last year, up to when the elections were conducted last year until the elections were conducted on the 29th of May. At that time the fear of the unknown, in terms of the state of insecurity, followed by the kind of statements which came from the supporters of the present ruling party, with such utterances as "If Buhari doesn't win we will make sure we slaughter all of you", and considering what had happened in the past, a lot of people from the Southern part of the country thought it was better for them to go to where they feel safe.

At that time, I think practically every church worshipping community lost about 50% of its members. That is one aspect.

The economic life of the people has also been affected, because the people can no longer sell their goods, it means economically it is affecting the social life. Whereas people would sometimes go out in the evenings to relax, there have been instances where in the course of relaxation a bomb explosion goes off and lives are lost, so that has also affected the social life of the people.

In terms of education, a lot of schools barely managed to survive, because in tertiary institutions students felt it was better for them to remain where they feel safe, in the elementary, primary and secondary levels of education, parents would withdraw their children and take them to where they felt they were safer, so that has also had its own affects on the people.

In terms of worship, when it is time for worship, especially on Fridays and Sundays - Fridays for Muslims, Sundays for Christians - you have to have a security presence and while you are worshipping there is security outside, just to make sure nothing ugly happens. This has had a serious adverse affect on the generality of life in the Northern part of the country.

You mentioned "ugly things" happening... You had a very close experience with that yourself...
Yes I did.

It happened on a Sunday morning, 17th of June, 2012, the eve of my ordination anniversary. I was actually celebrating the second mass of the day, we started at 8h and somewhere around 8h30 or 8h45 we heard a very unusual sound, "boom", and the whole church was thrown into darkness. You could only feel electrical fittings from the ceiling falling down on us.

I think I must have blacked out at the time, so when I regained consciousness, all the alter servers were around me, asking me if I was ok. It was then that I became conscious again and said that I was ok. They said that it was not safe for me there, and that it was better for me to go out.

The sound was from a bomb explosion. When the dust that had been raised as a result of the explosion finally settled I could see through the windows that there were flames rising up to the roof of the building, and of course thick smoke. Then I heard parishioners saying "suicide bombers, suicide bombers".

What happened was that the suicide bomber had actually come in a car, heavily loaded with explosives. We had trained some of our young people to make sure that whoever was coming to these places of worship were properly screened. So they wanted to inspect the car, but the man said no, that he had an urgent message for the priest in the cathedral. So they said "ok, we don't dispute that, but nobody goes in here without us checking".

So I want to believe that the bomb must have been timed and he realised that he was wasting time, so he made as if he was reversing - even though he pretended to be a learner, with a capital L hanging on the car front and back - and then he came back at full speed, thinking he would just knock the gate off and get into the cathedral. But unfortunately for him that didn't happen, because the gate was solid, and the pillar on which it was hanging was very solid. So he hit the pillar and the explosives went off there and then.

I was reluctant to go out until I was dragged, and was trying to reach the commissioner of the police, but the number wasn't working. I was trying to reach the Governor, but the number wasn't working, I tried to reach some other security people but the numbers weren't working, until one parishioner, who happened to be working with the state security services introduced himself, he said bishop, this place is not safe for you, I am a security man, come, let’s go, I will go to my office and report what's happened.

So they dragged me out and then people came and told me there are dead bodies of our young boys, so I couldn't reach the place immediately, because of the fire, so only when everything started subsiding did I go and there were three of our young worshippers lying down, who were actually trying to check the vehicle.

So by the time one of the boys realised, and shouted "suicide bomber, everybody lie down", the bomb had exploded. These were the ones who died immediately.

At the end of the day, that very day, there were 13 dead bodies taken from the place. The motorcyclists who do that for commercial purposes, we tried to beg them to help us evacuate the wounded, to take them to the hospital, but they wouldn't even help. Instead they were sitting on their motorbikes, hands folded, and laughing. So it looks like they knew what was going on and were happy with what had happened and I was made to understand that in some parts of the town some of the supporters of the terrorists had gone into celebration because they had succeeded in reducing our number, including the big shot among them, who was inside the church. But unfortunately, when they started hearing my voice again, on the electronic media who were interviewing me, they knew that I was not dead, and so there was nothing for them to celebrate.

From this story you are telling me I get that this is not only a problem with some extremist elements like Boko Haram who are targeting Christians; there is a more general problem between the Christian minority and the Muslim majority. It may not be everyone, but there seems to be some members of the Muslim population who as you say were rejoicing with these acts.
Yes. Those who are not happy with the presence of Christianity, possibly they would celebrate in that sort of a situation. And you know, because of the frequency of the eruption of violent crises, in the Northern part of Nigeria, the sense of mutual trust between the Christians and the Muslims, which we had when we were growing up has more or less been destroyed.

Because when that happened, another church which is very close to the house where I was living, which is a Protestant church, was bombed within an interval of five minutes, and then in the city of Kaduna another Pentecostal church was bombed. So the youths, when they heard what had happened in Zaria, with the information that I had been killed, just went on a rampage.

You mean the Christian youth...
Yes.

So there was revenge.
It was a reprisal attack.

When you hear about these reprisal attacks, and there have been others, what do you say to your faithful?
We try to teach our people not to go on revenge missions. We understand life is sacred, at all costs. Even on the day we were bombed I was trying to save lives. When I got back to my house my cassock was soaked in blood. One young boy, I don't know where he came from, but he happened to be a Muslim, as soon as people saw him coming out of the Church they stormed at him. I said no, the most you can do is hand him over to the security, so I embraced him, trying to shield him and protect him, but because of the sort of beatings and stones used on him, he sustained some injuries and was bleeding. That is how my cassock was stained in blood.

Then I left again, because some people were already weeping because they had heard that I was dead. The security came and dragged me, saying that they could not control the crowd. I told them to let me go so that they could see my face, so that they would know that I was fully alive. So I left the boy in the hands of some young people and I showed him the security van was there, and I went to show my face to the people who were mourning and wanting to go on rampage, but I said "No. Just keep your calm, I am alive".

When they saw the blood they supposed I had been seriously injured, but I said "No, its not my blood. Its the blood of a young man I was trying to save. Now that you have seen my face, please listen to instructions from the security people, on the preventative measures you have to take in a situation like this. Because you never can tell."

I later realised that there were some individuals who had also come with explosives, but unfortunately for them they were identified. What happened is left to be imagined, because in that kind of a situation, emotions usually take the place of common sense and reason.

Your grace, this was in 2012, since then there has been a concerted effort with neighbouring countries to try and wipe out the threat of Boko Haram. It has been presented by the government as working, and being successful, do you agree? Has the situation improved on the ground?
I think to a certain extent I would need to congratulate the government, because they have been able to demystify the mind-set of the Boko Haram people. Initially, when this started, it was like they were invisible human beings. It was not until concerted efforts began to yield good results and they started arresting some of them, who in the course of interrogation would also reveal certain information to the security people. So it was at that level that demystifying the belief that they were invisible people began to take place.

Now the present government has been able even to go into the forest, which has been their major hideout, or enclave, where they sit, plan and go out to execute. And possibly, whoever has been there suppliers and financiers, the ammunition that they use and the resources they use to pay themselves and others to go into destructive mentalities. That was a no-go area, but thanks be to God, with the present government, and I want to believe, that the previous government which was replaced on May 29th started making the moves and advancing money for the supply of modern weaponry, now some of those things have started arriving and that has allowed the Nigerian military to really hit the Boko Haram people hard.

They are able to get into the forest and kill some of them, and some of them scatter. They have been able to recover many of the towns and suburban areas which had been under their control. So that shows that there is some success being achieved in the war against the insurgency.

Recently a Nigerian bishop floated the idea of an amnesty for fighters, to try and draw out those who are not convinced by the ideology and weaken Boko Haram. Do you agree with this approach?
Forgiveness is God's grace, or divine gift, and especially beneficial for those who realise their actions probably are misguided and have very deep regrets for whatever they have done in the past. And deep down in them there is this resolution never to allow the past to repeat itself, either in the present or in the future. Whenever these people are identified and you can see this kind of remorse in them, I wouldn't say no to that.

But to grant amnesty people have to make themselves identifiable. Then you know who you are talking to. But for an enemy whose face you do not know, how can you talk about amnesty?

It is when you see the face, and you are able to talk face to face, that you are able to see, from the body language, and movement, and gestures, whether this person really deserves this amnesty you are talking about. I know that in Nigeria some people have tried to equate the request for amnesty for Boko Haram with what happened with the militants in the Niger Delta. Destruction of human life is destruction of human life. But the scenario, I think, is a bit different. With the Niger delta militants, you are dealing with people you know. You know their faces, you can call their name, you know where they come from, you know who their parents are, and you can sit around a table with them. That is a different scenario compared to Boko Haram, whose faces you do not know, you don't know who is their mastermind, who is their leader, except video clips you can find on the internet. Apart from the face of Shekau, who has always been in the newspapers, who else, can somebody confidently say is a Boko Haram person?

That is why at the beginning I said they are a kind of invisible people. So if you want to talk about amnesty, which will be the fruits of an initiative towards dialogue, dialogue to be able to understand and then to find a common path, that will lead to a resolution. If you don't have that kind of person, how can you talk about amnesty?

I'd like to ask a couple of questions, changing topic, about the Synod for the family. We hear a lot about polygamy as a specifically African problem, is this a case in Nigeria?
There are two categories of polygamists. One category is those who embraced Christianity after they were already in polygamous marriages, but normally the stance of the Church will have been explained to them, and many of them understood it and, because they really wanted the sacrament, discussed it amongst themselves, the husband and the number of wives he has and once they reach that conclusion that they are all eyeing for heaven, and if this will stop us accepting this other way, then you choose whatever you wish. To have your marriage blessed in the church, we will stay for the sake of our children, no marital relations between us again, we are staying. And whatever the husband is able to contribute he does. There are situations where the husband still gives something for the upkeep, and they are happy with themselves.

Then there are those who I call deliberate polygamists. They are the ones who have been in the Church even a long time before they got married, then, for reasons best know to them, one of which would be that because my wife has only given birth to female children, and in my own culture my house is not complete unless I have a male child to inherit whatever I leave behind and carry on my family name, that has forced some people to go into a second marriage, to become polygamists, and that keeps them from the sacraments.

But there are those who accept that, whether it is a male or female child, a child is a precious gift from God, and there is no amount of money in this world which can buy one. So they find themselves in this situation, they are kept away from the sacraments, it is a free choice, but an unfortunate one.

But it is not something commonplace, no. So the people I really have sympathy for would be people who were polygamous before Christianity met them, and they have that difficulty, because you find some where the husband says that if that is what the Church wants, and I know in conscience that I have never had any quarrel with any of these women, none of them has offended me, and I have offended none of them, how can I just tell them to go?

Instead of offending their conscience and telling somebody to go, they will simply remain like that. I would hope that one day the Holy Spirit will reveal something to the church to handle these cases of polygamy. But for those who know what it is, and on the day they married their first wives knew the commitment they were getting into, just for social and cultural reasons, now say they are going to break that commitment, there is something wrong somewhere along the line.

How many generations back did your family embrace Christianity?
My father became a Christian when he was a young adult, so in my own village he is the first generation of Christians.

Bishop Dodo visited Portugal at the invitation of the local branch of Aid to the Church in Need.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Actualidade Religiosa: Vatileaks II e dia dos Fiéis Defuntos

Bispo Sarlinga, substituído na Argentina
Mais um dia, mais um golpe levado a cabo pelos investigadores do Vaticano, que terão descoberto um foco de ilegalidades no departamento que administra o património e a carteira de acções da Santa Sé.

Da Argentina vem uma notícia interessante. Francisco aceitou esta terça-feira a renúncia de um bispo de apenas 52 anos, tido como conservador e que para além de se ter visto envolvido numa polémica com a compra de um edifício em Buenos Aires, poderá ter tentado orquestrar a remoção de Bergoglio da Argentina, quando ainda era arcebispo da capital.

Temos hoje a interessante história de um bispo nigeriano que sobreviveu a um atentado levado a cabo pelo Boko Haram e no mesmo dia impediu que um jovem muçulmano fosse linchado por cristãos. Leiam o testemunho, que vale bem a pena.

Temos também a transcrição integral da entrevista que fiz ao padre Duarte Andrade e Sousa, que nos fala da visão cristã da morte, da importância dos rituais fúnebres e da forma como a fé o ajudou a ultrapassar o assassinato do seu irmão, em 2014.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Pensemos livremente, mas todos da mesma maneira!

Perigo! Esta imagem pode impedi-lo de pensar livremente
O Papa Francisco vai encontrar-se com o presidente Raul Castro, de Cuba. Será no domingo e é a primeira vez que um presidente comunista de Cuba se dirige ao Vaticano.

Hoje o Papa Francisco elogiou os homens e as mulheres que se casam, dizendo que são “um recurso essencial para a Igreja e para o mundo”. Obrigado Santo Padre, também gostamos muito de si.

Ontem foi apresentado o calendário para o jubileu da misericórdia. Há eventos para todos, mas destaque especial para as periferias, como não podia deixar de ser.

Não sei de vocês, mas eu irrito-me imenso quando passo por uma estátua que me impede de pensar livremente, é uma grande maçada. Felizmente podemos agradecer à Federação Nacional do Livre Pensamento, em França, que está a mandar retirar essas estátuas irritantes, sobretudo as que incluem cruzes. Assim, com as nossas sociedades livres de cruzes, imagens de Nossa Senhora e estátuas do Papa, podemos todos pensar livremente, desde que pensemos da mesma forma…

Na China, por exemplo, há poucas imagens religiosas e por isso existe liberdade de pensamento. Tanta que o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros é livre de pensar que o seu país respeita e até promove a liberdade religiosa.

Mas há também boas notícias. Ao que parece o Boko Haram poderá estar a sofrer de fortes divisões internas e insatisfação entre os militantes.

Termino com a referência habitual ao artigo desta semana do The Catholic Thing. Anthony Esolen recorda as várias vezes em que os defensores da revolução sexual nos prometeram que as inovações que defendem não vão ter qualquer efeito nocivo para a sociedade, e todas as vezes em que se enganaram, e pergunta: “Porque é que havemos de confiar neles agora?

terça-feira, 14 de abril de 2015

Um ano com o Boko Haram, um dia em Sarajevo

Passa hoje precisamente um ano sobre o terrível rapto de perto de 300 raparigas de uma escola na Nigéria. Neste artigo da Renascença, com vídeo, saiba tudo sobre o acto que colocou definitivamente o Boko Haram no mapa.

Esta triste efeméride serviu também de pretexto para se falar com o Sheikh David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa, o que resultou nesta reportagem, também com vídeo.

Nesta entrevista, que pode ler aqui na íntegra, o imã explica que os muçulmanos portugueses não têm problemas de integração, critica as leituras extremistas do Alcorão, defende os salafitas e fala também da perseguição a que os muçulmanos são sujeitos no mundo.

As forças curdas estão a aproximar-se de Raqqa, a capital de facto do Estado Islâmico na Síria. Isto pode ser sinal de que o Estado Islâmico está em declínio… Veremos. Entretanto na Somália, mais um atentado do al-Shabab fez hoje 10 mortos na capital.

O Papa está a preparar a sua viagem a Sarajevo. À imagem da viagem que fez à Albânia, também de maioria muçulmana, Francisco passará apenas um dia na cidade, mas será um dia em cheio, com nove eventos planeados para apenas 14 horas.

Há muitos anos cruzei-me com um jovem militante da Juventude Socialista que, contra forças muito influentes no seu próprio partido, lutava incansavelmente contra a legalização do aborto em Portugal. Hoje o Claudio Anaia pediu-me para divulgar o seu blog, onde fala desse e de muitos outros assuntos, muitos dos quais ligados também a religião e actualidade social e política, o que faço com muito gosto.

“Há muita coisa que se diz sobre os salafitas que é mentira”

Transcrição integral da entrevista feita ao Sheikh David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa. A reportagem, com vídeo, está aqui.

Faz um ano que foram raptadas centenas e raparigas de uma escola na Nigéria, por um grupo que diz agir em nome do Islão. Enquanto clérigo muçulmano, como é que isto o faz sentir?
Com muita tristeza, com muita mágoa, muita dor.

O facto de qualquer acção de agressividade ser feita, por qualquer pessoa, já é triste. Quando é feita em nome de uma religião que transmite a paz e quer uma boa convivência entre as pessoas e entre os povos, muito mais nos entristece.

Infelizmente já se passou um ano e ainda elas continuam nas mãos deles e parece que a comunidade internacional parou, não se consegue fazer nada, por isso esta outra tristeza, outro lamento, que fala-se muito e faz-se quase nada.

Este ano tem sido particularmente complicado em termos de terrorismo por parte de grupos islamitas. Tivemos o rapto das crianças, a ascensão do Estado Islâmico, os ataques ao Charlie Hebdo, mais recentemente o ataque do al-Shabab à Universidade no Quénia... Tem sido difícil para a comunidade muçulmana gerir o impacto destes actos?
Nós tentamos esclarecer as pessoas sobre o que é o Islão e o que infelizmente algumas pessoas fazem em nome do Islão. Não tem sido fácil, porque as pessoas, infelizmente, algumas já têm, uma ideia fixa, só vêem de uma forma e não têm abertura suficiente para ouvir uma outra voz e perceber as verdades. Mas por outro lado há pessoas que conseguem distinguir e simpatizam connosco, podemos dizer assim. Não tem sido fácil. É um a seguir ao outro... Tentamos esclarecer as pessoas e vamos continuar a fazê-lo, independentemente de as pessoas gostarem ou não, de criticarem ou não, vamos continuar a fazê-lo e a dizer a verdade, porque quem esconde a verdade é mais criminoso que aquele que comete o próprio crime.

O Sheikh David Munir e a direcção da comunidade Islâmica têm sido firmes na condenação do terrorismo e sabemos que outros líderes islâmicos também. Mas mesmo assim, continuamos a ouvir apelos para que altas figuras do mundo islâmico condenem inequivocamente estes actos. Há falta de firmeza por parte destas figuras, ou as suas vozes não nos chegam?
Acho que a segunda hipótese será mais provável, manifestam-se e nós é que não sabemos.

Muitas vezes quando recebemos informação por mail, que houve encontros ou manifestações a condenar estes ataques, nem sequer ouvimos falar disso porque a nossa comunicação social não está muito interessada. Aliás, a nossa comunicação social está mais interessada em divulgar estragos e crimes do que encontros positivos.

Mesmo na nossa sociedade, a seguir aos ataques fizemos um encontro inter-religioso na mesquita, na sinagoga e numa Igreja Católica, e só um dos três ou quatro canais de televisão que temos é que fez a cobertura. As outras todas não se interessaram, paralisaram. É claro que esses encontros têm de ser divulgados também, para as pessoas terem a noção e a consciência de que nem toda a gente concorda com o que é feito em nome da religião. Há muita gente que não concorda e muita gente que condena e muita gente que se manifesta publicamente. Mas há pouca cobertura desses eventos.

Sempre que há um ataque destes as objectivas viram-se para si e para outros líderes islâmicos para pedir uma reacção. Mas pode-se argumentar que esse facto em si revela que as pessoas associam de alguma maneira os actos à comunidade muçulmana em geral. Isso preocupa-o?
Há um dizer do profeta que diz: “Todas as acções dependem das intenções”. Quem faz as perguntas são jornalistas e muitas das vezes fazem, sabendo a minha resposta, mas é mais para esclarecer as pessoas que nos estão a ouvir ou a ver, para enfatizar que o Islão condena, que os muçulmanos portugueses condenam, muitos outros também condenam.

Aqui depende da intenção, de como é colocada a questão. Eu costumo responder aos jornalistas "o que é que acha que é a minha opinião?" E dizem, "sabemos que o senhor condena", e eu digo que é essa a minha resposta.

Porque as pessoas têm de estar esclarecidas daquilo que é o Islão. E muitas das vezes, quando algum acto é feito em nome do Islão a pessoa consegue distinguir. Pode-se dizer que é feito em nome da religião islâmica, mas não tem nada a ver com o Islão e só pode distinguir quem nos conhece, quem não conhece pensará que somos todos iguais e muitas das vezes as pessoas colocam-nos no mesmo saco.

Maajid Nawaz
Recentemente entrevistei o Maajid Nawaz, um ex-islamita, ligado ao Hizb ut-Tahrir, que actualmente, apesar de continuar a identificar-se como muçulmano, faz campanha contra o islamismo. Ele argumenta que é um erro, e contraproducente, dizer-se que movimentos como o Estado Islâmico, e outros, nada têm a ver com o Islão. Qual é a sua opinião?
Eu conheço Maajid Nawaz e já estive com ele em diversos encontros.

Num dos encontros, quando falei da nossa comunidade portuguesa, porque ele vive em Inglaterra, quando falei sobre a nossa comunidade ele disse: "Aqui está um bom exemplo de integração, e nós precisamos de si". E convidou-me várias vezes para participar em eventos, para esclarecer as pessoas. Só que não é esclarecendo as pessoas que se resolve o problema. O problema das outras comunidades islâmicas no ocidente, mais concretamente na Europa, o problema que é colocado de integração, convivência e ajustes de cultura, não faz parte da nossa agenda na comunidade portuguesa.

Nós não perguntamos aos muçulmanos se estão ou não integrados, nem sequer é colocado. Não está na nossa agenda. Então porque é que está na agenda das outras comunidades? Porque desde o início, quando essas comunidades começaram a crescer, foram-se criando guetos, e temos vários casos em vários países da Europa. Aqui não temos, felizmente, porque se tivéssemos, provavelmente iríamos ter mais ou menos os mesmos problemas de base.

Agora, é claro que eles, ao utilizarem o nome do Islão, onde é que vão buscar? Qual é a fonte? O Alcorão fala sobre a guerra, como defesa e não como ataque, e muitas vezes eles retiram o trecho do contexto, porque muitos dos versículos foram falados para aquele momento, naquela altura, era uma resposta para uma questão imediata naquela altura. E nós não podemos esquecer que os muçulmanos tiveram de enfrentar muitas dificuldades para se manterem firmes na sua crença e na sua posição.

Em relação ao Hizb ut-Tahrir, lembro-me que há muitos anos vieram dois elementos ao nosso país. Quando eles vieram, conversaram comigo, muito antes da Al-Qaeda, do Estado Islâmico, dos atentados do 11 Setembro, vieram sondar quantos muçulmanos há, o que achavam, porque o termo "califado" é um termo que hoje é muito deturpado. Quando nós falamos do califado estamos a falar da justiça, estamos a falar de igualdade, tolerância, boa convivência com os outros povos. Não é aquilo que vimos quase todos os dias.

Esses dois membros perguntaram o que é que eu achava e eu disse que sim, se tivéssemos um califa justo, honesto, sincero, aberto, porque não? Quem seria a pessoa ideal? Quem? Os países islâmicos estão como estão, portanto acho que teoricamente é muito bom, mas na prática, disse-lhes na altura, é um trabalho muito longo. Vai ser quem? Um político? Um religioso? Tem de ser uma pessoa do oriente, do ocidente?

Mas depois quando eles perceberam que aqui não havia muitas probabilidades de conseguirem adeptos... Quando ele me disse que era membro do Hizb Ut-Tahrir fez-se um click. Quando vieram dois muçulmanos de Inglaterra, de origem bangladeshi, provavelmente já nascidos em Inglaterra, mas cujos pais tinham vindo do Bangladesh e que estavam com essa preocupação... Claro que comecei a aprofundar e conhecer melhor o Hizb ut-Tahrir mas estava longe de imaginar que a ideia que eles têm do califado, nem tudo tem a ver com o que o Islão transmite.

O Estado Islâmico aponta para antecedentes na tradição da jurisprudência islâmica para justificar muitas das suas atrocidades, como por exemplo lançar homossexuais do topo de prédios, já para não falar de lapidação de adúlteros, cortar as mãos a ladrões e mesmo escravizar jovens raparigas. Estes antecedentes de facto existem... Como é que a comunidade muçulmana lida com isso?
Vamos lá ver uma coisa, à partida as pessoas têm de ter noção que o Alcorão é o código de vida dos muçulmanos. É um código de vida. É uma constituição, uma referência que os muçulmanos têm.

E acontece que a prática do Alcorão é a Sunna, aquilo que o profeta disse ou aquilo que o profeta fez. O que vem a seguir, a jurisprudência, a analogia, vem quando as pessoas tentam interpretar um assunto que não está mencionado directamente nos hadites nem no Alcorão. Existem quatro grandes escolas de jurisprudência islâmica, porque muitas das vezes a resposta que é dada não é exactamente a mesma que se fosse dada há uns anos atrás, e isto aconteceu mesmo fora do contexto religioso em todas as sociedades.

Por exemplo, antes do 25 de Abril não havia abertura para as outras confissões, as pessoas estavam mais mentalizadas a haver só uma confissão, mesmo sabendo da existência das outras confissões. Mas como não havia abertura, como falamos por exemplo da presença na inauguração de uma coisa oficial, então a presença do Patriarca, ou a presença de um religioso católico era importante, hoje já não.

O que acontece é que em algumas narrações, e aí temos de analisar essas narrações, antes de aplicar qualquer pena há sempre um tempo que é dado à pessoa, para conversar com a pessoa e a tolerância e o perdão prevalecem sempre.

Agora, quando falamos daquelas pessoas que fazem só uma leitura e que fazem uma leitura mais à letra, do que é dito, e se é um grupo de pessoas com esta forma de agir, então temos uma outra interpretação daquilo que é dado. Mas nunca podemos esquecer que quando a pessoa tem uma prática que o Alcorão condena e que o Islão condena, deixa-se muito ao critério da pessoa. Conversa-se com a pessoa, explica-se à pessoa, faz-se ver a pessoa e deixa-se muito ao seu critério, não se pode obrigar a implementar seja o que for. Mas como disse, se vivemos num ambiente onde toda a gente condena, ninguém sabe como responder, ninguém está preparado para isso, só um grupo é que está preparado para isso, então temos muitos actos que muitas vezes até o próprio Islão condena.

Numa das suas respostas disse que há coisas que estão no Alcorão que são para aquele tempo. Sendo o Alcorão, segundo acreditam os muçulmanos, a palavra de Deus ditada ao profeta, portanto não é uma interpretação de uma mensagem, é a palavra textual de Deus, como é que se distingue o que era para aquela época e o que é para a eternidade?
Vendo o contexto daquilo que foi revelado.

Por exemplo: “Combater aqueles que vos combaterem, e nesse combate não pode exagerar” e “Defende-se, mas não pode atacar”. Estamos a falar em termos de combate de guerra, não como atacar mas sim como defesa.

Há alguns versículos que foram revelados naquele momento, para aquele tempo e há passagens que falam daquilo que se passou. Estamos a falar do nascimento de Jesus, de Maria e dos outros profetas e mensageiros, estão lá, são palavras eternas de Deus mas estão a ensinar aquilo que se passou concretamente com Abraão, com Moisés, quando Deus disse para ir ter com o Faraó e ele fez os milagres, estamos a falar do nascimento de Jesus... Faz parte da crença islâmica acreditar em todos os profetas e mensageiros e na revelação que eles fizeram. São palavras de Deus, são palavras verdadeiras, mas no contexto social e económico...

Por exemplo, lembrei-me agora, quando dizemos que uma das formas que o Islão tem de retribuir o que fez e não devia ter feito, é libertar um escravo. Mas hoje não há escravatura. Não há, como havia na altura. Se não tem escravos, então dá de comer aos mais necessitados. Ok, mas eu não tenho possibilidades de dar de comer. Então jejua. Mas eu não posso jejuar porque sou doente. Então não faz nada. Percebe? Tem fases.
Eu não posso libertar um escravo, porque já não há escravos. Cada caso é um caso.

Quando falamos em termos do aspecto social, a caridade é obrigatória, um dos pilares do Islão é a caridade. A quem é que é destinada a caridade? O Alcorão dá uma lista. Mas se houver alguém fora da lista que seja merecedor? Também recebe. No entanto, se a pessoa tem alguma dificuldade em dar a caridade na totalidade, dá aquilo que lhe é possível, já não é considerado obrigatório, é caridade facultativa.

Quando diz, então, que há certas coisas que dependem do contexto, obriga a uma leitura subjectiva que cabe, imagino eu, ao líder espiritual da comunidade. No caso da comunidade de Lisboa cabe-lhe a si, noutras, aos respectivos imãs. Mas não existe então uma leitura universal...
Quando falamos da nossa comunidade, cada mesquita tem um imã e nós nos reunimos quando há um assunto a debater, e fora disso também, para manter a nossa ligação, digamos assim, constantemente e permanentemente.

Basicamente, há dois tipos de versículos do Alcorão. Há uns que são considerados mandamentos. Os cinco pilares, as cinco orações; o jejum é no mês de Ramadão, quer calhe no verão ou no inverno, é o nono mês, tem de se jejuar naquele mês. A peregrinação é a Meca, e tem de ser no 12º mês. Portanto aqui falamos dos mandamentos.

Depois temos outros versículos do Alcorão que têm mais de uma leitura. Muitas das vezes a época, o tempo é que interpreta esse versículo.

Há versículos que dão referências sobre a ciência. Por exemplo, “A origem da vida é a água”. Isto dito há 1436 anos, no deserto, por uma pessoa que não sabia ler nem escrever...

O Alcorão diz que tudo o que a terra produz tem macho e fêmea, até os frutos. Hoje é possível saber se uma fruta que estamos a comer é macho ou fêmea, desde que levemos para um laboratório. Agora, pergunto, como é que é possível para uma pessoa que não sabia ler nem escrever, que vivia no deserto, na Arábia, há 1436 anos, como é que ele soube? Quem é que revelou? Hoje acredita-se com tanta facilidade que a pessoa que não acredita acaba por ser considerado ignorante. Mas na altura aquela pessoa que acreditasse era ignorante, porque não havia meios de interpretar.

Agora, como disse, algumas pessoas conseguem manipular uma boa parte da comunidade muçulmana ignorante, que conhece as coisas básicas, mas não conhece muito a teologia, porque aquelas pessoas que conhecem a teologia, sinceramente, não são facilmente manipuladas. Quem não conhece teologia, quem está mais preocupado com as virtudes, acaba por cometer muitas asneiras. Sabe o que diz o Alcorão? “Aquele que sabe e aquele que não sabe são iguais? Claro que não.”

Sabemos que grande parte dos grupos jihadistas são de inspiração salafita e que esta é a corrente propagada a partir da Arábia Saudita. Como vê o papel e a influência da Arábia Saudita no mundo islâmico?
Primeiro, muita coisa dita sobre o salafismo não é verdade. Muita coisa é dita, muita coisa é inventada. Na realidade, na prática, estando com eles, convivendo com eles, não tem nada a ver com muitas das coisas que nós ouvimos falar. Há um dizer do profeta: “As várias opiniões, na minha nação, entre as minhas pessoas, é a misericórdia”. Cada um ter a sua opinião, desde que seja uma opinião válida, desde que seja para o bem-estar da comunidade, é válida.

Eles têm feito muito trabalho positivo para que as pessoas possam, no mínimo, praticar o Islão de acordo com as suas possibilidades. O facto de construir mesquitas, tudo bem, é uma virtude enorme, mas na manutenção da mesquita, como é que ela deve ser dirigida, como é que tem de ser visitada, como é que tem de se explicar o Islão, há muita coisa que tem sido feita que infelizmente não é divulgado, nem sequer é dito.

Eles tentam ajudar as pessoas que precisam mesmo, independentemente das crenças ou não - estamos a falar dos sauditas - por exemplo, nas duas mesquitas sagradas de Meca e Medina, tirando o mês do Ramadão, às segundas e quintas há a tradição de a pessoa jejuar, um jejum facultativo. Então empresários sauditas, estamos a falar daqueles homens milionários, humildemente distribuem tâmaras e comida para as pessoas quebrarem o jejum na mesquita. E concorrem uns com os outros para dar de comer a milhares de pessoas que não conhecem e que estão lá simplesmente para quebrar o jejum.

Jovens salafitas
Agora, é claro que, mesmo nas outras escolas, há sempre aqueles teólogos que dão uma interpretação não diria necessariamente errada, mas um pouco mais exagerada, mais conservadora, da prática do Islão. É a tradição do profeta comera com as mãos. Lava as mãos e come com as mãos. Mas uma pessoa comer com talheres não é cometer um pecado. Era tradição do profeta sentar-se no chão para comer, mas uma pessoa utilizar a mesa não é pecado. Era tradição do profeta viajar de cavalo, mas hoje, nas grandes cidades, mesmo naquelas [salafitas], não se viaja. Temos de saber adaptar-nos.

Claro que quem conhece a teologia está apto para conversar, dar a sua opinião e discutir. Houve um tempo em que no mundo islâmico os manuais não eram constantemente revistos, hoje já são mais revistos, há mais abertura, mais aproximação, mais respeito pelas outras culturas e pelos outros povos.

A comunidade Islâmica de Lisboa já aceitou ajuda financeira da Arábia Saudita para ajudar a construir esta mesquita?
Recebemos de uns empresários, uma coisa particular.

Com essa ajuda nunca sentiram pressão sobre os vossos ensinamentos?
Nunca. A Mesquita Central de Lisboa e as pessoas sabem, os nossos irmãos embaixadores de todos os países sabem, é uma mesquita aberta para todos, não há influência directa nem indirecta de qualquer ideologia ou de qualquer escola de interpretação do Islão ou de qualquer tipo que não seja islâmico. A mesquita é de todos.

Esta mesquita é aberta, é possível visitar. Mas sabemos que há outras mesquitas, não digo clandestinas, porque não são ilegais, mas digamos, informais, que funcionam em caves ou em apartamentos emprestados. Não é possível que haja, entre essas comunidades, uma pessoa ou um grupo com tendência mais radical ou mal-intencionada, que propositadamente evitariam esta mesquita porque já sabem que aqui a sua mensagem não seria bem aceite... Tem ideia de casos desses?
Primeiro, como disse e bem, não temos mesquitas clandestinas. O que acontece é que quando há um grupo de muçulmanos que reside numa localidade é normal que se preocupem em ter um espaço para fazer as cinco orações em congregação, em conjunto. Depois pode haver um ou outro que diga que tem um apartamento do qual não está a usufruir e cede por um espaço de tempo determinado. Depois há situações em que as pessoas juntam-se para contribuir para alugar um espaço, fazer umas pequenas obras, mas todas elas estão abertas a qualquer pessoa que queira assistir.

Agora, essas pessoas também se preocupam em escolher um líder. Quem é que vai presidir às orações e dar alguma orientação? Há mesquitas que dizem que não precisam, porque haverá sempre uma pessoa idónea sempre para presidir à oração, porque não há palestras, não há nada, portanto para as grandes responsabilidades ou vai à Mesquita Central de Lisboa, ou vai a outras, mas no entanto poderá haver alguém com essa má intenção de tentar transmitir essa mensagem mais radical, uma mensagem diferente do que as pessoas estão habituadas, mas até agora creio, e quero acreditar, que essas pessoas não têm adeptos ou acabam por não serem ouvidas. Até agora não aconteceu nenhum caso desses, mas não quer dizer que não venha a acontecer ou que não esteja a acontecer, de acordo com o conhecimento que temos.

Esse encontro que costumamos ter, entre os diversos imãs das várias mesquitas, quando há algum encontro convidamos os representantes das diversas mesquitas, por isso se houvesse algo, com certeza que chegaria aos ouvidos da comunidade, como se costuma dizer as fofocas chegam sempre mais depressa. E se isso acontecesse chamaríamos a pessoa e tentávamos explicar isso.

Houve situações, quando surgiu o filme sobre o profeta, e esse filme também foi condenado na nossa comunicação social, um grupo quis fazer uma manifestação pacífica, para tentar dizer que a mensagem do profeta foi misericórdia, foi tolerância, e a direcção, presidida pelo Dr. Vakil, chegou à conclusão que não se ia fazer nada.

Ao fazermos uma manifestação, mesmo que seja pacífica, estamos a chamar a atenção, e aquelas pessoas que não viram vão ver. Por isso resolveu-se o problema.

Mas nós ficamos magoados quando as pessoas fazem algo sobre o profeta. Decidiu-se, então, numa sexta-feira próxima ia-se falar sobre o profeta. Todas as mesquitas falaram sobre a vida do profeta, como é que ele foi. Foi uma forma de nós reagirmos pacificamente ao que nos magoava.

É interessante e nós muçulmanos apercebemo-nos disso, e não muçulmanos também, quem está muito ligado aos assuntos das religiões, quando alguém diz que Deus não existe não há manifestações; Quando alguém diz que Deus não é um, são muitos, não há manifestações; Quando alguém diz que tudo é Deus, não há manifestações; Mas quando alguém diz, escreve ou faz algo sobre o profeta Mohammed, já há manifestações.

Eu costumo dizer, nessas manifestações devemos reagir como o profeta reagiu. Foi magoado, insultaram-no, incomodaram-no, chamaram-lhe nomes. Como é que reagiu? Perdoou, ignorou e foi tolerante. Mesmo numa posição em que ele podia ser vingativo, ele não foi. Este é o exemplo que ainda falta a alguns muçulmanos.

O presidente do Egipto disse recentemente que é preciso fazer-se uma reforma do Islão. O que lhe parece esta frase, e isso seria sequer possível?
Bem, dizer que é preciso fazer uma reforma do Islão é algo muito vasto e muito complexo. Reformas de quê?

Mais importante é educar os muçulmanos, criar condições, seja no Egipto, como mencionou, ou em qualquer parte. Concretamente em países islâmicos, porque estamos a falar do Islão, independentemente, de ser árabe ou não árabe, porque nem todos os países islâmicos são árabes, enfatizar mais a educação, muito mais. O acesso à educação. Para eles e para elas.

E depois, tentar equilibrar o aspecto social. É interessante que um dos pilares básicos do Alcorão é a caridade. Se cada muçulmano contribuísse com a caridade obrigatória pode crer que muita pobreza iria acabar.

Muçulmanos de etnia rohingya,
alvos de perseguição na Birmânia
Tem-se falado muito da perseguição aos cristãos por parte de grupos islâmicos fundamentalistas em vários países. Contudo, os mesmos muçulmanos falam em casos de muçulmanos perseguidos e apontam o exemplo dos rohingya, na Birmânia, dos muçulmanos da Tailândia e na República Centro-Africana, por exemplo, já para não falar da questão palestiniana. É verdade que a comunidade islâmica global se sente ameaçada, injustiçada? Se sim, o facto de se falar tanto da perseguição aos cristãos sem se falar desses casos, pode piorar esse ressentimento?
Há muçulmanos que mencionam e que dão muito ênfase a essa situação e os muçulmanos, infelizmente, estão a ser perseguidos. Infelizmente os cristãos também estão a ser perseguidos, mas não podemos esquecer esta face da moeda, que há muçulmanos em alguns países que estão a ser perseguidos, estão a ser massacrados, maltratados, muçulmanas que estão a ser violadas.

Mas isto não quer dizer que, pelo facto de isso estar a acontecer, nós vamos massacrar, ou torturar outros que são inocentes, que não têm nada a ver.

As pessoas não deviam misturar as coisas, mas a verdade é essa, se de um lado, infelizmente, os cristãos estão a ser perseguidos por muçulmanos, e não deviam, porque o Islão protege as religiões minoritárias, por outro lado não podemos esquecer que há muçulmanos que estão a ser maltratados, a serem perseguidos por serem muçulmanos ou por pertencerem a outra etnia ou por pertencerem a outro povo. Muitas vezes a questão não é sequer religiosa, é étnica, cultural ou nacional. Mesmo que não fossem muçulmanos seriam perseguidos.

Quando falamos na Índia, por exemplo, é um país em que se vive bem, em termos de liberdade religiosa. Mas não em toda a Índia. Há aldeias, para não dizer cidades, em que hindus radicais dificultam a vida aos muçulmanos.

As suas origens vêm da Índia, via Moçambique. Tem casos próximos de si de perseguição?
Não.

O pai era do Iémen, a minha mãe era de Moçambique, mas de origem indiana. As nossas raízes, concretamente dos muçulmanos que estão aqui, ainda são Moçambique e os que vieram para Portugal e nasceram cá, as suas raízes acabam por ser portuguesas. Culturalmente o muçulmano português é português.

Amin Maalouf escreveu um livro, “As identidades assassinas”, aqueles que emigraram, que vivem anos e anos noutros países. Ele dá o exemplo dos franceses. Diz que os franceses não o consideram francês, mas os libaneses não o consideram libanês, por isso ele tem uma identidade assassina.

Isto é interessante num aspecto social, qual é a nossa identidade? Acho que o muçulmano preocupa-se mais com a sua identidade religiosa, sem transgredir a identidade cultural ou de boa cidadania. Por isso é que volto a dizer o que já tinha dito à Renascença, qualquer muçulmano que viva no ocidente e que não se sinta bem, tem solução, vai para onde se sentir melhor, onde se possa adaptar.

Depois, a nova geração é muito globalizada, o acesso à net, ao conhecimento... Hoje não podemos esconder nada, é tudo possível, tudo transparente. Isto tudo afecta, tudo o que se passa num local, de imediato todo o mundo fica a saber e depois é através das redes sociais que, infelizmente, alguns muçulmanos com pouco conhecimento, e um pouco perturbados... Porque esse aspecto também é importante, muitos deles estão perturbados e com pouco conhecimento e com alguma perturbação, facilmente caem nessas teias. Depois tornam-se radicais, tornam-se terroristas, matam pessoas inocentes.

Mas se for um não-muçulmano que mate 150 pessoas inocentes, como aconteceu recentemente [no desastre do avião da Germanwings], ele nunca é considerado terrorista.

Sunitas e xiitas no mundo islâmico
Olhando para o que se passa no Médio Oriente, concorda que a raiz do problema está num conflito entre sunitas e xiitas?
Não.

Não acho que seja um problema entre sunitas e xiitas. O problema entre sunitas e xiitas pode-se resolver, se eles quiserem e se se entenderem. O problema do Médio Oriente, mais concretamente, é o problema entre o Estado de Israel e a Palestina. Se Israel respeitar a Palestina e se a Palestina respeitar Israel, mas respeitar mesmo, então 50% dos problemas serão resolvidos.

Como é que o problema entre Israel e Palestina está a afectar o Iémen, onde vemos uma intervenção de vários países sunitas e o Irão a apoiar os houthis...
Isso é um reflexo daquilo que se vai passando no Médio Oriente. Nem temos de ir ao Iémen, vamos ao Iraque...

Precisamente... Mas como é que esses problemas dependem de Israel?
Estamos a falar do Médio Oriente, geral. Se houver um entendimento [entre Israel e Palestina] então é uma bola de neve. Atenção que não sou político nem sequer quero dar palpites.

Há um problema grave entre sunitas e xiitas, não diria desde o tempo do profeta, mas 50 anos depois, esse problema começa por questões políticas e não religiosas, mas acontece que quando tentamos falar dos sunitas e dos xiitas, nunca imaginaríamos que a maioria da população do Iraque, no tempo do Saddam estava tudo muito calmo... Ninguém se apercebia disso. Agora, os que estavam no poder querem o poder, os que estão não querem deixar o poder. Mas o que acontece é que as coisas estão a alastrar-se um pouco, infelizmente.

Agora, eu não acho que seja prioridade, este problema entre sunitas e xiitas. Pode estar na agenda, mas não como problema prioritário, porque há países onde há um bom entendimento entre os dois grupos, portanto isto não seja prioridade, mas sim, pode estar na agenda para que haja uma boa convivência ou respeito.

Infelizmente as pessoas quando se começam a tornar radicais ou agressivas, deixam de respeitar o outro. Quando é que a pessoa se torna radical? Quando deixa de respeitar o outro como ele é, na sua crença, na sua pessoa, na sua cultura e na sua identidade.

Desde o 11 de Setembro a violência jihadista tem sido uma constante. Parece que de ano para ano a situação piora. O Século XXI vai ser assim?
Esperemos que não. Esperemos que seja tudo passageiro e que acabe de uma forma progressiva, porque isto não ajuda ninguém, nem Boko Harams, nem um Estado que diz ser um Estado mas não tem nada a ver com o Islão.

O facto de uma pessoa usar uma "jalaba", ter uma barba comprida e ter um turbante, não significa que seja muçulmano, não significa que tudo o que faz seja islâmico. Por outro lado, como a população maioritária do nosso país é cristã, católica, se um cristão católica, com a Bíblia na mão, cometer um suicídio colectivo, não é cristianismo. Isto aconteceu no Texas. Não digo que fossem católicos, mas eram de uma seita cristã, que cometeu um suicídio colectivo com pessoas inocentes. Isto não é cristianismo, são pessoas que interpretam...

quarta-feira, 25 de março de 2015

Pizza para o Papa e Padre Condenado

Papa recebe Pizza em andamento
O ex-pároco da Golegã foi condenado hoje de dois crimes de abuso de menores. Apanhou 14 meses, mas de pena suspensa. É o mais recente caso envolvendo abusos na Igreja Portuguesa, recordo aos interessados que vou mantendo uma cronologia destes casos no blogue.

Por falar em casos de abusos, o Papa aceitou a renúncia do antigo Arcebispo de Edimburgo a todas as honras e privilégios do cargo de cardeal. Não é a primeira vez que um cardeal deixa de o ser, mas ainda assim é uma coisa muito rara.

Hoje o Papa Francisco voltou a criticar o desemprego, mas também recordou a publicação do Evangelium Vitae, por parte de João Paulo II, neste que é o dia Internacional do Nascituro.

Recentemente o Papa disse que às vezes só lhe apetecia ir comer uma pizza. Não é fácil, mas na sua visita a Nápoles um cozinheiro decidiu levar a pizza até ele.

O Boko Haram é suspeito de ter raptado mais meio milhar de pessoas na Nigéria, enquanto a Turquia afirma que já impediu 2,550 de se juntar ao Estado Islâmico.

Será que a fé é incompatível com o bem-estar material? Essa é a questão a que responde David G. Bonagura no artigo desta semana do The Catholic Thing em português.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Terror na Tunísia e o direito a nascer

Clicar para aumentar
Novo ataque terrorista, desta feita na Tunísia. Tendo em conta o que poderia ter acontecido, o rol de 21 mortos não é o pior cenário… Nada que surpreenda quem sabe que na Tunísia, a par de muitos turistas, há muito radicalismo.

Partiu hoje para o Líbano e para o Iraque uma delegação da fundação Ajuda à Igreja que Sofre, para averiguar no terreno das condições dos refugiados da guerra na Síria e no Iraque. A presidente da AIS Portugal acompanha o grupo.

De vez em quando ouvem-se pessoas a queixar-se de que o Papa não fala o suficiente sobre questões como o aborto, mas a verdade é que Francisco já se referiu várias vezes ao tema e voltou a fazê-lo hoje, lamentando que a sociedade trate mal as crianças, privando-as até do direito a nascer.

Por falar em direito a nascer, há uma sessão de esclarecimento sobre a iniciativa legislativa de cidadãos que visa restringir a lei do aborto. É amanhã, em Sete Rios, para quem quiser saber mais.

Francisco escreveu ontem uma carta aos nigerianos, solidarizando-se com as vítimas do terrorismo do Boko Haram.

E esta quarta-feira publicamos mais um artigo do The Catholic Thing em português. O filósofo Daniel McInerny explica porque é que não se pode justificar o casamento homossexual com base no direito natural. O direito natural às vezes parece estar “fora de moda”, mas é um conceito crucial para o Cristianismo, e não só, diria mesmo para uma noção da dignidade humana.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sinjar libertada e concerto de Natal

Ontem fiz uma referência à notícia da reaproximação entre EUA e Cuba. Trata-se de um momento histórico, que poderá bem tornar-se a grande referência da presidência de Barack Obama. O Vaticano desempenhou um papel significativo, como referi de passagem ontem, mas que Aura Miguel explica melhor aqui.

Os islamitas voltaram a fazer o que fazem melhor: aterrorizar mulheres e crianças. Desta vez foi na Nigéria, onde mais de cem foram raptados depois de 30 homens terem sido assassinados. Depois, pelos vistos, os mauzões do Boko Haram foram até aos Camarões atacar soldados a sério e aí… a coisa não correu assim tão bem.

Do Iraque chega uma boa notícia. Os soldados curdos terão conseguido reconquistar centenas de quilómetros quadrados ao Estado Islâmico, quebrando também o cerco ao monte Sinjar, onde ainda se encontram centenas, se não milhares, de yazidis.

Este fim-de-semana há música em Lisboa! Os jovens dos movimentos católicos juntaram-se mais uma vez para organizar um concerto de Natal. Custa cerca de 4 euros a entrada e todo o dinheiro vai para caridade. Se puderem, não percam mesmo!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mortes absurdas e indignas

Campanha pró-vida no Dakota do Norte
Foi divulgado hoje o relatório sobre liberdade religiosa da fundação Ajuda à Igreja que Sofre. Há muito a saber mas, basicamente, a situação está bem pior do que há dois anos, quando saiu o último relatório.

E está pior em grande parte por causa da maltinha do Estado Islâmico, pelo que vale a pena ler a reportagem da Reuters sobre a vida sob o jugo dos islamitas, no Iraque.

Por trágica coincidência, no dia em que o relatório saiu, um casal cristão foi barbaramente assassinado no Paquistão. Tinham 24 e 26 anos. Deus os guarde.

E lembra-se daquela boa notícia que demos há semanas sobre o acordo entre o Boko Haram e o Governo da Nigéria, que previa a libertação das 200 raparigas que foram raptadas pelo grupo fundamentalista? Pois, esqueçam. Foram todas convertidas e casadas à força, informa o grupo.

A Igreja não julga Brittany Maynard, que pôs fim à própria vida no dia 1 de Novembro, mas condena o acto. É mais um capítulo na luta sobre a eutanásia, desta feita nos EUA.

Os EUA vão a votos hoje, mas há mais do que política partidária em cima da mesa. Aborto, álcool, drogas e armas são temas que estão a captar a atenção. Que tenha dado conta não há nenhuma medida sobre Rock and Roll.

Quem vive em Lisboa pode votar no orçamento participativo pela defesa do património da Igreja de São Cristóvão, em Lisboa. Saiba como.

E o bispo das Forças Armadas, D. Manuel Linda, explica que a Igreja portuguesa está apostada numa nova evangelização, mas que esta não se faz por decreto.

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