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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Apenas Huma entre muitas

O Papa Francisco mandou uma mensagem para o Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, em que alerta para os perigos de não se colocar o homem no centro das políticas económicas. Vale a pena ler.

Esperança no Paquistão, onde pela primeira vez parece que um tribunal está de facto a fazer alguma coisa num caso de uma rapariga cristã raptada e forçada a converter-se ao Islão. Leiam e vejam o apelo dos seus pais. Rezem, pelo menos, pela Huma Younus.

O Papa Francisco reforçou a condenação ao antissemitismo nos 75 anos da libertação de Auschwitz. Este é um fenómeno que está de regresso e não é só entre a extrema-direita e a esquerda progressista. São cada vez mais católicos a abraçar teorias destas e não pode acontecer, como explicou Francis X. Maier no artigo de há umas semanas do The Catholic Thing.

Quem me segue há mais anos sabe que tenho opiniões fortes sobre a presença de crianças nos funerais a forma como lhes falamos da morte. Hoje ouvi um podcast que alertava para não levar as crianças aos enterros. É uma opinião que considero lamentável e por isso respondi aqui.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Escreves tu ou escrevo eu?

Mártires de Marrocos
O que nos vale é que a Igreja Católica nunca se cansa de polémicas! A última tem a ver com um livro alegadamente escrito a meias entre o cardeal Sarah e o Papa emérito Bento XVI. Primeiro causou algum desconforto, depois veio-se a perceber que afinal Bento XVI não queria o seu nome associado à obra e agora temos a editora americana a insistir que não retira o nome do antigo Papa da capa do livro.

A minha opinião sobre isto? É triste, feio e absolutamente evitável. Isso e mais algumas coisas no meu artigo sobre o assunto, no blogue, em que revelo também um detalhe que tem passado despercebido no meio da novela toda.

Num assunto actual, mas que não tem uma vertente religiosa direta, escrevi também umas curtas notas sobre o aproveitamento político que se está a fazer, tristemente, a propósito da morte do jovem cabo-verdiano Giovani, em Bragança. Morte essa que foi lamentada pelo bispo de Bragança, D. José Cordeiro.

Fiquem também a saber que a Igreja Portuguesa vai transformar as directrizes para a proteção dos menores em normas.

Continua o calvário dos cristãos na Nigéria, agora foram raptados quatro seminaristas.

E termino com a chamada de atenção para o jubileu que se vive em Coimbra desde ontem, alusivo aos 800 anos dos mártires de Marrocos. Conheça a influência que tiveram sobre Santo António.

Uma trapalhada triste, feia e a roçar o absurdo

Recebi alguns pedidos para comentar esta polémica sobre o livro do Cardeal Sarah sobre o celibato. A primeira coisa que me vem à cabeça é dizer que tudo isto é uma grande trapalhada e tudo é muito triste e feio. Era evitável e começa a ganhar contornos absurdos, com as notícias mais recentes de que apesar do pedido expresso feito por Bento XVI, através do seu secretário pessoal, e reiterados pelo cardeal Sarah, a editora em língua inglesa recusou e vai mesmo atribuir o livro aos dois.

Há aqui algo que está mal contado. O Cardeal Sarah insiste que recebeu luz verde do Papa emérito para avançar com a obra, que estava sempre entendido que seria um livro assinado pelos dois, incluindo a introdução e a conclusão, e que Bento XVI viu e aprovou a capa. O arcebispo Ganswein rejeita essa versão dos factos e, embora diga que não põe em causa a boa fé de Sarah, esclarece que o Papa não quer o seu nome associado à obra enquanto autor, que não autorizou a capa e que não ajudou a escrever a introdução e a conclusão.

Mas há aqui um detalhe que está a passar despercebido… A que capa é que o cardeal Sarah se refere? Que capa é que Bento XVI viu (se é que viu alguma) e aprovou? É que o livro sai amanhã em duas versões diferentes: a francesa, original e a tradução inglesa. A versão francesa tem apenas o nome dos dois na capa e o título e a editora já disse que vai deixar claro que Bento XVI contribuiu para a obra, e não que é coautor.

Já a edição da Ignatius Press, que insiste em manter a coautoria, tem um subtítulo que diz: “Sacerdócio, celibato e a crise da Igreja Católica”. É o mesmo livro, mas estas capas são muito diferentes. A versão inglesa dá a entender que existe uma crise na Igreja de que Francisco é Papa e deixa subentendido que Bento XVI está a tomar um partido nessa crise. Julgo que terá sido daí que veio grande parte do desconforto.

Mas é possível ir mais atrás, à decisão do próprio cardeal Sarah de escrever este livro e publicá-lo precisamente numa altura em que o Papa Francisco se prepara para publicar uma exortação pós-sinodal sobre a Amazónia e em que a questão da ordenação sacerdotal de homens casados está em cima da mesa.

Não saberia o cardeal Sarah que a publicação deste livro seria incómoda para a igreja e para o Papa Francisco? Claro que sabia. E a prova de que sabia é que no comunicado que publicou hoje, defendendo a sua versão dos factos, diz mesmo que convidou Bento XVI a participar na obra nos seguintes termos. “Imagino que pense que as suas reflexões poderiam não ser oportunas por causa das polémicas que causarão na imprensa”.

Ou seja, ele sabia já de antemão que a publicação deste livro, nesta altura, causaria polémica, ainda mais se viesse com o nome de Bento XVI. Então porque é que avançou com o projecto? Porque é que insistiu em colocar Francisco e Bento XVI nesta posição?

Poderão dizer que o fez porque sentia que não tinha outra hipótese que não falar. Tudo bem, mas então que deixe de insistir em dizer que a sua obediência filial ao Papa Francisco é absoluta, como teima em fazer. Não se mostra obediência filial absoluta colocando a pessoa em questão numa situação embaraçosa e pondo em causa a decisão que está prestes a tomar, seja ela qual for.

Já pensaram? Imagine-se que Francisco estava a preparar-se para rejeitar a ideia de ordenar homens casados ao sacerdócio na Amazónia? Como é que o pode fazer agora sem parecer que está a ceder a pressões?

Eu não tenho a menor dúvida de que o cardeal Sarah é um homem bom e espiritualmente profundo, os seus escritos assim o indicam. Mas começo a ter grandes dúvidas sobre o seu bom-senso. É aflitivo como se tem deixado manipular, no passado, por fações que lutam contra o magistério do Papa Francisco e é aflitiva a ingenuidade com que se comportou neste caso, com a agravante de envolver na polémica o grande Papa Bento XVI.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Silêncio que clarifica e orações que sustentam

Canelas 2015, ou Canelas 2010?
O Papa pede aos católicos que rezem pela paz e pela convivência e diálogo inter-religioso no Médio Oriente. É a sua intenção para novembro.

Lembram-se da guerra que foi a substituição do pároco de Canelas há uns anos? Dois dos paroquianos foram agora condenados por difamar o vigário-geral e tiveram de pedir desculpa.

Leia aqui a entrevista ao padre Pablo D’Ors, membro do Conselho Pontifício da Cultura, que diz que “o silêncio nos dá clareza”.

Se é como eu haverá alturas em que se sente assoberbado pela avalanche de propostas, leis e medidas anti-humanas que nos esmagam. O artigo desta quarta-feira do The Catholic Thing em português é para si! Elizabeth Mitchell escreve sobre a fé e o amor da 12ª hora, precisamente aquela hora em que parece que não há esperança, que é tarde de mais.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Brexit e o regresso dos "Troubles"

O Papa Francisco homenageou todos os cristãos que se vêem forçados a esconder-se para celebrar a Eucaristia, recordando o tempo das catacumbas.


A pastoral juvenil lançou em audiobook a exortação apostólica “Cristo Vive”.

Estaremos perante o regresso da violência entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte? Todos esperamos que não, mas o Brexit pode servir de agravante às tensões que ainda existem.

Não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing, sobre o aumento da intolerância religiosa na América Latina, que contém dados preocupantes. Eu volto amanhã, se Deus quiser!

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Síria num explicador e livro Rumo ao Jamor

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Tragicamente, a invasão da Síria por parte da Turquia já começou. Está confuso com tudo o que se passa naquela parte do mundo? Não se preocupe, temos um explicador.

O Papa Francisco aceitou esta quinta-feira a resignação de um bispo americano acusado de abusos.

O processo de canonização do Padre Cruz conheceu recentemente um “novo fôlego”, saiba mais aqui.


Trabalha em saúde, ou conhece quem o faça? Então leia e partilhe este artigo sobre como até o mais pequeno gesto pode fazer a diferença na vida de quem está a passar por um momento de aflição e de doença. Mais um artigo do grande Randall Smith, do The Catholic Thing.

Deixo-vos por fim, com um convite. É para o lançamento do meu mais recente livro. O tema não é religioso, mas se gostam mesmo de futebol, e não das polémicas estéreis que andam à volta do desporto, gostaria muito de vos ver por lá!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Valorizar a Bíblia e clarificar a campanha

(Clicar para aumentar)
O Papa Francisco instituiu um dia especial para valorizar a Bíblia. Em 2020 calha a 26 de janeiro. Podem-se ir preparando.

A dias das eleições, o arcebispo de Évora acha lindamente que o Alentejo seja um destino de descanso para muitos, mas diz que os que de lá são gostariam também que fosse um sítio onde houvesse emprego.

Ainda neste tema os Juristas Católicos publicaram uma nota em que pedem clareza na campanha eleitoral e os Jesuítas publicam uma série de respostas dos partidos às suas questões, sobre temas marcantes destas eleições.

Dentro de dias começa o Sínodo da Amazónia, uma oportunidade para encontrar “novos ministérios” e até “uma nova maneira de ser sacerdote”, diz o padre Joaquim Fonseca, que conhece bem a realidade.

Deixo-vos ainda com este desafio para um curso de namorados. A informação vai em anexo, as inscrições devem ser feitas aqui.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Papa aponta o exemplo dos mártires

Ontem, já eu tinha enviado o mail diário, surgiu este comunicado do bispo do Porto a destruir o Governo, partidos, políticos e activistas sociais, incluindo feministas, por ninguém ter achado necessário condenar o terrível assassinato da freira Maria Antónia, em São João da Madeira. Vale mesmo a pena ler. Sem papas na língua.

O Vaticano pede julgamento de dois padres num caso de abusos sexuais que remonta a 2012.

Hoje o Papa Francisco recordou o dia do doente com Alzheimer e falou do exemplo dos mártires, que todos os católicos devem estar preparados para seguir.

Farto de polémicas e guerrinhas na Igreja? Então tire cinco minutos do seu dia para ler este artigo do The Catholic Thing e veras imagens. Brad Miner fala de uma exposição em Nova Iorque que abre uma janela para a vida de uma comunidade judaica na Europa medieval.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Entre o cisma e São Tomé

Enquanto uns cismam, ela vai ajudar os outros
Caminhamos para um cisma na Igreja Católica? Há quem acredite nessa ameaça. A questão esteve em debate na Renascença esta tarde. Veja e ouça aqui.

O Cardeal Pell, condenado em duas instâncias por abuso de menores num processo muito polémico, recorreu ao Supremo Tribunal da Austrália.

Conheça a Mariana Costa, mais uma aventureira que parte em missão com os Leigos para o Desenvolvimento.

Mal chegou de África e o Papa Francisco já está a preparar nova viagem, desta vez para o Japão e Tailândia.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Caminhando com D. Francisco, rezando por Antónia Guerra

RIP Antónia Guerra
O Papa Francisco apelou esta quinta-feira a um “pacto educativo” e convocou um encontro para Roma em 2020 com esse objetivo, aberto a todos os que estão envolvidos nesta área.

O Papa reza pelo diálogo e insiste que “o caminho do cisma não é cristão”.

Surgiu esta semana uma notícia trágica sobre a morte de uma freira, brutalmente assassinada em condições terríveis. A Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal condenou o assassinato.


Conheça aqui o livro “Caminhando com D. António Francisco dos Santos”, do meu querido amigo Bernardo Corrêa d’Almeida. Por falar no saudoso bispo, o prémio com o seu nome foi entregue à APAV.

Estamos em tempo de campanha e, se repararem, nenhum dos partidos parece muito interessado em falar de eutanásia, um assunto que depois de anunciados os resultados será certamente apresentado como “fundamental” e “civilizacional” pelos do costume. Nada como ir vendo como é que a lei funciona na prática, nos países onde é legal,como faz este artigo do The Catholic Thing. Leiam e partilhem.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Norwegian Blues

O Papa está de regresso a Roma, depois de uma viagem a África que demonstrou, segundo Aura Miguel, a “genuína alegria dos africanos”, bem como a sua generosidade.


Agora as atenções começam a centrar-se no Sínodo da Amazónia? Vêm aí padres casados? Seja como for a decisão terá de ser tomada “em unidade”, diz um bispo da região.

Os bispos portugueses apelam à “participação ativa” nas eleições de Outubro.

Duas notícias que não sendo estritamente religiosas, estão ligadas. A Noruega foi condenada por desrespeitar os direitos humanos de uma mulher a quem foi retirado o bebé recém-nascido, mais um caso preocupante num país onde os direitos parentais parecem estar fragilizados… E uma notícia muito triste do Irão, onde uma adepta de futebol foi detida por tentar entrar no estádio para ver a sua equipa. Enfrentando uma pena de até seis meses de prisão, imolou-se pelo fogo à porta do tribunal e morreu ontem.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Crise? Qual crise?

O Papa Francisco termina hoje, de facto, a sua viagem a África, embora só regresse a Roma amanhã. Esta segunda-feira foi passada nas Ilhas Maurícias, onde pediu aos habitantes que sejam fiéis ao seu ADN e acolham os migrantes.

Antes, na homilia da missa que celebrou com 100 mil pessoas, disse que a crise de santidade é mais grave que qualquer crise de vocações.

O fim-de-semana foi dedicado ao Madagáscar, onde Francisco agradeceu à persistência do clero mas advertiu também que “a pobreza não é uma fatalidade”. Criticou ainda a “cultura de parentesco” que dá aso à corrupção. Tudo isto num país que tem um bispo português.

Antes, na sexta-feira, despediu-se de Moçambique, avisando que “Nenhum país tem futuro se o que o une é a vingança e o ódio”.

Fiquem ainda a conhecer o projecto LabOratório.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O Papa falou do Rei, e o Povo gostou


Francisco começou o dia com uma visita ao Palácio Presidencial, onde discursou juntamente com Filipe Nyusi e elogiou os moçambicanos por não terem deixado que o ódio tivesse a última palavra.

Depois o Papa foi ter com os jovens e, após uma recepção muito animada, recebeu aplausos estrondosos quando falou no… Eusébio da Silva Ferreira.

De ontem, durante a viagem para África, fica a notícia da boca do Papa aos seus críticos, sobretudo os que vêm da América do Norte. As suas críticas são “uma honra” para ele.

Morreu o cardeal Roger Etchegaray, o homem de confiança do Papa João Paulo II que viajou para o Iraque para tentar, em vão, impedir a invasão americana em 2003.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Rezem pela Polónia

Stephen P. White
O drama que abalou a Igreja dos Estados Unidos ao longo do último ano pode distrair-nos da dimensão global da crise de abusos sexuais praticados pelo clero, e das más práticas episcopais a ela associados. Aqui na Polónia, onde me encontro desde finais de Junho, a Igreja está a enfrentar o seu próprio escândalo de abusos.

Um relatório publicado em Março pela Conferência Episcopal da Polónia reconheceu que desde 1990 um total de 382 padres foram acusados de abusos sexuais de menores. Estas alegações foram feitas por 625 vítimas diferentes.

A maioria das vítimas na Polónia tinha mais de 15 anos, o que é bastante mais do que nos Estados Unidos. A maioria das vítimas, 58,4%, são do sexo masculino, segundo os bispos polacos. Note-se que a idade de consentimento na altura em que o relatório foi publicado era de 15 anos e a maioridade atinge-se aos 18.

A forma como se lidou com os casos tem sido, em certas alturas, e de forma tragicamente familiar, gravemente desadequada. Mudança de padres para outros lugares, culpabilização dos media e por aí fora. De certa forma, a Igreja aqui está no mesmo lugar em que estava a americana há 25 anos.

A resposta dos bispos polacos variou entre o cuidado, sincero e o mais insensível. O arcebispo Wojciech Polack de Gniezno, Primaz da Polónia, insistiu que cada caso de abusos deveria “evocar em nós dor, vergonha e culpa”. Já o bispo de Cracóvia, Marek Jędraszewski, atrapalhou-se todo ao insistir que “tolerância zero” não deve significar “misericórdia zero”. Para o ilustrar escolheu talvez a pior analogia possível: “Quando os nazis adoptaram uma política de tolerância zero para com os judeus, o resultado foi o Holocausto”. Como devem calcular, a comparação não caiu particularmente bem.

Em maio dois irmãos – Tomasz (guionista e diretor) e Marek Sekielski (produtor) – lançaram um documentário chamado “Não Digas a Ninguém”. O filme conta as histórias de sobreviventes de abusos e a resposta inadequada dos bispos polacos. Inclui cenas arrepiantes de sobreviventes a confrontar os seus abusadores.

O relatório dos bispos, lançado em Março, foi uma notícia importante, mas o lançamento de “Não Digas a Ninguém” abalou o país inteiro. O filme foi lançado no YouTube, onde foi visto mais de um milhão de vezes só nas primeiras seis horas. Até à data foi visto mais de 22,5 milhões de vezes, um número incrível tendo em conta que a população total da Polónia é de pouco mais de 38 milhões.

Sendo a Polónia, todo este drama – e o assunto dos abusos sexuais praticados pelo clero em geral – assumiu rapidamente contornos políticos. “Não Digas a Ninguém” foi lançado duas semanas antes das eleições para o Parlamento Europeu.

O partido conservador Direito e Justiça, no poder, tinha ligações próximas com muitos dos bispos polacos. Alguns membros da oposição tomaram nota da revolta provocada pelo filme e tentaram usar os abusos sexuais como tema de campanha. Mas a oposição deu um passo maior que as pernas (incluindo a promoção agressiva da agenda LGBT) e saiu-lhes o tiro pela culatra.

"Não Digas a Ninguém"
Juntou-se a todo este desassossego os comentários feitos pelo Papa Francisco na conversa com os jornalistas a bordo do avião depois da sua visita a Abu Dhabi, em Fevereiro. O Santo Padre estava a defender o registo do então Cardeal Ratzinger e a forma como tinha lidado com alegações de abusos sexuais, nomeadamente em relação ao fundador dos Legionários de Cristo, o padre Maciel. Ao defender Ratzinger Francisco pareceu dar a entender – pelo menos assim o compreenderam vários polacos – que os esforços de Bento XVI tinham sido travados por João Paulo II.

O secretário de longa data de João Paulo II, o arcebispo emérito de Cracóvia, Cardeal Stanisław Dziwisz, saiu em defesa de João Paulo, insistindo que as insinuações baseadas nos comentários ambíguos de Francisco eram injustas. Quando, mais tarde, Francisco elogiou o trabalho feito pelo Papa João Paulo II na luta contra o abuso – chamando-o “corajoso” e dizendo que “ninguém pode duvidar da santidade e da boa-vontade deste homem” –Dziwisz publicou uma carta aberta agradecendo ao Papa Francisco por “pôr fim às tentativas de difamar São João Paulo II”.

Em Junho o arcebispo Charles Scicluna, o homem de mão do Papa Francisco para resolver crises de abusos sexuais, encontrou-se com os bispos polacos. A imprensa polaca especulava que vinha aí uma onda de resignações. Consta que Scicluna foi duro, mas por agora o episcopado polaco permanece intacto.

Contudo, Scicluna aproveitou o momento para sublinhar a defesa do Papa João Paulo II feita por Dziwisz: “Eu sou testemunha da determinação de São João Paulo II em combater os abusos sexuais de menores quando confrontado com os casos. Penso que aqueles que questionam a competência ou a determinação de São João Paulo II em lidar com este fenómeno devem rever os seus conhecimentos históricos.”

Muitos dos polacos com quem eu falei disseram-me que a ideia que reina é que as más notícias nesta questão ainda não acabaram. Os últimos meses têm sido uma montanha russa. As coisas poderão acalmar, sobretudo se os bispos polacos conseguirem evitar tornar os seus erros ainda piores, com alguns dos bispos americanos fizeram. Mas o sentimento geral que obtive de amigos polacos – devotos ou não – é que o pior ainda está para vir.

É difícil prever como é que a Polónia lidará com isso. O país continua a ser profunda e extraordinariamente católico, mas o catolicismo polaco mantém-se em larga medida na defensiva. As alianças entre a Igreja e políticos populistas, por mais devotos que sejam, podem adquirir estabilidade a curto prazo mas com um altíssimo custo a longo prazo. Como aprendemos da pior maneira aqui nos Estados Unidos, o instinto eclesial de defender a instituição, por mais piedoso que seja, pode conduzir a actos que têm o efeito precisamente contrário.

No meu entender a Igreja polaca está muito mais próxima do princípio do que do fim de toda esta trapalhada. A forma como os bispos polacos lidarem com a crise dos abusos ao longo dos próximos meses e anos contribuirá em larga medida para garantir o futuro de um dos exemplos mais belos de verdadeira cultura católica. Esse futuro está agora mais frágil do que muitos gostariam de admitir.

Rezem pela Polónia.


Stephen P. White é investigador em Estudos Católicos no Centro de Ética e de Política Pública em Washington.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Quinta-feira, 18 de Julho de 2019)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing


segunda-feira, 22 de julho de 2019

Umas cartas são mais cilindrosas que outras

O homem chegou à Lua! Não é propriamente notícia de última hora, mas se nunca viu o Papa Paulo VI a saudar “os conquistadores da Lua” nem sabia que o Papa Francisco evocou a efeméride, então já aprendeu alguma coisa hoje!

O bispo de Pemba, em Moçambique, escreveu uma carta aberta a cilindrar as autoridades pela forma como têm estado a lidar com os alegados ataques jihadistas em Cabo Delgado. Vale a pena ler.

E o Papa Francisco escreveu uma carta menos “cilíndrica” ao Presidente da Síria, a pedir mais esforço para a reconciliação nacional.


E para quem tem dificuldades em ser Bom Samaritano no seu dia-a-dia, a leitura deste artigo do The Catholic Thing do mês passado é indispensável. Aproveitem!

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Música portuguesa para o Papa

No sábado vão ser beatificadas 14 monjas concepcionistas, mártires da Guerra Civil de Espanha. Conheça as suas histórias aqui.

O Papa Francisco recebeu esta quarta-feira dois presentes para ouvir em português. Trata-se de uma “missa de Santo António” do maestro Vitorino d’Almeida e do disco “Encontro(s)”, de Luís Zagalo

Lembram-se do Suíço que foi multado por combater o Estado Islâmico? Publiquei agora a transcrição integral da entrevista que lhe fiz, que podem ler aqui.

Os defensores da ideologia do género invocam frequentemente o argumento da liberdade individual. No artigo desta semana do The Catholic Thing, Robert Royal explica porque é que esse conceito é, na verdade, o exacto oposto de verdadeira liberdade. É um assunto urgente, não deixem de ler!

quinta-feira, 6 de junho de 2019

De Pothoven a Putin

Está muita gente a falar do caso de Noa Pothoven, uma menina de 17 anos que escolheu deixar de comer e de beber até morrer, com a conivência dos pais. É um caso muito triste, analisado aqui pela especialista em bioética Ana Sofia Carvalho.

Outro caso triste é o dos Estados Unidos, de onde surgiram mais dados sobre o bispo Bransfield, que resignou em setembro do ano passado. Para além de abusos e assédio sexual, é acusado de ter feito donativos no valor de 300 mil euros a vários bispos influentes, para promover a sua própria carreira.

Soube-se agora também de casos de abusos na comunidade Taizé.

O Papa Francisco vai receber no dia 4 de julho o Presidente Vladimir Putin. Será um prenúncio de uma tão desejada visita a Moscovo?


Há muito que estou convencido que se aprendêssemos a lidar melhor com a morte, acabaríamos a tratar melhor dos vivos. Randall Smith, no artigo desta semana do The Catholic Thing em português, vai ao cerne da questão e explica porque é essencial que a Igreja volte a conquistar o seu lugar de destaque em relação à morte e cerimónias fúnebres.

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