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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Casais aproximam-se de Fátima, SSPX afastam-se Roma

O Papa Francisco escreveu pessoalmente ao Patriarca de Lisboa para agradecer a sua nota a propósito da aplicação do Amoris Laetitia, no que diz respeito ao acesso aos sacramentos por parte de casais em situação irregular. Tanto quanto sei é apenas a segunda vez que o Papa tem um gesto destes.

Começa já na próxima segunda-feira o encontro internacional das Equipas de Nossa Senhora, em Fátima. Esperam-se cerca de 10 mil pessoas. Saiba tudo aqui.

Faz este ano 60 anos que D. António Ferreira Gomes fez frente a Salazar, acabando por ser exilado. O Cónego Arnaldo de Pinho considera que o bispo teve razão no seu tempo. Uma entrevista a ler.

E a Sociedade de São Pio X dá mais um passo para longe de Roma, com a escolha surpreendente de um novo superior geral da ala dura, que se opõe às negociações com a Santa Sé.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Papa tira do tesouro coisas antigas e coisas novas

A saga da procura da reconciliação entre Roma e a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (vulgos lefebvrianos) continua. O Vaticano deu mais um passo, tomando medidas para que os casamentos celebrados no contexto da Fraternidade sejam considerados lícitos.

Neste mesmo dia o Papa sublinhou a importância do documento Populorum Progressio, de Paulo VI, um marco no campo da justiça social e do desenvolvimento.


António Costa esteve na Renascença esta terça-feira para ser entrevistado. Sobre a eutanásia diz que não sabe como votaria se fosse deputado. Da minha parte insurgi-me em artigo de opinião no blogue contra frases do género “é preciso um debate sério e sereno” ou “ainda não é tempo de discutir isto, há questões económicas mais importantes”, etc. Leiam e discutam.

Um convite, antes que se metam as férias da Páscoa, Thereza Ameal vai apresentar o seu livro “Querido Deus” no dia 19 de Abril às 17h30, na Obra Social Paulo VI, no Campo Grande. Apareçam e divulguem, que a autora certamente agradece!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Actualidade Religiosa: Francisco e SSPX? FIAT voluntas tua!

Poderá haver uma solução à vista para a integração dos tradicionalistas da Sociedade de São Pio X (vulgo Lefèbvrianos)? Não há ainda informação concreta, mas os sinais são, surpreendentemente, promissores.

O Fiat 500 em que o Papa Francisco viajou quando visitou Nova Iorque (ver imagem) foi vendido em leilão por mais de 400 mil euros. O dinheiro vai para instituições sociais.

Há muitas formas de fazer obras de misericórdia, mas poucas são tão desinteressadas e discretas como a de sepultar os mortos que não têm mais ninguém. É um trabalho que merece a minha mais profunda admiração e que podem conhecer melhor aqui.

Interessante notícia da Síria, onde os alauitas – a minoria islâmica que inclui a família de Assad – publicaram um raro manifesto em que se distanciam do regime, algo muito significativo tendo em conta a realidade daquela região.

Alerta para todos os interessados! O próximo encontro da Conferência Nacional de Apostolado dos Leigos já tem data, 7 de Maio; local, Évora; tema, “Nada nos é indiferente entre a Terra e o Céu” e programa, aqui. Marquem já na agenda.

terça-feira, 17 de março de 2015

Atentado no Paquistão e "O Williamson ordena amigos"

"Negando o holocausto num dia, ordenando os amigos no seguinte"
A vida difícil de um bispo ultra-tradicionalista
Domingo foi mais um mau dia para os cristãos perseguidos. Morreram 14 pessoas no Paquistão, num duplo atentado que o Papa lamentou e pela qual a Igreja local culpa em parte o Governo.

Já esta segunda-feira surgiu o relato na primeira pessoa de um espanhol que foi refém do Estado Islâmico durante vários meses, isto no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia disseram-se dispostos a recorrer a todos os meios para travar o grupo. O Vaticano também já disse que aceita o uso da força para travar o Estado Islâmico.

Outra história terrível, mas da Índia, onde uma freira de 71 anos foi violada no decorrer de um assalto.

Há muito tempo que não ouvíamos falar dele, mas parece que o bispo que se mostrou demasiado tradicionalista até para os lefebvrianos da SSPX, vai ordenar pelo menos mais um bispo entre os seus seguidores. Ao fazê-lo entrará para a história como uma das poucas pessoas a ser excomungada duas vezes…

E terminemos com uma coisa mais alegre. Durante a Quaresma a Renascença tem feito reportagem com pessoas que ajuda outras. Desta vez damos a conhecer o trabalho dos ministros extraordinários da comunhão que levam Jesus aos doentes e acamados.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Arcebispo preso, Papa na Albânia, Guerra ao Estado Islâmico

Criança espera Papa na Albânia
O que se está a passar no Vaticano nestes dias é da maior importância. Um arcebispo, ex-núncio, foi detido e vai ser julgado por abusos sexuais de menores enquanto estava ao serviço da Santa Sé, na República Dominicana. Um caso a seguir com atenção e que ainda dará muito que falar…

Mas o que tem dado mesmo muito que falar nas últimas semanas são as situações de terrorismo e o combate ao Estado Islâmico, na Síria e no Iraque. Os EUA, juntamente com aliados árabes, já começaram a atacar em força e o Estado Islâmico responde com mais propaganda, com avanços no Curdistão Sírio e com ameaças a mais um refém, neste caso francês.

Isto numa altura em que se soube que a fundação Ajuda á Igreja que Sofre foi nomeada para o prémio Sakharov, por parte da União Europeia, precisamente pelo trabalho feito para apoiar as vítimas do Estado Islâmico e também dias depois de o site da Comunidade Islâmica de Lisboa ter sido atacado, tendo sido colocada uma mensagem de apoio á Jihad.

Mais do que nunca existe tensão entre o mundo cristão e o mundo muçulmano e foi por isso mesmo que Francisco decidiu viajar para a Albânia no sábado, onde passou um só dia, mas um dia muito cheio!

O Papa disse sem meias-palavras que matar em nome de Deus é um sacrilégio e recordou os albaneses que nem todas as ditaduras são políticas. Pelo meio ainda chorou ao ouvir o testemunho de um padre albanês que foi torturado pelo antigo regime comunista.

Tempo ainda para dizer que prossegue, apesar de tudo, o diálogo entre o Vaticano e os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X, conhecidos como Lefebvrianos, continua.

E por fim, não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, onde se pergunta o que é que Jesus faria em relação ao Estado Islâmico. A autora não sabe, mas calcula que qualquer acção terminaria com uma segunda crucificação.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Um Quarto de Século de Cisma

Austin Ruse
Mais um vez, bispos cismáticos fizeram um ultimato à Igreja Católica. Reneguem os vossos ensinamentos, ou nunca mais voltamos.

A recente declaração dos três bispos restantes dos tradicionalistas da Sociedade Sacedotal de São Pio X afasta ainda mais qualquer esperança de que a Igreja se reconcilie com algum deles nos próximos tempos. Reparem que digo a Igreja reconciliar-se com eles, e não eles reconciliarem-se com a Igreja, porque para eles a reconciliação é toda de sentido único.

Numa declaração emitida no 25º aniversário do seu cisma, os três bispos insistem que o problema não tem nada a ver com a interpretação dos documentos do Concílio Vaticano II, mas com os documentos em si. Consideram que estes são perfeitamente claros e e perfeitamente heréticos.

Um dos trabalhos mais importantes dos últimos dois pontificados foi precisamente o esforço de determinar a interpretação correcta do Concílio, contra os mais loucos, e a colocação dos documentos na perspectiva da tradição da Igreja. Bento XVI insistiu que o Concílio devia ser lido através daquilo a que chamou uma “hermenêutica da continuidade”.

A SSPX entende o Concílio através de uma “hermenêutica da ruptura”. Eles dizem que o Concílio marcou o início de um “novo tipo de Magistério, até então desconhecido na Igreja, sem raizes na Tradição”. Aponta baterias, como fez sempre desde o início da sua revolta em 1988, à “liberdade religiosa, ecumenismo, colegialidade e a Nova Missa”.

A SSPX insiste que a liberdade religiosa equivale a insistir que Deus renuncie ao Seu reino sobre o homem e que isso equivale à “dissolução de Cristo”.

O Ecumenismo e o diálogo inter-religioso levaram a um ponto em que “uma grande parte do clero e dos fiéis já não vê em Nosso Senhor e na Igreja Católica o único caminho da Salvação”.

A SSPX também odeia aquilo a que chama a “Nova Missa”, que “diminui a afirmação do Reino de Cristo através da Cruz. O próprio rito encurta e obscurece a natureza sacrificial e propiciatória do Sacrifício Eucarístico”. A declaração da SSPX diz que a missa destrói a “Espiritualidade Católica”.

Há alguma verdade nas críticas à forma como as coisas evoluíram desde o fim do Vaticano II. O Ecumenismo tem sido um fracasso excepto nas questões em que tem sido posto em prática por católicos fiéis a trabalhar com Evangélicos em questões sociais.

E para mim não há qualquer dúvida que a Missa Tridentina é mais  bonita que a nova em quase tudo. Também é verdade que muitos católicos acreditam hoje que todos os caminhos levam a Deus, e que por isso a evangelização não é mesmo necessária.

Mas nem todos estes problemas são culpa do Concílio Vaticano II. Em vários aspectos, o Concílio tornou a Igreja suficientemente resistente para poder sobreviver aos golpes culturais que em larga medida já destruíram o Protestantismo mainstream.

Há mais de dois anos escrevi neste site que as conversações entre a Sociedade e a Igreja nunca chegariam a bom porto, por duas razões. Primeiro porque a Sociedade está a exigir demasiado. Eles querem mais do que a aprovação universal da Missa Tradicional. Eles querem que a Igreja renuncie aos ensinamentos de de um Concílio Ecuménico. Mas como disse o Cardeal Ratzinger, no “Relatório Ratzinger”, se rejeitarmos o Vaticano II, então também rejeitamos Trento, porque estamos a rejeitar a autoridade de ambos, isto é, a os ensinamentos dos bispos de todo o mundo, em Comunhão com o Papa.
 
Arcebispo Marcel Lefebvre
A segunda razão pela qual a SSPX provavelmente nunca vai voltar é mais complexa que a primeira. É mais do que simples rejeição do ensinamentos católico. Há também o orgulho: orgulho entrincheirado, orgulho que não aceitará a reconciliação, aconteça o que acontecer.

Mesmo que a Igreja renunciasse ao Concílio Vaticano II e impusesse a Missa Tridentina de forma universal, é provavel que o núcleo duro dos SSPX nunca regressem. Agora já se habituaram à sua própria autoridade e uma das coisas mais difíceis é a verdadeira obediência.

O regresso é improvável, mas não é impossível. Há poucas semanas um grupo previamente cismático viu os seus seminaristas prostrados no chão de uma Igreja em Roma, a serem ordenados ao sacerdócio por um arcebispo do Vaticano.

Os Filhos do Santíssimo Redentor chegaram a ser aliados próximos do Arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da Sociedade de São Pio X. De facto, quando foram fundados em 1987 foram pedir a bênção a Lefebvre.

Até 2007 viveram no deserto eclesial até 2007, quando o Papa Bento XVI emitiu o motu proprio “Summorum Pontificum”, que permite a celebração universal da Missa Tradicional. Então o grupo pediu a Roma para se fazer uma reconciliação. Houve visitações. O Cardeal Levada da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei esteve envolvido. E o ano passado o Papa concedeu a regularização.

Mas como seria de esperar, apesar de o grupo ter regressado a Roma, alguns membros individuais escolheram manter-se separados em cisma, com a Sociedade de São Pio X.

Para aqueles que insistem que a Sociedade não é cismática, considerem o seguinte: No documento que regulariza este grupo o texto oficial menciona mesmo o fim da sua “condição cismática”.

Os católicos tradicionalistas não são seres estranhos de outro planeta. São os nossos irmãos e irmãs que, em larga medida, são tão fiéis à Igreja como outros católicos – excepto na obediência eclesial . A sua energia, tanto física como intelectual, é algo a contemplar e a admirar, e fazem muita falta à Igreja hoje.

Se ao menos eles direccionassem essa energia a outros alvos que não a Igreja Católica.


Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 12 de Julho 2013 em The Catholic Thing)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. 
Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 5 de março de 2013

"There is sin in the curia, but majority are men of prayer"

Full transcript of interview with father John Wauck, professor at Santa Croce, in Rome.
See news story here (in Portuguese).

Transcrição completa, e no inglês original, da entrevista ao padre John Wauck, professor na Universidade de Santa Croce, em Roma. Ver a notícia aqui.


The Pope just last Ash Wednesday spoke of the sins against the unity of the church. This is a recurrent subject for Benedict XVI. Is there somebody in particular he is trying to reach?
I think that you can see almost all of Cardinal Ratzinger’s work at the Congregation for the Doctrine of the Faith and then as Pope as a response to divisions in the Church that sprang up after the Second Vatican Council. His whole project has been overcoming what he refers to as the hermeneutics of rupture, the idea that the Council constituted a break with the past.

The Pope has been arguing, since 1985, when he published a book of interviews with Vittorio Messore, called the “Ratzinger Reports”, that this hermeneutic of rupture has to be replaced by a hermeneutic of continuity. So instead of saying that the past is separate and now we are in the future, he says that the life of the church is a continuum and that the council is part of that continuum.

What happened though is that the interpretation as a break between past and future created a division within the church, from both directions. There were those who saw it as a good break with the past, who saw the past as something negative, and others saw it as a bad break.

Those two ways of looking at the Council, which in some ways are opposites, are united in seeing the Council as a break. But Ratzinger, and later Benedict XVI, stressed that no, the Council was not a break, nor a rupture with Tradition.

One of his criticisms deals explicitly with the Lefebvrists, and the possibility of bringing them back into the Church, and how there are people in the church today who vilify the lefebvrists in the same way as they vilify the ones they call modernists.

The Pope is really trying to bring them all together. It’s been a great project of unity, trying to bring the Church together, instead of divided into opposing camps.

So you’re seeing this through the lens of the dialogue with the Society of Saint Pius X, but many people also read this as a criticism of infighting in the curia… Is that correct?
There are really two dimensions. One is this ecclesiastical division which has been going on since the times of the Council. Another is this paradox which is part of Christian life and always has been, the Church is something holy, but we are sinners. The beauty of the mystical body of Christ is something sacred, but is always being stained by the sins of the people within the church. So some of the comments are really about moral failures, not theological interpretations.

In some ways that is a perennial paradox in the life of the Church. St. Peter himself denied Our Lord, and the apostles ran away. When the Pope spoke in the Via Crucis in 2005, about how much filth there is in the Church, even among priests, he goes on to say that “the soiled garments and face of your Church throw us into confusion. Yet it is we ourselves who have soiled them!”

He is not pointing a finger at others, he is saying we, it is we Christians, because we are all sinners. He was obviously referring, at the time, to the abuse scandals among priests. But it is really a perennial problem.

We hear about intrigue and power struggles in Rome. How true is that?
The image of the Curia as rife with corruption and greed and power hungry cardinals is very exaggerated. In the Curia, as in any place, there are human defects, weaknesses and sins, but the vast majority of the people in Rome are extremely humble, dedicated workers, really giving their lives, and are not receiving any attention at all. They are genuine men of prayer.

Now, are there some people who allow pride and greed to get in the way of their decisions? Of course, that has always happened, but it is not a majority by any standards. The curia is largely populated by people chosen by the Pope himself, and he is somebody everyone recognises as a serious man of prayer who is seeking holiness, who wants to see holiness thrive in the church and he is the one who has picked many of those working around him.

It should always be shocking, and is lamentable, to discover that people whose lives are meant to be dedicated to the service of Christ and saving souls, are concerned with power and things like that. But that is human nature, and it is less common here than in other places in the world.

Has all this contributed in any way to the Pope’s exhaustion? Or is it just that he is old?
When one looks at the Pope’s decision to resign it is always important to keep in mind that he was elected when he was already over retirement age. When he was a cardinal he had already asked twice to be dismissed, but both times John Paul II said no. He even had a place bought in Bavaria, which he was going to retire to study and write.

He was elected after he was supposed to have retired and he has been Pope for 8 years and if you think of all his travelling, his writing, all his speeches, he has been incredibly productive for a man who was almost 78 years old when he took office.

So in some ways the amazing thing is that he has lasted this long. Part of the exhaustion of the Pope, or the sense that he is no longer up to the task, surely is due to the experience he has had over the past 8 years, which includes handling the aftermath of the sexual abuse crisis, the Williamson affair, the Vatileaks crisis, the personal betrayal by his butler Paolo Gabriele. That cannot help but contribute to his decision.

But he is clearly still totally lucid. I was present on Thursday when he spoke to the pastors of Rome and he gave an off the cuff brilliant lecture, without notes, remembering facts from over 50 years ago, and in a very ordered and lucid form. It is astounding, for a person of his age.

Intellectually he is still present, but that also means that he is able to see clearly the needs of the church and to evaluate how much he can do. His decision says: “I see what needs to be done, but I also see that I don’t have the energy to do it”. The discrepancy between his intellectual vigour and his physical state is the cause of this decision, I suspect.

Can you recall any other Pope been this adamant in speaking to the internal divisions of the Church?
I am not old enough to have a memory of anybody before John Paul II. I barely recall Paul VI. But John Paul II spoke very sharply at times, specifically to members of the clergy or of religious life. He was not afraid of rebuking people, he did so in public, in the USA and in Nicaragua.

I think it is important to remember that prior to the Second Vatican Council the prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith, the enforcer of orthodoxy, was the Pope himself. So things like the Syllabus of Error, or condemnation of heresies, were always coming from the Pope himself. In that sense, concern for unity, especially at the level of doctrine was actually a common part of the activity of the papacy and was frequently expressed in very strong terms.

So I don’t think it’s a radical change on the part of Benedict.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Bento XVI vai para longe da vista...

Museu do Franciscanismo, nos Açores
Bento XVI voltou a falar esta manhã e deu a entender que depois de dia 28 vai desaparecer da praça pública, como seria aliás de esperar. Fez ainda um discurso muito interessante sobre o Concílio, considerando que ele foi deturpado pelos media.

Seja como for o Papa não estará sozinho, terá com ele o seu secretário pessoal e as leigas consagradas do Comunhão e Libertação que tratam do seu apartamento.

Os tradicionalistas terão gostado do discurso do Papa esta manhã, mas resta saber se isso será o suficiente para os levar a aceitar o ultimato que o Vaticano lhes impôs recentemente.


Abriu hoje um museu nos Açores sobre “Franciscanismo”, fica em São Miguel.

Longe de Roma e do Catolicismo, as auto-imolações no Tibete já ultrapassaram a centena. Trágico.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

D. Albino Cleto RIP, São João Baptista idem

São João Baptista


Na Nigéria, mais do mesmo… outro Domingo, outro ataque a igrejas, mais 35 mortos. Esta semana com um agravante, os cristãos retaliaram e mataram cerca de uma dúzia de muçulmanos.

Na Bulgária há quase dois anos foram descobertas umas relíquias, alegadamente de São João Baptista. Muitos torceram o nariz, como se costuma dizer, se todas as relíquias daquele santo fossem verdadeiras, ele teria 6 cabeças e 12 mãos. Mas neste caso a história é mais credível…

Desde a semana passada houve desenvolvimentos no diálogo entre Roma e os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X. Leia aqui um resumo do ponto da situação…

Roma e SSPX, em que pé estamos?


Persistência... e paciência!
Ao que parece enganaram-se todos os que esperavam uma solução para breve, e incluo-me a mim mesmo nesse lote. Só espero é que não se tenham enganado todos os que davam o acordo como certo... pelas últimas indicações as coisas ainda podem correr mal... esperemos que não, nem que seja por Bento XVI, que tanto investiu neste “reencontro” com os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X.

Recapitulando, Roma e a Sociedade têm estado em diálogo há alguns anos. Finda a fase de discussão, Roma propôs um “preâmbulo doutrinal” aos tradicionalistas, que estes deviam subscrever para serem reintegrados. Depois de uma primeira finta, acabaram por enviar o documento assinado, mas com algumas alterações.

As alterações foram vistas pela Congregação para a Doutrina da Fé, que submeteu a opinião ao Papa. Corre o rumor que o Papa já estaria a par do documento antes e que teria dado o seu beneplácito, indicando que a CDF não deveria levantar problemas. Tudo parecia muito bem encaminhado, mesmo nas entrevistas concedidas pelo bispo Bernard Fellay, superior-geral da SSPX, era isso que se entendia. Até já se falava da estrutura que iria ser proposta, uma prelatura pessoal do género que tem o Opus Dei.

Esta semana que passou, Bernard Fellay foi a Roma encontrar-se com a CDF; estaria iminente a assinatura final do acordo? Especulou-se que sim, mas algo se passou. Fellay saiu de Roma sem acordo assinado e com um documento alterado que deve agora ser novamente estudado pelos tradicionalistas antes de poderem assinar de vez. É verdade, todavia, que também saiu de Roma com uma proposta já detalhada de estrutura de prelatura pessoal, o que começa a dar consistência ao cenário pós-reentrada. Mas só há pós-reentrada se houver reentrada... haverá?

O que se passou na reunião? Que alterações foram feitas e a mando de quem? Claro que já correm muitos boatos e teorias, desde pressões da ala liberal da curia romana à omnipresente e conspirativa maçonaria, fala-se de tudo. Uma das teorias que parece credível é que Bento XVI terá rejeitado o termo “erros do concílio” que estava no documento assinado por Fellay, o que se compreende. Liberdade de interpretação é uma coisa, falar de erros é outra.

Entretanto a oposição a Fellay dentro da SSPX, por parte daqueles que estão decididamente contra uma reunificação, aumenta de tom. Um dos outros três bispos já estava colocado de parte à partida. Richard Williamson, o mesmo que duvida da existência das câmaras de gás no holocausto, é ferozmente contra uma reunificação. Mas Bernard Tissier de Mallerais também se colocou definitivamente de fora, chegando a acusar Bento XVI de ser herege. Um abaixo-assinado posto a circular entre os fiéis também ia nesse sentido, embora, na última vez que tenha visto, só tivesse umas 200 assinaturas.

Tissier de Mallerais "não gosta" disto
Por outro lado, não tem havido falta de golpes de teatro e de bluff em todo este processo. Será este prolongamento uma forma de dar a entender, tanto de um lado como do outro, que se espremeram as negociações ao máximo, para que no fim ambos possam dizer que conseguiram o melhor acordo possível? Talvez, é possível, era bom.

Agora, segundo algumas fontes, Fellay apenas tomará uma decisão depois do capítulo geral da SSPX, que tem lugar em meados de Julho. A decisão cabe-lhe sempre a ele, mas é verdade que essa reunião, que evidentemente será dominada por esta questão, poderá servir para colocar pressão sobre ele, tanto num sentido como no outro. Não sou de maneira nenhuma especialista quanto às dinâmicas internas da SSPX, mas pelo que vou depreendendo, apesar dos outros três bispos serem contra (dois de certeza, um parece tender para aí), uma grande parte dos superiores distritais, que são sacerdotes, estão com Fellay. Ou seja, o capítulo tanto pode dar força a Fellay como pode esvaziar a sua autoridade moral. Claro que seria melhor chegar lá com o facto consumado, mas não deve ser possível.

O que resta? Rezar! Convém a ambos os lados compreender que esta reunificação beneficia da boa-vontade de Bento XVI e de Fellay, mas só terá hipóteses se Deus assim quiser. Rezar, rezar, rezar, para que seja feita a Sua vontade, seja ela qual for...

Nós por cá iremos acompanhando.

Filipe d’Avillez

terça-feira, 12 de junho de 2012

O que significa, e o que não significa, a reconciliação com a SSPX


por David G. Bonagura, Jr. 
Poucas coisas levam os católicos a esqucer o preceito da caridade mais rapidamente do que uma discussão sobre a Sociedade de São Pio X (SSPX), o grupo tradicionalista de padres e bispos que, devido à sua oposição ao Concílio Vaticano II e consequente turbulência, permanecem fora da estrutura canónica da Igreja.

O Papa Bento XVI, tendo tomado o leme no processo de restaurar a comunhão jurídica da SSPX ao longo do último quarto de século, tornou essa reconciliação uma prioridade do seu pontificado. Tudo indica que um anúncio formal de reconhecimento está próximo.

A reconciliação com a SSPX ficará entre as grandes conquistas do pontificado de Bento XVI, com implicações duradouras para a Igreja. Mas na histeria que certamente se seguirá ao anúncio formal, aquilo que é verdadeiramente importante ficará perdido por entre as polítiquices partidárias internas da Igreja.

À direita, alguns católicos tradicionalistas rejubilarão, declarando vitória: Roma modernista voltou a si e apoia o que resta da fé. À esquerda, onde se prefere sentar à mesma mesa que Lutero a partilhar uma Igreja com o líder da SSPX, Bernard Fellay, alguns acusarão Bento XVI de minar, ou desfazer, as reformas do Vaticano II. Ambas as perspectivas são falsas.

Antes de vermos o que significa a reconciliação, vale a pena analisar o que não significa.

Em primeiro lugar, Bento XVI não está a regredir em relação ao Vaticano II. Todo o seu pontificado está dedicado a avançar o Concílio (ver mais abaixo). De facto, como expliquei na altura em que o Papa revogou a excomunhão dos quatro bispos da SSPX, ele está a bater os progressistas no seu próprio terreno: está a fazer gestos concretos no sentido de reunir todos os cristãos, tal como o Vaticano pede no Unitatis Redintegratio (o que é duplamente irónico, pois é um dos documentos que a SSPX contesta). O que está a ser desfeito não é o Concílio em si, mas a ideologia que se agarra a um falso conceito de “espírito do concílio”.

Depois, alguns comentadores mais espertos poderão usar o trunfo do género: o Vaticano retrógrado está a aceitar um grupo de bispos e padres conservadores ao mesmo tempo que ataca as freiras indefesas da Leadership Conference of Women Religious (LCWR). Mas essa dicotomia ou jogo de poder misógeno não existe: Bento XVI está a trabalhar para trazer ambos os grupos afastados – a SSPX de iure, a LCWR de facto – de volta à plena comunhão com a Igreja; a abordagem diferente deve-se à diferença de estatuto de cada grupo.

Por fim, a reconciliação com a SSPX não significa a “vitória da Tradição” no sentido em que a Sociedade e os seus apoiantes a entendem: que o culto e a piedade tradicionais vão ser restaurados como sendo a expressão mais legítima da fé. A teologia e a prática católica tradicional já está a passar por um pequeno renascimento revitalizador um pouco por todo o mundo em comunidades religiosas, paróquias e escolas que se mantém leais ao Papa. Uma SSPX reconciliada trará mais crescimento e vigor a este movimento, mas não o criará de novo nem lhe dará um estatuto mais elevado.

Um jovem Marcel Lefebvre
Então o que significa a reconciliação com a SSPX?

Primeiro, o “Preâmbulo Doutrinário”, a declaração ainda secreta das crenças doutrinárias que a SSPX deve aceitar para ser reconciliada, deverá declarar – na forma mais oficial e autoritária até hoje – que todo o Vaticano II deve ser lido e interpretado à luz da Tradição. Se assim for, então não só moldará os futuros discursos da Sociedade sobre o Vaticano II, mas também o discurso de quem advoga o “espírito do Concílio”.

Os arautos da “hermenêutica de descontinuidade e rupture” não vão simplesmente baixar os braços, mas uma tal declaração retirará a pouca credibilidade que ainda lhes resta entre os leitores e alunos.

Segundo, como já foi referido, uma SSPX em comunhão plena como o Papa trará novo vigor para a prática e culto católico o que, por sua vez, ajudará a restaurar a identidade católica em locais onde já desmoronou. Ao que parece a prática religiosa nas capelas da Sociedade em França tem crescido à medida que as Igrejas regulares se têm esvaziado quase por completo.

Com as graças que decorrem da plena comunhão com Roma – e sem o tom que tem caracterizado muita da retórica contra Roma por parte da Sociedade – a SSPX poderá tornar-se uma peça chave na Nova Evangelização e a Igreja no seu todo deve valorizar o seu contributo.

Terceiro, a reconciliação diz muito sobre a natureza do pontificado de Bento XVI e o carácter dele enquanto homem. Desde o seu almoço em Castel Gandolfo com o bispo Fellay no primeiro Verão do seu pontificado até ao levantamento das excomunhões em 2009, passando pelas discussões formais com os teólogos da SSPX na Congregação para a Doutrina da Fé, e apesar de muitas vozes contrárias na Cúria, Bento XVI está a tornar a reconciliação uma realidade, ao seu ritmo e nas suas condições.

Como escreveu o próprio Fellay, “o Papa disse-nos que a preocupação por remediar a nossa situação, para o bem da Igreja, estava no coração do seu pontificado. Disse também que tinha noção de que tanto para ele como para nós teria sido mais fácil manter o status quo”. Bento XVI, como verdadeiro pastor, está mais que disposto a dar a sua própria vida e a sua reputação pelo bem do seu rebanho.

Permanecem uma série de questões sobre o estatuto da Sociedade; a sua organização futura, a possibilidade de haver uma cisão, com um grupo que rejeita a reconciliação. Mas quando chegar a altura será o próprio Bento XVI, não as facções da Igreja em guerra nem os media seculares, que providenciará a lente interpretativa para este incrível feito.


David G. Bonagura, Jr. é professor assistente de Teologia no Seminário da Imaculada Conceição, em Huntington, Nova Iorque.

(Publicado pela primeira vez no Domingo, 10 de Junho de 2012 em http://www.thecatholicthing.org)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Todos fortes, todos diferentes



Os israelitas também são fortes e por isso mesmo não tencionam largar mão dos lugares santos de Jerusalém. Netanyahu diz mesmo que isso seria um “erro fatal”.


Na Irlanda querem-se fazer das fraquezas forças e criar um “Dia da Expiação” para pedir perdão às vítimas de abusos sexuais. A Igreja já disse que alinha… só é pena que a ideia tenha tido que partir de uma vítima.

E segundo os tradicionalistas bem precisamos todos de força, isto porque “O diabo está à solta”, e quer evitar a reintegração da SSPX na Igreja.

Finalmente, para quem não pôde ir à conferência de ontem de Peter Colosi, podem ver o vídeo no blogue, graças ao trabalho da Infovitae, que agradecemos. Força aí!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

"Casamento gay" = Divórcio entre Obama e Igreja


Barack Obama assumiu-se a favor do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. O presidente justificou a decisão com base na sua fé cristã. Quem não gostou foi o Cardeal Timothy Dolan, presidente da Conferência Episcopal Americana, que considerou as declarações “profundamente tristes”.

Não deixa de ser peculiar que Obama tome esta medida em ano de eleições. Leia aqui a minha análise.


A crise não poupa ninguém e as IPSS da Igreja em Bragança vão ter de despedir funcionários. O bispo lamenta e diz que vão tentar encontrar soluções.

Hoje Bento XVI recebeu uma delegação judaica e reafirmou a importância da declaração Nostra Aetate. Pode parecer insignificante, mas não é, saiba aqui porquê.

Por fim, se pensa ir a Fátima para as celebrações de dia 12 e 13 estará na boa companhia de outras 300 mil pessoas. A GNR tem conselhos, estão aqui…

segunda-feira, 7 de maio de 2012

"Luz da Manhã", tradicionalistas e São Tomé



Apesar da crise, os peditórios continuam a render mais dinheiro às organizações de solidariedade. A Cáritas conta com mais 300 milhões de euros!


Os tradicionalistas “não puderam recusar a proposta” de Bento XVI que deverá, até ao fim do mês, levar à reintegração da sociedade fundada por Marcel Lefebvre.

O júri que representa a Igreja no IndieLisboa atribuiu o prémio Árvore da Vida ao filme “Luz da Manhã”.

O bispo de São Tomé esteve em Lisboa e falou de um país onde 90% da população é pobre.

E para quem pensa peregrinar a Fátima, seja quando ou por que razão for, não deixem de levar este Guia. Se tiverem mais tempo aproveitem e façam o caminho de Bragança…

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Maio, mês de reconciliação? E será que interessa?



Um leitor deste blogue sugeriu o dia 13. Seria uma data interessante, sobretudo se tivermos em conta que o bispo Bernard Fellay, o actual líder desta sociedade fundada pelo Arcebispo Marcel Lefebvre que se encontra em ruptura com Roma desde 1988, convocou há poucos anos uma “cruzada de terços” pela reunificação.

A data certa é um mistério. Se o Vaticano trabalhar ao seu ritmo, que não é o ritmo do mundo (como já sabemos pelas negociações a propósito dos feriados religiosos), então bem podemos esperar. Mas penso que o Papa não quererá perder muito mais tempo a este respeito. Esta unificação, a confirmar-se, configurará a concretização de um sonho e uma reconciliação pessoal. Ratzinger era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé na altura em que se deu a ruptura e, então, foi incapaz de a evitar.

E se os tradicionalistas forem recebidos de volta à Igreja, como se espera, o que se passará?

Em termos de organização, o Papa certamente lhes oferecerá uma estrutura que lhes dá bastante autonomia. Alguma coisa do género da prelatura pessoal do Opus Dei ou do ordinariato pessoal dos ex-anglicanos. Assim os membros da SSPX ficarão em larga medida a salvo das interferências dos bispos liberais que, em muitos locais da Europa Ocidental, são muito contrários a esta reunificação. Exactamente qual será essa estrutura não se sabe, mas o Papa tem total liberdade para inventar a estrutura que bem quiser, portanto não adianta muito tentar adivinhar.

Ou não...
Qual será a reacção da SSPX? Em primeiro lugar quero esclarecer que embora conheça uns quantos católicos de pendor tradicionalista, não conheço pessoalmente ninguém da SSPX. Em Portugal não são propriamente numerosos. Por isso tudo o que escrevo a seguir diz respeito ao que vou lendo, no meu esforço de acompanhar esta situação.

Com base nessas leituras, que incluem artigos, blogues e comentários aos mesmos feitos por simpatizantes e/ou membros da SSPX, penso que se engana quem pensa que os tradicionalistas regressam a Roma quais filhos pródigos, humildemente agradecidos pela magnanimidade do pai.

Há excepções, e já li alguns comentários de tradicionalistas a elogiar a benevolência de Bento XVI, mas a tendência geral é de um enorme triunfalismo, eventualmente de missão, de quem vem salvar Roma dos seus desvios. Os tradicionalistas não são conhecidos pela sua flexibilidade e, enquanto grupo, penso que o convívio debaixo do mesmo tecto nem sempre será fácil. A verdade, também, é que raramente estarão mesmo debaixo do mesmo tecto, uma vez que terão a sua estrutura autónoma.

Poderei estar a ser injusto com esta análise, se for o caso peço desculpa.

Who cares?
Finalmente, alguns poderão perguntar mas, afinal de contas, o que é que isto interessa?

Interessa muito, e basta olhar à nossa volta para ver o que se está a passar na Igreja actualmente para perceber porquê.

Sem querer fazer juízos de valor, o que é que vemos? O mesmo Papa que abriu as portas aos anglicanos conservadores (esvaziando, na prática, o diálogo ecuménico com uma igreja que insiste em cavalgar rumo ao liberalismo extremo) abre agora as portas aos católicos tradicionalistas que estavam afastados. No mesmo mês sabemos que a Congregação para a Doutrina da Fé criticou duramente as religiosas americanas pelos seus desvios à doutrina católica e a insistência em promover causas contrárias ao magistério.

Na Europa, onde a SSPX é mais forte, os tradicionalistas regressam a uma Igreja em que está a ocorrer, debaixo dos nossos olhos, uma rebelião liberal nos países germânicos. Centenas de padres assinam “manifestos pela desobediência”.

Aos 85 anos, e depois de sete na Cadeira de Pedro, o Papa está a tomar medidas concretas para reforçar a sua posição, que é conservadora e tradicionalista, sem ser extremista. Os resultados levarão tempo a fazer-se notar, mas penso que a atitude dos bispos americanos no seu “conflito” comObama já é um reflexo desta nova realidade.

Portugal não é um bom espelho desta realidade, mas a clivagem entre uma Igreja conservadora e uma Igreja liberal é demais evidente em várias partes do mundo.

Quando foi eleito muitos vaticinaram um duro pontificado do “Pastor Alemão”. Bento XVI tem surpreendido os mais críticos e, até certo ponto, desiludido os seus defensores mais ferozmente conservadores.

Afinal, ao que parece, o “Pastor Alemão” ainda sabe ladrar.

Filipe d’Avillez

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Feriados e tradicionalistas... estamos quase lá!

Não é definitivo, mas em 24 anos, nunca esteve tão próxima a reunificação entre os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X e Roma. Pode ser uma questão de dias. Este assunto, e outros, estarão em discussão no debate de esta noite da Renascença, a ouvir depois do noticiário das 23h00




Porque hoje é quarta-feira temos um novo artigo de The Catholic Thing. Randall Smith escreve sobre a necessidade de conhecermos a fundo a fé e os ensinamentos da Igreja.

Tradicionalistas respondem “Sim”, segundo imprensa italiana

Fim da cisão com a Sociedade de São Pio X, fundada por Lefebvre, poderá estar por dias. Este é um projecto pessoal de Bento XVI.

Filipe d’Avillez


A reunificação entre a Sociedade de São Pio X (SSPX) e o Vaticano pode estar prestes a ser anunciada. Segundo o jornal italiano La Stampa, a resposta dos tradicionalistas já chegou a Roma e é positiva.

A SSPX está num estado de ruptura com o Vaticano desde 1988. Os seus padres e quatro bispos rejeitam alguns dos ensinamentos do Concílio Vaticano II, bem como a reforma litúrgica, e a cisão com Roma consumou-se quando o seu fundador, o Arcebispo Marcel Lefebvre, ordenou quatro bispos sem autorização do Vaticano.

Desde a sua eleição, Bento XVI tem feito esforços para tentar sanar a ruptura. Depois de alguns anos de conversações o Vaticano apresentou a Bernard Fellay, o superior da SSPX, um “preâmbulo doutrinário”. Caso Fellay assine o documento o Vaticano oferecerá uma estrutura autónoma que permita aos tradicionalistas agir com liberdade e sem interferência dos bispos diocesanos dos países em que têm membros.

Segundo o vaticanista Andrea Tornielli, do jornal La Stampa, a resposta de Fellay já terá chegado ao Vaticano e é positiva. Fellay poderá ter proposto algumas ligeiras alterações ao documento que lhe foi apresentado, mas que não alteram substancialmente o seu conteúdo. A resposta deverá agora ser estudada por Roma que poderá em breve anunciar o fim da cisão com os tradicionalistas e explicitar a estrutura que lhes será oferecida no seio da Igreja.

Para além de quatro bispos, a SSPX conta nas suas fileiras com cerca de 500 sacerdotes, bem como 200 seminaristas e algumas centenas de religiosos. Os fiéis leigos rondarão as centenas de milhares.

Não é certo, contudo, que todos os membros acompanhem o superior no regresso a Roma. Pelo menos um dos bispos, o inglês Richard Williamson, é tido como ferozmente anti-romano e deverá permanecer fora da Igreja Católica, à frente de um grupo de “ala dura” que não aceitam submeter-se novamente ao Papa.

Para além das notícias que circulam na imprensa italiana não há, por enquanto, qualquer confirmação oficial por parte de Roma ou da Sociedade.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

85 anos de Bento XVI, tradicionalistas e igrejas de papel

Sarajevo... com cada vez menos cristãos

Esta é uma semana importante para Bento XVI. O Papa cumpre 7 anos no trono de Pedro na quinta-feira, mas hoje celebra 85 anos de vida.




E finalmente, sobretudo para quem se interessa por arquitectura religiosa, já imaginaram uma catedral de cartão? Vai ser construída na Nova Zelândia. Podem ver mais fotos aqui.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Um presente tradicional para Bento XVI?

Quatro bispos, 500 padres, 200 seminaristas, 280 religiosos, 88 escolas, duas universidades e algumas centenas de milhares de fiéis.

É este o presente que está a ser preparado para os 85 anos de Bento XVI?

As indicações apontam nesse sentido. Um artigo publicado na edição de hoje de Le Figaro, da autoria do seu especialista em assuntos religiosos, garante que o Vaticano e a Sociedade de São Pio X (SSPX) estão a dias de anunciar oficialmente a reconciliação.

O último passo neste processo foi a resposta enviada pela Sociedade ao Vaticano, no decorrer de um já longo percurso de diálogo. A ser positiva, poderá ser anunciada a reintegração da SSPX no seio da Igreja Católica, de onde anda afastada desde 1988.

Bento XVI investiu fortemente neste processo de reconciliação. O Vaticano pediu à Sociedade que enviasse a sua resposta até domingo, dia 15 de Abril. O que é que acontece a dia 16? Bento XVI faz 85 anos.

Poderá parecer exagerado que tudo isto esteja a ser preparado para ser anunciado no dia de anos do Papa? Ou pelo menos para ficar resolvido nessa altura? Talvez seja. Mas seria um belo presente.

Os contornos de um eventual acordo não são ainda conhecidos. Tudo indica que a Igreja oferecerá à Sociedade uma estrutura autónoma, ao estilo de uma prelatura pessoal, como tem o Opus Dei. Isso é essencial para a SSPX, para poder agir sem interferência dos bispos diocesanos, muitos dos quais, sobretudo na Europa, não são favoráveis à sua reintegração e, ainda por cima, não fizeram grande questão de o esconder.

Em troca, a Sociedade aceitaria os termos de um Preâmbulo Doutrinal que lhe foi apresentado pelo Vaticano o ano passado e cujos termos são secretos. Não se sabe se depois de uma resposta inicial que, não tendo side explicitamente negativa, deixou pelo menos dúvidas suficientes para que o Vaticano requisitasse outra mais clara, esse preâmbulo sofreu alterações. Certo é que tem havido muitas negociações informais entre as partes nas últimas semanas para tentar chegar a um ponto em que fosse possível estabelecer um acordo.

Esse acordo dificilmente passará por uma aceitação simples de todos os aspectos do Concílio Vaticano II que até agora tinham sido rejeitados pela Sociedade, nomeadamente a liberdade religiosa, o diálogo inter-religioso, o ecumenismo e a reforma litúrgica. É provável que em pelo menos alguns destes aspectos seja permitido à Sociedade manter as suas reservas. Fazendo uma comparação simples, os bispos da SSPX que são contra o ecumenismo estariam numa situação parecida com os actuais bispos liberais que, também contra os ensinamentos do magistério, defendem publicamente a ordenação de mulheres.

A consumar-se esta reunificação, ficam ainda duas grandes questões. Em primeiro lugar, que efeitos é que isto terá na SSPX? A sociedade está presente em vários países. Nem todos estão de acordo em relação ao diálogo com Roma. É mais que natural que haja uma boa secção da Sociedade que rejeite a oferta do Vaticano e que acabe por se separar da SSPX para se poder manter fora de Roma. É quase um dado adquirido que um dos quatro bispos ficará de fora. Trata-se do inglês Richard Williamson, cujas posições anti-semitas e negacionistas do holocausto, tornadas públicas pouco depois de Bento XVI ter levantado a excomunhão que pendia sobre os quatro, foram um grande embaraço para o Papa. Williamson nunca escondeu o seu ódio por Roma e desde esse incidente tem sido colocado nas margens da SSPX pelo actual dirigente, Bernard Fellay.

Richard Williamson
A outra questão é saber que efeito terá em França. O país que atravessa uma das maiores crises, em termos religiosos de toda a Europa, é também aquele em que a SSPX tem maior presença e influência.

Apesar de um aumento de padres conservadores na Igreja Católica actual, o episcopado francês é bastante liberal e o peso da SSPX no seu quintal não tem facilitado as relações. Uma abertura dos portões de Roma poderá ser entendido como uma traição por partes da Igreja institucional francesa.

Tudo isto depende, claro está, de uma resposta positiva. Sobre isso há apenas, por enquanto, especulações. A única coisa que é mesmo certa é que Bento XVI completa 85 anos na Segunda-feira.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Silêncio prometedor da Sociedade de São Pio X?

A seis dias do prazo dado por Roma para uma nova resposta dos responsáveis da Sociedade de São Pio X (SSPX), fundada pelo falecido arcebispo Marcel Lefebvre, o que mais me surpreende é precisamente o silêncio acerca deste assunto.

Vamos recapitular. Depois de alguns anos de conversações a Igreja fez uma proposta concreta à Sociedade, que se encontra fora de comunhão com Roma. Caso a Sociedade aceite um “preâmbulo doutrinal”, cujo conteúdo não foi revelado, terá direito a um lugar especial, com bastante autonomia, dentro da Igreja, com a sua situação canonicamente resolvida. Mais uma vez, os detalhes não são certos, mas foram descritos como bastante generosos.

A Sociedade, chefiada actualmente pelo Arcebispo Fellay, enviou uma resposta para Roma que foi considerada insuficiente. Depois de algum estudo Roma disse-o e afirmou que esperava outra resposta até ao dia 15 de Abril. O termo “ultimato” nunca foi usado, mas tem sido entendido como tal por muitos.

Acontece que antes da Sociedade enviar a sua resposta inicial o arcebispo Fellay falou em público em várias ocasiões deixando várias vezes a impressão de que ela seria negativa.

Agora, pelo contrário, parece reinar o silêncio. Com o tríduo pascal não têm faltado ocasiões para fazer homilias em que possa expressar novamente essas ou outras opiniões, mas Fellay não o tem feito, contrastando claramente com atitudes anteriores, sobre os quais escrevi aqui e aqui.

Que quer isto dizer? Será o silêncio um bom sinal? Talvez as declarações negativas de há meses tenham sido uma forma de “bater o peito” e mostrar que a Sociedade não iria ceder de mão beijada. Não leiam isto como uma crítica, pode ser uma forma de tentar manter unida a Sociedade, onde certamente existem opiniões divergentes.

Dia 15 de Abril a resposta da SSPX será conhecida. Se é para ser tornada pública no imediato ou não, não sei, mas estaremos atentos.

Todos aqueles que desejam que essa união aconteça devem seguir o principal conselho tanto de Roma como dos membros da SSPX e rezar. Mas este silêncio, em minha opinião, pode ser um sinal prometedor.

Filipe d’Avillez

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