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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Actualidade Religiosa: Papa pede vigor e Lavrador mostra agrado

O Papa vai receber 500 crianças, amanhã, a maioria dos quais de bairros problemáticos dos arredores de Milão.

Francisco convida ainda os sacerdotes a um “novo vigor” na missão de servir as suas comunidades.

Este fim-de-semana assinala-se o Dia de Portugal. As cerimónias oficiais vão ser nos Açores, o que muito agrada ao bispo de Angra.

Aproveito para partilhar convosco duas notícias minhas que foram publicadas a semana passada na imprensa britânica, sobre a rejeição da lei da eutanásia no Parlamento português. Uma foi no Catholic Herald e outra no The Tablet. Fui ainda citado pela BBC e esta semana deve sair uma análise para o Herald também. Se tiverem amigos anglófonos, partilhem! Claro que se a eutanásia tivesse sido aprovada seria notícia em todo o mundo, como foi rejeitada pouco se fala nisso.


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Religiões juntas contra Eutanásia e Marcelo com veto problemático

Vai decorrer na próxima semana um encontro inter-religioso, com assinatura de uma declaração conjunta, sobre a eutanásia. É raro as religiões todas tomarem posição comum sobre um assunto deste género!

Ainda sobre a eutanásia, o bispo do Porto diz que a sua aprovação representará um “terrível abaixamento do barómetro moral da sociedade”.

Mas a justificação dada por Marcelo é (desnecessariamente) problemática

Hoje em Roma assinala-se a Quinta-feira da Ascensão (em Portugal, como noutros países, a festa litúrgica passa para o domingo seguinte) e o Papa aproveitou para visitar duas comunidades.

Convido-vos a ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, em que Christopher Akers compara o materialismo e o Cristianismo enquanto filosofias de vida. É um autor jovem e que vale a pena acompanhar.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Eutanásia, bispos e vetos

D. José Alves, arcebispo de Évora
Faltam algumas semanas para a votação no Parlamento, mas a eutanásia já domina as notícias religiosa. Esse foi, aliás, um dos temas focados por Marcelo Rebelo de Sousa na grande entrevista que concedeu à Renascença e ao Público. Ele diz que não vai deixar as suas opiniões pessoais interferir na sua decisão de vetar ou não a lei, Graça Franco ajuda a descodificar isso.

Tudo isto, claro, caso a lei seja aprovada. Os movimentos pela vida esperam que isso não aconteça e a Comissão Nacional Justiça e Paz diz que a legalização é inconstitucional e um referendo seria um “mal menor”.

Hoje os bispos portugueses falaram do assunto, recordando que este não é um tema religioso, mas sim da humanidade. O arcebispo de Évora também abordou a questão, avisando o Parlamento de que “ninguém é dono da vida”.

Esta apanhou-me de surpresa. António Raminhos esteve em Fátima a dar um testemunho à peregrinação nacional da juventude.


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Nossa Senhora de Fátima protegida pelos páras

Drama na República Centro-Africana, onde uma igreja foi atacada ontem. Morreu um padre e cerca de 20 fiéis. A igreja chama-se Nossa Senhora de Fátima e está neste momento a ser protegida por paraquedistas portugueses.

É já daqui a 27 dias que os nossos deputados discutem se o Estado deve matar os seus cidadãos doentes e frágeis. A Renascença falou hoje com uma psicóloga belga que diz algo que deveria parecer óbvio: “A Eutanásia por sofrimento mental compromete todo o sector dos cuidados em saúde mental”.

Enquanto se fala de eutanásia já vai avançando a questão da mudança de género. O assunto vai ser debatido nos Jerónimos na sexta-feira, não percam. Detalhes no anexo.

A Administração americana é acusada de não fazer o suficiente para proteger a liberdade religiosa no mundo.

Há um novo príncipe! Não, não é o Louis… Este tem 73 anos e bigode e é o novo grão-mestre da Ordem de Malta.

Os bispos alemães criticam a decisão do Governo regional da Baviera de colocar crucifixos nos edifícios públicos.

Ainda o caso Alfie Evans, desta vez no artigo do The Catholic Thing desta semana, onde Stephen White põe o dedo na ferida e destaca o perigo inerente à ingerência do Estado os assuntos das famílias, apoiado nas palavras de Leão XIII.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Pray for Alfie, pray for Toronto

Nove mortos e 16 feridos em Toronto
Quando ler este email é muito possível que Alfie Evans esteja morto. Isto apesar de o Governo italiano lhe ter concedido cidadania e de o Papa ter feito mais um apelo para que o Reino Unido permitisse que ele fosse transferido para Roma. Um caso muito difícil. Continuo a achar que falta informação, mas com base na que tenho, sou da opinião de que neste caso, ao contrário do que se passou com Charlie Gard, os pais da criança têm razão e o hospital não. O Henrique Raposo pensa o contrário. Posso estar enganado.

Entretanto a tragédia abateu-se sobre Toronto, com um homem a atropelar várias pessoas, matando pelo menos nove delas. Não se sabe a motivação do ataque, ainda. O arcebispo local pede orações pelas vítimas.

Decorreu esta segunda-feira na Universidade Católica uma interessante conferência sobre a eutanásia. Um médico holandês alertou para o perigo de seguir o exemplo do seu país, o Patriarca espera que estas e outras ações sirvam para alertar e informar as consciências de políticos e sociedade e o ex-bastonário dos médicos, Germano de Sousa, diz que mesmo que a lei mude, a Ordem deve punir os médicos que praticarem a eutanásia.

O Papa nomeou três mulheres para a Congregação para a Doutrina da Fé e pediu o fim da violência na Nicarágua, no domingo.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

La Lys, alegria e exultação

Depois de uma ausência pascal, eis-me de volta no dia em que o Papa Francisco lança uma exortação apostólica dedicada à santidade. Há dias o Papa era acusado de negar a existência o inferno, mas neste documento esclarece que o diabo, pelo menos, é bem real e não um mito.

Hoje é também o 100º aniversário da trágica batalha de La Lys. Uma igreja católica em Inglaterra inaugurou neste dia dois vitrais de homenagem aos portugueses que lá morreram.

Durante o fim-de-semana decorreu o Meeting de Lisboa, organizado pelo movimento Comunhão e Libertação. Aqui encontram uma entrevista com o abade-geral da ordem cisterciense sobre a “cultura da pressa” que “não satisfaz o coração”.

Esta segunda-feira foi lançado um site que vale a pena manter debaixo de olho. Toda a Vida tem Dignidade é o portal onde poderão encontrar tudo o que precisam sobre a eutanásia.

A pedido de um amigo, aproveito para partilhar que decorre no dia 21 de Abril o Encontro Nacional da Associação dos Médicos Católicos Portugueses. Se está interessado em ir, há mais informação aqui.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Salve o queijo da Serra, adopte uma ovelha!

Depois de a Renascença ter dado calmamente a notícia da nota do Patriarcado de Lisboa na terça-feira, ontem o resto da imprensa acordou e decidiu pegar no assunto por um ângulo que nada tem de novo, nomeadamente a recomendação de viver em continência para alguns casais em situação irregular. Por isso ao fim da tarde pegámos no tema outra vez e pedimos ao padre José Manuel Pereira de Almeida que nos explicasse exactamente o que se passa. Vale a pena ler para ficar esclarecido.

O Cristo Rei, em Almada, vai ser “pintado” de encarnado em solidariedade com os cristãos perseguidos, tal como o Coliseu de Roma e igrejas em Alepo e em Mossul, no Iraque.

9,4 milhões visitaram Fátima no ano do centenário. Um número verdadeiramente impressionante.

Quer ajudar os produtores de queijo da Serra, afectados pelos incêndios? Adopte uma ovelha.

Conheça ainda o fantástico trabalho das irmãs hospitaleiras na Guarda, que usam a arte para ajudar as pessoas com doença mental.

A Eutanásia vai continuar a dar que falar, claro. Sobretudo com o PS a decidir que a única forma de “participar no debate” é apresentando mais uma lei, não vá ser flanqueado pelo Bloco. Hoje Henrique Raposo explica de forma brilhante por que é que é um absurdo validar e resolver de forma permanente um desespero que por natureza é transitório. Leia e partilhe!


E porque vou estar fora na próxima semana, convido-vos a tomar conhecimento e a divulgar, através da imagem que ilustra este post, a campanha dos 40 dias de oração pela vida, que começa novamente na quarta-feira de Cinzas. A causa não podia ser mais nobre.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Lisboa já tem Laetitia

Lisboa já tem orientações para a aplicação do Amoris Laetitia. Saiba tudo aqui.

Foi lançada a mensagem de Quaresma do Papa Francisco, em que ele alerta para “os falsos profetas” e os riscos de um “coração frio”.

A renúncia quaresmal deste ano em Vila Real será para combater a “miséria envergonhada” e para “bolsas de estudo”, diz o bispo.

Conheça a aula de iconografia cristã a que nem a Judiciária faltou.

O Bloco apresentou hoje o seu projecto sobre a eutanásia e o PS, que evidentemente não quer ficar atrás, disse que também o vai fazer. O PCP é que continua a não mostrar a mão

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Actualidade Religiosa: Bons sons e domadores de unicórnios

Adoro a internet... A sério... 
O Bloco de Esquerda insiste na questão da eutanásia, deixando passar meses atrás de meses para que a palavra e as ideias vão entrando na cabeça dos portugueses até parecerem normais. Agora apresentaram finalmente o projecto de lei. Naturalmente a Associação de Médicos Católicos considera-a inaceitável. A Renascença tomou posição, para que não restem dúvidas, bem como a directora de informação, Graça Franco.

O Papa Francisco recebeu hoje o presidente da Turquia, estiveram reunidos cerca de uma hora e falaram sobre Jerusalém, entre outras coisas. Também convocou uma jornada de oração pela Paz.

D. Manuel Clemente diz que a Universidade Católica desempenha um papel que devia ser reconhecido pelo Estado.


Para quem não ouviu o programa “Voz do Deserto” ontem na Antena 3, podem ouvir aqui em podcast. Eu, o assessor de imprensa da Opus Dei, Pedro Gil e o pastor baptista Tiago Oliveira conversamos sobre religião, música e domadores de unicórnios numa conversa de duas horas, pontuada por bons sons, moderada pelo Tiago Cavaco.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Se não vale a dignidade, então vale tudo

O Papa falou hoje à Congregação para a Doutrina da Fé, aproveitando para criticar a aceitação da eutanásia e o que isso implica. Vale a pena ler.

O Algarve vai ter um pouco da espiritualidade de Taizé, graças a um programa da comunidade. Saiba mais aqui.

Ontem decorreu um debate na Ecclesia sobre a mensagem do Papa para o dia das Comunicações. Participaram jornalistas da Renacença, numa prova de boa-vizinhança. Saiba o que se passou.

Convido-vos ainda a acompanharem esta interessante conversa entre Henrique Raposo, pela Renascença, e Francisco Mendes da Silva. Diz respeito a todos os que têm filhos, meninos ou meninas, e todos os que se preocupam com uma sociedade em que campanhas como o #MeToo são sequer necessárias. Deixo o link para o último episódio, que contém ligações para as anteriores.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Sem Jesus é outra coisa...

Antes de mais, espero que todos tenham tido um excelente e santo Natal e que os cristãos de entre os destinatários destas mensagens se tenham lembrado de que sem Jesus, não é Natal, é outra coisa, como disse hoje o Papa, depois de ontem ter recordado a ligação entre o Natal e o martírio.

D. Manuel Clemente celebrou missa no dia 25, insistindo na comunhão entre os cristãos e D. Jorge Ortiga alertou contra as “falsas esperanças alicerçadas na confiança em ídolos que nos querem vergar”. Antes, D. Manuel tinha alertado para o perigo da eutanásia, na sua tradicional mensagem de Natal, depois de ter recordado que esta prática é inconstitucional e que caso seja aprovada espera uma intervenção do Presidente. A propósito de eutanásia, saibam o que se passa na Bélgica, o país modelo cujo exemplo os defensores da “morte assistida” gostariam que seguíssemos.

O Papa aproveitou a mensagem de Natal para falar da importância de uma solução de dois estados na Terra Santa, com a partilha de Jerusalém e na missa do Galo falou do drama dos refugiados.

Quem teve um Natal mais difícil foi o cardeal Maradiaga, das Honduras, um dos conselheiros próximos de Francisco, que se vê agora envolvido numa polémica sobre dinheiro.

Hoje temos um artigo especial no The Catholic Thing em português. O texto publicado é um excerto de um ensaio do Papa Bento XVI, uma curiosa reflexão sobre o burro e a vaca no presépio. Convido-vos a ler!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Liberdade Religiosa nos quartéis e dia Mundial dos Pobres

Existe liberdade religiosa nas Forças Armadas? Os militares evangélicos têm dúvidas e o assunto foi discutido ontem numa conferência na Academia Militar. Leia e conheça o capelão do hospital das Forças Armadas que só pode trabalhar como voluntário.


Hoje é o primeiro Dia Mundial dos Pobres, mas em muitos sítios a data será assinalada no Domingo. Em Lisboa a Cáritas organiza uma caminhada, em Roma o Papa almoça com 1.500 pobres.

O Papa publicou esta sexta-feira uma mensagem a dizer que visita a Birmânia com uma “mensagem de reconciliação, de perdão e de paz”.

Terminou ontem a reunião plenária dos bispos portugueses. Na conferência de imprensa final D. Manuel Clemente falou sobre a (não) admissão de homossexuais no seminário e do padre madeirense que assumiu ter tido um filho. No campo da educação os bispos têm recados para o Governo.

Decorre no Vaticano um encontro sobre os cuidados no final da vida. O Papa enviou uma mensagem aos participantes, criticando tanto a eutanásia – que é sempre errada – como a distanásia.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Aceitar o Dom do Sofrimento

Philip Hawley Jr.
De vez em quando Deus coloca na nossa vida alguém tão rico em graça que esta parece submergir-nos completamente. A Emma foi uma dessas pessoas para mim.

A sua morte, depois de uma batalha de cinco anos contra o cancro, não foi referida na imprensa local. A Emma era uma imigrante pobre que esfregava o chão da minha casa quando não estava a mudar as fraldas aos meus filhos. A sua humildade era tão misteriosamente profunda que podia desaparecer de vista mesmo quando era a única outra pessoa na sala.

E contudo – ou, aliás, devido a estas qualidades – estou certo de que um coro de anjos fez tremer as portas do céu durante os seus últimos momentos na terra, porque, na morte como na vida, ela esvaziou-se em Deus numa viagem indescritivelmente bela de sofrimento e graça.

A Emma sofreu emocional e espiritualmente nos últimos meses e a minha experiência enquanto médico de pouco serviu para aliviar as suas aflições. Todos já passámos pela angústia de ver alguém de quem gostamos em sofrimento. Há uma aversão profunda ao sofrimento na natureza humana, bem como compaixão para com aqueles que sofrem.

Estes aspectos da nossa natureza são ainda mais aparentes nestes tempos em que o desenvolvimento da medicina eliminou grande parte do sofrimento físico que, para os nossos antepassados, era simplesmente parte da vida e da morte. Não obstante serem bons em si, estes avanços levam-nos a ver o sofrimento como uma anomalia, algo a ser eliminado, até na hora da morte.

O sofrimento é um denominador comum em todas as razões dadas por doentes com pensamentos suicidas. O apoio ao suicídio medicamente assistido radica, no fim de contas, na crença de que a eliminação do sofrimento – físico, psicológico, espiritual ou existencial – é um bem moral mais importante do que sustentar a vida.

Alguns destes argumentos são espúrios, como a afirmação de que a dor severa é comum no final da vida. Na verdade os cuidados paliativos tornaram-na bastante rara. Mas a mera negação destes medos, que são compreensíveis, nada faz para ajudar aqueles que contemplam o suicídio, só faz com que se sintam mais isolados.

Uma sondagem da Pew Research de 2014 revelou que 71% dos americanos consideram-se cristãos. É um número quase idêntico ao dos americanos que apoiam o suicídio assistido. Isto sugere que a maioria dos cristãos apoia o suicídio assistido. Então pergunto aos meus correligionários, sobretudo aos católicos: O que é que Jesus Cristo nos tem a dizer sobre o sofrimento em fim de vida? Afinal de contas, o seu exemplo devia ser da maior importância para os seus seguidores.

A nossa fé cristã assenta, em última análise, na Paixão de Cristo. Se Cristo significa alguma coisa, é em primeiro lugar o Deus-homem que sofreu para nos redimir do pecado. A Paixão não é apenas o que Cristo fez, mas quem Ele é.

Os defensores do suicídio assistido costumam argumentar que uma morte arrastada é indigna. Mas antes de aceitar esta afirmação, pensem por momentos nos detalhes da Paixão de Cristo. Se uma morte sofrida é indigna, então a de Cristo foi a mais indigna de todas. Porque é que Cristo, ou o Pai, não puseram fim rapidamente à indignidade? Tendo em conta que a prolongada morte de Cristo causou sofrimento aos que o observavam aos pés da Cruz, talvez ele tivesse o dever de morrer rapidamente.

São João Paulo II: Um exemplo de dignidade no sofrimento
Mas o sofrimento de Cristo continuou até à morte, o que aponta para outra verdade. Ao contrário dos conceitos triviais de dignidade a que nos costumamos agarrar, a verdadeira dignidade humana deriva directamente da fonte: Imago Dei. O sofrimento não é uma afronta à nossa dignidade. Quando oferecida da forma como Deus nos pede, é uma afirmação da nossa dignidade. Nos seus últimos anos, o Papa São João Paulo II viveu esta verdade de forma a que todos a pudessem ver.

A morte é uma coisa confusa e por vezes fisicamente revoltante. Desconfio que a morte de Cristo na cruz tenha sido bastante mais hedionda do que a Bíblia diz. Mas apesar disso a sua mãe permaneceu aos pés da cruz do seu filho e viu-o a morrer de uma forma indescritivelmente horrível. Apesar da agonia física e espiritual, tanto a mãe como o Filho aceitaram as suas cruzes. Ao fazê-lo, Cristo parece estar a dizer algo para todos aqueles que sofrem junto de um doente moribundo.

Para lá da Paixão de Cristo, a história da Igreja antiga é também, na sua dimensão humana, uma história de sofrimento. Todos os apóstolos à excepção de João foram martirizados e são incontáveis os que morreram pela fé nos primeiros tempos da Igreja.

Não quero dar a entender que compreendo uma morte sofrida, ou como Deus retira graça do mal físico. Estas e muitas outras coisas permanecem misteriosas para mim, mas há uma verdade que me parece clara: Cristo não aceita apenas o sofrimento para si. Ele pede-nos que sofra com ele e esse pedido está no coração da nossa fé cristã.

A Emma nunca deixou de sorrir, mesmo por entre o seu sofrimento imenso. É algo que não me imagino capaz de fazer. Ela aceitou o convite de Cristo e, nessa sua entrega, eu fui abençoado com a visão do Cristo sofredor e com a luz de uma graça inexplicável. Ela demonstrou como se pode optar por sofrer simplesmente porque é isso que Cristo nos pede.

Nas suas palavras e acções Jesus nunca sugere que a nossa vida – um dom de Deus – é nossa para destruir. Através da sua Palavra revelada, aliás, é precisamente o contrário que se torna evidente, como poucas verdades o são.

O suicídio não é uma libertação compassiva do sofrimento. A morte não é o fim. Eu não pretendo saber como é que Deus pesará a decisão de quem quer que seja debaixo de um sofrimento tão intenso, mas o que nos está a pedir quando chegar a hora da nossa morte parece-nos evidente.

Deus quer-nos com ele no Céu e o sofrimento em fim-de-vida é um apelo dramático e último para entregarmos a Ele a nossa vontade. Para aqueles, como eu, que são pecadores, esse é o maior dom que Ele nos podia oferecer. Não estou a dizer que vai ser fácil, mas temos o exemplo de Emma e de outros como ela para seguir.

(Publicado pela primeira vez no domingo, 24 de Setembro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Philip Hawley, Jr, MD, é médico num hospício e antigo professor assistente de Pediatria Clínica na University of Southern California Keck School of Medicine.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Medicina ao Serviço do Poder

Matthew Hanley
O ciclo noticioso é hoje em dia tão rápido que mesmo os assuntos mais mediáticos podem desaparecer da vista – e da memória – em tempo nenhum. Se perdeu a cobertura intensiva da recente “Marcha pela Ciência”, não se preocupe, voltará a seu tempo. A narrativa é demasiado útil para ser descartada: almas corajosas a defender a ciência contra forças antediluvianas até que um político esclarecido possa restaurá-la ao seu “devido” lugar.

Quando a coisa estava no auge surgiu a seguinte manchete: “The Perils of Trumping Science in Global Health”. Poderia vir de qualquer órgão – Washington Post, New York Times, MSNBC, NPR – certo? Mas não, é do outrora bastião da ciência, o New England Journal of Medicine (NEJM).

Os autores são médicos de Stanford e a sua queixa é antiga e gasta: a escassez de contraceptivos e a descontinuação do financiamento americano para o aborto no estrangeiro são proposições perigosamente anticientíficas que põem vidas em perigo.

Artigos deste género não são movidos por dados objectivos, mas pelo interesse em avançar uma causa política – normalmente a destruição de uma ou outra classe de pessoas. Não é propriamente uma boa premissa para um argumento, seja científica ou não. Em defesa desta minha afirmação, voltemos a nossa atenção não para o Catecismo, mas para outro artigo no NEJM.

Este começa por afirmar secamente: “A ciência, debaixo de uma ditadura, torna-se subordinada à filosofia orientadora da ditadura”. Identifica o princípio filosófico orientador, de “utilidade racional”, como sendo de natureza hegeliana e lamenta que “tenha vindo substituir os valores morais, éticos e religiosos”.  

Este não é o tipo de coisa que estamos habituados a ouvir. Como é que se reconciliam estas visões tão diferentes – na mesma revista médica?

Bom, se calhar devia referir que este último é de 1949. O seu título era: “Medical Science Under Dictatorship” e foi escrita pelo Dr. Leo Alexander, que contribuiu para o Código de Nuremberg. Trata-se de uma reflexão sobre a sua investigação da cumplicidade da profissão médica (na altura ainda não se dizia “comunidade”) com os horrores da Segunda Guerra Mundial.

Alexander realçou o rapidíssimo declínio da ética profissional, manifestada na eliminação massiva dos inúteis, indesejados, doentes crónicos e desleais. A “ciência” médica daquele tempo descobriu diagnósticos como “antipatia inveterada contra os alemães” para facilitar o processo de liquidação.

A programa geral de investigação médica estava direcionado à “destruição e prevenção da vida”. Alexander refere-se mesmo a esta iniciativa como a “ciência da aniquilação”. A conclusão de que neste contexto seria bom ser-se um “inimigo da ciência” parece-me um imperativo moral.

Chega mesmo a inventar o termo “ktenologia” para esta ciência da matança; talvez não conste de todos os dicionários, mas com todos os meios de esmagar a vida que empregamos actualmente – e que procuramos para amanhã – devíamos ter algum termo em uso corrente. (O mais próximo talvez seja mesmo “cultura da morte”).

Obviamente os abusos do regime Nazi chegaram a proporções maciças, mas o que se tornou evidente para investigadores como o Alexander foi que “começaram com coisas pequenas”. O início foi marcado por mudanças subtis de atitude – a aceitação da premissa básica do movimento da eutanásia de que algumas vidas são um fardo sem sentido. Mais vale despachá-las.

Nem toda a gente cedeu. Os médicos da Holanda ocupada foram capazes de ver para além dos lemas aparentemente inócuos, resistiram às insistências e suportaram perseguições brutais, mas não participaram nem na eutanásia nem nas esterilizações. O Terceiro Reich já pertence ao passado, mas entretanto a Holanda tornou-se o epicentro da eutanásia, o que sugere que as ideias abraçadas pelos nazis – pelo menos o seu utilitarismo impiedoso – triunfaram, tal como muito do estilo político da União Soviética persiste por entre os absurdos do politicamente correcto.

O artigo de Alexander conta muitos episódios perturbadores, mas não deixa de ser edificante devido à sua clareza. Lê-lo é como ver um daqueles filmes a preto e branco que melhorou com a idade, é qualquer coisa que nos enche de uma sensação de exílio. As fronteiras poderão não ter mudado, mas o panorama ideológico sim – de uma forma de tal maneira sísmica que é o presente, e não o passado, que parece agora um país estrangeiro.

Ezekiel Emanuel - Contra a objecção de consciência
A “mesma” NEJM causou alguma polémica o mês passado ao dar voz ao médico, agora político, Ezekiel Emanuel que defende que as “sociedades profissionais deviam declarar que a objecção de consciência viola a ética”.

Emanuel refere-se à objecção contra variadas formas de destruir, prevenir ou mutilar a vida humana que se encaixam na sua visão deturpada de “cuidados” – os mesmos meios que Alexander criticou quando Nuremberga era ainda uma memória recente. Leu bem: Emanuel considera que é contra a ética ser objector de consciência contra tais coisas; a sua posição implica, nas palavras de Wesley Smith, que toda a gente que é pró-vida devia abandonar o ramo da medicina.

Às vezes os paralelos com as atrocidades nazis podem ser exageradas, mas a descrição que Alexander faz das atitudes que conduziram a esse desastre parecem aplicar-se perfeitamente à mentalidade de Emanuel e companhia. Parecem estar a exigir o que Himmler exigiu e, eventualmente, conseguiu: a cooperação de médicos e da ciência médica da Alemanha para levar a cabo monstruosidades consideradas necessárias para promover uma agenda maior, obviamente não-científica e desumana.

Emanuel quer reavivar a tática de intimidação que Alexander criticou: “qualquer indício de tibieza ou falta de entusiasmo pelos métodos do governo totalitário devem ser considerados uma ameaça a todo o grupo”. Tal como os que o antecederam nesta ignomínia, Emanuel intui que aquele que se recusa a matar é uma ameaça aos desígnios – e consciências – de quem o fará.

Que “cientistas” como Emanuel queiram um tipo de “progresso” que abandone a ética do Código de Nuremberga devia ser uma pista para todos nós. O que Emanuel e companhia querem é, parafraseando C.S. Lewis, poder exercido por alguns – como eles – sobre todos os outros, tendo a “ciência” como instrumento. Em última análise estão a apostar na conquista final que C.S. Lewis vislumbrou: A Abolição do Homem.

É contra este tipo de coisa que devíamos estar a marchar.


Matthew Hanley é Investigador sénior no Centro Nacional de Bioética Católica. Matthew Hanley é autor, juntamente com Jokin de Irala, de ‘Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West’, que foi recentemente premiado como melhor livro pelo Catholic Press Association. As opiniões expressas são próprias, e não da NCBC.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 13 de Junho 2017 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Papa escreve ao Irão, juristas aos deputados

Atentado no Irão fez 12 mortos
O Papa Francisco mandou esta sexta-feira uma mensagem de condolências ao Irão por causa dos atentados que tiveram lugar naquele país na passada quarta-feira.

Um grupo de mais de 100 juristas assinou uma carta aberta a pedir aos deputados que não legalizem a eutanásia nem o suicídio assistido.

Por falar em juristas, chamo a atenção para um evento no próximo dia 21 de Junho em que haverá uma assembleia geral da Associação dos juristas católicos que começa com missa às 19h15 termina com um jantar debate sobre a ideologia do género, em que falará Diogo da Costa Gonçalves. Passa-se tudo na Igreja de São Nicolau, em Lisboa.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Baptista-Bastos-Baptizado

Pedro Baptista-Bastos
O Papa Francisco ficou triste com a notícia do massacre dos cristãos coptas no Egipto a semana passada e ontem em Roma lembrou novamente o sucedido, bem como o atentado de Manchester.

Realiza-se amanhã uma importante homenagem ao Colégio Português em Roma, que passa a ter a designação “Casa da Vida”, devido ao trabalho do antigo reitor Joaquim Carreira que salvou dezenas de judeus e opositores ao regime. Pela mesma razão foi homenageado ontem em Portugal.


Podem ler aqui uma interessante entrevista com Pedro Baptista-Barros, filho do jornalista Baptista-Barros, que recentemente foi baptizado e aqui fala do seu percurso de fé.

Por fim, convido-vos a ler um curto texto sobre como depois de um ano a pedir à editora Aletheia que me pagasse o que me devia em direitos de autor, bastou pedir orações a um grupo de freiras e a situação ficou logo resolvida! É fantástico! A oração funciona e a vergonha existe, embora pouco. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

First Things, de embriões a eutanásia

Clicar para aumentar
O Papa recordou esta quinta-feira que “nenhum meio justifica a destruição de embriões humanos”, em conversa com vítimas e investigadores de doença neurodegenerativa.

A Igreja de São Cristóvão, em Lisboa, está a ser renovada e é possível agora assistir ao vivo à última fase do restauro de uma tela do século XVII, da Última Ceia.

O livro “Conversas em Altos Voos”, de Aura Miguel, já foi lançado em versão áudio e braille!

Publiquei hoje, com algum atraso, admito, a transcrição integral da minha entrevista com R. R. Reno, editor da influente revista americana First Things. Vale a pena ler para ver o que ele acha de Trump, do Supremo Tribunal americano, das actuais questões fracturantes na sociedade e quais os nomes que devemos ter debaixo de olho a nível de opinadores conservadores nos EUA.


E termino com um aviso. Vai-se realizar uma conferência sobre a Eutanásia: “A Morte da Pessoa que Sofre: Causar ou acompanhar?”. Realiza-se no dia 31 de Maio no auditório da União de Associações do Comércio e Serviços, em Lisboa, com várias sessões, como podem ver na imagem que ilustra o post. Não percam.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Opção dominicana e capacidade de escuta

A tarde de ontem foi marcada pela tragédia da explosão na fábrica de pirotecnia em Avões, Lamego. São seis mortos confirmados, mas tudo indica que serão oito. O bispo de Lamego (na imagem) não se quer ficar pelas meras condolências

Outra tragédia aconteceu na Síria, como ontem partilhei. Hoje o Papa classificou-a como “inaceitável”.

O Papa recebeu esta quarta-feira em Roma uma delegação de líderes muçulmanos do Reino Unido a quem falou da importância de se dialogar com base na escuta, e não nos gritos.


Porque hoje é quarta-feira temos um artigo do The Catholic Thing em que David Warren argumenta que tanto ou mais que uma “opção beneditina”, como tem sido proposta pelo americano Rod Dreher, o mundo cristão precisa da inspiração de São Domingos.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Papa tira do tesouro coisas antigas e coisas novas

A saga da procura da reconciliação entre Roma e a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (vulgos lefebvrianos) continua. O Vaticano deu mais um passo, tomando medidas para que os casamentos celebrados no contexto da Fraternidade sejam considerados lícitos.

Neste mesmo dia o Papa sublinhou a importância do documento Populorum Progressio, de Paulo VI, um marco no campo da justiça social e do desenvolvimento.


António Costa esteve na Renascença esta terça-feira para ser entrevistado. Sobre a eutanásia diz que não sabe como votaria se fosse deputado. Da minha parte insurgi-me em artigo de opinião no blogue contra frases do género “é preciso um debate sério e sereno” ou “ainda não é tempo de discutir isto, há questões económicas mais importantes”, etc. Leiam e discutam.

Um convite, antes que se metam as férias da Páscoa, Thereza Ameal vai apresentar o seu livro “Querido Deus” no dia 19 de Abril às 17h30, na Obra Social Paulo VI, no Campo Grande. Apareçam e divulguem, que a autora certamente agradece!

Eutanásia, timings e democracia

Nos últimos tempos tem-se falado muito de eutanásia e muito mais se irá falar ainda.

Há uma série de coisas que ouvimos dizer repetidamente e que merecem reflexão e comentários.

“Precisamos de um debate sereno e profundo”
Toda a gente gosta de dizer isto, de um lado ou de outro da barricada. Mas permitam-me discordar… Havendo um debate, que seja sereno e profundo. Mas o ideal seria não haver debate nenhum. Esta questão não é sequer “debatível!”

Já escrevi aqui que a Eutanásia baseia-se em premissas absolutamente destrutivas. Nomeadamente na ideia de que a dignidade humana depende da nossa capacidade física e ou mental. Ou sequer que a dignidade depende da nossa vontade! A partir do momento em que aceitamos que a dignidade é algo volátil, algo que vai e vem, ou que pode ser diminuída por factores terceiros ou pela nossa vontade, estamos a dividir a humanidade em pessoas que têm dignidade e outras que não têm. O que se segue nunca é bom.

Por isso não. Precisamos tanto de um debate sereno e profundo sobre isto como eu preciso que alguém discuta profunda e serenamente o gaseamento de ciganos ou o afundamento de barcos cheios de refugiados no Mediterrâneo.

Agora, vai haver debate? Parece que sim, infelizmente. Então que seja sereno? Tudo bem. Mas precisamos disso? Mais rapidamente precisamos de memória histórica e uma chapada na cara para ver se ganhamos juízo…

“Agora não é a altura para discutir a eutanásia”
Esta também se ouve, normalmente dita por pessoas que são contra a eutanásia ou por pessoas que sendo favoráveis, não querem que o debate seja feito agora, talvez, sabe-se lá, porque o Papa visita o país em Maio e não é conveniente recebê-lo com estes projectos em cima da mesa…

Mas o problema desta frase é que dá a entender que existe uma altura em que, aí sim, será perfeitamente adequado discutir a matança de pessoas com a colaboração de pessoal de saúde.

Imaginam alguém na Alemanha nos anos 30 a dizer “Sim, temos de ter um debate sereno sobre o problema judaico, mas a economia está nas lonas e até resolvermos isso não é a altura certa para discutir a solução final.”?

Não. Não é altura para discutir a eutanásia porque nunca é altura para discutir a eutanásia. Tão simples como isso.

O referendo
Deve haver um referendo sobre a eutanásia? Muito bem, eis a minha opinião:

Se o referendo for a única forma de travar a eutanásia, deve haver referendo.

Se o referendo for a única forma de legalizar a eutanásia, não deve haver referendo.

Não é lá muito democrático? Temos pena.

A sacralidade da vida e a dignidade humana não estão ao serviço de instrumentos democráticos, sejam eles quais forem. Lamento, mas não estão.

É perfeitamente evidente que a vida não é referendável. Logo, a ideia de decidir em referendo se a eutanásia deve ser legal é horrenda. Só é aceitável se for como forma de a travar. Não porque a democracia tudo legitima, mas precisamente porque a vida e a dignidade da vida estão na raiz da legitimidade democrática. Mais nada.

E esta regra aplica-se tanto à eutanásia como a outras aberrações como a escravatura e o aborto. Referendos? Façam-nos à vontade! Servem unicamente na medida em que legitimam aquilo que está conforme o direito natural e uma visão digna da humanidade.


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