Mostrar mensagens com a etiqueta índia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta índia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Actualidade Religiosa: Cardeal Law, perseguição na Índia e focas chamadas Amália

Morreu o cardeal americano Bernard Law. O seu legado fica tristemente associado ao escândalo de abusos sexuais da diocese de Boston, mas como nos recorda o cardeal Sean O’Malley, ele era muito mais do que os seus pecados e as suas falhas que conduziram ao encobrimento de dezenas de casos de abusos.

Os cristãos na Índia temem um aumento de casos de perseguição, agora por altura do Natal, e apontam para uma situação recente que levou à detenção de um grupo de 32 seminaristas.

Conheça a foca chamada “Amália” que foi comprada pelas Irmãs Hospitaleiras para melhorar o bem-estar de pessoas com demência…

Convido-vos também a ver esta grande reportagem multimédia da Renascença sobre a vida dos refugiados sírios na Turquia. Não tem directamente a ver com religião, mas penso que não se vão arrepender de o ver e ler até ao fim.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Num mundo que é cada vez mais dominado pelos sentimentos e as emoções do que pela razão, é urgente ler e compreender este artigo do padre James V. Schall, que fala dos riscos que esta tendência apresenta para a nossa civilização. 

domingo, 3 de dezembro de 2017

"Católicos na Birmânia e no Bangladesh sentem-se (legitimamente) portugueses"

Aqui podem ler a transcrição integral da minha conversa com o historiador Miguel Castelo Branco, a propósito da importância da presença portuguesa na Birmânia e no Bangladesh. Esta entrevista serviu de base para três reportagens, que podem ser lidas aqui, aqui e aqui.

O Papa viaja nos próximos dias para a Birmânia e para o Bangladesh. São dois destinos em que o catolicismo está muito ligado a Portugal…
O primeiro contacto que tiveram com o Ocidente foi com portugueses, muito embora alguns digam que por lá, ocasionalmente pudesse ter chegado algum mercador genovês ou veneziano. Mas a presença impressiva, que deixou sulco e que ainda deixa sulco por todas as comunidades católicas – atrever-me-ia mesmo a dizer do Cabo ao Japão – foram profundamente inspiradas pela matriz do Catolicismo português, porque há estruturas sociais, mentais e de valores que extravasam o campo estritamente religioso e que têm uma marca profunda de Portugal.

No caso da Birmânia desde meados do Século XVI foram chegando portugueses, não propriamente portugueses organizados, porque não eram funcionários ou servidores do Estado da Índia, e que se fizeram no actual Myanmar como soldados.

Mas há aqui uma série de outras questões engraçadas, que dariam um filme por exemplo, dos aventureiros mercenários portugueses, dois dos quais até se transformaram em reis locais.

Há o caso do Sebastião Tibau, que é um rapaz novo, de 20 anos, que chega à Índia, deserta imediatamente e põe-se ao serviço do Rei do Arracão, que é esta região onde há actualmente este problema dos Rohingyas, chama-se Rakhine. E ele transforma-se lentamente num rei pirata de uma ilha que fica no Golfo de Bengala, em frente ao Bangladesh, onde termina o Bangladesh começa Myanmar.

Ele foi rei de Sundiva, depois é claro que com tantas traições e mudanças de campo acabou por ser destruído pelos birmaneses.  E depois há o famosíssimo Rei do Sirião, ou rei do Pegú, que é um Filipe Brito de Nicote, no primeiro quartel do século XVII, e que era também um mercenário, que ganhou tanto relevo que acabou por ser investido como Senhor do Sirião. Sirião fica no Pegú, o extremo sul da Tailândia, perto do mar de Andaman. Mas a partir do momento em que extravasou a sua lealdade para com o Rei do Arracão...

Tudo isto no que é actualmente a Birmânia?
A Birmânia antigamente, assim de forma muito simplista, eram dois reinos. O Arracão, actualmente o Rakhine – aquele Estado onde está em curso aquele problema dos rohingyas – e o norte, a Birmânia interior, que era o Reino de Ava.

Filipe Brito de Nicote servia o Arracão, mas a partir do momento em que excedeu em liberdade em autonomia, foi eliminado. Temos aqui dois casos de soldados práticos que não têm nada a ver com o Estado da Índia nem com as relações diplomáticas, informais, entre Portugal e a Birmânia.

Esses são dois casos isolados e curiosos. Mas há depois uma presença mais organizada que acaba por ter uma grande influência na história da Birmânia...
Onde há portugueses à solta – que era o nome que se lhes dava – geravam espontaneamente comunidades ditas portuguesas. Casavam com mulheres locais e os filhos recebiam educação portuguesa, o que quer dizer a religião dos portugueses, católica. E por conseguinte, ao fim de 20 ou 30 anos geravam-se os chamados bandéis, que são povoados inteiramente ocupados por esta população mista, neste caso luso-birmanesa, como na actual Tailândia, luso-siamesa e por todo o lado assim aconteceu.
Eram comunidades que desabrochavam espontaneamente e que eram especializadas, isto é, estas comunidades tinham uma função no quadro das monarquias locais. Eram soldados, eram intérpretes (não nos esqueçamos que o português era a língua franca internacional. Até ao Século XIX os ingleses, holandeses e franceses, tinham de aprender português para poderem negociar nessa região, uma região vasta, que vai praticamente até Timor. O inglês é uma coisa muito recente), eram bons agentes diplomáticos para receber europeus, porque dominavam o processo de negociação e conheciam as manhas dos ocidentais, e eram também fundidores.

Até ao século XIX, no caso da Birmânia, estas comunidades, que eram numerosas, tinham um estatuto muito privilegiado e eram muito protegidas pelas monarquias budistas – como é o caso da Tailândia e da Birmânia – que são aliadas dos portugueses, mas no sentido em que há forças que são intermediárias entre Portugal e essas monarquias e essas forças locais, sociais, são estas comunidades católicas.

Claro que com o aumento da expressão demográfica destas minorias católicas portuguesas, porque era assim que eram tratados – a religião dos portugueses era o Catolicismo, logo o Catolicismo só era próprio dos portugueses – eles tiveram de pedir assistência religiosa e assim várias ordens religiosas, nomeadamente os jesuítas, os agostinhos, os franciscanos enviaram missionários e criaram-se missões.

Ainda há quem recorde a presença dos portugueses naquele país? O que é que lá ficou?
Ainda há uma comunidade compacta. Eles foram distribuídos pelo território, por vários motivos históricos.

A França e a Alemanha daquela região são respectivamente a Birmânia e a Tailândia, e estavam em constantes guerras. Como havia portugueses de um e de outro lado, ao serviço das monarquias, o princípio não era matá-los, era capturá-los, porque nas guerras asiáticas desse tempo a lógica não era exterminar o inimigo, era aprisionar o inimigo, porque havia uma falta crónica de mão-de-obra e de gente e sabiam que estes arcabuzeiros, estes atiradores portugueses eram muito bons, pelo que tentavam capturá-los e cobriam-nos de regalias.

Estando de um lado ou de outro, sendo capturado por um lado ou por outro, sabiam que não seriam mal-tratados.

Actualmente ainda há vestígios razoavelmente importantes. Quem leu as “Burmese Days”, de Orwell, encontra esta figura do português, aquilo a que os ingleses chamavam desdenhosamente “Black Portuguese”, com o seu racismo, porque de facto essas populações foram hostilizadas sobretudo pelas potências coloniais, não foram pelos estados independentes que subsistiram até ao século XIX. No caso da Tailândia felizmente nunca foi colonizada até ao Século XX.

Actualmente estes descendentes vivem alguns em Rangum, que foi até há pouco a capital do Myanmar, mudou para Naipindau, e no Norte. Eles foram acompanhando a monarquia Birmanesa no seu recuo para o interior. Sobretudo no Século XIX quando os ingleses chegaram para invadir pela primeira vez a Birmânia – a Birmânia era um grande Estado, foi agredida três vezes militarmente pelos ingleses até desaparecer, três guerras sucessivas no século XIX – a população católica acompanhou os seus reis, os seus reis budistas, até Mandalay. No Norte do país, perto do Rio Mo, há ainda uma numerosa população portuguesa, com os seus padres católicos, descendentes de portugueses.

Ainda há um ano na Faculdade de Direito, a Nova Portugalidade organizou uma conferência que teve por convidado Sua Alteza Real o Sr. D. Duarte, e ele falou sobre as comunidades e as cristandades portuguesas no Oriente e lembrou que todos os bispos da região têm ascendência portuguesa, o que de facto mostra que são comunidades que mantiveram a sua lealdade e a sua lealdade é tripla: É uma lealdade nacional, porque eles são bons patriotas e bons cidadãos dos países onde nasceram; uma lealdade à sua religião, são católicos, e uma lealdade emocional a Portugal, coisa que certamente nas Necessidades ninguém se lembrará.

São comunidades extremamente importantes e continuam a ser, sobretudo na Tailândia, onde ocupam funções de grande relevo no serviço público.

Neste momento há uma crise humanitária com os Rohingya... Quais são as raízes históricas do que se está a passar aí?
Creio que há uma grande parcialidade, para não dizer uma grande manipulação, em relação á questão dos refugiados rohingyas. Para o Governo birmanês eles não são birmaneses, isto é, não são cidadãos do Myanmar. Chamam-lhes bengalis, porque vieram do Golfo de Bengal.

Acontece que a questão é antiga e é recente. É antiga porque de facto há referências esparsas, de viajantes ingleses, sobretudo, à existências desses rohingyas já no século XVIII. Como era prática no quadro do império, o Raj britânico, havia mudanças de população. Os ingleses levaram para a Malásia milhares, que agora são milhões, de chineses, como levaram para o Uganda indianos, como levaram chineses também para a actual Singapura e levaram estes bengalis para o ocidente de Myanmar, para este Estado de Rakhine.

O que acontece é que durante a Segunda Guerra Mundial a Birmânia tornou-se independente. Teve um Governo fabricado pelos japoneses para demonstrar que o Japão estava na dianteira do processo de luta contra o imperialismo ocidental. Os birmaneses aceitaram naturalmente essa graça da independência e foram fiéis aliados dos japoneses. Quando voltaram os ingleses em 45 já estavam com problemas na Índia, iniciaram o processo de independência da Índia e depois da Birmânia. E ao saírem entregaram todas as armas que tinham aos muçulmanos, ditos rohingyas, que agora estão no centro dos noticiários.

Acontece que entre 1948, data da independência da Birmânia, e os anos 60, estes muçulmanos desenvolveram uma guerra de guerrilha intensíssima que foi, finalmente, vencida pelo Exército birmanês.

Agora, uma coisa que as pessoas não sabem é porque é que o Governo do Bangladesh e o Governo da Índia hostilizam de uma forma tão notória os chamados rohingyas. Porquê? Porque o braço armado da chamada resistência rohingya é o nome local para a Al-Qaeda.

Os rohingyas não são só alvo de perseguição, têm morrido milhares de budistas, impalados, queimados vivos, com templos destruídos, pelo chamado exército de defesa rohingya. Portanto os rohingya armados são outro nome para a Al-Qaeda.

Não devemos de uma forma tão afirmativa separar os bons dos maus, porque aqui há de facto um problema grave. Há um problema de populações, um problema de sofrimento humano, mas parece-me que, ao contrário do que se diz, a senhora Aung San Su Kyi tem tentado de uma forma razoavelmente cordata – no pressuposto de que Estado algum aceita uma secessão de uma parte do seu território. Se acontecesse connosco no Algarve ou nos Açores, ou com os espanhóis na Catalunha, a posição do Estado é mais dura – mas não me parece que da parte dela e da parte da grande maioria da população, e sobretudo dos agentes políticos birmaneses, haja qualquer expressão de ódio em relação aos muçulmanos.

Não está em curso uma guerra religiosa, ao contrário do que muitas pessoas julgam. A situação não é tão clara como parece e há, no caso dos rohingyas, um fantasma, um espectro oculto, que é a Al-Qaeda, que também está em Mindanao nas Filipinas, que está no Sul da Tailândia, portanto a questão não é tão linear como alguns pretendem fazer crer.

Independentemente disso, que dá contexto, as imagens que vimos dos refugiados, das tragédias, da limpeza étnica...
Eu não sei se será limpeza étnica, mas há de facto um nível de violência inaceitável.

Mas conviria estudar e saber in loco, porque ao contrário do que o senso comum, que muitas vezes tem um peso imenso, pretende fazer crer, os especialistas na matéria birmanesa tomam todos partido pelo Governo da Birmânia. Estou a falar de grandes autoridades, historiadores, sociólogos e antropólogos e etnólogos, que conhecem profundamente Rakhine, que é o estado onde estão a acontecer estes problemas, e todos eles tomam partido.

Eu creio que tal como aconteceu na Síria, seria conveniente saber quem é quem e saber quem é que faz o quê. Ainda me lembro que há quatro ou cinco anos era impossível falar na Síria sem ter de despejar uma torrente de impropérios sobre o Governo de Bashar al-Assad, quando para nós, católicos e cristãos, era a entidade que estava a defender as cristandades existentes na Síria. Portanto eu creio que é necessário muitas vezes tentar perceber um pouco e ouvir as autoridades certas e no caso da Birmânia aquilo que me parece é que houve um grande exagero, como há estas explosões emocionais, que são próprias, mas que não são esclarecedoras. E depois é necessário dar voz, e ouvir as pessoas que conhecem, sobretudo ocidentais, sem parcialidade e sem cegueiras, para que possam dizer-nos exactamente o que é que está a acontecer.

Temos depois o Bangladesh onde, segundo o embaixador em Lisboa, ainda existem 1.500 palavras portuguesas no vocabulário e o principal bispo tem o apelido D’Rozário… Fica surpreendido ao saber estas coisas?
Há uma grande comunidade, aliás, Calcutá, que foi – creio que ainda será – a maior cidade indiana, onde os ingleses se fixaram depois no Século XVII para XVIII, foi criada pelos portugueses. De Calcutá para Leste, ali na foz do Bramaputra, constituíram esses tais bandéis, esses tais acampamentos dos portugueses. A maior cidade portuária, que é agora especialista mundial em desfazer navios, que é Chitacong, foi criada pelos portugueses. E o Bangladesh tem esta curiosidade, tem de facto uma minoria católica forte, muito resistente até à pressão islâmica, o que é um caso notável de sobrevivência. Mas essa presença portuguesa está lá desde o século XVI, também.

Temos alguns piratas e que desenvolvem uma actividade importante, porque escoam os produtos dessas regiões, portanto tornaram-se úteis, ao contrário do que diz alguma historiografia anglo-saxónica, não são parasitas, pelo contrário, são agentes de reprodução de riqueza, dai serem tão estimados.

A India durante 400 anos foi governada pelo chamado Império o Grão Moghol. O Grão Moghol hostilizava os cristãos, mas protegia os portugueses, porque sabia que tinham esta faculdade, eram agentes importantes dinamizadores do comércio e da riqueza. No caso do Bangladesh, um país que se inunda com facilidade, os portugueses penetraram ligeiramente no interior.

Os portugueses não foram os únicos europeus a ter interesses, comércio e a deixar um legado na Ásia. Mas este fenómeno de orgulho nas raízes portuguesas que vemos na Birmânia, na Tailândia, etc. acontece também com ingleses, holandeses, franceses?
No caso holandês e inglês não, decididamente, porque a própria expressão da sua presença e até a sua própria ideologia é marcada por uma profunda desconfiança em relação àquilo. O Grócio dizia que os portugueses eram uma raça decaída, um povo caído, porque se misturavam com os animais. Isto mostra um bocadinho o tipo de atitude holandês e inglês em relação aos povos de pele escura.

No caso dos franceses é tardia, porque a França tem sobretudo uma presença na Índia em Puducherri, a mestiçagem é muito pequena, e depois a França só volta de facto a ter algum impacto no sudeste asiático a partir da década de 60 da década XIX.

No caso português é diferente. As populações católicas que se orgulham das suas raízes portuguesas são imensas. E até têm a faculdade de resgatar do isolamento e da sua condição social marginal os mestiços feitos pelos ingleses e pelos holandeses. Todos eles quer em Batávia, actual Jacarta, quer no actual Ceilão, muitos dos descendentes de marinheiros e soldados holandeses quiseram ficar portugueses e tomaram nomes portugueses, não querem nada com essa memória e com essa ancestralidade cultural holandesa.

Aliás, as marcas são muito pequenas. Eu falo tailandês, estive vários anos na Tailândia, e não há semana que não encontre uma expressão portuguesa já muito corrompida. Perguntaria quantos termos holandeses terão ficado na actual Indonésia.

E o caso inglês e holandês, são casos de companhias, são companhias de accionistas. O império, de jure, inglês na Ásia é do Século XIX. Antes eram iniciativas de uma empresa, de uma companhia, que se chamava Companhia das Índias Orientais. O mesmo acontecia com os holandeses.

A presença portuguesa é efectiva e desenvolve-se em vectores profundíssimos, não é só uma presença de estado, económica e comercial. É uma presença religiosa, cultural e de populações que passam a ser portuguesas, dentro e fora dos limites do próprio império português. Isto é um caso único daí que para muitos ocidentais se consegue demonstrar que há actualmente – isto pode parecer um pouco exagerado – um império. Já lhe chamaram império informal ou império invisível, mas há um império invisível português na Ásia que tem a ver com todas estas comunidades católicas, que continuam vivas, algumas com alguma influência, e que Portugal infelizmente não acompanha, porque são vectores poderosíssimos de relacionamento com os estados onde prosperam estas comunidades.

Hoje em dia temos comunidades em vários pontos da Ásia que reivindicam ser descendentes dos portugueses. O Governo português faz alguma coisa para cultivar estes laços? Que mais poderia ou deveria ser feito?
Poderia fazer muito, creio que deveria. Da mesma forma que a Assembleia da República, há cerca de um ano, aprovou a concessão da nacionalidade portuguesa a sefarditas que façam testemunho e prova da sua ancestralidade portuguesa – é claro que não poderíamos fazê-lo de uma forma despreocupada – mas julgo que se deveria estudar, devia-se conhecer e de uma forma, mesmo que fosse simbólica, restituir parte da cidadania portuguesa.

Até ao século XIX a cidadania antiga portuguesa era para todo aquele que fosse católico, vivesse ou não em domínio português e que fosse leal, de uma certa forma, ao Rei de Portugal que era o responsável pelo padroado português no Oriente. Todos eles se consideravam portugueses. Subitamente há uma revolução em 1820, fazem uma Constituição escrita a dizer que são portugueses os cidadãos nascidos em Portugal... Essa gente sofre desde então uma certa orfandade, porque eles consideram-se, e legitimamente, na sua perspectiva, portugueses.

Portanto caberia ao Estado português tentar encontrar uma fórmula e sobretudo investir um bocadinho mais. Creio que a Igreja portuguesa poderia ser neste caso apoiada, e todas as organizações católicas, que enviam tantos jovens para África, poderiam ajudar. Há pouco tempo uma Cátia Ferreira esteve em Malaca, professora de português, e tinha centenas de miúdos a querer aprender português.

O Governo português poderia enviar – e isto custaria menos que um dos milhares de bolsas da FCT – uns 20 professores primários, professores de português básico, para o Bangladesh, para as nossas comunidades portugueses no Myanmar, para os bairros católicos de Banguecoque, para tanto lado onde há uma fome imensa de aprendizagem da língua portuguesa, porque eles consideram-se portugueses. São portugueses, mas não têm cidadania, não são ouvidos, nem se quer, julgo eu, para nosso mal, haverá muitas pessoas nas Necessidades que tenham sequer a percepção de que este problema existe. 

Leia também


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Trump, Francisco e a Mantilha de Melania

Nossa Senhora Auxiliadora da China
A notícia do dia é o encontro entre Trump e o Papa Francisco. Falaram sobre muita coisa e trocaram presentes mas claro que o que gerou mais atenção foi a roupa de Melania e de Ivanka Trump. Se não sabe porque é que estavam de preto, aproveite para descobrir.

Hoje é dia de oração pela Igreja na China. O cardeal Joseph Zen reza mas aproveita também para criticar o regime.

Uma capela na Índia dedicada a Nossa Senhora de Fátima foi vandalizada por fanáticos hindus.

Sabia que existe uma Bíblia escrita em verso? Pois é verdade! E é de autoria portuguesa…

O Papa nomeou novos cardeais. Há surpresas não só pelos locais representados, mas também pelo facto de um deles ser bispo auxiliar de uma diocese cujo bispo não é cardeal.

E os terroristas continuam a fazer das suas. Na segunda-feira à noite deu-se o terrível ataque em Manchester, mas nas Filipinas também houve novos confrontos.

Leiam também o artigo desta quarta-feira do The Catholic Thing em que o padre Gerald Murray escreve sobre a importância da verdade e da realidade também nas relações ecuménicas. O tema aqui é a validade das ordens anglicanas, o que pode parecer uma ninharia,mas na realidade tem bastante importância.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Elder Jackie Chan? Temos pena

É só sorrisos até que alguém saca de uma arma...
Começo por vos convidar a ver esta notícia de um assalto que correu muito mal – para os assaltantes. Da próxima vez que virem um missionário mórmon na rua sorriam, mas não o provoquem!

O bispo da Guarda esteve de visita a Angola, onde uma missão por ele iniciada educa 350 crianças. Em breve serão 400.

Duas notícias de abusos de menores. A Igreja Anglicana da Austrália recebeu mais de 1.100 queixas de abusos no espaço de 35 anos, revela a mesma comissão que já analisou a Igreja Católica no mesmo âmbito. Já em Portugal, o padre do Fundão que foi condenado por abusos viu a sua pena confirmada peloSupremo Tribunal.

Os seguidores do Estado Islâmico na Índia têm um novo alvo. É o Taj Mahal, ironicamente considerada uma das jóias da arte islâmica naquele país.

Por falar em Islão, o artigo desta semana do The Catholic Thing tem palavras duras sobre esta religião. Escolhi e traduzi-o para esta semana não porque concordo com tudo o que o autor diz, mas porque concordo com a sua mensagem central. Há que olhar de frente o problema e assumir que há um problema com o Islão que os muçulmanos precisam de abordar.

terça-feira, 17 de março de 2015

Atentado no Paquistão e "O Williamson ordena amigos"

"Negando o holocausto num dia, ordenando os amigos no seguinte"
A vida difícil de um bispo ultra-tradicionalista
Domingo foi mais um mau dia para os cristãos perseguidos. Morreram 14 pessoas no Paquistão, num duplo atentado que o Papa lamentou e pela qual a Igreja local culpa em parte o Governo.

Já esta segunda-feira surgiu o relato na primeira pessoa de um espanhol que foi refém do Estado Islâmico durante vários meses, isto no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia disseram-se dispostos a recorrer a todos os meios para travar o grupo. O Vaticano também já disse que aceita o uso da força para travar o Estado Islâmico.

Outra história terrível, mas da Índia, onde uma freira de 71 anos foi violada no decorrer de um assalto.

Há muito tempo que não ouvíamos falar dele, mas parece que o bispo que se mostrou demasiado tradicionalista até para os lefebvrianos da SSPX, vai ordenar pelo menos mais um bispo entre os seus seguidores. Ao fazê-lo entrará para a história como uma das poucas pessoas a ser excomungada duas vezes…

E terminemos com uma coisa mais alegre. Durante a Quaresma a Renascença tem feito reportagem com pessoas que ajuda outras. Desta vez damos a conhecer o trabalho dos ministros extraordinários da comunhão que levam Jesus aos doentes e acamados.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pastoral penitenciária e eleições europeias

Afinal é mesmo importante...
Depois de ter escrito um texto inicial sobre a questão dos divorciados e o acesso à comunhão, publiquei ontem à noite uma nova reflexão com as conclusões que retirei depois de alguns dias de intensa discussão.

A Europa tem de pôr a família em primeiro lugar, diz a secretária-geral da Federação Europeia das Associações das Famílias Católicas. Maria Hildingsson explica ainda porque é que é importante votar nas eleições europeias.

Papa contra o futebol moderno! Francisco disse esta manhã que o dinheiro “polui” o desporto. Não sabemos se Platini ouviu o recado, ou se o crescimento súbito da sua cabeça lhe afectou a audição.

Tem decorrido o congresso da pastoral penitenciária, em Fátima. Hoje D. Jorge Ortiga manifestou-se contra a privatização das prisões e ontem o monsenhor Mario Toso falou da urgência de se ajudar os presos a encontrarem-se com Cristo.


Preocupação na Índia com um crime anti-islâmico que pode incendiar um país já em polvorosa por causa das eleições que se aproximam e, na Nigéria os bravos raptores de mulheres e assassinos de crianças do Boko Haram voltaram a fazer das suas.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Páscoa em Roma, na Síria, e numa prisão paquistanesa

Narendra Modi
Antes de mais, espero que todos os cristãos e judeus tenham tido uma Santa Páscoa. Talvez não tenham notado, mas este ano a Páscoa calhou no mesmo dia no calendário gregoriano e no calendário juliano, e na mesma semana que as festividades dos judeus.


É ainda com tristeza que vemos que esta foi mais uma Páscoa atrás das grades para Asia Bibi, a paquistanesa acusada de blasfémia.

Passada a Páscoa, as atenções focam-se nas canonizações de João Paulo II e João XXIII, que terão lugar no próximo Domingo. Ontem a Aura Miguel fez um trabalho excelente sobre João XXIII. Esta terça-feira foi a vez de João Paulo II, visto pelos olhos do seu “porta-voz” de 20 anos, Joaquín Navarro-Valls.

A Renascença aproveitou ainda estes dias para relançar um trabalho multimédia, devidamente actualizado, sobre João Paulo II, que não devem mesmo perder.

Mudando de ares… os cristãos e os muçulmanos na Índia estão preocupados com a possível eleição de Narendra Modi para primeiro-ministro. Saiba aqui porquê…

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Papa pede fraternidade, romenos... enfim...

Amigo dos intocáveis
inimigo dos Estado...
O Vaticano publicou esta quinta-feira a mensagem para o Dia Mundial da Paz. Nele o Papa fala muito das injustiças da guerra e também da economia e, numa passagem que considero crucial, diz que é na família, composta por uma mãe e um pai, que se aprende a fraternidade.

Estamos perto do Natal e é natural que comecemos a ouvir as tradicionais músicas natalícias. Esperemos, contudo, que não sejam como estas que foram transmitidas na televisão pública da Roménia…

Na Índia não é fácil ser arcebispo, mas é pior ainda ser um “intocável”. Então quando o Arcebispo sai em defesa do intocável, a situação torna-se explosiva.

Na Arábia Saudita a autoridade máxima do Islão condenou, recorrendo a termos muito fortes, os atentados suicidas.

Boas notícias para a diocese de Bragança que, três décadas depois, acabou de pagar a catedral.

Hoje publiquei no blogue duas interessantes transcrições de entrevistas feitas a propósito dos direitos humanos. Numa conversa interessantíssima, o cónego João Seabra explica o que é que os direitos humanos devem ao Cristianismo e noutra o activista Austin Ruse explica porque é que as Nações Unidas são, actualmente uma ameaça aos direitos humanos.

Não deixem ainda de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, no qual Robert Royal fala de alguns projectos de evangelização que estão a ter muito sucesso. E se gosta de ler estes artigos então poderá estar interessado em fazer um donativo para assegurar a manutenção do projecto. Noto que este link vai directamente para a página do TCT, a Actualidade Religiosa não recebe um tostão dos mesmos.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Igreja Perseguida na Índia

George J. Marlin
Depois de romper com os seus laços coloniais com o Reino Unido, em 1947, a Índia, uma nação de 1,2 mil milhões de pessoas, organizou-se como uma república secular que assegura a liberdade de culto e de propagação da fé.

O Cristianismo na Índia data dos Actos dos Apóstolos, mas apenas 2,5% da população actual professa esta fé. O número total de católicos ascende aos 19,5 milhões.

Infelizmente, durante o século XXI a cláusula da liberdade religiosa na constituição indiana tem sido ignorada por fundamentalistas hindus que têm planeado, coordenado e levado a cabo perseguições anticristãs. No dia de Natal de 2008, por exemplo, mais de 100 igrejas e edifícios cristãos foram pilhados, danificados ou destruídos e mais de 400 casas de cristãos foram arrasadas.

Desde 2008 o centro dos terroristas hindus tem sido na aldeia de Kandhamal, situada junto à selva, no Estado de Orissa. Mais de 56 mil dos 117 mil cristãos que lá vivem foram expulsos das suas casas, com seis mil destas casas a serem incendiadas. Trezentas igrejas ou locais de culto foram profanadas ou destruídas.

Os cristãos estão a ser perseguidos não só por causa da sua fé, como acontece no Egipto e na Síria, mas porque se recusam a renunciá-la e a abraçar o Hinduísmo. O resultado e que milhares de indianos, incluindo padres, freiras e pastores, têm sido torturados de forma sádica. Muitos ficaram sem membros, outros foram queimados vivos. Mais de 100 perderam a vida pela fé.

Perante estes crimes hediondos, o arcebispo de Bombaím, Oswald Gracias, afirmou: “O sangue dos mártires sempre foi semente de cristãos. Este é o mistério da Cruz! Não tenho dúvidas de que Deus enviará muitas bênçãos sobre as pessoas de Orissa e da Índia em consequência do sofrimento dos cristãos de Kandhamal.”

Mas o preço é pesado. Na sua obra “Early Christians of the Twenty-first Century”, o jornalista premiado Anto Akkara, que visitou Kandhamal 16 vezes, relata a forma como a violência anticristã foi orquestrada e os testemunhos de vítimas e as suas famílias. O livro contém “uma colecção de mais de 100 verdadeiros testemunhos cristãos encharcados em sangue, testados e purificados através de um sofrimento inaudito”.

Akkara explica que a polícia limitou-se a observar enquanto as igrejas eram destruídas e como, em muitos casos, as autoridades se recusaram a registar a causa da morte como homicídio. Para evitar processos judiciais os terroristas hindus esconderam as provas. Os corpos dos mártires foram cremados ou lançados aos pântanos ou ribanceiras no meio da selva. Nos poucos casos que chegaram a tribunal, os fundamentalistas hindus foram rapidamente absolvidos por falta de provas.

Depois de meia dúzia de líderes cristãos, chefiados pelo Arcebispo Raphael Cheenath, de Cuttack-Bhubaneswar, ter confrontado o primeiro-ministro Manmohan Singh sobre a violência, Singh reconheceu publicamente que o que se passava era uma “vergonha nacional”, mas tomou poucas medidas no sentido de restaurar a confiança da comunidade cristã.

Cristãos em Kandhamal

Para os fiéis, a garantia constitucional de liberdade religiosa e igualdade perante a lei continua a ser um “slogan” vazio.

Há muitas histórias dramáticas no livro de Akkara, mas aquela que mais me marcou é a de um padre de 56 anos e uma freira de 28.

O padre Thomas Chellan, director do Centro Pastoral Divyajyoti e a sua assistente, a irmã Meena, conseguiram fugir por cima do muro do centro enquanto os terroristas hindus destruíam o complexo, que incluía uma igreja, um dormitório e outros serviços.

Mas no dia seguinte foram capturados. A cabeça de Chellan foi regada com petróleo mas no instante antes de lhe pegarem fogo decidiu-se não avançar. Em vez de o matarem, um grupo de 50 hindus espancou o padre e a freira. “Parecia uma via-sacra”, afirmou mais tarde o sacerdote.

Os seus carrascos despiram-nos e começaram a violar a irmã Meena. Depois conduziram os seus prisioneiros pelas ruas antes de tentarem obrigar o padre Chellan a violar a freira: “Quando recusei, continuaram a espancar-me e levaram-me até um gabinete governamental. Infelizmente, um grupo de cerca de 12 polícias estava a observar tudo sem fazer nada”.

Finalmente, um oficial da polícia levou-os para outra esquadra, a 12 quilómetros, onde acabou o seu suplício. No dia seguinte foram libertados e levados para Bombaím para serem tratados.

A irmã Meena, depois de recuperada da sua experiência traumática, recusou-se a permanecer em silêncio. Convocou uma conferência de imprensa em Nova Deli e, diante de 200 câmaras de televisão, exigiu que a sua violação fosse investigada. Descreveu tudo, cada detalhe grotesco, incluindo a forma como a polícia a tentou dissuadi-la de apresentar queixa depois dos exames médicos terem confirmado a violação.

“Talvez Deus quisesse que eu sofresse com o meu povo, tornando-me um instrumento para falar em nome das pessoas sem voz de Kandhamal”, afirmou à imprensa. Concluiu a conferência agradecendo publicamente a Deus “por me ter escolhido para sofrer esta humilhação, dando-me a oportunidade de sofrer pelas pessoas de Kandhamal. Tive a oportunidade de viver a experiência da crucifixão”.

A fé sólida da irmã Meena e de milhares de outros foi o que inspirou Anto Akkara a escrever o seu livro. Ele acredita que estas pessoas merecem ser conhecidas como “Cristãos Primitivos do Século XXI” porque se mantiveram fiéis “no meio da crueldade diabólica, da impunidade e da apatia do Estado”.


George J. Marlin é editor de “The Quotable Fulton Sheen” e autor de “The American Catholic Voter”. O seu mais recente livro chama-se “Narcissist Nation: Reflections of a Blue-State Conservative”.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 30 de Outubro de 2013)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

The message Christ has given, John de Brito followed

Full transcript of the interview with Fr. Anthony Cyril, rector of the Shrine of St. John de Brito, in Oriyur, India. News feature, with video, here.

Transcrição integral da entrevista ao Pe. Anthony Cyril, reitor do Santuário de São João de Brito, em Oriyur, Índio. Reportagem, com vídeo, aqui.

Tell us a little about the shrine of Oriyur…
In Tamilnadu the São João de Britto Shrine is the oldest shrine, but since it is situated in a remote area, the attention is not given properly, so far. For the past three to four years we have been giving some attention, there is a lot of improvement, in terms of the pilgrimages and the restoration and renovation of the churches. Now the pilgrims come and say Father, the shrine is good now, it is clean now, there is a spiritual atmosphere. They donate what they have, these contributions are also increasing, sharing their resources.

Three hundred years ago St. John de Brito was beheaded here. People started coming and venerating him. Not only Catholics, but other religious groups, particularly Hindus and Muslims. Among the Christians there are also other sects, people come because they want to pay respects to the man who introduced Christ, they say they want to see their forefather and get blessings from him.

People have started coming, I am struggling to get the government to increase the facilities. The road is good now, a bank has come, some infrastructures have improved. The Tamilnadu government has given money for dormitories for the pilgrims, toilet facilities, water purification machine and the fourth is solar energy. Because of our tireless effort things are progressing and the spiritual atmosphere is improving.

The shrine is run by the Jesuits?
Yes, but it is under the diocese of Sivangagai, but we cooperate in the development.

How well known is Saint John in India?
It’s a pity, but many Indian Christians do not know John de Brito, but their forefathers, those who know, tell their grand-children about them. But I make an effort, I go to different parishes every week and I speak about him, and people then get to know him and come to the shrine. There are three very important saints in the Indian Catholic Church. One is St. Thomas, the other is St. Francis Xavier, and then there is St. John de Brito. Everybody knows the first two, but not so many know the third. But the consciousness is increasing.

This year, one of the purposes of my visit is that we are making a short film about John de Brito. It will start in Lisbon, his birth place, his baptism place, his house, where he studied in Coimbra, then his landing in Goa and his history in India. The CD will be distributed in Portugal as well. It will be a short film, later we might make a bigger one. We have an Indian cast, in Tamilnadu many villages already have plays about St. John de Brito, and they are ready to participate.

What would you highlight from St. John’s legacy in India?
He didn’t live a long time. He died at the age of 46. By then he had spent 20 years in India and had made a great impact on the Indian Catholic Church. In 20 years he converted 30 thousand people. At that time there were no facilities, no roads, buses, he went on foot. He went around all of Tamilnadu on foot, he crossed forests, rivers, he had a very tough time.

But he was so happy to serve the people, such an enthusiastic personality.

When you look at his life, at the beginning he was very sick, physically. His mother prayed to St. Francis Xavier, and he was saved. He travelled in the see for 11 months, many people died but he survived. Then in India he had bad facilities, but he had strong willpower, and, especially, he had a very strong faith in Christ.

During the last period of his life the king tortured him. He went to jail, then he was hung upside down in a well, then he was beaten up. All this he bore with happiness and joy. He almost reflected Christ. Even at the last moment, he blessed the man who came to behead him, telling him to do his duty with a smile on his face.

So that is a lesson we hope to learn, when we have suffering, we accept it with a joyful note. That is the message Christ has given, John de Brito followed. That is why he is alive in the shrine, with happiness, with Joy. That is why in Tamil he is called Arul Anandar, which means Grace with Joy.

People come to the shrine with problems, but they meet him and their problems are solved, because he was pouring abundant grace on the people who are suffering.

Are there many documented cases of miracles?
Yes, many, and they will be shown in the film as well.

What plans do you have for the future of the shrine?
We are establishing a missionary park, to mark the year of faith. In that park we have already finished one structure, a meditation hall, where 700 people can sit and meditate. Around it we are building a structure, where we are bringing many missionary figures. It is because of missionaries that the church has grown. For example, we have biblical missionaries. Moses, Abraham, the prophets. From the New Testament, John the Baptist, Mary Magdalene, Saint Peter, Saint Thomas, Saint Paul, all missionaries. IN the early Christian time Saint Ambrose. Then in the medieval time, Saint Francis of Assisi, Saint Ignatius, Saint Francis Xavier, Saint Anthony. Later St. Pio, Sister Theresa, St. John Paul II. They will all be in our missionary park. It is going to be faith formation for children and youth, a unique project of our shrine. I feel that when it is finished people will come to see our particular area; we are planning a 30 minute sound and light programme for the evening. People are really taken up by it.

The Cologne Archdiocese was supporting it and I think they will continue to support it.

I am going to introduce the shrine to the church in Goa, maybe after preparing more facilities for lodging. Soon it will be an international shrine, but it takes time, we have to struggle and suffer, as St. John de Brito struggled and suffered.

We have heard some troubling news from India in terms of religious freedom… what is the situation for Christians at the moment in general, and also in the area you live in?
In my place there is no problem. For example South India is safer than North India. It is a question of political gain, the politicians make use of religion to divide the people and make them fight. But among the people there is a peaceful coexistence, but they instigate. Now there are going to be elections and the Hindu fundamentalists are instigating the people. But in my place there is no violence, the number of Hindu fundamentalists is much smaller.

But the John de Brito shrine is a shrine of reconciliation; it is a shrine of interreligious atmosphere, a shrine of peace. For example during the festival all the people come and cooperate and work for the feast.

O santuário de Oriyur
Has Christianity been growing in your region?
Yes.

Some of the accusations against the Christians are that they try to convert people from lower castes…
They come on their own, they join on their own, it is growing, but they love Christ, they love the Church, they love the church activities, education, health care, social work. Christianity is growing in India, it’s not dying, its growing, stronger and stronger. The number of people participating in the church is high. In my parish in Chennai, there are 12 masses on Sunday and the church is always packed!

Were you born into a Christian family?
Yes. Maybe three or four generations. My forefathers were converted by John de Brito, then they went to Myanmar. My grandfather went there, my father was there and I was born in Myanmar and was there until the age of 10. Then I came back to India, then I joined the Jesuit order, and now I have a great chance to develop the John de Brito shrine, it’s a blessing for me. Nobody got this opportunity, but I did. It’s a blessing!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Habent x4

Sem pressão, estás só a escolher o Papa!
Habent Papam! Os Coptas ortodoxos já têm um novo líder. Uma criança de olhos vendados escolheu de uma urna a bola com o nome do bispo Tawadros, que se torna assim novo Papa daquela Igreja.

Hoje o Papa de Roma enviou uma mensagem de parabéns. É a única ocasião em que um Papa escreve a outro…


Habent Multos Deos! Na Índia uma organização encontrou uma forma original de salvar as árvores, pintando-as com imagens de deuses hindus e esperando que os locais, conhecidos pela sua devoção, não as cortem por isso.

Habent Comitia! Amanhã é dia de eleições nos EUA. Há muito em jogo e há muita religião no jogo. Mas felizmente está tudo explicado aqui…

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"You killed our people but you could not damage our relationship with Jesus"

Arcebispo John Barwa
Full transcript of the interview with Archbishop John Barwa of Cuttack-Bhubaneswar, in Orissa. News report can be found here.

Transcrição completa da entrevista feita ao arcebispo John Barwa, de Cuttack-Bhubaneswar, em Orissa. A reportagem está aqui.

Orissa was the site of serious persecution of Christians a few years ago, what happened exactly?
These were serious cases of persecutions, especially against Christians, both Catholic and of other denominations. This is mainly because the Christians in Orissa belong to the lowest groups of the society: Tribals and Dalits, who are known as untouchables.

These are the people who normally serve all others, but when missionaries came and started their work they realised that these were the people who needed them most. So they helped them with education, health care, developmental activities, and they started coming up and giving up their traditional work. And this is the main thing, because the Christians accept all as equal, as children of God, which for others is a difficult thing.
Also, India, in our language, Hindi, is called Hindustan, which means land of the Hindus. And so people from other religions and other groups are always seen as foreigners. Having missionaries make them Christians and elevating their situation is a fearful thing for the high caste people because they realise that if these lowest people start coming up in life and start getting good jobs, good houses, good money, what will happen to them and their future generations?

So they say to us, stop working for these people and we will have no problem. But our answer is, can we stop working for these people? Our vocation as Christians and followers of Christ is to work for these people, lost, least and last of the society.

The actual persecution began with the death of a prominent Hindu leader…
It started earlier, on Christmas day 2007, not with his death. He was attacked, not killed, on Christmas day he came on purpose to see the nativity scenes and decorations made by the young people, and there was a little tussle because he made some very arrogant statements against Christians. It was all planned, and the first thing they attacked was the Christian’s shops, because until then they had had the monopoly of the business. But because of their education Christians also started shops and businesses, and this made them angry.

Then the next stage and highest action of persecution was on August 23rd 2008 when the Swami was shot. His death was claimed clearly by the Maoists but they blamed it on us, because this was all prefabricated in every way and it was even published in the local language media.

That was when the worst attacks began, and they were massive. Almost 60 thousand people had to run away, because we didn’t want to react, and more than 6 thousand houses were destroyed. More than 350 convents and churches were destroyed and burned, hundreds of people were killed.

You were in Orissa at the time of the persecutions, did you experience it first hand?
Though I was not in that particular place directly, I was then coadjutor bishop of Rourkela. But there was a case of a religious sister who was gang-raped, and she was my niece. So naturally, belonging to the family, we all suffered the persecution directly.

Since then how have things been? Has there been justice? Have the Christians been allowed back to their villages?
The situation now seems peaceful. Almost all the people, accept those who wanted to leave, have returned. But when we talk about justice, it has not been done, our people have not received total justice and we have filed a case in the Supreme Court for proper compensation to be paid, because most of the houses have been rebuilt with our funds, churches have helped, and governments, just a little. So in that way justice has not been done, we are still waiting, but the atmosphere seems to be peaceful.

Have there been convictions?
Yes, but many of the local leaders who instigated the violence are said to be mysteriously dying. Which is still unclear, but there were many who were arrested, but since people were frightened of giving proper witness, they were acquitted. Even the rape case, the main culprits are in jail, but the case is on-going. But most of those responsible have gone free, because of lack of witnesses and lack of will power to catch the real terrorists and hold them responsible for this.

Namrata, queimada nas purgas em 2008
 Were there ever any reprisal attacks on the part of the Christians?
We have never heard a story of Christians reacting and attacking them. Instead, most of the people who were taking part in the persecution came and asked for Forgiveness. They say they did not know what they were doing, that they were given drinks and drugs and didn’t know what they were doing, and they apologised. And with no hesitation we say we are people of forgiveness. We have forgiven all that you did and let us build up a beautiful, peaceful land, where we can all live. This is what was surprising for them. All of us, even if we cannot forget the horrible things that happened, we forgive.

The case of your niece, she forgave when she was still in hospital. What does this make non-Christians think?
There is a sympathetic reaction. Because in India 80.3% of the population is Hindu, and they are wonderful people. And they support us. Only a tiny minority of fanatics and extremists whose language is killing and violence. The other people though, do not want to get involved, that is why these things happen. Otherwise they are wonderful people and they are ready to support us. They protected my niece, hid her, but she was discovered by the extremists.

You mentioned the lowest castes, and as far as I know you yourself are tribal. What is the story of your family?
My grand-father was the first to convert. He was a very convinced and dedicated Catholic, because he worked with the missionaries, and that is why my family is a very religious family, and I thank God for that. I grew up in a Catholic missionary situation and I am proud of it.

Did many Christians abandon their faith because of the persecution?
During the time of persecution people were afraid, because they were forced, either to convert or they might be killed. In that context, very few accepted in public, but in reality nobody accepted and all have returned to the faith.

Now the voice is that “you tried to separate us from Jesus. You killed our people, destroyed our property, damaged everything, but you could not damage our relationship with Jesus. This is the strongest voice, it is becoming louder and clearer, and this means that we are growing in Faith, and when I visit my archdiocese I see bigger numbers of people crowding for any religious celebrations, wanting to show we are not frightened. God is with us and God loves us.

Anti-conversion laws?
The anti-conversion bill has been passed in my state and it prohibits fraudulent conversions, people being offered material rewards for their conversions. But my question is, why only Christianity? Why can people not go to Christianity, but Christians and other religions can convert easily. It should be the same for all. There are hundreds who want to accept Jesus now, but because of this law we cannot baptise them openly.

Another difficulty is that the law says that there should be a first-class magistrate to confirm the willingness of the people. But when people go to the Government officials to say they are willing, everybody says they are not the first class officer. Nobody admits to being a first class officer because they don’t want to own up. Where do we go? These are the problems, and if it were not for this there would be many more conversions, because Christianity is the only religion which gives dignity to everyone, as Human Beings and as children of God, especially to the lost, least and last of society.

Officially the government has done much to overcome the caste system. Is it still a big problem for the country and for your region in particular?
The caste system is as old as humanity in India. I don’t think it will ever disappear. It will remain because high caste people, especially the Brahmins and the Kshatriyas, they do not want other groups, like the untouchables, to become equal, it will never happen. They will see to it that it is preserved, because they are the people who are in the administration, and in high ranking positions, and the Government and other agencies. So it will not happen, it will remain, though many good-hearted people are trying to abolish it.

Does it affect the Christians also? Is there discrimination amongst them based on caste?
I hear that in some states this is a problem and we are trying to talk it out in our common forums. Since I have never experienced it personally, I am not able to say much about these things, but it does exist, and it is a pitiful situation, and we wish and pray and work for the it to end, at least in the Church circle, where everyone is a child of God, and it has to happen, if not today, one day.

Mulher cristã de Orissa à porta de uma casa destruída
What could an initiative like the Year of Faith mean in a situation such as yours?
Before I left for Portugal I had a meeting with all my priests and I told them that in our arch-diocese we will begin the year of faith on the 14th, Sunday. All the prayers are already translated into our local language, and the main thrust is to let us grow in faith through prayers and good works and better understanding of each other. So teams have been set up in each parish, composed of priests, religious and laity, to propose programmes that will bind together. My hope is that there will be no more difference and that we can work together to make up a beautiful community for faith. In that we are more and more stressing the small Christian community, which everybody belongs to, be they rich or poor, thin or fat, but they belong to that Community which has faith in Jesus and that should unite us more and more.

What can those of us who are far away do to help your community?
First of all, on behalf of my people, especially those who struggle and suffer, I am here to thank each one of you, my dear friends. Because of your prayers and your generosity we have built up much of it. Lots of destroyed houses, churches and institutions have been rebuilt, and a lot of strength and courage is given because of your prayers and solidarity. I wish that you would continue praying for us.

Also, as a Christian community which has not suffered this kind of persecution, recognize that there are situations of this kind, and there are also injustices, separations and divisions.

Also, the European Union could also have a louder and clearer voice against this kind of injustice and persecution, not only in Orissa but anywhere they happen. That would be a great support and assistance.

You mentioned hundreds of people killed during the persecutions. Has there been any attempt to start a beatification process for them?
Many are saying so, that these stories should be told to the people around the world. When I became the archbishop I started a think-tank which will be monitoring a kind of research study of those who were martyred or killed. My wish is that they will one day be declared officially martyrs of the church. I have taken this to the Catholic Bishops Conference. They said present us with documents. No we are trying to document the real situations, because there are still people alive who can give us the concrete facts. I am very grateful also to the Aid to the Church in Need, who are helping us in this process of rediscovering the truth and telling the truth to the world, and also promoting the cause of these martyrs.

O arcebispo esteve em Portugal a convite da fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fé e Luz, partidos religiosos e as "coisas que os povos amam"

Nestes dias foram publicadas três reportagens sobre o movimento Fé e Luz, que trabalha com pessoas com deficiência mental e as suas famílias. Para além de servir de apoio, o movimento procura estimular a espiritualidade destes “amigos especiais”, como são conhecidos.


Se alguém estiver interessado em conhecer melhor este movimento deve contar Alice Cabral: caldeiracabral.alice@gmail.com

De resto soubemos hoje que a Líbia pretende proibir os partidos de natureza religiosa. Adivinhem que não gostou da ideia?


Ontem, como é hábito, foi publicado o artigo semanal de The Catholic Thing. Este fala sobre o problema da crise demográfica, que afecta também o mundo islâmico. “Os povos falham porque amam as coisas erradas”. Será assim?

E por fim, muitos de vós terão recebido, como eu, um e-mail a alertar para a perseguição dos cristãos na índia por parte de “Budistas extremistas”. É um e-mail falso, em vez de o reencaminharem ou de se preocuparem, leiam e divulguem esta clarificação.

Notícia falsa sobre cristãos e budistas na Índia


Há vários anos que circula um e-mail a dar conta de um ataque iminente aos cristãos da Índia.

Segundo o e-mail, que alegadamente é oriundo do superior dos franciscanos na Índia, um grupo de “Budistas extremistas” está prestes a lançar um ataque em massa contra os cristãos, queimar igrejas etc. Etc.

Já recebi o e-mail diversas vezes, mas como parece que agora está a fazer uma nova ronda, aproveito para explicar que é completamente falso.

Para começar, na índia o número de budistas é totalmente residual, apesar de a religião ter nascido lá. Depois, se há alguém que não ameaça os cristãos na Índia são os budistas.

O facto deste e-mail ser falso é grave, porque causa alarmismo desnecessário e mancha a reputação de um grupo religioso, mas não quer dizer que todos os cristãos estejam livres de perigo naquele país. Os cristãos na Índia sofrem duras perseguições, pelo menos nalguns Estados. Ficaram famosas as perseguições no Estado de Orissa há alguns anos.

Por isso se querem rezar pelos cristãos na Índia fazem muito bem, mas não dêem seguimento a este e-mail, por favor.

Filipe d’Avillez

Partilhar