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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Jerusalém, Jerusalém, para quê ser amante se deves ser mãe?

O Papa Francisco fez hoje o seu tradicional discurso à Curia Romana e voltou a criticar quem promove divisão e discórdia, considerando que estes factores são um “cancro”.

Em época de Natal, uma entrevista interessante com o franciscano que cuida da Igreja da Natividade e que diz que Jerusalém tem de ser “mãe de todos” e não apenas “amante de um”.

Conheça o presépio vivo das ruas de Monsaraz e leia sobre a mensagem de Natal do arcebispo de Braga e também a do bispo do Algarve.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Tigres enjaulados em Évora e antibióticos na Santa Sé

Metade do mundo está apostado em eliminar o Estado Islâmico, mas hoje um estudo veio dizer que se o grupo desaparecer há 15 grupos iguais prontos para ocupar o vazio. Encorajador!

O terrorista indiano que foi detido no Algarve vai ficar em prisão preventiva, à espera para ver se a Índia pede extradição. Pamma, como é conhecido, é um activista de religião Sikh, que luta por um território independente para os Sikhs no Punjab, na Índia.

Depois de no discurso de Natal do ano passado o Papa ter partido a loiça toda enumerando as 15 doenças de que sofriam os cardeais da Cúria Romana, hoje receitou o “antibiótico”, enumerando as várias virtudes que são necessárias.

Já ontem, depois da recitação do ângelus, o Papa agradeceu à comunidade internacional o princípio para acordo de paz alcançado para a Síria.

O Patriarca de Lisboa este na celebração da missa de Natal da Comunidade Vida e Paz, ontem, e anteontem esteve numa vigília pela paz, em que pediu o fim das barreiras de indiferença entre os homens.

Hoje coloquei a última sugestão na lista de presentes de Natal que podem dar aos vossos familiares e amigos. Trata-se da edição Fiat Lux do secretariado dos Bens Culturais da Igreja.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A três dias do Natal... mas saiba porquê!

Estamos a dias do Natal. Mas foi só no século IV que se começou a assinalar o nascimento de Jesus neste dia. Isto, e muito mais sobre os costumes natalícios que hoje damos como adquiridos, explicado aqui.

O Papa Francisco falou esta manhã aos membros da Cúria Romana. Quem esperava platitudes e palavras de ocasião sobre o Natal deve ter ficado com as orelhas a arder. O Papa nem sequer poupou os outros funcionários, como os jardineiros e pessoal de limpeza!

Um jornalista alemão passou tempo em pleno “califado” do Estado Islâmico e conta tudo nesta reportagem da Reuters, que a Renascença lhe traz.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Lobby gay no Vaticano e turcos descontentes

O Papa reconheceu a existência de um lobby gay no Vaticano? De acordo com uma alegada transcrição de um encontro do Papa com representantes de ordens religiosas na América Latina, sim… por enquanto é só diz-que-disse, aguarda-se comentário da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Os turcos, provavelmente ocupados com problemas domésticos, demoraram, mas responderam. E não estão contentes com o facto de o Papa ter dito que o massacre de arménios foi um genocídio.

Cabo Verde vai ser o primeiro país da África Ocidental a celebrar uma concordata com a Santa Sé. Temos aqui entrevista com o bispo D. Ildo Fortes.

Começa hoje uma exposição solidária para angariar dinheiro para o Convento dos Cardaes. Saiba tudo aqui.

Ontem foi dia de Portugal. Octávio dos Santos considera que não devia ter sido e queixa-se ainda que o “Cristianismo está sob ataque de um politicamente correcto totalitarista”, pode ler a transcrição completa desta entrevista no blogue, como de costume.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Abusos sexuais: Nos EUA pior já passou


Transcrição integral da entrevista feita ao Cardeal O’Malley. Notícias aqui e aqui. A entrevista foi realizada inteiramente em português.

O que significa para si participar nestas celebrações do Santo Cristo dos Milagres?
É uma alegria imensa poder estar aqui, sobretudo durante o ano da fé. Fui bispo de Fall River durante 10 anos e tive muitas vezes a oportunidade de celebrar com os nossos fiéis, onde metade dos católicos são açorianos e mantém muitas das tradições portuguesas, como as festas do Divino Espírito Santo, e as do Santo Cristo, que são muito importantes. Assim, poder ir ao sítio onde têm origem estas devoções é um privilégio e uma alegria muito grande.

No seu trabalho pastoral tem trabalhado muito com portugueses e é conhecida a sua simpatia por esta comunidade e pelo país. O que é que realçaria da prática religiosa dos portugueses?
Em Washington, quando era um padre jovem trabalhava com emigrantes, sobretudo da América Central, mas também alguns retornados portugueses de África, que voltando para Portugal acabaram por ir para os EUA e assim começámos uma paróquia portuguesa em Washington. Depois de 10 anos como bispo das Ilhas Virgens, fui nomeado bispo de Fall River, onde há muitíssimos portugueses, quase todos açorianos, e assim fiquei a conhecer muito bem as suas tradições. Para os emigrantes a religião e a fé são muito importantes para a sua própria identidade. A Igreja é o centro da sua vida religiosa e social.

Há muitas comunidades diferentes na Igreja nos Estados Unidos. Faz sentido falar de um catolicismo americano?
Somos uma Igreja de imigrantes, mas os emigrantes americanos formam um mosaico entre si e os portugueses americanos já não são iguais aos portugueses de Portugal, os irlandeses americanos têm uma experiência diferente. Têm diferentes tradições mas também se integram numa nova realidade.

Ao longo dos últimos anos temos notado uma interessante evolução na Igreja Americana. Olhando para a hierarquia vemos uma Igreja unida, forte, influente, sem medo de participar nos debates públicos… mas a nível dos fiéis a situação parece semelhante a muitos outros países, com os católicos a revelar opiniões divergentes às oficiais em relação a muitos assuntos. Como vê a evolução da situação nos próximos anos?
A Igreja tem muitos desafios nos EUA mas estamos a crescer sobretudo devido aos novos imigrantes que chegam, que são sobretudo católicos. Para nós é um grande desafio ter vocações suficientes para ter padres e religiosas e pessoas para trabalhar com os recém-chegados.

Também há um processo de secularização nos EUA, que para nós é algo novo, porque apesar de ser um país muito desenvolvido, os americanos são crentes e religiosos, mas estamos a começar a experimentar um pouco o que já existe na Europa, muita gente que não pertence a nenhuma Igreja, o que para nós é uma coisa nova, mas é uma realidade sobretudo entre os mais jovens, pelo que temos de dedicar-nos ao que a Igreja chama a nova evangelização, evangelizar os católicos e os cristãos que já não praticam a sua fé, que receberam uma vez a mensagem do Evangelho mas que agora estão afastados. É um desafio muito grande mas importante para o nosso futuro.

Nos últimos anos temos assistido a vários momentos de tensão entre a hierarquia e o Governo. Há quem diga que há um clima quase de perseguição da Igreja. É real esse medo?
Nos Estados Unidos não existe um partido político católico. Os republicanos e democratas têm coisas que estão de acordo com a Igreja e outras que não.

A administração actual tem tido muitos conflitos, sobretudo por causa do aborto e o casamento homossexual. Por outro lado os democratas, no que diz respeito a emigração e justiça social económica, estão mais perto das posições da Igreja. Mas a tensão é real e para nós o Evangelho da Vida é o centro do nosso evangelho de doutrina social católica.

Com este processo de secularização penso que as tensões entre Igreja e Estado vão aumentar, infelizmente, mas é uma realidade e temos de preparar o nosso povo para dar testemunho da fé num ambiente por vezes hostil.

Como sabemos, a crise dos abusos sexuais foi muito forte nos Estados Unidos. O pior já passou?
Acho que sim, porque todos os casos são de há 20, 30 ou 40 anos. Ultimamente os casos são muito, muito raros. Mas têm feito muito dano à credibilidade da hierarquia da Igreja.

Há muitos anos os bispos iniciaram umas normas muito exigentes para proteger as crianças e têm sido muito eficazes, acho que as nossas instituições, igrejas e escolas são os sítios mais seguros para crianças que existem no nosso país, nenhuma outra Igreja, nem o Governo, fazem as coisas que nós fazemos para proteger as nossas crianças.

Enquanto arcebispo tem de lidar com estes assuntos, mas não pode deixar de o afectar, ter de estar tão próximo destes problemas.
Sim, porque levo muitos anos com estes problemas tão sérios e eu tenho reunido muitas vezes com vítimas, as suas famílias, tenho visto de perto o grande dano que tem feito e quando se trata de pessoal da Igreja a traição é maior porque o dano que faz é também espiritual.

Tenho sido bispo em quatro dioceses e em três foi precisamente para tratar destes problemas. São já 20 anos a lidar com isto, e é duro.

Em alguns países da Europa começam agora a surgir casos de abusos na imprensa. Que conselhos daria às igrejas dos países em que o problema começa agora a manifestar-se?
O Papa Bento mandou que todas as conferências episcopais no mundo preparem normas sobre estes casos de abuso sexual. Nas normas também indica que deviam ter muita transparência, muita atenção às vítimas e tolerância zero para casos de pedofilia na Igreja. É muito importante que as conferências episcopais o façam.

Eu sei que em muitos países não há muitos recursos e é difícil, mas acho que os países que têm passado por estes problemas podem aconselhar e ajudar estas conferências episcopais, mas é muito importante.

Acho que o novo Papa Francisco concorda com a importância de continuar a dar atenção necessária ao problema de abusos de crianças que, não é um problema clerical nem da Igreja, é um problema humano e existe muito mais fora da Igreja do que dentro, da Igreja, mas como tenho dito, quando se trata de um sacerdote ou de um religioso, o dano é maior para a vítima.

Cardeal O'Malley prostrado numa cerimónia
penitencial pelos crimes de abusos sexuais
Recentemente foi nomeado para uma comissão que vai aconselhar o Papa sobre a reforma da Cúria. A primeira reunião será só em Outubro… porquê esperar tanto tempo?
Sim, mas temos começado a trabalhar por correio, entre nós, mas a primeira reunião, quando nos reunimos todos, porque somos de todos os continentes, é só em Outubro.

Já tem algumas ideias a apresentar ao Papa?
Estou a pensar, estou também a consultar com várias pessoas.

Fala-se muito de problemas da Cúria, até que ponto é que os problemas residem mesmo aí?
Estou a começar a conhecer a realidade da Cúria, há muitas pessoas muito dedicadas e muito capazes que trabalham ali. Acho que os meios de comunicação falam muito do Vatileaks e dos problemas que tem havido, mas há também trabalho de muito valor que se faz ali.

Queremos encontrar formas de coordenar melhor e com maior comunicação entre os vários dicastérios e a sua relação entre a Cúria e as conferências episcopais no mundo inteiro para que haja mais colaboração e coordenação.

O Banco do Vaticano também tem sido muito criticado. Na sua opinião faz sentido o Vaticano ter um banco?
Essa é uma das coisas que estamos a estudar. O nosso banco não é muito grande, mas vemos como muitos bancos europeus e também americanos têm tido problemas.

O dinheiro que está no banco pertence às ordens religiosas benéficas da Igreja e isso é uma grande responsabilidade, por isso vamos procurar proteger esses recursos da melhor maneira. Sei que o Papa Bento XVI contratou um novo dirigente, um perito nestes assuntos, vamos ver.

Temos reuniões com várias pessoas sobre isto e acho que vamos ter tempo para o estudar, mas eu pessoalmente não creio que a Igreja deva fechar o banco sem estudar muito o caso, porque vimos o que está a acontecer noutras partes e talvez a situação fosse pior.

Este Papa tem sido uma surpresa para muita gente, tem-no sido também para quem o elegeu?
Sim e não, conheço o Papa há muitos anos, de Buenos Aires.

Um bispo que vem da América, sobretudo da América Latina tem uma experiência muito diferente que um bispo da Europa. A sua maneira de proceder é uma reflexão da sua experiência pastoral na América Latina. Também, ele é religioso, mas acho que vai dar muita importância ao Evangelho Social da Igreja, que é muito importante.

Na América Latina houve muita controvérsia sobre a Teologia da Libertação e muitas pessoas entenderam isso como a Igreja a perder a sua opção preferencial pelos pobres.

Acho que este Papa vai por a ênfase no Evangelho Social da Igreja, o que na América Latina é muito importante, porque há muita gente muito pobre, muitos problemas sociais, e também o Papa assumiu o nome Francisco por isso, porque para São Francisco o pobre é um sacramento de Cristo Crucificado. Também Francisco queria fazer-se um irmão universal. Acho que neste Papa vamos ver os temas de Francisco no seu pontificado.

O Papa está num Estado de Graça, faz homilias públicas todos os dias, a imprensa está a trata-lo bem. Não há o perigo que isso passe?
Acho que vão criticar o Santo Padre quando escutarem os seus ensinamentos sobre questões morais, mas acho que todo o mundo está feliz com o seu estilo, e acho que isso vai continuar igual.

Dizem que o número de pessoas que está a chegar a Roma para as audiências é muito grande. Cresceu com Bento XVI, mas com Francisco continua a crescer. Acho que é um bom indício de entusiasmo que o povo tem.

Os meios de comunicação secular têm outra visão do mundo e da vida e sempre vão estar em desacordo com a Igreja, e sobretudo com o Papa que é o nosso mestre principal, mas acho que até os inimigos da Igreja gostam do seu estilo e isso vai continuar igual.

terça-feira, 5 de março de 2013

"There is sin in the curia, but majority are men of prayer"

Full transcript of interview with father John Wauck, professor at Santa Croce, in Rome.
See news story here (in Portuguese).

Transcrição completa, e no inglês original, da entrevista ao padre John Wauck, professor na Universidade de Santa Croce, em Roma. Ver a notícia aqui.


The Pope just last Ash Wednesday spoke of the sins against the unity of the church. This is a recurrent subject for Benedict XVI. Is there somebody in particular he is trying to reach?
I think that you can see almost all of Cardinal Ratzinger’s work at the Congregation for the Doctrine of the Faith and then as Pope as a response to divisions in the Church that sprang up after the Second Vatican Council. His whole project has been overcoming what he refers to as the hermeneutics of rupture, the idea that the Council constituted a break with the past.

The Pope has been arguing, since 1985, when he published a book of interviews with Vittorio Messore, called the “Ratzinger Reports”, that this hermeneutic of rupture has to be replaced by a hermeneutic of continuity. So instead of saying that the past is separate and now we are in the future, he says that the life of the church is a continuum and that the council is part of that continuum.

What happened though is that the interpretation as a break between past and future created a division within the church, from both directions. There were those who saw it as a good break with the past, who saw the past as something negative, and others saw it as a bad break.

Those two ways of looking at the Council, which in some ways are opposites, are united in seeing the Council as a break. But Ratzinger, and later Benedict XVI, stressed that no, the Council was not a break, nor a rupture with Tradition.

One of his criticisms deals explicitly with the Lefebvrists, and the possibility of bringing them back into the Church, and how there are people in the church today who vilify the lefebvrists in the same way as they vilify the ones they call modernists.

The Pope is really trying to bring them all together. It’s been a great project of unity, trying to bring the Church together, instead of divided into opposing camps.

So you’re seeing this through the lens of the dialogue with the Society of Saint Pius X, but many people also read this as a criticism of infighting in the curia… Is that correct?
There are really two dimensions. One is this ecclesiastical division which has been going on since the times of the Council. Another is this paradox which is part of Christian life and always has been, the Church is something holy, but we are sinners. The beauty of the mystical body of Christ is something sacred, but is always being stained by the sins of the people within the church. So some of the comments are really about moral failures, not theological interpretations.

In some ways that is a perennial paradox in the life of the Church. St. Peter himself denied Our Lord, and the apostles ran away. When the Pope spoke in the Via Crucis in 2005, about how much filth there is in the Church, even among priests, he goes on to say that “the soiled garments and face of your Church throw us into confusion. Yet it is we ourselves who have soiled them!”

He is not pointing a finger at others, he is saying we, it is we Christians, because we are all sinners. He was obviously referring, at the time, to the abuse scandals among priests. But it is really a perennial problem.

We hear about intrigue and power struggles in Rome. How true is that?
The image of the Curia as rife with corruption and greed and power hungry cardinals is very exaggerated. In the Curia, as in any place, there are human defects, weaknesses and sins, but the vast majority of the people in Rome are extremely humble, dedicated workers, really giving their lives, and are not receiving any attention at all. They are genuine men of prayer.

Now, are there some people who allow pride and greed to get in the way of their decisions? Of course, that has always happened, but it is not a majority by any standards. The curia is largely populated by people chosen by the Pope himself, and he is somebody everyone recognises as a serious man of prayer who is seeking holiness, who wants to see holiness thrive in the church and he is the one who has picked many of those working around him.

It should always be shocking, and is lamentable, to discover that people whose lives are meant to be dedicated to the service of Christ and saving souls, are concerned with power and things like that. But that is human nature, and it is less common here than in other places in the world.

Has all this contributed in any way to the Pope’s exhaustion? Or is it just that he is old?
When one looks at the Pope’s decision to resign it is always important to keep in mind that he was elected when he was already over retirement age. When he was a cardinal he had already asked twice to be dismissed, but both times John Paul II said no. He even had a place bought in Bavaria, which he was going to retire to study and write.

He was elected after he was supposed to have retired and he has been Pope for 8 years and if you think of all his travelling, his writing, all his speeches, he has been incredibly productive for a man who was almost 78 years old when he took office.

So in some ways the amazing thing is that he has lasted this long. Part of the exhaustion of the Pope, or the sense that he is no longer up to the task, surely is due to the experience he has had over the past 8 years, which includes handling the aftermath of the sexual abuse crisis, the Williamson affair, the Vatileaks crisis, the personal betrayal by his butler Paolo Gabriele. That cannot help but contribute to his decision.

But he is clearly still totally lucid. I was present on Thursday when he spoke to the pastors of Rome and he gave an off the cuff brilliant lecture, without notes, remembering facts from over 50 years ago, and in a very ordered and lucid form. It is astounding, for a person of his age.

Intellectually he is still present, but that also means that he is able to see clearly the needs of the church and to evaluate how much he can do. His decision says: “I see what needs to be done, but I also see that I don’t have the energy to do it”. The discrepancy between his intellectual vigour and his physical state is the cause of this decision, I suspect.

Can you recall any other Pope been this adamant in speaking to the internal divisions of the Church?
I am not old enough to have a memory of anybody before John Paul II. I barely recall Paul VI. But John Paul II spoke very sharply at times, specifically to members of the clergy or of religious life. He was not afraid of rebuking people, he did so in public, in the USA and in Nicaragua.

I think it is important to remember that prior to the Second Vatican Council the prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith, the enforcer of orthodoxy, was the Pope himself. So things like the Syllabus of Error, or condemnation of heresies, were always coming from the Pope himself. In that sense, concern for unity, especially at the level of doctrine was actually a common part of the activity of the papacy and was frequently expressed in very strong terms.

So I don’t think it’s a radical change on the part of Benedict.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Que dizer do "Vatileaks"?

São Pedro chora...
No meio desta confusão que tem sido o caso “Vatileaks” tenho mantido um certo silêncio que alguns poderão estranhar. Isso deve-se unicamente ao facto de eu não ter muito a acrescentar no sentido de esclarecer, pelo menos não tenho muito que já não tenha dito anteriormente.

Claro que o primeiro comentário que isto merece é que é imensamente triste. Sobretudo porque não estamos a falar de documentos que alguém de fora roubou para tentar tramar altas figuras do Vaticano, estamos a falar de documentação que foi colocada na imprensa por figuras do Vaticano para tramar outras figuras do Vaticano e eu, que não sou propriamente dado a teorias da conspiração, tenho sérias dúvidas de que o único culpado aqui seja o mordomo...

É triste também porque estamos a falar de homens que se consagraram inteiramente a Deus e que pelos vistos não têm noção do mal que estão a fazer à Igreja que supostamente deviam estar a servir. Mas por outro lado não é muito surpreendente e, para todos os que são Católicos, é uma recordação de que a nossa fé não deve depender da integridade pessoal desta ou daquela pessoa, que a Igreja é divina mas também humana e que a parte humana peca, e de que maneira.

Como já escrevi anteriormente, a grande vítima destas fugas todas nem tem sido o Papa, mas sim o Cardeal Tarcísio Bertone, o seu “número 2”. Para se perceber melhor isto deve-se compreender que a posição ocupada por Bertone costuma ser ocupada por um diplomata do Vaticano. Mas Bertone é salesiano e, já há alguns anos, li que havia queixas de que ele estaria a nomear muitos salesianos para postos importantes na Cúria Romana.

Aparentemente, a “instituição” da Cúria não gosta de Bertone e quer ver-se livre dele. Estas manobras todas teriam como intuito correr com ele. Se era essa a ideia, saíu-lhes o tiro pela culatra, porque as intenções são tão evidentes que mesmo que o Papa quisesse não o poderia demitir porque dará a ideia que está a alinhar no jogo.

Hoje a Associated Press indica que uma fonte do Vaticano terá dito à imprensa italiana que os culpados de toda esta campanha são o próprio Bertone e também o secretário pessoal de Bento XVI, o padre Georg Gaenswein (conhecido informalmente como “Gorgeous George” e “O Adonis da Floresta Negra”...).

Sinceramente parece-me uma afirmação absurda, sobretudo porque embora eu não tenha lido todos os documentos divulgados na imprensa, os mais bombásticos têm sido sempre muito críticos de Bertone, por isso estar a dizer que foi ele que os divulgou parece-me ridículo. Mais rapidamente a “fonte” citada é que estará a tentar enfiar mais uma alfinetada.

Poucos ficam bem nesta fotografia. De facto nada disto tem implicado o Papa directamente, embora alguns o acusem de estar demasiado desligado do governo diário da Santa Sé. De resto, na verdade, pouco mais resulta se não uma enorme desconfiança em relação a todos os membros da Cúria.

Que pena.

Filipe d’Avillez

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