quinta-feira, 19 de abril de 2018

Alfie Evans, o disputado e Inês Gil, a escolhida

Um "toffee" agridoce
Depois do triste caso do bebé inglês Charlie Gard, temos agora uma nova situação parecida com Alfie Evans. Eutanásia? Distanásia? Direitos parentais? Autoridade do Estado? Qual é a posição da Igreja? Há muito por compreender e tentei esclarecer o mais possível neste artigo, tendo em conta que nem toda a informação é pública ainda.

No Paquistão os problemas são outros. Mais dois cristãos foram assassinados e uma igreja incendiada nos últimos dias.

Falando de coisas bem mais agradáveis, a cineasta portuguesa Inês Gil foi escolhida para presidir a um júri ecuménico no próximo festival de Cannes.

Realiza-se a partir de hoje um congresso sobre saúde mental, organizado pelas irmãs hospitaleiras do Sagrado Coração. Reportagem aqui.

E saiba ainda como é que a Misericórdia de Évora consegue cumprir a sua missão de defender a vida, à imagem das obras de misericórdia.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Actualizar a Teoria da Guerra Justa

Nota: Este texto foi escrito e enviado para publicação antes de os EUA, França e Reino Unido terem lançado ataques coordenados à Síria. Contudo, todo o teor do texto mantém-se actual. 

Ao longo de séculos a “teoria da Guerra Justa” foi proposta e desenvolvida por uma série de grandes pensadores – Cícero, Agostinho, Aquino, Francisco de Vitória, Francisco Suárez, Hugo Grócio e outros.

No passado o que estes pensadores tinham em comum, para além da intenção de combater a praga incessante de guerras, era a visão do que era a guerra. Nomeadamente, alguma nação com uma capacidade militar formidável ameaçava outra nação, ou nações. Estas teriam então de deliberar se os seus recursos militares eram adequados, se os meios não-militares poderiam ainda anular a ameaça, ou se, como último recurso, a acção militar os poderia proteger ou se tornaria a situação pior.

Os princípios sublinhados pelos teóricos da Guerra Justa incluem: a urgência da ameaça, a viabilidade da negociação, identificação da autoridade certa, consoante os diferentes sistemas políticos, para declarar ou iniciar guerra, discernir se as consequências da guerra poderiam ser piores que a rendição e ainda as considerações éticas sobre armas letais, tratamento de prisioneiros de guerra e o sofrimento de não-combatentes, etc.

Uma imagem de exércitos perfilados, por vezes com aliados, a enfrentar e a conquistar outros exércitos no campo de batalha, era partilhada por todos estes teóricos, até durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, a que se juntavam infantarias poderosas, explosivos, poder aéreo, submarinos e outros produtos da engenharia moderna.

Mas o cenário começou a alterar-se seriamente durante e depois da Segunda Guerra Mundial – arsenais nucleares, guerra de guerrilha, agentes químicos ou biológicos tremendamente letais – em suma, a possibilidade de mortandade em quantidades e intensidades jamais concebíveis. Se Júlio César ou Genghis Khan tivessem uma bomba atómica provavelmente hesitariam em usá-la para conquistar os territórios que planeavam ocupar.

Ainda a semana passada, depois de ter dito que estava “prestes” a abandonar a Síria, o Presidente Trump ameaçou lançar mísseis contra a Síria, por causa do ataque mortífero com armas químicas contra civis em Douma, ocupada por rebeldes. O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que “uma agência de informação estrangeira” levou a cabo este ataque e um membro da Comissão de Inquérito da ONU aponta para indícios de que os rebeldes anti-Assad possam ser responsáveis.

De facto é estranho que Assad, que tem estado a ganhar a guerra contra os rebeldes, tivesse provocado esta retaliação internacional nesta altura. Mas os Estados Unidos e os seus aliados russos e britânicos estão perfeitamente convencidos de que ele ordenou o ataque e que tem de haver uma resposta tanto para punir a Síria e dissuadir novos ataques da mesma natureza.

É precisamente neste campo que se tornaram bastante complicados os “juízos prudenciais” que, outrora, eram bastante simples. Uma primeira pergunta a colocar por um teorista da Guerra Justa seria: Existe alguma ameaça clara ao nosso país? Obviamente, a Síria não ameaça directamente, de forma alguma, os Estados Unidos. Mas de facto, um ataque à Síria, que tem a Rússia como aliada, poderia levar a uma nova Guerra Fria, ou pior.

O Presidente Trump lançou um ataque com mísseis à Síria em Abril de 2017 e parece confiante que seria possível repetir a façanha sem enfurecer o urso russo. Mas este tipo de diplomacia arriscada não se limita a desafiar os poderes constitucionais para fazer guerra que o Presidente detém, resultam num improviso no que toca a justificar as guerras. Para além disso, a deposição de Assad, em vez de melhorar a situação, poderia levar os extremistas islâmicos ao poder, o que não é melhoria alguma.

E estas complexidades não se limitam ao Médio Oriente. A Teoria da Guerra Justa tradicional não parece capaz de lidar com muitas outras realidades contemporâneas e precisa desesperadamente de se ser aprofundada e desenvolvida se queremos continuar a contar com a sua orientação para as nossas nações e os nossos líderes. Eis alguns exemplos de assuntos que precisam de ser analisados cuidadosamente:

·         A doutrina da Destruição Mútua Assegurada (DMA), em que duas potências nucleares em guerra poderiam facilmente aniquilar-se uma à outra – ou até conduzir a um estado de apocalipse caso outras potências nucleares entrassem no combate – prevalece ainda. Haverá alguma crise contemporânea tão grave que justificaria o recurso a armas nucleares para atacar de forma preventiva um rival? Milhares de “células” terroristas surgem à volta do mundo. Algum exército, marinha ou força aérea pode ser usada efectivamente contra elas?

·         O uso alargado de “escudos humanos” – lança-mísseis em hospitais, explosivos armazenados em escolas, terroristas a estabelecer-se em cidades, rodeados de não-combatentes inocentes e impedindo os civis de sair da cidade. Haverá justificação para destruir um hospital ocupado por terroristas a operar artilharia?

·         A possibilidade de acidentes devido a erros, levando a guerras por nada. O recente incidente no Havai recorda-nos que já houve incidentes parecidos, que poderiam mesmo ter selado o destino do mundo, no passado.

·         Líderes de potências nucleares loucos e/ou suicidas que se estão nas tintas para a aniquilação mútua. O DMA baseia-se no pressuposto de que os líderes mundiais são agentes racionais e não misantropos com tendências suicidas.

·         Jihadistas sob influência de crenças religiosas, apostados em converter o mundo, se necessário pela força.

Apocalipse, quando?
Num mundo ideal, talvez procurássemos:

·         O desarmamento nuclear e a proibição absoluta da proliferação – embora seja difícil imaginar isto a acontecer depois de que se passou com Khadaffi, que desarmou em 2003.

·         Sistemas de inteligência à prova de erro, capazes de impedir planos de ataque transmitidos eletronicamente.

·         A rejeição da construção de mais mesquitas sem garantia de reciprocidade e construção de igrejas no Médio Oriente. A falta de reciprocidade tem facilitado a importação de agentes religiosos violentos, operando sob o disfarce unidirecional de “liberdade religiosa”.

Mas há outras sugestões mais práticas e menos idealistas, como:

·         Bombardeamentos “cirúrgicos” de reactores nucleares em “estados pária”, como Israel fez no Iraque em 1981 e na Síria em 2007, o que requer recursos de informação muito detalhados.

·         Identificação e destruição de todos os arsenais químicos e biológicos, bem como o desmantelamento de arsenais capazes de produzir explosões nucleares a alta atitude, causando uma “pulsão electro-magnética” capaz de incapacitar os recursos electrónicos em várias nações.

·         Um “Plano Marshall” nuclear, oferecendo auxílio em troca da transformação de instalações nucleares perigosas em centrais nucleares pacíficas – avançando assim a profecia bíblica que prevê a transformação de espadas em arados (Isaías 2, 4).

·         Pegando no exemplo do assassinato de Osama bin Laden e outros terroristas, o assassinato dos líderes mais demoníacos, que escravizam as suas populações e ameaçam destruir os Estados Unidos.

Segundo o famoso “relógio do juízo final”, mantido pelos Cientistas Atómicos, a humanidade está actualmente a “dois minutos da meia-noite”. Por isso aqueles de entre nós que sonhamos com a paz mundial sentem uma certa urgência. Não se trata de uma urgência exagerada, talvez tenha chegado o momento de “pensar fora da caixa”.

Os desenvolvimentos diplomáticos recentes indicam que possa estar prestes a realizar-se um encontro inédito entre o Presidente Trump e Kim Jong-un, da Coreia do Norte em Maio. O Presidente insiste na desnuclearização como pré-condição para um encontro e Kim parece pronto a aceitar isso, dizendo que “o assunto da desnuclearização da Península Coreana pode ser resolvido” se os EUA e a Coreia do Sul responderem “com boa vontade”.

Depois de fracassados tantos esforços diplomáticos para remover uma das maiores ameaças à paz mundial, podemos de facto depositar alguma esperança neste tipo de encontro?

Kim não se encontra na posição vulnerável de Khadaffi no que diz respeito ao desarmamento. Ele continua a ter a China a apoiá-lo, e tem a Coreia do Sul pronta para a reunificação. Transformar “espadas em arados” naquela região não é totalmente inimaginável – embora seja certamente “fora da caixa”.

Mas para dizer a verdade a estratégia menos prática para a paz mundial seria provavelmente a mais eficaz. Estou a pensar na batalha de Lepanto, em 1571, em que uma pequena frota cristã derrotou uma armada turca, bem como na cruzada do Rosário na Áustria, em 1955, que conduziu à retirada dos exércitos soviéticos. Por outras palavras, estou a falar numa cruzada do Rosário mundial. Mas sim, eu sei, isto é demasiado “fora da caixa”.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 14 de Abril de 2018)

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Sem filhos não há padres e outras chinesices

O bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, liga a crise de vocações à crise das famílias. Sem filhos não há novos padres, deduz, dizendo ainda que num futuro breve poderá haver ordenação de homens casados para fazer face à escassez.

D. Manuel Monteiro de Castro faz 80 anos e a autora da sua biografia falou com Ângela Roque sobre “O Núncio Português”.

Temos acompanhado na medida do possível os desenvolvimentos em torno de um suposto acordo entre a China e a Santa Sé. Quem sabe ainda menos que nós, aparentemente, são os próprios católicos chineses
                                       
Queria agradecer a todos os que rezaram pela intenção que partilhei ontem. Não querendo lançar foguetes antes da festa, as notícias, por enquanto, são boas. Continuemos a rezar! Obrigado.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Pedido de oração, pode ser já ao Formigão!

O Papa consolou no domingo uma criança cujo pai – um não crente – morreu. Vale a pena ver as imagens.

Esta segunda-feira houve festa no Vaticano. Mas sendo a festa de 91 anos de Bento XVI, foi contida e calma

D. Manuel Linda celebrou no domingo a sua primeira missa enquanto bispo do Porto.

E o Papa pediu soluções de justiça e paz para a Síria, numa altura em que os líderes cristãos mais importantes naquele país assinaram um documento conjunto a defender o regime de Damasco e a criticar o ataque levado a cabo por americanos, britânicos e franceses.

Os médicos católicos pedem que Marcelo Rebelo de Sousa vete a lei que permite a “mudança de género”, que foi aprovada na passada sexta-feira.

Mais um português a caminho dos altares? O Papa abriu caminho ao processo de beatificação do Cónego Formigão, o “apóstolo de Fátima” (na imagem).

Por fim, um pedido. Uma amiga minha vai amanhã à "clínica" dos Arcos em Lisboa, numa última tentativa de dissuadir uma senhora de abortar. Rezem pelas duas. Muito.

Cónego Formigão, que tal um milagrezinho para arrancar?

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Ruy de Carvalho e muito Tolentino

Árvore da Vida com árvores em fundo
O actor Ruy de Carvalho recebeu esta quarta-feira o prémio Árvore da Vida. Saiba mais aqui.

Os 100 anos do padre Manuel Antunes vão ser assinalados em 2018, para dar a conhecer a sua obra às novas gerações.

O Papa Francisco apelou esta quarta-feira a que os fiéis não se esqueçam de baptizar as crianças.

Ontem foi um dia especial para mim e para a Renascença, uma vez que fazemos anos no mesmo dia. A Renascença, ainda assim, teve direito a uma programação especial que eu não tive, incluindo uma tarde inteira na companhia do padre Tolentino e dos seus convidados, incluindo o cantor cristão Samuel Úria, Francisco José Viegas e uma conversa interessante com Aura Miguel sobre o retiro que orientou recentemente em Roma para o Papa Francisco.

Hoje é quarta-feira e por isso há artigo do The Catholic Thing, em que David Carlin critica o relativismo da moralidade, falando do perigo, por vezes lento, da ideia de que cada um constrói a sua própria moralidade.

Deixo ainda um convite para irem à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, amanhã, dia 12 de Abril, às 18h15, para assistir à conferência “Afinal, o que é a Universidade”. É organizado pelo núcleo de Estudantes Católicos daquela faculdade e conta com Henrique Leitão, Miguel Tamen e António Feijó. É no anfiteatro II da universidade, se puderem não percam.

O Lento Veneno das Ideias Más

David Carlin
Todos os semestres lecciono uma cadeira de ética (filosofia moral) na faculdade onde trabalho. Digo aos alunos que não têm de concordar comigo; têm direito às suas próprias opiniões, ainda que estas estejam profundamente erradas. Mas tento persuadi-los de que algumas teorias de moralidade, embora populares, estão erradas.

Em particular, argumento contra três teorias populares mas, em minha opinião, perniciosas:

  • A teoria de que as normas que definem o que é certo ou errado são meras criações sociais.
  • A teoria de que somos livres de criar os nossos próprios códigos morais, individuais.
  • A teoria de que tudo é moralmente permissível, desde que não prejudique terceiros de forma evidente e tangível, sem o seu consentimento.

Por outro lado, argumento que existe uma teoria de moralidade verdadeira, nomeadamente a teoria de que todos os seres humanos normais têm um conhecimento inato das regras fundamentais da moralidade, por exemplo, não matar, não roubar, não cometer adultério, não abandonar os filhos, etc. Pode-se chamar a isto uma teoria de moralidade do “direito natural”, mas não insisto nesse nome.

Escusado será dizer que não convenço todos, nem sequer a maioria, dos meus alunos a concordar comigo. Consolo-me dizendo que isso não é grave. Porquê? Porque se calhar estou errado, e nesse caso espero que não concordem comigo. Ou se calhar estou certo e eles verão isso daqui a 30 ou 40 anos. Ou se calhar tenho razão mas eles nunca vão concordar comigo. Mas se Jesus apenas conseguiu persuadir 11 dos seus 12 discípulos, porque é que eu hei de ficar desencorajado por não conseguir convencer todos os meus alunos?

Mas há dias um jovem da minha turma chocou-me (na verdade, achei piada), ao defender clara e francamente uma teoria da moralidade que eu considero verdadeiramente terrível. Ele é um bom aluno, sincero e simpático, e não é de todo o género de miúdo que os professores por vezes encontram, aqueles que discordam do professor só para chatear. De todo, longe disso, é um bom miúdo.

Ele defendeu (não obstante eu ter tentado refutar essa teoria no início desse mesmo semestre) que todos os indivíduos criam a sua própria moralidade e, por isso, que o que é certo ou errado para ti poderá não ser certo ou errado para mim. Desde que tu faças o que crês, pessoalmente, estar certo, então está certo. Da mesma forma, se eu fizer aquilo que pessoalmente considero estar certo, então está certo.

Agora, sempre que um aluno meu defende esta posição eu jogo a cartada do Hitler. “Se o Hitler acreditava que o holocausto era a coisa certa, então achas que ele estava certo em assassinar seis milhões de judeus, para não falar de milhões de outros? É isso que estás a dizer?”

Quando meto o Hitler ao barulho, o aluno tende a recuar da sua afirmação. (Às vezes desconfio que Deus tenha permitido a Hitler cometer estes homicídios em massa para que os professores possam usá-lo como exemplo horrível nas discussões nas salas de aula.) Mas este rapaz não recuou. Ele defendeu a lógica da sua posição, dizendo que o que Hitler fez estava certo porque ele acreditava que sim, e por isso este meu aluno não o condenaria por fazer a coisa errada.

Ao mesmo tempo assegurou-me que ele próprio tinha uma moral pessoal muito diferente. Pessoalmente, jamais cometeria genocídio; seria errado fazê-lo, porque isso vai contra o seu código moral pessoal. Não duvido que seja assim, como disse, é um miúdo porreiro. Não tenho qualquer medo de homicídio em massa quando entro na sala de aula e ele está lá.

Partilha connosco a tu ideia própria de moralidade!
Mas isso recorda-me que podemos mudar de ideias mais facilmente do que de coração. Mudamos as nossas opiniões mais rapidamente do que os nossos sentimentos. E no mais fundo de todos os nossos sentimentos estão as atitudes morais que adquirimos na juventude e na adolescência.

As nossas atitudes morais, porém, sejam boas ou más, são diferentes das nossas opiniões morais. É por isso que é tão difícil convencer uma pessoa a abandonar maus hábitos. Os conselhos que lhe damos podem ser 100% sãos, mas ainda assim ele não se mexe. O mesmo se aplica, mutatis mutandis, às pessoas que crescem com boas atitudes morais.

Isto significa que as teorias morais más são inofensivas ou que as boas são inúteis? De todo. Se for uma pessoa com boas atitudes morais, então as teorias más provavelmente terão pouco impacto na sua conduta moral. Mas podem vir a ter um impacto sobre os seus filhos.

À medida que os educa, estará a dar-lhes um bom exemplo através da sua conduta (digamos, por exemplo, pela sua honestidade); mas a sua teoria dirá: “pessoalmente, acredito na honestidade, e espero que vocês também acreditem quando forem adultos, mas lembrem-se sempre que esta honestidade não passa de uma preferência pessoal. Lembrem-se de ser tolerantes para com os patifes, mentirosos e ladrões que por acaso não acreditam na honestidade”.

As teorias morais más, então, terão consequências morais más, e as teorias morais boas terão consequências boas. Mas isso não acontece de um dia para o outro. Levará uma ou duas gerações, talvez cem, duzentos ou trezentos anos. Jefferson escreveu: “todos os homens são criados iguais” em 1776. Isto implicava que a escravatura deveria ser abolida. Mas levou mais 87 anos e uma grande guerra civil até que isso acontecesse.

“As ideias governam o mundo”, disse certa vez um filósofo francês. E é verdade. Mas na maior parte dos casos isso apenas acontece de forma gradual. Hoje existem muitas más teorias morais por aí, não apenas a do meu aluno. Se não os combatermos, acabarão por nos destruir – se não a curto prazo, gradualmente.


David Carlin é professor de sociologia e de filosofia na Community College of Rhode Island e autor de The Decline and Fall of the Catholic Church in America


(Publicado pela primeira vez na sexta-feira, 6 de Abril de 2018 em The Catholic Thing)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

La Lys, alegria e exultação

Depois de uma ausência pascal, eis-me de volta no dia em que o Papa Francisco lança uma exortação apostólica dedicada à santidade. Há dias o Papa era acusado de negar a existência o inferno, mas neste documento esclarece que o diabo, pelo menos, é bem real e não um mito.

Hoje é também o 100º aniversário da trágica batalha de La Lys. Uma igreja católica em Inglaterra inaugurou neste dia dois vitrais de homenagem aos portugueses que lá morreram.

Durante o fim-de-semana decorreu o Meeting de Lisboa, organizado pelo movimento Comunhão e Libertação. Aqui encontram uma entrevista com o abade-geral da ordem cisterciense sobre a “cultura da pressa” que “não satisfaz o coração”.

Esta segunda-feira foi lançado um site que vale a pena manter debaixo de olho. Toda a Vida tem Dignidade é o portal onde poderão encontrar tudo o que precisam sobre a eutanásia.

A pedido de um amigo, aproveito para partilhar que decorre no dia 21 de Abril o Encontro Nacional da Associação dos Médicos Católicos Portugueses. Se está interessado em ir, há mais informação aqui.

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