quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Descansem! Afinal o Papa gosta de criancinhas

Depois de mais uma “polémica” a meu ver inteiramente artificial, o Papa esclareceu esta manhã que não tem nada contra as famílias numerosas, ao contrário do que alguns meios de comunicação e comentadores têm tentado dar a entender…

É já no sábado que se realiza o II Encontro Nacional de Leigos, no Porto. Se puderem não deixem de ir. Um dos temas a abordar é o papel dos cristãos na política. O moderador desse painel, Filipe Anacoreta Correia, dá aqui umas luzes sobre o assunto.

A Renascença ajuda-o ainda a perceber quais as diferenças entre os mais importantes grupos terroristas islâmicos, bem como o que têm em comum.


Foi uma grande vitória para a liberdade religiosa! Nos Estados Unidos o Supremo Tribunal decidiu por unanimidade que os reclusos podem deixar crescer o cabelo e a barba se a sua fé assim o exigir. Saiba quais as implicações desta decisão.

Esta quarta-feira publicamos um segundo artigo do The Catholic Thing sobre a questão Charlie Hebdo. Os dois autores deste artigo utilizam uma abordagem bastante diferente e dizem que órgãos como a revista satírica também fazem parte do Corpo de Cristo. Não deixe de ler, vale muito a pena.

Só o Charlie Hebdo não Chega

Jason Scott Jones e John Zmirak
O atentado contra o Charlie Hebdo foi um ataque à Cristandade. Paradoxalmente, jornais que publicam caricaturas imaturas a gozar com a religião também fazem parte do Corpo de Cristo – ainda que sejam o intestino delgado, talvez. Numa sociedade formada por uma noção profundamente cristã da dignidade humana, há espaço para maus cristãos e até para não-cristãos, da mesma maneira que existem celas para carmelitas místicas. A visão mais alargada de uma sociedade verdadeiramente cristã, no sentido terreno, não se encontra nos tratados monásticos mas sim nos Contos de Cantuária.

Qualquer tentativa de “purificar” as sociedades cristãs da dissensão e do pecado à força, acaba sempre em catástrofe: com “hereges” agrilhoados, judeus identificados e pilhas de obras de arte em cima de fogueiras. Estas tentativas de truncar o Corpo de Cristo dos seus membros “impuros” deixaram sementes de vingança que deram brotaram em 1798 em França e em Espanha na década de 1930. No Concílio Vaticano II a Igreja renunciou totalmente a quaisquer aspirações de dominar as almas dos homens através da espada do Estado – reconhecendo que a perseguição religiosa é intrinsecamente má, tal como o adultério e o aborto.

Por isso é doentio ver alguns comentadores a arranjar desculpas para a matança de jornalistas, sugerindo que as vítimas “estavam a pedi-las” por terem enfurecido as sensibilidades dos muçulmanos. Como disse Ross Douthat, qualquer religião que ameaça matar os seus críticos precisa de, e merece, ser gozado desta forma – é um método de autodefesa por parte dos não-crentes.

Mesmo os crentes precisam de algum espaço para poderem brincar com as exigências infinitas da religião, por forma a sublinhar o valor da vida terrena perante aqueles que procuram forçar um sentido puramente espiritual em cada centímetro quadrado da existência. Este dever solene de resistência explica o surgimento de fenómenos loucos como o carnaval, as canções profanas escritas pelos monges e as piadas anticlericais entre os devotos.

A fé cristã não defende que num mundo perfeito seríamos todos monges e freiras – como se o casamento, o trabalho e a política fossem um triste compromisso com o pecado. Muitos clérigos ensinaram este género de coisas e foram por isso justamente gozados pelos leigos. John Henry Newman compreendia isto. Quando o Bispo Ullathorne lhe perguntou se a Igreja precisava dos leigos, respondeu que sem eles a Igreja pareceria ridícula.

O Cristianismo aguenta e assimila a humilhação. O próprio Deus veio à Terra para ser abusado, espancado e cuspido. Na nossa piedade representamos esse mesmo Deus feito homem em pequenas imagens de plástico e também nas mais sublimes obras de arte. Os muçulmanos, por outro lado, centram-se em alguém que admitem ter sido apenas um homem – e depois endeusam-no, elevando cada uma das suas acções terrenas, (desde a guerra à poligamia) ao modelo da perfeição moral e afirmando que Ele é demasiado sagrado para ser representado. Era assim que os judeus, que o Islão imitou e depois vilipendiou, tratavam o Senhor, de quem nunca produziam imagens e cujo nome não se atreviam a pronunciar.

Mas apesar de todo o seu temor de Deus, os judeus também têm como modelo Abraão, que discutiu e regateou com Deus, e Jacob, que lutava contra anjos. Os pensadores judeus sempre tiveram a audácia de confrontar Deus com questões difíceis sobre a sua justiça e o sofrimento humano – e quando não encontravam respostas que os satisfizessem, encolhiam os ombros e recorriam ao sarcasmo. De certa forma, o Islão é o Judaísmo, mas sem sentido de humor.

Joana d'Arc
Por isso a Igreja e Ocidente precisam, de alguma maneira, do Charlie Hebdo. Se a França tiver de colocar esquadrões da Legião Estrangeira à frente do edifício para defender a redacção, então vale bem o preço, tendo em conta a alternativa de entregar as liberdades ocidentais aos vândalos barbudos das banlieues.

Mas só o Charlie Hebdo não chega. França precisa de Villon, Rabelais, Moliere, talvez até de Voltaire. Mas não foram estes homens quem construiu o país, nem foram os satíricos e os cínicos que o salvaram, vezes sem conta. O espaço de liberdade onde malandros deste género podem dedicar-se ao que fazem foi povoado, ordenado e embelezado por uma outra estirpe de gente: Carlos Martelo, Luís IX e Joana d’Arc; pelos camponeses da Vendeia, pelos peregrinos de Lourdes e pelos soldados de infantaria em Verdum; e ainda por patriotas desavergonhados como Charles de Gaulle.

Em 1940 os cínicos generais de direita decidiram deixar de defender a corrupta Terceira República, acolhendo a vitória alemã como uma “surpresa divina” e instalando o seu próprio compincha, o Marechal Pétain, como “salvador” da nação. Rejeitada há anos nas urnas, a extrema-direita francesa aproveitou a vitória dos alemães para colocar os Voltaires do seu país no devido lugar. E quem é que se revoltou contra eles? Não foram os Sartres da vida – que continuaram alegremente a encenar teatros para entreter os alemães em Paris. Não foram os quadros comunistas, cujos mestres em Moscovo eram ainda aliados de Hitler. Foi Charles de Gaulle, o patriota chauvinista e sem sentido de humor, que foi para o exílio para dar continuidade à luta “sem esperança”.

Hoje, com uma ideologia igualmente má a ameaçar a França e o Ocidente, não serão os cínicos corajosos a salvar a situação. Serão homens e mulheres, enfurecidos com este ataque à sua nação. Os bem-falantes, multiculturalistas desinteressados que consideram o entusiasmo ordinário estarão, na sua maioria, contra eles. Os de Gaulles, estamos em crer, afastarão os Sartres e salvarão a França e o Ocidente.

Os europeus que o fizerem serão aqueles que odeiam a tirania e os seus valores estrangeiros, tais como a “submissão” irracional a um Deus caprichoso do deserto. Mas mais do que ódio, serão movidos por amor: Amor pelos seus conterrâneos franceses, alemães, suíços e ingleses e os seus modos de vida ancestrais. Este tipo de amor, que exige o sacrifício, surge nos espíritos grandes e vivaços. Só as almas com longo historial de coragem, fortaleza, temperança e prudência podem esperar ter fé ou amor.

Rezamos para que a ética cristã impeça estes patriotas de cometer qualquer acto mesquinho e que o seu combate pelo ocidente respeite os mais elevados valores – no centro dos quais se encontra a pessoa, imagem brilhante de Deus.


O livro “The Race to Save Our Century”, de Jason Scott Jones e John Zmirak pode ser adquirido na loja online do The Catholic Thing na Amazon.

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Encontro Nacional de Leigos no Porto e Papa de volta a Roma

Começo com um aviso importante. É já no Sábado que se realiza, no Porto, o II Encontro Nacional de Leigos. Tive a sorte de poder estar no primeiro, o ano passado em Coimbra, e foi muito interessante. Este segundo promete também, e não é porque me convidaram para falar num dos painéis, é mesmo pelo conjunto de outros excelentes oradores, como podem ver no programa, dos quais destaco o francês Fabrice Hadjadj.

As inscrições estão abertas até quarta-feira, por isso aproveitem, se puderem, e apareçam por lá.

De resto, o Papa terminou hoje a sua visita às Filipinas. No avião de volta para Roma aproveitou para conversar longamente com os jornalistas. Explicou que os cristãos não são obrigados a “ter filhos em série”, criticou a corrupção, falou novamente da questão da liberdade de expressão e disse quais devem ser os próximos destinos.

Da estadia nas Filipinas fica aquilo que foi provavelmente a maior concentração de pessoas na história para uma missa; uma celebração em condições muito adversas, precisamente no local devastado pelo tufão em 2013 e, a não perder, este texto da Aura Miguel sobre um dos momentos mais tocantes de toda a visita.

O padre da Golegã acusado de abusos sexuais apresentou a sua versão dos factos, declarando-se inocente.

E, por fim, fique a conhecer alguns dos ocidentais que abandonaram tudo para ir para o Médio Oriente, combater contra o Estado Islâmico.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Actualidade Religiosa: Observatório lançado e muçulmanos indignados

Cristã reza no Sri Lanka
O Papa continua a sua visita pelo Sri Lanka, agora em território tâmil, onde esta quarta-feira canonizou um missionário goês.

Foi hoje lançado o Observatório para a Liberdade Religiosa. Durante o debate, judeus e muçulmanos consideraram Portugal um “paraíso” a este respeito.

Foi hoje para as bancas a edição “pós-massacre” do Charlie Hebdo e, como é evidente esgotou. Mas muitos muçulmanos não gostaram do facto de a revista ter colocado nova caricatura de Maomé na capa, com um líder iraniano a considerar a decisão uma “declaração de guerra”.

Entretanto nos EUA foi detido um homem suspeito de estar a planear um ataque ao capitólio, em nome do Estado Islâmico.

E porque hoje é quarta-feira, aproveite para ler as interessantes reflexões de David Warren sobre os acontecimentos em França. Não concordo com todas as suas conclusões, mas são sem dúvida um acrescento útil ao debate.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reflexões sobre o caso Charlie Hebdo

David Warren
O ataque por parte de muçulmanos fanáticos à redacção do Charlie Hebdo, em Paris, acendeu por momentos em mim as emoções e os impulsos de jornalista. Era notícia, mas mais que isso, o ataque era contra “nós”. Algo devia ser feito, escrito, submetido, o que fosse – logo! Mesmo antes de pensar.

Membros importantes da redacção, incluindo o conhecido editor e quatro cartoonistas famosos, estavam mortos. Mas dezenas de milhares de pessoas encheram as ruas com cartazes a dizer “Je Suis Charlie” e outras indicações de solidariedade transitória.

Tanto quanto consigo ver, os fanáticos conseguiram tudo o que queriam. Os homens que consideravam blasfemos foram executados. Todo o país parou para reflectir sobre a sua acção. E muçulmanos em todo o mundo passaram a ser vistos como parasitas. Tudo isto eram objectivos dos terroristas.

Talvez fossem psicopatas, mas qualquer pessoa que tenha visto as imagens percebe que estavam bem treinados. Isto não foi uma “operação de imitação”, como outras que têm atingido França, em que muçulmanos tresloucados conduziram os seus carros para o meio de multidões.

Esta operação foi bem planeada, disciplinada, e é uma indicação do que podemos esperar no futuro, com o regresso à Europa e à América de assassinos bem treinados do “califado” na Síria e no Iraque. São impiedosos e sabem que nós não somos. Isto dá-lhes uma vantagem que ultrapassa a mera escolha de armas.

Muito do discurso que temos ouvido tem sido sobre a “defesa dos nossos valores”. Isto é precisamente o que os fanáticos querem, porque eles sabem bem que nós não temos valores. Querem acentuar o contraste entre os crentes e os infiéis; querem convencer os seus correligionários, sobretudo os mais novos, que a nossa única defesa é a blasfémia e que esta pode ser derrotada.

Eles querem que os jovens muçulmanos, já a viver no Ocidente, se sintam isolados também. Querem levar os polícias a persegui-los mesmo até ao coração do gueto, onde perceberão que não são mesmo nada bem-vindos.

Em França, como no resto do mundo, as organizações islâmicas que defendem o princípio da coexistência criticaram imediatamente os ataques. Já aprenderam a fazê-lo rapidamente. Também já aprenderam a não serem ambíguos nas suas condenações. Se acham que o Charlie Hebdo é um jornal de mau gosto, que gozava frequentemente e de forma crassa com o seu profeta, agora não é a altura certa para o dizer.

Mas também isto tornou-se um efeito desejado destes ataques violentos: envergonhar os “moderados”. A mensagem para os jovens cheios de testosterona é: “Nós conseguimos os resultados, eles não conseguem nada.”

Talvez o factor mais desencorajador nesta nossa “guerra ao terrorismo” seja a resposta que é dada pelos verdadeiros tontos do Ocidente: aqueles que dizem “isto não tem a ver com o Islão”, quando até eles sabem perfeitamente que tem a ver unicamente com o Islão.

Já os politicamente correctos não permitem qualquer comentário. Estão presos porque não têm valores positivos a defender e, por isso, não têm qualquer forma de compreender as pessoas que os pretendem aniquilar. Estão pré-aniquilados, e os fanáticos muçulmanos sabem-no. Aliás, sabem mais sobre nós do que nós sobre eles, graças à nossa cegueira voluntária.

Em vez dos valores positivos do Cristianismo, que respondem aos muçulmanos ponto por ponto, seja em acordo ou em desacordo, hoje em dia não apresentamos nada. A nossa “liberdade” é articulada em termos puramente negativos como os “direitos” humanos de gozar qualquer tipo de comportamento de uma forma imediata e material, “desde que não afecte os outros”.

Considerem, por exemplo, uma capa que o Charlie Hebdo teve em 2010. A caricatura mostra o Papa Bento XVI a elevar um preservativo e a dizer: “Eis o meu corpo”. Foi um exemplo típico por parte do jornal de tentar chocar. Foi uma boa tentativa, mas não chegou a ser blasfemo porque, no ocidente moderno, a blasfémia é simplesmente impossível.

Salvo a minoria que continua a ser cristã, e que na maior parte compreende que é preciso ser-se cristão para se poder blasfemar o Cristianismo, o Ocidente já não tem qualquer Deus a quem ofender.

Quando o presidente François Hollande foi à redacção do Charlie Hebdo, depois do massacre, não foi capaz de outra coisa que não repetir uma série de clichés. Foi como uma visita de cortesia, mas aos mortos.

Podemos dizer, altivamente, que a imprensa livre não pode ser silenciada; mas pode, e foi, como se viu por estes eventos. Mas também não tem qualquer problema em silenciar-se a si mesma, como se viu em muitos órgãos de comunicação social em que se desfocaram as imagens de caricaturas que pudessem “ser consideradas ofensivas pelos muçulmanos”.

Excepto quando está a seguir uma multidão, a “imprensa livre” costuma ser cobarde. A única coisa que admiro nos falecidos editores e cartoonistas do Charlie Hebdo é que não eram cobardes. Chegaram mesmo a dizer: “Para nos calar vão ter de nos matar”, e estavam a falar a sério. O seu desafio aos muçulmanos fanáticos redobrou depois de lhes terem incendiado a redacção em 2011.

Nisto são um exemplo a seguir por nós católicos.

O Islão é uma força positiva. Os seus seguidores acreditam em coisas e muitos estão dispostos a lutar por elas. Os fanáticos podem ser deturpados, mas a sua causa não é egoisticamente pessoal. Pretendem conquistar a Europa – assuntos do século VII que ficaram por resolver – e as suas tácticas e estratégias são tudo menos contraproducentes.

Com cada novo atentado ganham respeito e inspiram mais jovens muçulmanos a segui-los. Cada murro que espetam revela como o peito do Ocidente decadente está oco. Nem sequer reconhecemos que estamos em guerra, tamanha é a nossa capitulação.

Mas a verdadeira batalha, conforme eles o entendem, não é entre o Islão e uma libertinagem vazia. Essa é demasiado fácil de ganhar. É entre Cristo e Maomé: a única batalha em que podem ser colocados na defensiva; em que os seus próprios filhos se podem voltar contra eles.


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Papa no Sri Lanka e criança carrasco na Síria

São José Vaz
O Papa Francisco já está no Sri Lanka, onde foi recebido “em tons de açafrão” e não perdeu tempo em criticar a intolerância religiosa, numa região onde esta está sobretudo a cargo de budistas fundamentalistas.

Amanhã será o ponto alto da visita, pelo menos do ponto de vista cristão, com o Papa a canonizar o padre José Vaz, um missionário de Goa, cuja história podem conhecer aqui.

Os terroristas islâmicos continuam a conseguir aumentar a fasquia da sua pura maldade. A última foi colocarem uma criança que não deve ter mais de 12 anos a executar dois homens acusados de espiar contra o Estado Islâmico, na Síria.

Entretanto o responsável da Interpol recorda que há cerca de 5.000 europeus a combater nas fileiras desta organização, e que esta gente representa a pior ameaça terrorista para a Europa da última década.

Infelizmente este tipo de acções acabam por ser aproveitados pelos intolerantes no ocidente para promover marchas contra a imigração e contra o Islão, como aconteceu ontem em Dresden.

Um aviso: Amanhã terá lugar o lançamento de um “Observatório da liberdade religiosa”, que será acompanhado de um debate precisamente sobre o Estado Islâmico, a Europa e os desafios à liberdade religiosa. É às 18h30, na junta de Freguesia da Miseriórdia, na Calçada do Combro, em Lisboa, para quem quiser ir, e será um dos temas a explorar no debate religioso de quarta-feira à noite na Renascença. Fiquem atentos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo usa Maomé para passar mensagem cristã

Enquanto escrevo, o Papa Francisco está a caminho do Sri Lanka, de onde segue depois para as Filipinas. É a segunda visita à Ásia, e reveste-se de grande importância, política, religiosa e social. A Aura Miguel explica porquê.

Continuamos a viver a “ressaca” do caso Charlie Hebdo. Aqui pode ver a capa da próxima edição do jornal, que volta a dar destaque a Maomé, mas que curiosamente traz também uma mensagem bem cristã de perdão… Temos também a história de um jovem muçulmano que no ataque ao supermercado agiu como um herói e salvou vidas; temos o lamento de um arcebispo nigeriano que pergunta onde está a onda de solidariedade para com o seu país, que sofre bem mais com o terrorismo; temos a preocupação do Patriarca de Lisboa e temos Erdogan, presidente da Turquia, que quer que toda a gente saiba que ele não é Charlie Hebdo

O Papa Francisco é um dos que não esqueceu os nigerianos, e mencionou o facto no seu discurso ao corpo diplomático, esta manhã, antes de viajar para a Ásia.

Tristes notícias da Líbia, onde 21 cristãos foram raptados pelo braço local do Estado Islâmico. Não augura nada de bom.

E o Vaticano concluiu que o arcebispo Oscar Romero morreu mártir. É um dado importante, uma vez que poderá contribuir para o seu processo de beatificação.

Para quem ainda não leu, mando novamente o link da minha análise sobre se o terrorismo islâmico é, ou não, representativo do verdadeiro Islão, que está a gerar alguma discussão (civilizada) nos comentários.

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