segunda-feira, 23 de maio de 2016

Bispo disposto a morrer por condenados à morte

Bispo Ramón Arguelle
O Papa Francisco recebeu esta segunda-feira em audiência o imã da Universidade de Al-Azhar. Não é apenas um encontro de cerimónia, trata-se do restabelecimento de relações que estavam cortadas desde 2011.

Entretanto Francisco enviou uma mensagem aos católicos na China, a tempo do dia de Nossa Senhora Auxiliadora, que se assinala amanhã.

Está a decorrer a cimeira humanitária de Istanbul. A Igreja está representada pelo seu secretário de Estado, monsenhor Parolin e o Papa insiste que Roma está atenta a este assunto.

Antevê-se uma relação difícil entre o Presidente das Filipinas e os bispos. O Presidente eleito – que ainda não tomou posse – diz que quer implementar de novo a pena de morte e pelo menos um bispo afirma que está disposto a morrer no lugar dos presos que sejam condenados à forca.

O vencedor do prémio Árvore da Vida, Walter Osswald, deu uma entrevista à Renascença e critica a lei das barrigas de aluguer, que considera mal escrita e pouco exequível. Entretanto já existe um abaixo-assinado para obrigar a um novo debate sobre o assunto.

O artigo da semana passada do The Catholic Thing teve muito mais adesão do que até eu esperava. Se ainda não leram, façam-no, para compreender a posição difícil em que se encontram alguns conservadores americanos, que sempre se opuseram a Trump mas estão bem conscientes das repercussões a médio e longo prazo para os Estados Unidos, sobretudo a nível de questões fracturantes, se ganhar a Hillary Clinton.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Inferno em Sirte, Árvore da Vida em Portugal, Trump nos EUA

Hillary ou Trump? Há uma terceira opção...
Já todos ouvimos falar de Raqqa, a capital do Estado Islâmico. Pois agora temos uma “Nova Raqqa”. Trata-se de Sirte, na Líbia, um novo inferno na terra.

Foi encontrada esta quarta-feira uma das raparigas que foi raptada pelo Boko Haram juntamente com mais 200, em Chibok, na Nigéria. É um sinal de esperança de que as restantes também possam vir a ser devolvidas à família.

Foi anunciado hoje que o Prémio Árvore da Vida será entregue ao professor Walter Osswald, especialista em Bioética.

As escolas privadas, entre as quais muitas confessionais, continuam o seu braço de ferro com o Governo e agora depositam as suas esperanças em Marcelo Rebelo de Sousa.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. No fundo é um apelo ao voto em Donald Trump. Não, não perdi a cabeça… Leiam que vão entender a situação difícil em que se encontram os conservadores americanos.

Chegou a Hora de Agir

Hadley Arkes
Na Era de Obama aquilo que em tempos era inimaginável na nossa política e no direito tem-se tornado gradualmente “normal”, de tal forma integrado nas nossas vidas que mal se dá por ele. Em Setembro, como já fiz questão de dizer, 177 democratas no Congresso votaram contra uma lei que puniria “cirurgiões” que matam bebés que sobrevivem ao aborto. Até católicos notáveis na imprensa não acham que o assunto seja suficientemente importante para referir quando entrevistam Hillary Clinton, Donald Trump ou outros candidatos.

E caso não tenham estado a prestar atenção às notícias das últimas semanas, houve outra questão recente que tornou o bizarro não só plausível mas mesmo obrigatório nas nossas leis. Um tribunal anulou a decisão da Comissão de Educação do Estado da Virgínia, que obrigava as crianças a usar as casas de banho nas suas escolas de acordo com o seu sexo biológico.

O juiz Henry Floyd, nomeado por Obama, decidiu a dar crédito à ideia de que a Lei dos Direitos Civis [Civil Rights Act], que proíbe a discriminação sexual, pode agora ser lida de forma a abranger a discriminação de “género”. Ou seja, que a lei pode ser usada para obrigar a respeitar a visão que um jovem tem da sua própria “identidade” sexual, independentemente da sua anatomia.

O artigo IX das Emendas da Educação de 1972 torna claro que ao proibir a discriminação sexual a lei não puniria as instituições de ensino por manterem “residências separadas, com base no sexo”. O sentido de sexo, aqui, era claramente de “homens e mulheres”, rapazes e raparigas, e seria muito pouco plausível por parte da administração promulgar uma lei tão claramente distante dos estatutos e do senso comum.

O juiz Floyd decidiu impor essa leitura da lei com base apenas num parecer escrito pela Divisão dos Direitos Civis do Departamento de Educação. Na mesma altura, a Procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, acusou o congresso estadual da Carolina do Norte de violar a Lei dos Direitos Civis, fazendo uma leitura idêntica do estatuto.

O congresso estadual tinha anulado a política adoptada em Charlotte, consagrando o direito de pessoas “transgénero” a usar a casa de banho que quiserem, independentemente dos sentimentos de terceiros. A procuradora-geral fez acompanhar a sua decisão de uma ameaça de cortar os fundos federais que o sistema educativo da Carolina do Norte recebe, em todos os níveis de ensino.

Vou deixar de lado, por hoje, a questão da implausibilidade da fantasia do “transgénero”. O Dr. Paul McHugh, da Escola de Medicina da John Hopkins, deixou de fazer operações de mudança de órgãos sexuais. Segundo ele, os estudos revelam um triste encadeamento de depressão, bem como um desejo de “voltar atrás” quando se torna claro que a operação não consegue alterar os factos profundos da natureza sobre aquilo que nos constitui. Estes jovens confusos precisam de aconselhamento sério e não de cirurgia.

Neste momento o meu enfoque é outro. Aquilo a que estamos a assistir é, em primeiro lugar, a esquerda libertada de qualquer respeito pelo lugar da “natureza” e das restrições morais em matéria de sexualidade.

Estamos ainda a assistir a uma vontade por parte da esquerda de utilizar os poderes do Estado administrativo, separados de qualquer ligação plausível aos estatutos que, por si só, constituem as bases de autoridade das ordens administrativas.

E vemos ainda a disposição de alargar os poderes do governo federal de tal forma que tornam nulas as barreiras e as restrições do federalismo.

Entre 2001 e 2011, o financiamento federal das escolas na Carolina do Norte aumentaram em cerca de 400 milhões de dólares. Quando eu era mais novo, nos dias de Eisenhower, o financiamento federal da educação era uma questão séria. À medida que esses subsídios foram sendo alargados, tanto aqui como noutras áreas, temos visto crescer o poder do governo federal para manipular os Estados, chegando ao ponto de impor uma política perversa.

Já escrevi antes neste espaço, registando o meu desconforto, partilhado por muitos, sobre o facto de ter de escolher entre Clinton e Trump e, por enquanto, decidi-me pelo “joker” em vez da “Coisa Certa e Brutal”. Tenho amigos, porém, que dizem que mais vale esperar quatro anos, deixar a Hillary nomear o sucessor de Scalia [juiz do Supremo Tribunal que morreu este ano] e absorver o mal que for feito, em vez de arriscar ver o Trump transformar o partido conservador.

Mas temo que os meus amigos sejam demasiado optimistas. Subestimem seriamente a profundidade dos danos que podem ser infligidos se uma administração de esquerda encher os tribunais federais menores de juízes como Floyd. Esses juízes estarão mais que dispostos a defender as teorias dos intelectuais de esquerda sobre sexualidade e a extensão dos poderes executivos bem para lá dos limites da Constituição.

Estamos a subestimar seriamente o facto de que se estas novidades e corrupções continuarem durante mais quatro ou oito anos, poderão tornar-se de tal forma entranhados que serão impossíveis de desenraizar. Chegou a hora de homens e mulheres prudentes morderem o lábio e fazerem o que é preciso fazer.


Hadley Arkes é Professor de Jurisprudência em Amherst College e director do Claremont Center for the Jurisprudence of Natural Law, em Washington D.C. O seu mais recente livro é Constitutional Illusions & Anchoring Truths: The Touchstone of the Natural Law.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 17 de Maio de 2016 em The Catholic Thing)

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terça-feira, 17 de maio de 2016

Tiara papal feita por freiras ortodoxas? Sim, aconteceu

O fundador da Comunidade Santo Egídio está em Portugal para se encontrar com Marcelo Rebelo de Sousa. Na agenda está a crise moçambicana, assunto abordado também nesta entrevista exclusiva com a Renascença.

O Papa Francisco deu ontem uma entrevista ao La Croix em que falou de vários assuntos, voltando a criticar o mercado “inteiramente” livre, mas sublinhando também a importância da liberdade de consciência e a forma como a Europa tem acolhido os refugiados.

Francisco, que entretanto recebeu um presente que tem tudo a ver com a instituição do Papa mas muito pouco a ver com ele, também lamentou o actual estado de “analfabetismo espiritual” na sociedade.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Papa na inauguração das novas instalações da Renascença

Acabaram de ser oficialmente inauguradas as novas instalações da Renascença, aqui na Quinta do Bom Pastor. Estiveram cá quase todos os bispos, o Primeiro-ministro e o Presidente da República e nem o Papa quis faltar à inauguração, mandando uma bênção e uma mensagem.

Amanhã realiza-se a Caminhada pela Vida. Que ninguém falte! Vai ser lançada uma petição a pedir à Assembleia da República que não aprove a Eutanásia e que aposte nos cuidados paliativos.

O Patriarca, antes de vir à Renascença, esteve em Fátima onde presidiu às cerimónias do 13de Maio e disse que só por distracção ou preconceito é que não se reconhece a importância da Cova da Iria para Portugal.

Também hoje, por ser 13 de Maio, recuperamos a ligação de João Paulo II a Fátima, pela voz do seu então secretário-pessoal, hoje Cardeal de Cracóvia.

Foram aprovadas as leis da procriação medicamente assistida e das “barrigas de aluguer”. Passos Coelho e mais 23 deputados do PSD votaram a favor das “barrigas”, compensando assim os 15 votos contra do PCP. Sim, leram bem.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Eutanásia? É isto. Tudo à Caminhada pela Vida!

O Papa Francisco anunciou esta quinta-feira que vai criar uma comissão para estudar a questão das diaconisas na Igreja primitiva. Caso se conclua que as que existiram eram ordenadas, tal como os diáconos, poderão abrir-se as portas a esta realidade na Igreja Católica. Mas não é claro que assim seja…

Os defensores da Eutanásia gostam muito de dizer que a legalização será só para casos limite. Na Holanda também começaram com essa conversa. Mas a realidade é outra. Hoje soube-se do caso de uma mulher de 20 anos que sofria de stresse pós traumático e outros problemas psiquiátricos e cujo pedido para morrer foi aceite pelos médicos.

Já que estamos a falar de causas fracturantes, amanhã vão a votação não só as alterações à procriação medicamente assistida, mas também as “barrigas de aluguer”. O PMA passa certamente, mas o PCP vai votar contra as barrigas de aluguer. Felizmente para os progressistas de todo o mundo, há sempre o PSD que já disse que dá liberdade de voto aos seus deputados pelo que alguns irão certamente votar a favor. Pedro Passos Coelho já deu o exemplo e disse que vota sim.

Pelo lado mais positivo… D. Manuel Clemente apelou publicamente à participação na Caminhada pela Vida, no próximo sábado, em Lisboa. É às 15h e parte do Largo Camões. Eu vou lá estar com a família.


Hoje as atenções dos católicos centram-se em Fátima, para onde se espera ainda uma visita do Papa Francisco em 2017.

Na semana em que assinalamos ainda a ascensão de Jesus aos céus e preparamo-nos para o Pentecostes, um artigo que vem mesmo a calhar, de autoria do padre Paul Scalia, é a nossa escolha do Catholic Thing em português. Não percam e descubram como é que o wrestling angélico pode ajudar a vossa vida espiritual.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Presentes de Despedida

Pe. Paul Scalia
“Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens.”

Hoje acompanhamos Nosso Senhor até ao monte para a sua Ascensão. Talvez não saibamos o que dizer. Ele tentou preparar-nos para este momento. Disse-nos que devemos ficar felizes por Ele, porque regressa para o Pai (Jo. 14,28). E na verdade esta festa é caracterizada pela alegria simples do regresso do Filho para junto do Pai. Mais uma vez Ele nos instrui que regozijemos porque, ao regressar para o Pai, enviará sobre nós o Espírito Santo. Se Ele não for, o Espírito não virá. Por isso é melhor para nós que Ele vá. (Jo. 16,7)

Todavia, tal como os discípulos, não conseguimos compreender tudo o que Ele nos diz. Mateus diz-nos que os discípulos foram com ele até ao monte da Ascensão: “Quando o viram adoraram, mas alguns duvidaram” (Mt. 28,17). Lucas diz-nos que as suas mentes continuavam centradas em coisas terrenas, preocupados com a restauração do reino de Israel. (Actos 1,6)

Então como é que abordamos este mistério? Qual deve ser a nossa disposição e quais as nossas palavras? Há duas histórias do Antigo Testamento que podem ilustrar e guiar-nos neste mistério da Ascensão.
 
Em primeiro lugar temos o episódio de Jacob e do anjo (Gen, 32, 25-32). O livro do Genesis diz simplesmente que, nesse evento, “e lutou com ele um homem, até que a alva subiu”. Quem, ou o que, é que tenha sido essa figura, Jacob compreendia que vinha do Céu e que lhe podia dar uma bênção. Por isso não o largou e exigiu: “Não te deixarei ir, se não me abençoares”. Dessa forma Jacob recebeu uma bênção divina e tornou-se Israel, o Patriarca de uma nova nação.

Tal como Jacob depois desse encontro, qualquer analogia é coxa. Não nos podemos agarrar a Nosso Senhor como Jacob agarrou o anjo. Jesus não criticou Maria Madalena precisamente por isso? (Jo. 20,17). Mas se não nos podemos agarrar literalmente ao Senhor para o deter, não devemos deixar de imitar a insistência de Jacob. Ele tinha uma tenacidade e uma confiança que se adequam bem à festa da Ascensão. Revela a confiança de que aquele que vai para o Céu pode dar dons aos que estão cá em baixo. “Subindo ao alto… Deus dons aos homens” (Ef. 4,8)

Jacob luta com o anjo
Devido à sua insistência, Jacob recebeu um novo nome, uma nova vida e um novo propósito. De igual modo, as nossas últimas palavras para Jesus não deviam ser perguntas sobre um qualquer reino terreno nem nada que seja deste mundo. Antes, devemos pedir-lhe uma bênção – que aquele que Ascende nos dê uma nova vida e propósito através do dom do Espírito Santo.

Numa segunda história do Antigo Testamento temos os profetas Elias e Eliseu (2 Reis 2: 1-14). Quando o seu mentor e mestre é elevado ao Céu, Eliseu segue Elias desde Betel ao Jordão, em Jericó. Ambos parecem saber que Elias está prestes a partir. A multidão pergunta a Eliseu: “Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça?”. Ele responde, de forma abrupta, “Também eu bem o sei. Calai-vos”. Depois, quando chega a hora de Elias ser arrebatado aos Céus, Eliseu suplica: “Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim”.

Porquê uma porção dobrada? Uma porção não seria mais que suficiente? É um pedido curioso e muito se tem escrito sobre ele. Mas para o que hoje nos interessa bastará focarmo-nos no atrevimento do pedido. Eliseu não se limita a pedir, não pede sequer o mesmo, não pede apenas um pouco! Ele pede uma porção dobrada daquele mesmo Espírito que fez de Elias tão grande testemunha da aliança.

Este atrevimento deve ser também o nosso quando acompanhamos o Senhor até à sua Ascensão: Dai-me uma porção dobrada do vosso espírito. Para quê fazer cerimónia a pedir aquilo que Ele já deseja oferecer – e oferecer em abundância – e que ascende precisamente para poder conceder? Este é o atrevimento que devia caracterizar os próximos nove dias, enquanto rezamos pelo dom do Espírito prometido. Esse atrevimento alarga o nosso coração para receber aquilo que Ele já tenciona conceder.

Agora ele ascendeu para poder dar-nos dons. Ordenou que esperemos pelo poder que vem do Céu. Agora, enquanto nos preparamos para o Pentecostes e para receber o dom do Espírito Santo, rezemos com a insistência de Jacob e com o atrevimento de Elias. Vinde, Espírito Santo.


O Pe. Paul Scalia (filho do falecido juiz Antonin Scalia, do Supremo Tribunal americano) é sacerdote na diocese de Arlington e é o delegado do bispo para o clero.

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 5 de Maio de 2016 em The Catholic Thing)

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