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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Falta um para a selecção da AIS

Não dá para fugir ao assunto, começou o mundial!

Quem já entrou no espírito é a fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que apresenta a sua selecção. Têm uma freira à baliza e um cardeal na defesa. Só lhes falta um ponta-de-lança, que pode ser você!

Está suspensa a construção do museu judaico que estava previsto para Alfama, mas em contrapartida o museu de Leiria vai expor as Rosas de Ouro oferecidas pelos Papas ao Santuário de Fátima.

Falámos com o novo bispo de Viseu. D. António Costa mostra-se “optimista e confiante”.


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Partidarismos que Prejudicam a Prática Pastoral

Randall Smith
Imaginem que estão na Alemanha em 1930 e alguém desenvolveu um programa pastoral dirigido a judeus. Um grupo ouve falar deste programa e insiste que se não incluir esforços para converter esses judeus ao Cristianismo, será “anticristão”. O maior acto de caridade que se pode ter para com aqueles que estão separados de Cristo, diz, é assegurar que entram para o caminho da salvação. Deixá-los na ignorância e erro seria “anticristão”. E mais, tendo em conta a “questão judaica” que está a assolar o país, não seria melhor para todos se os judeus simplesmente concordassem tornar-se cristãos?

Outro grupo insiste que a única forma de lidar com qualquer judeu é afirmar a sua identidade judaica. Qualquer tentativa de o “mudar” seria preconceituosa. É verdade que há judeus como a Edith Stein que se converteram, mas ela é um embaraço para este grupo, porque o seu exemplo complica aquilo que acreditam ser o “verdadeiro ecumenismo” e o “diálogo salutar com o povo judaico”. Esse diálogo saudável não deve, segundo eles, envolver qualquer referência à fé cristã – algo que eles acreditam ser lesivo para a relação respeitável que devia existir com esta minoria tradicionalmente vitimizada. A única forma de lidar com as questões políticas que envolvem os judeus, diz este grupo, é sublinhar a terrível vitimização que tem sofrido às mãos dos cristãos e fazer com que “ser judeu” seja algo que toda a gente no país encara como uma coisa nobre. Qualquer outra coisa seria “anticristã”.

O primeiro grupo odeia o segundo e considera que estão a abandonar o seu dever de pregar o Evangelho e ganhar almas para Cristo. O segundo grupo odeia o primeiro e considera que são racistas ignorantes, preconceituosos e hipócritas que não têm a sofisticação nem a educação para saber como lidar com judeus.

Mas a pessoa que estabeleceu o programa pastoral em 1930 não faz parte nem de um campo nem do outro, e decide que o melhor que tem a fazer é juntar as pessoas para conversar. Cristãos a falar claramente sobre o seu cristianismo, ouvindo judeus a falar sobre as suas experiências a lidar com cristãos. Convida a Edith Stein para falar, não como modelo do caminho que todos devem percorrer, mas como uma pessoa com experiência dos dois mundos que pode ajudar os cristãos a compreender os judeus e os judeus a compreender os cristãos.

O primeiro grupo odeia-o porque não está a tentar converter todos os participantes ao cristianismo, deixando-os assim na ignorância e no erro. O segundo grupo odeia-o porque ele fala abertamente do seu cristianismo, algo que eles partem do princípio que vai alienar os judeus, e porque isso contraria a sua ideia de conceder aos judeus um lugar especial na sociedade. Para eles, convidar a Edith Stein, uma judia convertida, é prova provada de que o programa pastoral é insensível, porque a sua conversão é um escândalo para os judeus que conhecem. No final de contas nenhum dos dois grupos converte muitos judeus ou ajuda a diminuir a perseguição que os judeus sofrem na Europa.

Agora vejamos outro caso:

Um jovem no auge da sua carreira é convidado a assumir um cargo de liderança na “Courage”, um grupo católico para homens e mulheres com atracção homossexual. O grupo nem tenta “converter” pessoas de homossexual para heterossexual, nem faz segredo das suas convicções morais sobre a imoralidade da actividade homossexual. Embora aceitem inteiramente o ensinamento da Igreja, os seus membros também acreditam que demasiados cristãos tratam mal homens e mulheres com atracção homossexual; que a Igreja não se pode limitar a desejar que o problema desapareça; e que é importante estender a mão a pessoas que, em muitos casos, estão a sofrer, são incompreendidas e precisam da orientação espiritual e do amor da Igreja.

Só para deixar claro, a analogia que apresento aqui não é entre judeus e pessoas com atracção homossexual; é entre as reacções ao primeiro desafio pastoral e ao segundo.

Toda a gente fala em “diálogo”, mas demasiadas vezes o que isto significa é “diálogo à minha maneira”. Para o primeiro grupo, significa que estas pessoas devem vir ter connosco de forma penitente, para que nós, católicos, possamos dizer-lhes quão maus são. Para o segundo significa que devem vir ouvir-nos, penitentes, dizermos quão maus católicos somos.

Porque é que alguém iria ter com qualquer um dos grupos? Em relação ao primeiro, as pessoas que se sentem culpadas sobre algo não querem ser condenadas novamente. Preferem ir a um grupo de apoio, ouvir, aprender e reflectir na companhia de outros. Quanto ao segundo, porque é que alguém haveria de querer ir ouvir pessoas a choramingar sobre a sua própria culpa? Como é que isso as ajuda? Essas pessoas limitaram-se a pegar no meu problema e apropriar-se dele. As pessoas que estão a sofrer não querem que lhes digam que não têm razões para isso. E, claro, ninguém devia mentir sobre o que a Igreja diz, só para “construir pontes” – fazendo-se passar pelo cúmulo da sensibilidade.

E o nosso jovem amigo convidado para trabalhar na Courage? Aceitará o emprego? Se o fizer, será criticado por ambos os lados – tratado com suspeição pelos partidários de um dos lados por causa do seu trabalho com os homossexuais, ou como um preconceituoso ignorante que trabalha com um daqueles grupos obedientes à Igreja, pelo outro. Se fosse amigo dele, o que é que aconselharia?

Será que estas divisões partidárias sobre “a melhor forma” de ajudar cristãos homossexuais está mesmo a ajudar alguém? Ou devemos deixar as pessoas fiéis ao ensinamento da Igreja fazer o seu melhor, e deixar os homens e mulheres homossexuais que procuram orientação da Igreja ajudar-nos a fazer sentido de tudo isto? Podemos falar honestamente sobre aquilo que a Igreja ensina e eles podem falar honestamente sobre quem são e como ouvem aquilo que lhes estamos a dizer. Se nós, enquanto Igreja, dizemos que nos interessamos pelos homossexuais, sobre as suas vidas e bem-estar, então precisamos de pastores que estejam dispostos a proclamar e a escutar a verdade.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Sucessor para Viseu, Warhol para Roma

A Última Ceia, de Andy Warhol
O Papa mandou investigar novas informações relativas ao bispo chileno Juan Barros, acusado por algumas vítimas de abusos sexuais de ter encoberto o padre que os abusou.

Francisco quer, entretanto, um “novo paradigma” para as universidades católicas.

Lisboa tem um novo rabino. Há dias conversei com Natan Peres, que quer “revolucionar” a comunidade judaica da capital portuguesa. Foi uma conversa muito interessante, que vale a pena lerem.

Esteve em Portugal, a convite da fundação Ajuda à Igreja que Sofre, o arcebispo de Lahore, no Paquistão, onde os cristãos estão sempre alerta, sobretudo aos domingos.

D. Ilídio Leandro diz que a nomeação do seu sucessor na diocese de Viseu “está para muito breve”.

O Vaticano vai acolher uma exposição sobre Andy Warhol, a grande figura da Pop Art, que era católico devoto.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Milagres vários: Iraque, Fátima e Hanucá

(Clicar para aumentar)
Foi reaberta ao culto a primeira das igrejas iraquianas reconstruídas com o apoio da Ajuda à Igreja que Sofre, depois de terem sido profanadas e danificadas pelo Estado Islâmico. Uma notícia pascal em tempos de Advento!

Os judeus de Portugal tencionam continuar a florescer e não temem o desafio da assimilação cultural, numa altura em que se festeja o Hanucá. Amanhã acende-se a menorá numa cerimónia pública no Parque Eduardo VII a que todos são convidados.

Começam a surgir as mensagens de Natal dos bispos. Já temos Viseu e Angra.

A Igreja está preocupada com as regras de protecção de dados da União Europeia.

Por já passar da meia-noite, e porque provavelmente não haverá mais mails esta semana, publiquei já o artigo desta semana do The Catholic Thing. Howard Kainz fala de um interessante livro que torna acessível e compreensível o Alcorão, ajudando os cristãos a compreender melhor o livro sagrado dos muçulmanos. O autor sublinha a diferença entre o Alcorão antes e depois da fuga de Meca para Medina.

E deixo também o convite para a apresentação do livro de Bernardo Motta, sobre o milagre do Sol, em Fátima, uma obra que certamente será útil para quem quiser aprofundar o fenómeno. Ver imagem.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

“Que o seu sangue caia sobre nós!”

Randall Smith
De todas as leituras do tempo pascal, o que mais me perturba é a passagem de Mateus 25,27, quando a multidão clama “que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!” Talvez valha a pena recordar que esta passagem encontra-se no Evangelho de Mateus, que era judeu. Estará ele a invocar sobre o seu próprio povo uma maldição multisecular? Não me parece o caso. Este é um mal-entendido frequente, com consequências particularmente trágicas neste caso, mas que corresponde a um padrão comum.

Este “padrão” envolve pegar numa passagem que tem a ver com o sacrifício desinteresseiro de Cristo por toda a humanidade e interpretá-la de uma forma essencialmente pagã, como se Cristo fosse Zeus, ou Apolo.

Um exemplo clássico disto mesmo tem a ver com a forma como algumas pessoas interpretam Efésios 5,22-25, em que São Paulo estabelece uma analogia entre maridos e mulheres e Cristo e a Igreja. As mulheres estão para os seus maridos como a Igreja está para Cristo, e os maridos devem amar as suas mulheres como Cristo amou a Igreja.

Por alguma razão – e penso que isto tem tanto a ver com a nossa natureza pecaminosa como com maus hábitos de interpretação bíblica – algumas pessoas, sobretudo homens, pensam que isto significa que os maridos podem dominar as suas mulheres. Mas quando é que Cristo dominou a Igreja, se entendermos o domínio como é praticado por um Rei pagão? Cristo lavou os pés aos seus discípulos e disse que “quem quiser ser o primeiro deve servir os outros”. Por isso, no meu entender, quando um marido diz à sua mulher “eu sou como Cristo para ti” ela devia imediatamente tirar as meias e esticar o pé para que ele o lave.

Os deuses pagãos como Zeus e Apolo exigiam que os humanos lhes fizessem sacrifícios. O Deus cristão sacrifica-se inteiramente por nós e morre para perdoar os pecados até daqueles que o crucificam. O que é que pode levar alguém a virar isto ao contrário e, em vez de ver o comentário de São Paulo como um convite ao serviço, interpretá-lo como uma exigência de ser servido?

Seja o que for, não é saudável. E não tem nada a ver com a forma como Cristo se revelou nas Escrituras.

O que nos traz de volta ao comentário perturbador: “Que o seu sangue caia sobre nós”. Enquanto cristãos, em que é que acreditamos? Acreditamos que no sangue de Cristo somos curados e os nossos pecados perdoados. Na Eucaristia, o sangue e o corpo de Cristo são-nos oferecidos tal como foram aos primeiros apóstolos.

A recepção do corpo e sangue de Cristo na Eucaristia é uma das formas mais poderosas que temos de participar na morte e ressurreição salvífica de Cristo e de receber os seus dons de graça divina. O que nos leva a virar esta bênção de pernas para o ar e entendê-la como uma maldição, quando a intenção de Mateus ao contar esta história é obviamente de dizer que aquilo que se pensava ser uma maldição se tinha tornado, no caso do sacrifício de Cristo, uma bênção?

Jesus era judeu. Maria e todos os primeiros apóstolos também. Nós lemos a Nova Aliança à luz da Antiga, razão pela qual temos tantas leituras do Antigo Testamento na vigília de Páscoa. A única leitura que não deve nunca ser omitida durante a vigília, segundo as normas do Missal Romano, é a do Êxodo, sobre o resgate de Israel do Egipto: o evento que está no cerne da Páscoa do Antigo Testamento. Não podemos verdadeiramente compreender a Última Ceia e a celebração pascal do novo testamento sem este contexto. Como o próprio Cristo diz: “A salvação vem dos judeus” (Jo. 4,22).

Os romanos crucificaram Cristo. Qual o significado então de os judeus gritarem pela sua crucificação? De acordo com João 1,11: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Foi rejeitado não só pelos romanos “estrangeiros” mas pelo seu próprio povo. E quem é o “seu próprio” povo? Quem é que os judeus representam? Todos nós: toda a humanidade, marcada pelo pecado, que rejeitou Deus.

Não é por nada que na liturgia de Domingo de Ramos toda a Assembleia clama “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Não são apenas os judeus, somos nós. E com eles dizemos: “Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!” E cai mesmo sobre nós, porque é o sangue da Cruz que nos torna inteiros, o sangue da nova e eterna aliança, o sangue de Cristo derramado através do qual somos salvos.

Podemos pedir maior bênção para uma multidão do que esta, que o sangue de Cristo caia sobre ela e sobre os seus filhos?

Vêem como o sacrifício de Cristo transformou aquilo que era entendido como uma maldição numa bênção, não só para os que estavam presentes, mas para todos nós? Aqueles que usam esta passagem como desculpa para odiar ou perseguir judeus estão a passar ao lado da questão. Pior, estão a tornar a bênção de Cristo, comprada a alto preço com o seu próprio sangue, numa maldição novamente. Se esse não for o pior crime que se pode cometer contra o sacrifício salvífico de Cristo, então não sei qual é.

Ah, Santo Jesus, que ofensa cometestes
Que o homem, para vos julgar enveredou pelo ódio?
Desprezado pelos inimigos, rejeitado pelos seus próprios, oh, mais atormentado .

Não se iludam. Quando cantamos este hino, o inimigo somos nós; somos nós quem o rejeita; somos nós que traficámos ódio, disfarçado de rectidão. Somos nós quem o atormenta. Mas apesar de tudo, ele continua a amar-nos – um amor que Ele revela na plenitude derramando o seu sangue por nós na Cruz.

Por isso que o seu Sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos, pois é no seu sangue que somos redimidos e temos a vida eterna.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na segunda-feira, 23 de Abril de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Um muçulmano, um cristão e um judeu entram numa escola... Quem fica mais tempo?

No mundo os cristãos tendem a ter mais anos de estudo formal do que os muçulmanos, embora ambos fiquem bem atrás dos judeus. Já em Portugal são os muçulmanos que estudam mais que os cristãos, mas sempre atrás dos judeus… São os resultados de um novo estudo feito pela Pew Research Forum, que tem outros dados interessantes sobre este assunto.

O terrível atentado do passado domingo, contra a comunidade copta no Egipto, foi reivindicado pelo Estado Islâmico. Quem estiver surpreendido que ponha a mão no ar…

Terminou definitivamente a batalha por Alepo. Depois de anos de divisão, a cidade está agora inteiramente controlada pelo regime. Agora temem-se eventuais atrocidades cometidas pelas milícias pró-regime. Entretanto em Beja saiu-se à rua em manifestação pela paz nesta e noutras partes do mundo.

Os padres de Bragança-Miranda vão aprender a “comunicar Deus”.

Devido à minha ausência poderão não ter dado pelo artigo do The Catholic Thing de há duas semanas, em que David Warren pergunta o que seria se a Igreja fosse dirigida apenas por homens do calibre do Leão de Münster. Saiba porquê aqui…

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Papa visita neonatologia e vai receber familiares das vítimas de Nice

Papa no hospital em Roma
O Papa Francisco visitou esta tarde os cuidados intensivos da ala de neonatologia de um hospital de Roma e um lar de doentes terminais, para grande surpresa dos familiares e dos restantes presentes. A acção está inserida no âmbito do jubileu da misericórdia.

Também hoje o Vaticano anunciou que o Papa se vai encontrar com familiares das vítimas do atentado de Nice, em França. Será no sábado dia 24.

Por falar em terrorismo, mais um atentado, desta vez no Paquistão, fez pelo menos 25 mortos esta sexta-feira.

Tristes notícias do Sudão do Sul, um país de maioria cristã que nasceu da cisão com o Sudão muçulmano, mas que não conseguiu evitar cair novamente em guerra civil. Hoje foi anunciado que se juntou ao restrito clube dos países com um milhão de refugiados

Ontem foi divulgado um pergaminho judaico, um rolo da Torá, que terá cerca de 400 anos e foi encontrado numa casa devoluta, na Covilhã!

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, sobre como Pio XII lidou com Hitler.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

"Holocausto foi choque espiritual e psicológico para a Igreja"

Transcrição completa da curta entrevista que fiz ao padre Peter Stilwell, reitor da Universidade de São José, em Macau e especialista em diálogo inter-religioso e ecuménico, a propósito da visita do Papa Francisco à Sinagoga de Roma. A reportagem pode ser lida aqui.

O Papa Francisco visita no domingo a sinagoga de Roma. Que significância é que pode ter este gesto?
É o terceiro Papa a visitar a Sinagoga de Roma e é preciso lembrar que a Sinagoga de Roma é simbolicamente muito significativa, porque a grande carta de São Paulo aos Romanos, que foi logo nos primeiros anos do Cristianismo, foi escrita precisamente para a comunidade judaica em Roma, da qual fazia parte também um grupo de judeus que eram cristãos, que eram discípulos de Jesus Cristo. Essa comunidade, provavelmente foi visitada pelo próprio São Paulo e depois por São Pedro e infelizmente ao longo dos séculos sabemos que a relação entre a Igreja Católica e a comunidade judaica resfriou e tornou-se distante. A certa altura os Papas obrigaram os judeus a viver num gueto e é sobre as colinas desse gueto que se construiu a actual sinagoga de Roma. 

Portanto a visita que o Papa faz, na sequência dos seus antecessores, vem na linha de uma perspectiva aberta pelo Concílio Vaticano II de diálogo com a comunidade judaica, compreendendo a comunidade judaica como nossos irmãos na fé. Temos uma grande parte da Bíblia em comum, temos uma longa tradição em comum e infelizmente ao longo dos séculos houve momentos de tensão, de incompreensão, de falta de espírito, de compreensão, por parte, nomeadamente das comunidades maioritárias cristãs, que acabaram por desaguar naquilo que foi a violência da Segunda Guerra Mundial, a chamada Shoah [termo que os judeus usam para designar aquilo a que ficou conhecido como o holocausto].

É à luz dessa experiência que o Concílio faz a sua reflexão e que vários documentos emanados posteriormente pela Santa Sé chamam a nossa atenção para a necessidade de não mais repetir esses erros do passado em que não reconhecemos a nossa fraternidade na fé. 

Considera que foi o holocausto que determinou esta mudança de paradigma?
É muito claramente isso. Basta ler documentos saídos da Igreja um pouco antes da II Guerra Mundial e outros depois da II Guerra Mundial e nota-se a diferença de tom. 

A diferença de tom é resultado de um choque espiritual e psicológico que a Igreja viveu ao dar-se conta do vírus que tinha alimentado no seu seio, que evoluiu para o Nazismo, que não tem nada a ver com Cristianismo nem com a Igreja Católica, mas que nasce neste contexto de uma cultura ocidental em que a tradição de perseguir e mal-tratar os judeus e das comunidades judaicas, desde a literatura até ao quotidiano das cidades, era o habitual. Portanto isso muda radicalmente e nos anos 60 aqueles que são incumbidos de redigir os documentos do Vaticano II, o Cardeal Bea, nomeadamente, é incumbido dessa função por um Papa, João XXIII, que foi delegado apostólico na Turquia durante a II Guerra Mundial, onde ajudou os judeus que fugiam do Nazismo e que passavam por Constantinopla, ou Istambul, a caminho de Israel, portanto é o Papa que tem muito claro na sua consciência que esta tragédia terrível que foi a Segunda Guerra Mundial para a comunidade judaica, que o Cristianismo tem de dar uma volta, tem de perceber o que se passou em termos de desafio espiritual. 

Depois, o Papa João Paulo II é o primeiro que visita Auschwitz. É preciso lembrar que João Paulo II teve contacto com judeus na Polónia, de quem era amigo, e percebeu a violência da Segunda Guerra Mundial contra a população judaica quase em primeira mão, ou pelo menos muito de perto, e portanto faz questão, quando visita a Polónia, de ir para Auschwitz rezar pelas vítimas. Portanto João Paulo II é o primeiro que visita a Sinagoga de Roma, Bento XVI visita a sinagoga e, segundo consta, mantém ainda uma correspondência directa e pessoal com o rabino da Sinagoga, e agora temos o Papa Francisco que, na Argentina, tinha amigos na comunidade judaica e que protagonizou o diálogo com a comunidade judaica na Argentina, que vai retomar esta tradição de o Papa visitar a sinagoga. 

São duas grandes comunidades em termos da tradição espiritual, que se encontram na mesma cidade, e que é bom que se encontrem, como dizia o rabino há dias, numa entrevista, é bom que numa época em que tantas vezes a religião é usada para justificação para violências que são blasfemas, como diz o Papa Francisco, é bom que estas duas comunidades que tantas vezes tiveram dificuldades no passado dêem testemunho que é possível, apesar dessa história, apesar dessa memória, ser-se possível sentar à mesa e dialogar, e encontrarem-se como amigos.

Recentemente causou bastante discussão, e mesmo alguma polémica, um novo documento da Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus. Surgiram logo órgãos de comunicação social a dizer que a Igreja estava a dizer que não é preciso converter os judeus. É assim?
Conheço o documento e essa expressão, dita dessa forma ou de outra, é correcta.

A posição é que não se deve fazer proselitismo em relação aos judeus, e que deve haver diálogo, como é evidente, mas que deve haver respeito no sentido em que eles têm uma tradição que nós usamos quotidianamente na nossa liturgia para reflectir sobre a nossa tradição religiosa e temos muito que partilhar uns com os outros. 

Mas fazer uma evangelização dos judeus no sentido do proselitismo, de tentar transformar os judeus em cristãos, de uma forma de "pesca à linha", por assim dizer, é realmente uma posição que a Igreja não considera apropriada. [Sobre este assunto, ver aqui]

Para esta reportagem também foi entrevistada Esther Mucznik, da Comunidade Israelita de Lisboa.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Sobre a questão da conversão dos judeus

Edith Stein
No passado Domingo o Papa Francisco esteve na Sinagoga de Roma, onde discursou. A dada altura disse o seguinte: “Os cristãos, para se compreenderem a si mesmos, não podem deixar de referir as suas raízes judaicas, e a Igreja, apesar de professar a salvação através da fé em Cristo, reconhece a irrevogabilidade da Antiga Aliança e o amor constante e fiel de Deus por Israel”.

Esta foi sem dúvida a passagem mais importante do seu discurso e nela o Papa refere-se a uma discussão teológica interna ao Cristianismo que passa por saber se os cristãos deviam pregar o Evangelho aos judeus. A teoria que parece estar a ganhar terreno na Igreja Católica é que os cristãos não devem procurar evangelizar os judeus de forma especial, uma vez que a Antiga Aliança ainda é válida – uma vez que as promessas de Deus são irrevogáveis, segundo a carta de São Paulo aos Romanos.

O meu bom amigo Tiago Cavaco, pastor evangélico, leu o discurso e não gostou. Porque o Tiago é boa pessoa e intelectualmente honesto, o seu texto não é um ataque cerrado – que seria fácil mas pouco produtivo de fazer – mas antes uma série de interrogações que, a meu ver, se podem resumir numa só. “Se os judeus não precisam de Jesus, o que é que Jesus veio cá fazer?”

Este meu texto, agora, não é uma defesa da posição da Igreja Católica ou do Papa. Antes, tenciono aqui deixar algumas pistas para ajudar à discussão, porque me parece que esta é uma discussão que importa ter e que não está de forma alguma resolvida.

Sendo assim:

1. Isto não é (assim tão) novo
O discurso do Papa trouxe o assunto mais para a ordem do dia, mas a primeira vez que eu dei por isto foi há mais de uma década. Na altura foi num documento da conferência episcopal americana. Eu li e a dada altura levantei o assunto com um professor do meu mestrado, na altura padre e agora bispo, que disse que achava isso tudo muito estranho. Mostrei-lhe o documento. Ele leu e, basicamente, descartou, dizendo que podia ser um documento de reflexão teológica da Igreja americana, mas a posição da Igreja Universal não era essa.

Mais recentemente a comissão do Vaticano para o diálogo religioso com os judeus publicou um novo documento a dizer basicamente a mesma coisa. “Que os judeus são participantes da salvação de Deus é teologicamente inquestionável, mas como isso é possível sem confessar Cristo explicitamente, é e permanece um mistério divino insondável”.

Antes de mais, para muita gente isto pode não ser claro, sobretudo para protestantes que não têm obrigação nenhuma de saber como é que as coisas funcionam no Vaticano, mas nem um documento da comissão para o diálogo, nem um discurso do Papa numa sinagoga vinculam a Igreja Universal a uma posição. Não me parece correcto, simplesmente por uma questão de rigor, dizer que a posição da Igreja Católica agora é esta ou aquela. Penso, aliás, que isto é claramente um “work in progress”. Todavia, o facto de o Papa ter endossado a ideia num discurso público não é, obviamente, irrelevante. O que quero deixar claro é que dentro da Igreja a ideia não é de modo algum unânime.

Cardeal Lustiger
Contudo, esta também não foi, ao contrário do que eu pensava quando li o discurso, a primeira vez que um Papa subscreve publicamente esta ideia. Rapidamente no twitter recebi referências de outras instâncias. Nomeadamente no Evangelii Gaudium, nº 247: “Um olhar muito especial é dirigido ao povo judeu, cuja Aliança com Deus nunca foi revogada, porque ‘os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis’”.

Mas o EG é um texto do Papa Francisco, portanto quem acha, como o Tiago, que este é o pior Papa das últimas décadas (e não são só protestantes que o acham), dificilmente se deixará tocar por isto. Mas a maioria dos grandes críticos de Francisco nutrem, ao mesmo tempo, uma enorme admiração por Bento XVI. Sei que é o caso do Tiago e sei que todos concordarão que BXVI não é o tipo de teólogo de se deixar levar por sentimentalismos.

Vejamos então o que ele escreveu nos seus livros sobre Jesus de Nazaré:

“A este respeito, no horizonte de fundo, aparece sempre também a questão sobre a missão de Israel. (…) uma nova reflexão permite reconhecer que é possível, em todas as obscuridades, encontrar pontos de partida para uma justa compreensão.

Quero referir aqui o que, relativamente a este ponto, aconselhou Bernardo de Claraval ao seu discípulo, o Papa Eugénio III. Recorda ao Papa que não lhe foi confiado o cuidado apenas dos cristãos. “Tu tens um dever também para com os infiéis, os judeus, os gregos e os pagãos”. Mas corrige-se logo a seguir, especificando: “Admito, relativamente aos judeus, que tens a desculpa do tempo; para eles foi estabelecido um determinado momento, que não se pode antecipar. Primeiro devem entrar os pagãos na sua totalidade. (…)

Hildegard Brem comenta assim este trecho de Bernardo: “Na sequência de Romanos 11,25, a Igreja não se deve preocupar com a conversão dos judeus, porque é preciso esperar o momento estabelecido por Deus, ou seja, “até que a totalidade dos gentios tenha entrado”. Ao contrário, os próprios judeus constituem uma pregação vivente, para a qual deve apontar a Igreja, porque nos trazem à mente a paixão de Cristo”.
Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até à Ressurreição - Capítulo II, ponto 2

Este artigo contém uma interessante análise e comentários a este ponto.

2. O “efeito holocausto”
Embora seja relativamente fácil dizer que estas teorias são apenas o resultado de um complexo de culpa que sentimos em relação ao holocausto, por este só ter sido possível graças ao facto de haver um terreno fértil para o anti-semitismo, para o qual contribuíram mais de mil anos de Cristianismo europeu – o que não é obviamente o mesmo que dizer que o Cristianismo foi responsável pelo holocausto, atenção – penso que não é assim tão simples. Poderá ser um factor, mas não explica tudo. O já citado São Bernardo de Claraval não sofria certamente de complexos do holocausto.

Mas penso que o holocausto pode ter despertado entre os teólogos uma dúvida. Como é que uma ideia aparentemente tão benévola, de querer levar aos judeus o conhecimento do Messias que tanto dizem esperar, pode ter tido consequências tão trágicas ao longo de tantos séculos? É que não foi uma vez nem duas, foram centenas. Só para dar um exemplo, já que este texto pretende ser um diálogo com um pastor que se identifica com a tradição luterana, vemos o que aconteceu quando Lutero viu frustradas as suas tentativas de converter os judeus. Em 1543 escreveu o panfleto “Sobre os judeus e as suas mentiras” em que recomenda a destruição de casas e sinagogas de judeus, a proibição dos seus livros sagrados e dos rabinos ensinarem, etc. etc. Tragicamente, existem demasiados exemplos no lado católico também.

Repito que este meu texto não tem por objectivo defender a teoria de que não precisamos de pregar aos judeus, apenas de levantar mais algumas questões e apontar para fontes que podem contribuir para o aprofundamento. E é nesse sentido que pergunto se não é natural que alguém pense que esta estratégia de tentar converter os judeus fez mais mal do que bem ao longo dos milénios e se isso não será sinal de que o caminho não é esse, sobretudo tendo em conta o suporte neo-testamentário já citado.

Pe. David Neuhaus
3. Vozes ausentes
No meio de tudo isto, confesso que há vozes que ainda não ouvi mas que penso que são fundamentais para este debate. Refiro-me a católicos que tenham nascido judeus. O Cardeal Lustiger, de Paris, que morreu em 2007, sempre se afirmou judeu e embora não tenha ideia de ele ter abordado esta questão especificamente, pelo que ele dizia, nomeadamente ao intitular-se um “fulfilled Jew” (falta-me agora um termo adequado em português), leva-me a crer que discordaria da ideia de não se pregar aos judeus, embora esteja apenas a especular.

O padre David Neuhaus, que é vigário-geral para os católicos de língua hebraica, na Terra Santa, seria uma voz a ouvir também, mas tanto quanto vejo na net, ainda não se pronunciou sobre isto em particular. Se alguém tiver dados em contrário, que me avise.

Também não conheço suficientemente a obra de Edith Stein sobre esta questão, mas imagino que possa ter algo a dizer.

Este é um assunto complexo e que merece certamente muita reflexão e debate. Penso que todos, cristãos católicos ou reformados, ou mesmo judeus, temos a ganhar em fazê-lo e agradeço por isso o texto do Tiago que me levou a escrever este. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A Morte de um Grande Rabino

Filip Mazurczak
No domingo dia 19 de Abril, dias antes de fazer 100 anos, morreu Elio Toaff, antigo rabino-mor de Roma. Grande promotor do diálogo entre católicos e judeus e amigo de São João Paulo II, o rabino Toaff testemunhou uma era em que católicos e judeus – que para além do Antigo Testamento partilham uma herança espiritual com origem em Abraão, mas que foram frequentemente separados pela história – abandonaram, de forma dramática, preconceitos antigos.

Embora o Cristianismo tenha surgido do seio do Judaísmo, as relações entre judeus e cristãos foram muitas vezes dolorosas. Em 1215, o Quarto Concílio de Latrão decretou que os judeus deviam usar roupas que os distinguissem dos cristãos. Em 1555 o Papa Paulo IV criou o gueto judeu de Roma, que foi o último gueto europeu até ser abolido em 1888. Muitos cristãos acusaram os judeus de terem morto Cristo e as encenações de Sexta-feira Santa serviram frequentemente de inspiração para fomentar violência anti-judaica pela Europa fora.

Mas as relações entre cristãos e judeus nem sempre foram marcadas pela hostilidade. Na Idade Média os judeus foram muitas vezes defendidos, sobretudo por figuras como São Bernardo de Clairvaux (a razão pela qual muitos judeus ainda se chamam Bernardo) e o Papa Inocêncio IV. A corte pontifícia empregava médicos judeus e o Papa Gregório I promovia a tolerância para com os judeus já no século VII. Em todo o caso, a desconfiança continuou a separar cristãos e judeus durante vários séculos.

No século XX isto mudou radicalmente, para melhor. Hoje, as orações ecuménicas entre judeus e cristãos são um aspecto comum da vida religiosa em todo o mundo. Os líderes cristãos condenam frequentemente o anti-semitismo. Actualmente, o principal bastião de anti-semitismo católico é a Sociedade de São Pio X, um grupo cismático. Entretanto, afirmações escandalosas como as do Cardeal Oscar Rodrigues Maradiaga, que afirmou que os meios de comunicação social controlados por judeus usam as histórias de abusos sexuais de padres católicos para desviar as atenções do conflito israelo-árabe, são a excepção e não a norma.

Esta transformação foi possível graças á boa-vontade de pessoas como Elio Toaff.

Nascido na Toscânia em 1915, filho de um rabino, Toaff passou a II Guerra Mundial a combater na resistência anti-fascista italiana. Testemunhou o massacre de mais de 500 civis em Sant’Anna di Stazzema, na Toscânia e na última entrevista publicada antes da sua morte, disse ao site italiano judeu Moked que tinha experienciado hostilidade enquanto judeu na Itália de Mussolini, o maior aliado do Terceiro Reich. A única razão pela qual não saiu da Europa foi porque se recusou a abandonar a sua comunidade em tempo de perigo.

Mas Toaff testemunhou também a significativa ajuda que um grande número de católicos deu a judeus, apesar dos preconceitos da altura. Embora se tenha tornado moda falar do Papa Pio XII como o “Papa silencioso”, ele condenou regularmente o nazismo na Rádio Vaticano e apelou aos conventos italianos para darem refúgio a crianças judias, tendo ele mesmo escondido várias em Castel Gandolfo e no Vaticano.

Tendo visto a ajuda que os católicos deram aos judeus, Toaff – que se veio a tornar rabino-mor de Roma em 1951 – comentou, após a morte de Pio XII: “Os judeus recordar-se-ão sempre do que a Igreja Católica fez por eles, por ordem do Papa, durante a Segunda Guerra Mundial. Quando a guerra estava no auge, Pio XII levantou a voz várias vezes para condenar a falsa teoria das raças”.
João Paulo II e o rabino Toaff

Pouco tempo depois viriam mudanças significativas. São João XXIII removeu a oração “pela conversão dos pérfidos judeus”da liturgia da Sexta-feira Santa e, em 1965, a Igreja promulgou o Nostra Aetate, que declarou que os judeus, enquanto povo, não são responsáveis pela morte de Cristo.

A reconciliação entre judeus e católicos acelerou depois da eleição de João Paulo II em 1978. Ele já tinha muitos amigos judeus na sua Polónia natal; o mais próximo dos quais, Jerzy Kluger, tinha combatido no exército polaco que libertou a Itália dos Nazis. Kluger permaneceu em Roma até à sua morte, acabando por se tornar um elo importante entre o Papa e o mundo judeu.

Entretanto, quando o Governo comunista da Polónia iniciou uma campanha anti-semita em 1968, forçando muitos judeus a emigrar, o cardeal Karol Wojtyla visitou a sinagoga de Cracóvia e expressou a sua solidariedade para com os judeus polacos.

Providencialmente, o rabino Toaff liderava nessa altura a comunidade judaica de Roma. Em 1986, João Paulo II fez uma visita oficial à Grande Sinagoga de Roma, tornando-se o primeiro Papa desde São Pedro a visitar um local de culto judeu. Os dois homens cumprimentaram-se e rezaram. A imagem do Papa polaco e do rabino italiano a abraçarem-se e a sorrir tornou-se uma das mais icónicas do pontificado de João Paulo II. Foi Toaff quem iniciou este evento histórico, tendo tomado a iniciativa de convidar o Papa a visitar a sinagoga. Essa foi a primeira ocasião em que o Papa disse que os judeus são os “irmãos mais velhos na fé”, uma frase original de Adam Mickiewicz, o poeta nacional filo-semítico da Polónia.

A amizade entre os dois foi imediata. Mais tarde, no mesmo ano, João Paulo II convidou Toaff para participar com ele e com os líderes de muitas das outras religiões mundiais no Dia Mundial da Oração pela Paz, em Assis. Em 1994 Toaff e João Paulo II presidiram a um concerto no Vaticano para comemorar as vítimas da Shoah. Entretanto, Toaff ajudou a coordenar a visita de João Paulo II à Terra Santa, no ano 2000. Toaff foi uma de apenas duas pessoas referidas no testamento do Papa, a outra sendo o seu secretário, o arcebispo (agora cardeal) Stanislaw Dziwisz.

Tendo visto em primeira mão o fascismo, a ocupação de Itália pelos nazis, o anti-semitismo e o renascimento da comunidade judaica de Roma, o rabino Elio Toaff foi testemunha da história do Judaísmo no seu país. Mas acima de tudo ele possuía um coração aberto ao diálogo e à reconciliação. Os seus gestos para com os católicos e a sua amizade com São João Paulo II desempenharam um papel crucial no verdadeiro milagre que foi a mudança radical da era de desconfiança mútua para uma era em que os judeus são novamente os nossos “irmãos mais velhos”.

Alav Ha-sholom.


Filip Mazurczak contribui regularmente para o  Katolicki Miesięcznik “LIST”. Os seus textos já apareceram também no First ThingsThe European Conservative e Tygodnik Powszechny.

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 22 de Abril de 2015 em 
The Catholic Thing
)

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Quarta-feira de cinzas e de lágrimas, se Deus quiser!

Jesus ressuscita Lázaro, depois de ter chorado
É Quarta-feira de Cinzas e por isso começa a Quaresma.

O Papa Francisco apelou ao Dom das Lágrimas como medida contra a hipocrisia. Neste artigo explicamos o que é esse conceito que data dos padres do deserto. Também hoje o Papa recebeu alguns dos responsáveis pelo resgate de imigrantes ilegais no Mediterrâneo, a quem agradeceu e disse sentir-se pequeno na sua presença.

Neste primeiro dia da Quaresma pedimos a três personalidades católicas, e um não-crente, que comentassem a mensagem do Papa. Não perca as interessantes reflexões.


Um homem judeu filmou-se a si mesmo a passear por Paris a divulgou as ofensas a que foi sujeito durante o dia.

Na segunda-feira disse que estava prestes a começar os 40 dias de oração pela vida, em Lisboa. Hoje foi o primeiro dia e percebeu-se que há, de facto, muito que rezar. Não deixem de participar e de se inscrever caso possam.

Porque é quarta-feira, temos artigo novo do The Catholic Thing. O padre Bevil Bramwell diz que liberdade religiosa e liberdade de expressão são conceitos bonitos, mas para serem úteis têm de significar alguma coisa de concreto.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Apanhados papais e aldeias rebaptizadas

Como tinha avisado, o Papa falou ontem a bordo do avião, a caminho de Roma. Ficamos a saber que vai haver um encontro com vítimas de abusos sexuais, que o Papa tem pena que o debate sobre o sínodo da família se esteja a resumir à questão da comunhão de recasados. Também disse mais do mesmo sobre a questão da ordenação de homens casados.

Ainda em relação à peregrinação de Francisco à Terra Santa, aqui podem encontrar a minha leitura da viagem e os 10 pontos mais importantes a reter. Um bom ponto de partida para quem não conseguiu acompanhar de perto.

A sudanesa que foi condenada à morte por alegada apostasia e adultério já deu à luz e tem agora dois anos para amamentar o bebé antes de ser executada

Menos sorte ainda teve uma paquistanesa que foi morta pela família à frente do edifício do supremo tribunal, tudo por ter casado com o homem por quem estava apaixonada.

Os bispos da União Europeia manifestaram-se preocupados com os votos em partidos nacionalistas nas eleições para o Parlamento Europeu.

E os habitantes da aldeia espanhola de “Castrillo Matajudíos” decidiram por maioria… mudar o nome da localidade.

quinta-feira, 6 de março de 2014

"Lutas com o Senhor pelo teu povo?"

Bem-vindos no Reino Unido. Já os judeus...

D. Ilídio Leandro quere que os viseenses se dediquem ao sínodo diocesano de Viseu durante esta Quaresma e explica que o dinheiro angariado pelas renúncias quaresmais irá para este sínodo mas também, maioritariamente, para uma paróquia moçambicana.

Aproveite para saber quem está a ajudar com a sua renúncia quaresmal, a lista foi actualizada desde a última vez que a divulguei.



Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, no qual Robert Royal analisa as propostas do Cardeal Kasper para divorciados e recasados.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Um ano de guerras sinodais

Aviso… Vai ser um ano disto! As diferentes facções da cúria romana e da Igreja a nível mundial, vão colocando as peças na mesa de jogo a tempo do sínodo para a Família em Outubro de 2014.

Hoje o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé censurou uma diocese alemã que, há um mês, tinha publicado um documento que permite que os casais divorciados e em segundas uniões acedam aos sacramentos.


Os bispos americanos têm um novo presidente. O Cardeal Dolan deixa assim essa sua função, que cumpriu de forma exemplar. Mas não o fez sem antes exercitar o seu característico sentido de humor…

Na Síria, ao que parece, o Exército Livre começou a lutar contra uma outra facção rebelde, de pendor islamita. Já não era sem tempo, dizem alguns cristãos da oposição…


Se bem se lembram, a semana passada publiquei uma reportagem sobre os 450 anos do Concílio de Trento. Hoje publico no blogue as transcrições integrais das entrevistas ao D. Nuno Brás e ao pastor baptista Tiago Cavaco.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Papa, reclusos e avós

Filipe Teixeira, o português que almoçou com o Papa
Filipe Teixeira é um português de 29 anos que esta tarde esteve à mesa com o Papa para almoçar. Falou-se de muita coisa, incluindo de Portugal. Filipe Teixeira explica tudo aqui.


Ainda ontem o Papa esteve com os jovens em festa na Praia de Copacabana. Foi recebido em êxtase, beijou muitos bebés e até parou para beber “mate”, um chá típico da Argentina. A fé dos jovens, disse o Papa, foi mais forte que o mau tempo.



Dezenas de mortos no Paquistão, em mais um ataque aos xiitas.

E más notícias da Síria, foram detidos três suspeitos do rapto de dois bispos de Alepo. Dos bispos, não há notícia e aumentam as suspeitas de que terão sido assassinados.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Oscar Romero nos altares?


Os “judeus da nação portuguesa” comem bacalhau, têm apelidos portugueses e guardam boas memórias, apesar de tudo. Leia aqui a transcrição completa da entrevista com o Luciano Lopes, vale a pena!

O Papa poderá ter aberto o caminho à beatificação de Oscar Romero, a notícia não é ainda oficial mas está a ser atribuída a fontes do Vaticano.

À medida que se vai conhecendo melhor a história dos irmãos chechenos que levaram a cabo os atentados em Boston vai ganhando consistência a ideia de que terão sido motivados por radicalismo islâmico. O mais velho, Tamarlan, tinha sido considerado demasiado radical para a sua mesquita em Boston.

Ontem foi o Domingo do Bom Pastor, dia escolhido pela Igreja para rezar pelas vocações. O Papa aproveitou para celebrar ordenações em Roma. O Patriarca de Lisboa participou num evento para jovens e falou sobre o sentido de missão da Igreja. Outro participante foi Marcelo Rebelo de Sousa.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O regresso dos judeus, bebés e beijinhos papais


Os judeus descendentes daqueles que fugiram ou foram expulsos da península ibérica no século XVI poderão vir a receber cidadania portuguesa. O assunto está a ser discutido hoje no Parlamento, mas mesmo se for aprovado ainda não há detalhes sobre como funcionará.

Bento XVI não beijava bebés… até chegar a Portugal. O Papa Francisco sempre beijou bebés, mas adivinhem qual a nacionalidade da primeira criancinha a receber essa honra? Pois é… podemos concluir que os bebés portugueses são mais queridos que os outros?

Os bispos portugueses estiveram reunidos por estes dias em Fátima. Prometem ser uma presença activa quanto aos problemas do país nesta fase e confirmaram que o pontificado de Francisco vai ser consagrado a Nossa Senhora de Fátima.

Em mais uma prova de que as religiões são irracionais e temem a ciência, o Vaticano está a organizar a segunda conferência internacional sobre células estaminais adultas. (Para quem não notou, isto é para ler com ironia…)

Surgiu ontem a notícia de que Bento XVI estaria gravemente doente. A Santa Sé nega.


Por fim dois avisos, ambos para amanhã. O lançamento do livro do meu bom amigo Frei Bernardo Corrêa d'Almeida. Escrito antes da eleição de um sucessor de São Pedro jesuíta que adoptou o nome Francisco, o livro é sobre São Pedro, escrito por um franciscano, com prefácio de um jesuíta. O lançamento é às 21h30 (ver anexo)

Também amanhã, mas mais cedo, pelas 15h00, realiza-se um debate sobre o perdão, que tem por base o livro “Incondicional? - O apelo de Jesus ao perdão radical”, editado em Portugal pela Letras d’Ouro”. Quem me conhece sabe como este tema é importante para mim, recomendo vivamente a participação, no auditório Lusitania - Rua do Prior, nº 6, à Lapa, Lisboa.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

4 – Liberdade Religiosa na Europa


Uma semana mais tarde um tribunal em Colónia proibiu a circuncisão de crianças por razões religiosas, o que passados seis meses ficou novamente resolvido por forma legislativa.

Há coisa de semanas o debate sobre a matança ritual, que afecta judeus e muçulmanos, voltou a estar na ordem do dia, mas desta vez na Polónia.


À primeira vista são várias notícias diferentes, mas todas têm em comum as novas ameaças à liberdade religiosa na Europa.

Se não se tiver em conta o caso britânico, então até seria possível fingir que isto não é mais do que um continente historicamente cristão a adaptar-se a novas religiões, como o Islão, que vão chegando juntamente com as suas tradições.  No caso da matança ritual o que choca os opositores é o facto de os animais não serem atordoados quando são abatidos.

Mas não é nada disso. Os judeus vivem na Europa há milhares de anos e sempre usaram os mesmos rituais para matar animais e garantir que a carne é ritualmente pura, acontece que esses rituais são praticamente idênticos aos islâmicos. Ou seja, isto não é nada de novo. O que é novo é a ideia de que um grupo religioso, respeitável e bem implementado na sociedade, possa ser agora impedido de levar a cabo uma prática que lhe é essencial.

Com a carne, ainda vá que não vá, há comunidades judaicas e muçulmanas que não têm dimensão suficiente para garantir toda a logística necessária para montar os processos de matança que respeitem as regras kosher e halal. Podem passar muito bem sem comer carne, se assim entenderem. Mas o que dizer sobre a circuncisão?

Sejamos claros. A história da proibição, e mais tarde legalização, da circuncisão religiosa na Alemanha (por mais que tenha sido só num Estado e a verdade é que rapidamente o fenómeno se espalhou), é uma das mais importantes notícias deste ano. A circuncisão é, para os judeus e muçulmanos, o cumprimento de um mandato divino, a correspondência do povo à aliança estabelecida por Deus. Uma comunidade judaica que não pode circuncidar os seus filhos está efectivamente a ser impedida de ser judaica.

Chegámos mesmo ao tempo em que um tribunal se julga no direito de proibir algo deste género? Pelos vistos sim. Pode-se argumentar que é indiferente porque mais tarde o Parlamento legalizou a circuncisão, mas apesar de resolver o problema a solução não deixa de ser preocupante também. Efectivamente, a circuncisão é hoje legal na Alemanha por decreto, não porque é um direito inalienável dos pais, mas sim porque os políticos se deram ao luxo de o permitir. Da mesma forma poderão retirar esse direito quando quiserem. Isto é, simplesmente, inacreditável.

Inacreditável e só possível porque chegámos a um ponto em que somos governados por classes políticas para quem a sensibilidade religiosa é inexistente. O exemplo máximo disso foi a provedora das crianças na Noruega que sugeriu, qual iluminada, que os judeus e muçulmanos passassem a circuncidar os seus filhos “simbolicamente”. Simbolicamente? Que mais senhora provedora? Porque é que não pedimos aos carnívoros para passarem a comer carne apenas de forma simbólica? Baptismo simbólico para os cristãos? Afinal de contas, a água fria pode fazer mal aos pequenos.

No meio disto continua no Reino Unido a saga de duas pessoas que foram despedidas por que se recusaram a retirar crucifixos e outras duas porque disseram que eram contra o “casamento” homossexual. O caso está perante o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem porque os tribunais britânicos não reconheceram nestes despedimentos nada de anormal.

Shirley Chaplin, uma das queixosas
Uma sociedade em que eu, de um dia para o outro, tenho de deixar de usar o meu crucifixo ao pescoço, ou no qual eu perco o meu emprego porque digo que defendo que o conceito de casamento não deve ser mudado, é uma sociedade em que a liberdade religiosa está severamente ferida.

E é porque acredito que isto é uma clara tendência e não apenas um apanhado de factos isolados, que não tenho dúvidas em considerar que as notícias sobre liberdade religiosa na Europa são, no seu conjunto, uma das histórias mais importantes dos nossos tempos, às quais não se está a dar o devido valor.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dois anos de selecção, apartheid no Médio Oriente

The boys in yellow
É já hoje o lançamento do livro “Auto de Fé – A Igreja na Inquisição da Opinião Pública”, de Zita Seabra e o padre Gonçalo Portocarrero. Aura Miguel conversou com os dois para esta reportagem.


O Vaticano vai continuar a investigar a fuga de documentos secretos. Hoje foi publicada a sentença do ex-mordomo Paolo Gabrielle.

Ainda em Roma faz hoje dois anos que se formou a selecção de futebol do Vaticano. O saldo não é mau, quatro jogos, duas vitórias e duas derrotas.

Pelo Médio Oriente motivos de preocupação. Em Israel uma maioria de judeus parece convencida de que o Estado pratica apartheid, mas pior que isso, muitos pensam que é pouco.

No Irão são os Bahá’i que mais sofrem, mas a perseguição toca a todas as minorias religiosas, segundo as Nações Unidas.

Por fim um convite da Renascença para todos os interessados. É lançado na quinta-feira o CD “Missa Brevis” de autoria de João Gil. Aqui podem ouvir um excerto da música que vos deixará certamente com vontade ir à Igreja de São Roque no dia 25, às 18h30. Apareçam.

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