Tuesday, 29 November 2022

Casos de abusos sexuais em Portugal

29 de Novembro de 2022 - O Expresso indica que o padre Manuel Machado, ex-pároco de Colares, em Sintra, é suspeito de ter abusado mais de 100 vezes de um jovem entre 1987 e 1991, tendo o rapaz entre 15 e 17 anos na altura. O jornal indica ainda que o Ministério Público foi obrigado a arquivar o processo por prescrição. 

16 de Novembero de 2022 - Surge a notícia de que um membro voluntário leigo da Opus Dei em Portugal é suspeito de ter abusado de crianças há mais de 20 anos. A denúncia terá sido feita em 2019. A alegada vítima é adolescente e ter-se-á queixado de "toques corporais impróprio". O Ministério Público arquivou a denúncia, afirmando que à data dos alegados factos não existia o crime de "importunação". Internamente foi tomada a decisão de aplicar uma medida cautelar, de afastar essa pessoa, que se mantém ligada à Opus Dei, de qualquer contacto de formação com crianças.

15 de Novembro de 2022 - Um juiz decidiu que o professor de EMRC de Famalicão que tinha sido acusado de perto de 100 crimes de abuso sexual de menores vai mesmo responder em tribunal por 87 dessas acusações. 

5 de Novembro de 2022 - O jornal SOL indica que apesar de ninguém ter apresentado denúncias à comissão diocesana em Braga, o arcebispo D. José Cordeiro decidiu avançar com a investigação, com base na qual se decidirá se avançará para o tribunal eclesiástico ou se será enviado um processo para Roma.

4 de Novembro de 2022 - A Arquidiocese de Évora informa que o leigo colaborador da paróquia de Samora Correia que era suspeito de ter abusado de uma menor de idade vai ser indiciado e confessou os crimes. Já o padre Heliodoro, que foi suspenso preventivamente por suspeita de encobrimento, por não ter agido suficientemente depressa para impedir a reincidência do crime depois de ter tomado conhecimento do primeiro incidente, não vai a julgamento civil nem canónico, uma vez que tanto o tribunal civil como o Dicastério para a Doutrina da Fé concluíram não ter agido com dolo, mas no máximo com imprudência. 

2 de Novembro de 2022 - A SIC Notícias refere dois casos de denúncias em Braga que foram enviados pela Comissão Diocesana para o Ministério Público, mas arquivados por falta de indícios, uma vez que as denúncias eram anónimas e os alegados abusadores não foram identificados. Um dos casos terá ocorrido em 2015, tendo a vítima actualmente 19 anos, portanto teria cerca de 12 na altura dos abusos. Noutro caso o alegado abusador seria um seminarista, no seminário menor de Braga na altura dos alegados abusos, que teriam ocorrido no ano lectivo de 2014-2015. Uma vez que o suspeito não é identificado e a arquidiocese não conseguiu identificar ninguém com base na descrição, o caso também foi arquivado. 
Por fim, o artigo refere uma suspeita de abuso cometido por um padre salesiano, cometido no Colégio do Estoril, e outro que envolve um padre numa igreja em Sintra. Esta é a primeira vez que nesta cronologia se refere um padre salesiano, já o caso do padre de Sintra surge na mesma semana em que se soube do arquivamento do processo envolvendo o pároco de Massamá, pelo que o mais natural seja tratar-se da mesma situação. 

1 de Novembro de 2022 - O Porto Canal revela que um padre da Arquidiocese de Braga foi investigado e sujeito a processo canónico por abuso sexual de uma menor, em 2015. O pároco, que não é nomeado, terá admitido o crime e manifestado arrependimento. Ao contrário do que alega o Porto Canal, a Actualidade Religiosa tem informação de que o caso foi, de facto, comunicado às autoridades civis, mas tendo os abusos ocorrido há cerca de 40 anos, já estaria prescrito. O sacerdote em causa pediu demissão do ministério sacerdotal.

1 de Novembro de 2022 - O Patriarcado de Lisboa informa que o processo canónico envolvendo o padre Luís Cláudio Ferreira dos Santos, pároco de Massamá, que era suspeito de abusos envolvendo uma pessoa menor de idade, "foi concluído com o decreto de não provada a acusação".
No mesmo comunicado o Patriarcado confirma a informação que já tinha sido avançada em primeira mão pela Actualidade Religiosa, de que o processo civil envolvendo o padre Duarte Andrade e Sousa foi arquivado pelo Ministério Público, aguardando-se de Roma o parecer final no processo canónico. 

28 de Outubro de 2022 - O tribunal de Matosinhos decide que o padre de António Pinto, de Lamego, fica em liberdade a aguardar julgamento. 

27 de Outubro de 2022 - A Polícia Judiciária anuncia a detenção de um padre de 63 anos, residente em Vila Nova de Foz Côa, diocese de Lamego, por abuso sexual e tráfego humano de um homem de 44 anos, de quem era tutor legal. O Correio da Manhã identifica o padre como António Pinto. Embora a alegada vítima seja maior de idade, segundo a PJ trata-se de uma pessoa com atestada incapacidade de resistência. Sendo uma pessoa especialmente vulnerável, enquadra-se na lágica do abuso de menores. A diocese de Lamego publicou um comunicado em que afirma que não tinha qualquer informação, nem lhe tinha chegado qualquer denúncia, sobre este caso. 

25 de Outubro de 2022 - A APAV entrega um prémio à Comissão Independente. Na cerimónia Pedro Strecht entrega o prémio a D. Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa. Em declarações à imprensa D. Américo diz que é da opinião de que todos os padres acusados devem-se afastar, ou pedir suspensão, durante a investigação, para facilitar a mesma, e não como assunção de culpa. Diz que em Lisboa dois dos três padres sobre quem foram feitas denúncias fizeram isso mesmo.

25 de Outubro de 2022 - O Correio da Manhã informa que na Comissão Diocesana de Braga não foi feita uma única denúncia sobre o cónego Manuel Fernando Sousa e Silva, isto apesar de D. José Cordeiro ter mandado a Comissão estar aberta e disponível para receber tais denúncias durante uma tarde inteira. 

20 de Outubro de 2022 - O jornal Observador (conteúdo pago) informa que um padre na Guarda está a ser investigado por vários casos de abuso sexual de menores. A denúncia terá partido de outro padre, que diz que foi abusado em 1992, como condição para ser aceite no seminário. Diz que não foi caso único. Segundo a imprensa, um dos quatro casos que o Ministério Público recebeu da Comissão Independente e não arquivo diz respeito a este padre.
Existem indícios de que o bispo da Guarda, D. Manuel Felício, sabia da acusação mas manteve o padre em funções. Questionado sobre o assunto, o bispo responde que "em caso algum, deseja contribuir para transformar qualquer notícia, declaração ou até acusação sem investigação, em condenação direta e sumária na praça pública" e que sempre comunicou todas as denúncias que recebeu às autoridades. Não diz explicitamente que já sabia deste caso, nem o nega. 

19 de Outubro de 2022 - A Actualidade Religiosa sabe que o processo civil envolvendo o padre Duarte Andrade e Sousa, acusado de enviar mensagens impróprias num grupo de whatsapp, foi arquivado. Prossegue o processo canónico.

17 de Outubro de 2022 - O Ministério Público anuncia que seis dos dez inquéritos que abriu, com base nos 17 casos encaminhados pela Comissão Independente, foram arquivados. Outros quatro continuam sob investigação. O MP diz que em causa está a falta de provas e/ou prescrição. 

15 de Outubro de 2022 - O jornal Novo Sol revela que o autor da denúncia que levou à segunda investigação a D. José Ornelas por alegado encobrimento, em Braga, é o mesmo João Oliveira que denunciou os casos de Moçambique. O mesmo jornal já tinha revelado, na semana anterior, detalhes desse caso que colocam seriamente em causa a credibilidade de João Oliveira, ver 8 de Outubro, abaixo.

14 de Outubro de 2022 - Um professor de Educação Moral e Religiosa Católica de Famalicão é acusado de 95 crimes de abuso sexual, contra 15 alunas, entre os 14 e os 17 anos. O homem em questão, actualmente com 53 anos, terá cometido a maioria dos abusos durante ensaios de uma companhia de teatro na escola, mas pelo menos uma das acusações teve lugar durante uma aula de EMRC.

14 de Outubro de 2022 - O Correio da Manhã publica uma notícia sobre uma mulher, actualmente com 32 anos, que diz ter sido vítima de abusos por parte de um padre, em criança. Diz ainda que na altura informou o seu professor de Religião e Moral, que é actualmente o bispo do Porto, D. Manuel Linda, mas que este não comunicou a queixa aos seus superiores. Em comunicado enviado à Renascença, D. Manuel Linda diz não "se recordar minimamente de nada parecido com essa denúncia" e que caso a tivesse recebido a teria "reportado imediatamente". A mulher terá mantido uma relação com o padre suspeito durante uma década, dizendo que já maior de idade teve um filho. O padre diz que as acusações já tinham sido investigadas em 2015 e arquivadas em 2016 por falta de indício de prática do crime de abuso sexual de criança.
O homem acusado foi alvo de uma reportagem do Observador em 2019 (ver 1 de Março desse ano, mais abaixo) e deixou o sacerdócio em 2021. Na reportagem do Observador em 2019, que conta com declarações da alegada vítima, não aparece qualquer referência a D. Manuel Linda. O ex-padre Heitor Nunes diz que a sua relação com a mulher começou quando ela era maior de idade.

11 de Outubro de 2022 - Em conferência de imprensa, Pedro Strecht, responsável da Comissão Independente, faz um apanhado do trabalho feito até agora. Diz que já houve 424 testemunhos validados, que resultaram em 17 casos enviados para o Ministério Público, estando outros 30 em análise. Estes casos enviados para o MP são apenas os que são considerados não prescritos, sendo que em caso de dúvida sobre a prescrição os casos são enviados na mesma.
Segundo Pedro Strecht a maior parte dos casos já prescreveu mas os dados permitem concluir que nalguns locais o problema dos abusos chegou a ser "endémico". 
O psicólogo insistiu que a comissão jamais sentiu posta em causa a sua independência por parte de membros da Igreja. 
O relatório final da comissão será apresentado até 31 de janeiro de 2022, mas apenas incluirá testemunhos apresentados até ao dia 31 de Outubro. Em todo o caso, a comissão continuará a recolher dados e a ouvir testemunhos apresentados depois dessa data. No final do trabalho será entregue à CEP uma lista de todos os padres acusados, e ao Ministério Público uma lista de todos os padres acusados ainda vivos.
Alguns outros dados referidos: 
  • A comissão não recebeu qualquer testemunho relativa a padres estrangeiros a actuar em Portugal
  • O trabalho da comissão incide sobre abusos sofridos entre os 0 e os 17 anos, conforme parâmetros internacionais
  • A maior parte dos abusadores não estão falecidos, apesar de a maior parte dos crimes terem prescrito
  • Álvaro Laborinho Lúcio explicou que os abusos cometidos por membros da Igreja não são abusos da Igreja, são abusos de membros da Igreja. Contudo, quando existe ocultação, ou mesmo ocultação institucional posterior da ocultação, aí tornam-se abusos da Igreja.
  • Daniel Sampaio referiu que "claro que houve ocultação da hierarquia da Igreja", mas que "houve também ocultação das famílias. Muitas crianças e adolescentes falaram aos seus pais, tios ou padrinhos dessa questão e foram solicitadas a calarem-se. O contexto do abuso sexual tem sempre um manto de ocultação. É importante aliviarmos um pouco esse manto". 
  • Está a ser considerada a criação de uma outra estrutura, especializada, que possa acompanhar vítimas que assim precisem já depois do final do trabalho da Comissão Independente.
  • Pedro Strecht disse que o número de abusadores que foram identificados pela comissão são na ordem das "centenas", embora não se possa especificar, nem se pode especificar, por enquanto, se existem bispos na lista.
10 de Outbro de 2022 - O programa Exclusivo, da TVI, transmite uma reportagem sobre o caso envolvendo o Pe. Abel Maia, e alegado encobrimento por parte de D. José Ornelas. A reportagem é composta em larga parte por uma entrevista ao padre Roberto Sousa, que acusa directamente Abel Maia de abusos e D. José de encobrimento. Publiquei uma análise própria desta reportagem e da credibilidade do Pe. Roberto aqui

9 de Outubro de 2022 - Surge uma segunda acusação de encobrimento por parte de D. José Ornelas. Esta diz respeito ao caso que envolveu o padre Abel Maia (ver abaixo, em 2015). D. José Ornelas diz que não foi notificado de qualquer investigação, mas recorda que o caso foi a tribunal e que a alegada vítima disse na altura que afinal não tinha sido abusada. Segundo a CEP, o caso foi devidamente investigado logo em 2003, e mais tarde o padre foi absolvido em tribunal. Contudo, o Público informa que o padre acabou por ser afastado do ministério, por decisão do Papa Francisco, após uma outra investigação da Arquidiocese de Braga ter sido enviada para Roma. Esta informação ainda não constava desta cronologia. 

9 de Outubro de 2022 - Em entrevista à Renascença e à Ecclesia, Paula Margarido, secretária da Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis (diferente da Comissão Nacional independente), diz que a Igreja está a fazer um bom caminho na defesa das vítimas de abusos sexuais.

8 de Outubro de 2022 - O jornal Nascer do Sol publica uma reportagem que revela testemunhos das alegadas vítimas no caso em que D. José Ornelas foi acusado de encobrir abusos num orfanato em Moçambique. Ao jornal as vítimas admitem que o professor João Oliveira, que fez as acuasações, lhes ofereceu dinheiro para dizer que estavam a ser abusados. Revela ainda dados que põem seriamente em causa a idoneidade de João Oliveira. 

7 de Outubro de 2022 - O Patriarcado de Lisboa anunciou o afastamento do padre Luís Cláudio Ferreira dos Santos, pároco de Massamá, na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. Segundo a Renascença, foi o próprio sacerdote que pediu a suspensão, no seguimento da denúncia, e não frequenta a paróquia desde agosto. A nota do Patriarcado diz que este está disposto a acompanhar as vítimas que assim o desejarem e que o caso se encontra em segredo de justiça tanto no Ministério Público como no foro canónico. 

6 de Outubro de 2022 - A Comissão independente informa que até agora todas as dioceses reportaram casos de abusos sexuais. Recorde-se que a janela temporal do estudo da comissão são 70 anos. 

5 de Outubro de 2022 - Em entrevista à Renascença, D. José Ornelas revela vários detalhes do caso em que é acusado de encobrimento. Sublinha que as acusações não foram consideradas credíveis, e dá a entender que o acusador em si não era de confiança, dizendo que chegou a acusar um dos padres de tentativa de homicídio, depois de se ter envolvido num acidente, quando o sacerdote nem estava no país. D. José volta a dizer que avisou o bispo do Guruè da acusação e que não protegeu ninguém. 

3 de Outubro de 2022 - A província portuguesa dos dehonianos disponibiliza um email para receber denúncias de abusos. 

3 de Outubro de 2022 - A TVI revela que as denúncias contra D. José Ornelas foram enviadas também para o gabinete do Primeiro-ministro. Numa versão do Público desta notícia, estranhamente, o denunciante é identificado como padre João Oliveira. É a primeira vez que tal acontece, tendo o próprio jornal, numa entrevista de 2014, referido que se trata de um veterinário. Não existe qualquer referência a um padre com esse nome no anuário da Igreja Católica portuguesa, nem se encontraram indícios em pesquisas. 

3 de Outubro de 2022 - Em entrevista à TVI D. José Ornelas reafirma que fez tudo o que devia fazer, do ponto de vista moral e legal, no caso dos padres italianos em Moçambique. Diz ainda, em relação a D. Ximenes Belo que ficou muito surpreendido com as revelações. "Pensava que o conhecia", afirma, dizendo ainda que "nunca suspeitaria" do bispo timorense. 

1 de Outubro de 2022 - A Arquidiocese de Braga publica uma nota sobre o padre de Joane, o Cónego Manuel Fernando Sousa e Silva. Recorde-se que o cónego divulgou recentemente um documento em que jura estar totalmente inocente das acusações que lhe são feitas. Porém, a nota publicada pela diocese refere-se a "homens e mulheres vítimas de abusos por parte do Cónego Manuel Fernando Sousa e Silva" e não a "alegadas vítimas" ou "alegados abusos", parecendo dar por isso como certo que houve abusos. No mesmo sentido, diz: "Com a máxima transparência, reconhecemos os factos e damos conta dos passos que até agora foram dados para apurar a verdade."

A Arquidiocese reconhece que não agiu de forma suficientemente célere ou eficiente no tratamento deste caso e pede perdão às vítimas. 

1 de Outubro de 2022 - O jornal Público diz que D. José Ornelas, actualmente bispo de Leiria-Fátima e presidente da CEP, está a ser investigado pelo Ministério Público por alegadamente encobrir casos de abuso sexual de menores. Os casos em questão terão alegadamente ocorrido em 2011, em Moçambique, num orfanato diocesano, praticados por um padre italiano ao serviço da Diocese de Gurúè. Os residentes do orfanato frequentam uma escola dos dehonianos, ordem religiosa da quel D. José Ornelas era o superior em 2011. O denunciante, um aluno da escola e residente do orfanato, confidenciou as ocorrências ao um professor português leigo, João Oliveira. Este diz que na altura passou a informação ao então José Ornelas, que agradeceu, mas acusa-o de nada mais ter feito. Acusou na altura o padre do orfanato, Luciano Cominotti, e o director da escola, Illario Verri. D. José Ornelas, por sua vez, diz que informou informalmente o bispo de Gurúè, mas que nada podia fazer relativamente ao padre do orfanato, por este não ser dehoniano. Quanto a Ilario Verri, as suspeitas foram consideradas infundadas.  
O caso foi alvo de investigação civil tanto em Moçambique como em Itália, sendo que em ambos os casos os processos foram arquivados, ou os padres ilibados. Este processo já tinha sido alvo de artigo no Público em 2016, mas sem referência a D. José Ornelas.
Curiosamente, o Ministério Público de Moçambique refere, na nota em que dá conta do arquivamento do processo, uma aparente tentativa de homicídio "frustrada" e roubo de que foi alvo João Oliveira em Moçambique. Essa nota pode ser lida aqui, clicando na imagem que aparece no artigo em italiano.
A CEP publicou um comunicado sobre este assunto, que pode ser lido aqui

29 de Setembro de 2022 - O Vaticano confirma que sabia das alegações sobre D. Ximenes Belo desde 2019, e que impôs restrições em 2020, agravadas em 2021. Já os salesianos de Portugal explicam que aceitaram receber D. Ximenes Belo a pedido dos seus superiores hierárquicos, e dizem que "sobre questões a respeito do conteúdo das notícias não temos conhecimentos para nos pronunciarmos, remetendo para quem tem essa competência e conhecimento".

28 de Setembro de 2022 - Um jornal holandês faz notícia de alegações de abuso de menores por parte de D. Ximenes Belo, prémio Nobel da Paz, cometidos em Timor Leste. 

27 de Setembro de 2022 - O jornal Observador publica uma notícia sobre um jovem leigo que abusou de crianças em duas escolas onde estava a trabalhar, em 2020. Uma dessas escolas, pública, afastou o jovem sem, contudo, o denunciar, e incentivando os pais a não o denunciar. Já o Colégio dos Maristas, de Carcavelos, uma escola católica, denunciou imediatamente o jovem quando tomou conhecimento de uma suspeita. O jovem foi julgado e condenado a oito anos de prisão. 

26 de Setembro de 2022 - Os Jesuítas anunciam que nos últimos 70 anos pelo menos 8 membros da ordem religiosa cometeram abusos sexuais Todos os padres em questão já morreram. A maioria ocorreu em ambiente escolar, em escolas geridas pelos jesuítas e todos os casos conhecidos foram agora comunicados à comissão independente. Vale a pena ler também esta entrevista com a responsável desta análise.

18 de Setembro de 2022 - O jornal Nascer do Sol indica que a Comissão Independente encaminhou para o Ministério Público uma denúncia relativa ao cónego Fernando Sousa e Silva, ex-pároco de Joane. Nascido em Agosto de 1932, o padre tem actualmente 90 anos. Segundo o jornal já existiram muitas queixas relativas a este sacerdote, mas nunca foram atendidas nem investigadas devidamente pelo anterior arcebispo, D. Jorge Ortiga. Não é claro, pelo artigo, se foi a diocese ou se foi a Comissão Independente que denunciou o caso ao Ministério Público.
O artigo indica ainda que desde que começou a trabalhar, a Comissão Diocesana recebeu cinco denúncias. Destas, uma foi encaminhada para o Ministério Público e quatro estão a ser avaliadas internamente, aguardando decisão final. 
A Actualidade Religiosa recebeu um documento público, escrito pelo cónego Fernando Sousa e Silva, em que este afirma a sua total inocência e lamenta a forma como o caso foi tratado ao nível diocesano, dizendo que nunca teve a oportunidade de saber os detalhes da acusação, nem de se defender adequadamente. Confirmou que está suspenso de algumas actividades sacerdotais, incluindo ouvir confissões.
O texto do Nascer do Sol refere ainda outro caso, relativo a um jovem sacerdote ainda no activo, que foi denunciado por uma mulher a D. Jorge Ortiga, sem obter seguimento. Só mais tarde, com D. José Cordeiro é que o Ministério Público foi informado. Não é dada mais informação sobre o caso, nem fica claro quem é que denunciou o caso ao MP. 

15 de Setembro de 2022 - Em declarações à RTP o Patriarca diz que a Igreja de Lisboa tem feito tudo de acordo com as regras e que sente que tem a confiança do Papa, embora este esteja "completamente à vontade, quer para manter, quer para mudar". 

9 de Setembro de 2022 - Segundo o Expresso, um dos padres denunciado à Comissão Independente foi chantageado pela família da alegada vítima, que nunca o denunciou nem às autoridades nem ao Ministério Público. Padre em causa pagou mais de 10 mil euros pelo silêncio e, ainda segundo o jornal, terá morrido há dois anos. A notícia do Expresso é paga, mas há aqui uma versão gratuita noutro órgão

6 de Agosto de 2022 - A RTP emite uma reportagem que alega que em 2003 D. Manuel Clemente, na altura reitor do Seminário dos Olivais e bispo auxiliar de Lisboa, recebeu um grupo de dirigentes dos escuteiros e um padre que lhe denunciaram casos de abusos sexuais praticados pelo padre Inácio Belo. Na reportagem esse padre e um dos ex-dirigentes, falando sob anonimato, dizem que o agora Patriarca pediu aos 12 dirigentes dos escuteiros que se demitissem "para bem da Igreja".
Em resposta, posterior à emissão da reportagem, o Patriarcado rejeita a versão da RTP e diz que D. Manuel apenas tomou conhecimento do caso do padre Inácio em 2013, quando existiu uma investigação eclesial. O padre Inácio Belo foi entretanto suspenso mas acabou por pedir excusa do sacerdócio.

5 de Agosto de 2022 - O Patriarcado de Lisboa informa, em comunicado, que D. Manuel Clemente foi recebido em audiência pelo Santo Padre, para discutir os recentes acontecimentos. A audiência terá sido pedida por D. Manuel. 

5 de Agosto de 2022 - O jornal Expresso diz que o padre de Setúbal que foi investigado e ilibado pela diocese em 2013 é um dos nomes de padres a ser analisado pela Comissão Independente. 

4 de Agosto de 2022 - A diocese de Vila Real informa que o processo canónico contra o padre Manuel Machado, ex-pároco de Colares, em Sintra, terminou no momento em que ele foi dispensado do sacerdócio, a pedido do próprio. O processo civil foi arquivado por prescrição. 

4 de Agosto de 2022 - O jornal Expresso publica a notícia de que um padre de Lisboa entregou à Comissão Independente informação sobre 12 padres que seriam suspeitos de cometer abusos sexuais sobre menores. O artigo refere três casos em específico. Pelo menos dois desses casos já seriam de conhecimento público e terão inclusivamente sido investigados pelo Patriarcado e pelas autoridades. O caso do "Pe. Nuno" foi, inclusivamente noticiado pelo próprio Expresso em Fevereiro de 2013 (ver abaixo). O padre foi entretanto identificado pelo Correio da Manhã a 25 de Fevereiro do mesmo ano (ver abaixo). O caso do "padre Inácio" também foi referido pelo mesmo jornal Expresso em 2012 e 2013, como o padre que foi enviado para "descansar" para o Algarve. O padre entretanto pediu dispensa do sacerdócio, já não estando por isso sob alçada do Patriarcado, mas na altura o caso terá sido comunicado às autoridades e a Roma. 
Por fim, o Expresso refere o caso de um padre que já morreu, mas que na altura não foi denunciado porque a família, em vez de denunciar o caso, tentou extorquir o padre. 
A própria situação do padre que coligiu a informação já tinha sido notícia no Expresso há uma década.
O artigo do Expresso pode ser lido aqui, mas é conteúdo pago. 

3 - de Agosto de 2022 - O Correio da Manhã diz que a Polícia Judiciária está a investigar um caso de possível abuso de menores envolvendo o padre João Cândido da Silva. O padre foi inicialmente suspenso pelo Patriarcado de Lisboa depois de ter sido acusado de violação por uma mulher maior de idade, que admitiu que estava envolvida numa relação com ele. Depois de a mulher ter alegado que o padre também abusou de um menor na diocese de Vila Real, há 15 anos, a PJ voltou a interrogá-la. 

1 de Agosto de 2022 - A Actualidade Religiosa apura que o caso envolvendo um padre no Algarve, noticiada em Novembro de 2021, foi arquivado. Depois de investigado, o caso foi considerado pouco credível pelas autoridades diocesanas após investigação e quando os dados foram enviados para Roma o Vaticano confirmou a decisão de arquivar o caso. Este facto foi posteriormente alvo de notícia pela Renascença, no dia 9/8/2022.

29 de Julho de 2022 - O Patriarca publica uma carta aberta sobre o caso revelado pelo Observador dias antes. A carta pode ser lida, na íntegra, aqui. Entre outras coisas diz que o segundo caso, referido por Souto Moura na entrevista referida abaixo, foi encaminhada para o Dicastério para a Doutrina da Fé, e que mal esteja resolvido será divulgado. 

29 de Julho de 2022 - O Ministério Público anuncia que tem em curso sete investigações de abusos sexuais no contexto da Igreja Católica, resultantes de 17 denúncias que lhe chegaram através da Comissão Independente. Seis dessas denúncias eram referentes a um mesmo caso, e outros casos tinham também mais que uma denúncia, o que resultou em 10 investigações, três das quais foram já arquivadas ou por prescrição, ou por falta de provas, ou porque o caso já tinha sido julgado, tendo resultado em condenação do suspeito. 

27 de Julho de 2022 - O jornal Observador dá conta do caso de um padre de Lisboa contra quem terá sido feita uma denúncia de abuso sexual de menores, nos anos 90. Na altura pouco terá sido feito, mas o padre terá acabado por ser removido da paróquia e colocado como capelão de um hospital. O Patriarcado confirma que, quando D. Manuel Clemente se tornou Patriarca de Lisboa tomou conhecimento do caso e encontrou-se com a vítima, mas que esta terá pedido para que o caso não fosse divulgado nem denunciado às autoridades. O Patriarcado diz ainda que não tem conhecimento de mais nenhuma queixa feita contra o sacerdote, que entretanto está hospitalizado e gravemente doente. Mais recentemente terá sido feita uma denúncia sobre este caso à Comissão Independente, mas a Comissão Diocesana não recebeu qualquer denúncia, o que significa que não é este o caso referido na entrevista dada por Souto Moura no dia 15 de julho (ver abaixo).  

15 de Julho de 2022 - Numa entrevista concedida à Renascença, o juiz Souto Moura, da Comissão Diocesana de Lisboa, fala sobre o trabalho da comissão e da coordenação entre os diferentes órgãos diocesanos que existem. Refere ainda que desde Maio houve dois casos em Lisboa. Um dos casos será o de 7 de Julho. Desconhece-se qual será o segundo. 

12 de Julho de 2022 - A Arquidiocese de Évora anuncia a suspensão de um padre, acusado de não ter feito o suficiente para evitar a reincidência de abusos por parte de um leigo na paróquia de Samora Correia. 

7 de Julho de 2022 - O Patriarcado de Lisboa anuncia a suspensão de um padre por alegadamente ter enviado mensagens "obscenas" a jovens de um colégio do qual era assistente espiritual. Os jovens em questão terão entre 17 e 18 anos, segundo a investigação do site 7Margens. O padre em questão foi identificado como Duarte Andrade e Sousa.

30 de Junho de 2022 - Num balanço dos seis meses da Comissão Independente, esta diz que validou 338 testemunhos e excluiu 29, sendo que 57% das vítimas são homens e 40% são mulheres. 17 casos foram enviados para o Ministério Público, referentes a abusadores possivelmente ainda no activo.

10 de Maio de 2022 - D. José Ornelas volta a pedir perdão pelos casos de abusos e exprime "gratidão pela coragem" revelada pelos que denunciaram casos envolvendo a Igreja Católica. Isto, dias depois de a Comissão independente revelar que já tem registo de 326 casos

14 de Abril de 2022 - Na missa crismal D. Manuel Clemente pede perdão pelos abusos cometidos na Igreja e diz que quer corrigir erros e prevenir futuros casos. 

12 de Abril de 2022 -  Em conferência de imprensa a comissão independente revela que recebeu, até agora, 290 denúncias de casos, tendo enviado 16 para o Ministério Público. As denúncias vêm de todo o país, envolvem mais homens que mulheres e pessoas de idades entre os 13 e os 88. Os abusos denunciados são de vários tipos também. 

17 de Março de 2022 - O padre de Viseu acuasdo de ter aliciado sexualmente um menor de 14 anos é acusado formalmente pela justiça e sujeito a apresentações quinzenais e proibição de contacto com menores de 18 anos.

8 de Fevereiro de 2022 - Os bispos portugueses dizem que estão disponíveis para abrir os arquivos das dioceses à comissão de investigação dos abusos em Portugal.

26 de Janeiro de 2022 - A Comissão diocesana de Lisboa informa que notificou as autoridades de uma denúncia de abusos sexuais que terá ocorrido há mais de 30 anos, em Lisboa, mas que diz respeito a um padre que entretanto foi incardinado na diocese de Vila Real. O padre, já identificado como Manuel Machado, foi suspenso de todas as suas funções enquanto o caso é investigado pela diocese. Segundo o jornal Correio da Manhã os alegados abusos terão acontecido quando o padre era pároco de Colares, em Sintra.

15 de Janeiro de 2022 - A Comissão Independente anuncia que já validou 102 denúncias.

11 de Janeiro de 2022 - A Comissão Independente anuncia que só no primeiro dia recebeu 50 denúncias de alegados casos de abusos.

10 de Janeiro de 2022 - A Comissão Independente deu uma conferência de imprensa em que explicou a sua metodologia e prazos, etc.,

6 de Dezembro de 2021 - O padre Ângelo Martins, da diocese da Guarda, é absolvido em tribunal da acusação de encobrimento de um caso de abusos de menor praticado por dois maiores de idade que residiam na mesma instituição que a vítima, da qual o sacerdote era o director. 

2 de Dezembro de 2021 - Em declarações à Renascença, Pedro Strecht anuncia que o relatório final será entregue até ao final de 2022. Mais tarde, em conferência de imprensa, faz um apelo para que vítimas contactem a comissão, independentemente do tempo que já passou desde os casos. Por fim, no mesmo dia a Renascença publica uma entrevista ao diretor-adjunto da PJ, que diz não ter qualquer indício de que a Igreja esteja a esconder casos.

30 de Novembro de 2021 - A CEP anuncia que a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja será chefiada pelo Psiquiatra de Crianças e Adolescentes Pedro Strecht.

25 de Novembro de 2021 - A Diocese do Algarve informa, em comunicado, que está a investigar um alegado caso de abuso passado há mais de 30 anos e revelado por um homem num programa de televisão. O padre em causa, que não é identificado, não é suspenso durante a investigação.

10 de Novembro de 2021 - A CEP disponibiliza publicamente os contactos das 21 comissões diocesanas de proteção de menores. 

8 de Novembro de 2021 - Os bispos portugueses, reunidos em assembleia plenária, comprometem-se a criar uma comissão nacional que coordene os trabalhos das 21 comissões diocesanas de proteção de menores. Nesse mesmo dia um grupo de 241 católicos portugueses, com figuras das mais diversas tendências, escreve uma carta aberta aos bispos a pedir que apoiem a criação de uma investigação independente ao fenómeno dos abusos em Portugal. 

21 de Outubro de 2021 - O jornal Público informa que quando confrontado sobre o teor das mensagens que enviou ao jovem de 14 anos, Luís Miguel da Costa terá dito que tudo não passou de uma brincadeira. É dito ainda que o seu computador foi apreendido pelo Ministério Público, onde foram encontradas imagens de pornografia infantil. Nos dias seguintes surgiram mais detalhes gráficos sobre o conteúdo das mensagens. 

16 de Outubro de 2021 - Sai a notícia de que uma mulher denunciou um padre de Viseu por alegados abusos sofridos quando era menor, frequentava um colégio católico e pretendia ser freira. A denúncia é feita para uma linha de apoio dos Jesuítas, que reencaminham o caso para a comissão diocesana de Viseu. Este poderá ser o caso a que aludiu um responsável da diocese de Viseu quando afirmou, no seguimento do caso envolvendo o padre Luís Miguel da Costa, que havia outra denúncia em investigação na diocese mas que algumas denúncias não avançavam porque não se conseguia identificar as vítimas.

13 de Outubro de 2021 - Sai a notícia de um que um padre de Viseu terá enviado mensagens de teor sexual a um menor de idade. O padre, de 46 anos, está a ser investigado e a diocese e a Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis estão a acompanhar o caso e a colaborar, tendo revelado que ainda existe mais um caso com processo em aberto. Pouco depois de ter saído a notícia o sacerdote foi identificado na imprensa como Luís Miguel da Costa e surgiram detalhes sobre o caso. Alegadamente o padre terá abordado o jovem na casa de banho durante um evento numa quinta de enoturismo, em Viseu, onde tentou apalpá-lo e beijá-lo. Depois é que mandou mensagens explícitas.

12 de Outubro de 2021 - Na sequência do escândalo causado pelo relatório Sauvé, em França, a Conferência Episcopal Portuguesa disse que se vai criar um grupo para coordenar a questão dos abusos a nível nacional, composto por representantes dos grupos de cada diocese. Todas as dioceses já têm uma comissão.

25 de Maio de 2021 - A CEP anuncia a realização de um encontro sobre a proteção de menores, em Fátima, para o dia 29 de Maio, com a presença do especialista pe. Hans Zollner SJ.


19 de Maio de 2020 - A arquidiocese de Braga publica um comunicado em que informa que a comissão de proteção recebeu duas denúncias, ambas de casos passados há mais de 30 anos e por isso juridica e canonicamente prescritas. Num caso o padre em causa já morreu, no outro não. No caso do padre vivo, é dito que se aparecerem novos casos o processo será reaberto, mas nada é dito sobre a credibilidade ou não das acusações. Este caso voltou a ser notícia no jornal Nascer do Sol, edição de dia 18 de Setembro de 2022, que indica tratar-se do Cónego Fernando Sousa e Silva.

23 de Janeiro de 2020 - Arquivado o caso que envolvia o pároco de Cacilhas. O Ministério Público diz que não houve indícios que apontassem para a prática do crime, nem para a constituição do padre como arguido.

14 de Janeiro de 2020 - A Conferência Episcopal Portuguesa diz que está em processo a transformação das "directrizes" para a proteção de menores em "normas".

2 de Agosto de 2019 - A Renascença dá a notícia de um caso sob investigação em Bragança, um dia depois de ter sido inaugurada a comissão para a protação de menores da diocese. A investigação em causa é da Igreja e já seguiu para Roma, não se sabe se a vítima chegou a fazer denúncia às autoridades civis. O padre José Belmiro Lino Rodrigues veio depois reconhecer ter havido uma relação com um rapaz e pedir desculpa. O rapaz, na altura, teria 17 anos, pelo que não constitui crime civil. 

2 de Maio de 2019 - Reunidos em Conferência Episcopal, os bispos portugueses decidem por unanimidade criar estruturas de proteção de menores nas suas dioceses.

20 de Abril de 2019 - D. Manuel Linda, bispo do Porto, diz que não é necessário criar uma comissão de protecção de menores na sua diocese.

12 de Abril de 2019 - O Patriarcado de Lisboa anuncia a criação de uma Comissão de Protecção de Menores, chefiada por D. Américo Aguiar e que conta com a presença de especialistas em psicologia, direito e investigação policial.

11 de Abril de 2019 - Uma mãe acusa o padre responsável pelo Centro Paroquial de Cacilhas, diocese de Setúbal, de ter abusado do seu filho de seis anos na casa de banho da creche. O menino foi sujeito a exames médicos que não indiciaram abuso. O padre remeteu qualquer comentário para a diocese e o Centro Paroquial emitiu um comunicado a dizer que está a colaborar com as autoridades, mas que o padre nem esteve na creche naquele dia. Segundo a imprensa, a mãe mostrou fotografias de vários homens - funcionários e o padre - que costumam frequentar a creche, e depois de ter identificado um primeiro homem, o filho identificou o padre. A diocese disse estar empenhada em apurar a verdade. No dia 30 e maio a PJ concluiu que a suspeita era infundada, não se tendo verificado qualquer crime.

1 de Março de 2019 - O "Observador" publica uma reportagem sobre o padre Heitor Antunes, de Vila Real mas à data a servir uma paróquia no Canadá, que em 2002 terá iniciado uma relação amorosa com uma menina de 14 anos e com quem, mais tarde, viria a ter uma filha. Um dia depois da publicação original, a 28 de fevereiro, a diocese de Vila Real confirmou que foi aberta uma investigação. Mais tarde, a 15 de Março, é anunciado que o padre foi suspenso e mandado regressar a Portugal pelo bispo de Vila Real. Em finais de fevereiro de 2021 o padre Heitor Antunes vê aceite o seu pedido de dispensa do estado clerical pelo Papa Francisco. A investigação canónica prossegue.

25 de Fevereiro de 2019 - O arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, promete "transparência e colaboração" no que diz respeito a casos de abusos.

24 de Fevereiro de 2019 - D. Manuel Clemente, acabado de sair da cimeira sobre abusos sexuais no Vaticano, diz que haverá reforço de pessoal nas dioceses para lidar com estes casos.

20 de Fevereiro de 2019 - Na véspera do começo da cimeira sobre abusos sexuais, no Vaticano, um especialista entrevistado pela Renascença diz que as diretrizes em vigor em Portugal são "do melhor que há"

13 de Fevereiro de 2019 - O porta-voz da CEP, o padre Manuel Barbosa, diz em conferência de imprensa que desde 2001 os tribunais eclesiásticos analisaram cerca de uma dezena de casos e que, destes, menos de metade avançaram, por falta de fundamentos.

1 de Setembro de 2018 - A imprensa madeirense, seguida da continente, noticia a suspensão pela diocese do Funchal de um padre que terá sido acusado de abuso sexual de um menor. O padre, Anastácio Alves, é referido, mas não há mais detalhes do caso neste artigo, embora se diga que um processo civil relativo a suspeita de abusos em 2005 terá sido arquivado. Este caso foi reciclado, com muitos detalhes, pelo jornal online O Observador, no dia 11 de Fevereiro de 2019, o primeiro de uma série de reportagens sobre abusos na Igreja. Em Novembro de 2019 o padre, cujo paradeiro ainda é desconhecido, enviou uma carta à dioese a pedir a dispensa das suas funções sacerdotais.

11 de Outubro de 2017 - Um elemento dos escuteiros, ao que a Actualidade Religiosa apurou do CNE, foi condenado a uma pena de seis anos de prisão por abusos sexuais cometidos contra uma escuteira de 13 anos. 

2 de Janeiro de 2017 - O Correio da Manhã divulga a condenação em primeira instâcia a 20 meses de pena suspensa de um padre da diocese de Vila Real, por abusos sexuais. O sacerdote, que se encontra suspenso pela diocese, enviava fotografias explícitas a menores através das redes sociais. No dia 13 de fevereiro o Observador publica uma grande reportagem sobre este caso, identificando o sacerdote como Pedro Ribeiro e dizendo que a Igreja o remeteu durante quatro anos para um mosteiro, onde não pode exercer o sacerdócio.

9 de Outubro de 2015 - O jornal i publica uma reportagem com mais dados sobre o processo do padre Abel Maia.

24 de Julho de 2015 - No dia 23 de Julho à noite o Ministério Público divulgou o arquivamento do processo envolvendo o padre Abel Maia, da arquidiocese de Braga, que tinha sido suspeito de abusos sobre menores e adolescentes. No dia 24 de Julho a arquidiocese emitiu uma nota dizendo que o sacerdote continuaria afastado do trabalho pastoral, a seu pedido, para recuperar dos efeitos de ter estado envolvido neste caso.

23 de Julho de 2015 - A polícia judiciária anunciou, no dia 17 de Julho, que ia investigar suspeitas de abusos na diocese de Coimbra. Foi a própria diocese que revelou as suspeitas de abusos, depois de terem sido publicadas alegações anónimas online. Segundo as alegações, os abusos teriam começado há dois anos. A acusação anónima identifica o alegado autor dos abusos, mas tendo em conta a impossibilidade de avaliar a credibilidade da fonte, a Actualidade Religiosa opta por não divulgar esse nome. Em Setembro de 2022 a Actualidade Religiosa soube que ao fim de um ano de a diocese ter pedido a quem tivesse informação que se chegasse à frente não surgiram quaisquer denúncias credíveis e que a investigação policial também não revelou qualquer crime.

14 de Abril de 2015 - Chegou à Actualidade Religiosa a informação de que o padre de Setúbal que tinha sido investigado por alegados abusos foi entretanto ilibado das acusações pelo tribunal diocesano, sentença confirmada por Roma.

25 de Março de 2015 - O Padre António Júlio Santos, ex-pároco da Golegã, foi condenado em primeira instância pelo tribunal de Santarém a 14 meses de prisão, com pena suspensa, por dois crimes de abuso sexual de menores.

27 de Novembro de 2014 - O padre Abel Maia, dehoniano ao serviço da Arquidiocese de Braga, é suspenso de toda a actividade sacerdotal depois de ter surgido uma denúncia de abusos sobre menores. Abel Maia é o padre que tinha sido referido pelo padre Roberto de Sousa, ex-pároco de Canelas, no Porto, numa carta ao bispo D. António Francisco dos Santos, semanas antes. Nessa carta, Roberto de Sousa ameaçava divulgar um caso de abusos de que tinha conhecimento, caso o bispo insistisse em mudá-lo de paróquia. O bispo respondeu publicamente à carta, dizendo que tinha revelado o conteúdo às autoridades, para lidarem com o alegado caso de abusos. O padre Abel Maia nega todas as acusações.

13 de Novembro de 2014 - O Correio da Manhã faz manchete com a história de um dirigente dos escuteiros que foi preso por alegados abusos a crianças e posse de material pornográfico. Na sua notícia o jornal acusa o CNE de ter encoberto o caso e não ter avisado os pais. No mesmo dia o CNE emite um comunicado e explica à Renascença de viva voz, que colaborou com as autoridades e não avisou os pais porque a Judiciária proibiu "peremptoriamente". Também neste dia, à tarde, o Patriarca de Lisboa e presidente da CEP manifesta total confiança na direcção do CNE. O dirigente em causa suicidou-se na cadeia em finais de Outubro.

3 de Julho de 2014 - O Ministério Público anuncia que deduziu acusação contra um padre da Ordem Hospitaleira de São João de Deus e um leigo, ambos funcionários de uma instituição de saúde mental, de "abuso sexual de pessoa internada e de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência". [O padre acabaria por ser ilibado da acusação, embora no processo canónico tenha sido impedido de exercer cargos de responsabilidade durante cinco anos, e impedido de frequentar os lugares onde ocorreram os factos, pelo mesmo período. Já o leigo foi condenado a pena suspensa. Informação acrescentada a 7 de Novembro de 2022]

1 de Abril de 2014 - O Diário de Notícias da Madeira informa que o reitor do seminário do Funchal, Cónego Carlos Nunes, está a ser investigado por alegados abusos sexuais. A diocese reage, prometendo total colaboração com a investigação mas lamentando a forma como a notícia veio a público. A Actualidade Religiosa apurou que o caso acabou por ser arquivado pelo Ministério Público e o sacerdote continua no activo. Dado ter sido arquivado pelo MP, não chegou a haver processo canónico. 

5 de Dezembro de 2013 - A Diocese de Santarém emite um comunicado em que confirma que o padre António Júlio Ferreira dos Santos está "liberto dos seus encargos" enquanto se procede a uma avaliação preliminar para averiguar o fundamentos de uma suspeita de abusos sobre uma menina de 12 anos. A Polícia Judiciária apenas toma conhecimento do caso através da imprensa. Um jurista contactado pela Renascença considera que a diocese não tinha obrigação de informar as autoridades antes de fazer a sua avaliação preliminar. O padre foi condenado, posteriormente (ver acima) a 14 meses de prisão, com pena suspensa, por abuso de dois menores. Este caso foi alvo de uma grande reportagem por parte do Observador, publicado no dia 12 de fevereiro de 2019.

2 de Dezembro de 2013 - O padre Luís Mendes, ex-vice reitor do seminário menor da Guarda, no Fundão, é considerado culpado de 19 crimes de abusos sexuais sobre menores e condenado a 10 anos de pena efectiva, bem como a indemnizações que variam entre os mil e os dois mil euros. Este caso foi desenvolvido numa longa reportagem do "Observador", que inclui mais detalhes. Em 2022 a Actualidade Religiosa apurou que Luís Mendes foi condenado em processo canónico e afastado do ministério sacerdotal.

19 de Setembro de 2013 - Começa o julgamento do sacerdote da Guarda acusado de abusar sexualmente de alunos do seminário menor.

1 de Junho de 2013 - O Expresso noticia que existe um padre em Setúbal que está a ser investigado por alegadamente ter abusado de cinco rapazes, em 2008. O processo diocesano deste caso declarou o sacerdote inocente das acusações, o tribunal da Santa Sé confirmou essa decisão.

19 de Maio de 2013 - O Patriarca-eleito de Lisboa, D. Manuel Clemente, reafirma que é preciso "andar para a frente" com investigações de abusos sexuais na Igreja, mas recorda que por vezes os agressores já foram vítimas e que se trata sempre de pessoas, pelo que os casos não se podem resolver rapidamente.

22 de Abril de 2013 - Arquivado o processo aberto pelo Ministério Público por causa das denúncias de Catalina Pestana. MP alega prescrição dos factos e falta de queixa por parte de alegadas vítimas.

25 de Fevereiro de 2013 - O Correio da Manhã identifica o padre suspeito de abusos que terá sido enviado para França como Nuno Fraga Aurélio. Em declarações ao jornal este diz-se inocente e lamenta que alguém lhe esteja a tentar "estragar a vida".

20 de Fevereiro de 2013A Revista Visão anuncia que a sua manchete de dia 21 de Fevereiro vai ser sobre insinuações de assédio sexual, de natureza homossexual, praticados por D. Carlos Azevedo ao longo de vários anos. Nada indica que se trate de abusos sobre menores de idade. Questionado sobre o assunto, D. Nuno Brás diz que "A Igreja é feita de pecadores". A Conferência Episcopal Portuguesa lança um comunicado em que afirma que "não devemos fazer julgamentos apressados", mas não tenta negar as acusações. Questionado pelo Público, D. Carlos nega todas as acusações.

02 de Fevereiro de 2013 – O Expresso revela o caso de um padre do Patriarcado de Lisboa, suspeito de vários casos de abusos, que primeiro foi mudado de paróquia e depois enviado para "descansar" no Algarve. Recupera ainda o caso do padre de Cruz Quebrada dizendo que este se encontra no activo, em França.

03 de Janeiro de 2013 – Padre Manuel Morujão rejeita as insinuações da Rede de Cuidadores de que a Igreja terá ignorado algumas denúncias de abusos sexuais, garante que a Igreja tem levado este caso muito a sério e que quer "toda a verdade" sobre este assunto.

2 de Janeiro de 2013 – Rede de Cuidadores acusa Igreja de "meter a cabeça na areia" no que diz respeito a denúncias de abusos sexuais contra menores cometidos por membros do clero. Contudo o comunicado não fala em qualquer caso concreto.

22 de Dezembro de 2012 – O jornal Expresso revela o caso de uma família de Cruz Quebrada que diz ter denunciado um sacerdote por ter tentado abusar do seu filho na década de 90. Segundo o jornal, o caso é um dos denunciados por Catalina Pestana e o padre ainda está no activo.



O comunicado da PGR é um pouco confuso ao dizer que vai ser também instaurado um inquérito com base nas acusações de Catalina Pestana, mas não deixa claro se o inquérito à Ordem Hospitaleira teve por base as afirmações dela ou não.

19 de Dezembro de 2012 – Catalina Pestana é ouvida pela Procuradoria Geral da República por causa das declarações que fez a denunciar crimes de abusos sexuais na diocese de Lisboa




11 de Dezembro de 2012 – O padre Manuel Morujão, porta-voz da CEP, afirma que a Igreja quer ajudar a acabar com os crimes de pedofilia. Elogia ainda a forma como a diocese da Guarda está a lidar com o caso do seminário menor do Fundão e afirma que não recebeu qualquer denúncia nem de Catalina Pestana, nem de ninguém

8 de Dezembro de 2012Catalina Pestana afirma que sabe de cinco casos de pedofilia na diocese de Lisboa e diz que teve uma reunião com o Patriarca D. José Policarpo, com o porta-voz da Conferência Episcopal e com D. Jorge Ortiga, na altura presidente da CEP, a quem denunciou os casos. Diz ainda que nada foi feito em relação a isso. O Patriarca e o padre Manuel Morujão negam ter estado presentes na dita reunião




21 de Novembro de 2011- O Ministério público decide arquivar o inquérito ao alegado caso de abusos sexuais praticados numa casa de saúde da Ordem Hospitaleira, nos Açores.

8 de Setembro de 2010 – O Público noticia um alegado caso de abusos sexuais praticado numa casa de saúde da Ordem Hospitaleira, nos Açores

Setembro de 2010 – São enviados, para vários destinatários, e-mails a denunciar casos de abusos sexuais em casas da saúde da Ordem Hospitaleira de São João de Deus. É aberto um inquérito pela Procuradoria Geral da República.

29 de Março de 2010 – Um cónego no Porto é acusado de pedofilia. O Caso recebe muita atenção mediática mas acaba por não ser levado a sério quando se descobre que o queixoso não merece grande credibilidade e estaria a agir por vingança pessoal.



Conceitos

Apesar de se falar genericamente de crimes de pedofilia, na verdade há vários conceitos à mistura.

Nalguns casos existe de facto pedofilia, isto é, o abuso sexual de uma criança pré-pubescente.

Quando, no entanto, os abusos são praticados sobre menores que já passaram a puberdade, o nome clínico é efebofilia. Não deixa, contudo de ser crime, independentemente da vontade do menor, desde que de idade inferior aos 16 anos.

A confirmar-se a prática de abusos sexuais no âmbito das casas de saúde da Ordem Hospitaleira, então pode não se tratar sequer de abusos sobre menores. Contudo, o abuso sexual de deficientes mentais é também um crime e, aos olhos da Igreja, é tratado segundo as mesmas orientações previstas para os casos de abusos sobre menores.

Cronologia iniciada a 28 de Dezembro de 2012, actualizada no dia 6 de Dezembro de 2022

8 comments:

  1. Uma vergonha estar a incluir a noticia do dia 7 Julho na secção "Casos de abusos sexuais em Portugal"; enquanto os "jornalistas" não formem processados pelos falsos testemunhos e calunias" não irão parar.

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  2. 7 Jullho: o comunicado do patriarcado refere "linguagem inapropriada"; o fantastico Avillez traduz para "mensagens "obscenas""; assim vai o "jornalismo" neste pais...

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  3. já percebi: o Avillez pegou no texto do 7Margens e colou-o no comunicado do Patriarcado. Estamos no bom caminho...

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  4. Por último: dar relevância à noticia do 7 Margens que altera a dito comunicado do patriarcado sobre mensagens inapropriadas para obscenas diz tudo sobre o 7Margens. para além disso o 7Margens vai mais longe ao dedicar a 2ª parte do texto a fazer comentários sobre sobre o CL, a APECEF, movimentos pró-vida, tarapias de conversão de homosexuais, Maria Jose Vilaça, etc. Uma vergonha esta gente do 7Margens bem como todos os "jornalistas" que lhe dão voz e eco.

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  5. Meu caro, já desisti de me preocupar com as suas considerações sobre mim, mas gostaria de esclarecer umas coisas.
    1. O facto de a notícia do 7 Margens divagar na segunda parte da notícia não implica que a primeira esteja incorrecta.
    2. O 7 margens não adultera nada, porque a investigação do 7 margens antecede o comunicado, o comunicado, como é evidente, é uma reacção à notícia que já se sabia que ia ser publicado.
    3. Inapropriadas e obscenas são palavras diferentes, mas isso não significa que sejam contraditórias. Uma mensagem inapropriada não é necessariamente obscena, mas uma mensagem obscena é sempre inapropriada. Junte as peças se for capaz.

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    1. Caríssimo, os seus 3 pontos acima mostram bem a seriedade e assertividade com que faz as suas analises e comentários. Quanto às considerações que diz que faço sobre si está bem longe da realidade. Peço a Nossa Senhora que lhe conceda o Dom da sabedoria e faça bom jornalismo

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  6. “Esse “câncer diabólico” que é a calúnia, que nasce do desejo de destruir a reputação de uma pessoa, também agride o resto do corpo eclesial e o danifica seriamente quando, devido a interesses mesquinhos ou para encobrir as próprias falhas, se aliam para difamar alguém.” , Francisco

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  7. https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=pfbid02ShDGniEvwHATPeESo2ynKqkHoFnnhvSaxbdnc4RjoFgZ4Mot143bH8FJ9L17y2GQl&id=100000640266052

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