Monday, 19 September 2022

Casos de abusos sexuais em Portugal

29 de Setembro de 2022 - O Vaticano confirma que sabia das alegações sobre D. Ximenes Belo desde 2019, e que impôs restrições em 2020, agravadas em 2021.  

28 de Setembro de 2022 - Um jornal holandês faz notícia de alegações de abuso de menores por parte de D. Ximenes Belo, prémio Nobel da Paz, cometidos em Timor Leste. 

27 de Setembro de 2022 - O jornal Observador publica uma notícia sobre um jovem leigo que abusou de crianças em duas escolas onde estava a trabalhar. Uma dessas escolas, pública, afastou o jovem sem, contudo, o denunciar, e incentivando os pais a não o denunciar. Já o Colégio dos Maristas, de Carcavelos, uma escola católica, denunciou imediatamente o jovem quando tomou conhecimento de uma suspeita. O jovem foi julgado e condenado a seis anos de prisão. 

26 de Setembro de 2022 - Os Jesuítas anunciam que nos últimos 70 anos pelo menos 8 membros da ordem religiosa cometeram abusos sexuais. A maioria ocorreu em ambiente escolar, em escolas geridas pelos jesuítas e todos os casos conhecidos foram agora comunicados à comissão independente. Vale a pena ler também esta entrevista com a responsável desta análise.

18 de Setembro de 2022 - O jornal Nascer do Sol indica que a Comissão Independente encaminhou para o Ministério Público uma denúncia relativa ao cónego Fernando Sousa e Silva, ex-pároco de Joane. Nascido em Agosto de 1932, o padre tem actualmente 90 anos. Segundo o jornal já existiram muitas queixas relativas a este sacerdote, mas nunca foram atendidas nem investigadas devidamente pelo anterior arcebispo, D. Jorge Ortiga. Não é claro, pelo artigo, se foi a diocese ou se foi a Comissão Independente que denunciou o caso ao Ministério Público.
O artigo indica ainda que desde que começou a trabalhar, a Comissão Diocesana recebeu cinco denúncias. Destas, uma foi encaminhada para o Ministério Público e quatro estão a ser avaliadas internamente, aguardando decisão final. 
O texto do Nascer do Sol refere ainda outro caso, relativo a um jovem sacerdote ainda no activo, que foi denunciado por uma mulher a D. Jorge Ortiga, sem obter seguimento. Só mais tarde, com D. José Cordeiro é que o Ministério Público foi informado. Não é dada mais informação sobre o caso, nem fica claro quem é que denunciou o caso ao MP. 
A Actualidade Religiosa recebeu um documento público, escrito pelo alegado abusador, em que este afirma a sua total inocência e lamenta a forma como o caso foi tratado ao nível diocesano, dizendo que nunca teve a oportunidade de saber os detalhes da acusação, nem de se defender adequadamente. Confirmou que está suspenso de algumas actividades sacerdotais, incluindo ouvir confissões.

15 de Setembro de 2022 - Em declarações à RTP o Patriarca diz que a Igreja de Lisboa tem feito tudo de acordo com as regras e que sente que tem a confiança do Papa, embora este esteja "completamente à vontade, quer para manter, quer para mudar". 

6 de Agosto de 2022 - A RTP emite uma reportagem que alega que em 2003 D. Manuel Clemente, na altura reitor do Seminário dos Olivais e bispo auxiliar de Lisboa, recebeu um grupo de dirigentes dos escuteiros e um padre que lhe denunciaram casos de abusos sexuais praticados pelo padre Inácio Belo. Na reportagem esse padre e um dos ex-dirigentes, falando sob anonimato, dizem que o agora Patriarca pediu aos 12 dirigentes dos escuteiros que se demitissem "para bem da Igreja".
Em resposta, posterior à emissão da reportagem, o Patriarcado rejeita a versão da RTP e diz que D. Manuel apenas tomou conhecimento do caso do padre Inácio em 2013, quando existiu uma investigação eclesial. O padre Inácio Belo foi entretanto suspenso mas acabou por pedir excusa do sacerdócio.

5 de Agosto de 2022 - O Patriarcado de Lisboa informa, em comunicado, que D. Manuel Clemente foi recebido em audiência pelo Santo Padre, para discutir os recentes acontecimentos. A audiência terá sido pedida por D. Manuel. 

4 de Agosto de 2022 - O jornal Expresso publica a notícia de que um padre de Lisboa entregou à Comissão Independente informação sobre 12 padres que seriam suspeitos de cometer abusos sexuais sobre menores. O artigo refere três casos em específico. Pelo menos dois desses casos já seriam de conhecimento público e terão inclusivamente sido investigados pelo Patriarcado e pelas autoridades. O caso do "Pe. Nuno" foi, inclusivamente noticiado pelo próprio Expresso em Fevereiro de 2013 (ver abaixo). O padre foi entretanto identificado pelo Correio da Manhã a 25 de Fevereiro do mesmo ano (ver abaixo). O caso do "padre Inácio" também foi referido pelo mesmo jornal Expresso em 2012 e 2013, como o padre que foi enviado para "descansar" para o Algarve. O padre entretanto pediu dispensa do sacerdócio, já não estando por isso sob alçada do Patriarcado, mas na altura o caso terá sido comunicado às autoridades e a Roma. 
Por fim, o Expresso refere o caso de um padre que já morreu, mas que na altura não foi denunciado porque a família, em vez de denunciar o caso, tentou extorquir o padre. 
A própria situação do padre que coligiu a informação já tinha sido notícia no Expresso há uma década.
O artigo do Expresso pode ser lido aqui, mas é conteúdo pago. 

1 de Agosto de 2022 - A Actualidade Religiosa apura que o caso envolvendo um padre no Algarve, noticiada em Novembro de 2021, foi arquivado. Depois de investigado, o caso foi considerado pouco credível pelas autoridades diocesanas após investigação e quando os dados foram enviados para Roma o Vaticano confirmou a decisão de arquivar o caso. Este facto foi posteriormente alvo de notícia pela Renascença, no dia 9/8/2022.

29 de Julho de 2022 - O Patriarca publica uma carta aberta sobre o caso revelado pelo Observador dias antes. A carta pode ser lida, na íntegra, aqui. Entre outras coisas diz que o segundo caso, referido por Souto Moura na entrevista referida abaixo, foi encaminhada para o Dicastério para a Doutrina da Fé, e que mal esteja resolvido será divulgado. 

29 de Julho de 2022 - O Ministério Público anuncia que tem em curso sete investigações de abusos sexuais no contexto da Igreja Católica, resultantes de 17 denúncias que lhe chegaram através da Comissão Independente. Seis dessas denúncias eram referentes a um mesmo caso, e outros casos tinham também mais que uma denúncia, o que resultou em 10 investigações, três das quais foram já arquivadas ou por prescrição, ou por falta de provas, ou porque o caso já tinha sido julgado, tendo resultado em condenação do suspeito. 

27 de Julho de 2022 - O jornal Observador dá conta do caso de um padre de Lisboa contra quem terá sido feita uma denúncia de abuso sexual de menores, nos anos 90. Na altura pouco terá sido feito, mas o padre terá acabado por ser removido da paróquia e colocado como capelão de um hospital. O Patriarcado confirma que, quando D. Manuel Clemente se tornou Patriarca de Lisboa tomou conhecimento do caso e encontrou-se com a vítima, mas que esta terá pedido para que o caso não fosse divulgado nem denunciado às autoridades. O Patriarcado diz ainda que não tem conhecimento de mais nenhuma queixa feita contra o sacerdote, que entretanto está hospitalizado e gravemente doente. Mais recentemente terá sido feita uma denúncia sobre este caso à Comissão Independente, mas a Comissão Diocesana não recebeu qualquer denúncia, o que significa que não é este o caso referido na entrevista dada por Souto Moura no dia 15 de julho (ver abaixo).  

15 de Julho de 2022 - Numa entrevista concedida à Renascença, o juiz Souto Moura, da Comissão Diocesana de Lisboa, fala sobre o trabalho da comissão e da coordenação entre os diferentes órgãos diocesanos que existem. Refere ainda que desde Maio houve dois casos em Lisboa. Um dos casos será o de 7 de Julho. Desconhece-se qual será o segundo. 

12 de Julho de 2022 - A Arquidiocese de Évora anuncia a suspensão de um padre, acusado de não ter feito o suficiente para evitar a reincidência de abusos por parte de um leigo na paróquia de Samora Correia. 

7 de Julho de 2022 - O Patriarcado de Lisboa anuncia a suspensão de um padre por alegadamente ter enviado mensagens "obscenas" a jovens de um colégio do qual era assistente espiritual. Os jovens em questão terão entre 17 e 18 anos, segundo a investigação do site 7Margens. O padre em questão foi identificado como Duarte Andrade e Sousa.

30 de Junho de 2022 - Num balanço dos seis meses da Comissão Independente, esta diz que validou 338 testemunhos e excluiu 29, sendo que 57% das vítimas são homens e 40% são mulheres. 17 casos foram enviados para o Ministério Público, referentes a abusadores possivelmente ainda no activo.

10 de Maio de 2022 - D. José Ornelas volta a pedir perdão pelos casos de abusos e exprime "gratidão pela coragem" revelada pelos que denunciaram casos envolvendo a Igreja Católica. Isto, dias depois de a Comissão independente revelar que já tem registo de 326 casos

14 de Abril de 2022 - Na missa crismal D. Manuel Clemente pede perdão pelos abusos cometidos na Igreja e diz que quer corrigir erros e prevenir futuros casos. 

12 de Abril de 2022 -  Em conferência de imprensa a comissão independente revela que recebeu, até agora, 290 denúncias de casos, tendo enviado 16 para o Ministério Público. As denúncias vêm de todo o país, envolvem mais homens que mulheres e pessoas de idades entre os 13 e os 88. Os abusos denunciados são de vários tipos também. 

17 de Março de 2022 - O padre de Viseu acuasdo de ter aliciado sexualmente um menor de 14 anos é acusado formalmente pela justiça e sujeito a apresentações quinzenais e proibição de contacto com menores de 18 anos.

8 de Fevereiro de 2022 - Os bispos portugueses dizem que estão disponíveis para abrir os arquivos das dioceses à comissão de investigação dos abusos em Portugal.

26 de Janeiro de 2022 - A Comissão diocesana de Lisboa informa que notificou as autoridades de uma denúncia de abusos sexuais que terá ocorrido há mais de 30 anos, em Lisboa, mas que diz respeito a um padre que entretanto foi incardinado na diocese de Vila Real. O padre, já identificado como Manuel Machado, foi suspenso de todas as suas funções enquanto o caso é investigado pela diocese. Segundo o jornal Correio da Manhã os alegados abusos terão acontecido quando o padre era pároco de Colares, em Sintra.

15 de Janeiro de 2022 - A Comissão Independente anuncia que já validou 102 denúncias.

11 de Janeiro de 2022 - A Comissão Independente anuncia que só no primeiro dia recebeu 50 denúncias de alegados casos de abusos.

10 de Janeiro de 2022 - A Comissão Independente deu uma conferência de imprensa em que explicou a sua metodologia e prazos, etc.,

2 de Dezembro de 2021 - Em declarações à Renascença, Pedro Strecht anuncia que o relatório final será entregue até ao final de 2022. Mais tarde, em conferência de imprensa, faz um apelo para que vítimas contactem a comissão, independentemente do tempo que já passou desde os casos. Por fim, no mesmo dia a Renascença publica uma entrevista ao diretor-adjunto da PJ, que diz não ter qualquer indício de que a Igreja esteja a esconder casos.

30 de Novembro de 2021 - A CEP anuncia que a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja será chefiada pelo Psiquiatra de Crianças e Adolescentes Pedro Strecht.

25 de Novembro de 2021 - A Diocese do Algarve informa, em comunicado, que está a investigar um alegado caso de abuso passado há mais de 30 anos e revelado por um homem num programa de televisão. O padre em causa, que não é identificado, não é suspenso durante a investigação.

10 de Novembro de 2021 - A CEP disponibiliza publicamente os contactos das 21 comissões diocesanas de proteção de menores. 

8 de Novembro de 2021 - Os bispos portugueses, reunidos em assembleia plenária, comprometem-se a criar uma comissão nacional que coordene os trabalhos das 21 comissões diocesanas de proteção de menores. Nesse mesmo dia um grupo de 241 católicos portugueses, com figuras das mais diversas tendências, escreve uma carta aberta aos bispos a pedir que apoiem a criação de uma investigação independente ao fenómeno dos abusos em Portugal. 

21 de Outubro de 2021 - O jornal Público informa que quando confrontado sobre o teor das mensagens que enviou ao jovem de 14 anos, Luís Miguel da Costa terá dito que tudo não passou de uma brincadeira. É dito ainda que o seu computador foi apreendido pelo Ministério Público, onde foram encontradas imagens de pornografia infantil. Nos dias seguintes surgiram mais detalhes gráficos sobre o conteúdo das mensagens. 

13 de Outubro de 2021 - Sai a notícia de um que um padre de Viseu terá enviado mensagens de teor sexual a um menor de idade. O padre, de 46 anos, está a ser investigado e a diocese e a Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis estão a acompanhar o caso e a colaborar, tendo revelado que ainda existe mais um caso com processo em aberto. Pouco depois de ter saído a notícia o sacerdote foi identificado na imprensa como Luís Miguel da Costa e surgiram detalhes sobre o caso. Alegadamente o padre terá abordado o jovem na casa de banho durante um evento numa quinta de enoturismo, em Viseu, onde tentou apalpá-lo e beijá-lo. Depois é que mandou mensagens explícitas.

12 de Outubro de 2021 - Na sequência do escândalo causado pelo relatório Sauvé, em França, a Conferência Episcopal Portuguesa disse que se vai criar um grupo para coordenar a questão dos abusos a nível nacional, composto por representantes dos grupos de cada diocese. Todas as dioceses já têm uma comissão.

25 de Maio de 2021 - A CEP anuncia a realização de um encontro sobre a proteção de menores, em Fátima, para o dia 29 de Maio, com a presença do especialista pe. Hans Zollner SJ.


19 de Maio de 2020 - A arquidiocese de Braga publica um comunicado em que informa que a comissão de proteção recebeu duas denúncias, ambas de casos passados há mais de 30 anos e por isso juridica e canonicamente prescritas. Num caso o padre em causa já morreu, no outro não. No caso do padre vivo, é dito que se aparecerem novos casos o processo será reaberto, mas nada é dito sobre a credibilidade ou não das acusações. Este caso voltou a ser notícia no jornal Nascer do Sol, edição de dia 18 de Setembro de 2022, que indica tratar-se do Cónego Fernando Sousa e Silva.

23 de Janeiro de 2020 - Arquivado o caso que envolvia o pároco de Cacilhas. O Ministério Público diz que não houve indícios que apontassem para a prática do crime, nem para a constituição do padre como arguido.

14 de Janeiro de 2020 - A Conferência Episcopal Portuguesa diz que está em processo a transformação das "directrizes" para a proteção de menores em "normas".

2 de Agosto de 2019 - A Renascença dá a notícia de um caso sob investigação em Bragança, um dia depois de ter sido inaugurada a comissão para a protação de menores da diocese. A investigação em causa é da Igreja e já seguiu para Roma, não se sabe se a vítima chegou a fazer denúncia às autoridades civis.

2 de Maio de 2019 - Reunidos em Conferência Episcopal, os bispos portugueses decidem por unanimidade criar estruturas de proteção de menores nas suas dioceses.

20 de Abril de 2019 - D. Manuel Linda, bispo do Porto, diz que não é necessário criar uma comissão de protecção de menores na sua diocese.

12 de Abril de 2019 - O Patriarcado de Lisboa anuncia a criação de uma Comissão de Protecção de Menores, chefiada por D. Américo Aguiar e que conta com a presença de especialistas em psicologia, direito e investigação policial.

11 de Abril de 2019 - Uma mãe acusa o padre responsável pelo Centro Paroquial de Cacilhas, diocese de Setúbal, de ter abusado do seu filho de seis anos na casa de banho da creche. O menino foi sujeito a exames médicos que não indiciaram abuso. O padre remeteu qualquer comentário para a diocese e o Centro Paroquial emitiu um comunicado a dizer que está a colaborar com as autoridades, mas que o padre nem esteve na creche naquele dia. Segundo a imprensa, a mãe mostrou fotografias de vários homens - funcionários e o padre - que costumam frequentar a creche, e depois de ter identificado um primeiro homem, o filho identificou o padre. A diocese disse estar empenhada em apurar a verdade. No dia 30 e maio a PJ concluiu que a suspeita era infundada, não se tendo verificado qualquer crime.

1 de Março de 2019 - O "Observador" publica uma reportagem sobre o padre Heitor Antunes, de Vila Real mas à data a servir uma paróquia no Canadá, que em 2002 terá iniciado uma relação amorosa com uma menina de 14 anos e com quem, mais tarde, viria a ter uma filha. Um dia depois da publicação original, a 28 de fevereiro, a diocese de Vila Real confirmou que foi aberta uma investigação. Mais tarde, a 15 de Março, é anunciado que o padre foi suspenso e mandado regressar a Portugal pelo bispo de Vila Real. Em finais de fevereiro de 2021 o padre Heitor Antunes vê aceite o seu pedido de dispensa do estado clerical pelo Papa Francisco. A investigação canónica prossegue.

25 de Fevereiro de 2019 - O arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, promete "transparência e colaboração" no que diz respeito a casos de abusos.

24 de Fevereiro de 2019 - D. Manuel Clemente, acabado de sair da cimeira sobre abusos sexuais no Vaticano, diz que haverá reforço de pessoal nas dioceses para lidar com estes casos.

20 de Fevereiro de 2019 - Na véspera do começo da cimeira sobre abusos sexuais, no Vaticano, um especialista entrevistado pela Renascença diz que as diretrizes em vigor em Portugal são "do melhor que há"

13 de Fevereiro de 2019 - O porta-voz da CEP, o padre Manuel Barbosa, diz em conferência de imprensa que desde 2001 os tribunais eclesiásticos analisaram cerca de uma dezena de casos e que, destes, menos de metade avançaram, por falta de fundamentos.

1 de Setembro de 2018 - A imprensa madeirense, seguida da continente, noticia a suspensão pela diocese do Funchal de um padre que terá sido acusado de abuso sexual de um menor. O padre, Anastácio Alves, é referido, mas não há mais detalhes do caso neste artigo, embora se diga que um processo civil relativo a suspeita de abusos em 2005 terá sido arquivado. Este caso foi reciclado, com muitos detalhes, pelo jornal online O Observador, no dia 11 de Fevereiro de 2019, o primeiro de uma série de reportagens sobre abusos na Igreja. Em Novembro de 2019 o padre, cujo paradeiro ainda é desconhecido, enviou uma carta à dioese a pedir a dispensa das suas funções sacerdotais.

2 de Janeiro de 2017 - O Correio da Manhã divulga a condenação em primeira instâcia a 20 meses de pena suspensa de um padre da diocese de Vila Real, por abusos sexuais. O sacerdote, que se encontra suspenso pela diocese, enviava fotografias explícitas a menores através das redes sociais. No dia 13 de fevereiro o Observador publica uma grande reportagem sobre este caso, identificando o sacerdote como Pedro Ribeiro e dizendo que a Igreja o remeteu durante quatro anos para um mosteiro, onde não pode exercer o sacerdócio.

9 de Outubro de 2015 - O jornal i publica uma reportagem com mais dados sobre o processo do padre Abel Maia.

24 de Julho de 2015 - No dia 23 de Julho à noite o Ministério Público divulgou o arquivamento do processo envolvendo o padre Abel Maia, da arquidiocese de Braga, que tinha sido suspeito de abusos sobre menores e adolescentes. No dia 24 de Julho a arquidiocese emitiu uma nota dizendo que o sacerdote continuaria afastado do trabalho pastoral, a seu pedido, para recuperar dos efeitos de ter estado envolvido neste caso.

23 de Julho de 2015 - A polícia judiciária anunciou, no dia 17 de Julho, que ia investigar suspeitas de abusos na diocese de Coimbra. Foi a própria diocese que revelou as suspeitas de abusos, depois de terem sido publicadas alegações anónimas online. Segundo as alegações, os abusos teriam começado há dois anos. A acusação anónima identifica o alegado autor dos abusos, mas tendo em conta a impossibilidade de avaliar a credibilidade da fonte, a Actualidade Religiosa opta por não divulgar esse nome. Em Setembro de 2022 a Actualidade Religiosa soube que ao fim de um ano de a diocese ter pedido a quem tivesse informação que se chegasse à frente não surgiram quaisquer denúncias credíveis e que a investigação policial também não revelou qualquer crime.

14 de Abril de 2015 - Chegou à Actualidade Religiosa a informação de que o padre de Setúbal que tinha sido investigado por alegados abusos foi entretanto ilibado das acusações pelo tribunal diocesano, sentença confirmada por Roma.

25 de Março de 2015 - O Padre António Júlio Santos, ex-pároco da Golegã, foi condenado em primeira instância pelo tribunal de Santarém a 14 meses de prisão, com pena suspensa, por dois crimes de abuso sexual de menores.

27 de Novembro de 2014 - O padre Abel Maia, dehoniano ao serviço da Arquidiocese de Braga, é suspenso de toda a actividade sacerdotal depois de ter surgido uma denúncia de abusos sobre menores. Abel Maia é o padre que tinha sido referido pelo padre Roberto de Sousa, ex-pároco de Canelas, no Porto, numa carta ao bispo D. António Francisco dos Santos, semanas antes. Nessa carta, Roberto de Sousa ameaçava divulgar um caso de abusos de que tinha conhecimento, caso o bispo insistisse em mudá-lo de paróquia. O bispo respondeu publicamente à carta, dizendo que tinha revelado o conteúdo às autoridades, para lidarem com o alegado caso de abusos. O padre Abel Maia nega todas as acusações.

13 de Novembro de 2014 - O Correio da Manhã faz manchete com a história de um dirigente dos escuteiros que foi preso por alegados abusos a crianças e posse de material pornográfico. Na sua notícia o jornal acusa o CNE de ter encoberto o caso e não ter avisado os pais. No mesmo dia o CNE emite um comunicado e explica à Renascença de viva voz, que colaborou com as autoridades e não avisou os pais porque a Judiciária proibiu "peremptoriamente". Também neste dia, à tarde, o Patriarca de Lisboa e presidente da CEP manifesta total confiança na direcção do CNE. O dirigente em causa suicidou-se na cadeia em finais de Outubro.

3 de Julho de 2014 - O Ministério Público anuncia que deduziu acusação contra um padre da Ordem Hospitaleira de São João de Deus e um leigo, ambos funcionários de uma instituição de saúde mental, de "abuso sexual de pessoa internada e de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência".

1 de Abril de 2014 - O Diário de Notícias da Madeira informa que o reitor do seminário do Funchal, Cónego Carlos Nunes, está a ser investigado por alegados abusos sexuais. A diocese reage, prometendo total colaboração com a investigação mas lamentando a forma como a notícia veio a público.

5 de Dezembro de 2013 - A Diocese de Santarém emite um comunicado em que confirma que o padre António Júlio Ferreira dos Santos está "liberto dos seus encargos" enquanto se procede a uma avaliação preliminar para averiguar o fundamentos de uma suspeita de abusos sobre uma menina de 12 anos. A Polícia Judiciária apenas toma conhecimento do caso através da imprensa. Um jurista contactado pela Renascença considera que a diocese não tinha obrigação de informar as autoridades antes de fazer a sua avaliação preliminar. O padre foi condenado, posteriormente (ver acima) a 14 meses de prisão, com pena suspensa, por abuso de dois menores. Este caso foi alvo de uma grande reportagem por parte do Observador, publicado no dia 12 de fevereiro de 2019.

2 de Dezembro de 2013 - O padre Luís Mendes, ex-vice reitor do seminário menor da Guarda, no Fundão, é considerado culpado de 19 crimes de abusos sexuais sobre menores e condenado a 10 anos de pena efectiva, bem como a indemnizações que variam entre os mil e os dois mil euros. Este caso foi desenvolvido numa longa reportagem do "Observador", que inclui mais detalhes.

19 de Setembro de 2013 - Começa o julgamento do sacerdote da Guarda acusado de abusar sexualmente de alunos do seminário menor.

1 de Junho de 2013 - O Expresso noticia que existe um padre em Setúbal que está a ser investigado por alegadamente ter abusado de cinco rapazes, em 2008. O processo diocesano deste caso declarou o sacerdote inocente das acusações, o tribunal da Santa Sé confirmou essa decisão.

19 de Maio de 2013 - O Patriarca-eleito de Lisboa, D. Manuel Clemente, reafirma que é preciso "andar para a frente" com investigações de abusos sexuais na Igreja, mas recorda que por vezes os agressores já foram vítimas e que se trata sempre de pessoas, pelo que os casos não se podem resolver rapidamente.

22 de Abril de 2013 - Arquivado o processo aberto pelo Ministério Público por causa das denúncias de Catalina Pestana. MP alega prescrição dos factos e falta de queixa por parte de alegadas vítimas.

25 de Fevereiro de 2013 - O Correio da Manhã identifica o padre suspeito de abusos que terá sido enviado para França como Nuno Fraga Aurélio. Em declarações ao jornal este diz-se inocente e lamenta que alguém lhe esteja a tentar "estragar a vida".

20 de Fevereiro de 2013 – A Revista Visão anuncia que a sua manchete de dia 21 de Fevereiro vai ser sobre insinuações de assédio sexual, de natureza homossexual, praticados por D. Carlos Azevedo ao longo de vários anos. Nada indica que se trate de abusos sobre menores de idade. Questionado sobre o assunto, D. Nuno Brás diz que "A Igreja é feita de pecadores". A Conferência Episcopal Portuguesa lança um comunicado em que afirma que "não devemos fazer julgamentos apressados", mas não tenta negar as acusações. Questionado pelo Público, D. Carlos nega todas as acusações.

02 de Fevereiro de 2013  – O Expresso revela o caso de um padre do Patriarcado de Lisboa, suspeito de vários casos de abusos, que primeiro foi mudado de paróquia e depois enviado para "descansar" no Algarve. Recupera ainda o caso do padre de Cruz Quebrada dizendo que este se encontra no activo, em França.

03 de Janeiro de 2013 – Padre Manuel Morujão rejeita as insinuações da Rede de Cuidadores de que a Igreja terá ignorado algumas denúncias de abusos sexuais, garante que a Igreja tem levado este caso muito a sério e que quer "toda a verdade" sobre este assunto.

2 de Janeiro de 2013 – Rede de Cuidadores acusa Igreja de "meter a cabeça na areia" no que diz respeito a denúncias de abusos sexuais contra menores cometidos por membros do clero. Contudo o comunicado não fala em qualquer caso concreto.

22 de Dezembro de 2012 – O jornal Expresso revela o caso de uma família de Cruz Quebrada que diz ter denunciado um sacerdote por ter tentado abusar do seu filho na década de 90. Segundo o jornal, o caso é um dos denunciados por Catalina Pestana e o padre ainda está no activo.



O comunicado da PGR é um pouco confuso ao dizer que vai ser também instaurado um inquérito com base nas acusações de Catalina Pestana, mas não deixa claro se o inquérito à Ordem Hospitaleira teve por base as afirmações dela ou não.

19 de Dezembro de 2012 – Catalina Pestana é ouvida pela Procuradoria Geral da República por causa das declarações que fez a denunciar crimes de abusos sexuais na diocese de Lisboa




11 de Dezembro de 2012 – O padre Manuel Morujão, porta-voz da CEP, afirma que a Igreja quer ajudar a acabar com os crimes de pedofilia. Elogia ainda a forma como a diocese da Guarda está a lidar com o caso do seminário menor do Fundão e afirma que não recebeu qualquer denúncia nem de Catalina Pestana, nem de ninguém

8 de Dezembro de 2012 – Catalina Pestana afirma que sabe de cinco casos de pedofilia na diocese de Lisboa e afirma que teve uma reunião com o Patriarca, com o porta-voz da Conferência Episcopal e com D. Jorge Ortiga, na altura presidente da CEP, em que denunciou os casos. Diz ainda que nada foi feito em relação a isso. O Patriarca e o padre Manuel Morujão negam ter estado presentes na dita reunião




21 de Novembro de 2011- O Ministério público decide arquivar o inquérito ao alegado caso de abusos sexuais praticados numa casa de saúde da Ordem Hospitaleira, nos Açores.

8 de Setembro de 2010 – O Público noticia um alegado caso de abusos sexuais praticado numa casa de saúde da Ordem Hospitaleira, nos Açores

Setembro de 2010 – São enviados, para vários destinatários, e-mails a denunciar casos de abusos sexuais em casas da saúde da Ordem Hospitaleira de São João de Deus. É aberto um inquérito pela Procuradoria Geral da República.

29 de Março de 2010 – Um cónego no Porto é acusado de pedofilia. O Caso recebe muita atenção mediática mas acaba por não ser levado a sério quando se descobre que o queixoso não merece grande credibilidade e estaria a agir por vingança pessoal.




Conceitos

Apesar de se falar genericamente de crimes de pedofilia, na verdade há vários conceitos à mistura.

Nalguns casos existe de facto pedofilia, isto é, o abuso sexual de uma criança pré-pubescente.

Quando, no entanto, os abusos são praticados sobre menores que já passaram a puberdade, o nome clínico é efebofilia. Não deixa, contudo de ser crime, independentemente da vontade do menor, desde que de idade inferior aos 16 anos.

A confirmar-se a prática de abusos sexuais no âmbito das casas de saúde da Ordem Hospitaleira, então pode não se tratar sequer de abusos sobre menores. Contudo, o abuso sexual de deficientes mentais é também um crime e, aos olhos da Igreja, é tratado segundo as mesmas orientações previstas para os casos de abusos sobre menores.

Cronologia iniciada a 28 de Dezembro de 2012, actualizada no dia 22 de Setembro de 2022

7 comments:

  1. Uma vergonha estar a incluir a noticia do dia 7 Julho na secção "Casos de abusos sexuais em Portugal"; enquanto os "jornalistas" não formem processados pelos falsos testemunhos e calunias" não irão parar.

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  2. 7 Jullho: o comunicado do patriarcado refere "linguagem inapropriada"; o fantastico Avillez traduz para "mensagens "obscenas""; assim vai o "jornalismo" neste pais...

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  3. já percebi: o Avillez pegou no texto do 7Margens e colou-o no comunicado do Patriarcado. Estamos no bom caminho...

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  4. Por último: dar relevância à noticia do 7 Margens que altera a dito comunicado do patriarcado sobre mensagens inapropriadas para obscenas diz tudo sobre o 7Margens. para além disso o 7Margens vai mais longe ao dedicar a 2ª parte do texto a fazer comentários sobre sobre o CL, a APECEF, movimentos pró-vida, tarapias de conversão de homosexuais, Maria Jose Vilaça, etc. Uma vergonha esta gente do 7Margens bem como todos os "jornalistas" que lhe dão voz e eco.

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  5. Meu caro, já desisti de me preocupar com as suas considerações sobre mim, mas gostaria de esclarecer umas coisas.
    1. O facto de a notícia do 7 Margens divagar na segunda parte da notícia não implica que a primeira esteja incorrecta.
    2. O 7 margens não adultera nada, porque a investigação do 7 margens antecede o comunicado, o comunicado, como é evidente, é uma reacção à notícia que já se sabia que ia ser publicado.
    3. Inapropriadas e obscenas são palavras diferentes, mas isso não significa que sejam contraditórias. Uma mensagem inapropriada não é necessariamente obscena, mas uma mensagem obscena é sempre inapropriada. Junte as peças se for capaz.

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    1. Caríssimo, os seus 3 pontos acima mostram bem a seriedade e assertividade com que faz as suas analises e comentários. Quanto às considerações que diz que faço sobre si está bem longe da realidade. Peço a Nossa Senhora que lhe conceda o Dom da sabedoria e faça bom jornalismo

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  6. “Esse “câncer diabólico” que é a calúnia, que nasce do desejo de destruir a reputação de uma pessoa, também agride o resto do corpo eclesial e o danifica seriamente quando, devido a interesses mesquinhos ou para encobrir as próprias falhas, se aliam para difamar alguém.” , Francisco

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