quinta-feira, 29 de março de 2018

O bom chefe é quem serve

Aproveito já para desejar uma Santa Páscoa a todos os cristãos! De hoje a segunda-feira só publicarei post em caso de notícias urgentes. Se tudo correr bem, não as haverá!

O Papa celebrou esta quinta-feira a Ceia do Senhor com reclusos, a quem lavou os pés, dizendo que bom chefe deve servir. Antes, na celebração da missa crismal, Francisco tinha pedido aos padres para serem próximos.

Mas não tem sido um dia fácil para o Vaticano. O jornalista italiano Eugenio Scalfari, que apesar de ter 93 anos insiste em transcrever conversas de memória, sem gravação e sem notas, publicou mais uma “entrevista” com o Papa. O Vaticano já negou a sua fiabilidade.

Também esta manhã a sala de Imprensa da Santa Sé publicou um desmentido, dizendo que não há assinatura “iminente” de qualquer acordo com a China. Um caso que temos acompanhado de perto.

O tríduo pascal em Fátima vai ter tradução simultânea em Língua gestual.

E esta quinta-feira apresentamos uma entrevista de fundo com D. José Traquina, bispo de Santarém. O bispo diz que as instituições sociais não estavam preparadas para ser empresas e levanta algumas questões sobre o acompanhamento de divorciados, dizendo que a resposta a este problema não pode ser discutir “que bispo tem a melhor nota”.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Coelhos fora-da-lei e heróis dos nossos dias

Cabeça de coelho ilegal na Áustria
Morreu D. António Santos, bispo emérito da Guarda. O funeral foi hoje.

Foi homenageado o polícia francês que deu a vida pelos reféns no caso de terrorismo da semana passada. Conheça também a história da menina nigeriana que recusou converter-se ao Islão e por isso continua refém do Boko Haram. Heróis dos nossos dias.

Continuamos na expectativa de saber se vai, ou não, haver acordo entre a China e o Vaticano. Entretanto os sinais que chegam não são os mais positivos, com mais um caso de um bispo leal a Roma detido.

Uma portuguesa entregou esta quarta-feira um presente muito original ao Papa Francisco. Veja aqui as imagens.

A Áustria aprovou o ano passado uma lei anti-burqa. Até agora foram advertidos turistas asiáticos, esquiadores e até a mascote do Parlamento. Um fracasso total, diz a polícia.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Robert Royal reflecte sobre o encontro pré-sinodal que teve lugar em Roma a semana passada e pesa os prós e os contras desta forma de pastoral juvenil. Uma análise interessante que vale a pena ler.

Duas Juventudes

No passado Domingo de Ramos, 2.500 alunos de 150 universidades em todo o mundo reuniram-se em Roma para o UNIVFORUM 2018, um encontro de uma semana para aprofundar a compreensão do catolicismo e a sua relação com o futuro do mundo. O Opus Dei tem organizado encontros do género desde 1968. Os delegados participarão numa audiência papal a apresentarão ao Santo Padre dinheiro que angariaram para caridade, bem como um mosaico de Maria, Mãe da Igreja (para os cristãos na Síria). As suas deliberações terminam no Domingo de Páscoa.

Estes não são, convém deixar claro, os 305 jovens delegados convidados pelo Papa Francisco para o encontro pré-sinodal que decorreu no Vaticano na semana passada, que eu descrevi noutro artigo. Esses jovens concluíram as suas actividades no mesmo Domingo de Ramos, apresentando ao Papa um relatório nalguns pontos útil, noutros previsivelmente contraditório e heterodoxo, em particular na esperança de que a doutrina da Igreja se possa adaptar de certa forma – independentemente das Escrituras, da tradição e das próprias palavras de Jesus – aos actuais modos de vida, em claro contraste com o Cristianismo histórico.

Resumindo, nestas duas semanas antes da Páscoa tivemos, em Roma, duas visões muito diferentes de como abordar os jovens. Admitamos, por uma questão de justiça, que ambas têm vantagens e desvantagens.

A UNIVFORUM 2018, como quase tudo o que é organizado pelo Opus Dei, é um evento bem pensado, com um enfoque claro. Inclui organizações e indivíduos que o meu colega George Weigel defende deviam estar presentes no sínodo de Outubro, pelas provas dadas em termos de sucesso de pastoral juvenil. O programa deste ano olha de forma particular para o Maio de 1968, com as suas expectativas utópicas, e pergunta se, meio-século mais tarde, as promessas de liberdade e felicidade humanas foram cumpridas.

Em contraste, a reunião pré-sinodal juntou um grupo heterogéneo (jovens católicos sérios, jovens católicos confusos, não crentes e até alguns muçulmanos). Alguns temas polémicos entraram na discussão, como por exemplo o apelo por mulheres cardeais, feito por defensores da ordenação feminina, mas em geral os delegados reflectiram os muitos temas que se esperaria ouvir de um encontro de jovens: um maior desejo por acompanhamento no desenvolvimento da fé (sem uma Igreja moralista ou julgadora), o papel das mulheres na Igreja, justiça social e alguma discordância quanto ao ensinamento da Igreja sobre sexo, casamento, homossexuais e celibato sacerdotal. Também houve questões sobre a própria existência de Deus e esperança de que a Igreja consiga explicar melhor a doutrina ou as escrituras. Alguns querem um acompanhamento mais próximo por parte da Igreja, outros temem que esse acompanhamento possa limitar a sua liberdade.

Temos aqui dois pontificados em operação. No evento do Opus Dei temos algo como a abordagem de João Paulo II no início de Veritatis Splendor, em que de evoca o “jovem rico” dos Evangelhos que pergunta a Jesus o que deve fazer para ter a vida eterna. A resposta, claro está, é deixar tudo e segui-lo. O enfoque principal é trabalhar sobretudo com jovens já comprometidos com a Igreja e ajudá-los a comprometer-se ainda mais para, só então, sair para convencer outros.

A segunda abordagem, do Papa Francisco, parte do princípio que muitos já abandonaram a Igreja porque também eles não gostam do que Jesus pede. Mas outros porque ainda ninguém lhes desafiou, ou porque não compreenderam bem. Ou então por causa de obstáculos colocados no seu caminho pela própria Igreja, que precisam de ser removidos.

Francisco costuma convidar as pessoas a falar sem medo e sem hesitações, pensando que “sempre se fez assim”. Esse convite ajuda-os a sentirem-se parte de um processo e traz assuntos à superfície. Mas também é um risco, pois ameaça virar as questões ao contrário. Uma boa parte dos participantes do encontro pré-sinodal – com pouca experiência de Deus ou do mundo – sentem-se menos chamados a mudar-se a si mesmos e mais a dizer; bem, se não é preciso fazer as coisas como sempre foram feitas, então é sobretudo a Igreja que deve mudar.

E deve, como devemos todos, se tenciona manter-se viva. A questão está em saber como. O grande Cardeal Newman costumava dizer que “a mudança é prova de vida e ser perfeito é ter mudado muito”. Mas há uma diferença entre uma mudança que conserva e enaltece fielmente e mudança que transforma em algo fundamentalmente diferente. Esse tipo de perspectiva desempenha um papel menor no relatório dos jovens. E não admira, porque da parte dos adultos houve pouco encorajamento por valores como a fidelidade e a verdade. A ênfase foi para que os jovens falassem na sua própria voz – uma categoria em tempos reservada a grandes poetas e romancistas, o que significou, como é costume com jovens, que a maioria dos delegados se limitou a ecoar aquilo que tem ouvido dos seus pares.

Papa Francisco com os jovens no encontro pré-sinodal
Há aqui muita coisa que não deve admirar os padres sinodais. Alguns jovens estão a sugerir que este documento mudará o rumo da Igreja. Um escreveu mesmo no Twitter que “Se este documento não resultar numa mudança sísmica em como ministramos a, e com, os jovens, então não está a ser lido correctamente”.

Mudanças sísmicas, mudanças de paradigma – na era das redes sociais há uma grande tentação de dramatizar, mesmo que se trate de um relatório de um comité de jovens, após um breve encontro com outros, previamente desconhecidos uns dos outros, e sugestões de 15 mil seguidores do Facebook. 

Mas o terreno não mudou e, recordemos, o objectivo não é simplesmente melhor pastoral juvenil. O que queremos sempre saber é se mais jovens vão ser conduzidos a Jesus Cristo – o verdadeiro, das Escrituras, preservado pelo Espírito Santo no seu Corpo Místico, a Igreja.

O acompanhamento costumava significar família, depois paróquia e comunidade. Os jovens reconhecem isto no seu relatório – bem como a crise das famílias, o futuro incerto de muitas paróquias e a hostilidade do Estado moderno para com a religião em geral e o Catolicismo em particular. Eles compreendem que algo tem de ser feito para compensar o desaparecimento de velhas formas de formar identidade, mas não sabem bem o quê.

E aqui está outro dilema: será que se pode beneficiar da força da Fé se rejeitar os necessários juízos não de pessoas, mas de verdade e falsidade, de coisas que exigem uma decisão? Coisas que podem restaurar a família, paróquia, sociedade, uma vez que estes não têm substitutos? Se a Igreja não der uma mão orientadora firme – se querem que ela lá esteja (como os pais) se falharem, mas não querem seguir os seus conselhos – então que utilidade terá para a maioria dos crentes?

O Papa Francisco publicou recentemente o livro “Deus é Jovem”, que reflecte, em parte a famosa fórmula de Santo Agostinho sobre a beleza de Deus: tam antiqua, tam nova, “sempre antiga, sempre nova”. Os jovens que vieram a Roma a semana passada alcançaram algo de valor real, embora parcial. Resta ver se os adultos, adultos responsáveis, conseguem retirar daí algo de bom em Outubro.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro é A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the Twentieth Century, da Ignatius Press. The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está também disponível pela Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Segunda-feira, 26 de Março de 2018)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Turquia e Estado Islâmico, BFF

Um homem matou três pessoas e feriu várias outras – incluindo um português – num atentado terrorista em França, antes de ser morto pela polícia. Há um herói na história, que trocou de lugar com um refém e acabou gravemente ferido.

O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico, o mesmo grupo terrorista que agora pode respirar de alívio na Síria. É que as Forças Democráticas da Síria, que lideravam o assalto terrestre contra os últimos redutos dos jihadistas, tiveram de interromper essa operação para poder defender o seu território junto à fronteira com a Turquia, que está a ser atacada pelos turcos e seus aliados.

Falei com o porta-voz das FDS, o cristão Kino Gabriel, que me explicou que a verdadeira razão pelo ataque turco é o medo do projecto democrático no nordeste da Síria. Diz também que o seu grupo está a ficar sem recursos para cuidar de milhares de ex-combatentes do Estado Islâmico e seus familiares e pede ajuda aos aliados ocidentais.

Parece que vem aí uma exortação apostólica sobre a Santidade. A data apontada é 2 de Abril. Veremos.


quarta-feira, 21 de março de 2018

É mesmo #melhorcontigo

Demitiu-se o responsável pela comunicação da Santa Sé. Monsenhor Dario Viganò não resistiu à polémica da carta de Bento XVI. Tudo explicado aqui.

A Europa está cada vez mais secularizada. Em alguns países mais de 90% dos jovens não se identificam com qualquer religião. Até aqui, nada de grandes surpresas, mas parece que Portugal está a resistir a esta tendência e os nossos jovens são substancialmente mais religiosos que nuestros hermanos do outro lado da fronteira, por isso nem tudo é mau!

O Papa Francisco vai a Dublin em Agosto para o encontro mundial das famílias.

E hoje é dia Mundial de Trissomia da Síndrome de Down. Foi com o maior gosto que pude dar notícia desta belíssima iniciativa, porque verdadeiramente, o mundo é #melhorcontigo. Com todos eles.

Hoje há artigo novo do The Catholic Thing em que o grande David Warren explica como é que apesar das suas más experiências numa escola católica no Paquistão – onde foi obrigado a ir à missa por ser branco, depois espancado pelos religiosos por ter ido à missa quando descobriram que afinal ele era protestante – ficaram as sementes que levariam à sua conversão, décadas mais tarde. É sempre um prazer ler este senhor, não percam!

A Missa & Nada Mais

David Warren
A história da minha conversão ao Catolicismo foi longa e complexa. Fui-me apercebendo disto ao longo dos quinze anos desde que fui recebido, tinha eu já 50 anos. É normal olhar para trás, e não devemos deter-nos, mas na tentativa de nos compreendermos não somos apenas uma bolha no presente. Para além disso, julgo eu, aprendemos coisas em retrospectiva que de outra forma nos escapariam.

Tudo começou quando tinha seis anos. O meu pai pós-protestante, do Canadá mas a leccionar na Escola de Artes de Lahore, no Paquistão, matriculou-me na escola de St. Anthony. É fácil explicar porque é que um homem com as suas opiniões me colocaria à mercê de maristas e jesuítas irlandeses. Julgava que eles tinham os mais altos padrões académicos, nada mais.

Certamente levavam muito a sério o conhecimento. “Scientia cum Virtute”, não vá eu esquecer-me.

Mas também constituíam uma paródia, nem sempre humorística, de tudo o que mais tarde viria a ser condenado na polémica dos colégios internos no Canadá. Levei a minha dose de tareias no recreio, e mais do que a minha dose dos próprios irmãos. Não aceitavam desculpas, não adiantava alegar inocência. No mínimo, aprendi muito sobre injustiça, sobretudo de um director que me parecia ser psicopata (e que mais tarde abandonou a Igreja para se juntar a uma comuna budista na Califórnia).

Mas também aprendi outras coisas, de professores sinceros; incluindo da Catedral do Sagrado Coração, junto à escola. Sendo branco, era obrigado a ir. Até que descobriram que eu era protestante e levei tareia por ter ido.

E o que é que aprendi lá, pergunta o querido leitor? Algo ainda rudimentar, mas que ficaria comigo ao longo dos anos.

Nessa altura eu acreditava no que a minha mãe ateia me tinha contado, que a Missa era um rito mágico primitivo, deslocado, pela sua própria natureza, do nosso mundo moderno, científico e racional. A um certo nível os católicos eram como os bárbaros selvagens. Segundo os seus antepassados presbiterianos, eles eram supersticiosos. Faziam coisas estranhas e inexplicáveis, como falar com os mortos e comer pequenos pedaços de pão, julgando tratar-se de carne humana.

Ainda assim, devíamos ser simpáticos com eles.

E aquilo que eu aprendi no Sagrado Coração foi que tudo isso era verdade, acrescentado de incenso e sinos. (Isto era no tempo da Missa em Latim; quando lá voltei, décadas mais tarde, era urdu e batuques.)

E havia mais uma coisa, mas levou-me anos a desvendar o que significava. Aprendi que tinha uma sensibilidade católica. E mais, que não tinha uma sensibilidade protestante. Que sempre que existia um conflito entre as sensibilidades, encontrava-me espontaneamente no lado católico. Como explicar isto?

A algum nível intuitivo, parecia-me que o catolicismo era fértil, e que a alternativa era estéril. São João Paulo II viria a colocar a coisa de forma chocantemente precisa mais tarde quando falou da distinção entre a Cultura da Vida e a Cultura da Morte, embora não lhe desse qualquer carga sectária. Estava a referir-se à mesma diferença fundamental de mundivisão que distingue os verdadeiros católicos de tudo o que os rodeia no mundo moderno.

Mas concentremo-nos na Missa. Tornei-me católico no início da minha vida adulta, mais precisamente um anglicano “high church” (por causa do incenso e dos sinos, mais uma vez), até que finalmente troquei Cantuária por Roma. Aliás, passei um quarto de século sempre à beira de transitar, cada vez que os anglicanos faziam mais alguma coisa não-católica. Entretanto, por boa educação, frequentei muitos casamentos, funerais e até baptizados em locais mais protestante e observei os seus costumes, de fora.

A primeira, e talvez a última coisa a saber sobre as nossas diferenças é que do lado de lá têm “serviços”. Para eles, a Missa não é “instrumental”. É um mero memorial, porque Cristo disse “fazei isto”. E eles fazem, da melhor forma que conseguem, tal como lhes foi dito, mas sem a magia.

Já os católicos também fazem como lhes foi instruído, mas para nós os sacramentos têm um efeito. Não são um memorial, mas um acto que alcança algo. É o “Sacrifício da Missa”, e os nossos crucifixos tendem a ter “o homenzinho”, como disse certa vez um funcionário descerebrado de uma loja de bugigangas. E parece que vai jorrar sangue por cima dos nossos sapatos.

Estou aqui a distinguir entre aquilo a que chamo o “instrumental” e o “simbólico”. Os símbolos são, neste sentido, coisas intelectuais. São exangues. Um académico pode escrever tudo sobre símbolos, sem compreender um único. Pode produzir um longo dicionário de símbolos e manuais de etnografia, com referências cruzadas e índices. E mesmo assim não entenderá nada. 

O mesmo se aplica a uma enciclopédia de anjos e demónios, santos, mártires, duendes e fadas, sem a menor crença de que alguma dessas coisas é real.

E uso aqui o termo “real” de forma propositada. Estou a aludir aos conflitos medievais entre realistas e nominalistas – que, muito plausivelmente, se encontra na raiz de cada uma das nossas reformas modernas (do Século XVI, XVIII e agora do XXI).

No cerne de cada um está a rejeição do realismo – a ideia de que existem coisas reais fora de nós mesmos, que são reais independentemente de as aceitarmos ou não. Por exemplo: verdade, beleza, bondade. Em contrapartida, dá-se um avanço do nominalismo que crê que o homem cria a realidade quando lhe dá nome. Tudo é, no fim de contas, uma “construção social”, incluindo os conceitos de homem e de mulher, de cima e baixo. 

E dessa perspectiva, desde novo que eu era susceptível ao Catolicismo, pois sempre acreditei na realidade, e que havia mais coisas no Céu e na Terra do que poderíamos imaginar. Nunca ultrapassei esta sensação, e espero que isso não aconteça.

Sou um realista. Creio que até o selvagem mais primitivo é inteiramente homem, por isso é igual a mim. Porque os homens são reais, e continuarão a sê-lo, independentemente do que lhos chamarmos.


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na sexta-feira, 16 de Março de 2018 em The Catholic Thing)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Estranhos suicídios e actividade pouco Formosa

Começou esta segunda-feira a reunião preparatória para o sínodo de Outubro, sobre os jovens. São 300 os jovens que estão em Roma para participar, incluindo três portugueses. O Papa quer que eles sejam levados a sério.

Não por acaso, hoje foi apresentado um novo livro-entrevista com Francisco, em que, entre outras coisas, ele diz o que diria a um suicida ou a uma prostituta.

Também hoje foi ordenado arcebispo o luso-canadiano José Avelino Bettencourt*. Durante a ordenação, o Papa disse que os bispos devem afastar-se de negócios, isto no dia em que um bispo brasileiro foi detido por corrupção e desvio de perto de 500 mil euros das paróquias de Formosa.

No Egipto o caso é mais sério. Um soldado cristão morreu no seu quartel. Oficialmente matou-se, não com um, mas com dois tiros no peito. Fosse caso único… É o 10º militar copta a morrer em circunstâncias suspeitas em 12 anos.

E agora um bom desafio quaresmal. Na quarta-feira vai haver uma conferência sobre o Santo Sudário na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, em Lisboa. Os organizadores avisam que a entrada é no Largo de Jesus, frente ao Liceu Passos Manuel e que há um parque de estacionamento. O conferencista é o jornalista João Paulo Sacadura. Só quem nunca o ouviu falar deste tema é que pode pensar que não vale a pena! Quem já ouviu saberá que vale a pena ir segunda, terceira ou quarta vez!

*Não, não adoptei a moda de alguns jornalistas de me referir aos bispos sem o “dom” a que têm direito. Pelo contrário, eu sou grande defensor do respeito por esse direito que está reservado a bispos de igrejas lusófonas. Mas precisamente porque é uma característica peculiar a estas, enerva-me quando tudo o que é bispo leva com D. antes do nome, mesmo que seja texano ou senegalês. E por uma questão de coerência, sendo José Avelino Bettencourt formalmente da Igreja Canadiana, não uso. Eu sei, é uma panca minha, vá-se lá entender… Todos temos um toquezinho de obsessão compulsiva.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Espadas, Islândia e Circuncisão

O Alcorão não fala nunca em espadas, mas só num capítulo do Antigo Testamento a palavra aparece 18 vezes. Quer isso dizer que uma religião é mais violenta que outra? O imã da Mesquita de al-Azhar considera que não.

Trata-se de uma das mais importantes figuras do mundo muçulmano e entrevistei-o ontem. Falou também da sua relação com as igrejas cristãs, nomeadamente com o Papa Francisco.

A razão da vinda do imã a Lisboa prende-se, entre outros, com os 50 anos da Comunidade Islâmica de Lisboa, que se assinalam hoje.

E agora uma notícia que não tem ponta por onde se lhe pegue… A Islândia está a ameaçar acabar com a circuncisão por motivos religiosos. Os bispos católicos da Europa estão preocupados, e bem.

O arcebispo emérito de Guam foi hoje condenado por um tribunal canónico, por abuso de menores.


quinta-feira, 15 de março de 2018

A diocese do Porto tem uma nova cara, e é linda!

D. Manuel Linda é o novo bispo do Porto.


Numa primeira mensagem à sua nova diocese, D. Manuel Linda diz que vai ser um pastor com cheiro de ovelha. Deixou também uma mensagem de saudades à diocese das Forças Armadas, que agora fica vacante.

Está em Portugal o imã da Mesquita de al-Azhar, que é uma das figuras mais importantes do mundo islâmico. Amanhã publico uma entrevista com ele, estejam atentos, e também amanhã ele vai à mesquita de Lisboa participar na celebração dos 50 anos da comunidade, altura em que será lançada uma colecção de selos comemorativos.

E ontem foi publicado mais um artigo do The Catholic Thing. Anthony Esolen fala de liberdade religiosa e objecção de consciência e deita abaixo o argumento tradicionalmente usado contra o direito à objecção de consciência, nomeadamente o das Testemunhas de Jeová que recusam transfusões de sangue. Afinal, explica, quem tem mais em comum com as Testemunhas de Jeová são aqueles que querem acabar com essa liberdade de consciência.

quarta-feira, 14 de março de 2018

As Testemunhas de Belial

Anthony Esolen
Nos últimos tempos tenho sido um comentador pouco frequente – e não muito bem-vindo – numa página chamada The Imperial Academy, que é gerida por académicos de esquerda. É suposto ser um local de partilha de conhecimento, mas na prática é dedicado às fofoquices políticas do dia. Não sei bem como é que lá fui parar, mas pode ter sido pela mão do meu amigo, o excelente Robert P. George. Encaro isso como um ministério menor, o meu esforço em escrever pequenas porções de verdade para uma congregação maioritariamente ateia e secularista.

E há uma coisa em que tenho reparado. Não fiquei admirado por ver que os membros do Imperial Academy têm pouco respeito pela religião. O que me espanta é a hostilidade e o desprezo, sem que se vislumbre qualquer esforço por compreender em que é que acreditamos ou porquê, e como devemos agir com base na nossa fé, ou pelo menos evitar agir contra ela.

O outro dia o assunto foi o aborto e os membros expressaram a opinião de que se alguém não quer praticar um aborto não deve entrar num campo que o requer. Por outras palavras, se não queres fazer abortos, não vás para medicina. Católicos – irlandeses ou de outra estirpe – escusam de se candidatar.

Eventualmente, nestas discussões, alguém joga o que pensa ser o ás de trunfo. A cartada das Testemunhas de Jeová. “Então”, diz, “suponho que aceitarias ter uma testemunha de Jeová como cirurgião ou como hematologista”, que são dois campos em que nenhuma testemunha de Jeová quereria entrar, pois as transfusões de sangue são uma componente necessária e regular do trabalho. Embrulha!

Mas não é o ás de trunfo. Talvez um rei de um naipe menor, orgulhosamente a passear pela mesa de jogo, mas prestes a perder a vasa. Eis a razão porquê:

Os católicos não apelam à escritura para ditar as especificidades da prática da medicina. Apelamos de forma geral à natureza das coisas e à razão. A medicina, por definição, remedeia. Se tens febre, a medicina restaura o teu corpo até à temperatura normal. Se tens uma infecção, a medicina restaura a ordem saudável ao teu corpo. Se tens um membro partido, a medicina arranja-o. Se és vulnerável a uma doença facilmente transmissível, a medicina fornece-te protecção. Se tens um órgão que não funciona como deve ser, a medicina cura-o. Se o corpo apenas pode ser salvo através da remoção de um órgão ou de um membro doente, a medicina faz na prática aquilo que o próprio corpo faz através do seu sistema autoimune.

Reparem que não estou a apelar a qualquer coisa extrínseca à medicina e ao corpo. A testemunha de Jeová apela, porque não há nada na natureza do sangue que sugira que a hemoglobina de um homem não pode, ou não deve, ser usada por outro, como nada impede que o ar que um homem inala seja inalado por outro na respiração boca-a-boca.

Mas no que toca a questões como o aborto, a esterilização e a mutilação sexual, a testemunha de Belial faz esse apelo extrínseco. Não apela a uma visão deturpada da escritura, mas sim a uma visão deturpada do papel da vontade individual, da conveniência política ou à demografia mundial. Por outras palavras, a testemunha de Belial deixou o mundo da medicina para trás.

Mas não há nada de errado com a criança no útero. Isso é um simples facto. Nem há nada de errado, evidentemente, com os sistemas reprodutivos dos pais da criança. Claramente, esses estavam a funcionar correctamente. O aborto não restaura a saúde a um órgão ou a um membro doente, não protege contra doenças transmissíveis, não cura, não salva uma pessoa em perigo de morte.

O aborto não remedeia. Logo, tem tanto de medicina como terá a amputação de um membro saudável, independentemente de envolver trabalho com e sobre o corpo.

O liberal contrapõe com o problema dos pais da testemunha de Jeová que tentam impedir os seus filhos de receber sangue de um dador. Mas também isto é, na verdade, um argumento contra o liberal, por duas razões. A primeira é que uma coisa é praticar um acto que outra pessoa considera moralmente condenável, com o propósito de salvar uma vida. Mas é outra coisa diferente tentar obrigar todos os profissionais médicos a participar nesse acto. Seria como tentar obrigar um pacifista a pegar em armas em tempo de guerra. Para quê? Que tipo de mente faria uma coisa dessas?

Belial
Mas há outra questão que o liberal não está a ver que o liga de forma trágica à testemunha de Jeová. É tão simples como isto: Em ambos os casos acabamos com uma criança morta. Tanto a testemunha de Belial como a testemunha de Jeová recorrem a factores extra-médicos para definir o que é próprio da medicina, e tanto a testemunha de Belial como a testemunha de Jeová acabam por ter nas mãos a morte de uma criança inocente.

Se há alguma distinção entre os dois, tem de ser a favor da testemunha de Jeová. Afinal de contas, ele é vítima de uma teologia infeliz, mas não deseja a morte do seu filho. A testemunha de Belial, pelo contrário, deseja precisamente isso. A testemunha de Jeová limita, desnecessariamente, a medicina. Mas ao exceder a medicina, a testemunha de Belial destrói a própria medicina. A testemunha de Jeová tem medo de fazer algo que possa salvar uma vida. A testemunha de Belial não tem qualquer temor em matar. A testemunha de Jeová quer que lhe deixem em paz. A testemunha de Belial não te deixará em paz. A testemunha de Jeová não quer violar a sua consciência, por mais deturpada que esteja. A testemunha de Belial quer obrigar-te a violar a tua.

A testemunha de Jeová está a pensar em Deus – de forma errada. A testemunha de Belial está a pensar em ambição, carreira, dinheiro e sexo. Porque no final de contas, vai dar sempre nisso: libertação sexual, compulsão estatal e crianças mortas.

Ah, e para terminar… Há um nome para o tipo de governo do Século XX que procuraria obrigar o pacifista a pegar em armas. Chama-se “fascismo”.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child. 

(Publicado pela primeira vez no sábado, 10 de Março de 2018 em The Catholic Thing)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 13 de março de 2018

Um brinde ao Papa Francisco!

Parabéns ao Papa Francisco, que hoje cumpre cinco anos de eleição. O Vaticano aproveitou o dia para lançar o trailer de um filme sobre Francisco, de Wim Wenders.

Bento XVI escreveu uma carta em que lamentou os “preconceitos tontos” daqueles que criticam uma alegada falta de profundidade teológica do Papa Francisco.

O Santuário de Fátima fez questão de recordar o dia e os bispos portugueses sublinham a sintonia que existe com este Papa.

E nada como assinalar este dia com uma boa cerveja! Se for como eu – em podendo – optará por uma belga… Mas cuidado, não enfureça os monges!!

E não deixe de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing, especialmente para os fãs daquele líquido sagrado… Água benta! (Pensavam que ia dizer cerveja, outra vez, não é…)

segunda-feira, 12 de março de 2018

Kabila contra os acólitos

A Igreja no Congo está a fazer frente ao Presidente. O custo é alto, mas a causa é justa, como explica uma fonte que contactei em Kinshasa e que conta histórias de dura perseguição.

O Papa Francisco cumpre cinco anos de pontificado amanhã. Hoje o padre Tolentino recordou o retiro que lhe pregou esta Quaresma e Adriano Moreira elogiou o Papa que reconheceu um mundo de desigualdades. D. Manuel Clemente considera que Francisco é um “grande estímulo evangélico”, mas Francisco continua horrorizado com a situação na Síria.

A semana passada falámos sobre um eventual acordo entre o Vaticano e a China. Falámos com um missionário que lá esteve e que se mostrou céptico, mas hoje trago-vos a opinião de um especialista que se mostra esperançoso.

Conheça o projecto “Short Girl”, que valeu um prémio internacional aos alunos de Educação Moral e Religiosa Católica de Miranda do Corvo.

Os Leigos para o Desenvolvimento estão à procura de voluntários para trabalhar em… Portugal.

Acordo com a China à vista?

Estarão Roma e a China à beira de um acordo histórico? Há quem diga que sim… Falei com um missionário que passou alguns anos na China e ele diz que é céptico, enquanto fala de como foi evangelizar “à socapa” naquele país comunista.

Paulo VI e Oscar Romero vão ser canonizados ainda este ano. O Papa autorizou esta quarta-feira.

Já foram escolhidos os três jovens que vão representar Portugal no encontro pré-sinodal, em Roma.

Hoje é dia de The Catholic Thing. Em tempo de Quaresma, venha daí um elogio a um aspecto da vida da Igreja que é muitas vezes desvalorizado… Viva a água benta!

quarta-feira, 7 de março de 2018

Elogio da Água Benta

Michael Pakaluk
Costumava-se dizer que o padre “fazia” água benta, não se limitava a benzê-la. O rito ainda consta do Ritual Romano. O padre faz água benta juntando sal exorcizado a água exorcizada.

Junta o sal em imitação do profeta Eliseu, que dessa forma purificou as águas de Jericó (2 Reis 2, 19-21): “Assim diz o Senhor: Sararei a estas águas; e não haverá mais nelas morte nem esterilidade.”

Neste rito a água benta é vista como uma criatura pura, comunicando o poder de Deus. Logo, tanto o sal como a água devem ser exorcizados primeiro, uma vez que a queda teve repercussões através de toda a criação material, dando a Satanás o domínio até sobre os elementos inertes.

Os exorcismos são impressionantes. Por exemplo, para o sal: “Eu te exorcizo, sal, criatura de Deus, pelo Deus vivo, pelo Deus verdadeiro, pelo Deus santo pelo Deus que ordenou ao profeta Eliseu que te lançasse à água, a fim de curar a sua esterilidade — para que te tornes sal exorcizado em proveito dos fiéis, dando a saúde da alma e do corpo aos que te usarem, fazendo fugir para longe dos lugares em que fores lançado, ilusões, malefícios e fraudes diabólicas, assim como todo espírito impuro, intimado por aquele que há de vir julgar vivos e mortos, e este mundo pelo fogo. Amen.”

Um exorcismo não é apenas uma oração mas sim, como diria o filósofo J.L. Austin, “algo feito com palavras”. O sal e a água são recriados, transformando-se de forma especial em armas contra o maligno. Assim, a oração final do padre sobre a mistura pede a Deus que a santifique para que “proporcione saúde da alma e do corpo a todos os que o tomarem, e que desapareça, de tudo o que for por ele tocado ou salpicado, qualquer impureza e ataque dos espíritos do mal.”

Creio que na maioria das situações a água benta nas igrejas hoje é benzida e não feita, com o padre a limitar-se a pronunciar uma bênção e a fazer o sinal da cruz por cima da água, frequentemente durante a missa.

Longe de mim, que não sou liturgista, afirmar que até a água benta foi diluída. Mas sim, também eu penso que se podemos seguir o exemplo de um grande profeta, e se podemos usar matéria exorcizada, por que não haveríamos de nos valer destes auxílios adicionais?

Certamente não nos convence o argumento de que a graça de Cristo basta, porque aí deixaríamos de ter razão sequer para usar água benta de todo. Mais, Cristo é um mediador que, na sua vida terrena, mostrou uma forte apetência para trabalhar através de matéria mediadora, tal como cuspo e pó.

Antes, sei por experiência que a água benzida funciona muito bem contra o demónio.

Uso o termo “experiência” no sentido lato e próprio daquilo que foi experienciado por aqueles em quem confiamos e não no sentido cartesiano atenuado daquilo que foi impingido aos meus sentidos em particular. Neste sentido, a experiência de Santa Teresa de Ávila é também a minha: “Tenho aprendido que não há nada como água benta para pôr os demónios em fuga e evitar que regressem”.

Muitos amigos têm-me dito o mesmo. Eram perturbados por sonhos deturpados, por exemplo, e depois de terem aspergido água benta na cama a cada noite, e de terem dito uma Avé Maria ou três, o problema desapareceu e nunca mais voltou. A minha experiência de vida tende a corroborar isto.

Os mesmos amigos, como seria de esperar, não deixam de recorrer à água benta quando metem os seus filhos na cama. O que me leva a outro elogio à água benta, para além da sua utilidade, isto é, a atracção que exerce sobre crianças e adultos que são como crianças.

As crianças são maravilhadas por sinos, fumo e fogo. A Igreja faz bem em apelar desta forma aos nossos sentidos. Mas se pensarmos bem a água, como o fogo, não é “suposto” estar dentro das casas. Por isso mesmo uma pequena vela – esse ponto de fogo brilhante, guardado por cera, mas com potencial de perigo caso consiga escapar – pode significar algo transcendente, a oração a subir, ou Deus e luz a descer.

É por isso que nos inclinamos para sermos aspergidos por água benta no Domingo de Páscoa, e molhamos os dedos na pia de água à entrada das igrejas. Como não é suposto haver água ali é fácil ver o influxo da graça de Deus e leva-nos facilmente a pensar no nosso próprio baptismo e na eficácia purificadora da confissão sacramental.

A família é uma igreja doméstica, não por si só, mas enquanto participante da vida da Igreja. Aquela pequena garrafa de água benta dentro de casa é um testemunho da realidade das Ordens Sagradas e do poder da Igreja nos sacramentos.

Como a água benta é considerada preciosa e só nos chega através do padre, é também uma forma de honrar o sacerdócio. E como a obtemos gratuitamente – basta trazer uma garrafa para a igreja para encher – ensina-nos que as coisas mais valiosas da vida não têm preço. São-nos dadas livremente por Deus, basta-nos procurá-las no sítio certo.

Por fim, a água é um elemento e a água benta é um elemento abençoado, testemunho da bondade da criação, da forma como a graça completa a natureza e a lógica da Encarnação.

A água benta contém todo um catecismo. Pode-se dizer que a verdadeira igreja não teria deixado de a criar e, uma vez que a verdade é sobredeterminada pelas provas, podemos também dizer que a existência e o uso da água benta, tal como 40 outras coisas, quase que basta para alguém se tornar católico.

Na tradição de São Francisco, gostaria então de dizer: “Bendito sejas, meu Senhor, através da Irmã Água Benta, que é muito útil, e humilde, e preciosa e casta”.


Michael Pakaluk, é um académico associado a Academia Pontifícia de São Tomás Aquino e professor da Busch School of Business and Economics, da Catholic University of America. Vive em Hyattsville, com a sua mulher Catherine e os seus oito filhos.
  
(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na terça-feira, 6 de Março de 2018)

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terça-feira, 6 de março de 2018

ONU reconhece AIS, mas DIL não reconhece ONU

D. Ilídio Leandro diz que já fostes...
A ONU reconhece o papel da fundação Ajuda à Igreja que Sofre na ajuda aos cristãos no Iraque.

Não obstante, o bispo de Viseu diz que a ONU já deu o que tinha a dar e deve ser substituída por outra organização.


Vai em peregrinação nos próximos tempos? Já existe um manual para se alimentar correctamente.

Já aqui falámos da portuguesa que foi educar refugiados no Chade. Agora Joana Gomes vai a Roma dar testemunho do trabalho que faz.

Em 2010 publiquei uma série de reportagens para o ano Sacerdotal. Foram 12 entrevistas a 12 padres diferentes, de outras tantas áreas pastorais. O padre Dâmaso foi um deles, e é o segundo a morrer. Tal como fiz com o padre Ricardo Neves, publico agora, e pela primeira vez, a transcrição integral dessa conversa com o bom padre Dâmaso.

E porque continua a circular um alerta falso sobre perseguição aos cristãos iraquianos da cidade de Qaraqosh, leiam este post e partilhem-no com quem vos tenha enviado a tal mensagem! Não vale tudo…

segunda-feira, 5 de março de 2018

"Ser padre é tão fantástico!"

Em 2009 e 2010, Ano Sacerdotal, fiz uma série de reportagens sobre padres de diferentes áreas pastorais, a que chamei "Vidas Consagradas". Desde essa altura morreram já dois desses padres, o padre Ricardo Neves e o padre Dâmaso, agora em Fevereiro. Na verdade, o padre Saul também morreu, mas no caso dele - o único padre católico casado em Portugal - a entrevista foi precisamente com a mulher dele e a Dª Maria Fernanda ainda está connosco!

Tal como fiz com o padre Ricardo, por ocasião da morte do padre Dâmaso publico agora a transcrição completa da conversa que deu origem à reportagem. Foi uma honra para mim fazer a entrevista, é uma honra poder partilhá-la convosco.


Nasceu na Holanda, sempre quis ser padre?
Eu senti-me muito cedo atraído por Deus, muito cedo. Vivíamos numa casa grande e eu e os meus dois irmãos tínhamos o quarto no segundo andar. Muitas vezes quando era rapaz ia para cima para rezar. A minha mãe ia à minha procura e perguntava o que é que eu estava a fazer e eu respondia que estava a rezar.

Senti-me muito atraído por Deus. Ia todos os dias à missa. Fiz-me acólito bastante cedo. Foi tudo muito natural, ninguém me empurrou, fui eu. Eu procurei isto tudo. Tem muita piada. Fiz a minha primeira comunhão com 7 anos de idade e praticamente desde esse dia até hoje, comunguei todos os dias. Eu vivia Jesus, vivia Deus. Por isso em 42, durante a 2ª Guerra Mundial comecei a pensar em ir para o seminário. Não pude ir logo porque nessa altura os quartéis eram bombardeados e eles ocupavam os seminários como quartéis, e então os seminários eram bombardeados e eles ocupavam outras coisas.

Mas comecei a ter uma orientação. Através dos sacerdotes da minha congregação que estavam lá perto. Havia vários padres que deviam ir para as missões mas não podiam, e interessavam-se por estes jovens que queriam ser padres mas não podiam ainda ir para o seminário.

Depois da guerra fui para o seminário e quis ser sacerdote e religioso. Quis consagrar realmente a minha vida a Deus.

Como era a vida nessa altura da Segunda Guerra Mundial?
Os rapazes da paróquia iam buscar lenha para os doentes e para os idosos, porque os alemães ficavam com o carvão todos. Era tudo muito miserável, mas vivíamos nisto e tentávamos ajudar.

Depois no último ano da guerra não havia mesmo nada para comer. Então os alemães, na sua “generosidade fantástica” começaram a oferecer comida aos holandeses. Era considerado tão ridículo. Aquela sopa que ofereciam era 99,9% de água, e não alimentava rigorosamente nada. Mas a gente não tinha nada e por isso aproveitávamos.

Como é que se começou a envolver na pastoral prisional?
Eu não queria ser pároco. Por acaso o Cardeal Cerejeira gostou muito de mim. Em 61 ele disse-me: “Oh Padre Dâmaso, eu gosto muito de si, só falta uma coisa na sua vida, que é ser português”, então eu perguntei se ele gostaria que eu me naturalizasse e ele disse que sim, que gostava muito. Ele queria-me prender à diocese. E então eu fiz isso. Eu fazia tudo o que o Cardeal queria. Viva com uma disponibilidade total, era a minha vida.

Queria dedicar-me aos necessitados. Queria ir para as missões, mas o cardeal tinha pedido mais uns padres holandeses para as missões populares, então o meu superior pediu-me para vir para Portugal e eu aceitei.

Em 69 fui convidado para fazer umas conferências na prisão de Tires. Tiveram um certo impacto e então pediram-me para fazer conferências noutras cadeias. E eu senti nisto um chamamento de Deus para me dedicar aos presos. O Cardeal não queria, achava que eu tinha qualidades para outras coisas, mas eu quis. Comecei por ser visitador voluntário. Este ano faz 50 anos que entrei numa cadeia pela primeira vez.

O que e que me movia? Movia-me dar a minha vida por gente que sofria, mais nada. Não sabia nada de presos, nada daquele mundo, ainda pensei em tirar um curso de psicologia, para me dedicar mais aos presos, mas não o fiz porque tinha matemática e eu detestava matemática. Mas os anos ensinaram-me muito, trabalhar uns anos na cadeia como sacerdote já dá um curso de psicologia.

Comecei por ser visitador no Linhó, porque aquele director ficou muito meu amigo, e também na penitenciária em Lisboa, que agora é cadeia de preventivos. Mas naquele tempo eram as duas cadeias principais desta zona. Linhó era de penas curtas, para homens, e a penitenciária era para penas mais longas.

Alcoentre era para gente da província, gente que tinha morto o vizinho por causa de uma galinha, ou um pedaço de terra. Homens bons. Era uma espécie de preso totalmente diferente.

Trabalhar com os presos é uma vocação?
Estou convencido que sim. Quem não tem vocação não deve lá ir.

Gratificante ou desgastante, como descreveria este trabalho?
Não é fácil. Mas é gratificante, para quem se quer dar, para quem quer fazer da sua vida dádiva. Também tem alguns momentos muito bons, em que damos graças a Deus, mas no princípio, é preciso meter-se no mundo dos presos. E para se meter no mundo dos presos é preciso renunciar a nós mesmos. Eu no princípio não fazia isto. Às vezes ia a sair da cadeia e mandava tudo aquilo para detrás das costas. Mas depois compreendi que não eram eles que tinham que mudar, eu tinha que mudar, eu tinha que me dar, sem procurar os meus próprios interesses, a minha própria vida. Eu tentei crescer nisto.

Já se encontrou em situações de perigo alguma vez?
Não. Perigo propriamente não. Tivemos muitos problemas e muitas dificuldades depois do 25 de Abril. Não logo, mas depois por uma política errada do Ministério de Justiça que prometeu uma amnistia mas que demorou muito tempo e os presos ficaram cada vez mais nervosos e por isso tivemos problemas. Houve dias que eu dizia ao guarda: “Eu vou entrar na parte prisional, se passado uma hora e meia não tiver saído, entrem à minha procura”. Podíamos entrar, mas não sabíamos se íamos sair.
Tive outro problema, quando um preso me bateu, mas logo os outros vieram para me defender. Não foi assim tão grave.

Assistiu a histórias de conversão?
Há conversões. Muitas vezes não vemos estas conversões, há conversões que às vezes ouvimos anos depois. O ano passado encontrei na rua um homem bem vestido com dois filhos pequenos e ele cumprimentou-me, eu disse que não o conhecia, mas ele disse que tinha estado no Linhó quatro anos no fim dos anos 60 e depois disse aos filhos: “Este é o padre da cadeia onde o pai esteve”, ele não se importou que os filhos soubessem que o pai tinha estado preso. Era um homem totalmente recuperado. E ele disse-me: “O senhor nunca soube, mas marcou-me profundamente. O senhor e o que fazia na cadeia. Por isso, embora muito tarde, quero agradecer-lhe pelo que fez por mim, porque você que me marcou naqueles quatro anos.”

Tenho muitos encontros destes. Homens que mais tarde me falam e dizem “o senhor significou muito para mim, foi isto, foi aquilo”, homens que vinham à missa ou não, mas eu convivia com os presos, como ainda convivo com os presos. Talvez haja mais conversões do que sabemos.

Há homens que encontraram alguma coisa na minha maneira de ser, outros não. Também há muitos que não se converteram. Mas estou convencido que um capelão marca muito a vida de uma cadeia, um capelão que se dedica. Eu vou muitas vezes aos pátios no Domingo à tarde para estar com os rapazes, porque a cadeia do Linhó é para jovens. E um tipo veio ter comigo e disse: “Sabe capelão, quando o senhor vem ter connosco, nós sentimo-nos mais valorizados”, a minha presença tem um certo impacto para eles.

Qual é o papel de um padre numa prisão?
Celebro missa. Antigamente tinha muita gente, antes do 25 de Abril era mais de 50%, depois diminuiu. Hoje são poucos, mas os rapazes cá fora também não vão à missa.

Mas naquele momento que celebro a missa Deus é o centro da cadeia. Vivo isto muito intensamente, naquele momento é Jesus Cristo que enche a cadeia, não só aquela sala, mas toda a cadeia com a sua presença. Isto é a eucaristia na cadeia, por isso para mim é muito importante. Celebro sempre a missa na cadeia com o cálice que os meus pais me ofereceram. Porque eu recebi tudo dos meus pais, a educação, a bondade, a minha mãe foi uma pessoa que também se deu pelos pobres e necessitados. Na Holanda os pais não mandam os filhos para a Igreja como fazem aqui. Nunca fui mandado para a Igreja. Os meus pais apoiavam-me, no fundo, mas não queriam obrigar-me.

Falo muitas vezes com a minha irmã mais velha e digo-lhe: “Eu sou o sacerdote mais feliz do mundo” e eu vivo muito isto.

A ideia que se tem é de que os reclusos tendem a recusar a responsabilidade pelos seus actos, como Padre pode ajudar nesse sentido?
Quando eu falo com um preso digo, “eu não sei se fizeste mal ou não. Isso é contigo”. Às vezes contam-me, outras vezes até me contam outras coisas más que fizeram, mas pelas quais nunca foram apanhados. Fazem-no para aliviar a consciência, não confessam, mas contam.

A nossa presença, o exemplo, a maneira de falar… eu procuro animar aquela gente, que eles vejam que estão numa cadeia, e uma cadeia é um não mundo, e eles podiam ter uma outra vida.

Procuro abrir-lhes os olhos, para eles pensarem. Eu não imponho nada, mas ajudo a que eles pensem e vejam a sua miséria, para que vejam as possibilidades de uma vida diferente. A este respeito não tenho resultados concretos muitas vezes, mas sei que tenho resultados. Nós padres, na cadeia não nos devemos impor. Nós acompanhamos, somos guias, temos uma missão. Eu trabalho muito com os educadores, falamos muito sobre determinados reclusos que me preocupam. Falo com os educadores o que é que podemos fazer por estes rapazes, por aquele homem? É este o espírito. Não ando à procura de resultados concretos.

Qual é a sua liberdade na cadeia? Pode estar à vontade com os presos?
Total! Total! Eu já faço parte daquela cadeia, estou lá há quase 50 anos, sou prata da casa. Estou lá há mais tempo que os guardas, sou o mais velho. Fui 6 anos visitador voluntário, mas nessa altura o capelão não gostava de o ser, e por isso quando tinha os domingos livres ia lá celebrar. Por isso já tive bastante influência, mesmo naqueles anos em que era visitador. Depois, em 66 o cardeal cedeu e nomeou-me para capelão para o Linhó.

Comecei a trabalhar, tenho liberdade de acção. Até fiz, durante muitos anos, parte do concelho técnico. Estive metido nas deliberações sobre os reclusos, e foi um trabalhão. Mas nessa altura eu dedicava grande parte da minha vida às cadeias, e era maravilhoso.

Fazia teatro e jogos com os reclusos. Naquele tempo podia-me dedicar mais. Depois fui nomeado capelão chefe e a minha vida mudou porque já não me podia dedicar tanto. Eu tenho acesso às celas disciplinares, a tudo.

É fácil celebrar missa e confessar? E outros sacramentos? Já baptizou ou crismou na cadeia?
Sim. Não o faço com facilidade. Quando um adulto quer ser baptizado tem de se comprometer a ser cristão. De outra maneira estamos a brincar. Por isso o rapaz tem de demonstrar que tem boa vontade e que quer ser cristão. Isso não é fácil. Mesmo assim tenho tido alguns fracassos… Mas há boas surpresas. Ainda há pouco tempo baptizei um rapaz, é maravilhoso aquele rapaz, ele não é muito inteligente mas é muito bom. Estou convencido que foi uma festa para ele e para os visitadores, foi muito bom.

Fale-nos de O Companheiro?
Eu a certa altura, em 66 fui à zona prisional da PJ para falar com um preso. Mas essa cadeia não era da Direcção Geral dos Serviços Prisionais, era da PJ e por isso não tinha previsto assistência religiosa. E os presos ficavam lá muito poucos dias, e depois iam para o Limoeiro.

Naquele tempo não havia muitos presos porque ainda não era o tempo da droga, isso só começou no fim dos anos 60 e princípio dos anos 70. Eu fui lá visitar um homem e havia só guardas e um inspector da PJ que era director. Não havia mais gente. Fui cumprimentar o inspector e ele achou graça a um padre que trabalhava nas cadeias, e disse: “Porque é que o senhor não vem cá mais vezes” e eu comecei a ir, uma manhã por semana, faço-o até agora. Nunca ganhei nem um centavo, vou voluntariamente, mas é bom. Estão lá aqueles que foram presos há poucos dias. Sentem-se um bocado perdidos no meio de certos presos, há lá muita malandragem também. Mas também há gente com cultura, temos lá um banqueiro neste momento, tivemos lá os da Universidade Moderna também, e esta gente anda lá perdida no meio daquele ambiente. Estou convencido que a minha presença é muito importante. É uma presença totalmente diferente do que numa cadeia de condenados, também o ambiente é totalmente diferente. Eles estão a dar os primeiros passos no mundo terrível das cadeias. E eu procuro ser uma presença positiva junto deles.

Mas havia lá rapazes que eu já tinha conhecido de outra cadeias. E eles diziam-me “ninguém nos ajudou!” e eu fundei o companheiro precisamente para presos em dificuldade, e ex-reclusos em dificuldade, para que eles pudesse contar com ajuda, e contar com trabalho, durante algum tempo enquanto procurem uma coisa melhor. Procuramos ajudar todos os ex-reclusos em dificuldade, e também outros. Eu nunca quis que nos estatutos estivesse ex-reclusos para que as pessoas lá à volta não pensassem que só lá estavam ex-reclusos. E isto funciona.

Gosto imenso daquilo, porque é muito importante, conseguimos que certas pessoas não voltassem para a cadeia. Ao mesmo tempo, presos que não têm para onde ir numa precária, podem vir ter connosco. Também damos hospedagem a reclusos em precárias. E também ajudamos em outras coisas, tentamos ser uma presença de ajuda para pessoas em necessidade.

E prisões femininas?
Fui quase seis anos capelão em Tires. A mulher é completamente diferente do homem, as mulheres não nasceram para ser presas. O homem adapta-se mais facilmente que as mulheres. Antes do 25 de Abril havia lá mais prostitutas e esse tipo de mulheres. Actualmente temos em Tires umas 25 nacionalidades, sobretudo por causa da droga, e temos mulheres que matam o marido. E isto para mim é uma tristeza, porque muitas das mulheres que matam o marido já passaram por uma Via-sacra, por muitas humilhações, muitos problemas. Tenho uma ternura por estas senhoras. Elas aceitam, porque mataram o seu marido, mas no fundo não estão arrependidas. Porque sofreram tanto dos seus homens… isto é completamente diferente dos homens que matam as suas mulheres. Pode haver excepções, mas normalmente é totalmente diferente. Acontece principalmente na província. Porque estas mulheres passaram por tantos sofrimentos, tantos castigos, tantas pancadarias, é impressionante. Às vezes há pessoas da família que me contam que de facto compreendem o que aquela mulher sofreu, mas pronto, a lei é para cumprir, eu não vou discutir isso, mas acho que deviam estar pouco tempo na cadeia, porque a cadeia em si não resolve nada. Estas mulheres já estão recuperadas porque o marido morreu…

Mas foi bom ter estado uns anos com mulheres, foi bom abriu-me o mundo das mulheres nas cadeias, e completou a minha formação geral para lidar com presos e com presas. Ainda há mulheres que me procuram, que já estão em liberdade mas que têm necessidades, principalmente mulheres daquele tempo, mas também, mulheres que me ouvem na Rádio Renascença, por isso ainda tenho contactos com mulheres. Normalmente são contactos diferentes do que com os homens. Os problemas são diferentes, precisam mais de uma palavra de ânimo, precisam de apoio, porque se sentem sós, não compreendidas pelos filhos, por exemplo.

As principais figuras do cristianismo passaram pela prisão, fala disso aos presos?
Sim, mas a motivação deles é muito diferente, e eles sabem isso. Não posso usar isso demasiadamente, porque é outro mundo, é outra motivação. Para mim, o meu contacto com os presos, principalmente aos sábados de manhã temos uma reunião informal com presos, à qual vão alguns visitadores, é o Evangelho. Eu vivo Jesus Cristo muito intensamente, tenho vivido sempre ao longo da vida, é ele que procura comunicar. Jesus Cristo que compreende, que perdoa, que quer salvar, que nos quer fazer homens novos. Em volta de Jesus Cristo podemos comunicar muito aos reclusos.

O que é para si ser Padre?
É felicidade, é gratidão. É tão fantástico. Não tenho palavras. Ser padre é… é tudo. Ser Padre, viver a consagração… todos os dias eu posso viver a consagração. Jesus ofereceu a sua vida, isto é o meu corpo entregue por vós, este é o meu sangue derramado por vós. Eu vivo de manhã para a consagração e o resto do dia vivo a partir da consagração. Ser padre é a consagração da Eucaristia. É maravilhoso, é tudo.

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