quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

3 - A Sociedade de São Pio X e os 360º

O líder da SSPX e o Papa Bento XVI
Todos conhecem a famosa (e provavelmente apócrifa) história do futebolista que se alegra por a sua vida ter dado uma volta de 360º…

Pois foi mais ou menos isso que se passou, até agora pelo menos, nas conversações entre o Vaticano e a Sociedade de São Pio X, que reúne os tradicionalistas que seguiram o Arcebispo Marcel Lefebvre e estão em situação de ruptura com Roma.

Durante a primeira metade do ano de 2012 falou-se e escreveu-se muito sobre a iminência da reunificação. Foi uma verdadeira montanha russa que começou com aproximação, depois aparente afastamento, depois aproximação tão grande que importantes vaticanistas e comentadores chegaram a dar o acordo por certo e, finalmente, o balde de água fria que foi a certeza de que não se tinha chegado a acordo.

Os documentos são confidenciais mas o que se sabe é que o Vaticano estava disposto a oferecer aos SSPX uma prelatura pessoal que lhes daria autonomia para se governarem, em comunhão plena com a Santa Sé. Mas ao que parece a exigência de que o grupo aceitasse que o Concílio Vaticano II não representava qualquer ruptura na doutrina da Igreja parece ter sido demais para o Bispo Fellay, actual líder do grupo, e os seus seguidores.

Muitos foram os que vaticinaram que este diálogo “ou ia ou rachava”, por assim dizer. A confirmar-se essas previsões, então rachou e os tradicionalistas poderão estar agora a sair definitivamente da órbita de Roma.

Se isso se confirmar, então é pena. Por um lado porque esta era uma reunificação muito desejada por Bento XVI, que investiu nela a grande custo pessoal. Por outro, porque assim aumenta a probabilidade de a SSPX começar a entrar na espiral de loucura que costuma caracterizar estes grupos cismáticos.

Apesar do fracasso do diálogo, pelo menos aparentemente e até agora, os efeitos não deixaram de se fazer sentir. Um dos quatro bispos tradicionalistas, o anti-semita e ferozmente anti-romano Williamson, foi afastado da sociedade e alguns padres saíram também para formar um novo grupo (acção típica da espiral de loucura de que falava).

É claro que o diálogo continua mas neste momento, e ao contrário do que pensava há seis meses, julgo que a reconciliação será bastante pouco provável.

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