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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Recados sobre o Brexit no Natal egípcio

Christmas like an Egyptian
O Papa Francisco falou hoje ao corpo diplomático na Santa Sé e, em tempos de Brexit, saudou os benefícios da integração europeia, para além de ter referido uma enorme variedade de outros assuntos da atualidade. Tudo aqui.

Hoje é Natal para muitos cristãos do Oriente, incluindo os coptas, a quem o Papa Francisco saudou de forma especial, durante a inauguração de uma nova catedral.

Um cardeal francês começou hoje a ser julgado por alegadamente encobrir um caso de abusos sexuais.

Durante o fim-de-semana o Papa Francisco pediu aos países europeus que acolham os refugiados que estão neste momento abordo de dois navios de organizações não-governamentais, no Mediterrâneo. Na sexta-feira passada falei precisamente com o tripulante de um desses navios, que considera uma vergonha a atitude da Europa neste caso.


E parece que o Vaticano não se vai imiscuir na questão da exumação de Francisco Franco, em Espanha.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

D. Manuel Linda e a virgindade de Nossa Senhora

Adenda II

No dia 27 O Observador publicou um novo artigo em que pede desculpa ao bispo por ter deturpado as suas palavras e lhe dá voz para esclarecer a sua posição. O artigo explica ainda por que é que seria grave que um bispo - ou qualquer católico, já agora - negasse a virgindade de Nossa Senhora. 

O que é interessante sobre este segundo artigo é que é assinado pela mesma jornalista que assina o primeiro, mais um colega dela que se tem especializado em religião nos últimos tempos e ainda o director executivo do Observador... É pelo menos indicativo da dimensão que a coisa assumiu lá dentro.

Queria só dizer ainda que, da mesma forma que comecei este artigo a dar o benefício da dúvida ao bispo, porque conheço os jornalistas, também não garanto que a jornalista original tenha toda a culpa do que se passou e também hesitaria muito antes de a crucificar a ela. Se D. Manuel Linda não foi claro da primeira vez que falou, então também tem culpas e convém lembrar que antes de um artigo ser publicado passa sempre por editores e nem sempre o jornalista pode ser responsabilizado pelo resultado final.

Lição? Cuidado a tratar assuntos de religião. Cuidado a falar com jornalistas. E já agora mais vale não crucificar ninguém, mesmo.



Adenda I

Desde que escrevi este texto, no dia 24, D. Manuel Linda proferiu a seguinte frase, na homilia da missa de Natal:
"Evidentemente, não haveria Natal sem a Virgem Santa Maria, Aquela que, de acordo com a fé da Igreja -que é também a minha fé!-, é proclamada “virgem antes, durante e depois do parto”, de maneira expressa a partir do Sínodo de Milão (ano 390), ou “Mater intacta”, como dizemos na ladainha. Saudamo-la e agradecemos-lhe profundamente o seu insubstituível contributo para a história da nossa salvação."




Este não é um texto a crucificar D. Manuel Linda. Este é um texto escrito por um jornalista de religião, que sabe bem como é que se costuma escrever sobre religião na imprensa, e que por isso quer dar a D. Manuel Linda o benefício da dúvida.

Há aí muita gente preocupada com um artigo que saiu hojeno Observador. É mais um daqueles artigos a “desmistificar” o Natal, que explica que provavelmente não foi neste dia que Jesus nasceu, que se calhar nem nasceu em Belém, que os cristãos adaptaram a festa da Saturnália… Enfim, nada de novo, e até pode ser interessante para algumas pessoas que não o tenham lido já em artigos idênticos, publicados todos os anos. Mas eu, que sou jornalista, sei melhor que ninguém que por vezes temos de escrever peças destas. Aqui, portanto, nada contra ninguém.

O problema surge nesta frase. «Jesus não é filho de uma mulher virgem, explicam quer o padre Anselmo Borges quer o bispo D. Manuel Linda. Ele foi concebido por Maria e José como qualquer outra pessoa e é “verdadeiramente homem”. A virgindade só é associada a Maria como metáfora para provar que Jesus era uma pessoa muito especial.» 

Que o padre Anselmo Borges pense isto e o tenha dito, não tenho grandes dúvidas. Mas se D. Manuel Linda o pensa e o diz, então é grave. É grave porque contraria um dogma de fé, de que Maria era virgem quando concebeu Jesus e que assim permaneceu.

Mas será que D. Manuel Linda disse mesmo aquilo que o jornal diz que ele disse? É aqui que lhe dou o benefício da dúvida. Que citações é que há?

«O bispo do Porto refere ao Observador que “nunca devemos referir a virgindade física de Virgem Maria”: “O Antigo Testamento diz muitas vezes que Jesus iria nascer de uma donzela, filha de Israel, que fosse simples, pobre e humilde. Mas na verdade isso é apenas uma referência à devoção plena dessa mulher a Deus. O dom de ser mãe de Deus foi dado a Maria por ela ter um coração indiviso. O que importa é a plena doação“, explica D. Manuel Linda. E acrescenta: “Há com certeza mulheres com o hímen rompido [que é associado ao sinal físico da perda da virgindade por uma mulher] que são mais virgens no sentido da plena devoção a Deus do que algumas com o hímen intacto”.»

Neste trecho é claro que D. Manuel Linda se está a referir à virgindade no sentido estritamente anatómico, de ter o hímen íntegro. Não há nada aqui que justifique o que O Observador escreve antes, que o bispo terá dito que Jesus foi concebido através de uma relação sexual entre Nossa Senhora e São José. Se o disse, então, não há citação, e eu sei demais sobre estas coisas para simplesmente confiar na interpretação feita pelos autores da peça.

A questão da integridade do hímen como condição de virgindade é algo que o nosso tempo não compreende, mas que noutros tempos já foi considerado fundamental. A dificuldade biológica é que, salvo intervenção milagrosa, Jesus não poderia ter nascido de forma normal sem romper o hímen de Nossa Senhora de qualquer maneira. Mas isso significa que ela deixava de ser virgem?
Santo Agostinho, salvo erro, aborda esta questão e fala mesmo em intervenção milagrosa, dizendo que Jesus passou através do hímen como a luz através de uma janela. A mim, francamente, a questão nem aquece nem arrefece.

Certamente o espírito tanto do texto como da doutrina da Igreja é que Jesus não foi concebido através de uma relação sexual, mas sim por intervenção divina. Há várias formas de se romper o hímen e não nos passa pela cabeça, hoje, questionar a virgindade de uma mulher que nunca tenha tido relações sexuais por ela ter, ou não, essa membrana intacta.

A questão que se põe é: D. Manuel Linda acredita que Jesus foi concebido sem que Nossa Senhora tivesse tido relações sexuais com nenhum homem? Eu não quero acreditar que a resposta seja negativa e sugiro aos indignados que dêem o benefício da dúvida, até que o próprio possa esclarecer a questão.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Europa sem Sharia e reclusos no circo

Estou de volta depois de uma ausência motivada por horários nocturnos, dias de folga e excesso de trabalho. Certamente já morriam de saudades!

Começo por vos informar que foi preciso esperar por 2018 para a Sharia deixar de ser obrigatória na… Grécia. Leu bem. Saiba porquê.

O Papa teve um dia ocupado. Começou por assumir o controlo directo de mais uma organização católica conservadora envolvida em escândalos de abusos sexuais e ainda teve tempo de convidar 2.100 sem-abrigo, presos e refugiados para ir ao circo.

Boas notícias de Angola, onde a Igreja venceu a “guerra da rádio” contra o regime. A Ecclesia vai poder emitir para todo o país.

No dia 7 assinalou-se o Natal para os cristãos que seguem o calendário juliano. No Egipto, onde a data tem sido ocasião para atentados nos últimos anos, correu tudo bem mas em Belém o patriarca greco-ortodoxo passou um mau bocado, tendo sido insultado por uma multidão que lançou ovos e pedras contra o seu carro. Os responsáveis? Não foram muçulmanos, foram os seus próprios fiéis. Veja porquê.

Depois de na semana passada o The Catholic Thing nos ter desafiado a largar a ira durante 2018, hoje o grande Randall Smith pede-nos para dar um passo atrás antes de embarcar nas discussões já cansadas entre liberaise conservadores sobre problemas como a educação católica, os processos de nulidade e outros e perceber quais são as verdadeiras origens destes problemas. É boa leitura, não deixe de ver!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A Vaca, o Burro e Nós

Bento XVI
Quem não compreende o mistério do Natal, não compreende o elemento decisivo do Cristianismo. Quem não aceitou isto não pode entrar no Reino do Céu – e foi isso que São Francisco de Assis quis recordar novamente aos cristãos do seu tempo, e das sucessivas gerações.

Francisco ordenou que a vaca e o burro deviam estar presentes no presépio na gruta de Greccio na noite de Natal. Disse ao nobre João: “Desejo em toda a realidade acordar a lembrança da criança tal como nasceu em Belém e todas as dificuldades que teve de suportar na sua infância. Desejo ver com os seus olhos corporais o que significou ter de repousar numa manjedoura e dormir na palha, entre uma vaca e um burro.”

A partir de então a vaca e o burro tiveram o seu lugar em todos os presépios – mas de onde vêm na realidade? É bem sabido que não são mencionados nas narrativas de Natal do Novo Testamento. Quando investigamos esta questão descobrimos um factor importante em todas as tradições associadas ao Natal e, na verdade, em toda a piedade do Natal e da Páscoa na Igreja, tanto na liturgia como nas devoções populares.

A vaca e o burro não são simplesmente produtos piedosos da imaginação: a fé da Igreja na unidade do Antigo e Novo Testamento deu-lhes um papel no acompanhamento do evento do Natal. Lemos em Isaías: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (1,3). Os padres da Igreja viram nestas palavras uma profecia que apontava para o novo povo de Deus, a Igreja composta tanto por judeus como por gentios.

Diante de Deus todos os homens, Judeus e Gentios, eram como a vaca e o burro, sem razão nem conhecimento. Mas a criança no presépio abriu-lhes os olhos e agora reconhecem a voz do seu Mestre, a voz do seu Senhor. É notável como nas imagens medievais da Natividade os artistas dão aos dois animais faces quase humanas e como eles se colocam diante do mistério da criança e baixam as cabeças em atenção e reverência.

Mas isto era, na verdade, uma questão de lógica uma vez que os dois animais eram considerados símbolos proféticos para o mistério da Igreja – o nosso próprio mistério, uma vez que não passamos de vacas e burros diante do Deus Eterno, vacas e burros cujos olhos se abrem na noite de Natal, para que possam reconhecer o seu Senhor no presépio. Quem o reconheceu e quem não o reconheceu? Mas será que o reconhecemos mesmo?

Quando colocamos uma vaca e um burro junto ao presépio devemos lembrar-nos da passagem inteira de Isaías, que é não apenas a boa nova – no sentido de uma promessa de um conhecimento futuro – mas também o juízo pronunciado sobre a cegueira contemporânea. A vaca e o burro têm conhecimento, “mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende”.

Quem são a vaca e o burro hoje, e quem são “o meu povo” que não compreende? Como podemos reconhecer a vaca e o burro? Como podemos reconhecer “o meu povo”? E porque é que o irracional reconhece, enquanto a razão é cega?

Para descobrirmos a resposta devemos regressar com os Padres da Igreja ao primeiro Natal. Quem o reconhece? E quem não o reconhece? E porquê?

Aquele que não o reconheceu foi Herodes, que nem compreendeu aquilo que lhe disseram sobre a criança: em vez disso o seu desejo de poder e a paranoia que o acompanhava cegaram-no ainda mais (Mt. 2,3). Aqueles que não o reconheceram eram “toda Jerusalém com ele” (ibid). Aqueles que não o reconheceram eram as pessoas “ricamente vestidas” – aquelas com posição social elevada (11,8). Aqueles que não o reconheceram eram os mestres do conhecimento que eram especialistas na Bíblia, os especialistas na interpretação bíblica que, admita-se, conheciam as passagens correctas nas escrituras, mas mesmo assim não compreendiam nada (Mt. 2,6).

Mas aqueles que o reconheceram foram “a vaca e o burro” (em comparação com os homens de prestígio): os pastores, os magos, Maria e José. Mas as coisas poderiam ter sido de outra forma? Aqueles de condição social elevada não estão no estábulo onde descansa o menino Jesus, mas é aí que vivem a vaca e o burro.

E nós? Estamos longe do estábulo porque as nossas roupas são demasiado ricas e somos demasiado inteligentes? Envolvemo-nos de tal forma na exegese sofisticada das Escrituras, nas demonstrações da inautenticidade ou da verdade histórica de passagens individuais, que nos tornamos cegos ao menino em si e não entendemos nada dele?

Estamos de tal forma “em Jerusalém”, no palácio, em casa em nós mesmos e na nossa arrogância e paranoia, que não conseguimos ouvir a voz dos anjos na noite para que partamos a adorar a criança?

Nesta noite, então, as caras da vaca e do burro olham para nós com uma interrogação: O meu povo não compreende, mas tu discernes a voz do teu Senhor? Quando colocamos as figuras familiares no presépio devemos pedir a Deus que nos dê corações simples que descubram o Senhor na Criança – tal como Francisco fez em Greccio. Porque aí talvez nós também possamos experimentar aquilo que Tomás de Celano relata sobre aqueles que participaram na missa do Galo em Greccio – com palavras que se assemelham às de São Lucas sobre os pastores na primeira noite de Natal – “voltaram todos para as suas casas cheios de alegria”.


Excerto do livro “A Bênção do Natal”, de Joseph Ratzinger

(Publicado pela primeira vez na segunda-feira, 25 de Dezembro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Quem não gostava de receber um Lamborghini para o Natal?

Faltam 40 dias, mas já cheira a Natal… A FEC já lançou o seu projecto dos presentes solidários e o Bazar Diplomático começa na sexta-feira, dia 17. Mas o melhor presente de todos, até agora, é o Lamborghini do Papa

Mas com ou sem carro de luxo, o Papa vai almoçar com 1.500 pobres no Dia Mundial dos Pobres, que se realiza este ano pela primeira vez.

Há uma suspeita de desvio de fundos por parte de um padre em Vila Real. A Cáritas – alegadamente a visada do desvio – está a colaborar com as autoridades, informa.

Os bispos consideram que os incêndios e a seca obrigam a rever a relação com o ambiente. É um dos temas em cima da mesa na reunião plenária da CEP.

A recente mania de derrubar estátuas e referências a figuras históricas – que até já chegou a Portugal – é o que está por detrás do artigo desta semana do The Catholic Thing. O jovem Casey Chalk foi ver o que Jesus acha sobre o revisionismo histórico.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Feridos de Medo

[Nota prévia: O The Catholic Thing é uma organização não-lucrativa que depende unicamente de donativos dos seus leitores e benfeitores. Todos os anos, por esta altura, faz-se uma angariação de dinheiro. Qualquer valor é bem-vindo para poder ajudar o site a publicar um artigo novo, todos os dias do ano, em várias línguas diferentes. O Actualidade Religiosa tem um acordo com o The Catholic Thing e publica um desses artigos por semana. Contudo, como já referi várias vezes, os vossos donativos irão directos para o The Catholic Thing e não passam por aqui. Para fazer uma contribuição basta clicar aqui]

Anthony Esolen
“Não há por aí ninguém”, clama um Charlie Brown desconsolado, “que me possa dizer qual é o verdadeiro sentido do Natal?”

“Claro, Charlie Brown”, responde o Linus. Ele é um pequeno teólogo, apesar da mantinha. “Eu posso-te dizer qual é o verdadeiro sentido do Natal”. Então, com um foco centrado nele, o mesmo rapaz que nunca consegue memorizar as duas ou três linhas para a festa de Natal recita, palavra por palavra, estes versículos da Bíblia de King James*:

Nas proximidades havia pastores que estavam nos campos e que durante a noite cuidavam dos seus rebanhos. E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu a eles e a glória do Senhor reluzindo os envolveu; e ficaram feridos de medo.
Todavia o anjo lhes revelou: “Não temais; eis que vos trago boas notícias de grande alegria, e que são para todas as pessoas:
Hoje, na cidade de David, vos nasceu o Salvador, que é o Messias, o Senhor! Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em panos e deitado sobre uma manjedoura”.
E no mesmo instante, surgiu uma grande multidão do exército celestial que se juntou ao anjo e louvavam a Deus entoando:
“Glória a Deus nos mais altos céus, e paz na terra às pessoas que recebem a sua graça!”

“E esse, Charlie Brown, é o verdadeiro significado do Natal”, diz o Linus.

Sim, eu sei que é apenas uma banda desenhada, mas o rapaz que nunca faz nada bem, que é gozado por todos, incluindo os seus colegas e até mesmo o seu cão, grita do fundo da sua angústia e da sua solidão. É noite. Para o pecador, é sempre anoitecer, ou noite, ou luz dura e metálica, acompanhada do som das suas tentativas desesperadas para tentar manter a noite afastada.

Porque é que partimos do princípio que alguém ficaria contente por vislumbrar a glória do Senhor? Os pastores não ficaram contentes. A sua noite calma e ordeira foi destroçada. Temeram com grande temor, diz São Lucas, que falava fluentemente grego, mas que aqui usou uma frase de origem semítica, como se tivesse a traduzir algo que um falante de aramaico, ainda atónito, lhe tivesse relatado.

As novas traduções retiram a duplicação e mudam a frase para “E tiveram muito medo”. Os tradutores da versão King James, que normalmente tinham cuidado para preservar o som e a cor do original, aqui forçam um bocadinho a linguagem à procura de algo que dê ideia não só do grau do medo, mas do tipo de medo. Por isso, de forma incaracterística, transformam um verbo no seu adjectivo e adicionam um modificador raro: “They were sore afraid” [não tendo encontrado qualquer versão satisfatória em português, penso que a expressão “Ficaram feridos de medo” melhor traduz o espírito e o sentido desta expressão].

Os pastores não são os primeiros nas Sagradas Escrituras a sentir medo. Zacarias fica perturbado de medo quando lhe aparece o anjo Gabriel, trazendo-lhe a boa notícia de que iria ter um filho, João, que seria grande aos olhos do Senhor. Maria também se sentiu perturbada quando Gabriel lhe apareceu para dar a boa notícia de que iria ter um filho, Jesus, que seria chamado Santo, o Filho de Deus.
 
Linus a brilhar
Agora estes homens simples, no meio das tarefas comuns de uma vida dura, acordados debaixo das estrelas ou a dormir aconchegados contra o frio, ouvem uma Boa Nova destinada à humanidade e também eles sentem medo. É como se este primeiro encontro com a Glória de Deus trouxesse consigo a dor – a dor da primeira e humilde tentativa do homem pecador e finito que convida Deus Santo e Todo-Poderoso a entrar no seu covil.

Já ouvi dizer que palavra “sore” na versão antiga, era usada como um intensificador, como a sua prima alemã “sehr”, que significa “muito”. Mas não é o caso; no Inglês Antigo, “sar” significava “sore”, tanto a ferida como a dor, e ganhou a sua força adverbial desse significado fundamental; alguém que é “sorely” desejada não é simplesmente alguém que é muito desejada; aquele que deseja, deseja de forma sofrida. E quem foi, ou é, mais desejado que Jesus?

Os pastores, então, estavam de facto “feridos de medo”: como estaria qualquer pessoa com um mínimo de reverência. Quando Isaías viu os anjos a servir ao altar de Deus, clamou que certamente deveria morrer, pois ninguém pode contemplar O Santo e viver.

Maria contemplaria a face do menino Jesus, sabendo de uma forma que dificilmente conseguiria explicar, que estava a contemplar a divindade. O seu medo surgiu antes do momento da concepção, mal viu o anjo. O nosso medo, o medo sofrido da humanidade, vem depois, quando ouvimos as notícias que abalam o mundo.

Nós, católicos, temos como dogma que Nossa Senhora não sentiu dores de parto. Somos nós que devemos sofrer para o receber e então, com a ajuda de Nossa Senhora das Dores, aguardar a sua vinda consumada, pois a mulher que está a dar à luz sofre dores e tem medo, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebé nasce, ela já não mais se lembra da angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo o seu filho.

Mas este não é um medo que paralisa. Longe disso. O medo é sofrido, mas traz de volta o sentido aos nossos membros, faz fluir sangue para corações de pedra, obriga os olhos e os ouvidos a abrirem-se.

Conduz os pastores primeiro a Belém e depois a toda a terra envolvente, louvando a Deus. Conduz os apóstolos a todas as nações do mundo, para dar testemunho da única coisa verdadeiramente nova que aconteceu neste velho mundo; leva-os ao machado e à Cruz. É a primeira e assustadora luz da alegria.

“No mundo tereis tribulações”, diz Jesus, na noite antes da sua morte, “mas não temais; eu venci o mundo”.

*A Bíblia King James é considerada uma referência para as traduções inglesas da Bíblia, completada em 1611, para uso da Igreja Anglicana.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child.

(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013 em The Catholic Thing)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Faltam 20 dias do Natal!

Faltam precisamente 20 dias para o Natal! Na Venezuela… É verdade, o Presidente Maduro decretou a antecipação do Natal. Pois…

A Igreja em Moçambique está preocupada com o aumento da violência, como não podia deixar de ser.

Tristes notícias da Síria. Informação sobre o maior massacre de cristãos desde o início da guerra, e um ataque à nunciatura em Damasco, esta manhã, que pode ter sido acidental e felizmente não fez vítimas.

Ainda o sínodo da família. Esta manhã houve conferência de imprensa e ficou claro que as perguntas enviadas por Roma “não são um referendo”.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mundo continua, o ranking acabou. Santo Natal!

Já foi divulgado o número 1 do meu ranking de notícias de religião de 2012. E o primeiro lugar vai para o caso Vatileaks, fantasticamente protagonizado pelo mordomo Paolo Gabriele… era óbvio não era?

Neste post podem ver a lista completa, juntamente com o que foi, para mim, a foto do ano.

De fora da contagem ficam os abusos sexuais na Igreja Portuguesa. Por um lado porque a coisa só rebentou quando eu já tinha acabado a lista, mas principalmente porque ainda estamos para ver até que ponto é que estamos perante uma avalanche de casos, como houve noutros países, ou um caso isolado numa diocese.

Ontem foi instaurado um inquérito à Ordem dos Hospitaleiros de São João de Deus. A ordem emitiu um comunicado esta tarde a dizer que não se passa nada, mas só se referem a um caso que terá sido arquivado o ano passado…


Bento XVI falou hoje à Cúria Romana e elegeu os ataques à família como um dos grandes perigos do nosso tempo. É um tema caro a Bento XVI, que não é de agora, como explica Aura Miguel num artigo de opinião.

E pronto. Resta-me desejar-vos um Santo Natal a todos, estes mails só devem regressar lá para dia 27. Podem ir vendo as últimas no Facebook. Para aqueles que sentem que o Advento passou sem darem conta, ainda têm uns dias para aproveitar! Aqui estão duas sugestões para o fazerem.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Exemplo a seguir!

Numa altura em que toda a gente se queixa da situação em Portugal, nada como um exemplo de sucesso que ainda por cima apela à oração!

Apresento-vos os livros de Thereza Ameal, autora de dois livros de oração para crianças, editadas pela Paulus.

“As Minhas Primeiras Orações” teve muita saída em Portugal, tanto que foi traduzido para italiano, quando normalmente é o inverso que acontece… Como se isso não bastasse, agora vai ser publicado na Coreia do Sul, um feito magnífico para um empreendimento deste género.

Em baixo podem ver a apresentação dos livros:



A Thereza recebe os meus mails diários e enviou-me esta informação. Não me farto de dizer que é também para isto que criei esta mailing list e, mais tarde, o blogue. Deve funcionar nos dois sentidos. Não prometo falar de tudo o que me pedem, mas se não pedirem é que é mais complicado!

Desde já obrigado à Thereza, tenho todo o gosto em divulgar esta obra interessantíssima!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DeusBebé, Yad Vashem, Coptas e Fernando Santos


A ideia desta campanha da ChurchAds é recordar as pessoas da centralidade de Jesus no Natal. Imaginativo? Mau gosto? Decida por si e já agora veja algumas das melhores e mais provocadoras campanhas desta organização dos últimos anos.

Para os fãs de peregrinações existe um novo caminho para Fátima: O Caminho do Mar… são 140 quilómetros ao longo da costa. Imagino que deve ser belíssimo.



Amanhã é o último dia da exposição sobre a Fé no Campo Pequeno. Ontem falou Fernando Santos, o treinador de futebol e católico praticante.

ChurchAds, as melhores campanhas

Todos os anos a organização britânica ChurchAds faz campanhas cujo objectivo é recordar da centralidade de Cristo no Natal.

Este ano o tema é o GodBaby, uma sátira aos bonecos cada vez mais realísticos que a televisão impinge aos nossos filhos. Existem duas versões e, como todos os anos, está lançada a polémica.

GodBaby em versão soft

E aqui numa versão que só pode chocar
quem nunca viu anúncios de bonecos
 Aqui ficam algumas das melhores campanhas desta organização dos últimos anos.

Uma das primeiras campanhas, na Páscoa de 1999. Esta deu que falar, como devem imaginar, mas tinha como objectivo contrariar a ideia de um Jesus "coitadinho".

Aqui um exemplo de uma das primeiras campanhas "Christmas Starts With Christ", para recordar que por mais que a sociedade nos aponte outros caminhos, o Natal é sobre Jesus.

Aqui uma das campanhas mais imaginativas. Afinal de contas, Deus está em todo o lado e podemos encontrá-lo nos sítios mais imprevisíveis...

O regresso à temática revolucionária. 25 de Dezembro, a verdadeira revolução...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Atenção malta do sector social...

Este post é uma proposta para todos os que estão envolvidos na área social, seja através de organizações religiosas ou seculares.

Há alguns anos escrevi “As Aventuras de Cosminho – A Gloriosa História do Benfica”. Agora que o livro já não está nas livrarias comprei os fundos de catálogo à editora e estou a vendê-los por mim.

Contudo, gostaria também de tentar ajudar instituições de valor. Por isso proponho a quem estiver interessado, como por exemplo centros paroquiais, IPSS etc. um sistema de venda à concessão em que dividimos o valor final. Assim eu livro-me de algumas das caixas que tenho lá por casa (para alegria da minha mulher) e, se Deus quiser, vocês ganham alguma coisa para ajudar no vosso trabalho.

Quem estiver interessado deve contactar-me directamente para acertarmos detalhes.

Desde que criei este blogue tenho tido o maior cuidado de não misturar a religião, uma das minhas paixões, com o Benfica, outra paixão, porque me parece mais seguro para toda a gente. Assim peço aos não-benfiquistas que não entendam esta proposta como uma provocação e asseguro-vos que não permitirei que isto se torne uma discussão sobre futebol.

Obrigado pela vossa paciência!
Filipe d’Avillez

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Crises, missas e pequeno-almoço

Bento XVI fez hoje o seu discurso à Cúria Romana, durante o qual afirmou que a crise financeira é sobretudo ética, e a crise da Igreja é sobretudo de fé.

A três dias do Natal, mais uma memória interessante. Um jesuíta que passou o Natal do ano passado na China, onde ser cristão é um risco.

Este mês passei uns dias na Madeira e foi aí que aprendi o que são as Missas do Parto, tradição particular daquela região. Uns jovens de Lisboa decidiram aplicar a ideia cá… é às 5h30 na Capela do alto de Santo Amaro. Há pequeno-almoço quentinho para os corajosos que aparecerem.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Campanha polémica de Natal na Nova Zelândia

A Igreja de St. Matthews in the City, na cidade de Auckland, Nova Zelândia, está no centro de uma polémica depois de ter desvendado o seu cartaz de Natal para 2011.

Esta igreja anglicana, que se auto-denomina progressista, tem reputação de “testar os limites” do bom gosto e do bom senso para chamar atenção para o Natal. A campanha deste ano mostra uma Nossa Senhora, pintada ao estilo renascentista, olhando estupefacta para um teste de gravidez.


Os responsáveis da igreja dizem que estão apenas a tentar recordar que o Natal foi um episódio real: “É sobre uma gravidez real, uma mãe real e um bebé real. É sobre ansiedade real, coragem e esperança. Maria era solteira, jovem e pobre. Não foi certamente a primeira mulher a encontrar-se nesta situação, nem será a última”, afirmou o reverendo Glynn Cardy, de St. Matthews.

A Igreja Católica, por sua vez, mostrou-se desagradada com o conteúdo da mensagem, embora reconheça as boas intenções dos anglicanos: “Mais uma vez a paróquia de St. Matthews mostra-nos que se afastou do Cristianismo tradicional, embora as suas intenções possam ser as melhores. É verdade que o Natal é real e celebra uma gravidez real. Também é verdade que a ansiedade e as necessidades das mães solteiras de hoje têm de ser resolvidas com compaixão e cuidado. Mas ao enfatizar estas questões a igreja ignora o relato do Evangelho daquilo que envolveu a gravidez e o nascimento de Jesus, no qual Maria não é uma mãe solteira em estado de choque mas uma jovem que deu o seu sim e colocou a sua confiança em Deus”.

Talvez a opção menos sensata da igreja de St. Matthews tenha sido de abrir um concurso no seu site convidando os participantes a encontrar uma legenda para a imagem. Como seria de esperar o site foi inundado tanto de mensagens de repúdio pela campanha como por sugestões de legenda absurdas ou mesmo bastante ofensivas.

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