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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Apenas Huma entre muitas

O Papa Francisco mandou uma mensagem para o Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, em que alerta para os perigos de não se colocar o homem no centro das políticas económicas. Vale a pena ler.

Esperança no Paquistão, onde pela primeira vez parece que um tribunal está de facto a fazer alguma coisa num caso de uma rapariga cristã raptada e forçada a converter-se ao Islão. Leiam e vejam o apelo dos seus pais. Rezem, pelo menos, pela Huma Younus.

O Papa Francisco reforçou a condenação ao antissemitismo nos 75 anos da libertação de Auschwitz. Este é um fenómeno que está de regresso e não é só entre a extrema-direita e a esquerda progressista. São cada vez mais católicos a abraçar teorias destas e não pode acontecer, como explicou Francis X. Maier no artigo de há umas semanas do The Catholic Thing.

Quem me segue há mais anos sabe que tenho opiniões fortes sobre a presença de crianças nos funerais a forma como lhes falamos da morte. Hoje ouvi um podcast que alertava para não levar as crianças aos enterros. É uma opinião que considero lamentável e por isso respondi aqui.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Dois passos em frente, um para trás, rumo ao precipício

Tirem a vossa política do meu jogo, sff.
O admirável mundo novo vai chegando, entre avanços e recuos. Avanço: Uma juíza inglesa ordenou que uma mulher de 22 anos fizesse um aborto contra a sua vontade. Recuo: O tribunal de recurso anulou a decisão. E é assim, dois passos em frente, um passo atrás. Mas é para a frente que vamos, rumo ao precipício.

Uma sondagem encomendada pela BBC revela que os árabes são cada vez menos religiosos.

Os símbolos da JMJ já começaram a sua longa caminhada até Lisboa, onde chegam a 5 de Abril de 2020.

Está a nascer em Trás-os-Montes uma “aldeia para Deus”. Conheça-a aqui.

A equipa feminina de futebol do Vaticano abandonou o jogo que ia disputar no passado fim-de-semana, na Áustria, quando jogadoras da equipa da casa levantaram as camisolas para revelar mensagens pró-aborto (ver imagem).

Publiquei no blog a transcrição integral da minha conversa com o cristão siríaco Johan Cosar, que treinou uma milícia para combater o Estado Islâmico. Podem ler aqui.


terça-feira, 19 de março de 2019

Tarrant não é fruto do Cristianismo, é fruto do seu abandono


Por mais que algumas pessoas, incluindo o presidente da Turquia, Erdogan, insistam em dizer o contrário, o terrorista de Christchurch não era cristão.

No seu manifesto ele fala de Cristianismo, mas quando chega ao ponto de se identificar, ou não, como cristão, responde que “isso é complicado, quando souber, digo”, o que deixa bastante a desejar em termos de profissão de fé. Nisto, segue a tendência de outros famosos terroristas raciais. A excepção é Anders Breivik que, no seu manifesto, diz que foi baptizado, mas deixa esta explicação importante: “Se alguém tem uma relação pessoal com Jesus e com Deus, então é um cristão religioso. Eu, e muitos como eu, não temos necessariamente uma relação pessoal com Jesus Cristo e com Deus. Contudo, acreditamos no Cristianismo como uma plataforma cultural, social, identitária e moral. Isso faz de nós cristãos”. Lamento desiludir-te Breivik, mas não, não faz.

A questão preocupante, para mim, é que tanto Breivik, que matou dezenas de pessoas inocentes na Noruega, como Tarrant, que matou 49 pessoas inocentes na Nova Zelândia, alegaram estar a agir em defesa da cultura e da civilização ocidentais.

Sempre achei fascinante como alguém pode alegar defender uma cultura e uma civilização rejeitando precisamente o Cristianismo que é o elemento aglutinador. Tirando o Cristianismo, o que é que um português tem em comum com um finlandês? Ou com um russo? Não é de espantar que fiquemos reduzidos à questão racial, aliás, forçadíssima… Basta colocar lado-a-lado um português típico e um finlandês para se ver as diferenças em termos de tonalidade da pele.

E quando nos agarramos a coisas tão básicas como a cor da pele, tão efémeras como especificidades culturais e tão fluidas como a língua, claro que nos sentimos sempre sob ameaça e vemo-nos forçados a adoptar numa mentalidade de trincheira que vê qualquer pessoa de cor, cultura ou língua diferente como um perigo ou, para usar o termo infeliz de Tarrant, invasor.

O abandono do Cristianismo transforma a cultura europeia numa carcaça. Vemos isso tanto na decadência cultural da Europa relativista que abandonou a sua religião voluntariamente, como na retórica nojenta dos racistas atuais. São fenómenos que se alimentam mutuamente, duas faces da mesma moeda. Uma apostada num lento suicídio, outra em morrer matando.

Eu não sei porque é que Tarrant não se assume como cristão. Só Deus sabe o que se passa naquela cabeça. Mas sei que se ele fosse de facto cristão não conseguiria justificar o seu acto em qualquer manifesto, tal como Breivik só podia mesmo ser um “cristão” sem relação com Deus ou com Jesus para achar que a religião que manda amar os inimigos é compatível com a matança de inocentes.

Mentalidades como a de Tarrant e de Breivik não são fruto do Cristianismo, são fruto do seu abandono e devem servir de alerta para os guerreiros culturais que querem extirpar a fé da nossa civilização. O Cristianismo é um travão ao extremismo cultural, racial e étnico. Não é um travão infalível, como bem sabemos, mas é um travão potente. Livramo-nos dele à nossa conta e risco.

Que Deus acolha na sua misericórdia os mortos e que os cristãos sejam firmes e unânimes na sua condenação destes actos e da mentalidade que lhes está subjacentes. O nosso lugar nunca será ao lado destes homens, mas sempre das suas vítimas, independentemente da sua religião.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Kismet, o muçulmano que ressuscitou neste Natal

Santo Natal para todos!
O Papa Francisco fez hoje o seu discurso à Curia Romana. Ao longo destes anos tem sido neste evento que ele aproveita para mandar recados internos, criticando os defeitos na própria igreja. Hoje não foi excepção e Francisco proferiu algumas das mais duras palavras contra os abusos sexuais até hoje.


D. Jorge Ortiga pede que as comunidades sejam mais acolhedoras neste Natal.

Nesta altura do Natal, aproveitem para conhecer Kismet, Homem do Destino, o primeiro super-herói muçulmano, que foi agora ressuscitado por um artista americano.

E olhos postos na Síria, onde a Turquia ameaça invadir para “limpar” o território das milícias curdas que combatem contra o Estado Islâmico.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, em que David Carlin critica os católicos “protestantes”.

Dia 24 ainda estarei por cá, mas tentarei não vos maçar. Desejo por isso um Santo Natal a todos!

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Santidade em Fátima e lixo em São Tomé

Santificação em acção em Fátima
Ontem estive em Fátima no Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora. O ambiente é, de facto, muito especial!

Pude entrevistar o bispo iraquiano Georges Casmoussa, que falou da necessidade de perdão mesmo em casos de perseguição extrema e disse que a reconciliação no Iraque tem de ser liderada por leigos.

Hoje publicamos uma entrevista com o presidente da Conferência Episcopal do Brasil, que também está no encontro. D. Sérgio Rocha elogia o papel das Equipas para redescobrir a alegria do casamento e, noutro tema, diz que é cedo para se saber o sínodo da Amazónia, no próximo ano, irá aprovar a ordenação de homens casados.

Cabinda tem um novo bispo. Saiba porque é que isso é mais interessante do que possa parecer à primeira vista…


E saiba aqui como é que pode ajudar os Leigos pelo Desenvolvimento a comprar um carro de recolha de lixo para São Tomé!


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Crise humanitária à vista em Moçambique

Ilha do Ibo, Moçambique
Continuamos a assistir a tragédias em Moçambique, onde alegados jihadistas lançam o pânico no distrito de Cabo Delgado. Muitos civis procuram fugir para as ilhas de Matemo e de Ibo, onde simplesmente não existem condições para os acolher a todos. Adivinha-se uma crise humanitária.

A crise de abusos sexuais no Chile continua a abalar a Igreja. Mais um padre foi suspenso. Recordo que este é o tema de um dos artigos do The Catholic Thing das últimas semanas.

D. Antonino Dias escreveu uma carta pastoral com “orientações positivas” de ajuda aos divorciados e o bispo da Guarda fala da importância do diálogo ecuménico.

De ontem, uma notícia triste. O padre de Maceira, em Leiria, foi encontrado morto numa praia. Tinha apenas 38 anos, não se sabe como morreu.

Se não tenho filhos, porque é que devo pagar as escolas? Se não uso o hospital público, porque é que devo pagar por eles? Esta e outras dúvidas respondidas pelo grande Randall Smith, do The Catholic Thing em português.

Normalmente evito traduzir os artigos mais doutrinais, mas Randall Smith tem um jeito especial para tornar mesmo os assuntos mais teóricos fáceis de compreender. Aproveitem!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Hackathon no Vaticano, Billy Graham no Céu

Agora têm todo o tempo para pôr a conversa em dia
Depois de mais de uma semana de ausência não são poucas as novidades, mas começo pela morte de Billy Graham, um gigante do Cristianismo evangélico. Podem ler aqui o seu obituário, com comentários do pastor português Tiago Cavaco.

Estamos na Quaresma e como de costume as dioceses escolheram causas para as suas renúncias quaresmais. Este ano são várias, incluindo projectos em Portugal, em África, na Ásia e no Médio Oriente. As vítimas dos incêndios não foram esquecidas.

O Vaticano vai acolher pela primeira vez um “hackathon”. Está com medo? Eu também fiquei… Mas leia, não é o que parece.

Um arcebispo iraquiano desafia os países muçulmanos a contribuir para a reconstrução de aldeias cristãs danificadas pelo Estado Islâmico. “Não basta dizer que o EI não representa o Islão”, diz Bashar Warda.

O Papa aceitou a resignação de um bispo nigeriano. Parece desinteressante? Longe disso…

Convido-vos ainda a ler esta crónica do padre Tolentino, sobre o tema do retiro que ele está a orientar para o Papa Francisco.

E esta semana temos artigo do The Catholic Thing em dose dupla. Mary Eberstadt fala sobre os paradoxos da revolução sexual. É um artigo substancialmente maior que o habitual, mas que merece mesmo ser lido com atenção.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

As Duas Religiões do Alcorão

Howard Kainz
É urgente que os cristãos leiam e compreendam o Alcorão, para poderem compreender melhor uma religião que está constantemente nas manchetes. Mas isso é pedir muito, porque o Alcorão é uma mistura de capítulos, escritos em tempos diferentes, organizados por ordem de comprimento, do maior ao mais curto, misturando assim os pensamentos primordiais de Maomé em Meca com ditos muito diferentes posteriores à fuga para Medina.

No livro A Simple Koran, Bill Warner ajuda-nos a ultrapassar essa confusão, reorganizando o Alcorão por ordem cronológica, ao longo dos 23 anos em que Maomé propagou a sua nova religião. Esta abordagem, composta quase inteiramente por textos do Alcorão, com ocasionais subtítulos ou explicações, demonstra bem como o Islão evoluiu durante a vida de Maomé e ilumina a divisão crucial entre aquilo que Aayan Hirsi Ali descreve como “Muçulmanos de Meca” e “Muçumanos de Medina”.

As primeiras passagens do Alcorão, de Meca, derivam da sua conversão das múltiplas religiões politeístas que existiam em torno do santuário da Kaaba, ao monoteísmo. Algumas fontes dizem que eram adoradas até 360 divindades em Meca. Mas Maomé pregava a sujeição ao único Deus, Allah.

Mas houve um percalço. Maomé parecia ter permitido que três deusas fossem veneradas juntamente com Allah. De acordo com a biografia Twenty-Three Years, escrita por ‘Ali Dashti, dois versículos na Sura 2:19-22 diziam originalmente: “Pensastes em Lāt e em ‘Ozzā? E em Manāt, a terceira, a outra? Essas são os grous em voo. Por isso pode-se esperar pela sua intercessão”

Esta passagem parecia reconhecer a divindade das três deusas, juntamente com Allah. Mas Allah acabaria por repreender Maomé por estes “versículos satânicos”, que foram corrigidos em versões posteriores do Alcorão. A partir de então pregou-se apenas o monoteísmo rigoroso. (Salman Rushdie esreveu um romance sobre esta passagem e continua em vigor uma fatwa do Ayatollah Khomeini a exigir a sua morte).

As primeiras partes do Alcorão reescrevem o Antigo Testamento, explicando que Abraão, Lot, Moisés, etc., eram na realidade todos muçulmanos e que todos aqueles que rejeitam o Islão acabam no inferno. Aparecem várias histórias imaginativas sobre Moisés, que normalmente têm pouco a ver com a versão bíblica.

Tais revisões das histórias do Antigo Testamento eram acompanhadas por constantes avisos sobre a tortura eterna no inferno reservada aos Kafirs (não-muçulmanos) que não se convertam. Isto torna-se um tema recorrente ao longo do Alcorão, que tem 290 versículos sobre o Inferno e mais de 300 referências ao temor de Allah, a quem é devida Islam (submissão) servil, como que a um senhor. Por exemplo: “Os Kafirs de entre os Povos do Livro e os idólatras arderão eternamente nos fogos do Inferno. De todos os seres criados, eles são os mais desprezíveis” (98:6)

Em contraste, aos que aceitam a mensagem de Maomé é prometida uma recompensa celestial, em que se encontrarão sobre “poltronas decoradas”, servidos por “jovens rapazes imortais” a trazer-lhes fruta, vinho e “a carne de aves”, bem como as atenções amorosas de houris virginais.

O povo de Meca, duvidando das suas credenciais, pediram-lhe sinais de que se tratava de um profeta verdadeiro. Maomé apontou para uma litania de coisas como sinais – “a sucessão da noite e do dia”, “a chuva enviada por Allah”, “relâmpagos”, “as mudanças dos ventos”, “folhas verdes e cereais”, “a vossa sonolência noite e dia”, “a vossa busca pela generosidade de Allah”, “os navios, como montanhas no mar”, etc.

Exasperado pelas exigências de sinais mais claros, Maomé responde. “Os sinais estão somente no poder de Allah. Eu sou apenas o que traz o aviso. Não chega para eles que te tenhamos revelado o Livro, para lhes ser recitado? (28:48). Por outras palavras, o Alcorão é em si mesmo um milagre que confirma Maomé como profeta.

Maomé não teve grande sucesso em Meca; acabou com apenas 150 convertidos. Mas tinha alguns seguidores em Medina e foi para lá que fugiu quando a situação em Meca se tornou perigosa.

A Hegira (emigração) de Maomé e dos seus discípulos para Medina aconteceu em 622. Medina era uma cidade meia judia e meia árabe. Os judeus, a classe abastada, eram em larga medida artesãos e agricultores. Tinham aliados entre os árabes, mas reinava uma atmosfera de animosidade e de ciúme. Alguns árabes acreditavam que viria um profeta para os guiar à vitória sobre os judeus. Rapidamente começaram a ver que Maomé poderia ser esse homem. Fizeram-lhe um juramente de fidelidade e ofereceram-se para o proteger com armas, caso fosse necessário. Em breve Maomé começou a agir como um líder militar e a enviar combatentes em raides armados contra as caravanas de comércio que chegavam a Meca. Ao longo de nove anos levaram a cabo sessenta e cinco ataques (Maomé esteve presente pessoalmente em 27), bem como vários assassinatos e execuções.

As ameaças de condenação eterna por rejeitar Maomé começam nesta fase a tornar-se mais gráficas – Allah “destruirá os vossos rostos e virará as vossas cabeças ao contrário” (4:47), dará aos descrentes “fogo por vestuário”, “despejará água a ferver nas suas cabeças”, “escaldará as entranhas e a pele” e batê-los-á com “varas de ferro” (22:19).

Já Maomé começou a gozar de privilégios especiais: Os despojos de guerra (limitado a uma quinta parte do total), e mulheres e escravas para além dos limites que se aplicavam a outros (a comitiva amorosa de Maomé acabaria por incluir nove mulheres e várias escravas).

Irrompeu uma nova onda de violência quando os judeus de Medina e até mesmo muitos árabes rejeitaram a reivindicação de Maomé de ser um profeta enviado por Allah. A jihad islâmica tornou-se essencial para espalhar o Islão na Arábia e noutras partes. Um quarto dos versículos de Medina são exortações à jihad e promessas sobre as recompensas não só para a comunidade muçulmana, mas para guerreiros individuais. 

Nos seus anos finais Maomé começou a comportar-se como um profeta-rei. Cada aspecto da vida estava sob o seu controlo – horas de oração, proibições alimentares, o uso de véus, heranças, testamentos, punição por crimes, distribuição de impostos, etc. – tudo obedecendo a sentenças de Allah.

Resumindo, uma leitura cronológica/biográfica do Alcorão revela tremendas diferenças entre as partes anteriores e as posteriores. Não há apelos à jihad no Alcorão de Meca, nem antissemitismo, apenas apelos pacíficos à conversão. Mas em Medina temos a formação gradual de um verdadeiro exército, inspirado a conquistar, literalmente, o mundo para o Islão.

O Islão enquanto “religião da paz” tem, por isso, alguns fundamentos corânicos, mas a história islâmica e os eventos contemporâneos deixam claro que a justificação corânica para a jihad violenta é talvez maior.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 9 de Dezembro de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

domingo, 3 de dezembro de 2017

Papa ordena Luiz Pinto Costa... No Bangladesh


Não costumo mandar mails ao fim-de-semana, mas não queria deixar de partilhar alguns dos trabalhos relativos à viagem do Papa à Birmânia e ao Bangladesh, e como vou estar fora alguns dias, achei melhor fazê-lo agora. Agradeço a vossa compreensão!

A visita do Papa à Birmânia chegou ao fim com um encontro com os jovens e depois Francisco seguiu para o Bangladesh onde ficou logo claro que a proibição de se dizer “rohingya” já não se aplicava. Mesmo assim, Francisco esperou até ao último dia para pronunciar o termo e aí não só falou dele como se encontrou com membros da comunidade e, admitiu mais tarde, até chorou.

Toda esta viagem foi marcada por marcas da presença dos portugueses. Francisco encontrou-se com os bispos do Bangladesh – incluindo o Costa, o Rozário e o Gomes – e ordenou 16 novos padres, sete dos quais com apelidos portugueses, incluindo o Luís Pinto Costa…

Este tema foi alvo de conversa entre mim e o historiador Miguel Castelo Branco e podem ler a interessantíssima transcrição integral da conversa aqui. Podem também ler a transcrição da conversa com o luso-birmanês James Swe, que diz que não tem cara de português, mas sente-se português.

Hoje começou o Advento. O Papa alertou para a importância da vigilância. Quem quiser ajudas no campo da oração pode recorrer às ferramentas deixadas pelo Apostolado.

Com medo da invasão islâmica? Não stresse… Mas já agora, sabia que há um país na União Europeia onde não só se permite a Sharia como ela é obrigatória para os cidadãos muçulmanos?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Buda, São Francisco de Assis e Donald Trump

Católicos de diferentes regiões na missa com o Papa Francisco
O Papa Francisco continua a sua viagem pela Birmânia e esta manhã teve o primeiro verdadeiro encontro com o povo católico, vendo uma Igreja viva que nos últimos anos tem multiplicado o número de padres, freiras e até dioceses.

Depois o Papa encontrou-se com líderes budistas, traçando uma comparação entre Buda e São Francisco de Assis. No respectivo artigo pode encontrar ainda alguma contextualização sobre a politização do budismo naquele país.

Em Portugal, a diocese de Bragança-Miranda quer despertar a consciência das pessoas para a deficiência.

Nos EUA Donald Trump achou que seria boa ideia publicar vídeos partilhados por elementos da extrema direita inglesa que mostram actos de violência alegadamente praticados por muçulmanos.

E já que falamos de Trump, no artigo desta semana do The Catholic Thing em português David Warren pega no famoso slogan do Presidente americano, adapta-o e pergunta se não seria preferível “Make America Christian Again”?

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Jihad em Stanford, Georgetown e Além

Matthew Hanley
É mais difícil ser aceite em Stanford do que em qualquer outra universidade americana, apenas 5% dos candidatos o conseguem. Mas recentemente Stanford achou por bem admitir uma pessoa que usou o espaço concedido para o ensaio de candidatura – em resposta à questão “o que é importante para si, e porquê?” – para escrever 100 vezes “#BlackLivesMatter”. Imaginem como se devem sentir os candidatos merecedores que ficaram de fora.

Acontece que este candidato tinha estagiado com a Hillary Clinton (obviamente); acontece também que é muçulmano. Mas nenhuma das reportagens nos media se preocupou em saber como ele reconcilia a sua evidente preocupação por vidas de negros com o facto de ainda haver escravatura de negros em partes de África, às mãos de muçulmanos. Mais ninguém o faz, em mais parte nenhuma. Não é uma imagem bonita.

Estará este aluno de Stanford a repudiar o exemplo de Maomé, que detinha escravos e aprovou pessoalmente incursões para a captura de escravos? Estará? Podemos achar que tudo isto é uma vergonha, e deixar por aí. Mas há mais a dizer sobre o facto de ser mais fácil entrar em Stanford do que abordar factos desconfortáveis sobre o Islão naquela universidade. Perguntem ao Robert Spencer.

Um grupo de alunos convidou-o para ir à Universidade falar dos seus estudos meticulosos sobre as fontes islâmicas que justificam e até ordenam a jihad. O resultado foi uma indignação generalizada, pedidos para que o evento fosse cancelado e um apelo ao boicote. Embora ele saiba mais sobre o assunto do que a maioria dos imãs, os alunos agitados apelidaram-no de “ininteligível”, “não académico” e “lixo”. Os administradores lamentaram o seu alegado historial de incitação ao ódio.

Será que Stanford desencoraja a tomada de posição contra coisas hediondas como o assassinato em nome da jihad, escravatura, as muitas indignidades que a sharia reserva para as mulheres, etc., quando estas se encontram embebidas de tal forma numa religião? Será esta religião tão merecedora de adulação acrítica que estes aspectos devem ser ignorados?

Stanford não imitou a postura de Berkeley, cancelando o evento ou recorrendo à brutalidade para evitar que uma voz curiosamente pouco bem-vinda fosse ouvida. Em vez disso desenvolveram um plano mais subtil – e com semanas de antecipação – para alcançar o mesmo fim.

Pouco depois de a sua conferência ter começado, ouviu-se por breves e tensos segundos um canto islâmico, aparentemente vindo do telefone de alguém. Na verdade, a quantidade de pessoas que estavam a olhar para os seus telefones era estranha, tendo em conta que a sala estava tão cheia que muitas pessoas viram negado o acesso. Alguns minutos mais tarde a maioria da assistência levantou-se e abandonou a sala num uníssono coreografado – ao som do canto agressivo e supremacista a berrar dos telemóveis: Allahu Akbar sem a violência. Aqueles a quem tinha sido recusada a entrada por falta de espaço viram então negada a oportunidade de ocupar os lugares deixados vagos.

Spencer tinha acabado de relatar um facto objectivo que devia ser bem-vindo em qualquer local de ensino superior: que de acordo com a maior autoridade de jurisprudência sunita – a Universidade al-Azhar, no Cairo – um factor chave da jihad é que o sangue e as posses de alguém apenas estão seguros se aceitar o domínio do Islão; ninguém fora dele é merecedor de protecção. Isto poderia ser descrito como uma legitimação religiosa precisamente de uma forma de “discurso de ódio” fortemente enraizado que os alunos pensavam que estavam a denunciar ao abandonar a sala.

Robert Spencer
Spencer acredita que os administradores da Universidade sancionaram a perturbação que, seja como for, tem todas as marcas do fascismo; pode parecer um termo muito forte, mas ao montar, primeiro, uma campanha contra ele e depois evitar que outros fossem expostos às suas ideias, Stanford merece a caracterização.

Foi dito que a mera presença do orador gerava um sentimento de insegurança entre os muçulmanos – porém o único a precisar de um contingente de segurança foi o próprio Spencer. Ele sempre disse que os seus críticos se rebaixam ao nível de ataques pessoais porque não conseguem prevalecer no debate de factos e de ideias. O abandono do auditório em Stanford comprova-o, tal como aqueles que cometeram actos de violência em reacção ao discurso do Papa Bento XVI em Ratisbona, em que comentou criticamente as tendências violentas no Islão, o comprovaram.

Ao não permitir que a jihad seja analisada segundo os seus próprios critérios, Stanford escolheu legitimá-la. Aparentemente, figuras islâmicas que repetem, com aprovação, textos islâmicos que apelam, por exemplo, ao extermínio de judeus, devem ser aceites sem questionar. Só o denunciar desta realidade é que é problemático, o pecado secular da “islamofobia” (um termo forjado pelos sauditas).

As empresas também contribuem para este clima de conformismo. Bem perto de Stanford, os dirigentes da PayPal impediram o site de Spencer de usar os seus serviços, privando-o assim de uma fonte de financiamento. Era precisamente isso que queria o Southern Poverty Law Center (SPLC), especializado em classificar como “grupos de ódio” as organizações de que não gosta. Eles limitam-se a declarar que o grupo de Spencer é um grupo de ódio e os media cumprem o seu dever de o papaguear, não obstante a natureza claramente tendenciosa do SPLC.  

Mas Stanford está longe de estar sozinha. A Universidade Católica de Georgetown organiza iniciativas financiadas pelos sauditas, pensadas para promover uma visão positiva do Islão. Os aspectos ameaçadores são, ao que parece, uma preocupação marginal. Mas o que alguns consideram marginal pode ter graves consequências: Perguntem a Nova Iorque, Londres, Paris, Bruxelas, Nice, Madrid, Barcelona, Berlim, até a Escandinávia.

Igualmente arriscado é sugerir que a postura “marginal” de Spencer está em desacordo com a posição globalmente conciliatória da Igreja moderna em relação ao Islão:

Discordo da afirmação do Papa Francisco quando ele diz que “o Islão autêntico e uma leitura correcta do Alcorão opõem-se a todo o tipo de violência”, como qualquer pessoa no seu perfeito juízo e devidamente informada, seja católica ou não, deve discordar. Se esse é, de facto, o ensinamento da Igreja, então a Igreja Católica tem um problema sério, pois está a apresentar falsidades como “ensinamento da Igreja” e não merece a confiança nem dos católicos nem de mais ninguém.

Há vários anos um funcionário do gabinete de admissões de Stanford despediu-se para se tornar padre. Não faço ideia se as banalidades e a burocracia universitária desempenharam algum papel. Mas não posso deixar de pensar: se o tipo de falsidade ingénua que agora domina praticamente tudo começar a dominar também os meios eclesiásticos em que ele agora circula, para onde irá a seguir?


Matthew Hanley é Investigador sénior no Centro Nacional de Bioética Católica e autor, juntamente com Jokin de Irala, de ‘Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West’, que foi recentemente premiado como melhor livro pelo Catholic Press Association. As opiniões expressas são próprias, e não da NCBC.

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 21 de Novembro de 2017 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A Alegria (e o Custo) do Evangelho

Pe. Robert P. Imbelli
Até recentemente nunca tinha ouvido falar em Nabeel Qureshi. Mas por mero acaso (providência), vi há dias uma referência a ele. Infelizmente, tratava-se de uma notícia sobre a sua morte, com apenas 34 anos.

Na notícia soube que ele foi autor de vários livros. O título de um deles marcou-me de forma particular: Procurando Allah, Encontrando Jesus: Um muçulmano devoto encontra-se com o Cristianismo.

Intrigado pelo título e pelo breve resumo da sua vida na notícia, adquiri o livro. Li-o ao longo de algumas noites, completamente apanhado. É um relato assinalável: contado com honestidade, clareza e um desejo apaixonante pela verdade.

Conta a história de um jovem, educado desde novo como um muçulmano devoto, que através de um encontro com um colega universitário (cristão devoto) começa a questionar os fundamentos da sua identidade pessoal e religiosa.

O que torna o relato tão cativante é a determinação da caminhada espiritual e intelectual de Nabeel Qureshi. Examina cuidadosamente e sem medos as provas da veracidade do Novo Testamento e depois do Alcorão. O estudo adensa-se ao longo dos anos da sua formação, incluindo a faculdade de medicina, enquanto vai debatendo com paixão e vigor com o seu amigo, cedendo apenas quando conclui que as provas são convincentes.

Mas esse estudo está longe de ser apenas um exercício académico, pois o resultado marcá-lo-á de forma mais que pessoal. Qualquer pessoa criada na tradição e na cultura islâmica sabe que a conversão ao Cristo acarreta profundas consequências ao nível da família e da comunidade. O próprio lamentou que “reconhecer Cristo significava destruir a minha família. Poderia ele estar verdadeiramente a pedir-me tal coisa?”

A relação de Nabeel com os seus pais, o seu Abba e a sua Ammi, era extraordinariamente próxima e carinhosa. A forma como descreve o custo que a sua decisão teve para eles é de partir o coração. Desde o dia em que souberam da sua conversão a Cristo o seu pai, um oficial da marinha, “nunca mais caminhou altivo. Eu extingui o seu orgulho”. A sua mãe, ao ouvir a notícia, desmaiou e foi hospitalizada. “Sobreviveu, mas os seus olhos nunca recuperaram o seu fulgor. Extingui a sua luz”.

O que levou este filho amado e muçulmano devoto a pôr em causa os afectos parentais e a desbaratar uma identidade segura e respeitada? A mera pergunta remete para a resposta apaixonada de Paulo aos Filipenses: “Considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo”. (Fil 3,8)

A conversão é um assunto tão íntimo e complexo que cada percurso manifesta cores e contornos distintos. Eis como Nabeel descreve a realização a que chegou: Ser cristão significa sofrer realmente por Deus. Não como um muçulmano sofreria por Deus, porque Allah assim o comanda, por decreto, mas com a expressão sincera de uma criança agradecida cujo Deus sofreu por ela em primeiro lugar.

Numa altura em que se procura reduzir Jesus a um mero profeta de Israel, o testemunho deste convertido ao Cristianismo ressoa:

Nabeel Qureshi
A boa notícia é que Deus nos ama o suficiente para entrar no mundo e sofrer por nós; que apesar da incapacidade da humanidade de salvar-se a si mesma, Deus salvou-nos. Essa é a beleza do Evangelho: Tem tudo a ver com Deus e com o que Ele fez por causa do seu amor por nós. Um Evangelho sem a divindade de Cristo é um evangelho eviscerado.

Mas o testemunho desafiador de Nabeel não se fica até por esta confissão firme. Pois embora convencido na mente e no coração da verdade do Evangelho, continuava a tremer perante o custo e o sofrimento que previa. Foi tomado pela agonia da autocomiseração e autorrecriminação, diz-nos. Mas subitamente, como que por uma revelação luminosa, todo o seu ser foi inundado por uma nova segurança. Resume-a desta forma: “Isto não é sobre mim. É sobre Ele e o seu amor pelos seus filhos”.

Esta convicção levou-o a comprometer-se com a missão, para poder partilhar livremente o Evangelho libertador que livremente recebeu. Se as conhecesse, certamente teria ecoado as palavras do Papa Francisco em “A Alegria do Evangelho”. “A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais. Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria?”

Nabeel levou a cabo o seu trabalho evangélico durante 12 anos intensos. Estudando, falando, escrevendo e aconselhando. Há muitos vídeos dele na internet onde se pode apreciar o seu fervor, a sua visão e o seu humor. Depois, subitamente, o ministério deste jovem, vigoroso e atraente discípulo foi tomado de assalto por um cancro.

Mesmo internado continuou a partilhar a sua fé – até da cama do hospital. Um curto vídeo gravado a pouco tempo da sua morte avisa contra qualquer abuso dos seus ensinamentos. Apesar de sublinhar a importância de aprofundar a verdade, insiste que isso deve ser sempre feito “tendo por base o amor e a paz”. Pois o propósito não devia ser “ferirem-se uns aos outros, mas ajudarem-se uns aos outros”. Reza fervorosamente que o seu ministério deixe “um legado de amor, de paz, de verdade. De cuidarmos uns dos outros”.

É de lamentar que um discípulo com tamanho espírito nos tenha sido subtraído com apenas trinta e quatro anos. Mas as sementes que plantou hão de dar fruto. O seu testemunho corajoso inspirará outros. Deixou-nos jovem, mas já maduro em Cristo.


Robert Imbelli, é sacerdote na Arquidiocese de Nova Iorque e professor associado emérito de Teologia na Boston College. É autor de Rekindling the Christic Imagination:Theological Meditations for the New Evangelization.

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 1 de Novembro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing. 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Regresso às Aulas

David Warren
É preciso descrever o choque que senti ao ver que o livro “As Grandes Heresias”, de Hillaire Belloc, tinha sido reeditado. Há anos que procurava um exemplar em papel deste livro em todos os lugares do costume, como alfarrabistas e feiras de antiguidades. Reparei que, apesar de ainda constar do catálogo, tinha sido retirado fisicamente de pelo menos uma biblioteca e despachado de várias outras.

Não que isso me surpreendesse. Quanto mais importante é um livro para a nossa civilização, mais rapidamente desaparece das prateleiras. Recentemente, por exemplo, descobri que toda a secção de clássicos romanos e gregos foi eliminada da Biblioteca de Referência Central de Toronto, por falta de “interesse público”. E depois que as secções de clássicos de muitas bibliotecas universitárias tinha encolhido ao ponto de, agora, eu ter mais textos no meu pequeno apartamento.

Não é nada que nos preocupe porque sabemos que “tudo” foi preservado no éter electrónico e pode ser baixado por qualquer pesquisador insistente, normalmente de borla. Mas pouca gente se preocupa com os clássicos, menos ainda com os padres da Igreja e os acervos digitais são, pela sua própria natureza, precários. Mais fundamentalmente, como os “estudos” continuam a demonstrar, a retenção por parte de utilizadores de material lido em ecrãs de computador é praticamente zero.

Enfim, como dizem... E não me espanta que tenhamos multidões ignorantes a atacar as relíquias do passado, como as estátuas públicas. Torna-se muito mais fácil alimentar estas turbas porque, na ausência de materiais que não lêem nem respeitam, acreditarão em tudo o que se lhes contarem sobre o passado.

Voltando a Belloc, ele não era grego nem romano, mas a sua obra enquanto historiador é assinalável. Era um historiador popular, e não académico, mas não deixava de ter uma educação formidável e abrangente, não só por leitura mas também por ser viajado e abria caminhos por cada lado para que se voltava. E, como Belloc sabia perfeitamente, o leitor inteligente não se tem de restringir a Belloc. Somos livres de o contradizer mas, claro, isso requer paciência e esforço.

Sei bem qual foi o dia em que comecei a procurar um exemplar de “As Grandes Heresias”, porque foi no dia 12 de Setembro de 2001. Poderia ter sido na véspera, não fosse eu, então, um praticante de jornalismo diário e, por isso, tenha sido distraído dos interesses bibliográficos por “notícias de última hora”.

Parece que entre os meus compatriotas – pelo menos os que trabalhavam para os media – pensava-se que eu sabia alguma coisa sobre o Islão. Eu não me considerava um especialista, mas tendo em conta as circunstâncias, qualquer coisa servia e por isso, de repente, dei por mim com a liberdade de preencher as colunas que quisesse no jornal.

As pessoas queriam saber o que era esta coisa do “Islão” e o que é que se tinha passado enquanto dormiam. Fiz os possíveis para os informar – ter os factos correctos e essas coisas – e os editores que anteriormente me tinham desclassificado por ser “algum tipo de conservador”, até me estavam a agradecer.

Esta situação simpática manteve-se durante umas semanas, até que se descobriu que algumas das coisas que eu tinha escrito não eram, por assim dizer, “politicamente correctas”. A invasão americana do Afeganistão foi bem aceite, inicialmente, mas quando chegou ao Natal desse ano os “progressistas” tinham recuperado a sua garra e os apologistas liberais do Islão estavam em crescendo.

Hillaire Belloc
Desencorajaram-me especialmente de escrever sobre os 14 séculos de história por detrás deste incidente particular, que de tantas formas fazia lembrar o século VII. Mesmo a minha explicação inicial do significado da data 11 de Setembro – 1683 – se tinha perdido debaixo do burburinho dos “peritos” alternativos, que nunca tinham ouvido falar de tais coisas.
 
A vitória do exército cristão sob o comando do Rei João III Sobieski, da Polónia, que derrotou os otomanos às portas de Viena, tinha sido das datas mais famosas da história. Caso essa batalha tivesse sido vencida pelo “infiel turco”, como era conhecido em tempos na Europa, este ficaria em posição de se lançar Danúbio acima e atingir o coração da Europa Ocidental. Foram parados em Lepanto, tal como os antecessores tinham sido parados por Carlos Martel no meio de França. Grandes batalhas como estas mudam o rumo da história.

Para a Al Qaeda, abertamente dedicada à restauração de um califado mundial, este revés decisivo em Viena era a fonte de grande angústia. Ainda por cima não tinha sido a primeira tentativa. Há mais de um século que a cidade era um alvo, como antes tinha sido Constantinopla (hoje Istambul), com ataques anuais até à eventual queda em 1453.

Este longo “choque de civilizações” era de conhecimento geral, tanto no oriente islâmico como no ocidente cristão até há pouco tempo. Escrevendo em 1938, Belloc apanhou os seus leitores de surpresa ao sugerir que o choque não tinha chegado ao fim. Ele previa, corajosamente, que o Islão ia recuperar e que os ataques recomeçariam.

Para um leitor há 80 anos o Islão tinha sido inteiramente derrotado, às mãos da organização e da tecnologia ocidental. Mas foi precisamente porque o analisou enquanto fé – aliás, considerando-o uma heresia cristã – que Belloc pôde apreciar as suas forças. Mais, foi através da análise das outras grandes heresias que tinham dividido e viciado a Cristandade (ariana, albigense, protestante e modernista) que pôde antecipar o revivalismo islâmico.

A sua análise, não obstante ser extremamente “politicamente incorrecta”, é muito mais subtil que a caricatura habitual; cada uma das cinco grandes heresias que Belloc analisa era única à sua maneira, e a sua análise das suas interacções é de um extraordinário nível intelectual. Não podemos deixar que a sua prosa arrebatadora e acessível nos distraia da precisão do seu raciocínio.

Na verdade o livro é de tal forma pertinente que fiquei chocado de o ver novamente em circulação. O meu primeiro pensamento foi: “Como é que isto foi permitido?”. Porque o livro não envelheceu. Quem envelheceu fomos nós.


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na sexta-feira, 1 de Setembro de 2017 em The Catholic Thing)

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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Charlie em Paz, feministas zangadas e "transgéneros"

Charlie Gard, finalmente em paz
Ao fim de uma longa batalha legal, que cativou o mundo, Charlie Gard está finalmente em paz. Este caso motivou muitas opiniões, algumas apaixonadas, muitas desinformadas. Sugiro a leitura deste artigo.

Mais uma sexta-feira, mais um ataque terrorista. Desta vez foi na Alemanha.

Bispos, tenham cuidado! Elas andam aí. Quem são elas? São o Comando Feminista Informal para a Acção Antiautoritária que atacou a sede da Conferência Episcopal no México.

Está a sentir-se generoso? Ajude lá os Leigos para o desenvolvimento a ajudar os miúdos santomenses a ajudar a sua comunidade através do surf.

Donald Trump proibiu as pessoas “transgénero” de servirem nas forças armadas americanas. É uma decisão parva, motivada por uma série de outras decisões parvas, tudo assente no mito de que um homem se pode transforar numa mulher. Leia aqui porquê.

Há artigo novo do The Catholic Thing. O padre Paul Scalia pega no Evangelho do domingo passado para explicar porque é que as pessoas não devem levar longe demais o seu zelo em expulsar o joio – leia-se outras pessoas – de entre o trigo. Vale muito a pena ler numa altura em que as tensões e divisões na Igreja se acentuam.

Como é costume, o Actualidade Religiosa vai de férias durante as próximas semanas, salvo alguma notícia urgente. Vão acompanhando o blog para ver os artigos do The Catholic Thing ou artigos da minha autoria e já sabem que no grupo do Facebook há sempre discussões animadas…

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Temor a Deus, Fé e Encontro

Ines A. Murzaku
Será difícil esquecer os meses de Maio e de Junho de 2017. Matanças temíveis e atentados suicidas em Manchester (22 de Maio), Egipto (26 de Maio) e no Afeganistão (31 de Maio), onde várias vidas inocentes foram interrompidas. Junho começou com mais atentados em Londres (3 de Junho) e Melbourne (6 de Junho). E estes foram apenas os principais, vários incidentes mais pequenos ocorreram no mesmo período em todo o mundo.

Como é que as pessoas estão a lidar com a dor e a perda? O poeta Tony Walsh leu do seu poema “This is the Place” diante de uma multidão em Manchester: “Diante de um desafio, erguemo-nos sempre”. O bispo Angaelos, da Igreja Copta Ortodoxa do Reino Unido lamentou os mártires coptas, mas perdoou os carrascos com a seguinte afirmação:

“São amados por mim e por milhões como eu, não pelo que fazem, mas pelo que são capazes na qualidade de maravilhosas criaturas de Deus, que nos criou com uma humanidade partilhada. São amados por mim e por milhões como eu porque eu, e nós, acreditamos na transformação.”

Estas expressões públicas de determinação e perdão cristão são bem-vindas numa cultura que parece ter esquecido tanto uma como outro. Mas as bombas e a carnificina deixaram muitas pessoas em todo o mundo com mais medo do que nunca de eventos com multidões, voos, aeroportos e centros de cidade.

Alguns estão a exibir sinais daquilo a que os psicólogos chamam fadiga de compaixão, impotência ou simplesmente desligar perante os horrores que são demasiado grandes e demasiado frequentes. O medo de ataques terroristas surge com frequência nas minhas discussões com alunos. Como é que se lida com o medo? É sequer possível ultrapassar o medo? Ou nas palavras do Papa Francisco: O que é preciso para travar a espiral do medo?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a coragem não é o contrário do medo. Aristóteles ensinou que é correcto e humano sentir medo de certas coisas, mas é necessária a medida certa de medo, porque “o homem que foge de tudo e teme tudo e não faz frente a nada torna-se cobarde, e o homem que não teme nada mas parte ao encontro de qualquer perigo torna-se imprudente” (Ética a Nicómaco II). Sentir medo perante o perigo é simplesmente uma reacção humana, mas não devemos deixar que o medo nos paralise ou impeça de viver.

A resposta cristã perante este dilema é um paradoxo – ultrapassar o medo como um outro tipo de medo – o temor a Deus. As escrituras e os padres da Igreja são claros a este respeito: se temer Deus jamais terá medo da mesma forma, porque no final de contas nada há a temer. “E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último” (Apocalipse 1,17)

São João Clímaco (579-649) escreveu: “Quem se tiver tornado escravo do Senhor teme apenas o seu Mestre. Mas quem não teme a Deus teme frequentemente a sua própria sombra. O temor é filho da descrença” (Degrau 21).

Santo Efrém da Síria, (306-373), conhecido como mestre da contrição, faz o mesmo argumento sobre o temor a Deus. “Quem teme a Deus eleva-se acima de todas as formas de temor. Ele tornou-se um desconhecido para a todo o medo deste mundo e colocou-o longe de si, e nenhuma espécie de tremor se aproxima dele”.

São João Clímaco
O medo descrito nestes exemplos é um temor saudável ou reverente a Deus, que em última análise está ligada à fé. O temor cristão de Deus não pode ser separado da fé. É uma espécie de medo saudável que que torna firme a fé em Deus. Para os cristãos é um temor que conduz para lá do medo, morte e intimidação normais. É uma fé que transforma as circunstâncias impossíveis em esperança. E é uma fé que fortalece os crentes quando enfrentam o mal, incluindo o terrorismo.

Dietrich Bonhoeffer, o famoso pastor luterano que foi martirizado pelos Nazis, sabia a quem se voltar em tempos de medo e de incerteza. Pregou sobre o medo e como o ultrapassar em 1933, o ano em que Hitler assumiu o poder: “Voltem os olhos para Cristo quando sentirem medo, mantenham-no diante dos olhos, chamem por ele e orem a ele, creiam que ele está convosco agora, a ajudar-vos. Então o medo empalidecerá e esvanecer-se-á, e a vossa fé no nosso Salvador forte e vivo, Jesus Cristo, vos libertará”.

A fé firme permite confiar em Deus. Vejam os mártires coptas que foram massacrados por terroristas no dia 26 de Maio de 2017, mortos porque se recusaram a negar Cristo. Estes corajosos mártires aceitaram mortes terríveis, por causa da fé.

Ainda assim, a questão não desaparece completamente. Será que o temor a Deus e a fé em Deus chegam para ultrapassar o medo de um atentado? A resposta não é simples. Os terroristas não se limitam a matar os inocentes. Eles atacam o espírito, para intimidar, para cansar, desencorajar e deixar as pessoas inseguras. Os terroristas querem destruir almas e, fundamentalmente, os valores e as esperanças.

E vale a pena fazer aqui uma distinção. Uma pessoa que teme Alá, uma pessoa de fé que reza de forma sincera, que jejua e respeita a tradição islâmica, é um muçulmano. Uma pessoa que encara a sua tradição religiosa como um empreendimento político cujo fim é a purificação de outras tradições – que considera corruptas e corruptoras – é um islamita que não tem qualquer pudor em matar até outros muçulmanos.

Tenho noção do quão difícil vai ser o diálogo que temos de empreender. É difícil saber sequer quando estamos a falar com um muçulmano e quando estamos a lidar com um islamita. É bom que cultivemos uma desconfiança saudável – talvez até um certo nível de medo – quando assistimos a tanta conversa ingénua sobre “diálogo”.

Mas também aqui devemos ultrapassar o medo. Assumir o risco de dialogar com o muçulmano, o fiel muçulmano fiel a Deus, que sofre e é também ele vítima dos terroristas, é uma parte necessária tanto da autodefesa como do esforço para “travar a espiral do medo”. E esse processo de conquistar o medo poderá também ajudar a combater o terrorismo.


(Publicado pela primeira vez no Sábado, 24 de Junho de 2017 em The Catholic Thing)

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Bernie Sanders: Cristófobo e (Indirectamente) Islamófobo

Pe. Mark A. Pilon
Nota prévia: Este artigo do Pe. Mark A. Pilon é importante na medida em que realça uma questão crucial do nosso tempo, nomeadamente a ideia crescente de que os cristãos são indignos de exercerem cargos públicos de responsabilidade simplesmente porque professam certas crenças, mesmo que elas em nada afectem o seu trabalho. O exemplo do interrogatório do senador Bernie Sanders a Russ Vought, aqui descrita, é claro a esse respeito.

Dito isso, o facto de ter escolhido este artigo para traduzir não significa que eu concorde nem com a posição de Vought nem com a posição que o autor parece defender, de que os cristãos e os muçulmanos não adoram o mesmo Deus. Que o fazem já foi repetido não só pelos últimos Papas mas por outros na história da Igreja e está escrito preto no branco em documentos do Concílio Vaticano II.

Filipe


Quando ouvimos falar na perseguição aos cristãos pensamos normalmente nos cada vez mais frequentes ataques levados a cabo por extremistas islâmicos radicais em países de maioria muçulmana no mundo. Mas estas perseguições também acontecem em países ocidentais, embora não assumam a forma de violência física que vemos noutras partes. É mais subtil e acontece ao nível do Governo e de empresas privadas, normalmente sem atenção mediática.

Mas recentemente um exemplo desta perseguição foi filmado durante uma audiência de confirmação no Senado americano. Só causou uma pequena polémica, porque os grandes meios de comunicação não se interessam e não é natural que o Senado faça alguma coisa sobre o assunto. Isto porque o autor das palavras é um menino bonito dos media e de muitos senadores: Bernie Sanders. E para muitos é impensável comparar Sanders a um qualquer Joe McCarthy – ainda que o seu ataque a um candidato cristão, que não é cristão ao modo que Sanders aprova, tenha sido desprezível segundo os padrões do próprio Senado.

O alvo do seu ataque foi Russell Vought, nomeado pelo Presidente Trump para ocupar o cargo de Vice-director do Gabinete de Gestão e do Orçamento. Vought tem ocupado vários cargos no aparelho do Partido Republicano e foi assessor do senador Phil Gramm, o democrata vira-casacas que não é muito popular entre políticos como Sanders. Só isso já teria sido o suficiente para o desclassificar aos olhos de Sanders, mas ele optou por perseguir Vought por causa das suas convicções religiosas, expressas num blog chamado The Resurgent. Um dos assessores de Sanders deve ter desenterrado a informação e entendido que seria um dado capaz de descarrilar a sua nomeação.

Nesse texto Vought defendia a decisão da universidade em que se formou, Wheaton College, uma instituição abertamente cristã, de suspender a professora assistente de ciências políticas Larycia Hawkins, que postou uma fotografia de si mesma no Facebook com um véu islâmico dizendo que o iria usar no trabalho, em aviões e eventos sociais durante as semanas do Advento em solidariedade com os muçulmanos que enfrentavam discriminação religiosa.

Na altura escreveu: “Estou solidária com os muçulmanos porque eles, como eu, que sou cristã, são povos do livro… E como o Papa Francisco afirmou a semana passada, adoramos o mesmo Deus.”

Ainda que o Papa Francisco “pense” que cristãos e muçulmanos adorem exactamente o mesmo Deus, há literalmente milhões de outros cristãos e católicos que “pensam” o contrário, com base nas suas crenças num Deus que é uma trindade de pessoas e de que Jesus Cristo é o único mediador da salvação da humanidade. Francisco não fala em nome de todos os católicos nesta matéria, menos ainda em nome dos milhões de protestantes evangélicos – incluindo a Wheaton College.

Em relação a isto Vought escreveu simplesmente: “Os muçulmanos não têm apenas uma teologia deficiente. Eles não conhecem Deus porque rejeitaram o seu Filho, Jesus Cristo, e por isso estão condenados”.

Sanders revoltou-se: “Do meu ponto de vista a afirmação feita pelo Sr. Vought é indefensável, é odiosa, é islamofóbica e um insulto a mais de mil milhões de muçulmanos em todo o mundo”. Tentou provocar Vought a negar a sua fé. Vought tentou responder, dizendo, “Senador, eu sou cristão.” Mas Sanders interrompeu: “Acha que os não-cristãos vão ser condenados?” e mais tarde perguntou “está a sugerir que todas estas pessoas estão condenadas?” e, enfurecido, “e os judeus? Eles também estão condenados?”

Vought limitou-se a reafirmar a sua crença cristã de que a salvação vem apenas por Jesus Cristo. Mas Sanders concluiu que esta crença era incompatível com uma função pública. “Diria, senhor presidente, que este candidato não tem nada a ver com aquilo que este país representa”.

Incrível é pouco… Vought nunca sugeriu que as suas opiniões religiosas o levariam a negar aos muçulmanos os seus direitos humanos ou sociais e Sanders nem lhe perguntou. Aliás, Vought disse acreditar que “todas as pessoas são criadas à imagem de Deus e são dignas de respeito, independentemente das suas crenças religiosas”. Mas isso não chegou para Bernie, que argumentou que devia ser chumbado precisamente por causa dessa sua fé.

Sanders não é uma pessoa particularmente bem informada no que diz respeito a religiões mundiais e não é muito perspicaz quando sai da redoma da guerrilha política. O que ele não percebe é que ao excluir cristãos como Vought deve, logicamente, excluir a maioria dos muçulmanos também. Para os muçulmanos ortodoxos todos os não-muçulmanos são infiéis, mushrikun (politeístas, idólatras, pagãos, etc.), e como tal não podem entrar no Paraíso. Quase todos os muçulmanos acreditam que todos os infiéis são condenados.

Sobre os infiéis, por exemplo, o Alcorão diz, “São aqueles, cujas obras se tornaram sem efeito, e que morarão eternamente no fogo infernal” (9:17). Quando Hussain Nadim, professor da Universidade Quaid-e-Azam em Islamabad, Paquistão, perguntou aos seus alunos se a Madre Teresa de Calcutá iria para o Céu, “para minha grande surpresa, mais de 80% desta elite académica respondeu claramente que não. Todos os que responderam assim explicaram que embora a Madre Teresa fosse uma mulher nobre, não era muçulmana e, por isso, não podia entrar no Céu”.

A crença de que só os muçulmanos podem entrar no Céu não é professada propriamente por uma minoria de muçulmanos educados, mas é a opinião geral, o que significa que de acordo com o Bernieismo a maioria dos muçulmanos nos Estados Unidos não estão em condições de ocupar um cargo público.

Será que ele os apelidaria de cristófobos que insultam mais de mil milhões de cristãos? Duvido, seria perigoso.

Não, pessoas como Bernie Sanders vêem os cristãos que defendem posições impopulares como “o aborto é homicídio” e “o casamento é apenas entre um homem e uma mulher” como a única verdadeira ameaça ao paraíso secular que quer edificar. Há demasiados poucos muçulmanos neste país para serem uma verdadeira ameaça, mesmo que defendam as mesmas posições. Contudo, servem perfeitamente como instrumentos para classificar os cristãos como inimigos do sistema político americano.


O padre Mark A. Pilon, sacerdote da Diocese de Arlington, Virginia, é doutorado em Teologia Sagrada pela Universidade de Santa Croce, em Roma. Foi professor de Teologia Sistemática no Seminário de Mount St. Mary e colaborou com a revista Triumph. É ainda professor aposentado e convidado no Notre Dame Graduate School of Christendom College. Escreve regularmente em littlemoretracts.wordpress.com

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 17 de Junho de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Opção dominicana e capacidade de escuta

A tarde de ontem foi marcada pela tragédia da explosão na fábrica de pirotecnia em Avões, Lamego. São seis mortos confirmados, mas tudo indica que serão oito. O bispo de Lamego (na imagem) não se quer ficar pelas meras condolências

Outra tragédia aconteceu na Síria, como ontem partilhei. Hoje o Papa classificou-a como “inaceitável”.

O Papa recebeu esta quarta-feira em Roma uma delegação de líderes muçulmanos do Reino Unido a quem falou da importância de se dialogar com base na escuta, e não nos gritos.


Porque hoje é quarta-feira temos um artigo do The Catholic Thing em que David Warren argumenta que tanto ou mais que uma “opção beneditina”, como tem sido proposta pelo americano Rod Dreher, o mundo cristão precisa da inspiração de São Domingos.

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