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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Ser a melhor a lidar com a morte

Casey Chalk
Recentemente uns amigos meus perderam um bebé, nado morto às 24 semanas. Entre a tristeza do momento, o meu amigo decidiu dar nome ao bebé e ligou ao pároco para pedir que se celebrasse uma missa. Num dia frio, no início de Janeiro, vários amigos compareceram. O padre celebrou de forma respeitosa e séria e pregou uma homilia sobre o arquétipo do sofrimento, Job, oferecendo o sacrifício da missa pela alma do pequenino.

No momento não foi fácil perceber o que os meus amigos acharam da celebração – naturalmente eles estavam com ar demasiado pesaroso para que sequer falássemos no assunto. Mas uma semana mais tarde, à volta de umas cervejas, ele disse-me o quanto aquela missa tinha significado para ele e para a família, tanto como forma de honrar a vida do seu filho, como de dar sentido à sua perda. Observando a sua mágoa à distância lembrei-me de uma coisa que me ocorreu pela primeira vez quando, já católico, frequentei o funeral evangélico do meu pai, em 2013: é importantíssimo que a Igreja Católica seja a melhor a lidar com a morte.

O catolicismo tem várias vantagens sobre outras tradições religiosas, mais ainda sobre a sociedade secular. A começar pelo espaço físico onde honramos os mortos. As paróquias católicas, ainda que a arquitectura de algumas deixe muito a desejar, são locais sagrados, nem que seja só pela presença de Jesus no sacrário. Se para além disso houver beleza estética na arquitectura, arte ou decoração interior, melhor. O funeral do meu pai, por mais respeitoso que tenha sido, teve lugar numa sala de conferências alcatifada, com cadeiras desdobráveis, parecia um salão de hotel. Não teve nada de particularmente sagrado ou especial.

Depois temos a doutrina a nosso favor. Claro que devemos aderir aos ensinamentos sobre morte, Céu, Inferno e Purgatório porque acreditamos que são verdade. Mas independentemente disso, oferecem-nos muito mais, em termos de contemplação e participação, do que se encontra noutros lugares.

Nós podemos rezar pelos nossos mortos, de forma a acelerar a sua entrada no Céu. Podemos pedir aos nossos mortos, tanto no Purgatório como no Céu, para rezarem por nós. E podemos comungar com eles no milagre que é a Missa, uma vez que a Eucaristia é uma re-representação não apenas do Calvário, mas do banquete celeste, onde todo o povo de Deus, morto e vivo, está presente.

Isto é muito melhor do que os aforismos secos como “ele agora está num sítio melhor” e é mais robusto do que a crença protestante de que apenas veremos os nossos entes queridos no Céu (desde que tenham sido salvos, claro).

Gosto especialmente dos santinhos que se fazem depois da morte de alguém. Guardo os santinhos de ambos os meus avós católicos e uso-os como marcadores de livros, lembrando-me assim de rezar por eles. É fantástico como a mera visão dos santinhos desperta não apenas orações como também contemplação sobre as suas vidas e a minha. Também temos a tradição de acender velas e oferecer missas pelos nossos entes queridos. O catolicismo coloca à nossa disposição uma rica tapeçaria de formas de honrar os nossos queridos através de Cristo.

Não quero com isto dizer que não seja possível também aos católicos serem maus a lidar com a morte. Fiquei irritado, mas não muito surpreendido, quando vi que o aviso para o funeral do meu pai chamava ao evento uma celebração da sua vida. Mas isto tem-se tornado mais comum até nos enterros católicos. Já fui a funerais católicos em que não se fala do Purgatório nem das nossas orações pelos mortos, como se fosse simplesmente doloroso de mais contemplar a continuação do seu sofrimento. E já fui a enterros em que o padre parecia sugerir que os mortos estavam definitivamente no Céu, como se fosse possível ter essa certeza.

Há uma pagela bastante popular que se vê nos enterros e que diz o seguinte:

Não faças luto…
Nem fales de mim com lágrimas…
Mas ri-te e fala de mim…
Como se estivesse ao teu lado.
Amei-te tanto…
Estar aqui contigo foi o paraíso.

Gustave Courbet
Este tipo de sentimentos são insultuosos para nós e para os mortos. Claro que devemos fazer luto pelos mortos e lamentar a sua perda. A morte é uma realidade dolorosa e terrível da condição humana. Muitos morrem em alturas, ou de formas, que não fazem sentido para nós, deixando os seus familiares de luto mas também, frequentemente, num estado de pobreza emocional e financeira.

São Paulo declarou que com a ressurreição de Cristo a morte tinha sido derrotada e perdido o seu ferrão, mas nunca disse que deixaríamos de sofrer com ela (1 Coríntios 15,55). Mais, o Céu não é uma espécie de expoente máximo das relações terrenas, mas sim o local para onde os fiéis que morrem vão e onde, se Deus quiser, um dia nos juntaremos a eles. Confundir a terra e o Céu é uma forma de empobrecer ambos.

Mas não tem de ser assim. A Igreja Católica possui os instrumentos e a doutrina para nos ajudar a sofrer a tragédia da morte de uma forma que nos conforta, guia e restaura. Quando a Igreja se vale destes dons faz muito mais do que ajudar os enlutados a lidar com a sua perda; honra a Deus, orientando os nossos corações para o louvar.

Reconhece que, nas palavras de São Paulo, somos os mais miseráveis de todos os homens se a Ressurreição não for verdade. Contudo, à luz da encarnação e da ressurreição, temos uma esperança que vai para além de todo o sentimentalismo secular.

Ser o melhor a lidar com a morte é também uma forma de pregar a verdade, tanto para nós, que precisamos tanto dela – especialmente quando estamos emocionalmente vulneráveis – como para os que tomam parte da nossa dor. Que melhor forma haverá de pregar o Evangelho aos descrentes e não praticantes do que mostrar-lhes o facto de que, através de Cristo, a morte não é o fim? Que melhor instrumento de evangelização haverá do que uma missa solene que demonstra, em Cristo, o nosso amor por, e união com, os que amamos?

A Igreja Católica pode ser a melhor a lidar com a morte. E devia sê-lo, como parte da nova evangelização.


Casey Chalk escreve para a Crisis Magazine, The American Conservative e a New Oxford Review. É licenciado em história e ensino pela Universidade de Virgínia em tem um mestrado em Teologia da Cristendom College.


(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no domingo, 2 de fevereiro, de 2020)

© 2020 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Os Judeus São um Sinal

Casey Chalk
O romancista católico americano Walker Percy perguntou certa vez: “Porque é que ninguém acha incrível que na maior parte das cidades do mundo existem judeus, mas não existe um único hitita, apesar de os hititas terem tido uma rica civilização numa altura em que os judeus eram um povo fraco e obscuro? Quando encontramos um judeu em Nova Iorque ou em Nova Orleãs, ou em Paris, ou em Melbourne, é incrível que ninguém ache isso incrível. O que fazem aqui? Se há aqui judeus, porque não existem hititas? Mostrem-me um hitita em Nova Iorque”.

É uma boa pergunta, sobretudo à luz dos recentes ataques antissemitas em Nova Iorque e noutras partes do mundo. Mas eu vou mais longe e digo que os judeus atestam a credibilidade da existência de um Deus pessoal, de aliança.

A credibilidade, embora frequentemente menosprezada, é uma parte importante da nossa fé católica. É abordada logo no início do Catecismo da Igreja Católica (#156). O teólogo e judeu convertido ao catolicismo, Lawrence Feingold, argumenta que há vários “sinais sobrenaturais que manifestam a ação milagrosa de Deus”.

O Catecismo explica: “para que a homenagem da nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados de provas exteriores da sua Revelação”. Estas incluem “os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade” que servem como “sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos (…) mostrando que o assentimento da fé não é, de modo algum, um movimento cego do espírito”.

Feingold comenta: “Os judeus vêem a existência continuada do povo e da fé judaicos através de tantos séculos, e por entre tantas calamidades, incluindo de um exílio de dois mil anos da sua pátria ancestral, como um grande sinal da credibilidade da revelação mosaica que formou a fé.”

Pense em todas as nações que desapareceram da história. Genesis 15 refere, entre as tribos que ocupam a terra de Canaã, os quineus, os quenizeus, os cadmoneus, os hititas, os refaítas, os perizeus, os amorreus, os cananeus, os guirgaseus e os jebuseus. Ou, para quem teve de aprender latim no liceu, consideremos as tribos da Gália conquistadas por Júlio César: tectósages, arvernos, bitúriges, sénones, vénetos, etc..

Assim, o teólogo judeu Michael Wyschogrod observa que “parece um povo indestrutível. Enquanto que todos os povos do mundo antigo desapareceram há muito, o povo judeu continua a viver como vive há dois mil anos.” É certamente um facto admirável, embora haja outras culturas que possam traçar uma ligação aos seus antepassados de há milénios, como os iranianos (persas), os chineses e as tribos dos Andes, na Bolívia e no Perú, entre outros.

Passamos então para outro aspecto de credibilidade: a fé judaica. Não é simplesmente o faco de os judeus terem aguentado a prova do tempo, é também a sua tradição de fé única. Ser judeu é ser membro de uma comunidade religiosa, cujas tradições remontam ao início da história. Desde o tempo das pirâmides e da Troia de Homero, os judeus adoram YHWH, lêem as escrituras hebraicas, praticam ritos como a circuncisão e observam as mesmas restrições alimentares. Como diz Feingold, “mantêm a mesma fé há bem mais de três milénios!”.

Tudo bem, dirá um céptico, e os hindus, do subcontinente indiano, não praticam a mesma religião há cerca de quatro mil anos? Muitos destes hindus, pelo menos os das classes mais altas da sociedade, os brâmenes, estão igualmente focados em proteger a pureza e a exclusividade do seu grupo religioso, linguístico e racial.

Marcas da existência de judeus em Portugal
O que nos leva a um elemento paradoxal desta teoria da credibilidade: a bizarra recusa dos judeus de se despegarem da sua identidade, mesmo quando já rejeitaram a maioria dos seus elementos. Apercebi-me disto quando encontrei um exemplar da Atlanta Jewish Times. A revista, com cerca de 40 páginas, tem várias histórias sobre judeus e judaísmo – os seus feriados, notícias, sucessos. Mas apesar de uma série de histórias sobre sinagogas e rabinos, não encontrei uma única referência a Deus em toda a publicação. Nada de teologia. Nem uma coluna, como costuma existir nos jornais diocesanos, sobre crescimento espiritual.

É verdade que a minha experiência limitou-se a uma edição do Atlanta Jewish Times, mas ficaria muito admirado se YHWH aparece mais do que uma mão cheia de vezes na revista, anualmente. Isto deve-se ao facto e a maioria dos judeus serem agnósticos ou ateus. Um estudo de 2011 revelou que metade de todos os judeus americanos têm dúvidas sobre a existência de Deus. Isto comparado a 10-15% de outros grupos religiosos americanos.

Contudo, apesar do que poderíamos considerar uma profunda “falta de fé” dos judeus, até os ateus mantêm-se comprometidos com os seus, mesmo quando os pais, ou até os avós, não são crentes, como acontece cada vez mais.

Conheço muitos judeus que, apesar de não terem fé, mantêm certas observâncias judaicas e até vão com frequência à sinagoga. Porquê? Porque é que um grupo demográfico de língua inglesa, nacionalidade americana e crenças religiosas inexistentes continua a identificar-se tão fortemente com o judaísmo?

Talvez porque algum poder transcendente (como Deus) os marcou, marcou de forma tão indelével, que mesmo quando perderam a fé em YHWH essa marca persistiu. De que outra forma podemos explicar, citando Feingold, “a sua contínua vitalidade, através de tantos séculos, até aos dias de hoje?”. Não tenho melhor resposta do que acreditar, como alguns judeus e muitos cristãos, que Deus os escolheu.

Como lemos no nosso próprio catecismo: “É ao povo judaico que ‘pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas [...] e os patriarcas; desse povo Cristo nasceu segundo a carne’; porque ‘os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis’.”

O povo judeu, e a sua fé, são mais do que curiosidades históricas – são um dos sinais da credibilidade do Deus da Revelação. Se assim for, ser antissemítico é mais do que apenas preconceito. É uma declaração de guerra contra o próprio Deus.


Casey Chalk escreve para a Crisis Magazine, The AmericanConservative e a New Oxford Review. É licenciado em história e ensino pela Univesidade de Virgínia em tem um mestrado em Teologia da Cristendom College.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 18 de janeiro, de 2020)

© 2020 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Dialogar com os Mórmons

Casey Chalk
“Gozar com os mórmons é”, nas palavras do já falecido teólogo católico Stephen Webb, “uma das últimas fronteiras da desordem verbal que ainda não foi beliscada pelos poderes do politicamente correcto”. O missionário mórmon é frequentemente alvo de ridicularização. “O Livro de Mórmon”, um musical de sucesso escrito pelos criadores do “South Park” brincava com o tradicional missionário da Igreja dos Santos dos Últimos Dias (ISUD), com as suas calças pretas e camisa branca.

Muito do material apologético católico e evangélico ridiculariza as crenças mais excêntricas da ISUD – a corporalidade de Deus, o casamento eterno e os tons de politeísmo, entre outros. Quando eu era um jovem evangélico ensinaram-me que o mormonismo é uma seita. Sejam quais forem as heresias presentes na teologia mórmon, a nossa abordagem aos mórmons, enquanto católicos que somos, precisa de ser repensada. 

A apologética cristã respeitante aos mórmons costuma assumir uma de duas formas. Uma abordagem recomenda atacar as crenças dos Santos dos Últimos Dias através do “texto-prova”. Para os protestantes, isto resulta naturalmente da presunção da claridade da Escritura. Claro que o que parece claro para um provavelmente parecerá muito menos claro para outro, sobretudo se tiver sido catequizado para ler a Bíblia de uma certa forma. Mas existe ainda outra dificuldade quando se debate com os mórmons, é que a ISUD ensina que a Bíblia é subserviente ao Livro de Mórmon, logo eles têm sempre esse trunfo em qualquer debate sobre texto-prova.

A outra abordagem recomenda confrontarmos os missionários mórmons com alguns dos aspectos mais bizarros da sua fé. Um autor católico conhecido descreve uma vez em que conseguiu forçar uns missionários a reconhecer algumas das idiossincrasias das suas crenças. Depois assegurou-lhes que “isso é simplesmente uma loucura”. Não faço ideia porque é que essa estratégia haveria de resultar. Raras são as pessoas que são persuadidas a abandonar a sua religião simplesmente porque um estranho lhes diz que as suas crenças são ridículas.

Aliás, eu diria que isto teria precisamente o efeito contrário. Mais, há muitos não cristãos que consideram as histórias da Bíblia “simplesmente loucas”, e os cristãos não católicos gozam frequentemente com as aparições marianas, como Guadalupe, Lourdes ou Fátima.

Ambas estas estratégias assumem um ponto de partida inerentemente contencioso para o diálogo com os mórmons. Talvez seja natural, tendo em conta as muitas heresias da ISUD. Mas por outro lado isso ignora o facto de os missionários mórmons serem, de provavelmente todos os grupos religiosos nos Estados Unidos, aqueles que mais tentam falar de Jesus na Praça Pública. Nunca um evangélico ou um católico me bateu à porta para pedir para falar sobre Jesus. Mas ao longo dos anos muitos mórmons o fizeram. Duvido que seja caso único. A Igreja Mórmon pode ter ideias erradas sobre Cristo, mas pelo menos têm vontade e são persistentes no seu desejo de falar dele.

Para além disso, os mórmons têm sido aliados constantes de evangélicos, católicos e ortodoxos nas batalhas contra as forças seculares agressivas na América. Têm trabalhado incansavelmente para preservar as suas comunidades, resistir às tentações e influências da cultura pós-cristã e lidar com os ataques contra eles e contra a sua devoção a Cristo. Este zelo viu-se de forma especial há dez anos quando membros da ISUD colaboraram com conservadores de outras religiões para fazer aprovar a Proposição 8, que durante algum tempo proibiu o casamento homossexual no Estado da Califórnia.

Modelo do templo mórmon em construção em Lisboa
E a vida dos missionários mórmons não é nada fácil, poucas são as vocações religiosas que se comparam em termos de intensidade ou sacrifício. Para os homens, as missões duram dois anos; as missões das mulheres são de ano e meio. Durante esse tempo os missionários nunca deixam o seu território de missão. Têm poucas oportunidades de falar com família e amigos. Vivem com um orçamento apertado – muitos comem apenas cereais e noodles, praticamente todos os dias, durante meses. Passam cerca de doze horas por dia em missão, enfrentando muitas vezes hostilidade ou indiferença. Um amigo meu mórmon que foi enviado para o Japão conseguiu converter apenas uma pessoa durante o tempo inteiro que lá esteve.

Para as mulheres o sofrimento e o risco são ainda piores. Uma missionária contou-me uma vez que um homem que parecia sinceramente interessado na sua religião, mas afinal apenas queria casar! Outros homens tentaram abordá-la fisicamente. Certa vez um homem bêbado e quase nu saiu de casa a correr e a praguejar contra ela. Os mórmons, talvez mais até do que outras tradições religiosas, conhecem o falhanço. Recentemente disse a uns convidados que a sua experiência parecia um pouco uma passagem pelo inferno – o mais experiente acenou com a cabeça.

Por tudo isto eu argumentaria que o modo certo para começar um diálogo com missionários mórmons não é polémica e hostilidade, mas hospitalidade. Recentemente a minha mulher e eu convidámos duas missionárias para jantar, e foi muito divertido.

Durante a sobremesa elas sentiram-se na obrigação de partilhar a sua fé. Nós ouvimos cuidadosamente e fizemos algumas perguntas. Disse-lhes que discordava deles por razões teológicas e filosóficas, que expliquei de forma breve. A minha mulher – de forma muito perspicaz – partilhou a sua experiência de ter sido traída pelo padre Marciel Maciel, o fundador dos Legionários de Cristo, que vivia uma vida dupla. Explicou que tinha sido difícil, mas essencial, manter a sua fé em Cristo, mesmo quando aprendeu que o homem que tanto admirava, afinal era um patife. O paralelo com a vida de Joseph Smith, fundador da Igreja Mórmon, foi perfeito e espero que as missionárias o tenham entendido.

Creio que esta abordagem é superior à da confrontação. Sim, os erros teológicos do mormonismo são terríveis. Mas ao mesmo tempo eles estão nas ruas a falar de Jesus numa altura em que cada vez menos pessoas O conhecem. Isso tem de valer alguma coisa. E se quiserem passar cá por casa para partilhar uma refeição, construir uma amizade e trocar opiniões sobre Deus, a nossa porta está sempre aberta.

Se Deus quiser, algo dessa vida partilhada, bem como os nossos testemunhos sobre Cristo e a sua fidelidade à sua Igreja, terão um impacto maior e mais duradouro do que a polémica e hostilidade contenciosa.


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Os “Apenas Cristãos” não têm Noção


Uma das coisas mais irritantes que ouço no diálogo ecuménico é: “Ah, eu não pertenço a nenhuma tradição ou denominação religiosa, sou apenas um seguidor de Jesus”. Pior ainda quando a pessoa assegura, com grande confiança, “não sou protestante, sou cristão.” Nestes casos estamos perante protestantes que não parecem capazes de compreender que são protestantes.

Admito que a vontade de deixar de parte os títulos sectários ou de denominação, é louvável, pois reconhece que as diferenças e as divisões entre os cristãos não são, em si, uma coisa boa. A Igreja Católica subscreve esta visão, lamentando no Catecismo, #817, as “rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo”. Mas, para além disso o slogan “sou apenas cristão” não tem muito que se lhe diga. 

Para começar, é ignorante. Todo o cristão, por mais bem-intencionado que seja o seu “apenas cristianismo”, faz juízos teológicos que o colocam num ou noutro campo. Por exemplo, todos têm de responder à questão sobre como uma pessoa se torna cristã. Bastará recitar a “oração do pecador”? E o baptismo? Alguns baptismos são legítimos, e outros não? É necessário juntar-se a uma comunidade com outros cristãos? Se sim, que características é que essa comunidade deve ter para que seja “verdadeiramente cristã”? Quando se assume como cristão, é possível perder esse estatuto, por exemplo, pela descrença ou comportamento imoral?

As respostas a estas questões colocam o cristão num ou noutro campo: pedobaptista ou credobaptista, “uma vez salvo, sempre salvo”, ou não, etc.. As diferentes tradições eclesiais – católica, ortodoxa, anglicana, presbiteriana, metodista, baptista – fornecem respostas diferentes e, frequentemente, contraditórias, a estas questões e é por isso que as respectivas igrejas estão recheadas de pessoas que, presumivelmente, concordam com essas mesmas doutrinas.

Nunca se é “apenas cristão”. Tem de se tomar uma posição sobre estas questões, e outras, ou então mesmo a afirmação de que se é cristão colapsa.

É também uma questão de soberba. Ao dizer-se “apenas cristão”, a pessoa age como se não existissem tradições teológicas, nenhuma comunidade eclesial fora de si mesma que possua qualquer tipo de autoridade. O cristão que se diz “apenas cristão” define perfeitamente o indivíduo moderno, autónomo e atomizado, que não precisa de mais ninguém para além de si mesmo.

Não se percebe porque é que estes “apenas cristãos” se dão sequer ao trabalho de ler a Bíblia, uma vez que a adesão ao texto os torna dependentes dos seus autores, como São Pedro, São Paulo ou São Lucas. O cristão “apenas cristão” acha que tem as respostas para tudo e que aqueles tontos que debatem questões teológicas simplesmente não compreendem. Jesus, diz o “apenas cristão”, é simples e compreensível, fomos nós que complicámos a sua vida e os seus ensinamentos com todas estas coisas intelectuais.

Por fim, demonstra ainda uma amnésia histórica lamentável. Os proponentes da teologia “apenas cristã” não reconhecem como as suas próprias crenças e práticas foram moldadas por 2000 anos de ensinamentos e de tradições da Igreja. Embora muitos “apenas cristãos” acreditem na Santíssima Trindade, normalmente não sabem que essa doutrina foi definida e promulgada no Concílio de Niceia, no Século IV, nem reconhecem que as suas crenças sobre a salvação costumam ser luteranas ou calvinistas.

Embora a maioria dos “apenas cristãos” leia fielmente a Bíblia, não têm muita noção sobre como é que o livro adquiriu a sua presente forma, ou que é uma coleção de textos diferentes, escritos por pessoas diferentes, em línguas diferentes, traduzidos para o vernáculo de forma imperfeita por académicos. Nem se apercebem que mesmo o conjunto de livros na sua Bíblia, o cânone, foi alvo de grande contestação e que foram necessários três concílios nos séculos quarto e quinto (Hipona, Cartago e Roma) mais outro concílio ecuménico em Trento (século XVI) para o definir com autoridade.

Mais, os “apenas cristãos”, que na sua larga maioria são protestantes, usam uma versão da Bíblia à qual faltam vários livros, chamados os deuterocanónicos, que foram afirmados por esses concílios.

Quando era caloiro na Universidade de Virgínia, tive uma cadeira de História do Cristianismo, dada por Robert Louis Wilken, um académico de renome e ex-luterano convertido ao Catolicismo. A primeira vez que o visitei no seu gabinete, disse-lhe que era cristão. Interessado, perguntou-me a que denominação pertencia. Eu, cheio de mim, disse-lhe que não tinha denominação. Ele não disse nada, mas olhou-me de uma forma que jamais me esquecerei. Dizia, de forma simpática, mas firme, que eu não tinha a menor noção do que estava a falar.

Rapidamente comecei a perceber o que estava de errado na minha afirmação daquele dia, de tal forma que comecei um longo estudo da história e da teologia cristãs para determinar as minhas próprias crenças. Por esta altura já me tinha formado e entrado num seminário reformado (calvinista) e dizia a todos os evangélicos com quem me cruzava que deviam ter uma boa razão para não serem católicos. Embora eu ainda não fosse católico, compreendia bem o que estava em causa: todos os protestantes eram herdeiros de um sistema religioso que tinha rompido com a Igreja Católica.

Eu também já fui “apenas cristão”. E era um idiota. Simplesmente não existe tal coisa. E é por isso que, sempre que me envolvo em diálogo ecuménico com protestantes, dou graças por todos os que compreendem de facto que são protestantes. Pelo menos eles compreendem que as suas crenças não se desenvolveram num vácuo, mas que lhes foram entregues pelos seus antepassados na fé.

Aliás, é precisamente isso que significa a palavra tradição (traditio, em latim). As conversas com protestantes que compreendem quem são, e de onde vêm, tendem a ser muito mais frutíferas e interessantes do que com aqueles que se consideram “apenas cristãos” e que se acham muito espertos e “superiores a tudo isso”, como já foi o meu caso.

A todos os leitores que se definem como “apenas cristãos”, perdoem-me se reviro os olhos e abano a cabeça quando me dizem que a vossa fé transcende as denominações, teologia e história. Nas palavras – ligeiramente modificadas – do falecido Thomas Merton, o orgulho torna a fé cristã artificial; a humildade torna-a real.


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Domingo, 7 de Outubro de 2018)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Voltei de férias, posso-me ir embora outra vez?

Antes de ir de férias falei várias vezes do caso McCarrick, nos EUA. O que para muitos parecia ser apenas uma crise localizada nos EUA revelou-se, como eu já imaginava, uma crise para a Igreja Global que hoje levou o Papa a convocar todos os presidentes de Conferências Episcopais para uma cimeira sobre abusos, em Fevereiro.

Isto no mesmo dia em que o sucessor de McCarrick anunciou que vai a Roma discutir a sua resignação e um relatório na Alemanha, revelado pela imprensa, mostra que houve pelo menos 3.700 casos de abusos sexuais naquele país nas últimas sete décadas.

Neste momento os bispos americanos preparam-se para viajar para Roma para discutir estes assuntos mais directamente com o Papa também e o secretário pessoal de Bento XVI disse ontem, numa data apropriada, que os abusos são o 11 de Setembro da Igreja.

Por cá, os bispos continuam a confiar que as directrizes já aprovadas chegam para lidar com eventuais casos de abusos. Esperemos que tenham razão.

O tema dos abusos continua a merecer atenção por parte dos autores dos artigos do The Catholic Thing. Anthony Esolen dá um murro na mesa neste artigo e o padre Vaverek considera que o que está verdadeiramente em causa é uma crise de abuso de autoridade.

Temos também dois artigos do jovem Casey Chalk. No primeiro ele aconselha-nos a, no meio da tempestade, rezar mais e com mais força e, no de hoje, adverte para o perigo de, no meio dos pedidos de responsabilização, não “protestantizar” a Igreja.

Não Protestantizem a Igreja

Casey Chalk
O actual escândalo de abusos sexuais está a motivar muitos comentários sobre a estrutura do Catolicismo. Num artigo no “The Federalist”, Robert Tracinski afirma que um modelo baseado na ideia de certos homens estarem dotados de uma autoridade de origem divina “entra em conflito com a natureza humana” porque o Catolicismo exige que rejeitemos a possibilidade de “ajuizar por nós mesmos”. Outro artigo da Angela Bonavoglia argumenta que “aqueles que conduzem a obra de Cristo devem ser… mulheres, homens, homossexuais, heterossexuais, trans, jovens e velhos. Devem reflectir a visão dos reformadores de um ‘sacerdócio de todos os crentes’”.

Afirmações destas reflectem nada menos que uma exigência para que a Igreja Católica se protestantize, e têm as suas raízes na afirmação da Reforma de que todos os cristãos possuem a autoridade para determinar a verdade sobre Deus e sobre a Sua Igreja por si.

Martinho Lutero atacou a hierarquia da Igreja Católica com base no sacerdócio universal. No seu livro “Do Cativeiro Babilónico da Igreja”, explica-o da seguinte maneira:

Então, são forçados a admitir que somos todos igualmente sacerdotes, uma vez que muitos de nós somos baptizados, e por isso verdadeiramente o somos; enquanto a eles é confiado apenas o Ministério (ministerium) pelo nosso consentimento (nostro consensu)? Se eles reconhecessem isto saberiam que não têm direito a exercer sobre nós poder (ius imperii, fora daquele que lhes foi confiado) excepto na medida em que nós o tenhamos concedido.

De igual forma, Calvino viu no sacerdócio universal de todos os crentes uma forma de minar a hierarquia católica, apelidando o sacerdócio de “uma infâmia nefasta e blasfémia incomportável, tanto contra Cristo como contra o sacrifício que fez por nós através da sua morte na cruz”. Ele pôs em prática as ideias de Lutero, formulando uma eclesiologia em que os membros da Igreja elegem líderes leigos para governarem os seus pares.

A ideia do “sacerdócio universal de todos os crentes” tem, de facto, raízes bíblicas. É por isso que os Reformadores apelam a ela. São Pedro convida a Igreja a aceitar este chamamento. “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (…) vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (1 Pedro 2, 5-9).

O próprio Catecismo da Igreja Católica afirma que: “Toda a comunidade dos crentes, como tal, é uma comunidade sacerdotal. Os fiéis exercem o seu sacerdócio baptismal através da participação, cada qual segundo a sua vocação própria, na missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei. É pelos sacramentos do Baptismo e da Confirmação que os fiéis são «consagrados para serem [...] um sacerdócio santo»”. (CIC 1546)

Porém, esta ideia deve ser aceite à luz do reconhecimento de que Deus, de facto, instalou líderes para o seu povo, cuja autoridade não pode simplesmente ser negada através da referência ao sacerdócio universal. Há até uma passagem do Antigo Testamento que fornece um exemplo pertinente, impressionantemente semelhante à linguagem invocada pela teologia protestante e pelos católicos anti-episcopais:

E Coré, filho de Izar, filho de Coate, filho de Levi, tomou consigo a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe, e a Om, filho de Pelete, filhos de Rúben. E levantaram-se perante Moisés com duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação, chamados à assembleia, homens de posição.
E congregaram-se contra Moisés e contra Arão, e disseram: Basta-vos, pois que toda a congregação é santa, todos são santos, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do Senhor? (Números 16, 1-3)

Moisés, de Miguel Ângelo
Coré e a sua laia argumentam que Deus fez de todo Israel um povo santo e que por isso Moisés e Aarão não têm qualquer direito a exercer autoridade sobre eles. Trata-se de uma autêntica rebelião, não apenas contra os líderes divinamente instituídos, mas contra o próprio Senhor. Moisés diz mesmo aos rebeldes: “Assim tu e todo o teu grupo estais contra o Senhor” (Números 16, 11)

A resposta de Deus a esta traição é rápida e dramática:

E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra que estava debaixo deles se fendeu.
E a terra abriu a sua boca, e os tragou com as suas casas, como também a todos os homens que pertenciam a Coré, e a todos os seus bens. E eles e tudo o que era seu desceram vivos ao abismo, e a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação. (Números 16:31-33)

Eis o que acontece a quem procura destruir as instituições estabelecidas pelo próprio Deus, são consumidos, segundo as escrituras.

A liderança da Igreja Católica ocupa uma posição de autoridade divinamente ordenada, tal como a de Moisés. Jesus, aliás, fala mesmo dos líderes judeus como estando sentados “sob a cátedra de Moisés”, o que lhes confere a autoridade de governarem o Povo de Deus.

Os nossos bispos (e o nosso Papa), não obstante os erros, juízos errados e pecados que possam ter cometido, continuam firmemente sentados nessa cátedra. Em várias passagens do Novo Testamento lemos que os líderes da Igreja gozam de autoridade apostólica. São Paulo, por exemplo, fala do episcopado como sendo conferido pela imposição das mãos (1 Timóteo 1,6 e 4,14).

Reconhecer a mão de Deus na contínua liderança da Igreja não é, claro, um cheque em branco para os nossos líderes – eles serão julgados por Deus pelos seus pecados e nós temos todo o direito em exigir que assumam os seus erros e que sejam disciplinados quando esses erros forem particularmente gravosos. Por vezes há até bispos e cardeais que devem ser removidos – não por nós (lamento Lutero), mas por outros que tenham autoridade para tal.

Sejam quais forem as medidas tomadas contra os líderes eclesiais que nos falharam, talvez um bom conselho neste tempo de crise seja aquele dado por Jesus logo depois de se ter referido à “cátedra de Moisés”. Nosso Senhor ordena: “Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem” (Mateus 23,3).


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Domingo, 9 de Setembro de 2018)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Rezar Mais e com Mais Força

Casey Chalk
As últimas semanas têm sido muito complicadas para apologistas católicos. O escândalo McCarrick causou muitos danos, afectando gravemente um dos cargos mais elevados da Igreja. Seguiu-se a anunciada revisão do Catecismo da Igreja Católica sobre a pena de morte e por fim abriram-se as comportas das notícias de encobrimentos, já com décadas, de abusos sexuais numa série de dioceses em todo o país. Os críticos do Catolicismo têm material para vários anos. O que é que um apologista deve fazer?

A minha sugestão? Calar-se e rezar.

Esta ideia ocorreu-me depois de uma recente conversa com um amigo – também ele apologista leigo – que lê o que escrevo em várias publicações católicas. Pediu-me a minha opinião sobre como fazer sentido das mudanças em relação à pena de morte – bem como em relação ao pontificado do Papa Francisco em geral.

Senti-me muito humilde, e um pouco preocupado, com o facto de alguém querer saber a minha opinião sobre assuntos tão complexos. Mas o meu amigo, apesar de ter pouca formação formal, percebe bastante de teologia, das Escrituras e da apologética católica. Ainda assim estava a ter dificuldades, sobretudo em relação ao Papa. Pensando em práticas católicas comuns que incluem rezar pelas intenções do Santo Padre, perguntei-lhe com que frequência reza o terço. Respondeu que o faz cerca de uma vez por semana.

Eis a raiz do problema. Não quero apontar o dedo especificamente ao meu amigo, pelo menos ele foi honesto. Devo reconhecer publicamente que, apesar de escrever publicamente sobre vários assuntos católicos, sei que não rezo o suficiente. Às vezes, embora não neste preciso momento, sinto uma forte vontade de deixar de lado os meus trabalhos académicos ou a minha escrita e simplesmente rezar. Para minha vergonha, reconheço que quase sempre ignoro essa voz suave.

Mas aqueles de nós que procuram defender a fé católica negligenciam a oração à nossa conta e risco. Os apologistas adoram citar 1 Pedro 3,15, o nosso lema: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” Aliás, esse versículo é usado para justificar toda uma indústria, tanto no Catolicismo como no Cristianismo em geral.

Mas se lermos as escrituras por inteiro, esta passagem é uma raridade. Outros versículos e histórias – como passagens sobre São Paulo, nos Actos dos Apóstolos – também apontam para a importância da apologética. Mas estes estão em minoria quando comparadas com a insistência da Bíblia em relação à oração.

Nas Escrituras encontramos cerca de 650 orações e aproximadamente 450 respostas a orações. Jesus reza cerca de 25 vezes diferentes durante o seu ministério terreno. Paulo refere-se à oração, incluindo relatórios de oração, pedidos de oração e exortações à oração, 41 vezes. A primeira vez que se menciona a oração na Bíblia em Génesis 4,26 – muito tempo antes de qualquer referência à apologética!

Os católicos expendem muita energia mental e emocional em debates sobre a nossa fé. As editoras católicas e os ministérios de leigos dedicam enormes recursos a livros, programas de rádio, panfletos e sites apologéticos. Claro que falo só com base na minha experiência, mas posso dizer com alguma segurança que devem existir dezenas de sites com as mesmas respostas às objecções mais comuns à fé católica. Claro que a redundância pode ser útil – quanto mais divulgarmos isto pela internet, mais provável é que alguém o leia. Mas devemos ser tão diligentes, se não mais ainda, em espalhar as nossas orações pelo mundo, bem como pela internet.

Se estamos dispostos a entrar em discussões públicas, ou defesa, sobre a nossa fé, então no mínimo devemos estar a incorporar a leitura do Evangelho, o terço e oração livre na nossa rotina diária. A missa diária, para quem isso é possível, é também um arma potente no nosso arsenal de apologética. Nestes tempos de confusão na Igreja, precisamos cada vez mais dessas armas de combate espiritual.

Ainda para mais, em muito do nosso trabalho apologético está implícito um certo semi-pelagianismo. Embora todos os apologistas, tanto leigos como clericais, devam ser elogiados por despender tempo e energia em defesa da Igreja, por vezes questiono-me se não estará reflectido nestes esforços uma falta de vontade de simplesmente confiar as coisas a Deus.

Insistimos e pressionamos, escrevemos, debatemos, discutimos, na esperança de que, eventualmente, algo resulte que possa persuadir os nossos interlocutores de que a Igreja é aquilo que afirma ser, o depósito da totalidade da fé, onde Cristo habita na Eucaristia. Será que por vezes não estamos dispostos a deixar Deus tomar a dianteira, regressando a ele em oração, unindo-nos a Cristo, procurando a sua face e pedindo-lhe que seja Ele a edificar a sua Igreja?

Há uma história famosa sobre a Santa Madre Teresa de Calcutá. Uma freira estava com dificuldade em gerir a sua agenda complexa e ocupada. Sentia-se assoberbada e procurou orientação junto da superiora. Talvez estivesse à espera que a madre Teresa lhe ajudasse a planear melhor a agenda, ou talvez esperasse que a santa lhe concedesse férias.

Seja como for, a resposta da Madre Teresa foi aquela de que todos precisamos: disse à freira para passar mais tempo em oração. A verdade é que haverá sempre mais debates, mais ataques à Igreja, mais pessoas a precisar de ouvir argumentos fortes e convincentes para o Catolicismo. Mas fomos feitos para Deus, e se tentarmos fazer a sua obra sem a sua presença, o nosso ministério sofrerá.

Por isso, para todos os que andam com a cabeça às voltas devido às muitas crises que estão a abalar a nossa amada Igreja, vou oferecer apenas um conselho, e depois vou adoptá-lo eu: rezar mais, e com mais força.


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Domingo, 26 de Agosto de 2018)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Confissões de um Convertido

Casey Chalk
Este ano teceram-se várias considerações sobre os 500 anos da Reforma. Para mim, 2017 foi também um ano de comemoração pessoal: faz sete anos desde que regressei ao Catolicismo. Uma noite de conversa com um padre dominicano transformou-se numa vontade impulsiva para me confessar (não o fazia desde os sete anos). Mas se a recordação da Reforma tem sido razão tanto para introspecção e luto, o aniversário do meu regresso a Roma também. “Perda e Ganhos”, o título de um romance filosófico do Cardeal John Henry Newman, sobre a conversão de um aluno em Oxford ao Catolicismo, descreve bem aquilo que senti.

A vasta maioria dos testemunhos de conversão ao Catolicismo focam tudo o que se ganha ao entrar na Igreja fundada por Jesus. Isso é bom, a Igreja não é apenas algo que Ele estabeleceu há milénios, é onde Ele continua a residir. Mais, sendo verdadeiramente universal, engloba tudo o que é bom, verdadeiro e belo. Em todo o caso pode ser útil para potenciais convertidos, bem como para aqueles que os irão encontrar, descrever também aquilo que se perde.

Comunidade: Eu fazia parte de uma pequena e conservadora comunidade cristã alinhada com a Igreja Presbiteriana na América (PCA). A minha congregação da PCA contava com uns 150 fiéis ao domingo. Eu conhecia praticamente todas as famílias e elas conheciam-me. Conversávamos depois do serviço, às vezes durante horas. Tinha visitado as casas de muitos deles. Quando uma família tinha um bebé era anunciado na igreja e os diáconos asseguravam que não lhes faltava nada, incluindo refeições enquanto se adaptavam. Havia dois serviços compridos ao domingo, estudos bíblicos e vários eventos durante a semana ou fim-de-semana… A nossa vida rodava intimamente à volta de um pequeno grupo de pessoas. Era uma verdadeira bênção, envolvendo abertura aos outros, sacrifício e amor profundo. É difícil esconder as nossas falhas e falhanços numa comunidade destas; quando somos amados apesar de os nossos pecados serem conhecidos, o Evangelho ganha vida.

Em contraste, na minha primeira missa depois de regressar à Igreja não houve qualquer convite para eventos depois da celebração. Nada sobre grupos de jovens ou estudos bíblicos. Ninguém na paróquia sabia que era a minha primeira vez lá. Era anónimo. Aos poucos acabei por descobrir vários grupos sociais católicos, mas a missa de domingo continuou a resumir-se a uma hora por semana sentado sozinho, sem que ninguém me abordasse. A paróquia católica que frequentei durante os primeiros anos após a minha conversão ficava a algumas centenas de metros do quartel dos bombeiros onde a minha congregação presbiteriana se reunia para os serviços. Isolado na minha nova paróquia, senti-me muitas vezes tentado a descer a rua e voltar para lá.

Uma cultura partilhada: Enquanto cristão reformado fazia parte de um mundo pequeno e paroquial. A denominação tinha apenas cerca de 330.000 membros em todos os Estados Unidos, e talvez uns poucos milhões de pessoas no resto do país que se identificariam como “reformados” ou “calvinistas”. Paradoxalmente, isto teve o efeito de aprofundar os nossos laços neste pequeno “gueto” calvinista. Líamos os mesmos livros, cantávamos os mesmos cânticos e falávamos a mesma linguagem. Também partilhávamos uma herança comum com os nossos “santos”, homens em grande medida desconhecidos fora do nosso pequeno mundo, como J. Gresham Machen, Charles Hodge, B.B. Warfield, Robert Lewis Dabney. Orgulhavamo-nos muito desta cultura reformada. Na verdade tínhamos de o fazer. Uma comunidade cristã assim tão pequena precisa de uma grande fonte de riqueza cultural partilhada para conseguir sobreviver.  

Quando deixei o presbiterianismo deixei para trás quase tudo isso. As paróquias católicas não cantavam os cânticos que eu conhecia, não liam os livros que me tinham formado e não estavam interessadas no que o meu pequeno mundo de cristianismo tinha para oferecer. Sejamos claros, eu sabia que a maior parte da minha formação cristã era imprecisa ou incompleta, e que os “santos” reformados eram pouco em comparação com a santidade ou o brilhantismo de um São Tomás de Aquino, São Francisco de Sales ou Santa Teresa de Lisieux.  

Em muitos aspectos tive de recomeçar tudo do início, aprendendo a cantar a Salve Rainha em latim, desenvolvendo um conhecimento e apreciação das diferentes correntes culturais, litúrgicas e teológicas que existiam na Igreja e encontrando algo no Catolicismo a que poderia chamar meu. Sete anos mais tarde tenho sem dúvida mais orgulho e lealdade para com a Igreja Católica e a maravilhosa diversidade das suas manifestações culturais do que alguma vez tive para com o calvinismo. Mas tive de passar por isso sozinho.

Pessoas: Deixei para trás algumas centenas de presbiterianos com quem já tinha desenvolvido uma relação espiritual profunda. Meses depois da minha conversão uma rapariga calvinista com quem tinha tido um namoro sério – e com quem tinha querido casar – disse-me que se eu regressasse ela concordava em casar comigo. Isso é que é guerra espiritual! Disse que não (depois de algumas noites em branco!). Muitas das minhas outras relações não românticas com ex-correligionários persistem, graças a Deus. Mas tristemente essas relações estão agora incompletas, estamos agora separados pelo facto de não podermos comungar dos elementos mais universais do Cristianismo Católico: A Eucaristia e a união com o episcopado apostólico.

Estas feridas são verdadeiras e são a razão pela qual escrevo estas linhas. Em breve estaremos a celebrar o Natal e já sei o que está no topo da minha lista: a unidade de todos os cristãos, sobretudo estes meus irmãos calvinistas. Quando entrei na Igreja Católica ganhei Cristo e tudo o que Ele tão generosamente ofereceu ao seu corpo místico. Mas perdi a comunhão de alguns dos meus melhores amigos, aqueles por quem rezo, para que um dia se juntem a mim em Roma.

A sua separação (e a de todos os protestantes) é uma verdadeira perda e deve encorajar-nos a todos a ajudá-los a descobrir não só a verdadeira herança apostólica, mas também a fonte e o cume de tudo o que anseiam: comunhão com Cristo na Eucaristia. É aí que encontraremos aquilo pelo qual Ele rezou com tanto fervor em João 17: que sejamos um – uma boa coisa pela qual rezar nesta época de Advento.


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Sábado, 2 de Dezembro de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Jesus e o Revisionismo Histórico

Casey Chalk
A indignação contra monumentos a figuras históricas está a começar a adquirir contornos de histeria cega. Na américa estão na mira dos activistas os confederados mortos, juízes do Supremo Tribunal, Cristóvão Colombo e até um médico do século XIX conhecido por ser o “pai da ginecologia”. Na Alemanha há quem peça a remoção de estátuas de Martinho Lutero por causa do seu antissemitismo. Em tudo isto há uma certa ingenuidade e presunção: “Se eu estivesse vivo naquele tempo, não teria cometido essas ofensas”. Mas as palavras de Jesus aos escrivas e aos fariseus respondem muito bem a esse tipo de pensamento simplista e presunçoso.

Os escribas e os fariseus, a elite religiosa do Judaísmo do primeiro século, acreditavam ser os herdeiros dos seus antepassados rectos. Jesus fala directamente à sua presunção:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? (Mat. 23:29-33)

Os escribas e os fariseus, na sua presunção, afirmavam que se fossem vivos naquele tempo jamais teriam cometido tais actos.

Com a nossa geração passa-se o mesmo. Emitimos juízos sobre as gerações passadas, com um ar de autossatisfação pelo esclarecimento do nosso próprio tempo, claramente o mais virtuoso de todos os que o precederam. As gerações anteriores – e certamente aquelas responsáveis pela descoberta, fundação e preservação inicial da nossa nação – eram ignorantes, supersticiosas e imorais. Nós somos científicos, realistas e sábios. Vemos filmes sobre injustiça social, como o “Selma” ou “12 Anos Escravo” e raramente imaginamos que seríamos capazes de tal preconceito ou mal moral.

A verdade é que se estivéssemos no lugar dos nossos antepassados e enfrentássemos os mesmos desafios, a maioria de nós provavelmente cometeria os mesmos erros. Os homens têm uma tendência natural para tentar encaixar com a maioria, evitando assim o risco de perseguição ou serem ostracizados. Poucas pessoas em cada geração tomam a decisão certa, o imperativo moral correcto, precisamente porque as consequências são tão graves. Quem o faz é considerado santo, e bem, pela Igreja. É por isso que os profetas do Antigo Testamento estavam sempre em minoria contra uma maioria egoísta e preguiçosa.

Mas Jesus lançou ainda mais avisos aos presunçosos:

Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração. (Mat. 23:34-36)

Recentemente esta estátua do Pe. António Vieira, em Lisboa
também foi alvo de uma acção de protesto
Quanto mais rejeitamos uma avaliação justa e honesta de nós mesmos e do nosso tempo, mais provável é que cometeremos o mesmo tipo de injustiça e maldade que tanto detestamos nos outros e no nosso passado. A presunção alimenta uma incapacidade de ver a verdade sobre nós mesmos e a nossa cultura. Alguém se espanta por ver que as vozes mais radicais que pedem a remoção de qualquer figura histórica contaminada por racismo ou sexismo são, essencialmente, as mesmas que defendem o aborto e a eutanásia?

Jesus termina a sua série de avisos com um lamento por Jerusalém, num tom mais pesaroso que zangado e acusatório:

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor. (Mat 23:37-39)

A América e o mundo não precisam de mais críticas presunçosas às figuras do nosso passado. O que precisamos é de introspecção, arrependimento e caridade. Introspecção e arrependimento pelos erros não só do nosso passado, mas do presente. Caridade que aborda a nossa herança, por mais defeitos que tenha, com um pouco mais de humildade.

Um povo cego a uma avaliação honesta e caridosa da sua história – e do papel de Deus em, e através de, um povo imperfeito e pecaminoso – estará igualmente cego à sua obra no presente. Mais, esta nossa tendência de demolir monumentos e de mudar o nome a feriados – que rapidamente se está a tornar um movimento ideológico mais alargado – acaba por ser mais divisivo que unificador e reconciliador. Como Jesus e o nosso 16.º Presidente avisaram, uma casa dividida contra si mesma não permanecerá de pé.


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Domingo, 12 de Novembro de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Gentil Martins e a dimensão sensorial do Catolicismo

O Papa convidou esta quarta-feira a rezar pelas vítimas das máfias, isto no aniversário do assassinato de um juiz italiano.

Decorreu a peregrinação nacional da Pastoral Penitenciária, com o objectivo de levar esperança aos reclusos.

No mail de segunda-feira esqueci-me de partilhar a entrevista feita por Aura Miguel ao arcebispo Athanasius Schneider. Só existe versão áudio, mas podem ouvir aqui.

Anda meio mundo zangado com Gentil Martins, mas pela razão errada. Eu também estou zangado com ele, mas por razões diferentes. Saiba quais.

E hoje temos novo artigo do The Catholic Thing em português. O jovem Casey Chalk faz um elogio à dimensão sensorial do Catolicismo, que diz fazer falta à tradição protestante em que o próprio nasceu e foi criado.

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