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quinta-feira, 7 de junho de 2018

Crise humanitária à vista em Moçambique

Ilha do Ibo, Moçambique
Continuamos a assistir a tragédias em Moçambique, onde alegados jihadistas lançam o pânico no distrito de Cabo Delgado. Muitos civis procuram fugir para as ilhas de Matemo e de Ibo, onde simplesmente não existem condições para os acolher a todos. Adivinha-se uma crise humanitária.

A crise de abusos sexuais no Chile continua a abalar a Igreja. Mais um padre foi suspenso. Recordo que este é o tema de um dos artigos do The Catholic Thing das últimas semanas.

D. Antonino Dias escreveu uma carta pastoral com “orientações positivas” de ajuda aos divorciados e o bispo da Guarda fala da importância do diálogo ecuménico.

De ontem, uma notícia triste. O padre de Maceira, em Leiria, foi encontrado morto numa praia. Tinha apenas 38 anos, não se sabe como morreu.

Se não tenho filhos, porque é que devo pagar as escolas? Se não uso o hospital público, porque é que devo pagar por eles? Esta e outras dúvidas respondidas pelo grande Randall Smith, do The Catholic Thing em português.

Normalmente evito traduzir os artigos mais doutrinais, mas Randall Smith tem um jeito especial para tornar mesmo os assuntos mais teóricos fáceis de compreender. Aproveitem!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Jihad em Moçambique?

Jihad em Moçambique?
Está a acontecer uma jihad em Moçambique? Há indicações que sim, mas pode ser que não… Andei a investigar o assunto e com a ajuda do arabista Raúl Braga Pires, do dirigente islâmico Khalid Jamal e do bispo de Pemba, cheguei às conclusões que pode encontrar neste artigo.

O Papa Francisco está satisfeito com o facto de a Coreia do Norte e a Coreia do Sul apresentarem-se em conjunto nos jogos olímpicos de Inverno.

Já o Papa emérito, Bento XVI, escreveu uma carta publicada num jornal italiano em que fala da sua fragilidade, nesta última fase da sua peregrinação “para casa”.

Ainda sobre a notícia de ontem das orientações pastorais para a aplicação do VIII capítulo do Amoris Laetitia em Lisboa, aqui podem encontrar as mesmas em língua inglesa, caso estejam interessados ou conheçam quem esteja, podem partilhar.

Hoje é dia de Catholic Thing. O nosso amigo Randall Smith fala da pastoral dos homossexuais. “Será que estas divisões partidárias sobre “a melhor forma” de ajudar cristãos homossexuais está mesmo a ajudar alguém? Ou devemos deixar as pessoas fiéis ao ensinamento da Igreja fazer o seu melhor, e deixar os homens e mulheres homossexuais que procuram orientação da Igreja ajudar-nos a fazer sentido de tudo isto?” A ler.

Um desafio a todos os que se interessam por aprofundar o tema dos métodos naturais de planeamento familiar, o Movimento de Defesa da Vida vai organizar um workshop no fim-de-semana de 10 e 11 de Março. São 13 horas de formação e o custo são 80 euros, mas há descontos para casais e ninguém deve deixar de se inscrever por dificuldades financeiras. Os profissionais de saúde que tenham interesse em tornar-se monitores devem inscrever-se e dar conta dessa intenção aos organizadores. 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

As Duas Religiões do Alcorão

Howard Kainz
É urgente que os cristãos leiam e compreendam o Alcorão, para poderem compreender melhor uma religião que está constantemente nas manchetes. Mas isso é pedir muito, porque o Alcorão é uma mistura de capítulos, escritos em tempos diferentes, organizados por ordem de comprimento, do maior ao mais curto, misturando assim os pensamentos primordiais de Maomé em Meca com ditos muito diferentes posteriores à fuga para Medina.

No livro A Simple Koran, Bill Warner ajuda-nos a ultrapassar essa confusão, reorganizando o Alcorão por ordem cronológica, ao longo dos 23 anos em que Maomé propagou a sua nova religião. Esta abordagem, composta quase inteiramente por textos do Alcorão, com ocasionais subtítulos ou explicações, demonstra bem como o Islão evoluiu durante a vida de Maomé e ilumina a divisão crucial entre aquilo que Aayan Hirsi Ali descreve como “Muçulmanos de Meca” e “Muçumanos de Medina”.

As primeiras passagens do Alcorão, de Meca, derivam da sua conversão das múltiplas religiões politeístas que existiam em torno do santuário da Kaaba, ao monoteísmo. Algumas fontes dizem que eram adoradas até 360 divindades em Meca. Mas Maomé pregava a sujeição ao único Deus, Allah.

Mas houve um percalço. Maomé parecia ter permitido que três deusas fossem veneradas juntamente com Allah. De acordo com a biografia Twenty-Three Years, escrita por ‘Ali Dashti, dois versículos na Sura 2:19-22 diziam originalmente: “Pensastes em Lāt e em ‘Ozzā? E em Manāt, a terceira, a outra? Essas são os grous em voo. Por isso pode-se esperar pela sua intercessão”

Esta passagem parecia reconhecer a divindade das três deusas, juntamente com Allah. Mas Allah acabaria por repreender Maomé por estes “versículos satânicos”, que foram corrigidos em versões posteriores do Alcorão. A partir de então pregou-se apenas o monoteísmo rigoroso. (Salman Rushdie esreveu um romance sobre esta passagem e continua em vigor uma fatwa do Ayatollah Khomeini a exigir a sua morte).

As primeiras partes do Alcorão reescrevem o Antigo Testamento, explicando que Abraão, Lot, Moisés, etc., eram na realidade todos muçulmanos e que todos aqueles que rejeitam o Islão acabam no inferno. Aparecem várias histórias imaginativas sobre Moisés, que normalmente têm pouco a ver com a versão bíblica.

Tais revisões das histórias do Antigo Testamento eram acompanhadas por constantes avisos sobre a tortura eterna no inferno reservada aos Kafirs (não-muçulmanos) que não se convertam. Isto torna-se um tema recorrente ao longo do Alcorão, que tem 290 versículos sobre o Inferno e mais de 300 referências ao temor de Allah, a quem é devida Islam (submissão) servil, como que a um senhor. Por exemplo: “Os Kafirs de entre os Povos do Livro e os idólatras arderão eternamente nos fogos do Inferno. De todos os seres criados, eles são os mais desprezíveis” (98:6)

Em contraste, aos que aceitam a mensagem de Maomé é prometida uma recompensa celestial, em que se encontrarão sobre “poltronas decoradas”, servidos por “jovens rapazes imortais” a trazer-lhes fruta, vinho e “a carne de aves”, bem como as atenções amorosas de houris virginais.

O povo de Meca, duvidando das suas credenciais, pediram-lhe sinais de que se tratava de um profeta verdadeiro. Maomé apontou para uma litania de coisas como sinais – “a sucessão da noite e do dia”, “a chuva enviada por Allah”, “relâmpagos”, “as mudanças dos ventos”, “folhas verdes e cereais”, “a vossa sonolência noite e dia”, “a vossa busca pela generosidade de Allah”, “os navios, como montanhas no mar”, etc.

Exasperado pelas exigências de sinais mais claros, Maomé responde. “Os sinais estão somente no poder de Allah. Eu sou apenas o que traz o aviso. Não chega para eles que te tenhamos revelado o Livro, para lhes ser recitado? (28:48). Por outras palavras, o Alcorão é em si mesmo um milagre que confirma Maomé como profeta.

Maomé não teve grande sucesso em Meca; acabou com apenas 150 convertidos. Mas tinha alguns seguidores em Medina e foi para lá que fugiu quando a situação em Meca se tornou perigosa.

A Hegira (emigração) de Maomé e dos seus discípulos para Medina aconteceu em 622. Medina era uma cidade meia judia e meia árabe. Os judeus, a classe abastada, eram em larga medida artesãos e agricultores. Tinham aliados entre os árabes, mas reinava uma atmosfera de animosidade e de ciúme. Alguns árabes acreditavam que viria um profeta para os guiar à vitória sobre os judeus. Rapidamente começaram a ver que Maomé poderia ser esse homem. Fizeram-lhe um juramente de fidelidade e ofereceram-se para o proteger com armas, caso fosse necessário. Em breve Maomé começou a agir como um líder militar e a enviar combatentes em raides armados contra as caravanas de comércio que chegavam a Meca. Ao longo de nove anos levaram a cabo sessenta e cinco ataques (Maomé esteve presente pessoalmente em 27), bem como vários assassinatos e execuções.

As ameaças de condenação eterna por rejeitar Maomé começam nesta fase a tornar-se mais gráficas – Allah “destruirá os vossos rostos e virará as vossas cabeças ao contrário” (4:47), dará aos descrentes “fogo por vestuário”, “despejará água a ferver nas suas cabeças”, “escaldará as entranhas e a pele” e batê-los-á com “varas de ferro” (22:19).

Já Maomé começou a gozar de privilégios especiais: Os despojos de guerra (limitado a uma quinta parte do total), e mulheres e escravas para além dos limites que se aplicavam a outros (a comitiva amorosa de Maomé acabaria por incluir nove mulheres e várias escravas).

Irrompeu uma nova onda de violência quando os judeus de Medina e até mesmo muitos árabes rejeitaram a reivindicação de Maomé de ser um profeta enviado por Allah. A jihad islâmica tornou-se essencial para espalhar o Islão na Arábia e noutras partes. Um quarto dos versículos de Medina são exortações à jihad e promessas sobre as recompensas não só para a comunidade muçulmana, mas para guerreiros individuais. 

Nos seus anos finais Maomé começou a comportar-se como um profeta-rei. Cada aspecto da vida estava sob o seu controlo – horas de oração, proibições alimentares, o uso de véus, heranças, testamentos, punição por crimes, distribuição de impostos, etc. – tudo obedecendo a sentenças de Allah.

Resumindo, uma leitura cronológica/biográfica do Alcorão revela tremendas diferenças entre as partes anteriores e as posteriores. Não há apelos à jihad no Alcorão de Meca, nem antissemitismo, apenas apelos pacíficos à conversão. Mas em Medina temos a formação gradual de um verdadeiro exército, inspirado a conquistar, literalmente, o mundo para o Islão.

O Islão enquanto “religião da paz” tem, por isso, alguns fundamentos corânicos, mas a história islâmica e os eventos contemporâneos deixam claro que a justificação corânica para a jihad violenta é talvez maior.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 9 de Dezembro de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Católicos portugueses na Birmânia e padres que não existem

O Papa Francisco chegou esta segunda-feira à Birmânia e já se encontrou com o responsável das Forças Armadas que – aqui entre nós – é quem manda verdadeiramente no país.

Francisco vai ser calorosamente acolhido pelos católicos birmaneses que são todos, sim todos, descendentes de portugueses. Nesta reportagem, que me deu muito gozo fazer, pode ver imagens de alguns destes luso-birmaneses e ler o testemunho de um deles que, quando visitou Portugal a primeira vez, diz que se sentiu em casa.

Lembram-se da “correcção filial” que um grupo de padres e de teólogos simpaticamente fez chegar ao Papa, acusando-o de propagar heresias? Pois esse documento tinha um único signatário português. Fomos à procura dele… O resultado foi bastante surpreendente.


E temos ainda a notícia terrível do pior ataque terrorista dos últimos anos no Egipto. Desta vez não foram os coptas, foram os muçulmanos sufis que foram massacrados. O Papa rezou pelas vítimas e os cristãos do Egipto tocaram os sinos de todas as igrejas em solidariedade.

Não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing, sobre duastendências preocupantes. Primeiro, a recusa em discutir criticamente a relação entre o Islão e a violência e, segundo, a recusa em aceitar vozes dissonantes do politicamente correcto nas universidades americanas. Há-de cá chegar…

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Jihad em Stanford, Georgetown e Além

Matthew Hanley
É mais difícil ser aceite em Stanford do que em qualquer outra universidade americana, apenas 5% dos candidatos o conseguem. Mas recentemente Stanford achou por bem admitir uma pessoa que usou o espaço concedido para o ensaio de candidatura – em resposta à questão “o que é importante para si, e porquê?” – para escrever 100 vezes “#BlackLivesMatter”. Imaginem como se devem sentir os candidatos merecedores que ficaram de fora.

Acontece que este candidato tinha estagiado com a Hillary Clinton (obviamente); acontece também que é muçulmano. Mas nenhuma das reportagens nos media se preocupou em saber como ele reconcilia a sua evidente preocupação por vidas de negros com o facto de ainda haver escravatura de negros em partes de África, às mãos de muçulmanos. Mais ninguém o faz, em mais parte nenhuma. Não é uma imagem bonita.

Estará este aluno de Stanford a repudiar o exemplo de Maomé, que detinha escravos e aprovou pessoalmente incursões para a captura de escravos? Estará? Podemos achar que tudo isto é uma vergonha, e deixar por aí. Mas há mais a dizer sobre o facto de ser mais fácil entrar em Stanford do que abordar factos desconfortáveis sobre o Islão naquela universidade. Perguntem ao Robert Spencer.

Um grupo de alunos convidou-o para ir à Universidade falar dos seus estudos meticulosos sobre as fontes islâmicas que justificam e até ordenam a jihad. O resultado foi uma indignação generalizada, pedidos para que o evento fosse cancelado e um apelo ao boicote. Embora ele saiba mais sobre o assunto do que a maioria dos imãs, os alunos agitados apelidaram-no de “ininteligível”, “não académico” e “lixo”. Os administradores lamentaram o seu alegado historial de incitação ao ódio.

Será que Stanford desencoraja a tomada de posição contra coisas hediondas como o assassinato em nome da jihad, escravatura, as muitas indignidades que a sharia reserva para as mulheres, etc., quando estas se encontram embebidas de tal forma numa religião? Será esta religião tão merecedora de adulação acrítica que estes aspectos devem ser ignorados?

Stanford não imitou a postura de Berkeley, cancelando o evento ou recorrendo à brutalidade para evitar que uma voz curiosamente pouco bem-vinda fosse ouvida. Em vez disso desenvolveram um plano mais subtil – e com semanas de antecipação – para alcançar o mesmo fim.

Pouco depois de a sua conferência ter começado, ouviu-se por breves e tensos segundos um canto islâmico, aparentemente vindo do telefone de alguém. Na verdade, a quantidade de pessoas que estavam a olhar para os seus telefones era estranha, tendo em conta que a sala estava tão cheia que muitas pessoas viram negado o acesso. Alguns minutos mais tarde a maioria da assistência levantou-se e abandonou a sala num uníssono coreografado – ao som do canto agressivo e supremacista a berrar dos telemóveis: Allahu Akbar sem a violência. Aqueles a quem tinha sido recusada a entrada por falta de espaço viram então negada a oportunidade de ocupar os lugares deixados vagos.

Spencer tinha acabado de relatar um facto objectivo que devia ser bem-vindo em qualquer local de ensino superior: que de acordo com a maior autoridade de jurisprudência sunita – a Universidade al-Azhar, no Cairo – um factor chave da jihad é que o sangue e as posses de alguém apenas estão seguros se aceitar o domínio do Islão; ninguém fora dele é merecedor de protecção. Isto poderia ser descrito como uma legitimação religiosa precisamente de uma forma de “discurso de ódio” fortemente enraizado que os alunos pensavam que estavam a denunciar ao abandonar a sala.

Robert Spencer
Spencer acredita que os administradores da Universidade sancionaram a perturbação que, seja como for, tem todas as marcas do fascismo; pode parecer um termo muito forte, mas ao montar, primeiro, uma campanha contra ele e depois evitar que outros fossem expostos às suas ideias, Stanford merece a caracterização.

Foi dito que a mera presença do orador gerava um sentimento de insegurança entre os muçulmanos – porém o único a precisar de um contingente de segurança foi o próprio Spencer. Ele sempre disse que os seus críticos se rebaixam ao nível de ataques pessoais porque não conseguem prevalecer no debate de factos e de ideias. O abandono do auditório em Stanford comprova-o, tal como aqueles que cometeram actos de violência em reacção ao discurso do Papa Bento XVI em Ratisbona, em que comentou criticamente as tendências violentas no Islão, o comprovaram.

Ao não permitir que a jihad seja analisada segundo os seus próprios critérios, Stanford escolheu legitimá-la. Aparentemente, figuras islâmicas que repetem, com aprovação, textos islâmicos que apelam, por exemplo, ao extermínio de judeus, devem ser aceites sem questionar. Só o denunciar desta realidade é que é problemático, o pecado secular da “islamofobia” (um termo forjado pelos sauditas).

As empresas também contribuem para este clima de conformismo. Bem perto de Stanford, os dirigentes da PayPal impediram o site de Spencer de usar os seus serviços, privando-o assim de uma fonte de financiamento. Era precisamente isso que queria o Southern Poverty Law Center (SPLC), especializado em classificar como “grupos de ódio” as organizações de que não gosta. Eles limitam-se a declarar que o grupo de Spencer é um grupo de ódio e os media cumprem o seu dever de o papaguear, não obstante a natureza claramente tendenciosa do SPLC.  

Mas Stanford está longe de estar sozinha. A Universidade Católica de Georgetown organiza iniciativas financiadas pelos sauditas, pensadas para promover uma visão positiva do Islão. Os aspectos ameaçadores são, ao que parece, uma preocupação marginal. Mas o que alguns consideram marginal pode ter graves consequências: Perguntem a Nova Iorque, Londres, Paris, Bruxelas, Nice, Madrid, Barcelona, Berlim, até a Escandinávia.

Igualmente arriscado é sugerir que a postura “marginal” de Spencer está em desacordo com a posição globalmente conciliatória da Igreja moderna em relação ao Islão:

Discordo da afirmação do Papa Francisco quando ele diz que “o Islão autêntico e uma leitura correcta do Alcorão opõem-se a todo o tipo de violência”, como qualquer pessoa no seu perfeito juízo e devidamente informada, seja católica ou não, deve discordar. Se esse é, de facto, o ensinamento da Igreja, então a Igreja Católica tem um problema sério, pois está a apresentar falsidades como “ensinamento da Igreja” e não merece a confiança nem dos católicos nem de mais ninguém.

Há vários anos um funcionário do gabinete de admissões de Stanford despediu-se para se tornar padre. Não faço ideia se as banalidades e a burocracia universitária desempenharam algum papel. Mas não posso deixar de pensar: se o tipo de falsidade ingénua que agora domina praticamente tudo começar a dominar também os meios eclesiásticos em que ele agora circula, para onde irá a seguir?


Matthew Hanley é Investigador sénior no Centro Nacional de Bioética Católica e autor, juntamente com Jokin de Irala, de ‘Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West’, que foi recentemente premiado como melhor livro pelo Catholic Press Association. As opiniões expressas são próprias, e não da NCBC.

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 21 de Novembro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Temor a Deus, Fé e Encontro

Ines A. Murzaku
Será difícil esquecer os meses de Maio e de Junho de 2017. Matanças temíveis e atentados suicidas em Manchester (22 de Maio), Egipto (26 de Maio) e no Afeganistão (31 de Maio), onde várias vidas inocentes foram interrompidas. Junho começou com mais atentados em Londres (3 de Junho) e Melbourne (6 de Junho). E estes foram apenas os principais, vários incidentes mais pequenos ocorreram no mesmo período em todo o mundo.

Como é que as pessoas estão a lidar com a dor e a perda? O poeta Tony Walsh leu do seu poema “This is the Place” diante de uma multidão em Manchester: “Diante de um desafio, erguemo-nos sempre”. O bispo Angaelos, da Igreja Copta Ortodoxa do Reino Unido lamentou os mártires coptas, mas perdoou os carrascos com a seguinte afirmação:

“São amados por mim e por milhões como eu, não pelo que fazem, mas pelo que são capazes na qualidade de maravilhosas criaturas de Deus, que nos criou com uma humanidade partilhada. São amados por mim e por milhões como eu porque eu, e nós, acreditamos na transformação.”

Estas expressões públicas de determinação e perdão cristão são bem-vindas numa cultura que parece ter esquecido tanto uma como outro. Mas as bombas e a carnificina deixaram muitas pessoas em todo o mundo com mais medo do que nunca de eventos com multidões, voos, aeroportos e centros de cidade.

Alguns estão a exibir sinais daquilo a que os psicólogos chamam fadiga de compaixão, impotência ou simplesmente desligar perante os horrores que são demasiado grandes e demasiado frequentes. O medo de ataques terroristas surge com frequência nas minhas discussões com alunos. Como é que se lida com o medo? É sequer possível ultrapassar o medo? Ou nas palavras do Papa Francisco: O que é preciso para travar a espiral do medo?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a coragem não é o contrário do medo. Aristóteles ensinou que é correcto e humano sentir medo de certas coisas, mas é necessária a medida certa de medo, porque “o homem que foge de tudo e teme tudo e não faz frente a nada torna-se cobarde, e o homem que não teme nada mas parte ao encontro de qualquer perigo torna-se imprudente” (Ética a Nicómaco II). Sentir medo perante o perigo é simplesmente uma reacção humana, mas não devemos deixar que o medo nos paralise ou impeça de viver.

A resposta cristã perante este dilema é um paradoxo – ultrapassar o medo como um outro tipo de medo – o temor a Deus. As escrituras e os padres da Igreja são claros a este respeito: se temer Deus jamais terá medo da mesma forma, porque no final de contas nada há a temer. “E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último” (Apocalipse 1,17)

São João Clímaco (579-649) escreveu: “Quem se tiver tornado escravo do Senhor teme apenas o seu Mestre. Mas quem não teme a Deus teme frequentemente a sua própria sombra. O temor é filho da descrença” (Degrau 21).

Santo Efrém da Síria, (306-373), conhecido como mestre da contrição, faz o mesmo argumento sobre o temor a Deus. “Quem teme a Deus eleva-se acima de todas as formas de temor. Ele tornou-se um desconhecido para a todo o medo deste mundo e colocou-o longe de si, e nenhuma espécie de tremor se aproxima dele”.

São João Clímaco
O medo descrito nestes exemplos é um temor saudável ou reverente a Deus, que em última análise está ligada à fé. O temor cristão de Deus não pode ser separado da fé. É uma espécie de medo saudável que que torna firme a fé em Deus. Para os cristãos é um temor que conduz para lá do medo, morte e intimidação normais. É uma fé que transforma as circunstâncias impossíveis em esperança. E é uma fé que fortalece os crentes quando enfrentam o mal, incluindo o terrorismo.

Dietrich Bonhoeffer, o famoso pastor luterano que foi martirizado pelos Nazis, sabia a quem se voltar em tempos de medo e de incerteza. Pregou sobre o medo e como o ultrapassar em 1933, o ano em que Hitler assumiu o poder: “Voltem os olhos para Cristo quando sentirem medo, mantenham-no diante dos olhos, chamem por ele e orem a ele, creiam que ele está convosco agora, a ajudar-vos. Então o medo empalidecerá e esvanecer-se-á, e a vossa fé no nosso Salvador forte e vivo, Jesus Cristo, vos libertará”.

A fé firme permite confiar em Deus. Vejam os mártires coptas que foram massacrados por terroristas no dia 26 de Maio de 2017, mortos porque se recusaram a negar Cristo. Estes corajosos mártires aceitaram mortes terríveis, por causa da fé.

Ainda assim, a questão não desaparece completamente. Será que o temor a Deus e a fé em Deus chegam para ultrapassar o medo de um atentado? A resposta não é simples. Os terroristas não se limitam a matar os inocentes. Eles atacam o espírito, para intimidar, para cansar, desencorajar e deixar as pessoas inseguras. Os terroristas querem destruir almas e, fundamentalmente, os valores e as esperanças.

E vale a pena fazer aqui uma distinção. Uma pessoa que teme Alá, uma pessoa de fé que reza de forma sincera, que jejua e respeita a tradição islâmica, é um muçulmano. Uma pessoa que encara a sua tradição religiosa como um empreendimento político cujo fim é a purificação de outras tradições – que considera corruptas e corruptoras – é um islamita que não tem qualquer pudor em matar até outros muçulmanos.

Tenho noção do quão difícil vai ser o diálogo que temos de empreender. É difícil saber sequer quando estamos a falar com um muçulmano e quando estamos a lidar com um islamita. É bom que cultivemos uma desconfiança saudável – talvez até um certo nível de medo – quando assistimos a tanta conversa ingénua sobre “diálogo”.

Mas também aqui devemos ultrapassar o medo. Assumir o risco de dialogar com o muçulmano, o fiel muçulmano fiel a Deus, que sofre e é também ele vítima dos terroristas, é uma parte necessária tanto da autodefesa como do esforço para “travar a espiral do medo”. E esse processo de conquistar o medo poderá também ajudar a combater o terrorismo.


(Publicado pela primeira vez no Sábado, 24 de Junho de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Martelo em Notre Dame, Marcelo nos Açores

Turistas retidos na Notre Dame, Paris
Mais uns dias, mais dois atentados. Um em Londres, outro em Paris, sendo que o da Catedral de Notre Dame, hoje, não causou vítimas.

A Igreja não pode desistir da Juventude, diz D. Pio Alves. Já o responsável nacional das Equipas de Jovens de Nossa Senhora considera que com o próximo sínodo a Igreja está a desafiar os jovens à proactividade.

Marcelo nos Açores. O bispo de Angra diz que o Presidente pode ajudar a resolver os problemas da região.

Luís Miguel Cintra agradece o reconhecimento da Igreja, que lhe atribuiu o Prémio Árvore da Vida.

Ontem o Papa voltou a apelar á protecção do ambiente, isto no mesmo dia em que louvou Pio XII por este se ter arriscado para salvar judeus.

E por fim, a Cáritas portuguesa quer ajudar o povo da Venezuela, mas não sabe bem como fazer chegar a ajuda ao país.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Elder Jackie Chan? Temos pena

É só sorrisos até que alguém saca de uma arma...
Começo por vos convidar a ver esta notícia de um assalto que correu muito mal – para os assaltantes. Da próxima vez que virem um missionário mórmon na rua sorriam, mas não o provoquem!

O bispo da Guarda esteve de visita a Angola, onde uma missão por ele iniciada educa 350 crianças. Em breve serão 400.

Duas notícias de abusos de menores. A Igreja Anglicana da Austrália recebeu mais de 1.100 queixas de abusos no espaço de 35 anos, revela a mesma comissão que já analisou a Igreja Católica no mesmo âmbito. Já em Portugal, o padre do Fundão que foi condenado por abusos viu a sua pena confirmada peloSupremo Tribunal.

Os seguidores do Estado Islâmico na Índia têm um novo alvo. É o Taj Mahal, ironicamente considerada uma das jóias da arte islâmica naquele país.

Por falar em Islão, o artigo desta semana do The Catholic Thing tem palavras duras sobre esta religião. Escolhi e traduzi-o para esta semana não porque concordo com tudo o que o autor diz, mas porque concordo com a sua mensagem central. Há que olhar de frente o problema e assumir que há um problema com o Islão que os muçulmanos precisam de abordar.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Deixemos de Brincar ao “Faz de Conta” com o Islão

Nota prévia: Nem sempre concordo a 100% com os artigos que aqui publico. Neste em particular, discordo de algumas das conclusões do autor. Contudo, o seu ponto principal, de que é preciso enfrentar o problema que existe no islão e deixar de fingir que este não existe, parece-me fundamental e é algo que também digo há muito tempo. Daí ter traduzido e publicado para esta semana.
Filipe d'Avillez

William Kilpatrick
É lamentável que o tenente-general William McMaster, o novo Conselheiro do Presidente Trump para assuntos de Segurança Nacional, tenha dito que o Estado Islâmico é “não islâmico”. Insistiu também que organizações como o Estado Islâmico “utilizam cinicamente interpretações perversas da religião para incitar ao ódio e justificar crueldade horrenda contra inocentes”. Em suma, ao que parece, o general considera que o terrorismo não tem nada a ver com o islão.

Este era o pensamento dominante durante a administração de Obama. E ao longo desses oito anos a ameaça islâmica aumentou exponencialmente. Seria uma pena se uma figura chave da nova equipa de Segurança Nacional perpetuasse tais visões simplistas do terrorismo islâmico.

Muitos dos líderes eclesiais têm visões semelhantes. Ao longo dos últimos quatro anos temos ouvido uma série de pronunciamentos que indicam que existe um sólido muro que separa o islão da violência.

Aparentemente há quem acredite nestas balelas. Outros talvez as vejam como uma boa estratégia, uma forma de fortalecer o “islão moderado”. Os estrategas gostam de afirmar que a crítica do islão acaba por conduzir os moderados para o campo dos radicais. Deste ponto de vista, a única forma de promover a mudança no islão é elogiando-o, na esperança de que isso leve a bom porto.  

Mas não é uma grande estratégia. Na realidade, dá vantagem aos radicais. É que se toda a gente, desde os conselheiros para a segurança nacional até ao Papa, diz que o islão está lindamente como está, então não há qualquer incentivo para mudar. Se não existe qualquer problema com o islão, mas apenas com grupos extremistas “não islâmicos”, estamos a cortar as pernas aos reformadores muçulmanos. Ser um muçulmano moderado já é difícil, porque é que os reformadores hão-de arriscar a pele, sabendo que não terão qualquer apoio de não muçulmanos proeminentes? E porque é que os restantes muçulmanos os hão-de escutar, se tudo está bem como está? Esta estratégia é que afasta os muçulmanos dos moderados e dos reformadores e os conduz para os braços dos imãs radicais.

Partimos do princípio que as mesquitas, as escolas islâmicas e os imãs terão um efeito moderador sobre os muçulmanos, mas a verdade é outra. Cinco estudos independentes (quatro nos Estados Unidos e um no Canadá) revelam que cerca de 80% das mesquitas promovem posições extremistas. A maioria mal pode ser considerada moderada. Por exemplo, quando o Movimento de Reforma Muçulmana enviou uma carta a mais de três mil mesquitas americanas em busca de apoio, receberam apenas quarenta respostas e dessas apenas nove eram positivas, segundo o seu líder Zuhdi Jasser. Talvez tenham visto Jasser na televisão, é a encarnação da moderação e da razoabilidade. Mas a maioria dos líderes muçulmanos não quer ter nada com ele. Aparentemente, eles não acham que exista qualquer razão para reforma.

Noutros países, como já sabemos, as mesquitas são frequentemente locais de recrutamento e radicalização. Às vezes até servem como depósitos de armas. Quando acontece um ataque terrorista em solo islâmico as autoridades respondem fazendo rusgas e fechando mesquitas. Até alguns países ocidentais “iluminados” adoptaram a política de “cherchez la mosquée”. Depois de ataques terroristas tanto França como a Alemanha têm levado a cabo numerosas rusgas a mesquitas.

Por isso quando os líderes católicos afirmam existir uma equivalência entre o cristianismo e o islão – como fazem frequentemente – estão a encorajar os muçulmanos a buscar sentido numa fé que encontra o seu sentido na jihad. O Papa Francisco chegou a dizer a um grupo de migrantes que poderiam encontrar orientações nos seus textos sagrados – a Bíblia para os cristãos e o Alcorão para os muçulmanos. Mas este tipo de conselhos apenas empurra os muçulmanos para os braços de um fundamentalismo que o Papa acredita que é defendido por poucos.

De acordo com a definição ocidental de “fundamentalismo”, o islão é uma religião fundamentalista. A maioria dos muçulmanos lê o Alcorão de forma literal e é assim mesmo que os seus imãs dizem que deve ser feito.

Mas se estamos verdadeiramente interessados em ver o islão virar-se para um caminho moderado, então temos de deixar de o mimar e começar a criticar. Como escreve a ex-muçulmana Nonie Darwish, “o Ocidente não está a fazer favor algum aos muçulmanos, tratando-os como crianças que devem ser escudadas da realidade.”

A realidade é que há mesmo algo de errado com as duríssimas leis islâmicas contra a blasfémia e a apostasia, o tratamento das mulheres, crianças e minorias, entre muitas outras coisas, incluindo o apelo à jihad.

Chegou a hora de deixar de brincar ao “faz de conta”. As nações islâmicas não vão resolver estes problemas enquanto as nações não-islâmicas e os líderes das igrejas não as pressionarem. A Arábia Saudita só aboliu formalmente a escravatura em 1962 por causa da intensa pressão ocidental.

Porquê? Porque, como muitos observadores já afirmaram, as sociedades islâmicas não são dadas à introspecção. Raphael Patai, autor do livro “A Mente Árabe”, sugere que a crença islâmica no destino ou na predestinação leva a uma “desinclinação para fazer esforços para mudar ou melhorar as coisas”.

Quando os líderes ocidentais dizem aos muçulmanos que a sua religião merece muito respeito isso pode ser bom para a auto-estima e fazer com que os ocidentais se sintam tolerantes, mas não os encoraja a ver que há algo de errado. Em vez disso devíamos estar a dizer aos muçulmanos, da forma mais diplomática possível, que muitos dos aspectos da sua fé são profundamente perturbadores e que enquanto não fizerem nada sobre o assunto teremos de considerar medidas severas, como interromper o diálogo (no que diz respeito à Igreja) ou retirar ajuda externa, aplicar sanções ou desinvestir (no que diz respeito a governos e empresas).

No mínimo, devíamos fechar as nossas portas à imigração dos estados islâmicos mais problemáticos. Algumas pessoas advertem que tal proibição apenas aumentará o ódio dos muçulmanos pelo Ocidente. Talvez isso aconteça com alguns muçulmanos. Mas uma posição firme e decisiva poderá também levar muitos a pensar duas vezes sobre o islão.

O menino mimado só começa a questionar-se quando os outros meninos deixam de brincar com ele. Depois do 11 de Setembro muitos americanos perguntaram “Porque é que nos odeiam?”. Por outras palavras, “O que é que fizemos de errado?”. Chegou a altura de o mundo muçulmano começar a fazer a mesma pergunta. Mas nunca o fará enquanto o Ocidente mantiver a sua posição de que está tudo bem com o islão.


William Kilpatrick é autor do livro “Christianity, Islam and Atheism: The Struggle for the Soul of the West” e de “The Politically Incorrect Guide to Jihad”. Para mais informação sobre a sua obra visitem o site The Turning Point Project.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quinta-feira, 9 de Março de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Compreendendo o Massacre Pascal de Lahore

David Warren
“Vil e sem sentido”. Foi assim que o Santo Padre descreveu o terrível massacre de cristãos que celebravam a Páscoa junto a um parque público em Lahore.

Morreram dúzias de pessoas, na maioria mulheres e crianças, e centenas ficaram gravemente feridos neste atentado suicida – tantos que os hospitais da cidade ficaram repletos e apelaram desesperadamente por doações de sangue. Foi ao nível do massacre de Todos os Santos em Peshawar, em 2013; foi pior que os atentados em igrejas em vários pontos de Lahore o ano passado.

Os Taliban do Paquistão reivindicaram todos estes ataques. Trata-se de uma organização que engloba várias células, em grupos que estão constantemente a mudar. A estrutura está pensada para evitar a penetração por informadores policiais.

Depois de cada atentado no Paquistão prendem-se umas centenas dos “suspeitos do costume”. Nenhum juiz que tenha amor à vida, ou que se preocupa com a sorte da sua família, quereria presidir a um julgamento destes, daí que as pessoas são detidas e depois libertadas um pouco por todo o país, para frustração dos serviços de informação dos serviços de informação ocidentais que podem saber quem são os verdadeiros suspeitos mas questionam-se porque é que estes nunca são detidos.

Conheci Lahore na minha infância e voltei várias vezes ao longo da vida a esta cidade venerável e em tempos bela, que continua a contar com monumentos impressionantes do Raj, dos Mugais e de outros tempos. Em tempos muçulmanos, hindus, sikhs, cristãos e até zoroastrianos e budistas viviam em paz nesta cidade adorável.

Quando foi a partição essa mistura ficou reduzida de repente a muçulmanos e uma minoria nativa de cristãos, na maioria católicos. Já nos anos 60, enquanto criança na escola de St. Anthony, eu tinha noção de que os cristãos deveriam ser meigos e respeitosos, sobretudo durante o Ramadão.

Pode-se ir à história – o nexo de nacionalismo e islamismo incipiente que levaram à própria formação do Paquistão – para compreender aquilo que agora se está a passar. Ambos foram importados, como “ideias com consequências” e ambos eram expressão de modernidade. Ambos ascendem das raízes do país e a única maneira de se conseguir eliminar as “raízes” do problema através de políticas seria viajando no tempo.

Na minha mais recente visita a Lahore, há mais de uma década, muitas das pessoas com quem falei já estavam preocupadas. Sabiam que a grande maioria no Paquistão, pelo menos em locais sofisticados e urbanos como Lahore, não eram fanáticos; que as suas posições podiam ser descritas, basicamente, como “viver e deixar viver”. Mas estavam assustados com o aumento explosivo de alunos formados nas madrassas – estimavam em cerca de 5% – que estavam comprometidos com uma agenda islamita violenta.

A comparação mais típica era com o Irão nos últimos tempos da monarquia. Não foi propriamente uma maioria de xiitas fanáticos que levou o Ayatollah Khomeini ao poder.

Foi este aviso que, paradoxalmente, preparou o terreno para os movimentos terroristas no Paquistão. O Governo estava bem consciente do que aconteceu ao Xá e determinado a evitar que se passasse o mesmo no seu país. Daí que com uma mão tenham tentado apaziguar inserindo mais inovações da Sharia nas leis nacionais enquanto, com a outra, constroem um exército e serviços de informação gigantescos, para lidar tanto com ameaças internas como externas, como por exemplo a rivalidade com a Índia.

Mas no nordeste montanhoso, a fronteira com o Afeganistão continua permeável e qualquer burocracia de grandes dimensões está sujeita a infiltração política organizada. Como gerações de políticos paquistaneses têm explicado a diplomatas ocidentais, não estão, nem podem estar, em controlo da situação. Não têm qualquer vontade de se renderem aos talibans, mas não há maneira de os derrotar sem ser através de um conflito da mesma dimensão que levou à partição.

“Vil e sem sentido”

Uma das vítimas do massacre
Na minha opinião a análise do Papa está apenas 33% certa. Estou com ele no que diz respeito à “vileza”, como estão, imagino, a grande maioria dos paquistaneses. O massacre de inocentes é entendido como vil mesmo por não cristãos. Mas tudo isto é complicado pela “política de identidade” que, com a ajuda das comunicações de massas, trouxe o tribalismo primitivo de volta à vida política moderna, com repercussões internacionais.

Daí que, mesmo no Paquistão, e já há algumas décadas, eu já detectava uma insinuação do género “os cristãos estão a pedi-las” por serem considerados arrogantes, apesar dos seus maiores esforços por serem discretos. Da mesma maneira que no Ocidente há o sentido crescente, à luz do terrorismo, de que “os muçulmanos estão a pedi-las”.

Há uma ideia de “nós contra eles” que ajuda a explicar como as massas complacentes se vão identificando com os membros das suas respectivas tribos, mesmo quando estão claramente errados. É um cálculo personalizado que é próprio da modernidade, embora assente sobre factos de identidade que parecem antigos e irrevogáveis.

Mas os ataques são tudo menos “sem sentido”. Também eles fazem parte de um cálculo muito moderno e “democrático”, que surgiu inicialmente através da violência aparentemente irracional dos anarquistas, socialistas e nacionalistas no século XIX. O cálculo é de que a violência – que Rumsfeld gostava de chamar “guerra assimétrica” – pode mudar as perspectivas para uma causa aparentemente desesperada.

O “terrorismo” é adoptado como táctica, ou até como estratégia, por muitas vezes funciona. Não funciona enquanto apelo a uma maioria nem pode ser tornado apelativo para esta. Os terroristas são demasiado racionais para isso, mais até do que as pessoas que os acusam de irracionalidade. Os actos gratuitos de violência – seja à carne seja a alvos arqueológicos na Síria ou no Iraque – têm por objectivo atrair as atenções das massas, chocá-las e horrorizá-las.

Os lenines, os hitleres, os Maos e os Khomeinis que chegaram ao poder compreendiam a utilidade da “violência sem sentido”. Embora sem grande entusiasmo, todos foram recebidos pelas massas complacentes quando as suas revoluções triunfaram. A atitude, invariavelmente, era “ao menos agora teremos alguma paz”.

Eis, então, o sentido da coisa. Seja no oriente ou no ocidente, o radical emprega a violência e o caos, não para incitar as burguesias a acções imprevisíveis, mas para se aproveitar do seu desejo por segurança. No final de contas abdicarão de quase tudo por uma vida tranquila.


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 1 de Abril de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sínodo, sínodo, sínodo e sauditas

"Sínodo? Não! Falemos antes de mim!"
Antes de mais um pedido de desculpas, a semana passada folguei alguns dias e nos outros estive demasiado ocupado para conseguir enviar o mail, mas não desesperem, porque estou de volta!

A razão da minha ausência foi a produção de três reportagens sobre o sínodo para a Família. Uma foi sobre a questão dos “recasados” e inclui uma explicação sobre o que significa verdadeiramente “comunhão espiritual”. Outro artigo foi sobre a questão do acolhimento aos homossexuais e, por fim, falei com uma mediadora familiar sobre os problemas que afectam as famílias “normais”.

Esta mesma mediadora familiar esteve entretanto no debate semanal “Conversas Cruzadas”, dedicado precisamente às questões do sínodo.

Tenho transcrição integral das três entrevistas no blogue, destacarei um por dia, hoje ficam com o cónego Carlos Paes, que desenvolve muito trabalho com os divorciados e recasados.

Entretanto, depois da missa inaugural de ontem, os verdadeiros trabalhos do sínodo arrancaram hoje. O Papa avisou que o sínodo não é lugar para negociar consensos, o cardeal Erdö disse que não vai haver mudanças de doutrina e o cardeal Vingt-Trois, de Paris, concordou, falando ainda do caso do padre polaco que no sábado se assumiu publicamente como homossexual, exigindo que a Igreja mude as suas práticas.

O Cardeal D. Manuel Clemente, já em Roma, abordou também o tema do padre polaco, que acusa de ter tentado manipular o sínodo.

No meio disto tudo 52 clérigos sauditas declararam jihad contra a Rússia, cujo patriarca ortodoxo diz que a intervenção russa na Síria é uma “guerra santa”.

Para terminar, não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing, onde Howard Kainz pergunta se as vítimas do divórcio não serão as viúvas e os órfãos dos dias de hoje

quarta-feira, 8 de abril de 2015

As noivas jihadistas querem ser "Jihadi Janes"

O bombista de Boston, condenado por todos os crimes
O Papa Francisco fala tantas vezes que corre o risco de algumas das suas mensagens passarem despercebidas. É importante que esta não passe. O Papa disse esta quarta-feira que “As crianças nunca são um erro”. Ámen.

O cardeal Oscar Maradiaga está em Portugal, onde criticou a austeridade que coloca a economia como um deus.

Finalmente algumas boas notícias do Médio Oriente, onde o Estado Islâmico libertou esta quarta-feira mais de 200 mulheres, idosos e crianças da minoria Yazidi, que estavam cativos desde 2014.

Há cada vez mais sinais de que o Estado Islâmico está em fase descendente. Agora surge a informação que o grupo está a recorrer a mulheres para combater nas suas fileiras. As Jihadi Janes estão a aparecer cada vez mais na linha da frente, segundo esta reportagem.


Lembram-se do bombista de Boston? Foi hoje considerado culpado de todas as acusações que pendiam contra ele, várias das quais incorrem possivelmente na pena de morte. Ainda não foi sentenciado, mas a coisa não está boa para os seus lados…

A Cáritas angariou menos cerca de 30 mil euros no seu peditório deste ano do que no ano passado. Resultados da crise, considera a organização.

Tem havido desenvolvimentos nos casos de liberdade religiosa v. direitos homossexuais em vários países do mundo, sobretudo nos Estados Unidos. No blogue mantenho uma lista das várias situações diferentes, que actualizei recentemente.

Neste debate há várias empresas e empresários que estão a tomar partido publicamente. É o caso da Apple, cujo patrão Tim Cook tem argumentado contra leis de protecção da liberdade religiosa. Contudo,como refere o padre Mark Pilon, no mais recente artigo do The Catholic Thing, estes mesmos empresários, e este em particular, continuam alegremente a fazer negócios com países onde os homossexuais incorrem na pena de execução, sem levantar a voz contra isso. São os “mega hipócritas”, segundo o sacerdote.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

70 anos de Auschwitz e "Stop Jihadismo" em França

Sobreviventes do horror de Auschwitz
Ontem o mundo recordou o Holocausto, no dia em que se comemora a libertação de Auschwitz. Uma reportagem da Renascença mostra que também houve portugueses condenados a ir para esse campo de concentração.

Entretanto o Papa já publicou a mensagem para a Quaresma 2015 e hoje, em Roma, falou da crise dos pais ausentes e de como isso cria uma sociedade com “sentimento de orfandade”.

Os franceses lançaram uma campanha para travar o recrutamento de jihadistas, que procura mostrar um pouco da realidade do Estado Islâmico para refrear o entusiasmo dos eventuais candidatos.

Estamos a vários meses do Sínodo para a Família de 2015, mas a discussão não vai parar! No artigo desta semana do The Catholic Thing, um sacerdote questiona a falta de referências à contracepção nas questões de preparação do encontro dos bispos em Outubro.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Isto é, ou não é, o verdadeiro Islão?!?

O incidente com o jornal Charlie Hebdo chocou-nos a todos e gerou uma onda de solidariedade por todo o mundo, mas também fez sair cá para fora os lugares-comuns de sempre, que em nada contribuem para o debate.

Começo com um que ouvi esta manhã de um respeitado comentador de assuntos internacionais, quando questionado sobre a importância da religião neste fenómeno do terrorismo. Resposta pronta: “Isto não tem nada a ver com a religião! Isto é terrorismo puro”.

Desculpa? Um grupo de homens que se identificam acima de tudo como muçulmanos atacam um jornal conhecido por gozar com a sua religião (entre outras), gritando palavras de ordem como “Deus é Grande” e “Vingámos o profeta” e isso não tem nada a ver com religião?

No dia seguinte outro  homem que se identifica como muçulmano mata a tiro uma mulher polícia e, passadas 24 horas, entra numa loja judaica de produtos kosher onde faz reféns, e isto não tem nada a ver com religião?

Uma coisa é discutir se estes homens e os seus actos são verdadeiramente representativos da religião que dizem professar, (já lá vamos), mas dizer que isto não tem nada a ver com religião é absurdo. Claro que tem tudo a ver com religião. Pode haver outros assuntos à mistura, não nego. Pode ter a ver com imigração, com políticas de integração, com racismo, com muita coisa. A Ana Gomes até acha que a culpa é da austeridade... mas não me venham dizer que não tem nada a ver com religião.

Nunca é demais repetí-lo: A religião é um fenómeno potentíssimo, no sentido em que move o ser humano a fazer coisas de grande dimensão. Para o bem, como felizmente vemos tantas vezes em tantas pessoas fantásticas que se dão inteiramente para ajudar os seus irmãos e vizinhos, mas também para o mal, como já vimos muitas vezes na história e vimos por estes dias em Paris.

“Isto não é o verdadeiro Islão”
Antes de mais convém ver quem é que está a dizer isto.

Se for o Sheikh David Munir, como muitas vezes o faz, é uma coisa. Ele é uma autoridade na comunidade islâmica, é um conhecedor do Islão e um líder muçulmano com um longo passado de participação civil e em actos de diálogo inter-religioso. Podemos discutir com ele se tem razão ou não, mas aceito a autoridade que ele tem para dizer que o que aqueles dois irmãos fizeram não é representativo do verdadeiro Islão.

O que não aceito é que o Zé da Esquina, que aparece como convidado para falar no telejornal, mas sabe tanto sobre o Islão como eu sei sobre física quântica, diga que isto, ou qualquer outra coisa, é representativo do verdadeiro islão. Como não aceito que o diga o Obama ou o Cameron, ou o Passos Coelho, ou sequer o o Papa Francisco.

Não é representativo porquê? Acaso eles se consideram mais conhecedores dos ensinamentos islâmicos que os pregadores que radicalizaram estes e tantos outros terroristas? Sabem recitar o Alcorão? Sabem explicar as suas passagens? Sabem explicar as incongruências que existem no texto?

Não é o verdadeiro Islão porquê? Porque não vos apetece? Porque é politicamente correcto dizê-lo? Porque ouviram o Sheikh David Munir a dizê-lo? É que se for esse o caso então citem-no, mas não falem como se tivessem um pingo de autoridade para estar a dizer a dois muçulmanos qual deles é que é verdadeiro e qual é que é falso.

Eu não sei se isto é o verdadeiro Islão ou não. O que sei é que neste momento há uma divisão no interior do Islão (uma de muitas), entre as pessoas que acham que sim e as que acham que não.É um problema, e é grave, seria ingénuo negá-lo. É uma questão que mundo muçulmano tem de enfrentar e tem de tentar resolver. É um debate que tem de se travar a nível teológico e a nível filosófico, e não com slogans e frases bonitas. Não basta catalogar uma corrente como não-islâmica e esperar que desapareça. Não vai desaparecer.

Verdadeira muçulmana, ou enganada?
“O Islão é isto mesmo”
Aqui aplica-se exactamente a mesma lógica, mas ao contrário. É isto mesmo, por alma de quem? Porque vêem alguns muçulmanos a comportarem-se assim? Então os milhares que vivem pacificamente, que defendem os seus vizinhos cristãos, que pagam impostos e não sonhariam olhar de lado para um polícia, quanto mais matá-lo a sangue frio... estão enganados?

Também aqui, não reconheço a 99% das pessoas que o dizem qualquer autoridade para o fazerem. Claro que podem ter a sua opinião, mas ninguém é obrigado a dar-lhes importância.

Mas esta frase tem uma agravante. É que enquanto a anterior corre o risco de ser demasiado ingénua, não é uma particular ameaça. Esta, pelo contrário, incita à divisão social e ao ódio e, acima de tudo, só pode servir para radicalizar ainda mais os muçulmanos que a ouvem.

Estes terroristas que atacaram o Charlie Hebdo odeiam-nos. Não odeiam só os que fazem caricaturas de Maomé, odeiam-nos a todos, as nossas religiões, o nosso estilo de vida, a nossa maneira de vestir, os nossos hábitos, a nossa democracia, os nossos valores, os nossos direitos. A pior coisa que podemos fazer, em resposta aos seus ataques, é incentivar divisão social e purgas que, levadas ao extremo, representam precisamente o mesmo que eles querem: separação, ausência de direitos e liberdades, morte e terror.

Então não podemos dizer nada?
Eu sei que custa muito, hoje em dia, assumirmos que não temos certezas, mas é um exercício de humildade que nos fica bem. Quando me pedem a opinião sobre estes assuntos eu digo sempre que não sei. Os terroristas e o Estado Islâmico representam o verdadeiros Islão? Ou são os Sheikhs David Munir e os milhares de muçulmanos, como é o caso em Portugal, que vivem a sua vida em paz, contribuem para a sociedade e não chateiam ninguém?

Não sei. Não sou muçulmano e por isso não tenho nada que opinar sobre isso, da mesma maneira que acharia de uma tremenda arrogância o Sheikh David Munir ou outro qualquer vir opinar sobre quem representa o verdadeiro Cristianismo, os católicos liberais, ou os conservadores, ou os protestantes, ou os lefebvrianos.

O que posso dizer é que sei muito bem de quais gosto mais! Disso não há a menor dúvida. Posso dizer que independentemente de quem tem razão nesse debate teológico interno, eu preferia sentar-me à mesma mesa com alguém da linha do Sheikh David Munir do que com alguém que abraça os ideias dos jihadistas. E isso já não é coisa pouca, a meu ver.

Porque aquilo que eu amo sobre a nossa sociedade e os nossos valores não são as caricaturas nojentas que jornais como o Charlie Hebdo tanto gostam de publicar, são os valores que permitem que eles o façam e que ao mesmo tempo protegem a minha liberdade de dizer que não os quero ler, não os acho piada e não quero ter nada a ver com eles. Os valores que eu amo são os que me permitem sentar à mesma mesa que um muçulmano e partir pão com ele e discutir com ele temas do Céu e da Terra, de vida ou de morte, em paz. A salvaguarda desta realidade é algo que é muito mais importante, nesta altura, do que a repetição de frases politicamente correctas, mas racionalmente ocas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Não gostam da liberdade? Emigrem!"

Um dos muitos cartoons de apoio ao Charlie Hebdo
Que dia! Um atentado terrorista fez pelo menos 12 mortos em França, há ainda quatro feridos graves, pelo que o número pode subir.

Um comando de três jihadistas atacou a redacção da revista satírica Charlie Hebdo, matando 10 funcionários e dois polícias. Os suspeitos já foram identificados e estão a ser procurados pela polícia.

As reacções não se fizeram esperar. Boas declarações do Sheikh David Munir, da Comunidade Islâmica de Lisboa e de representantes das comunidades muçulmanas em França. O Papa também emitiu um comunicado sobre o assunto. Entretanto, dezenas de milhares de pessoas manifestam-se em Paris em solidariedade para com as vítimas e contra o terrorismo.

Tudo isto no dia em que muitos dos cristãos de rito oriental celebram o Natal. A minha colega Cristina Nascimento foi a uma liturgia dos ucranianos greco-católicos, em Lisboa, e fez esta bela reportagem. Podem ver a fotogaleria também.

Há mais de um ano passei um dia em território dos Amish, nos EUA. Levou muito tempo, mas dessa visita nasceu esta reportagem que vos convido a ler e a ver, em vídeo, que me deu muito gosto fazer. Os amish são uma das comunidades mais peculiares e apaixonantes do espectro cristão.

As instituições católicas devem despedir funcionários que contrariam os ensinamentos da Igreja? Professoras que engravidam solteiras; funcionários que se assumem como homossexuais, etc? É uma coisa que tem acontecido nos EUA mas o debate aplica-se a qualquer país, incluindo Portugal. Randall Smith pede calma e cuidado com o discernimento destes casos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O meu jihad é mostrar Jose Gomez ao mundo! E o teu?

Jose Gomez mostra como se lida com o flagelo dos abusos

Temos muitas notícias importantes hoje, para meditarem ao longo do fim-de-semana.

Começamos pelo Papa, que hoje publicou o seu texto para a Quaresma. Bento XVI fala sobre a relação entre caridade e fé, com implicações no terreno para organizações que trabalham no campo da solidariedade social. Escrevi um texto para ajudar a compreender isto que, para mim, será uma das grandes discussões na Igreja nos próximos anos.


Duas notícias importantes dos Estados Unidos, de âmbitos muito diferentes. Obama voltou a ceder na questão dos contraceptivos e das instituições católicas, ao abrigo do ObamaCare. Resta ver se os bispos vão aceitar a nova proposta. Contexto aqui e aqui.

De Los Angeles, uma notícia que é uma autêntica bomba. O arcebispo Jose Gomez, que ocupa o cargo desde 2011, suspendeu o seu antecessor, o Cardeal Mahony, de quaisquer deveres públicos e administrativos. Tem tudo a ver com o escândalo dos abusos…

Mudando de ares. Uma interessante campanha muçulmana nos EUA quer mudar a conotação negativa da palavra Jihad. No Paquistão preferem a conotação mais violenta e ontem atacaram uma mesquita xiita.

O Cónego João Seabra esteve em estúdio na Quarta-feira à noite para dizer que a defesa da família não é uma causa confessional, mas de defesa da civilização.

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