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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

What the Pell?

Agora já é oficial. O Cardeal Pell foi condenado por abuso sexual de menores. Está preso, e será sentenciado a 13 de março, mas vai interpor recurso. Cá para mim esse recurso ainda vai dar que falar…

No seguimento da cimeira sobre abusos sexuais, D. Manuel Clemente, que esteve presente, diz que “o que arde cura ” e o arcebispo de Évora promete “transparência e colaboração”.

O padre José Miguel Barata Pereira, reitor do seminário dos Olivais, nega que o celibato seja um factor de risco para os abusos sexuais praticados por clero e a mesma opinião é defendida pelo padre Carter Griffin que diz, neste artigo do The Catholic Thing, que o celibato não é problema, é mesmo a solução.

Aqui podem ler a transcrição integral da minha entrevista a Danny Sullivan, que foi durante três anos responsável pela comissão que em Inglaterra supervisionava a proteção de menores na Igreja Católica. É muito interessante.

Outro tema que agora promete dar que falar é o dos padres com filhos. O cardeal responsável pela Congregação para a Família confirma que existem normas para estas situações e que a prioridade são sempre as crianças.

A diocese de Viseu quer acabar com as “esculturas de supermercado” nas igrejas e diz mesmo: “Basta!”

E termino com um desafio. O Movimento Defesa da Vida promove no fim-de-semana de 16 e 17 de Março um seminário sobre Sexualidade e Parentalidade Responsável, em Lisboa. É aberto a todos os que tenham interesse, devendo procurar mais informações aqui .


segunda-feira, 30 de julho de 2018

As crianças são mais frágeis que as cidades

Pe. Fouad Nakhla
De volta, pelo menos por mais alguns dias, deixo-vos com esta interessantíssima entrevista com o pe. sírio Fouad Nakhla, que lidera o Serviço Jesuíta aos Refugiados em Damasco. Como é que se constrói o futuro num país com uma geração inteira que não conhece mais do que a guerra?

O Pe. Fouad trabalha em Damasco com um jesuíta português que, há dias, conversou com a minha colega Ana Lisboa.

O Papa aceitou a renúncia de um bispo australiano acusado de encobrir casos de abusos sexuais e aceitou também a renúncia do cardeal americano Theodore McCarrick, acusado de ter cometido abusos sobre menores e sobre seminaristas e jovens padres das dioceses que liderou.

Não se pode subestimar o quanto o caso do cardeal McCarrick está a revoltar a opinião pública nos Estados Unidos, sobretudo dos católicos, terrivelmente desapontados com a sua hierarquia. Pode saber mais sobre este caso aqui, no artigo da semana passada do The Catholic Thing. Uma leitura difícil, mas importante.

E nestes dias Portugal ganhou um bispo, D. José Tolentino Mendonça, e perdeu outro, D. António Rafael, emérito de Bragança-Miranda. Em relação a D. José Tolentino, destaque para as suas palavras, comparando uma biblioteca a um jardim, e para o significado das suas armas e do seu lema episcopal.

E por fim, as crianças devem ir a funerais? A Ana Rute Cavaco deu o mote para a discussão e eu acrescentei uma reflexão aqui.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Papa e Rei falam de Jerusalém

O Papa e o Rei da Jordânia encontraram-se hoje e discutiram a situação de Jerusalém “pós-Trumpada”.

Ao que parece há mais uma portuguesa a caminho dos altares. Trata-se de Luzia Andaluz, fundadora das Servas de Nossa Senhora de Fátima.

Marcelo Rebelo de Sousa visitou a Sé de Lisboa, onde foi recebido por D. Manuel Clemente e expressou aprovação sobre o projecto de recuperação do claustro da Sé.

Recentemente foi nomeado um novo bispo para Paris, trata-se de um antigo-médico. Pois Londres não quis ficar atrás e por isso a Igreja Anglicana nomeou uma ex-enfermeira para o cargo

A comissão australiana que esteve a investigar os abusos sexuais naquele país sugere à Igreja que altere a disciplina do celibato e que reveja o segredo de confissão para casos de abusos de menores. É já a seguir…

E o padre Tom Uzhunnalil, que esteve cativo um ano e maio na Líbia, recebeu o prémio Madre Teresa.

É tempo de mensagens de Natal dos bispos. Já se manifestaram Évora, Bragança-Miranda, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo e Portalegre-Castelo Branco.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Pell acusado, Mossul quase libertada

Miliciana cristã acende uma vela numa igreja perto de Mossul

Publicámos esta quinta-feira o terceiro artigo da série “E depois de Mossul”, no dia em que o exército iraquiano conquistou a famosa mesquita onde foi proclamado o califado. Hoje olhamos para os cristãos da região e como encaram o futuro e a eventualidade de curdos e árabes combaterem por domínio das suas terras ancestrais….

Ora os cristãos no Iraque devem muito, mas mesmo muito, a organizações como a fundação Ajuda à Igreja que Sofre. E por isso é bom saber que não só em Portugal como em todo o mundo houve em 2016 mais pessoas do que nunca a ajudar financeiramente a organização.

Entre Mossul, perseguições, atentados e outros males como os abusos sexuais é natural que muitas pessoas tenham medo de sair de casa. No artigo desta semana do The Catholic Thing, porém, Ines Murzaku explica porque é que o temor a Deus pode dominar e disciplinar todos esses outros medos. Leiam e partilhem!

sexta-feira, 17 de março de 2017

Elder Jackie Chan? Temos pena

É só sorrisos até que alguém saca de uma arma...
Começo por vos convidar a ver esta notícia de um assalto que correu muito mal – para os assaltantes. Da próxima vez que virem um missionário mórmon na rua sorriam, mas não o provoquem!

O bispo da Guarda esteve de visita a Angola, onde uma missão por ele iniciada educa 350 crianças. Em breve serão 400.

Duas notícias de abusos de menores. A Igreja Anglicana da Austrália recebeu mais de 1.100 queixas de abusos no espaço de 35 anos, revela a mesma comissão que já analisou a Igreja Católica no mesmo âmbito. Já em Portugal, o padre do Fundão que foi condenado por abusos viu a sua pena confirmada peloSupremo Tribunal.

Os seguidores do Estado Islâmico na Índia têm um novo alvo. É o Taj Mahal, ironicamente considerada uma das jóias da arte islâmica naquele país.

Por falar em Islão, o artigo desta semana do The Catholic Thing tem palavras duras sobre esta religião. Escolhi e traduzi-o para esta semana não porque concordo com tudo o que o autor diz, mas porque concordo com a sua mensagem central. Há que olhar de frente o problema e assumir que há um problema com o Islão que os muçulmanos precisam de abordar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Vergonha e humilhação na Austrália

(Clicar para aumentar)
Fim-de-semana em cheio no que diz respeito a notícias de religião…

No sábado foi a surpresa em Roma, com o aparecimento de cartazes críticos do Papa, acusando-o de falta de misericórdia na forma como lidou com várias situações internas da Igrejas.

Domingo começou a circular uma notícia dando como certa a canonização dos pastorinhos. Ao que parece não é assim tão certo, faltam ainda algumas etapas do processo, mas Francisco e Jacinta estão sem dúvida mais próximos dos altares.

Hoje, então, foi a revelação na Austrália de que há alegações de prática de abusos sexuais contra menores relativos a 7% do clero do país desde 1950. São notícias terríveis, vale a pena ler com cuidado e recordar esta entrevista que fiz em 2012, quando o inquérito começou a trabalhar este assunto.

Enquanto meio mundo se preocupa com Trump, poucos dão conta do que se passa nas Filipinas, onde o Presidente se orgulha de estar a massacrar pessoas ligadas ao tráfego de droga. Os bispos, Deus os guarde, não se calam, apesar dos perigos de contrariar Duterte.

Mas por falar em Trump, e embora não tenha nada de especificamente religioso, vejam a série de reportagens que fiz sobre as suas principais medidas desde que foi eleito e os obstáculos que terão de enfrentar.

O Papa Francisco, aparentemente imune aos tais cartazes, voltou a falar contra o aborto e a eutanásia e hoje mesmo o Vaticano reafirmou a sua oposição a tais práticas. A propósito, vêm aí mais 40 dias de oração pela vida. Vejam o cartaz.

Por fim, são já mais de 400 os judeus sefarditas que receberam nacionalidade portuguesa desde que a lei o permite. Veja na notícia de onde é que eles vêm.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sequestro em Sidnei e MDV premiado

O sequestrador Mon Haron Monis
Um homem fez pelo menos 30 reféns num café em Sidney, durante a madrugada de ontem. Trata-se de um autoproclamado sheikh muçulmano, nascido xiita, no Irão, mas convertido depois de ter sido recebido na Austrália como refugiado.

À medida que escrevo estas linhas o sequestro terminou, mas há notícia de mortos. Não é certo exactamente quem, mas mesmo que um seja o próprio sequestrador, haverá pelo menos uma vítima inocente a lamentar. A Renascença está a acompanhar de perto a situação.

Entretanto a Áustria mandou fechar uma escola saudita por suspeitas de radicalismo, mas há preocupação também com legislação proposta que limita a liberdade religiosa, impondo, por exemplo, uma versão alemã e estandardizada do Alcorão.

O Movimento de Defesa da Vida, que faz um trabalho notável com um orçamento muito limitado, recebeu um prémio com valor monetário de 50 mil euros pelo “Projecto Família”, que trabalha com famílias em situação precária. É uma ajuda preciosa.

O Cardeal Oscar Maradiaga, um dos principais conselheiros do Papa Francisco, esteve em Portugal e falou com Aura Miguel sobre as suas ideias da Igreja e das reformas que o Papa está a preparar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Abusos chegam à imprensa portuguesa...

Ora bem, parece que o escândalo dos abusos na Igreja terá chegado finalmente a Portugal, ou será apenas um caso isolado? O vice-reitor do seminário do Fundão está a ser investigado por alegados abusos sobre menores a seu cargo.

O bispo da Guarda já garantiu total colaboração com a polícia recordando, todavia, que existe presunção de inocência. Vejamos como o caso se desenrola... rezemos sobretudo pelas vítimas, que no meio da discussão acabam frequentemente esquecidas.

A este propósito recordo esta entrevista sobre a Austrália, onde o escândalo dos abusos está neste momento na praça pública. As opiniões de Robert Hiini parecem-me particularmente pertinentes e sensatas.

O Papa disse no fim-de-semana que a voz de Deus não se encontra no meio da confusão, e na sexta-feira o padre Tolentino recordou que no Natal, mais importante que os presentes é a presença.

Esteve em Portugal o confessor de Madre Teresa de Calcutá. Aura Miguel conversou com ele e a conclusão é de que ela era uma pessoa “profundamente apaixonada por Jesus”. Uma desculpa perfeita para colocar esta foto que tinha guardada há tanto tempo!


Num relatório publicado hoje os ateus queixam-se de discriminação em todo o mundo. O relatório tem muitos exemplos de países onde os ateus podem ser vítimas de repressão e até execução, mas não há um único caso relatado. Felizmente, claro!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

We follow @Pontifex

Clicar para aumentar

Quais foram as notícias de religião mais importantes de 2012? Sei que é isso que toda a gente quer saber e por isso elaborei o meu próprio ranking. Hoje apresento o 10º lugar:


Tive que juntar, se não era preciso fazer um ranking de +20...


O Vaticano anunciou hoje que o Papa está no Twitter com o nome “@Pontifex” e que embora não seja ele a escrever as mensagens, aprovará todas as que forem enviadas, o que já não é nada mau.


Também uma referência ao escândalo de abusos sexuais na Igreja que chegou agora à Austrália. Para ajudar a compreender a situação entrevistei o jovem jornalista católico Robert Hiini, que vê isto como uma oportunidade. Podem ler a transcrição integral da entrevista aqui, como de costume.

Termino com uma sugestão. Para quem gostaria de fazer um retiro de advento mas sente que não tem tempo, há amigos de Peniche que o querem ajudar. O santuário local oferece retiros de um dia, um dos quais mesmo a jeito para antes do Natal. Está tudo aqui…

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

“Sexual abuse crisis is opportunity for Australian Church”

Robert Hiini
Full transcript of the interview with Robert Hiini, journalist with The Record, diocesan newspaper of Perth, Australia, about the sexual abuse crisis in Australia.
See news story here (in Portuguese).

Transcrição integral da entrevista a Robert Hiini, jornalista de The Record, jornal diocesano de Perth, na Austrália, sobre o escândalo de abusos sexuais na Austrália. Ver notícia aqui.


The sexual abuse crisis has hit Australia now, what exactly is going on at the moment?
The most recent event is that the Federal Government has announced a Royal Commission into sexual abuse of minors in institutions, religious and non-religious. Victim groups have been making a concerted push, as have the media in the last six months, to drive the Government to take this action. On November 12th Prime Minister Julia Gillard announced a Royal Commission.

So the Commission will also focus on non-Catholic institutions? But media coverage seems to be almost exclusively related to religious institutions, is it not?
It’s true that the media have focused largely on the Catholic Church. The Australian Broadcasting Corporation (ABC) has run several high profile stories about specific dioceses and terrible incidents that have occurred in those dioceses and that has stirred a wider national conversation.

There are a lot of organized victim groups which have agitated for an investigation into the Catholic Church. One of the things that the leader of the opposition in the Federal Parliament said was conditional to his support for a Royal Commission was that it should not only pertain to the Catholic Church but should be extended to other organizations such as Government and non-Catholic organizations.

The cases that have come to light, are they recent?
The cases that have been referenced, particularly by the ABC are cases in which the incidents occurred nearly 20 years ago. I have heard statistics from the State of Victoria, Australia’s second most populous state, which suggest something like 13 to 20 cases that happened after 1990, so there seems to be a massive drop-off in the number of offenses, whether this is due to delayed reporting is anyone’s guess, but it certainly is true that most of the allegations are 15 to 20 years old or older.

How have the bishops reacted to the Royal Commission?
Australia’s bishops have universally welcomed the Royal Commission. There was a joint statement put out on behalf of all Australian bishops saying they welcomed the move and were interested in continuing to ensure that healing was available for victims. The one point of controversy was Cardinal George Pell, from Sydney, who held his own press conference on November 13 in which he reiterated support for the Royal Commission but also said he hoped the Royal Commission would separate fact from fiction, accusing what he described as a hostile media of exaggerating the number of claims. He’s been roundly criticized by the media and victim groups for doing that, but broadly Australian bishops have welcomed this move.

Julia Gillard, primeira-ministra da Austrália
There has been debate about the seal of confession…
There was a debate for many days, mainly in tabloid publications such as the News Limited publications but also in Australia’s second largest media group Fairfax publications. That seems to have died down, at least for the time being. It was set off by the premier of New South Wales who said he couldn’t imagine how a priest who heard that in confession could sit on it and not report it to police, and that fuelled the debate.
In the quality press it has largely been assessed to be a red herring. Most people would agree it’s not how most incidences of abuse come to light, and most people want to see real action taken to real situations.

As a journalist but also as a Catholic, what has your reaction been to what is going on?
I guess it’s a mixed picture for me because I watch some of the media coverage and there has been an incredible looseness of language. Whether the coverage relates to specific incidences in specific dioceses its always the church that is held to account. Of course as a Catholic whenever I hear “the church” I think of myself and one billion other people and the saints in heaven and so on.

But the reporting aside, when you hear the accounts of victims you know that that pain is real. And where there are incidents, particularly in the last 20 years when we are supposed to have cleaned up our protocols and our acts, when you hear of incidents that are recent, I see that as an opportunity to do our best by children. Having said that I think most media in Australia are of a progressive, vaguely anti-Catholic bent and some of this reporting seems to be a proxy for underlying resentment against the catholic church and its teaching, but I am trying to focus on the facts that have happened, and the pain of victims and making sure it doesn’t happen again, I think it’s an opportunity for us to do that.


Filipe d’Avillez

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tradicionalistas divididos, hotéis de Fátima cheios


Nossa Senhora da Cruz do Sul

É já amanhã que se realiza a jornada “Juntos pela Europa”, que reúne 150 cidades europeias. Saiba tudo aqui…

Se pensa ir a Fátima esta semana… esqueça os hotéis, que estão esgotados. Por outro lado, o santuário anuncia que dispõe agora de serviços médicos mais rápidos e eficazes.

Os quatro bispos tradicionalistas da Sociedade de São Pio X estão divididos internamente. O superior-geral Bernard Fellay está apostado em chegar a acordo com Roma, mas arrisca-se a vir sem os seus três colegas.

Depois de Reino Unido e EUA, a Austrália vai ter um ordinariato pessoal para ex-anglicanos já em Junho. Chama-se Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora da Cruz do Sul

Ontem o D. Pio Alves de Sousa, presidente da Comissão Episcopal para as Comunicações Sociais, falou de um défice de silêncio, de repouso e de pensamento nos media… e com esta me calo!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Anglicanos e ordinariatos – Perguntas e respostas

Em Novembro de 2009 Bento XVI publicou a constituição apostólica Anglicanorum Coetibus que abria a possibilidade de criar ordinariatos pessoais para receber no seio da Igreja Católica clero e leigos anglicanos que quisessem entrar em comunhão com Roma sem perder o seu património litúrgico.

Quatro anos mais tarde já existem três ordinariatos pessoais, uma em Inglaterra, outra nos EUA e uma terceira na Austrália.

Aqui vamos tentar responder a algumas das perguntas mais frequentes que podem surgir à volta de um processo que é, de qualquer ponto de vista, muito complicado… Se tiverem mais dúvidas não deixem de as colocar que este post pode-se ir actualizando para servir de referência ao longo do tempo.



O que é um ordinariato pessoal?
A Igreja aceita padres casados?
De que falamos quando referimos “património litúrgico e espiritual” anglicano?
Porque é que alguns anglicanos querem entrar em comunhão com Roma?
Quantos ordinariatos já existem?
Há mais por criar?
Só os anglicanos podem aderir?
O que é a TAC?


O que é um ordinariato pessoal?
Um ordinariato pessoal é como uma diocese sem limites geográficos, um pouco como a diocese para as forças armadas, que existe em Portugal e noutros países. Ou seja, duas comunidades em cidades em pontas opostas do país podem estar sujeitas ao ordinariato pessoal, por virtude de, neste caso, serem formadas por ex-anglicanos, e não às suas dioceses locais.
O líder de um ordinariato é o ordinário e não tem de ser um bispo. Nos três casos criados até agora os ordinários não são bispos mas sim ex-bispos anglicanos que foram ordenados sacerdotes na Igreja Católica e que não podem ser ordenados bispos por serem casados.

A Igreja aceita padres casados?
Aceita, em casos excepcionais. Historicamente uma destas excepções tem sido para clero de outras confissões cristãs que já é casado quando pede para entrar em comunhão com Roma. O único caso que houve em Portugal de um padre católico casado e a exercer o seu ministério, o padre Saul que morreu há cerca de um ano e meio, era um caso destes.
Contudo, a Igreja nunca reconheceu bispos casados e por isso os bispos que entram para a Igreja Católica são ordenados sacerdotes e não bispos. Os cinco bispos que aderiram à proposta do Papa em Inglaterra eram casados e por isso foram todos ordenados sacerdotes.
Contudo a constituição apostólica Anglicanorum Coetibus permite que usem algumas das suas regalias episcopais, como por exemplo o brasão de armas e até, pelo menos para o ordinário, um assento na Conferência Episcopal do pais.

De que falamos quando referimos “património litúrgico e espiritual” anglicano?
É preciso compreender que a Igreja Anglicana é mais uma federação de diferentes movimentos e igrejas do que uma igreja uniforme. No Reino Unido, por exemplo, existem alas que são muito conservadoras a nível litúrgico, e cujas celebrações são bastante mais elaboradas e ricas que a maioria das missas católicas a que estaremos habituados. Estes anglicanos são conhecidos muitas vezes como anglo-católicos.
Por outro lado existem alas muito liberais, mais evangélicas, cujas liturgias parecem mais encontros protestantes do que outra coisa.
A maioria dos interessados em aderir ao ordinariato vêm da tradição anglo-católica e podemos concluir que o “património litúrgico” é o deles.
Para além da parte litúrgica os anglicanos têm uma rica tradição musical e ainda algumas orações distintas, reunidas no Common Book of Prayer, que é o livro central ao culto anglicano.
Apesar do ordinariato pessoal em Inglaterra já ter sido criado há um ano ainda não foi aprovado um missal próprio.

Porque é que alguns anglicanos querem entrar em comunhão com Roma?
Ao longo das últimas décadas a Comunhão Anglicana, sobretudo nos países ocidentais, tem-se tornado fortemente liberal. Nos anos 70 os ramos da América do Norte começaram a ordenar mulheres, mais tarde o Reino Unido também e a prática é hoje bastante consensual em toda a comunhão, embora tenha levado a algumas dissensões. Mais tarde algumas das Igrejas autónomas começaram a ordenar mulheres para o episcopado. Isto levou a muito mal-estar entre comunidades conservadoras que recusam a legitimidade da ordenação de mulheres.
No Reino Unido ainda não há mulheres bispo mas caminha-se para isso a passos largos.
A “gota de água”, por assim dizer, tem sido a ordenação de bispos (e “bispas”) homossexuais, sobretudo nos EUA.
É errado, contudo, dizer que os anglicanos que agora entram para a Igreja Católica estão a “fugir” de bispas e de homossexuais. Estes são apenas aspectos práticos de grandes diferenças teológicas, com o ramo liberal a negar abertamente algumas doutrinas ancestrais como por exemplo o nascimento virginal, a ressurreição etc.
Para muitos anglicanos que, ao longo dos anos, têm mantido alguma esperança numa eventual união entre a Igreja Anglicana e a Igreja Católica, os mais recentes desenvolvimentos apenas provam que a sua igreja não é uma verdadeira igreja nem se pode reclamar como sendo católica, como faz, daí que queiram “voltar” a Roma, como explicam.

Quantos ordinariatos já existem?
Existem três. O primeiro foi formado há cerca de um ano em Inglaterra e chama-se Nossa Senhora de Walsingham. Conta com seis ex-bispos, cinco dos quais já foram ordenados sacerdotes, cerca de 60 padres que já foram na maioria ordenados na Igreja Católica, e mais ou menos mil fiéis. Esta foi a “primeira vaga” de membros. Fala-se na existência de uma “segunda vaga”, maior, que estará à espera para ver como correm as coisas antes de aderir.
Este ano foi criado o ordinariato de São Pedro da Cadeira, nos EUA. É presidida por um ex-bispo espiscopaliano e, para além de algumas dezenas e fiéis ex-anglicanos conta também com pelo menos uma comunidade que veio da tradição luterana.
Em Junho de 2012 foi criado o Ordinariato Pessoal do Cruzeiro do Sul, para ex-anglicanos da Austrália.

Qualquer católico pode entrar para o ordinariato?
Não. Originalmente os ordinariatos eram exclusivos para pessoas que vinham da tradição anglicana. Contudo, em Maio de 2013 o Papa Francisco fez uma alteração ao texto do Anglicanorum Coetibus, especificando que pessoas baptizadas na Igreja Católica, mas que não tenham completado os ritos de iniciação cristã, podem aderir ao ordinariato caso esse tenha sido o veículo para a sua reaproximação à Igreja.
A emenda foi feita por forma a dar aos ordinariatos mais autonomia e um papel mais alargado no campo da Nova Evangelização. Contudo, um católico praticante adulto, que tenha feito o seu percurso no seio da Igreja Católica desde sempre, não pode aderir ao ordinariato simplesmente porque prefere o estilo litúrgico, por exemplo. Aqui fala-se em adesão formal, uma vez que qualquer católico pode frequentar as celebrações litúrgicas dos ordinariatos.

Só os anglicanos podem aderir?
Os ordinariatos foram criados especificamente para receber fiéis da Igreja Anglicana, embora haja pelo menos um caso de uma paróquia de tradição luterana nos EUA que tenha aderido ao ordinariato de São Pedro da Cadeira.
Contudo, a situação complica-se quando pensamos quem são os anglicanos. É que para além da Comunhão Anglicana, que tem como primus inter pares o Arcebispo de Cantuária, e com cerca de 200 milhões de fiéis é a terceira maior igreja cristã, existem outras comunhões ou igreja que se dizem anglicanas mas que são dissidentes da Comunhão Anglicana tradicional. É o caso, por exemplo da Traditional Anglican Communion (TAC), que está presente em vários países e reclama ter cerca de 200 mil membros.

O que é a TAC?
A Traditional Anglican Communion (TAC) é uma comunhão de igrejas de tradição anglicana que se separou da Comunhão Anglicana em protesto contra a tendência liberal desta. Reclama ter cerca de 200 mil membros em todo o mundo.
Em 2007 os bispos desta Igreja assinaram um exemplar do Catecismo da Igreja Católica e anunciaram a sua vontade de aderir em massa à Igreja Católica, caso pudessem ser aceites como uma igreja autónoma, ou numa estrutura similar. Muitos vêem este processo como o motor de arranque da constituição apostólica que acabou por ser publicada em 2009.
Contudo o processo tem sido difícil. O Vaticano tem sido mais rápido a lidar com casos de clero, fiéis e paróquias que vêm directamente da Igreja Anglicana.
Internamente a TAC tem tido algumas complicações. O seu primaz, o Arcebispo John Hepworth é um ex-padre católico que deixou o catolicismo e se tornou anglicano, mais tarde deixou o anglicanismo para se juntar ao TAC. Pelo meio casou, divorciou-se e recasou.
O facto de ser divorciado e recasado e ainda o facto de ser originalmente católico impedem-no, em princípio, de ser aceite como sacerdote activo na Igreja Católica.
Mais recentemente Hepworth veio a público dizer que enquanto seminarista e padre na Igreja Católica tinha sido abusado sexualmente por outros padres e que tinha sido em parte por isso que tinha saído da Igreja. Contudo, um dos padres que acusava de o ter violado, e que ainda é vivo, nega a sua versão dos acontecimentos e, mais recentemente, um advogado veio dizer que toda a história carecia de bases, dando um grave golpe na sua credibilidade.
Em Dezembro, e supostamente devido a “consideráveis dissensões no seio do TAC”, Hepworth anunciou que iria resignar ao cargo de primaz daquela Igreja a partir de Maio de 2012.
Entretanto o ramo dos EUA da TAC, que tinha anunciado em 2010 que queria aderir a um futuro ordinariato retractou-se e disse que afinal não querem aceitar. Apenas um dos oito bispos mantém a sua intenção de aderir.
Nos outros países da TAC, ao que parece, mantém-se a adesão de aderir a ordinariatos que venham a ser criados nos seus países.

Simples, não é?

[Actualizado em Maio de 2013]

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