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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Carícias para D. António e falta de Confiança na ONU

Três dos novos padres
Portugal já tem um novo cardeal.

Ontem D. António Marto foi elevado ao cardinalato pelo Papa Francisco, dizendo-lhe que o cardinalato era uma “carícia” de Nossa Senhora para o bispo de Fátima.

D. António aproveitou o momento para exortar os portugueses a “prestar mais atenção aos esquecidos” e esta sexta-feira, na missa com os novos cardeais, o Papa alertou para os “triunfalismos vazios” na Igreja. Marcelo Rebelo de Sousa enviou um telegrama de parabéns.

O Parlamento aprovou um voto de louvor à nomeação do Padre Tolentino para bibliotecário do Vaticano. O Bloco e o PCP abstiveram-se, porque pelos vistos é contra os seus princípios dar os parabéns a padres.

Por falar em padres, esteve cá um iraquiano, envolvido na reconstrução das casas dos cristãos que foram perseguidos pelo Estado Islâmico. O padre Thabet lamenta a inacção da ONU naquela região.

Ser padre não lhes passava pela cabeça, agora andam de cabeção. Conheça os padres que vão ser ordenados no domingo, em Lisboa.


terça-feira, 6 de março de 2018

ONU reconhece AIS, mas DIL não reconhece ONU

D. Ilídio Leandro diz que já fostes...
A ONU reconhece o papel da fundação Ajuda à Igreja que Sofre na ajuda aos cristãos no Iraque.

Não obstante, o bispo de Viseu diz que a ONU já deu o que tinha a dar e deve ser substituída por outra organização.


Vai em peregrinação nos próximos tempos? Já existe um manual para se alimentar correctamente.

Já aqui falámos da portuguesa que foi educar refugiados no Chade. Agora Joana Gomes vai a Roma dar testemunho do trabalho que faz.

Em 2010 publiquei uma série de reportagens para o ano Sacerdotal. Foram 12 entrevistas a 12 padres diferentes, de outras tantas áreas pastorais. O padre Dâmaso foi um deles, e é o segundo a morrer. Tal como fiz com o padre Ricardo Neves, publico agora, e pela primeira vez, a transcrição integral dessa conversa com o bom padre Dâmaso.

E porque continua a circular um alerta falso sobre perseguição aos cristãos iraquianos da cidade de Qaraqosh, leiam este post e partilhem-no com quem vos tenha enviado a tal mensagem! Não vale tudo…

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Guterres alegra pró-vidas, desporto e fé no Vaticano

Novo SG da ONU. A long, long time ago...
António Guterres vai ser o próximo secretário-geral da ONU. A nomeação do português, que é católico e pró-vida, já foi saudada por pelo menos um grupo de lobbying pelos valores da família na ONU e os bispos portugueses também elogiaram Guterres, nomeadamente o seu sentido de fé e de humanismo.

Está a decorrer no Vaticano um encontro dedicado ao tema da fé e do desporto. A esse propósito falámos com o autor de uma história da selecção de 66 e também com o nosso já conhecido IronPriest, o padre Ismael Teixeira, que em Agosto se tornou o primeiro a fazer um Ironman, uma das provas mais duras do desporto.

Já está a decorrer a peregrinação dos educadores de infância, que anunciámos aqui há alguns dias, saibam mais sobre o que move estes peregrinos, aqui.

O caso da paquistanesa condenada á morte por blasfémia, Asia Bibi, está a entrar numa fase decisiva. A questão vai ser debatida pelos deputados portugueses.

O Papa fez uma visita surpresa às vítimas do terramoto em Amatrice e ontem e hoje, menos surpreendentemente, encontrou-se com líderes anglicanos que estão em Roma para assinalar os 50 anos do encontro histórico entre o Arcebispo de Cantuária e o Papa Paulo VI.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Distribuam a riqueza e deixem os bebés em paz

Pe. Angelo Favero
Morreu o padre Angelo Favero, conhecido por muitos lisboetas como o padre das confissões, na Igreja do Loreto, no Chiado. O sacerdote italiano estava em Portugal há mais de 60 anos, e morreu aos 98.

O Papa esteve hoje com Ban Ki Moon, em Roma, a quem pediu um maior esforço da ONU na redistribuição da riqueza e respeito pela vida desde a concepção até à morte natural. Isto na semana em que a ONU criticou a Igreja mais uma vez por ser contra o aborto.


Por falar em aborto, o líder do Partido Liberal no Canadá disse que não aceitará quaisquer candidatos às eleições de 2015 que sejam pró-vida. Ele considera o aborto, um “direito fundamental”.

O rapto das mais de 200 raparigas na Nigéria pelos islamitas do Boko Haram está a obter cada vez mais repercussões internacionais. O Parlamento português condenou o rapto e em Lisboa e no Porto, no sábado, realizam-se marchas pela libertação das jovens.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A Igreja e a ONU, de Novo

Austin Ruse
A Santa Sé volta ao banco dos réus da ONU esta semana. Desta vez é a Comissão de Tortura, e não vai ser bonito. [Desde que o artigo foi publicado no site do TCT a audição já se realizou]

Lembram-se da última vez? Há meses a Comissão da ONU para os Direitos da Criança disse à Santa Sé que a Igreja devia mudar os seus ensinamentos sobre assuntos de moral fundamentais como o aborto, contracepção, sexualidade na adolescência e casamento. O facto de apenas os suspeitos do costume se terem mostrado horrorizados significa que a Comissão de Tortura deve seguir o mesmo caminho.

A Convenção das Nações Unidas contra a Tortura, outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, foi aceite pela Assembleia Geral da ONU em Dezembro de 1984 e entrou em vigor passados três anos. Actualmente 155 governos ratificaram o tratado, incluindo o Irão e a Arábia Saudita. A Santa Sé assinou o tratado em 2002.

A Convenção em si é uma coisa boa. Define a tortura da seguinte maneira:

Qualquer acto por meio do qual uma dor ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são intencionalmente causados a uma pessoa com os fins de, nomeadamente, obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissões, a punir por um acto que ela ou uma terceira pessoa cometeu ou se suspeita que tenha cometido, intimidar ou pressionar essa ou uma terceira pessoa, ou por qualquer outro motivo baseado numa forma de discriminação, desde que essa dor ou esses sofrimentos sejam infligidos por um agente público ou qualquer outra pessoa agindo a título oficial, a sua instigação ou com o seu consentimento expresso ou tácito. Este termo não compreende a dor ou os sofrimentos resultantes unicamente de sanções legítimas, inerentes a essas sanções ou por elas ocasionados.

A convenção declara que não existem excepções à proibição da tortura, incluindo guerra, emergência pública, actos terroristas ou qualquer tipo de conflito armado. Os signatários aceitam incluir estas proibições na sua lei nacional, para aplicar o tratado em todos os territórios sob sua jurisdição, extraditar transgressores e, quando isto não for possível, a jurisdição universal.

É fácil ver como a Igreja veria tudo isto com bons olhos, até entusiasticamente. E é fácil também ver como a Igreja, pelo menos na era pós-inquisição, dificilmente violaria o tratado. Mas não.

Os governos que ratificam o tratado têm de comparecer diante do organismo de supervisão para explicar de que forma ele está a ser implementado. Estes organismos são compostos por peritos, nomeados pelos seus próprios países. Mas quando estão na comissão, representam-se apenas a si mesmos e não os países de origem. São agentes livres. E nota-se.

Eis o que vai acontecer à Santa Sé às mãos da comissão. A Igreja vai ser instruída a alterar os seus ensinamentos sobre o aborto. A Igreja será acusada de violar o tratado por permitir o abuso sexual de menores, mesmo fora dos 100 hectares da Cidade do Vaticano, em qualquer parte do mundo onde uma criança tenha sido abusada por um padre católico. Provavelmente a comissão opinará também sobre a orientação sexual e identidade de género. Mas alguma destas coisas consta do tratado contra a tortura? Não.

Há anos alguns actores influentes da ONU, incluindo os chefes de todos os organismos de monitorização da altura e das grandes agências como a UNICEF, encontraram-se em Glen Cove, Nova Iorque, e chegaram a um acordo para um plano para espalhar o evangelho da esquerda sexual através de todos os tratados de direitos humanos das Nações Unidas, mesmo naquelas que não mencionam questões como o aborto. Aliás, o aborto não é mencionado em nenhum destes tratados. Nem um. Contudo, praticamente todos os organismos de supervisão dos tratados dizem aos Estados que têm de legalizar o aborto – e muito mais.

A Comissão sobre Tortura já disse à Irlanda, Polónia, Nicarágua e Bolívia que a criminalização do aborto em caso de malformação, violação, incesto e perigo de vida da mãe é considerada tortura, ao abrigo do tratado. A comissão também já questionou os Estados Unidos sobre a tortura de homossexuais.

A Santa Sé no banco dos Réus na ONU
Interessa? As declarações das comissões têm algum efeito? Significam muito para professores de direito de esquerda, certamente, bem como para juízes e deputados do mesmo pendor. Aliás, muitos consideram que as declarações destes organismos criam normas vinculativas. E alguns tribunais e parlamentos já começaram a concordar. O Supremo Tribunal da Bolívia mudou as leis nacionais sobre aborto com base nas observações finais da Comissão sobre Tortura.

O que é que vai acontecer a seguir? A comissão vai pressionar o Vaticano. Provavelmente mostrará pouco respeito pelos representantes da Santa Sé. Referir-se-á a Arcebispos como “Senhor” e à Igreja como “a vossa organização”. Não escutará – verdadeiramente – os representantes da Santa Sé, mas as perguntas durarão horas. O relatório final será publicado daí a umas semanas, embora o mais provável seja que já esteja escrito, provavelmente por uma ONG de esquerda com um particular ódio pela Igreja.

A imprensa rejubilará por poder dizer que a Igreja está em violação de mais um tratado de direitos humanos e poucas pessoas compreenderão verdadeiramente o que aconteceu.

O que é que a Igreja deve fazer? A Igreja deve aguentar a sova neste novo processo. Deve ter uma estratégia bem montada de relações públicas para responder ao relatório e deve utilizar todas as oportunidades para explicar como estes organismos ditos de defesa dos direitos humanos de facto prejudicam os verdadeiros direitos humanos.

Depois devia esperar uns anos e, sem grande alarido, retirar-se de todos os tratados da ONU. E devia explicar porquê: porque estas comissões estão a ir muito mais longe do que o seu próprio mandato e, ao fazê-lo, estão a prejudicar os direitos humanos verdadeiros. A Igreja não quer ter nada a ver com isso.

Afinal de contas, foi a Igreja que inventou os direitos humanos e devia dar uma lição a estes meias-lecas.


Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Sexta-feira, 2 de Maio de 2014)

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

ONU para Santa Sé: "Tornem-se anglicanos SFF"

Senhores da ONU, com isto talvez não
troquem tantas vezes os comprimidos...
A notícia do dia é o relatório da ONU que critica a Santa Sé pela forma como lidou com casos de abusos sexuais sobre menores. O relatório não se fica por ali e, basicamente, recomenda que a Igreja abandone grande parte da sua doutrina moral.

Para o padre, e especialista em direito canónico, José Patrício, esta é uma questão que revela a vertente ideológica da ONU. Mais, o relatório não inclui informação crucial prestada pela Santa Sé.


Noutra notícia de hoje, o Papa falou da importância da missa dominical, durante a audiência geral de quarta-feira.


Não se esqueçam que esta noite há debate sobre religião na Renascença, a partir das 23h00.

Relatório da ONU é ideológica e não corresponde à verdade

Transcrição integral da entrevista ao padre José Patrício, a propósito do relatório que a ONU publicou esta quarta-feira, muito crítica da forma como a Igreja tem lidado com casos de abusos sexuais de menores.

O padre José Patrício, da diocese de Lamego, é especialista em direito canónico e tem acompanhado de perto todo este problema há muitos anos.


Que comentário lhe merece este relatório das Nações Unidas?

É preciso em primeiro lugar integrar o relatório nas circunstâncias em que é emitido. Comos e sabe a Santa Sé faz parte da Comissão para os Direitos da Criança, que é o órgão de controlo e monitorização de uma convenção assinada em 1989, sobre os Direitos da Criança, adoptada pela Assembleia Geral da ONU em 20 de Novembro de 1989 e entrou em vigor a 2 de Setembro de 1990.

Actualmente fazem parte 193 países. A Santa Sé foi das primeiríssimas a adoptar esta convenção.

Esta Comissão não é um tribunal, é uma comissão de estudo e de controlo, que recebe relatórios periódicos dos estados membros e que depois ao analisar o texto da convenção e a legislação interna dos estados, faz considerações.

No mesmo dia em que saiu este relatório sobre a Santa Sé saíram relatórios sobre vários estados, incluindo Portugal, que é ainda mais extenso que o da Santa Sé, em termos de recomendações. Em relação ao Vaticano isto é um instrumento normal, dentro de um tratado a que a Santa Sé aderiu livremente.

Por isso são recomendações normais para este tipo de comissão, e não são nem mais nem menos graves que recomendações feitas a outros estados membro.

Tem de ficar claro, e para a Igreja isto é claríssimo, que um só abuso sexual de menor por parte de um clérigo ou membro da igreja é algo que não devia acontecer nunca. A Igreja, neste domínio, está a fazer todos os esforços do ponto de vista jurídico e pastoral, de cuidados a ter, para evitar que ocorram abusos cometidos por membros da Igreja. Não conheço nenhum estado nem nenhuma organização que em tão poucos anos tenha promulgado tanta legislação e tenha percorrido um caminho tão longo, em tão pouco tempo, para a protecção das crianças.

Este relatório analisa apenas e só um conjunto muito reduzido de situações ou de passos dados pela Santa Sé e deixa de lado muitos outros, dados também, que vão no sentido de proteger os menores e evitar os abusos, para que a Igreja seja um lugar seguro, pacífico, para todas as crianças.

Não tem em conta sequer aquele que foi o contributo da Santa Sé dentro da comissão. No passado dia 16 de Janeiro, o Monsenhor Silvano Tomasi, representante da Santa Sé na ONU, teve uma intervenção junto desta comissão, em que forneceu um conjunto de dados, de passos que foram dados, de informações, dos quais o relatório não faz sequer menção, o que é estranho. Parece que o relatório estava feito antes de ser ouvida a Santa Sé em relação a um tema tão importante como este.

Dá-se a entender que a Santa Sé é a única organização que não tem uma legislação adequada à protecção das crianças. Pelo contrário a Santa Sé é das instituições que mais se tem esforçado para que isso aconteça e este relatório não corresponde à verdade dos factos, é preciso dizer isso com toda a clareza.

Há influência ideológica neste relatório?
Quando a Santa Sé, em 1990, ratifica a convenção, que dá origem a esta comissão, deixou muito claro que, e passo a citar: “Ao aceder a esta convenção deseja renovar a sua expressão de uma constante preocupação pelo bem-estar das crianças e das suas famílias. Mas considerando a sua singular natureza e a sua posição, ao comprometer-se com esta convenção, não prescinde de qualquer modo da sua missão específica na qual a sua dimensão religiosa e moral têm um aspecto primordial.”

Delegação da Santa Sé que falou à comissão em Janeiro
Isto foi o que a Santa Sé disse à ONU em 1990. Esta convenção, nos últimos anos, tem derivado para um conjunto de posições ideológicas que são cada vez mais incompatíveis com a doutrina cristã, com valores não-negociáveis. A Santa Sé não pode não defender aquilo que Jesus nos deixou como missão, pregar o Evangelho a todas as criaturas, na verdade. E portanto, para não faltar ao mandato de Cristo de pregar a verdade, de pregar o valor da vida nascente desde a concepção até à morte natural, a Santa Sé nestes foros, ao defender as suas posições, tem uma grande vantagem porque está a tratar à luz do direito internacional, temas que são importantíssimos para a vida da Igreja, de todos os países e de qualquer pessoa.

Mas corre sempre o risco de haver pessoas, instituições e ONGs que tenham uma ideologia contrária à religião católica e que tentem impor essa ideologia à Igreja. Devo dizer que no caso concreto desta comissão, como no caso concreto da posição da Santa Sé nas Nações Unidas, estas comissões olham para a Igreja e não sabem muito bem, por vezes, expressar o que querem dizer. Isto porque a Santa Sé não é um estado como outro qualquer. Para já não é membro pleno, é apenas observador. Em segundo lugar tem uma dupla dimensão, territorial, que é o Estado do Vaticano, mas também é o Governo central da Igreja Católica, espalhada por todo o mundo.

Enquanto que num Estado as leis de um país referem-se àquele país, e portanto no caso de Portugal temos uma constituição e depois temos um conjunto de leis promulgadas pelo Governo e é fácil recomendar alterações específicas à legislação, quando estas comissões olham para a Igreja vão ao direito canónico.

Mas a legislação da Igreja não está expressa só no Código de Direito Canónico. Está expresso no direito canónico, que vale para a Igreja Latina, está expressa no código dos cânones das Igreja orientais, que valem para as igrejas orientais, mas depois há um conjunto de normativas que não está em nenhum dos códigos e que são consideradas normas especiais ou estatutárias, que também fazem lei, regulam a conduta dos cristãos e da hierarquia e que neste caso não foram tidas minimamente em consideração.

Por exemplo, está a ser renovado todo o livro VI do código de Direito Canónico de 1983, que se refere ao direito penal, para precisamente transpor para a ordem fundamental da Igreja normas que neste momento têm um valor só de normas especiais e por isso do ponto de vista jurídico não são tão fortes como o direito canónico, mas têm a mesma validade.

Há de facto uma visão ideológica muito diferente entre a Igreja e este relatório das Nações Unidas e essa ideologia é um confronto do qual a Igreja não se pode dispensar. É preciso estar lá, debater as nossas ideias e continuar a explicar a posição da Santa Sé, mesmo que não sejamos ouvidos, que não concordem connosco, e mesmo que nos venham dizer que temos de mudar coisas que à partida sabemos que não vamos mudar, porque são coisas que não depende de nós, dependem daquilo que Jesus nos deixou.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Uma primavera persa?

Há quase precisamente um ano estava em Roma e assisti a uma conferência após a qual escrevi o seguinte:

"Michelle Zanzucchi, director da revista Cittá Nuova, do movimento Focolares, falou longamente sobre a questão da Primavera Árabe e da situação dos cristãos no mundo árabe e no Médio Oriente. Uma coisa que retive de forma particular foi em relação ao Irão, o menino mau regional. Segundo Zanzucchi a Arábia Saudita vai explodir dentro dos próximos 8-10 anos, e isso terá influências no resto do Médio Oriente. Nessa altura, acredita, o Irão, que deverá sofrer uma importante transição nos próximos quatro anos, será fundamental para ajudar a pacificar a região, isto porque, segundo ele, o Irão é de longe o país do Médio Oriente que é mais próximo, em termos de mentalidade, do Ocidente.

É uma perspectiva interessante. De facto o Irão não é um país árabe, mas sim indo-europeu e quem conhece a realidade persa actual diz que o fundamentalismo islâmico do regime praticamente não tem raízes no país, sobretudo na capital."

Agora, na Assembleia Geral das Nações Unidas, uma das grandes questões em cima da mesa é a aproximação entre os Estados Unidos e o Irão... a ver, a ver... mas isto pode ser histórico.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Colaborando com os muçulmanos

Austin Ruse

A reunião das 22h00 iria durar toda a noite. Esta era a última noite de um processo de duas semanas que estava a ser planeado há anos. Todas as decisões mais complicadas seriam feitas durante aquela noite. Estavam todos cansados, a cantina estava fechada, os tradutores tinham ido para casa.

Dirigi-me ao centro da sala de reuniões, na cave do edifício das Nações Unidas. De cima a baixo via-se uma cascata de meios-círculos concêntricos de secretárias, com cento e oitenta e tal bandeiras nacionais, organizadas de forma alfabética. Das janelas via-se o East River, iluminado pela lua.

Na sala aproximei-me de um embaixador muçulmano a quem disse: “Esta sessão vai durar a noite toda e vai ser muito dura. Quando as coisas se tornarem mesmo complicadas, quero que olhe para ali”, disse, apontando para uma secção de cadeiras mais elevadas, “onde estarão vinte cristãos a rezar por si.”

Nessa noite aquele homem foi um autêntico tigre em defesa das crianças por nascer. Os governos ocidentais, juntamente com os burocratas das Nações Unidas, estavam sedentos por consagrar um direito ao aborto que requereria que as nações permitissem a matança sem restrições dos seus bebés por nascer.

Vezes sem conta ele levantou-se para impedir que linguagem perigosa entrasse naquele documento. Bateu na mesa. A certa altura até se levantou em defesa de organizações não governamentais cristãs que tinham sido atacadas pela União Europeia. Quando o sol se levantou os seus esforços, os nossos esforços, tinham valido a pena. Um alegado direito ao aborto tinha sido impedido mais uma vez.

Muitos dos que aplaudem o resultado desta reunião, e outras que tal, não gostam do facto de conseguirmos estes resultados com o apoio dos governos que permitem a perseguição dos nossos irmãos na fé. Seria bom que a coligação nas Nações Unidas dos que defendem a vida dos nascituros fosse grande. Não é.

Se ao menos as chamadas nações cristãs estivessem do nosso lado. A Europa pós-cristã lidera a luta pela legalização mundial do aborto. Até países de confiança, como a Polónia ou Malta se juntam à Alemanha, França e Reino Unido quando a União Europeia adopta uma posição comum, que é quase sempre a favor da cultura da morte.

E a América Latina católica? Há uma série de razões pelas quais não nos apoiam. Há muito que as suas elites se juntaram à Europa na questão do Aborto. Vêem o aborto quase como um sacramento e uma marca de sofisticação. Os seus governos também não querem ser assediados pela comissões de “direitos humanos” da ONU, que defendem um direito universal ao aborto.


Também tendem a tentar agradar às suas feministas radicais permitindo-lhes que representem os seus países nas negociações nas Nações Unidas. Estes governos não querem ser catalogados como sendo parte daquilo a que alguns media chamam a “profana aliança” entre o Vaticano e os países islâmicos. Por isso, a América Latina católica tende a baldar-se nestes assuntos.

África? São tão pobres que não podem sacrificar um só cêntimo do dinheiro que a ONU e os países doadores lhes dão. Há alguns anos uma diplomata nova questionou o facto de o seu país patrocinar uma certa resolução. Logo a seguir um lobbista do Fundo de População das Nações Unidas ameaçou o seu Estado com o corte de fundos financeiros. É uma arma potente.

Podia falar de todas as regiões do mundo e encontrar um sem número de razões pelas quais a nossa coligação nas Nações Unidas é tão pequena.

Há quem diga que não vale a pena defender a vida dos nascituros se isso implicar estarmos do lado de países islâmicos. Recentemente, no site “Big Peace” de Andrew Breitbart, a respeitada Diana West sugeriu que, ao trabalhar em conjunto com os muçulmanos, as ONG pró-vida cristãs ajudavam a divulgar a Sharia e o Islão radical. Ela acredita que a perseguição religiosa é um assunto mais importante do que proteger bebés do seu próprio holocausto.

Muitas pessoas e muitos grupos concordam. Trabalham pela liberdade religiosa e ignoram a luta pela vida dos nascituros. Estão no seu direito. Os grupos devem escolher as suas missões. Mas West e outros vão mais longe. Eles querem que nós paremos o nosso trabalho porque os custos são demasiado altos se os muçulmanos estiverem incluídos.

Ninguém sabe bem quantos morrem por ano devido ao aborto. Serão 50 milhões? Os dados “oficiais” dizem que sim, mas é natural que sejam mais, talvez muitos mais. Isto representa a maior tragédia humana do nosso tempo e pode tornar-se ainda pior se os radicais das Nações Unidas conseguirem levar a sua avante.

Se estivessemos simplesmente a somar mortes, esta coluna tornaria todas as outras insignificantes; todas as guerras, todas as perseguições, todas as purgas e todas as soluções finais. É ainda mais bárbaro porque estas vítimas não têm como se defender, não têm para onde fugir.

E é suposto deixar passar tudo isto porque são os muçulmanos que tornam possível a defesa dos bebés por nascer?

Nós que trabalhamos no movimento pró-vida junto das Nações Unidas acreditamos que somos chamados para esta luta em particular. Aplaudimos todos os que defendem outros assuntos legítimos de direitos humanos, como a perseguição religiosa, mas acreditamos que o direito à vida está em primeiro lugar. É o direito que torna possíveis todos os outros direitos e liberdades, incluindo o direito à liberdade religiosa.

Acreditamos ainda que, à nossa maneira, defendemos a liberdade religiosa. Trabalhando com diplomatas muçulmanos, tornando-nos amigos deles, amando-os até, acreditamos que podemos mudar as suas mentes e os seus corações. E à nossa própria maneira, - misteriosa, talvez – ajudamos os nossos irmãos e irmãs perseguidos. Este caminho, muitas vezes incompreendido, é o caminho de Cristo.

Austin Ruse
(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 13 de Janeiro 2012 em www.thecatholicthing.org)

Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing. 

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