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quarta-feira, 21 de março de 2018

É mesmo #melhorcontigo

Demitiu-se o responsável pela comunicação da Santa Sé. Monsenhor Dario Viganò não resistiu à polémica da carta de Bento XVI. Tudo explicado aqui.

A Europa está cada vez mais secularizada. Em alguns países mais de 90% dos jovens não se identificam com qualquer religião. Até aqui, nada de grandes surpresas, mas parece que Portugal está a resistir a esta tendência e os nossos jovens são substancialmente mais religiosos que nuestros hermanos do outro lado da fronteira, por isso nem tudo é mau!

O Papa Francisco vai a Dublin em Agosto para o encontro mundial das famílias.

E hoje é dia Mundial de Trissomia da Síndrome de Down. Foi com o maior gosto que pude dar notícia desta belíssima iniciativa, porque verdadeiramente, o mundo é #melhorcontigo. Com todos eles.

Hoje há artigo novo do The Catholic Thing em que o grande David Warren explica como é que apesar das suas más experiências numa escola católica no Paquistão – onde foi obrigado a ir à missa por ser branco, depois espancado pelos religiosos por ter ido à missa quando descobriram que afinal ele era protestante – ficaram as sementes que levariam à sua conversão, décadas mais tarde. É sempre um prazer ler este senhor, não percam!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Fim de Ramadão para esquecer

Elie Wiesel
Os portugueses são generosos e deram provas disso novamente em 2015, ano em que a fundação Ajuda à Igreja que Sofre bateu recordes de donativos. Saiba aqui para que serve esse dinheiro.

O Bloco de Esquerda promete ter uma proposta de lei revista das “barrigas de aluguer” até ao dia 15 de Julho, que satisfaça as dúvidas do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Sexta-feira houve um ataque jihadista no Bangladesh que fez 20 mortos entre reféns ocidentais. Durante o fim-de-semana um atentado terrível em Bagdad. O Papa rezou pelas vítimas em ambas as situações. Agora soube-se de uma vaga de atentados na Arábia Saudita… Um fim de Ramadão para esquecer.

O Papa entretanto pede à Europa que não se esqueça das suas raízes cristãs.


Há meses entrevistei o fascinante padre Tomás Halík. Agora, para quem gostou da reportagem, fica aqui a transcrição completa, que inclui mais informação.

terça-feira, 12 de março de 2013

"As dissidências são problemas sérios"

Transcrição na íntegra da entrevista a monsenhor Duarte da Cunha, secretário do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, sobre o estado da Igreja na Europa. Notícia aqui.

Bento XVI fez da reevangelização da Europa uma prioridade. Passados estes anos todos, contudo, continuamos a ver a Igreja quase em retirada perante a secularização. Pode-se falar em sucesso ou falhanço?
Dificilmente utilizaria termos como esses. Foram oito anos de muitos sucessos e de outros momentos menos bem-sucedidos. O Papa, no início do pontificado, fez aquela alerta, o juízo sobre a situação do mundo europeu com aquela referência que ficou famosa, sobre a ditadura do relativismo, o relativismo para quem tudo é igual e o bem e o mal parecem desaparecer, pelo que viver com Deus ou sem Deus parece tudo igual, e que isso tem consequências sociais gravíssimas. Penso que é um facto.

Aí o juízo do Papa foi um grande sucesso, porque abriu os olhos a muita gente e fez com que a Igreja começasse a enfrentar a questão da evangelização não só pela perspectiva de ter mais gente na missa mas como a relação pessoal de cada um com Deus, que temos de ser uma Igreja capaz de proporcionar às pessoas um encontro pessoal com Deus, mesmo que seja uma Igreja com dificuldades e perseguida por fora, ou, como o Papa também disse, com muitos pecados e perseguições internas, pelas nossas maldades.

Mas julgo que o juízo do Papa que se manteve e que foi importante. Dizer que ele fez a avaliação mas não conseguiu encontrar a cura, não é assim tão simples, porque a cura não seria a curto prazo. Pôs a Igreja numa dinâmica de preocupação sobre a fé e este Ano da Fé é um testemunho disso, e toda a Europa, a Igreja e os bispos, as paróquias e os movimentos, tomaram isto do Ano da Fé e da Nova Evangelização, muito a sério. Há uma acção que foi despertada pelo pensamento e o desejo e a proposta do Papa que se tornou um sucesso.

Se a Europa deveria estar mais evangelizada? É um facto. As leis sobre o matrimónio, sobre a vida, sobre a família, sobre a presença da religião no espaço público, não valorizam o legado da tradição e da cultura cristã, pelo contrário Às vezes são contra. Mas são duas coisas diferentes. Uma é verificar que a sociedade e o Estado e a maneira como as coisas estão a ser organizadas ao nível do mundo se afastam da Igreja, outra é pensar se a Igreja, enquanto povo de Deus, está ou não está a reavivar a sua fé.

Temos de verificar, caso a caso, mas há muitos sinais de entusiasmo da fé. As Jornadas Mundiais da Juventude são um exemplo, mas o Papa também fez referência na sua última catequese à multidão e à esperança e a certeza da esperança que via na Igreja. Há uma verdade da Igreja viva que não se pode esconder. Há uma Igreja viva, que não se pode hoje esconder, que não é só uma Igreja deprimida, é uma Igreja entusiasmada, mas que não é maioritária e não tem a influência nos governos, nas leis e na cultura que gostaríamos de ter e que, se tivéssemos, acreditamos que ajudaria o mundo.

Antes de ser Papa, Joseph Ratzinger falou num futuro em que a Igreja fosse minoritária mas mais fiel, uma aposta mais na qualidade do que na quantidade. Este pode ser o futuro da Igreja, e devemo-nos conformar com esta ideia?
Julgo que estamos numa fase de viragem cultural e histórica e a Europa de hoje é muito diferente do que será daqui a 10 anos, não só a nível da religião, mas da demografia e da imigração, as crises todas… dificilmente sei o que vai ser.

Mas tenho a certeza que a Igreja será uma presença daqui a 10 ou 20 anos se núcleos duros de pessoas convictas mantiverem a sua fé, individual, mas também comunitária e cultural, fortes. Podemos não ser grupos maioritários, não ter uma influência enorme, mas à imagem dos primeiros tempos da Igreja poderemos dar mais aquela alma, espiritualidade e seriedade que o mundo decadente vai procurar, estou convencido. A Igreja ganhará se não for mais mundana, no sentido de ser bem recebida pelo mundo, mas no sentido de ser mais fiel à sua raiz, à sua identidade, à sua fé, para depois servir o mundo.

A ideia que uma Igreja, para poder estar presente no mundo, precisa de ser bem recebida por este mundo para ser ouvida, vai tendo cada vez menos sucesso. Pelo contrário, uma Igreja que é fiel torna-se uma espécie de farol, chama atenção, desperta, cria interesse, é atractiva. Por isso se calhar às vezes é mais combativa, mais difícil de ser compreendida no mundo, mas é mais eficaz, ao longo do tempo, sobretudo naquilo que é específico da sua missão, que é levar Deus às pessoas, não tanto de fazer um mundo melhor, assim neutro, mas um mundo mais cristão.

Se o próximo Papa lhe pedisse conselhos sobre a pastoral para a Europa, que diria?
Certamente terá muitos melhores conselheiros, sei que há lá muitos cardeais de grande sabedoria e de interesse. Mas julgo que temos assistido, com os Papa dos últimos tempos, a uma experiência do reforço da Fé e da revitalização da fé, que temos de continuar, não há muito por onde escolher. A Igreja tem de ser cada vez mais um povo que reconhece a sua chamada à santidade, como recordava o Concílio Vaticano II. Essa deve ser a grande missão da Igreja, desde o Papa ao pai de família, que é tentar que cada um de nós seja mais fiel na sua experiência de fé e de encontro com Cristo.

Nesse sentido espero que o próximo Papa possa continuar a levar-nos nesse caminho, com a sua palavra, o seu exemplo, porque os últimos não foram só palavra, foram também muito testemunho, uma maneira de estar perante os acontecimentos da vida pessoal e da vida da Igreja e da vida do mundo que também nos ensinaram pelo simples facto de estarem desta maneira.

Bento XVI, diante das alegrias e dos pecados da Igreja tinha uma atitude que nos levava a dizer “eu quero viver estes acontecimentos como ele os vive, com a mesma intensidade, com a preocupação, mas também com a mesma misericórdia e aquela caridade. Espero que o próximo Papa nos ajude a sermos mas santos. Depois, que seja um Papa capaz de Governar a Igreja neste mundo cada vez mais difícil.

Há também problemas internos, de dissidência, penso particularmente nos “Manifestos de desobediência”, na Áustria e na Alemanha. Como lidar com esta questão?
São problemas muito duros e muito difíceis, que devem ser levados muito a sério, porque estamos a falar de pessoas que são boas pessoas e que até podem ser bem-intencionadas. A Igreja ganha na sua identidade vivendo uma experiência forte de comunhão, e para viver essa comunhão entre nós temos de viver uma comunhão forte com Deus.

Estou convencido que a resolução das dissidências não vai ser uma questão de negociação, essa pode ser uma tentação da lógica do mundo, mas não é certamente eficaz. A resolução das dissidências, que sempre houve, mas que agora têm mais impacto até pelo papel da comunicação social, mas que infelizmente não são novas. Julgo que a parte que o Papa e os bispos podem ir fazendo é exactamente darem mais visibilidade à própria fé, à fé deles enquanto pessoas e pastores, mas também da comunidade e da Igreja. Porque uma comunidade viva que faz uma celebração litúrgica em que se percebe que se está a adorar a Deus, portanto onde Deus é visível, uma comunidade que faz uma transmissão da fé não inventando a fé, não adaptando a fé, mas sendo fiel à fé recebida, uma comunidade que reforça os seus laços nas famílias, nas relações de amizades, é uma comunidade que atrai à conversão de todos nós, porque todos nós somos um bocadinho dissidentes em pequenas coisas. Algumas são mais visíveis e outras são mais destrutivas.

Não julgo que a Igreja ganhe com estas dissidências, pelo contrário, acho que perde. Embora ache que alguns destes que querem mudanças radicais, no fundo têm boa intenção, mas não é um bom caminho. A ideia deles é que a Igreja chegue a mais gente, ser mais recebida. Pensam por exemplo que se os padres casarem, se as mulheres puderem ser padres, se o divórcio passar a ser concedido na Igreja, que estas coisas aumentem.

Mas a pergunta deve ser, estas coisas aumentam a fé das pessoas ou aligeiram o peso moral e por isso essas pessoas ficam não por convicção mas porque não é complicado ficar. Se pelo contrário acharmos que as pessoas ficam porque encontraram Cristo, elas serão capazes de pegar na cruz e levá-la até ao fim.

As dissidências são problemas sérios, que têm a ver com a doutrina, com a moral, com a fé, com a doutrina da Igreja. E estou convencido que um Papa que seja capaz de gerar uma comunhão à volta de si ganha, como estes últimos papas conseguiram. Essa comunhão gera depois franjas que não os aceitam mas ao mesmo tempo cria um núcleo fortíssimo que é depois a semente para o futuro.

Há outras regiões onde parece, pelo contrário, que a Igreja está a regenerar. Quer falar um pouco desses pontos mais positivos?
É interessante ver que a Igreja perseguida, dos países comunistas, que há 20 anos encontraram a liberdade, é uma Igreja que não tem grandes estruturas, tem pouco dinheiro, em geral, está agora a recuperar alguns edifícios confiscados no tempo do comunismo, mas é uma Igreja de gente pobre, não é uma Igreja rica, mas é uma Igreja dinâmica.

Pode-se dizer que tinha pouca gente e por isso é puderam recrudescer, mas não é só isso. É uma Igreja que sentiu na pele o que significa uma cultura ateia, uma pressão do ateísmo, do esconder Deus, do ofuscar Deus, de tornar Deus uma coisa escondida no coração de cada um. Estas comunidades católicas, mesmo as ortodoxas, com a liberdade começaram a poder evangelizar e a poder reunir-se e congregar as pessoas e, ao mesmo tempo, sem tanta influência de uma certa modernidade relativista e liberal do mundo ocidental, acabaram por dar um alicerce de convicção e segurança ao seu povo que é muito respeitada. Naqueles países a ideia do ateísmo, mesmo ao nível político, é assustadora, e isso pode dar um certo impulso à Igreja.

Por isso é bonito poder ver as Igrejas greco-católicas, de ritos orientais, a crescerem, a ganhar consistência, a terem muitas vocações, as famílias a terem filhos e os filhos serem uma esperança para esta Europa, mas depois como são países pobres há muitas crises, durante muitos anos houve o ateísmo e há um tecido social muito frágil, há muitas desconfianças, as pessoas não têm uma abertura de confiança grande, há aí um grande trabalho humano e eclesial a fazer, mas há um crescimento de experiência da fé, e de experiência comunitária.

Mas mesmo no nosso mundo ocidental vale a pena ver que estamos numa fase de transição, se formos à França, Holanda, Bélgica, mesmo certos locais na Alemanha e na Áustria, vemos que um certo tipo de Igreja mais preocupada com a cultura do mundo, de diálogo com o mundo, acabou por ser uma Igreja que não teve um grande sucesso, as Igrejas esvaziaram-se. Há uma geração idosa que ainda frequenta a Igreja, depois uma geração intermédia que abandonou a Igreja, e hoje há um recuperar da fé por parte de alguns movimentos, grupos de jovens e paróquias mais vivas, que ajuda a compreender que esta mudança cultural que os países ex-comunistas viveram, nós por outras razões vivemos, por isso também a esperança que o futuro da Igreja não seja uma decadência continua.

Não penso que o próximo Papa venha tratar da falência, vem continuar o caminho de altos e baixos que a Igreja tem, mas com vitalidade. É uma mudança cultural que vale a pena acompanhar agora e esperemos que o Papa seja, nesse sentido, um farol, uma luz e um indicador forte e claro.

Por isso a Igreja tem focos vivos, são esses focos que temos de ver. Bento XVI dizia para olhar para os lugares onde a Igreja está viva, dar-lhes espaço e segui-los. Porque é que a Igreja está viva ali? Porque há uma boa liturgia? Porque há um anúncio da fé forte? Porque há relações humanas intensas e sérias? Porque há empenho na caridade? Porque as pessoas estão preocupadas umas com as outras? Porque há empenho intelectual e há estudo? As razões estão um bocado à vista e vale a pena olhar para essas comunidades e segui-las.

As Igrejas reformadas ou Ortodoxas na Europa podem ser aliadas neste caminho? Isso poderá ser importante para o diálogo ecuménico?
O Papa João Paulo II já o tinha feito bastante, mas julgo que Bento XVI ainda o reforçou mais. Diante deste secularismo e laicismo militante que vivemos na Europa a dimensão ecuménica é fundamental. Os cristãos não têm o direito de não se preocupar com a unidade interna, entre si. Por isso o esforço de diálogo, mas não simplesmente um diálogo de não-agressão, mas um diálogo que procure a construção de uma unidade visível, uma unidade que possa depois ser experiência comum, ainda estamos longe, mas penso que o Papa Bento XVI insistiu muito nisto.

A nível de diálogo com os ortodoxos, pelas questões da fé, talvez seja mais fácil, mas há muitas igrejas reformadas, luteranas e não só, onde o diálogo mesmo doutrinal tem dado muitos passos. Penso que vai ser importante os próximos tempos. Vai ser importante 2017 quando fizer os 500 anos do início do protestantismo na Europa. Vamos ver qual é o futuro da Igreja Anglicana em Inglaterra, da Igreja Protestante na Suécia… o ecumenismo é de facto fundamental para a evangelização. Não podemos separar as duas coisas.

Não podemos é pensar num ecumenismo relativista, em que cada um pensa como quer e somos todos amigos. Não, esta amizade tem de ser séria, profunda e chegar mesmo à raiz dos problemas. Pedir perdão onde for preciso, perdoar onde for preciso perdoar, dizer que não tínhamos razão numas coisas, não poder ceder na convicção nas outras, para poder chegar a uma unidade visível.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

4 – Liberdade Religiosa na Europa


Uma semana mais tarde um tribunal em Colónia proibiu a circuncisão de crianças por razões religiosas, o que passados seis meses ficou novamente resolvido por forma legislativa.

Há coisa de semanas o debate sobre a matança ritual, que afecta judeus e muçulmanos, voltou a estar na ordem do dia, mas desta vez na Polónia.


À primeira vista são várias notícias diferentes, mas todas têm em comum as novas ameaças à liberdade religiosa na Europa.

Se não se tiver em conta o caso britânico, então até seria possível fingir que isto não é mais do que um continente historicamente cristão a adaptar-se a novas religiões, como o Islão, que vão chegando juntamente com as suas tradições.  No caso da matança ritual o que choca os opositores é o facto de os animais não serem atordoados quando são abatidos.

Mas não é nada disso. Os judeus vivem na Europa há milhares de anos e sempre usaram os mesmos rituais para matar animais e garantir que a carne é ritualmente pura, acontece que esses rituais são praticamente idênticos aos islâmicos. Ou seja, isto não é nada de novo. O que é novo é a ideia de que um grupo religioso, respeitável e bem implementado na sociedade, possa ser agora impedido de levar a cabo uma prática que lhe é essencial.

Com a carne, ainda vá que não vá, há comunidades judaicas e muçulmanas que não têm dimensão suficiente para garantir toda a logística necessária para montar os processos de matança que respeitem as regras kosher e halal. Podem passar muito bem sem comer carne, se assim entenderem. Mas o que dizer sobre a circuncisão?

Sejamos claros. A história da proibição, e mais tarde legalização, da circuncisão religiosa na Alemanha (por mais que tenha sido só num Estado e a verdade é que rapidamente o fenómeno se espalhou), é uma das mais importantes notícias deste ano. A circuncisão é, para os judeus e muçulmanos, o cumprimento de um mandato divino, a correspondência do povo à aliança estabelecida por Deus. Uma comunidade judaica que não pode circuncidar os seus filhos está efectivamente a ser impedida de ser judaica.

Chegámos mesmo ao tempo em que um tribunal se julga no direito de proibir algo deste género? Pelos vistos sim. Pode-se argumentar que é indiferente porque mais tarde o Parlamento legalizou a circuncisão, mas apesar de resolver o problema a solução não deixa de ser preocupante também. Efectivamente, a circuncisão é hoje legal na Alemanha por decreto, não porque é um direito inalienável dos pais, mas sim porque os políticos se deram ao luxo de o permitir. Da mesma forma poderão retirar esse direito quando quiserem. Isto é, simplesmente, inacreditável.

Inacreditável e só possível porque chegámos a um ponto em que somos governados por classes políticas para quem a sensibilidade religiosa é inexistente. O exemplo máximo disso foi a provedora das crianças na Noruega que sugeriu, qual iluminada, que os judeus e muçulmanos passassem a circuncidar os seus filhos “simbolicamente”. Simbolicamente? Que mais senhora provedora? Porque é que não pedimos aos carnívoros para passarem a comer carne apenas de forma simbólica? Baptismo simbólico para os cristãos? Afinal de contas, a água fria pode fazer mal aos pequenos.

No meio disto continua no Reino Unido a saga de duas pessoas que foram despedidas por que se recusaram a retirar crucifixos e outras duas porque disseram que eram contra o “casamento” homossexual. O caso está perante o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem porque os tribunais britânicos não reconheceram nestes despedimentos nada de anormal.

Shirley Chaplin, uma das queixosas
Uma sociedade em que eu, de um dia para o outro, tenho de deixar de usar o meu crucifixo ao pescoço, ou no qual eu perco o meu emprego porque digo que defendo que o conceito de casamento não deve ser mudado, é uma sociedade em que a liberdade religiosa está severamente ferida.

E é porque acredito que isto é uma clara tendência e não apenas um apanhado de factos isolados, que não tenho dúvidas em considerar que as notícias sobre liberdade religiosa na Europa são, no seu conjunto, uma das histórias mais importantes dos nossos tempos, às quais não se está a dar o devido valor.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Fátima recebe centenas de milhares... e um húngaro


Cardeal Ravasi, em Fátima
Foi um fim-de-semana louco em Fátima. Bateram-se recordes de presença de fiéis no santuário, os hotéis e parques esgotaram, verdadeiramente impressionante.

Pelo meio esteve lá o Cardeal Ravasi, responsável pelo Conselho Pontifício da Cultura, que pediu aos fiéis que sujem as mãos no auxílio aos seus irmãos.

Ainda em Fátima esteve o vice-primeiro-ministro da Hungria, que falou sobre a polémica Constituição daquele país, que defende a vida desde a concepção e refere a identidade cristã da nação, entre outras coisas. Uma entrevista a não perder. Quem estiver descontextualizado pode ver este artigo, e ainda este, no blog.

Nos Açores também foi fim-de-semana de procissões. Milhares participaram na festa do Senhor Santo Cristo.


Por fim um convite: Amanhã a psicóloga Helena Marujo vai falar sobre como “A Felicidade Também se Educa”, numa conferência promovida pelas Equipas de Nossa Senhora, na Paróquia de Santo António do Estoril, a não perder.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tradicionalistas divididos, hotéis de Fátima cheios


Nossa Senhora da Cruz do Sul

É já amanhã que se realiza a jornada “Juntos pela Europa”, que reúne 150 cidades europeias. Saiba tudo aqui…

Se pensa ir a Fátima esta semana… esqueça os hotéis, que estão esgotados. Por outro lado, o santuário anuncia que dispõe agora de serviços médicos mais rápidos e eficazes.

Os quatro bispos tradicionalistas da Sociedade de São Pio X estão divididos internamente. O superior-geral Bernard Fellay está apostado em chegar a acordo com Roma, mas arrisca-se a vir sem os seus três colegas.

Depois de Reino Unido e EUA, a Austrália vai ter um ordinariato pessoal para ex-anglicanos já em Junho. Chama-se Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora da Cruz do Sul

Ontem o D. Pio Alves de Sousa, presidente da Comissão Episcopal para as Comunicações Sociais, falou de um défice de silêncio, de repouso e de pensamento nos media… e com esta me calo!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

São Martinho, D. Carlos e o Duque de Oldemburgo

Antes de mais, bom dia de São Martinho, infelizmente sem o Verão correspondente.

Foi hoje anunciado oficialmente que D. Carlos Azevedo, actualmente bispo-auxiliar de Lisboa, irá para o Vaticano trabalhar com a Comissão Pontifícia da Cultura. É mais um português com um cargo importante na cúria Romana e desejamos ao Sr. D. Carlos as melhores felicitações.

Esta notícia, há algum tempo esperada, parece confirmar isto, que escrevi aquando da nomeação de D. Nuno Brás para bispo-auxiliar de Lisboa no início de Outubro.

Ainda no Vaticano terminou hoje o congresso de três dias sobre células estaminais adultas. Segundo uma especialista, tratou-se de um evento revolucionário.

Esteve recentemente em Portugal o Duque Paul de Oldemburgo, que é director de um lobby católico junto das instituições europeias em Bruxelas. Fiz-lhe uma entrevista que me pareceu muito interessante. Podem ler areportagem aqui e, se quiserem, a transcrição completa da entrevista (em inglês), está aqui.

Finalmente, a Igreja Copta Ortodoxa do Egipto está a apelar aos cristãos para que votem em massa nas eleições do dia 28 de Novembro, nem que seja em candidatos islâmicos moderados.

O Duque que defende a cristandade em Bruxelas

Interview with His Highness Duke Paul-Wladimir of Oldenburg, president of the Pro-Europa Christiana Federation – Full Transcript

Could you tell us a little bit about the organization you are in charge of, and what work you do?
The Pro-Europa Christiana Federation was set up in 2002 and it consists of 10 different European Associations, we work in 10 different countries, and with the Lisbon Treaty we decided to go to Brussels to have a bureau there and to close to the institutions, close to the parliament, work with those in the parliament who share our Christian Catholic values, and see the necessity of working in the society so that the Christian roots and culture of Europe will be preserved.
We see today that there are a huge amount of laws and directives coming out of the institutions which are against this, which is why we are there. In fact we are a Catholic lobby.

Specifically Catholic? Not ecumenical?
We are based on the teachings of the church but we are open to any other group who joins us, for example in the anti-abortion campaigns we work well with the Evangelicals, they are very combative and we like that, we have no problems working with them.
What we try to do is work in coalitions in Brussels. In Washington this is absolutely normal, to have coalitions of different kinds of groups which identify one enemy to fight. In America it is very clear, its socialism. Our enemy is a current in the institutions which wants to influence policy in an anti-Christian way, that is what we are trying to combat.

What measures in particular are you referring to?
When you look at family policy, for example. When you look at the treaties, Maastricht and now Lisbon treaty, family policy is still a national issue. So countries can decide on these questions independently of Brussels.
But through the back door, by directives that at first sight have nothing to do with family policy they try to influence this. For example homosexual marriage is recognized in Spain but not in Poland. They try to, through the back door, set up directives in the field of labour, for example, and say that one has to recognize the statute of that family, which is not a family, because it is recognized in Spain and so it has to be recognized in Poland. That is the way the go around the independence of the states in these issues.

Is there an organization behind these efforts, or is it a social trend?
You can see that the European institutions are biased on this point. They make development aid to African countries dependant on social policies. If they have a policy against homosexual marriage they want to cut the aid. This is the commission and 80% of the parliament think like that, so that’s one thing.
On the other hand you have the societies and the societies don’t get it any more that they have to defend these principles that Pope Benedict called the non-negotiable values. The right to life from conception to natural end, marriage is between one man and one woman and the right of parents to educate their children according to their faith. Constantly these basic principles are affected and hurt by these policies. The problem is that our societies forget about these principles, which means that the policies can go on without any resistance.

Are there any Portuguese associations involved?
Yes. Our Portuguese association is called Acção Família.
We set up a network of information so that then we can report back to the countries so that they can make campaigns to mobilize people to wake up and see that there is a danger coming from Europe that is atheistic, laicist and that wants to get rid of all Christian policies. Its shocking to hear it like this, but if you see Brussels its exactly like that.

Two recent victories recently from the European Court of Human Rights. Forbidding patents for techniques that destroy embryos and the case of crucifixes in classrooms in Italy. Is this a reversal of the trend?
We’ve been discussing this for a while now. For me it is even miraculous that these decisions came around. The decision on the embryos was fought by Greenpeace, which in most cases is not on our side. But the reaction of the Commission was helplessness. The commissioner was asked about this by the parliament and just answered that he didn’t know what to say.
But I don’t trust these developments. We have to be very vigilant and continue to unveil these currents in the parliament which take us in the wrong direction. It’s true that these were victories, but I’m not that optimistic.

Do you think that Christianity in Europe could become a small creative group, like Pope Benedict has said might be the case, or might Christianity flourish like before?
The trend looks very pessimistic, in the masses, what we see is a revival, especially amongst the youth, so there is hope. I see a generation growing, around 20, 25, and they start to see that something is very deeply wrong. It’s a very small group, we have them in pro-life movement in Brussels, they organized the right to life march for the second time this year.
There is a counter current coming up. But on the other hand you get the impression that society polarizes and that the majority goes in the wrong direction. Just yesterday we had a conference on Christianophobia in Brussels and Alexander del Valle, a prominent speaker from France pointed out that we have a serious problem. Christianofobia is coming from different currents, one is certainly Islam but the other is from our politicians, and they are not defeated yet, and Islam is rising.
We need an entire removal of these modern ideas of hedonism, modernism. We need a deep change of soul within the society and I don’t know how that could happen in a few years. Our Lady of Fatima said that there would be a great chastisement if the World does not convert, and the world has not converted until now. I fear that something like that might have to happen for people to wake up.

Could this financial crisis be that situation?
I’m not a prophet, but there are signs that this crisis is so substantial that there might be something… it’s a start, people are seeing that this affects them entirely. Especially in Portugal you see how you are sinking, there are signs that something might be coming up. What it is, I don’t know, that is for Our Lady to decide.

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