Mostrar mensagens com a etiqueta França. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta França. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Luigi sem imunidade, Bartolomeu nos altares

Numa notícia de última hora, o Vaticano levantou a imunidade diplomática do núncio apostólico em França, acusado por vários homens de assédio sexual.

O Papa Francisco celebrou missa com 250 pessoas hoje. Pessoas, e não “questões sociais ou migratórias”.

Uma das notícias do fim-de-semana é a decisão de colocar canonizar Frei Bartolomeu dos Mártires. Há alegria por isso em Braga, em Viana do Castelo e mesmo no Palácio de Belém!

Há umas semanas dei a notícia do encerramento de vários centros de saúde católicos na Eritreia. Pois como se isso não bastasse, o Governo decidiu expropriar as freiras que lá viviam e confiscar o material.


quarta-feira, 28 de março de 2018

Coelhos fora-da-lei e heróis dos nossos dias

Cabeça de coelho ilegal na Áustria
Morreu D. António Santos, bispo emérito da Guarda. O funeral foi hoje.

Foi homenageado o polícia francês que deu a vida pelos reféns no caso de terrorismo da semana passada. Conheça também a história da menina nigeriana que recusou converter-se ao Islão e por isso continua refém do Boko Haram. Heróis dos nossos dias.

Continuamos na expectativa de saber se vai, ou não, haver acordo entre a China e o Vaticano. Entretanto os sinais que chegam não são os mais positivos, com mais um caso de um bispo leal a Roma detido.

Uma portuguesa entregou esta quarta-feira um presente muito original ao Papa Francisco. Veja aqui as imagens.

A Áustria aprovou o ano passado uma lei anti-burqa. Até agora foram advertidos turistas asiáticos, esquiadores e até a mascote do Parlamento. Um fracasso total, diz a polícia.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Robert Royal reflecte sobre o encontro pré-sinodal que teve lugar em Roma a semana passada e pesa os prós e os contras desta forma de pastoral juvenil. Uma análise interessante que vale a pena ler.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A cruz do padre Dall'Oglio

Padre Dall'Oglio
O Papa Francisco manifestou-se esta terça-feira “profundamente consternado” pelo massacre numa igreja no Texas.

Em França há um monumento a João Paulo II, ornado com uma cruz que pelos vistos ofende de tal forma a laicidade que o conselho de Estado a quer remover… 70 mil pessoas na Europa, por enquanto, discordam.

Terá sido assassinado o padre italiano que foi raptado na Síria há mais de quatro anos. O padre Dall’Oglio, que entrevistei em 2012, terá sido morto em Raqqa dias depois de ter sido levado, diz agora um militante do Estado Islâmico que foi capturado por forças curdas.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Crianças com trissomia na TV? Non, merci...

Longe da TV francesa! Longe...
O Papa voltou a criticar duramente o clericalismo. Foi numa conversa informal com jesuítas que foi agora publicada na íntegra numa revista daquela ordem.

Foi detido em França o homem que ontem tomou de assalto uma casa de missionários reformados, matando uma funcionária. Ao que parece o caso nada tem a ver com terrorismo islâmico.

O que tem a ver com terrorismo islâmico é o caso do marroquino detido em França e que tinha autorização de residência em Portugal. Ao que parece ele e a sua “trupe” tinham ordens do Estado Islâmico para fazer um atentado no dia 1 de Dezembro.

Ainda de França chega a notícia incrível da proibição de um anúncio que pretende encorajar as mulheres grávidas de crianças com trissomia 21. As autoridades francesas consideram que pode perturbar a consciência de quem abortou. Actualmente, nos países em que existem estatísticas, sabe-se que cerca de 9 em cada 10 bebés diagnosticados com trissomia são abortados. Há uma palavra para isto: Genocídio.

Arranca no domingo o programa do centenário das aparições de Fátima, mas esta sexta-feira já abriu a exposição Mater Dei, com 25 representações de Maria na Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, em Lisboa, que foi toda restaurada recentemente.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Ódio, tragédias e uma voz de esperança

Clicar para aumentar
Aconteceu muita coisa desde o meu último mail, a começar pelo absolutamente trágico ataque em Orlando, num bar frequentado sobretudo por homossexuais, que fez meia-centena de mortos. O atacante disse agir em nome do Estado Islâmico, o Papa lamentou o horror, o FBI disse “oops”, Obama aproveitou para falar novamente das leis das armas e Trump tentou ganhar votos. Entretanto várias pessoas arranjaram maneira de culpar os cristãos conservadores pelo massacre, o que faz mais ou menos o mesmo sentido que culpar os homossexuais pelo massacre de cristãos no Médio Oriente…

Ontem, novo ataque terrorista, desta vez em França, com um “lobo solitário” a matar um polícia e a sua mulher.

Hoje, soube-se que frei Bernardo, que viveu no início do século XX, foi declarado Venerável. Conheça aqui a fascinante história do jovem frade que converteu Teixeira de Pascoaes.

O líder do Estado Islâmico pode ter morrido!! Ou não… Nunca se sabe bem e esta deve ser a quinta vez que o homem é declarado morto, portanto tudo pode acontecer.

A Congregação para a Doutrina da Fé lançou um documento que diz que a hierarquia e os movimentos católicos não se sobrepõem uns aos outros, mas antes se complementam.

Termino com um convite, para irem no dia 21 de Junho assistir ao concerto da minha prima Ana Stilwell, que colocou o seu talento ao serviço da causa dos refugiados. É às 21h no Teatro Thalia e o dinheiro angariado vai para a Plataforma de Apoio aos Refugiados. Divulguem!

quarta-feira, 16 de março de 2016

O Patriarca, o Presidente e o Papa

Marcelo Rebelo de Sousa visita amanhã o Papa Francisco, na Santa Sé. A vaticanista Aura Miguel estará no local, pelo que podem saber de tudo na Renascença. Entretanto o Patriarca quer que o novo Presidente traga de Roma novidades sobre a visita do Papa a Portugal, em 2017.

Hoje, entretanto, o Papa Francisco ergueu a voz novamente sobre a situação dos refugiados.

Começa amanhã um curso de Marketing, comunicação e pastoral para organizações religiosas, organizado pelo Patriarcado. Saiba mais aqui.

A operação anti-terrorista na Bélgica terminou com um jihadista morto, dois detidos e outros em fuga e ainda hoje em França foram detidos quatro fundamentalistas que estariam a preparar um “ataque iminente” no centro de Paris. Enquanto isto, o congresso americano definiu a perseguição do Estado Islâmico aos cristãos como genocídio, o que coloca Obama sob pressão, saiba porquê.

Hoje temos um novo artigo do The Catholic Thing. Randall Smith fala, brilhantemente como sempre, da confissão, que descreve como “ser beijado por Deus”. Vale mesmo a pena ler e partilhar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Cristo entre a Tralha: Notre Dame Ontem e Hoje

Brad Miner
Ver a multidão a transbordar do Notre Dame de Paris, na vigília de domingo à noite pelas vítimas dos atentados terroristas, foi uma experiência emocionante. É fantástico como a proximidade do mal leva as pessoas a voltarem-se para Deus. Mas recordou-me de uma experiência pessoal de há muitos anos, que também conduziu a uma viragem espiritual.

Certo dia, em Agosto de 1968, estava a deambular pelas estradas de Paris. Tinha um quarto num hotel barato na zona de Saint Germain e não tive grande pressa em passear até à Pont Neuf para chegar à Île de la Cité e à Notre Dame.

Nessa altura da minha vida era apenas um universitário pagão. Tinha entrado em igrejas católicas um total de duas vezes, ambas em Ohio. A primeira foi a igreja do meu bairro, para a misteriosa Primeira Comunhão de uma colega da escola, bonita no seu vestido e mantilha brancos, pois isto foi antes do Concílio. A outra vez tinha sido há poucos meses, para uma missa no campus universitário a que a minha namorada católica me levou. Nem num caso nem noutro tinha prestado a menor atenção ao que se estava a passar, só estava interessado nas miúdas.  

As velas, as imagens e os crucifixos dentro da Notre Dame de Paris – a estranheza de tudo aquilo – ofendia-me, porque estava habituado à bruta simplicidade da igreja metodista da minha juventude, embora fosse, como se esperaria de um pagão, totalmente indiferente à piedade fácil protestante. Pensei que a Notre Dame era interessante do ponto de vista arquitectónico, mas demasiado requintada. Como é que se encontrava Deus no meio de toda esta tralha? Se é que havia um Deus para encontrar.

Mas havia mais, e eu sabia. Tinha lido que os arcos interiores góticos simbolizavam mãos em oração, e na catedral estavam imensas pessoas ajoelhadas a rezar, com os olhos postos no alto e, por todo o lado, uma sensação de deslumbramento que se sentia. Centenas de pessoas andavam de um lado para o outro em silêncio. Sabia que se estivesse com os meus amigos estaríamos quietos e em silêncio, como todos os outros, sem as palhaçadas irreverentes que de resto praticamente nos definiam. Sozinho, comecei a ficar perturbado por este deslumbramento. Nunca me tinha sentido tão pequeno. Há medida que a minha aflição aumentava, disse uma palavra ansiosa, quase como protecção contra o mistério: Jesus.

Virei-me para sair e vi pela primeira vez a janela rosácea. O sol do meio-dia atravessava-a – atrás de mim o som da missa a começar – Nossa Senhora com o menino Jesus, no centro, os vitrais dos seus 84 painéis a formar um caleidoscópio vertiginoso de apóstolos, anjos, ressurreição e inferno.

Saí apressado para a Place du Parvis (hoje Place João Paulo II), sentindo as gárgulas a observar-me enquanto corria de volta para a margem esquerda.

Passados uns dias, no comboio para Roma, dei por mim a pensar na minha reacção. Não acreditava em Deus, e pensava que a Igreja Católica não passava de uma gigantesca fraude, embora tivesse ficado bastante impressionado pelo estudo da Europa em Civilização Ocidental 1 e 2, em que a Igreja desempenhava um papel tão importante. Mas num trabalho (para o qual tive A-) tinha-me revoltado contra o catolicismo pela forma como tratou Galileu e o meu professor tinha escrito na margem: “Teria sido um A+ se não fosse o acesso de revolta anti-católica. Tenta ser objectivo, sempre.” Mais tarde, quando lhe disse que ia passar o Verão à Europa ele deu-me uma espécie de penitência, fez-me prometer-lhe que iria visitar todas as principais catedrais de Paris, Roma, Florença, Viena e Praga, embora duvidasse – não obstante os meus planos – que eu conseguisse entrar na Checoslováquia. Tinha razão. Dois dias antes da minha planeada viagem de Viena para Praga, 2000 carros de combate soviéticos e 200 mil tropas do Pacto de Varsóvia invadiram.

Janela rosácea de Notre Dame
Mas à medida que o comboio de Paris ia rolando para sul até Roma, meditei sobre o poder que a história e a literatura têm para nos cativar, mesmo quando nos convencemos que aquilo não tem nada a ver connosco. Esse verão representou, a meu ver, a minha emancipação de todas as amarras do passado e não fazia ainda ideia que Deus me estava a prender agora ao próprio objecto do meu desprezo.

Em Itália cumpri a minha obrigação de visitar a basílica de São Pedro e o Il Duomo de Florença, e em Viena fui ao Stephansdom. Numa paragem em Lausanne, na Suíça, até corri monte acima para ver a catedral de Notre Dame, visível da cidade (e cujo nome me tinha sido indicado por um transeunte), apenas para descobrir que se tinha tornado protestante no século XVI. Não tinha qualquer razão para ficar desapontado por isso, mas fiquei.

De regresso a Paris voltei para o Notre Dame. O cheiro de uma catedral católica é incomparável, não tem nada a ver com o cheiro fresco de pinheiros do protestantismo do Oeste americano. Sentei-me num banco e reflecti sobre aquela que continuo a considerar a maior igreja da Cristandade e tentei discernir os aromas: cera derretida, incenso, suor, lágrimas, suspiros, idade… Agora, em vez de “requintada”, a palavra que me surgia foi “antiga”. E lembro-me de pensar: O que é velho é novo.

Jean-Charles, o recepcionista do hotel, recrutou-me nessa noite para jantar com ele e duas raparigas que lá estavam hospedadas. Ele estava caído pela Ilke, que era alemã, deixando-me com uma mexicana morena e linda chamada Maria, que não falava uma palavra nem de inglês nem de francês. Elogiei-a pela bonita cruz de prata que usava ao pescoço. Através da Ilke, (que falava espanhol, para além de inglês, francês e alemão) ela corrigiu-me: “É um crucifixo”.

Corrigido estou.


(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 18 de Novembro de 2015 em The Catholic Thing)

Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador sénior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Papa vai à sinagoga e dicas de presentes de Natal

Presentes de Natal!
O Papa Francisco vai visitar a sinagoga de Roma em Janeiro, como já fizeram antes dele os Papas Bento XVI e João Paulo II.

Está disponível o livro “Quero dizer-Te: Obrigado!”, um roteiro espiritual, que pretende ajudar doentes e os que cuidam de quem está a viver a última etapa da vida.

Enquanto prosseguem os desenvolvimentos à volta dos atentados de Paris, a comunidade muçulmana de França teme represálias e insiste na mensagem de que o Islão não tem nada a ver com aquilo.

Encontram-se em Lisboa dois irmãos cristãos da Palestina, que vêm vender artesanato produzido pela comunidade cristã de Belém. Os artigos estão à venda na entrada da Igreja dos Mártires, no Chiado e a sua compra é uma forma muito concreta de ajudar estes cristãos, que vivem situações complicadas.

O ano passado também cá estiveram e na altura entrevistei um deles. A transcrição integral dessa entrevista, muito interessante, está aqui e não perdeu nada da sua actualidade.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Os direitos constitucionais que ninguém sabia existirem...

Bolas! Estava à procura de
um direito constitucional
Por onde começar? Não sei mesmo qual será a notícia mais importante em termos do impacto que tem sobre a nossa civilização…

Mas começo pelas notícias com sangue e mortos. Nesta mesma sexta-feira do Ramadão, vários atentados abalaram o mundo. Uma decapitação em França, um atentado num hotel turístico na Tunísia e ataque suicida numa mesquita xiita no Kuwait. Preparem-se, vai ser um looongo Ramadão.

Nos Estados Unidos, outra bomba. O Supremo Tribunal decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um direito constitucional e de uma assentada legalizou-o em todo o país. É uma tremenda vitória para os activistas gay, agora vão começar as batalhas legais que afectam mais directamente as instituições religiosas etc.

O Vaticano assinou um tratado com a Palestina em que se refere a ela como um Estado. Não é novo em si, mas é mais um passo nas relações entre os dois.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Um Arraiolos para o Papa e duas santas para a Palestina

As duas novas santas palestinianas
Um autarca em França, do mesmo partido de Sarkozy, teve a brilhante ideia de propor que o Islão seja proibido, dizendo que isso resolverá os problemas do país. Sem dúvida um candidato a Ministro das Ideias Inúteis, no caso de vitória eleitoral de Sarkozy.

Uma artesã alentejana quer homenagear o Papa oferecendo-lhe um tapete de Arraiolos. Demorou quatro meses a ser elaborado e tem mais de 200 mil pontos.

No próximo domingo o Papa Francisco vai canonizar duas freiras palestinianas, um gesto que enche de esperança os cristãos da Terra Santa.

Também no domingo decorre a Festa das Famílias do Patriarcado de Lisboa. Eu vou lá estar e sei que estará uma banca da Alêtheia onde o meu livro “Que fazes aí fechada” estará à venda, por isso quem quiser adquirir o livro e pedir uma dedicatória só tem de procurar o tipo alto e careca a tentar controlar os filhos.

Por falar no livro, ontem apareceu uma reportagem alargada no programa de televisão da Ecclesia. Vale a pena ver sobretudo por causa do trabalho inicial, com declarações de Maria João Avillez e de uma das freiras entrevistadas no livro.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Pensemos livremente, mas todos da mesma maneira!

Perigo! Esta imagem pode impedi-lo de pensar livremente
O Papa Francisco vai encontrar-se com o presidente Raul Castro, de Cuba. Será no domingo e é a primeira vez que um presidente comunista de Cuba se dirige ao Vaticano.

Hoje o Papa Francisco elogiou os homens e as mulheres que se casam, dizendo que são “um recurso essencial para a Igreja e para o mundo”. Obrigado Santo Padre, também gostamos muito de si.

Ontem foi apresentado o calendário para o jubileu da misericórdia. Há eventos para todos, mas destaque especial para as periferias, como não podia deixar de ser.

Não sei de vocês, mas eu irrito-me imenso quando passo por uma estátua que me impede de pensar livremente, é uma grande maçada. Felizmente podemos agradecer à Federação Nacional do Livre Pensamento, em França, que está a mandar retirar essas estátuas irritantes, sobretudo as que incluem cruzes. Assim, com as nossas sociedades livres de cruzes, imagens de Nossa Senhora e estátuas do Papa, podemos todos pensar livremente, desde que pensemos da mesma forma…

Na China, por exemplo, há poucas imagens religiosas e por isso existe liberdade de pensamento. Tanta que o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros é livre de pensar que o seu país respeita e até promove a liberdade religiosa.

Mas há também boas notícias. Ao que parece o Boko Haram poderá estar a sofrer de fortes divisões internas e insatisfação entre os militantes.

Termino com a referência habitual ao artigo desta semana do The Catholic Thing. Anthony Esolen recorda as várias vezes em que os defensores da revolução sexual nos prometeram que as inovações que defendem não vão ter qualquer efeito nocivo para a sociedade, e todas as vezes em que se enganaram, e pergunta: “Porque é que havemos de confiar neles agora?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Quarta-feira de cinzas e de lágrimas, se Deus quiser!

Jesus ressuscita Lázaro, depois de ter chorado
É Quarta-feira de Cinzas e por isso começa a Quaresma.

O Papa Francisco apelou ao Dom das Lágrimas como medida contra a hipocrisia. Neste artigo explicamos o que é esse conceito que data dos padres do deserto. Também hoje o Papa recebeu alguns dos responsáveis pelo resgate de imigrantes ilegais no Mediterrâneo, a quem agradeceu e disse sentir-se pequeno na sua presença.

Neste primeiro dia da Quaresma pedimos a três personalidades católicas, e um não-crente, que comentassem a mensagem do Papa. Não perca as interessantes reflexões.


Um homem judeu filmou-se a si mesmo a passear por Paris a divulgou as ofensas a que foi sujeito durante o dia.

Na segunda-feira disse que estava prestes a começar os 40 dias de oração pela vida, em Lisboa. Hoje foi o primeiro dia e percebeu-se que há, de facto, muito que rezar. Não deixem de participar e de se inscrever caso possam.

Porque é quarta-feira, temos artigo novo do The Catholic Thing. O padre Bevil Bramwell diz que liberdade religiosa e liberdade de expressão são conceitos bonitos, mas para serem úteis têm de significar alguma coisa de concreto.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Só o Charlie Hebdo não Chega

Jason Scott Jones e John Zmirak
O atentado contra o Charlie Hebdo foi um ataque à Cristandade. Paradoxalmente, jornais que publicam caricaturas imaturas a gozar com a religião também fazem parte do Corpo de Cristo – ainda que sejam o intestino delgado, talvez. Numa sociedade formada por uma noção profundamente cristã da dignidade humana, há espaço para maus cristãos e até para não-cristãos, da mesma maneira que existem celas para carmelitas místicas. A visão mais alargada de uma sociedade verdadeiramente cristã, no sentido terreno, não se encontra nos tratados monásticos mas sim nos Contos de Cantuária.

Qualquer tentativa de “purificar” as sociedades cristãs da dissensão e do pecado à força, acaba sempre em catástrofe: com “hereges” agrilhoados, judeus identificados e pilhas de obras de arte em cima de fogueiras. Estas tentativas de truncar o Corpo de Cristo dos seus membros “impuros” deixaram sementes de vingança que deram brotaram em 1798 em França e em Espanha na década de 1930. No Concílio Vaticano II a Igreja renunciou totalmente a quaisquer aspirações de dominar as almas dos homens através da espada do Estado – reconhecendo que a perseguição religiosa é intrinsecamente má, tal como o adultério e o aborto.

Por isso é doentio ver alguns comentadores a arranjar desculpas para a matança de jornalistas, sugerindo que as vítimas “estavam a pedi-las” por terem enfurecido as sensibilidades dos muçulmanos. Como disse Ross Douthat, qualquer religião que ameaça matar os seus críticos precisa de, e merece, ser gozado desta forma – é um método de autodefesa por parte dos não-crentes.

Mesmo os crentes precisam de algum espaço para poderem brincar com as exigências infinitas da religião, por forma a sublinhar o valor da vida terrena perante aqueles que procuram forçar um sentido puramente espiritual em cada centímetro quadrado da existência. Este dever solene de resistência explica o surgimento de fenómenos loucos como o carnaval, as canções profanas escritas pelos monges e as piadas anticlericais entre os devotos.

A fé cristã não defende que num mundo perfeito seríamos todos monges e freiras – como se o casamento, o trabalho e a política fossem um triste compromisso com o pecado. Muitos clérigos ensinaram este género de coisas e foram por isso justamente gozados pelos leigos. John Henry Newman compreendia isto. Quando o Bispo Ullathorne lhe perguntou se a Igreja precisava dos leigos, respondeu que sem eles a Igreja pareceria ridícula.

O Cristianismo aguenta e assimila a humilhação. O próprio Deus veio à Terra para ser abusado, espancado e cuspido. Na nossa piedade representamos esse mesmo Deus feito homem em pequenas imagens de plástico e também nas mais sublimes obras de arte. Os muçulmanos, por outro lado, centram-se em alguém que admitem ter sido apenas um homem – e depois endeusam-no, elevando cada uma das suas acções terrenas, (desde a guerra à poligamia) ao modelo da perfeição moral e afirmando que Ele é demasiado sagrado para ser representado. Era assim que os judeus, que o Islão imitou e depois vilipendiou, tratavam o Senhor, de quem nunca produziam imagens e cujo nome não se atreviam a pronunciar.

Mas apesar de todo o seu temor de Deus, os judeus também têm como modelo Abraão, que discutiu e regateou com Deus, e Jacob, que lutava contra anjos. Os pensadores judeus sempre tiveram a audácia de confrontar Deus com questões difíceis sobre a sua justiça e o sofrimento humano – e quando não encontravam respostas que os satisfizessem, encolhiam os ombros e recorriam ao sarcasmo. De certa forma, o Islão é o Judaísmo, mas sem sentido de humor.

Joana d'Arc
Por isso a Igreja e Ocidente precisam, de alguma maneira, do Charlie Hebdo. Se a França tiver de colocar esquadrões da Legião Estrangeira à frente do edifício para defender a redacção, então vale bem o preço, tendo em conta a alternativa de entregar as liberdades ocidentais aos vândalos barbudos das banlieues.

Mas só o Charlie Hebdo não chega. França precisa de Villon, Rabelais, Moliere, talvez até de Voltaire. Mas não foram estes homens quem construiu o país, nem foram os satíricos e os cínicos que o salvaram, vezes sem conta. O espaço de liberdade onde malandros deste género podem dedicar-se ao que fazem foi povoado, ordenado e embelezado por uma outra estirpe de gente: Carlos Martelo, Luís IX e Joana d’Arc; pelos camponeses da Vendeia, pelos peregrinos de Lourdes e pelos soldados de infantaria em Verdum; e ainda por patriotas desavergonhados como Charles de Gaulle.

Em 1940 os cínicos generais de direita decidiram deixar de defender a corrupta Terceira República, acolhendo a vitória alemã como uma “surpresa divina” e instalando o seu próprio compincha, o Marechal Pétain, como “salvador” da nação. Rejeitada há anos nas urnas, a extrema-direita francesa aproveitou a vitória dos alemães para colocar os Voltaires do seu país no devido lugar. E quem é que se revoltou contra eles? Não foram os Sartres da vida – que continuaram alegremente a encenar teatros para entreter os alemães em Paris. Não foram os quadros comunistas, cujos mestres em Moscovo eram ainda aliados de Hitler. Foi Charles de Gaulle, o patriota chauvinista e sem sentido de humor, que foi para o exílio para dar continuidade à luta “sem esperança”.

Hoje, com uma ideologia igualmente má a ameaçar a França e o Ocidente, não serão os cínicos corajosos a salvar a situação. Serão homens e mulheres, enfurecidos com este ataque à sua nação. Os bem-falantes, multiculturalistas desinteressados que consideram o entusiasmo ordinário estarão, na sua maioria, contra eles. Os de Gaulles, estamos em crer, afastarão os Sartres e salvarão a França e o Ocidente.

Os europeus que o fizerem serão aqueles que odeiam a tirania e os seus valores estrangeiros, tais como a “submissão” irracional a um Deus caprichoso do deserto. Mas mais do que ódio, serão movidos por amor: Amor pelos seus conterrâneos franceses, alemães, suíços e ingleses e os seus modos de vida ancestrais. Este tipo de amor, que exige o sacrifício, surge nos espíritos grandes e vivaços. Só as almas com longo historial de coragem, fortaleza, temperança e prudência podem esperar ter fé ou amor.

Rezamos para que a ética cristã impeça estes patriotas de cometer qualquer acto mesquinho e que o seu combate pelo ocidente respeite os mais elevados valores – no centro dos quais se encontra a pessoa, imagem brilhante de Deus.


O livro “The Race to Save Our Century”, de Jason Scott Jones e John Zmirak pode ser adquirido na loja online do The Catholic Thing na Amazon.

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reflexões sobre o caso Charlie Hebdo

David Warren
O ataque por parte de muçulmanos fanáticos à redacção do Charlie Hebdo, em Paris, acendeu por momentos em mim as emoções e os impulsos de jornalista. Era notícia, mas mais que isso, o ataque era contra “nós”. Algo devia ser feito, escrito, submetido, o que fosse – logo! Mesmo antes de pensar.

Membros importantes da redacção, incluindo o conhecido editor e quatro cartoonistas famosos, estavam mortos. Mas dezenas de milhares de pessoas encheram as ruas com cartazes a dizer “Je Suis Charlie” e outras indicações de solidariedade transitória.

Tanto quanto consigo ver, os fanáticos conseguiram tudo o que queriam. Os homens que consideravam blasfemos foram executados. Todo o país parou para reflectir sobre a sua acção. E muçulmanos em todo o mundo passaram a ser vistos como parasitas. Tudo isto eram objectivos dos terroristas.

Talvez fossem psicopatas, mas qualquer pessoa que tenha visto as imagens percebe que estavam bem treinados. Isto não foi uma “operação de imitação”, como outras que têm atingido França, em que muçulmanos tresloucados conduziram os seus carros para o meio de multidões.

Esta operação foi bem planeada, disciplinada, e é uma indicação do que podemos esperar no futuro, com o regresso à Europa e à América de assassinos bem treinados do “califado” na Síria e no Iraque. São impiedosos e sabem que nós não somos. Isto dá-lhes uma vantagem que ultrapassa a mera escolha de armas.

Muito do discurso que temos ouvido tem sido sobre a “defesa dos nossos valores”. Isto é precisamente o que os fanáticos querem, porque eles sabem bem que nós não temos valores. Querem acentuar o contraste entre os crentes e os infiéis; querem convencer os seus correligionários, sobretudo os mais novos, que a nossa única defesa é a blasfémia e que esta pode ser derrotada.

Eles querem que os jovens muçulmanos, já a viver no Ocidente, se sintam isolados também. Querem levar os polícias a persegui-los mesmo até ao coração do gueto, onde perceberão que não são mesmo nada bem-vindos.

Em França, como no resto do mundo, as organizações islâmicas que defendem o princípio da coexistência criticaram imediatamente os ataques. Já aprenderam a fazê-lo rapidamente. Também já aprenderam a não serem ambíguos nas suas condenações. Se acham que o Charlie Hebdo é um jornal de mau gosto, que gozava frequentemente e de forma crassa com o seu profeta, agora não é a altura certa para o dizer.

Mas também isto tornou-se um efeito desejado destes ataques violentos: envergonhar os “moderados”. A mensagem para os jovens cheios de testosterona é: “Nós conseguimos os resultados, eles não conseguem nada.”

Talvez o factor mais desencorajador nesta nossa “guerra ao terrorismo” seja a resposta que é dada pelos verdadeiros tontos do Ocidente: aqueles que dizem “isto não tem a ver com o Islão”, quando até eles sabem perfeitamente que tem a ver unicamente com o Islão.

Já os politicamente correctos não permitem qualquer comentário. Estão presos porque não têm valores positivos a defender e, por isso, não têm qualquer forma de compreender as pessoas que os pretendem aniquilar. Estão pré-aniquilados, e os fanáticos muçulmanos sabem-no. Aliás, sabem mais sobre nós do que nós sobre eles, graças à nossa cegueira voluntária.

Em vez dos valores positivos do Cristianismo, que respondem aos muçulmanos ponto por ponto, seja em acordo ou em desacordo, hoje em dia não apresentamos nada. A nossa “liberdade” é articulada em termos puramente negativos como os “direitos” humanos de gozar qualquer tipo de comportamento de uma forma imediata e material, “desde que não afecte os outros”.

Considerem, por exemplo, uma capa que o Charlie Hebdo teve em 2010. A caricatura mostra o Papa Bento XVI a elevar um preservativo e a dizer: “Eis o meu corpo”. Foi um exemplo típico por parte do jornal de tentar chocar. Foi uma boa tentativa, mas não chegou a ser blasfemo porque, no ocidente moderno, a blasfémia é simplesmente impossível.

Salvo a minoria que continua a ser cristã, e que na maior parte compreende que é preciso ser-se cristão para se poder blasfemar o Cristianismo, o Ocidente já não tem qualquer Deus a quem ofender.

Quando o presidente François Hollande foi à redacção do Charlie Hebdo, depois do massacre, não foi capaz de outra coisa que não repetir uma série de clichés. Foi como uma visita de cortesia, mas aos mortos.

Podemos dizer, altivamente, que a imprensa livre não pode ser silenciada; mas pode, e foi, como se viu por estes eventos. Mas também não tem qualquer problema em silenciar-se a si mesma, como se viu em muitos órgãos de comunicação social em que se desfocaram as imagens de caricaturas que pudessem “ser consideradas ofensivas pelos muçulmanos”.

Excepto quando está a seguir uma multidão, a “imprensa livre” costuma ser cobarde. A única coisa que admiro nos falecidos editores e cartoonistas do Charlie Hebdo é que não eram cobardes. Chegaram mesmo a dizer: “Para nos calar vão ter de nos matar”, e estavam a falar a sério. O seu desafio aos muçulmanos fanáticos redobrou depois de lhes terem incendiado a redacção em 2011.

Nisto são um exemplo a seguir por nós católicos.

O Islão é uma força positiva. Os seus seguidores acreditam em coisas e muitos estão dispostos a lutar por elas. Os fanáticos podem ser deturpados, mas a sua causa não é egoisticamente pessoal. Pretendem conquistar a Europa – assuntos do século VII que ficaram por resolver – e as suas tácticas e estratégias são tudo menos contraproducentes.

Com cada novo atentado ganham respeito e inspiram mais jovens muçulmanos a segui-los. Cada murro que espetam revela como o peito do Ocidente decadente está oco. Nem sequer reconhecemos que estamos em guerra, tamanha é a nossa capitulação.

Mas a verdadeira batalha, conforme eles o entendem, não é entre o Islão e uma libertinagem vazia. Essa é demasiado fácil de ganhar. É entre Cristo e Maomé: a única batalha em que podem ser colocados na defensiva; em que os seus próprios filhos se podem voltar contra eles.


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Fim do pesadelo em França?

Chegou ao fim, pelo menos assim parece, o episódio de terror em França, que começou com um ataque à redacção do Charlie Hebdo e terminou com a morte de três terroristas, incluindo um que tinha levado a cabo outro ataque na quinta-feira de manhã, e mais quatro reféns.

Durante os últimos dias começaram a ouvir-se novamente vários lugares-comuns, entre os quais “Isto não tem nada a ver com a religião”, “Isto não é o verdadeiro Islão” e, por outro lado, “Todos os muçulmanos são assim”. Este facto levou-me a escrever o seguinte texto, em que disputo todas as afirmações.

O Papa Francisco recebeu ontem no Vaticano duas visitas interessantes. Uma foi de Angelina Jolie, a outra foi dos líderes da comunidade Yazidi. A primeira diz que os refugiados se sentem representados por ele e os segundos chamaram-no “pai dos pobres”.

A minha colega Rosário Silva esteve em Campo Maior para falar com uma noviça da Ordem da Imaculada Conceição que vai tomar o hábito este sábado, e Ângela Roque falou com as Dominicanas de Santa Catarina de Sena, que querem dar a conhecer o legado da sua fundadora.

O imã radical Abu Hamza Al-Masri foi condenado a prisão perpétua, nos EUA.

O padre Duarte da Cunha explica como os bispos europeus vão apoiar os cristãos da Terra Santa.

Isto é, ou não é, o verdadeiro Islão?!?

O incidente com o jornal Charlie Hebdo chocou-nos a todos e gerou uma onda de solidariedade por todo o mundo, mas também fez sair cá para fora os lugares-comuns de sempre, que em nada contribuem para o debate.

Começo com um que ouvi esta manhã de um respeitado comentador de assuntos internacionais, quando questionado sobre a importância da religião neste fenómeno do terrorismo. Resposta pronta: “Isto não tem nada a ver com a religião! Isto é terrorismo puro”.

Desculpa? Um grupo de homens que se identificam acima de tudo como muçulmanos atacam um jornal conhecido por gozar com a sua religião (entre outras), gritando palavras de ordem como “Deus é Grande” e “Vingámos o profeta” e isso não tem nada a ver com religião?

No dia seguinte outro  homem que se identifica como muçulmano mata a tiro uma mulher polícia e, passadas 24 horas, entra numa loja judaica de produtos kosher onde faz reféns, e isto não tem nada a ver com religião?

Uma coisa é discutir se estes homens e os seus actos são verdadeiramente representativos da religião que dizem professar, (já lá vamos), mas dizer que isto não tem nada a ver com religião é absurdo. Claro que tem tudo a ver com religião. Pode haver outros assuntos à mistura, não nego. Pode ter a ver com imigração, com políticas de integração, com racismo, com muita coisa. A Ana Gomes até acha que a culpa é da austeridade... mas não me venham dizer que não tem nada a ver com religião.

Nunca é demais repetí-lo: A religião é um fenómeno potentíssimo, no sentido em que move o ser humano a fazer coisas de grande dimensão. Para o bem, como felizmente vemos tantas vezes em tantas pessoas fantásticas que se dão inteiramente para ajudar os seus irmãos e vizinhos, mas também para o mal, como já vimos muitas vezes na história e vimos por estes dias em Paris.

“Isto não é o verdadeiro Islão”
Antes de mais convém ver quem é que está a dizer isto.

Se for o Sheikh David Munir, como muitas vezes o faz, é uma coisa. Ele é uma autoridade na comunidade islâmica, é um conhecedor do Islão e um líder muçulmano com um longo passado de participação civil e em actos de diálogo inter-religioso. Podemos discutir com ele se tem razão ou não, mas aceito a autoridade que ele tem para dizer que o que aqueles dois irmãos fizeram não é representativo do verdadeiro Islão.

O que não aceito é que o Zé da Esquina, que aparece como convidado para falar no telejornal, mas sabe tanto sobre o Islão como eu sei sobre física quântica, diga que isto, ou qualquer outra coisa, é representativo do verdadeiro islão. Como não aceito que o diga o Obama ou o Cameron, ou o Passos Coelho, ou sequer o o Papa Francisco.

Não é representativo porquê? Acaso eles se consideram mais conhecedores dos ensinamentos islâmicos que os pregadores que radicalizaram estes e tantos outros terroristas? Sabem recitar o Alcorão? Sabem explicar as suas passagens? Sabem explicar as incongruências que existem no texto?

Não é o verdadeiro Islão porquê? Porque não vos apetece? Porque é politicamente correcto dizê-lo? Porque ouviram o Sheikh David Munir a dizê-lo? É que se for esse o caso então citem-no, mas não falem como se tivessem um pingo de autoridade para estar a dizer a dois muçulmanos qual deles é que é verdadeiro e qual é que é falso.

Eu não sei se isto é o verdadeiro Islão ou não. O que sei é que neste momento há uma divisão no interior do Islão (uma de muitas), entre as pessoas que acham que sim e as que acham que não.É um problema, e é grave, seria ingénuo negá-lo. É uma questão que mundo muçulmano tem de enfrentar e tem de tentar resolver. É um debate que tem de se travar a nível teológico e a nível filosófico, e não com slogans e frases bonitas. Não basta catalogar uma corrente como não-islâmica e esperar que desapareça. Não vai desaparecer.

Verdadeira muçulmana, ou enganada?
“O Islão é isto mesmo”
Aqui aplica-se exactamente a mesma lógica, mas ao contrário. É isto mesmo, por alma de quem? Porque vêem alguns muçulmanos a comportarem-se assim? Então os milhares que vivem pacificamente, que defendem os seus vizinhos cristãos, que pagam impostos e não sonhariam olhar de lado para um polícia, quanto mais matá-lo a sangue frio... estão enganados?

Também aqui, não reconheço a 99% das pessoas que o dizem qualquer autoridade para o fazerem. Claro que podem ter a sua opinião, mas ninguém é obrigado a dar-lhes importância.

Mas esta frase tem uma agravante. É que enquanto a anterior corre o risco de ser demasiado ingénua, não é uma particular ameaça. Esta, pelo contrário, incita à divisão social e ao ódio e, acima de tudo, só pode servir para radicalizar ainda mais os muçulmanos que a ouvem.

Estes terroristas que atacaram o Charlie Hebdo odeiam-nos. Não odeiam só os que fazem caricaturas de Maomé, odeiam-nos a todos, as nossas religiões, o nosso estilo de vida, a nossa maneira de vestir, os nossos hábitos, a nossa democracia, os nossos valores, os nossos direitos. A pior coisa que podemos fazer, em resposta aos seus ataques, é incentivar divisão social e purgas que, levadas ao extremo, representam precisamente o mesmo que eles querem: separação, ausência de direitos e liberdades, morte e terror.

Então não podemos dizer nada?
Eu sei que custa muito, hoje em dia, assumirmos que não temos certezas, mas é um exercício de humildade que nos fica bem. Quando me pedem a opinião sobre estes assuntos eu digo sempre que não sei. Os terroristas e o Estado Islâmico representam o verdadeiros Islão? Ou são os Sheikhs David Munir e os milhares de muçulmanos, como é o caso em Portugal, que vivem a sua vida em paz, contribuem para a sociedade e não chateiam ninguém?

Não sei. Não sou muçulmano e por isso não tenho nada que opinar sobre isso, da mesma maneira que acharia de uma tremenda arrogância o Sheikh David Munir ou outro qualquer vir opinar sobre quem representa o verdadeiro Cristianismo, os católicos liberais, ou os conservadores, ou os protestantes, ou os lefebvrianos.

O que posso dizer é que sei muito bem de quais gosto mais! Disso não há a menor dúvida. Posso dizer que independentemente de quem tem razão nesse debate teológico interno, eu preferia sentar-me à mesma mesa com alguém da linha do Sheikh David Munir do que com alguém que abraça os ideias dos jihadistas. E isso já não é coisa pouca, a meu ver.

Porque aquilo que eu amo sobre a nossa sociedade e os nossos valores não são as caricaturas nojentas que jornais como o Charlie Hebdo tanto gostam de publicar, são os valores que permitem que eles o façam e que ao mesmo tempo protegem a minha liberdade de dizer que não os quero ler, não os acho piada e não quero ter nada a ver com eles. Os valores que eu amo são os que me permitem sentar à mesma mesa que um muçulmano e partir pão com ele e discutir com ele temas do Céu e da Terra, de vida ou de morte, em paz. A salvaguarda desta realidade é algo que é muito mais importante, nesta altura, do que a repetição de frases politicamente correctas, mas racionalmente ocas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Não gostam da liberdade? Emigrem!"

Um dos muitos cartoons de apoio ao Charlie Hebdo
Que dia! Um atentado terrorista fez pelo menos 12 mortos em França, há ainda quatro feridos graves, pelo que o número pode subir.

Um comando de três jihadistas atacou a redacção da revista satírica Charlie Hebdo, matando 10 funcionários e dois polícias. Os suspeitos já foram identificados e estão a ser procurados pela polícia.

As reacções não se fizeram esperar. Boas declarações do Sheikh David Munir, da Comunidade Islâmica de Lisboa e de representantes das comunidades muçulmanas em França. O Papa também emitiu um comunicado sobre o assunto. Entretanto, dezenas de milhares de pessoas manifestam-se em Paris em solidariedade para com as vítimas e contra o terrorismo.

Tudo isto no dia em que muitos dos cristãos de rito oriental celebram o Natal. A minha colega Cristina Nascimento foi a uma liturgia dos ucranianos greco-católicos, em Lisboa, e fez esta bela reportagem. Podem ver a fotogaleria também.

Há mais de um ano passei um dia em território dos Amish, nos EUA. Levou muito tempo, mas dessa visita nasceu esta reportagem que vos convido a ler e a ver, em vídeo, que me deu muito gosto fazer. Os amish são uma das comunidades mais peculiares e apaixonantes do espectro cristão.

As instituições católicas devem despedir funcionários que contrariam os ensinamentos da Igreja? Professoras que engravidam solteiras; funcionários que se assumem como homossexuais, etc? É uma coisa que tem acontecido nos EUA mas o debate aplica-se a qualquer país, incluindo Portugal. Randall Smith pede calma e cuidado com o discernimento destes casos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

“Direitos” homossexuais v. Liberdade Religiosa: casos concretos

Jack Phillips, "vítima" dos "direitos" homossexuais
Num artigo recente expliquei que parte da minha oposição à adopção e co-adopção por homossexuais radica na preocupação pelos efeitos que isso poderá vir a ter sobre a liberdade religiosa, o respeito pela liberdade de consciência de cristãos e outros que se oponham a estes casos de engenharia social e um gradual afastamento destas vozes da praça pública.

Alguns comentadores criticaram-me, dizendo que estava a falar de “potenciais possíveis marginalizações e restrições de liberdade de expressão e pensamento que poderão vir a acontecer num futuro mítico, mas que nunca aconteceram nem noutros países nem em temas semelhantes em Portugal”.

Este artigo destina-se a comprovar que esses casos têm, de facto, acontecido noutros países, daí a minha preocupação ser perfeitamente fundada. Neste texto não apresento um único caso que não esteja devidamente fundado através de links para artigos comprovativos da sua veracidade.

Agências católicas fechadas
A adopção por homossexuais foi legalizada no Reino Unido em 2002. Nessa altura operavam em Inglaterra, País de Gales e Escócia pelo menos 12 agências de adopção ligadas à Igreja Católica.

Em 2007 foi declarado que as agências católicas discriminavam contra homossexuais ao dar exclusividade ou preferência a casais legalmente casados. As agências contestaram mas em vão. Nesta altura não existia ainda o “casamento” entre homossexuais.

Das 12 agências católicas de adopção que existiam nessa altura, actualmente apenas duas ainda existem. A agência Catholic Care, de Leeds, continua a combater a legislação em tribunal, até agora perdeu todos os recursos. A St. Margaret's Children and Family Care Society, na Escócia, estava na mesma situação mas em finais de Janeiro ganhou um recurso que lhe permite continuar a beneficiar do estatuto de instituição de caridade, sem a qual não poderia trabalhar. É uma vitória para a Igreja, mas poderá não ser definitiva. É que os estatutos da agência, sobre as quais baseou o seu recurso, clarificam que os critérios para escolha de famílias adoptivas incluem o facto de se tratar de pessoas casadas. Ora estes estatutos foram elaborados numa altura em que não se imaginava que viesse a ser aprovado o "casamento" entre homossexuais. Mas a Escócia aprovou o "casamento" gay dias antes da decisão do recurso e quando a lei entrar em vigor devem surgir novos desafios legais contra a St. Margaret's. A 25 de Março foi anunciado que não haverá recurso contra a agência em relação à recusa a colocar crianças com homossexuais. 

Todas as outras agências católicas ou fecharam portas, ou dissociaram-se da Igreja para poderem continuar a trabalhar no ramo da adopção, comprovando que o Cristianismo não é bem-vindo nesta área de acção social, apesar de ter sido pioneiro no cuidado pelos órfãos e crianças necessitadas. É perfeitamente expectável que dentro de poucos anos a Igreja tenha sido completamente banida deste sector, em nome da igualdade.

Em 2010 um casal britânico, com longos anos de experiência como casal de acolhimento para crianças necessitadas, foi informado de que não poderiam continuar a prestar esse serviço. Os Owen, que são cristãos, tinham dito a um funcionário da segurança social que os entrevistou que não poderiam dizer a uma criança que o estilo de vida homossexual é aceitável. Note-se que não disseram que fariam questão de dizer às crianças o que achavam da homossexualidade ou da sua prática, mas simplesmente que, se questionados sobre a aceitabilidade desse estilo de vida (e não orientação), não poderiam concordar.

Os Owen, que em anos de acolher crianças nunca tinham tido qualquer problema, recorreram mas perderam. Pode-se concluir, portanto, que no Reino Unido quem defende uma visão sobre a sexualidade humana em linha com a do Cristianismo não é considerada aceitável para acolher crianças necessitadas. Esta é uma informação particularmente interessante à luz das afirmações dos defensores da adopção por parte de homossexuais é crucial para poder tirar mais crianças de instituições. Note-se, ainda, que os Owen não são católicos, mas protestantes.

Ainda no Reino Unido há vários outros casos em que os “direitos” dos homossexuais triunfaram sobre o direito à liberdade de consciência de outros cidadãos. Num desses casos a funcionária do registo Lillian Ladelle foi despedida por dizer que se recusaria a oficiar em uniões de facto de homossexuais. Já Gary McFarlane, funcionário público especializado em aconselhamento sexual, disse que preferia não prestar esse aconselhamento a homossexuais, tendo sido também despedido. Tanto Ladelle como McFarlane recorreram até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que decidiu contra eles.

Lillian Ladele
Temos também o caso do casal Bull, donos de um turismo de habitação, que em 2008 se recusaram a alugar um quarto com cama de casal a um par de homossexuais, baseando a sua decisão nas suas convicções religiosas. Levados a tribunal perderam e foram obrigados a pagar uma indemnização de 3,600 euros. Note-se que num turismo de habitação estamos a falar de um negócio comercial, sim, mas que é ao mesmo tempo a casa do casal que o gere, pelo que não se pode comparar com um hotel, por exemplo.

Por fim, um caso perturbador que teve lugar na Escócia e que mostra até que ponto as autoridades poderão estar dispostas a ir para mostrar a sua tolerância, que todavia tem quase sempre só um sentido.

Uma mulher de 26 anos, toxicodependente em recuperação, perdeu os seus dois filhos que foram colocados à guarda dos seus pais, avós das crianças, pela segurança social. Contudo, e apesar de os avós terem 46 e 59 anos, a segurança social veio mais tarde a retirar-lhes a guarda das crianças e deu-as em adopção a um “casal” homossexual.

A mãe protestou dizendo que queria pelo menos que os seus filhos ficassem com uma mãe e um pai, mas de nada lhe valeu. Os avós tentaram travar a adopção em tribunal, mas rapidamente perceberam que o processo judicial os levaria à falência muito antes de chegar ao fim, pelo que se viram forçados a desistir.

Em Janeiro de 2015 um juiz inglês foi suspenso depois de ter recusado atribuir uma criança a pais adoptivos homossexuais, invocando a sua fé e dizendo que não acreditava ser no melhor interesse da criança. Segundo esta notícia, o juiz foi suspenso até receber "formação" na área da "igualdade".

Em Março de 2016 um magistrado perdeu o seu emprego depois de ter dito, em entrevista à BBC, que as crianças deviam ter um pai e uma mãe.

Há ainda outro caso interessante que se passou em Londres em 2012. Depois de um grupo activista pelos direitos dos homossexuais ter feito uma campanha de publicidade nos autocarros de Londres a dizer "Some people are gay. Get over it" [Algumas pessoas são homossexuais. Habitua-te], uma organização cristã organizou uma contra-campanha com anúncios a dizer: "Not Gay! Ex-Gay, Post-Gay and Proud. Get over it!" [Não gay! Ex-gay, Pós-Gay e Orgulhosos. Habitua-te].

Mas o presidente da câmara de Londres decidiu banir a campanha, considerando que era ofensiva para com os homossexuais, uma vez que sugeria que é possível mudar de orientação sexual.

A questão, a meu ver, não é de saber se o anúncio é interessante ou não, ou se de facto é possível ser "ex, ou pós-gay". O que é interessante é que qualquer médium de meia-tigela pode publicitar os seus serviços, qualquer terapia new age pode publicitar o seu serviço, uma associação de homossexuais pode meter um cartaz nos transportes públicos a dizer "get over it", mas uma associação cristã já não pode.

No dia 27 de Fevereiro de 2016 o jornal The Telegraph refere o caso de Felix Ngole, um estudante de acção social, que foi expulso da universidade de Sheffield por ter escrito, na sua página pessoal do Facebook, que era contra as uniões homossexuais por razões religiosas.

É um caso que faz lembrar a de 2011 em que Adrian Smith foi despromovido, com salário reduzido, por ter escrito online que era contra a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.Um juiz veio mais tarde dar razão ao funcionário, dizendo na sua sentença que não existe o "direito a não ser ofendido" e que a empresa tinha agido erradamente.

Em Fevereiro de 2018 foi publicada esta notícia que dá conta de planos do Governo conservador para obrigar todas as escolas, incluindo escolas privadas, no Reino Unido a leccionar um currículo oficial de educação sexual, citando pelo menos duas políticas influentes a dizer que as igrejas "deviam adaptar-se aos tempos" e que não é aceitável que a Igreja Católica seja "homofóbica e anti-gay".

Em Julho do mesmo ano o capelão católico da Universidade de Glasgow foi despedido pela mesma depois de ter participado num encontro de oração de desagravo após a marcha de orgulho gay na Universidade. A oração teve lugar na sua paróquia, fora da instituição, mas ainda assim a direcção emitiu um comunicado a dizer que lamentava que as posições do sacerdote - que são doutrina católica - fossem incompatíveis com os valores da universidade.

Em Janeiro de 2019 estudantes da Universidade de Oxford iniciaram um abaixo-assinado para remover o professor John Finnis dos quadros da universidade, por alegadamente promover o ódio e a discriminação, em passagens de vários dos seus ensaios, nos quais argumenta contra a moralidade de actividade homossexual e sexualidade fora do casamento.

Em Dezembro de 2019 Maya Forster perdeu no Tribunal do Trabalho um caso em que se queixava de despedimento injustificado. Ela foi despedida por dizer que "homens não são mulheres" e por se recusar a ser obrigada a usar pronomes escolhidos por um homem que se identifica como "não binário". Na decisão o juiz disse que as suas opiniões "não são dignas de respeito numa sociedade democrática".

França e Suécia
Em França o “casamento” entre homossexuais foi aprovado em 2013, no meio de grandes protestos e manifestações. França apresenta um caso interessante, uma vez que lá os presidentes de câmara podem oficiar nos casamentos.

Logo surgiram casos de autarcas que se recusaram a cumprir a lei, mas neste caso também não existe qualquer possibilidade de objecção de consciência, pelo que os casos vão parar aos tribunais e podem, eventualmente, levar a penas efectivas para as pessoas em causa.

Jean-Michel Colo, ameaçado com prisão
Os presidentes de câmara que se opõem a esta legislação estimam representar cerca de 15 mil autarcas cuja liberdade de consciência está a ser violada pelo Estado e já existem pelo menos alguns casos de processos contra objectores.

Há ainda outros casos preocupantes na Europa. Na Suécia é conhecida a história de um pastor pentecostal que foi preso e condenado em primeira instância por ter proferido, dentro da sua própria igreja, uma homilia em que disse que a prática homossexual é pecado. Ake Green acabou por ilibado pelo supremo tribunal. Mas o tribunal não concluiu que Green não tenha violado a lei, simplesmente considerou que a condenação que Green merecia à luz da lei sueca, não resistiria a um recurso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, pelo que o deixou sair em liberdade.

Na Escócia, mais recentemente, aconteceu um caso semelhante, com um pastor evangélico a ser detido depois de ter criticado a homossexualidade numa pregação de rua.

Entretanto um capelão prisional foi despedido por ter lido versículos da Bíblia que condenam a homossexualidade. O capelão recorreu do despedimento, mas perdeu o caso em Março de 2016.

Na América é mais bolos
Nos Estados Unidos o choque entre “direitos” dos homossexuais e o direito à liberdade de consciência também tem sido duro. No dia 26 de Junho de 2015 o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu que existe um direito constitucional ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, legalizando de uma penada a instituição em todo o país. Vários Estados permitem ainda a adopção por pares de homossexuais.

A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo a nível nacional já conduziu a vários casos mediáticos, mas o mais polémico é o que levou Kim Davis à cadeia em Setembro de 2015. A funcionária do Estado recusou, invocando objecção de consciência, processar pedidos de casamento entre pessoas do mesmo sexo e, por essa causa, foi encarcerada, por desobediência ao juiz que a tinha ordenado a emitir as licenças. Kim Davis foi libertada dias depois, mas com ordens para "não interferir" com licenças de casamento homossexuais.

Tal como no Reino Unido, pelo menos três agências de adopção católicas foram forçadas a fechar as portas por se recusarem a colocar crianças com homossexuais. Uma quarta, em Washington D.C., foi informada pelas autoridades que deixaria de poder receber financiamento enquanto se recusar a aceitar colocar crianças com homossexuais.

Quando dois casais processaram o Estado porque os seus filhos estavam a aprender sobre casamento homossexual na escola, um tribunal de recurso deu razão ao Estado, negando que os pais tenham o direito de impedir que os seus filhos aprendam coisas que colidam com as suas crênças religiosas.

Alguns casos nos Estados Unidos são perfeitamente caricatos. No Estado do Colorado um “casal” homossexual processou Jack Phillips, o dono da Masterpiece Cakeshop, por este se ter recusado a fazer-lhes um bolo de casamento. O juiz não obrigou ao pagamento de qualquer indemnização mas disse que no futuro a empresa não poderia recusar-se casos desses. O dono já disse que preferia fechar a empresa do que violar a sua consciência. Mais tarde, uma Comissão de Direitos Civis ordenou-o a fazer formação para todos os seus empregados, o que inclui a sua mãe, de 87 anos e a produzir um relatório trimestral a indicar se tinha havido mais casos de recusa. No dia 13 de Agosto de 2015 um tribunal rejeitou o recurso de Phillips. Em resultado disso, enquanto aguarda o desenrolar do processo, Phillips deixou de aceitar quaisquer pedidos de bolos de casamento. Em 2017, contudo, o Supremo Tribunal aceitou ouvir o caso de Phillips. Trata-se de um desenvolvimento da maior importância, pois a decisão do tribunal deverá estabelecer um precedente para todos os casos semelhantes. O Departamento de Justiça, já da administração Trump, colocou-se do lado do pasteleiro. No dia 4 de Junho de 2018 o Supremo Tribunal deu razão a Phillips, por 7-2, mas deixou claro que a decisão pode não estabelecer precedente.

No Estado de Oregon, numa altura em que o casamento entre homossexuais não era sequer legal, outra loja de bolos teve de mudar de local depois de ter recusado fazer um bolo de casamento para duas lésbicas. A Sweet Cakes by Melissa foi condenada por uma comissão do trabalho por descriminação, foi inundada de correio e telefonemas agressivos e acabou por ter de fechar portas e mudar de localização. Em Abril de 2015 um juiz de direito administrativo condenou a empresa a pagar um total de 135 mil dólares de compensação ao casal a quem foi recusado o serviço, com base no facto de a pastelaria não ser uma instituição religiosa. O valor resulta da soma de vários danos emocionais alegadamente causados pela rejeição. Na lista compilada, as duas lésbicas dizem que se sentiram "mentalmente violadas", e queixam-se ainda de perda de apetite, histerismo, desconfiança em relação a homens, perda de confiança em relação a antigos amigos, aumento de peso, enxaquecas e pesadelos. A lista completa tem 178 itens.

O casal optou por pagar o valor total de 136,927.07 dólares para uma conta isolada onde deveria permanecer até ao caso ser resolvido em tribunal e pediram ao Oregon Bureau of Labour and Industries que não avançasse com penhoras dos seus bens durante este período. O OBLI ignorou esse pedido e, pouco antes do Natal de 2015, confiscou todo o dinheiro das três contas do casal, incluindo uma conta separada que tinham para pagar o dízimo à sua Igreja, entitulada "Dinheiro de Deus".

Recentemente numa entrevista o casal que opera a loja confessou que se se confirmar a multa de 150 mil dólares a que podem ser condenados, certamente a família irá à banca rota.

O mesmo artigo que chama atenção para este caso fala de um florista em Washington e uma empresa de aluguer de espaços para eventos em Nova Jersey que passaram por problemas semelhantes. 

A florista em questão pertence a Baronelle Stutzman, que alegou razões de fé para não tratar dos arranjos de flores para o casamento de dois clientes homossexuais. Segundo este artigo, Stutzman já tinha atendido Robert Ingersoll mais de 20 vezes, sabendo que ele era homossexual, mas recusou o pedido para arranjar as flores para o seu casamento, poucos meses depois de Washington DC ter legalizado o procedimento. Em Fevereiro de 2015 um juiz disse que a sua "relação com Jesus" não a isentava de cumprir as leis contra a discriminação. Ao contrário de outros casos, os custos envolvidos aqui são marginais. Ingersoll e o seu companheiro pediam apenas pouco mais de sete dólares, o valor da viagem até outro florista. Em Fevereiro de 2017 Stutzman foi condenada a pagar uma multa de mil dólares por este caso. Os seus advogados vão recorrer ao Supremo Tribunal.

Elane Huguenin
Um caso semelhante aconteceu no Novo México, mas com uma fotógrafa que se recusou, por objecção de consciência, a fotografar uma cerimónia de união de facto homossexual. Elane Huguenin foi condenada e obrigada a pagar uma indemnização de 7 mil dólares. Ambos os casos devem acabar por chegar ao Supremo Tribunal, que tem um registo impressionante de defender a liberdade religiosa, mas independentemente do veredicto final, mostram uma tendência preocupante.

Em Abril de 2015 uma pizzaria no Indiana, Estados Unidos, fechou devido a ameaças de morte recebidas depois de os proprietários terem dito, em resposta a um jornalista, que serviriam qualquer cliente que entrasse no estabelecimento, mas que recusariam fazer o catering para um casamento entre pessoas do mesmo sexo. A controvérsia surgiu numa altura em que o Estado aprovou uma lei que procura garantir a liberdade religiosa deste tipo de estabelecimentos, mas que tem sido fortemente criticada por, dizem os críticos, abrir às portas à discriminação contra os homossexuais. Em resposta ao encerramento da pizzaria foi aberta uma campanha de angariação de fundos para apoiar a família que conseguiu angariar cerca de 800 mil dólares.

Estes casos também abrangem quintas e outros locais que costumam alugar espaços para organização de casamentos. O casal Gifford, do Estado de Nova Iorque, foi multado em 13 mil euros por recusar alugar a sua quinta para um casamento homossexual e, desde então deixou de aceitar reservas para casamentos de qualquer tipo.

Outro casal foi multado em 80 mil dólares pela mesma razão. Jim e Beth Welder operam um Bed and Breakfast no Illinois.

No início de Novembro de 2019 o Supremo Tribunal do Kentucky, nos EUA, arquivou uma queixa contra o dono de uma empresa de t-shirts quer recusou fazer uma encomenda de t-shirts para uma organização homossexual. A queixa foi arquivada porque a lei antidiscriminação daquele Estado protege indivíduos e não organizações, por isso concluiu-se que o processo tinha sido apresentado pela parte errada. Um dos juízes, contudo, criticou a organização por ter ido para além de lutar contra a discriminação, estando a tentar limitar os direitos de liberdade de consciência de outros.

Entretanto o problema dos bolos atravessou o Atlântico. Uma pastelaria em Belfast, Irlanda do Norte, Reino Unido, recusou fazer um bolo para uma organização activista homossexual chamado QueerSpace. A encomenda pedia que o bolo fosse decorado com a frase "Support Gay Marriage", mas os donos decidiram recusar, por ser contra as suas crênças.

A Comissão de Igualdade da Irlanda do Norte foi alertada e determinou que a pastelaria tinha agido de forma ilegal, pelo que iria apresentar uma queixa. Os donos, que são cristãos, dizem que não voltarão atrás na sua decisão, mesmo que sejam condenados a pagar uma multa. Entretanto, em Novembro de 2014 a Comissão de Igualdade confirmou que vai processar a pastelaria, caso não peçam desculpa à organização e paguem uma indemnização.

Em Maio a pastelaria Ashers foi dada como culpada e obrigada a pagar uma indemnização de 500 libras. Já em Fevereiro de 2016 o conhecido activista gay britânico Peter Tatchell escreveu uma coluna de opinião para o Guardian em que explica porque considera que a decisão do tribunal é incorrecta. O recurso interposto pela pastelaria foi indeferido em Outubro de 2016.

Em finais de 2015 a conferência episcopal da Austrália publicou uma brochura chamada "Don't mess with marriage", em que explicita a posição da Igreja Católica sobre o casamento, à luz do debate nacional sobre casamento homossexual que decorre no país. No estado da Tasmânia, contudo, a Comissão Anti-Discriminação da Tasmânia considerou que o livro é discriminatório e abriu um processo contra a Igreja.

Em Maio de 2017 um agricultor foi proibido pela autarquia de participar numa feira comunitária por se ter recusado a permitir que duas mulheres se casassem na sua propriedae. O agricultor está a processar a cidade pelo direito a regressar ao mercado. E em Junho a jogadora profissional de futebol Jaelene Hinkle renunciou à selecção depois de ter tomado conhecimento de que a equipa iria jogar com uma camisola com as cores do arco-íris em homenagem ao orgulho gay.

Na Polónia o dono de uma gráfica foi ilibado pelo Tribunal Constitucional, depois de ter perdido em todos os outros, por ter recusado imprimir um cartaz para um evento de uma organização LGBT.

No Reino Unido um médico foi despedido por ter dito que se recusava a tratar pesoas transgénero pelos pronomes que escolhiam, em vez dos pronomes adequados ao seu sexo de nascimento. O caso está em tribunal.

Tweets polémicos
A censura do politicamente correcto não se fica pelos EUA. Em Maio de 2011 um comentador canadiano de hóquei no gelo, Damian Goddard, foi despedido depois de ter publicado um tweet da sua conta pessoal em que criticava o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo.

Craig James foi contratado como comentador desportivo pela ESPN, mas quando se soube que tinha dito, numa campanha eleitoral para o senado, vários meses antes, que não concordava com o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo e que acreditava que não se nasce homossexual, foi despedido.

Frank Turek, formador e autor de palestras motivacionais e de teambuilding colaborava regularmente com a Bank of America e com a Cisco Corporation. Mas quando as empresas souberam que ele tinha escrito um livro em que explicava porque é que o "casamento" homossexual era uma coisa má para a sociedade, foi despedido. Mais tarde, contudo, ambas as empresas voltaram atrás e confirmaram que não iriam despedir funcionários por defenderem posições conservadoras.

Quando Larry Grard, jornalista há 39 anos e há 18 com o Morning Sentinel recebeu um e-mail de um grupo pró-homossexual a acusar todos os que se opunham ao "casamento" entre pessoas do mesmo sexo como sendo movidos por ódio, respondeu da sua conta pessoal, afirmando que considerava o termo ofensivo e que quem estava a ser movido por ódio eram os promotores da campanha. O activista que recebeu o seu e-mail procurou o seu nome no Google e quando percebeu que era jornalista queixou-se ao editor. Grard foi chamado e sumariamente despedido.

Em Abril de 2014 o editor do jornal Newton Daily News criticou um grupo homossexual chamado "Queen James Bible", que reescreve a Bíblia de uma forma mais "amigável" para os homossexuais. Num blog pessoal, Bob Eschliman brincou com a sigla LGBTQ [Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer] e apelidou o lobby gay de "Gaystapo". Quando as suas palavras se tornaram públicas, foi despedido. 

Mas quando um jornalista conhecidamente liberal faz o mesmo, mas no sentido contrário, ninguém pestaneja... Josh Barro escreveu na sua conta de Twitter: "Anti-LGBT attitudes are terrible for people in all sorts of communities. They linger and oppress, and we need to stamp them out, ruthlessly." Despedido? Ameaçado? Alvo de uma campanha online? Se sim, ninguém deu conta.

Em Abril de 2014 aconteceu um novo caso. O recém-nomeado CEO da Mozilla, Brendan Eich, acabou por se demitir depois de vários dias de pressão por parte dos média, lobbies e muitos dos seus próprios funcionários. O crime de Eich foi o facto de ter doado dinheiro para a campanha contra a redefinição do casamento no Estado de Califórnia, em 2008.

Em Fevereiro de 2015 a empresa tecnológica Apple despediu Jay Love, que tinha sido contratado para fazer lobbying a favor da empresa no estado do Alabama. A medida não foi justificada, mas coincidiu com a publicação de um artigo que denunciava as posições de Love contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em Julho de 2016 uma empresa de encontros online, dirigida a cristãos, viu-se forçada a aceitar abrir os seus serviços a homossexuais, sob ameaça de um processo judicial, por estar a violar leis anti-discriminação em vigor no Estado da Califórnia.

E em Janeiro de 2015 o chefe dos bombeiros em Atlanta foi despedido depois de ter oferecido aos seus colegas um livro, da sua autoria, em que critica o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em Dezembro de 2018, contudo, Kelvin Cochran venceu o processo em tribunal contra a cidade de Atlanta, por despedimento sem justa causa.

No Canadá, em Abril de 2014, a associação de advogados da região de British Columbia votou para não acreditar uma nova faculdade de Direito que está previsto abrir em breve. Tanto quanto é possível perceber, o problema não está na qualidade de ensino nem na matéria leccionada, mas no facto de a Universidade, que é assumidamente cristã, pedir aos seus alunos (que não são obrigados a frequentar a instituição, como é evidente), para se absterem de relações sexuais fora do casamento, definindo o casamento como sendo entre um homem e uma mulher. Mas a decisão foi mais tarde revogada por um tribunal. Contudo, em Junho de 2018, o supremo tribunal do Canadá decidiu por maioria absoluta que a faculdade não poderia abrir, naquelas condições. Os responsáveis ponderam tornar opcional a assinatura do documento que obriga à abstinência sexual fora do casamento heterossexual enquanto o aluno frequenta a universidade. Em Agosto foi anunciado que a carta de princípios seria abandonada.

Mas medidas desta radicalidade podem não ser sequer necessárias. Nos Estados Unidos, como ficou claro neste artigo do New York Times, nenhuma grande empresa de advogados aceita representar os opositores ao casamento entre pessoas do mesmo sexo em casos judiciais sobre essa questão. Um advogado de peso foi mesmo forçado a demitir-se da firma onde trabalhava quando, em 2011, defendia o "Defense of Marriage Act", a legislação do tempo de Bill Clinton que proibia o Governo Federal de reconhecer casamentos que não fossem entre um homem e uma mulher. Vários analistas ouvidos neste artigo concordam que as grandes firmas rejeitam estes casos por medo dos efeitos da opinião pública. Apenas um comentador de uma organização de promoção dos direitos dos homossexuais diz que os advogados não querem aceitar estes casos porque "vêem a verdade".

Os irmãos David e Jason Benham são empresários de sucesso no ramo da imobiliária e tinham o seu próprio programa de televisão na HGTV. Em 2014, depois de terem dito numa entrevista que são defensores do casamento natural, isto é, não concordam com a alteração do conceito de casamento para incluir uniões homossexuais, o programa foi subitamente cancelado. Como se isso não bastasse, o contrato que tinham com o banco que financiava a sua empresa foi subitamente cancelado, também depois da "polémica" entrevista.

Um caso que surpreendeu o Reino Unido foi de Felix Ngole, um estudante da Universidade de Sheffield, que foi expulso depois de ter citado versículos bíblicos em defesa da ideia de que o casamento deve ser apenas entre um homem e uma mulher. Recorreu da expulsão, mas sem efeito.

Uma deputada na Finlândia, e ex-ministra do Interior, Päivi Räsänen, publicou um tweet em que questionava a decisão da Igreja Luterana Finlandesa de apoiar um evento de orgulho LGBPT, citando uma passagem bíblica para o efeito. Foi interrogada pela polícia e vai ser julgada por crimes de ódio.

Há ainda uma outra frente nos EUA que vai dar certamente muito que falar. Com a legalização do “casamento” homossexual em vários estados tem havido uns quantos casos de professores e funcionários despedidos das escolas, universidades e outras instituições religiosas por se terem “casado” com os seus respectivos parceiros homossexuais.

Este é um caso em tudo semelhante ao do jogador de rugby australiano Israel Folau, que em 2018 publicou mensagens nas redes sociais advertindo que pecadores - entre os quais incluiu bêbados, adúlteros e homossexuais, citando uma passagem bíblica - vão para o inferno. Acabou por ser expulso da liga em que jogava e quando trocou de liga e assinou por outra equipa, os Catalans Dragons, estes foram inundados de mensagens a condenar a contratação.

À primeira vista isto poderia parecer um caso contrário aos outros apresentados aqui, em que o discriminado é o homossexual, contudo, existe uma diferença muito importante. É que enquanto nestes casos os funcionários trabalham para uma instituição privada, religiosa, com uma posição bem conhecida sobre este assunto, nos outros casos trata-se de o Estado a tomar partido contra os cristãos. Ora o Estado tem uma obrigação de neutralidade que a Igreja não tem e, mais, esses funcionários, pelo menos nos EUA, costumam assinar um documento em que se comprometem a não violar os princípios da instituição em que trabalham. Um caso verdadeiramente semelhante seria uma associação de promoção dos direitos dos homossexuais despedir um funcionário que se opõe, aberta e publicamente, aos seus princípios.

A questão aqui não é tanto legal, uma vez que poucos contestam o direito das instituições, mas sim da pressão da opinião pública que se intensifica contra elas, como demonstra este artigo, que enumera vários desses casos.

Num outro caso, surgido já depois da publicação inicial deste texto, um homem recebeu uma oferta de emprego para ser o responsável pela alimentação numa escola católica. Mas a oferta foi retirada quando se soube que ele é "casado" com outro homem. Matthew Barrett diz que não tinha assinado qualquer documento no sentido de não violar os princípios da Igreja. Contudo, tendo sido informado que devia respeitar a doutrina católica pensou tratar-se de "participar nas orações". Barrett, com o apoio de uma associação gay, vai processar a escola.

O problema não se põe só nas escolas. Uma funcionária de uma igreja no Kansas foi despedida depois de se ter "casado" com a sua namorada e processou a diocese. O artigo que dá conta do caso diz, em título, que ela foi despedida "por ser lésbica", mas na verdade, ao que parece, foi despedida por ter contraído um casamento homossexual, o que não é a mesma coisa.

Menos comum é este caso, de uma professora suspensa da sua escola católica, por ter defendido a posição católica sobre o casamento na sua página do Facebook. A escola suspendeu-a depois de os seus comentários terem causado polémica e protestos por parte de activistas a favor do casamento gay. A professora foi mais tarde readmitida pela escola, que disse, todavia, que ela tem a obrigação de apresentar os ensinamentos católicos de uma forma "positiva".

Entretanto nos EUA a marcha do "casamento gay" continua imparável. Apesar de vários Estados terem feito emendas constitucionais ao longo dos últimos anos para deixar claro que o casamento é apenas entre um homem e uma mulher, as recentes derrotas no Supremo Tribunal deixaram o caminho aberto para vários processos. Agora, o que é interessante ver é que em vários desses Estados os procuradores gerais estaduais estão a recusar-se a defender as próprias leis do Estado perante esses processos. Temos, por isso, vários Estados em que a população aprovou uma emenda constitucional em referendo, mas o Estado acha que não vale a pena defender essas emendas, em tribunal. Agora, o procurador geral dos EUA veio a público dizer que não só os procuradores estaduais não precisam de defender as suas leis, o que até consigo compreender, mas comparou mesmo a actual situação com a da segregação racial no Sul dos EUA.

Em Janeiro de 2017 uma mulher processou um hospital católico por este se ter recusado a efectuar uma histerectomia que fazia parte de um processo de mudança de sexo. A mulher em causa, identificada neste artigo do New York Times como homem, acusa o hospital de discriminação sexual.

Agradeço quaisquer outros comentários e eventuais links para histórias que me tenham escapado.

Filipe d’Avillez

Artigo actualizado a 27 de Fevereiro de 2019, com o caso de Israel Folau e de Päivi Räsänen.

Artigo actualizado a 19 de Dezembro de 2019, com o caso de Maya Forster.

Artigo actualizado a 10 de Julho de 2019, com o caso do dono da gráfica na Polónia e do médico no Reino Unido. 

Artigo actualizado a 9 de Janeiro de 2019, com o caso do abaixo assinado contra o professor de Oxford.

Artigo actualizado a 10 de Setembro de 2018, com novidades do caso da Universidade Trinity Western, no Canadá.

Artigo actualizado a 31 de Julho de 2018, com o caso do capelão da Universidade de Glasgow.

Artigo actualizado a 26 de Junho de 2018, com a decisão do supremo tribunal do Canadá sobre a Universidade Trinity Western.

Artigo actualizado a 4 de Junho de 2018, com a decisão do supremo tribunal dos EUA sobre o Masterpiece Cake Shop.

Artigo actualizado a 10 de Fevereiro de 2018, com proposta de lei sobre educação sexual no Reino Unido. 

Artigo actualizado a 23 de Dezembro de 2017, com mais informação sobre o caso de Kelvin Cochran.

Artigo actualizado a 15 de Setembro de 2017, com mais informação sobre o caso de Jack Phillips.

Artigo actualizado a 14 de Junho de 2017, com a notícia sobre a jogadora de futebol que renunciou à selecção.

Artigo actualizado a 1 de Junho de 2017, com a notícia sobre o agricultor americano expulso do mercado pela autarquia.

Artigo actualizado a 17 de Fevereiro de 2017, com a condenação da florista de Washington.

Artigo actualizado a 6 de Janeiro de 2017, com o caso do processo ao hospital que recusou fazer uma histerectomia a uma mulher em processo de mudança de sexo.

Artigo actualizado a 13 de Julho de 2016 com os casos de Felix Ngole, da empresa de encontros online, do capelão prisional despedido, do casal Walder e do magistrado despedido depois de dar uma entrevista à BBC.

Artigo actualizado a 1 de Fevereiro de 2016, com mais dados sobre o caso da pastelaria Ashers, na Irlanda do Norte.

Artigo actualizado a 9 de Setembro de 2015, com mais dados sobre o caso Kim Davis.

Artigo actualizado a 8 de Setembro de 2015, com a notícia da prisão de Kim Davis, por se recusar a emitir licenças de casamento a pares homossexuais.

Artigo actualizado a 15 de Agosto de 2015, com o resultado do recurso relativo ao caso da Masterpiece.

Artigo actualizado a 8 de Julho de 2015, com mais detalhes sobre as queixas contra a pastelaria de Oregon.

Artigo actualizado a 26 de Junho de 2015 com a decisão do Supremo americano a legalizar o casamento gay em todo o país.

Artigo actualizado a 30 de Abril de 2015 com o valor da indemnização a pagar pela Sweet Cakes by Melissa.

Artigo actualizado a 14 de Abril de 2015, com mais informação sobre a professora suspensa e mais tarde readmitida numa escola católica por ter escrito contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e com a referência ao artigo do New York Times sobre porque é que as grandes firmas de advogados não aceitam defender o casamento tradicional em tribunal.

Artigo actualizado a 4 de Abril de 2015, com mais informação sobre o caso do pasteleiro Phillips, com o caso da florista de Nova Iorque, dos donos de um espaço de organização de eventos em Nova Iorque, da pizzaria no Indiana, do despedimento do chefe dos bombeiros no Atlanta, de um "lobbyist" da Apple e da professora católica de uma escola católica.

Artigo actualizado a 17 de Novembro de 2014 com mais informação sobre o caso da pastelaria na Irlanda do Norte e com a referência ao caso do tribunal no Massechussetts que recusou o pedido de dois casais de dispensarem os seus filhos de aulas em que aprenderiam sobre o casamento homossexual.

Artigo actualizado a 9 de Outubro de 2014, com mais informação sobre o caso "Sweet Cakes by Melissa"; com o caso da mulher lésbica despedida de uma organização católica no Kansas; com o caso do director de um jornal despedido por criticar o lobby gay; com o caso de um jornalista liberal que criticou os defensores do casamento tradicional; com o caso dos irmãos Benham e com o caso da pastelaria na Irlanda do Norte. 

Artigo actualizado a 28 de Abril, com a notícia sobre a faculdade de Direito no Canadá.

Artigo actualizado a 4 de Abril, com a notícia da demissão de Brendan Eich, CEO da Mozilla, por ser contra o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo.

Artigo actualizado a 25 de Março com o facto de a Escócia ter decidido não recorrer contra a agência de adopção St. Margarets.

Artigo actualizado a 25 de Fevereiro com a história do procurador geral dos EUA e as defesas das emendas constitucionais sobre o casamento tradicional nos diferentes Estados e com as novidades sobre a agência de adopção escocesa St. Margarets.

Artigo actualizado a 10 de Fevereiro com as histórias de pessoas despedidas por fazer comentários e tweets contra o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo.

Artigo actualizado a 3 de Fevereiro de 2014, com a notícia da "Sweet Cakes by Melissa", no Oregon e da campanha nos autocarros de Londres.

Partilhar