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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Choques naturais e ultrapassáveis

Declarações "chocantes" de Osswald
Começou o sínodo dos jovens. O Papa Francisco emocionou-se ao ver lá dois bispos chineses, fruto do acordo alcançado com Pequim, e no seu discurso disse a todos os bispos reunidos que devem deixar para trás preconceitos e estereótipos.

Temos no site da Renascença uma interessante entrevista com o bispo D. António Augusto Azevedo, que está presente nos trabalhos.

Também hoje decorreu em Lisboa o II Congresso do Diálogo Inter-religioso. Numa das conferências, Walter Osswald disse que o choque cultural até é natural, mas é preciso ultrapassar a rejeição. Noutro painel o padre Fernando Sampaio confessou que a proibição de perguntar aos doentes a sua religião é, em alguns casos, uma violação dos seus direitos.

Ainda na sequência da crise de abusos que sacode a Igreja, Randall Smith, um dos meus autores favoritos do The Catholic Thing, escreve esta quarta-feira directamente para aqueles que invocam os problemas para abandonar a Igreja. É um artigo arrasador, cheio de bom-senso. Leiam e partilhem!

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Sintonia sino-latina e Papa báltico

Fiéis aguardam o Papa na Letónia
O Papa está a visitar os países bálticos. Depois de uma passagem pela Lituânia, encontra-se agora na Letónia e vai amanhã para a Estónia. Na Letónia esteve numa cerimónia ecuménica, em que disse que sim, os tempos são difíceis, mas se não fossem não seriam para nós. Depois foi para um santuário mariano onde falou dos excluídos, com claras indiretas para o mundo ocidental.

A outra grande notícia do fim-de-semana é o acordo entre Roma e a China. Não se sabem os detalhes, apenas que existe um acordo e que este é o início e não o fim de um processo. É uma novidade que tem tido os seus críticos, mas cuja importância não pode ser desvalorizada e que é enquadrada aqui pelo padre Peter Stilwell, que vive e trabalha em Macau.

Uma aparente disputa de terrenos deixou uma comunidade em Moçambique sem igreja. Conheça aqui a história e vejas as fotografias da igreja antes e depois do incêndio. Muito triste.

E também na Sexta-feira passada o Papa Francisco aceitou a resignação de mais dois bispos chilenos por causa da crise de encobrimento de abusos sexuais naquele país.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Sem filhos não há padres e outras chinesices

O bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, liga a crise de vocações à crise das famílias. Sem filhos não há novos padres, deduz, dizendo ainda que num futuro breve poderá haver ordenação de homens casados para fazer face à escassez.

D. Manuel Monteiro de Castro faz 80 anos e a autora da sua biografia falou com Ângela Roque sobre “O Núncio Português”.

Temos acompanhado na medida do possível os desenvolvimentos em torno de um suposto acordo entre a China e a Santa Sé. Quem sabe ainda menos que nós, aparentemente, são os próprios católicos chineses
                                       
Queria agradecer a todos os que rezaram pela intenção que partilhei ontem. Não querendo lançar foguetes antes da festa, as notícias, por enquanto, são boas. Continuemos a rezar! Obrigado.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Kabila contra os acólitos

A Igreja no Congo está a fazer frente ao Presidente. O custo é alto, mas a causa é justa, como explica uma fonte que contactei em Kinshasa e que conta histórias de dura perseguição.

O Papa Francisco cumpre cinco anos de pontificado amanhã. Hoje o padre Tolentino recordou o retiro que lhe pregou esta Quaresma e Adriano Moreira elogiou o Papa que reconheceu um mundo de desigualdades. D. Manuel Clemente considera que Francisco é um “grande estímulo evangélico”, mas Francisco continua horrorizado com a situação na Síria.

A semana passada falámos sobre um eventual acordo entre o Vaticano e a China. Falámos com um missionário que lá esteve e que se mostrou céptico, mas hoje trago-vos a opinião de um especialista que se mostra esperançoso.

Conheça o projecto “Short Girl”, que valeu um prémio internacional aos alunos de Educação Moral e Religiosa Católica de Miranda do Corvo.

Os Leigos para o Desenvolvimento estão à procura de voluntários para trabalhar em… Portugal.

Acordo com a China à vista?

Estarão Roma e a China à beira de um acordo histórico? Há quem diga que sim… Falei com um missionário que passou alguns anos na China e ele diz que é céptico, enquanto fala de como foi evangelizar “à socapa” naquele país comunista.

Paulo VI e Oscar Romero vão ser canonizados ainda este ano. O Papa autorizou esta quarta-feira.

Já foram escolhidos os três jovens que vão representar Portugal no encontro pré-sinodal, em Roma.

Hoje é dia de The Catholic Thing. Em tempo de Quaresma, venha daí um elogio a um aspecto da vida da Igreja que é muitas vezes desvalorizado… Viva a água benta!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Freira apela ao Papa e Fátima estudada

Bispo banglo-português
Surgiu um vídeo de uma religiosa colombiana que foi sequestrada no Mali pela Al-Qaeda. A freira pede ao Papa que intervenha pela sua libertação.

Cumpre-se este ano meio milénio da evangelização do Bangladesh. Leia esta entrevista ao bispo D’Cruze, sobre a realidade daquela igreja.

O Santuário de Fátima firmou uma parceria com instituições de ensino superior para aprofundar o estudo do fenómeno.

A fundação Betânia vai dar resposta ao problema da demência, em Bragança.

As relações entre Roma e a China estão a dar que falar. Esta semana Robert Royal, do The Catholic Thing, escreve sobre esse assunto, com uma perspectiva que vale a pena conhecer. Não deixem de ler, porque isto ainda vai fazer correr muita tinta.

O Síndrome Chinês

Nota prévia: Nos últimos dias tem-se falado muito sobre as relações entre o Vaticano e a China, desde que saíram notícias que indicam que a Santa Sé terá pedido a dois bispos leais a Roma - da chamada Igreja Clandestina - para darem lugar a dois bispos da associação patriótica - submissos ao Governo. Vejo muita gente alarmada por o que consideram ser uma cedência política de Roma a Pequim. Este artigo, que hoje traduzo e publico aqui, é um exemplo desses.

Eu acho que a realidade é bem mais complexa. A China é um país vasto, as relações entre a Igreja e o Governo não são uniformes e, acima de tudo, opto por dar o benefício da dúvida aos que negoceiam com Pequim em nome do Papa. Espero não estar enganado. Publico o artigo do Robert Royal porque contribui para um debate mais informado sobre a situação na China, apesar de não partilhar inteiramente do seu cepticismo. Aconselho, a par da leitura deste artigo, a entrevista concedida esta quarta-feira pelo cardeal Parolin, sobre o mesmo assunto.

Ao longo de décadas a viver em Washington D.C., já conheci a minha dose de bandidos e aldrabões, fabulistas ou mentirosos claros. Seria preciso um Dante moderno para determinar em que círculo do inferno cada um destes comportamentos merecia. Mas de uma coisa estou certo: pelo menos na minha experiência, nunca encontrei mentirosos mais descarados e manipulativos que os comunistas chineses responsáveis pelas relações com os crentes.

É isso que torna tão preocupante o surgimento de notícias, divulgadas a semana passada, de que o Vaticano tinha pedido a dois bispos clandestinos, fiéis a Roma, para resignar por forma a que dois bispos da Igreja Patriótica, submissa ao regime comunista, pudessem ocupar os seus lugares. Essa notícia levou o anterior cardeal de Hong Kong, o corajoso Joseph Zen, a ir a Roma e colocar-se à porta da Casa Santa Marta e pedir para ser admitido ao Papa Francisco para lhe entregar uma carta dos crentes da Igreja clandestina – que estão dispostos a resistir apesar do alto preço – ao Papa Francisco. Fontes de confiança dizem que o Papa recebeu a carta e prometeu que a iria ler. Entretanto o Cardeal Zen publicou o seu relato desses eventos, confirmando na essência a história e acrescentando que é pessimista quanto ao caminho que o Vaticano está a trilhar. Acrescenta que o governo está a apertar o cerco às instituições religiosas e que, a partir do dia 1 de Fevereiro, “não mais será tolerada a frequência da missa nas igrejas clandestinas”.

O Cardeal Zen tem alertado várias vezes para o facto de os acordos com os comunistas serem pouco fiáveis. (Há cerca de dois anos que corre o boato de um acordo iminente entre a China e o Vaticano, sem que fosse divulgado algo de concreto). A Asia News, uma publicação do Vaticano, reagiu às notícias da semana passada com um aviso sobre a substituição de bispos “legítimos” por “ilegítimos”. Os ChiComs (como nós os chamávamos durante a Guerra Fria) são espertos e astutos. Sabem como manipular os valores ocidentais, neste caso a “unificação” das igrejas, isto é, a inclinação religiosa de se pensar que é possível resolver todos os problemas através do diálogo, da construção de pontes e de arranjos diplomáticos.

Entretanto a China continua a demolir cruzes nalgumas igrejas, a fechar outras e a dinamitar outras ainda. O “New York Times” noticiou há duas semanas que a China tinha destruído a Igreja do Candelabro Dourado, que com 60 mil fiéis é a maior comunidade evangélica no país. A razão invocada foi que o edifício grande e vistoso tinha sido construído em “segredo”, sem as necessárias autorizações, etc. Estas são desculpas habitualmente usadas por regimes tirânicos em todo o mundo quando atacam a religião. Já ouvi altos dirigentes chineses a atribuir estes actos a “excessos e erros” das autoridades locais, mas estes repetem-se com uma regularidade suspeita que ninguém parece determinado a travar.

Os comunistas chineses estudaram a queda da União Soviética em 1989 e a libertação dos países da Cortina de Ferro graças a São João Paulo II, Ronald Reagan, Margaret Thatcher e muitos outros, no ocidente, que mantiveram Moscovo sob pressão. Eles compreendem o poder da religião e claramente acreditam que podem evitar que o Cristianismo desempenhe o papel na China que desempenhou na Polónia e noutros locais. As ferramentas são familiares: cooptar quando possível, perseguir e destruir, também quando possível, e controlar a informação para dar a entender que se está simplesmente a exigir o cumprimento da lei e da ordem dentro das fronteiras.

Missa católica na China
Do ponto de vista do regime, isso é muito necessário. A maioria dos chineses tem uma vaga ligação às antigas religiões tradicionais. Talvez 15% sejam budistas, e por regra são tranquilos, excepto no Tibete, onde a resistência a Pequim se mantém viva. Depois há cristãos, muitos cristãos, embora não sejam uma grande percentagem, ainda. É difícil encontrar números fiáveis, mas pelo menos 60 milhões é uma estimativa razoável. É seguro dizer que há mais cristãos nas igrejas ao domingo de manhã na China do que em toda a Europa. E isso apesar das graves consequências para quem for apanhado a frequentar igrejas “não aprovadas”.

Cerca de dois terços desses serão protestantes, mas, como é evidente, a Igreja Católica tem uma estrutura institucional mais sólida. Os chineses estão habituados a pensar a longo prazo. Dado o crescimento do Cristianismo, o regime vai passar por dificuldades se de repente houver dezenas de milhões de cristãos que acreditam que todos os seres humanos são feitos à imagem e semelhança de Deus, dotados de dignidade e liberdade humana.

Uma das questões de política externa mais importantes sobre a China é saber exactamente o quão comunista é e, por isso, se ainda possui o velho ADN marxista que a incentiva a extinguir o “ópio do povo”, isto é, a religião. A economia é dirigida, mas não foi destruída de acordo com os princípios marxistas, como foram as da antiga União Soviética e da Europa de Leste. Claro que também não é exactamente capitalista, mas há casos sérios de inovação e de empreendorismo. Ainda assim, a mão pesada do Estado é muito evidente, sobretudo nas medidas de controlo populacional que até os chineses compreendem que vai trazer décadas – pelo menos – de problemas, à medida que a população envelhece. Mas será um sistema ateu puro e duro?

Eu escrevi sobre a história da perseguição aos crentes na China no meu livro “Os Mártires Católicos do Século XX”. Nessa altura o Falun Gong tinha cerca de 10 milhões de seguidores, brutalmente perseguidos pelos chineses porque esse movimento de espiritualidade tradicional era considerado uma “ameaça à estabilidade social”. Porém dizia-se então, como agora, que havia um número significativo de cristãos no Partido Comunista Chinês.

Seja qual for a composição ideológica da China, a independência da Igreja é algo pela qual muitos cristãos lutaram e morreram ao longo de séculos nos países cristãos da Europa. A independência dos regimes políticos é fundamental, para que a Igreja seja livre de desempenhar a sua missão espiritual, não apenas de evangelização, mas também denunciando e trabalhando para remediar a injustiça e a desordem na sociedade, seja qual for o regime sob o qual opera.

O Vaticano parece estar a tropeçar nas suas relações com um regime que podemos ter a certeza não vai respeitar a liberdade da Igreja, uma vez que não respeita a liberdade e a dignidade do seu próprio povo. Os negociadores do Vaticano farão bem em recordar as lições da era comunista na Europa, sobretudo o aviso de Solzhenitsyn, de que devemos compreender verdadeiramente a natureza dos regimes comunistas e não ceder perante a ilusão de que a divisão entre nós e eles “pode ser abolida através de negociações diplomáticas bem-sucedidas”. Porque essa divisão não é política, mas profundamente espiritual.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro é A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the Twentieth Century, da Ignatius Press. The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está também disponível pela Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Terror no Egipto e miliatares a caminho de Fátima

Militares a caminho de Fátima, fingindo ser servitas...
Espero que tenham tido uma Santa Páscoa! Dificilmente terá sido pior que a de tantos coptas que no Egipto foram vítimas de um brutal duplo atentado no Domingo de Ramos. A Páscoa é uma época em que os terroristas gostam de vitimar cristãos, como aconteceu no ano passado no Paquistão, mas este ano as autoridades paquistanesas e egípcias dizem que impediram vários ataques novos.

São cerca de 100 os militares e familiares que este ano vão peregrinar a Fátima. Conheça mais sobre esta peregrinação muito especial.

Houve uma polémica durante a semana passada sobre as renúncias quaresmais no Patriarcado de Lisboa. Os serviços do patriarcado negam qualquer problema ou mau uso de fundos e dizem onde e como foi gasto o dinheiro desde 2011.

O Patriarca de Lisboa alertou na Quinta-feira Santa para os riscos da manipulação da natureza humana. D. Manuel deu também uma entrevista à Renascença, a propósito dos 80 anos da Rádio, que pode ver aqui.

Veja também a minha entrevista a Santiago, um seminarista Chinês que explica como mesmo antes de nascer os cristãos já são perseguidos naquele país… A transcrição integral da entrevista pode ser lida aqui.

Na quarta-feira passada publiquei um interessantíssimo artigo do Pe. Paul Scalia no The Catholic Thing que, em plena Semana Santa, nos convida a olhar para Judas e vermos até que ponto não temos muito em comum comele. Não deixem de ler, pois é intemporal. 

"Quem é bom: Deus ou o Governo?" O meu avô respondeu Deus

Transcrição integral da minha entrevista ao seminarista "Santiago" de nacionalidade chinesa. A identidade verdadeira é mantida em segredo por questões de segurança. As fotos usadas para ilustrar a entrevista são genéricas de católicos chineses e nada têm a ver directamente com ele. A reportagem pode ser lida aqui.


Nasceu numa família católica? Ou converteu-se?
Sim, nasci numa família católica, eramos cinco irmãos.

Disse cinco irmãos?
Sim, cinco irmãos.

Como é que isso foi possível? Na China não havia a lei do filho único?
Sim. Para nós foi uma experiência de fé. Porque a lei começou nos anos 80, mais ou menos quando eu nasci, e então, segundo esta lei os pais católicos sofriam muito para poderem ter mais filhos, porque para nós o aborto é impensável, é matar uma criança com alma e corpo, por isso, para os pais católicos, os filhos não nascidos também são vida. Por isso os meus pais, para evitar isso, tiveram muitas vezes que viver escondidos, separados de nós, deixando-nos sozinhos em casa, viviam escondidos para fugir à polícia.

Porque durante muitos anos, se a polícia os encontrasse podia cobrar uma multa ou, se a mulher ainda estivesse grávida, podia levá-la a uma clínica e obrigá-la a abortar. Ou tirar-nos tudo o que temos em casa, destruir a casa. Foram situações difíceis, mas a fé ajudou-nos e sustentou-nos sempre para viver firmes.

Há quantas gerações é que a sua família é católica?
Isso não se sabe. Como não temos um livro das gerações da família, mas segundo o que sei os meus pais, os meus avós, todos são católicos.

Pelo menos terceira geração, possivelmente mais...
Sim.

Como é actualmente ser católico na China?
Há muito tempo que a Igreja não tem a liberdade de viver a fé, por isso hoje em dia não é fácil ser católico. Sobretudo ser padre ou bispo é muito complicado, porque o Governo tenta sempre convencê-los a juntarem-se à Igreja Patriótica, então se não o querem fazer podem sofrer muitas dificuldades.

No seu caso, qual é a relação com a Associação Patriótica Católica?
Creio que a primeira coisa a fazer é evitar isso, ter cuidado quando vou a algum lado, porque se não, muitas vezes podem-nos complicar a vida. Eu, pessoalmente, não quero ter relações nenhumas com eles, porque também sei por experiência que não é nada fácil ter uma relação com eles, porque temos de submeter-nos ao que eles dizem.

O seu bispo, por exemplo, é reconhecido?
Não. Até hoje ele tem-se mantido sempre firme na fé. Porque para ele, ser um bispo da Igreja Católica é ser fiel à doutrina da Igreja. Por exemplo, estar em plena comunhão com o Papa e exercer o seu ministério segundo a doutrina que a Igreja nos ensina, obedecer ao Papa e ter consciência da universalidade da Igreja.

Como é que veio parar à Europa?
Vim para receber formação, porque durante muitos anos, como todos os padres e bispos foram enviados para campos de trabalho, trabalhavam todos os dias, quase sem nada para comer... Foi assim durante trinta anos e não havia formação, nem para os fiéis nem para os padres.

Ao fim de 30 anos houve uma certa abertura e então os padres já podem receber uma certa formação. Mas como a formação é mínima, para receber uma boa formação é necessário um estudo sólido na doutrina, por isso fui enviado para a Europa para estudar um pouco. Fiz o seminário em Toledo, em Espanha, e agora estou a estudar em Roma. Quando terminar os estudos regressarei para servir a Igreja e ajudar um bocado, sobretudo na formação.

O que disseram às autoridades sobre a razão da vinda?
É complicado. O Governo dá-nos o passaporte, mas o visto é feito nas embaixadas. Foi muito difícil conseguir o passaporte porque quando fui à polícia pedir diziam que não me iam dar, porque era católico. Foi assim durante cerca de três meses.

Mas pela graça de Deus - e eu vejo aí uma clara intervenção de Deus - em 2008 houve os Jogos Olímpicos e durante algum tempo todos podiam receber o passaporte. Aí, o visto era o mais fácil.

Se o Governo soubesse que eu vinha estudar, seguramente não me deixaria vir. Mas graças a Deus estou aqui.

Quando chegaste à Europa não falavas espanhol, não conhecias a Europa, como foi a integração?
Quando cheguei a Espanha comecei imediatamente os estudos no seminário. Os primeiros anos, sobretudo, de Filosofia, foram muito difíceis porque até para um nativo as coisas são complicadas de entender. Mas eu estudava muito mais que os meus colegas... Muitas vezes nas aulas eu perguntava aos colegas se percebiam o que tinha dito o professor, e também respondiam que não.

Mas isso para mim também foi uma experiência, que quando fazemos a nossa parte o Senhor nos ajuda, seja como for. É difícil? Sim, mas pela Graça de Deus tudo é possível e o Senhor nos ajuda.

A perseguição aos católicos que não obedecem à APC existe em todo o país, ou é diferente de região para região?
Sim. China é um país muito grande. A lei é a mesma, mas a aplicação varia de zona para zona. Nalgumas zonas há mais católicos, se os bispos forem da Igreja Clandestina então a situação pode ser mais difícil... Depende das zonas.

Alguns bispos, como por exemplo em Hong Kong, defendem que não se deve negociar com a China, que é preciso ser duro e exigir apenas a liberdade total dos católicos. Outros, e parece ser essa a linha actual do Vaticano, parecem dispostos a negociar e a aceitar algumas das condições do Governo. Qual é a sua opinião?
Em primeiro lugar, temos a consciência de que o Vaticano quer dialogar com o Governo. Isso é seguramente para o bem das almas e da Igreja, para poder evangelizar os que não conhecem Cristo, porque actualmente os católicos são apenas 1%. Isso, sem dúvida alguma.

Este diálogo não é nada fácil, porque como temos um regime totalitário e não existe liberdade religiosa nem direitos humanos, e como diz o Cardeal Zen, temos de ser firmes, sem dúvida, porque temos alguns princípios na Igreja. A Igreja Católica é universal, logo respeitamos os direitos humanos e a liberdade religiosa. A Igreja não considera que sejam um privilégio, mas sim direitos naturais das pessoas. Sim, temos de ser firmes... Não podemos abandonar as nossas crenças.

Pessoalmente acho difícil, mas também confiamos no Senhor, porque Ele pode fazer grandes coisas. Pela minha experiência, e segundo o que vejo, não é fácil. O que o Vaticano está a tentar fazer é seguramente para o bem da Igreja. Na prática, como estão a dialogar há tantos anos e o resultado, segundo o que eu vejo, não tem sido praticamente nenhum. Conseguiram-se algumas coisas simples, mas isso não é o problema de fundo. O mais importante tem a ver com a nomeação dos bispos, quem decide as coisas da Igreja e isso está a ser negociado. É complicado...

Disse antes que os católicos são 1%, mas há muitos cristãos não católicos. Sabemos que as Igrejas domésticas estão a crescer muito... Vocês vêem esses cristãos como aliados ou adversários?
Eles também são cristãos, têm a sua fé! É uma coisa boa, porque eles também vivem a sua fé e tentam evangelizar os outros para que possam conhecer Cristo, é uma coisa positiva. E para nós, católicos, são um exemplo, porque eles estão a fazer muitos sacrifícios. Os protestantes também são perseguidos, quando não se querem submeter ao regime não podem viver a fé com liberdade, não podem anunciar o nome de Cristo com liberdade.

É o que se passa com os católicos também, mas temos esta dificuldade acrescida da Igreja Oficial e a Igreja Clandestina, todo o diálogo envolvido, tudo isso complica um bocado.

Mas creio que todos, com a graça de Deus, podemos ajudar os nossos irmãos para que eles também conheçam Cristo, porque Cristo é o único salvador do mundo.

Há muitas histórias de perseguição, mas há histórias mais próximas de si?
Sim. Por exemplo o meu avô - isto foi-nos contado, mas segundo a cultura chinesa, somos bastante fechados. Quando uma coisa já passou, não falamos sobre ela entre nós - mas segundo o que me foi contado do meu avô, quando era novo e o meu pai tinha uns 15 ou 16 anos, como a situação era muito difícil, sobretudo durante os dez anos da Revolução Cultural, como não se podia dizer que se era católico nem se podia rezar, porque se a polícia os visse a rezar podiam condená-los a passar muito tempo na prisão.

Naquela altura em cada povoação faziam reuniões em que perguntavam aos católicos se queriam deixar a fé ou não, ou então perguntavam "quem é bom? Deus, ou o Governo?" Quando chegou a sua vez, o meu avô disse "Deus é bom". Só por isto começaram a persegui-lo. Não só uma vez, mas todos os dias, porque ele tinha dito que Deus é bom, porque segundo a sua consciência era assim, e ele o declarou.

Então todos os dias faziam a reunião para o criticar, para insultá-lo e no final, como humanamente - todos somos seres humanos - ele, para não negar a fé, pegou no meu pai e disse-lhe que como agora estavam a fazer-lhes isto todos os dias, a persegui-los, e quem sabe se um dia, por fraqueza podemos negar a fé, então levava o meu pai e fugiram para não negar a fé. Disse: "Vamos para a montanha e levamos alguma comida. Quando acabar a comida morremos, mas não negamos a fé". Isso, para mim, é um exemplo, porque para manter a firmeza da fé, está disposto a dar a vida. É um exemplo, há muitos outros, mas isso para nós sempre nos deu força para viver mais firmemente a nossa fé.

Mas há também histórias de conversão?
Sim. Há histórias de conversões porque quando eles vêem a força que os católicos têm, dizem que tem de haver algo de sobrenatural, porque humanamente ninguém consegue aguentar aquilo. Pessoalmente não conheci conversões tão claras e fortes, mas seguramente na vida quotidiana há muitos que vendo os exemplos dos católicos, pelo menos no seu interior deixam-se impressionar e isso pode ajudá-los a perceber qual é o sentido da vida.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Bispo disposto a morrer por condenados à morte

Bispo Ramón Arguelle
O Papa Francisco recebeu esta segunda-feira em audiência o imã da Universidade de Al-Azhar. Não é apenas um encontro de cerimónia, trata-se do restabelecimento de relações que estavam cortadas desde 2011.

Entretanto Francisco enviou uma mensagem aos católicos na China, a tempo do dia de Nossa Senhora Auxiliadora, que se assinala amanhã.

Está a decorrer a cimeira humanitária de Istanbul. A Igreja está representada pelo seu secretário de Estado, monsenhor Parolin e o Papa insiste que Roma está atenta a este assunto.

Antevê-se uma relação difícil entre o Presidente das Filipinas e os bispos. O Presidente eleito – que ainda não tomou posse – diz que quer implementar de novo a pena de morte e pelo menos um bispo afirma que está disposto a morrer no lugar dos presos que sejam condenados à forca.

O vencedor do prémio Árvore da Vida, Walter Osswald, deu uma entrevista à Renascença e critica a lei das barrigas de aluguer, que considera mal escrita e pouco exequível. Entretanto já existe um abaixo-assinado para obrigar a um novo debate sobre o assunto.

O artigo da semana passada do The Catholic Thing teve muito mais adesão do que até eu esperava. Se ainda não leram, façam-no, para compreender a posição difícil em que se encontram alguns conservadores americanos, que sempre se opuseram a Trump mas estão bem conscientes das repercussões a médio e longo prazo para os Estados Unidos, sobretudo a nível de questões fracturantes, se ganhar a Hillary Clinton.

segunda-feira, 4 de março de 2013

John Tong Hon

Nascido: 31 de Julho de 1939
Ordenado padre a 6 de Janeiro de 1966
e bispo a 9 de Dezembro de 1996
No lote de cardeais da Ásia, o actual arcebispo de Hong Kong é uma figura preponderante.

John Tong Hon é um homem que tem demonstrado considerável coragem ao denunciar abertamente o regime chinês, sobretudo pela forma como restringe a liberdade dos seus cidadãos e, especialmente, os cristãos.

É muito crítico não só do regime como dos padres e bispos que aceitam participar nas associações criadas pelo regime para tentar controlar os católicos e removê-los da esfera de influência do Vaticano.

Apesar disto o cardeal não se tem ficado apenas pelas críticas e várias vezes tem insistido no desejo de ser um ponte entre Roma e a Igreja chinesa, oferecendo-se para contribuir para a formação do clero chinês, entre outras coisas.

Esta sua coragem, a que se associa uma inteligência invulgar e algum carisma pessoal, têm contribuído para elevar o seu perfil no Colégio dos Cardeais. Contudo, a sua eleição poderia ser vista como um pau de dois bicos. Por um lado seria um enorme encorajamento para os católicos chineses que não vacilam na sua fidelidade a Roma e um sinal interessante para todo o mundo que não é tradicionalmente cristão, mas por outro poderia funcionar mais como obstáculo do que como ponte para com o regime chinês, com o qual a Santa Sé está a tentar estabelecer relações.

Para além de todo o seu trabalho eclesiástico, o cardeal é também um desportista e adepto de basquetebol, que pratica sempre que possível.

Tem pelo menos um livro publicado em português: “Desafios e Esperança: Histórias da Igreja Católica na China”, uma edição da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, com apoio da Renascença.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Milagre em Caxinas, birra em Pequim

Já está a ganhar contornos de milagre natalício. A provar que as notícias não são só desgraças, foram encontrados vivos os tripulantes do barco “Virgem do Sameiro”. O pároco de Caxinas confirma que é “uma grande graça” e diz que estão a preparar uma missa de acção de graças.

Na China o Governo tentou mostrar ao Vaticano quem manda. Depois de Pequim e o Roma terem acordado na nomeação de um novo bispo, os chineses insistiram que este fosse ordenado por um bispo “do Governo”. A situação é complicada, claro, vejam melhor aqui.


Por fim, divulgo um evento meritório. Concerto solidário para ajudar a Associação Vale de Acór. Vejam aqui os detalhes.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Cardeal em greve de fome e padre com pena suspensa


Estamos a pouco mais de uma semana do encontro inter-religioso de Assis e já foi divulgada a lista de participantes. Muitos recordarão que o então Cardeal Ratzinger foi muito crítico do encontro original de 1986. Então porque é que vai e o que podemos esperar?
Não é todos os dias que um cardeal entra em greve de fome. Durante os próximos três dias o Cardeal Joseph Zen, bispo emérito de Hong Kong (na imagem), vai viver à base de água e a comunhão diária. Saiba porquê.
O recém-consagrado bispo de Bragança – Miranda afirma que a sua diocese será particularmente atingida pelas medidas de austeridade.
Lembram-se do padre de Boticas que foi apanhado com um arsenal em casa? Apanhou três anos de pena suspensa.
Finalmente, se tem dúvidas vocacionais e um iPhone, experimente o novo “Vocations App” lançado pela Igreja irlandesa.

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