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terça-feira, 6 de março de 2018

ONU reconhece AIS, mas DIL não reconhece ONU

D. Ilídio Leandro diz que já fostes...
A ONU reconhece o papel da fundação Ajuda à Igreja que Sofre na ajuda aos cristãos no Iraque.

Não obstante, o bispo de Viseu diz que a ONU já deu o que tinha a dar e deve ser substituída por outra organização.


Vai em peregrinação nos próximos tempos? Já existe um manual para se alimentar correctamente.

Já aqui falámos da portuguesa que foi educar refugiados no Chade. Agora Joana Gomes vai a Roma dar testemunho do trabalho que faz.

Em 2010 publiquei uma série de reportagens para o ano Sacerdotal. Foram 12 entrevistas a 12 padres diferentes, de outras tantas áreas pastorais. O padre Dâmaso foi um deles, e é o segundo a morrer. Tal como fiz com o padre Ricardo Neves, publico agora, e pela primeira vez, a transcrição integral dessa conversa com o bom padre Dâmaso.

E porque continua a circular um alerta falso sobre perseguição aos cristãos iraquianos da cidade de Qaraqosh, leiam este post e partilhem-no com quem vos tenha enviado a tal mensagem! Não vale tudo…

segunda-feira, 5 de março de 2018

"Ser padre é tão fantástico!"

Em 2009 e 2010, Ano Sacerdotal, fiz uma série de reportagens sobre padres de diferentes áreas pastorais, a que chamei "Vidas Consagradas". Desde essa altura morreram já dois desses padres, o padre Ricardo Neves e o padre Dâmaso, agora em Fevereiro. Na verdade, o padre Saul também morreu, mas no caso dele - o único padre católico casado em Portugal - a entrevista foi precisamente com a mulher dele e a Dª Maria Fernanda ainda está connosco!

Tal como fiz com o padre Ricardo, por ocasião da morte do padre Dâmaso publico agora a transcrição completa da conversa que deu origem à reportagem. Foi uma honra para mim fazer a entrevista, é uma honra poder partilhá-la convosco.


Nasceu na Holanda, sempre quis ser padre?
Eu senti-me muito cedo atraído por Deus, muito cedo. Vivíamos numa casa grande e eu e os meus dois irmãos tínhamos o quarto no segundo andar. Muitas vezes quando era rapaz ia para cima para rezar. A minha mãe ia à minha procura e perguntava o que é que eu estava a fazer e eu respondia que estava a rezar.

Senti-me muito atraído por Deus. Ia todos os dias à missa. Fiz-me acólito bastante cedo. Foi tudo muito natural, ninguém me empurrou, fui eu. Eu procurei isto tudo. Tem muita piada. Fiz a minha primeira comunhão com 7 anos de idade e praticamente desde esse dia até hoje, comunguei todos os dias. Eu vivia Jesus, vivia Deus. Por isso em 42, durante a 2ª Guerra Mundial comecei a pensar em ir para o seminário. Não pude ir logo porque nessa altura os quartéis eram bombardeados e eles ocupavam os seminários como quartéis, e então os seminários eram bombardeados e eles ocupavam outras coisas.

Mas comecei a ter uma orientação. Através dos sacerdotes da minha congregação que estavam lá perto. Havia vários padres que deviam ir para as missões mas não podiam, e interessavam-se por estes jovens que queriam ser padres mas não podiam ainda ir para o seminário.

Depois da guerra fui para o seminário e quis ser sacerdote e religioso. Quis consagrar realmente a minha vida a Deus.

Como era a vida nessa altura da Segunda Guerra Mundial?
Os rapazes da paróquia iam buscar lenha para os doentes e para os idosos, porque os alemães ficavam com o carvão todos. Era tudo muito miserável, mas vivíamos nisto e tentávamos ajudar.

Depois no último ano da guerra não havia mesmo nada para comer. Então os alemães, na sua “generosidade fantástica” começaram a oferecer comida aos holandeses. Era considerado tão ridículo. Aquela sopa que ofereciam era 99,9% de água, e não alimentava rigorosamente nada. Mas a gente não tinha nada e por isso aproveitávamos.

Como é que se começou a envolver na pastoral prisional?
Eu não queria ser pároco. Por acaso o Cardeal Cerejeira gostou muito de mim. Em 61 ele disse-me: “Oh Padre Dâmaso, eu gosto muito de si, só falta uma coisa na sua vida, que é ser português”, então eu perguntei se ele gostaria que eu me naturalizasse e ele disse que sim, que gostava muito. Ele queria-me prender à diocese. E então eu fiz isso. Eu fazia tudo o que o Cardeal queria. Viva com uma disponibilidade total, era a minha vida.

Queria dedicar-me aos necessitados. Queria ir para as missões, mas o cardeal tinha pedido mais uns padres holandeses para as missões populares, então o meu superior pediu-me para vir para Portugal e eu aceitei.

Em 69 fui convidado para fazer umas conferências na prisão de Tires. Tiveram um certo impacto e então pediram-me para fazer conferências noutras cadeias. E eu senti nisto um chamamento de Deus para me dedicar aos presos. O Cardeal não queria, achava que eu tinha qualidades para outras coisas, mas eu quis. Comecei por ser visitador voluntário. Este ano faz 50 anos que entrei numa cadeia pela primeira vez.

O que e que me movia? Movia-me dar a minha vida por gente que sofria, mais nada. Não sabia nada de presos, nada daquele mundo, ainda pensei em tirar um curso de psicologia, para me dedicar mais aos presos, mas não o fiz porque tinha matemática e eu detestava matemática. Mas os anos ensinaram-me muito, trabalhar uns anos na cadeia como sacerdote já dá um curso de psicologia.

Comecei por ser visitador no Linhó, porque aquele director ficou muito meu amigo, e também na penitenciária em Lisboa, que agora é cadeia de preventivos. Mas naquele tempo eram as duas cadeias principais desta zona. Linhó era de penas curtas, para homens, e a penitenciária era para penas mais longas.

Alcoentre era para gente da província, gente que tinha morto o vizinho por causa de uma galinha, ou um pedaço de terra. Homens bons. Era uma espécie de preso totalmente diferente.

Trabalhar com os presos é uma vocação?
Estou convencido que sim. Quem não tem vocação não deve lá ir.

Gratificante ou desgastante, como descreveria este trabalho?
Não é fácil. Mas é gratificante, para quem se quer dar, para quem quer fazer da sua vida dádiva. Também tem alguns momentos muito bons, em que damos graças a Deus, mas no princípio, é preciso meter-se no mundo dos presos. E para se meter no mundo dos presos é preciso renunciar a nós mesmos. Eu no princípio não fazia isto. Às vezes ia a sair da cadeia e mandava tudo aquilo para detrás das costas. Mas depois compreendi que não eram eles que tinham que mudar, eu tinha que mudar, eu tinha que me dar, sem procurar os meus próprios interesses, a minha própria vida. Eu tentei crescer nisto.

Já se encontrou em situações de perigo alguma vez?
Não. Perigo propriamente não. Tivemos muitos problemas e muitas dificuldades depois do 25 de Abril. Não logo, mas depois por uma política errada do Ministério de Justiça que prometeu uma amnistia mas que demorou muito tempo e os presos ficaram cada vez mais nervosos e por isso tivemos problemas. Houve dias que eu dizia ao guarda: “Eu vou entrar na parte prisional, se passado uma hora e meia não tiver saído, entrem à minha procura”. Podíamos entrar, mas não sabíamos se íamos sair.
Tive outro problema, quando um preso me bateu, mas logo os outros vieram para me defender. Não foi assim tão grave.

Assistiu a histórias de conversão?
Há conversões. Muitas vezes não vemos estas conversões, há conversões que às vezes ouvimos anos depois. O ano passado encontrei na rua um homem bem vestido com dois filhos pequenos e ele cumprimentou-me, eu disse que não o conhecia, mas ele disse que tinha estado no Linhó quatro anos no fim dos anos 60 e depois disse aos filhos: “Este é o padre da cadeia onde o pai esteve”, ele não se importou que os filhos soubessem que o pai tinha estado preso. Era um homem totalmente recuperado. E ele disse-me: “O senhor nunca soube, mas marcou-me profundamente. O senhor e o que fazia na cadeia. Por isso, embora muito tarde, quero agradecer-lhe pelo que fez por mim, porque você que me marcou naqueles quatro anos.”

Tenho muitos encontros destes. Homens que mais tarde me falam e dizem “o senhor significou muito para mim, foi isto, foi aquilo”, homens que vinham à missa ou não, mas eu convivia com os presos, como ainda convivo com os presos. Talvez haja mais conversões do que sabemos.

Há homens que encontraram alguma coisa na minha maneira de ser, outros não. Também há muitos que não se converteram. Mas estou convencido que um capelão marca muito a vida de uma cadeia, um capelão que se dedica. Eu vou muitas vezes aos pátios no Domingo à tarde para estar com os rapazes, porque a cadeia do Linhó é para jovens. E um tipo veio ter comigo e disse: “Sabe capelão, quando o senhor vem ter connosco, nós sentimo-nos mais valorizados”, a minha presença tem um certo impacto para eles.

Qual é o papel de um padre numa prisão?
Celebro missa. Antigamente tinha muita gente, antes do 25 de Abril era mais de 50%, depois diminuiu. Hoje são poucos, mas os rapazes cá fora também não vão à missa.

Mas naquele momento que celebro a missa Deus é o centro da cadeia. Vivo isto muito intensamente, naquele momento é Jesus Cristo que enche a cadeia, não só aquela sala, mas toda a cadeia com a sua presença. Isto é a eucaristia na cadeia, por isso para mim é muito importante. Celebro sempre a missa na cadeia com o cálice que os meus pais me ofereceram. Porque eu recebi tudo dos meus pais, a educação, a bondade, a minha mãe foi uma pessoa que também se deu pelos pobres e necessitados. Na Holanda os pais não mandam os filhos para a Igreja como fazem aqui. Nunca fui mandado para a Igreja. Os meus pais apoiavam-me, no fundo, mas não queriam obrigar-me.

Falo muitas vezes com a minha irmã mais velha e digo-lhe: “Eu sou o sacerdote mais feliz do mundo” e eu vivo muito isto.

A ideia que se tem é de que os reclusos tendem a recusar a responsabilidade pelos seus actos, como Padre pode ajudar nesse sentido?
Quando eu falo com um preso digo, “eu não sei se fizeste mal ou não. Isso é contigo”. Às vezes contam-me, outras vezes até me contam outras coisas más que fizeram, mas pelas quais nunca foram apanhados. Fazem-no para aliviar a consciência, não confessam, mas contam.

A nossa presença, o exemplo, a maneira de falar… eu procuro animar aquela gente, que eles vejam que estão numa cadeia, e uma cadeia é um não mundo, e eles podiam ter uma outra vida.

Procuro abrir-lhes os olhos, para eles pensarem. Eu não imponho nada, mas ajudo a que eles pensem e vejam a sua miséria, para que vejam as possibilidades de uma vida diferente. A este respeito não tenho resultados concretos muitas vezes, mas sei que tenho resultados. Nós padres, na cadeia não nos devemos impor. Nós acompanhamos, somos guias, temos uma missão. Eu trabalho muito com os educadores, falamos muito sobre determinados reclusos que me preocupam. Falo com os educadores o que é que podemos fazer por estes rapazes, por aquele homem? É este o espírito. Não ando à procura de resultados concretos.

Qual é a sua liberdade na cadeia? Pode estar à vontade com os presos?
Total! Total! Eu já faço parte daquela cadeia, estou lá há quase 50 anos, sou prata da casa. Estou lá há mais tempo que os guardas, sou o mais velho. Fui 6 anos visitador voluntário, mas nessa altura o capelão não gostava de o ser, e por isso quando tinha os domingos livres ia lá celebrar. Por isso já tive bastante influência, mesmo naqueles anos em que era visitador. Depois, em 66 o cardeal cedeu e nomeou-me para capelão para o Linhó.

Comecei a trabalhar, tenho liberdade de acção. Até fiz, durante muitos anos, parte do concelho técnico. Estive metido nas deliberações sobre os reclusos, e foi um trabalhão. Mas nessa altura eu dedicava grande parte da minha vida às cadeias, e era maravilhoso.

Fazia teatro e jogos com os reclusos. Naquele tempo podia-me dedicar mais. Depois fui nomeado capelão chefe e a minha vida mudou porque já não me podia dedicar tanto. Eu tenho acesso às celas disciplinares, a tudo.

É fácil celebrar missa e confessar? E outros sacramentos? Já baptizou ou crismou na cadeia?
Sim. Não o faço com facilidade. Quando um adulto quer ser baptizado tem de se comprometer a ser cristão. De outra maneira estamos a brincar. Por isso o rapaz tem de demonstrar que tem boa vontade e que quer ser cristão. Isso não é fácil. Mesmo assim tenho tido alguns fracassos… Mas há boas surpresas. Ainda há pouco tempo baptizei um rapaz, é maravilhoso aquele rapaz, ele não é muito inteligente mas é muito bom. Estou convencido que foi uma festa para ele e para os visitadores, foi muito bom.

Fale-nos de O Companheiro?
Eu a certa altura, em 66 fui à zona prisional da PJ para falar com um preso. Mas essa cadeia não era da Direcção Geral dos Serviços Prisionais, era da PJ e por isso não tinha previsto assistência religiosa. E os presos ficavam lá muito poucos dias, e depois iam para o Limoeiro.

Naquele tempo não havia muitos presos porque ainda não era o tempo da droga, isso só começou no fim dos anos 60 e princípio dos anos 70. Eu fui lá visitar um homem e havia só guardas e um inspector da PJ que era director. Não havia mais gente. Fui cumprimentar o inspector e ele achou graça a um padre que trabalhava nas cadeias, e disse: “Porque é que o senhor não vem cá mais vezes” e eu comecei a ir, uma manhã por semana, faço-o até agora. Nunca ganhei nem um centavo, vou voluntariamente, mas é bom. Estão lá aqueles que foram presos há poucos dias. Sentem-se um bocado perdidos no meio de certos presos, há lá muita malandragem também. Mas também há gente com cultura, temos lá um banqueiro neste momento, tivemos lá os da Universidade Moderna também, e esta gente anda lá perdida no meio daquele ambiente. Estou convencido que a minha presença é muito importante. É uma presença totalmente diferente do que numa cadeia de condenados, também o ambiente é totalmente diferente. Eles estão a dar os primeiros passos no mundo terrível das cadeias. E eu procuro ser uma presença positiva junto deles.

Mas havia lá rapazes que eu já tinha conhecido de outra cadeias. E eles diziam-me “ninguém nos ajudou!” e eu fundei o companheiro precisamente para presos em dificuldade, e ex-reclusos em dificuldade, para que eles pudesse contar com ajuda, e contar com trabalho, durante algum tempo enquanto procurem uma coisa melhor. Procuramos ajudar todos os ex-reclusos em dificuldade, e também outros. Eu nunca quis que nos estatutos estivesse ex-reclusos para que as pessoas lá à volta não pensassem que só lá estavam ex-reclusos. E isto funciona.

Gosto imenso daquilo, porque é muito importante, conseguimos que certas pessoas não voltassem para a cadeia. Ao mesmo tempo, presos que não têm para onde ir numa precária, podem vir ter connosco. Também damos hospedagem a reclusos em precárias. E também ajudamos em outras coisas, tentamos ser uma presença de ajuda para pessoas em necessidade.

E prisões femininas?
Fui quase seis anos capelão em Tires. A mulher é completamente diferente do homem, as mulheres não nasceram para ser presas. O homem adapta-se mais facilmente que as mulheres. Antes do 25 de Abril havia lá mais prostitutas e esse tipo de mulheres. Actualmente temos em Tires umas 25 nacionalidades, sobretudo por causa da droga, e temos mulheres que matam o marido. E isto para mim é uma tristeza, porque muitas das mulheres que matam o marido já passaram por uma Via-sacra, por muitas humilhações, muitos problemas. Tenho uma ternura por estas senhoras. Elas aceitam, porque mataram o seu marido, mas no fundo não estão arrependidas. Porque sofreram tanto dos seus homens… isto é completamente diferente dos homens que matam as suas mulheres. Pode haver excepções, mas normalmente é totalmente diferente. Acontece principalmente na província. Porque estas mulheres passaram por tantos sofrimentos, tantos castigos, tantas pancadarias, é impressionante. Às vezes há pessoas da família que me contam que de facto compreendem o que aquela mulher sofreu, mas pronto, a lei é para cumprir, eu não vou discutir isso, mas acho que deviam estar pouco tempo na cadeia, porque a cadeia em si não resolve nada. Estas mulheres já estão recuperadas porque o marido morreu…

Mas foi bom ter estado uns anos com mulheres, foi bom abriu-me o mundo das mulheres nas cadeias, e completou a minha formação geral para lidar com presos e com presas. Ainda há mulheres que me procuram, que já estão em liberdade mas que têm necessidades, principalmente mulheres daquele tempo, mas também, mulheres que me ouvem na Rádio Renascença, por isso ainda tenho contactos com mulheres. Normalmente são contactos diferentes do que com os homens. Os problemas são diferentes, precisam mais de uma palavra de ânimo, precisam de apoio, porque se sentem sós, não compreendidas pelos filhos, por exemplo.

As principais figuras do cristianismo passaram pela prisão, fala disso aos presos?
Sim, mas a motivação deles é muito diferente, e eles sabem isso. Não posso usar isso demasiadamente, porque é outro mundo, é outra motivação. Para mim, o meu contacto com os presos, principalmente aos sábados de manhã temos uma reunião informal com presos, à qual vão alguns visitadores, é o Evangelho. Eu vivo Jesus Cristo muito intensamente, tenho vivido sempre ao longo da vida, é ele que procura comunicar. Jesus Cristo que compreende, que perdoa, que quer salvar, que nos quer fazer homens novos. Em volta de Jesus Cristo podemos comunicar muito aos reclusos.

O que é para si ser Padre?
É felicidade, é gratidão. É tão fantástico. Não tenho palavras. Ser padre é… é tudo. Ser Padre, viver a consagração… todos os dias eu posso viver a consagração. Jesus ofereceu a sua vida, isto é o meu corpo entregue por vós, este é o meu sangue derramado por vós. Eu vivo de manhã para a consagração e o resto do dia vivo a partir da consagração. Ser padre é a consagração da Eucaristia. É maravilhoso, é tudo.

Veja também


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Guarda & Suíça

Coach
O Santo Sepulcro reabriu esta quarta-feira, após a intervenção do primeiro-ministro de Israel. Situação resolvida, por enquanto.

Dezenas de freiras, padres e até um bispo foram detidos ontem em Washington. Correu tudo bem, portanto.

Leia a história de uma freira das Irmãs da Caridade que foi roubada e esfaqueada, mas perdoa os criminosos.

O Papa pediu hoje, novamente, orações pela Síria, no dia em que se soube que em Junho vai à Suíça, também por causa da Síria. Conheça também os dois livros com os quais Francisco colaborou e que saem em breve.

Sabe como descontraem os padres da Guarda? A jogar futebol, como tantos outros homens… Ainda assim, não perca esta divertida reportagem de Liliana Carona com os padres que “não jogam grande coisa”, mas são campeões do fairplay.

Aproveito para partilhar convosco a última oração escrita pelo padre Dâmaso.

Hoje é dia de artigo do The Catholic Thing. Pela primeira vez publicamos um artigo de Nicholas Senz, que se insurge contra as pessoas que insistem em ver a Igreja pela lente das disputas políticas.

A última oração escrita pelo padre Dâmaso

Hoje na Renascença houve missa de 7º dia pelo padre Dâmaso.

A capela estava cheia, o que foi a melhor homenagem que se lhe poderia ter feito!

No final da missa leu-se a última oração escrita pelo padre Dâmaso, na véspera da sua morte.

É uma oração simples e despretensiosa. Como ele, não é a sua profundidade teológica que nos atrai, mas sim a sua transparência e proximidade de Deus.

Partilho:

"Louvo a Deus, a Ele me entrego, o brilho da Sua luz me guie junto a Ti. 

O reflexo da palavra de Jesus deu valor e significado à minha vida e deu-me muita felicidade em todo o tempo da minha existência.

Louvamos e pedimos perdão a Nossa Senhora, que continua a fazer parte da humanidade.

Maria muda-nos a vida para Deus.

Muda-nos também a oração de coração. Esta deixa-nos viver para Deus."

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Actualidade Religiosa: Mais memórias do padre Dâmaso e Missão País

Antes de prosseguir, para quem estiver interessado, o corpo do padre Dâmaso está agora em câmara ardente na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, e o funeral realiza-se amanhã, sábado ás 10h30.

Desde o mail de ontem mais pessoas quiseram partilhar memórias e homenagens ao bom padre. Marcelo Rebelo de Sousa publicou hoje uma nota, um ex-recluso recorda como a sua vida mudou por causa dele, o presidente do Conselho de Gerência da Renascença, padre Américo Aguiar escreve aqui e o seu antecessor padre João Aguiar Campos aqui. Não percam ainda estas memórias de outros que trabalharam com ele.

As minhas memórias, caso ainda não tenham lido, encontram-se aqui.

Hoje temos ainda uma reportagem sobre a Missão País, um dos maiores tesouros que a Igreja portuguesa tem para oferecer ao mundo.


Morreu o padre Dâmaso Lambers

Morreu o padre Dâmaso, o bom e santo padre Dâmaso. Estou com saudades, mas não caibo em mim de alegria por saber que ele agora está junto do seu bom amigo Jesus.

Leiam aqui o obituário que eu lhe fiz e aqui a entrevista de vida que a Marta Grosso lhe fez recentemente e a homenagem que a directora de informação, Graça Franco, lhe deixa aqui.

Para mim o padre Dâmaso desempenhou um papel especial. Para uma pessoa como eu, que se tem em tão boa conta, faz maravilhas conviver semanalmente com um santo que aparentemente nunca fazia ideia quem eu era

Obrigado meu querido santo padre Dâmaso.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Morreu o padre Dâmaso, um homem santo

O padre Dâmaso e o meu avô, Francis Stilwell
Dois dos santos que tive a sorte de conhecer
Tenho o privilégio de conhecer muitos bons homens e mulheres, incluindo muitos e bons padres, mas são poucos aqueles sobre cuja santidade não tenho dúvidas. O padre Dâmaso era um deles.

A paixão dele por Cristo era aterradora. Era homem para se irritar às vezes, para mandar uma ou outra “atordoada” do ponto de vista teológico, pois era sobretudo um homem da pastoral, mas a forma como brilhava quando falava de Jesus não enganava. Não era só a boca que sorria, era todo o seu corpo, o seu imponente corpo!

Quando fiz a série de reportagens “Vidas Consagradas” para o ano sacerdotal fiz-lhe uma entrevista de fundo. Falou da guerra, dos anos em família numa Holanda ocupada, da relutância com que veio para Portugal e da forma como se tinha apaixonado não só por este país mas por este povo, sobretudo pelos mais pobres e mais fracos.

Poucos anos depois um amigo meu acabou por ir para à penitenciária da PJ, onde o padre Dâmaso era capelão. Foi através dele que enviávamos todas as semanas as cartas que ajudavam a animar o H e pedi ao padre Dâmaso que o procurasse e acompanhasse, coisa que fez imediatamente.

Quando me viu de novo disse-me que o meu amigo era claramente um bom homem. Eram poucos os homens e as mulheres em quem o padre Dâmaso não via bondade.

Celebrava missa todas as semanas na Renascença, e sempre que cá estava eu ia. Normalmente fazia a primeira leitura. Certa vez li a narração do combate entre David e Golias. Ainda hoje esse relato me deixa com os pelos em pé. A fé do jovem David, o seu zelo por Deus, a confiança total no seu senhor e a épica vitória sobre o gigante… Sentei-me à espera da homilia e ouvi o padre Dâmaso dizer simplesmente. “Esta primeira leitura… Mortes, lutas… Deus não é isto. Não vou falar disto”. Só me podia rir por dentro.

Porque uma das vertentes engraçadas sobre a minha relação com o padre Dâmaso era a sua capacidade involuntária de me colocar no meu lugar. Sendo dos poucos que ia à missa na Renascença, sendo neto de grandes amigos dele, estava sempre à espera que ele me desse uma atenção especial. Mas como eu o apanhei numa fase da vida em que as memórias recentes são mais fracas, a verdade é que cada vez que o revia, sobretudo nestes últimos anos, e não obstante o seu sorriso sempre presente, tenho quase a certeza que ele não fazia a menor ideia quem eu era. E para uma pessoa como eu, que se tem em muita conta, não há melhor remédio que nos cruzarmos com um santo que não faz a menor ideia quem nós somos.

O padre Dâmaso foi um homem que se deixou consumir inteiramente por amor. Todo ele era de Deus e para Deus. De manhã vivia para a Eucaristia e à tarde vivia a partir da Eucaristia. A santidade é isso e ao pé disso eu nada sou, de facto. Mas é isso que quero ser. Ele mostrou-me que é possível.

Que privilégio poder dizer que este grande homem não fazia ideia quem eu sou.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Pokémons, freiras e submarinos

Koffing, o Pokémon que o museu do Holocausto não quer ver
Se ainda não ouviu falar do jogo “Pokémon Go”, esse privilégio não vai durar muito mais. O jogo está a ser um fenómeno incrível e a pôr muita gente a fazer figuras parvas. No topo dessa lista estão os que acham giro jogar em pleno Museu do Holocausto

D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa, foi nomeado para um cargo no Vaticano, ligado às comunicações sociais, mas que não implicará deixar o Patriarcado de Lisboa.

Esta quarta-feira foi feita uma bela e muito justa homenagem da Renascença ao padre Dâmaso Lambers. Eu tive a honra de estar presente, mas vocês também podem ver as imagens do que se passou.

Imagine que os sermões dominicais das igrejas eram todos escritos por um secretário-de-estado qualquer, com a ajuda de um padre amigo do Governo. Ridículo, certo? Mas é mais ou menos isso que vai acontecer nas mesquitas do Egipto, à imagem do que já se passa na Turquia.

Hoje é quarta-feira e temos um novo artigo do The Catholic Thing. Michael Baruzzini conta-nos o episódio da freira que salvou a tripulação de um submarino… Vale muito a pena conhecer!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Sugestões para o Natal

Se é daquelas pessoas que todos os anos fica sem ideias para presentes de Natal, precisamente nas últimas semanas antes da data, aqui ficam algumas dicas da Actualidade Religiosa. Cada dia divulgarei mais uma dica.

1. Que Fazes Aí Fechada
Sim, sou mesmo tão desenvergonhado que começo por sugerir um livro da minha autoria. Mas faço-o sem problemas de consciência porque, como já disse várias vezes, este livro não vive de mim, mas sim das histórias fantásticas das entrevistadas.

Ao longo de oito conversas com freiras ou monjas de diferentes ordens e congregações, desfazem-se vários mitos sobre a vida consagrada. Desde a cantora de jazz que faz um esforço para não sofrer pelo Benfica num convento de clausura, no Alentejo, até à rapariga de Viseu cujo pai queria que assumisse a exploração agrícola, mas agora dedica a vida ao trabalho com prostitutas e a combater o tráfico humano.

Há ainda a história da freira cujo pai deixou de praticar quando ela disse que ia para o convento, a dominicana albanesa que cresceu a pensar que os padres e as missas eram coisas do tempo dos contos de fadas e o fantástico prólogo de Maria João Avillez, cuja filha se tornou carmelita e que fala do assunto de uma perspectiva muito diferente, de matriarca de uma família que ainda luta por aceitar essa decisão.

O livro é da Aletheia e custa cerca de 15 euros. Pode ser adquirido nas principais livrarias ou encomendado do site da editora.


2. O Meu Deus é um Deus Ferido
Este livro é da autoria do padre checo Tomás Halík. Recebi-o há alguns meses da editora Paulinas e logo na altura despertou-me a atenção, mas acabou por ir parar a uma prateleira e só peguei nele novamente há duas semanas. Foi preciso pouco para ficar fã.

Halík faz uma leitura da passagem do Evangelho em que São Tomé duvida da ressurreição de Jesus e explora o significado de Cristo lhe ter mostrado as chagas, de Cristo, mesmo ressuscitado, continuar a ter chagas, concluindo que é através da identificação com as chagas dos mundo, dos pobres e dos oprimidos, nos vários sentidos da palavra, que nos salvamos.

Trata-se de um autor que foi ordenado sacerdote na clandestinidade, durante o regime comunista, e que sofreu perseguições mas agora é um perito em diálogo intercultural e inter-religioso. Um livro, sem dúvida, a não perder.

Não é uma obra leve, mas também não é preciso ter um curso de teologia para o ler, e custa € 14,90 no site das Paulinas.


3. Uma Vida de Doação – Padre Dâmaso Lambers
Há vários anos que estou a trabalhar na Renascença e tem acontecido muita coisa boa. Mas um dos maiores privilégios que sinto que tenho tido é ter conhecido e poder acompanhar, pelo menos semanalmente, o padre Dâmaso. Em 2010 entrevistei-o para a série “Vidas Consagradas” e fiquei fascinado com a sua história.

Agora todos podem conhecer a vida do padre Dâmaso. Dedicou a vida aos reclusos; sobreviveu à Segunda Guerra Mundial; diz, com naturalidade, que foram poucos os dias que não comungou desde criança e, acima de tudo, é profundamente apaixonado por Jesus.

“Jesus é fantástico” é a expressão que mais se ouve da sua boca. Tudo isso transparece neste livro tremendamente simples e tremendamente inspirador.

A edição é das Paulinas e, no site, custa 10 euros.


4. Artesanato da Terra Santa
Tempos houve em que um em cada cinco palestinianos era cristão, mas com o passar dos anos e devido ao conflito interminável e o aumento do clima de perseguição aos cristãos por parte de movimentos islâmicos fundamentalistas, esta percentagem tem diminuído drasticamente.

Ainda assim, alguns permanecem e sobretudo na zona de Belém ganham a vida muito à custa do turismo e da vende de artigos de artesanato religioso, esculpido em madeira de oliveira.

À imagem do que se passou noutros anos, este Natal encontram-se em Portugal alguns membros dessa comunidade para vender esses artigos. É uma forma de ajudar directamente os cristãos da Terra Santa a enfrentar as dificuldades diárias e as peças, para além de serem de boa qualidade, são muito bonitas.

Em Lisboa é possível encontrar estes artigos à entrada da Basílica dos Mártires, no Chiado.

5. Fiat Lux
O número especial da Invennire, publicação do secretariado dos Bens Culturais da Igreja, é de um beleza de cortar a respiração.

Ao longo de 130 páginas, pode encontrar aqui imagens de altíssima qualidade de algumas das mais bonitas iluminuras feitas em Portugal.

A revista está esgotada na loja online, mas encontra-se à venda em vários locais, incluindo na Férin, em Lisboa, ou na Voz Portucalense do Porto, Museu de Arte Sacra e Etnologia de Fátima ou no Museu Diocesano de Santarém, entre outros.

Claro que a palavra "revista" é pouco para caracterizar uma obra destas, que tem tanta ou mais qualidade que muitos livros. O preço reflecte isso, 18 euros, mas vale cada cêntimo, sobretudo se o destinatário for um apreciador de arte.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Santo Sudário de Turim e Natal em tempo de guerra

Hoje começa o Hanukah, para os judeus. Saiba aqui do que é que se trata.

De tempos a tempos fala-se do Sudário de Turim, um dos artefactos mais polémicos do universo católico. Agora temos um grupo de cientistas italianos a dizer que é impossível que o Sudário seja uma falsificação medieval, como alguns críticos afirmam.

Fala-se muito no facto deste Natal ser passado em crise. Querem saber o que era passar o Natal numa verdadeira crise? Ouçam e leiam o testemunho do padre Dâmaso Lambers.

Os índios nativos da América vão ter a sua primeira santa. Kateri Tekakwitha deve ser elevada aos altares já em 2012.

Mensagens de Natal dos bispos: ontem foram divulgados os de Lisboa e do Porto.

A crise tem feito aumentar os pedidos de ajuda às paróquias, em muitas já há lista de espera.

E finalmente, a Rússia poderá banir o Bhagavad Gita, livro sagrada para os hindus. Os indianos não estão contentes…

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