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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Europa mais coesa tem menos medo

Monsenhor Duarte da Cunha é o entrevistado desta sexta-feira pela Renascença e pela Ecclesia. O tema é a Europa e o seu futuro, em mês de europeias. Só mais coesão social é que pode evitar que a Europa se sinta ameaçada pelas migrações, diz.

Por falar em migrações, o Papa Francisco doou 100 mil euros à Cáritas da Grécia para os apoiar.

Está a caminho de Fátima ou sabe de quem esteja? O Santuário mudou o local de acolhimento de peregrinos.

Vai decorrer um curso no Movimento de Defesa da Vida sobre “Sexualidade e Parentalidade Responsável”. Ainda há vagas. Se tem interesse nestes assuntos, seja pessoalmente, em casal ou por trabalhar na área da saúde, não deixe de se inscrever, porque vai valer a pena.


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Transgénero: Quando a verdade se torna punível por lei

Matthew Hanley
E se eu lhe dissesse que não existem bases científicas para definir o género com base em genética, anatomia ou órgãos genitais? Ficaria convencido, ou achava-me louco?

Porém, essa é a opinião expressa na revista “Nature”, encarada há muito tempo como uma publicação científica fiável. Agora, baniram a classificação de macho e fêmea, descrevendo-a como “uma ideia terrível que deve ser eliminada” uma vez que ameaça “desfazer décadas de progresso” da ideia de que o sexo e o género são apenas “construções sociais”. Poder-se-ia pensar que a “Nature” estaria preocupada em criar problemas de credibilidade, mas não têm de se preocupar, pois as mentiras colossais estão na ordem do dia. 

No que diz respeito à “discrepância entre o género e o sexo que consta da certidão de nascimento”, a “Nature” elogia a Academia Americana de Pediatria por aconselhar os médicos a “tratar as pessoas de acordo com o seu género escolhido, independentemente da aparência ou da genética”. Temos aqui os pediatras apostados na apologia do transgénero: sem dúvida uma marca de uma cultura que fez as suas pazes com o desprezo pelas crianças, pela ciência e pela natureza humana.

Entretanto a Associação Americana de Psicologia (APA) emitiu orientações avisando para o perigo de abraçar o conceito de “masculinidade tradicional”. Mas se nos fiarmos na APA, então porque é que as autoridades médicas haviam de encorajar uma mulher a tornar-se homem? Ao que parece a abordagem reinante é de levar as mulheres com perturbações a sujeitar-se a cirurgia de mudança de sexo – um acto de mutilação – para adquirir uma aparência externa pouco convincente, mas também de as encorajar, daí em diante, a desdenhar todos os traços prejudiciais associados com a masculinidade.

Há outra contradição que é frequentemente ignorada: se a transição de um sexo para outro é algo que devemos abraçar com tanto entusiasmo, como um bem a facilitar devido à nossa apreciação iluminada da “fluidez” de género, porque é que existem obstáculos a abordagens legítimas para ajudar pessoas a deixar a homossexualidade?

Embora o fenómeno seja ainda raro, tem havido um crescimento no número de casos de identificação transgénero em anos recentes – às vezes em grupo e aparentemente do nada. Tornar-se transgénero já não convida ao gozo mas até, nalguns casos, é uma forma de aumentar a popularidade entre os pares. Dizê-lo em nada menoriza o verdadeiro sofrimento que alguns adolescentes sentem, de forma aguda, mas que tendem a ultrapassar com o passar do tempo.

O senso comum sugere que o pico de casos de transgénero se deve ao Zeitgeist, contra a qual a classe médica, de forma particular, deve estar atenta. Em vez disso tornou-se cúmplice da sua emergência.

Dizemos a nós mesmos que vivemos num país livre. Ninguém está a “forçar” ninguém a promover a falsidade de que um homem se pode tornar uma mulher, ou vice-versa. Mas só porque não vivemos na China Maoísta, não significa que uma forma da sua Revolução Cultural não tenha vindo aqui parar.

Que o diga Anastasia Lin, que saiu da China aos 13 anos e agora vive no Canadá. Escrevendo recentemente no Wall Street Journal, ela aponta o dedo ao objetivo final das turbas politicamente corretas: “O objectivo não é persuadir ou debater; é humilhar o alvo e intimidar todos os outros. O objectivo final é destruir todo o pensamento independente.”

Esperemos apenas que todo o extremismo que vai explodindo ao nosso redor possa ajudar mais pessoas a compreender que o alvo neste caso, tal como com a revolução sexual em termos mais gerais, é o próprio Cristianismo, bem como a sua ordem social e moral. Isto significa, por definição, que é o homem em si que se encontra na mira, algo que muitos dos que adoptaram a pseudorreligião pós-cristã do “humanitarismo” parecem ignorar.

Lin explica que a geração dos seus pais na China “aprendeu a não dar nas vistas e a ter cuidado com o que diziam, mesmo aos amigos mais próximos, com medo de serem acusados de crime de pensamento”, lamentando assim aquilo que começa a acontecer por aqui também. Demasiados de nós, num sem número de profissões, sabem como essas palavras são verdadeiras.

A coação, em qualquer das suas formas, torna-se obrigatória sempre que se tenta impor uma mentira às massas. Os exemplos multiplicam-se diante de nós. Um professor na Arizona State University argumenta, no “American Journal of Bioethics”, que os pais não devem poder impeder os seus filhos de adquirir tratamentos para bloquear a puberdade.

Segundo o pensamento invertido tão típico do nosso tempo, é a negação destes “tratamentos” que constitui abuso infantil, e não o encorajamento das ilusões e a promoção de medidas agressivas que na maior parte das vezes são prejudiciais e, em sentido real, experimentais, uma vez que simplesmente não existe qualquer prova que justifique o seu uso.

Por agora, essa proposta não passa disso mesmo na América. Mas o Supremo Tribunal de British Columbia, no Canadá, decretou no mês passado que o pai de uma menina de 14 anos não pode impedir a sua tentativa quixotesca de se transformar num rapaz. Ela tem um direito antinatural a bloqueadores de puberdade. Mais, o pai foi avisado para ter cuidado com a língua: chamar menina à sua filha, ou usar pronomes femininos em referência a ela seria considerado “violência familiar”, pois a verdade é agora uma ofensa punível por lei.

E, como consequência lógica disso mesmo, desde então ele já foi declarado “culpado” desse “crime”.

À luz desta mostra de poder ameaçadora, não adianta nada apelar à razão. No final de contas estamos perante uma guerra de vontades. Mas uma tomada de posição contra a irracionalidade dos tiranos do género pode funcionar. Veja-se o que aconteceu com os muçulmanos no Reino Unido, que conseguiram retirar um currículo pró-LGBT das escolas dos seus filhos.

O facto de a turba LGBT ter conseguido derrubar todos os outros, mas ter recuado neste contexto, revela que a sua principal motivação é o desmantelar da sensibilidade cristã mais do que qualquer crença inflexível na ideologia do género. Veja-se bem quem venceu esta guerra de vontades.


Se ao menos a fé e a arte da persuasão estivessem mais na moda, talvez mais pessoas vissem que o abandono do Cristianismo e da natureza inata não beneficiam o homem. Pelo contrário, tendem para a ruína, como muitos descobrem depois de se deixarem levar pela maré do transgénero. 

Leia também:


Matthew Hanley é Investigador sénior no Centro Nacional de Bioética Católica e autor, juntamente com Jokin de Irala, de ‘Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West’, que foi recentemente premiado como melhor livro pelo Catholic Press Association. As opiniões expressas são próprias, e não da NCBC.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 2 de Maio de 2019 em The Catholic Thing)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Salve o queijo da Serra, adopte uma ovelha!

Depois de a Renascença ter dado calmamente a notícia da nota do Patriarcado de Lisboa na terça-feira, ontem o resto da imprensa acordou e decidiu pegar no assunto por um ângulo que nada tem de novo, nomeadamente a recomendação de viver em continência para alguns casais em situação irregular. Por isso ao fim da tarde pegámos no tema outra vez e pedimos ao padre José Manuel Pereira de Almeida que nos explicasse exactamente o que se passa. Vale a pena ler para ficar esclarecido.

O Cristo Rei, em Almada, vai ser “pintado” de encarnado em solidariedade com os cristãos perseguidos, tal como o Coliseu de Roma e igrejas em Alepo e em Mossul, no Iraque.

9,4 milhões visitaram Fátima no ano do centenário. Um número verdadeiramente impressionante.

Quer ajudar os produtores de queijo da Serra, afectados pelos incêndios? Adopte uma ovelha.

Conheça ainda o fantástico trabalho das irmãs hospitaleiras na Guarda, que usam a arte para ajudar as pessoas com doença mental.

A Eutanásia vai continuar a dar que falar, claro. Sobretudo com o PS a decidir que a única forma de “participar no debate” é apresentando mais uma lei, não vá ser flanqueado pelo Bloco. Hoje Henrique Raposo explica de forma brilhante por que é que é um absurdo validar e resolver de forma permanente um desespero que por natureza é transitório. Leia e partilhe!


E porque vou estar fora na próxima semana, convido-vos a tomar conhecimento e a divulgar, através da imagem que ilustra este post, a campanha dos 40 dias de oração pela vida, que começa novamente na quarta-feira de Cinzas. A causa não podia ser mais nobre.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Modéstia e Caridade

Anthony Esolen
Há alguns anos, a editora do jornal da escola católica de Saint Eustaby escreveu que devia poder “descer a rua sem mais do que um par de chanatas e um sorriso” sem ter de se preocupar em ser assediada.

E tinha razão, de um ponto de vista óbvio e trivial. Assediar pessoas é contra a lei. Se um miúdo bêbado fosse a correr para a apalpar, alguém devia impedi-lo. Se esse alguém fosse um polícia, devia levá-lo directamente para a esquadra. Claro que ela também deveria ser detida por atentado ao pudor.

Mas o que me põe a pensar é a atitude por detrás da posição daquela rapariga. Faz-me lembrar um incidente que se passou comigo num verão em que estava a trabalhar como voluntário numa casa para operários católicos, em Washington. Estava a pintar um dos corredores quando tocaram à campainha. Como em qualquer outro verão naquele antro de calor, nevoeiro e corrupção, estava um autêntico forno, e por isso eu estava em tronco nu quando fui abrir a porta.

Era uma senhora hispânica, com cerca de 50 anos, que tinha umas perguntas a fazer, por isso fui buscar o meu chefe, John. Ele veio à porta e eles ficaram a conversar enquanto eu observava. Ela queria apenas umas informações, não era nada de privado.

Às tantas interrompeu uma frase e disse “com licença”, enquanto olhava na minha direcção. Eu pedi desculpa e voltei à pintura. Mais tarde o John explicou-me: “Ela é uma senhora tradicional, e tu estavas sem camisa”. Eu compreendi. Não pensei que ela fosse mal-educada nem puritana.

Não duvido que se estivéssemos todos no campo a cavar batatas ela não teria pensado duas vezes sobre o facto de haver homens em tronco nu. Também não teria esperado que eu usasse uma camisa na praia. O contexto é muito importante.

Ela não pensava mal do facto de eu estar a pintar o corredor em tronco nu. Também não a incomodava o facto de eu ter ficado a ver enquanto ela conversava com o meu patrão, para o caso de poder fazer alguma sugestão. O que lhe parecia mal era que eu não tivesse posto a camisa novamente enquanto não estava a pintar.

Tinha razão, e eu nunca mais me esqueci da lição. Somos seres sociais, e a forma como nos vestimos ajuda a comunicar-nos aos outros, ou a mentir, gritar ou frustrar os outros, evitando que se comuniquem a nós.

Em parte a linguagem do amor é convencional, como todas as linguagens, e em parte não é convencional, mas baseada na natureza do corpo e nas condições materiais do mundo que nos rodeia. Se eu estiver em Paris e proferir aquela lendária frase dos manuais de introdução ao francês, “La plume de ma tante est sur la table”, alguém responderá, “Mai bien sur” e o dia continuará em paz e solarengo. Mas essa mesma alocução não significa absolutamente nada em Peoria.

Mas se eu estiver em Paris e passar por uma criança a brincar no passeio, e se olhar para ele e sorrir na sua direcção e na da sua mãe, então estou a comunicar a mesma alegria e aprovação do que se estivesse em Peoria, ou Poona ou Papeete. É um gesto universal.

"Um par de chanatas e um sorriso"
Aquilo que consideramos roupa imodesta varia de acordo com os povos e dependerá do clima ou da actividade, mas todas as sociedades traçam limites nalgum ponto. Mas uma vez que nos nossos dias não se pode falar de modéstia sexual sem que os puritanos do vício desmaiem, temendo que os “teocratas” os levem para algum castelo longínquo, para os aterrorizar com presentes de poesia e cortesia, mudemos de arena moral.

Pensemos antes em gritar ou lutar. Estes são actos de agressão não apenas contra os oponentes, mas contra quem estiver por perto. Novamente estão em causa contextos e convenções sociais, mas não só. Normalmente, gritar num jogo de futebol não tem problema, excepção feita para palavrões ou ameaças contra outro jogador, treinador ou árbitro.

Mas gritar num jogo de ténis, antes do serviço, não está bem e levará à sua expulsão. Gritar numa grande festa ao ar livre é aceitável, mas gritar dentro de portas? Agressivo, mal-educado, pouco caridoso.

Rapazes podem lutar no recreio da escola, desde que respeitem as regras. Mas lutar dentro de portas não é aceitável. Os rapazes devem controlar a sua agressividade, mesmo a sua agressividade boa, na companhia de raparigas. Isso inclui linguagem ordinária. Não o fazer equivale a dizer, “aqui quem manda sou eu, fazes o que eu quero, e que te lixes”.

Acontece o mesmo com a roupa imodesta. Uma mulher que se veste para revelar as suas curvas de forma provocatória, ou está a dizer “não quero que olhes para a minha cara, mas para coisas mais importantes, mais abaixo”, ou então “vai-te lixar”.

Deixem-me ser claro. Se eu vir uma mulher cujo vestido parece um embrulho de plástico, para ser usado uma vez e descartado, surgem-me logo pensamentos sexuais, que é precisamente o que ela quer, a não ser que seja uma tola. Então eu controlo-me e desvio os olhos, porque não quero ter esses pensamentos.

E não basta dizer para não pensar dessa forma. Todas as forças humanas contêm também uma fraqueza. A sensibilidade das mulheres para com os sentimentos – sem a qual a raça humana não teria sobrevivido – revela-se também na tentação de escolher a palavra certa para magoar ao máximo os sentimentos. A inclinação de um homem para com a agressividade – sem a qual a raça humana jamais teria sobrevivido – revela-se também na tentação para a violência.

Temos de viver uns com os outros como somos. A caridade, a paciência, um reconhecimento honesto da nossa susceptibilidade para o pecado e compreensão pela susceptibilidade de outros – em particular os membros do sexo oposto, cujas emoções são frequentemente diferentes das nossas – deve orientar sempre as nossas escolhas no que diz respeito ao vestuário, à linguagem e ao comportamento físico.

Não coloquemos obstáculos no caminho do nosso próximo.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child. 

(Publicado pela primeira vez na segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018 em The Catholic Thing)

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quarta-feira, 29 de junho de 2016

A ideologia do género é demoníaca?

Pe. Paul Scalia
Quando o cardeal Sarah esteve em Washington para um evento, há pouco tempo, referiu-se três vezes à ideologia do género como “demoníaca”. Mais recentemente o arcebispo Coakley, da Cidade de Oklahoma, utilizou o mesmo termo em idêntico contexto e o mesmo fez o bispo Paprocki, de Springfield, em relação ao casamento homossexual. É uma palavra forte, certamente. Mas a maioria das pessoas não percebem bem o alcance. Alguns consideram que se trata meramente de hipérbole para descrever algo que não é apenas mau, mas muito, muito mau. Outros consideram que se trata de um juízo apressado dos adversários, diabolizando-os. E depois há aqueles que consideram que se trata de um exagero de fanáticos religiosos, que já não regulam bem de qualquer maneira.

Mas “demoníaco” é na verdade um juízo sóbrio e esclarecedor do pensamento por detrás da ideologia do género. Não é um juízo de intenções. Não significa que as pessoas que defendem a ideologia do género são demoníacas, ou estão possessas. Significa, antes, que o raciocínio e os resultados daquela filosofia – independentemente da inocência com que é defendida – estão em linha com os desejos, as tácticas e os ressentimentos do próprio Belzebu.

A ideologia do género repete uma mentira básica do demónio: “Sereis como Deuses” (Gen. 3, 5). Esta mentira está na verdade por detrás de todas as tentações. Todo o pecado deriva do desejo orgulhoso de suplantar Deus. Mas no campo da sexualidade humana tem uma gravidade maior.

Deus cria; o homem é criado. Deus dá existência; o homem recebe a existência. A ideologia do género propõe uma versão alternativa: Nós somos os nossos próprios criadores. Num dos seus últimos discursos, e talvez um dos mais importantes, o Papa Bento XVI disse:

Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: “Ele os criou homem e mulher” (Gn. 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza; agora, é só espírito e vontade. A manipulação da natureza, que hoje deploramos relativamente ao meio ambiente, torna-se aqui a escolha básica do homem a respeito de si mesmo… Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação… Chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser...

E se concluirmos que os nossos corpos não estão em linha com o que determinámos ser, então alteramo-los de acordo. É contra isto que o Papa Francisco aconselha: “Não caiamos no pecado de pretender substituir-nos ao Criador. Somos criaturas, não somos omnipotentes. A criação precede-nos e deve ser recebida como um dom. Ao mesmo tempo somos chamados a guardar a nossa humanidade, e isto significa, antes de tudo, aceitá-la e respeitá-la como ela foi criada.” (AL, 56)

Existe também um ódio demoníaco pelo corpo. No livro “Vorazmente Teu”, C.S. Lewis refere-se ao ressentimento do demónio pelo facto de Deus ter favorecido os “bípedes calvos… [animais] gerados numa cama”. Porquê este ódio? Talvez porque o corpo e a alma humana são um só. A alma, tendo tanto em comum com a natureza angélica, está unida ao corpo, que tem tanto em comum com a natureza animal. O diabo considera isto pessoalmente ofensivo. Ele procura (tal como todos podemos verificar) desfazer esta união – dividir-nos da nossa carne, virar a alma e o corpo um contra o outro. Com grande perícia, leva-nos a adorar o corpo num instante e odiá-lo no minuto seguinte. A morte – a separação entre o corpo e a alma – foi, claro, a sua maior vitória.

Existe ainda o facto de a Palavra se ter tornado carne. O grande acto de generosidade de Deus para connosco apenas agrava a inveja do demónio. O Filho de Deus assumiu a natureza humana, incluindo o corpo humano. Ele salvou-nos não apenas nesse Corpo, mas através dele. Porque é que esta dignidade havia de nos ser dada a nós, tão inferiores aos serafins, e não a ele, o mais elevado dos anjos?

Adão e Eva depois de terem pecado
O homem caído nunca está em paz com o seu corpo. O Cristianismo procura sarar essa divisão. Mas a ideologia do género procura codificá-la, com base no princípio de que não existe uma verdadeira relação entre o corpo e a alma. A divisão entre os dois é de tal forma absoluta que se pode ser uma coisa fisicamente e outra espiritualmente.

O ódio demoníaco contra a procriação está ligada de perto com isto. O demónio não pode procriar, mas o homem pode. O homem e a mulher cooperam com Deus, gerando uma nova pessoa. O demónio tem inveja disto porque Deus é generoso. Como é evidente, a ideologia do género rejeita a complementaridade entre masculino e feminino e aquilo que a sua união alcança.

O Senhor pega em verdades naturais – corpo, casamento e família – e usa-as como modelo e meio para a sua obra salvífica. Ele é a Palavra feita carne, o Esposo, filho de José e de Maria, que nos torna membros da família de Deus. Apercebemo-nos do significado da oferta que Jesus faz do seu corpo na Cruz e na Eucaristia, precisamente porque sabemos que o corpo tem significado. A união permanente, fiel e de vida oferecida entre marido e mulher permite-nos compreender o que significa dizer-se que Cristo é o esposo e a Igreja a sua esposa.

A perda destas verdades naturais inibe, por isso, a nossa capacidade de compreender o sobrenatural e compreender a salvação. Se o corpo humano não tem significado intrínseco – se não nos diz nada sobre nós e se pode ser ajustado ao nosso gosto – então como podemos apreciar as palavras “este é o meu Corpo”?

Se não temos qualquer experiência vivida da complementaridade entre homem e mulher, entre esposo e esposa, então não podemos compreender o facto de Cristo, o Esposo, ter dado a vida pela sua Esposa. E também não conseguimos compreender o significado de Deus enquanto Pai, Deus enquanto Filho, Igreja enquanto Mãe, etc. O Demónio tem todo o interesse em despojar-nos destes sinais naturais do sobrenatural.

Como é evidente, estas tendências não surgiram do nada. São as suas tácticas habituais. Vimo-las em acção durante a revolução sexual, na contracepção, aborto e fertilização in vitro. A ideologia do género assenta sobre estas fundações e promove-as como nunca.

O reconhecimento da dimensão demoníaca pode ser útil. Mas deve também levar-nos a um exame de consciência – para ver até que ponto caímos nas suas armadilhas, através dos nossos pequenos actos de auto-exaltação orgulhosa (que na verdade é uma forma de autocriação), pelo nosso desprezo e maus tratos do corpo (nosso e dos outros), pela falta de castidade (que ridiculariza o poder da procriação), pela forma como dificultamos a aproximação dos outros a Deus.

Alguns de nós podemos reconhecer a dimensão demoníaca da ideologia do género. Mas todos devemos arrepender-nos por termos cedido a ela. 


O Pe. Paul Scalia (filho do falecido juiz Antonin Scalia, do Supremo Tribunal americano) é sacerdote na diocese de Arlington e é o delegado do bispo para o clero.

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 26 de Junho de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing. 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Cartago deve ser destruída

David Carlin
Quando Roma derrotou Cartago na terceira Guerra Púnica os romanos não se contentaram com a vitória. Queriam que Cartago fosse não só derrotada mas totalmente destruída, para que a antiga inimiga de Roma, que tinha causado tanta angústia e sofrimento durante as primeiras duas guerras púnicas jamais se erguesse. Os romanos optaram por seguir os conselhos de Catão, o Velho, que tinha o hábito de terminar os seus discursos no senado com a frase “Considero, ainda, que Cartago deve ser destruída”.

Por isso, vencida a Guerra, Roma arrasou Cartago e dispersou a sua população. Alguns séculos mais tarde foi construída uma nova cidade com o mesmo nome e foi nesta Cartago que Santo Agostinho viria mais tarde a ser educado e tornar-se maniqueu. Mas a velha Cartago fenícia, de Dido e de Aníbal, desapareceu para sempre. Nunca mais incomodou Roma.

Chegámos a este ponto na guerra entre a noção cristã da sexualidade e a ideia secular moderna, o ponto em que o inimigo deve ser destruído totalmente. A revolução sexual, que começou há cerca de 50 ou 60 anos, terminou numa vitória muito convincente para os revolucionários. A noção cristã de conduta sexual foi derrotada. E agora os secularistas passaram ao próximo passo, isto é, a destruição – a pulverização – da ideia cristã.

Os cristãos, derrotados, talvez quisessem dizer: “Tudo bem, venceram a Guerra. Nós rendemo-nos e deixaremos de lutar pelo domínio. Mas não podem ter misericórdia e tolerar-nos como uma minoria inofensiva, como se toleram as pessoas que acreditam em discos voadores?” Mas os revolucionários sexuais respondem: “Não, vocês e a vossa ética sexual incomodaram o mundo durante demasiados séculos. Os vossos crimes são inumeráveis e imperdoáveis. Temos de nos assegurar que a vossa ética não regressará para estragar novamente os prazeres do mundo”.

Nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial a ética sexual protestante continuava a dominar na América. O americano típico ainda acreditava na maioria dos velhos tabus sexuais que prescreviam a fornicação, o adultério, o aborto e a homossexualidade. Isso não significa que toda a gente acatava essas proibições. Todas eram violadas, claro, de tempos a tempos. Mas as pessoas não deixavam de acreditar nelas.

Havia falhas na ética protestante, claro. O protestantismo clássico permitia o divórcio apenas por adultério, mas essa limitação tinha sido abandonada há muito tempo. Nos anos 50 havia muitas causas que legitimavam o divórcio e nos anos entre as guerras a contracepção dentro do casamento tornava-se aceite entre protestantes americanos.

A ética católica era mais rigorosa. O catolicismo acrescentava a proibição do divórcio e da contracepção. E mais, o catolicismo exaltava a ideia do celibato, tornando-o obrigatório para padres, monges e freiras.

Enquanto a maioria dos americanos, sendo protestantes, não estavam dispostos a abraçar a ética católica, toleravam-na de bom grado e, até certo ponto, admiravam-na, porque comprovava que os católicos, a maioria dos quais eram recém-chegados aos Estados Unidos, não era tão maus como tinham sido representados durante séculos pela propaganda religiosa anglo-americana.

Catão o Velho
Tudo isto desmoronou no início dos anos 60. Quase da noite para o dia, ao que parece, a fornicação tornou-se aceitável e nem precisava de ser acompanhada de amor nem de compromisso. A contracepção não só se tornou aceitável como obrigatória para casados e ainda mais para não casados. A coabitação tornou-se aceitável. O aborto também, e depois de Roe v. Wade, em 1973, tornou-se até legal e fácil de obter.

Levou mais algum tempo até que a homossexualidade se tornasse aceitável, mas o dia chegou e só podia chegar, tendo em conta a rejeição da antiga ética sexual cristã.

Tendo sido derrotada a ideia de sexualidade cristã, começou agora a sua pulverização. A aceitação do casamento homossexual é mais um passo nessa direcção. É a forma de os secularistas dizerem não só que a homossexualidade é moralmente aceitável mas que é tão boa e nobre quanto a sexualidade conjugal, que os cristãos consideram a mais perfeita.

A ideologia do transgénero é outro passo. É uma rejeição da ideia bíblica de que “Deus os criou homem e mulher” (Marcos 10,6) – uma ideia errada que era defendida por Jesus, um rabino bem-intencionado mas preconceituoso do século I.

A poligamia, a poliandria, os casamentos abertos (adultério consentido) – tudo isto ainda não foi aceite em larga escala. Mas será, uma vez que a sua aceitação decorre logicamente do princípio fundador da revolução sexual, nomeadamente a rejeição da ideia de sexualidade cristã. Tal como a aceitação da homossexualidade não surgiu imediatamente nos anos 60 e 70 e a de adultério também não, mas não se preocupem, está por pouco.

Mas o factor mais importante para a destruição total da noção cristã de sexualidade não são as muitas práticas sexuais anticristãs que existem no mundo de hoje. Também não é a aceitação alargada destas práticas entre pessoas que, por uma razão ou por outra, preferem não participar delas.

Não, é a proibição – uma proibição social cada vez mais eficiente que está cada vez mais perto de se tornar uma proibição legal – da própria expressão de opiniões cristãs sobre sexualidade. Se for um cristão antiquado que não se encontra do “lado certo da história” (para citar uma das frases preferidas de Obama), que diz que a fornicação é um pecado, que o aborto é homicídio, que a homossexualidade não é natural ou que a ideia de ser transgénero é uma loucura – então será denunciado como um intolerante, um misógino, um homófobo, um transófobo ou um mero idiota. Os seus juízos negativos tornam-se “ódio” e estes ataques aos seus crimes de pensamento aumentam de tom dia após dia.

O objectivo é que a moral sexual cristã, tal como Cartago, se torne nada mais que uma memória.


David Carlin é professor de sociologia e de filosofia na Community College of Rhode Island e autor de The Decline and Fall of the Catholic Church in America

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 22 de Abril de 2016 em The Catholic Thing)

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quarta-feira, 26 de março de 2014

A Bela e o Monstro

Pe. Dwight Longenecker
A Bela e o Monstro conta a história de uma donzela bonita que encanta um tipo terrível mas transforma-o no nobre príncipe que estava destinado a ser desde sempre. A beleza conquista a besta. A Bela vence o Monstro.

Tudo isto levou uma volta quando, há semanas, uma caloira de Duke University chamada Miriam Weeks revelou ser “Belle Knox”, uma estrela da indústria pornográfica. Esta versão do conto de fadas acaba de maneira diferente. A bela universitária torna-se a besta. Não deixa de ser bonita, claro, mas admitiu que estava a produzir filmes pornográficos para pagar as propinas.

O mais peculiar desta história não é o facto de se estar a prostituir, como mulheres desesperadas ou sem escrúpulos têm feito desde tempos imemoriais, razão pela qual nos referimos à prática como o trabalho mais antigo do mundo. O peculiar não é a sua profissão, mas a confissão.

Belle Knox apareceu no programa de Piers Morgan para se defender. A aluna de Estudos Femininos sublinhou que ela é que tinha escolhido ser actriz pornográfica. Negou que estava a ser explorada. Toda a gente que tinha conhecido na indústria, garante, é simpática, amigável e profissional. Mais, no futuro espera vir a começar uma organização para ajudar trabalhadoras do sexo abusadas.

A sua confissão revelou a moralidade não só de Belle Knox mas da maior parte do país. A maioria dos americanos não pode, na verdade, argumentar contra a terrível escolha da Belle.

Já acreditam que o sexo é para a recreação e não para a procriação. Aceitam que é perfeitamente natural uma mulher jovem e saudável dormir com tantos homens quantos queira, e que a universidade é a altura certa para engates descomprometidos. Quem se recusar a aceitar a promiscuidade é considerado antiquado.

A assunção comum é de que toda a gente pode ter relações sexuais com quem quiser, desde que seja consensual. O sexo é como o ténis, é divertido se for com um bom parceiro.

Seguindo essa lógica, se a Belle decidir ser paga pelo seu hobby, qual é o problema? Para o americano típico, porque é que a sua decisão de receber dinheiro difere da escolha de um jogador de basquete universitário de enveredar pelo profissionalismo?

Alguns dir-se-ão “ofendidos”, mas estão mesmo? Não. É só o factor nojo. É uma questão de snobismo e não de moral. Pensam que os actores pornográficos são gente rasca do lado errado de Los Angeles. Quando uma rapariga bonita, de classe média, se volta para a pornografia ficam chocados, não por causa da moral, mas porque consideram ser de mau gosto. Por outras palavras, não faz mal ela dormir com quem lhe apetecer, mas é feio fazê-lo com a câmara ligada e com o agente a contar os lucros.

A verdade inconveniente é que a esmagadora maioria dos americanos não tem qualquer razão inteligente e inteligível para não apoiar o “vale tudo” sexual. Pior, a maioria dos cristãos não tem qualquer razão válida para encorajar a castidade.

Durante gerações a única arma que os cristãos tinham contra a imoralidade sexual eram proibições baseadas na Bíblia e no medo. O sermão era algo como: “A Bíblia diz que não devias fornicar! Se o fizeres a rapariga vai-se meter em sarilhos. As boas meninas não fazem isso. Podes engravidar! Vais apanhar uma doença terrível e enlouquecer. Não faças isso.”

Miriam Weeks - "Belle Knox"
Com a melhoria dos cuidados de saúde e a invenção e aceitação de contracepção artificial os jovens passaram a ter respostas.

“Vais engravidar…”

“Ela toma a pílula”.

“Vais apanhar uma doença!”

“Penicilina.”

“A Bíblia diz que não se deve fornicar!”

“Isso era antes. Isto é agora”.

Os cristãos não podem fazer nada se não queixar-se e lamentar-se. Ninguém acredita neles. A Caixa de Pandora foi aberta e os males que saíram são demasiado apetitosos para serem presos de novo.

Os únicos cristãos que sugerem uma resposta coerente e consistente são os católicos, e o nosso argumento é simples e profundo.

A razão pela qual a Belle não se pode comportar como um monstro é porque ela não é um monstro. É filha de Deus. O seu sistema reprodutivo é desenhado para dar a vida, e não apenas prazer. A sua escolha de viver só para o prazer e não para a vida significa uma negação da vida, e quando se nega a vida, escolhe-se o seu contrário.

A teologia do corpo de João Paulo II ensina que cada alma humana está ligada a um corpo físico e que os nossos corpos são o meio através do qual experimentamos o eterno. O metafísico vive no físico e através do físico. Os nossos corpos são transceptores do transcendental.

Dito de forma simples, uma vez que os nossos corpos e as nossas almas estão interligados, o que fazemos com o nosso corpo afecta o estado da nossa alma. Só uma religião baseada nos sacramentos pode transmitir esta verdade. O protestantismo não serve.

Por isso é preciso fazer escolhas. O nosso destino como seres humanos é participar na beleza eterna. Cada escolha física pelo verdadeiramente belo conduz à Beleza final. Segue que, se escolhermos portar-nos como bestas com os nossos corpos, poderemos encontrar-nos, algum dia, no festim da Besta.


O livro mais recente do padre Dwight Longenecker’s é The Romance of Religion – Fighting for Goodness, Truth and Beauty. Visitem o seu blogue, folheiem os seus livros e contactem-no em dwightlongenecker.com

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 20 de Março de 2014 em The Catholic Thing)

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Nosso Corpo Foi Feito para a Comunhão

A criação de Eva
Transcrição integral da entrevista feita ao padre Miguel Pereira e a Maria José Vilaça, a propósito do IV Simpósio sobre Teologia do Corpo, que se está a realizar em Fátima. A notícia encontra-se aqui.

Como é que surgiu a ideia de organizar este simpósio?
Maria José Vilaça: Desde 2003, quando esteve cá o Christopher West, começámos a acompanhar a Teologia do Corpo e a deixarmo-nos fascinar por tudo isto e começámos a ir aos simpósios internacionais na Europa, Áustria 2007 e Irlanda 2009. Desde aí surgiu a ideia de fazer um em Fátima, curiosamente os estrangeiros que lá estavam, incluindo muitos americanos e sul-americanos, vieram pedir para fazermos em Fátima.

Não é organizada só por nós, conta com a participação do professor Peter Colosi, professor de Filosofia no Seminário de São Carlos Borromeu, em Filadélfia, e ele coordena isto com uma organização local.

Padre Miguel: Somos mais ou menos 12 pessoas em Portugal, sempre em contacto com o Peter Colosi e fazemos essa ligação com ele, vamos informando-o sobre o que acontece localmente, para ele ir dinamizando até em relação a recolha de fundos.

A Teologia do Corpo, para quem não conhece, o que é?
Padre Miguel: O Papa João Paulo II esteve na comissão que redigiu o primeiro esboço da encíclica “Humanae Vitae”. Foi uma encíclica muito complicada e de difícil acolhimento porque pedia uma grande conversão. A encíclica foi promulgada por Paulo VI em 1968, depois de uma viagem que fez a Fátima, e falava especialmente dos temas relacionados com a vida, sobretudo aborto, contracepção, relações sexuais, estamos a falar do âmbito da intimidade conjugal. E como pedia aí uma grande atenção e que demorássemos ali algum tempo, não foi muito bem acolhida.

O Papa João Paulo II esteve na comissão que redigiu o primeiro esboço do Humane Vitae, e ficou ali com um bichinho. O Papa Paulo VI dizia que para entender o texto tinha de se conceber uma antropologia adequada, uma maneira cristã de conceber o homem, capaz de dizer as razões do proceder. Foi nesse texto que o Papa trabalhou desde 68 a 79. Em 79, já Papa, ele queria ter editado o livro, mas como foi eleito Papa disseram-lhe que não podia publicar sem ser magistério. Então, o Papa João Paulo II dividiu o livro em 169 catequeses, mais seis sobre o Cântico dos Cânticos. A partir da palavra de Deus e a partir da filosofia personalista e da fenomenologia ele compõe uma maneira de ver o mundo que torna possível não só entender mas passar a viver uma experiência diferente na nossa intimidade. Isto é assim o básico da história.

Em relação ao conteúdo das catequeses, o Papa faz uma catequese bíblica, ou seja pega em várias passagens da Sagrada Escritura para explicar o que é o homem. Primeiro, no princípio o que Deus quis para o homem, porque Deus diz que criou o homem à sua imagem e semelhança, e quando procuramos a imagem e semelhança de Deus em cada um de nós procuramos normalmente na nossa alma, nas coisas que nos chamam para o belo, o eterno, o bom, o verdadeiro. Muito ao género do que é mais espiritual.

Mas o Papa diz que não só no Espírito mas também no corpo Deus deixou marcas daquilo que é. É importante perceber, se Deus é comunhão, as marcas que Deus deixa no nosso ser são sempre marcas de comunhão. Quando Deus cria, cria-os homem e mulher. Deus diz “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, depois diz “Assim aconteceu. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Homem e mulher os criou”. E podemos questionar-nos, porquê homem e mulher? Porque não criou só um, fantástico? Porque é que criou dois? E dois que na sua sexualidade se complementam, dois que são feitos na relação um com o outro? A marca de Deus é este sinal da relação, feita não apenas a nível mental, psicológico e espiritual, mas também a nível do corpo.

Se isto é assim quer dizer que o nosso corpo é feito para a comunhão, que também o nosso corpo foi feito para tocar o mistério de Deus, da Santíssima Trindade. E se é assim a nossa vida precisa de dar uma volta. Se o nosso corpo foi feito para amar a Deus e só para isso, é importante que todos os nossos gestos falem de amor, e também a nossa sexualidade.

O Papa diz que a relação sexual é o lugar da maior intimidade, onde as pessoas se entregam mais, porque entregam não só o seu pensar, não contam apenas as suas ideias, entregam-se a si próprias. Depois de me entregar na relação sexual que tenho com o meu cônjuge não há mais nada a entregar, porque já entreguei o meu corpo, é por isso que também existem tantas feridas, em tantos e tantos casais, que não se respeitaram nessa entrega. Porque sendo esse um lugar para chegar tão alto ao amor de Deus, se em vez de amarmos utilizarmos as pessoas também se desce muito fundo, deixam-se marcas muito profundas.

O Papa tinha este conhecimento porque antes de ser Papa, em Cracóvia, primeiro como padre e depois como cardeal, fez uma experiência muito importante, a que ele chamava a rede, um género de equipas de casais com quem falava, às vezes até individualmente. Ele tinha um profundo conhecimento da vida de cada um daqueles, não como quem vive a experiência, mas como quem sabe, como quem vê de fora mas percebe muitas vezes porque como nós estamos tão dentro das relações que não conseguimos ter um olhar claro sobre elas, mas o Papa conseguia tê-lo.

Tobias e Sara
A sociedade em geral tende a pensar que a Igreja tem um olhar negativo e pessimista sobre a sexualidade, mas aqui vemos um discurso completamente diferente do estereótipo…
As pessoas ficam muito admiradas quando falamos da Teologia do Corpo e da maneira que a sua sexualidade foi feita para chegarem tão alto, muitas vezes foram instruídas de forma a privilegiar o espiritual e a descurar o seu corpo. Mas é o próprio São Paulo que diz que o nosso corpo é templo do Espírito Santo. Se o próprio Espírito Santo pode habitar no nosso corpo é porque de certeza que é uma coisa boa. Hoje em dia as pessoas precisam muito disso, de saber que o seu corpo é o maior tesouro que têm, e é por isso que devem respeitá-lo imenso. Quando a Igreja diz que devemos cobrir o corpo e vestir-nos dignamente, não expormos muito o nosso corpo porque pode ser olhado indignamente, não é porque diga que o corpo é mau, pelo contrário, diz que o corpo é muito bom e se tens um tesouro não o dês a qualquer um, dá-o a quem o possa respeitar verdadeiramente.

Apesar de o Papa falar mais para os casais isto tudo implica uma nova forma de ver. Com os meus amigos, com os meus familiares, com os meus filhos, os meus gestos são chamados a ser outra coisa, a ter outro peso. As pessoas ficam surpreendidas porque vêem que afinal toda a sua vida foi feita para ter um peso diferente, uma glória diferente.

Consta que Jesus um dia falou directamente à Madre Teresa de Calcutá e disse “Quero que tu vás onde sem ti eu não consigo ir”. Isto significa que cada vez que estou num lugar estou não só em nome de Deus, mas nos meus gestos aqueles a quem eu amo provam o próprio Deus. Isso é absolutamente extraordinário.

Quando falamos só da sexualidade falamos principalmente daquele que é o maior acto de amor, a maior possibilidade de entrega da vida. Aqui é importante, e o Papa fala disso, que a entrega seja total. Não só do meu corpo, mas também do meu espírito, não só do meu espírito mas também do meu corpo.

Quando isto toca a relação conjugal toca o lugar da maior entrega. Porque no dia do meu casamento eu digo que sou todo teu para o resto da vida e a minha vida vai girar à volta da tua, na presença de Deus, porque eu quero o teu bem. Hoje em dia reduzimos muitas vezes o amor a um sentimento, mas isso não é a verdade toda, o amor é sobretudo uma vontade, a vontade de querer bem ao outro, que implica um gostar, um sentir, este impulso de querer o outro, de querer o bem dele.

Hoje em dia o que acontece muito nos casais é que em vez de se amarem usam-se muito. E o Papa apercebeu-se disso.

Que temas vão ser abordados neste simpósio?
Maria José: Tivemos o cuidado de tornar isto um bocadinho teórico e muito prático. Embora se chame um simpósio de Teologia não é uma coisa inalcançável. No primeiro dia vamos ter uma apresentação sobre a relação da Teologia do Corpo com Fátima. Não só pela questão do Papa Paulo VI ter vindo a Fátima antes de publicar a Humanae Vitae, mas por toda a ligação que João Paulo II estabeleceu, que nos permite concluir que sem Nossa Senhora de Fátima não teria havido Teologia do Corpo, porque o Papa sofreu um atentado no dia 13 de Maio, precisamente o dia em que ia lançar a fundação do Instituto João Paulo II, cujo objectivo é ensinar a teologia do corpo e aprofundar estes temas.

Depois vamos ter um segundo dia em que a maior parte das nossas comunicações vão ser sobre o que é a Teologia do Corpo, portanto vamos ter uma vertente mais académica mas com pessoas com experiência muito grande em falar destes temas, tornando-as mais perceptíveis. A experiência que eu tenho de os ouvir é de repente perceber que a nossa vida vai ter de mudar, isto é tudo tão bonito, Deus gosta de nós de tal maneira, que isto só pode provocar uma mudança na nossa vida.

No fim deste dia de Sexta-feira vamos ter já uma passagem para a parte mais prática, como é que isto se aplica, como é que se vive, e a experiência que as pessoas têm no seu próprio trabalho. Vamos abordar a pornografia, a ausência de pai na sociedade ocidental, um dos dramas com que nos deparamos, vamos ter pessoas a falar sobre a terapia conjugal e como é que a Teologia do Corpo ajuda nisto, vamos ter oradores, já no Sábado, a falar da homossexualidade e da complementaridade entre homem e mulher e depois, no Domingo, vamos ter pessoas de África para falar da experiência da teologia do corpo em África, porque lá acolheram melhor e muito mais rapidamente a teologia do corpo do que na Europa, o que terá a ver com a pureza do coração e a abertura de espírito das pessoas. Convidámos duas pessoas que nos vêm falar dessa experiência e vamos ainda ter uma apresentação sobre a NaProTechnology, que muito pouca gente conhece em Portugal, mas que é uma alternativa à procriação medicamente assistida, chamada NaPro Technology. Vem cá um professor Phil Boyle que vem falar de um estudo que fez com 400 casais que passaram pela procriação medicamente assistida e não tiveram sucesso e que teve consequências complicadas na vida deles, ele vem-nos dar o resultado desta investigação depois de ter usado esta “Natural Procreation Technology”.

No Domingo o tema era a teologia do corpo e a nova evangelização e vamos ter abordagens que nos remetem para a essência do que é a nossa ligação com Deus e vida de comunhão com Deus porque é daí que tudo parte.

Há muitas inscrições?
Pe. Miguel: Está a correr tão bem como esperávamos, ligeiramente acima. Pensava que não íamos ter mais de 120 inscrições, mas como os portugueses se inscrevem sempre em cima da hora, vamos agora com 210. Temos tido muita gente a querer nos ajudar generosamente.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Teologia do Corpo - Entrevista com Peter J. Colosi


Below is the full transcript of the interview with Peter J. Colosi, who specializes in Theology of the Body. The news item can be found here.

Aqui fica a transcrição completa da entrevista com Peter J. Colosi, especializado na Teologia do Corpo. A reportagem está aqui.

Veja as horas e locais das conferências no fim da entrevista.

So what exactly is Theology of the Body?
It is a series of lectures that John Paul II gave publicly during his Wednesday audiences, outside St. Peter’s. He had actually written them all before this, but over a four year period he delivered 20 lectures. It’s a beautiful catechesis on what it is to be Human, with an emphasis on the theme of Marriage, Family and Sexuality.

People mostly associate this concept with issues regarding sexuality, but there are other aspects as well, correct. He mentions resurrection of the body, for example.
It almost opens like a play. Jesus is speaking at the beginning of Matthew 19 with the Pharisees, who ask him if they can divorce their wives and remarry. They say that Moses let them do this, but Jesus says he did so out of the hardness of their hearts, but at the beginning it was not so. He goes back to Genesis and this is very striking because he divides time into three periods, the original state, the fall and the redeemed state. All three are mentioned in the book of Genesis, but he says you can’t use the fall as permission to sin, because the way Adam and Eve were before the fall, we still have an echo of that in our hearts, and they loved each other fully and even though the fall has happened, we have to love each other like Adam and Eve did before the fall. And the redemption, the resurrection, gives us the grace to do so, even though it is a challenge.

Did these lectures introduce any novelties to church teaching on these issues? Or did they just rephrase them?
The novelty is that John Paul II explains them in a way that everyday people can understand, and live joyfully. Typically, from church teachings on sexuality, everybody knows what the prohibitions are, and what is allowed. But John Paul II decided he wanted to give a rich explanation of what it is to be Human, because if one lives according to church teaching on sexuality it is a source of profound happiness.
He wanted people to make people understand the happiness that can come from living according to church teaching, and that is difficult if you just have a list of  yes and no’s.

Were the lectures well received? Were there suspicions at the time?
A lot of people were surprised because there was the Pope talking about human sexuality in a way that was so beautiful, and nobody had heard a Pope speak for four years about these themes. Many were surprised. There were times when the Media really attacked the Pope. For example in one of the audiences he talked about the passage where Jesus says that you can commit adultery in the heart every time you look at a woman lustfully. Then the Pope said that it is possible for married people to commit adultery in the heart with their own spouse, and what he meant by that was that men can still think of their wives as sex objects even if they are married to them, and they shouldn’t, they should think of them as a person who they love. And the media went berserk, because they didn’t want to accept that lust still needs to be overcome in marriage. But in general it was a novelty because a Pope was talking about human sexuality in a way that was full of life and happiness.

This was almost 30 years ago, yet we still have the idea, amongst Catholics, and especially amongst those who are more critical of the Church, that the Church is more about no’s than yes’s and that it has a very negative view of sexuality. Why is this the case?
One reason is because the text is very long and it is very challenging. He was a trained philosopher and, you could also say, a philologist. The footnotes are full of references to ancient languages and to philosophers who people don’t know very much about. But he really presented a metaphysical, theological, scriptural meditation on the meaning of human sexuality. It’s one of these texts somebody like St. Augustine might write, like The City of God, which will take 100 years for the church to interiorize.
This is why I am here in Portugal. Next year, from 13-16 June 2013 we are having a conference in Fátima with many speakers who can really break this down and explain it to people from many different angles, from Theology, from practical life, philosophy, Scripture. So it’s true that it hasn’t been absorbed yet, one reason is because the text is difficult, but there are many people working on trying to make it understandable, which often is the case with texts like this. It took a long time for the Church to absorb Thomas Aquinas’ teachings, and it will be the same with this text.


George Weigel described these teachings as a “timebomb” set to go off in the third millennium; could this really change the face of the Church?
I really think it could. On the one hand it is true that it hasn’t been absorbed yet. On the other hand it actually has. There is a large percentage, maybe more so in America than in Europe, who are hearing talks about this from people who can break it down, or who are taking the time to read it themselves, which is a good thing to do, the passages are very short. And it is changing their lives, there are people who read this and stop watching pornography, there are people who read this and stop using contraception with their spouses and switch to natural family planning. They read this and realise they should respect people more and stop being promiscuous, because this is a source of happiness.
So I think the quote is true, this has the potential to really make people yearn to live according to Church teaching. Maybe because now, after the 60’s and so forth, everybody is so broken by divorce, contraception, using each other as sex objects. Maybe we could say now people are looking for a deeper experience of sexuality, and I think this has a potential to explain it to people.
The prohibitions are still there. No sex before marriage, marriage only between a man and a woman, no contraception, but when people accept why, they are willing to accept the challenge, because they want the beautiful fruit.

What it the main stumbling block, what do people have most difficulty in understanding and accepting?
The anthropology. When John Paul II uses the word anthropology in this book, he just means what it is to be a Human Being; we are a bodily spiritual unity. He often likes to say you are your body, not because he is a materialist, but because your soul is so close to your body, so present in it. Today we separate, people think of their body as separate from themselves, so they can do all these sexual things with their body, they can go and have an abortion, and it isn’t going to affect them.
To get people to realise the profound unity of the spiritual and bodily that we are is the first step which is difficult to explain, because we live in a dualistic society. If a slap or a hug has the power to touch your soul, then how much more so human sexuality.
As you go through the text you get this idea of self-donation, making a gift of yourself. And it is precisely because our bodies and our souls are one, that through Human expression, like a smile or a hug we reveal our souls to each other. And in human sexuality God has set things up where through the conjugal act, by which children come into the world, we are able to give ourselves as a whole gift to the other person, but you need to commit yourself with your will first, through marriage, otherwise it is sort of a lie, with your body.

How do people usually react when you speak about this issue?
I don’t like to be harsh on bishops or priests, I think after the 1960’s it was very difficult for them to understand how to explain Humanae Vitae. But after I give a talk somebody always asks “how come we never hear about this from the pulpit?” They want to hear it.

How should priests address these issues?
One thing would be to try to work through the text itself, or to try to get some of the secondary sources, or to listen to some talks about it. On my website I have some talks that people can listen to, where I break it down, but I do think that maybe the priests and the bishops could be a little bit more courageous than in the 1960’s because we have a way to explain. It was right for them to be afraid, because all they had was the prohibitions, if you just go up and say no, no, no, you lose parishioners. But if you take the time to interiorize this text you get the tools to give you confidence.
There are more and more priests who are, because of this text, finding the courage and the tools to speak. You have to do it pastorally, take time, I always tell the students not to give the homily right away on the prohibitions. Start by talking about sacrifice, self-donation, body-soul unity, some of these themes, and then at the end of the year they will be ready to hear a homily directly about contraception.

Did John Paul II write this on his own? Did somebody help him?
Before he wrote this text he wrote a more philosophical one called Love and Responsibility, and that was published before he became Pope. Then the translator of this book found out that John Paul himself, before he became Pope, had written this entire book. Nowadays Popes write books, but at the time it wasn’t so common, and somebody told him he couldn’t publish it, and he thought he’d get around it using his Wednesday audience. So every week he would take a small section and write an introduction, then a nun would turn it into Italian, and that is what he would read, so yes, he wrote it himself. He seems to have been doing lectio divina when he wrote it, pondering Scripture quietly, in fact he wrote it in front of the Tabernacle, they found out.


There seems to be a war, as some call it, between the Obama Administration and the Catholic Bishops, mainly about the HHS mandate. What is your view on this?
The Health and Human Services is a department of our Federal Government which has a cabinet level secretary whose name is Kathleen Sebelius, and she is a Catholic. What they are doing is forcing all the institutions in America, including the Catholic ones, to pay for contraception, sterilization and the pills which cause abortion. The Church, obviously, says these are intrinsic evils.
This is a violation of the First Amendment, which stipulates that there is Freedom of Religion, which means you should be able to practice your religion publicly and participate in policy debates even from your religious perspective. What is happening now is that the Obama administration is trying to delete that. They are trying to silence the religious voice.
This mandate could close all Catholic hospitals, and these are huge, there are many of them. Sadly, even though many Catholics are using contraception and having abortions, it is different for a Catholic hospital to have a policy that supports it. The bishops in America are fighting this from a religious freedom perspective, to try and build a coalition. But I do think it is interesting that the administration chose contraception for their first attack against religion. Because they know the bishops are a little bit afraid to talk about it, and they are having a little bit of trouble getting a groundswell of support because many Catholics use contraception.
I don’t know what the best approach is. I can see their reasoning for focusing on religious freedom and not on contraception, but Pope Paul VI, in Humanae Vitae, predicted that when contraception became widespread the governments would use it as a tool to try and quash religion. So I think they should, not on TV, but in their dioceses, try and talk more about theology of the body.

You say that Obama is trying to silence the religious voice, yet he explicitly invoked his beliefs when he came out in favour of gay marriage…
In its teachings about homosexuality the Church always begin by saying that everybody has the dignity of the person and needs to be loved. Now the Church does hold the view that to freely choose to act on homosexuality is a sin. The same-sex attraction is a state of somebody’s soul which is disordered. But the people should be loved.
There are many reasons why the Church defends that marriage is between a man and a woman, but the reason why the State has an interest in defending this definition is because that is the best thing for children, to have a mother and a father. The complementarity of men and women is the source of happiness for children, and that is a good for society, and that is the reason why the State has an interest in defining marriage as between a man and a woman, because it is the best thing for children. This is clear in Church teaching and in Scripture, both in the old and new testament.
It is Christian to love people with same-sex attraction, but it is not Christian for the state to define marriage out of existence.

You mentioned that people are thirsty for a deeper understanding of sexuality, yet we see a surge in legislation for same-sex marriage…
It is a war in America. There are many groups fighting to keep the definition of marriage as between a man and a woman, so far we have had referenda in about 30 states, and they have all voted to keep it as between a man and a woman. So I’m hoping that trend keeps going, and as I said this is not an attack on people who are homossexuals, it is a desire to keep this definition of marriage for the good of society, because if you redefine marriage out of existence it is going to have delitorious effects.
It is hard to make predictions. I think if Obama loses the next election there will be more resources at the federal level to encourage these States. All these things are supposed to be at the state or local level, and he is taking them to the federal level.
The most importante thing is the grass roots, and I would encourage the bishops and priests to read this and explain it to the people in their parishes, to build up a proper understanding. It would be great to get some federal laws in place, but we really need people at the local level to interiorize the goodness of this teaching, that is the best.

Hoje o professor falará na Universidade Católica às 18h30. Amanhã está prevista uma conferência às 21h30 na igreja paroquial das Caldas da Rainha e na quarta outra, à mesma hora, no seminário de Caparide. Quinta-feira é a vez do seminário de Almada, novamente às 21h30. Todas as conferências são públicas e de entrada livre

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