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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Fim-de-semana em cheio e Cristianismo em ação

Temos aí um fim-de-semana em cheio à porta!

Para além das eleições, temos a elevação de D. José Tolentino Mendonça a cardeal e, no domingo o arranque do sínodo da Amazónia. Acompanhem a Renascença para uma cobertura aprofundada quer de um quer do outro.

Hoje temos a sorte de ter uma grande entrevista a D. José Tolentino, em que ele fala do que a Igreja espera dele e explica que as diferentes sensibilidades na Igreja não são, nem nunca foram, um problema, são antes uma fonte de riqueza.

Temos também uma entrevista com o missionário Adelino Ascenso (na foto), que diz que a Igreja precisa de levar um “abanão”.

Como é que a detenção de um suspeito de ser incendiário pode ser uma questão de liberdade religiosa? Veja aqui, não se vai arrepender.

Peço-vos agora quatro minutos da vossa vida para verem o vídeo que está neste post. É um resumo da essência do Cristianismo. É santidade em ação. Não percam, mesmo.


Cristianismo em acção

Todas as noites tento rezar com os meus filhos, primeiro com os três mais novos, depois com os três mais velhos.

Ontem, em vez de rezar, sentei-me com eles para ver este vídeo.

Temos aqui o Jean Brandt a usar da sua prerrogativa de falar em tribunal na altura em que a homicida do seu irmão é sentenciada. Botham Brandt foi morto quando uma polícia chegava a casa e - segundo diz - entrou no apartamento dele por engano, pensando ser o dela. Ao ver um homem desconhecido no que pensava ser o seu apartamento, baleou-o duas vezes.

A resposta de Jean Brandt em tribunal vale mais que todas as catequeses, todas as homilias. É Cristianismo em acção. É heroísmo. É santidade. É tudo o que eu quero que os meus filhos sejam.


segunda-feira, 6 de maio de 2019

A alegria do Perdão e o Deus das surpresas

O Papa Francisco na Bulgária
O Papa Francisco está na Bulgária, onde hoje visitou um campo de refugiados, deu primeira comunhão a um grupo de perto de 250 crianças e participou numa vigília de oração pela paz.

Ontem foi recebido pelo Patriarca da Igreja Ortodoxa local, pedindo que a “alegria do perdão” ajuda os cristãos a alcançar a unidade e celebrou missa, falando do “Deus das surpresas” como alternativa a um regresso ao passado.

O Sri Lanka vai recuperando lentamente dos terríveis ataques de Domingo de Páscoa. As igrejas continuam fechadas enquanto os cristãos rezam pela paz.

Os bispos portugueses decidiram de forma unânime criar estruturas de proteção de menores nas suas dioceses.

No mundo de hoje “censura” é quase um palavrão. Mas a verdade é que a sociedade censura uma variedade de ideias e conceitos que não considera admissíveis. Neste artigo do The Catholic Thing em português, David Warren defende o regresso a um tempo em que ideias como eutanásia e infanticídio não eram sequer discutidos, quanto mais praticados.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

AIS condecorada na ONU

Clicar para aumentar
O Papa pediu esta quinta-feira o fim da cultura da vingança, recordando que quem não perdoa fecha a porta ao perdão de Deus.

A fundação Ajuda à Igreja que Sofre vai ser condecorada pela Missão Permanente da Santa Sé junto da ONU. Um prémio merecido pelo trabalho que fazem pelos cristãos perseguidos.

Temos ouvido dizer que morreu um português nos ataques no Sri Lanka. Digo eu que não foi um, foram dezenas.

Se é da zona do Porto, não perca esta formação interessantíssima que se realiza a partir do dia 12 de junho, sobre as diferenças entre a forma como a religião influencia a política na Europa e nos EUA. Ver a imagem para mais detalhes.

Alguma vez lhe tinha ocorrido que a Arca de Noé podia ser uma prefiguração de Cristo? Ou que Isaac a carregar a lenha pelo monte acima, para o seu próprio sacrifício, simbolizava Jesus a carregar a Cruz? Esta é a beleza do sentido figurativo das Escrituras, tema para o artigo desta semana do The Catholic Thing em português, a ler.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Américo, o auxiliar

Lisboa tem um novo bispo auxiliar. Por acaso é o meu chefe. O Papa nomeou esta sexta-feira o padre Américo Aguiar para ocupar essa função. O agora D. Américo deixou uma mensagem para Lisboa, dirigida especialmente aos jovens, e outra para o Porto, de onde é natural. Em entrevista à Renascença o novo bispo falou da importância de se monitorizar os media, a bem da democracia.

D. Manuel Clemente elogia as “grandes qualidades” do novo bispo e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa acha que ele será um bispo “muito completo”. Até o presidente da Câmara de Lisboa fez questão de saudar a “renovação geracional” que a escolha representa.

Uma das obras mais próximas do coração de D. Américo é a Irmandade da Torre dos Clérigos, cujo restauro ele supervisionou e que muitos dos que comentaram a sua escolha destacaram.

Mudando radicalmente de assunto, os padres portugueses sagraram-se novamente campeões europeus de futsal. A sério malta, já podiam começar a dar oportunidades aos outros…

E já começaram a sair as mensagens de Quaresma! Conheça aqui a do seu bispo, caso já tenha sido divulgada.

Deixo-vos ainda com esta entrevista ao Joaquim Galvão, que quer implementar o dia do Perdão e da Reconciliação, a 1 de Março. Uma excelente iniciativa.


sexta-feira, 20 de julho de 2018

Santidade em Fátima e lixo em São Tomé

Santificação em acção em Fátima
Ontem estive em Fátima no Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora. O ambiente é, de facto, muito especial!

Pude entrevistar o bispo iraquiano Georges Casmoussa, que falou da necessidade de perdão mesmo em casos de perseguição extrema e disse que a reconciliação no Iraque tem de ser liderada por leigos.

Hoje publicamos uma entrevista com o presidente da Conferência Episcopal do Brasil, que também está no encontro. D. Sérgio Rocha elogia o papel das Equipas para redescobrir a alegria do casamento e, noutro tema, diz que é cedo para se saber o sínodo da Amazónia, no próximo ano, irá aprovar a ordenação de homens casados.

Cabinda tem um novo bispo. Saiba porque é que isso é mais interessante do que possa parecer à primeira vista…


E saiba aqui como é que pode ajudar os Leigos pelo Desenvolvimento a comprar um carro de recolha de lixo para São Tomé!


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Não há paz sem perdão, mas há perdão sem cristãos?

Pe. Firas Mutfi
O perdão é crucial para se alcançar a paz no Médio Oriente, e os cristãos são cruciais para haver cultura de perdão. Quem o diz é o padre Firas Mutfi, que esteve em Portugal a convite da Ajuda à Igreja que Sofre.

Morreu o padre mais velho de Portugal, que conheceu o Papa em Maio. O padre Joaquim Pereira da Cunha tinha 105 anos.

Portugal despediu-se ontem de D. Manuel Martins, o bispo que “perseguiu sem descanso o sonho de um mundo de justiça”.

O artigo do The Catholic Thing desta semana vem mesmo a propósito. O médico e eticista Matthew Hanley fala de ideologia de género e equipara os procedimentos de “transição de género” ao abuso.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Trump quer católicos e papa condena "estrábicos"

Esta segunda-feira ficou marcada pelo histórico acordo de paz entre o Governo da Colômbia e as FARC. O secretário de Estado do Vaticano, que dentro de alguns dias estará em Portugal, esteve presente no momento da assinatura.

Dentro de menos de uma hora começa o debate entre Hillary Clinton e Donald Trump. Os dois estão empatados nas sondagens, mas Trump quer mais votos católicos e contratou dezenas de católicos conservadores, incluindo alguns que assinaram uma carta aberta contra ele em Março, para o aconselhar.

Durante o fim-de-semana o Papa recordou a morte de dois padres mexicanos, raptados e assassinados, e encorajou a Igreja daquele país que está a travar um braço-de-ferro com o Governo sobre o casamento homossexual.


Na véspera, Francisco esteve com familiares de vítimas do atentado de Nice e disse que a única forma de combater o ódio demoníaco é através do amor e do perdão.

Se é daquelas pessoas que pensa que os jornalistas são todos contra a Igreja, então saiba que o porta-voz da Conferência Episcopal de Espanha não concorda consigo…

A semana passada publiquei um artigo brilhante de Anthony Esolen no The Catholic Thing em Português. O autor lamenta o triunfo da ideologia sobre a busca da verdade e termina parafraseando São Paulo. Vale mesmo a pena ler.

E termino com um desafio para todos os educadores de infância. Vai haver uma peregrinação a Fátima, dirigido a todos os que trabalham com crianças até aos 6 anos. A data limite de inscrição é 30 de Setembro, portanto apressem-se! Todas as informações nas imagens por baixo.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

“Aqueles a quem os retiverdes…”

James V. Schall S.J.
Ultimamente tem-se falado muito de perdão e de misericórdia. A misericórdia de Deus pode, como bem sabemos, perdoar qualquer pecado, excepto aquele contra o Espírito Santo (Mt. 12,32). Este tem mais a ver com o pecador do que com a capacidade de Deus de perdoar. Se alguém verdadeiramente “desejar” não ser perdoado, então não pode ser perdoado. Ou melhor, não pode beneficiar das consequências do perdão de Deus. Se pudesse ser perdoado mas ao mesmo tempo desejar o pecado, então seria ele mesmo um Deus, todavia um deus voluntarista, que transforma o bem no mal. Tal deus não é Deus. Só porque Deus tem o poder de perdoar todos os pecados, não segue que todos os pecados serão perdoados. Tudo depende do pecador.

A misericórdia é uma questão secundária. Não é necessária a não ser que algo corra mal no mundo. Cristo veio para os pecadores, não para os justos (Lc. 5,32). Num mundo impecável, ninguém precisa de misericórdia. Mas o nosso mundo não é impecável, por mais que neguemos, em privado ou em público, que certos pecados são pecados.

Antes de haver quem precisasse de ser perdoado, São Tomás de Aquino já tinha defendido que o Universo foi criado num acto de misericórdia, não de justiça. Deus não precisava de criar nada. A criação não aconteceu porque Deus “devia” algo a alguém por uma questão de justiça. Ao criar criaturas livres, Deus compreendia bem que estas poderiam precisar de misericórdia para além de justiça. Sabendo-o, prosseguiu com o seu plano.

A misericórdia não se “opõe” à justiça, como se diluísse a justiça de Deus e do homem. Não é preciso escolher entre misericórdia e justiça, podemos ter as duas coisas. A misericórdia só entra em acção quando a justiça é vingada.

No Evangelho de São João (20,23), os discípulos recebem o Espírito Santo. Depois é-lhes dito: “Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos.” Ouvimos falar muito da primeira parte dessa frase, mas pouco da segunda. “A quem os retiverdes”.

Do ponto de vista da lógica, há coisas que são evidentes. As coisas que não são pecado não precisam de ser perdoadas. A maior parte das coisas que fazemos não são “pecados”. Mesmo para quem nega que o pecado existe (e ao que parece existem tais pessoas), a lógica parece evidente. Algumas das coisas que fazemos, ou pensamos, são pecados; outras não. É-nos possível identificar tanto o que é pecado como se decidimos agir sobre ele. Se alguém pensa que escovar os dentes de manhã é pecado então não precisa de perdão, mas sim de informação, embora mesmo uma consciência desinformada seja vinculativa.

Como vemos, o poder de perdoar pecados está ligado à retenção dos pecados. Quais devem ser perdoados? Quais retidos? Um confessor não tem a liberdade de perdoar aquilo que deve ser retido. Por outras palavras, quais são os princípios que guiam a retenção dos pecados?

Parece-me que os Evangelhos não deixam espaço para dúvida de que alguns pecados devem ser “retidos”. Com o devido respeito para com as teorias que defendem que o inferno está vazio e que todos são salvos, parece-me que, caso sejam verdade, então ninguém precisa de se preocupar com os pecados, pois serão perdoados em todo o caso. Mas isto não é possível. Se não houver qualquer acto da nossa parte que indique que sabemos o que é um pecado e que o cometemos, então não podemos estar no ramo do perdão.

O perdão exige algo que se possa perdoar e alguma indicação de que queremos ser perdoados. Reconhecemos que com o nosso pecado destruímos a ordem da bondade. No que me diz respeito, não quero nada com um Deus que se limita a “perdoar” sem fazer perguntas, sem qualquer exigência.

Que pecados são “retidos”? Só aqueles que não apresentamos, juntamente com a nossa participação na sua realização, para serem julgados. O acto de “retenção” cabe ao mesmo a quem é dado o poder de perdoar. Os fundamentos podem ser vários – negar que os pecados são pecados, negar que sabíamos o que estávamos a fazer, negar que existe o poder de perdoar ou reter os pecados.

A “retenção” é um acto tão solene quanto o perdão, talvez até mais. Se aqueles que são responsáveis pelo perdão e pela retenção esconderem ou obliterarem a diferença entre os dois, para que tudo seja perdoado, independentemente das circunstâncias, então a própria delegação de Jesus esvazia-se de sentido. A retenção dos pecados significa que não são perdoados.

Paradoxalmente, essa retenção é um acto de misericórdia. É a misericórdia da verdade que vai ao encontro do pecador. Fica a saber que não está de bem com Deus e consigo mesmo. Só sabendo a verdade sobre si mesmo é que se apercebe que precisa de reconhecer e arrepender-se.

Chamar o pecado pelo nome é simultaneamente um acto de coragem, justiça e misericórdia.


James V. Schall, S.J., foi professor na Universidade de Georgetown durante mais de 35 anos e é um dos autores católicos mais prolíficos da América. O seus mais recentes livros são The Mind That Is CatholicThe Modern AgePolitical Philosophy and Revelation: A Catholic Reading, e Reasonable Pleasures

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 5 de Julho de 2016 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Perdões polémicos e derrota suprema


(Clicar para aumentar)
No avião de regresso a Roma, Francisco disse que os Católicos devem pedir perdão aos homossexuais por ofensas cometidas contra eles. Esta frase motivou alguma perplexidade entre alguns cristãos, mas na verdade parece-me que o Papa apenas repetiu uma verdade evidente. Quando ofendemos alguém devemos pedir perdão, seja homossexual ou não, e todos sabemos que há muitas pessoas que não se limitam a opor-se à chamada “agenda LGBT” mas insistem em ir mais longe e atacar pessoalmente os seus adversários.


Uma aldeia cristã foi atacada no Líbano. Morreram cinco habitantes locais, o que tendo em conta a magnitude do ataque é um número mais baixo do que se poderia esperar.

Dos EUA vem a notícia de uma importante vitória para os movimentos pró-aborto. O supremo tribunal declarou inconstitucional uma lei do Texas que visava melhorar as condições de saúde e segurança nas clínicas locais e já tinha levado ao encerramento de dezenas de clínicas de aborto.


Termino com um aviso. Haverá uma interessantíssima sessão de esclarecimento sobre a Eutanásia no Hotel Palácio, no Estoril, na quinta-feira, com especialistas da Bélgica e França. O convite é a imagem que ilustra este post, não percam que vai certamente valer a pena!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Tratar os empregados como família e conselhos para CPM

Remember, remember... Martyr
Já são conhecidos alguns dos detalhes dos dois livros que revelam escândalos sobre o Vaticano. Há uma coisa importante a recordar… É que neste caso, os escândalos só vieram à luz do dia por causa da reforma interna que está a ser feita, o que não deixa de ser um bom sinal.

O Papa Francisco avisou as famílias que não se pode viver (bem) sem se perdoar.

Já hoje D. Manuel Clemente disse aos gestores cristãos que devem tratar os seus trabalhadores como se fossem a sua própria família. Um desafio, certamente.


Atenção a todas as pessoas envolvidas em cursos de noivos ou CPM, não percam o artigo desta semana do The Catholic Thing, com conselhos e recomendações muito práticas para quem prepara jovens para o casamento.

Hoje publiquei a transcrição integral da entrevista que fiz ao bispo nigeriano de Zaria, que sobreviveu a um atentado do Boko Haram. Vale bem a pena ler, para perceber como vivem os cristãos naquela região.

Deixo-vos por fim com uma recomendação e um aviso. Chegou-me à atenção uma livraria online dedicada só a livros católicos. Visitem a Livraria Filoteia, também no Facebook, para ver os melhores livros da milenar tradição da Igreja Católica - Stª Teresinha, S. Josemaría, S. Francisco de Sales, S. Luís de Montfort, Tomás de Kempis e outros.

E na segunda-feira, dia 9 de Novembro, estarei às 18h30 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa para falar dos desafios à Liberdade Religiosa. Apareçam, se puderem. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Francisco visita o Santo Sudário

A cara que se vê no Santo Sudário de Turim
O Papa Francisco pediu perdão pela forma como a Igreja Católica perseguiu os fiéis da Igreja Valdense, em Itália.

Isto passou-se durante uma visita de Francisco a Turim, durante a qual teve oportunidade de rezar diante do Santo Sudário, sobre o qual podem saber mais, aqui, nesta conversa com o jornalista e especialista João Paulo Sacadura.

Está em Portugal o presidente da Conferência Episcopal do Paquistão. O arcebispo Joseph Coutts esteve em Guimarães, onde falou da situação dos cristãos no seu país. Amanhã apresentamos uma entrevista mais aprofundada com este arcebispo.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

"Que Fazes Aí Fechada" no "Porta Aberta"

No domingo passado estive no programa Porta Aberta do Óscar Daniel, na Renascença. 
Foi uma conversa longa sobre o meu percurso, o meu trabalho enquanto jornalista, os meus estudos académicos sobre o perdão, a minha vida familiar e, claro, o meu livro "Que fazes aí fechada".
Para ouvirem a entrevista na íntegra basta clicarem aqui e escolherem o áudio, debaixo da imagem principal.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Abusos sexuais são profanação da imagem de Deus

Unidas na dor. Mães dos rapazes judeus assassinados
O Papa recebeu esta segunda-feira seis vítimas de abusos sexuais, no primeiro gesto do género do seu pontificado. Aqui podem ler a notícia da fantástica homilia em que Francisco pede perdão, condena o encobrimento dos casos e louva o facto de as vítimas terem denunciado publicamente os abusos. Mas se puderem, não deixem de ler a homilia completa, aqui a versão em inglês.

Por falar em abusos, o Ministério Público anunciou no fim da semana passada que deduziu acusação contra um padre da Ordem Hospitaleira de São João e um funcionário de uma instituição da mesma ordem, por prática de abuso sexual de pessoa internada e de pessoa incapaz de resistência. Este dado já foi acrescentado à cronologia de casos de abusos em Portugal.

Foi um fim-de-semana em cheio para o Papa que, no sábado, visitou uma zona pobre de Itália e lamentou a “indignidade” de não conseguir colocar pão na mesa.


Ao longo das últimas semanas a situação na Terra Santa agravou-se bastante, com a morte de três adolescentes judeus e o assassinato, em retaliação, de um árabe de 16 anos. Mas no meio da loucura há sinais de sanidade. A sanidade radical do perdão e da reconciliação. Não perca.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Cabelos, mártires e bispos centrais

Um mártir a sério...
Comecemos por uma das notícias mais fascinantes do dia. Uma mulher nos EUA ficou com o cabelo preso no motor de um kart… os funcionários cortaram o cabelo para a soltar e agora ela vai processar a empresa. O que tem isto a ver com a religião? Tudo! Saiba porquê. E já agora aproveito para recuperar este meu post sobre a importância do cabelo nas diferentes religiões.



Os bombistas suicidas gostam de se definir como mártires. Mas querem saber o que é um verdadeiro mártir? É isto.


E um alerta pra os católicos… quando reza o credo sabe bem o que está a dizer? É que o Papa não quer “papagaios” nas igrejas.

Chamo ainda atenção para uma notável nota pastoral dos bispos da República Centro-Africana, apelando ao perdão, condenando o linchamento de muçulmanos e rejeitando a ideia de que decorre um conflito inter-religioso.

Não deixe ainda de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, no qual Randall Smith defende que a nossa personalidade não deve ser vista apenas como um pilar da nossa individualidade, mas ser posta ao serviço dos outros.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Direitos humanos - aniversários, ameaças e vitórias

Pai dos direitos humanos?
Hoje é o aniversário da declaração Universal dos Direitos Humanos. A Renascença publicou dois trabalhos (um terceiro sairá em breve), sobre os direitos humanos por uma perspectiva católica.




Ainda no campo dos direitos humanos, o Papa chamou atenção para o “escândalo” da fome.


Sabia que o que os protestos na Ucrânia têm também contornos religiosos? Saiba mais aqui.

Por fim, mais dois textos de análise à exortação apostólica “A Alegria do Evangelho”. O que diz o Papa sobre a Família, e o que diz sobre o Perdão.

A Alegria do Evangelho - O Perdão

Para quantos estão feridos por antigas divisões, resulta difícil aceitar que os exortemos ao perdão e à reconciliação, porque pensam que ignoramos a sua dor ou pretendemos fazer-lhes perder a memória e os ideais. Mas, se virem o testemunho de comunidades autenticamente fraternas e reconciliadas, isso é sempre uma luz que atrai. Por isso me dói muito comprovar como nalgumas comunidades cristãs, e mesmo entre pessoas consagradas, se dá espaço a várias formas de ódio, divisão, calúnia, difamação, vingança, ciúme, a desejos de impor as próprias ideias a todo o custo, e até perseguições que parecem uma implacável caça às bruxas. Quem queremos evangelizar com estes comportamentos? (#100)
Este é um tema que me é particularmente caro e à volta do qual elaborei a minha tese de mestrado, por isso interessa-me particularmente. Quanto mais experiência tenho, mais acredito que o conceito cristão de perdão (que é diferente do judaico e do muçulmano), é uma das coisas mais “revolucionárias” que Cristo trouxe ao mundo. Hoje em dia partimos do princípio que devemos perdoar, mesmo que não o façamos, mas isso nem sempre foi assim e não é assim noutras culturas.

O Papa faz bem em ir directamente à ferida. Falar de perdão é fácil e bonito, mas custa quando somos a parte ofendida e todos esperam de nós essa atitude, quando nós nos sentimos merecedores de uma boa dose de vingança, ou pelo menos ressentimento.

O que Francisco nos está a dizer é que esse ressentimento não só nos mata por dentro, como é antievangélico. Uma comunidade de pessoas que se perdoam uns aos outros é muito mais “sedutora” que uma comunidade em que todos guardam ódiozinhos de estimação uns pelos outros.

A receita, diz o Papa, está em ser humilde até nas nossas orações. Não esperemos logo um coração capaz de amar como Cristo amou... sejamos mais modestos, basta rezar assim:

Pelo menos digamos ao Senhor: «Senhor, estou chateado com este, com aquela. Peço-Vos por ele e por ela». Rezar pela pessoa com quem estamos irritados é um belo passo rumo ao amor, e é um acto de evangelização. Façamo-lo hoje mesmo. (#101)


Outros temas:

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Patriarca-eleito critica co-adopção e críticas literárias

D. Manuel Clemente encontra-se por estes dias em Bruxelas onde, hoje, criticou duramente a lei da co-adopção por casais homossexuais. O Patriarca-eleito de Lisboa falou também de austeridade, à margem de um encontro com líderes religiosos em que participou.

A co-autora do livro-entrevista com o Papa, quando ainda era “apenas” Arcebispo de Buenos Aires, está em Portugal e conversou hoje com a Aura Miguel, falando da experiência.

Se fosse o ano passado, hoje seria feriado… Não foi para rimar, mas hoje é o dia de Corpo de Deus, um dos feriados suprimidos por causa da crise. D. Nuno Brás explica como se deve assinalar o dia, apesar de tudo.

Recentemente foi-me oferecido um livro sobre o “perdão”, escrito por um pastor pentecostal americano. Uma vez que este é um tema que me é particularmente caro, fiz aqui a crítica a “Incondicional?”. Em breve espero acrescentar algumas outras sugestões de livros sobre o tema, para quem quiser aprofundar.

"Incondicional?", de Brian Zahnd: Meio livro bom…

Em 2006 estava sentado num hotel no Vietname quando vi, num canal de notícias internacional, a notícia da matança numa escola da comunidade Amish, nos Estados Unidos. Nessa mesma noite surgiram as primeiras notícias da reacção da comunidade, que tinha feito questão de ir ter com a família do assassino para lhes dizer que não guardavam ressentimentos e que perdoavam. O próprio assassino tinha-se suicidado.

A partir dessa altura fiquei fascinado pelo tema do perdão.  Esse fascínio resultou primeiro num texto e eventualmente numa tese de mestrado.

Foi por isso com o maior interesse que soube da publicação de “Incondicional” de Brian Zahnd, um pastor pentecostal americano, que foi publicado em Portugal pela Letras d’Ouro, que muito simpaticamente me ofereceu um exemplar.

Tendo feito a minha tese sobre este assunto conheço já os principais trabalhos que foram escritos nos últimos anos sobre o perdão. Zahnd fala de pelo menos três deles, incluindo um que foi escrito sobre o caso dos Amish, e sustenta grande parte da sua argumentação nessas obras. Para quem não os conhece isso é uma forma boa de apanhar uma síntese, mas para quem os conhece bem, e serão claramente uma minoria dos leitores portugueses, o autor traz pouca coisa de novo.

O principal propósito do livro, contudo, é conseguido nas primeiras 150 páginas, isto é, realçar que o perdão não é um acessório bonito e secundário do Cristianismo, mas sim um aspecto absolutamente central. O perdão é uma das grandes novidades que o Cristianismo introduz no mundo e ainda hoje é algo que o distingue das restantes religiões. Isto é frequentemente ignorado por quem fala de valores judaico-cristãos, como se fossem todos comuns.

Zahnd é convincente ao estabelecer que o perdão é central para o Cristianismo e que um Cristianismo sem perdão não o é verdadeiramente. Daí lança algumas das questões importantes, como por exemplo, até onde se deve ir? A dúvida é tão pertinente, que foi precisamente a pergunta que São Pedro fez a Jesus. Quantas vezes devemos perdoar? Jesus foi claro, 70 X 7, que é como quem diz, infinitamente. É nesta altura que me lembro da frase de um simpático mas simples padre que confrontado com a passagem do Evangelho em que Jesus diz que se deve oferecer a outra face, começou a homilia dizendo: “Nem tudo o que Nosso Senhor nos diz é para se levado a sério”.

Mas não, este assunto claramente é para se levar a sério. Tão a sério que as últimas palavras de Jesus na cruz são para enfatizar este ponto: “Perdoai-os porque não sabem o que fazem”.

Zahnd faz pontes interessantes e desconhecidas da maioria entre o perdão proposto por Jesus e o antigo testamento. Mas como é hábito neste género de temas o mais interessante são mesmo os casos pessoais apresentados, como o da holandesa Corrie Ten Boom, que perdeu a família toda no holocausto e foi torturada por guardas alemães, que depois da guerra andou pela sua Holanda natal e pela Alemanha a pregar o perdão, até ao dia em que foi confrontada, no final de uma palestra, pelo seu carrasco no campo de concentração, que lhe tinha vindo pedir perdão pessoalmente. A sua explicação de como ultrapassou a resistência interior para estender a mão àquele homem é uma das maiores lições sobre o Cristianismo que já li.

Zahnd apresente muitos outros exemplos, todos inspiradores, e usa-os para tentar explorar também a complexa relação entre o perdão e a justiça, concluindo, correctamente, que perdoar alguém náo equivale a livrar essa pessoa da justiça civil.

Amish, exemplos de perdão cristão
Infelizmente, contudo, Zahnd deixa alguns temas por explorar, ficando só pela rama. No caso dos Amish, que ele apresenta como o protótipo da prática do perdão cristão, baseia-se muito no livro “Amish Grace”, mas ignora totalmente os trechos desse livro que falam de como para alguns membros da comunidade, sobretudo vítimas de abusos sexuais, o facto de haver tantas expectativas sobre o perdão pode tornar-se um peso, causando traumas quando este não surge de forma espontânea. Nada disto invalida a importância e a pertinência do perdão, mas ajuda-nos a compreender que o tema nem sempre é simples.

Zahnd faz outra conclusão particularmente importante, que levanta dúvidas a muita gente. Perdão e reconciliação, são a mesma coisa? A resposta é não e a consequência dessa resposta é que é possível perdoar um infractor que não se arrependa, na medida em que é possível perdoar sem reconciliar, pois a reconciliação, essa sim, exige o arrependimento do infractor.

Temos então, até este momento, meio livro bom. O problema começa a partir daí, até ao fim da obra, com Zahnd a lançar-se no que parece ser uma interminável homilia, dirigida sobretudo a um público-alvo americano e evangélico com o qual poucos leitores portugueses se identificarão. O seu objectivo é convencer-nos que é preciso viver o Cristianismo de forma mais radical, algo que se pode aplicar tanto ao tema do perdão como a muitos outros, e de facto, pelo meio, o autor mete referências ao perdão quase que a martelo, como se lembrasse de vez em quando de que era esse o propósito do livro.

É pena, porque chega-se ao fim do livro a pensar que metade do tempo que despendemos a lê-lo foi um desperdício, o que era desnecessário, tendo em conta a riqueza do tema.

Se recomendo o livro? Recomendo sobretudo para quem quer uma introdução ao tema e para quem não tem facilidade em ler inglês e que por isso não se pode lançar a ler obras que são, para dizer a verdade, substancialmente melhores, mas estão por traduzir.


Filipe d'Avillez

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O regresso dos judeus, bebés e beijinhos papais


Os judeus descendentes daqueles que fugiram ou foram expulsos da península ibérica no século XVI poderão vir a receber cidadania portuguesa. O assunto está a ser discutido hoje no Parlamento, mas mesmo se for aprovado ainda não há detalhes sobre como funcionará.

Bento XVI não beijava bebés… até chegar a Portugal. O Papa Francisco sempre beijou bebés, mas adivinhem qual a nacionalidade da primeira criancinha a receber essa honra? Pois é… podemos concluir que os bebés portugueses são mais queridos que os outros?

Os bispos portugueses estiveram reunidos por estes dias em Fátima. Prometem ser uma presença activa quanto aos problemas do país nesta fase e confirmaram que o pontificado de Francisco vai ser consagrado a Nossa Senhora de Fátima.

Em mais uma prova de que as religiões são irracionais e temem a ciência, o Vaticano está a organizar a segunda conferência internacional sobre células estaminais adultas. (Para quem não notou, isto é para ler com ironia…)

Surgiu ontem a notícia de que Bento XVI estaria gravemente doente. A Santa Sé nega.


Por fim dois avisos, ambos para amanhã. O lançamento do livro do meu bom amigo Frei Bernardo Corrêa d'Almeida. Escrito antes da eleição de um sucessor de São Pedro jesuíta que adoptou o nome Francisco, o livro é sobre São Pedro, escrito por um franciscano, com prefácio de um jesuíta. O lançamento é às 21h30 (ver anexo)

Também amanhã, mas mais cedo, pelas 15h00, realiza-se um debate sobre o perdão, que tem por base o livro “Incondicional? - O apelo de Jesus ao perdão radical”, editado em Portugal pela Letras d’Ouro”. Quem me conhece sabe como este tema é importante para mim, recomendo vivamente a participação, no auditório Lusitania - Rua do Prior, nº 6, à Lapa, Lisboa.

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