Mostrar mensagens com a etiqueta Damasco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Damasco. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Procura-se parteira. Se gosta de bebés, escusa de se candidatar

Esta semana vou publicar um artigo por dia sobre a liberdade religiosa, ou falta dela, na Europa ocidental. Hoje viajamos para a Suécia, onde vos apresento Ellinor Grimmark, uma parteira que foi impedida de trabalhar no seu país, por ser contra o aborto.

Esta não faz parte da série, mas podia fazer. O cardeal arcebispo de Sarajevo diz que todos os anos cerca de 10 mil católicos abandonam a Bósnia, por se sentirem discriminados.

A semana passada trouxe-vos uma entrevista com um padre sírio que trabalha com jovens e mulheres deslocados em Damasco, na Síria. Hoje, para os mais interessados, publico a transcrição completa dessa conversa,no inglês original. Não deixem de ler.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Zakka no Céu, mafiosos no inferno

Memória eterna...

Morreu mais um patriarca. Inácio Zakka I Iwas, Patriarca de Antioquia e de Todo o Oriente, líder da Igreja Ortodoxa Siríaca tinha 81 anos.

A esta hora já andam por Lisboa os peregrinos da “Noite XL”, uma peregrinação especial, promovida pelos jesuítas.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Faltam 20 dias do Natal!

Faltam precisamente 20 dias para o Natal! Na Venezuela… É verdade, o Presidente Maduro decretou a antecipação do Natal. Pois…

A Igreja em Moçambique está preocupada com o aumento da violência, como não podia deixar de ser.

Tristes notícias da Síria. Informação sobre o maior massacre de cristãos desde o início da guerra, e um ataque à nunciatura em Damasco, esta manhã, que pode ter sido acidental e felizmente não fez vítimas.

Ainda o sínodo da família. Esta manhã houve conferência de imprensa e ficou claro que as perguntas enviadas por Roma “não são um referendo”.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O fim está próximo! (Para a UE... talvez)

O fim já foi, para a Sinagoga de Jobar
O Tríduo Pascal já lá vai, não para todos os cristãos, mas para uma boa parte deles. Os judeus também celebraram a sua Páscoa e o rabino de Roma e o Papa trocaram mensagens calorosas de parabéns e promessas de oração.

Em Roma, como não podia deixar de ser, foram dias de grande intensidade. Desde a Via Sacra até ao próprio Domingo. Ontem a imagem mais forte terá sido do Papa a abraçar e beijar um rapaz deficiente profundo, mas ficou também o sentido apelo à paz no mundo.

De Sexta-feira Santa fica para registo a impressionante homilia do pregador da Casa Pontifícia, que deu a entender que ainda virão muitas surpresas para a Igreja! (E não, ao contrário do que disse uma importante cadeia de televisão, o facto de o Papa se ter prostrado diante da Cruz não é uma delas). Da vigília pascal fica o apelo a que nos cristãos “nunca se resignem”.


No Chipre não é Páscoa nem há grande causa para alegria. Segundo o líder da Igreja Ortodoxa, o fim está próximo! (Da União Europeia, entenda-se).

Bem menos agradável terá sido a Páscoa na Nigéria. Morreram pelo menos 40 cristãos em ataques inter-religiosos.

Os 22 judeus que ainda restam em Damasco tiveram uma notícia trágica ontem ao ver arder uma sinagoga que era património mundial da humanidade. Não são certamente só eles que choram!

E depois do Myanmar, agora é no Sri Lanka que os budistas atacam os muçulmanos. Não houve vítimas, mas há uma tensão crescente e perigosa no ar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Perdoa-me Papa! Ass. Paolo

Universidade do Peru procura jardineiros...
A Síria continua a dar que falar. Temos um artigo interessante com as opiniões do Patriarca Melquita, com sede em Damasco. Sua Beatitude Gregórios Halam III é muito pró-árabe e tem uma visão da realidade no Médio Oriente que muitos acharão surpreendente vindo de um líder cristão.





E por fim, o ex-mordomo do Papa, Paolo Gabriele, escreveu uma carta ao ex-patrão a pedir perdão.

Ontem, por lapso, disse que as ordenações de diáconos tinham sido em Viana do Castelo, na verdade foram em Viseu.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Uma breve análise da situação na Síria, pelo espectro religioso

Alauítas na Síria em apoio a Assad
A Síria continua emaranhada numa terrível violência, sem solução à vista.

Nas últimas duas semanas houve notícia de duas deserções muito significativas para regime, nomeadamente do embaixador sírio no Iraque e, antes disso, de um importante general aliado de Bashar Al-Assad.

O que é que estas duas figuras têm em comum? São ambos sunitas, como é quase toda a hierarquia da oposição ao regime, bem como a massa dos opositores que nas ruas têm agitado pelo fim do regime de Assad.

Estas notícias apenas confirmam algo que tenho dito desde o início do conflito: não é possível compreender o que se passa na Síria sem ver e compreender o espectro religioso, não só internamente mas também a nível regional.

Antes de mais, um rápido olhar ao país.

A Síria é composto por vários grupos éticos e religiosos. A esmagadora maioria da população, cerca de 75%, são muçulmanos sunitas. Os sunitas são o maior grupo islâmico a nível mundial e dominam também a maioria dos países da região árabe.Contudo, na Síria o regime é dominado por outro grupo, os alauítas.

Os alauítas são um ramo do Islão Xiíta. São encarados como heterodoxos tanto por sunitas como por a maioria dos xiítas, mas apesar de tudo são mais próximos destes do que aqueles. Na Síria os alauítas constituem cerca de 10% da população, mas tanto a família Assad como grande parte da estrutura que o cerca, pertencem a este grupo.

Ainda dentro do Islão deve-se falar dos curdos. Em termos religiosos os curdos, que são cerca de 5% da população, são sunitas também, mas isso não significa um alinhamento automático com a oposição. A questão tem grandes aspectos religiosos, mas a identificação religiosa não explica tudo.

Por fim, temos os cristãos. Cerca de 10% da população, há décadas que os cristãos encaram a Síria como um oásis de paz, progresso e estabilidade numa região volátil.


Sendo dominado por outra minoria religiosa, ao regime nunca interessou usar um discurso religioso e por isso o secularismo era ferozmente defendido em nome da unidade nacional. Não havia liberdade de expressão, é certo, nem liberdades políticas, mas havia liberdade de culto e não existiam problemas inter-religiosos.

Os cristãos estão divididos em várias igrejas católicas e ortodoxas, mas no terreno as relações são normalmente próximas. Com o início do conflito os cristãos não aderiram à revolta e alguns dos seus representantes apoiaram clara e publicamente o regime. Com a intensificação das lutas esse apoio foi-se moderando com apelos ao fim da violência, mas é claro que uma boa parte da oposição identifica os cristãos como sendo aliados de Assad e há muita preocupação entre a comunidade cristã de que o fim do regime traga os mesmos problemas que se têm visto no Iraque desde a queda de Saddam.

O facto de os cristãos, por tradição, não terem milícias nem recorrerem à violência torna-os alvos fáceis e, nalgumas aldeias, obriga-os a alianças de ocasião, na maior parte dos casos com os alauítas, que são na esmagadora maioria fiéis ao regime e temem uma verdadeira limpeza étnica no caso de este cair. É de realçar que o ministro da Defesa, nomeado em Agosto de 2011, e por isso uma peça chave no combate à revolta, é cristão.
Assad com o Patriarca Ortodoxo-antioqueno da Síria

O cenário interno é este, e é também isto que ajuda a perceber a reacção dos países vizinhos, a começar pela Turquia. Depois de anos a tentar entrar na União Europeia, sem qualquer sucesso para apresentar, Ancara está a olhar para o que se passa no Médio Oriente e a dar sinais de se querer impor como a grande força da região. Os turcos são, na esmagadora maioria, muçulmanos sunitas e por isso não é de admirar que haja uma natural solidariedade com a oposição, que tem usado terreno turco para se reunir e planear os ataques ao regime.

Outra grande potência da região é a Arábia Saudita, que apesar de ser tudo menos democrática, tem apoiado os esforços da oposição para destronar Assad. A solidariedade saudita não chega, por exemplo, ao Bahrein, onde um regime dominado por sunitas é contestado pela maioria da população, que é xiíta.

É precisamente o contrário do que se passa com o Irão, a grande potência xiíta mundial, que apoia os revoltosos do Bahrein mas tem todo o interesse em manter o regime de Assad em Damasco.

A Síria é assim uma peça fundamental no jogo de influências entre o mundo xiíta, liderado por um Irão prestes a conseguir uma arma nuclear, e o mundo sunita, maioritário.

Ao lado da Síria reina o nervosismo no Líbano, onde cristãos, sunitas e xiítas vivem mais ou menos em iguais proporções. O Líbano é um país minúsculo, que durante anos viveu na órbita de Damasco. Mudanças na Síria seriam muito importantes para o Líbano, principalmente porque um regime sunita dificilmente permitira que o Irão continuasse a fornecer o Hezbollah, o partido xiíta que hoje em dia tem mais força em Beirute e que mais mostra os músculos a Israel.

Quanto a Israel, a outra potência a ter em conta na região, poderá até ver com bons olhos a instalação de um regime que ajude a controlar o Hezbollah, mas por outro lado as relações com Assad estavam relativamente pacificados, e nunca se sabe o que trará um Governo novo ou democraticamente eleito.
Filipe d'Avillez

Partilhar