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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Faça você mesmo? Nem religião, nem circuncisão!

Mãos no ar se tens prepúcio!
O artigo de hoje sobre a liberdade religiosa na Europa volta-se para a Islândia, o mais recente país a tentar proibir a circuncisão por motivos religiosos. Porque isto das ameaças á liberdade religiosa não afecta apenas os cristãos, e temos de nos unir contra quem simplesmente não percebe a importância da religião.

O Papa Francisco criticou hoje a religiosidade do “faça você mesmo” e, na audiência geral, recebeu o cantor Sting e a sua mulher.

Monchique está a arder e o bispo do Algarve questiona a forma como se tem feito o combate ao incêndio enquanto pede que se minimize a burocracia para ajudar quem perdeu os seus bens.

Ontem escrevi e divulguei um artigo em defesa do bom nome de um amigo. É sempre uma questão difícil. Há quem ache que fiz bem, que estas insinuações e boatos se combatem com a verdade; há quem tema os efeitos de amplificar boatos que provavelmente não chegariam a muitas pessoas não fosse a minha resposta. Admito que é um dilema. Acabei por retirar o artigo e aqui explico porquê.

Sofre ou já sofreu de cancro? Conhece alguém nessa situação? Calculo que sim. Então não deixe de ler este tocante artigo de Brad Miner no The Catholic Thing em que ele explica como a doença o ajudou a mudar a sua concepção de Deus e do Céu.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Bispos contra o Governo, de A a V

Judeus na Flandres: "Eles que comam bolo"
Os bispos de Angola publicaram uma nota pastoral em que dizem que o país precisa de um governo que se preocupe com todos e não apenas com uma elite privilegiada.

Na Venezuela os bispos também têm coisas a dizer ao Governo, nomeadamente que o país está a cair na ditadura

Na Bélgica não sei se os bispos falaram, mas espero que o façam, porque a Flandres quer proibir o abate de animais para consumo de acordo com regras religiosas. Por outras palavras, o Governo da Flandres quer que judeus e muçulmanos deixem de poder comer carne produzida localmente.

A fundação Ajuda à Igreja que Sofre fez um estudo e apurou que foram destruídas cerca de 12 mil casas de cristãos pelo Estado Islâmico, só na zona da Planície de Nínive. Mas o Estado Islâmico tem os dias contados na região. Em Mossul estão quase a ser derrotados, mas prometem vender cara a derrota.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Manif contra a eutanásia, amanhã

Clicar para aumentar
Vai haver amanhã uma manifestação contra a eutanásia, no dia em que o assunto começa a ser discutido no Parlamento. É em cima da hora, é a meio de um dia de trabalho… é tudo isso, mas é o que há. Se puder ir, vá; se não puder, divulgue. É o meu caso.

A paróquia de São Brás, em Évora, faz 50 anos. Há todo um programa de festejos.

Quem também faz 50 anos em breve é a Universidade Católica, que também organizou uma conferência para assinalar o facto. Tudo aqui.

O homem de 27 anos que ontem matou seis pessoas numa mesquita, no Canadá, é admirador de Trump e de Marine Le Pen, aparentemente.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A Revolta dos Informáticos

"No, Trump! No!"
O Papa Francisco faz anos no sábado, hoje cantaram-lhe os parabéns antecipados e ele lembrou, na brincadeira, que na terra dele isso dá azar. Há um email para darem os parabéns a Francisco, e um hashtag. É só modernices!


Centenas de informáticos americanos estão a assinar uma carta aberta a recusar colaborar com a administração de Donald Trump no eventual registo de muçulmanos, ou expulsão em massa de “indesejáveis”.

Hoje é dia de Catholic Thing. Francis J. Beckwith escreve sobre a teoria que postula que a lei moral na realidade não existe, é só uma ilusão criada pelos nossos genes para facilitar a sua propagação… O que custa acreditar nisto? Demais, considera o autor.

Deixo-vos com duas recomendações. Corre uma petição para pedir que o aborto não seja um tema dado na educação sexual no segundo ciclo (crianças de 10 anos), que podem ler e assinar aqui, se assim entenderem.

E a paróquia da Estrela está a organizar uma série de catequeses para adultos. Três já foram, mas a quarta, intitulada “Deus ao Encontro do Homem”, decorre amanhã. Começa às 21h30 e dura uma hora. Estão todos desafiados! 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Diálogo Confuso com os Muçulmanos

Robert Reilly
Em 2013 a Faith and Reason Institute (que detém o The Catholic Thing) publicou, juntamente com a Westminster Institute uma monografia que eu escrevi sobre as Perspectivas e Perigos do Diálogo Católico-Muçulmano. Neste texto examinei uma década e meia de esforços por parte das três conferências episcopais regionais de desenvolver este diálogo. Os resultados não eram encorajadores.

Quem não se mostrou minimamente preocupada foi a Conferência Episcopal dos EUA, que aumentou a parada e criou uma comissão de diálogo nacional. O que podemos esperar desta iniciativa? Mais confusão, temo dizer.

Há vários problemas. Tal como a maioria dos Americanos, os bispos sabem pouco ou nada sobre o Islão. Logo, não compreendem o contexto em que falam os seus interlocutores. O resultado é que partem do princípio que os seus parceiros de diálogo são apenas uma imagem espelhada deles mesmos. É um grande erro.

Um exemplo foi dado recentemente pelo bispo de San Diego, Robert W. McElroy, no Instituto de Justiça e Paz da Universidade Joan B. Kroc, em San Diego. O Catholic News Service fez manchete com “Bispo desafia católicos a combater ‘maré feia de preconceito anti-islâmico’”. O bispo considera que os católicos devem erguer a voz contra as “distorções de ensinamentos e teologia muçulmana sobre a sociedade e o Estado”.

Que distorções são essas? Aparentemente devemos ver com revolta as “repetidas falsidades” de que o Islão é inerentemente violento, que os muçulmanos procuram impor a Sharia no lugar da Constituição americana e de que a imigração muçulmana ameaça a “identidade cultural do povo americano”.

O parceiro de diálogo do bispo McElroy nessa noite era Sayyid Syeed, líder da Sociedade Islâmica da América do Norte (ISNA), cujo nome já me era conhecido por ser uma presença regular no diálogo católico-muçulmano da minha região. Talvez o bispo não conhecesse a história do ISNA, que surgiu da Irmandade Muçulmana, a primeira organização no mundo a trabalhar pelo restabelecimento do califado e que se dedica à implementação da Sharia.

Mas não se fiem apenas em mim.

O Dr. Muzammil Siddiqi, ex-presidente do ISNA e participante frequente nas sessões de diálogo, disse o seguinte ao jornal “Pakistan Link”: “Não nos devemos esquecer que as leis de Allah devem ser estabelecidas em todas as terras, e que todos os nossos esforços devem conduzir-nos nessa direcção”. Em 2001 escreveu “à medida que mais pessoas aceitam o Islão, insha’allah, isso levará à implementação da Sharia em todas as regiões”.

Zuhdi Jasser, fundador do Forum Islâmico Americano para a Democracia adverte que, na convenção anual do ISNA em 1995, o orador principal, Imam Siraj Wahhaj, pediu a substituição da Constituição pelo Alcorão. Não admira que Jasser lamenta aquilo a que chama uma “relação infeliz entre a hierarquia católica e o ISNA”. (Jasser, ao que parece, não seria um bom parceiro para este tipo de diálogo).

Embora reconheça a situação terrível que os cristãos enfrentam no Médio Oriente, o bispo McElroy louvou o respeito do Islão pelo que chama “os povos do Livro”. Foi logo ecoado por Syeed que disse, de acordo com a CNS, que o primeiro milénio foi marcado por boas relações entre o Cristianismo e o Islão, mas que tudo isso mudou no milénio seguinte, que incluiu as cruzadas.

É uma perspectiva interessante da história.

Sayyid Syeed
No ano 650 os muçulmanos já dominavam o Iraque, a Síria, Líbano, Palestina e Egipto, tudo países cristãos até então, cujos habitantes passaram a ter o estatuto secundário de dhimmis. Passado menos de um século o Islão tinha-se espalhado para o Norte de África e Espanha – tudo isto no primeiro milénio das “relações positivas”. Em nenhum destes casos a ocupação foi pacífica.

Sugiro aos bispos que coloquem nas suas listas de leitura o livro de Bat Ye’Or “O Declínio do Cristianismo Oriental sob o Islão: Da Jihad aos Dhimmis”, para que possam falar com rigor sobre o respeito que o Islão revelava pelos “povos do livro” durante o primeiro milénio e posteriormente. Com base neste passado, será tão inadequado dizer que há algo “inerentemente violento” no Islão?

Syeed concluiu, dizendo que no segundo milénio “as duas fés dividiram o mundo em ‘a casa do Islão’ e ‘a casa do Cristianismo’”. Na verdade essa divisão foi feita muito antes e pelo Islão, que criou a distinção entre dar al-islam e dar al-harb, com o mundo cristão a ser descrito como a “casa da Guerra”.

Mas será esta distinção seja antiquada? Por volta da mesma altura em que o bispo McElroy falava, num sermão de sexta-feira em Edmonton, Alberta, o imã Shaban Sherif Mady declarava: "Anseiam por isto, porque o profeta Maomé disse que Roma iria ser conquistada! E será conquistada. Constantinopla foi conquistada. Roma é o Vaticano, é o coração do Estado cristão".

Pergunto, então, quem é que está a entender mal o Islão, o Imã Siraj Wahhaj ou o bispo? (Nem falo em Syeed, porque ele saberia certamente que Maomé disse isto).

Por outras palavras o evento do Instituto de Paz de San Diego proporciona um microcosmos para tudo o que costuma correr mal com o diálogo católico-muçulmano quando este é conduzido pelas conferências episcopais. Nenhum dos muitos reformadores muçulmanos intelectuais com quem trabalhei ao longo dos anos foi alguma vez convidado para um encontro destes. Na maior parte, apenas as organizações muçulmanas se devem dar ao trabalho de se candidatar.

Isto ajuda a legitimar os clones da Irmandade Muçulmana e aliena as verdadeiras vozes de reforma muçulmana. Por outro lado, uma vez que acabam frequentemente por representar mal a substância, os diálogos acabam por espalhar equívocos sobre o Islão em vez de os ultrapassar.

Uma vez que os muçulmanos se estão nas tintas sobre o que os católicos dizem sobre o Islão, os únicos a quem este tipo de diálogo confunde são os próprios católicos. Sugiro, como lema para esta nova iniciativa de diálogo da USCCB, o dito de Bento XVI de que “a verdade torna possível o consenso” e, por consequência, a insensatez torna-a impossível.

De acordo com a reportagem da CNS da semana passada, o bispo McElroy disse que a revolta que domina o actual clima político é um sinal de alienação popular por as pessoas não sentirem que estão a ser ouvidas pelas elites. O bispo McElroy é uma das elites. Estará a ouvir?


Robert Reilly é director do Westminster Institute e ex-director da Voice of America. Leccionou na National Defense University e serviu na Casa Branca e no Gabinete do Secretário da Defesa. É autor de The Closing of the Muslim Mind: How Intellectual Suicide Created the ModernIslamist e o seu mais recente livro é Making Gay Okay: How Rationalizing Homosexual Behavior is Changing Everything.

(Publicado pela primeira vez na Segunda-feira, 21 de Março de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Judeus precisam de Jesus?

O Papa na Sinagoga de Roma
No domingo o Papa visitou a sinagoga de Roma. É uma visita que cumpre uma tradição recente, mas é significativa, como explicam aqui a Esther Mucznik e o padre Peter Stilwell que concordam, ambos, que o ponto de viragem nas relações entre as duas fés foi o holocausto.

Da visita, destaca-se o facto de o Papa ter falado da irrevogabilidade da Antiga Aliança entre Deus e Israel. Podem parecer palavras de circunstância, mas não são, de todo. Trata-se de uma questão premente na teologia católica e, sobretudo, nas relações com os judeus. Será que os católicos têm a obrigação de evangelizar os judeus? Neste artigo explico um bocado melhor que questão é esta, de onde vem e quais as implicações.

Morreu no Quénia um muçulmano que se recusou a abandonar os cristãos durante um ataque terrorista, dizendo que se iam matar os cristãos teriam de matar todos. Salvou a vida a muitas pessoas num gesto de enorme coragem. Que Deus lhe dê eterno descanso.

O Papa Francisco escreveu esta manhã uma mensagem para o Fórum Económico Mundial de Davos a pedir que os reunidos não se esqueçam dos mais pobres.

E no artigo do The Catholic Thing de hoje temos Randall Smith a falar do paradoxo de sermos uma cultura que compra e vende arte por milhões de euros, enquanto extermina crianças por terem trissomia XXI. Nem sempre concordo a 100% com os textos que apresento nesta rubrica, mas este assino por baixo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Sim, Cristãos e Muçulmanos Adoram o Mesmo Deus

Francis J. Beckwith
Nota: O mais recente artigo do professor Beckwith sobre este assunto gerou muita controvérsia entre leitores do The Catholic Thing e outros. Muitas pessoas pensaram que ele estava a afirmar a semelhança daquilo que são claramente duas religiões muito diferentes. Neste novo artigo ele clarifica alguns pontos da doutrina católica sobre o assunto e sobre a relação entre o Cristianismo e o Islão. – Robert Royal

No dia 17 de Dezembro abordei nesta página a questão de se os muçulmanos e os cristãos adoram o mesmo Deus. Dei a mesma resposta que foi dada pelo Vaticano II, e pela Igreja Católica desde o Concílio: Sim. Os Muçulmanos e os Cristãos adoram o mesmo Deus, pese embora o Islão tenha um entendimento imperfeito do divino, uma vez que nega a divindade de Cristo e, implicitamente, a natureza trinitária de Deus.

Como a Igreja declara na Nostra Aetate (1965) sobre os muçulmanos: “Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens (…) Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram Jesus como profeta”.

Este argumento levou a muitas respostas críticas, quase todas de cristãos não-católicos, incluindo pensadores distintos como Albert Mohler, Andrew Walker, Matthew Cochran e Peter Leithart. (Isto para não falar de uma enxurrada de revolta de leitores do The Catholic Thing). Cada um deles, enfatizando questões diferentes, identifica correctamente aquilo que os cristãos consideram ser as inadequações da teologia islâmica, tendo em conta a forma como Deus se tem revelado ao longo da história, como aprendemos na Escritura. Nada tenho contra esta linha de argumentação, pelo contrário, ela é consistente com o meu próprio argumento. Passo a explicar.

A visão da Igreja distingue entre revelação “geral” e “especial”. A primeira diz respeito àquelas verdades sobre Deus que podem ser conhecidas através da razão humana, por si; esta diz respeito àquelas verdades sobre Deus que só conhecemos através da Escritura, Sagrada Tradição e/ou o Espírito Santo que fala através do magistério. (Muitos protestantes também aceitam esta distinção, embora na categoria de revelação especial incluam apenas as Escrituras).

Para melhor compreender esta distinção, vejamos este argumento para a existência de um Deus Criador, do filósofo persa e muçulmano Al-Ghazali (1058 – 1111 AD), conhecida como o “Argumento Cosmológico de Kalam” e que é uma peça proeminente da filósofo e apologista evangélico William Lane Craig. Ele resume o argumento da seguinte forma.

1. Tudo o que tem início tem uma causa.
2. O universo começou a existir.
3. Logo, existe uma causa para a existência do universo.

Depois de defender cada uma das premissas deste argumento, um cristão com formação filosófica passará a demonstrar (através de vários argumentos) que a primeira causa do universo deve necessariamente ser um Criador eterno, auto-subsistente, perfeito e não causado, que sustenta tudo e que não deriva o seu ser de qualquer outro. (O Craig coloca a questão de uma forma ligeiramente diferente, uma vez que não é um teísta clássico, o que levanta a questão ainda mais bizarra de saber se todos os cristãos adoram o mesmo Deus, um assunto que deixaremos para outra altura).

Suponha-se que o Abdullah, um ateu árabe, depois de se ter deixado convencer por este argumento passa a acreditar, como acreditam os cristãos, que tal Criador existe. Será que o Abdullah e um cristão acreditam no mesmo Deus? Parece-nos que sim. O Cristão, como é evidente, não só acredita neste Deus mas presta-lhe culto também. Acredita também em muitas outras coisas sobre este Deus que a revelação geral, por si só, não lhe fornece. Estas coisas incluem a noção de que Deus é uma trindade, que a Segunda Pessoa da Trindade encarnou como Jesus, e por aí fora. De acordo com a fé cristã, estas crenças apenas se podem depreender com base na revelação especial, a Bíblia.

"Não há outro Deus que não Deus"
Pouco depois de ter mudado de ideias sobre a existência de Deus, Abdullah passa a frequentar a mesquita local, onde lhe ensinam a acreditar que o Criador (a quem ele chama “Allah”) é digno de adoração, não é uma Trindade, não pode gerar nem ser gerado, e por aí fora. Estas crenças não derivam da revelação geral que o levou a acreditar em Allah mas derivam, antes, daquilo que os muçulmanos acreditam ser revelação especial, o Alcorão.

Será que Abdullah e o cristão ainda acreditam no mesmo Deus, que agora ambos adoram? Sim, mas com um senão: Embora adorem o mesmo Deus, não podem ter os dois razão sobre a Trindade e a Encarnação. Partindo do princípio que o Cristianismo e o Islão são opções mutuamente exclusivas, entre o cristão e o Abdullah há um que sabe mais sobre Deus do que é possível depreender a partir da revelação geral. Mas é precisamente por isso que é correcto dizer que adoram o mesmo Deus, apesar de um deles estar claramente enganado sobre algumas das crenças que tem sobre esse Deus.

Vejamos mais este exemplo: A Lois Lane está apaixonada pelo Kal-El (o nome de nascimento do Super Homem), e acredita que ele não é humana porque nasceu em Krypton. Agora imagine-se que a Lana Lang se apaixona pelo Clark Kent (o alter-ego jornalista do Super Homem) e que acredita que ele é humano porque pensa que é filho de Martha e Jonathan Kent. A Lois não sabe que o Kal-El é, na realidade o Clark Kent e a Lana não sabe que o Clark Kent é, na realidade, Kal-El.

A Lois e a Lana estão apaixonados pelo mesmo homem? Claro que sim, embora uma delas esteja claramente enganada no que diz respeito a algumas das crenças sobre o Kal-El/Clark e a sua natureza. A razão por detrás disto é que existe apenas um ser que é, na sua essência, o Kal-El.

Da mesma forma, existe apenas um ser que é, na sua essência, Deus: o Criador eterno, auto-subsistente, perfeito, não causado, imutável, que tudo sustenta e que não deriva o seu ser de qualquer outro. Nas palavras de São Paulo, no seu sermão no Areópago, “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens (…) porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos. (Actos 17: 24,28)

Se esta descrição corresponde a quem adora, então adora Deus. Em todo o caso, faria bem em dar atenção à conclusão de São Paulo nesse dia em Atenas: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há-de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos. (Actos 17:30,31)

Deo Gloria.


(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 7 de Janeiro 2015 em The Catholic Thing)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics.

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

E Agora Islão?

David Carlin
Ao contrário do Catolicismo, o Islão não tem qualquer autoridade central, nenhum Papa que possa emitir sentenças definitivas sobre o que é ou não é ortodoxo. Nesse aspecto, o Islão é mais como o Protestantismo, que tem centenas de denominações concorrentes, cada uma das quais diz ser detentora da “verdadeira” versão do Cristianismo.

Pelo menos era assim no mundo protestante até há cerca de 100 anos. Com a chegada do protestantismo ecuménico, porém, uma grande parte do mundo protestante – a parte não-fundamentalista – decidiu que todas as versões do Cristianismo são basicamente iguais em termos de verdade. O mundo islâmico ainda não chegou a um ecumenismo tão abrangente. Os muçulmanos ainda insistem que a verdadeira versão do Islão é a sua.

O Estado Islâmico considera que representa o verdadeiro Islão. Por outras palavras, o verdadeiro Islão é aquele que estabelece (ou reestabelece) o Califado; que procura, com recurso à violência militar, conquistar o mundo; que pressiona os cristãos e outros não-muçulmanos, através da persuasão, da perseguição e do terror, a aceitar o Islão. Trata-se de uma versão moderna do Islão que imita o Islão primitivo que, surgindo na Península Arábica logo a seguir à morte do profeta, conquista rapidamente o Império Persa e uma grande secção do Império Romano, da Síria no Oriente até Espanha no Ocidente.

A maioria dos muçulmanos, incluindo uma grande maioria dos académicos muçulmanos, diria, como é evidente, que o Islão do Estado Islâmico não é o verdadeiro Islão. Podem não estar de acordo sobre o que constitui o verdadeiro Islão, mas concordam sobre o que não é, e não é o Estado Islâmico.

Mas perante isto o Estado Islâmico responde de duas maneiras. Uma é a resposta retórica: “Os nossos objectivos e práticas assemelham-se, muito mais do que as vossas, aos objectivos e às práticas dos primeiros califas, aqueles que sucederam imediatamente o Profeta. Como eles, somos muçulmanos militantes. Somos guerreiros de Allah. Somos jihadistas. Vocês, por outro lado, são gatinhos. Não estão dispostos nem a matar nem a morrer pela nossa santa religião”.

A outra resposta é dada no campo. O Estado Islâmico está a ter sucesso. Estabeleceu um estado (ou um quase-estado) no Iraque e na Síria. Estabeleceu alianças com organizações semelhantes desde a Indonésia à Nigéria; para todos os efeitos está agora à cabeça de uma federação jihadista global. Atingiu os infiéis em França, na Rússia e noutros locais e tudo indica que o fará novamente no futuro. Pela primeira vez desde o declínio do Império Otomano, o Ocidente teme o Islão militante. “Contra factos não há argumentos”, dirá o Estado Islâmico “e o facto é que nós temos sucesso, vocês não”.

Como já afirmei, não existe um Papa muçulmano que possa dizer que o Estado Islâmico não representa o verdadeiro Islão. A verdadeira definição do Islão será decidida numa espécie de referendo informal, levado a cabo ao longo dos próximos 50 a 100 anos pelos cerca de 1,5 mil milhões de muçulmanos do mundo. Se o Estado Islâmico continuar a ter sucesso, e se tornar ainda mais poderoso e bem-sucedido, é muito provável que uma maioria dos muçulmanos do mundo acabe por decidir que a versão de Islão do Estado Islâmico é a verdadeira.

Que Islão terá o futuro?
Esta é a verdadeira justificação para usar força militar massiva, incluindo algumas centenas de milhares de “botas no terreno”, para esmagar o Estado Islâmico antes que se torne maior e tenha ainda mais sucesso. O problema não é que o Estado Islâmico mate umas centenas de pessoas em Paris, mais uns milhares em sítios como Londres, Roma, Berlim, Madrid, Moscovo, Washington e Las Vegas. Podemos tolerar uns milhares de homicídios. Aqui nos Estados Unidos toleramos mais de 10 mil homicídios todos os anos. O que não podemos é tolerar uma redefinição do Islão segundo o modelo do Estado Islâmico – um Islão que mobiliza uma quinta parte da população do mundo para conduzir uma guerra santa contra os outros 80%.

Ao eliminar o Estado Islâmico estaríamos a fazer um grande favor a nós mesmos e sobretudo aos nossos netos e bisnetos. Mas estaríamos a prestar um serviço igualmente importante à maioria dos muçulmanos do mundo. Claramente, o mundo Islâmico está numa encruzilhada. Sente que deve responder de forma definitiva à cultura de modernidade que vem dos Estados Unidos em particular e do Ocidente de forma geral, uma cultura incompatível com o estilo de vida tradicional do Islão e que está a tomar conta do mundo e a transformá-lo.

Uma possível resposta é aquela que o Estado Islâmico está a propor: um regresso ao Islão militante do primeiro século depois de Maomé. Outra resposta possível é a modernização do Islão para que consiga abraçar os elementos menos maus da modernidade. Se o Estado Islâmico for eliminado, o mundo muçulmano não terá outra alternativa que não virar-se para a resposta da modernização.

Trata-se de um grande “se”. Quando falo do futuro com os meus alunos alerto-os sempre para o seguinte: “Embora seja possível prever os movimentos do sol, da lua e dos planetas, é praticamente impossível prever o futuro da humanidade”.


David Carlin é professor de sociologia e de filosofia na Community College of Rhode Island e autor de The Decline and Fall of the Catholic Church in America

(Publicado pela primeira vez no sexta-feira, 20 de Novembro de 2015 em The Catholic Thing)

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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Papa vai à sinagoga e dicas de presentes de Natal

Presentes de Natal!
O Papa Francisco vai visitar a sinagoga de Roma em Janeiro, como já fizeram antes dele os Papas Bento XVI e João Paulo II.

Está disponível o livro “Quero dizer-Te: Obrigado!”, um roteiro espiritual, que pretende ajudar doentes e os que cuidam de quem está a viver a última etapa da vida.

Enquanto prosseguem os desenvolvimentos à volta dos atentados de Paris, a comunidade muçulmana de França teme represálias e insiste na mensagem de que o Islão não tem nada a ver com aquilo.

Encontram-se em Lisboa dois irmãos cristãos da Palestina, que vêm vender artesanato produzido pela comunidade cristã de Belém. Os artigos estão à venda na entrada da Igreja dos Mártires, no Chiado e a sua compra é uma forma muito concreta de ajudar estes cristãos, que vivem situações complicadas.

O ano passado também cá estiveram e na altura entrevistei um deles. A transcrição integral dessa entrevista, muito interessante, está aqui e não perdeu nada da sua actualidade.

terça-feira, 14 de abril de 2015

“Há muita coisa que se diz sobre os salafitas que é mentira”

Transcrição integral da entrevista feita ao Sheikh David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa. A reportagem, com vídeo, está aqui.

Faz um ano que foram raptadas centenas e raparigas de uma escola na Nigéria, por um grupo que diz agir em nome do Islão. Enquanto clérigo muçulmano, como é que isto o faz sentir?
Com muita tristeza, com muita mágoa, muita dor.

O facto de qualquer acção de agressividade ser feita, por qualquer pessoa, já é triste. Quando é feita em nome de uma religião que transmite a paz e quer uma boa convivência entre as pessoas e entre os povos, muito mais nos entristece.

Infelizmente já se passou um ano e ainda elas continuam nas mãos deles e parece que a comunidade internacional parou, não se consegue fazer nada, por isso esta outra tristeza, outro lamento, que fala-se muito e faz-se quase nada.

Este ano tem sido particularmente complicado em termos de terrorismo por parte de grupos islamitas. Tivemos o rapto das crianças, a ascensão do Estado Islâmico, os ataques ao Charlie Hebdo, mais recentemente o ataque do al-Shabab à Universidade no Quénia... Tem sido difícil para a comunidade muçulmana gerir o impacto destes actos?
Nós tentamos esclarecer as pessoas sobre o que é o Islão e o que infelizmente algumas pessoas fazem em nome do Islão. Não tem sido fácil, porque as pessoas, infelizmente, algumas já têm, uma ideia fixa, só vêem de uma forma e não têm abertura suficiente para ouvir uma outra voz e perceber as verdades. Mas por outro lado há pessoas que conseguem distinguir e simpatizam connosco, podemos dizer assim. Não tem sido fácil. É um a seguir ao outro... Tentamos esclarecer as pessoas e vamos continuar a fazê-lo, independentemente de as pessoas gostarem ou não, de criticarem ou não, vamos continuar a fazê-lo e a dizer a verdade, porque quem esconde a verdade é mais criminoso que aquele que comete o próprio crime.

O Sheikh David Munir e a direcção da comunidade Islâmica têm sido firmes na condenação do terrorismo e sabemos que outros líderes islâmicos também. Mas mesmo assim, continuamos a ouvir apelos para que altas figuras do mundo islâmico condenem inequivocamente estes actos. Há falta de firmeza por parte destas figuras, ou as suas vozes não nos chegam?
Acho que a segunda hipótese será mais provável, manifestam-se e nós é que não sabemos.

Muitas vezes quando recebemos informação por mail, que houve encontros ou manifestações a condenar estes ataques, nem sequer ouvimos falar disso porque a nossa comunicação social não está muito interessada. Aliás, a nossa comunicação social está mais interessada em divulgar estragos e crimes do que encontros positivos.

Mesmo na nossa sociedade, a seguir aos ataques fizemos um encontro inter-religioso na mesquita, na sinagoga e numa Igreja Católica, e só um dos três ou quatro canais de televisão que temos é que fez a cobertura. As outras todas não se interessaram, paralisaram. É claro que esses encontros têm de ser divulgados também, para as pessoas terem a noção e a consciência de que nem toda a gente concorda com o que é feito em nome da religião. Há muita gente que não concorda e muita gente que condena e muita gente que se manifesta publicamente. Mas há pouca cobertura desses eventos.

Sempre que há um ataque destes as objectivas viram-se para si e para outros líderes islâmicos para pedir uma reacção. Mas pode-se argumentar que esse facto em si revela que as pessoas associam de alguma maneira os actos à comunidade muçulmana em geral. Isso preocupa-o?
Há um dizer do profeta que diz: “Todas as acções dependem das intenções”. Quem faz as perguntas são jornalistas e muitas das vezes fazem, sabendo a minha resposta, mas é mais para esclarecer as pessoas que nos estão a ouvir ou a ver, para enfatizar que o Islão condena, que os muçulmanos portugueses condenam, muitos outros também condenam.

Aqui depende da intenção, de como é colocada a questão. Eu costumo responder aos jornalistas "o que é que acha que é a minha opinião?" E dizem, "sabemos que o senhor condena", e eu digo que é essa a minha resposta.

Porque as pessoas têm de estar esclarecidas daquilo que é o Islão. E muitas das vezes, quando algum acto é feito em nome do Islão a pessoa consegue distinguir. Pode-se dizer que é feito em nome da religião islâmica, mas não tem nada a ver com o Islão e só pode distinguir quem nos conhece, quem não conhece pensará que somos todos iguais e muitas das vezes as pessoas colocam-nos no mesmo saco.

Maajid Nawaz
Recentemente entrevistei o Maajid Nawaz, um ex-islamita, ligado ao Hizb ut-Tahrir, que actualmente, apesar de continuar a identificar-se como muçulmano, faz campanha contra o islamismo. Ele argumenta que é um erro, e contraproducente, dizer-se que movimentos como o Estado Islâmico, e outros, nada têm a ver com o Islão. Qual é a sua opinião?
Eu conheço Maajid Nawaz e já estive com ele em diversos encontros.

Num dos encontros, quando falei da nossa comunidade portuguesa, porque ele vive em Inglaterra, quando falei sobre a nossa comunidade ele disse: "Aqui está um bom exemplo de integração, e nós precisamos de si". E convidou-me várias vezes para participar em eventos, para esclarecer as pessoas. Só que não é esclarecendo as pessoas que se resolve o problema. O problema das outras comunidades islâmicas no ocidente, mais concretamente na Europa, o problema que é colocado de integração, convivência e ajustes de cultura, não faz parte da nossa agenda na comunidade portuguesa.

Nós não perguntamos aos muçulmanos se estão ou não integrados, nem sequer é colocado. Não está na nossa agenda. Então porque é que está na agenda das outras comunidades? Porque desde o início, quando essas comunidades começaram a crescer, foram-se criando guetos, e temos vários casos em vários países da Europa. Aqui não temos, felizmente, porque se tivéssemos, provavelmente iríamos ter mais ou menos os mesmos problemas de base.

Agora, é claro que eles, ao utilizarem o nome do Islão, onde é que vão buscar? Qual é a fonte? O Alcorão fala sobre a guerra, como defesa e não como ataque, e muitas vezes eles retiram o trecho do contexto, porque muitos dos versículos foram falados para aquele momento, naquela altura, era uma resposta para uma questão imediata naquela altura. E nós não podemos esquecer que os muçulmanos tiveram de enfrentar muitas dificuldades para se manterem firmes na sua crença e na sua posição.

Em relação ao Hizb ut-Tahrir, lembro-me que há muitos anos vieram dois elementos ao nosso país. Quando eles vieram, conversaram comigo, muito antes da Al-Qaeda, do Estado Islâmico, dos atentados do 11 Setembro, vieram sondar quantos muçulmanos há, o que achavam, porque o termo "califado" é um termo que hoje é muito deturpado. Quando nós falamos do califado estamos a falar da justiça, estamos a falar de igualdade, tolerância, boa convivência com os outros povos. Não é aquilo que vimos quase todos os dias.

Esses dois membros perguntaram o que é que eu achava e eu disse que sim, se tivéssemos um califa justo, honesto, sincero, aberto, porque não? Quem seria a pessoa ideal? Quem? Os países islâmicos estão como estão, portanto acho que teoricamente é muito bom, mas na prática, disse-lhes na altura, é um trabalho muito longo. Vai ser quem? Um político? Um religioso? Tem de ser uma pessoa do oriente, do ocidente?

Mas depois quando eles perceberam que aqui não havia muitas probabilidades de conseguirem adeptos... Quando ele me disse que era membro do Hizb Ut-Tahrir fez-se um click. Quando vieram dois muçulmanos de Inglaterra, de origem bangladeshi, provavelmente já nascidos em Inglaterra, mas cujos pais tinham vindo do Bangladesh e que estavam com essa preocupação... Claro que comecei a aprofundar e conhecer melhor o Hizb ut-Tahrir mas estava longe de imaginar que a ideia que eles têm do califado, nem tudo tem a ver com o que o Islão transmite.

O Estado Islâmico aponta para antecedentes na tradição da jurisprudência islâmica para justificar muitas das suas atrocidades, como por exemplo lançar homossexuais do topo de prédios, já para não falar de lapidação de adúlteros, cortar as mãos a ladrões e mesmo escravizar jovens raparigas. Estes antecedentes de facto existem... Como é que a comunidade muçulmana lida com isso?
Vamos lá ver uma coisa, à partida as pessoas têm de ter noção que o Alcorão é o código de vida dos muçulmanos. É um código de vida. É uma constituição, uma referência que os muçulmanos têm.

E acontece que a prática do Alcorão é a Sunna, aquilo que o profeta disse ou aquilo que o profeta fez. O que vem a seguir, a jurisprudência, a analogia, vem quando as pessoas tentam interpretar um assunto que não está mencionado directamente nos hadites nem no Alcorão. Existem quatro grandes escolas de jurisprudência islâmica, porque muitas das vezes a resposta que é dada não é exactamente a mesma que se fosse dada há uns anos atrás, e isto aconteceu mesmo fora do contexto religioso em todas as sociedades.

Por exemplo, antes do 25 de Abril não havia abertura para as outras confissões, as pessoas estavam mais mentalizadas a haver só uma confissão, mesmo sabendo da existência das outras confissões. Mas como não havia abertura, como falamos por exemplo da presença na inauguração de uma coisa oficial, então a presença do Patriarca, ou a presença de um religioso católico era importante, hoje já não.

O que acontece é que em algumas narrações, e aí temos de analisar essas narrações, antes de aplicar qualquer pena há sempre um tempo que é dado à pessoa, para conversar com a pessoa e a tolerância e o perdão prevalecem sempre.

Agora, quando falamos daquelas pessoas que fazem só uma leitura e que fazem uma leitura mais à letra, do que é dito, e se é um grupo de pessoas com esta forma de agir, então temos uma outra interpretação daquilo que é dado. Mas nunca podemos esquecer que quando a pessoa tem uma prática que o Alcorão condena e que o Islão condena, deixa-se muito ao critério da pessoa. Conversa-se com a pessoa, explica-se à pessoa, faz-se ver a pessoa e deixa-se muito ao seu critério, não se pode obrigar a implementar seja o que for. Mas como disse, se vivemos num ambiente onde toda a gente condena, ninguém sabe como responder, ninguém está preparado para isso, só um grupo é que está preparado para isso, então temos muitos actos que muitas vezes até o próprio Islão condena.

Numa das suas respostas disse que há coisas que estão no Alcorão que são para aquele tempo. Sendo o Alcorão, segundo acreditam os muçulmanos, a palavra de Deus ditada ao profeta, portanto não é uma interpretação de uma mensagem, é a palavra textual de Deus, como é que se distingue o que era para aquela época e o que é para a eternidade?
Vendo o contexto daquilo que foi revelado.

Por exemplo: “Combater aqueles que vos combaterem, e nesse combate não pode exagerar” e “Defende-se, mas não pode atacar”. Estamos a falar em termos de combate de guerra, não como atacar mas sim como defesa.

Há alguns versículos que foram revelados naquele momento, para aquele tempo e há passagens que falam daquilo que se passou. Estamos a falar do nascimento de Jesus, de Maria e dos outros profetas e mensageiros, estão lá, são palavras eternas de Deus mas estão a ensinar aquilo que se passou concretamente com Abraão, com Moisés, quando Deus disse para ir ter com o Faraó e ele fez os milagres, estamos a falar do nascimento de Jesus... Faz parte da crença islâmica acreditar em todos os profetas e mensageiros e na revelação que eles fizeram. São palavras de Deus, são palavras verdadeiras, mas no contexto social e económico...

Por exemplo, lembrei-me agora, quando dizemos que uma das formas que o Islão tem de retribuir o que fez e não devia ter feito, é libertar um escravo. Mas hoje não há escravatura. Não há, como havia na altura. Se não tem escravos, então dá de comer aos mais necessitados. Ok, mas eu não tenho possibilidades de dar de comer. Então jejua. Mas eu não posso jejuar porque sou doente. Então não faz nada. Percebe? Tem fases.
Eu não posso libertar um escravo, porque já não há escravos. Cada caso é um caso.

Quando falamos em termos do aspecto social, a caridade é obrigatória, um dos pilares do Islão é a caridade. A quem é que é destinada a caridade? O Alcorão dá uma lista. Mas se houver alguém fora da lista que seja merecedor? Também recebe. No entanto, se a pessoa tem alguma dificuldade em dar a caridade na totalidade, dá aquilo que lhe é possível, já não é considerado obrigatório, é caridade facultativa.

Quando diz, então, que há certas coisas que dependem do contexto, obriga a uma leitura subjectiva que cabe, imagino eu, ao líder espiritual da comunidade. No caso da comunidade de Lisboa cabe-lhe a si, noutras, aos respectivos imãs. Mas não existe então uma leitura universal...
Quando falamos da nossa comunidade, cada mesquita tem um imã e nós nos reunimos quando há um assunto a debater, e fora disso também, para manter a nossa ligação, digamos assim, constantemente e permanentemente.

Basicamente, há dois tipos de versículos do Alcorão. Há uns que são considerados mandamentos. Os cinco pilares, as cinco orações; o jejum é no mês de Ramadão, quer calhe no verão ou no inverno, é o nono mês, tem de se jejuar naquele mês. A peregrinação é a Meca, e tem de ser no 12º mês. Portanto aqui falamos dos mandamentos.

Depois temos outros versículos do Alcorão que têm mais de uma leitura. Muitas das vezes a época, o tempo é que interpreta esse versículo.

Há versículos que dão referências sobre a ciência. Por exemplo, “A origem da vida é a água”. Isto dito há 1436 anos, no deserto, por uma pessoa que não sabia ler nem escrever...

O Alcorão diz que tudo o que a terra produz tem macho e fêmea, até os frutos. Hoje é possível saber se uma fruta que estamos a comer é macho ou fêmea, desde que levemos para um laboratório. Agora, pergunto, como é que é possível para uma pessoa que não sabia ler nem escrever, que vivia no deserto, na Arábia, há 1436 anos, como é que ele soube? Quem é que revelou? Hoje acredita-se com tanta facilidade que a pessoa que não acredita acaba por ser considerado ignorante. Mas na altura aquela pessoa que acreditasse era ignorante, porque não havia meios de interpretar.

Agora, como disse, algumas pessoas conseguem manipular uma boa parte da comunidade muçulmana ignorante, que conhece as coisas básicas, mas não conhece muito a teologia, porque aquelas pessoas que conhecem a teologia, sinceramente, não são facilmente manipuladas. Quem não conhece teologia, quem está mais preocupado com as virtudes, acaba por cometer muitas asneiras. Sabe o que diz o Alcorão? “Aquele que sabe e aquele que não sabe são iguais? Claro que não.”

Sabemos que grande parte dos grupos jihadistas são de inspiração salafita e que esta é a corrente propagada a partir da Arábia Saudita. Como vê o papel e a influência da Arábia Saudita no mundo islâmico?
Primeiro, muita coisa dita sobre o salafismo não é verdade. Muita coisa é dita, muita coisa é inventada. Na realidade, na prática, estando com eles, convivendo com eles, não tem nada a ver com muitas das coisas que nós ouvimos falar. Há um dizer do profeta: “As várias opiniões, na minha nação, entre as minhas pessoas, é a misericórdia”. Cada um ter a sua opinião, desde que seja uma opinião válida, desde que seja para o bem-estar da comunidade, é válida.

Eles têm feito muito trabalho positivo para que as pessoas possam, no mínimo, praticar o Islão de acordo com as suas possibilidades. O facto de construir mesquitas, tudo bem, é uma virtude enorme, mas na manutenção da mesquita, como é que ela deve ser dirigida, como é que tem de ser visitada, como é que tem de se explicar o Islão, há muita coisa que tem sido feita que infelizmente não é divulgado, nem sequer é dito.

Eles tentam ajudar as pessoas que precisam mesmo, independentemente das crenças ou não - estamos a falar dos sauditas - por exemplo, nas duas mesquitas sagradas de Meca e Medina, tirando o mês do Ramadão, às segundas e quintas há a tradição de a pessoa jejuar, um jejum facultativo. Então empresários sauditas, estamos a falar daqueles homens milionários, humildemente distribuem tâmaras e comida para as pessoas quebrarem o jejum na mesquita. E concorrem uns com os outros para dar de comer a milhares de pessoas que não conhecem e que estão lá simplesmente para quebrar o jejum.

Jovens salafitas
Agora, é claro que, mesmo nas outras escolas, há sempre aqueles teólogos que dão uma interpretação não diria necessariamente errada, mas um pouco mais exagerada, mais conservadora, da prática do Islão. É a tradição do profeta comera com as mãos. Lava as mãos e come com as mãos. Mas uma pessoa comer com talheres não é cometer um pecado. Era tradição do profeta sentar-se no chão para comer, mas uma pessoa utilizar a mesa não é pecado. Era tradição do profeta viajar de cavalo, mas hoje, nas grandes cidades, mesmo naquelas [salafitas], não se viaja. Temos de saber adaptar-nos.

Claro que quem conhece a teologia está apto para conversar, dar a sua opinião e discutir. Houve um tempo em que no mundo islâmico os manuais não eram constantemente revistos, hoje já são mais revistos, há mais abertura, mais aproximação, mais respeito pelas outras culturas e pelos outros povos.

A comunidade Islâmica de Lisboa já aceitou ajuda financeira da Arábia Saudita para ajudar a construir esta mesquita?
Recebemos de uns empresários, uma coisa particular.

Com essa ajuda nunca sentiram pressão sobre os vossos ensinamentos?
Nunca. A Mesquita Central de Lisboa e as pessoas sabem, os nossos irmãos embaixadores de todos os países sabem, é uma mesquita aberta para todos, não há influência directa nem indirecta de qualquer ideologia ou de qualquer escola de interpretação do Islão ou de qualquer tipo que não seja islâmico. A mesquita é de todos.

Esta mesquita é aberta, é possível visitar. Mas sabemos que há outras mesquitas, não digo clandestinas, porque não são ilegais, mas digamos, informais, que funcionam em caves ou em apartamentos emprestados. Não é possível que haja, entre essas comunidades, uma pessoa ou um grupo com tendência mais radical ou mal-intencionada, que propositadamente evitariam esta mesquita porque já sabem que aqui a sua mensagem não seria bem aceite... Tem ideia de casos desses?
Primeiro, como disse e bem, não temos mesquitas clandestinas. O que acontece é que quando há um grupo de muçulmanos que reside numa localidade é normal que se preocupem em ter um espaço para fazer as cinco orações em congregação, em conjunto. Depois pode haver um ou outro que diga que tem um apartamento do qual não está a usufruir e cede por um espaço de tempo determinado. Depois há situações em que as pessoas juntam-se para contribuir para alugar um espaço, fazer umas pequenas obras, mas todas elas estão abertas a qualquer pessoa que queira assistir.

Agora, essas pessoas também se preocupam em escolher um líder. Quem é que vai presidir às orações e dar alguma orientação? Há mesquitas que dizem que não precisam, porque haverá sempre uma pessoa idónea sempre para presidir à oração, porque não há palestras, não há nada, portanto para as grandes responsabilidades ou vai à Mesquita Central de Lisboa, ou vai a outras, mas no entanto poderá haver alguém com essa má intenção de tentar transmitir essa mensagem mais radical, uma mensagem diferente do que as pessoas estão habituadas, mas até agora creio, e quero acreditar, que essas pessoas não têm adeptos ou acabam por não serem ouvidas. Até agora não aconteceu nenhum caso desses, mas não quer dizer que não venha a acontecer ou que não esteja a acontecer, de acordo com o conhecimento que temos.

Esse encontro que costumamos ter, entre os diversos imãs das várias mesquitas, quando há algum encontro convidamos os representantes das diversas mesquitas, por isso se houvesse algo, com certeza que chegaria aos ouvidos da comunidade, como se costuma dizer as fofocas chegam sempre mais depressa. E se isso acontecesse chamaríamos a pessoa e tentávamos explicar isso.

Houve situações, quando surgiu o filme sobre o profeta, e esse filme também foi condenado na nossa comunicação social, um grupo quis fazer uma manifestação pacífica, para tentar dizer que a mensagem do profeta foi misericórdia, foi tolerância, e a direcção, presidida pelo Dr. Vakil, chegou à conclusão que não se ia fazer nada.

Ao fazermos uma manifestação, mesmo que seja pacífica, estamos a chamar a atenção, e aquelas pessoas que não viram vão ver. Por isso resolveu-se o problema.

Mas nós ficamos magoados quando as pessoas fazem algo sobre o profeta. Decidiu-se, então, numa sexta-feira próxima ia-se falar sobre o profeta. Todas as mesquitas falaram sobre a vida do profeta, como é que ele foi. Foi uma forma de nós reagirmos pacificamente ao que nos magoava.

É interessante e nós muçulmanos apercebemo-nos disso, e não muçulmanos também, quem está muito ligado aos assuntos das religiões, quando alguém diz que Deus não existe não há manifestações; Quando alguém diz que Deus não é um, são muitos, não há manifestações; Quando alguém diz que tudo é Deus, não há manifestações; Mas quando alguém diz, escreve ou faz algo sobre o profeta Mohammed, já há manifestações.

Eu costumo dizer, nessas manifestações devemos reagir como o profeta reagiu. Foi magoado, insultaram-no, incomodaram-no, chamaram-lhe nomes. Como é que reagiu? Perdoou, ignorou e foi tolerante. Mesmo numa posição em que ele podia ser vingativo, ele não foi. Este é o exemplo que ainda falta a alguns muçulmanos.

O presidente do Egipto disse recentemente que é preciso fazer-se uma reforma do Islão. O que lhe parece esta frase, e isso seria sequer possível?
Bem, dizer que é preciso fazer uma reforma do Islão é algo muito vasto e muito complexo. Reformas de quê?

Mais importante é educar os muçulmanos, criar condições, seja no Egipto, como mencionou, ou em qualquer parte. Concretamente em países islâmicos, porque estamos a falar do Islão, independentemente, de ser árabe ou não árabe, porque nem todos os países islâmicos são árabes, enfatizar mais a educação, muito mais. O acesso à educação. Para eles e para elas.

E depois, tentar equilibrar o aspecto social. É interessante que um dos pilares básicos do Alcorão é a caridade. Se cada muçulmano contribuísse com a caridade obrigatória pode crer que muita pobreza iria acabar.

Muçulmanos de etnia rohingya,
alvos de perseguição na Birmânia
Tem-se falado muito da perseguição aos cristãos por parte de grupos islâmicos fundamentalistas em vários países. Contudo, os mesmos muçulmanos falam em casos de muçulmanos perseguidos e apontam o exemplo dos rohingya, na Birmânia, dos muçulmanos da Tailândia e na República Centro-Africana, por exemplo, já para não falar da questão palestiniana. É verdade que a comunidade islâmica global se sente ameaçada, injustiçada? Se sim, o facto de se falar tanto da perseguição aos cristãos sem se falar desses casos, pode piorar esse ressentimento?
Há muçulmanos que mencionam e que dão muito ênfase a essa situação e os muçulmanos, infelizmente, estão a ser perseguidos. Infelizmente os cristãos também estão a ser perseguidos, mas não podemos esquecer esta face da moeda, que há muçulmanos em alguns países que estão a ser perseguidos, estão a ser massacrados, maltratados, muçulmanas que estão a ser violadas.

Mas isto não quer dizer que, pelo facto de isso estar a acontecer, nós vamos massacrar, ou torturar outros que são inocentes, que não têm nada a ver.

As pessoas não deviam misturar as coisas, mas a verdade é essa, se de um lado, infelizmente, os cristãos estão a ser perseguidos por muçulmanos, e não deviam, porque o Islão protege as religiões minoritárias, por outro lado não podemos esquecer que há muçulmanos que estão a ser maltratados, a serem perseguidos por serem muçulmanos ou por pertencerem a outra etnia ou por pertencerem a outro povo. Muitas vezes a questão não é sequer religiosa, é étnica, cultural ou nacional. Mesmo que não fossem muçulmanos seriam perseguidos.

Quando falamos na Índia, por exemplo, é um país em que se vive bem, em termos de liberdade religiosa. Mas não em toda a Índia. Há aldeias, para não dizer cidades, em que hindus radicais dificultam a vida aos muçulmanos.

As suas origens vêm da Índia, via Moçambique. Tem casos próximos de si de perseguição?
Não.

O pai era do Iémen, a minha mãe era de Moçambique, mas de origem indiana. As nossas raízes, concretamente dos muçulmanos que estão aqui, ainda são Moçambique e os que vieram para Portugal e nasceram cá, as suas raízes acabam por ser portuguesas. Culturalmente o muçulmano português é português.

Amin Maalouf escreveu um livro, “As identidades assassinas”, aqueles que emigraram, que vivem anos e anos noutros países. Ele dá o exemplo dos franceses. Diz que os franceses não o consideram francês, mas os libaneses não o consideram libanês, por isso ele tem uma identidade assassina.

Isto é interessante num aspecto social, qual é a nossa identidade? Acho que o muçulmano preocupa-se mais com a sua identidade religiosa, sem transgredir a identidade cultural ou de boa cidadania. Por isso é que volto a dizer o que já tinha dito à Renascença, qualquer muçulmano que viva no ocidente e que não se sinta bem, tem solução, vai para onde se sentir melhor, onde se possa adaptar.

Depois, a nova geração é muito globalizada, o acesso à net, ao conhecimento... Hoje não podemos esconder nada, é tudo possível, tudo transparente. Isto tudo afecta, tudo o que se passa num local, de imediato todo o mundo fica a saber e depois é através das redes sociais que, infelizmente, alguns muçulmanos com pouco conhecimento, e um pouco perturbados... Porque esse aspecto também é importante, muitos deles estão perturbados e com pouco conhecimento e com alguma perturbação, facilmente caem nessas teias. Depois tornam-se radicais, tornam-se terroristas, matam pessoas inocentes.

Mas se for um não-muçulmano que mate 150 pessoas inocentes, como aconteceu recentemente [no desastre do avião da Germanwings], ele nunca é considerado terrorista.

Sunitas e xiitas no mundo islâmico
Olhando para o que se passa no Médio Oriente, concorda que a raiz do problema está num conflito entre sunitas e xiitas?
Não.

Não acho que seja um problema entre sunitas e xiitas. O problema entre sunitas e xiitas pode-se resolver, se eles quiserem e se se entenderem. O problema do Médio Oriente, mais concretamente, é o problema entre o Estado de Israel e a Palestina. Se Israel respeitar a Palestina e se a Palestina respeitar Israel, mas respeitar mesmo, então 50% dos problemas serão resolvidos.

Como é que o problema entre Israel e Palestina está a afectar o Iémen, onde vemos uma intervenção de vários países sunitas e o Irão a apoiar os houthis...
Isso é um reflexo daquilo que se vai passando no Médio Oriente. Nem temos de ir ao Iémen, vamos ao Iraque...

Precisamente... Mas como é que esses problemas dependem de Israel?
Estamos a falar do Médio Oriente, geral. Se houver um entendimento [entre Israel e Palestina] então é uma bola de neve. Atenção que não sou político nem sequer quero dar palpites.

Há um problema grave entre sunitas e xiitas, não diria desde o tempo do profeta, mas 50 anos depois, esse problema começa por questões políticas e não religiosas, mas acontece que quando tentamos falar dos sunitas e dos xiitas, nunca imaginaríamos que a maioria da população do Iraque, no tempo do Saddam estava tudo muito calmo... Ninguém se apercebia disso. Agora, os que estavam no poder querem o poder, os que estão não querem deixar o poder. Mas o que acontece é que as coisas estão a alastrar-se um pouco, infelizmente.

Agora, eu não acho que seja prioridade, este problema entre sunitas e xiitas. Pode estar na agenda, mas não como problema prioritário, porque há países onde há um bom entendimento entre os dois grupos, portanto isto não seja prioridade, mas sim, pode estar na agenda para que haja uma boa convivência ou respeito.

Infelizmente as pessoas quando se começam a tornar radicais ou agressivas, deixam de respeitar o outro. Quando é que a pessoa se torna radical? Quando deixa de respeitar o outro como ele é, na sua crença, na sua pessoa, na sua cultura e na sua identidade.

Desde o 11 de Setembro a violência jihadista tem sido uma constante. Parece que de ano para ano a situação piora. O Século XXI vai ser assim?
Esperemos que não. Esperemos que seja tudo passageiro e que acabe de uma forma progressiva, porque isto não ajuda ninguém, nem Boko Harams, nem um Estado que diz ser um Estado mas não tem nada a ver com o Islão.

O facto de uma pessoa usar uma "jalaba", ter uma barba comprida e ter um turbante, não significa que seja muçulmano, não significa que tudo o que faz seja islâmico. Por outro lado, como a população maioritária do nosso país é cristã, católica, se um cristão católica, com a Bíblia na mão, cometer um suicídio colectivo, não é cristianismo. Isto aconteceu no Texas. Não digo que fossem católicos, mas eram de uma seita cristã, que cometeu um suicídio colectivo com pessoas inocentes. Isto não é cristianismo, são pessoas que interpretam...

segunda-feira, 9 de março de 2015

#Muslims4Lent: “If anything this is strengthening our faith”

Full transcript, in the original English, of my interview with Bassel Riche, founder of the #Muslims4Lent campaign. The news piece and video, in Portuguese, are here.

Transcrição integral, no inglês original, da entrevista a Bassel Riche, fundador da campanha #Muslims4Lent. A reportagem e video estão aqui.

How did #Muslims4Lent start?
I was in the University of Houston and as part of the Muslim Student Association, every Ramadan, which is like the “Muslim Lent”, we would have a drive which would basically encourage non-Muslims to sign up to join us for one day in fasting and, at the end of the day, we would have a big meal together and talk about interfaith dialogue, share commonalities and stuff like that.

It was a very nice experience and a few years later I decided, on a personal level, that there seemed to be a good amount of people who did things to try and understand the Muslim community and reach out to the Muslim community, and so I felt that t was right for us to reach out to the Christian community and show them that we in turn also have very high respect for them.

On a personal level I would do it, I'd put up a Facebook status, saying what I was giving up. Then this year was a little different, I created a group, I took a picture of myself with the sign, and encouraged others to do the same, and it caught on.

How many people have joined this campaign?
I wish I knew. I wish I could see how many times it has been tweeted and retweeted.

Honestly it is easily in the thousands, but I'm not sure. To go through and count all the pictures on twitter and on Instagram would be quite a task. But it’s definitely enough that we feel we have made a big impact and created lots of conversations around the world.

Is the current climate, with issues such as the Islamic State and fundamentalist Muslim violence, a factor as well?
Absolutely. Because people can be so caught up in their routine, understandably so, we are all busy with work and with our family, and people get into these routines, sometimes when something is foreign to them it can be perceived as scary.

Right now, particularly in America, there is a sentiment amongst some that the Muslim community is that scary variable, nobody really knows much about them, and that is one of the goals, to put ourselves out there in everyday life, and encourage the people who might have these opinions to talk to us.

The shootings that happened in Chapel Hill, a few weeks ago, when they studied the person that shot those people they said that he clearly had racial and religious prejudice against the victims. Hopefully when you reach out to these people and engage in dialogue respectfully, it helps curb us away from that sort of extremist and “us versus them” mentality.

Then we begin to realise that we have a lot more in common than we will ever have different, and if we spend the time talking about our similarities, we probably won't even have time to talk about our differences.

You have also received a fair amount of criticism, correct?
We have criticism on both sides.

On the Christian side we have had people saying that “This isn't actually what Lent is about, so you guys are missing the whole point of what Lent is”, and they will explain that giving something up has nothing to do with Lent. And my response to them would be, that's a good thing to bring up from a knowledge and understanding point of view, but it still means a lot to a lot of people.

If Lent has changed in the way it has been practiced over two thousand years, I don't know, but present day, 2015, this sacrifice of something, is a meaningful gesture and it means a lot to a lot of people, and the tweets on the hashtag #Muslims4Lent proves that. So maybe we can do a better job of understanding what it’s all about, but even something small like this seems to have resonated with quite a lot more people and it seems that it’s the minority of people who are against it.

On the Muslim side there is a similar idea, there are people saying we shouldn't partake in the religious actions of other religions, we should stick to our own, and for that I would say that if you are not part of the solution you are part of the problem.

People have compared it and said that doing something like this is compromising our faith, but how? If anything, this is something which is strengthening our faith, because we are reconnecting and putting ourselves in a position to receive questions from other people and hopefully that will drive us to research more and understand our religion better, so we can in turn present it correctly.

So on both sides it seems to come from a place of not really understanding what we're all about, and it seems that you can't please everybody, and most people are just going to dismiss something that is outside their box of comfort, without trying to understand it.

Were you born in the USA?
American born and raised to Lebanese-Syrian parents.

Have you ever been to Syria?
It’s been a while, but I have, yes.

So it must be particularly painful for you to see what is happening there…
It’s painful every day, whenever I talk to my cousins, because of everything going on... Some of them are my age and they feel that they have been robbed of their future.

When they were younger they had hopes, but one of my cousins has been doing her PHD in Belgium and is set to return to Syria to be a teacher, and even when I talk to her it’s truly sad, because she had high hopes. She wanted to go and change the education system, and advance it in Syria, and then all this happened and now she feels like, who knows? So it is truly sad.

Do you identify as Sunni or Shia?
I don't identify. I prefer just to identify as Muslim. I think that the sectarian division in Islam is one of the dark spots in our religion.

There was no mention of sect in the Koran and Mohammed wasn't sectarian, so I think it is one of the things, internally in the Muslim community, that I try to push on and hope that people start following suit and stop putting labels on ourselves that only serve to divide our own community. 

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