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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Mulheres sub-secretárias e cultura inexistente

O Papa nomeou uma mulher sub-secretária de Estado do Vaticano. É a primeira vez que uma mulher, ainda por cima leiga, ocupa um cargo desta importância na Secretaria de Estado (na foto).

2019 foi um “ano de mártires”, segundo a fundação Ajuda à Igreja que Sofre. A organização Open Doors estima que cerca de 260 milhões de cristãos foram vítimas de perseguição no ano passado.

Temos novo artigo do The Catholic Thing. James Matthew Wilson argumenta que não existe “cultura secular”, não no sentido de dizer que o secularismo não produz cultura, mas no sentido em que toda a manifestação cultural aponta para as natureza e destino do homem.

Também hoje publiquei um novo artigo sobre coisas a ter debaixo de olho em 2020. Desta vez olho para a Síria, onde podemos muito bem ver o final da guerra civil que se arrasta há quase nove anos.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Não Existe Cultura Secular

James Matthew Wilson
O Simon During formulou um argumento deprimente, mas convincente, sobre a relação entre religião e cultura na revista “The Chronicle of Higher Education”, uma referência no meio académico actual. Diz ele que a secularização do Ocidente moderno não implicou o abandono da religião, mas a sua redução a uma dimensão opcional da vida humana (uma ideia retirada do importante livro “A Secular Age”, de Charles Taylor). A despromoção da religião levou à promoção da cultura. A cultura, nos tempos modernos, tornou-se um novo termo-divino que dá coerência à civilização e à sociedade – uma espécie de substituto imanente para a transcendência da fé cristã. Como defendia Matthew Arnold, a cultura salvar-nos-á da anarquia.

Mas essa substituição está agora a ser desfeita, argumenta During, por uma segunda secularização. Tal como a autoridade da Igreja sofreu uma erosão por causa de vários eventos que convergiram numa ordem política secular, agora uma série de eventos, desde o neoliberalismo até ao feminismo e à política identitária, levou à rejeição dos cânones da cultura.

Já não é necessário ter uma certa apreciação pela Paixão de São Mateus, de Bach, ou da Eneida, de Virgílio, para se ser considerado um ser humano minimamente civilizado. Pelo contrário, esse tipo de conhecimento pode ser prejudicial. Mais vale passar o tempo a estudar análise de risco ou cibersegurança, dizem-nos os tecnocratas neoliberais. Ou então crítica pós-colonial de Virgílio ou, melhor ainda, deixar esse cadáver para trás em troca pelo estilo lírico de uma representante de povos não-ocidentais, ou um defensor da “pedagogia dos oprimidos”.  

Esta versão da história proposta por During pode não seguir as leis férreas da história, mas tem a sua própria dinâmica que é difícil de contrapor, ainda que não sejamos fãs. Mas eu gostaria de olhar apenas para a ligação que ele faz entre as secularizações religiosa e cultural e levantar algumas questões sobre a própria ideia de a cultura ser um “substituto” da religião. Na minha opinião as grandes obras culturais são antes expressões fortes da verdade do Cristianismo.

Não é por acaso que autores do início do Século XX, como Henri Massis, Charles Péguy, T.S. Elliot e Christopher Dawson tendiam a alternar entre a defesa do Cristianismo e da cultura, usando o termo nebuloso “Ocidente”. Eles compreendiam, e bem, que o Cristianismo transcende todas as realidades históricas, incluindo a cultura ocidental, e sabiam também que seria difícil, se não impossível, ter uma sem o outro.

Viam-no porque é, de uma forma muito particular, verdade. Devemos aos melhores filósofos pagãos as descrições mais convincentes e bem articuladas sobre o que significa ser humano. Os seres humanos são criaturas cuja alma aspira, por natureza, ao conhecimento da verdade por si só; criaturas que não desejam apenas a verdade, mas precisam de a contemplar. Assim nos sentimos preenchidos, felizes, e as nossas vidas transformam-se da vã perseguição da glória mundana para o descanso na eterna glória de tudo o que é, do próprio Ser.

Esta foi uma conquista cultural difícil, mas mais importantemente, foi uma conquista religiosa. A revelação de Deus a Israel e o envio do seu Filho ao mundo para proclamar a Boa Nova conduziu o mundo à plenitude predestinada da sua compreensão. A contemplação da verdade preenche-nos porque a Verdade é uma pessoa que nos criou para o conhecermos e amarmos. Encontrá-lo e viver nele não é apenas uma boa nova, é a única nova que permanece sempre boa.

A era moderna descrita por During e Taylor como sendo secular nunca abandonou verdadeiramente estas visões, embora as tenha truncado e despido dos seus verdadeiros sentidos. Reconhecia que existia algo distintivo e misterioso sobre as pessoas: Somos feitos para a transcendência. A era moderna simplesmente parou de especificar de que tipo de transcendência estava a falar e, pelo caminho, ofuscou a sua própria visão.

Sim, temos almas, dizem os modernos: elevamo-nos acima das nossas existências materiais, pelo menos de tempos a tempos, num ato de autoconsciência. As obras da alta cultura são tudo o que parecem ser – desde a filosofia de Kant às pinturas de Friedrich, à opera de Wagner ou à poesia de Rilke. Recordam à alma esquecida que é capaz de subir acima das leis mecânicas da natureza, ainda que apenas por instantes.

Enfim, a cultura moderna também pôde afirmar esta elevação, este êxtase, mas só como um tipo de patologia. Temos momentos de iluminação e depois afundamo-nos novamente na carne. “Tangendo-me de ti [espírito eterno] de volta à solidão”, como escreveu Keats. Eventualmente as pessoas compreenderam o esquema. Para quê preocupar-se com uma transcendência sem sentido? Parece demasiado etérea quando comparada com a transcendência mais funcional do dinheiro, através do qual asseguramos para nós mesmos uma imortalidade em miniatura. Já a elevação cultural parece uma indulgência narcisista quando comparada com a transcendência de perseguir bens políticos que poderão permanecer para além de nós.

Uma secularização sucede necessariamente à outra. A fundação da cultura, como disse frequentemente Joseph Pieper, é o cultus – o culto. Sem um claro sentido da nossa orientação para a contemplação de Deus, todas as obras do homem que parecem verdadeiras, boas, e belas começam a parecer primeiro meras distrações e finalmente ilusões.

Em “A Pessoa e o Bem Comum” Jacques Maritain argumenta que o ser humano é uma criatura ordenada para a comunhão imediata com Deus, mas que a personalidade revela ainda uma tendência para a comunhão com outros seres. O tesouro da cultura, como ele lhe chama, é simplesmente a irradiação da verdade e da beleza produzidos pela nossa tendência natural para nos unirmos a Deus e aos outros enquanto pessoas.

Se a Verdade não fosse uma pessoa com quem nos encontramos, não haveria uma experiência primordial da qual a cultura é uma espécie de fruto, nenhuma orientação para o sagrado, nenhuma expressão de nós mesmos na ordem “secular”. Mas pelo contrário, todos os nossos encontros com a obras culturais são pistas, reflexões, ecos sobre a natureza e o destino do homem. Escutem-nos.


James Matthew Wilson, é autor de oito livros, incluindo, entre os mais recentes, “The Hanging God (Angelico) and The Vision of the Soul: Truth, Goodness, and Beauty in the Western Tradition” (CUA). É professor associado de religião e literatura no departamento de Humanidades e Tradições Agostinianas na Universidade de Villanova e já foi editor de poesia para a revista Modern Age, e de series para a Colosseum Books, da Steubenville Press, na Franciscan University. Veja aqui a sua página na Amazon.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 15 de janeiro de 2020)

© 2020 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.


quarta-feira, 24 de abril de 2019

Em Sentido Figurativo

James Matthew Wilson
As grandes revoluções sobre o conhecimento religioso e teológico dos últimos dois séculos começaram com a questão de como ler as Escrituras. A nova ciência da geologia parecia pôr em causa uma leitura literal do Genesis, que indicava que a Terra tinha cerca de seis mil anos. Depois chegaram os esforços histórico-críticos da Alta Crítica Alemã e os livros da Bíblia foram feitos em pedaços – milhares de pedaços, fragmentos da autoria de várias mãos, juntados ao longo dos séculos, de forma a que a Sagrada Escritura parecia mais uma manta de retalhos e menos uma soma das suas partes.

Como é que se determina um significado quando cada livro é uma mescla de intenções prévias, frequentemente em conflito? Como é que se pode confiar naquilo que nos chegou, quando os dados históricos contidos nos livros não parecem ser fiáveis no que diz respeito à identificação de lugares e datas?

Para leitores dos séculos XVIII e XIX esta última pergunta era tudo menos tonta. Exames de teologia desse tempo – que eu já vi – incluem questões como “Em que data foi o dilúvio de Noé?”

Mas aqueles de entre nós que já leram o poema de T.S. Eliot “The Waste Land”, a questão parece estranha, no mínimo. O poema é composto por 432 linhas, das quais pelo menos 100 são citações parciais ou totais de uma variedade de fontes. Mas isso não nos impede de encontrar um significado coerente no poema. Pelo contrário, este ganha profundidade e significado por causa da inclusão deliberada de outras vozes. Se Eliot o fez, Deus também pode.

As interpretações judaicas e, mais tarde, cristãs, das escrituras têm sido tradicionalmente “figurativas” ou espirituais. O que isto quer dizer é que sim, cada obra tem um sentido literal, se não num evento histórico, pelo menos a intenção do autor. Mas cada obra tem também um significado espiritual, um significado figurativo que talvez nem fosse pensado pelo autor, mas que pode ser discernido nas suas palavras e que geralmente é muito mais importante.

Só assim é que a Escritura se torna profética e reveladora, ensinando-nos algo a que não teríamos conseguido chegar sozinhos, chamando-nos repentinamente à conversão. Só assim é que podemos ler o Antigo Testamento como apontando para Cristo como o seu próprio cumprimento. E, em sentido contrário, só assim é que podemos ver Cristo como a lente através da qual interpretar as palavras do Antigo Testamento e a obra da natureza.

Dificilmente podemos compreender qualquer um dos Testamentos sem o sentido espiritual, pois até uma leitura diagonal de qualquer passagem revela uma economia da linguagem que só é possível devido à densidade do significado: se não está disposto a desempacotar cada frase como se fosse uma mala de viagem, então não está pronto para ler.

Dois dos maiores teólogos do Século XX passaram as suas carreiras a tentar ajudar a Igreja a recuperar esta forma de ler as Escrituras – e, também, de ler o mundo. Os quatro volumes de Exegese Medieval, de Henri de Lubac, dedicam-se a descrever a interpretação figurativa como tem sido praticada ao longo da história. Pode parecer um bocado estranho ler aquilo a que se pode chamar uma defesa histórico-crítica da interpretação figurativa: O que de Lubac fez foi, na maior parte, elaborar uma teoria breve mas elegante e depois multiplicar citações dos Padres da Igreja até se tornar claro que na verdade a teoria era deles.

Hans Urs von Balthasar foi um bocado mais ambicioso que de Lubac. Também ele era capaz de multiplicar citações, mas também avançou sozinho e interpretou as Escrituras – e o resto da história – em termos espirituais. De Lubac queria restaurar a autoridade interpretativa dos Padres da Igreja; von Balthasar escrevia como se fosse um deles.

Mas isso não tem impedido a Igreja de se preocupar com o facto de muitos acreditarem que a única forma “científica” de ler as Escrituras é o método histórico-crítico e que, para o homem moderno, a interpretação figurativa parece arbitrária e pateta.

Eu passei grande parte das últimas duas décadas a ler e a escrever sobre exegese figurativa, e a praticá-la. Mas qualquer pensamento sobre teoria evapora-se quando penso em apenas dois momentos destes últimos anos.

Houve um verão em que decidi ler “A Cidade de Deus” de Santo Agostinho. Esta é frequentemente considerada a obra prima do Santo, e a julgar pela espessura do livro, certamente será. Mas para a maioria dos leitores o seu interesse é menor quando comparado com as “Confissões” que – para mim – é certamente o livro mais perfeito da nossa tradição fora das Escrituras.

Admiro muita coisa em “A Cidade de Deus” e muita coisa mudou-me, mas sobretudo num sentido académico. Impressiona-me a forma como Santo Agostinho desenvolveu ou refutou alguns aspetos do pensamento clássico, enquanto nos mostrava a verdade sobre as coisas.

Mas já numa parte adiantada do livro, durante uma passagem longa que levaria a maioria dos leitores a abandonar o barco, Agostinho descreve a Arca de Noé. Descreve, pacientemente, as dimensões da Arca e a posição da sua porta lateral. E depois mostra-nos como é proporcional, em grande escala, ao próprio Corpo de Cristo, de cujo lado jorraria água e sangue, da porta aberta pela lança.

Cristo é a nossa Arca, carregando-nos através de mares tempestuosos e de um mundo inundado de pecado. Ao ler isto senti não uma aprovação pensativa, mas alegria. Não foi motivo de reflexão, mas de conversão. “Sim”, pensei eu, “esse é o meu Senhor e o meu Cristo!”

Também há uns anos estava a ler uma Bíblia ilustrada aos meus filhos, uma adaptação maravilhosa. Chegámos à história de Abraão e de Isaac. Abraão recebe de Deus uma ordem para sacrificar o seu filho. É Isaac quem carrega monte acima a lenha que, sem o saber, servirá para a sua própria imolação. No final um anjo intervém para impedir Abraão de levar a cabo este grande teste da sua fidelidade, e o texto explica:

“Isaac a carregar a lenha monte acima é uma imagem de Jesus, que carregou a Sua cruz até ao topo do monte do Calvário, para se oferecer pelos pecados do mundo. Embora Deus tenha salvo o filho de Abraão, por amor a nós não salvou o seu próprio filho da morte”.

Sim, sim, sim! Isaac prefigura Cristo; o filho a carregar a lenha é uma profecia do Filho que carrega a Cruz. Senti-me atraído para mais próximo de Deus e a entrar no seu mistério ali mesmo, com os meus filhos sentados ao meu colo.

Uns meses mais tarde, estava a recomendar esse livro a outro homem com filhos pequenos e mencionei esta interpretação figurativa. A sua resposta foi imediata: “Como é que alguém pode duvidar que Jesus é o Senhor?”

E é assim que funciona a exegese figurativa; não nos transporta até um momento histórico particular. Permite a Deus chegar até nós e agarrar-nos pelas golas, e abanar-nos até à fé.


James Matthew Wilson, é autor de oito livros, incluindo, entre os mais recentes, “The Hanging God (Angelico) and The Vision of the Soul: Truth, Goodness, and Beauty in the Western Tradition” (CUA). É professor associado de religião e literatura no departamento de Humanidades e Tradições Agostinianas na Universidade de Villanova e já foi editor de poesia para a revista Modern Age, e de series para a Colosseum Books, da Steubenville Press, na Franciscan University. Veja aqui a sua página na Amazon.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Os Católicos Interessam-se por Arte?

James Matthew Wilson
Em Dezembro de 2013 o poeta e antigo presidente do National Endowment for the Arts, Dana Gioia, publicou um artigo na revista First Things que revelava um certo paradoxo na cultura Americana: “embora o catolicismo constitua o maior grupo religioso e cultural dos Estados Unidos, actualmente esse grupo praticamente não goza de qualquer presença positiva nas belas artes americanas – nem na literatura, nem na música, nem na escultura, nem na pintura.”

Há meio século havia muitos católicos entre as fileiras dos autores mais respeitados da América, a maioria dos quais viam uma grande e fecunda interligação entre a sua vocação literária e a sua vocação batismal. Basta pensar em Thomas Merton e em Flannery O’Conner para se ter uma ideia disso mesmo.

Como os leitores bem sabem, o debate público hoje em dia é marcado por um espírito de fúria acéfala e acusação imediata e isso ficou patente na reação crítica ao ensaio de Gioia. Foram publicadas muitas respostas e a maioria foram de indignação. Se Gioia não via uma abundância de arte e literatura católica, então não estava a procurar com suficiente atenção. Ela existe, às pazadas, à espera de leitores.

Por mais bem-intencionadas que fossem essas respostas, não perceberam o ponto. É evidente que o artigo “O Autor Católico Hoje” foi escrito com o objetivo de levar tanto os autores com os leitores católicos a tomarem nota uns dos outros “Hoje” como já aconteceu no passado. Normalmente os autores preocupam-se, e bem, em produzirem boas obras; os leitores em ler o que lhes parece ser de qualidade.

O que não é um mau princípio, mas para edificar, renovar ou mudar uma cultura, essas duas atividades devem ser levadas a cabo com uma certa consciencialização ou intenção. E, a maioria das pessoas simplesmente não refletem sobre esse tipo de coisas se não tiverem sido provocadas por um bom lamento. Têm mais com que se preocupar.

Mas o artigo de Gioia pô-las a preocupar-se. Os autores puseram as mãos no ar, irritados por não estarem a ser reconhecidos e muitos leitores exprimiram, talvez pela primeira vez, desgosto por não haver ninguém da qualidade de T.S. Eliot a escrever nos nossos dias. Claro que o Gioia não queria apenas exasperar os seus leitores, mas inspirar a criação de instituições. Ele queria que todas as pessoas interessadas se interrogassem sobre que tipo de instituições podiam ser criadas para apoiar e cultivar a renovação da literatura católica.

As respostas não tardaram. Há alguns anos já tinham sido fundados os jornais literários “Image” e “Dappled Things” e a pequena editora Wiseblood Books começou a publicar romances, poesia e crítica ao estilo de O’Connor. Esta foi uma oportunidade para alertarem o mundo para o seu trabalho. O próprio Gioia organizou uma conferência de três dias no Institute for Advanced Catholic Studies, da University of Southern California, sobre o Futuro da Imaginação Literária Católica. Compareceram centenas de pessoas, incluindo alunos dos liceus católicos da zona.

E nos meses seguintes aqueles que se tinham reunido na conferência voltaram para casa e tentaram fazer algo novo. A professora de Inglês Mary Ann Miller fundou a revista Presence, focada na poesia católica. Outros, de Fordham e da Layola de Chicago, concordaram em tornar a conferência um evento bienal. Realizou-se em Fordham, em Abril de 2017 e em Chicago, em Setembro de 2019. Outros ainda criaram séries de leitura e de conferências nas suas universidades ou casas, para juntar autores e leitores. 

O sonho do Poeta, de Cézanne
Faço a revisão desta breve história hoje, enquanto considero a pequena parte que nela desempenho e que ainda agora está a começar.

Há cerca de um ano a Franciscan University Press, de Steubenville, no Ohio, pediu-me para lançar uma série de poesia. Propus a criação da Colosseum Books, que tem a seguinte missão:

No mundo antigo, os progressos civilizacionais de Roma foram transformados e levedados pelo espírito do Cristianismo. O Coliseu era um símbolo do esforço e do sofrimento envolvido neste renascimento, mas também de vitória final e de união, na medida em que o Cristianismo emergiu para tomar posse dos tesouros de Atenas e de Jerusalém, com a capital espiritual em Roma. Na era moderna, o autor inglês Christopher Dawson editou a revista Colosseum, um fórum para estimular a relação entre o mundo intelectual católico e a cultura e a arte contemporâneas. Nas suas páginas grandes mentes como as de Dawson, Jacques Maritain e E.I. Watkin estudaram e discutiram as proezas literárias de T.S. Eliot, Sigrid Undset e outros autores do renascimento literário católico e não só.

Animados pelo mesmo espírito de luta e renascimento, transformação e síntese, propomo-nos a publicar obras novas importantes, escritas por poetas contemporâneos que mereçam a atenção de leitores sérios. Os volumes serão simultaneamente obras de humidade e de ambição, de engenho e de espírito, criados por autores atentos às responsabilidades laborais do artista e da compreensão clássica das belas artes enquanto ocasião de epifania e beleza. Recordar-nos-ão do verdadeiro alcance do intelecto, o grande drama da vida humana, a disciplina e dedicação do trabalho sério e o grande destino do Homem.

Agora, que nos aproximamos da publicação dos dois primeiros Livros Colosseaum, esta Primavera, pediram-me ainda que criasse um programa para aspirantes a autores. Daí que o primeiro Instituto de Verão Colosseum terá lugar em Julho, juntando quinze jovens poetas no Campus da Franciscan University ao longo de quatro dias de discussão sobre a filosofia da arte e da beleza, a história da forma poética e um atelier para aperfeiçoarem o seu próprio estilo. Planeamos trazer autores de renome para lerem as suas próprias obras e partilhar a sua sabedoria enquanto tentamos, de alguma forma, edificar a cultura literária católica, que está a precisar de renovação.

Não é natural que um empreendimento deste estilo gere grande indignação ou revolta. Mas, um dia, dentro de alguns anos, alguém há de se queixar: “Porque é que já não há grandes autores católicos?”. E algum leitor casual poderá responder: “Bom, grandes, não sei, mas digo-te já uma dúzia que são bons”. Isso já seria um bom começo.


James Matthew Wilson, é autor de oito livros, incluindo, entre os mais recentes, “The Hanging God (Angelico) and The Vision of the Soul: Truth, Goodness, and Beauty in the Western Tradition” (CUA). É professor associado de religião e literatura no departamento de Humanidades e Tradições Agostinianas na Universidade de Villanova e já foi editor de poesia para a revista Modern Age, e de series para a Colosseum Books, da Steubenville Press, na Franciscan University. Veja aqui a sua página na Amazon.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 9 de março de 2019)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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