sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Oração, muita oração!

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Por mais planeamento, inteligência, oratória e astúcia que as pessoas possam ter, a única maneira segura de combater o pecado é a oração. Neste momento precisamos, muito, de oração pela Igreja Católica. Aproximam-se grandes tempestades.

Vamos então ao facto antes de passar às conjecturas.

Factos:

1 - Depois do escândalo Vatileaks, o Papa nomeou três cardeais para compor um dossiê sobre o caso, para tentar chegar mesmo ao fundo da questão. Esse dossiê foi entregue a Bento XVI em meados de Dezembro. Está sob segredo pontifício.

2 – Esse dossiê foi elaborado pelos cardeais Julián Herranz, Salvatore De Giorgi e Jozef Tomko. O Papa pode decidir levantar o segredo pontifício antes de resignar, permitindo assim que o Conclave tenha acesso ao documento. Se não o fizer, estes três cardeais ganharão uma importância enorme nas congregações gerais que reúnem todos os cardeais durante a sede vacante, antes de começar o conclave, uma vez que terão acesso a informação que escapa aos seus pares. Nenhum dos três participa no Conclave, uma vez que todos têm mais de 80 anos.

3 – Ontem e hoje o jornal italiano La Repubblica publicou artigos de fundo sobre o dossiê e o seu conteúdo. O jornal não cita directamente do documento, mas cita fontes que diz que conhecem o seu conteúdo. É por isso que a partir de agora terminam os factos e começam as conjecturas.

Conjecturas:

1 – Segundo o La Repubblica o dossiê entregue ao Papa fala de um lobby homossexual dentro do Vaticano que terá sido responsável pelo roubo e divulgação dos documentos. O dossiê incluirá os nomes das pessoas envolvidas, bem como locais de encontro em Roma e arredores. Estas pessoas agiam, segundo as fontes do La Repubblica, sob “pressões externas”, o que se entende por chantagem. De facto não é difícil acreditar que padres ou bispos homossexuais que se exponham em locais de encontro como os que vêm descritos se estejam a colocar numa situação ideal para serem chantageados…

2 – O jornal italiano faz também alegações graves sobre o Banco do Vaticano e sobre o secretário de Estado, o Cardeal Tarcisio Bertone. Segundo o La Repubblica, Bertone terá boicotado todas as tentativas de “limpar” o banco e as finanças do Vaticano. O dossiê entregue ao Papa dirá mesmo que “qualquer pessoa pode lavar dinheiro” no Banco actualmente.

Minha análise:

Há homossexualidade na Igreja. A nível diocesano, a nível nacional e a nível internacional. É um facto que nos últimos anos houve escândalos de natureza homossexual envolvendo membros da Curia romana, e não, não estou a falar do actual escândalo envolvendo D. Carlos Azevedo. Esses escândalos foram públicos e levaram a demissões. Num caso há mesmo filmagens.

Apesar de a Igreja não condenar a homossexualidade, mas sim os actos homossexuais, durante o pontificado de Bento XVI a Igreja baniu do sacerdócio pessoas com orientação homossexual. É possível que haja casos de padres com orientação homossexual que conseguem viver a castidade e o celibato, mas a quantidade de casos de homossexuais “praticantes” no clero é perturbante. Não estou aqui a fazer uma ligação entre a homossexualidade e os casos de abusos sobre menores. Há quem diga que essa ligação existe, outros que não, mas para o caso não me interessa, os casos de escândalos por relações consensuais são suficientes.

Esta é uma praga que urge ser limpa. Acontece ser também uma das questões mais politicamente incorrectas do momento na nossa sociedade. Por isso, e caso tudo isto seja verdade, o próximo Papa terá de enfrentar uma decisão muito difícil: limpar a homossexualidade “militante” do seio da Igreja, incorrendo em acusações de homofobia, caça às bruxas e obsessão com a homossexualidade por parte de lobbies, governos e de uma sociedade em que cada vez menos pessoas percebem as objecções da Igreja em relação a esta prática; ou então não tocar no problema para evitar essa perseguição e deixar o cancro expandir.

Penso que a escolha é evidente. Mas não vai ser nada, nada bonito.

Precisamos muito de rezar pela Igreja e pela santidade dos nossos padres e bispos, incluindo o próximo bispo de Roma.

6 comentários:

  1. Caro Filipe, o seu comentário centra-se na questão secundária (a homossexualidade) e esquece a questão principal (a falta de carácter). Estas pessoas estão a estragar a Igreja não porque sejam homossexuais, mas sim, porque sao desonestas, corruptas e más. de certeza que existirão igualmente pessoas destas celibatárias e heterossexuais.

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  2. Meu caro. Tem razão... mas são planos diferentes.
    Em primeiro lugar eu disse que poderá haver padres com orientação homossexual que são celibatários e castos e excelentes sacerdotes e pessoas. Não ponho isso em causa. Como haverá heterossexuais que são terríveis.
    Mas o que parece é que entre os homossexuais existe mais a tendência de se agruparem nestes cliques clandestinos. Parece ser disso que estamos a falar.
    Depois, sabemos que até as pessoas mais bem intencionadas podem ceder quando lhes é colocado o bom nome em jogo, por isso se calhar alguns destes padres/bispos agiram contrariados mas por causa da chantagem, pelo que o problema não será tanto o carácter.
    Em todo o caso, o principal não é nem a homossexualidade nem o carácter, é mesmo a oração!
    Obrigado pelo comentário!

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  3. Como evangélico, estou a contar com a firmeza da igreja católica em ser contra-corrente e em oração

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  4. Houve um tempo de inquisição da Igreja; hoje é um tempo de inquisição contra a Igreja. Num e noutro destes dois tempos, «o acusador» é sempre o mesmo: o maligno. Os cristãos dos primeiros tempos mostram-nos como é possível ser caridoso e ao mesmo tempo exigente na doutrina e na fidelidade à comunhão da fé. Ou seja: na comunhão e na excomunhão. Esta é a questão da Verdade e da conversão na Igreja, ad intra. Converte-te!
    FC

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  5. Ficamos a perceber que, para Filipe Avillez, o magno problema da Igreja Católica nos nossos dias é o de existirem «homossexuais militantes» no seu seio. Homossexuais que, de acordo com Filipe Avillez, terão mais tendência para se agruparem em cliques clandestinas e para agirem contrariados por causa de chantagens. O que, para Filipe d'Avillez, não é um problema de carácter. Bizarro. Nem uma palavra sobre a questão das lavagens de dinheiro e de promiscuidade com os ricos e poderosos. Nem uma palavra sobre o encobrimento em grande escala, por figuras proeminentes, de casos de abusos sexuais de menores praticados tanto por homossexuais como por heterossexuais. Nem uma palavra sobre a infedilidade aos preceitos evangélicos de concessão de primazia aos pobres, de amor à Cruz de Cristo e de verdadeira caridade. Bizarro.

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  6. Pedro,
    Tenho muitas palavras escritas sobre vários desses assuntos.
    Bizarro ou não, é assim.
    Obrigado.

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