segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

“A muitos padres ninguém ensinou a celebrar missa!”

Uma celebração na forma extraordinária
Entrevista a Monsenhor Juan Ferrer Greneche, Sub-secretário da Congregação do culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, feita e traduzida por Aura Miguel. A notícia está aqui.

Para que serve a Congregação para o culto divino e Disciplina dos Sacramentos?
A maior preocupação hoje, da Congregação, é a formação. Ou seja, ajudar os sacerdotes e a todos os fiéis cristãos a conhecerem realmente o que é a liturgia

Mas esse conhecimento devia ser óbvio, porque a Igreja existe há dois mil anos e o Concílio já foi há 50 anos. O que se passa, para se manter actual esta preocupação?
Infelizmente centramo-nos com muita facilidade no lado externo, na aparência das coisas; muitas vezes, o que é urgente faz esquecer o que é importante; numa casa, mais depressa vemos as paredes e a fachada, esquecendo-nos que por detrás existe uma estrutura e isso, por vezes, também acontece na vida cristã, ou seja, centramo-nos nas coisas externas. Até mesmo na liturgia, insistimos mais no “como fazemos”, esquecendo-nos de “o que fazemos”

O seu chefe, o Cardeal Cañizares, disse recentemente que estão a preparar um manual para ajudar o sacerdote a celebrar a missa. Isto quer dizer que, até agora, não se sabia celebrar a Missa? Porque é que se faz este manual?
Às vezes, pode parecer óbvio que todos os sacerdotes tenham de saber celebrar missa, mas a muitos ninguém ensinou! Nos seminários, em muitos centros de formação religiosa, não ensinam a celebrar, aprendem com o que se vê, ou então, com as ideias gerais, com as teorias, com as hipóteses que o professor de liturgia lançou nas aulas. Estuda-se mais teoria do que a experiência prática e a interiorização dos ritos que estão nos livros litúrgicos vigentes.

Uma pergunta que tem a ver com uma certa sensibilidade mais recente: este Papa gostaria que se celebrasse mais a missa em latim, ou é uma confusão?
O Papa não quer que se perca o latim e isso mesmo já dizia o Concílio Vaticano II. Isto não significa que não se celebre na língua vulgar, na língua das nossas terras, mas sem esquecer a língua latina – o que vale também para os que defendem a cultura ocidental, de raízes clássicas e cristãs.

Uma forma extraordinária de celebrar...
No Ocidente, sobretudo na Europa, vivemos – como o Santo Padre diz – num deserto cada vez maior. Como é que a liturgia pode ajudar a ter um ponto de esperança?
Neste deserto de Deus que é a cultura contemporânea da Europa, a liturgia – em especial, o seu espírito de adoração, de afirmação da primazia de Deus – é como um canto de esperança à humanidade.

O Papa associa sempre o mistério da fé ao mistério da esperança: onde há fé, há esperança. Toda a liturgia é afirmação de fé e é testemunha, sinal visível da presença de Deus e da nossa fé n’Ele. Portanto, a liturgia é como uma provocação à actual situação de desolação para reconhecer que, para além das trevas, há uma luz e que, para além deste horizonte opaco de preocupação e medo pelo futuro, há uma esperança certa no amor de Deus redentor. 

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