segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Cardeais a ter "debaixo de olho" - Angelo Scola

Angelo Scola
Nascido: 7 de Novembro de 1941, em Itália
Ordenado padre a 18 de Julho de 1970 e bispo a 21 de Setembro de 1991
Ao longo das próximas semanas vou publicar aqui textos sobre alguns dos cardeais que vale a pena ter debaixo de olho neste conclave. Incluo aqueles que são tidos como "candidatos" e outros de particular interesse. Todos sabemos que "quem entra no Conclave como Papa, sai como Cardeal", mas em todo o caso existe claramente um lote que tem maiores probabilidades que outros. Proponho apenas conhecerem-nos melhor.

Historicamente há duas grandes dioceses conhecidas por fornecerem Papas: Veneza e Milão contribuíram, juntas, cinco pontífices nos últimos dois séculos.

Foi por isso muito significativo que Bento XVI tenha nomeado para arcebispo de Milão o então Patriarca de Veneza, Cardeal Angelo Scola.

Há quem tenha interpretado a mudança como um claro indicador por parte de Bento XVI de que era este o homem que lhe deveria suceder.

Scola é um homem da confiança de Bento XVI e é membro do movimento Comunhão e Libertação, que tem ganho muita influência ao longo dos últimos anos em Roma.

Há mais uma série de características que poderão jogar a seu favor no conclave. Scola tem apenas 71 anos, pelo que não sendo novíssimo, é definitivamente mais novo do que Bento XVI era quando foi eleito. Para além disso mistura experiência académica, curial e pastoral.

Ainda novo foi um dos colaboradores da revista “Communio”, juntamente com nomes de peso como Henri de Lubac, Hans Urs Von Balthazar e... Joseph Ratzinger. Fundou também o boletim “Oasis”, que aborda o Médio Oriente e contribui para o conhecimento do Islão e do Cristianismo daquela parte do mundo. Pastoralmente tem tido atitudes de abertura para com os divorciados e recasados, convidando-os a frequentar as igrejas e a aproximarem-se do altar para receber uma bênção especial, embora não possam comungar.

A questão do amor conjugal tem sido objecto da sua reflexão e o único livro que tem editado em português é sobre este assunto: “Homem – Mulher”. Nas palavras da editora portuguesa: “Partindo das origens do sentimento amoroso e das suas raízes católicas, o autor disserta, neste livro de cariz essencialmente teológico, sobre a essência deste sentimento e a importância que nele assumem a partilha, a aceitação das diferenças entre os sexos e a inerente procriação, salientando permanentemente a complementaridade entre o Homem e a Mulher.”

Em 1986 começou a colaborar com a Congregação para a Doutrina da Fé, como consultor, um posto que ocupou até 1991, quando foi nomeado bispo de Grosseto.


Em 1995 voltou para Roma para servir como reitor da Universidade Lateranense e desde então esteve muito envolvido na cúria romana, fazendo parte da Congregação para o Clero, a Congregação para a Família, a Congregação para a Cultura e ainda a Congregação para a Promoção da Nova Evangelização.

A sua actividade pastoral foi entretanto retomada com a nomeação em 2002 para Patriarca de Veneza, o que o colocou automaticamente na lista de potenciais futuros papas. Esse estatuto foi aumentado ainda mais com a transferência para Milão em 2011.

Acresce que Scola esteve algum tempo nos Estados Unidos e fala correctamente inglês.

Apesar de os italianos constituírem o maior número de cardeais eleitores, de longe, não se deve esperar que votem todos em bloco uma vez que não são um grupo unido. Contudo, se a vontade de ter um Papa italiano falar mais alto, poder-se-ão unir à volta de Scola, independentemente de alguma desconfiança de alguns em relação ao Comunhão e Libertação, tornando-o um candidato formidável.

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