Showing posts with label JMJ Lisboa. Show all posts
Showing posts with label JMJ Lisboa. Show all posts

Friday, 1 December 2023

Castigos, pastéis e ex-soviéticos a pagar o preço do ateísmo

O Papa Francisco está doente, tendo por isso cancelado a viagem que estava planeada para o Dubai. Felizmente isso não o impediu de receber esta quinta-feira, em Roma, uma delegação de organizadores da JMJ de Lisboa. Devido à sua doença, o discurso do Papa foi lido por outro, mas Francisco teve forças para falar de improviso e até brincou com os presentes, dizendo que tem saudades dos pastéis.

E Francisco não vai estar no COP28, mas continua a ser uma inspiração para os ambientalistas.

Esta semana começou a circular a notícia de que o Papa Francisco vai castigar o Cardeal Burke, retirando-lhe o apartamento e o estipêndio em Roma. Quem é o cardeal Burke? Porque é que vai ser castigado? E esse castigo faz sentido? A história está bem contada? Os factos e a minha análise estão aqui.

O Tribunal de Justiça da União Europeia decretou na terça-feira que os governos nacionais podem impor um ambiente de trabalho “neutro” do ponto de vista religioso, exigindo aos seus funcionários a não utilização de símbolos de fé, como crucifixos, quipás ou véus islâmicos. Mais uma machadada na liberdade religiosa na Europa, explicada neste texto que eu escrevi há mais de dez anos.

A Rússia foi um dos países em destaque no recente “Meeting Lisboa” do movimento Comunhão e Libertação. Durante esse evento conversei com Elena Zhemkova, da Associação Memorial, que se dedica a recolher testemunhos de vítimas do sistema soviético. Nesta entrevista ela explica que os países da ex-URSS continuam a pagar o preço pela guerra contra a fé. Falei também com Marta Dell’Asta, que trabalha para uma organização italiana que promove o cristianismo na Rússia. Falou sobre o estado da Igreja Ortodoxa Russa na actualidade, e sobre se a conversão da Rússia, prometida em Fátima, já se realizou ou não.

Uma excelente notícia chega do Mali, onde o padre Hans-Joachim, raptado há mais de um ano, foi libertado.

Em Agosto aconteceu um dos piores episódios de perseguição aos cristãos na história recente do Paquistão. Para o cardeal Sebastian Shaw, porém, este evento marcou um ponto de viragem positiva nas relações inter-religiosas no país.

Continua a decorrer o ciclo de conversas “E Deus em Nós”, na Capela do Rato, em Lisboa. A mais recente foi com a artista Ilda David, que conta como na Escola das Belas Artes olhavam-na com estranheza porque incluía anjos nas suas gravuras.

Deus existe? Podemos ter a certeza? Mas será que a certeza é necessária? Randall Smith lança estas e outras questões essenciais no artigo desta semana do The Catholic Thing, onde desmascara o “erro de Descartes”.

Friday, 29 September 2023

Tragédia para cristãos no Iraque e Nossa Senhora do Rugby

Começo com uma tristíssima notícia. Mais de cem pessoas terão morrido num incêndio que deflagrou durante a festa de um casamento, no norte do Iraque. Porque é que esta notícia diz respeito à Actualidade Religiosa? Porque atingiu precisamente a já frágil e sofredora comunidade cristã daquele país, embora a maioria dos órgãos de comunicação social – certamente por ignorância e não por preconceito – não o tenham referido. Aqui explico porque é que este é mais um golpe duro para os cristãos iraquianos.

É já no sábado o consistório que elevará D. Américo Aguiar a cardeal. Em princípio eu estarei na SIC Notícias de manhã para comentar o assunto, e sairá um artigo no Expresso sobre o Colégio dos Cardeais depois desta nova remessa criada por Francisco, fiquem atentos e para a semana envio links. Entretanto, o novo bispo de Setúbal deu uma entrevista em que faz um balanço da JMJ.

Infelizmente, as minhas previsões sobre a tragédia humanitária e limpeza étnica em Nagorno Karabakh estão a realizar-se. Mais de metade da população arménia daquele enclave já se refugiou na Arménia propriamente dita. É o fim de uma cultura milenar, num dos berços e últimos redutos do Cristianismo na região do Cáucaso.

A selecção portuguesa de rugby está a entusiasmar e domingo tem um novo teste de fogo contra uma Austrália aparentemente enfraquecida. O rugby é o tema do meu mais recente artigo no The Pillar. Mas o que é que o rugby tem a ver com religião, perguntam? Pois perguntam muito bem. Talvez Nossa Senhora do Rugby possa esclarecer.

O caso do Pe Rupnik continua a dar que falar e agora tem uma nova dimensão portuguesa. Saibam tudo aqui.

E o Papa esteve em Marselha para uma visita relâmpago, onde falou sobretudo da importância de tratar os migrantes como pessoas plenas de dignidade.  

E não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing em que Stephen White explica porque é que um dos grandes problemas da nossa sociedade é o facto de termos perdido a noção do pecado.

Friday, 18 August 2023

D. Rui Valério não é cardeal, a ponte pedonal também não será

O novo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, publicou uma bonita mensagem para os fiéis do Patriarcado, que vale a pena ler.

Esta é uma boa ocasião para recordar a todos que D. Rui Valério não é o Cardeal-Patriarca de Lisboa!!

Entretanto esta semana tivemos uma trapalhada de uma situação, quando as Câmara se Loures e de Lisboa anunciaram que iriam chamar à ponte pedonal sobre o Trancão “Ponte Cardeal D. Manuel Clemente” e logo surgiu uma petição a denunciar esse gesto como um desrespeito pelas vítimas dos abusos. Depois surgiu uma petição contrária e por fim D. Manuel pediu para que se abandonasse a ideia, pois não queria estar no centro de divisões. Pensei bastante escrever sobre este assunto, nomeadamente sobre como os anticlericalismos acabam sempre por assumir os piores vícios das religiões, nomeadamente o puritanismo extremo, mas talvez fique para outra altura. Partilho antes este texto do meu amigo José Maria Duque, que revela bem porque é que este rasgar das vestes dos “activistas cívicos” é cínico e hipócrita. Leiam.

A semana passada escrevi um bonito texto a agradecer a todos os que tornaram possível a JMJ em Lisboa, e ajudaram a fazer daqueles dias uma graça tão grande. Depois, obviamente, esqueci-me de o incluir no newsletter. Mas partilho-o agora.

Leiam aqui sobre os projectos em curso para tentar reavivar a Igreja na Terra Santa; e aqui sobre o mais recente episódio de violência anticristã no Paquistão.

Também a semana passada publiquei um artigo no The Pillar que pretende ir ao fundo da “polémica” das tendas eucarísticas na missa final da JMJ, e das píxides usadas noutra missa. Podem ler aqui.

Têm ainda para ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, que sendo sobre o processo de “reavivamento eucarístico” em curso nos EUA, toca também na JMJ uma vez que questiona a utilidade deste género de mega-eventos. Eu disse questiona, não disse arrasa nem critica. Leiam para verem por vocês as conclusões de Stephen P. White.

Sunday, 13 August 2023

Habemus Patriarcham

A grande notícia do dia é a nomeação do novo Patriarca de Lisboa. D. Rui Valério foi o escolhido pelo Papa Francisco para suceder a D. Manuel Clemente. Escrevi aqui um pequeno artigo sobre o novo Patriarca, com alguns dados sobre a sua vida, mas também alguns dos desafios que ele terá pela frente.

De resto, estamos ainda a ressacar da incrível experiência que foi a JMJ. Durante a Jornada eu não tive tempo para ir actualizando o blog, ou para enviar o mail semanal, mas fui-me mantendo ocupado. Para além de ter entrado várias vezes em antena na SIC Notícias, com a qual estava a colaborar como comentador, ainda dei uma perninha na Rádio Observador e escrevi um artigo diário para o The Pillar.

Os artigos para o The Pillar estão em inglês, mas podem ser lidos aqui:

Sobre o diálogo inter-religioso na JMJ

Entrevista ao Pe. Francisco Crespo, pároco da Serafina

Diário do primeiro dia da JMJ

Diário do segundo dia da JMJ

Entrevista ao único padre do Butão, que explica como um cartão de Natal levou à suaconversão

Diário do terceiro dia da JMJ

Diário do quarto dia da JMJ

Diário do quinto dia da JMJ

Diário do sexto dia da JMJ

Houve ainda um relato de um milagre na JMJ. As informações que circulam são ainda bastante confusas, nomeadamente sobre onde é que se realizou o milagre, mas o meu colega Edgar Beltrán, do The Pillar, conseguiu chegar ao fundo da questão da Jimena, que recuperou a visão. Podem ler aqui em inglês, ou então em espanhol.

Quem também esteve presente na JMJ foi a fundação Ajuda à Igreja que Sofre. Podem ler mais sobre esse assunto aqui.

Fui também convidado pelo Expresso para escrever um artigo mais focado nas críticas que surgiram de alguns sectores à JMJ. Podem ler aqui se forem assinantes. Mas gostaria de sublinhar – como faço no artigo – que embora também houvesse críticas e guerrinhas nas redes sociais, uma das coisas que mais me tocou foi precisamente o facto de na JMJ terem estado tantas pessoas, de tantas tendências diferentes, unidas por uma só causa, a rezar, a adorar e até a dormir lado-a-lado.

No meio de tudo isto continuei a publicar artigos do The Catholic Thing em português. Esta semana temos Randall Smith a escrever sobre as lições que São Tomás de Aquino tem para os actuais pregadores, e no da semana passada temos Russell Shaw, que tem uma larguíssima experiência de participação em sínodos, a revelar as suas reservas sobre o Sínodo da Sinodalidade.

Thursday, 10 August 2023

Obrigado a todos, todos, todos

A JMJ terminou, e penso que o sentimento é geral de que foi uma experiência única, e extraordinariamente bonita para os envolvidos. Embora já se comecem a ver as habituais lamúrias daqui e dali, pessoalmente ainda não falei com ninguém que me dissesse que este não foi um evento transformador.

Eu tive o privilégio de poder viver a JMJ de uma forma muito intensa. Estando ao serviço como comentador da SIC, pude estar sempre presente sem ter a necessidade de andar sempre a correr para fazer reportagem ou cumprir prazos. Tive muitas oportunidades para andar pelos eventos, falar com peregrinos de todos os tipos e de dezenas de países, para recolher histórias e momentos engraçados para os artigos diários que escrevi para o ThePillar. Tendo credencial de imprensa, podia também andar livremente pelos diferentes espaços do recinto e apanhar uma visão mais global de tudo o que se estava a passar.

Dificilmente poderia destacar pontos individuais que não foram já sublinhados por outros, mais cedo, como o ambiente contagiante nas ruas, a simpatia demonstrada por toda a gente, aquele momento de profundíssimo silêncio na adoração ao Santíssimo, durante a vigília, e a profusão de bandeiras, que demonstra que é possível um saudável amor pelo nosso país ou região conviver com um sentimento de fraternidade universal, isto é, católica. Que importante lição numa era do recrudescimento dos nacionalismos.

Quem quiser ler mais atentamente as minhas impressões pode fazê-lo no diário que fui escrevendo para o The Pillar, embora estejam em inglês, mas este texto não é para isso. É para agradecer.

Agradecer do fundo do coração a todos os que vieram à JMJ, de outros países, nalguns casos do outro lado do mundo. Agradecer a todos os que abriram as suas casas para acolher peregrinos. Agradecer a todos os donos de cafés, restaurantes e outro tipo de lojas que ajudaram a fazer com que os peregrinos se sentissem acolhidos. Aos paramédicos, polícias, militares, agentes da Protecção Civil e Bombeiros. Quero agradecer profundamente ao Papa, que esteve tão bem e tão contente no meio dos jovens e restantes peregrinos. Agradeço ainda a todos os que foram acompanhando as minhas intervenções na SIC, na Rádio Observador, ou os meus artigos no The Pillar e que não deixaram de me elogiar e encorajar.

Mas acima de tudo quero agradecer a todos os que trabalharam na JMJ para que ela se realizasse. Aos voluntários, muitos dos quais sacrificaram a sua própria liberdade de movimentação na Jornada para estar ao serviço, nomeadamente aos que se ofereceram logo de início e tiveram tanto tempo longe de suas casas, nalguns casos, a trabalhar por todos nós. E também aos trabalhadores pagos, mas que também se sacrificaram tanto, que deram à JMJ o toque profissional que evitou que tudo se transformasse em caos.

Acima de tudo, quero agradecer profundamente a quem nunca deixou de acreditar nesta JMJ. Para muitos – entre os quais me incluo – depois de anos a ouvir falar disto a toda a hora e por qualquer razão, houve pontos de saturação a partir das quais dizíamos que já nem queríamos saber do assunto, não queríamos ouvir falar. Eu estive várias vezes nessa situação, por mais que soubesse que depois, na altura, iria entusiasmar-me outra vez. Os que nunca tiveram, os que nunca deixaram adormecer esse entusiasmo, esses são verdadeiros heróis e merecem os nossos aplausos.

Obrigado, obrigado, obrigado.

E depois disto fica só por fazer uma recomendação. Aos bispos, aos sacerdotes, aos funcionários paroquiais, aos líderes dos movimentos na Igreja: não deixem que este entusiasmo seja apenas uma onda que passa e dispersa na areia. Aproveitem a energia destes milhares de voluntários que acabaram de descobrir esta dimensão universal da Igreja e agora querem meter a mão na massa. Portugal tem uma oportunidade absolutamente única, que não pode mesmo ser desperdiçada, e todos temos a obrigação de contribuir para que assim seja.

Friday, 28 July 2023

Contagem decrescente e adeus à Madre Marie Bernardette

Já se começam a ver por aí, mas dentro de poucos dias Lisboa será inundada de centenas de milhares de jovens repletos de uma alegria contagiante. Este será, sem comparação possível, o maior evento alguma vez organizado em Portugal. Se vivem em Lisboa, ou tencionam estar por cá durante a JMJ, sugiro que párem uns instantes para pensar no enorme privilégio que é podermos acolher cá esta malta toda.

Já agora, se conhecem pessoas que vêm a Portugal como peregrinos, ou noutra qualidade, não deixem de partilhar com elas o guião que escrevi com dez dicas fundamentais!

Infelizmente nem todos os que querem vão conseguir estar presentes, uma vez que Portugal está a recusar vistos a muitos, sobretudo de países em desenvolvimento, levando-os a perguntar se a JMJ é só para ricos.

Da minha parte, estarei a trabalhar durante a semana da JMJ como comentador, por isso se me virem várias vezes na SIC Notícias, não estranhem nem mudem de canal. Na véspera, dia 31, também vou estar no Contracorrente, da Rádio Observador.

O resto do mundo está já de olhos postos em nós. Esta semana dois dos principais jornais católicos americanos publicaram reportagens sobre Portugal. Tive o privilégio de ser entrevistado para ambos esses artigos. Podem ler aqui o do National Catholic Reporter e aqui o do National Catholic Register.

A delegação portuguesa da fundação Ajuda à Igreja que Sofre vai estar muito activa na JMJ, alertando para a realidade da perseguição aos cristãos em todo o mundo.

Um bom exemplo passa-se o Iraque, onde o Patriarca da Igreja Católica Caldeia, a maior do país, está em guerra aberta com a presidência da República, e anunciou que iria retirar-se de Bagdade, mudando-se para o Curdistão Iraquiano.

Já na Ucrânia há a lamentar a destruição de uma grande catedral ortodoxa em Odessa.

Mudando totalmente de assunto, certamente ouviram que na quarta-feira morreu a cantora Sinéad O’Connor. A irlandesa gostava de usar a sua bela voz para mais do que apenas cantar, não hesitando em partilhar as suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, incluindo a religião. Aqui podem ler um apanhado que fiz sobre a sua muito conturbada caminhada religiosa, que incluiu rasgar uma fotografia do Papa João Paulo II, a posterior ordenação na “Igreja Latina Tridentina” e por fim a conversão ao Islão. Tem tanto de fascinante como de trágico, sendo por isso um bom reflexo do resto da sua vida.

O artigo do The Catholic Thing desta semana é do Pe Paul Scalia, que faz uma análise interessantíssima do Evangelho da semana passada, sobre o trigo e o joio. Não deixem de ler.

Obviamente, estarei muito ocupado na próxima semana, por isso não consigo garantir que tenha tempo para enviar o Actualidade Religiosa, mas vou tentar.

Friday, 21 July 2023

De Tuvalu a Lisboa são duas semanas de distância

Faltam duas semanas para a JMJ, certo? Bom, para alguns peregrinos não. Já há malta a caminho de Portugal, nomeadamente malta que vem de longe. Conheçam aqui alguns dos grupos que já estão a calcar terreno, incluindo os representantes de Tuvalu e Vanuatu!

Sabemos que o Patriarca tem o sonho de trazer representantes de todo o mundo a Portugal para a JMJ, mas será possível? Há países onde as dificuldades ultrapassam a distância e o dinheiro. Os sírios e os libaneses, por exemplo, estão mergulhados em profundas crises e Portugal hesita em dar-lhes vistos, com medo de que depois não queiram regressar. A fundação AIS está por isso a financiar encontros nos países deles para estarem em comunhão com os jovens que cá vão estar.

O futuro cardeal D. Américo Aguiar esteve durante a semana passada na Ucrânia, para levar um pouco do espírito da JMJ a quem, por causa da guerra, não pode vir a Portugal. O bispo explicou ainda que não haverá nenhum momento simbólico para tentar juntar peregrinos russos e ucranianos durante o evento cá, evitando assim o que poderia ser mais um incidente diplomático.

Ainda no tópico da JMJ, na semana passada fiz um post em que D. Américo explicava a sua frase polémica sobre não querer converter jovens na JMJ a Cristo. Acompanhei essa explicação do meu próprio comentário, em que apontava o facto de alguns grupos terem divulgado a sua frase inicial, interpretando-o da pior forma possível. Pedi que deixássemos de o fazer, para evitar a polarização na Igreja. Acontece é que também referi que esses grupos eram na maioria conservadores e tradicionalistas, pelo que algumas pessoas acusaram-me a mim de estar a contribuir para a mesma polarização que lamentava. Terão razão? Pensei no assunto ao longo destes dias, e fiz esta reflexão.

Há novidades no que diz respeito aos abusos em Portugal, com o arquivamento de mais alguns casos e informações novas relativas a um dos padres de Lisboa que está provisoriamente afastado do ministério. Mais tarde, provavelmente depois da JMJ, vou voltar a aprofundar este assunto e fazer um ponto de situação, mas por enquanto podem acompanhar as novidades na cronologia.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é de Stephen P. White, que fala de como 50 anos de Comunismo deturparam a cultura e os hábitos na Europa de Leste, mas pergunta no Ocidente estamos muito melhor. Vale a pena ler, como sempre.

Thursday, 20 July 2023

JMJ - "Virão dos quatro cantos da terra"

Já começou!

Para nós pode parecer que ainda faltam quase duas semanas para começar a JMJ Lisboa 2023, mas para muitos peregrinos que vêm de mais longe, a aventura já começou. 

Neste momento já estão a caminho grupos da Nova Zelândia, como estes de Bathurst, que estão a caminho do Luxemburgo para depois vir com os luxemburgueses para Lisboa. Com eles trazem representantes da Ilha de Vanuato, no Pacífico (em baixo). 


Mas há também este grupo da Nova Zelândia, que já se encontra em França, e que traz o único representante de Tuvalu, outra ilha nação do Pacífico.


O Médio Oriente será representado certamente por vários grupos, seja de Egípcios, Libaneses e Iraquianos - os sírios muito dificilmente poderão vir, e muitos libaneses também não por causa da crise e da guerra, mas terão os seus próprios eventos em paralelo - mas já estão a caminho grupos de Omã, dos Emirados Árabes Unidos (em baixo) e da Arábia Saudita (no topo). 

E por fim, temos grupos do Brasil também já a fazer-se à estrada, como este de Niterói. 

A delegação do Sudão do Sul, com a delegação da Etiópia, a receber uma bênção antes de partir de Adis Abeba


Voluntários do Togo a partir para Lisboa

Colômbia a caminho!

Filipinos antes de partir


Os nossos irmãos de Cabo Verde à chegada a Lisboa


Peregrinos de Timor Leste em Lisboa


Rapaziada de El Salvador prestes a partir


Peruanos juntos antes de deixar Lima


Católicos do Nepal à chegada a Lisboa!


Esta é dedicada a todos os que pensam que estão a fazer um frete por ficar em Lisboa durante a JMJ. 
Os peregrinos das ilhas da Mariana do Norte saíram de Saipan e ainda param em Guam, em Manila, no Dubai e só depois é que chegam a Lisboa.


Peregrinos mexicanos no Canadá, em trânsito para Portugal, acompanhados da embaixatriz de Portugal no Canadá.




A todos os que vêm, Portugal espera-vos e aguarda ansiosamente a vossa alegria e fé! 

Wednesday, 12 July 2023

"Há quatro anos que falamos de Cristo Vivo. Se não querem ouvir, não ouçam"


Ontem tive a oportunidade de fazer uma curta entrevista a D. Américo Aguiar, e pude perguntar-lhe directamente sobre a polémica frase que disse em entrevista à RTP, há dias, quando referiu que "Não queremos converter os jovens a Cristo". 

Transcrevo primeiro a sua resposta, na íntegra, e depois farei os meus próprios comentários.

A Jornada Mundial da Juventude é um convite para todos, desde sempre. Os Papas convidam os jovens do mundo inteiro a encontrarem-se uns com os outros, a encontrarem-se com o Papa e a viverem uma experiência de Deus. Um encontro com Cristo Vivo. É isso que queremos que aconteça, e é isso que eu sublinho. 

E que cada um regressando à sua realidade, ao seu país, à sua vida, à sua circunstância, tenha um desejo maior de conversão, de ser melhor pessoa, tomar decisões na sua vida; na área vocacional; na sua família; no seu trabalho; nos seus projectos; marcados com a experiência de terem encontrado estes jovens que querem dar testemunho de Cristo Vivo. 

Não entendo a jornada como uma oportunidade ou um evento de proselitismo proactivo para converter tudo e todos os que porventura venham ao encontro da Jornada, nem é essa a leitura que alguma vez foi feita por ninguém. 

Eu compreendo que o isolamento da frase da entrevista, como está, pode gerar perplexidade e erro de leitura. Mas a JMJ é repetidamente um convite dos Santos Padres a todos, uma oportunidade de nos conhecermos todos, de olharmos para aquilo que é a diversidade como uma riqueza, de nos conhecermos, a alegria de dar testemunho de Cristo Vivo. 

Temos dito isto há quatro anos, até à exaustão. Dar testemunho de Cristo Vivo, um encontro com Cristo Vivo, Cristo Vivo, Cristo Vivo. Se não querem ouvir, não ouçam. 

Agora o meu comentário. A frase foi infeliz, sim. Mas é preciso uma certa má vontade para a interpretar da pior maneira possível, como aconteceu, sobretudo por parte de alas mais conservadoras ou tradicionalistas. 

Claramente, o que D. Américo quer dizer é que os participantes na JMJ não estão lá com um espírito proselitista, estilo Testemunhas de Jeová, e que todos se devem sentir bem-vindos, pois não se trata de um encontro de católicos para católicos, mas para todos. Naturalmente, um participante na JMJ que não seja católico, ou sequer cristão, sentir-se-á interpelado e fascinado pelo espírito do encontro e procurará saber a razão dessa alegria. Essa busca poderá conduzí-lo a Cristo, mas isso não será uma imposição. 

Se esta resposta de D. Américo não satisfaz os mais cépticos, então sugiro que se recordem de que se o futuro cardeal está onde está, é porque foi "apadrinhado" por D. Manuel Clemente. E se o Patriarca de Lisboa tem os seus defeitos, como temos todos, a falta de ortodoxia e de espiritualidade não está entre eles. 

A ideia de que D. Manuel Clemente teria escolhido a dedo o actual D. Américo para ser seu braço direito primeiro no Porto e depois em Lisboa, e que tenha conseguido que ele fosse nomeado bispo auxiliar no Patriarcado sem ter a certeza de que ele é um homem de Deus e um fiel filho da Igreja, é absurda. 

Todos sabemos que a Igreja está polarizada, como está a sociedade. Podemos alimentar isso, ou podemos agir como irmãos e dar ao outro o benefício da dúvida em situações que podem dar aso a incompreensões. Julgo que essa é uma obrigação que temos enquanto cristãos e pessoas civilizadas. 

Leia também: Decifrando a nomeação de D. Américo a Cardeal

Friday, 7 July 2023

JMJ bem encaminhada e prefeitos menos que perfeitos

Já falta menos de um mês para o início da JMJ em Lisboa. Foram anos de espera e preparação. Em que estado é que as coisas estão? Passei vários dias a recolher informação, que resultou em mais um artigo para o The Pillar. No final admito que fico optimista, leiam para conferir porquê.

E isto foi antes da revelação de um estudo da PWC que estima um impacto positivo do evento para o país de mais de 400 milhões de euros brutos!

Nem todos os jovens do mundo conseguirão vir a Lisboa. No Iraque, os católicos da Igreja Caldeia fizeram o seu próprio encontro perto de Erbil. Falei com uma das participantes sobre a importância deste tipo de eventos para encorajar uma comunidade que já sofreu tanto nos últimos anos.

A mais recente polémica na Igreja Católica é a nomeação de um bispo argentino, muito próximo do Papa Francisco, para prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé. As alas mais conservadoras da Igreja acusam-no de ser demasiado progressista, e inadequado para o cargo. Neste artigo reúno os principais dados que existem sobre ele e os argumentos de um lado e de outro, e recordo que nas últimas décadas os ocupantes deste cargo sempre foram alvo de críticas e de caricaturas que acabam por nunca corresponder à realidade. Saibam mais aqui.

À medida que sai mais informação sobre a situação em Cabo Delgado, mais nos vamos apercebendo da dimensão da tragédia causada por fundamentalistas islâmicos naquela região de Moçambique. O que tinha sido inicialmente descrito como um ataque isolado, afinal foi um massacre que terá causado mais do que as 1300 vítimas entretanto apontadas pelo Governo.

Num belo gesto, o Papa Francisco criou uma comissão para estudar e registar os “novos mártires”. Esta comissão não se limitará aos católicos, mas abrangerá todos os cristãos, seja qual for a sua confissão.

Continua-se a falar do Sínodo para a Sinodalidade. Esta semana que passou, o bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, Athanasius Schneider, escreveu um artigo a criticar o processo sinodal, que foi publicado no The Catholic Thing. Pouco depois o autor Stephen P. White escreveu sobre o mesmo assunto, elencando algumas das críticas, mas explicando porque razão mesmo os mais cépticos não devem descartar à partida um processo que vai certamente marcar o futuro da Igreja.

Friday, 16 June 2023

Arquivamentos e altas hospitalares

O processo de abuso de menores envolvendo o Pe. Mário Rui, do Patriarcado de Lisboa, foi arquivado. É o primeiro dos processos decorrentes das listas elaboradas pela Comissão Independente a ser concluído, pelo menos que se saiba publicamente. Toda a informação disponível aqui.

O Papa Francisco deve ter alta amanhã, o que é obviamente uma boa notícia no geral, mas sobretudo para quem espera que ele consiga estar na JMJ, em Lisboa.

Ainda sobre a JMJ, recordo este texto que escrevi a semana passada, com um apelo para se inscreverem como famílias de acolhimento. É mesmo importante, não deixem passar esta oportunidade de viver de forma ainda mais intensa este grande evento.

Na Nigéria a vida está cada vez mais difícil para os cristãos. Para terem ideia do que sofrem os que vivem em zonas maioritariamente muçulmanas, leiam este artigo que escrevi para a fundação Ajuda à Igreja que Sofre Internacional sobre um antigo governador de um estado muçulmano que admite abertamente que favorecia os seus correligionários em detrimento dos cristãos.

Ao contrário do que se possa pensar, notícias como esta são razão ainda maior para apostar no diálogo inter-religioso. É o que está a fazer este padre em Moçambique, numa zona também muito difícil, onde nasceu o movimento que está a aterrorizar Cabo Delgado e redondezas.

E na senda da solenidade do Corpo de Deus, que foi a semana passada, oportunidade para recordar esta bela homilia do Papa Bento XVI sobre o assunto, que constitui o artigo do The Catholic Thing desta semana.

Wednesday, 14 June 2023

Precisamos de mais famílias de acolhimento para a JMJ!

Ontem foi feriado do Corpo de Deus, por isso só envio hoje esta edição da Actualidade Religiosa.

Foi também ontem que se soube a terrível notícia de mais um ataque terrorista na Europa. À primeira vista, mais do mesmo… Um refugiado do Médio Oriente que ataca à facada pessoas inocentes. Mas não é mais do mesmo. O atacante, neste caso, é um cristão de origem síria. Não sei ainda mais nada sobre o Abdelmasih, cujo nome significa “servo de Jesus”, que tinha um crucifixo com ele quando foi detido, mas a comunidade cristã na Suécia oriunda do Médio Oriente, está em choque e espero que nos próximos dias surjam algumas respostas e explicações sobre o que fez e porque o fez. O bispo de Annecy, onde decorreu o ataque, condenou o incidente. Entretanto, rezemos pelas vítimas, incluindo o homem português que ficou ferido ao tentar travar o atacante.

O Papa foi operado a uma hérnia nos intestinos. Tudo é preocupante quando a pessoa em causa tem 86 anos e uma saúde frágil, mas Francisco está a recuperar bem e por isso, não obstante o compreensível burburinho sobre o assunto, não há razão para pensar que ele não virá mesmo a Portugal para a JMJ.

Quem vem de certeza absoluta a Portugal, contudo, são cerca de um milhão e meio de jovens. E todos estes jovens precisam de um sítio onde dormir. Felizmente, e com a colaboração do Governo, há muitos espaços públicos dispostos a acolher os peregrinos, mas a organização estava a contar colocar cerca de 100 mil jovens com famílias de acolhimento, o que vai ser difícil, porque aparentemente a maioria das famílias católicas em Portugal quer que os peregrinos venham, mas que fiquem em casa do vizinho. Leiam este meu texto e, se tiverem possibilidade, inscrevam-se! Vamos mostrar ao mundo que os portugueses não são apenas bons para desenrascar, mas que também percebem uma coisa ou outra de hospitalidade.

Na Ucrânia a guerra vai assumindo contornos cada vez mais preocupantes, enquanto Vladimir Putin continua a fazer tudo o que pode para garantir o apoio da Igreja Ortodoxa Russa.

E com tudo isto, estamos em Junho, o mês em que as empresas se atropelam para mostrar que são “aliadas” da causa LGBT. Sobre isso escrevi já este texto o ano passado, que vos convido a ler. Mas recordo ainda que muito antes da bandeira arco-íris, Junho era o mês do Sagrado Coração de Jesus. Claro que isto não é uma competição de popularidade, mas se, como eu, nunca ligou grande coisa a este tipo de devoções, leia este artigo do Stephen P. White, no The Catholic Thing, que explica as origens e o significado do Sagrado Coração.

Friday, 9 June 2023

Vinde peregrinos, ficai nas casas dos outros

Queremos todos que a JMJ corra bem, queremos que o milhão e meio de jovens que cá vêm se divirtam e levem boas memórias e experiências, queremos todos que as pessoas que cá chegam, dos quatro cantos do mundo, fiquem bem instalados. Mas de preferência que seja na casa dos outros.

De que outra forma se explica que neste momento, segundo dados que obtive da organização da JMJ, haja apenas cerca de 6.100 famílias inscritas para acolher jovens que participam neste evento? Para quem pensa que 6.100 é muito, saibam que o objectivo final da organização é poder dar guarida a 95 mil pessoas em casas e que neste momento a capacidade atingida está apenas em 21 mil. E estamos a menos de dois meses do começo.

A falta de famílias de acolhimento é um dado dramático, mesmo. Não porque os peregrinos acabem a dormir na rua, ninguém acha que isso seja possível, mas sim porque dá uma imagem de um país onde as pessoas não estão para se chatear com a hospitalidade.

Entretanto a organização já está a trabalhar em tentar alternativas, com o apoio das autoridades civis. O Ministério da Educação já deu luz verde para os liceus abrirem as portas das suas instalações, o que dará certamente uma grande ajuda, mas é mesmo triste que não consigamos chegar sequer a 50% do objectivo proposto para famílias de acolhimento.

A minha esperança é que haja mais famílias como a minha. Pessoas que não têm problema nenhum em aceitar peregrinos, mas que foram adiando a sua inscrição por mera inércia. Nem que fosse para não passar por hipócrita, a minha família só se inscreveu ontem. Hoje mesmo recebi o telefonema da organização para confirmar os dados que submeti e tirar dúvidas, caso fosse preciso.

Por isso se for o seu/vosso caso, saibam que chegou a hora de avançar. Não hesitem mais, não inventem mais desculpas. E não se assustem, porque com base na minha experiência de ter ficado com um casal de acolhimento na JMJ de Colónia, em 2005, os peregrinos não estão tempo suficiente em casa para se tornarem um fardo, porque vão estar ocupados a palmilhar a cidade a tentar viver alguns dos milhentos programas que existem para eles. Da vossa parte só precisam de chão suficiente para estender um colchão e um simples pequeno-almoço. Mais nada. O pior que pode acontecer é ficarem com dois ou mais cidadãos de outro país que sentem uma grande dívida de gratidão para convosco.

Saloios de parabéns

De acordo com os dados que me foram indicados por fonte da JMJ, há paróquias que estão de parabéns. A liderar a contagem de famílias de acolhimento, por paróquia, está Algueirão-Mem Martins, com 135 famílias. Para além desta paróquia tão activa de Sintra, estão de parabéns outras paróquias mais a oeste na diocese de Lisboa, nomeadamente Mafra, Ericeira, Benedita e Santo Isidoro com 128, 108, 103 e 87 famílias cada. Em terceiro lugar da listagem está o Parque das Nações, com 119.

O concelho de Oeiras também se destaca, com as três paróquias de Oeiras, Nova Oeiras e São Julião da Barra a contabilizar 259 famílias (80, 83 e 94 respectivamente). As paróquias vizinhas da Portela e Olivais Sul fecham a listagem com 170 (88 e 82 respectivamente).

Não adianta muito ver o fundo da tabela, porque ele é composto exclusivamente por pequenas paróquias rurais que têm apenas uma família inscrita, mas acho que vale a pena comparar os dados acima elencados com os daquela que será a zona económica e socialmente mais rica de Lisboa, nomeadamente a área que engloba a Lapa, a Estrela e Santos.

Aqui a paróquia que tem mais famílias inscritas é a de Santa Isabel, com 33. Segue-se a Estrela com 22. Santos e São Vicente de Paula – sendo que São Vicente de Paula é essencialmente uma dependência de Santos-o-Velho – tinham respectivamente cinco e seis famílias inscritas quando eu obtive esta informação.

Em primeiro lugar, convém esclarecer que é evidente que nem toda a gente que vive aqui é privilegiada. Esta zona inclui a Madragoa, e outros bairros que não são ricos. Mas ainda assim, e conhecendo bem o local, custa-me muito a crer que não haja mais do que 66 casas disponíveis para acolher peregrinos.

Por isso lanço um apelo a todas as famílias que vivem em Lisboa, Setúbal e Santarém, e não apenas aos que vivem nas paróquias visadas: Abram as vossas casas a quem cá vem. Abram os vossos corações a quem vos pede hospitalidade. E se isso implicar algum incómodo durante uma semana, que seja; se implicar algum sacrifício, façam-no de bom grado e se implicar, por exemplo, não tirar férias naquela primeira semana de Agosto, para poderem estar por casa e ajudar a que a JMJ seja um sucesso, então não hesitem. As férias podem esperar uns dias, mas este evento é uma vez na vida.

Cliquem aqui e inscrevam-se. É facílimo e, se o meu caso for exemplo, muito rapidamente entrarão em contacto convosco para confirmar dados e esclarecer qualquer dúvida que possam ter.

Friday, 2 June 2023

Mais embriaguez, e mais mitras por favor!

Ao longo da passada semana foram nomeados dois novos bispos para auxiliar D. Manuel Linda, na diocese do Porto. As nomeações foram bem-recebidas no Porto, mas mereceram algumas críticas mais a sul. Nada que tenha a ver com os nomes dos homens em causa, mas sim com o facto de a Diocese de Setúbal estar sem bispo há cerca de ano e meio. Este é apenas o mais gritante caso de falta de bispo em Portugal, mas há mais. Neste artigo explico em detalhe quantos bispos faltam de facto, quantos faltarão num futuro próximo e porque razão algumas nomeações parecem levar tanto tempo a sair.

O Palco da missa final da JMJ, que tanta polémica deu, já está a ser construído e o Patriarca D. Manuel diz que tem a ambição de ter em Lisboa jovens “de todos os países do mundo”. Com 600 mil já inscritos, está no bom caminho!

O Grupo Vita, que foi criado para receber pedidos de apoio psicológico de pessoas ligadas aos abusos sexuais na Igreja diz que já recebeu 16 pedidos de ajuda só numa semana. É bom sinal que as pessoas estejam a pedir ajuda, como é evidente. Entretanto, aconselho a leitura deste artigo do jornal americano The Pillar, que analisa as recomendações feitas recentemente pela Comissão Independente que analisou os abusos sexuais na Igreja no Estado de Illinois. Estas recomendações não são um mero “copy paste” de outros relatórios mais antigos, e incluem sugestões muito valiosas.

A fundação internacional Ajuda à Igreja que Sofre tem nova liderança. Thomas Heine-Geldern deixa a direcção executiva da organização, e é substituído por Regina Lynch (na foto), que até agora era directora de projectos.

Um polícia, que estava a trabalhar como segurança privado de uma escola católica no Paquistão, matou a tiro duas alunas e feriu outras seis pessoas, incluindo cinco crianças, no que parece ter sido um protesto contra a educação de raparigas. De visita a Portugal, um bispo paquistanês pediu melhor segurança mas disse que a Igreja não vai desistir da sua missão de educar todos, rapazes e raparigas, cristãos ou não cristãos.

Por fim, deixo-vos com o artigo desta semana do The Catholic Thing, em que o padre Paul Scalia começa por invocar a bênção Urbi et Orbi menos provável do mundo para falar de embriaguez. Mas embriaguez da boa! Leiam para perceber melhor.

Friday, 26 May 2023

A lei é má, mas Deus é Bom

A lei da eutanásia já foi publicada em Diário da República. A partir de agora não há nada a fazer. Ou há? Foi isso que tentei saber neste artigo publicado no The Pillar, em inglês, cuja leitura recomendo.

Uma das pessoas que entrevistei para esta reportagem foi a presidente do Conselho de Ética, que apontou duas grandes falhas na lei, que os deputados ignoraram. Dada a importância das suas palavras para se entender tudo isto, decidi publicar na íntegra a transcrição do que ela me disse, em português, claro. Está aqui, não deixem de ler.

Ainda em inglês, tenho uma pequena nota sobre o assunto na edição desta semana do The Tablet, aqui.

Há anos que escreve sobre a questão da eutanásia. Era bastante evidente que este dia ia chegar, se calhar há sete anos poucos acreditavam que demoraria tanto… Desta vez, notei alguma saturação por parte das pessoas em relação ao assunto, daí que seja importante reafirmar muitas vezes, e de forma clara, que a eutanásia é sobre muito mais do que o direito de alguém escolher como e quando morrer e tem muito mais implicações do que apenas acabar com o sofrimento. A eutanásia estabelece que há vidas que são indignas, e isso é uma monstruosidade. Temos a obrigação de continuar esta luta. Não é fácil, pelo contrário, é muito difícil. Mas ainda bem! Se fosse fácil deixávamos para os outros.

O Papa vai estar em Portugal mais dias do que originalmente previsto. É, claro, uma excelente notícia!

Francisco pede liberdade para a Igreja na China, algo que tarda em manifestar-se!

Recentemente partilhei que o meu filho fez a primeira comunhão. Tenho outro, o mais velho, que será crismado no final do mês. Muitos de vocês estarão na mesma situação, tendo filhos, irmãos ou netos que estão a passar importantes marcos nesta altura, que é também tempo de ordenações. Leiam, por isso, este artigo do Stephen White no The Catholic Thing de hoje. É um texto simples para ler numa altura de incessantes polémicas e guerrinhas, para nos recordarmos de que Deus é Bom. Não é bonzinho, é mesmo Bom. Com B grande e tudo! Louvado seja!

Tuesday, 16 May 2023

O selo do Vaticano para a JMJ

Está aí uma nova polémica, desta vez com o selo do Vaticano que comemora a Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023.

Tanto quanto consigo perceber há duas razões pelas quais o selo está a ser criticado:

Por aqueles que simplesmente não gostam do desenho, nomeadamente porque tem tons inegáveis de arte do Estado Novo, com as criancinhas a seguir o líder – neste caso o Papa – enquanto abanam bandeiras nacionais. Neste contexto, o Padrão dos Descobrimentos não ajuda.

Por aqueles que identificam o próprio padrão dos descobrimentos como um símbolo fascista, e por isso opõem-se ao seu uso neste ou em qualquer outro contexto.

Sem me querer alongar, simpatizo com os primeiros e não tenho grande paciência para os segundos.

Em relação ao primeiro ponto, parece-me que bastaria que alguém em Portugal tivesse olhado para o selo para poder identificar as suas fragilidades estéticas. Isto não aconteceu? Noutros casos semelhantes a emissão de selos foi feita em conjunto com os serviços postais dos respectivos países, houve algum contacto com os CTT a este respeito? Já não seria expectável que o artista italiano que desenhou o selo tivesse conhecimentos para saber que o Padrão dos Descobrimentos, que é de facto um monumento magnífico e emblemático de Lisboa, tem esta associação tão grande ao Estado Novo e aos descobrimentos, que a Torre de Belém e os Jerónimos, por exemplo, não têm.

Por fim, cumpre dizer que esta polémica, por mais piada que possa ter, não é mais do que um fait divers. É um selo, não um manifesto político; é uma emissão do Estado do Vaticano, não de Portugal; é de um artista italiano, não português. O mundo continua e não será certamente isto que vai manchar as memórias que a JMJ vai deixar nas mentes dos lisboetas e dos portugueses.

Para permitir alguma comparação, junto aqui os selos de edições das JMJ anteriores. Penso que não há mais do que estes, pelo menos eu não encontrei.








Friday, 21 April 2023

A Igreja não pode voltar atrás neste caminho

Os bispos portugueses voltaram esta quinta-feira a pedir perdão pelos abusos na Igreja, com D. José Ornelas a dizer que “a nossa Igreja não pode voltar atrás neste caminho”.

Não voltar atrás significa contribuir activamente para construir um novo paradigma para lidar com estas questões, o que por sua vez implica haver sistemas transparentes em que todos podem confiar, nomeadamente as vítimas. Paradoxalmente, quem mais pode fazer nesse sentido agora são as próprias vítimas, dando os seus testemunhos para que as Comissões Diocesanas possam fazer o seu trabalho. Neste texto apelo a essas vítimas para fazer mais um sacrifício, para bem de toda a Igreja e sobretudo da prevenção. Mesmo que não seja vítima, leia e partilhe, nunca se sabe quem do seu círculo social precisa de ouvir esta mensagem.

Ainda no tópico dos abusos, a Opus Dei publicou um comunicado em que dá conta de cinco casos de abusos envolvendo de alguma forma a prelatura, apurados pela Comissão Independente. Já foram acrescentados, com os detalhes conhecidos, aqui.

Reunidos em Fátima para o plenário da Conferência Episcopal, os bispos portugueses reelegeram D. José Ornelas para presidente da organização, apostando assim na continuidade. O bispo de Leiria-Fátima terá muito trabalho pela frente, rezemos para que tudo lhe corra bem.

Num mundo onde existe tanta violência inter-religiosa, é sempre bom ouvir bons exemplos. Este chega-nos da República Centro-Africana. Outro exemplo bonito, mas de missão, vem do Brasil. Leiam a história deste missionário que mais do que uma vez ia perdendo a vida para tentar levar o Evangelho ao coração da Amazónia.

Faltam quase 100 dias para a Jornada Mundial da Juventude. Se ainda não se inscreveu como voluntário, mas gostava, saiba que abriram bolsas de 750 euros pagas pela Fundação Santander, destinadas a jovens a partir dos 18 anos.

Já poucos falam da Guerra na Ucrânia, mas é urgente não perder de vista a importância deste conflito a muitos níveis. Um desses níveis é a sobrevivência da Igreja Católica de rito bizantino na Europa de Leste. Leia o artigo desta semana do The Catholic Thing para perceber porquê.

Partilhar