Está aí uma nova polémica, desta vez com o selo do Vaticano que comemora a Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023.
Tanto quanto consigo perceber
há duas razões pelas quais o selo está a ser criticado:
Por aqueles que simplesmente
não gostam do desenho, nomeadamente porque tem tons inegáveis de arte do Estado
Novo, com as criancinhas a seguir o líder – neste caso o Papa – enquanto abanam
bandeiras nacionais. Neste contexto, o Padrão dos Descobrimentos não ajuda.
Por aqueles que identificam o
próprio padrão dos descobrimentos como um símbolo fascista, e por isso opõem-se
ao seu uso neste ou em qualquer outro contexto.
Sem me querer alongar,
simpatizo com os primeiros e não tenho grande paciência para os segundos.
Em relação ao primeiro ponto,
parece-me que bastaria que alguém em Portugal tivesse olhado para o selo para
poder identificar as suas fragilidades estéticas. Isto não aconteceu? Noutros
casos semelhantes a emissão de selos foi feita em conjunto com os serviços
postais dos respectivos países, houve algum contacto com os CTT a este
respeito? Já não seria expectável que o artista italiano que desenhou o selo tivesse
conhecimentos para saber que o Padrão dos Descobrimentos, que é de facto um monumento
magnífico e emblemático de Lisboa, tem esta associação tão grande ao Estado
Novo e aos descobrimentos, que a Torre de Belém e os Jerónimos, por exemplo,
não têm.
Por fim, cumpre dizer que esta
polémica, por mais piada que possa ter, não é mais do que um fait divers. É um
selo, não um manifesto político; é uma emissão do Estado do Vaticano, não de
Portugal; é de um artista italiano, não português. O mundo continua e não será
certamente isto que vai manchar as memórias que a JMJ vai deixar nas mentes dos
lisboetas e dos portugueses.
Para permitir alguma
comparação, junto aqui os selos de edições das JMJ anteriores. Penso que não há
mais do que estes, pelo menos eu não encontrei.






