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Friday, 19 January 2024

Nicarágua sem liberdade religiosa, e com menos padres

Se já vivíamos tempos preocupantes, as coisas tornaram-se ainda mais sérias, com o Irão a lançar ataques contra posições no Iraque e no Paquistão, que já ripostou. Analisei esta situação no mais recente artigo no meu blog, onde também explico qual o substrato religioso para as divisões que se vivem entre os países do Médio Oriente e arredores.

Uma notícia muito importante vinda da Nicarágua. Depois de uma onda de detenções de padres nos últimos dias do ano, o regime libertou todos os clérigos que tinha na prisão e exilou-os para o Vaticano. Inclui-se aqui o bispo Rolando Alvarez, que passou 16 meses na cadeia. É uma boa notícia, mas não faz diminuir a preocupação com o estado da liberdade religiosa no país. Aqui podem ler o meu artigo no site da AIS internacional, em inglês, e aqui uma versão adaptada no site da AIS Portugal, em português.

A associação de vítimas de abusos sexuais na Igreja, Coração Silenciado, teve audiências tanto com o Presidente da República, como com a CEP. Parece que ambos os encontros correram bem. Já coloquei a informação na cronologia.

A organização Open Doors publicou o seu relatório anual, em que conclui que mais de 365 milhões de cristãos sofrem de perseguição no mundo.

E o Papa Francisco disse esta semana que aquilo que a Igreja condena é a luxúria, e não o instinto sexual do homem.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é de Stephen White, que faz três previsões para 2024. Está muito centrado na realidade americana, mas não deixa de ser muito interessante.

E deixo-vos ainda um convite para a conferência Religião e Sociedade, que decorre na Universidade Católica, no próximo dia 24. Ver imagem acima.

Friday, 15 December 2023

Devem os bispos meter-se em política? Tolentino é Prémio Pessoa 2023

Esta semana houve novos dados sobre a questão dos abusos na Igreja em Portugal, com o Grupo Vita a revelar alguns números. A falta de detalhes dos dados revelados impede-me de usar estes números para actualizar as minhas tabelas e listas, porque não tenho como saber se não se tratam de casos duplicados. Na mesma altura, o novo Patriarca de Lisboa afirmou que não pode haver vítimas de primeira e de segunda, e que se as vítimas da Igreja devem ser indemnizadas, então as vítimas do resto da sociedade também.

Na véspera, o JN publicou um artigo em que tenta explicar quantos dos padres que foram originalmente afastados cautelarmente por constarem das listas da Comissão Independente já foram reintegrados, e quantos continuam afastados. O artigo consegue a proeza de dar números gerais correctos, mas com base em números parciais errados. Neste artigo eu desmonto a questão, mostrando onde estão os erros dos números do JN, mas também a explicar que é exactamente por esta razão que a Igreja devia tomar a iniciativa de ter e fornecer dados centralizados e tratados de forma homogénea.

O artigo do The Catholic Thing desta semana explica como alguns católicos apoiaram o regime da Nicarágua que agora se voltou contra a Igreja com toda a sua força. São detalhes interessantes e lições importantes a reter, e na semana passada disse neste boletim que os bispos da Baviera, na Alemanha, tinham condenado o partido Alternativa para a Alemanha, o que gerou alguma polémica na caixa dos comentários. O que estas duas notícias têm em comum é o envolvimento da Igreja no campo da política partidária. Neste artigo publicado hoje, partilho alguns pensamentos sobre essa questão, deixando ainda algumas ideias sobre a realidade portuguesa, numa altura em que nos preparamos para as novas campanhas políticas e eleições. Leiam e juntem-se à discussão.

Continua a terrível guerra no Médio Oriente. A paróquia católica de Gaza foi novamente atingida, desta vez por estilhaços de bombas que causaram alguns danos materiais. Felizmente há quem esteja a prestar apoio material aos cristãos em Gaza e no resto da Terra Santa, que também estão a sofrer os efeitos deste conflito. Saiba tudo aqui. E se querem dar uma ajuda material mais imediata, vejam como aqui.

E soube-se hoje que D. Tolentino Mendonça venceu o Prémio Pessoa deste ano, um dia depois de ter proferido na Assembleia da República uma conferência sobre a liberdade religiosa, dizendo que é fundamental “escutar a sabedoria das religiões”.

Numa notícia algo curiosa, o bispo da Guarda, D. Manuel Felício, anunciou que pediu ao Papa Francisco que aceite a sua resignação, três anos antes da idade limite dos 75 anos, para que se possa dedicar a uma missão fora da diocese.

Termino com uma recomendação. Se é aluno, pai ou professor, e se preocupa com quem dá formação sobre educação sexual nas nossas escolas, então sigam este link para conhecer uma organização de confiança que trabalha neste campo. São iniciativas destas, mais do que petições ou constantes lamúrias, que conseguem realmente mudar alguma coisa no terreno.

Por hoje é tudo. Não sei ainda se volto para a semana, mas caso não o faça, ficam desde já os desejos de um Santo Natal!

Monday, 11 December 2023

Abusos. O artigo da JN e a falta que faz a centralização de dados

Foi hoje publicado um artigo do Jornal de Notícias sobre o número de padres provisoriamente afastados devido às listas da Comissão Independente, e os que já foram reintegrados. O artigo está aqui, mas é só para assinantes.

Infelizmente, também esta mais recente tentativa de sistematizar os dados sobre este assunto tem vários erros. Já lá irei, mas antes quero dizer que é exactamente por isto que faz falta um ponto onde se possam encontrar estes dados centralizados e tratados. Esse ponto pode, e deve, ser a Coordenação das Comissões Diocesanas, mas recordo que da última vez que esse organismo produziu uma sistematização de dados estava também cheio de erros, como expliquei aqui.

No fundo isto é bastante simples: enquanto as dioceses continuarem a pensar que estes assuntos devem ser tratados unicamente a nível local, vamos ter este problema. Cada diocese trata os dados à sua maneira; uns comunicam, outros não e quando são pedidos números, mesmo pela Coordenação das Comissões Diocesanas, algumas enviam números errados.

A consequência é que os números errados entram no circuito, voltam a aparecer nas pesquisas, são reciclados por jornalistas sem tempo/paciência/capacidade para os verificar melhor e cria-se um ruído que é o oposto daquilo de que precisamos, num assunto que pede transparência.

Às dioceses, volto a pedir que levem a transparência a sério. Não é preciso publicar dados pessoais ou nomes, mas tenham, em local acessível, a informação essencial: Quantos processos têm a decorrer; Quantos padres estão envolvidos; Quais as medidas que foram aplicadas; Quais as sentenças dos processos canónicos; Quais as sanções para os que foram condenados. Quando houver uma novidade, como o arquivamento de um caso, façam um comunicado. Este não serve apenas para divulgar os factos, mas deixa também um registo para consulta futura. A ideia com que se fica é que o cuidado todo com a transparência na altura do relatório e das listas foi só para inglês ver, quando estava tudo de olhos voltados para a Igreja, e que agora tenta-se fazer tudo pela calada. Não caiam nesse erro.

Olhando para este artigo em particular, a dada altura a jornalista diz que de Lisboa, Porto, Braga e Guarda só o Porto é que respondeu às perguntas feitas pelo jornal. Como é que isto é possível? Eu sou jornalista e sei bem que muitas vezes as perguntas são feitas “para ontem” e que isso pode ser difícil. Não sei como foi neste caso em particular, mas não se pode aceitar que apenas uma em quatro dioceses tenha respondido em tempo útil a um pedido de imprensa sobre um tema desta importância.

Aos jornalistas, peço que verifiquem sempre os dados. Infelizmente, por vezes nem nos números oficiais se pode confiar sem confirmar. Eu tenho tido o cuidado de publicar neste blog todos os dados, com o maior rigor possível. Tanto quanto sei, esta é actualmente a melhor fonte de dados que existe sobre o problema dos abusos em Portugal. Usem-no. É para isso que serve. Mas não confiem apenas em dados reciclados de outras fontes, porque o mais natural é conterem erros também.

Os erros do JN

Vamos agora ao artigo do JN. Vou abordar os principais dados incluídos no artigo, e apontar os respectivos erros.

Padres afastados: O artigo diz que houve um total de 14 padres afastados cautelarmente por via das listas dadas às dioceses pela Comissão Independente. Este número está correcto, embora resulte da soma de dados errados, como veremos adiante.

Padres reintegrados: O artigo diz que um total de oito destes 14 padres foram, entretanto, reintegrados. Este número está correcto, embora resulte da soma de parcelas erradas. Por exemplo, o artigo diz que dois dos quatro padres de Lisboa foram reintegrados, quando na verdade foram três. Adiante veremos as dioceses caso a caso.

Padres ainda afastados: O artigo diz que seis padres continuam afastados. Mais uma vez, este número está correcto, embora resulte da soma de parcelas erradas, novamente o caso de Lisboa, onde um padre se mantém afastado, e não dois.

O artigo refere, a dada altura, que seis padres do Porto, Guarda e Lamego, que estavam afastados, foram reintegrados. Estes seriam três do Porto, um da Guarda e dois de Lamego. Contudo, nenhum padre de Lamego foi afastado. Os dois padres que estavam na lista da Comissão Independente foram sujeitados a uma investigação preliminar que concluiu pelo arquivamento dos seus processos, sem nunca terem sido afastados. O mesmo aconteceu a um padre que estava erradamente na lista de Bragança, mas que era de Lamego. Os dados relativos à Guarda estão correctos, e os dados relativos ao Porto também devem estar, uma vez que esta foi a única destas dioceses que respondeu ao JN. A Actualidade Religiosa ainda não tem confirmação independente disso, mas deverá ter em breve, mas por enquanto vou-me fiar no que diz a JN, pois parece-me credível que assim seja.

Em relação a Lisboa, como já vimos, o artigo diz que dos quatro que foram afastados, dois permanecem e dois foram reintegrados. Este número está errado. São três os que já foram reintegrados e um que se mantém afastado.

O artigo do JN diz ainda que em Évora, Braga e Angra os padres que foram afastados continuam nesse estado. Isto bate certo com os meus dados, representando um total de quatro padres, dois de Angra e um cada para Évora e Braga.

Por fim, o artigo refere que em Viana do Castelo um padre foi dispensado pela Santa Sé. Presume-se que isso signifique dispensado do estado clerical. Contudo, não se compreende a referência a este caso, uma vez que o padre em questão não constava da lista da Comissão Independente, pelo que é confuso ser mencionado no artigo, pois a inferência que o leitor retira é de que se trata do único elemento da lista da Comissão Independente que estava vivo na altura, e que era já idoso, não estando, portanto no activo, mas não tendo sido afastado.

Assim, olhando para os dados apresentados no artigo do JN, os padres que foram afastados por estarem nas listas da Comissão Independente seriam: Porto – 3; Guarda – 1; Lamego – 2; Lisboa – 4; Évora – 1; Braga – 1; Angra – 2; Viana do Castelo – 1.

Somando, obtemos 15, o que não bate certo com o número de 14 referido no artigo. Mais, como já vimos, os dados relativos a Viana do Castelo e a Lamego estão errados, o que deixa apenas 12.

Os dois padres que faltam, para a soma estar correcta, são um de Viseu, que já se encontrava afastado quando saiu a lista dessa diocese, mas que constava da mesma, e um de Vila Real, sobre o qual existiu alguma confusão, pois tratava-se de um padre originalmente de Setúbal e apesar de ter sido de imediato afastado do ministério, demorou algum tempo até que Roma interviesse para determinar em que diocese o seu processo deveria ser tratado canonicamente.

Como estão a ver, isto não é fácil. São muitos dados, muitas variáveis, mas é possível ter números rigorosos. Aqui na Actualidade Religiosa continuarei a fazer o que estiver ao meu alcance para apresentar sempre os dados mais fiáveis.


Veja também: 

Cronologia dos casos de abusos sexuais na Igreja em Portugal

O que sabemos das listas dos abusadores compostas pela Comissão Independente

Abusos em Portugal – O que já sabemos, o que falta saber

Friday, 10 November 2023

Madrinhos, padrinhas e outros enganos

A Santa Sé publicou um esclarecimento esta quinta-feira sobre se as pessoas transexuais podem ser baptizadas, ou ser madrinhas ou padrinhos. Ia escrever sobre isto, mas a explicação tem tantas condicionantes, que me parece que a questão vai sempre parar ao bom-senso do pároco ou do bispo. Nalguns casos existirá, noutros não. Em todo o caso, embora me pareça fantástico que se demonstre preocupação pastoral por todos, lamento que seja a Igreja a usar termos como “transexual”, legitimando aquilo que não passa de um artifício linguístico. Talvez não seja o mais importante, mas acho que poderia ter sido evitado.

Surgiram, no fim-de-semana e durante a semana, notícias que indicam que a Igreja, nomeadamente o Patriarcado de Lisboa, castigou um padre por denunciar casos de abuso sexual de menores. Houve de facto uma sentença de um tribunal canónico contra um padre. Esse padre, de facto, denunciou casos de abuso sexual de menores. Ainda assim, o título da notícia é falso, ou pelo menos enganador, e essa é apenas a última de uma longa lista de tragédias no caso que envolve o padre Nuno Aurélio e o padre Joaquim Nazaré. Está tudo explicado no meu artigo.

Um dos pontos do artigo sobre o caso do Pe Nuno Aurélio é que já basta os tiros que a Igreja dá no pé, para não andarmos a inventar outros. Um bom exemplo de um caso que foi tratado da pior forma, pelo menos até agora, é o do Pe Marko Rupnik, que vai finalmente enfrentar um tribunal canónico. Stephen White conta os pormenores do caso no artigo desta semana do The Catholic Thing e verbaliza o que todos estamos a pensar: “Como é possível?!”

Persiste a guerra na Terra Santa. Um bispo iraquiano suplica que o conflito não se espalhe para o resto da região, outro do Líbano exige que a Comunidade Internacional intervenha para assegurar um cessar-fogo, e a irmã Nabila, que se encontra em Gaza, revela estar de coração partido com a destruição da escola que era um farol de esperança para a comunidade católica local.

Mas há mais guerras pelo mundo, e no Sudão a casa das irmãs salesianas, que cuidam de mais de 40 crianças e suas mães, foi atingido por uma bomba. Por milagre, não morreu ninguém.

Numa altura em que o panorama político do nosso país parece tresandar mais do que é costume, que tal uns perfumes de inspiração bíblica? É só dar um salto a Viseu.

Realiza-se este fim-de-semana o Meeting de Lisboa, organizado pela Comunhão e Libertação. O programa desta edição parece muito interessante, nomeadamente a exposição sobre uma organização criada para documentar os crimes dos soviéticos, que foi encerrada na Rússia por ordem de Vladimir Putin. Eu espero lá passar, vocês também o devem fazer, se puderem.

Thursday, 9 November 2023

O caso do Pe Nuno Aurélio. Uma tragédia em todos os sentidos

Um bocadinho dramático, talvez, mas
não conseguia pensar em nada melhor...

No final da semana passada voltou a falar-se do caso do Pe Nuno Aurélio, do Patriarcado de Lisboa.

O Pe Nuno Aurélio foi acusado de ter abusado sexualmente de um rapaz da sua paróquia em 2013. Esse rapaz viria a suicidar-se mais tarde. Quando as alegações se tornaram públicas o Ministério Público arquivou o processo, por estar prescrito. Já o Patriarcado fez uma investigação preliminar, arquivada por falta de indícios.

Em 2022 o caso do Pe Nuno voltou a ser referido no relatório da Comissão Independente, como aliás não podia deixar de ser, uma vez que tinha estado na imprensa e uma das fontes para o relatório foi um levantamento de casos na comunicação social. Mas foi também referido por um padre do Patriarcado de Lisboa que entregou à Comissão Independente, ao Ministério Público e a pelo menos dois grandes órgãos de comunicação uma lista de 12 padres suspeitos de abusos. Esse sacerdote foi inicialmente apresentado com o pseudónimo Pe Cardoso, mas já é público que se trata do Pe Joaquim Nazaré. Nas suas declarações à imprensa, o Pe Nazaré insinuou a culpa do Pe Aurélio no caso do rapaz que se suicidou, e disse ainda que havia indícios de que teria havido mais casos na sua paróquia nova, em França, não obstante essa informação já ter sido desmentida pelo Patriarcado e pela Arquidiocese de Paris.

Em resposta, o Pe Aurélio moveu um processo contra o Pe Nazaré por calúnia e difamação, no Tribunal Patriarcal de Lisboa. O Pe Nazaré foi chamado a defender-se, o que recusou, nunca tendo colaborado com a justiça do Patriarcado. Uma vez que se recusou a fazer prova das acusações públicas que tinha feito, o Tribunal Patriarcal condenou-o por calúnia. A sentença passa por uma retratação pública, um pedido de desculpa pessoal e o pagamento de um salário ao Fundo Diocesano. O Pe Nazaré já disse publicamente que não tenciona cumprir a sentença.

O caso voltou a ser falado na imprensa porque um grande órgão de comunicação social fez notícia da sentença, com o título: “Abusos: Igreja castiga padre que denunciou 12 sacerdotes (‘invocando o Santo Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo’)” Tanto quanto sei, a citação entre parêntesis é uma frase que aparece em todas as sentenças do Tribunal Canónico.

Tragédia após tragédia

Antes de continuar, aproveito para fazer uma ressalva importante: Eu não faço a menor ideia se o caso é verdadeiro ou não. Sei que há certamente casos verdadeiros que caem em saco roto por falta de provas, e sei que há denúncias falsas que estragam a vida aos acusados. Não sei em que campo cai este caso. Sei que o Pe Nuno insiste na sua inocência, e sei que há pessoas que não acreditam nele, e insistem na sua culpa. Portanto este texto não é uma defesa do Pe Nuno, nem uma condenação do processo, é simplesmente um texto que pretende mostrar como este caso é paradigmático de tudo quanto pode correr mal neste assunto do tratamento dos casos dos abusos sexuais na Igreja.

Dito isto, tudo o que temos aqui é uma tragédia, do início ao fim. Antes de mais nada, é uma tragédia que um rapaz se tenha suicidado. Seja o caso verdadeiro ou não, essa é a maior tragédia de todas. O suicídio é um indício conclusivo da veracidade do caso? Não. Uma vítima de abusos sexuais pode matar-se por causa do peso que carrega? Sem dúvida. Mas também é possível que o suicídio resulte de um mal-estar psicológico que por sua vez tenha contribuído também para inventar uma acusação contra uma pessoa inocente. Poderá haver um especialista em saúde mental que tenha acompanhado o rapaz e tenha sobre isso uma ideia mais fundamentada, não faço ideia, mas o resto da população deve evitar retirar conclusões precipitadas sobre o assunto.

Depois temos o arquivamento do processo civil por prescrição. Se a acusação era verdadeira, então temos uma tragédia, porque não se fez justiça nem se investigou devidamente. Se a acusação é falsa, idem aspas.

Surge então o processo canónico. Aqui já houve investigação, mas convém ressalvar que os serviços do Patriarcado de Lisboa, por melhores que sejam as suas intenções e capacidades, não têm os meios de investigação que tem o Ministério Público. Logo, aos olhos do mundo, a decisão do Patriarcado será sempre vista como coxa. Não é por acaso que, quando existem processos civis em curso, as autoridades eclesiásticas tendem a esperar pela sua conclusão para poderem reforçar a sua própria investigação. A investigação diocesana não foi, por isso, perfeita, mas foi o que foi. E eu tenho dito sempre que nós não temos outra opção senão confiar nos processos que existem. Não havendo processo civil, temos de confiar no processo canónico. É infalível? Nada na Terra é. Mas é o que temos. A tragédia aqui é que o Pe Nuno Aurélio viu o seu processo arquivado por falta de indícios, mas jamais se livrará do fantasma da acusação. É uma tragédia que partilha com muitos outros padres que se viram na mesma situação, mas não deixa de ser uma tragédia.

Boys will be boys

A tragédia seguinte é a falta de resposta da Igreja para estas situações. Já disse várias vezes que nestes assuntos falta um toque feminino na hierarquia – não leiam isto como um apelo à ordenação de mulheres, estou simplesmente a falar de maior presença de conselhos e influência feminina junto dos bispos e de quem toma decisões nas dioceses – uma visão maternal que cuide dos sacerdotes em situação de fragilidade. Dos casos que conheço pessoalmente de padres que foram acusados deste tipo de crime, ou mesmo de outros de natureza não sexual, com ou sem fundamento, a resposta da hierarquia tem sido sempre desoladora. Ou são colocados na prateleira, ou são enviados para longe, ou são deixados sem nomeação ad aeternum. Sempre com pancadinhas nas costas e palavras de encorajamento, mas na prática abandonados. Não é por maldade, é a forma tipicamente masculina de (não saber) lidar com situações de vulnerabilidade. Estas pessoas precisam de acompanhamento próximo como de pão para a boca, mas se não têm a sorte de ter uma rede de amigos – preferencialmente leigos e idealmente famílias – que os acolham e acompanhem, ficam perdidas.

É importante falar também sobre a questão da reintegração, quer dos padres que são ilibados ou vêem os seus casos arquivados por falta de indícios, quer dos que são condenados a penas canónicas que não passam pela expulsão do estado clerical e que as cumprem. A verdade é que nada está previsto.

No auge da polémica da Comissão Independente e das listas de padres no activo, fui contactado por uma pessoa ligada a uma comissão diocesana que queria criar procedimentos para a reintegração de sacerdotes nestas situações. Disse-lhe, cheio de confiança, que certamente isso existia nalgum lado, escusávamos de estar a inventar a roda, bastava descobrir um bom modelo para copiar. Não é que não existe mesmo? Ou se existe, eu não consegui descobrir. Até perguntei ao Pe Hans Zollner, provavelmente o maior especialista no assunto de abusos na Igreja, e ele confirmou que desconhecia a existência de quaisquer orientações.

Todos queremos que seja feita justiça de forma célere e transparente nos casos de abusos na Igreja, mas a verdade é que não se pode falar de justiça sem haver também um cuidado por quem já cumpriu a sua pena, ou para quem, para todos os efeitos, deve ser considerado inocente dos crimes de que era suspeito.

Eu não tenho uma solução mágica para isto, como é evidente, mas a ausência de orientações leva a que cada diocese trate à sua maneira, e na maioria das vezes mal, regressando ao abandono de que falámos acima. Isto também é trágico.

Entre a colaboração e a calúnia

Chegamos agora à questão do Pe Joaquim Nazaré. Eu entendo, aceito e até aplaudo a iniciativa do Pe Joaquim de entregar às autoridades eclesiais e civis, e à Comissão Independente, a informação de que dispunha, ainda que não passasse de boatos ou de recortes de jornais. Não há mal em fazer chegar essas informações a quem as possa depois investigar e averiguar. Onde ele errou, a meu ver, foi em decidir falar com a imprensa e, mais especificamente, tecer opiniões jurídicas sobre casos sem ter as devidas provas. Fazê-lo ao abrigo de um anonimato mal-amanhado – toda a gente que o conhece reconheceu-o e até eu, que não o conheço, sabia a identidade dele 24 horas depois de as notícias saírem – foi uma ideia ainda pior.

A mim também me chegam muitos boatos. Durante a fase do relatório e das listas, cheguei a ser contactado por um representante legal de uma alegada vítima de um padre, que me disse que o que o seu cliente queria era que o nome do alegado abusador se tornasse público, mas que não tencionava aprofundar o caso ou falar com as autoridades eclesiásticas para possibilitar um processo canónico. Como é evidente não colaborei com o que me pareceu claramente uma tentativa de assassinato de carácter, sobretudo sem ter a menor forma de poder verificar a veracidade das alegações. Mas caso não soubesse que o nome já era do conhecimento das autoridades civis e eclesiásticas, não teria problema nenhum em partilhar a informação que tinha recebido, para que eles pudessem investigar e tomar medidas. Uma coisa é colaborar com a justiça, outra é procurar escândalo. Seja qual for a motivação do Pe Joaquim Nazaré, ele não pode fazer acusações muito graves com base em opiniões pessoais ou alegações de que tem conhecimento.

Depois temos a decisão do Pe Nuno Aurélio de o processar no tribunal canónico, que é um direito que lhe assiste e de que se valeu. Poderia ter simplesmente deixado cair o caso? Poderia. Talvez fosse mais sensato, mas não o fez e não me parece que deva ser criticado por isso. A sentença do processo parece-me ter sido justa e esperada, e a pena aplicada perfeitamente razoável. A decisão do padre Joaquim Nazaré de não colaborar é também um direito que lhe assiste, mas revela desrespeito pela metodologia da Igreja que serve, o que é lamentável.

Por fim, temos a decisão, a meu ver também trágica, de um órgão de imprensa sério ter decidido noticiar este caso de uma forma sensacionalista. O título do artigo está claramente feito para passar a mensagem de que a Igreja está a castigar um padre por ele ter denunciado casos, o que se fosse verdade seria extraordinariamente grave, mas não é. Reforça também a ideia já muito disseminada de que a Igreja está interessada, acima de tudo, em encobrir casos e evitar escândalos, o que me parece injusto, sobretudo no caso do Patriarcado de Lisboa, que já deu provas de lidar com estes casos de forma rigorosa, sobretudo nos últimos anos. Há muito a criticar na forma como as dioceses e a Igreja portuguesa têm lidado com esta crise dos abusos, e eu não tenho tido a menor hesitação em meter o dedo na ferida quando sinto que é necessário ou pertinente, mas este tipo de situação, em que se pega numa sentença justa por difamação e calúnia, para a transformar num caso de perseguição e vingança, sem qualquer fundamento, não contribui para nada.

Temos, portanto, um rol de tragédias em que não me parece haver nada de positivo a salientar. Que bom que seria que fosse o último, mas temo que não será.

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Friday, 3 November 2023

Papa confirma Dubai e erros transparentes

Imagem gerada com
inteligência artificial

O Papa Francisco confirmou na quarta-feira que vai à COP28, que se realiza no Dubai. Francisco estará lá de 1 a 3 de Dezembro, podendo por isso ainda receber a delegação da organização da JMJ, no dia 30 de Novembro, na Santa Sé. Não é todos os dias que um jornalista consegue um furo a nível mundial, portanto permitam-me regozijar um pouco com o facto de eu ter dado esta notícia há 15 dias, publicada aqui no Expresso (só para assinantes) e aqui no The Pillar.

Na quarta-feira passada a Conferência Episcopal enviou para as redacções uma nota dando conta do número de pessoas – padres e leigos – que foram afastadas cautelarmente das suas funções por suspeitas de abuso sexual desde que foi publicado o relatório da Comissão Independente. A surpresa com que vi esses números foi grande, pela simples razão de que estavam todos errados. Não escrevi nada sobre o assunto no mail da semana passada porque precisei de mais tempo para poder verificar e ter a certeza que o erro não era meu, mas agora posso afirmá-lo com segurança. Escrevi aqui um texto a explicar como é que surgiu o erro, e a tirar algumas conclusões. Sublinho que não foi por deter informações secretas que percebi que os números estavam mal, bastou-me recorrer a dados que são públicos, seja por notas publicadas pelas dioceses, seja por informação recolhida por mim e entretanto publicada no meu blog, aqui, aqui e aqui.

Digo-o no meu texto, mas quero deixar claro aqui que não estamos perante um caso de encobrimento por parte das comissões diocesanas (de onde partiram os erros), mas sim de descuido, ou pelo menos estou disso convencido. Contudo, se todos concordamos que a transparência é um dos factores essenciais para lidar com este flagelo na Igreja, então os organismos da Igreja têm uma responsabilidade acrescida de fornecer números e informações rigorosas. Temos um longo caminho para fazer nesse sentido.

Ainda sobre o tema dos abusos, agora chegou a vez de Espanha, e houve um volte-face no caso do Pe Rupnik, que afinal vai ser julgado pelos crimes de abusos sexuais sobre freiras de quem era director espiritual.

Chegou ao fim o Sínodo sobre a Sinodalidade. Foi sem estrondo, nem dramas. Recordemos, porém, que o processo ainda vai a meio.

Continua a tragédia da guerra na Terra Santa. Os líderes cristãos da região não fizeram grandes declarações nos últimos dias, à excepção do Patriarcado Greco-Ortodoxo, que criticou duramente o facto de Israel estar a atingir centros culturais, desportivos e locais de culto em Gaza. A Ajuda à Igreja que Sofre tem estado em contacto diário com a comunidade católica que está na Igreja da Sagrada Família em Gaza. É grande o cansaço, e só não falo em desespero porque, como diz a irmã Nabila, “só temos Deus”. Rezem, por favor, pela paz em geral, mas especialmente para que Deus console estes cristãos em Gaza. E se quiserem enviem-me mensagens que eu talvez consiga fazer-lhes chegar através da AIS. No caso da minha família, enviámos uma fotografia dos filhos com um desenho a dizer que estamos a rezar por eles. Parece pouco, mas é um encorajamento para quem lá está, saber que não estão esquecidos.

E porque a guerra na Terra Santa nos pôs a falar novamente sobre a questão do terrorismo islâmico, o artigo desta semana do The Catholic Thing fala precisamente sobre a relação entre o Cristianismo e o Islão, recorrendo a citações de grandes pensadores, incluindo São João Paulo II.

Friday, 27 October 2023

Abusos – Números baralhados

Na passada quarta-feira surgiu uma notícia sobre o número de padres que foram cautelarmente afastados por suspeita de abuso sexual de menores ou pessoas vulneráveis, desde que saiu o relatório da Comissão Independente.

Alguns órgãos de informação citaram uma nota da CEP que dizia o seguinte:

Por via do relatório da Comissão Independente foram afastados oito membros do Clero, tendo regressado ao exercício do ministério seis sacerdotes, mantendo-se dois afastados.

Para além do número anteriormente apresentado foram afastados nove membros do clero e um leigo com responsabilidades paroquiais, tendo dois sacerdotes regressado ao exercício do ministério, mantendo-se os demais afastados, bem como o citado leigo.

Como vamos ver de seguida, estes números estão completamente errados.

Na verdade, o número de padres que foram afastados por via do relatório da Comissão Independente foram 15, dos quais continuam afastados nove. O número de padres afastados por via das comissões diocesanas, já depois do relatório, é três, e não nove, mais dois leigos, e não um.

Como é que isto aconteceu?

Ao que apurei, surgiu um pedido da comunicação social sobre o assunto. Perante esse pedido, a Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas de Protecção de Menores e Adultos Vulneráveis, pediu um levantamento a todas as comissões diocesanas. Essa informação foi sistematizada e enviada para a CEP, que emitiu o comunicado.

O que se passou foi que a informação que veio das comissões diocesanas continha erros, e esses erros não foram detectados, tendo chegado ao comunicado final. Já vamos ver quais são os erros, mas para quem não tem paciência para ler os detalhes todos, deixo primeiro as conclusões.

Nojo e dados confusos

E a primeira conclusão é que isto é difícil. É difícil para já porque é uma matéria que impressiona e mete nojo. Ninguém mergulha nestas histórias por gosto, e por isso mesmo poucos são os que se dedicam a analisar dados e cruzar números.

Depois há o problema dos próprios números e das discrepâncias naturais que podem surgir quando falamos de casos que frequentemente são muito diferentes. Por exemplo, quando saíram as listas da Comissão Independente várias dioceses referiram que tinham nas suas listas nomes de padres sem nomeação. O que é que significa estar sem nomeação? O problema é esse, pode significar muita coisa. Pode significar que o padre está velho, incapacitado e num lar; mas também pode querer dizer que o padre fugiu do país e está em parte incerta; ou que está a estudar; ou que o bispo o deixou “na prateleira” por uma ou outra razão. Uma mesma resposta pode cobrir muitas realidades diferentes.

Também houve casos em que as dioceses receberam na lista nomes de padres que já estavam com processos abertos, ou até já estavam cautelarmente afastados. Nesses casos as dioceses contabilizam esse afastamento como sendo por via da Comissão Independente, ou não? Se calhar uns até fazem de uma forma e outros de outra, mas há espaço para se criarem aqui discrepâncias.

Uma coisa posso assegurar, pelo menos daquilo que tenho conseguido perceber com as pessoas com quem vou falando. Cometem-se erros, sim – e aqui estamos a falar de erros de tratamento de dados, e não na forma como se lidam com os próprios casos de abuso – mas isso não significa que as pessoas estão a agir de má vontade ou a tentar esconder alguma coisa.

Mas é preciso muito cuidado a tratar estes números, porque com tantos casos que surgem, por vezes com detalhes, outras sem; de 21 dioceses diferentes, e ainda de mais não sei quantas ordens religiosas; às vezes com informação duplicada, ou mal identificada, é facílimo perdermo-nos. Eu passo muito, mas mesmo muito tempo a manter as minhas bases de dados sobre esta matéria o mais completas possível. Mas a maioria dos jornalistas não tem tempo nem conhecimentos para ir esquartejar os números em detalhe para ver se estão correctos ou não.

O problema é que quando os números errados entram em circulação nos media, facilmente esse erro se torna um “factoid” que é replicado vezes sem conta.

Os detalhes

Dito isto, passemos então ao esquartejamento dos dados.

Sobre os padres que foram suspensos por via do relatório da Comissão Independente, ou mais precisamente das listas que foram entregues, a nota da CEP falava em oito membros do clero afastados, dos quais seis já regressaram ao activo e dois mantêm-se afastados.

Não vou explicar quais as respostas das comissões diocesanas que induziram em erro a Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas, limito-me a indicar quais são os números correctos:

Lisboa – Foram afastados quatro padres, dos quais três já foram reintegrados e um tem o processo ainda a decorrer.

Porto – Foram afastados três padres, todos os processos ainda decorrem. Decorrem ainda processos de quatro padres que nunca foram afastados, embora nunca tenha sido explicado porquê.

Évora – Foi afastado um padre, cujo processo ainda decorre.

Braga – Foi afastado um padre, cujo processo ainda decorre.

Angra – Foram afastados dois padres, cujos processos ainda decorrem.

Guarda – Foi afastado um padre, que já foi reintegrado. Este processo, se bem se recordam, não foi linear. O bispo começou por dizer que não o iria afastar, mas mais tarde acabou por fazê-lo.

Vila Real – Foi afastado um padre, que já foi reintegrado. Este processo também não foi linear, uma vez que o padre foi imediatamente afastado, mas por ser originário da diocese de Setúbal demorou algum tempo até se decidir que seria julgado por Vila Real.

Viseu – A lista da comissão independente incluía o nome de um padre que já estava afastado na altura. Compreende-se assim que a Comissão Diocesana diga que este sacerdote não foi afastado por via do relatório da Comissão Independente, mas de facto é um padre que constava da lista e que se mantém afastado.

Assim, temos um total de 14 padres afastados, dos quais cinco foram reintegrados e nove continuam afastados. Acresce a este total um padre capuchinho que foi afastado e posteriormente reintegrado, o que eleva o número para 15. É natural, contudo, que os dados da CEP, que tinham por base os das Comissões Diocesanas, não incluíssem este membro de uma ordem religiosa.

Como se pode ver, a discrepância ainda é significativa. Não foram oito os padres afastados, foram 15, foram de facto seis os reintegrados, mas só se incluirmos o capuchinho, pelo que o número apresentado pela CEP estava errado, e não são dois os que se mantêm afastados, são seis. Ou seja, em três valores, nenhum está correcto.

Passemos então aos números dos que foram afastados por via de processos posteriores à publicação do Relatório Independente e entrega das listas às dioceses e às ordens religiosas.

A CEP indica que são nove membros do clero e um leigo com responsabilidades paroquiais, para um total de 10 pessoas. Também aqui os números estão mal, mas por dois erros mais simples. Num caso a diocese indicou como membro do clero um suspeito de abusos que, afinal, é leigo, o que muda o número para oito clérigos e dois leigos. Contudo, o número de clérigos também está errado, uma vez que uma das dioceses, que tinha indicado cinco padres afastados por via das listas, depois duplicou por engano este valor quando respondia sobre afastamentos por via das Comissões Independentes, pelo que é necessário retirar esses cinco aos oito, para um total de três clérigos. (O valor de cinco padres afastados por via das listas também estava errado, entretanto…) Destes três, dois já terão sido reintegrados.

Resumindo, nesta categoria houve um total de três padres e dois leigos afastados, dos quais se mantêm afastados um padre e dois leigos.

E são estes os números. Como disse, não é fácil nem é simples ter isto tudo sistematizado e organizado. É precisamente para ajudar que eu mantenho no meu blog três posts que são ferramentas fundamentais para analisar esta questão. Consultem-nos à vontade, e não deixem de me apontar eventuais erros que encontrem, ou informações em falta.

Cronologia dos casos de abusos sexuais na Igreja em Portugal

O que sabemos das listas dos abusadores compostas pela Comissão Independente

Abusos em Portugal – O que já sabemos, o que falta saber

Friday, 30 June 2023

Este post contém más notícias, mas não temais!

O cardeal Zuppi, que o Papa encarregou de tentar obter um acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia, viajou para Moscovo, onde se encontrou com altas figuras quer do Estado, quer da Igreja Ortodoxa. A Rússia garante que não há nada de concreto por enquanto, mas sabendo que grande parte destes processos passa por ganhar a confiança dos parceiros de diálogo, o mero facto de a viagem ter existido é um bom sinal.

O Grupo VITA, criado pela CEP para acolher e cuidar de vítimas de abusos sexuais, diz que já passou vários casos ao Ministério Público, com quem tem agora um “canal directo”. Não foram dados detalhes sobre os casos, mas são 23 denúncias que não tinham sido feitas anteriormente a qualquer outro organismo.

Por falar em abusos, há ainda algumas novidades que não merecendo a publicação de um novo post, devem ser partilhadas. A Actualidade Religiosa apurou recentemente que os três padres da diocese de Lamego que foram referidos nas listas entregues às dioceses viram os seus casos arquivados e por isso estão em plena actividade. Isto inclui o padre que tinha sido referido por engano na lista de Bragança, mas era de facto de Lamego.

Apurou ainda que o padre originalmente de Setúbal que residia em Vila Real, e que por engano vinha referido em ambas as listas, com as duas dioceses a disputar quem tinha de facto responsabilidade sobre ele, vai ficar sob a alçada de Vila Real, por decisão do Vaticano. O padre já se encontra provisoriamente afastado, por isso a grande novidade é que agora o seu processo pode avançar. Por fim, a informação que não foi apurada por mim, mas que só encontrei recentemente, de que um padre “jovem, no activo” de Braga, que foi denunciado pela mãe de uma alegada vítima ainda no tempo de D. Jorge Ortiga, é afinal o padre Albino Meireles, que constava da lista da Comissão Independente. Isto significa que nas minhas listagens ele estava duplicado. A situação foi corrigida, e os números finais e estatísticas actualizados. O padre Albino é suspeito de ter abusado de cinco vítimas e ainda de ter acedido a material pornográfico infantil, para além de ser acusado de posse de arma e munições proibidas.

Recordo que tenho três posts de referência sobre estes assuntos. Uma cronologia actualizada de todas as situações públicas de abusos na Igreja; um relato mais detalhado, por diocese, de tudo o que se sabe e o que não se sabe sobre todos os casos que são conhecidos e por fim um outro post só sobre os casos referidos nas listas da Comissão Independente.

A semana passada falei-vos do Relatório da Liberdade Religiosa, publicado pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre. Esse relatório está cheio de casos terríveis e um dos países mais preocupantes é a Nigéria. Pois bem, esta semana partilho convosco uma outra história vinda da Nigéria que mostra que há sempre esperança! Leiam sobre os muçulmanos de uma aldeia no norte que juntaram dinheiro para pagar o resgate dos seus vizinhos cristãos que tinham sido raptados.

Deixo-vos ainda com o link para o meu mais recente artigo no jornal dos Combonianos World Mission, sobre a dupla tragédia que atinge a Síria, e convido-vos a ler este artigo sobre o conflito interétnico que se tornou uma perseguição aos cristãos em Manipur, na Índia.

Eu sei que muitas das notícias que partilho convosco são tristes, ou são assustadoras. Mas a Bíblia diz-nos muitas vezes para nada temer (há quem diga que são 365 vezes, mas cheira-me a mito urbano). Na verdade, diz-nos Jesus, a única coisa que devemos temer é Aquele que tem poder sobre a vida e sobre a alma: Deus. Mas afinal de contas devemos temer ou não? E o que significa temer a Deus? O padre Paul Scalia explora essa questão magnificamente no artigo desta semana do The Catholic Thing.

Tuesday, 27 June 2023

O que sabemos das listas dos abusadores compostas pela Comissão Independente

Neste post colocarei todos os dados sobre as duas listas de alegados abusadores elaboradas pela Comissão Independente. A primeira diz respeito à CEP, e está analisada isoladamente neste post, a segunda foi entregue à Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP). Aqui serão tratadas as duas listas em conjunto.

Todas as 21 dioceses, e a CIRP, já revelaram informação sobre as listas. Entre parênteses está o número de alegados abusadores na lista de cada uma e no final encontram um gráfico que irei actualizando à medida que surgir mais informação.


Dioceses

  • Algarve (2)
  • Angra (2)
  • Aveiro (3)
  • Beja (5)
  • Braga (8)
  • Bragança-Miranda (2)
  • Coimbra (7)
  • Évora (2)
  • Forças Armadas (0)
  • Funchal (4)
  • Guarda (2)
  • Lamego (3)
  • Leiria-Fátima (5)
  • Lisboa (24)
  • Portalegre Castelo Branco (2)
  • Porto (12)
  • Santarém (0)
  • Setúbal (4)
  • Viana do Castelo (2)
  • Vila Real (3)
  • Viseu (5)
Institutos Religiosos
  • Maristas (2)
  • Reparadoras de N. S. Fátima (1)
  • Missionárias da Consolata (1)
  • Capuchinhos (1)
  • Franciscanos (3)
  • Hospitaleiros de S. J. Deus (1)
  • Jesuítas (4)
  • Religiosas do Coração de Maria (1)
  • Dehonianos (1)
  • Salesianos (2)

Total 114

Deste total, tendo por base a informação veiculada pelas dioceses/insitutos e, nalguns casos, cruzada com informação que já era pública ou do meu conhecimento:

  • 45 já morreram (um é leigo)
  • estão preventivamente afastados do ministério (cinco que foram suspensos no seguimento do entregar da lista, mais 1, de Viseu, que já estava. Inclui-se aqui 1 de Lisboa, 1 de Évora, 1 de Braga e 2 de Angra. Entretanto foi levantada a suspensão de 3 padres de Lisboa, 1 da Guarda, 1 de Vila Real, 3 do Porto e 1 capuchinho, sendo que o padre de Vila Real foi inicialmente referido como sendo da diocese de Setúbal, mas a Santa Sé determinou que o processo decorreria em Vila Real)
  • 9 ninguém sabe quem são 
  • 16 já não desempenham cargos (pode ser por serem idosos/reformados, ou por terem abandonado ou sido expulsos do estado clerical, mas não só)
  • 1 são padres/religiosos no activo, esperando-se mais informação da Comissão para poder decidir as medidas a aplicar. Trata-se de um sacerdote de Setúbal.
  • 33 já tratados civil e/ou canonicamente (1 do Algarve; 1 de Aveiro; 2 de Braga, incluindo um que foi condenado e cumpre pena de medidas disciplinares; 1 de Bragança que foi condenado e tem medidas disciplinares em vigor; 2 de Coimbra, incluindo um cujo processo foi arquivado civil e canonicamente e outro sobre quem as acusações afinal não constituiam abuso de menores e cujo processo, por isso, nem sequer avançou; 1 da Guarda, que teve o seu caso arquivado; 3 de Lamego que tiveram os seus processos arquivados; 4 de Lisboa, incluindo um que já tinha sido tratado antes de ser divulgada a lista e outros três que estiveram três meses afastados, tendo os seus processos sido arquivados; 2 de Setúbal, incluindo um cujo processo já tinha decorrido antes da publicação da lista e outro sobre quem as alegações afinal não constituíam matéria para avançar com qualquer processo; 3 deVila Real, incluindo dois que resultaram em condenações, tendo um sido suspenso, mas estando já de volta ao activo depois de ter cumprido a pena, e estando em processo de transferência para uma ordem religiosa, outro que foi dispensado do ministério, e ainda um terceiro caso que foi arquivado; 4 de Viseu, mas sem que se saiba o resultado do processo, 7 do Porto, dos quais três tinham sido provisoriamente afastados e quatro não, 1 irmã Reparadora de Nossa Senhora de Fátima cujo processo formal não foi sequer aberto e 1 Capuchinho, cujo caso foi arquivado)
  • 4 são leigos (1 Lisboa, 2 Leiria-Fátima, sendo que um destes poderá já ter morrido, 1 das Religiosas do Coração de Maria. Beja também reportou um leigo, mas que está contabilizado com os mortos)


(Clicar para aumentar)

Actualizado no dia 11/12/2023

Sunday, 25 June 2023

Abusos em Portugal – O que já sabemos, o que falta saber

Desde que comecei a acompanhar esta questão, em 2012, dei conta de um total de 159 alegações de abusos sexuais de menores, ou pessoas vulneráveis, cometidos em ambiente de Igreja. Seguem-se algumas estatísticas. As pessoas em causa são referidas pelo nome apenas em casos em que este já é do conhecimento público. A inclusão dos nomes significa apenas que houve alegações e nada diz sobre a veracidade das mesmas, havendo até várias situações de pessoas sobre as quais foram levantadas suspeitas e que acabaram absolvidas. A informação que se encontra em itálico diz respeito ao relatório da Comissão Independente.

Total de casos: 164

Casos envolvendo leigos: 28

Casos envolvendo padres, seminaristas e religiosos: 135

Casos envolvendo bispos: 4 (todos de encobrimento, nenhum de abusos)

Casos não especificados: 1 (denúncia geral sobre Ordem Hospitaleira de São João nos Açores)


Dioceses sem casos públicos

Forças Armadas


Resultados de processo civil

Arquivamento: 25 (15,2%)

Prescrição: 11 (6,7%)

Absolvição: 7 (4,3%)

Condenação: 13 (7,9%)

Não investigado ou não se aplica: 43 (26,2%)

Morte do suspeito: 2 (1,2%)

Em curso: 12 (7,3%)

Incógnito: 51 (31,1%)

 

Resultados de processo canónico (Não se aplica a leigos)

Arquivamento: 27 (20%)

Absolvição: 4 (3%)

Condenado: 9 (6,7%)

Concluído por dispensa voluntária do sacerdócio: 3 (2,2%)

Não investigado: 36 (26,7%)

Morte do suspeito: 1 (0,7%)

Em curso: 13 (9,7%)

Não se aplica: 4 (3%)

Incógnito: 38 (28,15%)


Casos envolvendo leigos:

  • Fernando Silvestre, professor de EMRC na diocese de Braga, é acusado de 87 crimes de abuso sexual sobre 15 vítimas. A investigação está em curso.
  • João Martins, dirigente dos escuteiros, foi acusado de abusos em 2014 e acabou por se suicidar na cadeia.
  • Um catequista da diocese de Santarém, de 29 anos, foi condenado a 7 anos de cadeia, em 2014, por abuso sexual de quatro menores, com idades entre os 9 e os 11 anos.
  • Marco Ferreira, ajudante de catequese na diocese de Évora, aguarda julgamento por acusação de abuso de duas meninas de 12 anos.
  • Duas leigas, funcionárias de uma instituição na diocese da Guarda foram a tribunal em 2021 acusadas de encobrimento, mas foram absolvidas.
  • Ricardo Jorge, monitor no Colégio dos Maristas, foi condenado em 2020 a oito anos de pena efectiva por abuso de menores.
  • Um leigo, funcionário da Casa do Telhal, dos Irmãos de São João de Deus, foi condenado a pena suspensa por abuso sexual de pessoas vulneráveis.
  • Um leigo, dirigente dos escuteiros, foi condenado em 2017 a seis anos de cadeia por abuso sexual de menores ao seu cuidado
  • Um voluntário do Opus Dei foi acusado de abuso de menores em 2019. O processo civil foi arquivado, mas a instituição afastou-o de qualquer contacto com menores, não tendo sido possível confirmar a veracidade das alegações.
  • Adelino Novais, um leigo que tinha tentado sem sucesso entrar para os franciscanos, apresentava-se como frade e dirigia uma casa de acolhimento para jovens em Fátima, onde terá abusado de menores nos anos 60.
  • O chefe dos acólitos de Felgueiras foi condenado a dois anos de prisão, com pena suspensa, por ter abusado sexualmente de uma aluna da catequese, de 14 anos. Na sequência de uma tentativa de suicídio os pais aperceberam-se dos abusos e denunciaram o abusador.
  • Um casal de acólitos do distrito de Aveiro, mas diocese do Porto incentivou um jovem de 13 anos a participar em actos sexuais. O homem foi condenado a cinco anos com pena suspensa. A mulher foi condenada a um ano, com pena suspensa. 
  • Um sacristão, conhecido como Antoninho, foi condenado a oito anos por pedofilia, no Arco da Calheta, Diocese do Funchal.
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeu da Comissão Independente, o bispo de Portalegre-Castelo Branco diz que a diocese recebeu recentemente uma denúncia relativa a um leigo que terá cometido abusos numa instituição da Igreja diocesana. O caso está a ser averiguado, informa o bispo, que não esclarece se as autoridades foram alertadas.
  • No comunicado em que á conta da lista que recebey da Comissão Independente, a diocese de Beja refere que um dos casos diz respeito a um leigo que era sacristão na cidade de Moura ou numa freguesia do concelho, mas descreve a situação como "vaga". Em todo o caso, o suspeito já morreu. 
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeu da Comissão Independente, a diocese de Leiria-Fátima refere o caso de um leigo que entretanto já foi afastado das suas funções.
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeyu da Comissão Independente, a diocese de Leiria-Fátima refere o caso de um leigo que ainda não conseguiu identificar, podendo mesmo já ter morrido.
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeu da Comissão Independente, a diocese de Braga refere a existência de um "agente pastoral" que não consegue identificar, nem sabe se se trata de um clérigo ou de um leigo. Enquanto isso não for esclarecido, fica listado aqui.
  • No comunicado que dá conta de informações recebidas da Comissão Independente, a Opus Dei refere a existência de um professor do colégio do Planalto que foi acusado por um casal de ter feito toques inapropriados no seu filho. O caso remonta a antes de 1982 e o professor abandonou o colégio na sequência desse incidente. 
  • No comunicado que dá conta de informações recebidas da Comissão Independente, a Opus Dei refere a existência de uma acusação contra um funcionário do colégio do Planalto, médico, que terá feito toques impróprios num aluno. Cerca de 2020 chegaram à direcção do colégio informações coincidentes com as apresentadas no relatório, devendo tratar-se do mesmo caso. Na altura o colégio contactou a vítima e tentou convencê-la a formalizar queixa, oferecendo ainda apoio, mas a vítima rejeitou tudo. Sem o apoio da vítima, a direcção tentou reunir informação para uma denúncia formal, mas não conseguiu matéria suficiente. O suspeito não trabalha no colegio há mais de duas décadas.
  • No comunicado que dá conta de informações recebidas da Comissão Independente, a Opus Dei refere a existência de uma acusação contra um professor do Colégio do Planalto, referindo factos alegadamente ocorridos cerca de 1988. Contudo, o nome referido no testemunho feito à Comissão não corresponde a ninguém que tenha trabalhado no colégio.
  • Num comunicado publicado no dia 13 de Fevereiro, os Jesuítas indicam que a colaboração com a CI permitiu identificar mais suspeitos na ordem, incluindo um leigo. Todos, incluindo o leigo, já morreram.
  • Um leigo referido na lista da CI entregue às irmãs Religiosas do Coração de Maria. Segundo a CIRP, não está no activo.
  • Um homem foi afastado das suas funções numa paróquia de São Miguel, nos Açores, depois de ter sido denunciado pelo pároco por comportamento indevido com menor. O processo foi entregue ao Ministério Público, e ainda decorre.
  • Um leigo da diocese de Braga, com responsabilidades pastorais, foi afastado das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. Não temos mais nenhum detalhe sobre o caso.
  • Um leigo da diocese de Angra, com responsabilidades pastorais, foi afastado das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. Não temos mais nenhum detalhe sobre o caso.

 

 Casos envolvendo clero, por diocese ou ordem religiosa

 Algarve (1)

  • Um padre foi acusado de abusos por um ex-residente de uma instituição de acolhimento onde prestava assistência religiosa. O caso estava prescrito na altura da denúncia, mas houve processo canónico que ilibou o padre. Fontes da diocese disseram à Actualidade Religiosa que se desconfiava ser um caso de vingança pessoal. Tudo indica ser este o caso que consta da lista que chegou à diocese por parte da Comissão Independente.
Angra (2)
  • Um padre nomeado pela Comissão Independente, e afastado cautelarmente do exercício das suas funções enquanto decorrem investigações.
  • Um padre nomeado pela Comissão Independente, e afastado cautelarmente do exercício das suas funções enquanto decorrem investigações.
Aveiro (3)
  • Por lapso, o relatório da Comissão Independente identifica pelo primeiro nome, Domingos, um padre acusado de abusos por uma vítima. O padre era director espiritual num seminário. O lapso permitiu a identificação do sacerdote por parte da Actualidade Religiosa. É provável que este seja um dos três nomes referidos na lista entregue à diocese pela Comissão Independente. 
  • Um dos três padres nomeados na lista entregue pela Comissão Independente, mas que já morreu há vários anos, segundo a diocese.
  • Um padre ainda no activo, que consta da lista entregue pela Comissão Independente, mas que já foi investigado tanto civil como canonicamente, tendo o processo sido arquivado em ambos os casos.

Beja (8) 

  • Um padre da lista entregue pela Comissão Independente, já morto. Caso refere-se a 1963
  • Um padre da lista entregue pela Comissão Independente, já morto. Caso refere-se a 1967/68 e diz respeito a um padre com responsabilidades educativas.
  • Um padre da lista entregue pela Comissão Independente, já morto. O padre é de Serpa, ou de uma freguesia desse concelho. Situação descrita como "vaga".
  • Um padre da lista entregue pela Comissão Independente, já morto. O caso refere-se ao início dos anos 80 e terá ocorrido em Mértola, embora o padre não fosse pároco de lá.
  • Um padre referido no comunicado da diocese em que dá conta dos quatro casos acima referidos, mas que não constava da lista dada pela Comissão Independente. Trata-se de um padre que se envolveu com uma rapariga de 17 anos e que foi demitido do estado clerical por Roma.
  • Um padre acusado de perseguir um menor. O caso foi entregue às autoridades civis e o padre acabou absolvido.
  • Um padre sobre quem recaiu uma denúncia anónima vinda da CDF, em Roma. O caso foi entregue à PJ, e acabou arquivado por falta de provas.
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeu da Comissão Independente, a diocese de Beja refere outro caso, que não constava da lista, mas que diz respeito a um seminarista que foi expulso do seminário por assédio sexual e aguarda sentença do tribunal civil. 

Braga (10)

  • O padre Abel Maia foi acusado de abusar de um jovem adulto que tinha uma dependência emocional dele e sofria de problemas psiquiátricos. O caso foi arquivado civilmente, uma vez que a vítima negou os factos em tribunal. Houve processo civil, porém, que condenou o padre a cinco anos sem contacto com menores. A diocese diz que a pena escrupulosamente cumprida e o padre está de novo em funções. Mais tarde surgem novas denúncias relativas a abusos praticados sobre seminaristas quando Abel Maia era director do Seminário dos Montes Claros, dos dehonianos, em Coimbra.
  • Cónego Fernando Sousa e Silva, acusado de comportamentos abusivos com menores. Decorreu um processo em 2019 do qual resultaram medidas disciplinares. D. José Cordeiro publicou uma carta sobre este caso em que falou de “vítimas” e não “alegadas vítimas” e convidou-as a vir prestar declarações na diocese, mas ninguém apareceu. Contudo, no seguimento de um processo canónico, o padre foi condenado a medidas disciplinares.
  • D. Jorge Ortiga, suspeito de encobrimento por não ter denunciado o supracitado “padre jovem ainda no activo”. Não haverá qualquer processo civil ou canónico em curso.
  • Um padre admitiu em 2015 ter praticado abusos cerca de 40 anos antes. O caso foi denunciado ao Ministério Público mas não houve processo canónico uma vez que o abusador abandonou voluntariamente o sacerdócio.
  • A Comissão Independente envia para o Ministério Público uma denúncia anónima de um padre, que não é identificado, que terá abusado de um menor de 12 anos em 2015. Uma vez que nem o padre, nem a vítima foram identificados, o caso é arquivado pelo MP.
  • A Comissão Independente envia para o Ministério Público uma denúncia anónima de um seminarista que terá cometido abusos quando estava no seminário menor. Uma vez que nem o seminarista, nem a vítima, foram identificados, o caso é arquivado pelo MP.
  • No relatório final, a Comissão Independente refere o caso do Padre Joaquim Carneiro, da Aveleda, cujo caso terá sido noticiado no início dos anos 90. Consegui apurar que o Padre Joaquim foi absolvido em processo civil e que por isso nunca chegou a haver um processo canónico.
  • No seguimento da entrega da lista elaborada pela Comissão Independente à diocese, foi preventivamente afastado o padre Albino Meireles. Numa busca feita à casa do padre, a polícia encontra uma arma ligeira, com munições. O padre é constituído arguido por posse de arma proibida. Segundo o jornal Sol, este é o caso referido anteriormente sobre um "jovem padre no activo", que tinha sido denunciado pela mãe de uma das vítimas a D. Jorge Ortiga, mas que só teve desenvolvimento com a chegada à diocese de D. José Cordeiro. Esse outro caso já constava desta lista, sem nome. Uma vez que se trata da mesma pessoa esse registo foi eliminado e o número de casos em Braga corrigido. Em Agosto o Expresso noticiou que a polícia também encontrou pornografia infantil no computador do sacerdote e que a arquidiocese espera que chegue de Roma, em breve, ordem de redução ao estado laical.
  • Um padre foi afastado cautelarmente das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana e o processo ainda decorre.
  • Um padre foi afastado cautelarmente das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. A queixa foi arquivada e o padre reintegrado.

 Bragança (1)

  • O padre José Belmiro Lino Rodrigues é acusado em 2019 de ter mantido uma relação com um rapaz de 17 anos, muitos anos antes. Pela idade do rapaz, não se trata de um crime do ponto de vista civil, mas sim do ponto de vista canónico. Trata-se do sacerdote indicado na lista da CI e que entretanto foi condenado a medidas disciplinares pelo tribunal canónico. Já cumprida a pena, regressou ao activo, embora esteja sem cargos de responsabilidade e sem nomeação.

 Coimbra (6)

  • Um padre é acusado de abusos em 2015 através de uma carta anónima, nunca substanciada. A Diocese pediu que se enviassem dados concretos, caso alguém os tivesse, mas isso nunca aconteceu. Suspeita-se de um caso de vingança pessoal. O padre nunca foi identificado publicamente e o caso foi arquivado pelo MP, nunca tendo sido aberto um processo canónico.
  • Um padre é suspeito de ter cometido abusos numa instituição de acolhimento de rapazes, onde trabalhava. Confrontado com as acusações foi viver e trabalhar para um país africano de língua portuguesa. Em 2015 procurou voltar para a diocese de Coimbra, e chegou a ser nomeado, mas quando o novo bispo foi informado das suspeitas rescindiu a nomeação e o padre em questão voltou para o PALOP onde estava antes a trabalhar, tendo morrido de causas naturais entretanto.
  • O padre Sebastião Cruz é acusado por uma mulher de ter abusado dela quando era interna num colégio interno, em Coimbra, na década de 70-80. A acusação é feita no programa “A Prova dos Factos”, da RTP1.
  • O padre António de Sousa foi acusado de abusos em 1971 pelo pai de uma menina que se queixava que ele a beijava e metia a mão nas cuecas. O caso gerou polémica e divisões na paróquia, mas o padre chegou a ser julgado e absolvido em tribunal civil. Nunca houve investigação canónica.
  • Um padre referido na lista da Comissão Independente mas que, segundo a diocese, já tinha tido o seu processo arquivado tanto civil como canonicamente. 
  • Um padre referido na lista da Comissão Independente, mas quando a diocese pediu mais informação concluiu-se que não se tratava de um caso de abuso sexual, nem de menores, nem de qualquer espécie. O processo acabou por não avançar, nem canónica, nem civilmente.

 Évora (4)

  • O padre Heliodoro Nuno é suspenso e investigado por alegado encobrimento ao não ter agido com celeridade para remover um catequista que terá abusado de duas meninas de 12 anos. O processo é arquivado pelo Ministério Público e o processo canónico é arquivado por indicação de Roma, sendo o padre reintegrado.
  • O padre José António Gonçalves suicida-se horas depois de ter entrado uma denúncia na Comissão Diocesana de alegados abusos sexuais de um adulto vulnerável, por via de mensagens impróprias. Este sacerdote não constava da lista de padres abusadores elaborada pela Comissão Independente
  • Um padre, cujo nome não foi divulgado, é afastado cautelarmente do ministério enquanto decorre uma investigação sobre alegados abusos cometidos no seminário menor de Évora, na década de 80. O nome é um de dois que constava da lista enviada à diocese pela Comissão Independente. O outro nome da lista é de um padre, também não nomeado, que já morreu. 
  • Um dos dois padres de Évora nomeados pela Comissão Independente como alegadamente estando no activo, afinal já morreu. 

 Funchal (4)

  • O padre Frederico, de nacionalidade brasileira, foi acusado de abuso sexual e homicídio de um jovem na ilha da Madeira. Foi condenado a 13 anos de cadeia, seguidos de expulsão de Portugal. Durante o julgamento, quatro adultos disseram ter sido abusados pelo padre quando ainda eram menores. O bispo Teodoro de Faria defenderam a inocência do padre. A meio da sentença, numa precária, o padre fugiu com a sua mãe para o Brasil, onde ainda reside. Continua a garantir a sua inocência. Nunca chegou a haver processo canónico.
  • O Cónego Carlos Nunes é acusado de ter praticado abusos em 2014. O caso é arquivado pelo Ministério Público e não chega, por isso, a ser investigado pela diocese, estando o sacerdote ainda em funções.
  • O padre Anastácio Alves é acusado, em 2018, de ter praticado abusos em 2005. Embora o caso tenha sido arquivado pelo Ministério Público, o padre é condenado em processo canónico e suspenso. Abandona o país e acaba por pedir dispensa do estado clerical, que lhe é concedida. Em Dezembro de 2023 o padre foi condenado em tribunal civil a seis anos e seis meses de cadeia, com pena efectiva.
  • Dos quatro nomes entregues pela Comissão Independente à Diocese do Funchal, um é desconhecido pela diocese, e por isso não será contabilizado nesta lista, e três foram identificados mas não têm já qualquer cargo atribuído. Havendo a possibilidade de dois deles serem o Padre Frederico e o (ex)padre Anastácio Alves, para efeitos desta listagem será contabilizado apenas mais um caso, cuja existência está confirmada, mas cujo nome ainda não é conhecido.

 Guarda (5)

  • O padre Luís Mendes foi acusado, julgado e condenado a 10 anos de pena efectiva pela prática de abusos no seminário do Fundão. Foi condenado também em processo canónico, e demitido do estado sacerdotal.
  • O padre Ângelo Martins foi acusado, juntamente com duas leigas, de encobrir dois residentes de uma instituição de acolhimento que suspeitos da prática de abuso sexual de menores. Levado a tribunal juntamente com as duas leigas funcionárias, foi absolvido e continua ao serviço. Não existiu processo canónico.
  • O padre Vítor Manuel Alago Lourenço foi acusado em 2022 de abusos que terão sido praticados a partir do ano 2017. A diocese passou todas as queixas ao MP, mas o bispo optou por não suspender o padre, dizendo que “em caso algum, desejo contribuir para transformar qualquer notícia, declaração ou até acusação sem investigação, em condenação direta e sumária na praça pública". Este padre é um dos nomes que consta da lista entregue à diocese pela Comissão Independente. No dia 10 de Março a diocese anunciou o seu afastamento cautelar enquanto decorre a investigação prévia. No dia 16 de Julho o padre voltou a celebrar missa. O processo foi arquivado canonicamente, por não se ter conseguido identificar a alegada vítima.
  • Um de dois padres nomeados na lista entregue pela Comissão Independente à diocese. O nome não é divulgado, mas o sacerdote já morreu em 1980.
  • Um padre foi afastado cautelarmente das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. A queixa foi arquivada e o padre reintegrado.

 Lamego (5)

  • O padre António Júlio Fernandes Pinto foi detido em 2022 por suspeita de abusos continuados sobre uma pessoa com deficiência que estava à sua guarda. O processo civil está em curso.
  • Um padre de nome desconhecido, referido por D. António Couto como tendo  um processo já em curso quando este explicou que recebeu apenas dois nomes na lista entregue pela Comissão Independente. Disse na altura ter já dois processos a decorrer, sendo que um é do Padre António Júlio, este será o outro. Ao que a Actualidade Religiosa apurou, o padre está a ser investigado por posse e acesso a conteúdos de pornografia infantil, mas as perícias policiais nada encontraram, pelo que se espera que o caso seja arquivado.
  • Um padre referido na lista entregue pela Comissão Independente, sobre o qual D. António Couto pediu mais informação. Ao que a Actualidade Religiosa apurou, a investigação prévia feita a este caso não revelou informação que permitisse o prosseguimento do processo, pelo que o caso foi arquivado.
  • Um padre referido na lista entregue pela Comissão Independente, sobre o qual D. António Couto pediu mais informação. Ao que a Actualidade Religiosa apurou, a investigação prévia feita a este caso não revelou informação que permitisse o prosseguimento do processo, pelo que o caso foi arquivado.
  • Um padre referido na lista entregue pela Comissão Independente à Diocese de Bragança, mas que por ser afinal de Lamego foi reencaminhado para lá. Ao que a Actualidade Religiosa apurou trata-se de um padre que está no activo. A investigação prévia feita a este caso não revelou informação que permitisse o prosseguimento do processo, pelo que o caso foi arquivado.

 Leiria-Fátima (4)

  • D. José Ornelas foi denunciado por alegadamente encobrir o caso envolvendo o Pe. Abel Maia, de Braga, quando era ainda superior dos dehonianos. O processo foi entregue ao Ministério Público, mas tendo em conta a natureza do caso e quem faz a denúncia, a Actualidade Religiosa explicou aqui porque é que este caso não tem credibilidade. Mais tarde, em Março de 2023 D. José Ornelas volta a ser apontado como responsável por encobrir crimes de abuso de menores praticados por Abel Maia, mas desta vez no seminário dos dehonianos em Coimbra. A CEP contesta que o então padre José Ornelas não se encontrava em Coimbra nos anos em que Abel Maia era director do seminário.
  • Um padre referido na lista da CI, que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI, que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI, que já morreu.

 Lisboa (24)

  • O padre Inácio Belo foi acusado em 2012 de abusos praticados em 2003. Desconhece-se se existiu processo civil, foi suspenso do ministério, mas acabou por abandonar o sacerdócio. Consta que é actualmente pastor evangélico. É possível que este seja o padre referido na lista da CI e indicado pelo Patriarcado como já tendo abandonado o sacerdócio, mas também pode tratar-se do "Padre Y".
  • Nuno Fraga Aurélio foi acusado em 2013 de ter cometido abusos durante os anos 90 sobre um menor que mais tarde se suicidou. O processo civil foi arquivado por prescrição. Canonicamente, houve investigação preliminar, mas foi arquivada por falta de indícios. Em 2022 o Padre Joaquim Nazaré, do Patriarcado de Lisboa, denunciou publicamente o padre Nuno Aurélio, insinuando a sua culpa nesse caso e dizendo que tinha havido mais casos na sua nova paróquia, em Paris. O padre Nuno Aurélio apresentou queixa no Tribunal Patriarcal, que lhe deu razão, condenando Joaquim Nazaré a um pedido de desculpa, o pagaemento de um salário ao Fundo Diocesano e uma retratação pública. O Pe Nazaré não colaborou com o processo e disse publicamente que não cumpriria a pena imposta.
  • O padre Duarte Andrade e Sousa foi suspenso preventivamente enquanto se investigava o alegado envio de mensagens impróprias num grupo de WhatsApp que incluía menores de idade. O processo no Ministério Público acabou por ser arquivado e de Roma veio ordem de arquivamento do processo canónico. O sacerdote está de novo no activo, mas não tinha nomeação na altura em que o Patriarcado indicou que três dos padres referidos na lista da CI estavam sem nomeação, pelo que pode ser um desses.
  • Em 2022 surgiram denúncias de um padre que era então capelão hospitalar. O padre não chegou a ser identificado na imprensa, mas a Actualidade Religiosa sabe o seu nome. O Caso remontava a 2003 e não foi denunciado na altura às autoridades civis porque a própria vítima assim o pediu. Pela mesma razão não foi iniciado um processo canónico, embora o padre tenha sido afastado de qualquer obra da Igreja que envolvesse menores de idade. Contudo, a Igreja não interveio quando o padre abriu uma instituição de acolhimento de jovens, fora do âmbito canónico. Não existe qualquer acusação contra o padre desde 2003. Actualmente o padre está com cancro, em fase terminal. Este deve ser um de dois padres da lista da CI indicado pelo Patriarcado como estando doente e retirado.
  • D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, foi acusado de encobrimento no caso supracitado do padre capelão hospitalar. O Patriarca nega ter encoberto o caso, dizendo que foram respeitadas todas as normas da época e que foi por sua iniciativa que se encontrou com a vítima, em 2019.
  • O padre Luís Cláudio Ferreira dos Santos foi acusado em 2022 de ter cometido abusos anos antes. O processo não foi investigado pelo Ministério Público por estar prescrito. Seguiu um processo canónico em que não foi provada a acusação, tendo por isso o padre sido ilibado e voltado ao activo.
  • Num email anónimo enviado a todo o clero do Patriarcado de Lisboa são levantadas suspeitas sobre eventuais abusos cometidos por um cónego, em 2003. Estas suspeitas nunca surgiram na imprensa, e a Actualidade Religiosa não conseguiu obter qualquer informação que indique serem verdadeiras. O padre em questão esteve envolvido num caso de alegado assédio, mas entre adultos, tendo admitido precisar de apoio psicológico e estando por isso suspenso de actividade. Este poderá ser um dos padres referidos na lista da CI e indicado pelo Patriarcado como estando doente e retirado.
  • O padre João José Cândido da Silva foi acusado de violação por uma mulher, maior de idade. Mais tarde surgiu a informação de que o sacerdote estaria a ser investigado também por suspeita de abuso de menores, cometido anos antes, em Vila Real. Está em curso um processo civil, mas desconhece-se se está em curso um processo canónico. É possível que este seja um dos padres referidos como não tendo nomeação no comunicado do Patriarcado, sobre a lista da CI.
  • Em 2022 surgiu a história de um padre de Lisboa que terá sido acusado de abusos pela família da alegada vítima. Contudo, em vez de denunciar o caso, a vítima chantageou o padre por 10 mil euros, para manter silêncio. O padre não foi nomeado na imprensa, e terá morrido em 2021, de causas naturais. É possível que este seja um dos padres referidos na lista da CI e que já morreu.
  • O padre Carlos (apelido desconhecido) foi acusado de ter praticado abusos sob uma criança nos anos 60. A criança, agora adulta, denunciou o caso no programa “A Prova dos Factos”, da RTP1, em 2023. Inicialmente estava aqui elencado como sendo da diocese de Santarém, mas nesse tempo Santarém não era diocese, portanto seria de Lisboa e é deve ser um dos elementos da lista da CI que a diocese refere como já tendo morrido.  
  • O padre José Francisco Faria terá mantido uma vivência homossexual activa, incluindo com menores, durante vários anos. Não há qualquer notícia de investigação civil ou canónica. Morreu em 2019. É possível que seja um dos padres referidos como tendo morrido, na lista da CI.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que se encontra sem nomeação.
  • O "padre Y", mencionado no relatório da Comissão Independente, tem uma queixa na Comissão e enquanto capelão de uma instituição de ensino superior "dava-se a intimidades com as alunas, que se queixaram". Não é certo se a queixa na comissão é de uma dessas alunas - que teria de ser menor na altura, para ser considerada pela comissão - ou outro caso. Nem o padre, nem a diocese são identificados no relatório, mas a Actualidade Religiosa sabe tratar-se de um padre de Lisboa que, entretanto, como consta no relatório, abandonou o sacerdócio e casou. Não houve qualquer processo civil ou canónica. É provável que seja um dos padres referidos na lista da CI relativa a Lisboa, e que seja referido por sua vez no comunicado do Patriarcado como o padre que abandonou o sacerdócio, mas também pode tratar-se do Pe. Inácio Belo.
  • O Padre Mário Rui Pedras é um dos quatro padres de Lisboa afastados cautelarmente no seguimento da denúncia feita à Comissão Independente. No comunicado o padre garante a sua inocência. No dia 14 de Junho o Patriarcado de Lisboa arquiva o processo contra ele, por falta de indícios.
  • O padre Teodoro Dias de Sousa é um dos quatro padres de Lisboa afastados cautelarmente no seguimento da denúncia feita à Comissão Independente. Demite-se da função da assistente espiritual da Academia Musical de Santa Cecília. Após mais queixas junto da comissão diocesana, agrava-se a sanção provisória do padre, proibindo-o de contactar com menores. O padre é oficialmente afastado das suas paróquias e nomeado um sucessor. Aguarda-se ainda a conclusão do processo canónico.
  • Um padre é afastado cautelarmente por o seu nome constar da lista da Comissão Indepdendente. No dia 19 de Junho é confirmado que este processo foi arquivado. O padre em causa já morreu entretanto.
  • Um padre é afastado cautelarmente por o seu nome constar da lista da Comissão Independente. Em Agosto fonte da Comissão Diocesana confirmou que este caso já foi arquivado por Roma.
  • Um padre foi denunciado à Comissão Diocesana, pouco antes da JMJ. Será aberto processo, mas fonte da Comissão diz que o caso não é minimamente credível. 
  • Um padre que é de uma ordem religiosa, mas que não tem reconhecimento formal, e que por isso estará sob a alçada canónica da diocese onde reside, que é Lisboa. O padre, que ainda é vivo, é referido no relatório da Comissão Independente de forma que o torna bastante fácil de identificar, mas segundo informação obtida pela Actualidade Religiosa, não consta da lista entregue ao Patriarcado pela CI. 

Portalegre-Castelo Branco (2)

  • Um de dois padres que consta da lista entregue pela Comissão Independente à diocese, mas que já morreu na década de 1960.
  • Um de dois padres que consta da lista entregue pela Comissão Independente à diocese, mas que já morreu na década de 1980. 

Porto (9)

  • D. Manuel Linda foi denunciado por alegadamente encobrir o caso envolvendo o Padre Heitor Nunes, da Diocese de Vila Real. A vítima do Padre Heitor Nunes disse, em 2022, que na altura em que iniciou o seu relacionamento com o sacerdote confidenciou ao então padre Manuel Linda. O agora bispo do Porto diz não ter qualquer recordação dessa conversa. Importa dizer que este caso do padre Heitor foi divulgado pela primeira vez em 2019 no jornal O Observador e na altura a vítima não referiu este detalhe. Em 2022, nas diferentes vezes em que fez a denúncia, terá apresentado versões diferentes. Tanto quanto a Actualidade Religiosa sabe, não foram iniciados processos civil ou canónico para investigar a alegação.
  • O Cónego António Ferreira dos Santos foi acusado em 2008 de ter praticado abusos. A denúncia não foi levada a sério, depois de se ter concluído que o denunciante agia por vingança pessoal contra o padre. Não houve processo civil ou canónico.
  • Um padre nomeado na lista da CI é afastado cautelarmente enquanto se aguarda o desenrolar do processo. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI é afastado cautelarmente enquanto se aguarda o desenrolar do processo. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI é afastado cautelarmente enquanto se aguarda o desenrolar do processo. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI mas que não é afastado cautelarmente, apesar de o seu processo ter sido entregue directamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI mas que não é afastado cautelarmente, apesar de o seu processo ter sido entregue directamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI mas que não é afastado cautelarmente, apesar de o seu processo ter sido entregue directamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI mas que não é afastado cautelarmente, apesar de o seu processo ter sido entregue directamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.

 Santarém (1)

  • O padre António Júlio Ferreira dos Santos foi acusado de tocar de forma inapropriada uma escuteira, durante um acampamento. O padre foi condenado a 14 meses de pena suspensa pelo tribunal civil e a uma pena canónica de termo limitado sem contacto com menores, sem nomeação e com obrigação de acompanhamento profissional. Cumprida a pena, o padre voltou ao activo e colocado como director paroquial, e não pároco, de uma paróquia onde pode ser acompanhado por outro padre. No seguimento da revelação do relatório e da lista da CI, o padre foi alvo de atenção mediática e, sob pressão, pediu para ser afastado temporariamente das paróquias a que assistia.

 Setúbal (4)

  • Um padre foi acusado por acólitos de ter praticado abusos. A diocese abriu um processo canónico que concluiu pela sua absolvição. O caso não foi denunciado às autoridades civis, e não terá sido investigado pelo Ministério Público. A Actualidade Religiosa recebeu indicações que apontam para se ter tratado de uma acusação falsa. Segundo o relatório da Comissão Independente houve outro caso envolvendo este padre mas a diocese considerou na altura que não havia dados suficientes para se abrir um processo penal. Em todo o caso, recomendou-se uma admoestação e um pedido de desculpa formal ao denunciante, um ex-seminarista. O instrutor do processo diz que considerou a versão do denunciante mais credível que a do denunciado. Tudo indica ser este o padre referido na lista entregue pela Comissão Independente à diocese que terá sido alvo de dois processos, segundo a diocese, que não configuravam abuso de menores. É possível que os acólitos e ex-seminarista que se queixaram fossem maiores de idade na altura. Contudo, a diocese diz que a Comissão terá recebido em relação a ele uma queixa de abuso de menores, pelo que aguarda mais informação. Diz que o padre está sem nomeação pública neste momento, embora no anuário conste uma nomeação, de natureza não paroquial.
  • Um padre da diocese de Setúbal foi acusado por uma mãe de ter abusado do seu filho menor, ainda criança. O caso foi entregue às autoridades que concluíram não haver qualquer credibilidade na acusação, uma vez que o padre nem sequer estava no local indicado no dia em que teriam acontecido os abusos. Na lista da Comissão Independente vem uma referência a um padre que foi preventivamente afastado enquanto decorreu um processo por abuso de menores, mas que depois de concluído o processo foi reintegrado. É possível que seja esta situação. Sem ter a certeza de que se trata de uma pessoa diferente, não se vai elencar outro caso nesta lista.
  • Um padre nomeado na lista entregue pela Comissão Independente. Nos arquivos da diocese nada consta, pelo que foi pedida mais informação e acabou por se verificar que segundo as alegações, o suspeito era menor na altura dos factos e terá abusado de uma pessoa maior. Não sei se a pessoa maior de idade era vulnerável ou não, mas a conclusão da diocese foi de que o caso não reunia condições para ser investigado, pelo que não avançou qualquer processo.
  • Um padre nomeado na lista entregue pela Comissão Independente. Nos arquivos da diocese nada consta, pelo que foi pedida mais informação e decorre agora a instrução do processo.

 Viana do Castelo (3)

  • O padre André Filipe da Costa Gonçalves foi confrontado com uma denúncia de ter abusado de um rapaz de 17 anos, em 2022. Assumiu os factos e foi suspenso pela diocese. A vítima veio a dizer que a relação entre os dois foi consensual, mas o direito canónico considera que a idade de consentimento são 18 anos, pelo que esse dado em nada afecta esse processo. Pode, contudo, impedir uma acusação formal por parte do Ministério Público, a quem foram entregues pela diocese todos os indícios.
  • Um padre consta da lista entregue pela Comissão Independente, mas está sem nomeação por estar num estado de grande fragilidade pessoal, segundo o bispo. A Actualidade Religiosa sabe que se trata de um padre já muito idoso.
  • Um padre consta da lista entregue pela Comissão Independente, mas já morreu "há vários anos", segundo o bispo. 

 Vila Real (5)

  • O padre Pedro Ribeiro foi condenado em 2016 por ter enviado imagens explícitas a menores de idade, em 2015. Pedro Ribeiro foi condenado a vinte meses de pena suspensa e ao pagamento de seis mil euros de indemnização. Em processo canónico o padre foi condenado a passar quatro anos num mosteiro, sem exercer o sacerdócio. Tendo passado essa pena, o padre está actualmente em processo de incardinação numa ordem religiosa, que opera na mesma diocese. Este parece ser o caso que constava da lista da CI e que a diocese referiu como tendo sido tratado e resultado numa pena de suspensão.
  • O padre Heitor Nunes foi acusado em 2019 de ter mantido uma relação com uma menor de idade, de 14 anos, em 2002. O processo foi arquivado pelo Ministério Público, mas o processo canónico condenou-o e suspendeu-o. Entretanto Heitor Nunes pediu dispensa do sacerdócio.
  • O padre Manuel Machado foi acusado em 2022 de ter praticado abusos entre 1987 e 1991. Apesar de estar incardinado em Lisboa à data da acusação, na altura dos factos era padre da diocese de Vila Real. Segundo a imprensa, terá havido apenas uma vítima, que sofreu mais de 100 abusos. O processo encontrava-se prescrito civilmente à data da denúncia e o processo canónico foi interrompido a partir do momento em que o padre pediu e obteve dispensa do estado clerical. Pode ser o caso da lista da CI que é indicado pela diocese como tendo resultado na expulsão do sacerdócio.
  • Um padre foi acusado de ter abusado de um menor de 14 anos. A denúncia foi feita pela vítima, que no entanto não se quis identificar, nem identificou o padre, pelo que não foi possível abrir processo civil ou canónico. Segundo a vítima, os abusos ocorreram uma vez e o padre, que na altura tinha 50 anos, pediu-lhe desculpa. Porém, a vítima diz saber de mais menores que foram abusados pelo mesmo sacerdote.
  • Um padre veio referido na lista entregue pela Comissão Independente à diocese de Vila Real. O padre não é da diocese, embora resida lá. Foi imediatamente afastado do ministério, enquanto a diocese de origem foi avisada. Trata-se do mesmo padre que constava da lista de Setúbal, mas que a diocese na altura indicou estar já sob outra jurisdição. Isso significa que o nome estava repetido na lista da CI. Depois de meses de disputa, a Santa Sé determinou que o caso referente a este padre ficará a cargo de Vila Real. Segundo notícia do Expresso, publicada em Agosto, a Santa Sé considerou entretanto que o padre não praticou os factos imputados, e regressou ao seu ministério. 

 Viseu (5)

  • O padre Luís Miguel da Costa foi acusado em 2021 de ter enviado uma mensagem de teor explícito a um menor de idade que conheceu num almoço. O caso foi denunciado às autoridades civis e decorrem actualmente processos civil e canónico, estando o padre suspenso enquanto aguarda o seu desenrolar. Este é muito provavelmente um dos nomes referidos na lista produzida pela Comissão Independente e entregue à diocese.
  • Um padre foi acusado por uma mulher, em 2021, de a ter “violentado” vários anos antes. O padre estará ainda no activo. Segundo o jornal que divulgou o caso, este processo terá chegado à Comissão Diocesana através de uma denúncia feita pelo Serviço de Escuta dos jesuítas. Este é muito provavelmente um dos nomes referidos na lista produzida pela Comissão Independente e entregue à diocese.
  • Um de cinco padres referidos na lista entregue à diocese pela Comissão Independente. Segundo o bispo, o caso já foi devidamente entregue e tratado ao nível canónico e civil, embora não se tenha dito o resultado. 
  • Um de cinco padres referidos na lista entregue à diocese pela Comissão Independente. Segundo o bispo, o caso já foi devidamente entregue e tratado ao nível canónico e civil, embora não se tenha dito o resultado. 
  • Um de cinco padres referidos na lista entregue à diocese pela Comissão Independente. Segundo o bispo, o caso já foi devidamente entregue e tratado ao nível canónico e civil, embora não se tenha dito o resultado.  

São João de Deus (2)

  • Um padre da ordem de São João de Deus foi investigado em 2012 por alegados abusos de pessoas com incapacidade psíquica, entre 2004 e 2010. Foi absolvido em processo civil e canónico. Apesar disso esteve impedido de exercer cargos de responsabilidade durante cinco anos na ordem, e de voltar a trabalhar na instituição onde terão ocorrido os abusos. Um leigo, funcionário da instituição, foi condenado no mesmo processo (está contabilizado na lista dos leigos, mais acima). 
  • Na lista entregue pela CI à CIRP consta um membro da ordem, descrito como não activo. Segundo a ordem trata-se de um religioso que não se encontra em Portugal há 31 anos, suspeito de ter praticado abusos na década de 70. A sede da ordem, em Roma, foi informada e foi aberta uma investigação preliminar. Em resposta a perguntas colocadas pela Actualidade Religiosa, a ordem refere que o padre em questão é português, nonagenário e vive numa residência para idosos num país lusófono. A sede da ordem foi informada sobre o caso e abriu-se uma investigação preliminar.

 Salesianos (3)

  • Um órgão de informação referiu uma suspeita de abusos de um padre salesiano, que terá sido praticado na zona de Cascais em 2005/2006. O caso terá sido arquivado pelo Ministério Público, por prescrição. Desconhecem-se quaisquer outros dados sobre este processo, incluindo se chegou a haver processo canónico, ou a identidade do padre.
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a dois membros desta ordem suspeitos de abusos. Segundo a CIRP, um já morreu e o outro não é conhecido.

 Jesuítas (11)

  • Segundo informação disponibilizada pela Companhia de Jesus, há registos de 12 membros da ordem que praticaram abusos ao longo dos últimos 70 anos, sendo que 11 são religiosos e um é leigo, estando elencado na lista dos leigos, mais acima. Todos já morreram. Entre os suspeitos haverá padres, mas também irmãos, que não sendo ordenados são considerados religiosos professos, e por isso constam desta lista, e não da lista dos leigos. Esta contagem dos jesuítas começou por elencar apenas 8 religiosos, mas através da colaboração com a CI foi possível rever o número e chegar a 12. Na lista da CI entregue à CIRP há referência a quatro jesuítas. Ao que a Actualidade Religiosa conseguiu apurar, todos constavam já da contagem que a ordem tinha feito e apresentado, em comunicado, a 13 de Fevereiro.
Maristas (1)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a dois membros desta ordem suspeitos de abusos. Ambos são descritos como "não activos e não vinculados" ao instituto. É possível que um destes seja o Ricardo Jorge, referido mais acima na lista dos leigos, pelo que apenas será contabilizado um caso aqui, até que isso seja esclarecido.
Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima (1)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a um membro desta ordem suspeita de abusos. É descrita como estando no activo. A Actualidade Religiosa apurou que a irmã era acusada de encobrimento, por ter tido conhecimento de abusos decorridos no confessionário, mas nada ter feito para evitar que as alunas continuassem a ser enviadas para lá. A investigação da ordem não permitiu sustentar essa acusação, pelo que não aberto sequer um processo formal.
Missionários da Consolata (1)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a um membro desta ordem suspeito de abusos. Segundo a CIRP, já morreu. 
Ordem dos Frades Menores - Capuchinhos (1)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a um membro desta ordem suspeito de abusos. Segundo a CIRP trata-se de um frade no activo. A Actualidade Religiosa apurou que depois de ter reunido informação e de ter enviado para a sede da ordem em Roma, veio instrução para arquivar o processo, por falta de dados e por não se ter identificado o denunciante.
Ordem dos Frades Menores - Franciscanos (3)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a três membros desta ordem suspeitos de abusos. Segundo a CIRP trata-se de dois frades que já morreram, e um que não está no activo. Em relação ao que não está no activo, ainda faz parte da ordem, mas foi afastado de qualquer contacto com menores ou pessoas vulneráveis há vários anos, depois de ter sido recebida uma denúncia escrita que não tendo sido confirmada, foi tida como credível.
Dehonianos (3)
  • Segundo um comunicado publicado pelos dehonianos, a ordem encontrou referências na sua investigação interna a dois casos de abusos.
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a um membro desta ordem suspeito de abusos. Segundo a CIRP, já morreu. Segundo os dehonianos, os abusos em causa terão sido praticados na década de 60 e o suspeito já morreu "há décadas". Diz ainda que nunca tinha recebido uma denúncia sobre esta pessoa, pelo que se presume não ser nenhum dos dois referidos no ponto acima.
Combonianos (2)
  • Segundo um comunicado publicado pelos combonianos, o relatório da CI contém referências a dois casos envolvendo padres desta ordem. Num dos casos o padre em questão é suspeito de ter cometido abusos nos anos 60. Não sendo português, voltou para o seu país há décadas e encontra-se actualmente numa casa de repouso, incapacitado. O outro caso envolve um padre que não foi possível identificar, mas que é suspeito de ter praticado abusos na década de 1970. Apesar de constarem do relatório, estes dois casos não constavam da lista que foi entregue pela CI aos institutos da CIRP.
Opus Dei (1)
  • Dados comunicados pela Comissão Independente à Opus Dei referem a existência de um testemunho envolvendo um padre da obra que é acusado pela vítima de ter feito "perguntas consideradas impróprias numa confissão, sentidas como intrusivas". Os dados fornecidos não permitem identificar o sacerdote e a obra diz que a investigação interna avançará quando houver mais informações.
Desconhecidos
  • Uma notícia de um jornal refere o caso de um padre que é suspeito de ter abusado de vários seminaristas, alunos de catequese e acólitos. Diz que dois dos seminaristas abusados são agora padres numa diocese no sul do país. Contudo, a forma como o artigo está escrito deixa a possibilidade, não confirmada, de este padre ser o Inácio Belo, de Lisboa, referido mais acima. Devido a essa incerteza, e sem outros elementos que o clarifiquem, optei por não considerar este caso para a contagem.
  • O mesmo artigo acima citado refere o caso de um padre de uma diocese do norte que é suspeito de ter abusado de seminaristas, alguns dos quais abandonaram o seminário. Uma vez que existe a possibilidade, não confirmada, de este ser o mesmo caso já referido de Bragança, também optei, enquanto não chegam mais detalhes, por não o considerar para a contagem total.

Casos não especificados (1)
  • Em 2010 surge uma denúncia vaga sobre a Ordem Hospitaleira de São João de Deus nos Açores. Ninguém, nem padre nem leigo, é mencionado especificamente e a investigação não dá em nada.

[Actualizado a 22/12/2023] 

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