quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A fé que moveu o autor na Rússia move agora o médico no Sudão

Apresento-vos o Dr. Tom Catena. Um herói dos nossos tempos, que atende cerca de 400 doentes por dia e faz mil cirurgias por ano. No Sudão. Como? Com muita fé.  


Donald Trump aprovou uma lei destinada a ajudar as vítimas do genocídio do Médio Oriente.

Na passada segunda-feira assinalaram-se os 70 anos da declaração universal dos Direitos do Homem. Podem esses direitos ser mudados? Se sim, valerá a pena sequer existir uma carta dos Direitos do Homem? O Papa Francisco pede aos líderes mundiais que ponham esses direitos no centro de todas as políticas.

E ontem assinalou-se outra efeméride importante, mas que passou despercebida à maioria. Aleksandr Solzhenitsyn foi dos maiores heróis do Século XX na luta contra o comunismo, juntamente com João Paulo II. No artigo desta semana do The Catholic Thing em português, Douglas Skries escreve sobre o autor e o homem que sofreu na pele os horrores do comunismo e o ajudou a desmascarar.

Recordando – e aprendendo com – Solzhenitsyn

Douglas Kries
Hoje [ontem, terça-feira 11 de Dezembro] assinala-se o centenário do nascimento de Aleksandr Solzhenitsyn, o escritor russo que, apesar de ser o autor mais importante do último século, já não é bem conhecido, muito menos compreendido, pelos cristãos dos Estados Unidos.

A sua mãe enviuvou antes de ele nascer e os Bolsheviks confiscaram-lhe as terras de família. Mudou-se para Rostov, em busca de emprego, mas grande parte da vida inicial de Solzhenitsyn foi passada a partilhar a sua pobreza. Contudo, nascer na Rússia em 1918 significava pertencer à primeira geração da gloriosa revolução comunista e as escolas marxistas ensinavam ao jovem Solzhenitsyn que os princípios do comunismo em breve conduziriam ao estabelecimento de uma época da História da humanidade totalmente nova e livre do mal.

Quando irrompeu a Segunda Guerra Mundial, Solzhenitsyn saiu da universidade em Rostov para servir nas Forças Armadas soviéticas. Em 1945 foi detido por comentários numa carta privada para um amigo que foram considerados críticas de Stalin. Foi condenado a oito anos no sistema dos campos soviéticos; mais tarde foi libertado para um exílio perpétuo no Cazaquistão. Foi então que começou a escrever, sobretudo recorrendo às 12 mil linhas de poesia que tinha composto em segredo nos campos, e memorizado.

Em 1962, Solzhenitsyn pôde regressar à Rússia, mas não se atreveu a publicar ou sequer a submeter os seus manuscritos aos editores. Sob a liderança de Krushchev começaram a surgir sinais de um degelo cultural e Solzhenitsyn arriscou enviar – de forma anónima – um longo conto sobre um único dia na vida de um prisioneiro dos campos para um jornal literário chamado Novy Mir. O editor do jornal reconheceu imediatamente o valor da história e levou-a directamente a Krushschev, que autorizou a publicação de “Um dia na vida de Ivan Denisovich”.

A aceitação foi incrível. Uma testemunha escreve: “só o facto de passear por Moscovo naqueles tempos era entusiasmante, havia multidões de pessoas em cada quiosque, todos a pedir o mesmo jornal esgotado. Nunca me esquecerei de um homem que não se conseguia lembrar do nome do jornal e pedia ‘aquele, sabe, aquele em que está publicada toda a verdade’. E a dona do quiosque percebeu imediatamente do que é que estava a falar”.

A identidade do autor foi rapidamente conhecida e chegaram centenas de cartas de antigos presos que, como Solzhenitsyn, tinham desafiado as probabilidades e sobrevivido. Solzhenitsyn teve a ideia de usar as suas histórias e memórias para escrever uma obra mais aprofundada sobre os campos. Mas o “degelo” cultural rapidamente se transformou num “congelamento” e a polícia secreta soviética começou a persegui-lo incessantemente.

Ainda assim, sentia o dever moral de escrever aquilo que eventualmente viria a ser conhecido como “O Arquipélago Gulag”. Solzhenitsyn teve de trabalhar em segredo e ia passando partes do seu enorme manuscrito de uma secretária clandestina para outra, por forma a preservá-lo. Eventualmente foi contrabandeado para fora do país e publicado em França. Daí foi rapidamente traduzido para várias línguas e o mundo inteiro aprendeu a verdade sobre a enormidade dos crimes soviéticos.

É fácil olhar para Solzhenitsyn apenas como o autor de uma poderosa exposição política. Contudo, esse ponto de vista passa por cima do verdadeiro poder e significância da sua escrita, porque ele não se limitou a dizer-nos o quão terrível era o sistema de campos da União Soviética, mas explicou porque é que era tão terrivelmente errado.

Durante o tempo que passou no arquipélago, Solzhenitsyn tinha vindo lenta, mas firmemente, a rejeitar o marxismo da sua juventude e abraçado a fé cristã. Esta conversão, todavia, não foi alcançada sem um enorme sofrimento pessoal e um grau ainda maior de reflexão pessoal.

O marxismo afirma que há grupos e classes de seres humanos que são bons e outros que são maus. Para se aperfeiçoar, a humanidade deve isolar e eliminar as pessoas más. Solzhenitsyn viria a perceber que, pelo contrário, a linha que separa o bem do mal vive dentro de cada coração humano individual.

A posição marxista argumenta, por isso, que a humanidade seria aperfeiçoada através do inevitável progresso da história do mundo. Mas se a linha divisória está dentro de cada coração humano, então só é possível uma melhoria limitada nesta vida, na mesma medida em que é possível alguma degeneração. A posição marxista deve ser rejeitada, por isso, porque ignora a realidade do pecado original.

Mais, a consciência cristã obriga os seres humanos a tentar justificar os seus atos e persegue-os, ou chega mesmo a devorá-los, se tal justificação não puder ser encontrada. Os marxistas, porém, forneciam os seus adeptos não uma consciência, mas uma ideologia que justificava atos malévolos em nome de um fim inatingível. Esta justificação ideológica levava os marxistas para além dos limites normais da maldade e tonou possível que a destruição de milhões não fosse vista como aberrante ou impensável, mas sim como necessária e aceitável.

O marxismo não compreendeu a origem do mal nem percebeu o que fazer com os seus efeitos, isto é, o sofrimento. Solzhenitsyn veio a perceber que embora não existisse correlação entre aquilo de que ele, e outros presos políticos, eram acusados e aquilo a que foram sujeitados, os cristãos no arquipélago – ou pelo menos os melhores de entre eles – aprendiam a tornar o sofrimento redentor. Isto é, sabiam como tornar o seu sofrimento uma penitência contínua, que radicava numa confissão contínua.

A partir daí podiam alcançar a ascensão espiritual através daquilo a que Solzhenitsyn apelidava “autolimitação”. Mais tarde ele viria a avisar o Ocidente – na sua palestra em Harvard e no discurso de aceitação do Prémio Nobel – que o “mundo livre” estava a abraçar a sua própria escravidão materialista. Esse processo está hoje muito mais avançado do que estava durante a vida de Solzhenitsyn.

Esta autolimitação assemelha-se muito à autolimitação de Cristo, que não procurou equiparar-se ao ilimitado, mas limitou-se de livre vontade e se tornou homem, aceitando a forma humana e o sofrimento humano, oferecendo-nos assim a divina misericórdia.

Há aqui uma lição importante para nós, porque estas verdades profundas que Solzhenitsyn revelou devem governar todos os regimes, e todas as vidas.


Douglas Kries é professor de filosofia na Universidade Gonzaga, em Spokane, Washington. É co-autor, com Brian Clayton, de Two Wings: Integrating Faith and Reason (Ignatius Press, 2018).

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 11 de Dezembro de 2018 em The Catholic Thing)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Papa nos Emirados e Big Bang

O Papa Francisco vai visitar os Emirados Árabes Unidos em Fevereiro. A notícia saiu hoje e apanhou os principais especialistas de surpresa. Isto quer dizer que as muitas pessoas que obviamente estavam envolvidas na organização não andaram a dizer nada antes da divulgação oficial, não fossem estragar tudo. E mais não digo.

A Área Metropolitana de Lisboa é um laboratório da diversidade religiosa em Portugal, e como tal foi alvo de um interessante estudo coordenado pela Universidade Católica. Veja aqui os resultados, alguns dos quais surpreendentes.


Se não vai na conversa de que a religião e a ciência são incompatíveis, então este artigo do The Catholic Thing é para si. Michael Baruzzini escreve sobre o crescente reconhecimento que está a ser dado ao padre Lemaître, que desenvolveu a teoria do Big Bang, e como os seus primeiros críticos diziam que a teoria cheirava demais a religião… Como os tempos mudam!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Apresentando a Lei de Hubble-Lemaître

Michael Baruzzini
No passado dia 29 de Outubro a União Astronómica Internacional anunciou a sua recomendação de que se passasse a referir à “Lei Hubble” como a “Lei Hubble-Lemaître”. Esta lei relaciona a distância das galáxias com o seu afastamento da Terra. Entre outras provas, as suas extrapolações sugerem que todo o cosmos teve origem num único ponto que, no passado mais remoto, se expandiu até ao que temos agora. Atualmente conhecemos essa teoria como o “Big Bang”.

Há muito tempo que o astrónomo americano Edwin Hubble, que mediu os redshifts de galáxias distantes – o que tem a ver com a velocidade a que se distanciam da Terra – tem o seu nome associado a esta descoberta. Mas na verdade o primeiro a derivar as leis sobre a expansão do cosmos, propondo que o universo tenha tido a sua origem num único e antigo ponto, foi o padre belga Georges Lemaître. Esta sua contribuição para a ciência tem estado a ser mais reconhecida ao longo dos últimos anos, incluindo através de gestos como esta mais recente recomendação da União Astronómica.

Diz-se tantas vezes que a fé e a ciência se opõem que é bom ver um padre, sobretudo um padre moderno, a ser reconhecido por um contributo importante no domínio científico. Mas mais do que meramente provar que os católicos também têm o seu lugar no mundo das ciências, esta ligação entre um clérigo católico e a teoria do Big Bang é significativa de uma perspetiva especial e irónica.

A teoria do Big Bang é uma cosmologia que fornece um pano de fundo para toda a nossa compreensão atual do cosmos como uma coisa histórica e em evolução. Se podemos dizer que a cosmologia clássica, com as suas esferas ordenadas e arrumação geométrica, ressoava na mente católica pela forma como sublinhava a ordem hierárquica, então também é verdade que a cosmologia moderna tem a ver mais com o instinto católico para a narrativa.

Segundo a ciência moderna, tal como na visão católica, o cosmos não é composto por uma homogeneidade eterna e imutável (tal como formulado na teoria do “Estado Estacionário”, que rivalizava com a do Big Bang no início do Século XX); mas também não é um lugar de caos confuso, com seres complicados a surgir, aparentemente de lado algum, como nas cosmogonias pagãs. Antes, a ciência moderna apresenta-nos uma imagem na qual a complexidade rica do universo moderno radica numa singularidade causal, da qual surgem as forças físicas básicas que, interagindo, florescem no cosmos como o conhecemos atualmente.

O próprio Lemaître referiu-se a esta singularidade antiga como um “Ovo cósmico”. Utilizando uma analogia que já serviu propósitos maiores, podemos também invocar a ideia de uma semente minúscula que depois cresce e forma grandes ramos, nos quais os passarinhos pousam e fazem os seus ninhos.

De uma perspectiva material, a ciência atual afirma que desta semente cósmica surgiu a teia de galáxias, estrelas e planetas. Na formação e no final explosivo de ciclos de incontáveis estrelas, o universo enriqueceu-se com os elementos que tornam possível tudo quanto existe à nossa volta, incluindo a vida. O carismático Carl Sagan, que era céptico quanto à religião mas ajudou a popularizar a ciência moderna, gostava de dizer que “somos todos pó de estrela”. Mas o que ele, com todo o seu imaginário poético, nem imaginou foi que um dia, num pequeno planeta rochoso que gira em torno de um desses pontos de luz, o Autor de toda a história cósmica se revestiu desse mesmo pó de estrela e entrou na sua própria criação, em forma humana.

Pe. Georges Lemaître
As principais críticas ao Big Bang costumam vir do campo religioso: como é que este relato pode ser compatível com a apresentação bíblica da Criação? Mas no início a desconfiança vinha precisamente do campo oposto, por cheirar demais a religião. A Igreja proclamava uma criação “ex-nihilo” – um momento antes do qual não existiram momentos nem nada de material – e agora a ciência parecia confirmá-lo.

Em 1978 Arno Penzias e Robert Wilson ganharam o Prémio Nobel da Física pela sua observação da “radiação cósmica de fundo em micro-ondas”, que se tornou a primeira grande prova do evento a que chamamos Big Bang. Penzias viria a escrever sobre o Big Bang e o início do universo que “os melhores dados a que temos acesso conformam perfeitamente com o que eu teria previsto, caso não tivesse outro recurso que não o Pentateuco e os Salmos, ou a Bíblia completa”.

Mas cuidado. O próprio Lemaître avisou o Papa Pio XII para não tentar identificar o Big Bang com o acto da criação. Descobrir esse próprio acto é, na verdade, algo que fica para além dos propósitos da ciência. Até São Tomás de Aquino considerava que a razão pura não seria capaz de discernir se o Universo teve um começo; apenas a revelação o poderia dizer. Assim também a ciência, quando investiga as causas materiais, apenas as pode seguir até certo ponto, não pode ver para além delas.

O Big Bang pode ter sido o começo, ou talvez não. Independentemente disso, do ponto de vista científico, o Big Bang representa o evento histórico singular a partir do qual emergiu todo o mundo material, tal como o conhecemos agora, o único ponto através do qual passam todas as histórias físicas. E é na descoberta deste facto que encontramos o padre Lemaître, um padre a contribuir para a ciência, não apenas com uma perspetiva científica entre outras, mas descrevendo a teoria mais importante da história do cosmos físico.

A religião sempre teve a sua própria cosmologia, a sua história da Criação. Mas eis que descobrimos que quando a ciência usa os seus próprios instrumentos – perfeitamente legítimos – para descrever uma história compreensiva do mundo, que o primeiro a fazê-lo não foi um ateu, livre das amarras da “superstição”, mas sim um padre que não encontrou qualquer conflito entre a sua fé antiga e as descobertas revolucionárias da ciência de ponta.


Michael Baruzzini é um freelancer e editor da área científica que escreve para publicações científicas e católicas, incluindo a CrisisFirst ThingsTouchstoneSky & TelescopeAmerican Spectator e outras. É também o fundador de CatholicScience.com, que oferece currículos e recursos científicos online para estudantes católicos.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 29 de Novembro de 2018 em The Catholic Thing)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Velas em Roma pela paz na Síria

O Papa acendeu ontem uma vela pela paz na Síria. Faz parte de uma campanha internacional lançada pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

Soube-se também por estes dias que o Papa deu uma longa entrevista a um padre espanhol, que será publicada em breve, em que diz que os padres homossexuais que não vivem de forma celibatária devem abandonar o sacerdócio.

Conheça aqui a exposição “Capela Mundi”, sobre os 100 anos da Capelinha das Aparições.

Esta segunda-feira assinala-se o Dia Internacional dos Deficientes e Isabel do Vale, do Serviço Pastoral às Pessoas com Deficiência lamenta que ainda haja igrejas onde as pessoas com dificuldades de locomoção não conseguem entrar.


E termino com o convite, como tenho feito nos últimos anos, de se deslocarem, se possível, ao Chiado onde encontram no número 10 da rua Anchieta um espaço onde estão à venda artigos religiosos feitos pelos cristãos da Terra Santa, trazidos mais uma vez pelo Nicolas Ghobar (ver foto). Este ano o Nicolas esteve em directo na Renascença para falar sobre a sua experiência de cristão na terra onde Jesus nasceu.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Maratona religiosa pelos arménios


Hoje é dia de Santo André e o Papa, como é costume, escreveu uma carta ao Patriarca de Constantinopla em que volta a sublinhar o seu desejo de plena comunhão entre católicos e ortodoxos. A união entre os próprios ortodoxos é que está complicada por estes dias.

Na Holanda está a decorrer uma maratona de celebrações religiosas, de diferentes confissões, numa igreja protestante. O objetivo é impedir a deportação de uma família para a Arménia.

Foi descoberto um documento cristão no Japão que data dos tempos da pior perseguição naquele país.

Começa na segunda-feira um curso online sobre “A Missa Explicada”, que promete ser do maior interesse para quem gosta de aprofundar o seu conhecimento nestas áreas.

Publiquei esta sexta-feira no blogue a transcrição integral da minha conversa com o Pe. Tomás Halík. Aconselho a sua leitura!


E deixo-vos ainda com o link para um site chamado Livres para Amar, que pode ser de interesse para cristãos que procuram conciliar a sua fé com uma atração por pessoas do mesmo sexo. Não tenho nada a ver com o site, mas este é um assunto que me interessa, por isso se tiverem comentários a fazer agradeço que me os façam chegar.

"Pope Francis is starting a new era of the Church"

This is a full transcript, in the original English, of my interview with Fr. Tomás Halík. The published version can be found here, in Portuguese.

Esta é uma transcrição completa, no inglês original, da minha entrevista com o Pe. Tomás Halík. A notícia pode ser lida aqui.


Pope Francis has been a strong critic of what he calls self-referentialism. Is there anything more self-referential than an autobiography? Does this worry you?
I think my book is a testimony. It is inspired by St. Augustine's “Confessions”. It is the combination of a theological reflection and autobiography. It is not only an autobiography, it is not only about my life story, it is also about the history of the Church in our country, and not only in our country. There are many of my life experiences, from the time of the hard persecution of the Church and the transition, and there are some which I felt I should share with other people. 

You have become a very popular writer and spiritual reference. Your books are translated in many languages, you have won awards, you mingle with important and successful people. How do you keep from being affected by vanity and pride?
There is a nice story from the Desert Fathers. One told people to go to the cemetery and think very good things about the people there. They did so and when they returned the spiritual father asked them what the dead had replied. And they said: “nothing”. 

So, he said “Go again and think terrible things about the people there, blame them”, and so on. They did so and when they returned he asked them what they had answered. They said: “nothing”. 

So, the master told them they must be like this. If people are attacking you, if they are glorifying you, you must be like the dead people. 

I think that what God thinks about us is more important than what other people think about us. 

You say that the persecution in Czechoslovakia was worse than in the rest of the communist bloc. Why?
I think that the communists chose Czechoslovakia as a terrain for the total atheisation of a country, because of the very dramatic Czech religious history. Jan Hus, the reformer who was burned in Konstanz in 1415, then the Hussite wars, the crusades against the Czechs and the violent Catholicisation in the XVII Century, then the link between the Catholic Church and the Habsburg Monarchy. There are some wounds in the history of our country, and there were tensions between the Catholic identity and the national identity. 

It is the opposite of Poland. In Poland the Catholic Church was always an instrument of national identity, but not in our country, because of these tensions and these anti-Catholic feelings from before the Communist times. And the communists tried to use this, but the effect was rather the opposite, because Czech people are always sympathetic to the persecuted, so during the persecution the moral authority of the Church increased.

In the first few pages you mention several times the importance of Jan Hus for the Czech mentality. Who was he, why was he so important and why do so many Czech Catholics seem intent on restoring his standing as a Catholic? Would you like to see that happen?
Yes! When I first met John Paul II, in 1989, the day before the fall of the Berlin wall, one of his first questions was "what should we do with Jan Hus? I rehabilitated Galilei, perhaps it is time for the rehabilitation of Jan Hus. Remember that the Polish delegation was the only one which defended him in the Council of Konstanz”. 

So, I returned to Prague and I visited our Archbishop Cardinal Tomasic, and I told him about this, but the Cardinal was very reserved, because he spent his youth in the time of the first republic and at that time Jan Hus was a symbol of the anti-Catholic tensions. So, we had to wait. But when the Holy Father came to Czechoslovakia for the first time, I was in Rome to help him prepare, because it was his first visit to the post-communist world, he spoke about Jan Hus in a very positive way, and then, on the eve of the new millennium, there was a symposium in Rome about Jan Hus and the Pope made quite a remarkable speech there, and many other figures were present as well. 

Something happened there, because St. John Paul said a very important thing. "Hus was a sign of our division, between Catholics and Protestants, and now he may become a bridge between Catholics and Protestants", because he was a Catholic priest his whole life, and he didn't want to fight against Rome, he wanted to reform the Church, but many of his ideas were developed in a more radical way by Martin Luther and the German Reformation, but he was not in such tension as the German reformation. 

A friend of the Holy Father, a Polish Theologian and Historian, wrote an article called "Jan Hus: Heretic or precursor of Vatican II?". He wrote about some of Jan Hus' ideas which were fulfilled by Vatican II, a poorer and more modest Church, without triumphalism. I think Pope Francis is the type of Pope Jan Hus would like very much. 

The Church is going through a period of division now, and it sometimes seems like those close to Pope Benedict XVI are against Pope Francis. But you have been a strong defender of Pope Francis and you were also close to Pope Benedict. How do you interpret this current division in the Church?
I think that John Paul II and Pope Benedict ended – with great honesty and in a very positive way – a long period of Church history. It was a long period where the main task was confrontation with modernity. I think the happy end of this confrontation was the famous interview of Cardinal Ratzinger, the year before he was elected Pope, with German philosopher Jurgen Habermas. They both agree with the statement that Secular Humanism and Christianity need each other to overcome one-sidedness.

Also, Pope Benedict had a wonderful speech during his flight to Portugal, I always say that his best speeches were in the airplane... Perhaps because he was so near to heaven! And this speech about the compatibility of secular culture and Christianity was very profound and very courageous. 

I think it marked the end of one long period of Christianity. But now modernity is over, we live in the post-modern global age, the age of internet, of radical plurality, and we need something different. And I think Pope Francis is starting this new era of the Church, and every time somebody starts something new, such as happened with many saints in History, they found trouble in the Church, they were attacked, but they keep the fidelity to the Church, and I think that the supporters of Pope Francis want, and have the sensitivity, to read the signs of the times, and I think Pope Francis really discovered in a new and profound way, the very heart of the Gospel, which is mercy, solidarity with the poor, the struggle for Social Justice and responsibility for nature.

I think this is a very important thing. These things have been a little bit overshadowed by things to do with sexual morality, which are important questions, but they are not the most important questions. The most important is solidarity, mercy, justice and this is the focus of the message of Pope Francis.

At one point you say that you would not be comfortable in a society which is overtly Christian. Is this just a question of personal sensitivity, or do you think there is something inherently wrong with more overt expressions of popular devotion, as we see in Latin or African countries, for example?
I think that sometimes people in the countries where religion is taken for granted have the temptation for superficial religiosity, conformism. But in the secular situation we must make a personal choice.

I think that in the countries where religion is very traditional, and is taken for granted, there is a temptation for religiosity to be superficial, just keeping the traditions, turning to the past, but in the secular society we must decide, our faith is our free choice, and we must think about faith, and rethink many things, so what I support is the idea, which is expressed for example by the American philosopher Richard Kearney of Irish origin, who speaks about “anatheism”, to believe again, not to return to the past, to pre-modern religiosity, to take seriously the criticism of religion by many modern thinkers.

After this criticism this could be a time of purification of faith, purification of idolatry, and then we can believe again, after the crisis, and believe deeper, not just return to the past. I think our faith is the faith of Easter, and Easter is the mystery of death and resurrection.

Sometimes our faith, in our personal history, but also in the history of the Church, must be crucified and withstand the “dark night of the Soul”, Must withstand the moment in which Christ was crying “My God, my God, why have you forsaken me”. And then after the Good Friday we can be open to the Easter morning. There is no resurrection without the Cross. 

I was struck by something… You were an only child, and although you had many uncles and aunts, it seems that most of them either never had children or had very few. Looking around the world one does seem to notice that countries that draw away from God seem to have fewer children. Does that explain what happened in the Czech Republic in your time? Does it have a deeper meaning?
I think this phenomenon is more recent, that people are not willing to have families and rear children. I think it was not like that in the generation of my parents, it is more now that the family is in crisis.

We should rethink many things. I am a little bit afraid of the Feast of the Holy Family, because I have heard many sermons for this feast and Holy Family was spoken of as an ideal patriarchal family from the XIX Century, a bourgeois family, and the family of Nazareth was not like that.

Our situation is also not like this. We cannot turn to this model of the traditional patriarchal family of the XIX Century. Now we live in another time, and it is not easy to find a proper model for the family of our time. I think we should think deeply about the spirituality of the family, about the role of women, the relation between the generations, we cannot just keep, or try to return to, the past.

There is something substantial about the family, the love between men and women, and procreation and education of children, but the history and the context is always changing. I admire the young people who, in this situation, have the courage to not only found a family, but I am digressing…

You explain conversion as a sunrise. This is a very profound image… Could you elaborate?
Faith is, for me, not just a worldview, some sort of philosophy. It is an existential orientation, and conversion is the transformation of the whole personality. I think that people who were brought up in the traditional family must also experience this sort of conversion, because the faith of children is nice, but there is always a time when that children's faith is in crisis. And I think that education in the Church, and pastoral work, is not prepared to work with this crisis, as a challenge to go deeper. For many people this crisis ended in atheism or a “apatheism”, where people are apathetic to the Church, and we need to accompany people through this crisis, not to push them back to the faith of their childhood, this is often a type of fundamentalism, this attempt to go back to the style of my faith as it was in my childhood, or in the past of the Church.

We must go through this crisis and discover the deeper dimension of the faith. It is a transformation, it is not just a situation where we add something to our worldview, but it is real, like a sunrise, and now we see everything in a new light, from a new perspective, and I think we all need this perpetual transition, this perpetual conversion.

The sign of the times today is to move from being Christian to becoming Christian, it is a long-life process.

You express the moment when you, yourself, went through this conversion. But is this something which happens only once? When was the last time you experienced a sunrise such as this, which changes the way you see reality?
I think it was at the beginning of the pontificate of Pope Francis. I realised that there was something new in the Church, a new way to read the Gospel and to take it and the radical challenges, the radical message of the Gospel very seriously. So, when I meditate, practically every day, on the preaching of the Holy Father in Santa Marta, which can be found on the Internet, which is sometimes very simple, but it has something new and fresh, the spirit of somebody who is deeply involved with the heart of the Gospel.

This was a wakeup call for me and led me to read the Gospel in a new and more radical way.


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