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Friday, 15 December 2023

Devem os bispos meter-se em política? Tolentino é Prémio Pessoa 2023

Esta semana houve novos dados sobre a questão dos abusos na Igreja em Portugal, com o Grupo Vita a revelar alguns números. A falta de detalhes dos dados revelados impede-me de usar estes números para actualizar as minhas tabelas e listas, porque não tenho como saber se não se tratam de casos duplicados. Na mesma altura, o novo Patriarca de Lisboa afirmou que não pode haver vítimas de primeira e de segunda, e que se as vítimas da Igreja devem ser indemnizadas, então as vítimas do resto da sociedade também.

Na véspera, o JN publicou um artigo em que tenta explicar quantos dos padres que foram originalmente afastados cautelarmente por constarem das listas da Comissão Independente já foram reintegrados, e quantos continuam afastados. O artigo consegue a proeza de dar números gerais correctos, mas com base em números parciais errados. Neste artigo eu desmonto a questão, mostrando onde estão os erros dos números do JN, mas também a explicar que é exactamente por esta razão que a Igreja devia tomar a iniciativa de ter e fornecer dados centralizados e tratados de forma homogénea.

O artigo do The Catholic Thing desta semana explica como alguns católicos apoiaram o regime da Nicarágua que agora se voltou contra a Igreja com toda a sua força. São detalhes interessantes e lições importantes a reter, e na semana passada disse neste boletim que os bispos da Baviera, na Alemanha, tinham condenado o partido Alternativa para a Alemanha, o que gerou alguma polémica na caixa dos comentários. O que estas duas notícias têm em comum é o envolvimento da Igreja no campo da política partidária. Neste artigo publicado hoje, partilho alguns pensamentos sobre essa questão, deixando ainda algumas ideias sobre a realidade portuguesa, numa altura em que nos preparamos para as novas campanhas políticas e eleições. Leiam e juntem-se à discussão.

Continua a terrível guerra no Médio Oriente. A paróquia católica de Gaza foi novamente atingida, desta vez por estilhaços de bombas que causaram alguns danos materiais. Felizmente há quem esteja a prestar apoio material aos cristãos em Gaza e no resto da Terra Santa, que também estão a sofrer os efeitos deste conflito. Saiba tudo aqui. E se querem dar uma ajuda material mais imediata, vejam como aqui.

E soube-se hoje que D. Tolentino Mendonça venceu o Prémio Pessoa deste ano, um dia depois de ter proferido na Assembleia da República uma conferência sobre a liberdade religiosa, dizendo que é fundamental “escutar a sabedoria das religiões”.

Numa notícia algo curiosa, o bispo da Guarda, D. Manuel Felício, anunciou que pediu ao Papa Francisco que aceite a sua resignação, três anos antes da idade limite dos 75 anos, para que se possa dedicar a uma missão fora da diocese.

Termino com uma recomendação. Se é aluno, pai ou professor, e se preocupa com quem dá formação sobre educação sexual nas nossas escolas, então sigam este link para conhecer uma organização de confiança que trabalha neste campo. São iniciativas destas, mais do que petições ou constantes lamúrias, que conseguem realmente mudar alguma coisa no terreno.

Por hoje é tudo. Não sei ainda se volto para a semana, mas caso não o faça, ficam desde já os desejos de um Santo Natal!

Thursday, 7 December 2023

Votos na Baviera e Colonatos na Terra Santa

Não votarás na extrema-direita - Marx
A semana passada escrevi um texto sobre a retirada do apartamento e do estipêndio ao Cardeal Raymond Burke, que gerou alguma conversa. O texto original está aqui, e ainda está a valer, mas entretanto o The Pillar diz que soube que o cardeal foi informado por escrito de que teria de começar a pagar uma renda ao valor do mercado pelo seu apartamento, ou sair até final de Fevereiro de 2024. Segundo o site, a carta nada dizia sobre o estipêndio, mas parece que o cardeal já começou a procurar outra residência porque quer permanecer em Roma.

Ao longo dos últimos anos temos assistido a alguma tensão no campo da religião e da política, com as diferentes Igrejas e religiões a reagir à subida da direita populista em vários países. Recentemente vimos a eleição na Argentina de um homem que considera que o Papa Francisco é comunista, e agora temos os bispos da Baviera, o coração do catolicismo alemão, a declarar que um católico não pode, em consciência, votar no partido Alternativa para a Alemanha, de extrema-direita. É sem dúvida um assunto que ainda vai dar muito que falar, possivelmente até aqui em Portugal.

Continua em força a ofensiva israelita em Gaza. A minha amiga Catarina Santos, da Renascença, traz-nos esta bela reportagem sobre a vida dentro de um colonato judeu nas Cisjordânia que vale a pena verem. Isto enquanto o Papa continua a apelar, incansavelmente, pela paz, apesar do cansaço físico causado pela doença.

Já todos sabemos que os novos padres tendem a ser mais conservadores que a geração anterior. Isto preocupa uns e anima outros, mas um novo estudo aprofundado feito nos Estados Unidos demonstra que a realidade é mais complexa do que parece. No mais recente artigo do The Catholic Thing em português, Stephen P. White explica que os dados mostram uma nova geração de padres mais conservador em termos teológicos que a geração dos anos 60 e 70, sim, mas também mais moderado em termos políticos do que a geração imediatamente anterior e, o que é também importante, etnicamente mais diverso do que qualquer outra geração de padres desde antes do Concílio Vaticano II. É verdade que são dados relativos aos EUA, mas eu acredito que pode haver aqui paralelos importantes, e interessantes, com Portugal. Leiam que vale bem a pena e partilhem as vossas opiniões.

Estamos no Advento, um excelente tempo para aprofundar a oração. Rezemos pela paz no Médio Oriente, rezemos pelos padres, novos e velhos, e se tiverem um minuto rezem por mim e pela minha mulher, que fazemos amanhã 18 anos de casados. Tem sido cada ano melhor que o outro, e os que virão serão melhores ainda, com a Graça de Deus!

Friday, 24 November 2023

Terra Santa, antissemitismo e Arménios preocupados

Vamos já na sexta semana da guerra na Terra Santa e começa-se a falar finalmente num cessar-fogo e libertação de reféns. Isto acontece no dia depois de o Papa ter recebido em audiência delegações de ambas as comunidades, de ter ouvido protestos contra a campanha militar israelita por parte de peregrinos palestinianos na audiência geral, e de ter dito – novamente – que ninguém vence nas guerras, todos perdem. Na quarta-feira foi anunciada ainda uma campanha de oração pela paz e a fundação Ajuda à Igreja que Sofre prometeu reforçar o apoio monetário aos cristãos da Terra Santa.

A guerra na Terra Santa tem despertado muitas emoções em todo o mundo, e temos assistido a uma explosão de manifestações de antissemitismo. Neste caso em particular nem sempre é fácil de avaliar. Há quem considere uma crítica a Israel como um acto antissemítico, e quem diga que não, distinguindo o sionismo do judaísmo. É um tema complexo. Mas é por vezes o carácter antissemítico é inegável e é ingénuo pensar que ele se deve unicamente às decisões e aos actos praticados pelo Estado israelita actualmente. Este tema é explorado no artigo desta semana do The Catholic Thing, onde David Warren conclui que o antissemitismo é, lá no fundo, uma revolta contra Deus e um eco do pecado original.

Enquanto estamos todos focados em Gaza, contudo, o conflito na Terra Santa continua a decorrer noutras frentes e com outras armas. Hoje convido-vos a olhar para Jerusalém, onde há décadas decorre uma campanha levada a cabo por activistas judeus para comprar o máximo de propriedades e terreno possível, para tentar garantir uma maioria judaica na Cidade Santa. O mais recente incidente envolve um negócio obscuro que representa um quarto do sector arménio e meteu manifestações, colonos armados, cães e fantasmas de Nagorno Karabakh. Curioso? É caso para isso.

E para fechar este tema da Terra Santa, digo-vos que estarei no domingo no Atheneu Artístico Vilafranquense, em Vila Franca de Xira, para falar sobre o conflito em curso a participantes da Jornada da Pastoral Juvenil. É Às 10h. A mesma pastoral, inspirada pelo que se passou na JMJ, está a recomendar o uso de famílias de acolhimento para estudantes deslocados que estão a ter dificuldades em encontrar alojamento acessível nas grandes cidades.

Estamos em plena #RedWeek, durante a qual recordamos os cristãos perseguidos em todo o mundo. A fundação Ajuda à Igreja que Sofre organizou uma série de eventos, incluindo com o bispo do Porto e o bispo de Setúbal.

E termino com uma história curiosa. O bairro de Ciudade Chávez, na Venezuela, foi criado há uma década com o objectivo de ser um paraíso socialista, e por isso sem Deus, nem igreja. Agora, contudo, foi inaugurada a primeira paróquia. Há aqui uma lição, obviamente. Podemos revoltar-nos contra Deus, mas com paciência e tempo, Ele vence sempre. Felizmente.

Thursday, 23 November 2023

O outro conflito na Terra Santa. A terra em si.

Há poucos dias foi publicada uma declaração curiosa por parte dos líderes das igrejas cristãs da Terra Santa. Os líderes lamentaram os acontecimentos recentes no bairro arménio de Jerusalém.

Antes de entrar nos detalhes, é preciso explicar que Jerusalém está dividida essencialmente em quatro sectores. O sector judeu, o sector muçulmano, o sector cristão e o sector arménio. Todos representam as antigas comunidades que vivem na cidade, lado-a-lado, há séculos.

O bairro arménio é o mais pequeno dos quatro e é distinto do bairro cristão, que é maioritariamente habitado por cristãos árabes.

Quando o Estado de Israel foi fundado, em 1948, Jerusalém era suposto ficar sob controlo internacional, mas no seguimento do ataque falhado por parte da coligação árabe, Israel tomou conta da parte ocidental, ficando a Jordânia com a oriental. Em 1967, depois da Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a parte oriental. A cidade ficou toda sob controlo de Israel desde então, embora à luz do direito internacional seja considerado território ocupado.

Sabendo disso, e para consolidar o controlo de facto da cidade, activistas judeus têm estado envolvidos numa campanha de décadas para comprar, aos poucos, todo o terreno possível em Jerusalém, com o objectivo de assegurar uma maioria judaica naquela que consideram ser a capital eterna de Israel. Como devem calcular, as outras comunidades temem esta estratégia e têm lutado contra ela, condenando e censurando publicamente quem vende terreno ou edifícios a judeus.

Irineu a acenar do seu "exílio"
Um dos casos mais polémicos – envolvendo cristãos, pelo menos – ocorreu no início do milénio, quando se descobriu que o Patriarca Irineu, da Igreja Ortodoxa Grega em Jerusalém, tinha vendido secretamente terreno da Igreja a investidores judeus. Sublinho aqui que embora a hierarquia do Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém seja de etnia grega mesmo, a esmagadora maioria dos fiéis são árabes palestinianos. O impacto do negócio entre a comunidade foi de tal ordem que o Patriarca foi destituído e viveu durante anos num apartamento no edifício do patriarcado, recebendo comida subida por cordas num cesto e afirmando estar detido contra a sua vontade. Apesar disso, Israel continuou a reconhecê-lo como o Patriarca legítimo até 2007. Irineu deixou finalmente Israel em 2019, tendo morrido em janeiro deste ano. O actual Patriarca impediu-o de ser sepultado em Jerusalém, por isso foi enterrado na sua terra natal, na Grécia.

Agora parece que estamos perante a mesma situação, mas com a Igreja Arménia. Um empresário judeu australiano afirma que o Patriarcado Arménio lhe vendeu uma propriedade em Jerusalém, mas o Patriarca diz que não tinha essa intenção e que foi enganado. Para terem noção, o negócio envolve território equivalente a 25% de todo o bairro arménio. O Patriarcado Arménio está a contestar o negócio, dizendo que este tinha de ter passado pelo sínodo, o que não aconteceu.

Recentemente a empresa compradora tentou arrancar com obras num parque de estacionamento, que está entre os lotes disputados. Os arménios convocaram uma manifestação pacifica no local, para contestar a actividade, e em resposta apareceu um grupo de colonos judeus, com armas e cães, que ameaçaram os arménios, intimando-os a abandonar o local. Foi preciso chegar a policia para pôr cobro à questão, mas o clima de tensão mantém-se e os arménios de Jerusalém estão muito preocupados, porque a avançar este negócio ameaça a própria sobrevivência da comunidade.

Foi isto que motivou a declaração conjunta dos líderes religiosos. É mesmo preciso ter em conta a importância destas declarações conjuntas, porque as relações entre as diferentes confissões cristãs na Terra Santa são famosas por serem muito conturbadas e até hostis, especialmente entre os gregos e os arménios. Quando falo em hostis não é ao nível da população geral, que até se dá bem, mas entre padres e monges, que não raras vezes se envolvem em confrontos físicos.

Por fim, há aqui um aspecto que pode parecer simbólico, mas é também importante, sobretudo para a comunidade arménia. Os arménios são um povo muito unido. Estando espalhados pelo mundo, mantém entre eles uma solidariedade e sentido de pertença assinalável. Por isso, todos os arménios sentiram na sua própria pele a derrota dos seus compatriotas em Nagorno Karabakh e a consequente expulsão do território disputado pelo Azerbaijão. Pode-se dizer, por isso, que a ameaça de serem varridos de outro território que habitam há séculos é levada muito a sério.

Mas para agravar tudo isto, sabe-se que para além do apoio da Turquia, o Azerbaijão só conseguiu reverter o status quo em Nagorno Karabakh com armas fornecidas por Israel, por isso a actual ameaça partir de israelitas armados é um golpe particularmente duro para os arménios.

O confronto entre Israel e o Hamas, em Gaza, tem dominado as notícias ao longo do último mês, mas, como estamos a ver, essa é apenas uma parte de um conflito muito complexo e que tem uma variedade de frentes, nas quais o dinheiro e a aquisição de terra são também armas fundamentais.

Friday, 17 November 2023

Indi Gregory, padres em burnout e #RedWeek

Do Reino Unido chega uma notícia triste e outra chocante. A triste é que morreu a menina Indi Gregory, que sofria de uma doença incurável. A chocante é que a Indi morreu porque os médicos, com o apoio do tribunal, decidiram que as opinião, as escolhas e os valores dos pais da Indi não deveriam ser tidos em conta no que diz respeito ao seu tratamento clínico. Não é uma excepção, é a regra naquele país, como já se tornou evidente ao longo dos últimos anos. Neste artigo explico os detalhes, e digo porque é que isso é tão preocupante.

A semana passada falei muito brevemente do documento do Vaticano sobre o acesso dos transexuais ao sacramento do baptismo ou à função de padrinhos. Esta semana trago-vos um artigo do The Catholic Thing que resume muito bem aquelas que são as minhas preocupações com as orientações da Santa Sé, que a meu ver peca mais pelo que não diz do que pelo que diz. Leiam o artigo e digam-me se concordam.

A Renascença tem uma interessante notícia sobre um padre que se está a especializar em psicologia com o objectivo de ajudar outros sacerdotes em “burnout”. É um problema cada vez mais presente nas paróquias, e não apenas nos círculos católicos.

Dos meus amigos da Ajuda à Igreja que Sofre – Portugal, trago-vos três histórias muito importantes. Em primeiro lugar, entramos amanhã na #RedWeek, durante a qual vários edifícios públicos serão iluminados de encarnado para assinalar a perseguição aos cristãos. Saibam mais aqui.

Na Nigéria a praga de raptos de padres é de tal forma que já nem é notícia. Ao longo deste ano vamos já em 23 raptos e quatro assassinatos. Uma tragédia.

E ainda, a história da Irmã Terese, do Gana. Talvez até tenha partilhado isto na versão inglesa, mas o testemunho desta freira, que salva dezenas de vidas de crianças consideradas “amaldiçoadas” é tão bonita que volto a insistir nela. Isto é o Evangelho em carne e osso.

Felizmente, da Nigéria também nos chegam histórias encorajadoras. Conversei com um bispo e um padre que estão a implementar um programa de diálogo inter-religioso que tem dado muitos frutos pela paz. O bispo até recebeu o título de Sheikh do seu amigo o grande-imã do Estado de Osun.

E os líderes de igrejas da Terra Santa pedem que os cristãos celebrem o Natal de forma mais recatada este ano, por causa do sofrimento em Gaza. Esta declaração está publicada aqui, onde tenho estado a coligir declarações de líderes religiosos locais sobre esta guerra. Rezemos pela Paz na Terra Santa, e rezemos pelos cristãos que se encontram em Gaza, dos quais não temos tido notícias nos últimos dias.

Friday, 10 November 2023

Madrinhos, padrinhas e outros enganos

A Santa Sé publicou um esclarecimento esta quinta-feira sobre se as pessoas transexuais podem ser baptizadas, ou ser madrinhas ou padrinhos. Ia escrever sobre isto, mas a explicação tem tantas condicionantes, que me parece que a questão vai sempre parar ao bom-senso do pároco ou do bispo. Nalguns casos existirá, noutros não. Em todo o caso, embora me pareça fantástico que se demonstre preocupação pastoral por todos, lamento que seja a Igreja a usar termos como “transexual”, legitimando aquilo que não passa de um artifício linguístico. Talvez não seja o mais importante, mas acho que poderia ter sido evitado.

Surgiram, no fim-de-semana e durante a semana, notícias que indicam que a Igreja, nomeadamente o Patriarcado de Lisboa, castigou um padre por denunciar casos de abuso sexual de menores. Houve de facto uma sentença de um tribunal canónico contra um padre. Esse padre, de facto, denunciou casos de abuso sexual de menores. Ainda assim, o título da notícia é falso, ou pelo menos enganador, e essa é apenas a última de uma longa lista de tragédias no caso que envolve o padre Nuno Aurélio e o padre Joaquim Nazaré. Está tudo explicado no meu artigo.

Um dos pontos do artigo sobre o caso do Pe Nuno Aurélio é que já basta os tiros que a Igreja dá no pé, para não andarmos a inventar outros. Um bom exemplo de um caso que foi tratado da pior forma, pelo menos até agora, é o do Pe Marko Rupnik, que vai finalmente enfrentar um tribunal canónico. Stephen White conta os pormenores do caso no artigo desta semana do The Catholic Thing e verbaliza o que todos estamos a pensar: “Como é possível?!”

Persiste a guerra na Terra Santa. Um bispo iraquiano suplica que o conflito não se espalhe para o resto da região, outro do Líbano exige que a Comunidade Internacional intervenha para assegurar um cessar-fogo, e a irmã Nabila, que se encontra em Gaza, revela estar de coração partido com a destruição da escola que era um farol de esperança para a comunidade católica local.

Mas há mais guerras pelo mundo, e no Sudão a casa das irmãs salesianas, que cuidam de mais de 40 crianças e suas mães, foi atingido por uma bomba. Por milagre, não morreu ninguém.

Numa altura em que o panorama político do nosso país parece tresandar mais do que é costume, que tal uns perfumes de inspiração bíblica? É só dar um salto a Viseu.

Realiza-se este fim-de-semana o Meeting de Lisboa, organizado pela Comunhão e Libertação. O programa desta edição parece muito interessante, nomeadamente a exposição sobre uma organização criada para documentar os crimes dos soviéticos, que foi encerrada na Rússia por ordem de Vladimir Putin. Eu espero lá passar, vocês também o devem fazer, se puderem.

Friday, 3 November 2023

Papa confirma Dubai e erros transparentes

Imagem gerada com
inteligência artificial

O Papa Francisco confirmou na quarta-feira que vai à COP28, que se realiza no Dubai. Francisco estará lá de 1 a 3 de Dezembro, podendo por isso ainda receber a delegação da organização da JMJ, no dia 30 de Novembro, na Santa Sé. Não é todos os dias que um jornalista consegue um furo a nível mundial, portanto permitam-me regozijar um pouco com o facto de eu ter dado esta notícia há 15 dias, publicada aqui no Expresso (só para assinantes) e aqui no The Pillar.

Na quarta-feira passada a Conferência Episcopal enviou para as redacções uma nota dando conta do número de pessoas – padres e leigos – que foram afastadas cautelarmente das suas funções por suspeitas de abuso sexual desde que foi publicado o relatório da Comissão Independente. A surpresa com que vi esses números foi grande, pela simples razão de que estavam todos errados. Não escrevi nada sobre o assunto no mail da semana passada porque precisei de mais tempo para poder verificar e ter a certeza que o erro não era meu, mas agora posso afirmá-lo com segurança. Escrevi aqui um texto a explicar como é que surgiu o erro, e a tirar algumas conclusões. Sublinho que não foi por deter informações secretas que percebi que os números estavam mal, bastou-me recorrer a dados que são públicos, seja por notas publicadas pelas dioceses, seja por informação recolhida por mim e entretanto publicada no meu blog, aqui, aqui e aqui.

Digo-o no meu texto, mas quero deixar claro aqui que não estamos perante um caso de encobrimento por parte das comissões diocesanas (de onde partiram os erros), mas sim de descuido, ou pelo menos estou disso convencido. Contudo, se todos concordamos que a transparência é um dos factores essenciais para lidar com este flagelo na Igreja, então os organismos da Igreja têm uma responsabilidade acrescida de fornecer números e informações rigorosas. Temos um longo caminho para fazer nesse sentido.

Ainda sobre o tema dos abusos, agora chegou a vez de Espanha, e houve um volte-face no caso do Pe Rupnik, que afinal vai ser julgado pelos crimes de abusos sexuais sobre freiras de quem era director espiritual.

Chegou ao fim o Sínodo sobre a Sinodalidade. Foi sem estrondo, nem dramas. Recordemos, porém, que o processo ainda vai a meio.

Continua a tragédia da guerra na Terra Santa. Os líderes cristãos da região não fizeram grandes declarações nos últimos dias, à excepção do Patriarcado Greco-Ortodoxo, que criticou duramente o facto de Israel estar a atingir centros culturais, desportivos e locais de culto em Gaza. A Ajuda à Igreja que Sofre tem estado em contacto diário com a comunidade católica que está na Igreja da Sagrada Família em Gaza. É grande o cansaço, e só não falo em desespero porque, como diz a irmã Nabila, “só temos Deus”. Rezem, por favor, pela paz em geral, mas especialmente para que Deus console estes cristãos em Gaza. E se quiserem enviem-me mensagens que eu talvez consiga fazer-lhes chegar através da AIS. No caso da minha família, enviámos uma fotografia dos filhos com um desenho a dizer que estamos a rezar por eles. Parece pouco, mas é um encorajamento para quem lá está, saber que não estão esquecidos.

E porque a guerra na Terra Santa nos pôs a falar novamente sobre a questão do terrorismo islâmico, o artigo desta semana do The Catholic Thing fala precisamente sobre a relação entre o Cristianismo e o Islão, recorrendo a citações de grandes pensadores, incluindo São João Paulo II.

Friday, 27 October 2023

As palavras dos líderes religiosos da Terra Santa e bispos de pernas tremidas

Irmã Nabila, em Gaza, antes da guerra

Já vamos em quase vinte dias de conflito na Terra Santa, com o número de mortos sempre a subir. O que andam a dizer os líderes religiosos locais sobre esta guerra? Aqui podem ler as principais declarações, com alguns destaques meus, e aqui podem ler a minha primeira análise a estas declarações, onde concluo que infelizmente a voz que mais urgentemente precisa de ser escutada nesta situação é a que tem menos força.

Entre os palestinianos sitiados em Gaza incluem-se cerca de mil cristãos, que são na maioria ortodoxos, com alguns católicos. No dia 19 à noite Israel atingiu o complexo da Igreja Ortodoxa Grega, fazendo mais de uma dúzia de mortos. Alguns dos sobreviventes mudaram-se para a paróquia católica, que já estava sobrelotada, criando ainda mais pressão sobre os recursos. Aqui podem ler o testemunho de uma freira que está a ajudar a cuidar destes refugiados.

Esta sexta-feira o Papa Francisco convida-nos a fazer novamente um dia de jejum e oração pela paz na Terra Santa. Juntemo-nos a este esforço.

Mudando de assunto, o cardeal D. Américo já tomou posse enquanto bispo de Setúbal. Esta quinta-feira foi publicada uma longa entrevista em que o bispo não descarta a possibilidade de vir a ser Papa um dia, mas admite que lhe vão tremer as pernas quando chegar o dia de votar num conclave. Pelo meio há um detalhe importante: as contas ainda não estão fechadas, mas a JMJ deu lucro.

A primeira fase do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está a decorrer em Roma, está a chegar ao fim. Os participantes escreveram uma carta aos fiéis, e o Papa fez uma intervenção em que voltou a criticar o clericalismo.

E não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, que volta a falar sobre a relação entre o Cristianismo e o poder secular. O padre Paul Scalia explora o significado de dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, mas também de evitar que César se apodere daquilo que é de Deus. Leiam aqui, que vale a pena.

Thursday, 26 October 2023

A voz que mais precisa de se ouvir na Terra Santa é a que tem menos força

O cardeal Pizzaballa e o Patriarca Ortodoxo
Comecei hoje a fazer uma coisa que já tinha feito durante o primeiro ano da guerra da Ucrânia. Assim, a partir desta quinta-feira podem encontrar aqui as declarações relevantes dos principais líderes religiosos da região da Terra Santa, sobre a guerra actualmente em curso.

Este texto serve para fazer uma primeira breve análise ao que já foi dito, agora que estamos perto dos 20 dias de conflito.

Judeus e muçulmanos calados

Procurei, mas sem sucesso, declarações públicas de líderes muçulmanos e judeus. As grandes referências destas duas religiões na Terra Santa são os rabinos-mor sefardita e asquenaze, para os judeus, e o grão-mufti de Jerusalém, para os muçulmanos. Não encontrei rigorosamente nada.

O que é que isto quer dizer? Não me quero antecipar… Pode querer dizer que os judeus e os muçulmanos encaram as suas lideranças religiosas de forma diferente dos cristãos. Enquanto numa situação destas o cristão espera, e bem, que seja o seu bispo a falar, e que o faça claramente, o judaísmo e o islão tendem a ser menos centralizados e por isso poderá não existir essa expectativa. Em vez disso, cada indivíduo estará mais focado no seu imã ou rabino particular, da sua própria comunidade. Espero poder conversar com contactos de ambas as religiões nos próximos dias para confirmar esta ideia.

Mas poderá dar-se o caso também de os líderes judeus e muçulmanos preferirem não falar por agora, por não poderem estar a apelar à serenidade e ao fim das hostilidades – sob pena de serem acusados de traição pelas suas próprias comunidades; nem quererem ser vistos como instigadores se usarem da palavra para incentivar e encorajar apenas os seus.

Cristãos faladores

Já com os cristãos passa-se o contrário. As principais figuras de liderança da comunidade cristã local já falaram, e bastante.

Para além do Patriarca Latino, o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, e do líder da Igreja Greco-Ortodoxa, o Patriarca Teófilo III, temos tido declarações do líder da comunidade anglicana local (por sinal o único dos três que é de facto nativo da região) e também bastantes declarações conjuntas dos líderes das Igrejas com presença na Terra Santa.

Isto pode até parecer normal, mas é um dado extraordinário, uma vez que é mais que conhecido que as igrejas cristãs na Terra Santa se dão particularmente mal, chegando a haver frequentemente conflitos entre eles até dentro do Santo Sepulcro, cuja custódia é partilhada por seis confissões diferentes.

Todas estas declarações que têm sido feitas, tanto as individuais como as comuns, têm em comum o facto de apelarem sempre à paz, ao fim das hostilidades e à necessidade de se apostar numa nova abordagem ao problema Israelo-Palestiniano, que permita acabar com o ódio crescente entre os dois povos. Os cristãos falam aqui da perspectiva singular de quem tem fiéis de ambos os lados da barricada. A maioria dos cristãos na Terra Santa são árabes, muitos vivem ainda nos territórios administrados pela Autoridade Palestiniana – mais na Cisjordânia, poucos em Gaza – mas existem também comunidades cristãs não-árabes que vivem em Israel. Assim, apesar de poder haver alguma desconfiança por parte dos israelitas, os líderes cristãos são os que estão mais bem posicionados para falar de forma neutra neste conflito, uma vez que os muçulmanos, que têm também um “rebanho” significativo em território israelita, serão sempre encarados pelos judeus como sendo a voz dos palestinianos.

Assim, podemos ver que logo no dia 7 de Outubro o Patriarca Latino já estava a condenar a incursão do Hamas que matou mais de mil pessoas inocentes em Israel, mas também a reacção das Forças Armadas de Israel. Esta condenação dupla tornou-se mais explícita no dia 24 de Outubro, quando ele afirmou numa carta para a diocese:

“A minha consciência e o dever moral obrigam-me a dizer claramente que aquilo que aconteceu no dia 7 de Outubro no sul de Israel não é de forma alguma aceitável, e que só pode ser condenado. Não existem razões para tamanha atrocidade. Sim, temos o dever de o afirmar e de o denunciar. O uso da violência é incompatível com o Evangelho e não conduz à paz. A vida de todas as pessoas tem igual dignidade diante de Deus, que criou a todos à sua imagem.

Contudo, a mesma consciência, com grande peso no coração, leva-me a declarar com igual clareza hoje que este novo ciclo de violência trouxe mais de cinco mil mortes a Gaza, incluindo muitas mulheres e crianças, dezenas de milhares de feridos, bairros inteiros arrasados, falta de medicina, falta de água e de necessidades básicas para mais de duas milhões de pessoas. Estas são tragédias que não se podem compreender e que temos a obrigação de denunciar e condenar sem reservas. Os bombardeamentos contínuos que se têm feito sentir em Gaza há dias apenas causarão mais morte e destruição, e levarão a mais ódio e ressentimento. Não vão resolver quaisquer problemas, antes criam novos. Chegou a hora de travar esta guerra, esta violência sem sentido.”

Também logo no dia 8 de Outubro os líderes das igrejas locais condenavam qualquer acto de violência contra pessoas inocentes, tendo o cuidado de não referir nenhuma das partes em particular, deixando claro que defendem a vida das pessoas de ambos os lados da fronteira.

O “caso” do hospital

O dia 17 de Outubro colocou à prova os líderes cristãos, tendo sido o dia em que se deu a explosão no hospital anglicano de Gaza. Como se lembram, as primeiras notícias apontavam para um bombardeamento aéreo de Israel, mas mais tarde veio-se a comprovar que afinal a explosão terá sido causada por um míssil errante disparado de dentro de Gaza.

Se a declaração conjunta dos líderes das igrejas utilizou uma linguagem bastante neutra, dizendo apenas que o hospital tinha sido “profanado” por “forças militares”, o comunicado da Igreja Anglicana, a quem o hospital pertence, chegou a condenar explicitamente Israel. Se é verdade que o arcebispo Hosam Naoum nunca chegou a emendar publicamente a mão, o próprio arcebispo de Cantuária, Justin Welby, fê-lo durante uma visita a Jerusalém.

Já em relação ao ataque à Igreja Greco-Ortodoxa em Gaza, os líderes das igrejas condenam abertamente Israel, que não negou ser o autor do ataque, que diz ter ocorrido por engano, quando tentava atingir um posto de comando do Hamas localizado nas proximidades. Morreram 18 cristãos nesse ataque.

A voz que precisa de se fazer ouvir

Lendo as declarações dos líderes cristãos, não podemos deixar de notar que no geral estamos perante apelos equilibrados e sensatos à paz e ao abandono do ódio. Eles não se limitam a pedir que se baixem as armas, regressando à situação anterior, pedem antes que se encontrem novos caminhos e abordagens que permitam a Israel viver em segurança e aos palestinianos ter perspectivas de futuro e de desenvolvimento também, evitando assim que novas gerações cresçam com um ódio tão profundo pelos seus vizinhos como aquele que permitiu as atrocidades de dia 7.

Não deixa de ser irónico e triste que a voz que mais precisa de ser ouvida na Terra Santa neste momento seja a voz menos expressiva, uma vez que os cristãos são uma pequeníssima minoria em todo o território, e hoje praticamente inexistente em Gaza.

Statements by religious leaders in the Holy Land, regarding the 2023 war between Israel and Hamas

In this post I will try to collect signficant statements by local religious leaders regarding the current ongoing war between the Israeli military and Hamas, in Gaza. 

Despite an initial search, I have not found public written statements by Jewish or Muslim leaders. I searched specifically for statements by the two chief rabbis of Israel, and by the Grand Mufti of Jerusalem, but to no avail. If I find them later, I will add them. 

Highlights in the statements are my own.

Português: Neste post tentarei reunir as declarações dos principais líderes religiosos da região, sobre a actual guerra entre as Forças Armadas de Israel e o Hamas, em Gaza. 

Apesar dos meus esforços, ainda não consegui encontrar declarações públicas de líderes muçulmanos e judeus. Procurei especificamente dos dois Rabinos-mor de Israel e do Grão-Mufti de Jerusalém, mas sem sucesso. Se os encontrar adicioná-los-ei. 

Os realces nos textos - que estão todos em inglês - são da minha responsabilidade.

Friday, 20 October 2023

Coragem e desinformação na Terra Santa, e Papa pode ir ao Dubai

Continuamos todos com os olhos postos no Médio Oriente, onde ainda decorre a guerra entre Israel e o Hamas e se sucedem notícias trágicas. Mas quão fiáveis são essas notícias? Esta semana tivemos um exemplo perfeito dos problemas da comunicação social moderna, com o episódio do Hospital Anglicano, um paradigma da era da desinformação. Leia aqui a minha análise, onde também dedico umas linhas a explicar porque é que os anglicanos, que praticamente não têm presença no terreno na Palestina, continuam a gerir um hospital em Gaza.

No meio de todo este conflito lembrei-me também do momento em que o Papa Francisco entregou ao Patriarca Latino de Jerusalém os símbolos de cardeal, tendo-lhe dito “Força, coragem”. Mal sabiam que daí a pouco mais de uma semana romperia este conflito e que o Patriarca estaria a oferecer-se para ser trocado por reféns israelitas em Gaza. Entretanto o Papa tem estado em contacto telefónico com a paróquia católica em Gaza, dizendo-lhes o mesmo que disse ao Patriarca.

Terça-feira muitos responderam ao apelo dos bispos da Terra Santa para rezar e jejuar pela paz. Agora o Papa convocou nova jornada de oração e jejum pela mesma razão, mas para o dia 27 de Outubro.

Falando do Papa Francisco, esta semana soube-se que ele tinha cancelado uma audiência com organizadores da JMJ Lisboa marcada para 30 de Novembro, por causa de uma “viagem não programada”. Viagens não programadas não são normais para a Santa Sé, onde tudo é sempre meticulosamente planeado. De início, e pela data, ainda avancei a possibilidade de estar em vista uma viagem ao Patriarcado de Constantinopla, na Turquia, mas nesse mesmo dia consegui apurar que o destino pretendido é, afinal, o Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Tanto quanto me apercebi, fui mesmo o primeiro a dar essa notícia a nível mundial, publicada no Expresso e no The Pillar. Leiam para perceber porque é que esta viagem, caso se confirme, é tão importante.

Há notícias boas e más da Nicarágua. O regime libertou 12 padres, permitindo que fossem transportados para Roma. A má notícia é que continua no poder um regime que prende padres às dúzias por razão nenhuma, e também que o bispo Rolando Alvarez continua atrás das grades. Rezemos por ele.

Aqui têm finalmente o link (só para assinantes) para o meu artigo no Expresso sobre o lugar da mulher na Igreja Católica, a propósito do sínodo que decorre em Roma.

Esta manhã, às 10h35, estive na SIC Notícias a falar sobre a variedade religiosa na Terra Santa. Podem meter para trás e ver, e espero poder ter o link para o segmento no blog muito em breve.

Não percam ainda o artigo desta semana do The Catholic Thing, no qual Randall Smith explica que a Igreja Católica nunca ensinou que os governantes políticos devem ser necessariamente católicos, nem que devem obedecer às autoridades eclesiásticas.

Friday, 13 October 2023

O triste e grotesco regresso da Guerra na Terra Santa

O triste regresso à normalidade em Gaza
O tema desta semana é, obviamente, o regresso – em grotesca força – do conflito entre Israel e Palestina. O Papa é apenas um dos muitos líderes que tem apelado à paz, e mais recentemente à libertação de reféns, mas esta não parece estar para breve. Aliás, Israel criticou-o por fazer “falsos paralelismos”. Francisco telefonou também ao pároco da comunidade católica em Gaza, que é muito pequena, mas desenvolve um trabalho social muito importante na região.

Os bispos católicos da Terra Santa já declararam que o dia 17 de Outubro será de oração e jejum pela paz, e sei que várias organizações católicas se vão juntar a esse apelo, por isso encorajo-vos a fazer o mesmo.

No dia seguinte, 18 de Outubro, a fundação Ajuda à Igreja que Sofre já tinha convocado a iniciativa “Um milhão de crianças reza o terço” e a paz na Terra Santa será sem dúvida uma das principais intenções.

Não há nada que se passe na Terra Santa que não tenha uma dimensão religiosa, e há poucos locais do mundo em que a realidade religiosa é tão complexa como lá. Hoje actualizei e republiquei um texto que datava originalmente de 2012 sobre a relação dos cristãos com Israel. É um assunto complicado e muito, muito variado, mas que podem ter interesse em aprofundar numa altura como esta. Aconselho ainda a leitura desta entrevista com um padre, judeu convertido ao catolicismo, que explica porque é que a Igreja Católica tem de agir com cautela quando fala desta guerra, que parece não ter fim.  

O grupo Renascença tem um novo presidente do Conselho de Administração, o cónego Paulo Franco. Como a maioria de vocês saberá, eu trabalhei na Renascença durante mais de uma década e para além de ainda lá ter muitos amigos, continua a ser uma casa pela qual tenho a maior estima. Acredito perfeitamente que a Renascença ainda tem um papel a cumprir na comunicação social em Portugal e que pode ser cada vez mais e melhor aquela instituição que ajuda os portugueses a fazer uma leitura crente e cristã da actualidade. Por isso só desejo o maior sucesso ao Pe. Paulo Franco e a todos os que lá trabalham, sabendo muito bem que o presente e o futuro continuam a não ser nada fáceis.

Enquanto isto, o ex-presidente da Renascença, o agora Cardeal Américo Aguiar, vai presidir às celebrações de Fátima, que começaram na noite de quinta-feira, e onde certamente também se vai rezar muito pela paz.

A semana passada disse que estava para sair um artigo meu no Expresso sobre o papel da mulher na Igreja, a propósito do Sínodo. Foi adiado para esta semana, em princípio, portanto podem procurá-lo a partir de amanhã.

E por falar no papel da mulher na Igreja, o artigo desta semana do The Catholic Thing é talhado para gerar discussão e até alguma polémica. A teóloga Carrie Gress pergunta se é possível um feminismo cristão. Leia a conclusão a que chega.

Friday, 18 August 2023

D. Rui Valério não é cardeal, a ponte pedonal também não será

O novo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, publicou uma bonita mensagem para os fiéis do Patriarcado, que vale a pena ler.

Esta é uma boa ocasião para recordar a todos que D. Rui Valério não é o Cardeal-Patriarca de Lisboa!!

Entretanto esta semana tivemos uma trapalhada de uma situação, quando as Câmara se Loures e de Lisboa anunciaram que iriam chamar à ponte pedonal sobre o Trancão “Ponte Cardeal D. Manuel Clemente” e logo surgiu uma petição a denunciar esse gesto como um desrespeito pelas vítimas dos abusos. Depois surgiu uma petição contrária e por fim D. Manuel pediu para que se abandonasse a ideia, pois não queria estar no centro de divisões. Pensei bastante escrever sobre este assunto, nomeadamente sobre como os anticlericalismos acabam sempre por assumir os piores vícios das religiões, nomeadamente o puritanismo extremo, mas talvez fique para outra altura. Partilho antes este texto do meu amigo José Maria Duque, que revela bem porque é que este rasgar das vestes dos “activistas cívicos” é cínico e hipócrita. Leiam.

A semana passada escrevi um bonito texto a agradecer a todos os que tornaram possível a JMJ em Lisboa, e ajudaram a fazer daqueles dias uma graça tão grande. Depois, obviamente, esqueci-me de o incluir no newsletter. Mas partilho-o agora.

Leiam aqui sobre os projectos em curso para tentar reavivar a Igreja na Terra Santa; e aqui sobre o mais recente episódio de violência anticristã no Paquistão.

Também a semana passada publiquei um artigo no The Pillar que pretende ir ao fundo da “polémica” das tendas eucarísticas na missa final da JMJ, e das píxides usadas noutra missa. Podem ler aqui.

Têm ainda para ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, que sendo sobre o processo de “reavivamento eucarístico” em curso nos EUA, toca também na JMJ uma vez que questiona a utilidade deste género de mega-eventos. Eu disse questiona, não disse arrasa nem critica. Leiam para verem por vocês as conclusões de Stephen P. White.

Thursday, 24 November 2022

Ajude os cristãos da Terra Santa neste Natal

Visitem a mostra de artesanato de oliveira feito por cristãos da Terra Santa. 

Esta é uma forma muito fácil e importante de apoiar uma comunidade que tanto precisa da nossa ajuda. E as peças são belíssimas!

A mostra está, como é costume, na Basílica dos Mártires, no Chiado. 

Basta clicar na imagem para ter mais informação. 



Thursday, 16 December 2021

João Paulo Beato e turistas discriminados

 

O Papa João Paulo I vai ser beatificado até ao final do ano de 2022.

As diferentes igrejas cristãs da Terra Santa acusam o Estado de Israel de discriminar os turistas cristãos, ao limitar as viagens durante a época do Natal.

O Papa Francisco aprovou a criação de uma nova fundação para promover o diálogo cultural e religioso.

A Conferência Episcopal Portuguesa não vai alterar as medidas contra a Covid-19 recomendadas durante o Natal.

As Igrejas da Europa renovaram ontem o seu apelo à vacinação e alertaram para o perigo da contrainformação.

Numa altura em que está na moda “desconstruir binários”, incluindo coisas básicas como “homem/mulher”, Randall Smith, do The Catholic Thing, sugere que os católicos passem a responder na mesma moeda

Wednesday, 24 November 2021

Missões Várias

As bravas mulheres religiosas da rede Talitha Kum, contra o tráfico humano, vão lançar amanhã uma campanha para alertar para o risco acrescido deste problema com o aumento da pobreza. Saiba mais sobre esta missão aqui.

Com a aproximação do Natal a Fundação Fé e Cooperação também volta à campanha dos Presentes Solidários. É outra forma de missão.

E por falar em solidariedade, os cristãos de Belém, na Terra Santa, têm alguns artigos de artesanato à venda em Lisboa. Os próprios não conseguiram vir cá vender este ano, mas o material estava armazenado e cada peça comprada é uma ajuda na grande missão de manter a fé em Cristo viva na terra onde Ele nasceu. Vejam mais informações no cartaz.

Desafio-vos a ler a entrevista desta semana da Renascença e da Ecclesia ao responsável pela Missão País, talvez um dos melhores exemplos de nova evangelização que existe na actualidade!

A sua família é numerosa? A do David Bonagura é e ele refere neste artigo do The Catholic Thing algumas das bocas e preconceitos de que tem sido alvo ao longo destes anos. Devo admitir que a minha experiência tem sido mais positiva, embora também tenha algumas histórias para contar. Aproveitem para partilhar as vossas histórias e experiências nos comentários.

Wednesday, 15 September 2021

Ajudar os cristãos na Terra Santa e Papa de regresso a Roma

Antes de vos dar as notícias do dia, queria fazer-vos um pedido. Se já rezam e pensam nos cristãos que vivem em situações de maior dificuldade e sempre quiseram dar uma ajuda mais prática, então cliquem aqui, leiam com atenção, e não percam esta oportunidade de ajudar os cristãos que vivem na Terra Santa e estão desesperados com a falta de turistas que costumam ser o seu sustento.

Olhando agora para a atualidade noticiosa, o Papa Francisco terminou a sua viagem à Eslováquia, hoje, que foi marcada por apelos à integração e à inclusão. A fé, disse, não deve ser reduzida a um açúcar que adoça a vida, nem a cruz deve ser um símbolo político ou de estatuto social.

Os ciganos, que foram visitados pelo Papa, ficaram surpreendidos com a atenção que lhes foi destinada.

E, por fim, a vossa atenção para esta história bonita de uma cruz que foi oferecida ao Papa por um bispo chileno, feita com madeira recuperada de uma igreja que foi vandalizada e incendiada em outubro de 2020.

No voo de regresso a Roma Francisco falou de vários assuntos, incluindo o ceticismo para com as vacinas Covid, o encontro que teve com Viktor Orbán e a questão polémica da comunhão para políticos pró-aborto.

O artigo do The Catholic Thing desta quarta-feira ainda está por publicar, mas lá estará até ao final do dia.

Ajudar os nossos irmãos na Terra Santa

 Recebi há dias um pedido de ajuda, que partilho convosco.

Como sabemos, os cristãos na Terra Santa são cada vez menos e passam muitas dificuldades. Muitos dos que vivem em Belém dependem da indústria do turismo, que por causa da pandemia tem estado parada. 

Todos os anos costumava vir a Portugal o Nicolas, católico de Belém, que trazia peças esculpidas em madeira de oliveiras da Terra Santa, para vender. É uma importante fonte de rendimento que, infelizmente, secou por causa da Covid. 

Já em desespero, ele e outros vendedores juntaram-se para vender as peças, a preço quase de custo, com possibilidade de envio por correio. De uma perspetiva comercial, quase que não vale a pena, para nós, uma vez que pagamos mais pelo envio do que pelas peças, mas não são os cristãos chamados a olhar a realidade por outra perspetiva?

Estes cristãos precisam da nossa ajuda. Aqui podem ver em detalhe as peças (cliquem para aumentar as fotos) e em baixo está a lista com os preços. As encomendas podem ser feitas diretamente ao Nicolas por whattsapp, para o número +972 52-457-6851.

Ele poderá depois dar melhor ideia de valores de envio, mas pelo que me disse uma encomenda de 20 quilos fica a cerca de 100 euros e uma de 2 kilos a cerca de 20 euros. Os pagamentos podem ser feitos por transferência para uma conta que eles mantêm em Portugal, evitando taxas. Por que não juntar uma família, ou uma paróquia, para fazer encomendas maiores e ter peças para vender ou distribuir pelo Natal?

Falamos muito em ajudar os cristãos perseguidos e que passam dificuldades. Rezamos por eles. Esta é uma forma prática e ao alcance de todos de ajudar pessoas em concreto. Não a desperdicemos!











Friday, 21 May 2021

Eu Templeton, Tu Jane

A partir das 00h, de Portugal continental, a paz regressou à Terra Santa. Durante quanto tempo? Não sabemos. Ontem estive no programa da Ecclesia, na RTP, para falar sobre a complexidade do conflito entre Israel e a Palestina, do papel da religião e das possíveis resoluções. Podem ver aqui.

A ambientalista Jane Goodall é a vencedora deste ano do prestigiado Prémio Templeton, que é atribuído a que trabalha na área da conciliação entre ciência e fé.

Ao longo dos últimos dias a Renascença tem estado a falar com os diferentes bispos de Portugal sobre os efeitos da pandemia no país. Podem ler aqui as reportagens já publicadas.

Conheça a história de Ricardo, que hoje completou uma promessa de ir a pé de Lagos até Fátima, depois de ter recuperado de uma leucemia.

O Papa falou ontem com jovens de vários países que beneficiam do programa de incentivo à integração através do desporto e do futebol e recordou que na bola, como na vida, se esquecemos a gratuidade perdemos o jogo.

Como devem saber tem havido um grande debate entre os bispos dos EUA sobre se o presidente Joe Biden deve poder comungar ou não, sendo um católico que defende aberta e ostensivamente o aborto. O nosso querido Randall Smith faz um paralelo neste artigo com os bispos americanos que teimavam em não condenar abertamente a escravatura. 

Wednesday, 12 May 2021

Especial pré-apocalíptico de liberdade religiosa

Há caos na Terra Santa, uma praga de dimensões pandémicas e o Sporting é campeão, por isso parece-me mais que evidente que o apocalipse está à porta. Uma boa razão para mais um apanhado de Actualidade Religiosa…

Hoje prestamos especial atenção a questões de liberdade religiosa. Temos o caso do capelão de uma escola inglesa que foi denunciado a uma unidade de antiterrorismo por dizer aos seus alunos que podiam questionar a ideologia do género.

Temos ainda o caso da deputada e ex-ministra finlandesa que vai ser julgada por ter questionado o facto da sua igreja ter patrocinado uma marcha gay.

E na Suíça um tribunal deu razão a um médico que se queixou da suspensão do culto público, decretando que viola a liberdade religiosa dos cidadãos.

Liberdade Religiosa é coisa que escasseia na Índia e as ONG e especialistas esperam que a União Europeia pressione o primeiro-ministro Modi sobre o assunto.

Por falar em União Europeia, foi finalmente nomeado o novo enviado especial para a liberdade religiosa fora da UE. É um cipriota (na foto) e os bispos europeus já saudaram a escolha.

No programa Aura Miguel Convida da semana passada ficámos a conhecer Luís de Sousa Coutinho, um aristocrata que se apaixonou por Cristo e se tornou eremita, inspirado pelo (em breve) santo Charles Foucauld.

Por fim, temos dois novos artigos do The Catholic Thing no blog. No primeiro podem ler o testemunho comovente de uma mulher que foi levar a comunhão a um lar de idosos a pessoas que não comungavam há mais de um ano e no segundo ficam a conhecer H. H. Weiler, um académico judeu que tem uma teoria interessantíssima sobre o julgamento de Jesus.

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