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Friday, 21 July 2023

De Tuvalu a Lisboa são duas semanas de distância

Faltam duas semanas para a JMJ, certo? Bom, para alguns peregrinos não. Já há malta a caminho de Portugal, nomeadamente malta que vem de longe. Conheçam aqui alguns dos grupos que já estão a calcar terreno, incluindo os representantes de Tuvalu e Vanuatu!

Sabemos que o Patriarca tem o sonho de trazer representantes de todo o mundo a Portugal para a JMJ, mas será possível? Há países onde as dificuldades ultrapassam a distância e o dinheiro. Os sírios e os libaneses, por exemplo, estão mergulhados em profundas crises e Portugal hesita em dar-lhes vistos, com medo de que depois não queiram regressar. A fundação AIS está por isso a financiar encontros nos países deles para estarem em comunhão com os jovens que cá vão estar.

O futuro cardeal D. Américo Aguiar esteve durante a semana passada na Ucrânia, para levar um pouco do espírito da JMJ a quem, por causa da guerra, não pode vir a Portugal. O bispo explicou ainda que não haverá nenhum momento simbólico para tentar juntar peregrinos russos e ucranianos durante o evento cá, evitando assim o que poderia ser mais um incidente diplomático.

Ainda no tópico da JMJ, na semana passada fiz um post em que D. Américo explicava a sua frase polémica sobre não querer converter jovens na JMJ a Cristo. Acompanhei essa explicação do meu próprio comentário, em que apontava o facto de alguns grupos terem divulgado a sua frase inicial, interpretando-o da pior forma possível. Pedi que deixássemos de o fazer, para evitar a polarização na Igreja. Acontece é que também referi que esses grupos eram na maioria conservadores e tradicionalistas, pelo que algumas pessoas acusaram-me a mim de estar a contribuir para a mesma polarização que lamentava. Terão razão? Pensei no assunto ao longo destes dias, e fiz esta reflexão.

Há novidades no que diz respeito aos abusos em Portugal, com o arquivamento de mais alguns casos e informações novas relativas a um dos padres de Lisboa que está provisoriamente afastado do ministério. Mais tarde, provavelmente depois da JMJ, vou voltar a aprofundar este assunto e fazer um ponto de situação, mas por enquanto podem acompanhar as novidades na cronologia.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é de Stephen P. White, que fala de como 50 anos de Comunismo deturparam a cultura e os hábitos na Europa de Leste, mas pergunta no Ocidente estamos muito melhor. Vale a pena ler, como sempre.

Friday, 12 May 2023

Papas a preto e branco

A semana passada enganei-me no link to principal artigo que queria partilhar convosco, com novidades e comentários sobre as famosas listas de alegados abusadores, tanto das dioceses como dos institutos religiosos. Está aqui o link correcto.

O líder da Igreja Copta Ortodoxa, o Papa Tawadros II – Tawadros significa Teodoro, mas ele costuma ser referido pelo nome copta – esteve em Roma onde participou, de forma inédita, numa audiência geral com o Papa Francisco. Trata-se de um gesto ecuménico de enorme magnitude, que permitiu ter dois Papas lado-a-lado, um de preto, outro de branco. O ecumenismo faz-se de diálogo doutrinal profundo e intenso, mas também de gestos de amizade pessoal que ajudam a quebrar barreiras de desconfiança que às vezes têm vários séculos. Se nunca ouviu falar, ou não sabe nada sobre esta comunidade, recuperei e actualizei este artigo onde se explica o essencial de quem são os coptas.

No sábado passado tivemos a coroação do Rei Carlos III. Foram muitos os que viram a celebração na televisão e terão reparado em vários detalhes religiosos. Eu gostaria de ter visto, não só porque sou monárquico, mas porque enquanto descendente de ingleses e nascido no Canadá, Carlos é em vários sentidos o meu Rei também. Contudo, não o pude fazer porque tive a primeira comunhão de um dos meus filhos, e há um Rei que mais importantes que os outros. Já tinha partilhado o link para a entrevista em inglês que fiz ao antigo capelão real, sobre a espiritualidade de Carlos, e agora já posso partilhar o link para a entrevista portuguesa.

Por estes dias muitos são os que estão a caminho de Fátima (incluindo esta peregrina muito especial). As celebrações deste mês ficam a cargo do Cardeal Parolin. Podem ler aqui uma entrevista exclusiva que ele deu à Renascença.

Os médicos católicos estão a pedir voluntários para a área da saúde durante as JMJ. Se tem interesse, leia aqui para saber o que tem de fazer.

Um dos pontos altos da minha viagem ao Líbano em 2022 com a AIS foi o tempo passado com os seminaristas maronitas em Beirute. O artigo sobre essa parte da visita só foi publicado agora, e convido-vos a ler e a inspirarem-se com a alegria e a paixão evangélica destes jovens. Leiam também, se puderem, a história das freiras que acompanham os migrantes que passam pela Colômbia para tentar chegar aos EUA.

No artigo desta semana do The Catholic Thing o autor Casey Chalk explica como uma doutrina pouco conhecida, mas fundamental para os protestantes, levou este antigo seminarista calvinista a pôr tudo em causa e acabar por entrar para a Igreja Católica.

Por fim, têm aqui informação interessante sobre o ciclo de conferências que a Associação de Juristas Católicos está a organizar até novembro, sendo o próximo já na sexta-feira da semana que vem.

Friday, 16 December 2022

Neste Natal pode ajudar a Ucrânia. E o Líbano, e a Síria, e os reclusos e os cristãos da Terra Santa...

Jesus vai estar na final do Mundial
Aproximamo-nos do Natal, tempo de reconciliação e de perdão, e é precisamente isso que o Papa pede aos líderes mundiais numa carta em que sugere que dêem indultos a presos. A maioria dos meus leitores poderá não ter essa possibilidade, mas podem ajudar os reclusos na mesma, comprando presentes de Natal do projecto Reshape.

O Papa pede que este ano os cristãos pensem menos no consumismo, e ajudem mais a Ucrânia. Podem e devem fazê-lo, e já agora podem ajudar a Síria e o Líbano também, que bem precisam e são o projecto-alvo da fundação Ajuda à Igreja que Sofre para este Advento. E por fim, podem ir ao Chiado, à loja onde o Nicolas Ghobar está a vender artigos de artesanato feito pelos cristãos da Terra Santa, para apoiar as comunidades de lá. Eu já lá fui, e conto voltar. Estes também precisam muito da nossa ajuda, não os abandonemos! A loja fica na lateral da Basílica dos Mártires.

Há muita perseguição aos cristãos no mundo, mas a Europa não é excepção. Foram documentados 500 casos de crimes contra cristãos por cá em 2022.

Tive o privilégio de participar em dois episódios do programa “E Deus Criou o Mundo”, da Antena 1. No primeiro conversámos sobre superstições, astrologia e futebol, mas também sobre como o amor cristão não conduz à uma estéril “paz interior”, mas leva as pessoas a identificar-se com o sofrimento e as necessidades dos mais frágeis.

Já no mais recente episódio falou-se da tradição católica de abstinência de carne às sextas-feiras, e de como isso pode ser benéfico para o planeta, mas também sobre as noções de impureza ritual, e de como o Cristianismo é muito diferente do Judaísmo a esse respeito. Podem ouvir aqui.

No artigo desta semana do The Catholic Thing, Randall Smith deixa um recado para todos os guerreiros de teclado que pensam que estão a fazer guerra religiosa na internet. Parem! “Dizer casualmente no Twitter que alguém é herege é o equivalente adulto de uma criança chamar otária a outra – especialmente quando a pessoa que assim é lançada para as trevas exteriores como “herege” é um católico fiel. Para mim, isso é tomar o nome da Igreja em vão. Estas pessoas estão a confundir os seus pensamentos e disposições com o ensinamento da Igreja.”

Já leram o meu artigo sobre a posição do Papa em relação à Guerra Justa, e o que se passa na Ucrânia? Está aqui. E não percam o episódio da semana passada do Hospital de Campanha, que está aqui.

Friday, 25 November 2022

De bola e de fé

Estamos todos – ou quase todos – com a cabeça no Mundial. Mas devíamos? Um cristão devia estar a ver os jogos, ou devíamos boicotar o Mundial por estar a ser disputado num país que não respeita os direitos humanos? E até onde pode ir a paixão pelo futebol? Foi sobre isto que conversámos no episódio do Hospital de Campanha que foi hoje para o ar. Eu, o Duarte Valle de Castro e o Padre Nuno Coelho. Não percam, que foi uma conversa muito gira!

Ainda sobre o mundial, gostaria de recomendar que leiam esta entrevista que fiz ao Fernando Santos, e que foi publicada no jornal americano The Pillar. O seleccionador fala da importância da fé na sua vida, da compatibilidade com o futebol e de como ultrapassou as superstições, tão comuns nesse mundo.

Falei também com o Vigário Apostólico da Arábia do Norte, que inclui o Qatar, sobre o impacto do mundial para a comunidade cristã local e sobre a questão dos direitos humanos.

Mudando de assunto, aproxima-se o Natal e como todos os anos está presente em Lisboa uma venda de artesanato da Terra Santa. Cliquem aqui para saber tudo sobre esta mostra, que está na Basílica dos Mártires.

Por falar em cristãos aflitos no Médio Oriente, leiam aqui o meu artigo sobre os universitários cristãos no Líbano que sentem que já não têm espaço para viver no seu próprio país. Foi um texto duro de escrever.

Na próxima semana estarei com o Pe Peter Stilwell na sede da Brotéria, no Chiado, para falar sobre o diálogo inter-religioso, no seguimento da mais recente viagem do Papa Francisco ao Cazaquistão. Começa às 19h e acaba às 20h30. Apareçam! Mais informação aqui e aqui.

E por fim, não percam o artigo desta semana do The Catholic Thing em português, em que Elizabeth Mitchell explica como somos todos o homem assaltado a caminho de Jericó, mas também podemos ser para os outros o Bom Samaritano, em “O Caminho do Amor Misericordioso”.

Friday, 11 November 2022

Aquele que tem ouvidos, que ouça o Hospital de Campanha


Hoje temos novo episódio do Hospital de Campanha. Para esta conversa convidámos o Pe. Tiago Fonseca que nos fala da sua vocação, de como é ser padre numa altura em que tanto se fala dos pecados e dos crimes cometidos pelo clero, do perigo da solidão entre os sacerdotes e como se pode combater e termina com um apelo às famílias para apoiarem os padres, convidarem-nos para jantar ou, idealmente, para ir ver o Benfica.

Foi uma excelente e animada conversa e ainda por cima o som não nos pregou partidas desta vez, portanto aproveitem e partilhem!

Houve um novo caso de abusos em França, envolvendo um cardeal. É o 11º caso a envolver bispos neste país, mas o cardeal Jean-Pierre Ricard tem a particularidade de ter passado anos na Congregação para a Doutrina da Fé, a decidir sobre casos de abusos entre o clero. O que é que isto quer dizer? Que conclusões podemos tirar? Leiam aqui a minha análise e ouçam o Papa Francisco, que disse recentemente que é preciso coragem para combater este flagelo, mas que nem todos a têm.

O Cardeal D. José Tolentino acaba de publicar um livro sobre São Paulo. Uma boa recomendação para a altura do Natal, que se aproxima.

Por falar em Natal, a fundação Ajuda à Igreja que Sofre acaba de lançar a sua campanha de Natal, este ano focada no Líbano e na Síria. Foi para ajudar a preparar artigos para esta campanha que estive no Líbano em Abril do ano passado, por isso mantenham-se atentos ao site da AIS nas próximas semanas e, mais importante, contribuam para estas comunidades, que tanto precisam.

Entretanto continuamos com o processo do Sínodo sobre a Sinodalidade. O artigo desta semana do The Catholic Thing é de Stephen White, que coloca questões importantes sobre a sinodalidade e deixa avisos que não devemos ignorar.

Já sabem que no blog continuo a publicar as principais declarações sobre a guerra na Ucrânia de líderes religiosos relevantes, recentemente actualizei o Papa Francisco, o Patriarca Cirilo e o Metropolita Onófrio. Tenho também, em constante actualização, a cronologia de casos de abuso sexual em Portugal, que também podem ir visitando.

Friday, 7 October 2022

Bélgica condenada por eutanásia e sanções para Ximenes

Há sondagens que indicam que há cada vez mais católicos a duvidar da presença real na Eucaristia? Neste artigo do The Catholic Thing, Randall Smith argumenta que o problema está a montante. Conseguimos acreditar num Deus que nos ama pessoalmente? Que se interessa por nós? Tudo segue daí.

A semana passada já tinha falado da situação de D. Ximenes Belo, que tanto quanto sei continua desaparecido. Entretanto soubemos que o Vaticano impôs-lhe sanções. Têm aqui a notícia em português, aqui o meu artigo para o The Tablet, em inglês.

O que é interessante as apenas em 2019, o que deixa por explicar tudo o que se passou nos 17 anos anteriores. Este é um dos assuntos que, se Deus quiser, será discutido no próximo episódio do Hospital de Campanha. Será o terceiro episódio seguido sobre a questão dos abusos, o que é um sinal dos tempos. Se ainda não ouviu os dois episódios de conversa com Pedro Gil sobre os abusos em Portugal, faça-o aqui e aqui.

Este e outros casos, incluindo as recentes alegações contra D. José Ornelas, continuam a ser reunidas aqui.

Temos notícias boas do Líbano, onde a fundação Ajuda à Igreja que Sofre ajudou uma escola técnica a resistir à crise e a continuar a servir a população, mas más notícias de Moçambique, onde o bispo de Nacala contou, à mesma instituição, como terroristas degolaram três cristãos e mataram outras oito pessoas nas últimas semanas.

Ontem surgiu uma notícia que infelizmente, não teve eco em Portugal. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou a Bélgica num caso sobre a eutanásia. O Tribunal considerou que a Bélgica violou o direito à vida na forma como lidou com o processo de investigação à morte de uma senhora que sofria de depressão. O processo de eutanásia foi aceite por um médico activista da eutanásia que antes tinha recebido dela um donativo. A família dela nunca foi avisada. Depois de morta, quando se abriu um processo para saber se tinha havido irregularidades, o mesmo médico fez parte da comissão! Tudo inacreditável… Mas o que vale é que por cá nos dizem que vai ser tudo diferente, vai tudo correr bem.

Eu entrevistei em tempos o advogado do filho desta senhora, que processou o estado belga. A versão portuguesa está aqui, a versão integral, em inglês, está aqui. 

Wednesday, 13 April 2022

De regresso do país dos cedros e preocupações sinodais

Nossa Senhora do Líbano,
em Harrissa
Estou de regresso a Portugal, depois de vários dias no Líbano, a conhecer projectos da fundação Ajuda à Igreja que Sofre naquele país. Foi uma experiência fantástica, mas pesada, que espero poder partilhar convosco em breve. Entretanto pode ficar aqui com uma boa ideia, através da entrevista que Catarina Bettencourt Martins, directora da AIS em Portugal e que também esteve presente, deu à Renascença.

Ontem a Comissão Independente que investiga os casos de abusos na Igreja em Portugal apresentou alguns números. São já 290 denúncias e 16 casos enviados para o Ministério Público. A cronologia que mantenho no blog foi devidamente actualizada.

Hoje é dia de novo artigo do The Catholic Thing. Devemos estar preocupados com o “Caminho Sinodal” na Alemanha? Dezenas de bispos no mundo pensam que sim, e assinaram uma carta aberta ao episcopado alemão, precisamente nesse sentido. O artigo da semana passada é de teor mais pessoal, com Stephen White a explicar porque é que a morte prematura do seu pai, em plena Quaresma, tornou esta época ainda mais especial para ele. A ler, sobretudo em vésperas do tríduo pascal!

Continuo a acrescentar, a um ritmo quase diário, excertos de discursos e homilias a esta lista de declarações de líderes religiosos sobre a guerra na Ucrânia. Recentemente coloquei excertos de uma longa carta de um padre da Igreja Ortodoxa da Ucrânia leal a Moscovo, que critica ferozmente a sua própria hierarquia. Vale mesmo a pena ir ver!

Também pode ver aqui a conferência “Para um Ecumenismo de Paz”, da Capela do Rato, em que participei no dia 30 de março, na companhia de figuras muito interessantes, incluindo um padre ucraniano, um moldavo e Paulo Portas.

Amanhã é dia de novo episódio do podcast “Hospital de Campanha”. Se ainda não ouviu o segundo, não perca a oportunidade. A próxima conversa é sobre a resposta dos portugueses à crise dos refugiados ucranianos, e é muito interessante!

Friday, 2 July 2021

Gritos pelo Líbano e Hotel genocídio

Os líderes cristãos do Líbano estiveram juntos ontem em Roma para dar um grito por aquele país em crise. Um momento ecuménico inédito que vale a pena recordar.

Hoje Francisco recebeu o primeiro-ministro do Iraque, meses depois da sua própria histórica visita ao país.

Os símbolos das JMJ vão estar em tour pelo país. Saiba quando é que vão estar na sua diocese.

A cadeia de hotéis Hilton está a ser acusada de cumplicidade no genocídio dos uigures na China.

Continua a dar que falar a questão das crianças indígenas retiradas às famílias no Canadá. Os líderes das comunidades vão a Roma em Dezembro para tentar convencer o Papa Francisco a pedir desculpa pelo papel desempenhado pela Igreja na gestão das escolas.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing. Elizabeth Mitchel encoraja-nosa “lançar as redes” de novo, mesmo quando tudo nos parece perdido.

Monday, 28 June 2021

Como diria Vaclav Havel...

O Papa Francisco recebeu esta segunda-feira uma delegação do principal patriarcado ortodoxo e agradeceu os testemunhos crescentes de unidade entre cristãos.

Por falar em testemunhos de unidade, Francisco contribuiu para um livro contra a guerra cujo prefácio foi assinado pelo Patriarca da Igreja Copta Ortodoxa.

Francisco está preocupado com o Médio Oriente, especialmente com o Líbano, onde se passa fome por causa da crise política, social e económica.

A Obra Católica Portuguesa das Migrações está preocupada com o racismo em Portugal, incluindo entre as forças policiais.

Que dizer desta tendência de todas as marcas e instituições debaixo do sol de exibirem a bandeira arco-íris? Nada que Vaclev Havel não tenha dito já. “Têm de viver dentro de uma mentira. Não precisam de aceitar a mentira. Basta que tenham aceitado a sua vida com ela e no seio dela.” É sobre isso o meu mais recente artigo no blog da Actualidade Religiosa. Leiam e comentem.

E não deixem ainda de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing em português, que nos dá a receita para o antídoto contra a depressão social que a tantos atinge nestes dias.

Thursday, 9 November 2017

Actualidade Religiosa: Leonella Sgorbati, rogai pela Somália!

O Papa abriu hoje caminho à beatificação de João Paulo I, o que já se esperava. Confesso que me emocionou mais – até porque me lembro bem do caso – da declaração das virtudes heroicas da irmã Leonella Sgorbati, que foi assassinada na Somália em 2006, dias depois do discurso de Ratisbona, e morreu repetindo as palavras “eu perdoo”. A Somália não tem santo padroeiro… Fica a dica.

Se estava a pensar ir comprar cigarros ao Vaticano, já só tem menos de dois meses para o fazer!!! Por ordem do Papa, a Santa Sé vai deixar de vender tabaco.

A igreja que foi palco do massacre, no Texas, vai ser demolida. É uma decisão compreensível, mas não é óbvia. Outras comunidades lidaram com assuntos parecidos de formas diferentes. Saiba como.

Depois de ter resistido durante mais de seis anos à instabilidade na Síria, o Líbano está agora a passar uma grave crise. Saiba mais sobre o misterioso primeiro-ministro desaparecido, e como isso pode afectar o delicado equilíbrio religioso no país.

Um convite. Decorre no dia 18 de Novembro o 4º Encontro Nacional de Leigos. Vai ser em Viseu e as inscrições estão abertas até ao dia 13. Se puderem, não percam, promete ser muito interessante.  


Tuesday, 27 June 2017

Árabes consagram em Fátima, ameaçam no Curdistão e perdem nos EUA

Curdos próximos da independência no Iraque
Quem esteve em Fátima no fim-de-semana não pode ter deixado de se surpreender com a quantidade de pessoas que falavam árabe nas ruas. A explicação é fácil. Milhares de libaneses vieram ao santuário consagrar o seu país a Nossa Senhora. A sua protecção, dizem, tem evitado que a guerra da Síria passe a fronteira.

É lançado amanhã o novo livro de José Luís Nunes Martins, colunista da Renascença. Vale a pena ler esta entrevista para aguçar o apetite.

Domingo há ordenações um pouco por todo o país. Em Vila Real são dois os jovens que serão feitos sacerdotes. No dia seguinte estarão já a participar no torneio de futebol para padres…

Nos EUA o Supremo Tribunal deu a Donald Trump uma meia vitória na questão da proibição de entrada de muçulmanos no país.

Esta semana olhamos de perto para o que se passa no Iraque. A cidade de Mossul está prestes a ser libertada das garras do Estado Islâmico mas o futuro pode ainda trazer complicações. A agravar o problema temos o referendo pela independência anunciado pelo Curdistão Iraquiano para Setembro. Poderá estar prestes a nascer um novo Estado?

Não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing sobre a cristofobia e, indirectamente, a islamofobia do político americano Bernie Sanders.

Tuesday, 5 July 2016

Wednesday, 1 April 2015

"Sede porreiros como o vosso deus imaginário é porreiro"

Santa Páscoa para todos!
O Papa voltou esta quarta-feira a recordar os cristãos que são perseguidos pela sua fé, evocando-os como exemplo para todos os fiéis. Isto no dia em que a fundação Ajuda à Igreja que Sofre traz-nos o exemplo de uma menina síria refugiada no Líbano e que foi violada 18 vezes num só dia pelos jiadistas… Não sei se é cristã, ou se não, que importa?

Ontem a Renascença entrevistou o padre Pedro Quintela, responsável pela associação Vale de Acór, que trabalha na recuperação de toxicodependentes, e que insiste que o Ser Humano nunca se pode resumir a uma ficha médica.

Perseguições, violações, toxicodependência. Tudo isto é sofrimento e são este tipo de flagelos que permitem a toda a humanidade identificar-se de alguma forma com o sofrimento de Cristo na sua paixão. Este é um dos temas da conversa que mantive com Paulo Pereira da Silva e com José Luís Nunes Martins, autores do livro “Via Sacra para Crentes e Não Crentes” que aconselho vivamente a lerem.

Mudando agora de assunto, e porque hoje é dia de artigo novo do The Catholic Thing em português, Anthony Esolen chegou à conclusão que a Igreja deve, de facto, mudar com os tempos para ter mais relevância para as mulheres e os homens do nosso tempo, e por isso escreveu uma versão moderna das bem-aventuranças. “Sede porreiros como o vosso deus imaginário é porreiro”.

Thursday, 26 March 2015

O que interessa o Iémen? e "Todo o mal tem um fim"

Houthis no Iémen: "We care a lot!"
Uma coligação de forças árabes prepara-se para intervir no Iémen. Eu sei o que estão a pensar… O que é que interessa o Iémen?! Foi por isso que escrevi este artigo, porque o Iémen interessa muito e, agora mais que nunca, podemos ver que grande parte do problema do Médio Oriente é o conflito entre o bloco xiita e o bloco sunita. Nesse sentido, o Iémen é apenas o mais recente e importante campo de batalha.

O Papa Francisco encontrou-se esta tarde com 150 sem-abrigo que estavam a ter uma visita guiada aos museus do Vaticano. Em Setembro vai à Casa Branca e encontrar-se-á com Barack Obama.

A Ajuda à Igreja que Sofre está de visita aos campos de refugiados no Líbano e no Iraque, onde “falta tudo menos a fé”.

A situação dos refugiados cristãos na Síria e no Líbano inspirou a organização a preparar uma Via Sacra Meditada pelas Famílias Refugiadas da Síria. Pode-se encomendar a Via Sacra directamente à AIS, mas há quem a esteja a passar à prática, como acontece no Porto, na Igreja do Marquês, no dia 30 de Março, pelas 21h15. Quem puder que apareça!

Em Portugal encontra-se por estes dias o paquistanês Paul Bhatti, activista pelos direitos das minorias, cujo irmão foi assassinado por defender o fim da lei da blasfémia. Bhatti acredita que a lei está destinada a acabar, porque “todo o mal tem um fim”. Aqui podem ler a transcrição integral da curta entrevista que lhe fiz e aconselho-vos ainda a ouvirem na Renascença a partir das 23h uma entrevista mais alargada, sobre outros temas, feita pelo meu colega José Pedro Frazão.

Resta dizer que Bhatti está em Lisboa para participar no Meeting, organizado pelo movimento Comunhão e Libertação. Aqui têm o programa completo e aconselho vivamente a participarem, se puderem.

Friday, 21 November 2014

Estado Islâmico imparável? Lei do aborto inconstitucional?

A freira libanesa que trabalha com refugiados iraquianos
Cerca de um mês depois de terem começado os ataques aéreos contra o Estado Islâmico não só o cerco a Kobane continua, como o grupo atacou hoje e ameaçava ocupar a cidade de Ramani, capital da província de Anbar.

O drama dos refugiados causados pelo grupo islamita é o que traz a Portugal a irmã Hanan Youssef, que trabalha com refugiados no Líbano. Está a falar em vários pontos do país, mas amanhã será publicada uma entrevista com a religiosa, feita por mim, que aconselho a todos os que se preocupam com aquela região.

Ontem decorreu um debate sobre a iniciativa legislativa de cidadãos “Pelo Direito a Nascer”, organizado pelo Núcleo de Estudantes Católicos da Faculdade de Direito de Lisboa. Centenas de pessoas estiveram presentes e ouviram dizer, entre outras coisas, que a actual lei do aborto é inconstitucional.

Para a semana não deverá haver mails. Na segunda-feira viajo para Estrasburgo, onde acompanharei a visita do Papa ao Parlamento Europeu. Poderão acompanhar tudo na Renascença.

Wednesday, 12 November 2014

Do Burke ao Burkina Faso, passando pelos arameus

Futuro presidente do Burkina Faso?
Não queriam mais nada, não?!
Peço desculpa pela minha ausência, mas nos últimos dois dias estive no terreno a fazer reportagens por causa da legionella.

Mas o mundo da religião não parou! No fim-de-semana confirmou-se a dança de cadeiras no Vaticano, com a saída prevista do Cardeal Burke, herói dos conservadores.

No domingo começou a semana de oração pelos seminários. Fomos conhecer o seminário do Porto e a história do homem que confundiu liberdade com libertinagem até que uma “queda de cavalo” o projectou para o seminário.

O Papa recordou o fim do muro de Berlim no Domingo e esta quarta-feira rezou também pelos estudantes mexicanos que, tudo indica, foram assassinados de forma grotesca.

Na segunda-feira Francisco criou uma nova estrutura para lidar com recursos de casos de abusos sexuais e outros, muito graves.

Não é o Cardeal Burke, mas o Cardeal do Burkina Faso. É popular no seu país e por isso ofereceram-lhe a presidência. Ele agradece, mas diz que não está interessado.

A fé e a ciência são incompatíveis? O vencedor da medalha Carl Sagan de 2014 acha que não. Deve saber, porque para além de ser astrónomo é jesuíta. Quem também acha que não é Robert Royal, do The Catholic Thing, que no interessante artigo desta semana explica porque é que os católicos nunca rejeitaram a ciência e a razão.

Israel reconheceu uma nova etnia entre os seus cidadãos. Os poucos que se consideram “arameus” são todos cristãos. Mas a decisão está a ser encarada como polémica. Estará Israel a tentar dividir a comunidade árabe?

E por falar em cristãos no mundo árabe, temos a transcrição integral da entrevista que fiz a semana passada ao arcebispo libanês Issam Darwish, que fala da situação política e social dos cristãos no seu país, incluindo as alianças partidárias com o Hezbollah. A notícia original está aqui.

Termino com um convite. Quem estiver interessado em fazer a consagração total a Nossa Senhora pode fazê-lo em Lisboa ou em São João do Estoril. Já não vão a tempo da primeira reunião, mas quem sabe diz-me que isso não deve ser impeditivo.

Datas previstas para a Paróquia de S.Pedro
e S.João do Estoril (sábado às 15h30)
08 nov
13 dez
10 jan
14 fev
14 mar
11 abr

Datas previstas para a Basílica 
dos Mártires (Chiado) – (5ªfeira às 19h00)
13 nov
18 dez
15 jan
19 fev
19 mar
16 abr

Tuesday, 19 November 2013

Sentamu-nos

O homem gravemente desfigurado que foi abraçado pelo Papa há poucas semanas falou à imprensa italiana da importância que aquele momento teve para ele, realçando que o Papa o abraçou sem saber se era contagioso ou não.

Entretanto em Inglaterra os bispos anglicanos têm de decidir entre a evangelização ou a fossilização, considera Sentamu. O ex-arcebispo de Cantuária admite que a extinção também é uma hipótese…

Dois golpes terroristas no mundo árabe esta manhã. No Líbano um duplo atentado abalou a embaixada do Irão, provavelmente levado a cabo por sunitas. Já na Somália os militantes do Al-Shabaab invadiram uma esquadra policial, fazendo pelo menos 10 mortos.

Aproveito para divulgar um evento que tem lugar esta semana no Darca, em Lisboa: Graça Franco, Henrique Leitão (Faculdade de Ciências) e a Marta Mendonça (FCSH-UNL e UCP), encontram-se na quinta-feira, 21 de Novembro, pelas 19h para discutir o tema: “Ano da Fé: apanhar a onda!”

Wednesday, 30 October 2013

Escutas no Vaticano e São João de Brito goes Bollywood!

Confirma-se existência de
escutas no Vaticano
O santuário de São João de Brito, em Oriyur, na Índia, vai produzir uma curta-metragem sobre a vida do santo português. Na reportagem vídeo podem ver mais sobre a vida do santo, o santuário e até a minha linda cara!

Os americanos também andaram a escutar o Vaticano? Uma revista italiana diz que sim, a Santa Sé diz que se está nas tintas

Esta manhã o Papa Francisco convidou a rezar pelo Iraque. Será que isso foi escutado em Washington?

O manuscrito da terceira parte do segredo de Fátima vai ser exposto publicamente na Basílica da Santísisma Trindade, a partir de final do mês de Novembro.

Passamos agora para o Médio Oriente onde no Líbano o chefe dos serviços secretos do Líbano afirma que está a ser negociada a libertação dos bispos sírios raptados em Abril. Leia para saber como eles se tornaram parte de um jogo muito complexo de interesses regionais.

Já no Cairo a polícia carregou sobre estudantes da universidade islâmica de Al-Azhar e, da Arábia Saudita vem uma “fatwa” a proibir as viagens para Marte.

Hoje é dia de novo artigo do The Catholic Thing. Brad Miner analisa a diferença entre humildade e miserabilismo: “Sem qualquer desrespeito pelos trabalhadores franceses que fizeram o Renault de que o Papa gosta, mas tanto quanto sei de carros, os feitos pela Mercedes, a marca admirada por Bento XVI, são melhores”, considera.

Tuesday, 24 September 2013

Síria – Quem apoia quem?

A situação na Síria está mais complexa que nunca. Aqui pretendo elencar as diferentes partes interessadas, tanto internamente como externamente, para benefício dos leitores que estão por fora do assunto.

Internamente:

Sunitas: Os muçulmanos sunitas são a maior percentagem de sírios. Actualmente a esmagadora maioria dos rebeldes são sunitas, incluindo vários grupos de militantes que vêm de fora do país para combater a ditadura de Bashar al-Assad. Contudo, isto não é o mesmo que dizer que todos os sunitas apoiam os rebeldes. A família Assad estabeleceu uma série de alianças complexas, sobretudo com as classes mercadoras de sunitas nas principais cidades da Síria. O grão-mufti, supostamente o líder espiritual dos sunitas na Síria, é um acérrimo apoiante de Assad. Ainda há sunitas influentes no regime, mas é curioso notar que praticamente todos os militares e políticos que abandonaram o regime, desde o início da guerra, são sunitas.

Alauítas: Os alauítas são um ramo do Islão Xiita e na sua quase totalidade apoiam o regime de Assad que é, ele mesmo, um alauita. Numa região em que a fidelidade à tribo ou à religião é muito importante, é com naturalidade que a maioria dos alauitas começou por apoiar Assad, mas há um outro factor muito importante a ter em conta. É que os alauitas não passam de cerca de 12% da população, apesar de terem, desde a ascensão da família Assad ao poder, um poder desproporcional, dominando as Forças Armadas e os aparelhos do Estado. Neste momento existe um enorme medo, fundamentado, de que a subida ao poder dos sunitas resulte em vinganças sobre os alauitas. É um ciclo vicioso, quanto mais os alauitas o temem, mais duramente lutam e mais aumenta a possibilidade de vinganças, como aliás até já tem acontecido em diversas ocasiões nas zonas controladas pelos rebeldes.

Cristãos: São o terceiro maior grupo religioso do país, apesar de estarem divididos em diversas confissões, ortodoxas e católicas. Os cristãos tendem a ser bem educados e ocidentalizados, contudo na esmagadora maioria não apoiam os movimentos democráticos que combatem Assad, precisamente porque têm medo de que no final não seja a democracia que resulte da queda do regime, mas sim um Estado islamista onde eles se tornem cidadãos de segunda e sejam perseguidos, como tem acontecido no Egipto e no Iraque. Contudo, apesar de, tendencialmente apoiarem o regime, os líderes cristãos têm sido firmes em impedir que os seus fiéis se juntem a milícias pró-regime, apelando sempre a uma solução sem recurso às armas. Há, como é evidente, cristãos a servir nas forças armadas, como quaisquer outras religiões.

Druzos
Drusos: O quarto grupo religioso na Síria, os drusos são relativamente poucos, tendem a viver concentrados nas mesmas áreas e, por regra, tendem a ser cidadãos leais aos países em que vivem (Síria, Líbano e Israel). Neste caso os drusos têm-se mantido bastante à parte da revolta, não se querendo associar nem a um lado nem a outro.

Curdos: Os curdos não são um grupo religioso, mas sim étnico, na esmagadora maioria muçulmanos sunitas. Contudo, os curdos estão mais interessados em aumentar a sua própria autonomia. Por isso, estão dispostos a lutar contra qualquer grupo que sintam ser uma ameaça. Combateram ao lado dos rebeldes de início mas, quando chegaram grupos islamistas que quiseram impôr-lhes a sua versão do Islão, lutaram contra eles também. Os casos mais recentes de tensão levaram o curdistão iraquiano a ameaçar intervir para proteger os curdos na Síria.

Externamente:

Hezbollah: Antes de entrar pelos países, há que ver o Hezbollah, o principal partido e força armada do Líbano. O Hezbollah é um partido xiita, fortemente apoiado e armado pelo Irão. As armas iranianas chegam ao Líbano através da Síria, que fecha os olhos ao tráfego. Por isso o fim do regime de Assad poderia ser desastroso para o Hezbollah. O partido sempre apoiou Assad mas, mais recentemente, os seus soldados entraram em força na Síria para combater ao lado das tropas sírias. Os dirigentes do Hezbollah mandaram também aos militantes do Hamas, o movimento islamista na Palestina, deixar de apoiar os rebeldes. O Hamas é sunita mas depende muito do Hezbollah para apoiar a sua luta contra Israel.

Líbano: O Líbano é o país com maior diversidade de religiões e grupos étnicos. Os xiitas, como já vimos, apoiam o Assad, mas os sunitas tendem a apoiar os rebeldes. Isto já levou a conflitos no Líbano e muitos temem que todo o país se desestabilize e volte a guerra civil dos anos 80. Os cristãos, que formam cerca de 40% da população, tanto quanto me tem sido possível perceber ao longo destes dois anos, não sentem grande afinidade pelos seus correligionários na Síria e guardam ainda grandes ressentimentos pela ocupação do seu país por parte da Síria durante longos anos.

Irão:  O Irão é a grande potência xiita do mundo islâmico e está constantemente envolvido num braço de ferro com os países de maioria sunita, para ganhar influência na região. A queda de Saddam Hussein foi uma bênção para o Irão, pois permitiu à maioria xiita ganhar o poder naqueles país, mas a queda de Assad seria uma derrota. Por isso o Irão tem feito tudo para apoiar Assad e tentar manter a Síria na sua esfera de influência.

A manutenção do regime também é importante para o Irão conseguir enviar armamento para o Hezbollah, no Líbano.

Iraque: Durante muitas décadas o Iraque era dominado pelo regime de Saddam Hussein que priviligiava a minoria sunita (cerca de 40%) e reprimia a maioria xiita (cerca de 60%). Desde a queda desse regime os xiitas ganharam o poder e o país tem-se visto mergulhado numa terrível onda de violência entre as duas comunidades. Essa violência acalmou nos últimos anos, mas a crise na Síria veio reacender a rivalidade e este ano os níveis de mortandade voltaram aos de 2006.

Do Iraque têm partido ondas de voluntários para a Síria. Xiitas para combater pelo regime, sunitas para combater pelos rebeldes. Quanto ao Governo, não tem criado grandes ondas, talvez para não desestabilizar ainda mais o país, mas tenderá a apoiar Assad. O Iraque é um país através do qual o Irão faz chegar armas à Síria, e também ao Hezbollah, através da Síria.

Turquia: Durante anos a Turquia esteve virada para a Europa, na esperança de conseguir entrar na União Europeia. À medida que essas esperanças arrefecem, e sobretudo depois do começo da Primavera Árabe, os turcos perceberam que podiam tornar-se uma das grandes influências no Médio Oriente e no mundo islâmico.

Sendo um país de maioria sunita, os turcos colocaram-se ao lado da oposição, a quem dão cobertura, permitindo que as chefias se organizem, treinem e reúnam em território turco.

Arábia Saudita: Tal como a Turquia, a Arábia Saudita também quer ser uma das grandes influências no Médio Oriente. Os sauditas julgam-se guardiões da ortodoxia islâmica, são exclusivamente sunitas e odeiam o Irão, que para além de xiita não é sequer árabe, mas persa. Por isso os sauditas têm todo o interesse em apoiar os rebeldes para acabar com um regime “herético” e aumentar a esfera de influência sunita na região. Contudo, os sauditas também temem o aumento da influência dos grupos mais fanáticos dos rebeldes, pois internamente tem problemas com islamistas que consideram que o regime saudita é corrupto e foge à essência do Islão.

Israel: A posição de Israel é, no meu entender, um pouco mais difícil de explicar. Historicamente Israel tem estado em conflito com a Síria, sobretudo por causa da região fronteiriça, que Israel ocupou depois da guerra dos seis dias. Várias vezes os israelitas bombardearam a Síria para destruir o que consideravam ser o começo de construção de instalações nucleares e de facto ninguém em Israel morre de amor por Assad.

Mas por outro lado, imagino que os israelitas também estejam preocupados com o regime que o possa substituir, pois uma Síria islamista seria uma maior dor de cabeça na fronteira com Israel do que o regime de Assad que, para além de retórica, raramente incomodava.

Por outro lado, o fim do regime poderia acabar com o fornecimento de armas por parte do Irão ao Hezbollah, enfraquecendo aquela que tem sido a maior espinha no lado de Israel na última década.
Friamente diria que aos israelitas interessa sobretudo que o país se mantenha no caos o máximo tempo possível, pois enquanto aquela guerra continuar a maior parte dos inimigos de Israel tem mais com que se ocupar do que atacar o estado judaico.

Egipto: A posição do Egipto em relação à Síria alterou-se 180º com a queda do regime apoiado pela Irmandade Muçulmana. Os islamitas apoiavam os rebeldes, mas o novo regime militar, que detesta a Irmandade, cortou com todo esse apoio. O apoio egípcio era importante para a oposição, uma vez que aquele país é uma espécie de farol para o mundo islâmico sunita. A posição do Egipto assemelha-se, por isso, ao da Argélia, que apesar de ser sunita, apoia o regime sírio porque não quer encorajar movimentos semelhantes no seu país.

Rússia: Mais que tudo a Rússia quer mostrar que continua a ser uma grande potência, com influência a nível mundial. Ao contrário dos americanos, que apoiaram algumas das ditaduras que depois vieram a criticar, Putin quer mostrar que é leal às suas alianças, e a Rússia, de facto, é aliada da Síria há muitos anos. Os russos têm uma base naval na Síria e querem também defender esses interesses, para além de esta ser mais uma oportunidade para se oporem aos EUA, ainda por cima, até agora, com considerável sucesso.

Há, contudo, alguns factores religiosos que entram em jogo também. Sendo a maioria dos cristãos sírios de igrejas ortodoxas, esta é uma oportunidade para os russos poderem armar-se em defensores mundiais da ortodoxia, com o argumento de que uma vitória dos rebeldes seria má para os cristãos.
Por outro lado, os russos têm muitas dores de cabeça com grupos islamistas nas suas regiões orientais e quer tudo menos uma vitória islamista na Síria para dar força a esses grupos.

John Kerry
EUA: Por regra, os Estados Unidos têm apoiado sempre os movimentos revolucionários nestas ditaduras árabes. É por isso natural que o façam novamente na Síria. Mas apesar disso, o apoio tem sido pouco mais do que da boca para fora e tem havido enorme relutância em meter tropas no terreno.

Mais recentemente Obama disse que a utilizaçção de armas químicas seria algo inaceitável, que levaria a uma intervenção. Em Agosto os EUA e grande parte da comunidade internacional concluíram que o regime tinha de facto usado armas químicas contra a sua própria população.

A resposta da Administração Obama, contudo, tem sido um total fracasso. O Presidente começou por dizer que era urgente fazer alguma coisa, mas decidiu submeter a proposta de atacar a Síria ao Senado e depois ao Congresso. Isso é um processo que leva semanas, portanto logo ali verificava-se a estranha situação de Obama dizer algo do género: “Vamos atacar, se nos deixarem, talvez, daqui a muito tempo”, dando oportunidade para Damasco se preparar e bem.

Depois houve a aparente gaffe de John Kerry que, questionado se havia alguma coisa que Assad pudesse fazer para mudar a opinião do regime, disse, aparentemente sarcástico, que só se ele entregasse as armas à comunidade internacional. Os russos aproveitaram para apresentar formalmente essa proposta e Assad, evidentemente, aceitou, retirando ainda mais legitimidade a um ataque americano.

Perante isto, Obama foi à televisão pedir ao Congresso para adiar a votação e dizer que então os Estados Unidos esperariam para ver se de facto era possível essa outra solução, entregando de bandeja o iniciativa aos russos.

Há quem diga que, sabendo que ia perder a votação no congresso, a gaffe de Kerry tenha sido propositada para abrir uma porta de saída de toda a situação, sem que Obama passasse uma vergonha interna ou fosse forçado a entrar numa guerra que a que a esmagadora maioria da população se opõe.

Monday, 18 March 2013

Primavera em Roma, tensão no Médio Oriente

Penso que no oficial a estrela e
a flor de nardo são douradas...
Realiza-se amanhã a missa de inauguração do pontificado do Papa Francisco (e não a entronização, que será mais tarde). Quem quiser pode ir ao auditório do Colégio São João de Brito e lá assistir à transmissão da celebração, a partir das 08h00. A Renascença fará de lá uma transmissão especial que pode ser acompanhada com imagem através do site.

Entretanto hoje foi divulgado o brasão do novo Papa, que é essencialmente igual ao seu brasão de bispo, mas adaptado ao pontificado.


Ontem foi o primeiro Angelus. Estavam milhares de pessoas em São Pedro, incluindo vários portugueses.

Mudando de ares, mas ainda no Cristianismo. Há tensão entre ortodoxos. A Igreja Grega de Antioquia ameaça mesmo romper comunhão com a de Jerusalém.


E paz é coisa que já não há no Tibete há muito tempo. Mais um monge imolou-se pelo fogo este fim-de-semana.

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