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Friday, 18 August 2023

D. Rui Valério não é cardeal, a ponte pedonal também não será

O novo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, publicou uma bonita mensagem para os fiéis do Patriarcado, que vale a pena ler.

Esta é uma boa ocasião para recordar a todos que D. Rui Valério não é o Cardeal-Patriarca de Lisboa!!

Entretanto esta semana tivemos uma trapalhada de uma situação, quando as Câmara se Loures e de Lisboa anunciaram que iriam chamar à ponte pedonal sobre o Trancão “Ponte Cardeal D. Manuel Clemente” e logo surgiu uma petição a denunciar esse gesto como um desrespeito pelas vítimas dos abusos. Depois surgiu uma petição contrária e por fim D. Manuel pediu para que se abandonasse a ideia, pois não queria estar no centro de divisões. Pensei bastante escrever sobre este assunto, nomeadamente sobre como os anticlericalismos acabam sempre por assumir os piores vícios das religiões, nomeadamente o puritanismo extremo, mas talvez fique para outra altura. Partilho antes este texto do meu amigo José Maria Duque, que revela bem porque é que este rasgar das vestes dos “activistas cívicos” é cínico e hipócrita. Leiam.

A semana passada escrevi um bonito texto a agradecer a todos os que tornaram possível a JMJ em Lisboa, e ajudaram a fazer daqueles dias uma graça tão grande. Depois, obviamente, esqueci-me de o incluir no newsletter. Mas partilho-o agora.

Leiam aqui sobre os projectos em curso para tentar reavivar a Igreja na Terra Santa; e aqui sobre o mais recente episódio de violência anticristã no Paquistão.

Também a semana passada publiquei um artigo no The Pillar que pretende ir ao fundo da “polémica” das tendas eucarísticas na missa final da JMJ, e das píxides usadas noutra missa. Podem ler aqui.

Têm ainda para ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, que sendo sobre o processo de “reavivamento eucarístico” em curso nos EUA, toca também na JMJ uma vez que questiona a utilidade deste género de mega-eventos. Eu disse questiona, não disse arrasa nem critica. Leiam para verem por vocês as conclusões de Stephen P. White.

Friday, 14 April 2023

Quando pensamos que Deus está a dormir, afinal está no Ruanda

Espero que tenham tido uma Santa Páscoa! Para mim, o ponto alto foi poder ouvir de novo o Precónio Pascal cantado durante a vigília de Sábado.

O mail da semana passada tinha como título “Para alguns cristãos toda a vida é uma Sexta-feira Santa”. Na altura ainda não sabia que na Nigéria, em plena Sexta-feira Santa, um novo ataque a um campo de deslocados de maioria cristã fez dezenas de mortos. É uma situação de desespero a que se vive naquele país, sem fim à vista.

Onde está Deus nestes momentos de horror? A resposta, por vezes, só é compreensível anos mais tarde. Leiam esta entrevista feita a um padre ruandês que acompanha e ajuda a reintegrar na sociedade reclusos que foram condenados por participar no genocídio contra os tutsis. No Ruanda existe um ditado: “Deus passa os dias noutros países, e vem passar a noite ao Ruanda”, mas este sacerdote garante que hoje pode dizer que “Deus estava com os seus filhos sofredores, com os justos perseguidos, sinal da vitória da vida sobre a morte, sinal da esperança num futuro melhor em Jesus Cristo”.

Como já devem ter percebido, o podcast Hospital de Campanha está em hibernação. Em larga medida por falta de tempo, não temos gravado novos episódios. Mas a Renascença acaba de anunciar um novo podcast de assuntos religiosos que estreia amanhã. Fiquem atentos.

A questão dos abusos parece ter caído da agenda mediática, mas isso não significa que tenha perdido importância, e tenciono ir acompanhando o assunto. Entretanto no final do mês será entregue a lista de alegados abusadores dos institutos e ordens religiosas, portanto podemos esperar novo interesse dos meios de comunicação. Vale a pena ler esta entrevista ao padre Pedro Fernandes, provincial dos Espiritanos e vice-presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal sobre este assunto.

A semana passada chamei atenção para uma série de reportagens de José Pedro Frazão sobre a fé na linha da frente na Ucrânia. Entretanto foi acrescentada uma importante entrevista com o responsável da Cáritas da igreja latina na Ucrânia, mais reportagens de Zhaporizhzhia e de Kharkiv. Está tudo aqui.

Uma simpática leitora chamou-me atenção a semana passada por não ter feito referência à homilia do Patriarca D. Manuel na missa crismal, em que ele assume que foi a última vez que presidia à celebração na qualidade de Patriarca. Foi de facto um lapso da minha parte. Não só a homilia é bonita, como a referência, não surpreendente, é importante. Deduz-se que para D. Manuel ter dito tal coisa é porque já recebeu alguma garantia de que a sua renúncia vai ser aceite, provavelmente logo a seguir à JMJ. Já no Domingo de Páscoa o Patriarca assumiu também que a crise dos abusos foi a mais difícil dos seus dez anos no cargo.

E para terminar, não percam o artigo desta semana do The Catholic Thing. Randall Smith questiona movimentos como o “Caminho Sinodal” da Alemanha, que considera existirem apenas como caprichos de uma elite aburguesada, com a agravante de minarem as próprias fundações daquilo que pretendem avançar, a justiça social.

Thursday, 9 March 2023

A solução? Fechem a CEP e a Comissão numa sala para conversar

É verdadeiramente triste o que está a acontecer. Depois de um ano em que a Comissão Independente esteve a trabalhar e todos os sinais que chegaram foram sempre de cordialidade e excelentes relações com o episcopado, de um momento para o outro tudo descambou.

Correm versões aparentemente contraditórias, acusações de mentira, lamentos, e nada disto contribui para a dignificação dos bispos, ou dos membros da Comissão Independente, e certamente nada contribui para melhorar a confiança na Igreja enquanto instituição ou a situação das vítimas de abusos que de facto ocorreram.

No centro desta questão está a famosa lista dos 100 padres. A lista foi entregue aos bispos, cada diocese recebeu os nomes que a si diziam respeito.

Seguiu-se a confusão que já se sabe, com D. José Ornelas a protagonizar uma conferência de imprensa em que conseguiu a proeza de dizer quase tudo ao contrário do que devia ter feito e a dar uma ideia inicial de que os bispos estavam a arrastar os pés e não queriam afastar preventivamente os padres na lista.

A situação foi agravada pela resposta de D. Manuel Clemente, no domingo seguinte, quando lhe perguntaram sobre a suspensão preventiva, adensando a confusão e reforçando a ideia de que os bispos iam meter a lista na gaveta. Já expliquei que claramente não era isso que ele queria dizer, embora continue sem perceber porque é que o Patriarcado não esclarece o assunto.

Passaram-se entretanto pelo menos cinco dias em que apenas uma diocese mostrou alguma transparência sobre a lista, com o bispo do Funchal a esclarecer que recebeu quatro nomes, um dos quais não é conhecido na diocese e outros três já não exercem qualquer cargo.

Depois temos a própria questão dos nomes. Os bispos dizem que só receberam nomes “em seco”, sem qualquer contexto. A Comissão diz que não, que os bispos têm a informação de que precisam. Nesta aparente contradição, parece-me que ambas as possibilidades podem ser verdade. Nalguns casos, certamente as dioceses já têm informação sobre os nomes, mas noutros muito claramente não têm. Tomando o caso do Funchal, como é que a diocese pode ter acesso a mais informação sobre um padre que ou não existe, ou está mal identificado?

O primeiro problema esteve na forma como os bispos reagiram à recepção dos nomes. Estavam à espera de mais dados, mas em vez de dizerem claramente que tudo iriam fazer para obter a informação necessária e averiguar cada caso, enfatizaram as dificuldades processuais. Aos poucos começamos agora a ver alguma luz no fundo do túnel, com cada vez mais dioceses a publicar comunicados e a esclarecer exactamente o que é que a sua lista contém e o que têm feito.

Mas à medida que esses dados são revelados, a imagem da própria comissão também fica afectada, sabendo que uma grande percentagem dos nomes correspondem a padres que já morreram, que não são conhecidos ou que já não exercem e por isso estão fora da alçada da Igreja. Há ainda casos de padres que já têm processos a decorrer ou que já tiveram e foram concluídos. Só uma pequena minoria, por enquanto é que são casos novos e que podem ser afastados preventivamente.

Aqui encontram toda a informação sobre o que se vai sabendo da lista, sistematizada.

O que nos leva a fazer uma pergunta evidente. Para a Comissão Independente qual é exactamente o critério que foi usado para “activo”? Não há nenhuma forma de justificar a inclusão de um padre morto numa lista de abusadores activos. Um ou dois casos, por lapso, ainda se compreende, ou poderia ter acontecido um padre morrer desde que a lista foi elaborada, mas todos os padres que até agora se sabe que já morreram estão mortos há vários anos, incluindo num caso há 60 anos. O que é que esses nomes estão lá a fazer?

Mas mesmo em relação aos vivos, o que é que é suposto um bispo fazer em relação a um homem que já passou ao estado laical, não estando por isso sujeito a qualquer supervisão eclesial ou processo canónico e se calhar nem vive em Portugal? Obviamente não pode fazer nada.

E depois temos os casos – pelo menos um já confirmado – de padres que não podem, nem devem ser suspensos, uma vez que já foram investigados por estas alegações e concluiu-se que não existe matéria para os acusar, ou então foram acusados e ilibados, ou mesmo, como poderá acontecer, que foram acusados e condenados a outras penas que não a remoção do estado clerical. A excepção será se emergirem novas informações que permitam reabrir os processos, mas caso não existam, nada mais haverá a fazer.

Por fim – e ainda não foi revelado nenhum caso, mas é natural que exista – pode haver nomes nas listas de padres que já estão afastados do exercício do sacerdócio precisamente porque já estão sob investigação.

Olhando para os números de que já dispomos, a proporção de padres afastados cautelarmente é menor do que 18%, pelo que numa lista que contém pouco mais de cem nomes, talvez possamos contar com uma vintena de casos de novos afastamentos cautelares – claro que isto vale o que vale. Por outro lado, a continuar a este ritmo, cerca de 40% dos padres na lista já terão morrido, o que me parece chocante e revela um trabalho mal feito pela Comissão Independente neste campo.

Qual é a conclusão que podemos tirar daqui? É que os bispos e a Comissão Independente têm de voltar a falar. Os bispos têm de parar de se escudar no facto de só terem listas de nomes a seco, e fazer como pelo menos duas dioceses já fizeram, contactando a Comissão e pedindo mais dados. Não me parece complicado. E a Comissão tem de parar de insistir que os bispos já têm todos os dados quando muito claramente não têm e a própria Comissão mostrou não conseguir fazer uma lista em condições.

Fechem-se numa sala, conversem o tempo que for preciso e no final dêem uma conferência de imprensa conjunta em que explicam como é que as dioceses e a comissão vão ultrapassar as dificuldades que surgiram com esta lista.

Nem é uma questão de salvarem a própria face. Há 500 pessoas que estão a olhar para isto e esperam ver as suas histórias e as suas denúncias valorizadas. Mas há muitas outras, só Deus sabe quantas, que ainda não encontraram a coragem de denunciar as suas situações e que estão a ver se tudo isto vale a pena, ou se é uma futilidade. Essas pessoas merecem que vocês se orientem e que lhes dêem a esperança de que as suas histórias e experiências podem ser valorizadas. Por elas, por favor, façam esse esforço.

Friday, 24 February 2023

Vigílias em Lisboa e retransmissores de Moscovo

Por mais que alguns estejam fartos, o grande tema continua a ser o Relatório da Comissão Independente. Ontem houve vigílias em vários pontos do país em que os católicos oraram em silêncio pelas vítimas, pela Igreja e pelos padres. O Patriarca de Lisboa esteve na vigília em Lisboa.

Antes disso D. Manuel Clemente celebrou missa de Quarta-feira de Cinzas e sublinhou que nesta questão dos abusos “não podemos falhar de modo algum”, utilizando ainda os termos “tristeza, vergonha, arrependimento”.

Como é que a Igreja deve receber os dados constantes deste relatório? Que leitura deve fazer de algumas das suas conclusões? O que vem a seguir? Foi sobre isso que conversei com o Octávio Carmo, jornalista da Ecclesia, no episódio da semana passada do podcast Hospital de Campanha. Se este assunto vos interessa – e se não interessa, devia interessar – ouçam esta conversa, mesmo!

Estive também no programa da Agência Ecclesia que foi para o ar na Sexta-feira passada a falar desta questão, desta vez com o Pedro Gil, do gabinete de imprensa da Opus Dei. Podem ver aqui.

A informação constante do relatório já me permitiu actualizar o post em que elenco todos os casos de abusos – ou alegados abusos – que houve em Portugal nas últimas décadas e já sabem que podem sempre consultar a cronologia que mantenho sobre este assunto desde 2012, e que também vai sendo actualizada.

Se acham que eu levo muito na cabeça por escrever sobre a questão dos abusos, então nem imaginem a porrada que às vezes levo pelas minhas posições críticas que assumo em relação à Igreja Ortodoxa Russa e o seu papel na guerra da Ucrânia, nomeadamente do seu Patriarca. Foi por isso com algum espanto que ontem li num artigo de opinião no Observador que há quem me considere “responsável por retransmitir a voz da Igreja Ortodoxa de Moscovo para o mundo católico”. Isto a propósito da minha recente entrevista ao bispo da Igreja Ortodoxa Russa para Portugal e Espanha, que entretanto foi publicada em versão portuguesa no Expresso. Já enviei para o Observador um curto artigo de esclarecimento, que espero poder partilhar convosco para a semana.

Deixo-vos, por fim, com o artigo desta semana do The Catholic Thing, em que John M. Grondelski explica porque é que mandamos celebrar missas pelos defuntos. Um artigo que vem mesm
o a calhar para uma altura em que começamos a caminhada quaresmal.

O que me leva à seguinte questão… Santa Quaresma para todos. Que seja um período de aprofundamento espiritual! Até para a semana, se Deus quiser.

Tuesday, 2 August 2022

Patriarcado de Lisboa sem direito a Silly Season

Costuma-se dizer que os meses de Verão são “silly season”, em que há escassez de notícias “sérias”. No que diz respeito à Igreja, isso não tem correspondido à verdade.

Em Portugal tem reinado o tema dos abusos sexuais. A acrescentar aos dois casos de que falei no último mail, ressurgiu um caso que radica dos anos 90 e que colocou o Patriarca sob alguma pressão, por não ter comunicado o caso às autoridades.

Estes três casos levantam algumas questões, que abordei neste artigo, deixando também algumas pistas com o objectivo de contribuir para o esclarecimento e melhor abordagem da questão em Portugal.

Hoje publiquei outro artigo no blog, em que analiso um pouco não o artigo que deu origem à mais recente polémica, mas sim a campanha que tem sido feita em torno do Patriarca que parece ter como objectivo pressioná-lo a demitir-se. A meu ver é uma campanha injusta e em nada beneficiaria as vítimas ou a melhoria da situação.

Entretanto tivemos hoje nova polémica, com o Patriarcado a informar que um padre foi suspenso depois de ter sido acusado de violação de uma mulher, maior de idade. A existência e o conteúdo do comunicado parecem indicar que o Patriarcado está a aprender com erros do passado e a apostar numa maior transparência.

E enquanto tudo isto se passava em Portugal, o Papa Francisco esteve no Canadá numa visita que marca uma nova etapa na relação da Igreja com abusos de toda a natureza que foram cometidos contra pessoas vulneráveis. Uma viagem que constitui um “passo fundamental rumo à reconciliação”, diz um bispo canadiano.

Tendo estado num campo de férias a semana toda, não pude acompanhar a viagem como gostaria, mas recomendo este resumo feito pela sempre brilhante Aura Miguel, na Renascença.

Deixo-vos com os dois artigos do The Catholic Thing que foram publicados desde o meu último mail. O do Pe. Jay Scott Newman é uma resposta a um artigo anterior, que também publiquei no blog. Esse artigo argumentava que sendo bom, claro, o conhecimento das escrituras não é essencial para a vida de um cristão. Newman contrapõe que “quem ignora as Escrituras ignora a Cristo”.

O artigo da semana passada é de David Bonagura, que argumenta que neste momento da vida americana, em que o aborto deixou de ser um direito constitucional, é fundamental o movimento pro-vida demonstrar que não defende que as mulheres – que são sempre vítimas também – sejam julgadas e eventualmente encarceradas por abortar. Vale bem a pena ler.

O Hospital de Campanha está de férias, e volta em Setembro, se Deus quiser, mas podem ouvir episódios antigos aqui.

Monday, 1 August 2022

Ao serviço da verdade ou à procura de escalpos?

O Patriarca de Lisboa está sob grande pressão, por não ter comunicado um caso de abuso de menores às autoridades. É um caso que levanta algumas questões, que já referi aqui.

Contudo, queria escrever um pouco sobre esta campanha que se tem gerado em torno do Patriarca, com muitos a pedir a sua demissão.

A razão pela qual não o fiz mais cedo é porque estive a semana toda num campo de férias católico, a supervisionar uma equipa de 20 animadores que estavam a entreter 60 crianças. E julgo pertinente dizer que todos esses 20 animadores foram obrigados, por ordem do Patriarca de Lisboa, a assistir a uma formação de várias horas sobre protecção de menores. O mesmo se aplicou a todos os animadores de todos os campos de férias católicos no Patriarcado, pelo menos. Desconheço se aconteceu noutras dioceses.

Este é apenas um exemplo, mas é revelador da seriedade com que o Patriarca tem tratado este assunto desde que assumiu funções. Lisboa foi a primeira diocese em Portugal a ter uma Comissão de Protecção de Menores e sabemos que já houve denúncias que estão a ser tratadas. Eu tenho sido crítico sobre alguns aspectos sobretudo ao nível da comunicação e transparência, e sei bem que muita coisa ao longo dos últimos anos tem sido mal feita, mas a questão é que temos no Sr. D. Manuel Clemente uma figura empenhada em melhorar e em tornar a igreja um local mais seguro para as crianças. Não nos podemos esquecer que o encontro entre o Patriarca e a vítima apenas aconteceu porque ele a pediu e, depois de um primeiro adiamento, insistiu nela, precisamente para poder escutar a vítima e ver como podia ajudar no seu caso particular.

O que dizer, então, sobre a reportagem do Observador, que espoletou tudo isto? Há duas vertentes importantes. Primeiro a reportagem. Sobre a reportagem em si, nada a criticar. É um trabalho profissional, que revela um caso que, respeitando ou não as normas da altura, foi mal resolvido. Nesse sentido é uma notícia, e penso que o Observador a tratou bem. Se no artigo ficaram coisas mal explicadas a culpa é em parte do próprio patriarcado, que não terá respondido de forma esclarecedora ao jornalista e depois veio tentar remediar a decisão com comunicados e cartas abertas.

Outra coisa diferente é a campanha que o Observador tem feito em torno da questão, e aí penso que merece críticas. A ideia com que fico – e posso estar a ser injusto – é que o Observador está novamente a tentar armar-se em Boston Globe e a tentar obter um escalpo como troféu.

Já tínhamos visto esta aspiração do Observador aquando da sua série de reportagens sobre abusos, há alguns anos. Na altura fizeram uma campanha extensíssima, a pedir testemunhos em todas as notícias que publicavam, a filmar reuniões de redacção e a apelar a denúncias. O resultado foram várias reportagens extensas e aprofundadas, mas sobre casos já conhecidos, e um caso novo. Pouca coisa para a fanfarra toda.

Agora vemos mais do mesmo. Uma notícia boa, mas depois vendida e explorada de uma forma que trai a própria seriedade do conteúdo.

No meio de tudo isto perde-se o essencial. O importante aqui, como em tudo, é zelar pelo bem das vítimas e evitar, na medida do possível, novos casos. Neste momento parece-me que a demissão do Patriarca – um homem que sempre se mostrou preocupado com este assunto e que, mesmo cometendo erros, tem contribuído muito para colocar as vítimas em primeiro lugar – em nada contribui para o bem das vítimas e o combate ao problema dos abusos em Portugal.

Wednesday, 27 October 2021

Papa no Canadá para acelerar reconciliação

O Papa vai ao Canadá para se encontrar com representantes das tribos que exigem um pedido de desculpas pelo envolvimento da Igreja Católica no sistema de colégios internos que existiam para impor a cultura ocidental às suas crianças, e onde se praticaram abusos e violência em larga escala.

Estamos na Semana dos Seminários. Dizem os responsáveis que os candidatos ao sacerdócio são menos que antigamente, sim, mas de novos meios sociais e culturais.

Começou o processo sinodal em Lisboa. D. Manuel Clemente quer que este e as JMJ avancem em conjunto, sendo que para as JMJ isso pode ser em passo de corrida.

Os bispos do Reino Unido manifestaram-se contra o projeto de legalização do suicídio assistido.

Vivemos num tempo em que acreditamos que o conhecimento é que nos ilumina. Mas haverá conhecimento que nos cega? O padre Paul Scalia acredita que sim e explica porquê neste artigo do The Catholic Thing em português, partindo do episódio do cego Bartimeu.

Wednesday, 20 October 2021

A Liberdade das Crianças e Transfusões Forçadas

O Papa Francisco foi surpreendido esta quarta-feira por uma criança que foi ter com ele durante a audiência geral semanal. Francisco aproveitou o momento para falar da importância daquela liberdade que é muito particular às crianças.

Temos estado a falar nas últimas semanas sobre a questão das transfusões de sangue e Testemunhas de Jeová. Ora, do Brasil chega um caso surpreendente de um tribunal que ordenou que uma mulher recebesse uma transfusão de sangue contra a sua vontade.

Do lado de cá do Atlântico a notícia triste e chocante, mas menos surpreendente, de como a polícia impediu um padre de administrar a unção dos doentes ao deputado David Amess, que foi assassinado na passada sexta-feira.

Vem aí mais uma Caminhada Pela Vida. Este ano a caminhada acontece em dez cidades ao mesmo tempo e conta com o apoio de D. Manuel Clemente e de D. Francisco Senra Coelho.

Nos Estados Unidos existe muita tensão atualmente em torno da lei do aborto, que poderá ser posta em causa num processo que vai ser analisado pelo Supremo Tribunal. O que é que isso significa para o movimento pró-vida? Randall Smith diz que a batalha está apenas a começar e que os ativistas pró-vida devem esperar muitas ameaças e muita hostilidade. Já começou.

Thursday, 17 June 2021

Padre recorda experiência com Covid

Padre Miguel Cabral
O Padre Miguel Cabral, que teve Covid-19 e chegou a estar muito gravemente doente, apresenta esta semana um livro em que narra essa experiência. Saiba mais aqui.

O Patriarca de Lisboa diz que a preparação para a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa está a dar nova vida à pastoral juvenil nas diferentes dioceses.

O Papa Francisco chamou atenção, esta semana, para a necessidade de se dar atenção especial às pessoas com deficiência e aqueles que delas cuidam.

A Cáritas Internacional convida todos a acender uma “vela virtual” em apoio aos refugiados.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing em português. David Carlin analisa a expressão “estar do lado certo da história”, usada com tanta frequência por quem quer impor a sua agenda à sociedade, e conclui que ela não faz sentido algum. Leia mais aqui.

Monday, 23 November 2020

Uma nova economia e símbolos da JMJ em Portugal

Sr. Dr. Presidente
O Papa Francisco entregou este fim-de-semana os símbolos das JMJ a uma delegação de portugueses (e não na semana passada, como eu disse erradamente…). D. Manuel Clemente diz que apesar da pandemia é possível fazer as coisas bem e de forma económica. Em declarações aos portugueses o Papa avisou que nos tornamos aquilo que escolhemos.

A Associação de Médicos Católicos tem um novo presidente. Trata-se de José Diogo Ferreira Martins, cardiologista pediátrico.

Chegou ao fim a Economia de Francisco, uma iniciativa que pôs pessoas de todo o mundo a pensar em alternativas para uma economia mais humana. Aliás, segundo o Papa, o fim-de-semana não marcou o final de uma caminhada, mas um início, num discurso em que pediu que se procurem soluções com os pobres e não apenas para os pobres.

Uma das participantes, Rita Sacramento Monteiro, recusa a diabolização das empresas e diz que estas têm de ser parte da solução e não do problema.  

Mantém-se a situação dramática em Moçambique, com relatos de destruição de uma missão católica e o Parlamento Europeu a mostrar interesse em ouvir o bispo de Pemba sobre o assunto.

Não deixem de ler o artigo da Semana passada do The Catholic Thing em que RandallSmith pergunta se é possível uma universidade ter uma identidade cristã.

Thursday, 6 February 2020

Adivinhem quem voltou!

Nós não queríamos, mas ele vem aí outra vez! De agora até ao dia 20, e nos dias seguintes, provavelmente, não se falará de muito mais do que eutanásia.

Temos tido vários bispos a falar do assunto, e bem. O bispo do Porto diz que seria deplorável o Parlamento decidir esta questão e até admite um referendo para derrotar a eutanásia, ainda que saiba que a vida não é referendável.

O Patriarca de Lisboa diz que a questão não deve ser abordada de ânimo leve.

O bispo de Aveiro diz que esta não é uma questão religiosa.


O cardeal Bagnasco diz que a eutanásia é uma derrota para a humanidade.


Mas temos ainda outras opiniões. O deputado do PS Pedro Cegonho dá três razões pelas quais vai votar contra e os comentadores da Renascença, Jacinto Lucas Pires e Henrique Raposo, também explicam porque são contra a medida.

Mudando de assunto, mas não muito, o artigo desta semana do The Catholic Thing escreve sobre porque é que a Igreja Católica deve ser a melhor a lidar com a morte. Mas é a morte natural, claro! Vale bem a pena ler!

Tuesday, 19 March 2019

Renúncias rejeitadas e tragédias antípodais

D. Maurílio Gouveia
Morreu o arcebispo emérito de Évora, D. Maurílio Gouveia. Rosário Silva faz aqui a sua biografia, Aura Miguel escreveu esta simpática e bonita homenagem e aqui encontram as reacções de D. Manuel Clemente e do bispo do Funchal, a sua diocese de origem.

Mas claro que a grande, e pior, notícia dos últimos dias foi o horrível massacre em Christchurch, na Nova Zelândia. O Papa rezou pelas vítimas. Deixo-vos com esta minha reflexão sobre esse atentado e sobre o papel do Cristianismo nesse fanatismo racial.

O Papa rejeitou a renúncia do cardeal Barbarin, de França, que foi condenado por encobrir casos de abuso.

Por falar em abusos, a diocese de Vila Real suspendeu o padre acusado de ter tido uma relação com uma menor com quem mais tarde viria a ter um filho. Esse dado já foi acrescentado à cronologia de casos de abuso em Portugal, que mantenho aqui.


Friday, 1 March 2019

Américo, o auxiliar

Lisboa tem um novo bispo auxiliar. Por acaso é o meu chefe. O Papa nomeou esta sexta-feira o padre Américo Aguiar para ocupar essa função. O agora D. Américo deixou uma mensagem para Lisboa, dirigida especialmente aos jovens, e outra para o Porto, de onde é natural. Em entrevista à Renascença o novo bispo falou da importância de se monitorizar os media, a bem da democracia.

D. Manuel Clemente elogia as “grandes qualidades” do novo bispo e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa acha que ele será um bispo “muito completo”. Até o presidente da Câmara de Lisboa fez questão de saudar a “renovação geracional” que a escolha representa.

Uma das obras mais próximas do coração de D. Américo é a Irmandade da Torre dos Clérigos, cujo restauro ele supervisionou e que muitos dos que comentaram a sua escolha destacaram.

Mudando radicalmente de assunto, os padres portugueses sagraram-se novamente campeões europeus de futsal. A sério malta, já podiam começar a dar oportunidades aos outros…

E já começaram a sair as mensagens de Quaresma! Conheça aqui a do seu bispo, caso já tenha sido divulgada.

Deixo-vos ainda com esta entrevista ao Joaquim Galvão, que quer implementar o dia do Perdão e da Reconciliação, a 1 de Março. Uma excelente iniciativa.


Wednesday, 20 February 2019

Parte do problema e parte da solução? É do melhor que há


D. Manuel Clemente partiu hoje para Roma para participar na cimeira sobre abusos sexuais. Diz que os bispos foram parte do problema, agora querem ser parte da solução.

Há quem não saiba (incluindo os autores do kit de imprensa da Santa Sé. Ver imagem) mas Portugal já tem directrizes para lidar com estes casos desde 2012 e, segundo um especialista, “são do melhor que há”. Outras diretrizes que são consideradas um modelo a seguir são as inglesas, que são até mais duras do que a lei vigente no Reino Unido, mas não impedem que continue a haver problemas.

Esta é uma boa oportunidade para recordar que no blog vou mantendo uma cronologia de casos de abusos em Portugal. Podem consultar aqui.

A cimeira termina no domingo e logo na segunda haverá uma reunião entre a comissão organizadora e todos os dicastérios aos quais este assunto interessa.

E o dia hoje começou com notícia de uma carta dos cardeais Burke e Brandmüller a tecer comentários sobre a cimeira, para a qual não foram convocados.

Mudando de assunto (sim, há outros assuntos), o artigo desta semana do The Catholic Thing em português fala de escalada, mais especificamente dos maluquinhos que fazem escalada em modo “livre solo”, isto é, sozinhos e sem cabos de segurança, para tecer algumas conclusões sobre a nossa sociedade. Leitura interessante para todos, incluindo os que, como eu, não são particularmente fãs de escalada.

Friday, 14 September 2018

Monges mártires beatificados e bispos europeus com o Papa

Rogai por nós
Os bispos da Europa estão “completamente com o Papa”, diz D. Manuel Clemente, referindo-se à questão do combate aos abusos sexuais.

Ainda sobre o assunto dos abusos, publiquei na Renascença um artigo de opinião que me parece importante. O choque, horror e revolta são legítimos, mas há um dado importante a ter em conta: as directrizes nos EUA têm estado a funcionar. Isso não é um facto acessório!

O presidente da Conferência Episcopal da Hungria critica o processo que a União Europeia está a mover contra o seu país.

E uma excelente notícia, sobretudo nestes tempos de confusão e incerteza. Os monges de Tibhirine – sobre os quais foi feito o filme “Dos Deuses e dos Homens” – vão ser beatificados ainda este ano!

Wednesday, 27 June 2018

De Tronco para o Trono?

(Clique para aumentar)
É já amanhã que Portugal “ganha” mais um cardeal. D. António Marto junta-se a D. Manuel Clemente, D. Manuel Monteiro de Castro e D. José Saraiva Martins. Destes apenas os primeiros dois são – ou serão – eleitores. Toda a cobertura, já sabe, na Renascença.

Em Tronco, aldeia natal D. António Marto, já se sonha com voos mais altos

Entretanto vão chegando reacções sobre outra nomeação importante, a do padre Tolentino a arcebispo e bibliotecário do Vaticano. D. Manuel Clemente revela-se “muito feliz” com o facto.

O Rei da Jordânia é o vencedor do Prémio Templeton deste ano.

A linha aérea nacional de Israel vai deixar de pedir a mulheres que mudem de lugar nos seus aviões para acomodar judeus ultraortodoxos que não queiram estar sentados ao lado de passageiras.

O movimento pró-vida precisa de se colocar acima das divisões confessionais e políticas se quer ter alguma esperança de obter vitórias duradoras. É a conclusão do artigo desta semana do The Catholic Thing, que todos devem ler.
                          
Termino com um convite a todos os que vivem na zona do Porto, para participarem na procissão do Triunfo, no próximo dia 14 de Julho. O convite está na imagem.

Monday, 12 March 2018

Kabila contra os acólitos

A Igreja no Congo está a fazer frente ao Presidente. O custo é alto, mas a causa é justa, como explica uma fonte que contactei em Kinshasa e que conta histórias de dura perseguição.

O Papa Francisco cumpre cinco anos de pontificado amanhã. Hoje o padre Tolentino recordou o retiro que lhe pregou esta Quaresma e Adriano Moreira elogiou o Papa que reconheceu um mundo de desigualdades. D. Manuel Clemente considera que Francisco é um “grande estímulo evangélico”, mas Francisco continua horrorizado com a situação na Síria.

A semana passada falámos sobre um eventual acordo entre o Vaticano e a China. Falámos com um missionário que lá esteve e que se mostrou céptico, mas hoje trago-vos a opinião de um especialista que se mostra esperançoso.

Conheça o projecto “Short Girl”, que valeu um prémio internacional aos alunos de Educação Moral e Religiosa Católica de Miranda do Corvo.

Os Leigos para o Desenvolvimento estão à procura de voluntários para trabalhar em… Portugal.

Monday, 5 February 2018

Actualidade Religiosa: Bons sons e domadores de unicórnios

Adoro a internet... A sério... 
O Bloco de Esquerda insiste na questão da eutanásia, deixando passar meses atrás de meses para que a palavra e as ideias vão entrando na cabeça dos portugueses até parecerem normais. Agora apresentaram finalmente o projecto de lei. Naturalmente a Associação de Médicos Católicos considera-a inaceitável. A Renascença tomou posição, para que não restem dúvidas, bem como a directora de informação, Graça Franco.

O Papa Francisco recebeu hoje o presidente da Turquia, estiveram reunidos cerca de uma hora e falaram sobre Jerusalém, entre outras coisas. Também convocou uma jornada de oração pela Paz.

D. Manuel Clemente diz que a Universidade Católica desempenha um papel que devia ser reconhecido pelo Estado.


Para quem não ouviu o programa “Voz do Deserto” ontem na Antena 3, podem ouvir aqui em podcast. Eu, o assessor de imprensa da Opus Dei, Pedro Gil e o pastor baptista Tiago Oliveira conversamos sobre religião, música e domadores de unicórnios numa conversa de duas horas, pontuada por bons sons, moderada pelo Tiago Cavaco.

Wednesday, 27 December 2017

Sem Jesus é outra coisa...

Antes de mais, espero que todos tenham tido um excelente e santo Natal e que os cristãos de entre os destinatários destas mensagens se tenham lembrado de que sem Jesus, não é Natal, é outra coisa, como disse hoje o Papa, depois de ontem ter recordado a ligação entre o Natal e o martírio.

D. Manuel Clemente celebrou missa no dia 25, insistindo na comunhão entre os cristãos e D. Jorge Ortiga alertou contra as “falsas esperanças alicerçadas na confiança em ídolos que nos querem vergar”. Antes, D. Manuel tinha alertado para o perigo da eutanásia, na sua tradicional mensagem de Natal, depois de ter recordado que esta prática é inconstitucional e que caso seja aprovada espera uma intervenção do Presidente. A propósito de eutanásia, saibam o que se passa na Bélgica, o país modelo cujo exemplo os defensores da “morte assistida” gostariam que seguíssemos.

O Papa aproveitou a mensagem de Natal para falar da importância de uma solução de dois estados na Terra Santa, com a partilha de Jerusalém e na missa do Galo falou do drama dos refugiados.

Quem teve um Natal mais difícil foi o cardeal Maradiaga, das Honduras, um dos conselheiros próximos de Francisco, que se vê agora envolvido numa polémica sobre dinheiro.

Hoje temos um artigo especial no The Catholic Thing em português. O texto publicado é um excerto de um ensaio do Papa Bento XVI, uma curiosa reflexão sobre o burro e a vaca no presépio. Convido-vos a ler!

Friday, 17 November 2017

Liberdade Religiosa nos quartéis e dia Mundial dos Pobres

Existe liberdade religiosa nas Forças Armadas? Os militares evangélicos têm dúvidas e o assunto foi discutido ontem numa conferência na Academia Militar. Leia e conheça o capelão do hospital das Forças Armadas que só pode trabalhar como voluntário.


Hoje é o primeiro Dia Mundial dos Pobres, mas em muitos sítios a data será assinalada no Domingo. Em Lisboa a Cáritas organiza uma caminhada, em Roma o Papa almoça com 1.500 pobres.

O Papa publicou esta sexta-feira uma mensagem a dizer que visita a Birmânia com uma “mensagem de reconciliação, de perdão e de paz”.

Terminou ontem a reunião plenária dos bispos portugueses. Na conferência de imprensa final D. Manuel Clemente falou sobre a (não) admissão de homossexuais no seminário e do padre madeirense que assumiu ter tido um filho. No campo da educação os bispos têm recados para o Governo.

Decorre no Vaticano um encontro sobre os cuidados no final da vida. O Papa enviou uma mensagem aos participantes, criticando tanto a eutanásia – que é sempre errada – como a distanásia.

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