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Wednesday, 27 September 2023

Tragédia em casamento cristão no Iraque

Mais de 100 pessoas morreram num incêndio que deflagrou durante uma festa de casamento no norte do Iraque, na terça-feira, e outras 150 ficaram feridas.

A tragédia aconteceu na cidade de Qaraqosh, também conhecida como Baghdeda, ou Bakhtida, que tem a particularidade de ser a única cidade 100% cristã do Iraque. Embora existam cristãos de diferentes ritos e igrejas na cidade, este parece ter sido um evento da comunidade Siríaca Católica (e não a ortodoxa, como erradamente afirmei de início).

Um acidente destes é sempre uma enorme tragédia, não há vidas mais valiosas que outras, mas este incidente tem a dimensão acrescida de representar mais um grave golpe contra a comunidade cristã do Iraque.

Qaraqosh sempre foi um símbolo para a comunidade cristã deste país. O facto de serem maioria permitiu aos cristãos daqui manterem as suas tradições e costumes durante os anos de caos que se seguiram à invasão americana de 2003. Podiam praticar a sua religião sem qualquer medo ou restrição.

O primeiro grande teste para Qaraqosh veio com a ascensão do Estado Islâmico. A cidade foi ocupada pelos jihadistas quando varreram a região em torno de Mossul, mas todos os cristãos conseguiram fugir. Contudo, a instabilidade geral e o medo de que a situação se possa repetir no futuro levaram muitos cristãos a preferir emigrar, ou a permanecer no Curdistão Iraquiano, que é mais seguro e estável.

Os cristãos que regressaram a Qaraqosh são aqueles que resistiram, são aqueles que não quiseram, ou não puderam, sair do país. São, numa palavra, a esperança para o futuro do Cristianismo no Iraque.

Que 100, ou mais, dos membros dessa comunidade tenham morrido num acidente desta natureza é mais do que um desperdício de vidas, é um ataque a essa mesma esperança, mais uma razão na já longa lista de razões para simplesmente desistirem e saírem para a Europa, América do Norte ou Austrália, onde de geração em geração os seus costumes, práticas, língua e espiritualidade se vão dissipando.

Rezemos pelos cristãos do Iraque que, mais uma vez, enfrentam o desespero e a morte. Que Deus lhes dê coragem para resistir, que a luz do Evangelho se mantenha naquele país. E que Deus dê eterno descanso às vítimas deste incêndio, e a graça da recuperação aos feridos.

Friday, 7 July 2023

JMJ bem encaminhada e prefeitos menos que perfeitos

Já falta menos de um mês para o início da JMJ em Lisboa. Foram anos de espera e preparação. Em que estado é que as coisas estão? Passei vários dias a recolher informação, que resultou em mais um artigo para o The Pillar. No final admito que fico optimista, leiam para conferir porquê.

E isto foi antes da revelação de um estudo da PWC que estima um impacto positivo do evento para o país de mais de 400 milhões de euros brutos!

Nem todos os jovens do mundo conseguirão vir a Lisboa. No Iraque, os católicos da Igreja Caldeia fizeram o seu próprio encontro perto de Erbil. Falei com uma das participantes sobre a importância deste tipo de eventos para encorajar uma comunidade que já sofreu tanto nos últimos anos.

A mais recente polémica na Igreja Católica é a nomeação de um bispo argentino, muito próximo do Papa Francisco, para prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé. As alas mais conservadoras da Igreja acusam-no de ser demasiado progressista, e inadequado para o cargo. Neste artigo reúno os principais dados que existem sobre ele e os argumentos de um lado e de outro, e recordo que nas últimas décadas os ocupantes deste cargo sempre foram alvo de críticas e de caricaturas que acabam por nunca corresponder à realidade. Saibam mais aqui.

À medida que sai mais informação sobre a situação em Cabo Delgado, mais nos vamos apercebendo da dimensão da tragédia causada por fundamentalistas islâmicos naquela região de Moçambique. O que tinha sido inicialmente descrito como um ataque isolado, afinal foi um massacre que terá causado mais do que as 1300 vítimas entretanto apontadas pelo Governo.

Num belo gesto, o Papa Francisco criou uma comissão para estudar e registar os “novos mártires”. Esta comissão não se limitará aos católicos, mas abrangerá todos os cristãos, seja qual for a sua confissão.

Continua-se a falar do Sínodo para a Sinodalidade. Esta semana que passou, o bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, Athanasius Schneider, escreveu um artigo a criticar o processo sinodal, que foi publicado no The Catholic Thing. Pouco depois o autor Stephen P. White escreveu sobre o mesmo assunto, elencando algumas das críticas, mas explicando porque razão mesmo os mais cépticos não devem descartar à partida um processo que vai certamente marcar o futuro da Igreja.

Wednesday, 1 September 2021

Uma Resposta Cristã à Derrota

Michele Malia McAloon

Retirada ou derrota? Os guerreiros do teclado e os livros de história debaterão esta questão durante décadas. Para a maioria dos americanos a ver o desastre no Afeganistão, esta é apenas uma questão de orgulho nacional, e não um assunto existencial que lhes afecta directamente as vidas. Infelizmente, para a pequena minoria de americanos que opta por combater, põe-se agora a questão de saber se vinte anos de combate contínuo valeram o preço que lhes foi cobrado a eles, às suas famílias e à nação.

Para a maioria dos americanos, a realidade das guerras no Afeganistão e no Iraque foi um fardo suportado por outros. Políticos sem qualquer conhecimento militar e sem filhos a servir nas forças armadas decidiram depressa, talvez irresponsavelmente, por uma intervenção militar. Ao mesmo tempo não houve qualquer apelo à juventude para pegar em armas. Desde o início de ambas estas guerras houve uma atitude generalizada de que esta era a guerra de outros. Certamente não era uma questão de responsabilidade pessoal, nem para os membros da própria família.

Não houve apelos a mobilização popular para plantar comida ou comprar obrigações de guerra, nem de fazer o mais pequeno dos sacrifícios para reconhecer, muito menos contribuir para o esforço de guerra. Em vez disso a política "woke" e as compras é que estiveram na ordem do dia. Palavras de agradecimento pelo serviço dos veteranos soaram a pouco enquanto as candidaturas à universidade, bolsas desportivas e preparação para os exames evitaram que a maioria dos pais considerassem sequer o serviço militar como opção para os seus filhos.

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Desde 2001 quase três milhões de militares serviram nos teatros de guerra que se seguiram ao 11 de Setembro, no Afeganistão e no Iraque. Tristemente, mais de 7.000 militares americanos, a que se acrescentaram agora mais 13, perderam as vidas ao longo de duas décadas da guerra contra o terrorismo. Muitos dos nossos aliados europeus também sofreram baixas pesadas. Mais trágico ainda é o número de soldados que se suicidaram depois de regressar a casa. As feridas psicológicas do stress pós-traumático provaram ser mais mortíferas que o combate em si. Quatro vezes mais veteranos de guerra, mais de 30,177 pessoas, suicidaram-se do que aqueles que morreram em batalha.

Esta guerra foi uma questão familiar. Muitos militares serviram várias missões, passando mais tempo fora do que em casa ao longo das últimas duas décadas. O ciclo de missão, regresso a casa e preparação para a próxima missão nunca acabou. O custo íntimo foi suportado por familiares, esposos, pais, filhos e amigos que tiveram de lidar com a ausência e – frequentemente – tiveram de se adaptar às mudanças naqueles que regressavam do campo de batalha.

Desde o início desta retirada brutal e caótica do Afeganistão, esposos de soldados têm estado a postar fotografias de cerimónias de boas-vindas em que participaram ao longo de vários anos, para os seus familiares. Fotos de duas, três ou quatro cerimónias, com as crianças a envelhecer, são um testemunho do verdadeiro custo pessoal suportado por famílias militares durante esta guerra.

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Os relatos de que os afegãos não estavam dispostos a combater são simplesmente falsos. Os soldados afegãos morreram a uma taxa de 27 vezes mais que os americanos e seus aliados. Ao longo dos últimos 10 dias os oficiais americanos têm estado a responder a chamadas e mensagens dos seus parceiros e intérpretes afegãos, pedindo ajuda. Velhas feridas reabriram agora que muitos não têm a capacidade para prestar o auxílio de que os seus leais colegas precisam para poderem escapar aos Taliban.

A guerra e o conflito são tão antigos como a humanidade; a derrota idem. Mas derrota e derrotado não são a mesma coisa. O Antigo e Novo Testamentos, bem como as vidas dos santos, estão cheios de exemplos de perda e renovação. Moisés encontrou esperança nos 40 anos de travessia do deserto, sem o prémio de entrada na Terra Prometida. São Paulo encontrou a sua vitória final na cadeia. Ele sabia que a verdadeira vitória vem apenas na celebração da esperança, na paciência nas tribulações e na constância da oração (Romanos 12,12). Santos e pecadores, ao longo dos anos escolheram erguer-se da derrota transformando um passado doloroso num futuro de esperança através da fé e do serviço a algo maior que si mesmos.

Ironicamente, a nossa renovação enquanto nação, igreja ou comunidade de crentes poderá nascer do exemplo de serviço que está a ser dado, mesmo agora, à sombra das suas dificuldades e perda, pela nossa comunidade militar. Militares e suas famílias, pessoas sem grandes meios financeiros ou materiais, que foram os mais afetados pelas guerras americanas no Afeganistão e no Iraque continuam a servir, sacrificar e perguntar que mais podem fazer para ajudar.

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Com os refugiados afegãos a começar a ser realojados em centros de detenção financiados pelos EUA, na Alemanha, uma legião de famílias de militares e de veteranos estão a oferecer-se como tradutores e voluntários. Tenho-os visto ao longo dos últimos dias, na Base Aérea de Ramstein, a dar uma resposta que só consigo descrever como arrepiante.

O simples gesto de um familiar de militar a comprar fraldas para um bebé afegão cujo pai até poderá ter contribuído para a violência dirigida contra os seus entes queridos representa um momento definidor para a nossa nação. O serviço e o sacrifício acrescidos, em vez do recuo para o ressentimento, tornaram-se uma fonte de cura. O serviço e a dádiva são um mero reflexo para aqueles que optaram por servir. Os americanos devem reflectir profundamente sobre este humilde exemplo.

Para os cristãos a derrota está sempre ao virar da esquina. A vida cristã é um combate contra o pecado, a tentação e o desespero. A nossa verdadeira força vem dos mandamentos tão simples, mas tão difíceis de pôr em prática, de amar a Deus e ao próximo. Um futuro menos violento poderá estar a ser gerado nos corações de homens e mulheres dispostos a ordenar as suas vidas segundo os mandamentos de Deus.

Numa sexta-feira, há vários séculos, numa colina deserta no Médio Oriente chamada Calvário, a derrota e a morte pareceram absolutos. Três dias mais tarde, quando o sol nasceu iluminou um sepulcro vazio – a mais profunda vitória na história da humanidade. A derrota só pode ser temperada pelo amor e no conhecimento de que a sua vitória é a nossa, agora e para sempre.

São Miguel Arcanjo, Defendei-nos no combate.

Fotos:

1. Elementos das Forças Especiais americanas a cavalo no Afeganistão, em Outubro de 2001. (Foto: FA Americanas).

2. Os caixões de Hunter Lopez, Rylee McCollum, David Lee Espinoza, Kareem Nikoui, Jared Schmitz, Daegan Page, Taylor Hoover, Humberto Sanchez, Johanny Rosario, Dylan Merola, Nicole Gee, Max Soviak e Ryan Knauss, os soldados mortos no recente atentado em Cabul. Dover Air Force, Delaware, 29 Agosto de 2021. (Foto: U.S. Marine Corps).

3. Os primeiros evacuados do Afeganistão da Base Aérea de Ramstein, na Alemanha, para os EUA, depois da meia-noite do dia 23 de Agosto de 2021. (Foto: Força Aérea EUA)


Michele Malia McAloon é casada há quase 28 anos. É mãe, oficial das Forças Armadas americanas na reserva e advogada de direito canónico. Vive em Wiesbaden, na Alemanha. Pode ouvir o seu podcast “Cross Word” no Spotify, Apple Podcasts e archangelradio.com.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na terça-feira, 31 de Agosto de 2021)

© 2021 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.



Friday, 2 July 2021

Gritos pelo Líbano e Hotel genocídio

Os líderes cristãos do Líbano estiveram juntos ontem em Roma para dar um grito por aquele país em crise. Um momento ecuménico inédito que vale a pena recordar.

Hoje Francisco recebeu o primeiro-ministro do Iraque, meses depois da sua própria histórica visita ao país.

Os símbolos das JMJ vão estar em tour pelo país. Saiba quando é que vão estar na sua diocese.

A cadeia de hotéis Hilton está a ser acusada de cumplicidade no genocídio dos uigures na China.

Continua a dar que falar a questão das crianças indígenas retiradas às famílias no Canadá. Os líderes das comunidades vão a Roma em Dezembro para tentar convencer o Papa Francisco a pedir desculpa pelo papel desempenhado pela Igreja na gestão das escolas.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing. Elizabeth Mitchel encoraja-nosa “lançar as redes” de novo, mesmo quando tudo nos parece perdido.

Friday, 19 March 2021

Ano da Família is GO!

Hoje é dia de São José e arranca o Ano da Família, convocado pelo Papa Francisco. O Papa diz que é preciso defender a família de tudo o que compromete a sua beleza.

Também hoje arranca o ano letivo em Moçambique. Os bispos locais estão preocupados com os milhares de crianças que tiveram de fugir da região de Cabo Delgado e por isso não conseguem ir à escola.

Ontem estive no programa da Agência Ecclesia, na RTP2, para falar sobre a inconstitucionalidade da lei da eutanásia. Podem ver aqui.

Um relatório independente encomendado pela arquidiocese de Colónia concluiu que mais de 300 jovens foram sexualmente abusados por membros de clero naquela região da Alemanha.

Os bispos portugueses descartam a possibilidade de os políticos terem de declarar a sua pertença a organizações ou movimentos religiosos, dizendo que isso viola a liberdade religiosa.

Para o artigo desta semana do The Catholic Thing regressamos ao nosso querido Randall Smith, que pergunta como reagiria se vivesse na Terra Santa nos tempos de Jesus. As conclusões não são muito reconfortantes, e obrigam-nos a pensar também.

Por fim, um desafio. Na segunda-feira, a partir das 21h30, estarei com a minha querida colega e amiga Aura Miguel a falar sobre a recente viagem do Papa Francisco ao Iraque, num evento do Meeting do movimento Comunhão e Libertação, que este ano decorre online. Apareçam!

Thursday, 11 March 2021

Quanto vale a vida? Pouco. E a liberdade? Um dólar

Marcado pela destruição que viu no Iraque, o Papa Francisco perguntou ontem quem é que vende armas aos terroristas?

A imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima vai à Arménia, Geórgia e Azerbaijão, outra zona de conflito.

O Supremo Tribunal dos EUA deu razão a um jovem que processou a sua antiga universidade por violação da sua liberdade religiosa e de expressão. A indemnização que o jovem pediu tem o incrível valor de 1 dólar. Uma questão de princípio, portanto.

Quanto vale a vida em África? Pouco ou nada, diz o bispo que este ano escreveu a Via Sacra para a fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

O Vaticano pede ajuda aos cristãos da Terra Santa, pois sem ela a comunidade pode desaparecer.

O artigo desta semana do The Catholic Thing em português é excelente para a Quaresma! O que é que os esforços quaresmais têm a ver com a jardinagem? E qual a importância dos jardins na Bíblia e na história da salvação? Não deixem de ler o artigo de Stephen White e partilhem sobretudo com quem gosta de jardinagem. 

Monday, 8 March 2021

Papa no Iraque - Conclusão

O Papa voltou esta segunda-feira para Roma, pondo assim fim a uma viagem fantástica ao Iraque.

O ponto alto da sua viagem foi no domingo. Em Mossul Francisco sublinhou que a fraternidade é mais forte que o fratricídio. Em Qaraqosh falou da necessidade de reconstruir, não apenas casas e igrejas, mas relações, com base no perdão. E por fim, em Erbil, elogiou a Igreja “viva” do Iraque, que vive sem ressentimentos e sem vinganças.

Em Erbil Francisco esteve com o pai de Alan Kurdi, o menino cuja morte no Mediterrâneo chocou o mundo e prometeu que o Iraque ficará para sempre no seu coração.

Podem ler aqui o meu resumo desse terceiro dia, em que Francisco mostrou como a Cruz triunfou no preciso espaço onde há seis anos jihadistas prometiam que chegariam a Roma.

A Renascença falou ainda com Catarina Bettencourt Martins, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que fala da necessidade de se apoiar as novas gerações no Iraque.

Finalmente, a caminho de Roma, Francisco falou da importância do diálogo com o Islão, e como sabe que assume riscos ao fazer este caminho.

Saturday, 6 March 2021

Papa no Iraque - Dia 2

Já terminou o programa oficial do Papa deste sábado, no Iraque.

Francisco começou o seu dia com uma viagem até Najaf, a terceira cidade mais santa do Islão xiita, para um encontro privado com o líder supremo dos xiitas naquele país. Foi um momento histórico.

De seguida, o Papa foi até Ur, terra natal de Abraão, onde se encontrou com representantes de religiões abraâmicas, sendo notória a ausência de qualquer representante judeu. Finalmente, Francisco regressou a Bagdad para celebrar missa com os católicos de rito caldeu. Foi a primeira vez que um Papa celebrou missa no Iraque e a primeira vez que um Papa celebrou nesse rito de tradição siríaca. A homilia do Papa foi voltada para dentro, uma exaltação daquilo que os inimigos do Cristianismo no Iraque mais tentam explorar: a sua fraqueza e pequenez.

Com esta visita o Papa cumpre uma promessa e um sonho de João Paulo II. Leiam a opinião da Aura Miguel.

Leiam aqui o meu resumo deste segundo dia. Amanhã há mais!

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, mesmo a calhar para a Quaresma!

Friday, 5 March 2021

Papa no Iraque: Dia 1

O Papa chegou hoje ao Iraque, uma viagem que ficará para a história. Francisco foi avisado por todos para não ir, mas fez questão, e hoje percebeu-se porquê.

Hoje houve dois momentos marcantes, o discurso aos políticos, em que Francisco pediu direitos para os cristãos, e o discurso perante os católicos, em que o Papa pediu que o sofrimento e o martírio não sejam sementes de ressentimento e vingança, mas de perdão e reconciliação.

Houve um momento bonito em que Francisco recebeu uma estola, muito simbólica, feita por cristãos que voltaram agora às suas casas depois de terem tido de fugir do Estado Islâmico.

Os cristãos, esses, são cada vez menos, mas os que permanecem querem que o Papa ponha a máquina diplomática a funcionar.

Leiam ainda a entrevista com o ex-embaixador do Iraque em Portugal – não o da polémica dos filhos que espancaram um rapaz em Ponte de Sor, o antecessor – que diz que o futuro do Iraque não pode ficar refém do seu passado.

Amanhã há mais momentos importantes, incluindo um encontro com o líder supremo do islão xiita no Iraque.

Termino com o apelo para lerem o artigo desta semana do The Catholic Thing, com importantes reflexões sobre a Quaresma. É do nosso grande Randall Smith.

Monday, 8 February 2021

Contra o tráfico de pessoas, pela liberdade de expressão

Hoje é dia de Santa Josefina Bakhita e dia mundial contra o tráfico humano. O Papa assinalou a data participando num evento da rede Talitha Kum e pediu “uma economia sem tráfico de pessoas”.

O bispo do Porto escreveu uma carta aos doentes em que sublinha que não há pessoas importantes e outras descartáveis.

Francisco mantém a sua intenção de visitar o Iraque no início de março, apesar da pandemia. A viagem terá uma série de encontros importantes, incluindo com o Ali Sistani, o líder xiita do Iraque, com os líderes curdos e com refugiados. Isto, claro, sem esquecer os líderes cristãos da região.

O Papa nomeou uma freira como subsecretária do sínodo dos bispos. Pode parecer uma coisa insignificante, mas a verdade é que nessa qualidade ela tem direito a voto no sínodo, o que nunca se sucedeu com uma mulher.

Termino com um desafio. Realiza-se amanhã uma conferência que promete ser interessante sobre a liberdade de expressão e o discurso de ódio. Eu serei um dos moderadores, o orador é o especialista em direito Miguel Raimundo. Será online, claro, e os dados de acesso à reunião estão na imagem deste post.

Wednesday, 18 November 2020

Cristãos iraquianos voltam para casa, bispos de Leiria também

O Papa disse esta manhã que “a oração acalma os inquietos”. Será verdade? Alguma vez viram um trapista inquieto? Então pronto.

Boas notícias do Médio Oriente. Três anos depois de o Estado Islâmico ter sido expulso de Mossul, mais um grupo de cristãos regressa a casa. Ainda assim, há muito a fazer e por isso a fundação AIS apela à generosidade de todos.

Boas notícias também em Leiria, onde D. António Marto teve alta hospitalar e vai poder ir recuperar para casa.

Os bispos católicos da Europa querem que a União Europeia encontre soluções solidárias e conjuntas para a crise provocada pela pandemia.

Faz sentido uma universidade ser cristã? A identidade religiosa não será um obstáculo à busca pelo conhecimento e pela verdade? Randall Smith discorre sobre isto no artigo desta semana do The Catholic Thing, recordando que foi precisamente no seio do Cristianismo que o conceito da universidade nasceu.

Friday, 20 July 2018

Santidade em Fátima e lixo em São Tomé

Santificação em acção em Fátima
Ontem estive em Fátima no Encontro Internacional das Equipas de Nossa Senhora. O ambiente é, de facto, muito especial!

Pude entrevistar o bispo iraquiano Georges Casmoussa, que falou da necessidade de perdão mesmo em casos de perseguição extrema e disse que a reconciliação no Iraque tem de ser liderada por leigos.

Hoje publicamos uma entrevista com o presidente da Conferência Episcopal do Brasil, que também está no encontro. D. Sérgio Rocha elogia o papel das Equipas para redescobrir a alegria do casamento e, noutro tema, diz que é cedo para se saber o sínodo da Amazónia, no próximo ano, irá aprovar a ordenação de homens casados.

Cabinda tem um novo bispo. Saiba porque é que isso é mais interessante do que possa parecer à primeira vista…


E saiba aqui como é que pode ajudar os Leigos pelo Desenvolvimento a comprar um carro de recolha de lixo para São Tomé!


Tuesday, 6 March 2018

ONU reconhece AIS, mas DIL não reconhece ONU

D. Ilídio Leandro diz que já fostes...
A ONU reconhece o papel da fundação Ajuda à Igreja que Sofre na ajuda aos cristãos no Iraque.

Não obstante, o bispo de Viseu diz que a ONU já deu o que tinha a dar e deve ser substituída por outra organização.


Vai em peregrinação nos próximos tempos? Já existe um manual para se alimentar correctamente.

Já aqui falámos da portuguesa que foi educar refugiados no Chade. Agora Joana Gomes vai a Roma dar testemunho do trabalho que faz.

Em 2010 publiquei uma série de reportagens para o ano Sacerdotal. Foram 12 entrevistas a 12 padres diferentes, de outras tantas áreas pastorais. O padre Dâmaso foi um deles, e é o segundo a morrer. Tal como fiz com o padre Ricardo Neves, publico agora, e pela primeira vez, a transcrição integral dessa conversa com o bom padre Dâmaso.

E porque continua a circular um alerta falso sobre perseguição aos cristãos iraquianos da cidade de Qaraqosh, leiam este post e partilhem-no com quem vos tenha enviado a tal mensagem! Não vale tudo…

Wednesday, 13 December 2017

Milagres vários: Iraque, Fátima e Hanucá

(Clicar para aumentar)
Foi reaberta ao culto a primeira das igrejas iraquianas reconstruídas com o apoio da Ajuda à Igreja que Sofre, depois de terem sido profanadas e danificadas pelo Estado Islâmico. Uma notícia pascal em tempos de Advento!

Os judeus de Portugal tencionam continuar a florescer e não temem o desafio da assimilação cultural, numa altura em que se festeja o Hanucá. Amanhã acende-se a menorá numa cerimónia pública no Parque Eduardo VII a que todos são convidados.

Começam a surgir as mensagens de Natal dos bispos. Já temos Viseu e Angra.

A Igreja está preocupada com as regras de protecção de dados da União Europeia.

Por já passar da meia-noite, e porque provavelmente não haverá mais mails esta semana, publiquei já o artigo desta semana do The Catholic Thing. Howard Kainz fala de um interessante livro que torna acessível e compreensível o Alcorão, ajudando os cristãos a compreender melhor o livro sagrado dos muçulmanos. O autor sublinha a diferença entre o Alcorão antes e depois da fuga de Meca para Medina.

E deixo também o convite para a apresentação do livro de Bernardo Motta, sobre o milagre do Sol, em Fátima, uma obra que certamente será útil para quem quiser aprofundar o fenómeno. Ver imagem.

Thursday, 19 October 2017

Fuga Curda e Senhora Velejadora e Madragoas

Pôr-do-sol para os curdos em Kirkuk
Na sequência dos incêndios, a Cáritas Portuguesa abriu uma conta solidária. Saiba aqui como pode contribuir.

O Papa Francisco quis associar-se aos 500 anos da Sé do Funchal.

Ao longo dos últimos dias muito aconteceu no Iraque e na Síria. O Estado Islâmico foi expulso de Raqqa e os curdos estão a ser humilhados em Kirkuk e na Planície de Nínive, onde vivem muitos cristãos. O Patriarca da Igreja Caldeia pede às partes em disputa que protejam a vida acima dos poços de petróleo.

Convido-vos a conhecer o projecto de Ricardo Diniz, o navegador solitário que se prepara para rumar ao Brasil com uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.

E aqui podem também ouvir a minha participação na Rádio Amália, em que se falou sobre religião e algo mais, com sugestões musicais pelo meio.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing sobre a importância de haver jornalistas católicos nos grandes órgãos de comunicação social e, caso não o tenham feito já, o da semana passada sobre o perigo apresentado pelas leis que criminalizam o chamado “discurso de ódio”.

Friday, 29 September 2017

Actualidade Religiosa: Plano Marshall para cristãos iraquianos? Wahou!

Terminaram esta sexta-feira as Jornadas da Comunicação Social. Os presentes ouviram falar de muitos instrumentos e formas de marcar presença nas redes sociais, agora é passar da teoria à prática.

Ontem, no primeiro dia das jornadas, D. João Lavrador disse que a Igreja tem de estar em tudo o que possa ser meio de comunicação e José Manuel Fernandes explicou que os jornalistas e profissionais de comunicação têm de estar onde as pessoas estão, e as pessoas estão online.

Por falar em igreja e comunicação, o Vaticano quer combater o fenómeno do “fake news”.

Foi ontem revelado um “Plano Marshall” para ajudar os cristãos iraquianos a voltar às suas terras.

No próximo fim-de-semana decorre o segundo “Fórum Wahou!”, sobre a Teologia do Corpo. Se estiverem interessados, ou souberem de quem possa estar, vejam e divulguem, porque promete ser muito interessante.


E por fim, um desafio. Quem quiser rezar pelas crianças não nascidas, e por todos os casais que vivem com esperança os desafios à sua fertilidade, juntem-se à Esperança de Ana, amanhã, Sábado, às 21h00 na Capela da Ordem Hospitaleira São João de Deus, na rua São Tomás de Aquino, nº20, Lisboa.

Wednesday, 6 September 2017

Reconstruir o Cristianismo no Iraque: Agora ou Nunca

Brad Miner
O início de Setembro marca o regresso às aulas para milhões de crianças. Este ano, Graças a Deus, será marcado também pelo regresso às aulas de crianças cristãs iraquianas que, juntamente com as suas famílias, estão a regressar à planície de Nínive para reclamar as suas casas e as suas vidas, tão brutalmente afectadas pelo terrorismo e pela guerra. A fundação Ajuda à Igreja que Sofre, e em particular o seu ramo americano, têm sido instrumentais em ajudar a tornar isto possível. (Nota: Eu faço parte da direcção a AIS nos Estados Unidos e o nosso colega aqui no The Catholic Thing, George J. Marlin, é presidente.)

Num artigo anterior eu escrevi sobre um discurso do Sr. Marlin em que ele pedia um novo Plano Marshall para o Médio Oriente. É com alegria que anuncio que já se estão a dar os primeiros passos para a implementação de tal plano no Iraque.

Estamos felicíssimos por saber que este mês a AIS espera repatriar 15 mil pessoas na cidade cristã de Qaraqosh, no Iraq. São três mil famílias.

Esta planta, com as casas danificadas a amarelo, mostra quão extensivos foram os danos.



Ao todo, na Planície de Nínive, mais de 1200 casas foram destruídas pelo Estado Islâmico. Mais de 3000 foram danificadas pelo fogo e ainda mais de 8000 foram danificadas de outras formas e precisam de ser reparadas. O número de igrejas nas mesmas situações é respectivamente 34, 132 e 197. É aquilo a que se pode chamar um desastre não natural.

Mas como eu escrevi anteriormente, a repatriação dos cristãos para as suas terras ancestrais depende da existência de paz. E embora o Estado Islâmico tenha sido expulso de Nínive, resta saber se é possível garantir o regresso dos cristãos em segurança para Nínive e outros lados.

A história é esta:

Quando o mais recente problema de refugiados começou a aparecer nas notícias costumava ser em termos de combates entre o Estado Islâmico e várias milícias e exércitos nacionais, na maioria no Iraque e na Síria. A maioria de nós já viu fotografias de longas filas de deslocados internos, a fugir dos combates ou dos ultimatos que o Estado Islâmico fez aos cristãos: Converter-se ao Islão, abandonar as suas terras, ou morrer. Muito poucos cristãos optaram por converter-se e alguns foram mortos. Mas a maioria – juntamente com muitos, muitos muçulmanos – simplesmente fugiu, ou para países estrangeiros, ou para campos de refugiados.

As manchetes costumam referir-se ao influxo de Muçulmanos para a Europa, e em muitas situações lidam com a infiltração de militantes do Estado Islâmico, ou outros terroristas, que desde o 11 de Setembro de 2001 já mataram, pelo menos, 20,000 pessoas no mundo, com muitos milhares de feridos.

Mas estes são apenas assassinatos em ataques terroristas. A guerra – em larga medida islamita – na Síria, quase 400 mil pessoas morreram. Dezanove mil civis morreram no Iraque desde 2014 (acima de 60 mil combatentes perderam a vida), mas número mais devastador diz respeito ao número de deslocados internos no Médio Oriente: 4,525,968.

A Ajuda à Igreja que Sofre tem trabalhado em prole destes refugiados desde o início da crise, e sempre tivemos dois objectivos mente.

Temos procurado fornecer ajuda humanitária imediata a todos aqueles que foram expulsos das suas casas: água, comida, roupa e medicina – os essenciais – mas também educação para as crianças, ajudando a garantir que não se perde uma geração inteira de crianças.

E sempre acreditámos que um dia – tal como aconteceu no fim da Segunda Guerra Mundial – estes deslocados voltariam para retomar as suas casas, empregos e herança antiga. Os eventos mais recentes provam que tínhamos razão – e estamo-nos a preparar para enfrentar o desafio.

Recentemente o jornalista John L. Allen Jr. escreveu na revista “Columbia”, dos Knights of Columbus, que desde 2011 que a Ajuda à Igreja que Sofre “gastou 35.5 milhões de dólares a ajudar refugiados cristãos no Iraque e na Síria, em particular os que se encontram em Erbil e noutros pontos do Curdistão. O ramo americano da AIS têm contribuído de forma decisiva para este esforço.”

Allen encontrou um termo maravilhoso para este trabalho que estamos agora a começar: Dunkirk ao contrário.

Regresso a casa, aos olhos de uma criança cristã do Iraque
Tendo passado os últimos seis anos a ajudar as pessoas que fogem das suas casas, a AIS está agora, juntamente com outros grupos, entre os quais os Knights of Columbus, a Catholic Near East Welfare Association e a Catholic Relief Services, a ajudar os refugiados a regressar. Este esforço colectivo tem sido apelidado de Comité de Reconstrução de Nínive (CRN).

O objectivo da CRN é, de forma simples: “Ajudar os Cristãos Iraquianos que queiram regressar às suas aldeias na Planície de Nínive, onde vivem há séculos, e a fazê-lo de forma digna e em segurança”.

Como é evidente estas pessoas (na maioria católicas e ortodoxas) carregam com elas a sua dignidade, que nunca perderam, não obstante os sofrimentos e perigos que enfrentaram. Uma ajuda a essa dignidade passa pela reconstrução e renovação urgente das suas casas, escolas e meios económicos.

Claro que a segurança é uma preocupação constante e algo que a AIS/CRN não podem fornecer. Para isso é necessária a colaboração entre oficiais locais e nacionais do Iraque bem como de terceiros interessados. Na medida em que há paz na área, cabe a esses governos e aos terceiros (isto é, outras nações que têm interesses no Iraque e que têm consciência moral) desenvolver formas de proteger os cidadãos recém regressados, sejam católicos, ortodoxos, yazidis ou muçulmanos.

Os muçulmanos que anteriormente viviam em relativa paz com os seus vizinhos cristãos não podem se não agradecer os esforços dos cristãos para reconstruir Nínive, porque também eles serão beneficiários da renovada actividade económica e, sobretudo, da paz.

Aquilo que a NRC está a estabelecer em Nínive é uma espécie de lança em África – uma prova de que é possível reestabelecer comunidades multireligiosas onde diferentes fés podem coexistir de forma amigável.

Se for possível aqui, pode ser possível noutros lados. Seja como for, é agora ou nunca. 


(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 5 de Setembro de 2017 em The Catholic Thing)

Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador sénior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

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Friday, 30 June 2017

Desordem no Iraque e ordenações em Lisboa

Miguel Vasconcelos, futuro padre
Domingo é dia de ordenações em Lisboa. São quatro novos padres e quatro diáconos permanentes que passam a estar ao serviço da diocese.


E hoje publiquei o último de quatro artigos sobre o que se vai passar no Iraque depois da libertação de Mossul. Olhamos desta vez para a comunidade Yazidi, que tanto tem sofrido nos últimos anos.

Monday, 19 June 2017

Não há palavras. Só cinza

A tragédia de Pedrógão Grande deixa-nos sem palavras, mas não nos deixa sem possibilidade de ajudar. Várias instituições, incluindo da Igreja, já prometeram ajuda e abriram contas para que se possa contribuir.


Ontem houve um ataque terrorista em Londres, mas contra a comunidade muçulmana. O condutor da carrinha usada foi salvo pelo imã da comunidade que atingiu.

Dos últimos dias destaque também para uma notícia que passou despercebida por cá. O líder do partido Democrata Liberal do Reino Unido demitiu-se depois de ter sido criticado pelas suas convicções cristãs e nos EUA as autoridades reuniram uns 200 cristãos originários do Iraque para serem deportados de volta para o país de origem, algo que a comunidade nem quer crer ser possível.

D. António Barroso, antigo bispo do Porto, está mais perto da beatificação.

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