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Friday, 15 July 2022

A crise no SNS - Outra visão

No seguimento do último episódio do Hospital de Campanha, sobre a crise no SNS, recebemos este comentário muito interessante de uma amiga que é médica, especializada em oncologia e paliativos, e que trabalha num hospital em Trás-os-Montes. Discordando de algumas das coisas que disse o nosso convidado, José Diogo Ferreira Martins, na verdade o comentário da Teresa acaba por complementar muitas das coisas que ele disse e parece-me demasiado importante para ficar apenas na secção dos comentários, pelo que o publico aqui na íntegra, tendo feito apenas um pouco de edição, corrigindo gralhas e eliminando emojis, por uma questão de objecção de consciência.


Mais uma vez ouvi o vosso podcast e gostei muito.

Não concordo com todas as opiniões do colega, mas admiro a fantástica capacidade de manter a humanidade e continuar a acreditar na verdadeira essência do que é ser médico!

Contudo, gostava que parassem de dizer que a crise do SNS vem da fuga dos médicos para o privado! Não é verdade!

A crise do SNS vem do subfinanciamento brutal e da total centralização de todas as decisões!

Nós até não nos importávamos de trabalhar a receber pouco se pudéssemos trabalhar com qualidade e desenvolver projetos que fizessem a diferença para o doente.

A maioria de nós continua a acreditar na beleza e utilidade do sistema público, mas é muito difícil trabalhar com a equipa que é volátil, pois depende de um concurso central.

Pior ainda é ter doentes graves à espera durante meses de um exame porque o aparelho está avariado e o concurso para a sua manutenção caducou.... Doentes com cirurgias adiadas sucessivamente por falta de material... Pedir por favor (como se fosse para a nossa mãe) ao colega que veja em extra um doente urgente e grave... Sim, porque as cunhas não tiram o lugar a outro, pelo menos na minha consulta, acrescentam um doente extra à lista, e tiram-me a hora de ir buscar os meninos à escola!

Cansa trabalhar em gabinetes sem mínimas condições, ter de levar de casa luvas e máscaras (como aconteceu!) ou andar a abanar os tinteiros da impressora para poder imprimir uma receita ou outros milhares de burocracias a que nos obrigam.

Esta narrativa da fuga para o privado tem também alguma demagogia. Por exemplo, este ano acabaram a especialidade de ginecologia e obstetrícia cerca de 20 médicos. O Estado abriu um concurso com mais ou menos 40 vagas. Como é evidente, apenas metade foi preenchida, pois só existiam no país cerca de 20 médicos em condições de concorrer! Como é que isto chega à imprensa? “Apenas metade das vagas para GO no SNS forma ocupadas. Médicos fogem do SNS”

Sobre a Covid, foi extremamente doloroso trabalhar durante estes dois anos, em especial na área em que trabalho, de oncologia e paliativos. Fizemos tudo o possível para combater a solidão e o isolamento, mas deu vontade de chorar todos os dias! Terríveis as enfermarias de "covid paliativos" onde estavam doentes Covid que toda a gente sabia que iam morrer, mas onde não se podia ceder um milímetro nos procedimentos e equipamentos de protecção individual. Ainda agora mantemos regras estúpidas, mas na realidade recuámos 20 anos em termos de humanização hospitalar e vamos demorar a recuperar.

Uma nota quanto à assistência espiritual: de louvar o trabalho de alguns capelães fantásticos que tudo fizeram para se fazer presentes, apesar das limitações, muitas vezes a ter de desafiar as autoridades. Mas o atendimento das necessidades espirituais dos doentes (crentes ou não crentes) é essencial e é das áreas mais negligenciadas! Não é da responsabilidade apenas dos capelães ou famílias, mas dos profissionais, numa perspectiva de ir ao encontro daquilo que dá sentido à vida e é a espiritualidade particular de cada doente. Esta lacuna é uma das maiores causas de sofrimento no final de vida.

Como diz Cassel: "os corpos doem, as pessoas sofrem", e nós medicamos a dor e abandonamos o doente ao seu sofrimento.

Mas isso dava para mais uma longa conversa.



Thursday, 7 July 2022

Hospital de Campanha - Episódio 8: A Crise na Saúde

Foi preciso esperar nove episódios, mas no Hospital de Campanha desta semana temos finalmente um médico a sério em estúdio. 

O José Diogo Ferreira Martins é um crente no SNS, mas isso não o impede de fazer um diagnóstico pessimista ao SNS. O também presidente da Associação de Médicos Católicos fala também das ameaças à objecção de consciência, dos desafios de se viver no mundo da medicina com fé e da forma como a pandemia afectou os cuidados espirituais nos hospitais. 

Foi uma excelente conversa, vale bem a pena ouvir!


Wednesday, 8 June 2022

Utopia em vez de Escatologia

David G. Bonagura
Há trinta anos o então Cardeal Ratzinger esteve em Praga, onde deixou um aviso ao povo de uma democracia recém-nascida que estava repleta tanto de promessas como de perigos. O futuro Papa falou sobre a diferença entre escatologia – a compreensão e crença no “final”, isto é, vida eterna – e utopia. A crença nesta última, que ele definiu apenas como “a esperança de um mundo melhor no futuro” veio a ocupar o lugar da vida eterna entre muitos dos crentes que subsistem no Ocidente.

Para o homem moderno, continuou Ratzinger, “a vida eterna é supostamente irreal; diz-se que nos distrai do tempo real, mas que a utopia é um objectivo real que podemos ajudar a concretizar com o nosso poder e as nossas capacidades”. A arrogância dos homens “substitui a escatologia com uma utopia feita à sua imagem” que “pretende preencher as esperanças do homem” sem referência a Deus. Constantemente seduzido por novas capacidades tecnocráticas, o homem moderno pensa que a utopia está mais próxima a cada dia que passa.

Em anos recentes – à medida que os americanos se desvinculam cada vez mais das religiões tradicionais – a sede pela utopia atingiu ponto de fervura, como que para preencher esse vazio. Os três reinos utópicos realizar-se-ão, prometem-nos, se conseguirmos travar as três grandes ameaças sociais: mudanças climáticas, Covid e racismo. A eliminação destas três trará a salvação civilizacional.

Esta salvação continua permanentemente fora do alcance, mas cada tentativa falhada gere uma urgência e um medo maiores. O choro e ranger de dentes tornam-se mais altos a cada dia que passa, para tentar converter os cépticos. Se continuarmos a perfurar a terra para procurar combustíveis fósseis, as calotas polares derretem e o nível do mar sobe; mais uma variante de Covid e os governos fecham novamente as escolas e as cidades; mais um conflito inter-racial e veremos motins e pânico nas ruas.

Ratzinger compara a utopia com a figura mítica de Tântalo, que foi condenado a viver com água pelo pescoço em Hades. Sempre que tentava chegar a água ou fruta eles retrocediam, para fora do seu alcance. Não espanta, por isso, que os adeptos da utopia que vemos nas suas manifestações estejam sempre tão zangados. Não conseguem alcançar aquilo que tão desesperadamente querem. Estão frustrados como Tântalo. Por isso, comenta Ratzinger, mesmo que “trabalhem com total dedicação para consolidar aqueles factores que estão, por ora, a manter o mal à distância”, censuram a concorrência e cancelam os potenciais rivais que ameaçam os seus objectivos esquivos.

A insanidade generalizada que a busca pela utopia ambiental, de saúde, e racial gerou entre os adeptos deveria levar todos os que contemplam sair das igrejas cristãs a pensar duas vezes. Os seres humanos têm sede do divino, mas os dogmas utópicos dos nossos dias não nos trazem salvação, mas sim angústia eterna. Vale a pena olhar de novo para o Cristianismo (ou, para muitos desta geração, olhar pela primeira vez, mas libertos das distorções deliberadas do credo cristão).

“A verdadeira diferença entre a utopia e a escatologia”, escreve Ratzinger, é que o “presente e a eternidade não estão lado-a-lado, separados; mas sim interligados”. A vida eterna não é um fenómeno que começa de repente, depois da morte. É um “novo tipo de existência, em que tudo flui em conjunto para o ‘agora’ do amor” que se torna possível pela presença de Deus no universo. “Deus é amor, e aquele que vive no amor vive em Deus, e Deus vive nele” (1 João 4,16).

Através da Encarnação do Filho de Deus, a vida eterna faz agora parte do tempo. Em Cristo, escreve Ratzinger, “Deus tem tempo para nós. Deus já não é meramente um Deus lá em cima, mas Deus envolve-nos por cima, por baixo e por dentro: Ele é tudo em tudo, e por isso tudo em tudo nos pertence.”

O toque de Cristo é mais tangível na Igreja quando Ele vem ao nosso encontro na Eucaristia. Quando o recebemos na Santa Comunhão a eternidade conjuga-se com o presente e transforma-o, para o elevar dos horrores deste mundo, dando-lhe uma prova da glória vindoura. O presente deixa de ser o lugar de preparação de um futuro inalcançável e torna-se ocasião para o encontro com um Deus que nos ama e que nos chama a si.

Só desta perspectiva é que podemos lidar com os males que nos confrontam, sejam eles ecológicos, sanitários, sociais ou morais. Porque os crentes reconhecem que o mal, tal como as ervas daninhas que crescem com o trigo, farão sempre sombra sobre o bem desta vida. Mesmo quando a sombra do mal parece cercar totalmente o bem, como acontece com os horrores da guerra e os massacres nas escolas, os raios de bondade continuam a romper a escuridão para nos dar esperança de que Deus, aparentemente ausente, reina aqui e agora.

Tendo descartado a fé, o adepto da utopia não consegue processar o mal desta forma. Tenta, sem sucesso, amputá-lo, ficando frustrado e paranoico quando o vê a regressar, qual hidra, com o dobro da força. Faz dos avanços tecnológicos e das acções governamentais o seu Hércules, mas são obras demasiado difíceis para serem levadas a cabo por mortais. O adepto da utopia sofre assim uma derrota estrondosa quando tenta construir o céu na terra.

Fazemos melhor, conclui Ratzinger, quando trabalhamos no sentido oposto. “A terra torna-se celestial, torna-se Reino de Deus, sempre que se faz a vontade de Deus na Terra como no céu. Rezamos assim porque sabemos que não está ao nosso alcance trazer o céu até nós. Porque o Reino de Deus é o seu reino, não o nosso, e não o podemos influenciar”.

Nós, os crentes, devemos desafiar todos os que se estão a afastar do Cristianismo por estas razões. Jamais encontrarão a utopia. Mas a vida eterna está ao seu alcance, se apenas pudessem olhar novamente com os olhos da fé.


David G. Bonagura, Jr. leciona no Seminário de São José, em Nova Iorque. É autor de Steadfast in Faith: Catholicism and the Challenges of Secularism, que será lançado no próximo inverno pela Cluny Media.

(Publicado pela primeira vez na segunda-feira, 7 de Junho de 2022 no The Catholic Thing)

© 2022 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Wednesday, 26 January 2022

A Liberdade Religiosa na Alemanha Hoje

Michele McAloon
Vivo numa pequena aldeia na Alemanha, perto de Frankfurt. A semana passada apareceu um sinal com letras grandes e encarnadas, nas portas da Igreja Católica local, a avisar que quem não apresentar prova de vacinação contra a Covid-19, de recuperação, ou teste feito nas últimas 24 horas, não pode entrar. Durante a missa de domingo – a única altura em que a Igreja está aberta – um paroquiano fica à porta, como um guarda, a verificar o certificado de vacinação de todos os que pretendem entrar.

Num país onde a prática religiosa nos últimos anos tem sido anémica, na melhor das hipóteses, este último golpe pode ser fatal para a vida espiritual dos alemães. Porém, os bispos mantêm-se em silêncio sobre restrições locais e estaduais motivadas pela Covid.

Salvo o que se passou o ano passado quando a anterior chanceler alemã Angela Merkel tentou cancelar a Páscoa – não estou a gozar – não tem havido quaisquer relatos nos media da Alemanha de prelados, ou até cidadãos individuais, a protestar contra ordens governamentais sobre quem é que as Igrejas podem servir durante a pandemia. Merkel acabou por ceder e permitir as celebrações pascais, mas só depois de protestos e pressão de empresários e comerciantes.

A comparação entre a resposta americana e a alemã relativa à regulação de ajuntamentos religiosos diz muito sobre o diferente entendimento de liberdade religiosa nas duas nações.

A reação nos Estados Unidos às restrições a ajuntamentos religiosos não podia ter sido mais diferente. Em Abril de 2020, quando foram introduzidas restrições para prevenir a propagação da Covid-19, surgiu uma verdadeira tempestade de processos judiciais, a alegar a violação da Primeira Emenda.

As batalhas sobre liberdade religiosa foram travadas de forma apaixonada nos tribunais e nos media por organizações como o Becket Fund for Religious Liberty e a Alliance Defending Freedom que interpuseram acções nos tribunais federais contra governadores que emitiram decretos estaduais para impedir as celebrações religiosas. A reação pública foi audível e rápida. O resultado é que durante esta última vaga da pandemia as igrejas têm-se mantido maioritariamente abertas. Os governadores evitam arreliar os eleitores.

Mas ao contrário dos Estados Unidos, onde a Constituição proíbe o governo federal de se intrometer em assuntos religiosos, a Constituição alemã nada diz sobre o assunto. Oficialmente não existe Igreja de Estado na Alemanha, mas desde 1919 que o Governo alemão cobra um “imposto eclesial” (Kirchensteuer, em alemão). Na prática, este imposto transforma a Igreja alemã numa espécie de agência estatal.

Se alguém estiver oficialmente registado como católico, ou membro de outra confissão, são-lhe cobrados mais 8 ou 9% de IRS. A única forma de evitar este imposto é fazendo uma declaração a renunciar a pertença religiosa. Nesse caso, o indivíduo deixa de poder receber os sacramentos ou um enterro cristão.

Em 2020 este imposto gerou 7,75 mil milhões de dólares para a Igreja Católica Alemã, apesar de um número recorde de católicos terem abandonado a Igreja. Em 2019 foram 272,771 os que saíram – um ligeiro aumento em relação aos números de 216,078, em 2018. Contudo, o dinheiro tem comprado silêncio e muito pouca oposição dos bispos (cujo ordenado é pago pelo Estado) quando o governo interfere em assuntos religiosos.

O quarto presidente dos Estados Unidos, e arquitecto da Primeira Emeda à Constituição, James Madison, poderia apontar para a Alemanha como um exemplo para o não financiamento das igrejas pelo Estado. Na sua excelente biografia James Madison, America´s First Politician, Jay Cost mostra como o jovem Madison entrou na arena política precisamente através da luta pela liberdade religiosa.

A Colónia de Virgínia designou o Anglicanismo como religião de Estado e de seguida passou a cobrar impostos para financiar a igreja. O tratamento desigual e por vezes abusivo de outras denominações religiosas na colónia – tanto da parte de representantes do Governo como dos cidadãos – revoltou Madison. No seu discurso na Assembleia Estadual observou que as Igrejas de Estado “tendem para grande ignorância e corrupção” por causa da promoção do “orgulho, ignorância e malandrice” e “vício e maldade entre os leigos”. Madison acabou por convencer os seus concidadãos a deixarem de financiar as igrejas, e esta experiência ao nível do Estado sublinhou a necessidade da Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos.

Tendo em conta a diferença na lei alemã, não admira que o infame Caminho Sinodal da Conferência Episcopal (que está a ser acompanhada de perto por leigas particularmente estridentes) se tem desviado rumo à corrupção (como Madison avisou), tentando abençoar uniões homossexuais, a ordenação de mulheres e até a abolição do sacerdócio. Entretanto a evangelização – a missão central da Igreja – tem sido quase completamente esquecida.

Os bispos alemães têm feito ouvidos moucos aos apelos repetidos do Papa Francisco para se focarem na evangelização, dada a “crescente erosão e deterioração da fé”. Numa carta de 28 páginas endereçada aos bispos, o Papa Francisco escreve: “Sempre que uma comunidade eclesial tentou resolver os seus problemas sozinha, dependendo apenas das suas próprias forças, métodos e inteligência, acabou por multiplicar e fomentar os males que pretendia ultrapassar.” Ironicamente, em resposta, os bispos acentuaram os seus esforços. Desde 2019, quando o Papa escreveu a carta, vários bispos encorajaram publicamente a bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo. Porém, a Conferência Episcopal tem-se mantido em silêncio sobre as restrições ao culto religioso motivados pela Covid-19.

A maioria dos alemães que continuam a ir à missa são católicas fiéis e ortodoxos que não concordam com o caminho sinodal. Mas mantêm-se em silêncio, com medo de uma sociedade religiosamente intolerante e obcecada com regras. Resta ver se estes poucos crentes – o último bastião de católicos fiéis na Alemanha – irá cumprir com as regras de admissão nas suas igrejas locais.

Historicamente, não é despropositado nem xenófobo perguntar o que pode vir a preencher o vazio numa Alemanha espiritualmente despojada ou, por falar nisso, noutra nação qualquer. Mas dêem graças pelo barulho e a revolta demonstrados pelo povo americano – por mais preocupante que possa parecer no momento. Desde a fundação dos Estados Unidos até hoje, a luta dos americanos pela liberdade religiosa tem tido consequências muito para além das suas fronteiras.


Michele Malia McAloon é casada há quase 28 anos. É mãe, oficial das Forças Armadas americanas na reserva e advogada de direito canónico. Vive em Wiesbaden, na Alemanha. Pode ouvir o seu podcast “Cross Word” no Spotify, Apple Podcasts e archangelradio.com.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quinta-feira, 20 de Agosto de 2022)

© 2022 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

Thursday, 16 December 2021

João Paulo Beato e turistas discriminados

 

O Papa João Paulo I vai ser beatificado até ao final do ano de 2022.

As diferentes igrejas cristãs da Terra Santa acusam o Estado de Israel de discriminar os turistas cristãos, ao limitar as viagens durante a época do Natal.

O Papa Francisco aprovou a criação de uma nova fundação para promover o diálogo cultural e religioso.

A Conferência Episcopal Portuguesa não vai alterar as medidas contra a Covid-19 recomendadas durante o Natal.

As Igrejas da Europa renovaram ontem o seu apelo à vacinação e alertaram para o perigo da contrainformação.

Numa altura em que está na moda “desconstruir binários”, incluindo coisas básicas como “homem/mulher”, Randall Smith, do The Catholic Thing, sugere que os católicos passem a responder na mesma moeda

Friday, 22 October 2021

A Caminhada Pela Vida é já no Sábado

Vem junta-te a nós...
É amanhã que se realiza a Caminhada Pela Vida. São dez cidades em simultâneo, sempre às 15h. Se acreditam na “dignidade e na beleza da vida”, ou se querem aproveitar para homenagear as vítimas da Covid, não deixem de aparecer!

Depois de uma primeira tentativa falhada, por causa da Covid, o Papa disse esta sexta-feira em entrevista que tenciona ir a Timor-Leste.

Recentemente falei do caso do padre que foi impedido de administrar os sacramentos ao deputado David Amess. Uma proposta no Parlamento britânico consagraria esse direito e ficaria associada sempre ao nome dele.

Bento XVI disse recentemente, numa carta, que espera juntar-se em breve a um amigo que morreu. Desejo de morrer? De todo, explica o arcebispo Ganswein, trata-se antes de uma antiga tradição cristã, a preparação para uma boa morte.

O líder do gangue que raptou 17 missionários no Haiti promete meter “uma bala na cabeça de cada um” caso não receba um resgate de 17 milhões de euros.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, sobre as possíveis consequências para o movimento pró-vida no caso de o Supremo Tribunal americano revogar o Roe v. Wade.

Thursday, 7 October 2021

Encontro de Médicos Católicos em Sintra, polémica em França

É já no sábado que se realiza o encontro da Associação de Médicos Católicos, no campus da nova faculdade de Medicina da Católica, em Sintra. Os temas em destaque são a pandemia e a eutanásia. Eu estarei lá para moderar uma conferência, mas há muito mais razões de interesse para não faltar! Médicos, estudantes de medicina ou apenas interessados, não percam! O programa e detalhes estão aqui.

Como prometido, trago-vos hoje o texto em que questiono o rigor do relatório sobre abusos sexuais de menores na Igreja francesa. Não se trata de uma defesa cega da instituição. Este é um problema muito grave que merece – mesmo por respeito às vítimas – ser tratado com rigor, o que não me parece ter sido agora o caso.

Entretanto os efeitos do relatório já se fizeram sentir, com Macron a chamar o presidente da Conferência Episcopal Francesa para falar sobre o segredo da confissão.

Boas notícias do Curdistão iraquiano, onde o Governo regional cedeu um distrito para ser gerido pela maioria cristã que lá vive. Saiba mais aqui.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, sobre as possíveis sementes do Evangelho que foram plantados no Afeganistão.

Thursday, 30 September 2021

Fim das restrições nas igrejas e genocídio lento na Nigéria

D. Alexandre José Maria dos Santos
Terminam amanhã as restrições à lotação das igrejas. Fica ao critério de cada comunidade, agora, avaliar “de forma ponderada os distanciamentos e os limites impostos à lotação das nossas igrejas”. A comunhão continua a ser na mão.

A Igreja na Nigéria considera que os cristãos estão a ser vítimas de um “lento genocídio” às mãos da etnia fulani, de maioria muçulmana. São acusações graves sobre uma realidade aflitiva que poderá já ter feito até 36 mil mortos nos últimos anos.

A perseguição religiosa no mundo decresceu em 2019, pelo quinto ano consecutivo. Já as restrições governamentais continuam mais altas que nunca.

Morreu o cardeal D. Alexandre Maria dos Santos, que foi um dos pais do processo de paz em Moçambique, nos anos 90.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é escrito pelo ex-protestante Casey Chalk, que fala da visão que os protestantes têm do culto mariano na Igreja Católica. É muito interessante, e útil até para o diálogo ecuménico, no sentido de melhor nos compreendermos.

Wednesday, 15 September 2021

Ajudar os cristãos na Terra Santa e Papa de regresso a Roma

Antes de vos dar as notícias do dia, queria fazer-vos um pedido. Se já rezam e pensam nos cristãos que vivem em situações de maior dificuldade e sempre quiseram dar uma ajuda mais prática, então cliquem aqui, leiam com atenção, e não percam esta oportunidade de ajudar os cristãos que vivem na Terra Santa e estão desesperados com a falta de turistas que costumam ser o seu sustento.

Olhando agora para a atualidade noticiosa, o Papa Francisco terminou a sua viagem à Eslováquia, hoje, que foi marcada por apelos à integração e à inclusão. A fé, disse, não deve ser reduzida a um açúcar que adoça a vida, nem a cruz deve ser um símbolo político ou de estatuto social.

Os ciganos, que foram visitados pelo Papa, ficaram surpreendidos com a atenção que lhes foi destinada.

E, por fim, a vossa atenção para esta história bonita de uma cruz que foi oferecida ao Papa por um bispo chileno, feita com madeira recuperada de uma igreja que foi vandalizada e incendiada em outubro de 2020.

No voo de regresso a Roma Francisco falou de vários assuntos, incluindo o ceticismo para com as vacinas Covid, o encontro que teve com Viktor Orbán e a questão polémica da comunhão para políticos pró-aborto.

O artigo do The Catholic Thing desta quarta-feira ainda está por publicar, mas lá estará até ao final do dia.

Thursday, 27 May 2021

Louvar o mundo mutilado

Uma conta que sigo no Twitter tem estado a postar imagens com a legenda “Tenta louvar o mundo mutilado”. Não pude deixar de pensar no assunto quando vi as imagens do Papa Francisco a beijar a tatuagem do campo de concentração de uma sobrevivente do holocausto, na quarta-feira.

O mesmo Papa Francisco nomeou esta quinta-feira um sucessor para prefeito da Congregação para o Culto Divino. Arthur Roche sucede ao Cardeal Robert Sarah.

A situação da pandemia na Índia está a atingir níveis assustadores, com uma religiosa a dizer que há cada vez mais órfãos a precisar de famílias.

Na Renascença continuamos a conversar com bispos para saber como é que a pandemia afetou as suas dioceses. Ontem falámos com o bispo de Lamego e hoje com o de Aveiro

Recentemente houve na Alemanha uma sessão organizada de bênção de casais em situação irregular, incluindo homossexuais, contrariando assim, propositadamente, a doutrina da Igreja e uma recente decisão da Congregação para a Doutrina da Fé. A autora do artigo desta semana do The Catholic Thing foi ver o que se passava numa dessas celebrações e faz a descrição, algo deprimente.

E por fim, o meu desafio para enviarem sugestões para nomes de bandas de death metal cristão (género que, incrivelmente, existe mesmo) não foi propriamente um retumbante sucesso, mas ainda chegaram algumas. “Santo Sepulcro”, “Andronikos Rakar” e “Kristos Rules” ficam assim empatados em primeiro lugar.

Wednesday, 5 May 2021

Não sabemos a Hora

Elizabeth A. Mitchell
No conto macabro de Edgar Allen Poe “A Máscara da Morte Vermelha”, o Príncipe Próspero toma uma decisão surpreendente quando o seu reino é ameaçado por uma praga mortal. Ele tem poder absoluto e, por isso, encerra o seu palácio, fecha os portões e não deixa ninguém entrar nem sair, isolando-se da morte. Simples. Próspero e os seus cortesãos podem divertir-se em segurança, a Morte não consegue entrar. 

Até que entra. A morte chega, qual convidado indesejado nas soirées exclusivas do Príncipe, e todos os foliões, incluindo o próprio Príncipe, perdem a vida, sem se poderem proteger deste intruso.

E nós, com os nossos confinamentos modernos, com os nossos edifícios isolados e listas de pessoas “essenciais” não somos muito diferentes do Príncipe e das suas tolices. Pior, porque ao tentar manter a Morte fora da nossa sociedade, também fechámos as portas à Vida.

Eu tenho o privilégio de poder aceder a um lar perto de onde vivo. É uma instituição bem gerida e sobreviveu a esta crise sem qualquer surto significativo. Um triunfo para os idosos e uma alegria para todos os residentes. Mas como ninguém pode entrar e ninguém pode sair – nem o carteiro, nem amigos e familiares, nem mesmo o padre – também Cristo foi vedado.

Cristo costumava ser recebido todas as semanas e os residentes católicos apreciavam poder ir juntos à missa. Mas durante o confinamento, que foi mais severo nos lares do que em qualquer outra parte do país, o padre já não pôde entrar. Os residentes estavam ainda impedidos de se juntar em pequenos grupos para rezar. Aceitaram a sua nova realidade: Missa só na televisão, sozinhos, nos seus quartos.

Passaram-se meses. A Páscoa chegou e partiu e veio o calor do verão. Passou a primavera, e o Natal, sem visitas de familiares, e os residentes revelaram uma resiliência e uma força de vontade invulgares. Muitos viveram os tempos da Segunda Guerra Mundial, a vacina da poliomielite e outros desafios. Isto, concluíram, era difícil, mas viável.

Depois veio a Semana Santa e algo mudou. Residente após residente comentou o quanto sentia a falta da Eucaristia. Muitos destes católicos da vida inteira, habituados à missa diária, não recebiam a Eucaristia há mais de um ano. Nem uma vez. E não havia esperança de o fazer.

Foi então que se tornou evidente que, uma vez que eu podia entrar no edifício, Cristo poderia usar-me para aceder. Não duvido que Ele queria vir. Ele via estas almas amadas e ansiava poder estar com elas. 

A aprovação pelo nosso diretor-geral – quase um milagre em si mesmo – combinada com a confiança do pároco, levou à determinação de uma data para eu poder levar a Eucaristia aos residentes. À tarde de Sexta-feira Santa. Sexta-feira Santa? O único dia no mundo em que a Missa não é celebrada, em que Cristo está no sepulcro e o mundo aguarda a Ressurreição em silêncio e solidão.

Quantas hóstias quer? Perguntou o pároco. Vinte e cinco, respondi, pensando que chegaria. Mas algo dentro de mim dizia-me que seriam precisas mais, que devia pedir quarenta. Devia ter ouvido.

Cristo e eu chegámos pontualmente às 13h e fomos diretamente para a Sala das Actividades. Tinha sido colocado um aviso apressado no elevador a dizer que os católicos que quisessem receber a Santa Comunhão podiam juntar-se para a distribuição.

Entrei na sala e vi fé, fé pura, e devoção. Homens de fato, mulheres com colares de pérolas e as suas melhores roupas, todos cientes da presença de Cristo. Coloquei a píxide na mesa e começámos a rezar. Enquanto passava de residente para residente, proclamando: “O Corpo de Cristo”, ouvia a resposta habitual: “Amen”, seguida de “Obrigado!”

Durante a Acção de Graças uma senhora na fila da frente inclinou-se para mim sobre a sua bengala e repetiu: “obrigado, obrigado, obrigado por nos trazer Cristo”.

O Senhor não se esqueceu daqueles indivíduos que nem conseguiam descer até à sala de um edifício confinado numa Sexta-Feira Santa tranquila para O receber. Ele viu-os, os mais isolados, sozinhos nos seus quartos, e foi ao seu encontro. Todos eles. Pelo nome.

Tinham-me dado uma lista de todos os católicos registados quando cheguei: quarenta nomes. Comecei a partir as hóstias em dois, dado o número de almas que desejavam Cristo, enquanto caminhava pelos corredores, batendo nas portas que me tinham sido indicadas, perguntando alto: “Gostaria de receber a Eucaristia?”

A resposta? Suspiros. Lágrimas. Alegria. “Agora? Posso receber a Eucaristia agora?”, perguntavam estupefactos.

Um homem caiu de joelhos à entrada do seu quarto quando me abriu a porta para receber a Eucaristia ali, na ombreira. “Senhor, eu não sou digno”.

Outro, que estava sentado sozinho no sofá a ver a bola, sentou-se direito, surpreendido e expectante, e rezámos juntos. “Senhor, que entreis na minha morada”.

Um casal estava sentado junto na sala de estar do seu apartamento. O marido precisou de ajuda para levar a Eucaristia até à boca, porque tinha as mãos paralisadas.

Alguns dos que estavam na lista já não estavam vivos, tinham sido chamados de volta ao Senhor durante o ano que passou.

Outros foram hospitalizados entretanto, por questões de saúde inesperadas. A sua Eucaristia de Sexta-feira Santa acabou por ser um viático. Não sabemos a hora.

Repeti a cada residente: “Cristo sabia que estava aqui. Ele vê-o. Ele queria vir. Arranjou maneira”.

Uma das mulheres limitou-se a chorar, inclinando-se sobre a sua bengala à entrada do quarto. “Obrigado”, murmurou, “não recebia a comunhão há mais de um ano”. Corriam-lhe lágrimas de gratidão pela cara.

Cristo vê-nos. Ele encontra-nos. “Ele nunca vos falhará ou abandonará” (Deuteronómio 31,6). Não há muro no mundo que o consiga excluir. Nenhum poder do Inferno pode superar a sua força. Nenhuma pandemia nos pode separar, se estivermos dispostos a recebê-lo.

Não sabemos nem o dia, nem a hora, mas a sua vinda é certa. A sua Vida triunfa sobre a Morte, porque a vitória já lhe pertence.


(Publicado pela primeira vez no Domingo, 2 de Maio de 2021 em The Catholic Thing)

Elizabeth A. Mitchell, é doutorada em Comunicação Social Institucional pela Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma, Itália, onde trabalhou como tradutora para a Sala de Imprensa da Santa Sé e para o L’Osservatore Romano. É decana dos alunos na Trinity Academy, um colégio católico privado no Wisconson. A sua tese “Artist and Image: Artistic Creativity and Personal Formation in the Thought of Edith Stein,” trata o papel da beleza na evangelização pela perspetiva de santa Edith Stein. Mitchell faz ainda parte da direção do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe em La Crosse, Wisconsin, e é conselheira do Centro Internacional St. Gianna e Pietro Molla para a Família e para a Vida.

© 2021 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

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Wednesday, 14 April 2021

Foi Maputo que ameaçou Lisboa, que se mudou para o Brasil

Um tribunal decidiu ontem que o Estado de Ohio pode, sim, proibir abortos por motivo de o bebé ter sido diagnosticado com Trissomia 21.

O ex-bispo de Palma, em Moçambique, admitiu em entrevista que as ameaças de morte de que foi alvo, e que o obrigaram a abandonar o país, partiram do Governo, em Maputo, e não dos terroristas.

Começou ontem o Ramadão. Este ano será novamente diferente, por causa da pandemia. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa enviou saudações à comunidade.

Na Índia também se vivem dias de festa. O Kumbh Mela é a grande peregrinação dos hindus, mas está a provocar aglomerações de dezenas de milhares de pessoas sem cuidados numa altura em que a pandemia está em alta.

Sete religiosos – dois padres e duas freiras – foram raptados no Haiti e os raptores pedem perto de 900 mil euros de resgate.

Temos hoje novo artigo do The Catholic Thing. Randall Smith diz o seguinte sobre a ressurreição dos mortos. “Uma das maiores tragédias, quando as pessoas perdem a fé na Presença Real de Cristo na Eucaristia, é de que rapidamente perdem a sua esperança na comunhão dos santos – de que mesmo na morte continuamos presentes para os nossos amados e eles connosco. Se Cristo não ressuscitou e está presente para nós, então o mesmo se aplica a todos aqueles que amamos. E isso é algo demasiado triste para contemplar.” A ler! 

Thursday, 4 March 2021

“We hope the Pope puts his diplomatic machine to work 100%”

This is a full transcript, in the original English, of my interview with Metin Rhawi, from Suroyo TV and the European Syriac Union, regarding the importance of Pope Francis’ visit to Iraq. Excerpts of this interview were used here and here.

How important is this visit for the Christians in Iraq?

The Christians in Iraq, we have good knowledge about what they are thinking, and regarding this visit many people find it important, of course, because they belong to the Catholic Church, they are Chaldeans or Syriac Catholics, and that gives them a possibility to see their supreme leader in faith. But at the same time there are also clear voices from the same community who have reservations. 

We know the situation of our people, the Christians in Iraq. We are out in the diaspora, we have lost everything, it is about existing or not in their homeland. Since Daesh no rights have been acknowledged. We are happy that they are talking a bit more about the Yazidis now, and also remembering that there were Christians who suffered very much, and so they are also mentioned, but we have lost properties, our land, our cities, our villages, our rights and there has also been a very bad influence in the civil society, with people thinking that they do not actually need the Christians, they are not part of the system, part of the culture, and also some voices from Muslim leaders asking why the Pope should come to Iraque, since he is an infidel. 

Of course, Al-Khadimi and Barham Salih have expressed their gratitude and they are happy he is coming, they are doing their best and trying to show a good face, but both sides exist, in general, among the society, and also among the Christians. Some are very happy, but others are raising issues. We have been victims of genocide for over 100 years. The last big genocide was in 1915, prior to that, 1895 and then Daesh 2014. Nobody demanded acknowledgement or liability for what happened then and now. Rights do not exist. Nobody talks about the possibility of educating our children in our language, the right to be Christian and if we want to produce and consume alcohol it should not be a problem, but instead we see bombing of the stores that sell alcohol in Baghdad. So there are many rights that have been left out and it seems to those people that the Pope should ask about this situation before coming here and making sure that the rights should be acknowledged and given to the Christians, the Assyrians/Chaldeans/Syriacs, because it gives some kind of legitimacy to the Baghdad regime, as if they had been successful in dealing with this sort of thing. But obviously the Pope will be having diplomatic discussions with them, I believe. 

But of course we know the Vatican has always had a very pragmatic approach to diplomacy, and have in fact been able to achieve successes and rights precisely through dialogue with regimes that are not always friendly, such as China.

Obviously, the Pope’s administration is very powerful and he is in a position that he can, indirectly, influence some foreign ministries. Obviously, the countries that are Catholic, and proud of it, listen to the Pope when he has something to say, we know that! That is why we, as the European Syriac Union have not expressed reservations about this visit. We think it is good, it is very important that he visit our homeland, because some of our people belong to his church, they are faithful to his church, and to him, and he should be asking about their rights. We hope that he will do that, we understand also that he is not a leader of a country who has an army to invade, or to impose sanctions, but we know that he has the capacity, when he wants to, to draw a line in the sand that should not be crossed. We hope that is his intention, because we see a lot of concern from the Pope and the cardinals and bishops around him have expressed this, that Christianity should not vanish from the Middle East, from Iraq. They are trying to do their best, but their strongest weapon is prayer... But we know that he has diplomacy and we believe that he will use it, of course. 

I am trying to show you the full picture. There are people on the ground with both opinions. I know that in Baghdedi and Bartella for three months a choir has been practicing singing hymns in Italian and in Latin, as well as in Arabic and Syriac, to show that they are proud to be Assyrian/Syriac/Chaldean, they have their own language, but they belong to Iraq at the moment, they are Iraqi and they are also Catholics. 

Disunity has always been a problem for Christians in the Middle East. Following the persecution by the Islamic State, has the situation improved?

If you look internally, when it comes to Christianity, the persecution woke us up from this strange dream that we are different empires living on the ground. In fact we are hospitalised on the ground, we are close to dying on the ground, but still the church leaders are not trying to find us a common line on the ground for Iraq. The Patriarchs and leaders of the different churches should cooperate much more. They are all Christian, but they have the same roots, they are the same people, there is no doubt that they are the same community, but they are divided in different "isms", when it comes to faith some are Catholics, some are Orthodox. They should have done much more.

Watching the political leaders, I can see that they are trying, but the ones who have more power, with seats in Parliament, consider that they are big enough to decline any interest that does not benefit them directly, they are not thinking as a community, but rather as parties. We are still divided, unfortunately, in that sense. It is tough to say that, it hurts, but it is the reality.

There are many reasons for the Pope not to visit at the moment. A recent bombing in Baghdad, the pandemic… The Pope has personally insisted on going. In your opinion is he being foolish, brave, or both?

We have seen in the news that even the previous Pope has expressed his fear and called upon Pope Francis to be careful and maybe not visit because of the security, and the Pandemic. I think that the Pope is not stupid, he is not foolish. He is doing a very good thing to show that he is with his people and that he has interests in Iraq because of the people and because the societies in the Middle East are based on faith and religion and he is a leader that mush show that he is close to his people. And he is doing that and we should really give him credit for that.

We hope he will get home safe and secure, and I think that will be arranged, I am not worried that something might happen to him. His faithful love him, and they won't get too close because of Covid. I think all this will be respected, and he knows how much this means to his people, because even if some say he should not visit before rights are guaranteed, there is a part of the community that is really insisting, and rightly so, that he is showing courage and showing that he is with them, that he knows that they exist there and that nobody should be able to force them out. So much so that he is even willing to visit them himself. It is an act of being with his people, and that is good, and we should give him credit. 

But of course, above all, we really hope he will run his diplomacy machine to work 100%, because it is a very critical situation, in Iraq and in the Middle East in general. 

In Iraq there are about 300 thousand Christians from different churches, of the Chaldean/Assyrian/Syriac people today. So, from being about 4 million 20 years ago, maybe more, to 1.8 million in 2003, or 1.5, according to the figures, now people say 200 thousand, others say 300 thousand, so we can see that it is like 10% left. We are not far away, in time, it could be in our lifetimes... This is frightening, and we need to be awake and I think the Pope is acting on that. 

Thursday, 4 February 2021

Dificuldade e drama em Fátima e fraternidade sinfónica

Dez professores de Direito, incluindo catedráticos e “pais da Constituição” deram a cara para o facto de a lei da eutanásia aprovada no Parlamento ser inconstitucional.

Difícil e dramático” é como o Santuário de Fátima descreve o ano de 2020, que assistiu a um decréscimo grande de receitas devido às medidas Covid.

O Papa participou esta quinta feira no primeiro Dia da Fraternidade e decretou que “ou somos irmãos ou nos destruímos uns aos outros”. A fraternidade, diz ainda o Papa, é sinfónica.

A Igreja Católica de Angola alerta para um “grave massacre” que ocorreu no final de janeiro. As vítimas seriam membros do Movimento do Protectorado Português de Lunda Tchokwe. Eu também desconhecia, mas aqui podem aprender mais.

Certamente já ouviram falar do livro “Quo Vadis”. O artigo desta semana do The Catholic Thing em português parte dessa obra primada literatura para retirar lições para os cristãos de hoje.

Friday, 22 January 2021

Biden bem, Biden mal, nacional-vacinismo nunca mais!

Duas notícias hoje sobre a nova administração Biden, uma positiva (a meu ver) outra negativa (idem). A suspensão das ordens radicais de deportação de imigrantes ilegais – independentemente do seu percurso no país ou do facto de terem mulher e filhos – está a permitir a dezenas de pessoas saírem de igrejas onde procuraram asilo há mais de três anos.

Por outro lado, a redefinição de todas as leis de discriminação sexual abre as portas a uma enxurrada de abusos e de violações da liberdade religiosa, entre outros. O artigo desta semana do The Catholic Thing é sobre algumas das dificuldades de relação entre Biden e os bispos católicos.

O Papa quer que o mundo evite o “nacional vacinismo”.

Com a suspensão das missas públicas, a Renascença voltará a transmitir missa diariamente na Rádio. Também o Santuário de Fátima transmite cinco celebrações por dia.

O médico que descobriu a forma de diagnosticar a Síndrome de Down durante a gravidez e que compreendeu o perigo disso mesmo, está a caminho dos altares. Dizem que faltam milagres, mas eu digo que cada bebé com trissomia que consegue nascer, sobrevivendo ao genocídio em curso, é um milagre! Aqui podem ler sobre outro homem admirável que também está a caminho dos altares!

Eu queria evitar escrever este texto, mesmo, mas em consciência não posso. Tenho assistido com desalento a várias pessoas que partilham da minha visão do mundo e dos meus valores a ir no que considero ser o canto da sereia. Estou a falar do “fenómeno” André Ventura… Leiam aqui para compreender melhor.

Thursday, 21 January 2021

Médicos a escolher quem vive e quem morre é mau, menos quando é bom

Quando regressei, há uns meses, disse que ia tentar voltar a mandar estes mails com regularidade. Ao longo do último mês isso foi completamente impossível, por várias razões, e por isso peço desculpa. Agora vai assim, dia-a-dia, a ver o que se consegue fazer.

Os bispos voltaram a suspender as missas com presença de fiéis, numa altura em que a Covid atingiu dimensões nunca vistas em Portugal. A maioria das comunidades religiosas minoritárias já tinha tomado decisão igual antes.

E numa altura em que morrem centenas de pessoas por dia de coronavírus e os médicos choram, literalmente, por se encontrarem na posição de ter de decidir quem vive e quem morre, o nosso Parlamento não achou melhor ideia do que aprovar uma lei que permite aos médicos matar os seus doentes. A lei da Eutanásia segue agora para Belém, veremos o que acontece a seguir.

Biden foi empossado ontem. A cerimónia teve muita simbologia e linguagem religiosa e o Papa mandou uma mensagem. O presidente da Conferência Episcopal Americana também o fez, mas essa não caiu tão bem, causando até divisões dentro do episcopado. A relação entre Biden e os bispos promete dar que falar e foi tema do artigo desta semana do The Catholic Thing em português.

O tribunal do Vaticano condenou hoje a penas pesadas dois ex-dirigentes do Banco do Vaticano, um com 81 anos e outro com 97 e ainda confiscou dezenas de milhões de euros das suas contas!

Como sabem estive a coordenar a publicação no site da Renascença de uma série de Postais de Quarentena. Hoje publicámos o 100º, mas um dos mais recentes foi um postal da clausura, escrito pelas monjas de Campo Maior, que podem ler aqui.

Friday, 13 November 2020

Tolentino e a competência dos pais para educar os filhos

Amanhã é o primeiro fim-de-semana de recolher obrigatório, o que vai dificultar as missas dominicais. Alguns padres e bispos tinham avançado a possibilidade de permitir a celebração de missa dominical ao sábado de manhã, mas uma nota publicada pela CEP, esta sexta-feira, explica que isso não é possível, afinal.

A Renascença publica hoje uma grande entrevista com o cardeal D. Tolentino Mendonça. A ler, como sempre!

Realizou-se na noite de ontem o segundo webinar da Pastoral da Família. O tema desta sessão era “Serão os pais competentes para educar?”. Podem saber mais aqui, e até assistir à conferência toda.

As eleições americanas deram muito que falar. Donald Trump continua a negar que tenha perdido, mas o Papa Francisco ligou a Joe Biden para lhe dar os parabéns.

Como já disse, tenho estado a coordenar uma interessantíssima série de “Postais de Quarentena” de diferentes partes do mundo. O de ontem é escrito por um padre romeno e vem em jeito de homilia, com criticas apontadas a quem dificulta o combate ao vírus.

Uma recomendação. Com o aproximar do Natal, não deixem de ver este livro de Thereza Ameal, que pode dar um óptimo presente. Podem saber mais sobre o projecto no programa da Aura Miguel em que a autora participou.

Não se esqueçam de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, sobre o relatório McCarrick, a minha opinião sobre o assunto está aqui.

Thursday, 12 November 2020

Mais surpresa, mais McCarrick

Os bispos voltaram a afirmar que foram apanhados de surpresa pelo anúncio do recolher obrigatório e que vão discutir mais o assunto durante a reunião plenária da Conferência Episcopal.

O tema da pandemia está, por isso, na ordem dos trabalhos dos bispos, mas na abertura da reunião, quarta-feira, D. José Ornelas voltou a falar do tema da Eutanásia.

O Papa Francisco disse esta quarta-feira que a Igreja vai continuar a lutar pela erradicação dos abusos sexuais. Disse-o um dia depois de ter sido publicado o relatório McCarrick, que visa saber como é que um predador sexual como ele chegou a cardeal e arcebispo de Washington, gozando de enorme influência.

Esse relatório, que já referimos ontem, deixa o Papa João Paulo II bastante mal visto. Para quem, como eu, cresceu a amar aquele pastor, são revelações difíceis de engolir. Como conciliar estes seus erros com o facto de ter sido declarado santo? Em primeiro lugar, compreendendo que existe uma diferença entre o erro e a corrupção. Escrevo sobre isso, evocando outra figura sobre quem surgiram entretanto revelações tristes, Jean Vanier, neste artigo que vos convido a ler

E o relatório McCarrick é ainda o tema do artigo desta semana do The Catholic Thing. Normalmente publicamos um artigo que tenha sido publicado no site original na semana anterior, mas esta semana, pela primeira vez, publicamos nós em primeira mão, o artigo que só sairá mais tarde na edição americana. É a vossa oportunidade de se anteciparem aos leitores anglófilos! Não a percam.

Saturday, 7 November 2020

Um cardeal raptado, outro humilhado

Padre Manuel Horácio, vítima de Covid-19
Começamos com a triste notícia da morte, por Covid-19, de um sacerdote em Felgueiras.

Um cardeal polaco de 97 anos foi despido das suas honras episcopais e não terá direito a um funeral na catedral, na sequência de uma investigação sobre abusos sexuais.

Já nos Camarões um cardeal de 90 anos foi raptado mas, felizmente, libertado novamente ao fim de 24 horas. Nem de propósito, um missionário nigeriano que se encontra em Portugal lamenta, em entrevista à Renascença, que os europeus apenas tenham reagido aos atentados que acontecem no seu território, quando este problema já era muito comum em África. A ler.

Realizou-se na quinta-feira o primeiro de quatro webinars organizados pela Pastoral da Família. Podem ler aqui um resumo e ficam a conhecer as datas dos próximos três.

E em semana de eleições nos EUA, o artigo desta semana do The Catholic Thing fala sobre como os católicos, que em tempos se sentiam como peixe na água no Partido Democrata, se têm estado a afastar aos poucos para o Partido Republicanos. 

Monday, 26 October 2020

Covid no Lar e Pizzaballa na Terra Santa

Há um surto de Covid-19 na Casa Sacerdotal de Lisboa, o lar para padres idosos e reformados do Patriarcado de Lisboa. Por enquanto só um padre idoso tem sintomas. Saiba tudo aqui.

O Papa nomeou mais 13 cardeais. Entre eles o primeiro cardeal negro dos EUA, um do Ruanda e um do Brunei, de ascendência chinesa.

Francisco nomeou também o novo Patriarca Latino de Jerusalém. Trata-se do franciscano italiano que já servia como administrador há quatro anos, pelo que não foi uma surpresa total, mas os fiéis e o clero, de vasta maioria árabe, esperavam que fosse novamente um árabe a ser escolhido.

Nos dias em que estive de folga o Parlamento chumbou o referendo à eutanásia. Os bispos não se coibiram de criticar os deputados.  

Depois de ter publicado duas notícias com base numa entrevista ao padre Peter Stilwell, a semana passada, hoje deixo-vos com a transcrição integral da conversa, para quem quiser ler mais a fundo.

Não deixem de ler o artigo do The Catholic Thing dasemana passada, sobre como a candidata a juíza no Supremo Tribunal dos Estados Unidos é “intolerável”, como nós também devíamos ser.

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