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Friday, 22 October 2021

A Caminhada Pela Vida é já no Sábado

Vem junta-te a nós...
É amanhã que se realiza a Caminhada Pela Vida. São dez cidades em simultâneo, sempre às 15h. Se acreditam na “dignidade e na beleza da vida”, ou se querem aproveitar para homenagear as vítimas da Covid, não deixem de aparecer!

Depois de uma primeira tentativa falhada, por causa da Covid, o Papa disse esta sexta-feira em entrevista que tenciona ir a Timor-Leste.

Recentemente falei do caso do padre que foi impedido de administrar os sacramentos ao deputado David Amess. Uma proposta no Parlamento britânico consagraria esse direito e ficaria associada sempre ao nome dele.

Bento XVI disse recentemente, numa carta, que espera juntar-se em breve a um amigo que morreu. Desejo de morrer? De todo, explica o arcebispo Ganswein, trata-se antes de uma antiga tradição cristã, a preparação para uma boa morte.

O líder do gangue que raptou 17 missionários no Haiti promete meter “uma bala na cabeça de cada um” caso não receba um resgate de 17 milhões de euros.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, sobre as possíveis consequências para o movimento pró-vida no caso de o Supremo Tribunal americano revogar o Roe v. Wade.

Tuesday, 14 January 2020

Uma trapalhada triste, feia e a roçar o absurdo

Recebi alguns pedidos para comentar esta polémica sobre o livro do Cardeal Sarah sobre o celibato. A primeira coisa que me vem à cabeça é dizer que tudo isto é uma grande trapalhada e tudo é muito triste e feio. Era evitável e começa a ganhar contornos absurdos, com as notícias mais recentes de que apesar do pedido expresso feito por Bento XVI, através do seu secretário pessoal, e reiterados pelo cardeal Sarah, a editora em língua inglesa recusou e vai mesmo atribuir o livro aos dois.

Há aqui algo que está mal contado. O Cardeal Sarah insiste que recebeu luz verde do Papa emérito para avançar com a obra, que estava sempre entendido que seria um livro assinado pelos dois, incluindo a introdução e a conclusão, e que Bento XVI viu e aprovou a capa. O arcebispo Ganswein rejeita essa versão dos factos e, embora diga que não põe em causa a boa fé de Sarah, esclarece que o Papa não quer o seu nome associado à obra enquanto autor, que não autorizou a capa e que não ajudou a escrever a introdução e a conclusão.

Mas há aqui um detalhe que está a passar despercebido… A que capa é que o cardeal Sarah se refere? Que capa é que Bento XVI viu (se é que viu alguma) e aprovou? É que o livro sai amanhã em duas versões diferentes: a francesa, original e a tradução inglesa. A versão francesa tem apenas o nome dos dois na capa e o título e a editora já disse que vai deixar claro que Bento XVI contribuiu para a obra, e não que é coautor.

Já a edição da Ignatius Press, que insiste em manter a coautoria, tem um subtítulo que diz: “Sacerdócio, celibato e a crise da Igreja Católica”. É o mesmo livro, mas estas capas são muito diferentes. A versão inglesa dá a entender que existe uma crise na Igreja de que Francisco é Papa e deixa subentendido que Bento XVI está a tomar um partido nessa crise. Julgo que terá sido daí que veio grande parte do desconforto.

Mas é possível ir mais atrás, à decisão do próprio cardeal Sarah de escrever este livro e publicá-lo precisamente numa altura em que o Papa Francisco se prepara para publicar uma exortação pós-sinodal sobre a Amazónia e em que a questão da ordenação sacerdotal de homens casados está em cima da mesa.

Não saberia o cardeal Sarah que a publicação deste livro seria incómoda para a igreja e para o Papa Francisco? Claro que sabia. E a prova de que sabia é que no comunicado que publicou hoje, defendendo a sua versão dos factos, diz mesmo que convidou Bento XVI a participar na obra nos seguintes termos. “Imagino que pense que as suas reflexões poderiam não ser oportunas por causa das polémicas que causarão na imprensa”.

Ou seja, ele sabia já de antemão que a publicação deste livro, nesta altura, causaria polémica, ainda mais se viesse com o nome de Bento XVI. Então porque é que avançou com o projecto? Porque é que insistiu em colocar Francisco e Bento XVI nesta posição?

Poderão dizer que o fez porque sentia que não tinha outra hipótese que não falar. Tudo bem, mas então que deixe de insistir em dizer que a sua obediência filial ao Papa Francisco é absoluta, como teima em fazer. Não se mostra obediência filial absoluta colocando a pessoa em questão numa situação embaraçosa e pondo em causa a decisão que está prestes a tomar, seja ela qual for.

Já pensaram? Imagine-se que Francisco estava a preparar-se para rejeitar a ideia de ordenar homens casados ao sacerdócio na Amazónia? Como é que o pode fazer agora sem parecer que está a ceder a pressões?

Eu não tenho a menor dúvida de que o cardeal Sarah é um homem bom e espiritualmente profundo, os seus escritos assim o indicam. Mas começo a ter grandes dúvidas sobre o seu bom-senso. É aflitivo como se tem deixado manipular, no passado, por fações que lutam contra o magistério do Papa Francisco e é aflitiva a ingenuidade com que se comportou neste caso, com a agravante de envolver na polémica o grande Papa Bento XVI.

Wednesday, 12 September 2018

Voltei de férias, posso-me ir embora outra vez?

Antes de ir de férias falei várias vezes do caso McCarrick, nos EUA. O que para muitos parecia ser apenas uma crise localizada nos EUA revelou-se, como eu já imaginava, uma crise para a Igreja Global que hoje levou o Papa a convocar todos os presidentes de Conferências Episcopais para uma cimeira sobre abusos, em Fevereiro.

Isto no mesmo dia em que o sucessor de McCarrick anunciou que vai a Roma discutir a sua resignação e um relatório na Alemanha, revelado pela imprensa, mostra que houve pelo menos 3.700 casos de abusos sexuais naquele país nas últimas sete décadas.

Neste momento os bispos americanos preparam-se para viajar para Roma para discutir estes assuntos mais directamente com o Papa também e o secretário pessoal de Bento XVI disse ontem, numa data apropriada, que os abusos são o 11 de Setembro da Igreja.

Por cá, os bispos continuam a confiar que as directrizes já aprovadas chegam para lidar com eventuais casos de abusos. Esperemos que tenham razão.

O tema dos abusos continua a merecer atenção por parte dos autores dos artigos do The Catholic Thing. Anthony Esolen dá um murro na mesa neste artigo e o padre Vaverek considera que o que está verdadeiramente em causa é uma crise de abuso de autoridade.

Temos também dois artigos do jovem Casey Chalk. No primeiro ele aconselha-nos a, no meio da tempestade, rezar mais e com mais força e, no de hoje, adverte para o perigo de, no meio dos pedidos de responsabilização, não “protestantizar” a Igreja.

Tuesday, 15 January 2013

Secularismo 3 - Liberdade Religiosa 1

"George Clooney de São Pedro"
A notícia do dia é o facto de o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem terem dado razão ao Reino Unido no caso de três pessoas despedidas por causa das suas crenças religiosas. Uma quarta queixosa venceu o seu caso. Secularismo 3 – Liberdade Religiosa 1.


Num tom mais leve, o secretário pessoal do Papa é capa da edição italiana da Vanity Fair. “Padre Georg – Ser bonito não é pecado” é a manchete… enfim.

A diocese de Évora lançou as redes com as quais espera apanhar novos trabalhadores para a messe.


Por fim, numa notícia da Renascença, da semana passada, falava-se de uma adventista do sétimo dia, que foi a tribunal para não ter de trabalhar ao sábado. No artigo falámos com uma socióloga especializada em religião. Por erro meu, identificava-se Helena Vilaça como sendo também adventista do sétimo dia. Isso partiu de uma confusão minha e já foi corrigido na notícia original. Sei que o erro causou-lhe algum incómodo, e bastante confusão a quem a conhece, e por isso peço as maiores desculpas.

Monday, 4 June 2012

Que dizer do "Vatileaks"?

São Pedro chora...
No meio desta confusão que tem sido o caso “Vatileaks” tenho mantido um certo silêncio que alguns poderão estranhar. Isso deve-se unicamente ao facto de eu não ter muito a acrescentar no sentido de esclarecer, pelo menos não tenho muito que já não tenha dito anteriormente.

Claro que o primeiro comentário que isto merece é que é imensamente triste. Sobretudo porque não estamos a falar de documentos que alguém de fora roubou para tentar tramar altas figuras do Vaticano, estamos a falar de documentação que foi colocada na imprensa por figuras do Vaticano para tramar outras figuras do Vaticano e eu, que não sou propriamente dado a teorias da conspiração, tenho sérias dúvidas de que o único culpado aqui seja o mordomo...

É triste também porque estamos a falar de homens que se consagraram inteiramente a Deus e que pelos vistos não têm noção do mal que estão a fazer à Igreja que supostamente deviam estar a servir. Mas por outro lado não é muito surpreendente e, para todos os que são Católicos, é uma recordação de que a nossa fé não deve depender da integridade pessoal desta ou daquela pessoa, que a Igreja é divina mas também humana e que a parte humana peca, e de que maneira.

Como já escrevi anteriormente, a grande vítima destas fugas todas nem tem sido o Papa, mas sim o Cardeal Tarcísio Bertone, o seu “número 2”. Para se perceber melhor isto deve-se compreender que a posição ocupada por Bertone costuma ser ocupada por um diplomata do Vaticano. Mas Bertone é salesiano e, já há alguns anos, li que havia queixas de que ele estaria a nomear muitos salesianos para postos importantes na Cúria Romana.

Aparentemente, a “instituição” da Cúria não gosta de Bertone e quer ver-se livre dele. Estas manobras todas teriam como intuito correr com ele. Se era essa a ideia, saíu-lhes o tiro pela culatra, porque as intenções são tão evidentes que mesmo que o Papa quisesse não o poderia demitir porque dará a ideia que está a alinhar no jogo.

Hoje a Associated Press indica que uma fonte do Vaticano terá dito à imprensa italiana que os culpados de toda esta campanha são o próprio Bertone e também o secretário pessoal de Bento XVI, o padre Georg Gaenswein (conhecido informalmente como “Gorgeous George” e “O Adonis da Floresta Negra”...).

Sinceramente parece-me uma afirmação absurda, sobretudo porque embora eu não tenha lido todos os documentos divulgados na imprensa, os mais bombásticos têm sido sempre muito críticos de Bertone, por isso estar a dizer que foi ele que os divulgou parece-me ridículo. Mais rapidamente a “fonte” citada é que estará a tentar enfiar mais uma alfinetada.

Poucos ficam bem nesta fotografia. De facto nada disto tem implicado o Papa directamente, embora alguns o acusem de estar demasiado desligado do governo diário da Santa Sé. De resto, na verdade, pouco mais resulta se não uma enorme desconfiança em relação a todos os membros da Cúria.

Que pena.

Filipe d’Avillez

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