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Friday, 12 January 2024

Thattil para resolver embróglio malabar e explosão de padres detidos

Bispo Rolando Alvarez, um de 
muitos detidos na Nicarágua

Há duas semanas falei da divisão na Igreja Siro-Malabar, a segunda maior igreja católica oriental, e de como isso era mais uma dificuldade para o Papa Francisco nesta fase difícil do seu pontificado. Ora, o sínodo dessa igreja acaba de eleger um novo líder, que terá a difícil tarefa de tentar sarar divisões. Toda a informação acerca deste assunto, aqui.

Um dos meus trabalhos na fundação Ajuda à Igreja que Sofre é manter uma lista de todos os padres e religiosos que são assassinados, detidos ou raptados ao longo do ano. No início do ano seguinte escrevo um artigo a dar conta dos números. Ora, este ano a grande notícia é uma autêntica explosão em detenções de sacerdotes/religiosos – sendo que só contabilizamos as detenções por motivos de perseguição, e não por delitos comuns. A única boa notícia é uma queda no número de assassinatos e de raptos, embora esta ainda seja uma realidade importante.

A polémica da semana é o facto de alguém ter desenterrado um livro do actual prefeito para o Dicastério da Doutrina da Fé, escrito há décadas, que versa temas de sexualidade, chegando a empregar termos bastante crus. Vou ser sincero: não li o livro, nem está na minha lista de prioridades, mas li, isso sim, uma análise da situação do reputado jornalista John Allen Jr., da Crux, e recomendo que o leiam também, pois tendo a concordar com as suas conclusões.

As escolas católicas pediram ao Presidente da República que vete a lei da audoterminação de género nas escolas. Veremos como é que isso corre.

De Bragança chega uma notícia interessante. A diocese está a receber uma visita de frades franciscanos itinerantes, e por isso o bispo D. Nuno Almeida aproveitou o balanço e vai acompanhá-los, fazendo assim visitas pastorais às localidades. Excelente ideia!

Henrique Leitão, historiador da ciência e comentador, foi nomeado para o Comité Pontifício de Ciências Históricas. É mais um português em lugar de destaque no Vaticano. Parabéns!

E caso tenham estado atentos às notícias, parece que o Ecuador está a mergulhar no caos. Os bispos locais esperam que a violência não tenha a última palavra.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é sobre educação, com Randall Smith a tecer algumas observações sobre a mania de se tratar os alunos universitários como a “nata da sociedade”, quando na verdade estão (ainda) muito longe disso. Leiam, que é um artigo divertido e cheio de pontos válidos.

Deixo-vos com dois desafios. Um curso da Escola de Leigos, sobre o Concílio de Niceia e ministrado pelo meu tio Pe. Peter Stilwell, e uma conferência sobre Bento XVI organizada pela fundação Maria Ulrich, e que será dado pela Aura Miguel.

Wednesday, 25 January 2023

Como transformar 4 em 145 - Uma história de fake news

Fala-se muito em “fake news” hoje em dia, e na maior parte das vezes imaginamos notícias propositadamente deturpadas, enganosas ou simplesmente inventadas, para alcançar algum fim malévolo.

Mas na minha experiência a maior parte das “fake news” que existem devem-se a erros básicos, ignorância e falta de rigor jornalístico por parte de quem as escreve.

Hoje tive um exemplo perfeito disso mesmo.

Esta notícia publicada pela Aciprensa Africa, um respeitável órgão católico, explica que em 2022 foram assassinados 39 padres na Nigéria.

Todos sabemos que a Nigéria está a atravessar um período muito difícil em termos de conflitos inter-religiosos e perseguição dos cristãos, mas um dos meus trabalhos para a fundação Ajuda à Igreja que Sofre ao longo de 2022 foi precisamente de ir mantendo uma tabela com todos os casos de membros do clero ou freiras assassinados, raptados ou detidos em contexto de perseguição, ao longo do ano. E para a Nigéria o número total de assassinados que pudemos confirmar foi 4. Ou seja, menos 35 do que a notícia da Aciprensa. Aliás, 35 é bastante mais do que todos os padres católicos assassinados em 2022 no mundo inteiro! Estranho, no mínimo, mesmo que admitamos que tenha havido mais do que 4, e que tenha havido casos que nos passaram despercebidos.

A notícia da Aciprensa indica como fonte um relatório de um respeitado organismo nigeriano, o SB Morgen Intel. Clicando no link, contudo, percebemos que não existe um relatório, mas um infográfico, intitulado “gráfico da semana”, que pretende mostrar a perseguição sofrida por padres católicos na Nigéria em 2022.


Claramente o problema está aqui. O gráfico, como podem ver, fala em 39 “incidentes”, dos quais resultaram 145 vítimas. Repare-se que “casualties” não significa necessariamente mortes, mas vítimas, que podem ser mortos ou feridos.

Contudo, no canto superior direito existe de facto uma tabela mais pequena que diz indicar o número de “mortes por zona geopolítica” e a soma dessas “mortes” dá de facto 39.

Estou a aguardar uma explicação da SBM Intel, mas sinceramente acho que a explicação mais fácil para isto é de que alguém na organização reciclou um gráfico e se esqueceu de trocar a palavra “mortes” por “incidentes”. Um erro básico e até compreensível.

O problema é que, como se não bastasse alguns estarem a fazer eco dos supostos 39 mortos, já apareceram outros órgãos a expandir ainda mais o número. Assim, o Sahara Reporters conseguiu chegar a 145 padres mortos na Nigéria no espaço de um ano. É só 36 vezes o número real!

E obviamente esse número já foi replicado por incontáveis outros órgãos de informação, blogs, e posts nas redes sociais, por pessoas que não estranharam nem foram capazes de ir verificar.

Isto é fake news, como a conferência episcopal nigeriana já veio confirmar. E é assim que um erro, multiplicado várias vezes, acaba por desvalorizar um número que já por si nos devia chocar, que é a morte de quatro padres, em contexto violento, no espaço de apenas um ano, por tentarem ser fiéis à sua vocação.

Wednesday, 28 December 2022

Rezemos por Bento XVI

O Papa Francisco pede-nos que rezemos pelo Papa Bento XVI, que está gravemente doente. O que significa um pedido destes para um homem frágil, de 95 anos? Rezamos pela sua cura, porque nos faz impressão que morra, ou rezamos para que morra em paz? Rezemos para que se faça a vontade de Deus e não a nossa, neste caso e sempre. É um bom princípio.

Em todo o caso, este pedido pode ser lido como um simpático aviso por parte do Vaticano de que Bento XVI está muito próximo da morte. Já haverá certamente jornalistas a marcar viagens para Roma. Da minha parte, antecipo o envio deste mail por um dia, mas prometo que, se o Papa emérito de facto morrer nos próximos dias, estarei em cima do acontecimento para vos trazer as principais notícias e os melhores textos de obituário. Para já, fiquem com este texto que eu escrevi em Fevereiro de 2013, quando ele resignou.

Olhando para a realidade internacional, mais de uma centena de clérigos e freiras foram raptados, mortos ou detidos em contexto de perseguição ao longo de 2022. São números terríveis. Podem conhecê-los melhor aqui, num texto em inglês da minha autoria, ou numa versão portuguesa.

Estão abertas as inscrições para famílias que queiram acolher jovens nas JMJ. Toda a ajuda é pouca! Não fiquem de fora.

O artigo desta semana do The Catholic Thing fala dos dons do Espírito Santo e como se desenvolvem em nós de forma gradual, quase despercebida e discreta. Assim como um bebé divino que nasce no meio do mundo, para a sua salvação.

Se vos interessam questões de justiça económica e financeira, recomendo espreitarem este evento que se vai realizar em Janeiro. Uma abordagem diferente à noção de concertação social!

Actualizei também as mais recentes declarações dos líderes religiosos sobre a Ucrânia, com interessantes textos da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, a que está, ou estava, ligada a Moscovo, a pedir liberdade religiosa e o fim do que dizem ser um clima de perseguição movida pelas autoridades. É um tema complexo, podem ler aqui a minha análise, e os textos completos aqui.

E para quem não leu, mas tem interesse, está aqui também a minha análise da polémica envolvendo o Pe Rupnik, que tem deixado muita gente perplexa e chocada.

Thursday, 30 September 2021

Fim das restrições nas igrejas e genocídio lento na Nigéria

D. Alexandre José Maria dos Santos
Terminam amanhã as restrições à lotação das igrejas. Fica ao critério de cada comunidade, agora, avaliar “de forma ponderada os distanciamentos e os limites impostos à lotação das nossas igrejas”. A comunhão continua a ser na mão.

A Igreja na Nigéria considera que os cristãos estão a ser vítimas de um “lento genocídio” às mãos da etnia fulani, de maioria muçulmana. São acusações graves sobre uma realidade aflitiva que poderá já ter feito até 36 mil mortos nos últimos anos.

A perseguição religiosa no mundo decresceu em 2019, pelo quinto ano consecutivo. Já as restrições governamentais continuam mais altas que nunca.

Morreu o cardeal D. Alexandre Maria dos Santos, que foi um dos pais do processo de paz em Moçambique, nos anos 90.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é escrito pelo ex-protestante Casey Chalk, que fala da visão que os protestantes têm do culto mariano na Igreja Católica. É muito interessante, e útil até para o diálogo ecuménico, no sentido de melhor nos compreendermos.

Wednesday, 28 October 2020

Fogo Sagrado: Renovação depois da Destruição

Ines A. Murzaku

Recebi recentemente uma mensagem de uma ex-aluna, que agora é professora num liceu católico e que escrevia, alarmada: “Dr. Murzaku – espero que esteja bem. Ouviu falar do vandalismo na Igreja de Santa Ágata, na Sicília? É terrível.” Ela tinha viajado comigo numa visita de estudo à Sicília e estava muito aflita com a notícia.

A Igreja de St. Ágata, em Caltanissetta, na Sicília, foi sujeita a um grande ataque – assalto e profanação, a Eucaristia lançada ao chão, relíquias destruídas, o vidro da Nossa Senhora da Dormição quebrado e um dos seus braços partidos e a destruição de objetos sagrados. O que a minha aluna não sabia era que este mais recente ato de vandalismo e profanação aconteceu apenas um mês depois de um ataque à mesma igreja.

Mas aqui mais perto de casa as coisas não são melhores. Há poucas semanas soube-se que o padre Travis Clark, pároco da paróquia de São Pedro e São Paulo, em Pearl River, no Louisiana, tinha cometido um ato de profanação e sacrilégio no altar da igreja, tendo relações com duas prostitutas. O ato foi filmado por alguém que viu e informou a polícia.

O arcebispo Gregory Aymond, de Nova Orleãs, não perdeu tempo e reagiu com força. O padre foi removido permanentemente do ministério e “nunca mais servirá na Igreja Católica”. Numa mensagem de vídeo publicado pela Arquidiocese, o arcebispo Aymond condenou o ato de profanação do altar, dizendo:

“A sua profanação do altar e da igreja foi demoníaca e estou enfurecido pelas suas ações. Quando soubemos dos detalhes removemos o altar e queimámo-lo. Irei consagrar um altar novo.”

As medidas do arcebispo são para proteger a sacralidade do altar porque, na Igreja Católica, um altar não é um ornamento, uma decoração ou uma peça de mobília. Pelo contrário, segundo Catecismo da Igreja Católica:

O altar da Nova Aliança é a cruz do Senhor, de onde dimanam os sacramentos do mistério pascal. Sobre o altar, que é o centro da igreja, é tornado presente o sacrifício da Cruz sob os sinais sacramentais. Ele é também a mesa do Senhor, para a qual o povo de Deus é convidado. Em certas liturgias orientais, o altar é, ainda, o símbolo do túmulo (Cristo morreu verdadeiramente e verdadeiramente ressuscitou).

Para além disso, o Cânone 1239 §1 do Código de Direito Canónico, especifica que um altar deve ser reservado unicamente à adoração de Deus, excluindo qualquer outro uso profano ou sacrílego. Aplicando ainda o Cânone 1212, uma vez que o acto de sexo em grupo teve lugar em cima do altar, este foi violado por actos gravemente injuriosos e escandalosos para os fiéis.

As violações foram tão graves e contrárias à sacralidade do local (Cânone 1211) que o altar da Igreja de São Pedro e São Paulo perdeu a sua dedicação e bênção e deixou de poder ser usada para as funções sagradas. A exclusão absoluta e perda da dedicação explicam as ações do arcebispo, nomeadamente a remoção do altar antigo, a sua purificação pelo fogo e a dedicação de um altar novo – cumprindo assim o rito penitencial da restauração.

Obviamente a profanação é o contrário da santidade. O profeta Ezequiel usou palavras duras para avisar os seus ouvintes da natureza radical do sacrilégio cometido quando se profanavam os santuários.

Por isso, juro pela minha vida, palavra do Soberano, o Senhor, que, por terdes contaminado meu santuário com vossas imagens detestáveis e com vossas práticas repugnantes, eu retirarei a minha bênção. Não olharei com piedade para vós e não vos pouparei.

Ezequiel descrevia as consequências devastadoras para todos os envolvidos no ato de profanação: Deus iria vingar-se porque o santo tinha sido profanado e violado.

A destruição de Sodoma

O fogo simboliza destruição e juízo, mas é também uma manifestação de Deus e um sinal de renovação. O Senhor fez chover enxofre sobre Sodoma e Gomorra, fogo enviado dos céus pelo Senhor. Deus consumiu os ídolos pelo fogo: “Tomou o bezerro que eles tinham feito e destruiu-o no fogo; depois de moê-lo até virar pó, espalhou-o na água e fez com que os israelitas a bebessem”.

Mas a destruição e o juízo pelo fogo têm também um elemento construtivo. O fogo é a manifestação de Deus e um meio para a renovação do homem.

Quando João Baptista falava aos impenitentes avisou-os que aquele que vinha depois dele baptizaria de forma diferente: com o Espírito Santo e com o fogo. Este novo baptismo traria a salvação, o fogo destruiria o pecado e daria nova vida.

O “baptismo pelo fogo” é simultaneamente destrutivo e construtivo; é um fogo que consome o pecado e o mal e conduz a nova e regenerada vida que floresce.

O arcebispo Aymond reafirmou esta verdade quando queimou o altar profanado. E depois encontrou-se com os seus irmãos no sacerdócio e convidou-os a renovar as suas promessas. Vai depois celebrar uma missa de reparação.

Quanto à Igreja de Santa Ágara, em Caltanissetta, Sicília, os polícias detiveram dois indivíduos que crêem ser os autores do acto de vandalismo. Têm chovido donativos para reparar os danos e restaurar o altar.

O mal e a profanação da santidade sempre os teremos connosco. E com o aumento das correntes pós-cristãs e anticristãs na nossa cultura estes ultrajes tornar-se-ão mais frequentes e flagrantes. (Duas igrejas foram incendiadas no Chile há dias durante protestos políticos e vários locais católicos nos Estados Unidos têm sido atacados). Mas como se vê por este caso do altar que foi rapidamente purgado e restaurado, a Igreja continua pronta a renovar – precisamente porque é o verdadeiro e vivo Corpo de Cristo.


Ines A. Murzaku é professora de Religião na Universidade de Seton Hall. Tem artigos publicados em vários artigos e livros. O mais recente é Monasticism in Eastern Europe and the Former Soviet Republics. Colaborou com vários órgãos de informação, incluindo a Radio Tirana (Albânia) durante a Guerra Fria; a Rádio Vaticano e a EWTN em Roma durante as revoltas na Europa de Leste dos anos 90, a Voice of America e a Relevant Radio, nos EUA.

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020 em The Catholic Thing)

© 2020 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 19 September 2016

Actualidade Religiosa: Terrorismo, e como o combater

Foi detido esta segunda-feira o suspeito de ter colocado várias bombas em Nova Iorque. Trata-se de um cidadão americano, nascido no Afeganistão.

O Papa Francisco recebe amanhã em Assis líderes de diversas religiões para assinalar os 30 anos do encontro da Paz.

Ontem, o Papa criticou ainda o trabalho escravo como forma de gestão e, na véspera, alertou para a necessidade de praticar a hospitalidade, como verdadeira receita para o fim do terrorismo. Já o presidente turco, Erdogan, acredita que a melhor forma de combater o terrorismo é expurgar 38 mil professores do sistema de ensino.

Esta segunda-feira os núncios apostólicos denunciaram a perseguição religiosa em várias partes do mundo.

Termino com um convite. Amanhã a minha colega Aura Miguel vai ao clube Darca falar sobre as jornadas da juventude, em Cracóvia. O dados estão na imagem.

Wednesday, 17 October 2012

"You killed our people but you could not damage our relationship with Jesus"

Arcebispo John Barwa
Full transcript of the interview with Archbishop John Barwa of Cuttack-Bhubaneswar, in Orissa. News report can be found here.

Transcrição completa da entrevista feita ao arcebispo John Barwa, de Cuttack-Bhubaneswar, em Orissa. A reportagem está aqui.

Orissa was the site of serious persecution of Christians a few years ago, what happened exactly?
These were serious cases of persecutions, especially against Christians, both Catholic and of other denominations. This is mainly because the Christians in Orissa belong to the lowest groups of the society: Tribals and Dalits, who are known as untouchables.

These are the people who normally serve all others, but when missionaries came and started their work they realised that these were the people who needed them most. So they helped them with education, health care, developmental activities, and they started coming up and giving up their traditional work. And this is the main thing, because the Christians accept all as equal, as children of God, which for others is a difficult thing.
Also, India, in our language, Hindi, is called Hindustan, which means land of the Hindus. And so people from other religions and other groups are always seen as foreigners. Having missionaries make them Christians and elevating their situation is a fearful thing for the high caste people because they realise that if these lowest people start coming up in life and start getting good jobs, good houses, good money, what will happen to them and their future generations?

So they say to us, stop working for these people and we will have no problem. But our answer is, can we stop working for these people? Our vocation as Christians and followers of Christ is to work for these people, lost, least and last of the society.

The actual persecution began with the death of a prominent Hindu leader…
It started earlier, on Christmas day 2007, not with his death. He was attacked, not killed, on Christmas day he came on purpose to see the nativity scenes and decorations made by the young people, and there was a little tussle because he made some very arrogant statements against Christians. It was all planned, and the first thing they attacked was the Christian’s shops, because until then they had had the monopoly of the business. But because of their education Christians also started shops and businesses, and this made them angry.

Then the next stage and highest action of persecution was on August 23rd 2008 when the Swami was shot. His death was claimed clearly by the Maoists but they blamed it on us, because this was all prefabricated in every way and it was even published in the local language media.

That was when the worst attacks began, and they were massive. Almost 60 thousand people had to run away, because we didn’t want to react, and more than 6 thousand houses were destroyed. More than 350 convents and churches were destroyed and burned, hundreds of people were killed.

You were in Orissa at the time of the persecutions, did you experience it first hand?
Though I was not in that particular place directly, I was then coadjutor bishop of Rourkela. But there was a case of a religious sister who was gang-raped, and she was my niece. So naturally, belonging to the family, we all suffered the persecution directly.

Since then how have things been? Has there been justice? Have the Christians been allowed back to their villages?
The situation now seems peaceful. Almost all the people, accept those who wanted to leave, have returned. But when we talk about justice, it has not been done, our people have not received total justice and we have filed a case in the Supreme Court for proper compensation to be paid, because most of the houses have been rebuilt with our funds, churches have helped, and governments, just a little. So in that way justice has not been done, we are still waiting, but the atmosphere seems to be peaceful.

Have there been convictions?
Yes, but many of the local leaders who instigated the violence are said to be mysteriously dying. Which is still unclear, but there were many who were arrested, but since people were frightened of giving proper witness, they were acquitted. Even the rape case, the main culprits are in jail, but the case is on-going. But most of those responsible have gone free, because of lack of witnesses and lack of will power to catch the real terrorists and hold them responsible for this.

Namrata, queimada nas purgas em 2008
 Were there ever any reprisal attacks on the part of the Christians?
We have never heard a story of Christians reacting and attacking them. Instead, most of the people who were taking part in the persecution came and asked for Forgiveness. They say they did not know what they were doing, that they were given drinks and drugs and didn’t know what they were doing, and they apologised. And with no hesitation we say we are people of forgiveness. We have forgiven all that you did and let us build up a beautiful, peaceful land, where we can all live. This is what was surprising for them. All of us, even if we cannot forget the horrible things that happened, we forgive.

The case of your niece, she forgave when she was still in hospital. What does this make non-Christians think?
There is a sympathetic reaction. Because in India 80.3% of the population is Hindu, and they are wonderful people. And they support us. Only a tiny minority of fanatics and extremists whose language is killing and violence. The other people though, do not want to get involved, that is why these things happen. Otherwise they are wonderful people and they are ready to support us. They protected my niece, hid her, but she was discovered by the extremists.

You mentioned the lowest castes, and as far as I know you yourself are tribal. What is the story of your family?
My grand-father was the first to convert. He was a very convinced and dedicated Catholic, because he worked with the missionaries, and that is why my family is a very religious family, and I thank God for that. I grew up in a Catholic missionary situation and I am proud of it.

Did many Christians abandon their faith because of the persecution?
During the time of persecution people were afraid, because they were forced, either to convert or they might be killed. In that context, very few accepted in public, but in reality nobody accepted and all have returned to the faith.

Now the voice is that “you tried to separate us from Jesus. You killed our people, destroyed our property, damaged everything, but you could not damage our relationship with Jesus. This is the strongest voice, it is becoming louder and clearer, and this means that we are growing in Faith, and when I visit my archdiocese I see bigger numbers of people crowding for any religious celebrations, wanting to show we are not frightened. God is with us and God loves us.

Anti-conversion laws?
The anti-conversion bill has been passed in my state and it prohibits fraudulent conversions, people being offered material rewards for their conversions. But my question is, why only Christianity? Why can people not go to Christianity, but Christians and other religions can convert easily. It should be the same for all. There are hundreds who want to accept Jesus now, but because of this law we cannot baptise them openly.

Another difficulty is that the law says that there should be a first-class magistrate to confirm the willingness of the people. But when people go to the Government officials to say they are willing, everybody says they are not the first class officer. Nobody admits to being a first class officer because they don’t want to own up. Where do we go? These are the problems, and if it were not for this there would be many more conversions, because Christianity is the only religion which gives dignity to everyone, as Human Beings and as children of God, especially to the lost, least and last of society.

Officially the government has done much to overcome the caste system. Is it still a big problem for the country and for your region in particular?
The caste system is as old as humanity in India. I don’t think it will ever disappear. It will remain because high caste people, especially the Brahmins and the Kshatriyas, they do not want other groups, like the untouchables, to become equal, it will never happen. They will see to it that it is preserved, because they are the people who are in the administration, and in high ranking positions, and the Government and other agencies. So it will not happen, it will remain, though many good-hearted people are trying to abolish it.

Does it affect the Christians also? Is there discrimination amongst them based on caste?
I hear that in some states this is a problem and we are trying to talk it out in our common forums. Since I have never experienced it personally, I am not able to say much about these things, but it does exist, and it is a pitiful situation, and we wish and pray and work for the it to end, at least in the Church circle, where everyone is a child of God, and it has to happen, if not today, one day.

Mulher cristã de Orissa à porta de uma casa destruída
What could an initiative like the Year of Faith mean in a situation such as yours?
Before I left for Portugal I had a meeting with all my priests and I told them that in our arch-diocese we will begin the year of faith on the 14th, Sunday. All the prayers are already translated into our local language, and the main thrust is to let us grow in faith through prayers and good works and better understanding of each other. So teams have been set up in each parish, composed of priests, religious and laity, to propose programmes that will bind together. My hope is that there will be no more difference and that we can work together to make up a beautiful community for faith. In that we are more and more stressing the small Christian community, which everybody belongs to, be they rich or poor, thin or fat, but they belong to that Community which has faith in Jesus and that should unite us more and more.

What can those of us who are far away do to help your community?
First of all, on behalf of my people, especially those who struggle and suffer, I am here to thank each one of you, my dear friends. Because of your prayers and your generosity we have built up much of it. Lots of destroyed houses, churches and institutions have been rebuilt, and a lot of strength and courage is given because of your prayers and solidarity. I wish that you would continue praying for us.

Also, as a Christian community which has not suffered this kind of persecution, recognize that there are situations of this kind, and there are also injustices, separations and divisions.

Also, the European Union could also have a louder and clearer voice against this kind of injustice and persecution, not only in Orissa but anywhere they happen. That would be a great support and assistance.

You mentioned hundreds of people killed during the persecutions. Has there been any attempt to start a beatification process for them?
Many are saying so, that these stories should be told to the people around the world. When I became the archbishop I started a think-tank which will be monitoring a kind of research study of those who were martyred or killed. My wish is that they will one day be declared officially martyrs of the church. I have taken this to the Catholic Bishops Conference. They said present us with documents. No we are trying to document the real situations, because there are still people alive who can give us the concrete facts. I am very grateful also to the Aid to the Church in Need, who are helping us in this process of rediscovering the truth and telling the truth to the world, and also promoting the cause of these martyrs.

O arcebispo esteve em Portugal a convite da fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

Thursday, 12 July 2012

Atitude chinesa, aliança em torno da circuncisão

Atitude... e prisão domiciliária
Como se tem tornado hábito nos últimos anos, judeus e muçulmanos estão juntos em defesa dos seus direitos. Neste caso o direito à circuncisão.


O prémio ATITUDE! Vai para a China, nomeadamente para o bispo Thaddeus Ma Daqin (na foto). Valente! Descubra porquê.

Já para a Nigéria vai o prémio “aproveita para agradecer a Deus agora…”, já que poderá ser mais difícil face a face.

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