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Friday, 28 April 2023

"Quer vivamos, quer morramos, somos do Senhor"

Foi ontem apresentado o Grupo Vita, que tem por objectivo trabalhar na prevenção de abusos na Igreja e no acompanhamento de vítimas e, caso solicitem, de abusadores ou pessoas acusadas de abuso. É uma iniciativa da Conferência Episcopal e pretende ser um projecto temporário que tem por missão essencialmente dotar as Comissões Diocesanas dos conhecimentos e capacidades técnicas para depois serem elas a continuar o trabalho. Eu estive na SIC Notícias para comentar a apresentação (quarta-feira, entre as 14h20 e as 15h10, mais coisa menos coisa, para quem tiver muita vontade de ir ver), mas encontram aqui a informação essencial sobre este novo órgão. Da minha parte renovo o meu apelo a todos os que tenham informação sobre abusos, ou que sejam elas mesmas vítimas: denunciem. É a melhor forma de ajudar a implementar a reforma que a Igreja pretende.

O Papa visita a Hungria a partir de amanhã. Vai ser uma visita interessante. A Hungri
a e o seu governo têm feito um trabalho notável em áreas como a promoção da natalidade e da família, bem como no respeito pela liberdade religiosa e apoio às minorias cristãs perseguidas no mundo, mas ao mesmo tempo defendem abertamente uma política em relação aos refugiados que choca com as minhas próprias posições e também com as do Papa Francisco. Aqui podem ler uma entrevista com o embaixador da Hungria em Portugal precisamente sobre este tema.

Todas as semanas tento ter pelo menos um texto próprio, de análise, para vos apresentar. Nos últimos meses tem sido quase sempre sobre os abusos, e tem havido muito para dizer, mas há alturas em que falha a inspiração. Felizmente, hoje tive uma ajuda do PAN, que ao contrário do que todos pensávamos, afinal até defende a extinção de algumas populações de animais, nomeadamente os seres humanos que têm a ousadia de ter mais do que três filhos e que pratiquem a monogamia. Fica aqui a minha resposta – e a da minha família – a esta posição do PAN.

E a propósito de famílias e monogamia, o artigo desta semana do The Catholic Thing é uma daquelas pérolas que gostaria muito de poder dizer que fui eu a escrever. Mas não fui. Peter Laffin conta-nos como se sentiu envolto por uma sensação de verdadeira liberdade no dia do seu casamento e reflecte, a partir daí, sobre como os cristãos e o mundo têm diferentes entendimentos daquilo que significa liberdade, entre outras coisas. Vale mesmo a pena ler e partilhar, sobretudo com jovens que estejam numa idade de tomar decisões que vão definir o seu futuro.

Morreu esta quinta-feira o Pe. João Aguiar. O Pe. João era presidente do Conselho de Gerência da Renascença quando eu fui para lá trabalhar e embora não nos tenhamos mantido em contacto desde que ele voltou para Terras do Bouro, de onde era natural, era um amigo por quem eu tinha muita estima. Deixa saudades entre todos os que o conheceram e esperemos que esteja a descansar agora nos braços de Deus.

Quando abri o obituário da Renascença fiquei surpreendido ao ver que tinham pedido a um jornalista novo para o escrever. Porquê, se ainda há lá tantos que o conheceram? Devia ter guardado a minha reacção para depois de ler este belo texto do Diogo Camilo. Logo eu, que sempre adorei escrever obituários, e escrevi tantos sobre pessoas de quem nada sabia antes de me ser lançado o desafio.

No campo das notícias internacionais, aconselho este testemunho de um padre do Burkina Faso, que explica como os católicos – acossados de todos os lados – usam as suas Kalashnikov para se defenderem (não é o que parece, obviamente). A simpática história da Irmã Selestina, que percorre centenas de quilómetros sozinha, de carro, para combater a solidão e o isolamento dos poucos católicos que vivem na Islândia, e ainda o testemunho dos dois sucessores de bispos ortodoxos que foram raptados há dez anos na Síria e de quem nada se sabe. Quer vivamos, quer morramos, somos do Senhor, dizem. E que bem dito!

Tuesday, 7 June 2022

Nº2 do Patriarcado de Moscovo despromovido

Surgiu hoje uma notícia muito inesperada na Igreja Ortodoxa Russa. 

O Metropolita Hilário, que era diretor do Departamenteo de Relações Externas do Patriarcado de Moscovo, foi removido desse cargo e nomeado responsável da diocese da Igreja Ortodoxa Russa na Hungria. 

Para terem ideia do grau desta despromoção, Hilário era, na qualidade de director de Relações Externas, uma espécie de Ministro dos Negócios Estrangeiros do Patriarcado de Moscovo e tornou-se assim uma das figuras mais conhecidas da Igreja Russa. Viajava com frequência e era muitas vezes sobre ele que recaía a responsabilidade de defender as posições e a influência da Igreja Russa, algo que continuou a fazer durante esta guerra. 

Já enquanto bispo da Igreja na Hungria, terá a seu cargo um total de 11 paróquias e oito padres. Seria mais ou menos o equivalente ao Papa mudar o cardeal Parolin para uma diocese no sudeste asiático.

É certo que a Hungria é um país importante para a Rússia, mas na qualidade de diretor das relações externas Hilário tinha tanta ou mais capacidade de visitar e cultivar as relações diplomáticas com o regime húngaro do que terá sendo, na prática, um bispo de uma diocese negligenciável. 

O que conduziu a esta decisão? Aqui há algumas pistas. Este artigo indica que recentemente Hilário parecia estar a tentar distanciar-se de Cirilo. Durante uma visita a Chipre, para participar num encontro do Concelho Mundial das Igrejas, ele teve um encontro pessoal com o líder da Igreja Cipriota Ortodoxa, o que é assinalável porque essa é uma das igrejas que reconheceu a autocefalia da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, levando à quebra de comunhão entre ela e a Igreja Russa. Aos olhos de Cirilo, portanto, a Igreja Cipriota é "inimiga" e pelos vistos ele não gostou do encontro. 

Mais tarde, em comentários feitos à imprensa russa, Hilário mostrou esperanças de se poder chegar a um entendimento com as Igrejas com as quais existe uma quebra eucarística, dizendo mesmo que não devem ser consideradas inimigas. 

Tudo isto foi feito na sequência da tentativa da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, que continua formalmente ligada a Moscovo, se separar da influência de Cirilo. É possível que Hilário tenha entendido, como eu refiro aqui, que esse pássaro já voou... A Rússia perdeu toda a influência que podia ainda exercer sobre a Igreja Ortodoxa na Ucrânia, e por isso não vale a pena continuar a alimentar uma cisão intra-ortodoxa por causa de uma Igreja que já não quer nada com Moscovo de qualquer maneira. 

Mais interessante é o facto de Hilário ter liderado a delegação russa presente no tal encontro inter-ortodoxo do Conselho Mundial das Igrejas e de não se ter oposto a que essa organização, no seu documento final, manifestasse uma forte condenação da invasão da Ucrânia (ver ponto 24). A declaração foi aprovada por unanimidade, o que significa que Hilário votou a favor.

Tanta coisa em tão poucos dias não passou despercebida a Cirilo, que percebendo que já não tinha em Hilário um aliado fiel, o despachou. 

Resta ver agora se Hilário, cuja inteligência e sagacidade são notórias, conseguirá salvar a sua reputação aos olhos do resto do mundo, ou se esta já está demasiado danificada por anos de seguidismo ao regime de Putin.

[Actualizado]

Monday, 13 September 2021

Papa na Eslováquia e o último judeu de Cabul

O Papa Francisco está novamente de viagem. Esteve ontem em Budapeste, uma visita algo tensa, devido às muitas discordâncias que existem entre Francisco e o regime de Viktor Orbán, nomeadamente no que diz respeito aos refugiados. O Papa pediu aos húngaros mais abertura aos estrangeiros e advertiu também contra o antissemitismo na Europa.

Esta segunda-feira Francisco já viajou para a Eslováquia onde fez um primeiro apelo para que não se esbanjem os fundos de recuperação da União Europeia, por causa da pandemia, e depois, em discurso aos bispos, padres e religiosos, disse que é preciso criar “novos alfabetos” para evangelizar a Europa.

O último judeu de Cabul deixou finalmente o Afeganistão. Resistiu aos soviéticos, à guerra e aos taliban.1, mas os taliban versão Estado Islâmico convenceram-no finalmente a sair.

Se conhece o trabalho, pensamento e obra de Jordan Peterson, então não deixe de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing em português. Se não conhece leia na mesma e depois vá conhecer.

Friday, 14 September 2018

Monges mártires beatificados e bispos europeus com o Papa

Rogai por nós
Os bispos da Europa estão “completamente com o Papa”, diz D. Manuel Clemente, referindo-se à questão do combate aos abusos sexuais.

Ainda sobre o assunto dos abusos, publiquei na Renascença um artigo de opinião que me parece importante. O choque, horror e revolta são legítimos, mas há um dado importante a ter em conta: as directrizes nos EUA têm estado a funcionar. Isso não é um facto acessório!

O presidente da Conferência Episcopal da Hungria critica o processo que a União Europeia está a mover contra o seu país.

E uma excelente notícia, sobretudo nestes tempos de confusão e incerteza. Os monges de Tibhirine – sobre os quais foi feito o filme “Dos Deuses e dos Homens” – vão ser beatificados ainda este ano!

Thursday, 26 October 2017

Ele queria ser astronauta...

O Papa recebeu esta manhã representantes da Universidade Católica Portuguesa, a quem lançou três desafios. Em troca recebeu dois “presentes”, incluindo uma cruz peitoral feita por umaartista portuguesa.

Pouco depois Francisco esteve em diálogo directamente com a tripulação da Estação Espacial Internacional a quem colocou várias perguntas, como pode ver aqui.

Hungria: Menino mau da Europa, ou guardião dos seus verdadeiros valores? Leia e decida por si.

E hoje falamos também da Turquia, onde o presidente Erdogan é visto com cada vez mais desconfiança pelo mundo ocidental. Ameaça ou só fonte de preocupação? Fomos perguntar a um especialista português.


Tuesday, 10 March 2015

Sacrifícios quaresmais islâmicos e latinices

Clicar para aumentar
O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai discutir a perseguição aos cristãos no Médio Oriente. Vai ser no dia 27 e quem propõe é o Governo francês.

Este fim-de-semana cumpriram-se 50 anos desde que Paulo VI celebrou a primeira missa em italiano depois do Concílio Vaticano II e a efeméride foi assinalada pelo Papa Francisco.

Na sexta-feira divulguei uma entrevista sobre o assunto. Agora, como na altura prometi, um outro artigo com dois protagonistas, um sacerdote que defende a reforma, outro que valoriza a importância do latim na liturgia.

Para melhor poderem conhecer as suas posições, publiquei no blog as transcrições integrais de ambas as entrevistas. Aqui o padre Luís Manuel Pereira da Silva e aqui a do padre Manuel Vaz Patto.

Acredite ou não, há muçulmanos a fazer sacrifícios esta Quaresma, em solidariedade para com os cristãos. Falei com o fundador da campanha, saiba do que se trata este fenómeno! Aqui, mais uma vez, a transcrição completa da entrevista, no inglês original.

O presidente da Hungria esteve em Lisboa este fim-de-semana para homenagear o padre Kondor, que promoveu a causa da beatificação dos Pastorinhos.

A cerimónia decorreu em Fátima que, como sabemos, está no centro de várias teorias da conspiração, tema do mais recente artigo do The Catholic Thing em português.

Termino com duas notas. Em primeiro lugar o aviso para uma conferência sobre o Santo Sudário, na quarta-feira (ver imagem). O orador é o meu bom amigo João Paulo Sacadura, que é um apaixonado pelo tema e que vale bem a pena ver!

E por fim, depois de na semana passada ter incentivado a irem ver o musical Godspell, fui ao espectáculo na sexta-feira. Posso-vos dizer que gostei mesmo muito! Estava mal influenciado pela adaptação cinematográfica, que é terrível, mas esta versão está muito bem feita, inspiradora, extremamente bem encenada e com músicas bem adaptadas pelo sempre surpreendente Gimba. Não deixem de ir, se puderem.

Friday, 26 September 2014

Mais um padre vítima de ébola

Padre García Viejo, vítima de Ébola
Morreu mais um sacerdote espanhol, vítima de ébola. Mais um que pagou o maior preço pelo serviço aos pobres e necessitados. “Tudo o que fizeste ao mais pequeno dos meus irmãos…”



A semana passada entrevistei a secretária de Estado da família e da juventude da Hungria, sobre as medidas e políticas familiares de um governo que conseguiu aumentar, em pouco tempo, a taxa de natalidade. Podem ler aqui a transcrição completa da conversa.

Por fim, chamo a vossa atenção para a realização da seguinte conferência: “O Sínodo na Igreja – perspectivas histórica e teológica”, a realizar em Lisboa (Auditório da Igreja do Sagrado Coração de Jesus), a 26 de Setembro, e em Torres Vedras (Auditório do Centro Pastoral), a 3 de Outubro, das 21h30 às 23h00, com a intervenção dos Professores Pe. David Barbosa e Borges de Pinho (UCP), que deve ser do maior interesse de quem pretende colaborar com o processo do sínodo diocesano.

Wednesday, 9 April 2014

Os Cistercienses Estão de Volta a Zirc

Pe. Placid Czismazia.  Pe. Chris Rabay.  Pe. Roch Kereszty.  Pe. Gilbert Hardy. E, claro, o Pe. David Balas. Estes são os nomes de alguns dos Cisterciences húngaros com quem tive a bênção de estudar quando fiz os meus estudos de pós-graduação na Universidade de Dallas. Todos tinham fugido da Hungria depois da supressão do mosteiro cisterciense de Zirc (pronuncia-se Zeerts), nos arredores de Budapeste. Podíamos ouvir as suas histórias mil vezes e mal teríamos passado a superfície.

Há a história do Pe. Placid, por exemplo, a passear pelas ruas de Budapeste durante a ocupação nazi, arriscando execução sumária no caso de ser apanhado, para poder visitar os seus alunos nas suas casas e acompanhar os seus estudos de Latim e Grego. Disse-me uma vez que queria dar-lhes a máxima regularidade possível e uma sensação de esperança, de estarem a preparar-se para um futuro melhor depois da guerra. E que mais fazer quando o mundo está embrenhado em guerra do que estudar línguas clássicas?

Depois havia o Pe. Chris Rabay, com cerca de um metro e meio, mas duro que nem pedra e com a constituição de uma boca de incêndio, de quem se dizia que tinha carregado um dos seus irmãos cistercienses às cavalitas através das montanhas, depois de este ter partido o tornezelo durante a perigosa travessia.

Havia ainda o Pe. Gilbert Hardy, o paradigma do burocrata da Europa de Leste: os papéis todos em ordem, os formulários todos assinados, os ficheiros completos. Eu irritava-o imenso. Quando era reitor chamou-me ao seu gabinete e exigiu saber: “Rahndy, em que prrugrama estáz?”. “Estou a acabar o mestrado em Teologia e já comecei o mestrado em Filosofia”. Abanou a cabeça. Esta não era a ordem correcta. Perguntou de novo, muito de vagar: “Em que prrugrama estáz?”. Ao que dei exactamente a mesma resposta. Andámos assim para a frente e para trás onze vezes, ele a perguntar, eu a responder. Lembro-me de pensar na altura que ele daria um bom vilão do James Bond. Estava cheio de medo que ele carregasse num botão e me atirasse para uma piscina de tubarões.

As histórias não têm fim. Mas todas essas histórias individuais são parte de uma história maior. Um desses tipos de “história maior” – a história maior de todas – é a história da salvação: a história da nossa queda e redenção pela morte sacrificial de Cristo na Cruz, a sua ressurreição dos mortos e ascensão para a direita de Deus, de onde nos envia o seu Espírito Santo e onde espera para nos receber no seio do Seu Pai, na comunhão eterna de amor Trinitário.

A maioria dos homens que referi aceitaram, para usar as palavras de T.S. Elliot, a “constituição do silêncio". O que é feito agora das suas vidas, das suas lutas, da sua sabedoria, do seu amor? Enquanto cristãos acreditamos que nada foi obliterado nem se perdeu com a morte. Pelo contrário, ficou preservado e glorificado na sua verdadeira Fonte e Fim, naquele que é tanto o Alpha como o Omega.

Mas há outra história, um pouco mais próxima de nós. As autoridades comunistas mandaram esvaziar e fechar o mosteiro cisterciense em 1950. Muitos dos monges fugiram do país e estabeleceram novas abadias em locais inóspitos e selvagens como Spring Bank, Wisconsin e Dallas, Texas, enquanto outros continuaram a viver clandestinamente na Hungria, alguns como padres diocesanos, outros como leigos, mantendo os seus votos e celebrando missas em privado, na medida do possível.
 
A abadia de Zirc
Mas em 1989, depois de o povo da Hungria ter sido libertado do “paraíso comunista” que os soviéticos lhe tinham impingido, aconteceu uma coisa incrível: A ordem cisterciense recebeu o mosteiro de Zirc de volta, bem como quatro escolas. O problema era (e é), que o mosteiro de Zirc foi construído ao longo de séculos e em tempos passados tinha servido de abrigo a centenas de monges. Agora vivem lá cerca de 35. É como um miúdo de cinco anos a tentar calçar os sapatos tamanho 44 do pai. Vai levar uns quantos anos até caberem nos paramentos que lhes foram deixados pelos seus antecessores.

Mas recordo-me de um pequeno poema do Robert Frost, no qual ele avisa:

Quando, por vezes, a multidão for conduzida
A levar longe de mais o elogio ou a culpa,
[Devemos] escolher algo como uma estrela
Para fixar a nossa mente e para nos fixar.

Quando formos tentados pelo medo de que a Igreja vai ser “varrida pelas forças da história” – aborto, casamento gay, supressão de instituições e empresas católicas – devemos lembrar-nos que houve uma época em que as forças do poder e do dinheiro conspiraram com a elite intelectual da Hungria para suprimir os cisterciences e destruí-los completamente. Dizia-se que viviam “na idade das trevas” e que estavam condenados a “serem ultrapassados pela história”, enquanto se pensava (e alguns católicos concordavam), que os seus opressores representavam o futuro: algo brilhante, reluzente e novo. “Vamos enterrar-vos”, diziam (esquecendo que a ressurreição sempre foi o presente especial de Cristo para os fiéis).

E hoje, onde andam esses reformadores utópicos? Varridos para a lixeira da história, naquele espaço que reservamos não só para os falecidos, mas para os brutos, os reles e os cobardes. Não estão apenas mortos, a sua memória é motivo de desprezo.

E os cistercicienses? Os cistercienses estão de volta a Zirc – bem como em Spring Bank e Dallas. A rezar. A ensinar. Como fazem há séculos. Provando novamente que, apesar das mais recentes maquinações do Inimigo:

Tudo estará bem e
Todas as coisas estarão bem
Pela purificação do motivo
Na terra da nossa súplica


Randall Smith é professor na Universidade de St. Thomas, Houston, onde recentemente foi nomeado para a Cátedra Scanlon em Teologia.

(Publicado pela primeira vez no Domingo, 6 de Abril 2014 em The Catholic Thing)

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.


Wednesday, 6 March 2013

Peter Erdö

Nascido: 25 de Junho de 1952
Ordenado padre a 18 de Junho de 1975
e bispo a 5 de Novembro de 1999
O Cardeal Peter Erdö é o caso de um homem da Igreja pouco conhecido pelos fiéis fora do seu país de origem, a Hungria, mas muito bem conhecido e muito estimado pelos bispos e cardeais de todo o mundo.

Isso deve-se a duas razões principais. Uma é o facto de ter sido feito cardeal muito novo, pelo que, apesar de ter apenas 60 anos, já conhece bem o colégio dos cardeais e participa agora no seu segundo conclave. A outra prende-se com o facto de ser presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, o que lhe dá um contacto próximo com bispos de todo o velho continente, mas não só, uma vez que regularmente o CCEE encontra-se com a sua congénere africana, o que faz dele muito conhecido dos bispos africanos também.

Enquanto presidente da CCEE tem como seu braço direito o padre português monsenhor Duarte da Cunha.

Erdö tem fama de ser um trabalhador eficiente, muito inteligente e um homem de espiritualidade forte.

O seu papel à frente da diocese de Budapeste também tem sido muito reconhecido. A Hungria é dos poucos países europeus onde o Cristianismo não está em retrocesso e onde politicamente se tem feito esforços para proteger a religião em vez de a silenciar. A recentemente aprovada constituição do país levantou muita polémica, em parte porque reconhece as raízes cristãs da nação húngara e faz referência a Deus.

Sem deixar de apontar algumas falhas ao documento, Erdö defendeu-o na sua essência por se tratar de uma Constituição que respeita alguns valores que a Igreja defende.

Erdö é ainda novo, talvez novo de mais para aquilo que os cardeais eleitores procuram, mas não deixa de ser falado como um eventual candidato a ocupar a Sé de Pedro. A sua formação em direito canónico daria ao seu pontificado um enfoque diferente das de João Paulo II e de Bento XVI, mais pastorais e teológicos.

Wednesday, 16 January 2013

Monday, 14 May 2012

Fátima recebe centenas de milhares... e um húngaro


Cardeal Ravasi, em Fátima
Foi um fim-de-semana louco em Fátima. Bateram-se recordes de presença de fiéis no santuário, os hotéis e parques esgotaram, verdadeiramente impressionante.

Pelo meio esteve lá o Cardeal Ravasi, responsável pelo Conselho Pontifício da Cultura, que pediu aos fiéis que sujem as mãos no auxílio aos seus irmãos.

Ainda em Fátima esteve o vice-primeiro-ministro da Hungria, que falou sobre a polémica Constituição daquele país, que defende a vida desde a concepção e refere a identidade cristã da nação, entre outras coisas. Uma entrevista a não perder. Quem estiver descontextualizado pode ver este artigo, e ainda este, no blog.

Nos Açores também foi fim-de-semana de procissões. Milhares participaram na festa do Senhor Santo Cristo.


Por fim um convite: Amanhã a psicóloga Helena Marujo vai falar sobre como “A Felicidade Também se Educa”, numa conferência promovida pelas Equipas de Nossa Senhora, na Paróquia de Santo António do Estoril, a não perder.

Tuesday, 7 February 2012

Vaticano discute abusos e bahá'ís perseguidos no Irão

No Vaticano por estes dias discute-se a questão dos abusos sexuais. Segundo o padre Morujão, que representa os bispos portugueses, “não se quer só falar, quer-se falar para agir”. Há várias notícias de ontem e de hoje sobre o assunto, podem começar por esta e seguir as ligações.


Hoje entrevistámos um representante da religião Bahá’í que nos falou sobre a perseguição a que são sujeitos os seus correligionários no Irão. A entrevista está transcrita aqui e nela podem aprender mais sobre esta religião a que pertence o nosso medalhista olímpico Nelson Évora.


E por falar em futebol e religião (uma mistura sempre fascinante), cliquem aqui para ver o vitral de um futebolista numa igreja…

Thursday, 5 January 2012

A caminho do 3º cardeal e eleições nos EUA

Portugal poderá passar a ter três cardeais, um marco notável para um país pequeno. D. Manuel Monteiro de Castro foi hoje nomeado para um cargo na Cúria Romana que deve conduzir ao cardinalato… poderá ser já em Fevereiro, amanhã deve-se saber.

Mitt Romney venceu ontem as primárias de Iowa do partido republicano. A religião já está a assumir um papel de peso nestas eleições, esse peso ainda deve aumentar.

Falando de política e religião, voltamos ao tema da Constituição da Hungria, agora com uma notícia mais especificamente religiosa. Com a entrada em vigor da constituição, e das leis específicas que a acompanham, várias religiões perderam o seu estatuto legal no país.

Recordo que este tema tem dado que falar no blog, tanto aqui como aqui


Por fim, chamo a vossa atenção para uma série de conferências que se vão realizar na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, subordinadas ao 50º aniversário do Concílio Vaticano II. A não perder.

Wednesday, 4 January 2012

Hungria (again), coptas e hinduísmo à americana

Cem mil cristãos coptas já abandonaram o Egipto desde Março. O sol da primavera quando nasce, pelos vistos, não é para todos.


A discussão sobre a constituição da Hungria continua em alta. Há uns comentários interessantes ao meu post de ontem sobre o assunto e, hoje, revisitei o tema.


D. António Marto está em Angola, onde falou sobre a crise… em Portugal.

Por fim, normalmente irrita-me ver jovens ocidentais a “brincar” a festivais de religiões orientais, sejam budistas ou hindus. Mas confesso que isto, é espectacular!

Constituição húngara revisitada

Alguns leitores afirmaram, na caixa de comentários ao meu último post sobre a Constituição da Hungria, que eu tinha caído no logro da propaganda liberal sobre este assunto.

Tendo lido a constituição devo concluir que, de facto, não encontro nela provas claras que sustentem a maioria das acusações que tenho lido e que repeti no meu texto de ontem. As conclusões gerais do texto, contudo, mantém-se, uma vez que não dependem deste caso específico.

Contudo, na constituição encontrei alguns sinais de alarme, vejamos:

O artigo D e H referem que “that there is one single Hungarian nation that belongs together,
Hungary shall bear responsibility for the fate of Hungarians living beyond its borders, and shall facilitate the survival and development of their communities; it shall support their efforts to preserve their Hungarian identity, the assertion of their individual and collective  rights,  the  establishment of their community  self-governments,  and  their prosperity in their native lands, and shall promote their cooperation with each other and with Hungary” e que “Hungary shall protect the Hungarian language”

Isto levanta muito perigo de ingerência nos assuntos de outros. Há minorias de etnia húngara em vários dos países vizinhos da Hungria, incluindo a República Checa e a Sérvia, por exemplo, no passado tem havido tensões por causa disto e o tom do que está escrito na constituição não é particularmente amigável.

Contudo, o que está escrito mais à frente parece equilibrar e dar um sentido de reciprocidade: “Nationalities living in Hungary shall be constituent parts of the State. Every Hungarian citizen belonging to any nationality shall have the right to freely express and preserve his or her identity. Nationalities living in Hungary shall have the right to use their native languages and to the individual and collective use of names in their own languages, to promote their own cultures, and to be educated in their native languages.
Nationalities living in Hungary shall have the right to establish local and national self-governments

Adiante.

Article O: Every person shall be responsible for his or herself, and shall be obliged to contribute to the performance of state and community tasks to the best of his or her abilities and potential
Isto significa o quê, precisamente? É demasiado vago para o meu gosto.

No artigo VIII vemos isto, respeitante a partidos políticos. Recordo que uma das acusações que se fazia era que a nova constituição tornava o maior partido de oposição de esquerda ilegal.

Every person shall have the right to peaceful assembly.
Every person shall have the right to establish and join organisations.
The right to freedom of association shall allow the free establishment and operation of political parties. Political parties shall  participate in the formation and proclamation of people’s will. No political party may exercise public power in a direct way.

The detailed rules for the operation and financial management of political parties shall be regulated by a cardinal Act.”

Ora, à primeira vista nada de grave. A questão está em saber o que se encontra no tal “cardinal Act”, pois isso pode fazer toda a diferença, e aí confesso não fazer a menor ideia. [Ver adenda]

Pode-se dizer o mesmo em relação à imprensa e ao tribunal constitucional:

“The detailed rules for the freedom of the press and the organ supervising media services, press products and the infocommunications market shall be regulated by a cardinal Act”

“The detailed rules for the competence, organisation and operation of the Constitutional Court shall be regulated by a cardinal Act.”

Escrito este texto fiz mais umas pesquisas e verifiquei que as minhas preocupações coincidem, no essencial com as da Comissão de Veneza, um órgão do Conselho da Europa, como se pode ver por este parágrafo da conclusão:

“The significant number of matters relegated, for detailed regulation, to cardinal laws requiring a two-thirds majority, including issues which should be left to the ordinary political process and which are usually decided by simple majority, raises concerns. Cultural, religious, moral, socio-economic and financial policies should not be cemented in a cardinal law.”


Salvaguardo que não sou nem constitucionalista, nem de direito. Os comentários nestes assuntos são sempre bem-vindos!

ADENDA

Chamo atenção para este texto, que esclarece um pouco o que são os "Cardinal laws" e o conteúdo daqueles que têm sido passados nas últimas semanas. Se Paul Krugman tiver razão, e não tenho razão para pensar que não tenha, então definitivamente penso que estamos perante um texto problemático. Ironicamente o problema não será tanto a Constituição, mas sim as "outras coisas" (novamente as "outras coisas"), nomeadamente as Cardinal laws.

Tuesday, 3 January 2012

Debate episcopal, mortes missionárias e viagens papais

Espero que todos tenham entrado bem no novo ano!

A jornalista Aura Miguel reuniu os três bispos mais novos de Portugal para um debate sobre o estado da Igreja em Portugal. Pode ler a notícia aqui e ainda ouvir o debate completo.

No mundo morreram, em 2011, 26 missionários católicos. A América Latina continua a ser o local mais perigoso para ir pregar o Evangelho.

Ontem entrou em vigor a nova constituição da Hungria. O documento consagra a herança cristã do país, defende o casamento e a vida, mas limita seriamente os direitos individuais, de imprensa e outros. A minha opinião aqui.


Depois do Reino Unido os EUA já têm um ordinariato pessoal para acolher anglicanos que queiram entrar em comunhão com Roma.

Deus na constituição, ao lado das "outras coisas"

Entrou ontem em vigor a nova constituição da Hungria.

Entre outras coisas a nova lei fundamental daquele país reconhece o carácter cristão da nação húngara, afirmando ainda respeitar todas as religiões no país, e consagra o direito à vida desde a concepção até à morte natural.

O documento afirma que o casamento é entre um homem e uma mulher, colocando de parte a possibilidade de legalizar o casamento homossexual, e diz que o país encorajará os seus cidadãos a ter filhos.

Até aqui tudo bem. Alguns cristãos, sobretudo os mais conservadores, dão vivas e lançam foguetes. O problema está nas outras coisas.

É que a partir de ontem a Hungria criminaliza o maior partido da oposição à esquerda e controla de forma inacreditável a comunicação social. Coloca ainda em perigo a independência dos tribunais e até do Banco Central.

Naturalmente a opinião pública está revoltada e a discussão ameaça ganhar contornos de choque cultural entre conservadores e liberais, cristãos e ateus, direita e esquerda.

Será necessário? Não haverá o bom senso de perceber que se pode achar bem algumas das medidas da nova constituição sem, no entanto, concordar com as restantes?

Os cristãos devem aceitar uma constituição destas só porque lhes dá algumas das coisas que reclamam? E as outras coisas, não interessam? Desde quando é que a luta pela verdade, pela vida, pela liberdade religiosa se tornou um concurso de engolir sapos?

Se fosse só a Hungria era um mal menor, mas os sinais mais preocupantes vêm dos EUA onde os candidatos das primárias republicanas se atropelam para afirmar as suas credenciais conservadoras e cristãs ao mesmo tempo que fazem declarações que roçam por vezes o lunático.

É altura, digo eu, dos cristãos pensarem muito bem se aceitam serem empurrados para um canto político. Têm noção do preço a pagar por essa estratégia? Uma coisa é a participação activa dos cristãos na vida política, outra é o erguer de políticos como messias e defensores do sagrado.

Mas a estratégia não pode resultar? Pensem em quantos políticos foram canonizados e em quantos dos mártires perderam a vida às mãos de políticos e façam as contas.

Filipe d’Avillez

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