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Wednesday, 15 March 2023

E Deus Criou o Mundo - Abuso de Menores e Casa Abraâmica

Fui novemente convidado para participar em dois episódios do programa "E Deus Criou o Mundo", da Antena 1. 

O tema do primeiro episódio foi o abuso de menores. 

No segundo falámos, entre outras coisas, da inauguração da Casa Abraâmica, em Abu Dhabi.

Podem ouvir os programas clicando abaixo.


Abusos de menores


Casa abraâmica

Monday, 20 February 2023

Participação em A Fé dos Homens, com Pedro Gil

Estive com o meu amigo Pedro Gil no programa A Fé dos Homens, na passada sexta-feira, na RTP2 a falar sobre a questão do relatório. 

Podem rever o programa todo aqui.


Thursday, 29 September 2022

Hospital de Campanha Ep. 10 - A Crise dos Abusos em Portugal (Parte 2)

"O povo de Deus merece a homenagem da verdade". É este o princípio que deve conduzir a resposta da Igreja à crise dos abusos sexuais, segundo Pedro Gil, especialista em comunicação de crise. Neste episódio, o segundo dedicado ao tema, falamos do problema das falsas acusações e dos dilemas que podem surgir da parte das dioceses quando confrontadas com uma suspeita. Mais uma vez, uma conversa difícil mas muito necessária.



Outros recursos sobre este assunto

Monday, 26 September 2022

Hospital de Campanha Ep. 9 - A Crise dos Abusos em Portugal

A Igreja portuguesa tem estado a lidar bem com a crise de abusos sexuais? 

De volta de férias, depois de um verão quente marcado pela revelação de casos de abusos na Igreja portuguesa, quisemos sentar-nos com Pedro Gil, especialista em comunicação de crise, que partilhou uma perspectiva verdadeiramente humana centrada na vítima e na restauração da confiança, e na fé em Deus e na Sua Igreja.

Esta é uma conversa difícil, mas necessária. A crise dos abusos é uma ferida aberta que deve ser exposta ao sol para curar, e não deixada no escuro para infectar. 

Sendo um tema tão importante, gravámos não um, mas dois episódios com o Pedro Gil. O próximo irá para o ar ainda esta semana, se Deus quiser.


Outros recursos sobre este assunto

Thursday, 8 September 2022

Sinodalidades

O processo sinodal em Portugal tem gerado muito debate e controvérsia. Não estamos sós. Penso que em todo o mundo este processo tem gerado alguma confusão e diferenças de opinião. As pessoas de tendência mais conservadora tendem a ver o processo sinodal como um cavalo de Tróia para provocar mudanças nos ensinamentos da Igreja e as pessoas de tendência progressista esperam ver atendidas muitas das suas reivindicações. No meio de tudo isto, prepara-se um cenário perfeito para que todos se desiludam, uns porque o Sínodo não vai suficientemente longe, outros porque não vai longe de mais.

Tenho evitado escrever sobre este assunto, por uma série de razões, mas achei que nesta altura faria sentido escrever um curto texto a dar conta do estado actual do debate em Portugal, e apontando para os diferentes recursos que já existem.

Em primeiro lugar, temos o relatório do processo sinodal em Portugal, que pode ser lido aqui. O relatório é suposto ser um resumo dos diferentes relatórios diocesanos e foi elaborado por uma equipa de trabalho composta por sete pessoas, entre leigos e religiosos, nomeadamente Carmo Rodeia, Diretora do Departamento de Comunicação do Santuário de Fátima; Anabela Sousa, Diretora do Departamento de Comunicação da Diocese de Setúbal; Isabel Figueiredo, Diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja; Paulo Rocha, Diretor da Agência Ecclesia; Pedro Gil, Diretor do Departamento de Comunicação do Opus Dei; Padre Eduardo Duque, Diretor Nacional da Pastoral do Ensino Superior e Padre Manuel Barbosa, Secretário da CEP.

Diga-se o que se disser sobre o relatório, penso que dificilmente se pode fazer a acusação de este ser um elenco demasiado progressista ou demasiado conservador, muito menos de as pessoas envolvidas não serem sérias.

Há uma nota importante sobre este relatório que deve ser tido em conta. Ele não é o resumo apenas dos relatórios das 21 dioceses portuguesas, mas inclui ainda vários outros documentos que foram enviados por grupos de leigos e religiosos que pelas mais variadas razões não se enquadravam, ou não se sentiram enquadradas nos processos diocesanos. [Esta informação foi-me simpaticamente transmitida no dia 12/9 por um membro da equipa, e acrescentada ao texto no mesmo dia.]

Mal saiu o relatório surgiram críticas de que este não era verdadeiramente representativo da Igreja em Portugal. A primeira reacção foi na forma de uma carta aberta, que pode ser lida aqui. Seguem-se os nomes dos primeiros signatários desta carta, que pode ser assinada por outros através do link acima. Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, cronista do Observador e da Voz da Verdade; Mafalda Miranda Barbosa, Professora da Faculdade de Direito de Coimbra; Bernardo Trindade Barros, Advogado e Professor universitário; Gonçalo Figueiredo de Barros, Jurista e Empresário; Luís do Casal Ribeiro Cabral, Médico; Cónego Armando Duarte, Pároco dos Mártires, Lisboa; António Bagão Félix, Economista e Professor universitário; Pedro Borges de Lemos, Advogado; João Paulo Malta, Médico; Aida Franco Nogueira, Advogada; Paulo Otero, Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; Padre Mário Rui Leal Pedras, Pároco de São Nicolau, Lisboa.

Pouco depois de ter sido publicada esta carta, o Padre Peter Stilwell, ex-diretor da Faculdade de Teologia da Católica, e ex-vice-reitor da mesma universidade, escreveu um artigo publicado no Sete Margens em que revela que também ficou com dúvidas e frustrações em relação ao relatório, mas depois explica porque razão acha a Carta Aberta premeditada e desnecessária. É um artigo interessante que também vale a pena ler. (Full disclosure: o Padre Peter é meu tio e padrinho).

Entretanto surgiu uma outra carta, desta vez assinada por jovens, que também contesta o relatório, nomeadamente o seu “pendor negativista”. Pode ser lida e assinada aqui.

E, finalmente, temos uma outra proposta que me pareceu interessante por ser uma abordagem crítica, mas ao mesmo tempo construtiva. O Padre Duarte da Cunha e o Padre Ricardo Figueiredo juntaram-se, leram todos os relatórios diocesanos e elaboraram um relatório alternativo que consideram ser mais fiel aos textos das diferentes dioceses. Pode ser lido aqui. Contudo, deve ser tido em conta que este relatório alternativo não contempla os muitos outros documentos extra-diocesanos a que a equipa da CEP teve acesso, pelo que naturalmente existirão diferenças significativas.

Penso que estes são recursos suficientes para que os interessados se possam inteirar do tema.

Gostaria aqui de fazer apenas um comentário geral, evitando pronunciar-me sobre os conteúdos dos diferentes documentos.

Em primeiro lugar, devo dizer que apesar de estes documentos representarem alguma divisão na Igreja, o facto de existirem, e de as pessoas se sentirem motivadas para se pronunciar e contribuir, é um sinal positivo. Estamos perante pessoas que não concordam umas com as outras, mas penso que todos os textos são respeitosos e motivados pela vontade de contribuir para o bem da Igreja Portuguesa, no seio da Igreja Universal. O que é isso se não sinodalidade?

Outra coisa que noto, contudo, é um certo centralismo dos textos, que radicam todos da realidade de grandes centros urbanos, nomeadamente Lisboa. Obviamente não conheço todos os subscritores das duas cartas abertas, mas na primeira sei que todos são de Lisboa, ou vivem em Lisboa, excepto uma que vive e trabalha em Coimbra. Obviamente isto em nada invalida os seus argumentos, mas é preciso ter em conta que o relatório é um resumo de todos os relatórios diocesanos, e reflecte por isso a vivência de pessoas desde o Funchal até Bragança, e dificilmente essas vivências, preocupações e propostas se encaixam na realidade conhecida por pessoas que fazem a sua vida eclesial na capital e numa das maiores cidades de Portugal.

O mesmo se aplica, em menor dimensão, à carta aberta dos jovens. Aí temos subscritores de várias dioceses, nomeadamente: Aveiro, Coimbra, Lisboa, Porto, Portalegre-Castelo Branco, Évora, Leiria-Fátima, Funchal, Braga e Viana do Castelo. Nota-se um esforço louvável de inclusividade e maior representatividade, mas ainda assim são apenas metade das dioceses territoriais de Portugal.

Tudo isto torna ainda mais interessante o “relatório alternativo” apresentado pelos padres Duarte e Ricardo, pois esse parte directamente dos textos dos relatórios diocesanos.

Por fim, é possível que neste resumo me tenha esquecido de algum outro recurso que ajude a contribuir para esta discussão/processo sinodal. Se sim, agradeço que me informem, que terei todo o gosto em acrescentar.


Actualização: No dia 7 de Novembro acrescentei o texto de Leopoldina Reis Simões

Actualização: No dia 13 a CEP respondeu a críticas sobre o relatório.

Actualização: No dia 12 de Setembro acrescentei mais informação aos pontos sobre o relatório da CEP e o relatório alternativo do Pe Duarte da Cunha. 

Outros textos

Aqui outro texto de opinião que vale a pena ler, de José Maria Seabra Duque

Relatório sinodal: desafio a discernir e praticar juntosa renovação eclesial - Pe. Jorge Guarda

O que faremos deste texto? - Jorge Wemans

Conservadores e progressistas na fronteira do diálogo - Sofia Távora

O Relatório de Portugal, o caminho da sinodalidade - Maria Carlos Ramos

Ainda o Sínodo - Pe. Alexandre Palma

Sínodo sobre sinodalidade: Ninguém disse que seria fácil - Leopoldina Reis Simões



Wednesday, 2 March 2022

E Deus Criou o Mundo - A dimensão religiosa da guerra na Ucrânia

Aqui podem ouvir a edição de terça-feira, dia 1 de Março, do progrema E Deus Criou o Mundo, e aqui a edição do dia 8 de Março, ambas sobre a dimensão religiosa da Guerra na Ucrânia, em que participei juntamente com Isaac Assor, Pedro Gil e Khalid Jamal. Moderação de Henrique Mota. Aqui podem ouvir ainda o terceiro episódio, sobre a religião e a guerra, em geral.

Monday, 7 June 2021

Adeus Shekau, não temos saudades

O Papa Francisco referiu, no domingo, a terrível descoberta de centenas de corpos de crianças numa escola católica no Canadá, que servia para “civilizar” jovens indígenas.

Francisco recordou ainda as vítimas de um atentado no Burkina Faso.

Mantém-se a situação difícil em Cabo Delgado. Um sacerdote diz que centenas de crianças estão a ser raptadas para serem soldados, ou noivas de soldados. No campo do terrorismo islâmico, temos uma notícia “interessante” da Nigéria… Depois de anos a ser perseguido pelas autoridades, o líder do Boko Haram acabou por ser morto por ordem do… Estado Islâmico!

A Human Rights Watch está preocupada com a situação dos refugiados muçulmanos de etnia rohingya, no Bangladesh.

Hoje aproveito também para vos sugerir duas edições do programa da minha colega e amiga Aura Miguel. Um, com o responsável da comunicação do Opus Dei, Pedro Gil, e outro, com a deputada municipal de Lisboa, Aline Galasch-Hall de Beuvink, que fala sobre a tragédia da “grande fome” que matou milhões de ucranianos durante o regime soviético, e da qual os seus avós foram sobreviventes.

E não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing em português, sobre o caso que está perante o Supremo Tribunal americano, que pode ter grandes efeitos na lei do aborto naquele país.

Monday, 5 February 2018

Actualidade Religiosa: Bons sons e domadores de unicórnios

Adoro a internet... A sério... 
O Bloco de Esquerda insiste na questão da eutanásia, deixando passar meses atrás de meses para que a palavra e as ideias vão entrando na cabeça dos portugueses até parecerem normais. Agora apresentaram finalmente o projecto de lei. Naturalmente a Associação de Médicos Católicos considera-a inaceitável. A Renascença tomou posição, para que não restem dúvidas, bem como a directora de informação, Graça Franco.

O Papa Francisco recebeu hoje o presidente da Turquia, estiveram reunidos cerca de uma hora e falaram sobre Jerusalém, entre outras coisas. Também convocou uma jornada de oração pela Paz.

D. Manuel Clemente diz que a Universidade Católica desempenha um papel que devia ser reconhecido pelo Estado.


Para quem não ouviu o programa “Voz do Deserto” ontem na Antena 3, podem ouvir aqui em podcast. Eu, o assessor de imprensa da Opus Dei, Pedro Gil e o pastor baptista Tiago Oliveira conversamos sobre religião, música e domadores de unicórnios numa conversa de duas horas, pontuada por bons sons, moderada pelo Tiago Cavaco.

Friday, 2 February 2018

Actualidade Religiosa: Paradoxos consagrados

O Papa Francisco falou esta sexta-feira sobre os paradoxos dos votos religiosos, nomeadamente a pobreza, castidade e obediência. Vale a pena ler.

A Fundação Fé e Cultura conseguiu oferecer mais de 2.000 presentes solidários a quem mais precisa!

Dois avisos para este final de semana… Para os mais noctívagos, não percam na Antena 3, na noite de domingo para segunda-feira, o programa do meu amigo Tiago Cavaco. Começa à meia-noite e dura duas horas. Os convidados desta semana sou eu, o chefe da sala de imprensa do Opus Dei e outro pastor baptista, também chamado Tiago. Foi uma conversa interessante, divertida e com música à mistura.

Convido-vos também a visitar e manter debaixo de olho o blog https://wherepeteris.com/, onde encontrarão artigos a defender o Papa Francisco dos seus críticos, incluindo aqueles de dentro da Igreja. Um projecto a acompanhar!

Tuesday, 3 February 2015

Papa em Sarajevo e Conferência de Hadjadj

Sarajevo aguarda visita do Papa Francisco em Junho
O Papa Francisco vai visitar Sarajevo em Junho. O anúncio foi feito ontem, durante o Angelus. Não deixa de ser muito interessante que com esta visita, três das quatro visitas europeias de Francisco fora de Itália sejam a países de maioria muçulmana!

Decorrem no Porto as Jornadas de Teologia da Universidade Católica, desta vez dedicadas a questões económicas.

Os últimos números mostram que por cada dois padres que morrem em Portugal, apenas um é ordenado. Passa-se uma situação parecida com as religiosas. Saiba mais aqui.

A lei que concede nacionalidade portuguesa a judeus sefarditas deu mais um passo em frente. Este é um momento histórico, dizem alguns judeus.

O director do Gabinete de Imprensa do Opus Dei em Portugal, Pedro Gil, considera que a Igreja precisa de mais mulheres a trabalhar na comunicação.


E as autoridades do Vaticano detectaram dois casos de posse de pornografia infantil dentro da Santa Sé em 2014. Houve também casos de tentativa de fazer entrar droga por via do correio. Saiba mais aqui.

A semana passada elogiei muito a conferência de Fabrice Hadjadj, no Congresso dos Leigos, que teve lugar no Porto no outro fim-de-semana. Agora podem ler o texto aqui. Não deixem de o fazer.

Thursday, 24 January 2013

Coptas e comunicações

Cardeal Józef Glemp
Antes de mais, queria ter avisado ontem mas esqueci-me, as Equipas de Nossa Senhora fazem uma reunião de divulgação do movimento esta noite no Estoril. Se está à procura de um movimento que trabalha a espiritualidade em casal, não deixe de aparecer às 21h30 no salão paroquial da Igreja de Santo António.

Passando à actualidade, o Papa publicou hoje a sua mensagem para o Dia das Comunicações Sociais. A esse propósito falei com Pedro Gil, porta-voz do Opus Dei. A transcrição completa dessa conversa pode ser lida aqui.

Ainda sobre este assunto, D. Nuno Brás considerou ontem no debate das quartas-feiras da Renascença, que os cristãos não podem deixar de estar presentes nas redes sociais.

Amanhã faz dois anos que começaram os protestos contra o regime no Egipto. E agora, qual é a situação do país e, especificamente, dos cristãos? Entrevistei um sacerdote copta sobre o assunto. A reportagem, com vídeo, está aqui. A transcrição integral, em inglês, encontra-se aqui. Reparem nas vestes dele, agora imaginem o quanto me diverti a andar com ele de Metro e a levá-lo a almoçar no Chiado…


E cinco deputados do PSD de Santarém querem saber porque é que o Governo anda a ignorar o turismo religioso

"O Papa tem vontade de cooperar com a verdade"

Transcrição integral da conversa com Pedro Gil, director de comunicação do Opus Dei em Portugal, sobre a mensagem do Papa para o dia das Comunicações Sociais. Ver reportagem aqui.

Na mensagem do Papa lê-se que: “As redes sociais podem reforçar laços de unidade entre as pessoas e promover a harmonia da família humana”: Na sua experiência, é assim?
Falo pela experiência pessoal e de outros. É um dilema. Temos por um lado o facto inovador de uma pessoa de repente, com facilidade poder entrar em contacto com gente a quem quer muito bem, que não tem possibilidade de ver fisicamente e com quem entra em contacto pelas redes sociais. Mas temos também um dado que é dilemático, contrastante e irónico que é de pessoas que estão no mesmo espaço familiar, que estão ligadas a pessoas distantes mas que dentro da mesma casa não têm muito tempo para estar uns com os outros.

Portanto há uma aprendizagem que é preciso ser feita. Mas dentro dos condicionalismos que o Papa apresenta, sim é possível chegar à ideia de que as redes sociais reforçam a unidade e podem promover a harmonia.

O Papa diz também que as pessoas devem esforçar-se por serem autênticas. Há uma maior facilidade em ser falso no mundo digital?
Este é um dos pilares da proposta positiva que o Papa tem. Ele diz que devemos ser o que somos em qualquer circunstância. Tem a ver com a ideia da unidade de vida, segundo alguns autores, que nos deve fazer ser sempre aquilo que somos em qualquer circunstância, portanto não andarmos disfarçados. Concretamente sabemos que é fácil na internet transformar a relação entre as pessoas numa espécie de baile de máscaras em que as pessoas estão mas ao mesmo tempo estão escondidas. O desafio é esse, ser completamente transparente, não quer dizer contar tudo, quer dizer é que cada um deixe mostrar aquilo que realmente é, sem transmitir falsas imagens. Isso já seria o caminho da mentira, que o Papa considera ser o caminho errado. É apenas um risco de liberdade, enquanto oportunidade pode dar-se um ambiente de unidade e até de harmonia.

O Papa pede um “cuidadoso” discernimento, que se evite o sensacionalismo e os “tons demasiado acesos”. No seu caso, enquanto director de comunicação do Opus Dei, como é que mantém a calma quando confrontado com os muitos preconceitos que existem não só em relação à Igreja, mas em particular contra a obra?
Temos que enfrentar sempre essas dificuldades com muita serenidade, em primeiro lugar considerando que é normal que haja pessoas que tenham opiniões diferentes, tenham visões do mundo que não sejam compatíveis ou que simplesmente não se sintam bem com certas propostas, isso é normal. Quando diante de nós aparecem pessoas com atitudes mais hostis ou provocadoras isso é um teste à nossa resistência, a percebermos que também não tem tanta importância assim.

Ao mesmo tempo julgo que é preciso sempre imaginar que quem faz isso pode estar numa posição de fragilidade, por isso há circunstâncias da vida dessa pessoa que facilitam a que tenha essa reacção, por isso o mundo que não conhecemos dentro do universo pessoal de cada um é tão grande que temos de ter um bocadinho de humildade e respeitar, por isso determo-nos diante disso e ter um pouco de paciência e esperar por melhores dias, também é importante.

Bento XVI cita o seu discurso ao mundo da cultura, em Lisboa. “Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza”. Falta à sociedade esta capacidade de acolher e aprender com a cultura do outro, e não apenas “tolerá-la”?
Falta muito e não falta só naquelas pessoas que têm uma opinião diferente de nós e que são um bocado intransigentes, pode faltar também no mundo do Cristianismo essa abertura.

Este apontamento, além de para nós ser uma simpatia porque a única citação do texto é do seu discurso de Lisboa, é também um apontamento autobiográfico. O Papa é assim. Eu até já ouvi testemunhos de pessoas que o conhecem directamente que dizem que tal como diz o seu lema, ele tem tanta vontade de cooperar com a verdade que assim que a descobre noutros não tem nenhuma dificuldade em se render a isso.

Papa no Twitter, autenticamente
Isto é fácil de dizer mas é mais difícil de fazer, porque muitas vezes construímos as nossas convicções de tal maneira que achamos que fizemos um percurso triunfante até chegar lá, por isso quando alguém põe isso em questão e nos faz perceber que o percurso era outro, temos de nos despir do nosso orgulho para conseguir perceber que ela tem razão. É um processo difícil, não só intelectual, é também volitiva, do coração. Só quero dizer que o Papa aconselha a fazer isso, a ter essa ginástica interior, mas quando o faz é com base na sua experiência pessoal.

O Papa termina num tom positivo, indicando que por causa das redes digitais há muita gente que sente um apelo para participar “em lugares concretos” experiências de oração ou litúrgicas. A sua experiência confirma isto?
Para muita gente tudo pode ter começado na internet. Ainda há pouco tempo conheci uma história de uma rapariga que foi a ouvir uma música no YouTube que teve uma percepção clara que Deus a chamava para dominicana. Isso acontece assim, as pessoas às vezes encontram a curiosidade, o movimento do coração a propósito destes meios.

Sempre será assim, a forma pela qual se dá aquele encontro com Deus é sempre variadíssima. Aqui mais do que a criatividade do homem em encontrar novas plataformas é a criatividade de Deus em serviço de todas as plataformas para se fazer comunicar. Confirmo a experiência de muita gente que conhece o Cristianismo através dos suportes digitais, mas depois chega mesmo a ter um encontro real com Deus.

Recentemente fez-se muito alarido com a chegada de Bento XVI ao Twitter. Na sua opinião, qual é a real importância da presença do Papa nas redes sociais?
A presença é importante porque onde há um espaço bom, aberto, humano, aí deve estar a voz de Deus, a voz da Igreja e a voz do Papa. O Twitter em concreto aproveita um dos aspectos singulares deste Papa de conseguir dizer ideias muito fortes em muito poucas palavras, o Twitter é uma plataforma excelente para isso.

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